Uma nova ferramenta foi desenvolvida pelo Governo Federal para acompanhar o bioma amazônico em tempo quase real. O objetivo é reforçar a proteção ambiental e garantir mais transparência nas ações de combate ao desmatamento.
O sistema amplia o escopo do Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que já monitorava áreas de floresta nativa. Agora, também passam a ser observadas regiões não florestais, como campos naturais e savanas, que representam cerca de 20% da Amazônia.
“A gente não fazia isso naquela área que não tem cobertura florestal. Várias áreas e outras formações que não são do tipo florestal não estavam cobertas por esse monitoramento diário, então a gente passou a fazer isso para todo o bioma amazônico. Agora está completo”, explicou Cláudio Almeida, coordenador do programa Biomas BR, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Dedmatamento na Amazônia é um dos pontos de monitoramento. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace
IA para ajudar a Amazônia
Com o uso de inteligência artificial e imagens de satélite, o sistema vai emitir alertas diários sobre desmatamento, mineração ilegal e queimadas na Amazônia.
“A gente está desenvolvendo ferramentas com base principalmente no uso de aprendizado profundo. O pessoal conhece bastante como inteligência artificial. São algoritmos que, a partir de um conjunto de amostras significativas, passam a entender e reconhecer padrões. Quanto mais amostras o sistema analisa, mais ele consegue detectar esses padrões”, detalhou Almeida.
Atualmente, os alertas do Deter já cobrem mais de 75% do território nacional. A meta do governo é expandir o monitoramento para outros biomas que ainda não contam com vigilância constante, como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pampa.
“A gente entende que é um avanço. É mais um tijolinho que estamos colocando para construir uma base sólida. Produzimos dados que vão apoiar políticas públicas”, concluiu o coordenador.
O documentário roraimense ‘A pele do ouro’ recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia na Mostra Competitiva de Curtas no 58° Festival de Cinema de Brasília, considerado o maior festival de cinema do país.
A obra é inspirada em uma história real vivida por uma mulher no garimpo. No filme, ela mesma interpreta a personagem principal. Chamada apenas de Patri, para preservar a verdadeira identidade, a protagonista assume o papel central na narrativa construída a partir das memórias registradas em diários íntimos ao longos anos.
O roteiro vencedor do Troféu Candango é fruto de uma parceria entre Patri, Marcela Ulhoa, Yare Perdomo e Daniel Tancredi.
“Foi uma felicidade muito grande receber esses dois prêmios no festival de cinema de Brasília. Já tinha sido uma alegria imensa ter sido selecionado entre quase 1400 curtas. E ainda sair com essa dupla: roteiro e direção de fotografia. Fechou de uma forma incrível a nossa participação no festival”, disse a diretora do filme, Marcela.
A narrativa apresenta um recorte sensível sobre a vida da mulher no garimpo. O curta tem duração de 15 minutos. Yare Perdomo ressalta que o cinema roraimense está ocupando espaços importantes.
“Quando fomos chamados no palco, a pessoa que chamou, chamou a premiação primeiro para Patri, ela assina o roteiro junto. A gente acha que o roteiro é a vida dela. Trabalhamos essa história com ela, então, a gente achou que o festival entendeu a nossa mensagem”, explicou a cineasta Yare.
O documentário roraimense “A pele do ouro” recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia. Foto: Reprodução
Já a direção de fotografia do documentário é responsabilidade de Daniel. Como a ideia era preservar a identidade da Patri, ele precisou demonstrar a sensibilidade da história nas telonas, sem revelar o rosto da personagem principal.
“Desafio grande da fotografia de fazer um filme sem mostrar o rosto. O rosto no cinema que traz as emoções. Esse é um filme de fronteira, com uma equipe mista de brasileiros e a maioria são venezuelanos, mulheres venezuelanas. É um prêmio que traz esses frutos quando a gente abraça a imigração, podem ser muito bonitos”, disse o diretor.
“A pele do ouro” estreou oficialmente no Festival, dia 17 de agosto. O filme foi feito em parceria com a Platô Filmes, produtora roraimense que recebeu o Troféu Candango de Melhor Filme do Festival em Brasília, com o documentário “Por onde anda Makunaíma?”, em 2020.t
O Festival de Cinema de Brasília é realizado há 60 anos, sendo considerado o mais antigo e tradicional do país. Este ano foram exibidos 80 títulos, um recorde na história do festival.
