Com o propósito de fortalecer as políticas públicas educacionais, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovou, no dia 21 de outubro, três Projetos de Lei (PLs) e um Projeto de Resolução Legislativa (PRL) voltados à valorização do ensino, à cidadania e à inclusão.
As propostas, de autoria de diferentes parlamentares, tratam da criação de programas educativos, do reconhecimento aos professores de língua indígena, do incentivo à educação ambiental e da garantia de segurança alimentar para alunos com alergias alimentares.
Entre os destaques, está o Projeto de Resolução Legislativa (PRL) nº 66/2025, de autoria do presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (União Brasil), que institui o programa Aleam Educa.
A iniciativa oferece curso preparatório gratuito para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com aulas presenciais de Língua Portuguesa e Redação, além de acesso a uma plataforma digital com conteúdos das demais disciplinas e curso de inglês online.
“O Aleam Educa reafirma o compromisso da Assembleia com a formação cidadã e o acesso à educação de qualidade. Estamos abrindo portas e oportunidades para os jovens da rede pública”, afirmou o presidente Roberto Cidade.
O programa, desenvolvido pela Escola do Legislativo Senador José Lindoso, pretende atender este ano 1,5 mil estudantes de 30 escolas públicas de Manaus, consolidando o papel da Aleam como polo gratuito de capacitação e inclusão educacional.
De autoria do deputado Cristiano D’Angelo (MDB), o PL nº 531/2024 institui o Dia Estadual da Professora e do Professor da Língua Indígena, celebrado em 28 de julho. A proposta reconhece a importância desses educadores que preservam e difundem os saberes, tradições e línguas dos povos originários do Amazonas.
“Os professores indígenas são guardiões das tradições e da identidade cultural de seus povos. Sua atuação é essencial para a valorização e a continuidade dos conhecimentos ancestrais”, destacou o parlamentar.
Educação ambiental e reciclagem
Também de autoria do deputado Cristiano D’Angelo, o PL nº 71/2025 cria a Política Estadual de Incentivo à Reciclagem, Promoção da Educação Ambiental e Valorização dos Agentes de Materiais Recicláveis. O projeto busca fomentar a gestão sustentável de resíduos sólidos, a preservação ambiental e a inclusão social dos trabalhadores da reciclagem.
Atenção às crianças com alergia alimentar
O PL nº 425/2025, de autoria do deputado Felipe Souza (Patriota), garante às crianças com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) o direito de levar seu próprio alimento para as instituições de ensino públicas e privadas do Amazonas.
A medida tem como objetivo assegurar a segurança alimentar e a inclusão dessas crianças no ambiente escolar. “O projeto busca conscientizar a comunidade escolar sobre a APLV e garantir o acolhimento adequado, respeitando as necessidades específicas de cada aluno”, afirmou o deputado.
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Roberto Cidade (UB), propôs ao Governo do Estado, a criação de um programa para perfuração de poços artesianos em escolas públicas da rede estadual. A ideia é transformar os colégios em pontos comunitários de acesso à água potável, especialmente durante as secas severas. A indicação foi feita por meio do Requerimento nº 3.583/2025.
Para Roberto Cidade, o acesso à água é um direito humano fundamental e, segundo ele, escolas podem servir como polos de proteção social e abastecimento nas comunidades isoladas. O programa sugerido, chamado “Água + Vida”, prevê uso comunitário regulado, fundo estadual para financiamento das obras e monitoramento da qualidade da água.
“O projeto visa reduzir doenças de veiculação hídrica, fortalecer a segurança hídrica local e diminuir os custos de operações emergenciais em períodos de estiagem. A perfuração de poços artesianos (poços tubulares profundos, com captação em aquíferos protegidos) garante a disponibilidade de água de qualidade, reduzindo a dependência exclusiva dos rios. Em períodos de vazante extrema, como tivemos em 2023 e 2024, quando comunidades ficam isoladas, o funcionamento de um poço escolar assegura que a população local tenha acesso a água segura para consumo, preparo de alimentos e higiene”, defendeu Roberto Cidade.
Diretrizes do ‘Água + Vida’
No requerimento, Roberto Cidade sugere que o Estado, em parceria com prefeituras e demais instâncias, promova o Programa “Água + Vida”, com os seguintes objetivos e ações estruturantes:
• Implantação de poços artesianos em escolas estaduais, com prioridade para áreas com maior deficiência no saneamento e histórico de isolamento hídrico;
• Extensão do programa a escolas municipais por meio de incentivos técnicos e financeiros;
• Criação de um fundo estadual exclusivo para financiar perfuração, tratamento (cloração), reservatórios e uso de energia renovável (painéis solares para bombeamento);
• Regulamentação do uso comunitário, assegurando que a população possa acessar a água sem prejudicar as atividades escolares;
• Monitoramento da qualidade da água conforme normas sanitárias vigentes (como a Portaria GM/MS nº 888/2021).
Roberto Cidade ressalta que alguns Estados implementaram a medida para garantir água potável à população, sobretudo em áreas com baixo percentual de saneamento básico e difícil intervenção do Poder Público em períodos de calamidade ou sinistro.
