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#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é cobreiro?

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Começou a notar o aparecimento de algumas bolhas na pele, dor e sensação de queimação em regiões específicas do corpo? É bom ficar em alerta, pois pode ser “cobreiro”. Esse é o nome como a herpes-zóster, doença viral de pele que atinge pessoas que nunca tiveram catapora ou não foram imunizadas contra ela, é popularmente conhecida.

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Na oitava reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia segue com a ajuda da médica generalista Júlia Edwirges para aprender mais sobre o “cobreiro”, doença comum no Brasil e que cerca de 94% dos adultos lidam com ela por toda a vida.

O que é o cobreiro?

Conhecida como cobreiro, a Herpes-zóster é uma doença contagiosa provocada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ ou Herpesvírus humano tipo 3), o mesmo responsável pela varicela, popularmente chamada de catapora.

Vírus Varicela-Zóster é causador da herpes-zóster e da catapora. Imagem: Reprodução/Fapes

O vírus causador de cobreiro permanece latente por toda a vida e costuma ser reativado em pacientes com mais de 50 anos, idosos e pessoas com quadro de baixa imunidade devido à quimioterapia e radioterapia.

Jovens com níveis altos de estresse também podem desenvolver a doença. Por outro lado, crianças e bebês raramente manifestam cobreiro, embora seja possível ocorrer a infecção.

Transmissão

Não é possível “pegar” o cobreiro, e sim contrair o vírus Varicela-Zóster. Seu contágio se dá através do contato direto de uma pessoa para outra infectada pelo VVZ, através do líquido que sai das pequenas bolhas (vesículas). Em casos raros, o vírus também pode ser transmitido por meio de secreções respiratórias.

A partir daí, para quem nunca teve catapora, o vírus desenvolverá primeiro a doença, que geralmente ocorre na infância e depois fica inativa, já que não é possível ter catapora duas vezes. Porém, se a pessoa infectada já teve catapora, mas não se vacinou, o herpes-zóster é reativado e o indivíduo para a apresentar a doença.

Sintomas

O principal e mais conhecido sintoma do cobreiro as pequenas bolhas preenchidas de líquido que se formam numa determinada região do corpo. Elas se restringem a um lado do corpo e surgem frequentemente na cintura, peito, abdômen e costas. Isso acontece porque o vírus do cobreiro afeta sempre um nervo próximo da medula espinhal.

Bolhas preenchidas de líquidos na pele são os sintomas característicos da herpes-zóster. Foto: Reprodução/Site Tua Saúde

No entanto, antes do aparecimento das bolhas, o indivíduo pode sentir coceira, dor intensa nos nervos e formigamento no local onde se desenvolve o cobreiro. Febre, mal-estar e dor de cabeça também são outros sintomas comuns do cobreiro que podem surgir antes das lesões na pele.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do cobreiro é clínico, onde o/a dermatologista ou clínico geral avalia os sintomas, verifica o histórico de saúde do paciente (se já teve catapora ou se já se vacinou) e observa as características das lesões.

Confirmado o cobreiro, o médico especialista indica o uso de medicamentos antivirais, que podem acelerar a recuperação e prevenir complicações.

Além disso, remédios analgésicos também podem ser prescritos pelo médicos para reduzir o desconforto provocado pelas dores provenientes da doença.

Lavar as bolhas com água e sabão neutro, usar roupas confortáveis para preservar a região lesionada e colocar um pano úmido e gelado também são alguns dos cuidados recomendados para ajudar no alívio da dor e irritação da pele.

Leia também: Quebranto, peito aberto e mau-olhado: conheça 6 doenças tratadas pelas benzedeiras da Amazônia

Prevenção

A forma de prevenir a Herpes-Zóster é por meio da aplicação de vacinas como a Tetravalente viral (que protege contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela) e a vacina Varicela, que são indicadas no calendário de vacinação infantil.

Existe também dois tipos de vacina contra a doença: a Shingrix, indicada para quem tem mais de 50 anos ou pessoas com mais de 18 anos com risco aumentado para herpes zoster; e a Zostavax, para quem tem mais de 50 anos e como rotina para pessoas acima de 60 anos.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

Leia mais da série:

SGB e o Inpa firmam acordo para fortalecer monitoramento dos rios na Amazônia

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Foto: Gerard Moss/Projeto Rios Voadores

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) firmaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) voltado ao fortalecimento do monitoramento hidrológico e climático na região amazônica. Com o documento, as instituições ampliam a parceria para o compartilhamento de dados hidrológicos e prognósticos climáticos. 

Atualmente, o SGB e o INPA já realizam troca de informações no âmbito do Sistema de Alerta Hidrológico.

“O acordo vem justamente para oficializar essa grande parceria com o Inpa, que colabora com os boletins e prognósticos climáticos. O instituto reúne informações, que nos ajudam a compreender o cenário climático e transmitir esse conhecimento para a sociedade”, destacou a pesquisadora do SGB e Superintendente Regional de Manaus, Jussara Cury.

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O Inpa contribui com prognósticos climáticos e análises meteorológicas, enquanto o SGB é responsável pela análise do cenário das bacias monitoradas por meio do acompanhamento das cotas fluviométricas, elaboração de gráficos das estações representados em hidrogramas, além dos modelos de previsão, gerando os boletins hidrológicos semanais.

Leia também: Descarte irregular de plástico em rios do Amazonas não é fiscalizado desde 2020

Imagem colorida mostra equipe do SGB e Inpa que firmaram acordo de monitoramento de rios
Foto: Divulgação/ SGB

Acordo incentiva pesquisas

Segundo com o pesquisador do Inpa Renato Senna, a união entre duas instituições é fundamental para gerar resultados positivos para a sociedade.