Um dos pontos mais altos conhecidos no Brasil é o Monte Roraima, mas ele não é o maior. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
A Amazônia Internacional é a maior floresta tropical do mundo, se estendendo por nove países da América do Sul: Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Embora a região seja conhecida principalmente pela vastidão de seus rios e pela biodiversidade, cada um desses países guarda montanhas e picos que alcançam altitudes impressionantes, alguns figurando entre os mais altos do continente.
Confira os pontos mais altos de cada país amazônico:
Peru: Huascarán (6.768 m)
O Nevado Huascarán, na Cordilheira Branca, é o gigante do Peru e o sexto mais alto da América do Sul. Com 6.768 metros, o Huascarán Sur não é apenas símbolo natural, mas também patrimônio cultural e turístico, atraindo alpinistas de todo o mundo.
Nevado Huascarán. Foto: Reprodução/Unesco
Bolívia: Nevado Sajama (6.550 m)
O Sajama é um estratovulcão extinto e o pico mais elevado da Bolívia. Medindo 6.550 metros, ergue-se de forma isolada na Cordilheira dos Andes, formando um cone imponente que domina a paisagem do altiplano.
Foto: Reprodução/Alan Picu
Equador: Vulcão Chimborazo (6.263 m)
Mais do que o ponto mais alto do Equador, o Chimborazo é famoso por ser o lugar mais distante do centro da Terra, graças ao formato “achatado” do planeta. Com 6.263 metros de altitude, seu cume nevado é um marco geográfico e turístico.
Foto: Reproduçãop/Civitatis
Colômbia: Pico Cristóbal Colón (5.508 m)
Localizado em Magdalena, o Pico Cristóbal Colón é o ponto culminante da Colômbia. Com mais de 5,5 mil metros, é considerado sagrado pela cultura ancestral Tayrona. Seus descendentes, os povos indígenas da região, são os guardiões da montanha e de seu equilíbrio ambiental.
Foto: Reprodução/Facebook-A si és Colômbia
Venezuela: Pico Bolívar (4.981 m)
Na Cordilheira de Mérida, o Pico Bolívar ergue-se a 4.981 metros de altitude. Nomeado em homenagem ao libertador Simón Bolívar, é a montanha mais alta da Venezuela e símbolo nacional de imponência e identidade.
Brasil: Pico da Neblina (2.995 m)
Situado no norte do Amazonas, na Serra do Imeri, o Pico da Neblina é o ponto mais alto do Brasil. Com quase 3 mil metros de altitude, foi medido oficialmente pelo IBGE em 2015. Além da imponência natural, está inserido em área indígena Yanomami, o que reforça seu valor ambiental e cultural.
Pico da Neblina. Foto: Marcos Amend/ICMBio
Suriname: Julianatop (1.286 m)
No sul do país, em meio às florestas do distrito de Sipaliwini, se ergue- o Julianatop. Com 1.286 metros de altitude, é o ponto culminante do Suriname, em uma região de transição entre floresta e savana, próxima à fronteira com o Brasil.
Foto: Reprodução/All Suriname Tours
Guiana: Monte Roraima (1.200 m)
O Monte Roraima é uma montanha de topo plano, típica do Escudo das Guianas. Apesar da altitude relativamente modesta de cerca de 1.200 metros, sua geologia única e os paredões verticais tornam-no um dos destinos mais emblemáticos da região amazônica.
Foto: Reprodução/Bora de Trip
Guiana Francesa: Bellevue de l’Inini (851 m)
Localizado na comuna de Maripasoula, o Bellevue de l’Inini é o ponto mais alto da Guiana Francesa, com 851 metros. Embora não seja uma montanha elevada em comparação com os demais países, é símbolo natural da região.
Unidade de conservação Anavilhanas. Foto: Divulgação
A proteção do bioma amazônico, com sua vasta extensão e desafios logísticos, exige mais do que esforço local: requer parcerias estratégicas capazes de conectar diferentes territórios. Do sul do Amazonas à região do Baixo Rio Negro e até a fronteira de Rondônia, unidades de conservação federais mostram como o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) tem sido decisivo para fortalecer a presença do Estado, ampliar a pesquisa científica, estimular o monitoramento ambiental e ferramentas de gestão.
Nos parques e reservas, gestores apontam que essa rede de apoio garante desde a manutenção das estruturas básicas até operações complexas de fiscalização, revelando um mosaico de proteção que atravessa toda a Amazônia.
