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Startup de Rondônia é habilitada pelo Ministério da Saúde para integrar o Laboratório InovaSUS Digital

Foto: Divulgação/UNIR

A startup Ecotech Amazônia, criada na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), foi recentemente habilitada pelo Ministério da Saúde (MS) para integrar o Laboratório InovaSUS Digital. Com o resultado final da seleção de parceiros digitais divulgado no fim de abril (acesse aqui), a iniciativa reforça o protagonismo da Amazônia no desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

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A startup Ecotech Amazônia foi selecionada por meio de um chamamento público coordenado pela Secretaria de Informação e Saúde Digital do MS, passando a compor um banco estratégico de instituições aptas a desenvolverem projetos voltados ao SUS Digital e ao programa Agora Tem Especialistas.

Inovação desenvolvida a partir da realidade amazônica

Um dos principais diferenciais da startup está justamente na forma como enfrentou desafios reais da vigilância em saúde. A principal solução apresentada, a plataforma EGGSCAN-AI, voltada ao monitoramento do Aedes aegypti, surgiu a partir de um problema prático: a baixa qualidade das amostras de palhetas das ovitrampas coletadas em campo.

Coletadas em ambiente externo, as amostras frequentemente apresentam sujeira, presença de outros insetos e variações que dificultam a identificação dos ovos do mosquito, que são extremamente pequenos.

Leia também: Ovitrampas: nova estratégia vai monitorar o Aedes aegypti em Manaus para combater a dengue

Startup de Rondônia é habilitada pelo Ministério da Saúde para integrar o Laboratório InovaSUS Digital
Foto: Divulgação/UNIR

Segundo o coordenador do programa, Ilton Alves, o desenvolvimento da plataforma enfrentou obstáculos importantes relacionados à qualidade das amostras coletadas em campo.

“Os principais desafios técnicos foram encontrar um padrão nas palhetas, que vêm com muita sujeira e insetos por serem coletadas em campo. Nenhum algoritmo convencional funcionou por causa da dificuldade em identificar os ovos do Aedes aegypti, que são muito pequenos. A solução foi usar scanners de impressoras para gerar imagens de alta qualidade em ambiente controlado e viabilizar o treinamento da inteligência artificial”.

Após cerca de dois anos de testes sem sucesso com métodos convencionais, a equipe da startup encontrou uma solução criativa: utilizar scanners de impressoras comuns para capturar imagens em alta resolução e em ambiente controlado. A estratégia permitiu gerar grandes volumes de imagens com qualidade suficiente para treinar os modelos de inteligência artificial, superando um dos principais gargalos do projeto.

Tecnologia acessível e eficiente

Outro ponto que diferencia a EGGSCAN-AI é sua acessibilidade. Ao contrário de outras soluções que exigem microscópios ou equipamentos de alto custo, a plataforma foi desenvolvida para funcionar com um scanner doméstico e em ambiente web, sem necessidade de infraestrutura avançada.

O sistema utiliza redes neurais especializadas em visão computacional, mas foi otimizado para operar sem uso intensivo da Unidade de Processamento Gráfico (GPU), o que permite sua adoção por municípios e equipes com recursos limitados.

Leia também: SUS na Amazônia: ponto de atendimento à saúde é inaugurado onde uma consulta podia exigir até 3 dias de viagem de barco

Além disso, a tecnologia foi pensada especificamente para o substrato oficial utilizado pelo Ministério da Saúde, a palheta de fibra de madeira, o que facilita sua integração com os protocolos já existentes no país.

Testada em 130 palhetas reais coletadas em campo, a solução alcançou cerca de 98% de precisão em comparação com a contagem manual feita por especialistas. Na prática, isso significa reduzir significativamente o tempo de análise e ampliar a capacidade de monitoramento sem necessidade de ampliar equipes.

Startup integra ensino, ciência e tecnologia

O desenvolvimento da plataforma também evidencia o papel da formação acadêmica na inovação. Três estudantes participaram diretamente do projeto, integrando diferentes áreas do conhecimento.

O pesquisador William Cardoso Barbosa iniciou sua trajetória ainda na graduação, na UNIR, e atualmente integra o programa de pós-graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional da Universidade de São Paulo (USP). Atuando no desenvolvimento técnico da solução, ele foi responsável pela modelagem da inteligência artificial, processamento das imagens e construção da plataforma web.

Já os estudantes Matheus de Araújo Paz e Mirilene Mendes Martins, vinculados ao programa de Biologia Experimental da Fiocruz em parceria com a UNIR, atuaram na parte entomológica do projeto. Eles foram responsáveis pela instalação das ovitrampas, pela coleta das amostras em Porto Velho e pela contagem manual dos ovos em microscópio, etapa essencial para treinar e validar o sistema.

A colaboração entre computação e biologia foi determinante para o sucesso da iniciativa, unindo conhecimento técnico e experiência de campo.

Próximos passos 

Com a habilitação no InovaSUS Digital, a Ecotech Amazônia passa a integrar um seleto grupo de instituições aptas a colaborar com o Ministério da Saúde em projetos estratégicos. Embora não haja contratação imediata, a startup poderá ser acionada para futuras demandas dentro do SUS.

A expectativa agora é avançar para novas etapas de validação e expansão da tecnologia, ampliando seu uso em diferentes regiões do país e contribuindo para o enfrentamento de arboviroses que seguem como um dos principais desafios da saúde pública brasileira.