“É muito importante para o Instituto ter seu trabalho integrado aos órgãos operacionais, tornando nossas pesquisas úteis à segurança e ao desenvolvimento das comunidades amazônicas. Esse documento representa a formalização de anos de parceria institucional, cooperando na divulgação de informações relevantes para a segurança, a economia e o desenvolvimento da Amazônia Ocidental”, afirmou.

O acordo também abre oportunidade para pesquisas conjuntas, treinamento de pessoal e estímulo à publicação técnico-científica nas áreas de hidrologia, climatologia e geociências. O acordo tem vigência de cinco anos, podendo ser prorrogado, e não prevê transferência de recursos financeiros entre as instituições.

*Com informações do SGB

Mercado de São Brás impulsiona cenário musical de Belém

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O expressivo público, que frequenta diariamente o novo Mercado de São Brás, consolidou o espaço como um dos mais disputados pelos músicos paraenses. Foto: Divulgação/Assessoria Arthur Espíndola

Desde que foi inaugurado, em setembro de 2025, o novo Mercado de São Brás se tornou um polo gastronômico e de lazer para belenenses e turistas. Por lá, passam diariamente cerca de 5 mil pessoas nos dias úteis, com esse número dobrando aos fins de semana. O novo ponto turístico de Belém conta com 54 bares e restaurantes e 29 lojas que vendem os mais de diversos produtos.

Além de movimentar o setor gastronômico da cidade, o Mercado de São Brás abriu as portas e fomenta outra cena cultural de Belém: a da música. Com um número expressivo de pessoas visitando o espaço diariamente, tocar no Mercado de São Brás virou sinônimo de visibilidade para músicos e bandas de Belém.

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O músico Gaba Melo é um dos artistas que se apresenta no Mercado de São Brás. Seus shows estão impulsionando a sua carreira. Foto: Victor Matheus

Um dos nomes que integram essa cena é o do músico Gaba Melo, de 25 anos, residente artístico do Mercado de São Brás. Ele se apresenta duas quartas-feiras por mês no espaço. Com cinco anos de carreira nas noites de Belém, Gaba desenvolve um projeto solo de voz e violão, com repertório voltado ao pop rock internacional. Para ele, o Mercado representa uma grande oportunidade de fortalecimento do cenário musical da cidade.

“O mais interessante do Mercado é que ele funciona de segunda a segunda, e todos os dias há música ao vivo. Isso abraçou bastante a nossa classe de músicos, porque abriu um leque de opções, com artistas de vários estilos musicais”, avalia.

Segundo Gaba, realizar shows no Mercado de São Brás ampliou significativamente o alcance do seu trabalho. Acostumado a se apresentar em casas noturnas específicas do circuito pop rock, ele destaca que o perfil diverso do público do Mercado possibilita que sua música chegue a pessoas que dificilmente o conheceriam em outros espaços.

“Eu costumo tocar em casas muito específicas de pop rock, e no Mercado é um ambiente muito diverso. O público que me assiste lá possivelmente não me conheceria se eu não estivesse tocando nesse espaço”, explica.

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Essa diversidade já trouxe resultados concretos para a carreira do músico: “Tem pessoas que me viram tocando lá e me contrataram para eventos fechados. Outra questão interessante é que músicos costumam tocar principalmente aos fins de semana, e o Mercado, funcionando de segunda a segunda com música ao vivo, movimenta a nossa vida financeira, ao tocarmos também durante a semana”.

O músico canta pop rock internacional e diz que ao tocar no Mercado alcança um público diverso das casas noturnas em que está acostumado a se apresentar. Foto: Divulgação

Artista paraense de trajetória consolidada, Arthur Espíndola é um dos nomes que já passou diversas vezes pelo palco do Mercado de São Brás. Em dezembro de 2025, o músico se apresentou todas as segundas-feiras com o projeto “Samba das Mangueiras”, que chegou a reunir cerca de 4 mil pessoas em uma única apresentação, confirmando a força do espaço como ponto de encontro musical em Belém.

“Me apresentar no Mercado teve bastante importância para que esse projeto tenha dado certo”, destaca o artista. Com 15 anos de carreira, Espíndola mescla no repertório composições autorais e clássicos do samba brasileiro.

Mesmo já reconhecido no cenário local e nacional, o cantor avalia que as apresentações no Mercado de São Brás impulsionaram ainda mais sua carreira.

“Eu percebia nos shows que muitos turistas vinham falar comigo, passaram a me seguir nas redes sociais e a comentar nos meus posts. O Mercado é uma grande vitrine para os artistas”, observa.

Para Espíndola, o impacto do espaço vai além da visibilidade. Segundo ele, o Mercado também cumpre um papel econômico importante. “Além de gerar emprego para diversos músicos, porque é um equipamento extremamente burocrático, mostra o trabalho de diferentes artistas da nossa terra para um público muito grande que circula no espaço todos os dias”, completa.

mercado são brás
Artista paraense consagrado, Arthur Espíndola diz que se apresentar no Mercado de São Brás foi fundamental para consolidar o seu projeto “Samba das Mangueiras”. Foto:  Assessoria Arthur Espíndola

Ao longo da semana se apresentam no Mercado de São Brás 54 músicos e 17 DJs, que embalam o público com uma ampla variedade de ritmos, como brega, tecnobrega, forró, pop rock, carimbó, marcante, MPB, entre outros.