“Por exemplo, em Minas Gerais, o Projeto Gota D’Água perfurou poços artesianos, instalou kits potabilizadores e promoveu monitoramento da qualidade da água em centenas de escolas da rede estadual, beneficiando dezenas de milhares de estudantes”, destacou o parlamentar, citando também o Estado do Acre, com o programa federal PDDE Água na Escola, que já perfurou poços artesianos em 14 escolas da Regional do Juruá em 2024, com mais quatro escolas indígenas previstas para receber os poços em 2025.
Estádio Olímpico do Pará – Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão. Foto: Divulgação/Agência Pará
O Estado do Pará passou a integrar oficialmente a Rota Turística do Futebol do Mercosul, iniciativa lançada pelo Brasil, que atualmente preside o bloco econômico sul-americano. A proposta, anunciada no dia 22 de outurbro, foi liderada pelo Ministério do Turismo, em parceria com o Ministério do Esporte, e coloca o Estádio Olímpico do Pará – Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, como um dos ícones culturais e esportivos da América do Sul.
A Rota Turística de Futebol do Mercosul conecta os principais estádios e museus esportivos do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia, promovendo o futebol como patrimônio cultural e vetor de integração turística e econômica entre os países.
Do Brasil, integram o roteiro estádios de forte simbolismo nacional, como o Maracanã (RJ), Allianz Parque (SP), Arena BRB Mané Garrincha (DF), Beira-Rio (RS), Arena do Grêmio (RS), Neo Química Arena (SP), Arena Castelão (CE), Vila Belmiro (SP), além de museus icônicos, como o Museu Pelé e o Museu do Futebol. O Mangueirão, no Pará, é o único estádio da região Norte a compor o circuito internacional.
A iniciativa está alinhada à marca “Visit South America” (Visite a América do Sul), e busca valorizar o futebol como uma das expressões culturais mais profundas da identidade sul-americana. O objetivo é impulsionar o turismo esportivo, fomentar o intercâmbio cultural e aumentar o fluxo de visitantes internacionais, fortalecendo a economia criativa e o desenvolvimento sustentável dos países do bloco.
Mangueirão: símbolo da cultura, do esporte e da identidade paraense
Totalmente reconstruído e reinaugurado em abril de 2023 pelo Governo do Pará, o Mangueirão se tornou um dos maiores símbolos de modernidade, hospitalidade e multifuncionalidade da região Norte.
Mais do que um estádio, o espaço se consolidou como um centro cultural, esportivo e social, capaz de receber grandes eventos internacionais e manifestações populares que expressam a diversidade do povo paraense.
Mangueirão. Foto: Roni Moreira/Agência Pará
Desde a reestruturação, o estádio sediou mais de 100 eventos esportivos, culturais e religiosos, consolidando Belém como referência em infraestrutura. O palco paraense já recebeu partidas históricas, como a abertura das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, quando o Brasil venceu a Bolívia por 5 a 1, e a Supercopa do Brasil de 2025, entre Flamengo e Botafogo.
Recebeu também “O Amazônia Live – Hoje e Sempre”, movimento criado pelos fundadores do Rock in Rio e do The Town para chamar atenção às urgências socioambientais da Amazônia, antecipando debates que estarão em destaque na COP 30, a ser realizada em novembro deste ano, em Belém.
O Mangueirão, se prepara para receber um dos maiores eventos musicais e sociais do ano: o “Global Citizen Festival: Amazônia”, que será realizado no dia 1º de novembro. O festival antecede COP30), consolidando a capital paraense como palco de grandes acontecimentos globais. Esses eventos, consolidam o Pará como um dos novos polos de turismo esportivo, cultural e sustentável do Brasil e da América do Sul.
O secretário de Estado de Esporte e Lazer, Cássio Andrade, destacou o papel do Mangueirão como símbolo da nova fase do esporte e da cultura paraense:
“O Mangueirão é muito mais do que um estádio. Ele é um símbolo do orgulho e da identidade do povo paraense. Fazer parte da Rota Turística do Futebol do Mercosul é o reconhecimento de um trabalho que transforma o esporte em instrumento de cultura, desenvolvimento e integração. O Pará vive um novo momento, e o Mangueirão é o coração pulsante dessa transformação”, afirmou o secretário.
Cultura, memória e integração regional
A Rota do Futebol do Mercosul nasce com o propósito de integrar estádios que possuam valor simbólico, atratividade turística e estrutura receptiva, incluindo museus, centros de memória e visitas guiadas. No caso do Mangueirão, o Governo do Pará planeja fortalecer ainda mais o espaço como patrimônio cultural e esportivo, ampliando ações de visitação, exposições históricas e experiências interativas sobre o esporte amazônico e nacional.
A iniciativa também reforça o papel do Pará no calendário internacional de eventos, ao lado de estádios icônicos como La Bombonera e Monumental de Núñez (Argentina), Estádio Centenário (Uruguai) e Museu da Conmebol (Paraguai).
As aranhas são animais extremamente diversos e estão presentes em praticamente todo o mundo, com exceção das regiões polares. Apresentam grande variação de tamanhos, cores e padrões corporais, e há milhares de espécies adaptadas aos mais diferentes ambientes.
