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Estudantes participam de Canvas de Políticas Públicas sobre democracia e transformação digital em Porto Velho

Foto: Divulgação

O Canvas de Políticas Públicas, que integra a programação do projeto Amazônia Que Eu Quero, da Fundação Rede Amazônica (FRAM), foi realizado nesta segunda-feira (15) com estudantes da Escola Major Guapindaia, em Porto Velho (RO). A atividade reuniu jovens para discutir temas relacionados à democracia, tecnologia e participação cidadã no ambiente digital.

A iniciativa antecede o debate “Democracia na Era Digital – A Consolidação das Instituições Democráticas no Ambiente de Transformação Digital”, que será promovido pelo projeto Amazônia Que Eu Quero nesta terça-feira (16), na capital rondoniense.

Durante o encontro, realizado na Escola Major Guapindaia, os estudantes participaram de uma dinâmica baseada na metodologia do Canvas de Políticas Públicas, ferramenta que estimula a construção coletiva de soluções para desafios enfrentados pela sociedade. A atividade incentivou os jovens a refletirem sobre o papel da tecnologia na democracia, os impactos da transformação digital e a importância da participação cidadã.

“Estamos desenvolvendo mais um Canvas de Políticas Públicas, que é um espaço de reflexão para esses jovens. Hoje trabalhamos um tema extremamente atual, que convida os estudantes a pensar sobre democracia, tecnologia e participação cidadã. A partir dessas discussões, começamos a aguçar o olhar crítico e a buscar soluções para os desafios da nossa Amazônia”, destacou Denis Carvalho, especialista de projetos da Fundação Rede Amazônica.

Ao longo da atividade, os alunos da Escola Major Guapindaia discutiram temas como combate à desinformação, responsabilidade no uso das plataformas digitais, cidadania digital e fortalecimento das instituições democráticas. As propostas elaboradas durante o encontro irão contribuir para a construção do Caderno de Soluções do Amazônia Que Eu Quero, documento que reúne sugestões da população para o desenvolvimento da região.

Com o tema “Democracia na Era Digital – A Consolidação das Instituições Democráticas no Ambiente de Transformação Digital”, o projeto Amazônia Que Eu Quero, iniciativa do Grupo Rede Amazônica desenvolvida pela Fundação Rede Amazônica, promove um debate sobre democracia, tecnologia e eleições.

O encontro acontece nesta terça-feira (16), a partir das 16h, no Auditório do Complexo da Estrada de Ferro, localizado na Avenida Farquar, no Centro de Porto Velho. As inscrições são gratuitas e o evento também contará com transmissão ao vivo pelo g1.

O debate vai abordar a responsabilidade compartilhada entre instituições, plataformas digitais e usuários na construção de ambientes virtuais mais seguros e confiáveis. Também será discutida a importância de desenvolver mecanismos capazes de proteger a democracia diante dos desafios da era digital.

A mediação será da jornalista Ana Paula Galvão, da Rede Amazônica.

Participam do encontro o cientista político João Paulo Saraiva Leão Viana; o procurador regional eleitoral Leonardo Trevizani Caberlon; e o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), Raduan Miguel Filho.

Além do debate, o público poderá visitar uma exposição sobre o processo eleitoral e acompanhar uma apresentação do grupo musical Minhas Raízes.

As ideias e propostas apresentadas durante o evento vão contribuir para a construção do Caderno de Soluções do Amazônia Que Eu Quero. O projeto promove encontros que reúnem especialistas, lideranças e a população para discutir caminhos e soluções voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Sobre o Amazônia Que Eu Quero

Criado em 2019, o Amazônia Que Eu Quero é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e do Grupo Rede Amazônica que promove a educação política por meio do diálogo entre especialistas, instituições, gestores públicos e sociedade civil. O projeto busca construir propostas para enfrentar os principais desafios da Amazônia, incentivando a participação cidadã e o desenvolvimento sustentável da região.

Artistas indígenas da Amazônia consolidam trajetórias internacionais ao participarem de mostra em Nova Iorque

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A artista Kuenan Mayu participa da mostra Riverlines, na galeria norte-americana. Foto:

A Galeria David Nolan, em Nova Iorque (EUA), apresenta ‘Riverlines‘, uma exposição com obras de três gerações de artistas indígenas amazônicos: Chico da Silva, Joseca Yanomami e Kuenan Mayu. A mostra reúne práticas ancestrais enraizadas nas tradições vivas dos povos Yanomami, Tikuna, Tariana e Tukano.

Por meio da pintura, do desenho e do tecido de casca de árvore, essas obras examinam como o conhecimento transita entre linhagens e territórios, e como a prática cerimonial é reinventada em formas contemporâneas.

As obras revelam continuidade, transformação e inovação: a interpretação da cosmologia por uma geração mais velha, a negociação da tradição com a modernidade por uma geração intermediária e as experiências de uma geração mais jovem em intercâmbio intercultural e intergênero.

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“Riverlines torna visíveis genealogias artísticas há muito negligenciadas nas narrativas globais da arte moderna e contemporânea, e posiciona essas obras dentro do discurso atual sobre clima, extrativismo e direitos indígenas. A Amazônia – com seus pintores visionários e cosmologias relacionais – não pode mais permanecer à margem. Embora as pinturas sejam belas, sua beleza é política. Elas oferecem maneiras de ver que recusam a separação entre arte e vida e insistem na integridade como prática estética e ética”, justifica a nota de divulgação da mostra.

exposição de artistas indígenas em nova iorque
Artistas indígenas revelam olhares únicos sobre a cultura amazônica. Foto: Divulgação

Artistas indígenas em foco na exposição: uma visão detalhada da Amazônia

A exposição dos artistas amazônidas apresenta 16 pinturas de 1964 sobre papel montado em madeira de Chico da Silva, ao lado de obras emblemáticas das décadas de 1970 e início de 1980 que mapeiam geografias e cosmologias ribeirinhas. Inclui também um ciclo de pinturas de Joseca Yanomami que incorporam as visões da terra-floresta do povo Yanomami; e 20 pinturas de Kuenan Mayu, que utiliza pigmentos naturais amazônicos sobre tela sagrada tururi para criar obras que variam de gestos ancestrais íntimos a cosmologias alucinatórias.

Kuenan Mayu

A mais jovem dos três e um dos destaques da mostra é Kuenan Mayu, uma artista Magüta (Tikuna), Tariana e Tukano, nascida em Feijoal, às margens do rio Solimões em Benjamin Constant (AM), na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Ela pinta em casca de tururi com pigmentos extraídos da floresta ao redor.