Leia também: Sucessos estrangeiros que ganharam versões tecnobrega no Pará

As apresentações ocorrem, simultaneamente, sempre a partir das 18h30, reforçando o caráter democrático e plural da programação cultural. O espaço também busca sempre variar os profissionais que se apresentam semanalmente por lá.

Para o administrador do Mercado de São Brás e servidor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), pasta responsável por administrar o espaço, Franklin Nahum, o local cumpre um papel estratégico na valorização da música local. “Esse é o ponto turístico mais importante de Belém e uma verdadeira vitrine para os músicos locais”, destaca.

 Para Espíndola, além da visibilidade, tocar no Mercado gera emprego para diversos músicos e fomenta a economia da música belenense. Foto: Assessoria Arthur Espíndola

Nahum explica ainda que a proposta do Mercado de São Brás é garantir espaço para o maior número possível de artistas. “Basta o músico se dirigir à administração do Mercado, que nós avaliamos a possibilidade de encaixe na agenda de shows. Um exemplo disso foi um músico que pediu para dar uma ‘canja’ de 15 minutos; o público gostou e, na outra semana, nós o chamamos para fazer um show inteiro no Mercado”, relata.

Assim, o novo Mercado de São Brás vai além de sua vocação histórica e comercial e reafirma-se como um território vivo de cultura, onde gastronomia, música e convivência se encontram, fortalecendo identidades e revelando talentos da cena artística paraense.

*Com informações da Agência Belém

Hábitos de higiene na manipulação de alimentos evitam infecções graves, orienta Sesau-RO

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Foto: Daiane Mendonça/Secom RO

A importância da adoção de hábitos rigorosos de higiene na manipulação de alimentos é reforçada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Rondônia para evitar infecções graves que podem levar a internações hospitalares. Práticas comuns do cotidiano, muitas vezes consideradas inofensivas, estão entre as principais causas de doenças transmitidas por alimentos (DTAs) no estado.

Um dos erros mais frequentes apontados pelos especialistas é a lavagem de carnes cruas, especialmente o frango. Segundo a nutricionista da Sesau, Adriana Herrig de Castro, a prática é um importante vetor de contaminação cruzada.

“Ao lavar o frango na pia, a água não elimina as bactérias, pelo contrário, espalha microrganismos, como a Salmonella, pela bancada, torneira e utensílios. O único método seguro para eliminar esses agentes é o cozimento em temperaturas adequadas”, explicou.

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Além da manipulação das carnes, a higienização de vegetais também exige atenção. A recomendação técnica é que frutas, verduras e legumes sejam lavados em água corrente e, em seguida, sejam imersos em solução clorada: uma colher de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, por 15 minutos, garantindo a eliminação de parasitas e bactérias.

10 hábitos de higiene na cozinha que protegem a saúde:

  1. Lavar as mãos antes de manipular e consumir os alimentos: utilizar água e sabão, especialmente antes de iniciar o preparo e após manusear alimentos crus. Antes de fazer as refeições, também lavar bem as mãos;
  2. Não lavar carnes cruas na pia: o cozimento adequado é o único método seguro para eliminar bactérias como a salmonella;
  3. Separar alimentos crus dos alimentos prontos para consumo: evitar o contato direto para reduzir o risco de contaminação cruzada. Por exemplo, não corte salada na tábua em que cortou carnes;
  4. Utilizar tábuas e utensílios diferentes: dar preferência aos utensílios específicos para carnes cruas e outros para alimentos já higienizados ou que já foram cozidos;
  5. Higienizar corretamente utensílios e superfícies: lavar com água e detergente após cada uso e manter as bancadas de sua cozinha sempre limpas;
  6. Manter a geladeira limpa e organizada: a limpeza periódica evita a proliferação de microrganismos e odores indesejáveis;
  7. Armazenar os alimentos de forma adequada: utilizar recipientes fechados e respeitar as orientações de refrigeração;
  8. Respeitar o prazo de validade dos alimentos: nunca consumir produtos vencidos ou com sinais de alteração (por exemplo: embalagem estufada, enferrujada ou amassada);
  9. Cozinhar bem os alimentos: certificar-se de que carnes, ovos e outros alimentos estejam completamente cozidos;
  10. Higienizar frutas, verduras e legumes antes do consumo: lavar em água corrente e utilizar solução clorada para a desinfecção.

Leia também: Autoridades reforçam cuidados para prevenir doenças típicas do inverno amazônico

Como identificar uma infecção alimentar

As infecções alimentares ocorrem após o consumo de alimentos ou água contaminados por bactérias, vírus ou parasitas. O quadro clínico pode variar de leve a grave, dependendo do agente causador e do estado de saúde da pessoa (idosos, gestantes, crianças e pessoas com imunidade comprometida têm maior risco).

Os sintomas mais comuns incluem:

  • náuseas e vômitos persistentes;
  • dores e cólicas abdominais;
  • diarreia, que pode ser acompanhada de muco ou sangue;
  • febre e calafrios;
  • e sinais de desidratação, como boca seca e sede excessiva.

Onde buscar atendimento

A orientação para a população é observar a gravidade dos sintomas para buscar o local adequado:

  • Casos leves: pacientes com poucos episódios de diarreia ou vômitos, sem febre alta, devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência.
  • Casos moderados a graves: se houver febre persistente, sinais de desidratação, prostração ou se o paciente fizer parte de grupos de risco, como crianças, idosos e gestantes, a recomendação é buscar as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou serviços de pronto-socorro.

O secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, ressaltou que buscar atendimento médico é essencial para o diagnóstico correto e para evitar o agravamento do quadro clínico, como casos de desidratação severa e outras complicações.

“A prevenção começa em casa, mas diante do surgimento de sintomas é fundamental procurar uma unidade de saúde”.

*Com informações do Governo de Rondônia

Instituto Mamirauá disponibiliza novas edições de cartilhas sobre manejo do pirarucu

Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

O Instituto Mamirauá disponibilizou duas novas cartilhas voltadas ao fortalecimento do manejo sustentável do pirarucu na Amazônia. Os materiais, intitulados “Boas Práticas de Manipulação do Pirarucu” e “Contagem e Censo Populacional de Pirarucu”, já estão disponíveis para acesso no site institucional. 

A iniciativa, coordenada pelo Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, tem como objetivo reforçar boas práticas sanitárias, técnicas de manipulação do pescado e metodologias atualizadas de contagem da espécie, beneficiando diretamente comunitários e comunitárias que atuam no manejo, além de pesquisadores e instituições parceiras. 

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As cartilhas “Boas Práticas de Manipulação do Pirarucu” e “Contagem e Censo Populacional de Pirarucu”, nesta 2ª edição, passaram por atualizações que tornaram os conteúdos mais claros, didáticos e alinhados às práticas atuais do manejo da espécie. A nova versão tem uma maior fidelidade às práticas realizadas em campo e maior respaldo técnico e científico. 

De acordo com Ana Claúdia Torres Gonçalves, Coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, as cartilhas atualizadas são ferramentas estratégicas para fortalecer a governança e promover o desenvolvimento territorial nas Reservas Extrativistas de Auati-Paraná e Baixo Juruá.

Os materiais contribuem para a qualificação técnica das comunidades envolvidas no manejo sustentável, reduzindo a dependência de assessorias externas e ampliando a autonomia local. 

cartilhas sobre manejo sustentável de pirarucu na amazônia
Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

Ao todo, 10 mil cartilhas foram impressas, e terão uso direcionado. A cartilha de Contagem e Censo Populacional será utilizada como material de apoio em cursos sobre aplicação da metodologia de contagem do peixe, previstos para 2026, junto aos manejadores das Reservas Extrativistas de Auati-Paraná e Baixo Juruá, além de atender demandas de outras instituições ao longo do ano.

Já a cartilha de Boas Práticas de Manipulação dará suporte às oficinas de boas práticas sanitárias e de gestão e uso das tecnologias sociais da Unidade Flutuante de Recepção e Pré-Beneficiamento de Pirarucu (UFRPP), previstas para ocorrer em 2026 na Reserva Extrativista do Baixo Juruá. 

Realizadores do edital do manejo de pirarucu

Desenvolvidas pelo Instituto Mamirauá, com patrocínio do Fundo Vale, no âmbito do projeto Sustenta.Bio, a produção e a criação das cartilhas envolveram manejadores(as), pesquisadores e integrantes do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Leia também: Com manejo sustentável, pirarucu recupera estoque natural na região do Médio Solimões

Foto: Divulgação / Instituto Mamirauá

Acesse as duas cartilhas abaixo:  
  
Contagem de Censo Populacional do Pirarucu
Boas Práticas de Manipulação do Pirarucu

*Com informações do Instituto Mamirauá

Mulheres e indígenas lideram produção de castanha sustentável em município do Amazonas

Foto: Reprodução/Embrapa

A produção de castanha no Amazonas tem se tornado uma fonte de renda sustentável e de preservação da floresta. Em Berurimulheres e povos indígenas lideram uma agroindústria que valoriza a produção local e fortalece omunidades tradicionais.

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O projeto é coordenado pela Associação dos Produtores e Beneficiadores Agroextrativistas de Beruri (Assoab). A entidade passou a produzir óleo e derivados. Esse avanço permite ampliar a renda de mais de 190 famílias em até 60%, sendo que mais da metade delas vive em quatro Terras Indígenas nos municípios de Beruri, Lábrea e Tapauá.

Criada em 1994 por agricultores familiares, a Assoab atua desde 2006 na cadeia produtiva da castanha junto à comunidades ribeirinhas, agroextrativistas e indígenas, em Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Mulheres e indígenas lideram agroindústria da castanha. Foto: Divulgação

A associação aposta no diálogo direto com os produtores, preços justos e eliminação de intermediários. O modelo ajudou a reduzir a dependência econômica e fortalecer a economia local.

Atualmente, mulheres estão à frente da gestão e das atividades técnicas da Assoab. São 65 pessoas envolvidas diretamente no beneficiamento da castanha. Mais de 730 moradores da região são beneficiados pelas atividades da cadeia produtiva na região.

Leia também: Castanha-do-brasil: sabores, tradições e cuidados

Parceria amplia valor da cadeia produtiva

Desde 2018, a associação mantém uma parceria de longo prazo com uma empresa do setor de cosméticos, voltada ao fortalecimento da cadeia da castanha, à valorização do trabalho extrativista e à ampliação da renda nas comunidades. A cooperação contribuiu para estruturar a produção local e ampliar as possibilidades de atuação da associação.

Segundo Mauro Costa, gerente sênior de Relacionamento e Abastecimento da Sociobiodiversidade da Natura, o beneficiamento local representa um avanço estratégico para a cadeia.