No sul do Amazonas, o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Humaitá é responsável por três unidades de conservação (UCs) federais — o Parque Nacional dos Campos Amazônicos, a Reserva Biológica do Manicoré e o Parque Nacional do Acari. Juntas, elas somam mais de 2,2 milhões de hectares de florestas e cerrado, território equivalente a quase duas vezes o estado de Sergipe.
As principais pressões vêm da grilagem de terras, do garimpo ilegal de ouro e cassiterita, da extração seletiva de madeira nobre e do avanço da fronteira agropecuária, que impulsiona o desmatamento no entorno e busca invadir os limites das áreas protegidas.
“Se não fosse o projeto ARPA, dificilmente teríamos unidades tão implementadas e protegidas na Amazônia”, afirma o analista ambiental Caio Vinicius Almeida, do NGI Humaitá. “O programa viabiliza a presença constante do órgão gestor no território, custeando desde o combustível para as expedições até a realização de reuniões com conselhos e comunidades em múltiplos municípios. Fica difícil imaginar como seria a gestão desse território no bioma amazônico sem o programa ARPA”, aponta o analista ambiental.
Almeida reforça ainda como os instrumentos de gestão apoiados pelo ARPA fazem diferença na prática. “O suporte se materializa em ferramentas essenciais, como o Cartão Pequenos Gastos e o Cartão Alimentação, que garantem que em operações de fiscalização — muitas vezes realizadas em acampamentos remotos com forças policiais — a equipe tenha toda a segurança e estrutura necessárias”, afirma.
Floresta Amazônica. Foto: Agência Pará
O impacto também é visível em atividades de monitoramento. “No Parque Nacional dos Campos Amazônicos, o apoio do ARPA permitiu a execução de todas as campanhas de biodiversidade. Isso garante a sistematização do conhecimento para um melhor planejamento da gestão e o envolvimento da população local”, detalha Almeida.
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos abriga um raro enclave de cerrado em meio à floresta amazônica, o que o torna singular. Entre as espécies de fauna mais emblemáticas estão o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), considerado quase ameaçado, e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), listado como vulnerável. Também está presente a onça-pintada (Panthera onca), classificada como quase ameaçada, símbolo da biodiversidade amazônica.
Na Reserva Biológica do Manicoré e no Parque Nacional do Acari, predominam florestas densas que abrigam espécies ameaçadas como o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek), vulnerável, e a ariranha (Pteronura brasiliensis), classificada como em perigo. A flora também é marcada por árvores de alto valor ecológico e econômico, como a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), e o mogno (Swietenia macrophylla), espécie ameaçada pela exploração ilegal.
No baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, a experiência do Parque Nacional de Anavilhanas reforça a abrangência dessa rede de proteção. O chefe substituto da unidade, Gilberto de Freitas Moreira, explica:
“A atuação do Parque Nacional de Anavilhanas, em parceria com o Projeto ARPA, tem sido essencial para fortalecer a proteção da riqueza de biodiversidade que compõem a unidade. Com o apoio financeiro na manutenção das estruturas físicas e nos equipamentos, o parque mantém sua presença institucional ativa na região, garantindo fiscalização, monitoramento e ações de conservação mais eficientes”, destaca.
Foto: Eufran Amaral
Ele ressalta que os benefícios vão além dos limites do parque: “Esse trabalho impacta positivamente todo o Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro, contribuindo para a proteção em rede de uma das regiões mais importantes da Amazônia”, diz Gilberto.
O gestor também chama atenção para o papel crescente do turismo ecológico e da educação ambiental em Anavilhanas. “Demonstrar para a sociedade que a floresta em pé é mais valiosa que a exploração sem controle é o grande desafio. Nesse sentido, é fundamental investir em iniciativas de educação e interpretação ambiental, que aproximem a população das áreas protegidas e fortaleçam o sentimento de pertencimento. Valorizar esse contato é essencial para que as pessoas compreendam o privilégio que o Brasil tem ao abrigar um bioma tão vital para o equilíbrio climático e ecológico do planeta.
Composto por mais de 350 mil hectares de ilhas fluviais e canais, o Parque Nacional de Anavilhanas é um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. Sua biodiversidade inclui mamíferos aquáticos icônicos, como o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), espécie classificada como em perigo, e o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), também listado como vulnerável.