Desde tempos antigos, as aranhas estão associadas ao imaginário humano, inspirando personagens, símbolos e mitologias, mas também despertando medo em muitas pessoas, um sentimento conhecido como aracnofobia.
O mestre em Entomologia, João Pedro Costa Gomes, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explica que todas as aranhas podem ser consideradas peçonhentas, pois possuem substâncias inoculadas pelas quelíceras (as “garras” usadas para capturar e imobilizar suas presas). “No entanto, nem todas possuem peçonhas ativas em seres humanos”, informa.
Ele reuniu informações sobre algumas aranhas de importância médica e outras espécies inofensivas que ocorrem na cidade de Manaus (AM), destacando sua beleza, comportamento e importância ecológica.
Espécies de aranhas encontradas em Manaus
Nome científico:Theraphosa stirmi Nome popular: Aranha-golias ou Aranha comedora de pássaros Peçonhenta: Não
Conhecida por ser a maior aranha do mundo (em relação a peso x tamanho corporal), podem chegar a medir 30 cm com certa facilidade, essas aranhas não são consideradas perigosas para os humanos e se alimentam de uma grande variedade de insetos, pequenos mamíferos, lagartos e pássaros (de onde vem o nome popularizado).
Seus métodos de defesa estão ligados a suas cerdas urticantes presentes no abdômen desses animais, quando se sentem ameaçadas lançam essas cerdas ao ar causando irritabilidade e coceiras em seus possíveis predadores.
Tais cerdas podem causar irritações em humanos e, raramente, levar a casos graves de alergia. Estão presentes em toda região amazônica, incluindo reservas e matas preservadas aos redores da cidade de Manaus.
Theraphosa stirmi. Foto: João Pedro Costa Gomes
Nome científico: Avicularia variegata Nome popular: Aranha dos dedos rosas Peçonhenta: Não
Faz parte da infraordem das caranguejeiras, são animais com temperamento bem tranquilo e comumente vistas em locais habitados próximos de fragmentos florestais (UFAM, Condomínios com matas densas aos redores, etc.).
Se alimentam principalmente de insetos, mas temos registros de alimentação com pequenos pássaros e roedores também.
São aranhas arborícolas, habitando locais mais altos e algumas vezes com pequenas tocas em buracos naturais. Tem uma média de tamanho de 8 a 12 cm.
Avicularia variegata. Foto: Liara Azevedo
Nome científico:Acanthoscurria simoensis Nome popular: Não há nome específico Peçonhenta: Não
São aranhas caranguejeiras presente na Amazônia, onde as fêmeas vivem em tocas escavadas em barrancos ou no solo e os machos são errantes, ou seja, não vivem em pontos fixos e andam em busca de alimento, dispersão e em busca de fêmeas para procriar.
Podem medir de 10 a 18 cm e tem um padrão de cor que chama bastante atenção, com manchas avermelhadas em tons bem vivos nas pernas. Também fazem o uso de cerdas urticantes para defesa quando se sentem ameaçadas.
Acanthoscurria simoensis. Foto: João Pedro Costa Gomes
Nome científico: Latrodectus curacaviensis e Latrodectus geometricus Nome popular: Viúva flamenguinha e Viúva-marrom Peçonhenta: Sim
As aranhas do gênero Latrodectus são popularmente conhecidas como viúvas-negras, um dos grupos de aranhas peçonhentas mais famosos do mundo, cercado por lendas e frequentemente associado a personagens fictícios. No Brasil, essas aranhas estão amplamente distribuídas e, na região Amazônica, são encontradas principalmente duas espécies: Latrodectus curacaviensis, conhecida como viúva-flamenguinha, e Latrodectus geometricus, chamada de viúva-marrom.
Ambas são peçonhentas, possuindo veneno neurotóxico, mas com intensidades diferentes. A viúva-flamenguinha (L. curacaviensis) possui peçonha ativa em humanos e é considerada de importância médica, com registros de casos graves e até mortes, embora estas sejam raras atualmente. Já a viúva-marrom (L. geometricus) apresenta uma peçonha semelhante, que age de forma parecida, mas geralmente não evolui para quadros graves.
Essas aranhas não são agressivas, e os acidentes costumam ocorrer apenas quando são comprimidas contra o corpo, como ao vestir roupas ou manusear objetos onde costumam se abrigar. Constroem teias irregulares e desordenadas, diferentes das teias geométricas típicas de outras aranhas tecedeiras. A identificação das espécies é relativamente simples, pois ambas possuem uma mancha avermelhada em forma de ampulheta na face ventral do abdômen, característica do grupo.
A viúva-flamenguinha pode ser reconhecida pelo abdômen avermelhado com manchas pretas no dorso, enquanto a viúva-marrom apresenta coloração marrom, com desenhos mais escuros em formas geométricas, ainda que nem sempre bem definidas.
L. curacaviensis. Foto: Renato Brito
L. geometricus. Foto: Cesar Favacho
Nome científico:Loxosceles amazonica Nome popular: Aranha marrom Peçonhenta: Sim
Conhecida popularmente como aranha-marrom, é uma espécie de importância médica encontrada na região Amazônica. Assim como outras do gênero Loxosceles, possui peçonha ativa em humanos, responsável por causar o loxoscelismo, um quadro que pode provocar sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e, em casos mais graves, lesões necróticas na pele.