*Com informações da UNIR

Formigas ajudam a recuperar florestas, mas falta de dados reduz seu uso na restauração

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A interação das formigas funciona como uma engenharia invisível. Foto:

Quando as sementes caem muito perto da planta-mãe, as novas mudas acabam competindo com a própria “família” por luz, água e nutrientes. A proximidade derruba as chances de sobrevivência. Para resolver o problema, a natureza usa dispersores que levam as sementes para novos territórios. Em áreas degradadas, onde vertebrados frugívoros — como mamíferos e aves de maior porte — já desapareceram devido à caça excessiva e ao desmatamento, as formigas assumem o protagonismo e atuam como pequenas engenheiras na reconstrução dos ambientes naturais.

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Um novo estudo brasileiro, recém-publicado na revista Brazilian Journal of Biology, revela um grave apagão de dados sobre como as formigas atuam na dispersão de sementes em biomas ameaçados, como a Amazônia, o Pantanal e o Pampa. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

A equipe analisou dez anos de literatura científica global e descobriu que a maioria das pesquisas nacionais prioriza apenas a mata atlântica e o cerrado. O dado é ainda mais paradoxal quando se considera que o Brasil foi o país com o maior número absoluto de publicações sobre o tema no período analisado, com 27 artigos — 17,9% de toda a produção mundial

Formigas ajudam a recuperar florestas
Foto: Ayrton Lopes/Fapeam

Mesmo liderando globalmente, a ciência brasileira concentra esse esforço em apenas dois biomas, deixando vastas regiões sem qualquer informação empírica. A ausência de informações nos outros ecossistemas acontece exatamente durante o avanço acelerado do desmatamento e das queimadas, o que bloqueia a compreensão real sobre o funcionamento dessas áreas.

“Na prática, isso cria um ‘apagão de informação’: justamente onde mais precisamos de conhecimento ecológico, sabemos menos. E isso pode levar a estratégias de conservação menos eficientes ou até equivocadas, porque estamos tomando decisões sem conhecer bem os processos naturais que sustentam esses ecossistemas”, alerta Ricardo Vicente, pesquisador da UFAM e um dos autores do estudo.

Formigas tem parceria pouco explorada

Na natureza, essa parceria recebe o nome de mirmecocoria e opera à base de recompensa. As plantas desenvolvem uma parte nutritiva acoplada à semente. Os insetos levam a estrutura até o ninho, consomem apenas a parte de interesse e descartam a semente intacta em um local rico em matéria orgânica, favorecendo a germinação.

O artigo aponta uma falha comum na ciência mundial: apenas 17,9% dos estudos analisados verificaram explicitamente se as sementes foram de fato dispersas ou simplesmente consumidas pelas formigas, e somente 16,6% realizaram testes para avaliar se as sementes permaneciam viáveis após o manuseio pelos insetos.

“O problema é que muitos estudos registram apenas que a formiga ‘removeu’ a semente, mas não acompanham o que acontece depois. No campo, isso costuma ser interpretado como algo negativo, como se a formiga estivesse apenas consumindo ou destruindo a semente”, explica o cientista.

Leia também: A vida secreta das formigas: estudo revela diferenças entre formigas terrestres e arborícolas da Amazônia

Esse erro de método acaba gerando confusão entre a dispersão verdadeira e a predação (quando o inseto de fato destrói a semente). Sem provas claras, gestores ambientais costumam encarar todas as formigas como vilãs devido ao histórico de pragas das cortadeiras. Na prática, o medo leva ao uso desnecessário de inseticidas em áreas de plantio florestal.

“Sem esse entendimento sobre a ‘remoção de sementes’, existe o risco de tomar decisões baseadas em percepção e não em evidência, como eliminar indiscriminadamente formigas que poderiam estar ajudando na recuperação da área”, destaca Vicente.

Os autores defendem agora a adoção de metodologias padronizadas que exijam o acompanhamento do destino final das sementes nos trabalhos de campo. Ao mapear as melhores parcerias ecológicas, os formuladores de políticas públicas terão a chance de aproveitar o trabalho silencioso dos insetos para baratear e turbinar a restauração das florestas brasileiras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Isabelle Nogueira recebe Medalha de Ouro Rodolpho Valle na CMM

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Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Em uma sessão com muita música e dança, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) concedeu, nesta sexta-feira (15) a Medalha de Ouro Rodolpho Valle à cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira. A homenagem ocorreu no plenário da Casa Legislativa e reuniu vereadores, convidados e representantes do meio cultural.

A Medalha de Ouro Rodolpho Valle é uma das mais altas e importantes condecorações concedidas pelo parlamento municipal. A honraria é estritamente destinada a cidadãos e personalidades que, por meio de suas trajetórias, prestaram serviços de relevância pública e impacto notável à cultura e à sociedade manauara.

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A proposta partiu do vereador João Paulo “Janjão” (Agir) e teve a aprovação de todos os vereadores da casa. No início do seu discurso, Isabelle Nogueira agradeceu não somente ao parlamentar que fez a proposta, mas a todos os servidores do legislativo municipal.

“Deus seja louvado por eu estar aqui. Eu quero aqui poder fazer o meu agradecimentos a todos dessa augusta casa, desde os serviços gerais, aos seguranças, prestadores de serviços, todos os funcionários, que mantém de forma feliz, justa e digna, esta casa de pé. Também quero estender meus cumprimentos a mesa diretora, a todos que estão aqui, meus colegas, as autoridades presentes, vereadores, e gostaria de agradecer ao Joõa Paulo, mais uma vez, por todo o carinho”, destacou Isabelle Nogueira.

