#Série – 7 festas religiosas para conhecer no Amapá

As festas religiosas são expressões populares que ultrapassam a fé individual e se consolidam reunindo diversos fieis em procissões, promessas e tantas outras celebrações que atravessam gerações.

O Portal Amazônia procurou algumas dessas manifestações mais populares nos estados da Amazônia Legal e preparou uma série destacando as principais festas religiosas de casa estado.

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Após cinco festas religiosas celebradas no Acre, a série segue para o Amapá, estado com tradições religiosas profundamente conectadas à ancestralidade africana e à cultura ribeirinha.

O Amapá possui em seus municípios e comunidades quilombolas, manifestações religiosas centenárias que reúnem música, teatro, dança e rituais. 

Conheça sete festas religiosas tradicionais no Amapá

Festa de São José

A festa de São José, padroeiro do Amapá, é celebrada de 16 à 19 de março, e reúne romarias, um tríduo, uma missa solene, uma carreata e uma festa social. São José era carpinteiro na Galiléia e marido da Virgem Maria, protetor da Sagrada Família, foi escolhido por Deus para ser o patrono de toda a Igreja de Cristo.

A tradição dessa celebração acontece desde a fundação da Vila em Macapá, em 1758. No entanto, a construção da catedral dedicada ao santo só começou três anos depois.

Foto: Alexandra Flexa/GEA

Leia também: Devoção: conheça os santos protetores dos Estados da Amazônia

Além disso, no ano de 1870, São José foi declarado oficialmente como o Patrono Universal da Igreja pelo Papa Pio IX e declarado o Patrono da Justiça Social pelo Papa Bento XV. 

Durante os dias 16 a 18, acontece a romaria das crianças, a romaria dos jovens, a missa campal no monumento, o tríduo na catedral e a missa solene.

No dia 19 de março, dia de São José e feriado estadual, a missa solene é realizada na catedral de São José, além de uma procissão, uma festa social e um bingo, uma carreata e a missa de encerramento. 

Marabaixo

O Marabaixo, celebrado oficialmente no dia 16 de junho, por meio da Lei Estadual nº 1521/2010, é uma das principais celebrações do Amapá. Realizado dentro das comunidades quilombolas, especialmente nos bairros do Laguinho, Santa Rita, Favela e na Vila de Mazagão Velho, a celebração foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2018. 

As rodas de Marabaixo acontecem em um barracão ao som das caixas e tambores feitos de madeira e couro, e versos cantados pelo público que misturam devoção, memória e resistência. Além disso, as danças são marcadas por passos curtos e saias rodadas que dão movimento à roda. 

festas religiosas
Dançadeiras na roda de marabaixo, no centro cultural, Julião Ramos. Foto: Reprodução/IPHAN

Apesar de ser uma celebração com raízes profundas nas religiões de matriz africana, o Marabaixo segue o calendário do catolicismo popular, especialmente as festas do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade.

A gengibirra, bebida tradicional feita com gengibre e cachaça, e as mulheres, responsáveis por conduzir os cantos e transmitir os saberes, são pilares dessa manifestação. 

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

Festa de São Tiago

A festa de São Tiago, realizada anualmente em Mazagão Velho, é considerada uma das mais ricas manifestações de fé e cultura. Com mais de 246 anos de tradição, a celebração é realizada por 13 dias e conta com missas, transladações, arraiais e apresentações principais nos dias 24 e 25 de julho, que reúnem devoção católica, heranças africanas e uma encenação teatral que mobiliza toda a comunidade. 

A festa tem origem no século XVIII, quando famílias que viviam na colônia portuguesa de Mazagão, na África, foram transferidas para a Amazônia e trouxeram consigo a devoção a São Tiago e o teatro das batalha. O teatro conta a aparição de Tiago como um soldado anônimo que lutou bravamente ao lado do povo cristão contra os mouros e garantiu sua vitória.

Festa de São Tiago. Reprodução/Arquivo GEA

Leia também: Festa de São Tiago 246 anos: conheça a batalha entre mouros e cristãos

A encenação envolve momentos marcantes, como o baile das máscaras, que representa o engano dos mouros ao tentar envenenar os cristãos, a cena do ‘bobo velho’, em que um espião mouro é recebido com bagaços de laranja jogados pela comunidade, o confronto teatral entre os exércitos e o vominê, dança da vitória dos cristãos.

