Foto: Reprodução/Memória Globo
Por Dudu Monteiro de Paula
Era 1982. O Brasil tinha um elenco extraordinário na seleção de futebol, o melhor de muitas décadas, e dirigido pelo gênio técnico Telê Santana. Imaginas um time que tinha, além de outros craques, Zico, Sócrates e Júnior. O clima era de muito otimismo em todo o país e no Amazonas não era diferente.
Um grupo muito grande de amazonenses estava confirmado na Copa da Espanha e eu tinha uma credencial especial, pois já pertencia à Associação Internacional da Imprensa Esportiva (AIPS) e, lógico, da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (ABRACE).
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Eu, na TV Aamazonas, pleiteei ir com o Grupo Globo para a Copa na Espanha, mas não consegui porque já estavam com o elenco completo. Porém, à época, a Federação Amazonense de Futebol era dirigida pelo Dissica, que, ao saber de meu pré-credenciamento, convidou-me para ir até a Espanha pelo jornal A Crítica, e eu aceitei com a autorização da TV Amazonas.
Embarcamos em um grupo grande de pessoas e nos dirigimos a Torremolinos (na Costa del Sol, na região da Andaluzia, na Espanha), onde o Brasil faria a sua estreia contra a Escócia. Ficamos hospedados em um hotel com as duas torcidas (Brasil e Escócia). No primeiro dia foi difícil dormir: os escoceses não paravam de cantar e beber.
No almoço resolvemos dar o troco: juntamos todos os brasileiros e fomos confrontá-los com uma “micro” escola de samba e muitas garrafas de cachaça. Eles, ao beberem a cachaça, chamaram de refrigerante, e em quesito de barulho também fomos derrotados. Eles só pararam de beber e cantar depois da derrota da Escócia para o Brasil.
Entre os amazonenses, estava o meu amigo Roberto, que tinha feito uma promessa: iria aparecer na transmissão do mundial. Acredite, ele apareceu! Na bagagem, ele levou um cocar indígena e o colocou quando chegou na plateia, marcando a presença e sendo filmado e entrevistado pela mídia internacional.
Como eu estava credenciado, fui para o local da imprensa e encontrei com outro amigo, o Arnaldo Santos. Quando em vida, ele esteve em todas as Copas do Mundo, convidado pela Coca-Cola por ser funcionário da empresa e jornalista esportivo.
Lembro que usei o que existia de mais moderno na época para transmitiir notícias para o Brasil: um telefone especial que era conectado a um teclado que escrevíamos as mensagens e, se necessário fosse, com fotografia. Eram os primeiros movimentos de um aparelho que depois seria conhecido como TELEX.
O resultado da Copa foi a eliminação do Brasil para a Itália em um jogo dramático no estádio que eu estava presente e junto com a seleção eu também voltei mais cedo para o país.
Por hoje é só. FUUUUUUIIIIIIII!!!
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Sobre o autor
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