Seus seres são híbridos — parte humanos, parte árvore, parte peixe, parte espírito — que habitam um mundo organizado não pela separação, mas pela possibilidade de se tornarem outros. Sua obra expande a cosmologia Magüta, cuja história de origem começa com dois seres espirituais, Ngutapa e Mapana, que semearam o universo com plantas.

Incapaz de gerar filhos, Mapana foi amarrada pelo enfurecido Ngutapa a uma árvore na floresta, onde sofreu até que um encantado — um ser encantado em forma de pássaro — lhe ofereceu uma colmeia como instrumento de vingança. Ela a atirou em Ngutapa; as abelhas picaram seus joelhos, que incharam e finalmente estouraram, libertando dois filhos, Y’pi e Yo’i.

Mais tarde, Yo’i pescou no sagrado Rio Eware e, um corpo de cada vez, desenhou um povo inteiro — os Magüta: “o povo pescado das águas”. Cada figura emergiu como membro do clã dos “seres com penas” ou do clã dos “seres com cabelo”. O Rio Eware tornou-se o lar dos encantados: presenças porosas e metamórficas, resistentes à taxonomia fixa e centrais para o universo visual de Kuenan Mayu.

O corpo em sua obra é um conduto entre reinos; a casca da árvore tururi é onde essa passagem se materializa. No ritual Magüta, a casca interna da árvore é preparada, costurada em uma vestimenta que cobre todo o corpo e pintada com urucum, jenipapo e pacová, de modo que o usuário passe a incorporar um encantado específico por meio do canto e da dança. A prática de Mayu opera sob a mesma lógica — destacando a liminaridade, o momento do devir, em detrimento da estabilidade de uma forma completa.

Francisco da Silva

Um dos artistas mais influentes e amplamente exibidos do Brasil, Francisco da Silva (1910–1985), conhecido como Chico, cresceu no estado do Acre, na floresta amazônica. Ele se relacionava com a pintura como uma forma de construção de mundos, sua linguagem visual consistindo em formas animais híbridas, olhos hipnóticos, linhas serpentinas e garras alongadas, extraídas das mitologias e tradições orais do Norte do Brasil.

A peça central da exposição é Serpente da Serra Luminosa, uma das dezessete pinturas criadas para a Bienal de Veneza de 1966: ricamente texturizada, multidimensional, surreal e imersiva, ela expressa plenamente os ecossistemas visuais do artista. A obra de Chico convida à comparação com pintores do século XX que entendiam a superfície como um espaço de invenção cosmológica: as constelações biomórficas de Joan Miró, os campos pictográficos de Paul Klee, a abstração espiritual de Hilma af Klint.

O que torna a obra de Chico singular é que sua prática emergiu da cosmologia indígena, em oposição ao esoterismo europeu. Como ele mesmo observou: “O desenho é o que a mão dá e a cor é o que os detalhes pedem… pintar é autonomia” — não uma afirmação formalista, mas ontológica. A pintura está viva porque o mundo que ela contém está vivo.

Joseca Yanomami 

Joseca Yanomami é de uma comunidade às margens do rio Lobo d’Almada (Uxiu), um afluente do alto rio Catrimani, em Roraima. Filho de um xamã — um “grande homem” (pata thë) —, ele passou a vida atento aos cânticos dos xamãs Yanomami, que, por meio da dança e do canto, “trazem à luz” e “fazem dançar” as imagens (utupë) de seres e lugares desde o princípio dos tempos.

Num gesto semelhante, Joseca representa suas próprias imagens oníricas dos universos que compõem o “mundo-floresta-terra” (urihi) Yanomami, que não é apenas uma coleção de árvores, mas um multiverso complexo no qual humanos e espíritos (xapiri thë pë), visíveis apenas aos xamãs, coexistem.

Como Joseca descreve: “Não desenho sem um motivo. Inspiro-me nas palavras que ouço dos xamãs, aqueles que têm os cânticos mais belos, aqueles que realmente sabem como fazer com que as palavras dos espíritos xapiri pë sejam ouvidas. Quando realizam suas sessões, escuto seus cânticos e registro todas essas palavras em minha mente, com as quais depois sonho e transformo em desenhos”.

Trabalhando em um estilo figurativo-realista, ele torna visível o conhecimento e a beleza de uma forma ancestral de pensar e viver que é implacavelmente destruída pela voracidade econômica e pela ignorância.

Leia também: A arte de Sãnipã: conheça a entidade do Povo Apurinã que protege a terra da devastação

Exposição ‘Riverlines’

Riverlines foi desenvolvida em diálogo colaborativo com os artistas e membros de suas comunidades. A galeria trabalhou em estreita colaboração com os artistas para garantir uma apresentação culturalmente apropriada, enquadramento contextual e programação pública, incluindo palestras com os artistas e conversas com o curador.

exposição indígena em nova iorque
Foto: Divulgação

A exposição tem curadoria de Simon Watson, curador independente, consultor de arte e especialista em eventos culturais, com atuação entre Nova York e São Paulo.

“Em uma manhã de meados de abril de 2022, na área de exposições privadas da Galeria MaPa, em São Paulo, deparei-me com uma pintura em tons de dourado, vermelho e azul de uma serpente aquática contorcida, de Chico da Silva. Ao ser questionado, o galerista Marcelo Pallotta relatou a trajetória dramática do artista: uma juventude dedicada à pintura de rua, decorando cabanas de pescadores; um período intermediário celebrado como o primeiro artista indígena a ter seu trabalho exposto na Bienal de Veneza; duas décadas de exposições internacionais; mas, após sua morte em 1985, praticamente esquecido por décadas. Fiquei impressionado com a vivacidade da pintura: ali estava uma visão poderosa da natureza e da vitalidade do planeta”, conta Watson.

“Refleti sobre aquela obra extraordinária e sobre a vida notável e complexa de Chico o dia todo. Seis horas após nosso primeiro encontro, voltei à MaPa e perguntei se eles me ajudariam a organizar uma exposição individual de seu trabalho em um museu. Sete meses depois, em novembro de 2022, ‘Chico da Silva: Conexão Sagrada, Visão Global, uma pintura de 93 anos’”, completa.

Fascinado pela obra de Chico da Silva, Watson afirma que foi levado a uma profunda imersão “e à curadoria de três exposições individuais de sua arte. Ao longo desse processo, interagi com uma ampla gama de artistas indígenas; esse envolvimento culminou nesta exposição Riverlines”.

Segundo o curador, a escolha dos artistas Chico da Silva, Joseca Yanomami e Kuenan Mayu é com o objetivo de mostrar vozes distintas da Amazônia. “Vistos aqui em diálogo, eles apresentam ao público nova-iorquino a relevância global de suas visões da natureza. A exposição busca honrar os laços intergeracionais, ao mesmo tempo que concede plena autonomia às práticas contemporâneas que não são artefatos de museu nem mera ilustração. As obras que apresentamos são voltadas para o futuro e profundamente ancoradas no lugar, no cuidado e na resistência”, justifica Simon Watson.