As encenações teatrais são os momentos mais esperados dos festejos, sendo celebrado então o dia santo de São Tiago.

Festividade de Nossa Senhora da Luz 

A festividade de Nossa Senhora da Luz, também celebrada em Mazagão Velho, integra sete comunidades tradicionais e um ritual que ultrapassa mais de um século. A devoção foi trazida por Maria Nogueira da Fonseca, carioca que se mudou para o Amapá com o marido no fim do século XIX.

A festa dura oito dias e reúne folias, fogos de artifício, alvoradas, um novenário, batuques tradicionais e visitas às casas das famílias devotas. O ápice da festa acontece no dia 8 de setembro, data em que a comunidade recebe os visitantes, os grupos musicais e os romeiros.

Festa de Nossa Senhora de Nazaré

Inspirada na tradição do Círio paraense, a festa de Nossa Senhora de Nazaré em Macapá reúne mais de três décadas de tradição. Realizada pela primeira vez em 1934, a primeira procissão do Círio de Nazaré, segundo a Diocese de Macapá, aconteceu graças à religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria que resolveram organizar uma festa em homenagem a padroeira dos paraense. 

Círio de Nazaré no Amapá. Foto: Marcelo Loureiro

A programação, realizada anualmente em outubro, inclui a missa da troca do manto e procissão de transladação, romaria, romaria fluvial, romaria dos motociclistas, missa e procissão do Círio de Nazaré, sete dias com Maria, romaria dos jovens, romaria das crianças, missa e procissão do recírio, festas dos devotos e uma programação musical com um Círio Musical. 

O ritual das barracas foi incorporado no evento, vindo das tradições de Belém. Em Macapá, as barracas eram construídas rudimentarmente em frente à igreja de São José, no local onde hoje é o Teatro das Bacabeiras. Até a década de 60 havia a ‘Barraca da Santa’ em frente à Igreja, onde eram realizadas as festividades da administração paroquial, acompanhadas de retretas da Guarda Territorial.

Leia também: 5 curiosidades sobre o Círio de Nazaré no Amapá

Festa de Nossa Senhora da Piedade

A festa de Nossa Senhora da Piedade, realizada na comunidade quilombola do Igarapé, também em Santana, reúne mais de 150 anos de tradição. Em 2024, a celebração foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Amapá.

Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

A festividade ocorre entre junho e julho, e conta com a peregrinação da imagem, novenas, folias, batuques, uma procissão fluvial, bailes populares e a tradicional Procissão da Meia Lua, realizada com barcas pelos rios da comunidade.

Durante as festividades, os romeiros pagam promessas com velas, rezas e fogos no ritual da ‘pedra do castigo’, um dos rituais mais conhecidos da celebração.

Festa de São Gonçalo

A festa de São Gonçalo, realizada no dia 10 de janeiro, em Mazagão Velho, reúne moradores e visitantes em celebrações de devoção, cultura popular e identidade histórica da comunidade. Vestidos com trajes nas cores amarelo, branco e verde e símbolos do santo, os foliões percorreram as ruas da vila entoando cânticos, tocando violões e balançando sinos.

Considerado padroeiro dos violeiros e conhecido também como santo casamenteiro, São Gonçalo de Amarante viveu em Portugal entre os séculos XII e XIII. Protetor dos humildes, sua história é cercada por relatos de milagres e por sua forma singular de evangelizar.

Foto: Aog Rocha/ GEA

Após a missa em honra a São Gonçalo, a programação segue uma procissão e tradicional cortejo cultural ao redor do quarteirão. O cortejo tem início na casa do juiz do mastro, pessoa responsável por guardar a imagem do santo e conduzi-la à igreja matriz. 

Além disso, a programação também inclui momentos de confraternização, almoço comunitário, música ao vivo e atividades típicas, como o leilão e a derrubada do mastro.

*Com informações da Diocese de Macapá, do IPHAN e do Governo do Amapá

**Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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