Trajetória de Isabelle Nogueira até a medalha de ouro Rodolpho Valle

A trajetória de Isabelle Nogueira até a entrega da Medalha de Ouro Rodolpho Valle, nesta sexta-feira (15), em Manaus, é marcada pela construção de uma imagem pública ligada à valorização da cultura amazônica.

Natural da capital amazonense, ela iniciou sua vida profissional ainda jovem e chegou a atuar como professora, antes de ganhar projeção no cenário cultural como item oficial do Boi Garantido no Festival Folclórico de Parintins.

Ao longo dos anos, consolidou-se como uma das principais representantes da figura da cunhã-poranga, o item 9, papel de destaque na festa folclórica, tornando-se também referência na defesa e difusão das tradições regionais através de suas falas e seus vídeos.

Essa explicação foi dada pelo vereador que propôs a medalha, durante fala após a concessão de entrega da honraria.

“Estou muito feliz Isabelle, de poder participar deste momento contigo. Você é uma pessoa especial, que ilumina onde está e merece só coisas boas. Essa é uma honraria da Câmara Municipal de Manaus, feita não só por mim mas por todos os vereadores também”, explicou João Paulo “Janjão”.

Leia também: Marciele Albuquerque recebe Título de Cidadã Amazonense na Aleam

CMM homenageia Isabelle Nogueira
Foto: Eder França/Dicom

Durante o pronunciamento, Isabelle Nogueira relembrou as dificuldades financeiras vividas na infância e destacou a história da mãe, que engravidou ainda na adolescência. Segundo ela, a realidade dentro de casa exigiu amadurecimento precoce e divisão de responsabilidades desde cedo. Enquanto a mãe trabalhava para sustentar a família, Isabelle ajudava a cuidar do irmão e também auxiliava a avó na feira da Grande Circular, em Manaus, onde participava da venda de roupas aos fins de semana.

A influenciadora também mencionou sua trajetória em escolas públicas de Manaus, marcada por desafios e superação quando lecionava o idioma espanhol.

Ao abordar sua caminhada, Isabelle Nogueira enfatizou o papel transformador da cultura em sua vida:

“Minha infância foi cercada por dificuldades, inseguranças e muitas limitações. Cresci vendo minha mãe lutar diariamente para sustentar a nossa família e, desde muito cedo, entendi que também precisava ajudar. Entre a escola, os trabalhos na feira e as responsabilidades em casa, parecia que tudo estava contra mim, mas foi justamente nesse cenário que a cultura apareceu como uma oportunidade. Foi nos grupos folclóricos, nos ensaios e nas apresentações que eu encontrei acolhimento, propósito e uma nova perspectiva de vida. A cultura me deu direção, me deu voz e me mostrou que era possível sonhar e construir um futuro diferente”, declarou.

Cemitério de Manaus é escolhido como palco de estreia de documentário sobre ‘Santa Etelvina’

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O documentário ‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia’ será exibido nesta sexta-feira (15), às 20h, no Cemitério São João Batista. Foto: Divulgação

O documentário ‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia‘ será exibido nesta sexta-feira (15), às 20h, no Cemitério São João Batista, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul de Manaus (AM). A obra revisita a história de Etelvina de Alencar, assassinada há 125 anos na capital amazonense e transformada, ao longo do tempo, em símbolo de fé popular.

Cemitério São João Batista, em Manaus, é palco de estreia de documentário sobre santa etelvina
Foto: Divulgação

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Produzido ao longo de dois anos, o documentário reúne relatos de pessoas que frequentam o túmulo de Etelvina e dizem ter alcançado graças atribuídas à mulher conhecida como “Santa Etelvina”. As gravações foram feitas nos Dias de Finados de 2024 e 2025, quando a equipe ouviu mais de 60 pessoas no cemitério.

Etelvina foi assassinada em 1901 pelo ex-namorado, em um caso que também terminou com a morte de outras quatro pessoas.

Saiba mais: Santa Etelvina: Relembre a história da ”santa” dos estudantes

Documentário amplia discussões

De acordo com os realizadores, o filme busca ir além do resgate histórico e provocar reflexões sobre violência contra a mulher, memória e fé.

“O filme reconhece dor e fé como dimensões que muitas vezes caminham juntas. A dor da tragédia é o ponto de partida. É a partir dela que surge a fé, como forma de busca por sentido diante do que escapa à compreensão humana”, afirmou o diretor Cleinaldo Marinho.

Ao Grupo Rede Amazônica, Marinho disse que recuperar histórias como a de Etelvina também ajuda a reconstruir identidade e pertencimento. Para ele, o caso evidencia uma violência estrutural contra a mulher, marcada pelo controle, pela posse e pela dominação.

“A memória, na arte, não fala apenas sobre o passado. Ela é uma ferramenta do presente para criar sentido e resistência. Etelvina sobreviveu porque é lembrada”, declarou.

A atriz Rosana Neves interpreta Etelvina nas cenas ficcionais do documentário. Segundo ela, o trabalho foi marcado por descoberta e responsabilidade. “O que fica para mim é a força dessa mulher, que agora também faz parte da minha história como atriz”, disse.

O diretor afirmou ainda que a obra não pretende encerrar o debate sobre a história de Etelvina, mas ampliar discussões sobre memória, violência, fé e construção social de narrativas.

O documentário foi contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), com recursos do Governo Federal.

*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica AM

MPF ajuíza ação para impedir mineração na Floresta Nacional do Amapá

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Flona do Amapá. Foto: Divulgação/INCT

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública, com pedido de decisão urgente, para impedir a autorização de atividades de mineração na Floresta Nacional (Flona) do Amapá. A ação foi proposta contra a Agência Nacional de Mineração (ANM) e requer a suspensão imediata da análise de pedidos de pesquisa, lavra garimpeira e outorga de concessão minerária na unidade de conservação federal, assim como das autorizações já concedidas.