As florestas alagadas e várzeas abrigam ainda aves de grande importância, como a ararajuba (Guaruba guarouba), vulnerável, e o gavião-real (Harpia harpyja), quase ameaçado. A flora é composta por espécies adaptadas às cheias sazonais, incluindo árvores de igapó e várzea, além de palmeiras como o açaí-do-amazonas (Euterpe precatoria), de grande importância econômica e ecológica.
Foto: Divulgação
No extremo oeste, na Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário, localizada no corredor Madeira–Mamoré–Guaporé, em Rondônia, o apoio do programa ARPA também faz diferença. Inserida em um mosaico ambiental que conecta diversas UCs e Terras Indígenas, a unidade é estratégica para a proteção do corredor Madeira–Mamoré–Guaporé. Seu gestor, Lauro de Oliveira Góes, destaca:
“Se considerarmos que a UC Resex Rio Cautário está inserida num mosaico ambiental que congrega outras UCs e Terras Indígenas, o Programa ARPA tem uma importante contribuição para proteção dessas áreas florestadas”.
A Resex abriga uma grande diversidade de ambientes — que vai de florestas densas a áreas de várzea — e sustenta populações de grandes predadores e espécies ameaçadas. Entre elas, a onça-pintada (Panthera onca), o tatu-canastra (Priodontes maximus), considerado vulnerável, e aves raras como o mutum-de-penacho (Crax globulosa), em perigo.
Entre os resultados mais recentes, Góes aponta a gestão de um recurso natural emblemático. “Na UC Resex Rio Cautário, o Programa ARPA está apoiando o projeto de manejo do pirarucu invasor, gerando renda para as comunidades envolvidas”, relata. Para ele, o futuro da conservação passa pelo fortalecimento de alternativas sustentáveis: “É fundamental apoiar projetos de geração de renda para comunidades tradicionais, unindo conservação e desenvolvimento sustentável”, afirma o gestor.
Unidades de Conservação como Anavilhanas e Rio Cautário revelam que o Programa ARPA não é apenas uma fonte de recursos, mas um pilar que sustenta a gestão estratégica, a produção científica, a valorização cultural e o fortalecimento comunitário. Em uma Amazônia sob constante pressão, o fortalecimento dessa rede é vital para garantir que as unidades de conservação permaneçam vivas, com floresta em pé, biodiversidade preservada e comunidades cada vez mais engajadas em seu futuro sustentável.
Sobre o ARPA
O ARPA – Áreas Protegidas da Amazônia é um projeto do Governo do Brasil, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e tem o FUNBIO como gestor e executor financeiro. É financiado com recursos de doadores internacionais e nacionais, entre eles o governo da Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW), o Global Environment Facility (GEF) por meio do Banco Mundial, a Fundação Gordon and Betty Moore, a AngloAmerican e o WWF.
Aeronave ‘Twin Otter’ antes do primeiro voo no hangar, em Santarém. Foto: Lenne Santos/Ufopa
Uma aeronave ‘Twin Otter‘ do British Antarctic Survey (BAS) iniciou seus primeiros voos na Amazônia, em uma missão que busca coletar dados cruciais sobre o clima do planeta. O primeiro voo decolou no dia 26 de setembro, de um hangar particular localizado no aeroporto Internacional Wilson Fonseca, em Santarém (PA). A iniciativa faz parte do Projeto CarbonARA-Brazil, uma pesquisa internacional que foca no monitoramento do ciclo do carbono na região do Baixo Tapajós.
De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador da parte aérea do Carbon-ARA, Dirceu Luiz Herdies, a aeronave irá efetuar cerca de 55 horas de voo, dividias em 15 etapas de 4 horas. Os voos ocorrerão entre setembro e outubro de 2025, sobrevoando a Floresta Nacional do Tapajós e a Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
O avião, ideal para missões remotas, é equipado com instrumentos que medem concentrações de gases de efeito estufa, como CO² e metano, e aerossóis, como fuligem, poeira e fumaça oriundas de incêndios.
“Queremos entender melhor como funciona a Amazônia, a interação que ela tem com o globo como um todo”. Ele afirmou ainda que os dados coletados nessa campanha devem ser apresentados na COP 30 que será realizada em Belém, em novembro.