“A infraestrutura permite garantir qualidade e rastreabilidade dos bioativos da Amazônia e abre caminho para novas cadeias produtivas além da castanha, como murumuru, cupuaçu e tucumã. Isso diversifica a renda da comunidade e fortalece a resiliência da cadeia frente a eventos climáticos”, afirmou.

castanha
Foto: Reprodução/Embrapa

Leia também: Indígenas Wai Wai contam com a castanha-do-brasil como principal fonte de renda em Roraima

Com a estrutura concluída, a agroindústria se prepara para iniciar as operações a partir da próxima safra da castanha, prevista para o primeiro trimestre de 2026. Considerando a capacidade operacional atual, o espaço tem potencial para beneficiar até 100 toneladas de matéria-prima por ano, de acordo com a disponibilidade de insumos em campo.

Produção com foco em sustentabilidade

A agroindústria da Assoab adota soluções de circularidade e eficiência energética. Resíduos da casca da castanha são utilizados para alimentar a caldeira, enquanto sistemas de captação de água da chuva integram as operações. A associação também acessou recursos para a implantação de energia fotovoltaica, atualmente em fase de implementação.

As melhorias foram viabilizadas, entre outros fatores, por meio do Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, que mobiliza crédito e investimentos estruturantes voltados ao fortalecimento da economia local e à conservação da floresta.

Foto: Divulgação

No mercado da castanha no Amazonas, a Assoab foi a única associação de base comunitária a acessar recursos não reembolsáveis para sistemas de captação de água da chuva e energia limpa.

Para Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da companhia, essas iniciativas demonstram que desenvolvimento econômico e conservação ambiental podem caminhar juntos.

“Atuações coletivas como essa mostram que é possível fortalecer a cadeia da castanha ao mesmo tempo em que se combate o desmatamento e se garante inclusão social, com geração de renda para mulheres, jovens e povos indígenas”, afirmou.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Indígenas e quilombolas terão vagas no Itamaraty pela primeira vez, anuncia MRE

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Povos indígenas na luta pelos direitos. Foto: Divulgação / Agência Pará

Pessoas indígenas e quilombolas terão, pela primeira vez na história do Ministério das Relações Exteriores (MRE), vagas reservadas no concurso público de admissão à carreira de diplomata. O Instituto Rio Branco, a academia de formação diplomática vinculada ao Palácio do Itamaraty, divulgou o edital da seleção, com a oferta total de 60 vagas. O salário inicial é de R$ 22.558.

Trata-se do primeiro concurso para a carreira diplomática sob a vigência da nova lei de cotas, sancionada no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do total de vagas, 39 são destinadas à ampla concorrência, três a pessoas com deficiência (PCDs), 15 a pessoas negras (pretas e pardas), duas a pessoas indígenas e uma a pessoas quilombolas.

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O período de inscrição vai de 4 a 25 de fevereiro, na página do Cebraspe, banca organizadora da seleção pública. A taxa de inscrição é de R$ 229, com possibilidade de isenção para pessoas de baixa renda inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico).

Pelas regras do edital, que refletem os parâmetros definidos na legislação, pessoa indígena é aquela que se identifica como parte de uma coletividade indígena e é reconhecida por seus membros como tal, independentemente de viver ou não em território indígena, nos termos da Constituição Federal, da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

A garantia de vagas para indígenas no concurso do Itamaraty é a concretização de um sonho coletivo, de assegurar que os nossos povos estejam inseridos nos diferentes espaços de decisão, levando adiante nossos conhecimentos, que são tão ricos”, afirma Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.

No caso de candidato quilombola, a definição é de pessoa pertencente a grupo étnico-racial, segundo critérios de autoatribuição, com trajetória histórica própria, dotado de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade preta ou parda, conforme previsto no Decreto nº 4.887/2003.

O edital do concurso prevê um procedimento de verificação documental complementar para candidatos indígenas e quilombolas, a ser realizado por comissão constituída por pessoas de notório saber na área, composta majoritariamente membros das respectivas comunidades tradicionais.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre povos originários e povos tradicionais da Amazônia?

Itamaraty. Foto: Reprodução/Arquivo Agência Brasil

Sonho coletivo dos indígenas e quilombolas

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, celebrou o marco histórico da reserva de vagas na seleção que vai definir os novos diplomatas brasileiros. “A garantia de vagas para indígenas no concurso do Itamaraty é a concretização de um sonho coletivo, de assegurar que os nossos povos estejam inseridos nos diferentes espaços de decisão, levando adiante nossos conhecimentos, que são tão ricos”, afirmou.

Guajajara observou que a novidade também reflete um empoderamento maior de lideranças indígenas em cargos decisórios do estado. “É fruto da presença dos indígenas em posições estratégicas, com a criação do primeiro Ministério dos Povos Indígenas da história. Estamos aldeando o Estado, levando nossa voz adiante e fazendo com que ela ecoe Brasil adentro e mundo afora. E o governo brasileiro vem dando importantes passos nesse sentido”, pontuou.

COP30

No ano passado, lembrou a ministra, jovens lideranças indígenas já viveram uma experiência de representação diplomática durante as negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), em um esforço de colocar comunidades tradicionais no centro das decisões.

Ações afirmativas

Objeto de muita disputa no Brasil, as ações afirmativas são políticas públicas que alteram o quadro histórico de uma sociedade, opina Ronaldo dos Santos, secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos, do Ministério da Igualdade Racial (MIR). Segundo ele, essa reserva de vagas é a grande novidade da nova lei de cotas e agora começa a ser devidamente percebida.