Também foi solicitado o bloqueio nos sistemas, como o Sistema de Informações Geográficas da Mineração (Sigmine), para que a área fique indisponível para novos pedidos.

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A ação baseia-se em procedimento administrativo instaurado pelo MPF para acompanhar requerimentos minerários incidentes sobre a Flona do Amapá. A apuração identificou títulos minerários concedidos para áreas sobrepostas à unidade de conservação, inclusive em favor da Cooperativa de Garimpeiros do Vale do Capivara (Cogaca) e da empresa Sumitomo Metal Mining do Brasil Ltda.

O MPF aponta que, embora o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tenha se manifestado contra os pedidos, a ANM manteve os processos administrativos. A ação sustenta que a exploração mineral é incompatível com os objetivos da Flona, previstos na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) e no plano de manejo da unidade, aprovado em 2014, que proíbe expressamente a pesquisa para lavra mineral no interior da área protegida.

Para o procurador da República João Pedro Becker Santos, autor da ação, permitir o avanço de processos minerários em local onde a atividade é vedada gera insegurança jurídica, ameaça ao patrimônio ambiental protegido e cria expectativa indevida de direito a empreendedores interessados na exploração mineral da área.

Leia também: Pesquisa em floresta do Amapá fornecerá dados sobre mudanças climáticas para a Nasa

Recomendação do MPF

O MPF já havia expedido, em 2024, recomendação à ANM para que não autorizasse pesquisa ou lavra na unidade de conservação. A própria Procuradoria Federal Especializada junto à agência manifestou entendimento favorável, reconhecendo que a vedação prevista no plano de manejo da Flona impede a exploração mineral.

Após a recomendação, a Gerência Regional da ANM no Amapá suspendeu os processos relacionados à Cogaca e à Sumitomo, mas informou não possuir competência para impedir, de forma definitiva, a apresentação de novos requerimentos sobre a área. Segundo a autarquia, a adoção dessa medida depende de deliberação da Diretoria Colegiada da agência, em Brasília.

MPF ajuíza ação para impedir mineração na Floresta Nacional do Amapá
Foto: Reprodução/ICMBio

Pedidos 

Ao final do processo, o MPF pede que a Justiça determine à ANM que não autorize qualquer novo requerimento ou conceda título minerário em área localizada nos limites da Flona do Amapá.

Além disso, requer que a agência seja condenada a indeferir todos os requerimentos de autorização de pesquisa mineral, permissão de lavra garimpeira e concessão de lavra na unidade, ainda em trâmite, no prazo de 30 dias, sob pena de multa.

Também foi pedido o aperfeiçoamento dos sistemas eletrônicos, como o Sigmine, para bloquear automaticamente requerimentos em áreas sobrepostas à Flona. Por fim, foi solicitado que a ANM seja obrigada a não deflagrar o procedimento de disponibilidade sobre a área de antigo interesse da Cogaca e a declarar a nulidade do procedimento referente à Sumitomo.

Áreas sobrepostas

Segundo o MPF, o sistema Sigmine atualmente já aplica restrição total para unidades de conservação de proteção integral, mas a Flona do Amapá permanece cadastrada apenas com restrição parcial, apesar da vedação expressa à mineração prevista em seu plano de manejo. Para o órgão, a alteração do sistema evitaria a tramitação de pedidos incompatíveis com a legislação ambiental e reduziria gastos públicos desnecessários.

De acordo com a ANM, existem ao menos 50 processos minerários incidentes sobre a Flona do Amapá. A ação ressalta que a mineração na região pode causar danos ambientais irreversíveis, especialmente em razão da supressão florestal e dos impactos sobre os ecossistemas protegidos.

Ação Civil Pública nº 1007680-55.2026.4.01.3100: Consulta Processual

*Com informações do MPF

Roraima participa de programa nacional de combate ao crime organizado

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Representantes de Roraima participaram do lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Foto: Divulgação/PCRR

Representantes da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) e das forças de segurança de Roraima participaram no dia 12 de maio, em Brasília, do lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, iniciativa do Governo Federal que prevê investimento superior a R$ 11 bilhões no enfrentamento às facções criminosas, milícias, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e demais estruturas ligadas ao crime organizado no país.

Lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, o programa estabelece uma resposta integrada entre União, estados e municípios, com foco em quatro pilares: asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento do sistema prisional, qualificação das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armas, munições e explosivos.

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Representando Roraima, participaram do lançamento a delegada-geral da Polícia Civil de Roraima (PCRR) Simone Arruda; o diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), Herbert de Amorim Cardoso; a secretária de Segurança Pública, Eliane Gonçalves; a comandante da Polícia Militar de Roraima (PMRR), coronel Valdeane Alves de Oliveira; e a major Valdirene Vieira.

Roraima participa de programa nacional de combate ao crime organizado
Autoridades de Roraima prestigiaram lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Foto: Divulgação/PCRR

“A adesão ao programa representa um importante avanço para o fortalecimento das ações de segurança pública em Roraima, uma vez que ela amplia a integração entre os órgãos Estaduais e Federais, fortalece o combate às organizações criminosas e contribui diretamente para o enfrentamento qualificado dos crimes transfronteiriços, garantindo mais eficiência nas operações e segurança para a população”, afirmou a secretária da Sesp, Eliane Gonçalves.

Luta contra o crime em Roraima

Durante a solenidade, o presidente destacou que o programa representa uma ofensiva direta contra a estrutura econômica e operacional das facções criminosas, com o objetivo de devolver territórios dominados pelo crime à população brasileira.