Representantes do projeto destacam a importância dessas medições. Ao sobrevoar áreas de interesse, a aeronave coleta dados atmosféricos em tempo real, que serão comparados com as informações dos satélites da Agência Espacial Europeia (ESA). A comparação permite verificar a precisão das medições orbitais e aprimorar os modelos climáticos, informou o controlador de operações da aeronave Daniel Beedon.
A Ufopa é a única instituição amazônica no consórcio do projeto, que é coordenado pelo King’s College London. A universidade é responsável por coordenar as atividades locais, reforçando a relevância da pesquisa científica conduzida na região. O projeto, que também utiliza torres, sensores e drones, integra esforços para entender o papel da Amazônia no balanço climático global, especialmente no que se refere aos impactos das queimadas. O projeto é localmente coordenado pelo pesquisador Júlio Tota, professor do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa.
Sobre o BAS
O British Antarctic Survey (BAS) é o centro nacional de pesquisa polar do Reino Unido, responsável por conduzir a ciência em regiões polares e manter a presença ativa do país na Antártica. Parte do Natural Environment Research Council (NERC), o BAS opera cinco estações de pesquisa, navios e aeronaves, realizando pesquisas sobre o clima, a camada de ozônio e a vida selvagem polar para gerar conhecimento global sobre o planeta.
Após a campanha em Santarém, a aeronave seguirá para a Antártida, sua base de operações para pesquisas polares.
Por que esse projeto é importante para a Ufopa?
A participação da Ufopa nesse projeto reforça seu papel como um centro de excelência em pesquisa na Amazônia. A universidade contribui com conhecimento local para uma iniciativa de alcance global, utilizando equipamentos e tecnologias de ponta. Essa colaboração não só aprimora nosso entendimento sobre o ecossistema amazônico, mas também fortalece a posição da Ufopa no cenário da pesquisa climática mundial.
Estudantes do Amapá desenvolvem tubete orgânico com resíduos de caroço de açaí e argila. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica AP
Estudantes da Escola Estadual Mário Quirino da Silva, na Zona Sul de Macapá (AP), criaram um tubete orgânico feito com caroço de açaí e argila para substituir os modelos de plástico usados na agricultura. A proposta surgiu durante aulas de biologia como alternativa mais barata e ecológica para o cultivo de mudas.
O projeto foi orientado pela professora Rose Trindade, que levou a ideia para os alunos após discutir os impactos do plástico no meio ambiente. O tubete orgânico pode ir direto para o solo com a muda, sem gerar resíduos.
“Propus que pensassem em uma estrutura orgânica para substituir os tubetes convencionais. O caroço de açaí é abundante no estado e seria uma boa base para reaproveitamento”, explicou.
Gustavo é um dos criadores do projeto. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica APRose é a professora orientadora do projeto. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica AP
Inicialmente, os testes usaram cacto palma como elemento colante, mas a planta viva dificultava o processo. A argila natural foi adotada no lugar e se mostrou mais eficiente.
Segundo Gustavo de Sousa, de 17 anos, um dos autores do projeto, o uso do açaí foi escolhido por ser comum na região.
“A gente vê caroço jogado no chão. Decidimos aproveitar esse resíduo para criar algo útil e que não polua”, contou.
Coleta dos caroços de açaí: Os estudantes recolhem os caroços descartados em batedeiras da cidade, onde o resíduo costuma ser jogado no chão ou acumulado sem reaproveitamento;
Torra dos caroços: Os caroços são levados para a escola e torrados em frigideiras comuns, até ficarem secos e prontos para trituração;
Trituração manual: Após a torra, os caroços são triturados com martelo, quebrando a estrutura rígida para facilitar o processamento;
Peneiramento do material: O pó resultante da trituração é peneirado para separar os grãos mais finos, que serão usados na mistura com a argila;
Mistura com argila natural: A argila é coletada de forma local e misturada ao pó de açaí até formar uma massa homogênea, com textura ideal para moldagem;
Moldagem dos tubetes: A massa é moldada manualmente em formato cilíndrico, semelhante aos tubetes de plástico usados na agricultura;
Secagem ao sol: Os tubetes são deixados para secar naturalmente ao sol. Em dias chuvosos, os alunos usam uma estufa improvisada com lâmpada amarela para manter a eficiência do processo;
Testes de germinação: As mudas são plantadas diretamente nos tubetes orgânicos e colocadas em vasos. Os estudantes observam o desenvolvimento da planta e a incorporação do tubete ao solo.