O reconhecimento de indígenas e quilombolas como sujeitos de direitos na lei de cotas é um grande avanço e aponta uma nova realidade no serviço público no país. Nada melhor mais emblemático do que uma carreira do Itamaraty para a sociedade perceber o impacto e a relevância disso”, observa Ronaldo dos Santos, do Ministério da Igualdade Racial.

Bolsa de estudos

O candidato que optar por concorrer às vagas reservadas às pessoas indígenas, durante o período de solicitação de inscrição, poderá optar por concorrer à bolsa-prêmio da edição deste ano do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco para Indígenas (PAA/IRBr Indígenas).

A iniciativa seleciona candidatos para receber financiamento nos estudos preparatórios para o concurso do Itamaraty, que é considerado uma das seleções públicas mais difíceis e concorridas do país.

O Instituto Rio Branco também oferece a bolsa-prêmio para candidatos que concorrerem como pessoas negras, e a opção de disputar o benefício estará disponível na página de inscrição do concurso.

*Com informações da Agência do Governo Federal

Desembargador Gaspar Antônio Vieira Guimarães: Sereníssimo Grão-Mestre 1923 a 1935

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Doze anos de grão-mestrado, auxiliado pelos Eminente Grão-Mestre Adjunto irmãos Henrique Taborda de Miranda até 1926 e Antônio Monteiro de Souza de 1926 a 1935, fizeram dele uma das mais importantes referências da maçonaria amazonense da primeira metade do século XX.

Coube a ele promulgar a primeira Constituição da Potência Maçônica, em 7 de agosto de 1927, dentro do movimento liderado nacionalmente pelo irmão Mário Behring. Iniciou-se na maçonaria na Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n°2, em 2 de dezembro de 1893 e seu Grão-mestrado foi marcado pelas ações de reorganização da maçonaria, sob a inspiração do Movimento de 1927.

“[…] Gaspar Antônio Vieira Guimarães pertenceu à plêiade de rapazes de talentos fulgurante que entraram no Amazonas, no último decênio do século passado, integrada também de Araújo Filho, Thaumaturgo Vaz e Henrique Álvares Pereira.

Nasceu a 20 de setembro de 1874, na cidade do Recife, sendo seus pais o Comandante Gaspar Antônio Vieira Guimarães e dona Maria Brígido de Abreu Villar, ambos pertencentes a nobreza de Portugal.

Desde muito jovem, mostrou seu pendor para as letras, fazendo jornaizinhos para os estudantes. Aos 18 anos de idade, publicou “Primeiros Voos”, livros diversos de apreciável inspiração. Formou se em Direito, quando não havia completado 19 anos de idade, na Faculdade de Recife, logo embarcando no paquete Brasil para Manaus, tendo como seus companheiros os doutores Samuel Mac Dowell e Albuquerque Maranhão, aportando aquela cidade a 31 de dezembro de 1892, após quinze dias de viagem.

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Dias depois, a 14 de janeiro de 1893 era o doutor Gaspar Antônio Vieira Guimarães 2° Promotor Público da Capital Amazonense, nomeado por ato do Capitão Eduardo Gonçalves Ribeiro, governador do Estado do Amazonas.

Casou-se a 25 de maio de 1895 com a senhorita Maria Ametista Rodrigues Campos, de ilustres e tradicional família paraense. Do casal nasceu somente um filho, o Doutor Ivan Campos Guimarães, amazonense, que tem exercido quer na sua cidade natal, quer no Rio de Janeiro, cargos importantes gozando de invejável posição social entre os cariocas.

O Doutor Gaspar Guimarães em 1907, estando no exercício de Juiz de Direito da Capital foi nomeado no Governo do Doutor Antônio Constantino Nery, para o cargo de Prefeito de Segurança, no qual lhe foi possível dá uma corrida aos vagabundos e malfeitores e uma limpeza na cidade, onde as mundanas campeavam.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Em todos os cargos que passou ficaram os sinais de sua inteligência, cultura e bondade. Nos jornais em que colaborou, ninguém foi maior, mais justo e comedido. Jornalista fidalgo, de sua pena jamais saíram diatribes e infâmias. Para confirmar a assertiva aí estão nos arquivos as coleções do Jornal do Comércio, Amazonas, A Capital, O Tempo e etc. Foi orador consumado nos gestos e nos pensamentos. Nos comícios estando presente a multidão não o deixava em silêncio, não só para ouvir os hinos de sua linguagem, como ainda ter um esclarecedor eminente. Suas palavras eram assim, claras e orientadoras.

Durante a 1ª Guerra Mundial de 1914 a 1918, tomou posição ao lado dos aliados noticiando e comentando diariamente os acontecimentos, com maestria de um crítico militar. Seu interesse pela causa da justiça e da civilização ofereceu-lhe um venérea, isto é uma esplêndida homenagem prestada solenemente, através do governo italiano. A este respeito, o seu filho doutro Ivan de Campos Guimarães disse-me:

“A repercussão da sua campanha em prol dos aliados foi tão grande que lhe valeu o conhecimento das condecorações e insígnias da Legião de Honra da França e das Ordens de Cavaleiro da Corte da Itália e da Bélgica, bem como mensagens de agradecimento enviada por Jorge V da Inglaterra, tendo sido em 1916 por ocasião de seu aniversario natalício alvo de grandes homenagens prestadas principalmente pelos Cônsules de países aliados, que lhe fizeram entrega de uma Polianteia, contendo artigos sobre sua personalidade.