*Com informações da assessoria

Pesquisa mostra impactos da seca extrema na Amazônia com foco em mulheres e territórios tradicionais

Pesquisa mostra recorte dedicado à mulheres e populações tradicionais. Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

O Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVCes) lançou o relatório de pesquisa ‘Seca Extrema na Amazônia: um olhar sobre territórios e mulheres atingidas‘. O conteúdo analisa os principais impactos da seca extrema que atingiu a Amazônia entre 2023 e 2024, com foco nas bacias do Tapajós (PA) e do interflúvio Purus-Madeira (AM).

Fruto de uma pesquisa qualitativa que escutou lideranças comunitárias e a gestão pública, a publicação enfoca especialmente os impactos enfrentados por mulheres de povos indígenas e comunidades tradicionais em territórios coletivos já pressionados por projetos de infraestrutura e atividades extrativas.  

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A equipe de pesquisa categorizou os impactos do fenômeno climático em nove dimensões centrais:  

Insegurança alimentar e perda de trabalho e renda

O rebaixamento do nível dos rios, associado à piora da qualidade da água e aumento da temperatura média, ocasionou escassez de pescado, com redução do percentual de proteína e gordura presente na carne desses animais, prejudicando seu sabor e valor nutricional, logo a população local sofreu tanto com o consumo diário quanto para a venda desses produtos. Além disso, passaram a arcar com maiores despesas para aquisição de bebedouros, mangueiras, garrafas de água mineral e itens da cesta básica, que tiveram reajuste em seus valores.

Alteração na circulação e isolamento das comunidades

O rebaixamento dos cursos d’água resultou na alteração e na interrupção das dinâmicas de transporte fluvial nos territórios, no aumento nos preços dos trajetos realizados por balsas e barcos e na ausência de alternativas para transporte.

Agravos à saúde e sofrimento psíquico

a contaminação das águas e as alterações nos padrões alimentares impactou a saúde de famílias e comunidades amazônicas. Entre as enfermidades causadas ou agravadas pela seca estão: doenças estomacais, intestinais, problemas dermatológicos e o aumento de doenças respiratórias.

Fragilização de comunidades e da proteção territorial

A situação de seca extrema, sobreposta ao aumento de invasões e pressões de empreendimentos econômicos sobre os territórios coletivos, foi marcada pela interrupção de reuniões comunitárias e atividades promovidas pelos coletivos e organizações de base para formação política, em especial aquelas protagonizadas por mulheres e juventudes.

Transformações socioecológicas e nos regimes de conhecimento

Mudanças nas dinâmicas socioecológicas e desafios para interpretação de fenômenos. 

Pesquisa mostra impactos da seca extrema na Amazônia com foco em mulheres e territórios tradicionais
Pesquisa propõe estratégias de enfrentamento. Imagem: Divulgação/FGV

Desafios para efetivação de políticas públicas

No âmbito da saúde, lideranças comunitárias e organizações da sociedade civil enfrentaram desafios associados à impossibilidade de deslocamento dos servidores públicos para os territórios, assim como para acesso das comunidades às unidades de saúde nos centros urbanos. Alguns territórios também foram impactados pelo desabastecimento e pela suspensão do funcionamento de postos de saúde, pronto socorros e serviços de ambulância e outros equipamentos.

Deslocamento forçado

A situação de seca extrema, sobreposta ao aumento de invasões e pressões de empreendimentos econômicos sobre os territórios coletivos, foi marcada pela interrupção de reuniões comunitárias e atividades promovidas pelos coletivos e organizações de base para formação política, em especial aquelas protagonizadas por mulheres e juventudes.

Sobrecarga dos trabalhos de cuidado

Desafios para acesso aos serviços de saúde, por sua vez, demandaram maior dedicação das mulheres à recuperação de pessoas adoecidas, em meio à falta de medicamentos, perda de plantas medicinais e interrupção da oferta de serviços básicos e ausência de atendimento emergencial.

Intensificação de riscos de violência contra a mulher

Em meio às mudanças nos padrões de circulação nos territórios e ampliação do convívio com agressores, em uma conjuntura marcada pelo enfraquecimento das redes de suporte e dos serviços públicos para acolhimento e proteção social, mulheres enfrentaram o aumento dos riscos de violência por gênero.

Leia também: Documentário ‘Manaus Extrema’ mostra detalhes sobre a seca do Rio Negro em 2023

Pesquisa mostra mapa do enfrentamento 

A pesquisa também revela um mapeamento inédito de estratégias de enfrentamento mobilizadas por territórios, sociedade civil e poder público diante do fenômeno.  

As estratégias foram divididas em cinco categorias:

  • (1) respostas emergenciais;
  • (2) iniciativas de monitoramento independente e manejo integrado do fogo;
  • (3) ações para restauração e segurança alimentar;
  • (4) estratégias para incidência política;
  • (5) planos e comitês para resiliência climática.

São exemplos de ações citadas: a distribuição de cestas básicas e água potável, muitas vezes com protagonismo feminino na articulação logística; a atuação de brigadas indígenas e comunitárias na vigilância territorial e no combate aos incêndios, promovendo o cuidado coletivo e a proteção de áreas sagradas e produtivas; e a implementação de bancos de sementes, viveiros de mudas nativas e transição para sistemas agroecológicos mais resilientes às instabilidades climáticas.  

Ações para resiliência climática  

A publicação ainda apresenta recomendações destinadas ao poder público para garantia das condições de permanência nos territórios, fortalecimento das capacidades institucionais e proteção de direitos territoriais. Em comum, todas partem da compreensão de que o enfrentamento climático requer respostas robustas e integradas, fundamentadas em governança multissetorial, no fortalecimento de capacidades institucionais e na promoção de justiça climática. 

A pesquisa inova ao incorporar uma abordagem de gênero à análise dos impactos climáticos, iluminando efeitos diferenciados sobre as mulheres, seu protagonismo nas respostas climáticas e recomendações que conectam clima e cuidado. O estudo também parte do reconhecimento de impactos e demandas narrados por povos indígenas e comunidades tradicionais, e propõe caminhos em diálogo com agendas e reivindicações de organizações de base e entidades representativas. 

A iniciativa é resultado de pesquisa conduzida no âmbito do Programa de Desenvolvimento Local do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), e foi realizada entre maio de 2024 e agosto de 2025. 

Clique aqui para ver o relatório completo da pesquisa.  