Tubete orgânico foi criado por estudantes do Amapá. Foto: DivulgaçãoEtapas de criação do tubete. Foto: Divulgação
Além dos benefícios ambientais, o projeto também apresenta vantagens econômicas. Um tubete de plástico pode custar até R$ 1,50 e não é reutilizável. Já o orgânico sai por cerca de R$ 0,30.
Nos testes realizados, os estudantes observaram que as mudas se desenvolveram melhor com o tubete orgânico.
“A germinação foi mais rápida. Enquanto o plástico demorou mais de uma semana, o nosso tubete levou de 7 a 9 dias”, explicou Gustavo.
A professora explicou ainda que o projeto está em fase de testes, mas os resultados apresentados já são positivos. A equipe pretende apresentar a proposta para agricultores da região.
“A ideia é levar esse produto para os pequenos produtores, mostrar que ele funciona e pode ser incorporado ao solo, nutrindo a planta”, concluiu Rose.
Com praias, igarapés e áreas de mata preservadas, a comunidade pode gerar renda de forma sustentável. Foto: Marilu Cruz/Acervo Pesquisadores
A comunidade pesqueira de Jubim, localizada no arquipélago do Marajó, no encontro entre o rio Amazonas e o oceano Atlântico, depende diretamente da pesca artesanal para sua subsistência. Mas pressões crescentes reduzem os estoques pesqueiros e ameaçam os modos de vida tradicionais – como a sobrepesca com presença constante de embarcações industriais, além da construção de portos e ferrovias, dos grandes projetos de exploração de petróleo e da especulação imobiliária, que restringem o acesso a áreas antes comuns.
A tudo isso se somam as mudanças climáticas, que afetam o período reprodutivo dos caranguejos e causam a erosão das margens de rios. É o que aponta pesquisa desenvolvida pelo Projeto Maretórios Amazônicos e publicada na segunda (29) na revista científica Marine Policy.
Por meio de entrevistas com 20 moradores de Jubim, oficinas e observação participante na comunidade, os cientistas mapearam forças, fraquezas, oportunidades e ameaças à gestão costeira local.
“O modelo atual de gestão costeira exclui e marginaliza milhares de comunidades tradicionais. Nosso estudo busca propor alternativas que garantam participação real e protagonismo às populações locais”, explica o ecólogo Vitor Renck, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e um dos autores do artigo.
Com base na experiência em Jubim, o estudo propõe cinco princípios de gestão costeira para tornar as políticas públicas mais justas e sustentáveis:
o empoderamento comunitário, voltado a ampliar a autossuficiência e a resiliência através do fortalecimento de laços;
a coprodução de conhecimento, com a valorização e integração dos saberes ecológicos tradicionais à pesquisa científica;
a negociação com atores externos em defesa de um desenvolvimento que respeite os direitos e os saberes da comunidade;
a continuidade cultural, de forma a garantir que as oportunidades econômicas não enfraqueçam as características locais;
e a responsabilidade ambiental, que enfatiza o papel da comunidade como guardiã do seu ambiente.
“O diferencial do estudo é a construção, a partir do território pesqueiro, de insumos para o desenvolvimento de um processo de gestão costeira decolonial. Propomos que os cinco princípios sejam implementados de forma conjunta, e não isolados”, reforça Renck.
Praia do Pesqueiro, no Marajó. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará
Marajó também tem oportunidades
Apesar das ameaças, Jubim, no Marajó, apresenta oportunidades econômicas e sociais, como o desenvolvimento do ecoturismo comunitário. Com praias, igarapés e áreas de mata preservadas, a comunidade pode gerar renda de forma sustentável, mantendo seus modos de vida tradicionais e protegendo a biodiversidade local.
“Nosso objetivo é que os cinco princípios que propomos possam orientar a revisão da Política Nacional de Gerenciamento Costeiro, garantindo participação real das comunidades e promovendo justiça azul, ou seja, distribuição mais justa dos benefícios e impactos do desenvolvimento costeiro”, afirma a bióloga Leandra Gonçalves, professora do Instituto do Mar da Unifesp e supervisora do estudo.
A pesquisa foi financiada pelas Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Pará (FAPESPA), Fundação Araucária e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e envolveu mais de 40 pesquisadores de diversas universidades e áreas do conhecimento.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
A cidade de Belém pode se tornar a capital do Brasil durante a COP 30. Foto: Agência Pará
A cidade de Belém, no estado do Pará, será a capital do Brasil durante a COP 30. É o que determina um projeto de lei que será votado pelo Senado nos próximos dias. Apresentado pela deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), o PL 358/2025 foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 25 de setembro.