Essas aranhas são de pequeno porte, medindo entre 1 e 3 centímetros, com corpo marrom a amarelado e um desenho em forma de violino na região do cefalotórax, característica do grupo. Não são aranhas agressivas, passando boa parte do tempo escondidas em locais escuros e pouco movimentados, como atrás de móveis, entulhos ou dentro de calçados.
Os acidentes geralmente acontecem quando o animal é comprimido contra o corpo, e por isso a prevenção envolve cuidados simples, como sacudir roupas e calçados antes de usá-los. Apesar do potencial risco, Loxosceles amazonica tem papel importante no equilíbrio ecológico, ajudando no controle de insetos em ambientes naturais e urbanos.
Loxosceles amazonica. Foto: Célio Moura Neto
Nome científico: Phoneutria fera e Phoneutria reidyi Nome popular: Aranha-armadeira Peçonhenta: Sim
As aranhas do gênero Phoneutria são popularmente conhecidas como aranhas-armadeiras. São aranhas peçonhentas de importância médica, amplamente distribuídas na Amazônia, incluindo a região de Manaus, onde podem ser encontradas tanto em ambientes florestais quanto próximas a áreas urbanizadas. Essas aranhas são conhecidas por seu comportamento defensivo característico, erguendo as patas dianteiras quando se sentem ameaçadas, postura que deu origem ao nome “armadeira”.
A peçonha dessas espécies é neurotóxica, com ação sobre o sistema nervoso, podendo causar dor intensa, sudorese, taquicardia e alterações na pressão arterial. Em casos mais graves, especialmente em crianças e idosos, podem ocorrer complicações sistêmicas, mas óbitos são raros devido ao acesso rápido a tratamento e ao uso de soro antiaracnídico. Apesar da fama de agressivas, raramente atacam sem motivo, e a maioria dos acidentes ocorre quando o animal é manipulado.
São aranhas de grande porte, podendo atingir até 5 centímetros de corpo e mais de 15 centímetros de envergadura. Possuem coloração marrom a acinzentada, com padrões de faixas e manchas nas pernas e no abdômen, úteis para camuflagem.
Durante o dia costumam abrigar-se em folhas secas, bromélias, troncos ocos ou entre objetos domésticos, saindo à noite para caçar ativamente, sem o uso de teias para capturar suas presas. Apesar do risco potencial, são predadores importantes no equilíbrio ecológico, ajudando a controlar populações de insetos e outros invertebrados.
A Região Norte do Brasil concentra parte essencial da história indígena nacional. Muito antes da chegada dos colonizadores portugueses, cada território que hoje corresponde às capitais dos estados brasileiros abrigava povos de diferentes etnias, com línguas, costumes, crenças e formas de organização próprias.
Essas populações não apenas ocupavam as terras, mas também estruturavam redes de trocas, de defesa, de cultivo e de rituais religiosos, compondo sociedades complexas e com grande diversidade cultural.
A ocupação europeia transformou profundamente esse cenário, mas os registros históricos, arqueológicos e orais permitem identificar as etnias predominantes em cada região.
De acordo com dados coletados pelo antropólogo Darcy Ribeiro, em suas pesquisas intituladas “Os Índios e a Civilização”, as etnias da Amazônia não eram isoladas. Muitas mantinham contato por meio dos rios, que funcionavam como grandes estradas naturais. Conflitos, alianças e migrações também marcaram o processo de convivência entre esses povos antes da chegada dos colonizadores.
Estudos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), assim como várias outras pesquisas antropológicas, mostram que os povos predominantes antes da colonização formavam o alicerce humano e cultural da Amazônia e do Cerrado, por exemplo.
Assim, cada capital da Região Norte guarda em sua origem a presença de povos originários que moldaram o território com seus saberes, modos de vida e práticas de convivência com a natureza. Mesmo após os impactos da colonização, muitas dessas etnias permanecem ativas e reconhecidas, garantindo a continuidade de sua história.
Pensando nisso, o Portal Amazônia listou duas das principais etnias que habitavam as áreas onde hoje se localizam as capitais da Região Norte, preservando a memória histórica dos povos originários e sua relevância cultural.
Rio Branco (Acre)
O território do Acre, em especial onde se localiza Rio Branco, era ocupado principalmente pelos Ashaninka e pelos Kaxinawá (Huni Kuin). Os Ashaninka viviam em comunidades organizadas, cultivando mandioca, milho e algodão, e eram conhecidos pela produção de tecidos e pela organização social baseada em clãs familiares.
Já os Kaxinawá ocupavam áreas do rio Envira e Purus, com rituais de ayahuasca e forte tradição guerreira.
Habitação kaxinawá. 1981. Foto: Terri Vale de Aquino/ ISA
Macapá (Amapá)
Na área de Macapá, as etnias predominantes eram os Palikur e os Galibi. Os Palikur, ligados ao tronco linguístico Aruak, viviam próximos à foz do rio Amazonas, praticando agricultura e mantendo relações comerciais com outros povos do litoral e do interior.