“Para Roraima, a participação no programa amplia perspectivas de acesso a investimentos em tecnologia, equipamentos especializados, fortalecimento da perícia criminal, inteligência policial, aparelhamento das forças de segurança e operações conjuntas de alta complexidade”, disse.

De acordo com Simone Arruda, a presença da cúpula da segurança pública de Roraima reforça o compromisso do Estado com o fortalecimento das ações integradas e com a modernização dos instrumentos de inteligência, repressão qualificada e investigação criminal, especialmente em uma região estratégica de fronteira.

A delegada-geral observou ainda que a atuação conjunta entre forças estaduais e Governo Federal posiciona Roraima dentro de uma política nacional de segurança pública mais robusta, com foco na desarticulação das bases financeiras e logísticas do crime organizado.

Leia também: Museu do Crime chama atenção de visitantes por acervo e estrutura preservada no Palácio da Justiça, em Manaus

“A participação da comitiva roraimense evidencia o alinhamento institucional do estado com as novas diretrizes nacionais e reforça o compromisso das forças de segurança locais na proteção da população e no combate firme às organizações criminosas”, disse.

Entre as medidas previstas no programa estão o fortalecimento da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), expansão de sistemas de investigação financeira, reforço do controle penitenciário, aquisição de equipamentos periciais, além de ações estratégicas voltadas à repressão ao tráfico internacional de armas e drogas, áreas consideradas sensíveis para estados de fronteira como Roraima.

*Com informações da Secom RR

Cientistas batizam nova espécie de mariposa em homenagem ao Papa Leão XIV

A nova espécie de mariposa foi batizada de Pyralis papaleonei, a “mariposa Papa Leão”. Foto: Agência Andina/Editora Perú

Um grupo de cientistas europeus batizou uma nova espécie de mariposa de Pyralis papaleonei, ou “mariposa Papa Leão“, em homenagem ao chefe da Igreja Católica que completou recentemente um ano como Sumo Pontífice.

Saiba mais: HABEMUS PAPAM: Robert Francis Prevost, o Papa Leão XIV, é cidadão do Peru

“A nova espécie é dedicada ao líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV . O pontífice é um defensor ferrenho da proteção climática e ambiental, e esperamos que sua voz sirva de exemplo para a humanidade”, escreveram os autores Peter Huemer, Lauri Kaila e Andreas H. Segerer em um artigo científico sobre a espécie.  

A informação foi destacada pela agência de notícias ACI Prensa, que acrescentou que, na revista científica Nota Lepidopterologica, entomologistas observaram que a espécie foi descoberta na ilha mediterrânea de Creta. Trata-se de uma espécie de porte médio, com envergadura de aproximadamente 2 centímetros, manchas douradas e faixas brancas proeminentes.

“Além disso, devido à sua coloração e aparência geral distintas, a nova espécie pertence a um grupo de Pyralidae cujos nomes se referem a altas posições seculares ou eclesiásticas, incluindo Pyralis regalis, Pyralis imperialis, Pyralis princeps e Pyralis cardinalis”, explicaram.

Cientistas batizam nova espécie de mariposa em homenagem ao Papa Leão XIV
Foto: Agência Andina/Editora Perú

Nomes de mariposas vão além do Papa

Segundo um comunicado do Tiroler Landesmuseum Ferdinandeum — o Museu Estadual do Tirol, localizado em Innsbruck, Áustria — as borboletas e mariposas frequentemente recebem nomes inspirados em suas características externas, localizações geográficas ou em homenagem a pessoas ilustres.

No entanto, uma tradição diferente surgiu dentro do gênero Pyralis. Já em 1775, os naturalistas e jesuítas austríacos Michael Denis e Ignaz Schiffermüller descreveram a primeira espécie do grupo como Pyralis regalis (“real”), devido à sua coloração.

Isso posteriormente deu origem a nomes semelhantes, como Pyralis princeps e Pyralis cardinalis, pertencentes à superfamília Pyraloidea, que inclui cerca de 16.000 espécies descritas em todo o mundo.

Segundo Huemer, chefe de estudos do Museu Estadual do Tirol, o processo de nomear espécies é mais do que um ato científico: é também um gesto simbólico. No caso da mariposa Papa Leão, representa um apelo ao líder da Igreja Católica para que enfatize a responsabilidade fundamental da humanidade na preservação da criação.

“Estamos enfrentando uma crise global de biodiversidade e, no entanto, apenas uma fração das espécies do mundo foi documentada cientificamente. A conservação eficaz da biodiversidade exige, antes de tudo, que as espécies sejam reconhecidas, descritas e nomeadas”, afirmou Huemer.  

*Com informações da Agência Andina

Reprodução de mais de 99% das espécies de árvores amazônicas é dependente da ação de animais

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Foto: Reprodução/MPF

A importância dos animais polinizadores já é bem conhecida pelos cientistas. Ao transferirem grãos de pólen de uma flor para outra, atuam como um elo essencial na reprodução das plantas e na formação de frutos e sementes. Esse papel se mantém mesmo em atividades que envolvem o manejo humano dos ambientes naturais, como a agricultura. Agora, um novo estudo  está olhando em detalhes a contribuição deles para a manutenção do bioma mais biodiverso do planeta: a floresta amazônica.

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A floresta amazônica é a maior floresta tropical do mundo, guardando ainda um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta. Ela é considerada um sumidouro de carbono, armazenando cerca de 123 bilhões de toneladas de CO₂ em seu solo e vegetação. No entanto, queimadas, desmatamento e a própria defaunação podem colocar em risco a atuação da Amazônia na regulação climática.