De acordo com o texto, a capital da República Federativa do Brasil — papel que cabe à Brasília desde 1960 — será transferida, simbolicamente, para a cidade de Belém.
A medida valerá de 11 a 21 de novembro de 2025, durante a COP 30, que é a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
De acordo com o texto, a capital da República Federativa do Brasil — papel que cabe à Brasília desde 1960 — será transferida, simbolicamente, para a cidade de Belém. Foto: Divulgação
Nestes dias, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderão se instalar em Belém. Os atos e despachos do presidente da República e dos ministros de Estado, assinados no período, serão datados na cidade de Belém/PA. O Poder Executivo terá que regulamentar as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária da sede do governo federal.
O senador Beto Faro (PT-PA) está entusiasmado com a transferência. Para ele, o projeto será aprovado no Senado com ampla maioria por representar compromisso com a sustentabilidade, a justiça regional e o fortalecimento da imagem internacional do Brasil.
”Vejo nesta proposta um gesto de elevado simbolismo e de forte significado político. Mais que mudança provisória de endereço, trata-se de reafirmar a centralidade da Amazônia nas decisões nacionais e de projetar o Brasil, especialmente o Pará, no mapa global das discussões climáticas. A extensão territorial do nosso país exige esses sinais de atenção; ao colocar Belém como palco institucional momentâneo, reafirmamos que o Brasil não pode prescindir de aproximar decisões do coração da floresta”, afirmou Faro.
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) disse que achou interessante a ideia de transferir a capital do país para Belém. Ele lembrou que o mesmo ocorreu durante a ECO 92, no Rio de Janeiro. Zequinha disse à reportagem que a medida poderá ajudar o governo federal a enxergar os diversos problemas e necessidades da capital paraense.
O Poder Executivo terá que regulamentar as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária da sede do governo federal. Foto: Agência Pará
”Belém é uma cidade enorme. Uma cidade com problema de segurança, com crime organizado instalado. O comerciante e as pessoas têm que pagar pedágio para esse povo, mensalidade. É difícil a questão da segurança. Belém tem problemas de saúde seríssimos nos hospitais (…) A questão do saneamento básico, principalmente nas periferias (…). No Pará a gente tem dois estados, o estado virtual, aquele que aparece nas redes sociais na televisão, é maravilhoso, muito bom, agora o estado real onde o povo vive, onde nós vivemos, esse é duro na queda, falta tudo”, afirmou Zequinha.
Para a autora do projeto, a medida não será apenas um gesto simbólico, mas um compromisso do Brasil com a agenda climática e o desenvolvimento sustentável. “Transferir a capital para Belém é uma forma de colocar a região amazônica no centro das decisões políticas globais”, afirmou Duda Salabert, na aprovação do projeto na Câmara.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Fundamental a busca de novos padrões tecnológicos, logísticos e operacionais capazes de harmonizar a Zona Franca de Manaus, como projeto de desenvolvimento, ao mundo da Revolução Industrial 4.0. Gigantescos mesmo ao se considerar os desafios resultantes da prorrogação de seu prazo de vigência até 2073. Neste momento de transição política por que atravessa o Brasil, urge repensar o modelo visando corrigir distorções e promover ajustes em sua dinâmica operacional. A hipótese é a diversificação do Polo Industrial de Manaus (PIM) via incorporação de matrizes econômicas derivadas dos recursos da economia verde empregados na produção de alimentos, do manejo florestal e exploração mineral sustentados, da bioeconomia e do ecoturismo.
O PIM apresenta hoje diminutas possibilidades de expansão face às dificuldades objetivas de aqui virem a se estabelecer no curto prazo novas cadeias produtivas dentro do contexto indústria 4.0. Entraves de ponta acentuam-se em escala diversificada. Vale salientar que até a década 1980 a SUDAM operava como órgão catalisador do processo de desenvolvimento da Amazônia; enquanto a SUFRAMA cumpria funções estratégicas na promoção do crescimento industrial. O setor primário mantém-se relativamente inerte, desafiante a sucessivos governos estaduais supostamente insensíveis à sua estratégica importância em relação ao crescimento da economia amazonense e da Amazônia Ocidental.