Já os Galibi, do tronco Karib, se distribuíam entre o Amapá e a Guiana Francesa, sendo conhecidos por sua resistência e pelo contato constante com outros grupos indígenas.
No documentário abaixo, é possível conhecer um pouco da cultura Palikur e seus conhecimentos seculares de construção de canoas.
Manaus (Amazonas)
Na região que hoje corresponde a Manaus, duas etnias predominavam: Manaós e Barés. Os Manaós foram um dos povos mais influentes da região, controlando o rio Negro e organizando aldeias estruturadas em torno da pesca e do comércio com outros povos.
Já os Barés ocupavam áreas próximas e se destacavam por práticas agrícolas e pelo uso medicinal das plantas da floresta. Ambos os grupos mantinham relações com etnias vizinhas, influenciando a formação cultural da área.
Os barés são um grupo indígena que habita o noroeste do Amazonas. Foto: Daniell Zanini/Wikimedia Commos
Belém (Pará)
Na área de Belém, as duas etnias predominantes eram os Tupinambás e os Araras. Os Tupinambás faziam parte da grande família tupi, espalhada pelo litoral e pela foz do rio Amazonas, com destaque para a agricultura de mandioca e a pesca.
Já os Araras ocupavam áreas próximas da atual capital, vivendo da caça, coleta e pesca em terras firmes e várzeas, mantendo também tradições guerreiras que resistiram à chegada dos colonizadores.
Gravura do século XVI mostra indígenas Tupinambás, nesta que foi a primeira que mostrava indígenas feita por portugueses. Foto: Autor desconhecido/ Wikimedia Commons
Porto Velho (Rondônia)
Na região onde hoje está Porto Velho, destacavam-se os Karipunas e os Paresí. Os Karipunas viviam próximos aos rios Madeira e Jamari, com modo de vida baseado na pesca, coleta e agricultura de pequena escala.
Já os Paresí, embora mais associados ao interior do atual Mato Grosso, expandiam sua presença para a região de Rondônia, estabelecendo contatos de troca e circulação.
Foto de família da etninia Karipunas em 2004. Foto: Gilberto Azana/ Divulgação/ ISA
Boa Vista (Roraima)
Na região da atual Boa Vista, predominavam os Macuxi e os Wapixana. Os Macuxi habitavam vastas áreas entre Brasil e Guiana, com economia baseada em roças coletivas e caça, e mantendo práticas espirituais ligadas à natureza.
Os Wapixana, por sua vez, estavam distribuídos ao sul da capital, vivendo em malocas e cultivando produtos agrícolas, além de possuir forte tradição oral.
Foto: J. Filho/Cimi
Palmas (Tocantins)
Na região do atual Tocantins, onde hoje está Palmas, destacavam-se os Xerente e os Karajá. Os Xerente ocupavam áreas próximas ao rio Tocantins e ao rio Sono, vivendo da agricultura de mandioca, milho e algodão, além da caça e da pesca.
Os Karajá habitavam ilhas e margens do rio Araguaia, sendo conhecidos por sua tradição cerâmica, arte plumária e rituais de iniciação masculina.
A festa Hetohoky dos Karajá é o maior ritual indígena entre os povos do Tocantins, que marca o momento em que os homens adolescentes iniciam a fase adulta. Foto: Emerson Silva/Governo do Tocantins
A pesquisa é um dos maiores trabalhos já feitos sobre a poluição de microplásticos no país. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Uma pesquisa nacional sobre microplásticos identificou poluição em praia do Amapá. Responsável pela pesquisa, o Projeto Micromar envolveu instituições do Brasil todo e analisou a presença de microplásticos em praias do país.
De mais de mil praias estudadas, em quase 70% foi observado esse tipo de poluição, entre elas, a localizada no estado do Amapá. A Universidade do Estado do Amapá (Ueap) contribuiu diretamente para o andamentos das pesquisas no estado.
A pesquisa, liderada pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano) é um dos maiores trabalhos já feitos sobre a poluição de microplásticos no país. Fizeram parte da análise 1024 praias, em 211 municípios de todos os 17 estados costeiros do Brasil. Coletando ao todo, 4134 amostras de areia, entre os anos de 2022 e 2023.
No Amapá, foram selecionados 40 pontos de amostragem ao longo da costa do estado, entre os municípios de Calçoene e Amapá. A Ueap, por meio do esforço da professora Dra. Neuciane Dias Barbosa ofereceu o suporte necessário para a realização dos trabalhos realizados no Amapá.
A pesquisa, liderada pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano) é um dos maiores trabalhos já feitos sobre a poluição de microplásticos no país. Foto: Nataliel Rangel, Mickael-Marques e Thales-Lima
Além de atuar na divulgação científica e elaboração dos artigos, livro e relatórios. Apesar de ser um dos estados com a menor incidência da poluição, segundo a docente do colegiado de Engenharia de Pesca, os resultados obtidos merecem atenção a temática no estado.
“As amostras foram coletadas pela equipe do IF Goiano, analisadas em laboratório, encontrando-se poluição plástica na única praia oceânica no estado. Esse resultado desperta um alerta quanto ao impacto do microplástico no Amapá”, disse a professora Neuciane.