*Com informações da FVS

Amazonas/ZFM, baixos IDH-M evidenciam fortes gargalos ao desenvolvimento econômico e social

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Foto: Reprodução/Secom AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é uma medida criada pela ONU que avalia a qualidade de vida e o desenvolvimento de uma população. Varia de 0 a 1, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local. Está dividido nas seguintes faixas: Baixo (< 0,550), Médio (0,550-0,699), Alto (0,700-0,799) e Muito Alto (≥ 0,800). O cálculo econométrico é baseado em três pilares fundamentais: Saúde, medida pela expectativa de vida ao nascer; Educação, avaliada pelos anos de estudo e Renda, como função do padrão de vida da população, estruturado sobre a renda per capita.

O objetivo da criação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Os dados foram divulgados, em maio passado, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o IBGE.

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De acordo com relatório da ONU, o índice é calculado anualmente. Desde 2010, a série histórica é recalculada devido ao movimento de entrada e saída de países e às adaptações metodológicas, o que possibilita uma análise de tendências. Aos poucos, o IDH tornou-se referência mundial em substituição ao PIB por tratar-se de um índice-chave dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas (ODS). No Brasil, deveria estar sendo utilizado pelo governo federal e por administrações regionais através do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) com maior profundidade. O IDH-M do Amazonas, 0,767, é considerado alto, porém puxado pelo IDH-M de Manaus (0,737). O índice, contudo, mascara uma desigualdade regional profunda.

Além da capital, Itacoatiara (57,14), Tefé (56,72), Presidente Figueiredo (56,24) e Parintins (55,90) figuram entre os municípios com melhor desempenho. Na outra ponta do ranking estão Itamarati (46,37), Juruá (44,93), Maraã (43,97) e Pauini (43,96), municípios que enfrentam desafios mais acentuados relacionados à insuficiência de serviços públicos, infraestrutura e conectividade, realidade próxima de países africanos em condição extrema de miséria.

O quadro se repete em relação ao coeficiente de Gini, indicador que mede a desigualdade na distribuição de renda, variando de 0 (igualdade máxima) a 1 (desigualdade máxima). No Brasil, o índice é de 0,511. No Amazonas, a desigualdade é de 0,474, inferior à média nacional. Os dados mostram ainda que o Estado apresenta o menor desempenho médio entre os estados da Amazônia Legal no Índice Geral dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (iODS).

Com média de 51,5 pontos, o Amazonas, por outro lado, encontra-se posicionado abaixo da média dos 772 municípios analisados na Amazônia Legal, com índices de 55,5 pontos. O resultado evidencia contundentes desafios enfrentados pelo Estado e a ZFM no cumprimento das metas da Agenda ODS 2030, da ONU, especialmente em setores relacionados a serviços públicos e infraestrutura.

Fortes inconsistências consolidadas, não obstante êxitos pontuais do modelo ZFM, que concentra mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) de todo o Estado (R$187 bilhões), porém inferior ao faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM), que bateu recorde histórico e fechou o ano de 2025 com um faturamento de R$ 227,67 bilhões, 11,02% superior ao de 2024.

Para o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, “o resultado reflete a forte concentração demográfica e econômica em Manaus e as dificuldades enfrentadas pelos municípios do interior”. Segundo ele, “a capital reúne a maior parte da população, da atividade econômica, da arrecadação pública e da geração do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, enquanto grande parte dos municípios amazonenses enfrenta limitações históricas relacionadas à infraestrutura, conectividade, educação, saúde, saneamento e oportunidades econômicas”.

Por conseguinte, diversificação, integração setorial e perenização o dramático desafio que se coloca como resultado de investimentos em inovação tecnológica na construção de nova matriz econômica que deverá promover a integração da economia do Amazonas e da Zona Franca de Manaus (ZFM) por meio da construção de nova matriz econômica, autóctone, compreendendo o Polo Industrial de Manaus (PIM); o Agropecuário, de Biotecnologia e de uma Plataforma de Exportações. Não mais é possível ficar dando tempo ao tempo à espera de 2073.

Leia também: Falácia da ZFM como fator de preservação florestal

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Castanha e pirarucu movimentam economias locais e ajudam no desenvolvimento de comunidades no Amazonas

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Parceria entre o Sebrae Amazonas e IABS fortalece cadeias da sociobiodiversidade e negócios de base comunitária. Foto: Reprodução/Sebrae-AM

Da castanha-do-brasil coletada por famílias extrativistas ao pirarucu manejado por comunidades ribeirinhas, a sociobiodiversidade amazônica movimenta economias locais, gera renda e ajuda a manter a floresta em pé. Para fortalecer essas cadeias produtivas e ampliar as oportunidades para quem vive nos territórios, o Sebrae Amazonas e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) iniciaram a execução do plano de trabalho do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre as instituições, com ações previstas para os municípios do estado.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

O plano foi formalizado após a assinatura do acordo, realizada em 14 de maio, e prevê uma série de iniciativas voltadas ao empreendedorismo de base comunitária, à qualificação de produtores, à regularização de empreendimentos e à inovação em negócios ligados à sociobiodiversidade amazônica.

Entre as cadeias prioritárias estão a Castanha-do-Brasil e o Pirarucu de Manejo, atividades que representam importantes fontes de renda para centenas de famílias em comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas no Amazonas.

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Fortalecimento das cadeias produtivas no Amazonas

As ações serão desenvolvidas em territórios do Amazonas onde o IABS já atua por meio do Projeto Rural Sustentável Amazônia (PRS-Amazônia), iniciativa que apoia organizações socioprodutivas formadas por agricultores familiares, extrativistas, povos indígenas e comunidades tradicionais. A proposta é fortalecer a capacidade de gestão desses empreendimentos, ampliar o acesso a mercados, estimular processos de inovação e criar condições para que os produtos da floresta alcancem maior valor agregado.

Ao todo, o plano prevê dez ações estratégicas voltadas ao fortalecimento dessas cadeias produtivas. Entre elas estão a mobilização de recursos e a contratação de consultoria especializada para estruturar o pedido de registro da Indicação Geográfica (IG) da Castanha de Tefé, iniciativa que poderá ampliar o reconhecimento e a valorização do produto nos mercados nacional e internacional.

Também estão previstas capacitações em operação de drones para monitoramento territorial e apoio ao manejo do pirarucu, mutirões de regularização para agricultores familiares e pescadores artesanais, cursos de aproveitamento econômico dos ouriços da castanha-do-brasil, participação de empreendedores comunitários em eventos de promoção comercial, seminários sobre agricultura de baixa emissão de carbono e ações de comunicação voltadas à valorização dos resultados da parceria.