Segundo a nova pesquisa, liderada por um cientista da Universidade de Utrecht, na Holanda, aproximadamente 80% das espécies de árvores amazônicas dependem de animais tanto para a atividades de polinização quanto para a dispersão de sementes.

Em contrapartida, em menos de 1% das espécies arbóreas essas etapas cruciais do ciclo de vida não envolvem a participação de animais. Essa relação de dependência torna imprescindível a interrupção da defaunação na floresta.

Leia também: Conheça cinco espécies de árvores que são encontradas somente na Amazônia

Reprodução de mais de 99% das espécies de árvores amazônicas é dependente da ação de animais. na foto vista aérea da floresta na amazônia
Floresta Amazônica. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Biociências da Unesp, câmpus de Botucatu, Caio Simões Ballarin, é um dos colaboradores da pesquisa e coautor do artigo. Ballarin explica que o levantamento foi possível graças ao engajamento de cientistas de diversas instituições, o que permitiu cruzar grandes quantidades de dados e alcançar resultados robustos.

Além dos dois já citados, a iniciativa reúne especialistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, do Instituto Tecnológico Vale, da Universidad de los Andes (Colômbia), da Universidade de Turku (Finlândia) e do instituto de pesquisa neozelandês Landcare Research.

Estudo abrangeu 94% das espécies árvores que habitam a Amazônia

No total, foram obtidos dados de visitação floral relativos a 5.201 espécies de árvores amazônicas. Esse número correspondente a 50% de todas as espécies de árvores conhecidas, e 94% de todos as espécies que se estima habitarem a Amazônia.

Leia também: Pesquisa monitora a contribuição dos insetos na sustentabilidade amazônica em áreas urbanas

Apesar da dimensão e importância da floresta amazônica, havia ainda poucos dados sobre polinização na região em comparação a outros biomas como o Cerrado e a Mata Atlântica. Uma das dificuldades, explica Ballarin, é a altura das árvores na Amazônia.

“As flores e frutos das árvores da Amazônia encontram-se, normalmente, no topo, quase no céu”, diz ele, “enquanto o Cerrado, por exemplo, é um sistema campestre e savânico, facilitando a observação das espécies.

A Mata Atlântica também se caracteriza por florestas fechadas e grandes árvores. Porém, avalia o pesquisador da Unesp, o fato de que o bioma se situa em estados onde há grande concentração de universidades, como Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, pode ser outro fator facilitador que explica a grande quantidade de estudos que já tematizaram a Mata Atlântica.

Inferindo o comportamento dos animais

Na primeira etapa da pesquisa, os cientistas coletaram via literatura certos dados essenciais,  como os nomes das espécies vegetais e dos animais que costumam visitá-las. No caso das espécies para as quais não havia informações documentadas foram realizadas inferências. Isso significa que os pesquisadores observaram quais recursos eram produzidos a fim de estimar quais espécies animais seriam capazes de polinizar ou fazer a dispersão de sementes daquele espécime vegetal.

“se encontrássemos uma espécie de planta que só produzia pólen, inferíamos que o visitante floral seria, majoritariamente, a abelha, porque ela é um dos únicos animais que consome pólen com frequência. Se o fruto fosse carnoso, inferíamos que mamíferos ou aves consumiam esse fruto, porque o fruto carnoso é um atrativo para esses dispersores”, exemplifica Ballarin.

Fonte: Ter Steege et al. Arte: Equipe de arte ACI

Ao final, os cientistas concluíram que as abelhas atuam como os principais agentes polinizadores das espécies da floresta amazônica (59,1%). Em seguida vem os chamados visitantes florais generalistas (39,1%) – animais que visitam diversas espécies de plantas para obter néctar e pólen, sem depender de uma única fonte. Borboletas, morcegos, besouros, entre outros, completam essa lista.

Poucos gêneros são extremamente importantes

O estudo concluiu que apenas 16 dos mais de 750 gêneros de árvores analisados respondem por metade das interações bióticas. Isso torna a defesa destes gêneros algo imprescindível para assegurar a manutenção do ciclo de vida das plantas, e também dos animais.

“Dezesseis é um número baixo. Se um destes gêneros se extinguir por completo, seja por ações humanas ou eplas mudanças climáticas, o impacto vai ser enorme”, alerta Ballarin.

Cada gênero engloba diversas espécies. O gênero Inga, por exemplo, têm entre 300 e 400 espécies, enquanto o gênero Miconia soma mais de 2 mil espécies. Segundo o artigo, quando se analisa os gêneros mais envolvidos em interações, o Inga e o Miconia se destacam, chegando a responder por mais de 2% de todas as interações.

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Foto: Reprodução/ Mudas Nativas e Ornamentais

Quando se avalia sob o prisma das populações de árvores na Amazônia envolvidas nas interações, os destaques ficam por conta dos gêneros Protium, Eschweilera, Pouteria, Ocotea, Virola e novamente o Inga. Eles estão envolvidos em mais de 2% de todas as interações.

Em contrapartida, menos de 1% das espécies arbóreas amazônicas não dependem de animais para garantir a polinização e dispersão de sementes. Nestes casos, os grãos de pólen e sementes aladas se espalham com auxílio do vento, que sopra nas árvores e carrega o material para longe da planta mãe.

Estudo é ponto de partida

O pesquisador reforça que o estudo foi feito em escala ampla, o que pode interferir na resolução dos resultados. Embora o estudo se baseie em evidências científicas e resultados já publicados anteriormente, a pesquisa inovou ao possibilitar inferências sobre o trabalho dos animais polinizadores e dispersores em espécies da floresta tropical. O estudo representa uma espécie de pontapé inicial, diz Balladin.

“São necessários estudos na Amazônia que olhem a escala local”, diz.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Carolina Fioratti

APA Triunfo do Xingu é a área protegida mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no primeiro trimestre de 2026

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Desmatamento para garimpo na APA Triunfo do Xingu. Foto: Christian Braga/Greenpeace

A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, foi a área protegida mais pressionada pela derrubada florestal na Amazônia entre janeiro e março de 2026. Nos três últimos trimestres de 2025, o território também ocupou posições na lista das 10 áreas protegidas mais pressionadas.

Os dados são do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, do Imazon, que analisa quais territórios sofrem ameaça, quando a redução florestal ocorre nos seus arredores, e quais enfrentam pressão, caracterizada pelo desmatamento em seu interior.

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

“Ao transformar os dados de monitoramento em indicadores estratégicos, o estudo pode auxiliar governos e órgãos ambientais a otimizar recursos, direcionando equipes para os locais mais ameaçados. Ou seja, onde o crime ambiental está se aproximando, para realizar ações preventivas e impedir o avanço do desmatamento”, explica a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.

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Entre os territórios com maior pressão, cinco são unidades de conservação estaduais, quatro são terras indígenas e apenas um é uma unidade de conservação federal.

Áreas Protegidas com mais pressão (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1APA Triunfo do XinguUCEPA
2TI YanomamiTIAM/RR
3TI Alto Rio Negro TIAM
4TI Raposa Serra do SolTIRR
5Resex Chico MendesUCFAC
6TI São MarcosTIRR
7APA Arquipélago do MarajóUCEPA
8APA Baixada MaranhenseUCEMA
9APA Caverna do Maroaga (Presidente Figueiredo)UCEAM
10APA Margem Direita do Rio NegroUCEAM

Roraima concentrou seis das 10 áreas protegidas mais ameaçadas

Ao observar as áreas protegidas mais ameaçadas, ou seja, aquelas em que a dinâmica da destruição ocorre em suas proximidades, o estado de Roraima possui seis dos 10 territórios mais críticos. Quatro deles estão integralmente no estado e outros dois parcialmente.

No topo da lista está a Floresta Nacional (Flona) de Roraima, seguida pela Terra Indígena Waimiri Atroari, que também tem parte da área no Amazonas, e, em terceiro lugar, a Terra Indígena Wai Wai.

Leia também: Edital prorroga inscrições para restauração em terras indígenas

O estado passou a concentrar a maioria dos territórios com grau superior de ameaça em 2026 devido a uma combinação de fatores climáticos e dinâmicas regionais de uso do solo.

“Enquanto a grande parte da Amazônia Legal passa pelo período chuvoso no início do ano, Roraima apresenta um regime climatológico inverso e atravessa sua estação seca. Esse cenário facilita a prática do desmatamento e o uso do fogo, elevando os índices de devastação no primeiro trimestre de 2026”, comenta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon.  

Áreas Protegidas com mais ameaça (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeCategoriaEstado
1Flona de RoraimaUCFRR
2TI Waimiri AtroariTIAM/RR
3TI WaiWáiTIRR
4TI Uru-Eu-Wau-WauTIRO
5Flona de AnauáUCFRR
6Flona de Balata-TufariUCFAM
7TI PirititiTIRR
8TI YanomamiTIAM/RR
9Flona do JamanximUCFPA
10Resex do Cazumbá-IracemaUCFAC

Terra Indígena Yanomami sofre maior pressão no trimestre

Além de ser a segunda área protegida com maior pressão no ranking geral, o território Yanomami, localizado no Amazonas e em Roraima, ocupou a primeira posição na lista das terras indígenas mais pressionadas. Mesmo após os esforços de desintrusão realizados desde 2024 pelo Governo Federal, o local, que abriga uma população superior a 31 mil indígenas de oito povos diferentes, incluindo grupos isolados, segue com a presença do crime ambiental.

Leia também: Quem são os Yanomami? Conheça um dos maiores povos indígenas da Amazônia Internacional

“A persistência da ilegalidade se dá por conta da existência de garimpos que utilizam estruturas menores e móveis, permitindo que os garimpeiros retornem aos ambientes explorados assim que as forças de segurança se retiram. A pressão também é favorecida pela logística clandestina de pistas de pouso dentro e no entorno da TI. Somado a isso, o aumento do desmatamento ilegal registrado em Roraima no início de 2026 intensificou os danos ambientais dentro dos limites do território originário, consolidando uma situação de alerta”, observa Bianca.

Em segundo lugar no ranking está a Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, e, em terceiro, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O relatório ainda aponta que quatro dos 10 territórios da lista (Yanomami, Alto Rio Negro, Cué-Cué/Marabitanas e Waimiri Atroari), também apareceram entre os mais pressionados no levantamento do período anterior, de outubro a dezembro de 2025, o que reforça a presença constante do desmate.  

Terras Indígenas com mais pressão (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeEstado
1TI YanomamiAM/RR
2TI Alto Rio NegroAM
3TI Raposa Serra do SolRR
4TI São MarcosRR
5TI Cué-Cué/MarabitanasAM
6TI Manoá/PiumRR
7TI Porquinhos dos Canela-ApãnjekraMA
8TI Urubu BrancoMT
9TI Waimiri AtroariAM/RR
10TI BalaioAM

Já entre as ameaçadas estão a Terra Indígena Waimiri Atroari, situada no Amazonas e em Roraima, e a Terra Indígena WaiWái, que está  apenas em Roraima. Quatro dos 10 territórios mais ameaçados no intervalo também apareceram no ranking anterior: Waimiri Atroari, WaiWái, Trombetas/Mapuera e Alto Rio Guamá. 

