Terra preta de índio: características, usos e benefícios

A terra possui altos teores de fósforo, cálcio, zinco e manganês, além dos elevados estoques de carbono orgânico

A Terra Preta de Índio (TPI) é um tipo de solo encontrado na região amazônica, modificado pela ação humana. Essa modificação, que poderia ter sido provocada por sociedades ameríndias, proporcionou diversas vantagens para a agricultura da época, e isso vem a afetar até a geração atual, seja por meio de pesquisas e busca de técnicas de cultivo que visam aprimorar a produção vegetal. 

A TPI tem atraído atenções devido a suas eminentes características que podem ser analisadas sob aspectos químicos (elevada capacidade de troca catiônica e alto teor de matéria orgânica), físicos (distinção na distribuição granulométrica, elevado teor de retenção de água, tonalidade escura forte) e biológicos (excelente riqueza de microrganismos). 
Terra preta de índio encontrada no Amazonas – Foto: Felipe Santos da Rosa/Embrapa

Segundo pesquisas da Embrapa Amazônia, As TPIs apresentam também elevada fertilidade, contrastando com os solos adjacentes, destacando-se os altos teores de fósforo, cálcio, zinco e manganês, além dos elevados estoques de carbono orgânico nestes solos, com estimativa de até cem vezes superiores aos solos adjacentes.

A Embrapa ainda afirma que As TPIs também se caracterizam por apresentarem artefatos cerâmicos pré-colombianos, corroborando sua origem antrópica.

O que se supõe sobre a origem da TPI é que ela foi formada sob influência do homem, ou seja, ela foi antropizada. Mas há questionamentos acerca da intencionalidade da sua formação: não se sabe se os habitantes, que tiveram contato com a TPI e que se beneficiaram dela, tinham em mente o propósito de criar uma terra altamente eficiente depositando resíduos degradáveis, como folhas, ossos, dejetos, cinzas e resíduos de carvão vegetal. 

Os usos e benefícios da Terra Preta vão desde o seu manejo em canteiros caseiros, até a análise em laboratórios especializados. O interesse crescente por TPI é notado logicamente pelas suas excelsas características, o que estimulou cientistas e pesquisadores a elaborarem um fertilizante orgânico condicionador de solo que imite suas características, o biocarvão (biochar). 

Pesquisadores concluíram que as datações de carbono indicam que a mancha de terra preta estudada precede a presença humana no local. Foto: Arquivo Pessoal

O uso de TPI é destacável devido a sua alta distribuição geográfica pela Amazônia. A maioria dos sítios arqueológicos de TPI é encontrada nas margens de rios, tanto de águas brancas como Purus, Madeira, Juruá, Solimões e Amazonas; quanto os de águas claras, a exemplo do Trombetas, Tapajós e Mapuera; ou ainda margens dos rios de águas negras como o Rio Negro, Urubu, Caxiuanã e Mapuá. O tamanho dos sítios arqueológicos com TPI varia de 1 a 500 ha, mas cerca de 80% apresentam de 2 a 5 ha. O horizonte A antrópico pode variar de 10 a 200 cm de espessura, no entanto, a maioria dos sítios com TPI varia de 30 a 60 cm de profundidade.

Por se tratar de patrimônio da União, a comercialização é proibida pela lei de proteção aos sítios arqueológicos de n° 3.924/61. Assim, o que se pode considerar sobre a TPI é que ela possui alta CTC, quantidades consideráveis de nutrientes e MO, e grande utilidade para o crescimento de plantas dos mais variados tipos. Embora não se saiba exatamente sobre a origem da TPI, grandes pesquisas têm sido realizadas para o desenvolvimento de um composto que simule os mesmos benefícios da TPI, o chamado biocarvão, que é um desafio para as ciências agrárias.

Leia o artigo original: Terra preta de índio: características, usos e benefícios realizado pelos estudantes Leandro Jun Soki Shibutani², Lucas Santos Da Silva², Rivanilson Silva Marinho², Werlleson Nascimento² e Iolanda Maria Soares Reis³ da Universidade Federal do Oeste do Pará 

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Tribunal Regional Federal da 1ª Região mantém decisão que protege área da Terra Indígena Kayapó, no Pará

Por unanimidade, TRF1 decidiu pela manutenção de área que delimita aproximadamente 992 hectares da Terra Indígena Kayapó.

Leia também

Publicidade