Manejo dos peixes pirarucu no Amazonas. — Foto: Adriano Gambarini/OPAN/Divulgação
Manejo dos peixes pirarucu no Amazonas. Foto: Adriano Gambarini/OPAN

Leia também: Com manejo sustentável, pirarucu recupera estoque natural na região do Médio Solimões

As metas incluem:

  • a realização de cinco cursos básicos de operador de drone, beneficiando cerca de 80 manejadores de pirarucu;
  • cinco mutirões de regularização para atender aproximadamente 200 agricultores familiares e pescadores artesanais por meio do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP);
  • além da capacitação de 50 comunitários que atuam na cadeia da castanha-do-brasil.

O plano também prevê a participação de representantes das organizações socioprodutivas em eventos de promoção das cadeias produtivas apoiadas pelo PRS-Amazônia, fortalecendo sua inserção em mercados e redes de relacionamento.

Desenvolvimento com floresta em pé

A iniciativa representa um avanço na construção de soluções que unem desenvolvimento econômico, inclusão produtiva e conservação ambiental. Como explica o gestor de Políticas Públicas do Sebrae-AM, José Antônio Cardoso Fonseca.

“As cadeias da castanha-do-brasil e do pirarucu manejado demonstram que é possível gerar renda e desenvolvimento a partir da floresta em pé. O Sebrae entra nessa parceria para apoiar a estruturação dos negócios comunitários, ampliar oportunidades de mercado e fortalecer o empreendedorismo de base comunitária, valorizando quem produz, conserva e movimenta a economia dos territórios amazônicos”, explica Fonseca.

Além dos impactos econômicos, a parceria busca enfrentar desafios históricos enfrentados por organizações comunitárias da sociobiodiversidade, como acesso à assistência técnica, regularização produtiva, qualificação profissional e inovação. A expectativa é fortalecer a governança local, ampliar a competitividade dos empreendimentos e criar condições para que mais famílias de comunidades no Amazonas permaneçam em seus territórios com geração de renda e qualidade de vida.

Segundo Vinícius Lopes, diretor regional Amazônia do IABS e coordenador da equipe de campo da instituição no estado, o fortalecimento das cadeias produtivas está diretamente ligado à valorização das pessoas que vivem da floresta.

“Quando falamos em fortalecer a sociobiodiversidade, estamos falando de criar condições para que as comunidades possam permanecer em seus territórios com dignidade. As ações previstas vão desde a regularização de produtores até inovação tecnológica e valorização dos produtos da floresta. É um conjunto de iniciativas que fortalece as organizações locais e gera impacto direto na renda das famílias, na proteção dos recursos naturais e no desenvolvimento sustentável da Amazônia”, afirma Lopes.

Missão em Tefé e Maraã

Parte desse trabalho pode ser observada durante a missão institucional iniciada no fim de maio, nos municípios de Tefé e Maraã, no Amazonas. A visita reuniu representantes do Governo do Reino Unido, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do IABS, do Sebrae Amazonas e de outras instituições parceiras para conhecer de perto experiências apoiadas pelo PRS-Amazônia nas cadeias da castanha-do-brasil e do pirarucu manejado.

A programação incluia encontros com famílias beneficiárias, visitas a áreas de manejo sustentável, entrega de benefícios coletivos e intercâmbio de experiências com organizações socioprodutivas locais.

Os visitantes conheceram iniciativas que já apresentam resultados concretos para as comunidades. Entre elas estão o viveiro comunitário com capacidade para produzir até 10 mil mudas de castanheira por ano, contribuindo para o enriquecimento florestal e o aumento da produtividade dos castanhais, além de uma embarcação destinada ao escoamento da produção de pirarucu manejado, reduzindo custos logísticos e ampliando a renda das famílias envolvidas.

*Com informações do Sebrae Amazonas

Comendador José Cruz: uma vida e uma história de conquistas no Amazonas

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Dom João de Souza Lima, Arcebispo de Manaus. Irmã Celestina Manço, superiora, e Comendador José Cruz, presidente da Beneficente – 1984. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Porém, já cinco sóis eram passados,
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca de outrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprados.

– Luiz Vaz de Camões

Os homens que lograram êxito em suas histórias tiveram como principais atributos a coragem e o espírito empreendedor. Foram sobretudo seres que acreditam nos seus sonhos e projetos – e movidos pelo entusiasmo e pelos ideais, legaram a sociedade uma história de feitos e conquistas.

A maior herança desse espíritos esclarecidos e altivos é o exemplo que deixaram para os seus descendentes e a comunidade, especialmente para os jovens que transformar sonhos em realidade não é impossível. A história exemplar do comendador José Cruz é ilustrativa da capacidade d superação e realização do ser humano.

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Faz parte da linhagem de conquistadores lusos: de homens que se lançaram ao mar em busca de suas miragens e conquistas. Que foram fortes para vencer o desconhecido, superar os próprios limites e construir uma história vitoriosa e edificante. Nascido em Nagosa, Distrito de Viseu, em Portugal, a 28 de junho de 1911, o Comendador José Cruz fez o percurso de tantos portugueses que deixaram a terra natal em busca de oportunidade: motivado pelo desejo de conquista e esperança de encontrar no Brasil acolhimentos, estabeleceu-se em Manaus, onde fincou suas raízes e iniciou sua trajetória empresarial.

Por força de liderança e carisma, tornou-se um dos empreendedores mais respeitados do Amazonas, gozando de reconhecimento e admiração, fato que o credenciou junto aos seus pares, sendo eleito vice-presidente da Associação Comercial do Amazonas, presidente do Conselho da Comunidade Portuguesa e Luso-Brasileira. Homem preocupado com os valores transcendentais, dedicou atenção à leitura e ao conhecimento, particularmente aos estudos maçônicos, conquistando a posição de venerável mestre da Augusta e Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana.

Comendador José Cruz: uma vida e uma história de conquistas no Amazonas
Comendador José Cruz. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Como empreendedor soube vencer os desafios e construir não só um patrimônio, mas uma reputação que lhe rendeu homenagem e admiração. Fruto 1979, com o título de Cidadão do Amazonas, conferido pleo Governo do Estado. Em 1982, foi condecorado com o grau de comendador da Ordem do Mérito desenvolvimento regional, o que motivou a Federação das Industrias do Estado do Amazonas a lhe conferir o Diploma de Mérito Industrial.

O Comendador José Cruz tornou-se um homem de duas pátrias: intrigou-se a vida do País que o acolheu, sem perder os vínculos com o passado, com as suas origens e com a terra que o recebeu. Por ter honrado as tradições portuguesas e por ter mantido vivo o vínculo com a alma lusitana, foi condecorado pelo Governo Português com o grau de comendador da Ordem de Benemerência, sendo reconhecido como grão-mestre das Ordens Portuguesas.