O que são os Microplásticos?
Estudo analisou mais de mil praias brasileiras e revelou a presença de microplásticos em 70% delas, incluindo pontos da costa amapaense, acendendo um alerta para os impactos ambientais na região. Foto: Divulgação
Segundo a pesquisadora, os microplásticos são fragmentos do tamanho de um grão de arroz que podem afetar a biodiversidade, a segurança alimentar e a saúde humana. Nesse sentido, a principal preocupação para os seres humanos é a ingestão de peixes e frutos do mar contaminados. Por outro lado, para os banhistas, a presença de microplásticos não representa ainda um risco direto de intoxicação.
Durante a pesquisa, a equipe além de quantificar a presença dos microplásticos, também observou o Índice de Perigo do Polímero, que mede a toxicidade dos microplásticos encontrados, e o Índice de Risco Ecológico Potencial, que relaciona a quantidade desses poluidores com o perigo dos materiais.
*Com informação da Universidade do Estado do Amapá (Ueap)
Com mais de 15 museus e memoriais em funcionamento, que preservam a memória e a identidade do povo paraense, o Pará ganha, cada vez mais, destaque nacional. De acordo com a pesquisa Cultura nas Capitais, da JLeiva Cultura & Esporte, com patrocínio do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a população de Belém é uma das que mais os visita do Brasil. Cerca de 35% dos moradores têm o hábito de frequentá-los, enquanto a média nacional é de 27%.
De 2019 a 2025, mais de 1,8 milhão de pessoas já foram atendidas nos espaços do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM). A secretária estadual de Cultura (Secult), Ursula Vidal, ressalta que o aumento expressivo de visitantes mostra um Pará que se reconhece na sua própria história e que entende a cultura como um direito.
“Esse resultado é fruto da política de democratização do acesso que o Governo do Pará vem implementando desde 2019. Criamos novos equipamentos, como o Museu das Amazônias, recém-entregue e já ultrapassou 25 mil visitantes em apenas 15 dias de funcionamento. Também criamos o Memorial da Cabanagem, o Palacete Faciola, o Parque Cemitério da Soledade, que é o primeiro cemitério-museu do Norte, e reestruturamos o do Marajó, a Estação Cultural de Icoaraci, o Memorial Verônica Tembé, todo o complexo Porto Futuro e o da Imagem e do Som, que ganhou uma nova casa no Faciola”, ressalta a titular da Secult.
Entre as estratégias da política cultural, estão a garantia de entrada gratuita aos domingos, extensão de horários, a manutenção de preços simbólicos, a criação de programas como ‘Uma Noite no Museu’, e os esforços para fortalecer vínculos e transformar o cotidiano das pessoas em todos os equipamentos culturais gerenciados pela Secult.
“Esse movimento de pertencimento e de encontro com a arte é o que faz da cultura um bem essencial e do Pará, uma referência para o Brasil”, complementa Ursula Vidal.
Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará
O auxiliar de logística, Alvaro Mota, 22 anos, é um dos paraenses que adora visitar esses locais. “Cada visita sinto como uma viagem para a nossa própria cultura e história. Sinto que estou aprendendo e revisitando culturas que eu nunca presenciei antes, assim como histórias interessantes sobre o nosso passado como capital da Amazônia. Gosto de visitar e apreciar o patrimônio arquitetônico em edifícios como a Casa Francisco Bolonha e o do Estado do Pará. Sou mais fissurado em ciências e história por conta da riqueza que as ciências na Amazônia nos trazem além das histórias sobre Belém e sobre a Amazônia que muitos desconhecem e se mostram desacreditados quando ouvem por achar que por Belém ser uma cidade no Norte não poderia ter uma história assim”, diz.
Armando Sobral, diretor do SIMM, explica algumas das medidas promovidas pelo Governo do Pará para fortalecer o Sistema. Os locais, que antes abriam, de modo geral, de 9h às 14h, passaram a funcionar de 9h às 17h; também houve a ampliação da acessibilidade e da democratização dos equipamentos; assim como a ampliação do regime de gratuidade.
“Nós temos feito um trabalho interno muito grande, sobretudo, na manutenção desses espaços, como na construção de ações que levam os museus para as periferias e aproximação da comunidade escolar. Focamos na diversidade temática e tipológica dos museus que nos permite também o acesso de um amplo entendimento sobre a cultura e sobre a arte aqui na Amazônia”, finaliza Armando Sobral.
Entre os principais do estado, estão o de Arte Sacra do Pará, Forte do Presépio, o Museu do Estado do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, Museu da Imagem e do Som, Museu do Círio, Museu de Gemas do Pará, Museu Amazônico da Navegação, Museu do Marajó e das Amazônias, além dos memoriais da Cabanagem e Verônica Tembé, e do Palacete Faciola e Parque Cemitério Soledade.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no dia 24 de outubro, um novo recorte do Censo Demográfico 2022, revelando que o número de etnias indígenas registradas no Acre cresceu 40,35% entre 2010 e 2022, passando de 57 para 80.
A Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas do Acre (Sepi) atribui esse avanço às políticas públicas voltadas à demarcação territorial e ao fortalecimento das línguas maternas, consideradas pilares da atual gestão na promoção dos direitos dos povos originários.
Considerando apenas os dados do Acre, 63,79% dos indígenas entre 2 e 19 anos falam a língua materna no ambiente doméstico.
O estado reúne 29.520 pessoas indígenas com 2 anos ou mais de idade, das quais 15.752 estão na faixa etária de 2 a 19 anos. Dentro desse grupo, 10.048 mantêm o uso da língua indígena em casa, reforçando a importância da transmissão cultural entre gerações.
No cenário nacional, o Acre se destaca como o estado com a maior proporção de jovens indígenas que falam a língua materna. Dos 18.211 indígenas com 2 anos ou mais que utilizam a língua indígena no estado, 10.048 têm entre 2 e 19 anos, o que significa que mais da metade (55,18%) dos falantes estão nessa faixa etária. Esse dado reforça o papel central da juventude na preservação e continuidade das línguas indígenas no Acre.
No país, apenas sete estados têm mais da metade da população indígena nessa faixa etária utilizando línguas indígenas no domicílio, um indicador importante da preservação cultural entre as novas gerações.
Acre (55,18%)
Maranhão (53,91%)
Mato Grosso (53,46%)
Tocantins (53,00%)
Pará (52,34%)
Paraíba (51,71%)
Minas Gerais (50,04%)
Foto: Diego Silva/Secom AC
Compromisso e valorização cultural
O crescimento da população indígena no Acre, apontado pelo Censo Demográfico 2022, reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à proteção territorial e à valorização cultural dos povos originários.
Para a secretária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, o momento exige continuidade e aprofundamento das ações já em curso.
“O aumento da população indígena no Acre significa que será preciso, futuramente, garantir a continuidade da demarcação de terras para esses povos. É fundamental que existam políticas públicas que permitam que os povos indígenas vivam e mantenham seus territórios com dignidade, com acesso à tecnologia, energia limpa e renovável, segurança alimentar e, principalmente, com a inclusão de jovens e mulheres nos espaços de decisão”.
Segundo Francisca, o Estado tem concentrado esforços no fortalecimento da identidade cultural dos povos indígenas, com destaque para ações de resgate linguístico e promoção da diversidade.
“No passado, os povos indígenas eram obrigados a abandonar suas línguas para falar apenas o português. Hoje, por meio da educação escolar indígena bilíngue, intercultural e diferenciada, estamos resgatando esse direito”, explicou.
Geração para geração
Além disso, ela destaca que avós, pais e tios continuam ensinando as línguas aos jovens. “Falar a língua indígena é um ato de resistência. É manter viva nossa gramática, nosso alfabeto, nossas consoantes. É um trabalho que envolve professores indígenas e escolas que valorizam nossa cultura.”
Ela também destacou que o Acre tem promovido festivais e encontros culturais que fortalecem a identidade dos povos originários não apenas dentro do estado, mas também em articulação com outras regiões do Brasil e até com países vizinhos.
“Costumo dizer nas minhas palestras que, aqui no Acre, somos muito bem preparados. Não sofremos os mesmos massacres que ocorreram em outros estados. E é por isso que devemos manter viva essa cultura de respeito aos territórios e aos direitos dos povos indígenas”, completou.
O governador Gladson Camelí também reforçou o compromisso do Estado com as comunidades tradicionais. “Respeitar os povos indígenas é respeitar a história do nosso estado. Nosso governo tem trabalhado para garantir que esses povos tenham voz, território e dignidade. Eles são parte essencial da nossa identidade acreana”, declarou.
Ampliar a implementação do Código Florestal é essencial para proteger a agricultura e cumprir as metas climáticas assumidas pelo Brasil. Foto: Eufran Amaral
Ampliar a implementação do Código Florestal é essencial para proteger a agricultura e cumprir as metas climáticas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris, aponta o Pacto pelo Código Florestal, iniciativa que busca acelerar a aplicação da principal política de uso do solo do país. Às vésperas da COP30, o documento ressalta a conexão entre a efetiva proteção do Código e a mitigação das mudanças climáticas, além de seu papel no fortalecimento de uma agricultura sustentável e resiliente.
“Proteger a vegetação é proteger o clima e a agricultura. O Código é uma ferramenta poderosa nesse sentido, mas que ainda é subutilizada. Em um momento em que reconhecemos claramente a importância das florestas para os sistemas de produção de alimentos, precisamos de instrumentos que garantam a conservação da vegetação nativa e mantenham a resiliência da agricultura. Isso está diretamente ligado à preservação das florestas e ao Código Florestal”, destaca André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
O documento ressalta a conexão entre a efetiva proteção do Código e a mitigação das mudanças climáticas. Foto: Reprodução/Arquivo Sema Amazonas
Principal marco legal sobre o uso do solo no Brasil, o Código Florestal busca conciliar a produção agropecuária com a proteção da vegetação nativa. Treze anos após sua aprovação, a lei continua sendo uma referência fundamental para o desenvolvimento sustentável do país, mas sua implementação e fiscalização em larga escala ainda representam grandes desafios.