Gaspar Guimarães não somente se dedicou à Literatura de Ficção, indo mais além produzindo obras didáticas e alta cultura e responsabilidade. Entre elas, acham-se além daquela já citada: As nossas Fronteiras
e a Reorganização do Exército Nacional – 1900, Dados Descritivos do Município de Coari – 1900, O Vínculo
Entre o Estado e o Funcionário, História do Lugar da Barra, Direito Internacional Público e Diplomacia –
1914, A Evolução Histórica da Divisão Judiciaria e Administrativa do Estado Amazonas – 1922, Noções
Teosóficas – 1934″.

Gaspar Guimarães foi um polígrafo. Velho e brilhante membro da Ordem Maçônica, quando esta no Amazonas atravessava uma crise, não de idealismo, mas, de sentido administrado, Gaspar Guimarães, um nome feito e respeitado na magistratura, no magistério superior, nas lides da impressa e chamado para prestar serviços. Foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria Amazonense, então, adstrita e subordinada ao Grande Oriente do Lavradio. Pregava a liberdade, mas não à possuía. O remédio estaria na proclamação da independência e da soberania e instituição, segundo a vontade do povo maçônico. Cria-se o Grande Oriente do Amazonas e Acre, Gaspar Guimarães é eleito para exercer o Grão-mestrado e logo organiza juridicamente a entidade, dando-lhe uma constituição liberal e progressista quem sem demora foi aplaudida e reconhecida como umas das mais legitimas Potencias Maçônicas do Universo. Como Grande Secretário do Novo Oriente, tive a honra de trabalhar a seu lado.

A 13 de agosto de 1921, Gaspar Guimarães já então juiz de direito da capital é nomeado Desembargador do Egrégio Superior Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, na administração Rêgo Monteiro. Foi várias vezes seu presidente. Seus acórdãos são peças de alto valor jurídico, é obvio dizer partida de um juiz culto e íntegro.

Doente em consequência de um acidente que sofrera, aposenta-se do cargo de desembargador, tendo 42 anos de serviço público prestado ao Amazonas. Retira-se para o Rio de Janeiro, onde trataria melhor da saúde, faleceu a 23 de junho de 1938 com a colaboração obsequiosa do seu filho Doutor Ivan Campos Guimarães.

Fonte: BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro: Editora Conquista, 1973, pág.: 236, 237, 238.

Leia também: Fernando Ferreira Lima: Sereníssimo Grão-mestre entre 2016-2019

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Portal Amazônia responde: o que é um Sítio Ramsar?

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Ilha do Bananal, um Sítio Ramsar, em Tocantins. Foto: Divulgação/Governo do Tocantins

A natureza possui uma biodiversidade vasta: abriga animais, plantas e, também, comunidades. A Amazônia, maior bioma do Brasil, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem ecossistemas de transição entre ambientes terrestres e aquáticos, que são denominadas de áreas úmidas, que incluem manguezais, pântanos, turfeiras, várzeas e rios, sendo essenciais para a diversidade biológica.

E, nesse sentido, surge o Sítio Ramsar, uma área úmida de importância internacional reconhecida pela Convenção de Ramsar, um tratado entre governos de 1971 para a conservação e uso sustentável desses ecossistemas, de acordo com Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

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A Convenção de Ramsar surgiu como uma medida protetora para a cooperação entre países com o objetivo de promover a conservação e o uso racional de áreas úmidas no mundo. Foi estabelecida em fevereiro de 1971, no Irã, na cidade de Ramsar – por isso o nome recebido -, está em vigor desde 21 de dezembro de 1975 e foi incorporada legalmente no Brasil em 1996, pelo Decreto nº 1.905/1996.

O que são, na prática, os Sítios Ramsar?

Conforme o Ministério do Meio Ambiente, quando as regiões são reconhecidas como Sítio Ramsar, as áreas úmidas passam a integrar uma série de compromissos que o país precisa cumprir, para que sejam mantidas suas características ecológicas em conservação, como os elementos da biodiversidade, bem como os processos que os mantêm – e, ao mesmo tempo, a ter acesso a benefícios decorrentes dessa condição.

Os benefícios de um Sítio Ramsar podem incluir apoio financeiro e assessoria técnica para planejar ações voltadas à proteção das regiões registradas. Além disso, esse reconhecimento faz com que esses territórios passem a ter prioridade em políticas públicas ambientais e ganhem maior visibilidade.

O título também amplia o reconhecimento por parte da população local, do país e da comunidade internacional, ajudando a fortalecer iniciativas de preservação, segundo o Ministério. O título contribui para um melhor planejamento ambiental e para a valorização dos recursos naturais, além de fortalecer a proteção do patrimônio público e privado.

Leia também: Entenda o que são áreas úmidas amazônicas e porquê são importantes

sítio ramsar
Mapa dos Sítios Ramsar. Fonte: Convenções sobre Áreas Úmidas

Alguns benefícios do reconhecimento como Sítio Ramsar

  • Reconhecimento internacional: com a designação, as possibilidades de negociações internacionais voltadas para o apoio ao desenvolvimento de pesquisa podem ser ampliadas e criação de um cenário mais amplo para a cooperação regional e internacional.
  • Novas perspectivas para o desenvolvimento: o País insere-se nas visões modernas de desenvolvimento que têm como premissa básica a promoção da qualidade de vida, obtida por meio da utilização sustentável – considerado sinônimo do conceito de uso racional da Convenção de Ramsar – aqui incluídos os aspectos econômicos e os sociais.
  • Ampliação das oportunidades de atividades econômicas sustentáveis, facilitando o acesso a mercados que valorizam o respeito ao meio ambiente e com procedência de locais reconhecidamente importantes, agregando valor aos produtos.