Foi um homem que, além de talento para a vida empresarial, soube cultivar a vida familiar. Afortunado pela sorte, casou-se em 1951, com Alice Carvalho Cruz, sua companheira de todas as horas, seu porto e refúgio nos momentos de provação. Desse encontro feliz nasceram: José, Luiz Vitor e Maria Luíza. Tinha profunda consciência da importância da família como fator de sustentação nos embates da existência. Talvez por isso sua filha tenha afirmado: O comendador Cruz não nasceu em berço esplêndido, mas nasceu em um esplendoroso de amor e carinho no seio de uma família que tinha consciência do significado da palavra família.

Um capítulo especial de sua vida está associado às ações de caráter humanitário. Em meio as suas atividades empresariais, dedicou-se voluntariamente a gestão do Hospital da Beneficente Portuguesa do Amazonas, sendo um de seus presidentes. Sua administração foi marcada por muitas realizações e correspondeu a um período de expansão, em que o hospital foi modernizado para atender com qualidade a seus associados.

O Comendador José Cruz cumpriu com esmero sua missão. Contribuiu com seu trabalho e suas iniciativas no campo empresarial para tornar a vida melhor, gerando emprego e renda para a sociedade, dando a sua contrapartida para o desenvolvimento do Amazonas.

Por tudo o que fez, afirmou sua reputação com o um homem generoso e cidadão, o que corrobora o depoimento de sua filha: “… foi feliz, porque conseguiu realizar em vida tudo o que esteve ao seu alcance e, a meu ver, da melhor forma possível”. Para expressar o sentido de sua existência não é demais relembrarmos os versos de Fernando Pessoa: Valeu a pena? Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena”. O Comendador José Cruz soube ser digno dos desafios que lhe foram reservados pelo destino.

Fonte

BAZE, Abrahim. Luso Sporting Club – A Sociedade Portuguesa no Amazonas. Manaus: Editora Valer, 2007.

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Iphan lança licitação para restauração da Igreja de São Sebastião em Manaus

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Igreja de São Sebastião. Foto: Cinthia Silva

A superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas publicou, no dia 10 de junho, o aviso de licitação para a restauração da Igreja de São Sebastião, monumento centenário localizado em frente ao Teatro Amazonas, no Centro Histórico de Manaus.

A concorrência prevê a contratação semi-integrada de empresa especializada para a elaboração dos projetos executivos e execução da obra. O edital está disponível no Portal de Compras do Governo Federal. A abertura das propostas está marcada para 30 de julho de 2026.

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A licitação marca uma etapa aguardada pela população. A Igreja de São Sebastião está fechada há mais de um ano após o desplacamento de parte do forro ocorrido em janeiro de 2025. O incidente levou o Iphan a interditar a igreja preventivamente e, após investigação, foram descobertos problemas na cobertura do monumento, sendo necessária nova intervenção para correção. Desde então, o Iphan trabalha para garantir que a restauração seja realizada com o rigor e segurança que o patrimônio exige.

A segunda etapa das obras prevê recuperação da cobertura, reforço estrutural da torre sineira, restauração da fachada, serviços de restauração do forro e das telas artísticas, além de implantação de sistema de proteção contra descargas atmosféricas, climatização e recuperação dos pisos. 

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Igreja de São Sebastião em Manaus (AM)
Foto: Cinthia Silva

Reforma da igreja deve levar 18 meses

Os recursos, de mais de R$ 6 milhões, são provenientes de emendas parlamentares solicitadas pela Arquidiocese de Manaus e foram disponibilizadas pelos senadores Eduardo Braga, Omar Aziz e Plínio Valério e dos deputados federais Adail Filho, Capitão Alberto Neto, Amon Mandel, Silas Câmara e Átila Lins.

Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, a publicação do edital representa um avanço concreto rumo à reabertura da igreja.

“Nossa meta é fazer a contratação para arrumar a cobertura, a torre sineira, a fachada e outros serviços, e reabrir a Igreja de São Sebastião para que esse patrimônio possa estar disponível para toda a comunidade de forma segura novamente”, afirmou.

Após a homologação da licitação, que deve ocorrer até a metade de agosto, a empresa tem 18 meses para a conclusão da obra. 

Uma das igrejas mais antigas do Centro Histórico de Manaus, São Sebastião é um dos símbolos da arquitetura religiosa da capital amazonense e integra o conjunto urbano tombado pelo Iphan em 2010.

*Com informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Licenciamento do Projeto Potássio Autazes segue em debate; MPF aponta irregularidades

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Foto: Divulgação/Potássio do Brasil

O potássio, um elemento químico essencial para a vida, é o foco de um dos maiores e mais controversos projetos de mineração em andamento no Brasil. Conhecido na indústria agrícola como “o elemento da qualidade”, ele é um dos principais nutrientes para o crescimento de plantas e, consequentemente, vital para a produção de alimentos, fibras e pastagens.

A demanda por este mineral é alta no país, que hoje importa cerca de 95% do potássio que consome. É nesse cenário de dependência externa que o Projeto Autazes, no estado do Amazonas, ganha visibilidade, com a promessa de transformar o município em um polo de produção de fertilizantes e reduzir significativamente as importações brasileiras.

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O município de Autazes, a cerca de 112 quilômetros de Manaus, pode se tornar o coração da maior mina de potássio do Brasil, um projeto da empresa Potássio do Brasil. A proposta prevê a extração de silvinita a 800 metros de profundidade, com capacidade para produzir 2,4 milhões de toneladas de fertilizantes por ano.

A mineradora estima que o projeto poderá suprir cerca de 20% da necessidade anual de potássio do país pelos próximos 23 anos. A iniciativa também promete um impacto econômico significativo, com a geração de milhares de empregos diretos e indiretos nas fases de implantação e operação, além do aumento de receitas fiscais para o município.

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A relevância do projeto vai além das fronteiras municipais. A empresa Potássio do Brasil argumenta que a exploração local do mineral pode reduzir a emissão de gases de efeito estufa produzidos pelo transporte do potássio importado, que hoje chega de países como Canadá, Rússia e Bielorrússia.

A companhia calcula que a troca do potássio canadense pelo extraído em Autazes poderia resultar em uma redução de até 65% nas emissões. “Com isso, a emissão de gases de efeito estufa produzidos pelo transporte, que são uma das causas do aquecimento global, também diminuirá muito”, afirma a empresa em seu material de divulgação. Essa perspectiva de menor impacto ambiental no transporte é um dos pontos defendidos pela companhia para a viabilidade do projeto.

Autazes no amazonas - potássio do brasil
Autazes, no Amazonas. Foto: Reprodução/Potássio do Brasil

A disputa em torno da mina

Apesar do potencial econômico, o Projeto Autazes enfrenta diversos desafios, principalmente de ordem jurídica e ambiental. A área de mineração se sobrepõe a territórios tradicionalmente ocupados pelo povo indígena Mura, o que gerou um impasse legal e social. A disputa se intensificou após o governo do Amazonas conceder a licença ambiental estadual para o projeto, em abril de 2024. A decisão foi contestada pelo Ministério Público Federal (MPF), que ingressou com uma ação judicial pedindo o cancelamento do licenciamento.