“O Pacto pelo Código Florestal é um movimento que une toda a sociedade brasileira em prol de um objetivo comum: conciliar a conservação dos nossos ativos florestais com produção eficiente e ordenamento adequado do uso do solo. Isso é o que garante recursos hídricos e biodiversidade. Este é um momento importante para avançarmos nas análises do CAR [Cadastro Ambiental Rural] e, principalmente, na regularização ambiental das propriedades rurais no Brasil”, afirma Jarlene Gomes, pesquisadora e coordenadora de projetos em Políticas Públicas do IPAM.
O Pacto pelo Código Florestal é um movimento que une toda a sociedade brasileira em prol de um objetivo comum. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará
De acordo com dados do Termômetro do Código Florestal, ferramenta do IPAM que acompanha a implementação da lei, o passivo de Reserva Legal chega a 16,3 milhões de hectares, área equivalente à do Estado do Acre.
Esses passivos correspondem a áreas que deveriam ser mantidas com vegetação nativa, mas foram desmatadas. Além disso, há 3 milhões de hectares que deveriam estar protegidos em APPs (Áreas de Preservação Permanente) e também foram suprimidos.
O Pacto pelo Código Florestal estabelece responsabilidades e papéis claros para cada ator envolvido na aplicação da lei, visando fortalecer sua execução no combate ao desmatamento e na proteção da agricultura. Aos três Poderes da República, cabe evitar alterações na lei, reafirmar sua constitucionalidade e assegurar segurança jurídica para as ações de restauração, conservação e produção.
O Pacto pelo Código Florestal estabelece responsabilidades e papéis claros para cada ator envolvido na aplicação da lei. Foto: Reprodução/Secom
“Essa ainda é uma agenda que precisa sair do papel. Precisamos validar o CAR e implementar os planos de recuperação ambiental. Há um caminho a percorrer, mas quanto mais rápido avançarmos com o Código Florestal, mais estaremos preparados para enfrentar as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, fortalecer a agricultura brasileira, que depende diretamente das chuvas geradas pelas florestas”, reforça André Guimarães.
O documento
Segundo o documento, governos federal e estaduais devem acelerar a análise e validação dos CARs e a implementação dos PRAs (Programas de Regularização Ambiental), valorizando os remanescentes de vegetação nativa nas propriedades rurais. Produtores rurais e agricultores familiares, por sua vez, têm a responsabilidade de promover a regularização ambiental de seus imóveis, aderindo aos PRAs e recuperando seus passivos.
O texto também destaca o papel do setor privado, que deve contribuir para a manutenção e fiscalização das cadeias produtivas, e do setor financeiro, que deve oferecer incentivos à regularização ambiental e restringir o crédito a quem permanecer irregular. Por fim, cabe à sociedade civil acompanhar, apoiar e valorizar a implementação do Código Florestal, reconhecendo-o como um patrimônio coletivo fundamental para o futuro do país.
*Com informação do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Uma ração artesanal produzida a partir de resíduos da indústria pesqueira está sendo desenvolvida no Laboratório de Aquicultura e Pesca da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Amapá, em parceria com a Universidade do Estado do Amapá (Ueap). A proposta é transformar sobras de peixe em um alimento nutritivo e sustentável para a criação de pirapitingas.
A pesquisa foi apresentada durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Macapá, e chamou a atenção de estudantes e visitantes.
O estudante Anderson da Silva, de 13 anos, da Escola Estadual Lucimar Amoras Del Castillo, foi um dos que se interessaram pela iniciativa.
“Eu gostei muito do fato dessa ração ser feita do peixe próprio. Achei bem interessante porque ajuda a gente, deixa a gente mais inteligente. Pra mim, vale muito a pena”, disse.
A ração é feita com farinhas produzidas a partir de carne e ossos de pescado, que seriam descartados. O processo evita desperdício, reduz impactos ambientais e ainda gera um produto rico em proteínas, vitaminas e minerais.
“Em parceria com a Ueap, a gente traz esse material para a universidade. Eles têm todos os equipamentos para produzir a farinha de resíduo de peixe, que é o principal ingrediente para a formulação de rações. A gente deixa de contaminar o ambiente e consegue um ingrediente proteico, rico em vitaminas, rico em minerais, e consegue formular uma ração para a piscicultura”, explicou Leandro Damaceno, analista de laboratório da Embrapa.
Foto: Thiago Nunes/Rede Amazônica
A pesquisa é apresentada pela bolsista Amanda Mendes Pacheco, acadêmica de Engenharia de Pesca da Ueap, sob orientação da pesquisadora Eliane Yoshioka.
O objetivo é desenvolver tecnologias para o cultivo de peixes como a pirapitinga, com foco em nutrição padronizada, melhor desempenho zootécnico e redução de custos na piscicultura.
Durante o experimento, os peixes foram alimentados com três tipos de ração isoprotéicas: uma sem farinha de resíduo de pescado (controle), outra com predominância de carne de peixe e uma terceira com predominância de ossos.
Os resultados mostraram que as farinhas feitas com resíduos são alternativas eficazes e sustentáveis para a alimentação de pirapitingas.
*Por Isadora Pereira e Thiago Nunes, da Rede Amazônica AP