Terras Indígenas com mais ameaça (Janeiro a Março de 2026)

RankingNomeEstado
1TI Waimiri AtroariAM/RR
2TI WaiWáiRR
3TI Uru-Eu-Wau-WauRO
4TI PirititiRR
5TI YanomamiAM/RR
6TI ManokiMT
7TI Trombetas/MapueraAM/PA/RR
8TI Alto Rio GuamáPA
9TI AripuanãMT
10TI BaúPA

Confira a publicação: Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas – Janeiro a Março de 2026

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Governo do Brasil anuncia reforço em ações para evitar impactos de nova seca na navegação da Amazônia

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Foto: José Carlos/Prefeitura de Porto Velho

Após as secas históricas registradas em 2023 e 2024, o Governo Federal antecipou ações para reduzir os efeitos de uma possível nova estiagem na Amazônia em 2026. As medidas incluem planejamento de dragagens, manutenção hidroviária, reforço da sinalização náutica e avaliação permanente das condições de navegabilidade para evitar prejuízos ao transporte de passageiros, ao abastecimento de cidades e ao fluxo de cargas na região Norte.

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Rios como o Amazonas e o Solimões registraram níveis críticos nos últimos anos, comprometendo a navegação e afetando diretamente a mobilidade e o abastecimento de municípios da região. Diante desse cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) passaram a estruturar ações permanentes para períodos de seca.

O MPor, por meio da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), prepara o lançamento do Painel de Monitoramento das Hidrovias, ferramenta que permitirá acompanhar, em tempo real, as condições de navegabilidade em diferentes regiões do país. O sistema reunirá dados hidrológicos, informações operacionais e alertas estratégicos para apoiar decisões sobre dragagem, manutenção dos canais e operação logística durante eventos climáticos extremos.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a atuação antecipada é fundamental para reduzir impactos sociais e econômicos na Amazônia.

“Estamos atuando de forma preventiva para reduzir os impactos de uma possível nova seca na região. Fortalecer o acompanhamento das hidrovias e preparar previamente as ações operacionais é fundamental para garantir abastecimento, mobilidade e segurança à população que depende dos rios no dia a dia”, afirmou.

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Secas históricas e impactos no Norte

As secas registradas em 2023 e 2024 provocaram efeitos diretos no abastecimento e na mobilidade na região Norte. Municípios como Manacapuru, Tabatinga, Itacoatiara e Parintins (todos no Amazonas) registraram níveis críticos dos rios, afetando o transporte de alimentos, medicamentos e água potável, além de comprometer atividades econômicas como pesca e agricultura familiar.

Leia também: Seca e estiagem: entenda as diferenças entre os fenômenos que ocorrem na Amazônia

Seca em Rondônia. Amazônia, 2023.
Seca em Rondônia, 2023. Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica RO

Em Itacoatiara, o Rio Amazonas chegou a atingir 83 centímetros em 2024. Em Parintins, os níveis chegaram a 1,9 metro, menor marca registrada em 49 anos. Além das dificuldades logísticas, a estiagem provocou isolamento de comunidades ribeirinhas e indígenas e aumentou os desafios de abastecimento em municípios dependentes do transporte hidroviário.

Segundo especialistas, eventos climáticos extremos, associados ao aumento da temperatura global e à influência do fenômeno El Niño, têm ampliado os períodos de seca na Amazônia e aumentado os desafios para a navegação na região.

Monitoramento e planejamento

Para ampliar a atuação durante períodos críticos, o MPor e o Dnit vêm reforçando o planejamento das intervenções hidroviárias em pontos considerados estratégicos para a navegação. As ações incluem acompanhamento técnico contínuo das cotas dos rios, definição antecipada de trechos prioritários para dragagem e articulação com operadores logísticos da região Norte.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, a atuação preventiva é essencial para reduzir prejuízos à população amazônica.

“A Amazônia depende diretamente dos rios para garantir abastecimento, mobilidade e integração regional. Por isso, o governo federal vem atuando de forma preventiva, com acompanhamento contínuo das condições de navegabilidade e planejamento das ações necessárias para reduzir impactos à população e à logística da região”, afirmou.

Governo do Brasil anuncia reforço em ações para evitar impactos de nova seca na navegação da Amazônia
Hidrovia do Rio Madeira. Foto: Divulgação/MPor

O diretor de Gestão Hidroviária, Eliezé Bulhões, destacou que a integração de dados e o acompanhamento técnico contínuo devem ampliar a rapidez das respostas operacionais em períodos críticos.

“As secas dos últimos anos mostraram a importância de ampliar o acompanhamento técnico das hidrovias e antecipar respostas operacionais. Com maior integração das informações e monitoramento contínuo, será possível identificar pontos críticos com mais rapidez e fortalecer as ações voltadas ao transporte de passageiros, cargas e abastecimento das comunidades amazônicas”, destacou.

De acordo com o diretor do Dnit, Edme Tavares, o governo federal possui atualmente contratos permanentes de manutenção hidroviária, o que amplia a capacidade de atuação em comparação aos anos anteriores. “Hoje temos uma estrutura mais preparada para agir preventivamente. Os contratos em vigor permitem maior planejamento das intervenções necessárias para manter a navegabilidade e reduzir impactos logísticos e sociais na região amazônica”, concluiu.

*Com informações do MPor