O MPF argumenta que o projeto interfere em terras indígenas e que os riscos ambientais e sociais não foram devidamente avaliados. A ação aponta irregularidades no processo de licenciamento, incluindo suspeitas de suborno e manipulação na consulta às comunidades locais. “A atividade de mineração em terra indígena é inconstitucional, ou seja, a sobreposição do Projeto Autazes a essa terra indígena sequer pode ocorrer”, afirmam os procuradores na ação.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) também confirmou que o empreendimento está em uma área com processos de demarcação em andamento, um fato que, segundo o MPF, não foi considerado durante a concessão da licença.

A posição do povo Mura é de oposição ao empreendimento. O tuxaua da aldeia Soares, Gabriel Mura, questionou o processo de consulta conduzido pelo Conselho Indígena Mura (CIM), que teria se posicionado a favor da mineração. Ele afirma que as reuniões não foram válidas para a tomada de decisão e que as comunidades são, de fato, contrárias à exploração. “Nós somos favoráveis à demarcação do nosso território, não ao projeto de mineração”, declarou.

A tensão entre o projeto e as comunidades indígenas reflete uma pauta mais ampla de mineração em terras indígenas no Brasil, que é debatida em diferentes esferas do poder público, incluindo o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O debate sobre o Projeto Autazes envolve, ainda, a preocupação com os impactos ambientais da mineração. O MPF cita o risco de afundamento do solo e a salinização de rios e lagos como exemplos de possíveis danos não dimensionados no licenciamento. A ação judicial recorda o colapso de minas de sal-gema na Rússia e, mais recentemente, em Maceió (AL), para ilustrar os riscos potenciais.

A empresa, por sua vez, afirma que a área do projeto era usada apenas para pecuária e que “o desmatamento é zero, porque [a mina] vai ser desenvolvida numa área de pastagem”, conforme disse o então governador do Amazonas, Wilson Lima, na época.

A produção de potássio em Autazes, se o projeto for concluído, já tem destino certo: toda a produção anual foi comprada pelo grupo Amaggi, da família do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja do Brasil. A negociação, que ocorreu mesmo com o projeto paralisado, demonstra o alinhamento de interesses entre o setor do agronegócio e a mineração, e coloca o potássio no centro de uma complexa teia de desenvolvimento econômico, direitos indígenas e preservação ambiental.

MPF reforça pedido contra licenciamento do Projeto Potássio Autazes

Em maio deste ano, o MPF reforçou o pedido. Segundo o ministério, o processo de licenciamento ambiental apresenta violações territoriais, ameaças a comunidades indígenas e irregularidades na condução das consultas aos povos afetados.

O MPF solicitou à Justiça Federal a suspensão imediata das atividades de pesquisa e exploração mineral na região. Na manifestação enviada à Justiça, o MPF defende que o licenciamento do empreendimento seja conduzido exclusivamente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e não pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

A manifestação ainda relata episódios de pressão e interferência da mineradora dentro das aldeias para obter a concordância das comunidades, o que, segundo o MPF, compromete a validade do processo de escuta.

Em nota, a Potássio do Brasil, responsável pelo empreendimento, afirmou que o tema já foi analisado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Segundo a empresa, a Corte confirmou, em decisão proferida no ano passado, a competência do Ipaam para conduzir o licenciamento ambiental do projeto.

Leia a nota na íntegra:

“A Potássio do Brasil esclarece que o tema mencionado na nota divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 20/05/2026, intitulada ‘MPF reforça pedido de anulação de licenciamento do Projeto Potássio Autazes no Amazonas por violação de direitos’, refere-se a matéria já analisada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

A Corte Especial do TRF1 confirmou, em decisão proferida no ano passado, a competência do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para conduzir o processo de licenciamento ambiental do Projeto Potássio Autazes, revertendo decisões anteriores da Justiça Federal.

O Tribunal entendeu que a área do empreendimento está localizada fora de terras indígenas oficialmente demarcadas, reconhecendo, assim, a competência do Ipaam para emissão das licenças ambientais.

O TRF1 também reconheceu a legalidade do processo de Consulta Livre, Prévia e Informada realizado junto às comunidades indígenas Mura, conduzido pelo Conselho Indígena Mura (CIM), em Autazes, bem como a validade dos resultados obtidos no âmbito desse processo.

A Potássio do Brasil reafirma que o Projeto Potássio Autazes segue sendo desenvolvido em conformidade com a legislação brasileira aplicável, observando os processos regulatórios e institucionais conduzidos pelas autoridades competentes”.

*Com informações do MPF e da Rede Amazônica AM

Coiab alerta para avanço da violência contra indígenas na Amazônia após divulgação do Atlas da Violência 2026

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A Coiab é uma coordenação de organizações indígenas da Amazônia brasileira. Foto:

A violência contra os povos indígenas continua sendo uma das principais preocupações na Amazônia brasileira. A avaliação é da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), que divulgou uma análise jurídica sobre os dados apresentados no Atlas da Violência 2026, publicação elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Segundo a entidade, os números revelam que, apesar da redução dos índices gerais de homicídios no país, os povos indígenas seguem expostos a um cenário marcado por violações de direitos humanos, conflitos territoriais e avanço de atividades ilegais dentro e no entorno de terras indígenas.

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De acordo com a análise da Assessoria Jurídica Indígena da Coiab, a violência letal registrada nos territórios indígenas está diretamente relacionada à expansão do crime organizado, do garimpo ilegal, do narcotráfico e da exploração irregular de recursos naturais, além da ausência de proteção estatal efetiva em diversas regiões da Amazônia. A entidade destaca que a realidade enfrentada pelas comunidades indígenas não se resume aos homicídios, mas inclui ameaças, perseguições, intimidações e invasões territoriais recorrentes.

O documento também chama atenção para o agravamento da violência em estados como Amazonas e Roraima, onde a presença de atividades ilegais e conflitos fundiários tem aumentado a vulnerabilidade das populações indígenas. Para a organização, a violência observada na região faz parte de um contexto estrutural e histórico que continua afetando diretamente a segurança e os direitos desses povos.

Conflitos territoriais ampliam vulnerabilidade

Na avaliação da Coiab, lideranças indígenas, defensores ambientais e comunicadores indígenas estão entre os grupos mais expostos aos riscos provocados pelo avanço das atividades criminosas na Amazônia.

A análise jurídica aponta que a insuficiência das ações de fiscalização e proteção territorial tem contribuído para o aumento da insegurança em áreas de difícil acesso. Além disso, a morosidade nos processos de demarcação de terras indígenas acaba ampliando os conflitos e facilitando a atuação de invasores e organizações criminosas.