Leia também: Seis possíveis novas espécies são descobertas em Sítio Ramsar no Peru

Nos estados da Amazônia Legal, 14 regiões úmidas são admitidas como Sítio Ramsar:

  • Rio Juruá (Sítio Ramsar Regional) (AM)
  • Rio Negro (Sítio Ramsar Regional) (AM)
  • Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM)
  • Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses (MA)
  • Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (MA)
  • Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luiz e Baixios do Mestre Alvaro e Tarol (MA)
  • Parque Nacional do Araguaia – Ilha do Bananal (TO)
  • Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense (MT)
  • Reserva Particular do Patrimônio Natural SESC Pantanal (MT)
  • Parque Nacional do Cabo Orange (AP)
  • Estuário do Amazonas e seus Manguezais (Sítio Ramsar Regional) (AP até CE)
  • Parque Nacional do Viruá (RR)
  • Reserva Biológica do Guaporé (RO)
  • Estação Ecológica Taimã (MT)

Para saber mais sobre os Sítios Ramsar no Brasil, acesse AQUI.

Rio Negro, no Amazonas. Foto: William Duarte / Rede Amazônica

*Com informações do MMA e Presidência da República

Fila de brasileiros: por que posto na Venezuela vende gasolina mais barata que no Brasil?

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Posto de gasolina no lado venezuelano da fronteira com o Brasil, onde fila de brasileiros se forma para abastecer. Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR

Um posto de combustível na Venezuela tem atraído motoristas brasileiros em busca de gasolina mais barata na fronteira. O litro era vendido a R$ 6,30 até o dia 30 de janeiro de 2026, valor R$ 1,50 inferior ao cobrado em Pacaraima, no Norte de Roraima.

A venda ocorre no posto localizado em Santa Elena de Uairén, na fronteira com o Brasil. No dia da reabertura, a gasolina chegou a ser vendida a R$ 3, valor quase três vezes menor que o praticado em Pacaraima.

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O posto tem quatro bombas de abastecimento com o nome da PDVSA, estatal de petróleo da Venezuela. O país tem a maior reserva comprovada de petróleo do mundo e concentra cerca de 17% das reservas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris.

Produção de petróleo e subsídio do governo na gasolina

O economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Roraima (Fecomércio), Fábio Martinez atribuiu o valor do combustível vendido mais em conta no posto da fronteira a dois fatores: a alta produção de petróleo na Venezuela e ao subsídio mantido pelo governo venezuelano.

Na prática, a estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, recebe incentivo do governo e vende a gasolina para refinarias e distribuidoras por valores abaixo do mercado internacional. Com o custo menor na origem, o combustível chega ao consumidor final por um preço mais baixo. Isso significa que o governo banca parte do custo da gasolina para manter o valor reduzido ao consumidor.

“Antigamente, quando a Venezuela não passava por essa crise econômica, a gasolina lá era centavos de real. Com o passar do tempo, o subsídio foi diminuindo, mas existe ainda assim um forte subsídio por parte do governo venezuelano para os combustíveis, fazendo com que o preço fique tão barato assim”, resumiu.

O professor e pesquisador de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, João Jarochinski, acrescenta que o preço segue parâmetros voltados ao mercado interno e tem peso político, associado ao discurso de soberania.

“O governo venezuelano mantém os preços domésticos em patamares inferiores aos praticados no mercado internacional, inclusive os que próprio país pratica na venda de petróleo e seus derivados no mercado internacional, como forma de evitar que os combustíveis, nesse caso a gasolina, atue como um vetor adicional de inflação num país que, ao longo dos últimos anos, enfrentou níveis inflacionários elevados”, destacou.

Posto de gasolina no lado venezuelano da fronteira com o Brasil, onde fila de brasileiros se forma para abastecer — Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica
Foto: Reprodução/Rede Amazônica RR

Em resumo, na Venezuela o preço da gasolina não segue o mercado internacional. O valor é definido por decisões governamentais, sem relação direta com a cotação global do petróleo.

“É como se o barril de petróleo estivesse cotado a 60 dólares no mercado, mas a estatal vendesse internamente por 30 dólares, justamente para baratear o preço final”, exemplificou Martinez.

Leia também: Países da América Latina se manifestam sobre ataque à Venezuela

Ao contrário do país vizinho, no Brasil, a gasolina é mais cara porque a política de preços segue parâmetros do mercado internacional e sofre influência de tributos federais e estaduais, conforme detalha o advogado e mestre em Direito Internacional pela pela Universidade de São Paulo (USP), Victor Del Vecchio.

“No Brasil, apesar de termos robustos investimentos estatais na indústria do combustível, o preço pago na bomba obedece a uma lógica de mercado de oferta e procura, levando em conta custos de produção, tributação, o preço do petróleo no mercado internacional, entre outros”, destaca advogado especialista em Direito Internacional, Victor Del Vecchio.

No valor pago pelo consumidor final no Brasil estão embutidos, por exemplo, impostos como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Del Vecchio, no entanto, pondera que apesar de o combustível ser mais barato na Venezuela, o país enfrenta problemas sérios na produção e distribuição local: “É muito comum na Venezuela que, nas principais cidades, postos fiquem dias sem combustível e, quando há reabastecimento, longas filas são formadas para que a população possa comprar”.

A Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima acompanha o movimento de reabertura do posto de combustível na fronteira. A expectativa é de que o abastecimento continue, mas isso depende das condições da estrada para a chegada dos caminhões-tanque com combustível até o posto que tem atraído brasileiros.

*Por Valéria Oliveira, da Rede Amazônica RR