O Amazonas, é certo, deu grande passo com a prorrogação até 2073 da política de incentivos instituídos na ZFM pelo DL 288/67. Por mais relevante que seja a conquista, contudo, não pode servir de escudo de defesa à distorções estruturais do modelo hoje de larga e complexa abrangência. O incerto e imprevisível quadro conjuntural internacional está a exigir dose extra de responsabilidade política e coragem dos governantes no que tange ao reconhecimento da agropecuária (produção de alimentos), do campo agroindustrial e da bioeconomia como os futuros setores líderes do PIB amazonense. Somente por esse caminho será possível corrigir distorções arraigadas em décadas e impulsionar a economia estadual segundo dinâmica das tecnologias disruptivas inerentes à Revolução Industrial 4.0 associada aos setores da bioeconomia, a exploração sustentável dos recursos da biodiversidade amazônica, à matriz econômica do Amazonas e da ZFM.
Em primeiro plano, entendo fundamental reconfigurar, no curtíssimo prazo, que o processo deve avançar a partir de medidas governamentais destinadas a corrigir as graves distorções que se consolidaram desde a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM), em 1967. Concebida, segundo modelo preconizado pelo DL 288/67, para desenvolver, na Amazônia Ocidental, polo industrial, agropecuário e de serviços, equívocos substantivos, todavia, foram cometidos ao longo percurso, até hoje não sanados. A começar pelo desprezo ao setor sobre o qual as economias historicamente derramam seu crescimento – o primário -, que levou a ZFM a estruturar-se de forma insustentável, posto que sobre um só pilar, o setor secundário. De tal sorte que, hoje, 95% do produto industrial advém do Polo Industrial de Manaus – PIM; assim como 92% do ICMS arrecadado e 77,5% do PIB estadual concentram-se perigosamente na capital amazonense.
Tamanha distorção, vale salientar, levou o modelo a fragilizar-se estruturalmente, tornando-se necessário proceder sua correção de uma vez por todas. Dentre os caminhos a serem trilhados nesse sentido, ao que penso, o ponto de partido consiste em ampliar a matriz econômica pela incorporação ao PIM do setor da bioeconomia, a exploração sustentável dos recursos da biodiversidade, incluindo o ecoturismos, e um polo de exportações, nas proporções do diagrama incluso ao final deste estudo. Impõe-se, coerente com essa dinâmica macroeconômica, que se corrija o modelo ZFM e se estabeleçam novos vetores destinados a impulsionar as potencialidades da economia local.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Foto: Barbara Matoso/Ascom Basílica Santuário de Nazaré
Em um momento que Belém (PA) atrai os olhares do mundo, tanto pela grandiosidade da maior manifestação religiosa do Brasil, o Círio de Nazaré, quanto pelo protagonismo internacional na pauta ambiental com a COP 30, a Basílica Santuário de Nazaré realizará durante esses dois grandes eventos missas em inglês, espanhol, francês e em LIBRAS.
Para os turistas estrangeiros, participar das celebrações em seu próprio idioma permite uma vivência profunda da devoção mariana, o que promove um intercâmbio cultural rico e significativo.
No contexto da COP 30, onde líderes, ativistas e visitantes de diversas nacionalidades estarão reunidos para discutir o futuro do planeta, essa ação ganha ainda mais relevância e mostra que a espiritualidade, fé e a sustentabilidade podem caminhar juntas, com empatia e diálogo.
Missas serão realizadas em outros idiomas. Foto: Allan Bentes/Ascom Basílica Santuário de Nazaré
De acordo com a organização, “ao abrir suas portas em vários idiomas, a Basílica de Nazaré não apenas celebra a fé, mas também a união dos povos, fortalecendo o papel de Belém como um ponto de encontro entre tradição, devoção e um mundo mais acolhedor”.
Confira a programação das missas:
Missas em idiomas para o Círio de Nazaré
29/09: Missa em Português e Libras, às 19h30;
01/10: Missa em Francês, às 19:30;
02/10: Missa em Inglês, às 19:30;
03/10: Missa em Espanhol, às 19:30.
Missas em idiomas para a COP 30
03/11: Missa em Português e Libras, às 19h30;
10/11: Missa em Espanhol, às 19:30;
15/11: Missa em Inglês, às 19h;
21/11: Missa em Francês, às 19:30.
Além das celebrações, haverá também confissões e visitas guiadas no Memória de Nazaré nos respectivos idiomas.