A entidade ressalta que os direitos dos povos indígenas são garantidos pela Constituição Federal de 1988, especialmente pelos artigos 231 e 232, que reconhecem os direitos originários sobre as terras tradicionalmente ocupadas e estabelecem a responsabilidade da União pela proteção desses territórios.

Leia também: Portal Amazônia responde: quais leis garantem os direitos dos povos indígenas?

Para a Coiab, a persistência da violência está associada a diversos fatores, entre eles conflitos fundiários históricos, expansão das economias ilegais, fortalecimento de facções criminosas, fragilidade das políticas públicas de proteção territorial e dificuldades operacionais enfrentadas pelos órgãos de fiscalização em uma região de dimensões continentais.

O documento também destaca que o enfraquecimento de órgãos ambientais, indigenistas e de fiscalização territorial nos últimos anos contribuiu para o avanço do garimpo ilegal, da grilagem de terras e da exploração ilegal de madeira, criando um ambiente ainda mais favorável às violações de direitos.

Coiab defende medidas estruturais para garantir proteção

Diante desse cenário, a Coiab defende a adoção de medidas estruturais para enfrentar a violência contra os povos indígenas. Entre as ações consideradas prioritárias estão a aceleração dos processos de demarcação de terras indígenas, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e proteção territorial e a implementação de políticas permanentes voltadas à proteção de lideranças indígenas ameaçadas.

A organização também considera fundamental ampliar o combate ao garimpo ilegal, ao narcotráfico, à grilagem e a outros crimes ambientais que impactam diretamente os territórios indígenas. Outro ponto destacado é a necessidade de fortalecer as investigações criminais e combater a impunidade nos casos de violência contra indígenas.

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Coiab alerta para avanço da violência contra indígenas na Amazônia após divulgação do Atlas da Violência 2026

No âmbito internacional, a análise jurídica lembra que o Brasil possui compromissos assumidos em instrumentos como a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, que garantem direitos relacionados à vida, território, integridade física e proteção contra atos de violência e discriminação.

Para a Coiab, as soluções não podem se limitar a ações repressivas. A entidade defende políticas públicas permanentes voltadas à garantia dos direitos territoriais, proteção ambiental, fortalecimento institucional e promoção da autonomia dos povos indígenas da Amazônia.

Leia o documento clicando AQUI.

O que é o Atlas da Violência?

O Atlas da Violência é um estudo produzido anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A publicação reúne dados sobre homicídios e outras formas de violência no Brasil, utilizando principalmente informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, além de outros bancos de dados oficiais.

Considerado uma das principais referências nacionais sobre segurança pública, o levantamento analisa os impactos da violência em diferentes grupos sociais, faixas etárias, gêneros e recortes raciais. A edição de 2026 foi divulgada em 26 de maio e marcou os dez anos de existência do estudo. Entre os destaques do relatório está a constatação de que os povos indígenas registraram taxa de homicídios 22% superior à média nacional em 2024, reforçando os alertas sobre a vulnerabilidade dessas populações.

*Com informações da Coiab

“Ciência mais acessível”: pesquisas feitas na rede pública do Amapá são apresentadas em bares

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Pesquisadora da Unifap apresentando o seu trabalho. Foto: José Carlos Tavares/Arquivo pessoal

Pesquisadores do Amapá lançaram o programa ‘Ciência na Cuia‘, que leva trabalhos das universidades públicas para espaços descontraídos, como bares. O objetivo é democratizar o acesso à ciência. A primeira edição ocorreu no dia 7 de junho, em um bar na Zona Sul de Macapá. Cinco pesquisadores apresentaram estudos de diferentes áreas.

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A previsão é realizar mais duas edições em 2026, incluindo feiras e outros espaços públicos. Pesquisadores estrangeiros também devem participar dos debates.

José Carlos Tavares, coordenador do laboratório de fármacos da Universidade Federal do Amapá (Unifap), destaca que muitas pessoas desconhecem as pesquisas feitas nas universidades e o impacto delas no dia a dia.

“A ideia é deixar a ciência mais acessível, porque muitas vezes ficamos dentro do laboratório sem divulgar os tipos de pesquisa.No laboratório de fármacos, por exemplo, temos estudos interessantes que impactam diretamente a vida das pessoas. Estamos desenvolvendo projetos na área de diabetes e novos medicamentos para tratamento de feridas, e a população não sabe disso”, explicou.

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‘ciência mais acessível’: pesquisas feitas na rede pública do Amapá são apresentadas em bares
Medicamentos à base de Jucá são desenvolvidos no Amapá. Foto: Francisco Pinheiro/

Ele ressalta que o programa também mostra como o dinheiro público é usado nos laboratórios. Para o pesquisador, é essencial que a população conheça os estudos, já que eles têm impacto direto na sociedade.

“Isso é importante porque usamos dinheiro público, e a população precisa conhecer o que estamos estudando e o que está surgindo em termos de pesquisa”, afirmou Tavares.

O Ciência na Cuia foi inspirado em um projeto internacional que leva pesquisa para bares e espaços públicos. No Amapá, ganhou versão regional com a simbologia da cuia, objeto indígena usado para o consumo de bebidas.

A iniciativa também atende exigências do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de agências de fomento, que pedem divulgação científica em linguagem popular.

Na primeira edição, foram apresentados trabalhos de iniciação científica, mestrado e doutorado. O público pôde tirar dúvidas e interagir com os pesquisadores.

Ciência no Laboratório de Fármacos

Um dos trabalhos desenvolvidos no laboratório foi um medicamento à base de jucá, planta conhecida cientificamente como Libidibia ferrea, para tratar o pé diabético. A pesquisa mostrou que o Jucá aumenta o fluxo de sangue na área ferida, o que ajuda a irrigar a região e acelerar o processo de cura.

As pesquisas começaram em 2024 e passaram por diferentes etapas da fase pré-clínica. A pomada feita com jucá já concluiu todos os testes necessários e agora será submetida à avaliação da Anvisa.

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Medicamentos à base de Jucá são desenvolvidos no Amapá. Foto: Francisco Pinheiro/g1

Em um dos casos acompanhados pela equipe, um paciente que usou spray à base de jucá apresentou melhora significativa. O quadro era considerado irreversível e havia indicação de amputação, mas o tratamento evitou a perda do membro.

A expectativa é que o produto seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passe a ser oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) como alternativa mais barata e eficaz.

Além do jucá, o laboratório da Unifap também desenvolve produtos com óleos de alecrim e larício. A previsão é que esses medicamentos sejam testados ainda este ano em pacientes atendidos na Unidade Básica de Saúde (UBS) da universidade.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP