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Programas do Amazon Sat chegam à grade da Rede Amazônica no Acre; saiba quais

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A partir do dia 6 de outubro, os programas ‘Gente do Norte’, ‘Panc’, ‘Galeria’ e ‘Amazônia Animal’, produzidos pelo canal Amazon Sat, passam a integrar a grade da Rede Amazônica no Acre, incluindo ainda mais representatividade regional, cultura, ciência e gastronomia para o público acreano.

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Segundo o diretor de programação do Grupo Rede Amazônica, Silvério Machado, a mudança faz parte de um ajuste na grade local para reforçar a conexão e a sintonia com o público do estado.

“A mudança de grade no Acre foi estudada pela Rede Amazônica com o objetivo de conectar a programação da TV Globo ao cotidiano do povo acreano. Essa movimentação possibilitou à Rede Amazônica criar um slot para aproveitar outros conteúdos do grupo. Foi definido que vamos utilizar os conteúdos do Amazon Sat porque, como diz o slogan do canal, têm a cara e a voz da Amazônia, e são conteúdos que têm sintonia com o acreano, com a região amazônica, e têm qualidade. Nada mais natural do que aproveitar esses conteúdos que têm qualidade, relevância e que trazem o protagonismo do amazônida”, afirmou o diretor. 

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O coordenador do Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, destacou que a parceria com a Rede Amazônica no Acre amplia o alcance dos programas e reforça a missão de valorizar a cultura nortista.

“O Amazon Sat já está presente no Acre, mas essa nova janela de exibição amplia significativamente nossa capacidade de levar conteúdos autorais e regionais a ainda mais telespectadores. A parceria fortalece nosso compromisso de valorizar a identidade amazônida, criando uma conexão mais profunda com o público local e promovendo a cultura da região Norte de forma autêntica”, explicou Ribeiro. 

Ainda de acordo com o coordenador, o público acreano terá acesso a quatro novos programas que celebram a diversidade e a riqueza cultural da Amazônia, com temas que vão desde cultura popular até biodiversidade. Os conteúdos são pensados para refletir a realidade e os valores do povo amazônida, com a marca registrada do Amazon Sat: informação com identidade regional forte.

Segundo Reuton Morais, gerente de Canais e Performance, a mudança tem como objetivo manter o foco principal do Grupo: desenvolver e integrar a Amazônia. 

“Esse movimento é de grande importância para a emissora e para a região, fomentando a Amazônia e integrando o público. A expectativa dessa experiência e da repercussão de integração dos conteúdos de ambas as emissoras são as melhores, onde estamos mobilizando todas as nossas plataformas como divulgação, e acredito que já é um sucesso. E, no fim, quem ganha é toda a população do Acre”, afirmou Morais. 

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Programas do Amazon Sat que passam a integrar a grade

Entre os destaques está o programa ‘Galeria’, apresentado por três jornalistas. Entre elas, Isabelle Lima afirma que o intuito do programa é valorizar a produção artística e cultural amazônica.

Programa Galeria do Amazon Sat
Foto: Reprodução/Amazon Sat

“O Galeria busca mostrar não só a beleza natural da região amazônica, mas também contar sua história e como a cultura pode ser uma grande formadora da nossa identidade. Une arte, cinema, literatura, turismo, e o Acre é um estado com acervo de histórias e uma cultura diversa que tem que ser mostrada para toda a região”, disse.

Já o programa Amazônia Animal, comandado pelo biólogo Rodrigo Hidalgo, mostra histórias sobre a fauna amazônica, animais domésticos e muitas curiosidades sobre as espécies.

“Com muita alegria chegamos na Rede Amazônica para falar sobre as maravilhas da Amazônia, histórias de animais da floresta, da fazenda e também os pets! Ainda não conheço o Acre, tenho alguns amigos de lá, e seria um sonho gravar nesse estado tão rico em fauna, flora e cultura”, afirmou.

A estreia dos programas está prevista para segunda-feira, 6 de outubro, com transmissões semanais nas madrugadas. Confira a programação: 

Lula reafirma que Belém terá a “COP da verdade”

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Foto: Reprodução/Agência Pará

A pouco mais de um mês para a realização da COP 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
voltou a dizer que o evento mundial sobre mudanças climáticas vai ser a “COP da verdade”. Em visita ao Pará, nesta quinta-feira (2), Lula disse reconhecer os problemas da capital Belém, que mereceu a indicação para sediar a conferência da ONU.  

“Eu sabia que Belém era uma cidade com problemas. Tem os problema de drenagem, tem os problema da pobreza. Mas veja, por que que nós aceitamos de Brasil de fazer a COP lá? É porque é preciso mostrar para o mundo o que é a Amazônia e o que é o Pará. Não vai ser a COP do luxo, é a COP da verdade”.

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O presidente fez a declaração durante passagem pelo arquipélago do Marajó, para inaugurar obras de educação e assinar a retomada da obra do Novo PAC, Programa de Aceleração do Crescimento. 

No mesmo evento, Lula também voltou a cobrar que os países ricos “paguem” o preço da poluição que eles promoveram para se desenvolver:

“Queremos saber se os presidentes do mundo estão preocupados com a questão climática. Eu quero saber se o presidente Trump, se o presidente Xi Jinping, se o presidente Macron estão preocupados em resolver o problema da situação climática. Porque para que a gente mantenha nossas florestas em pé, é preciso que eles, que poluíram o mundo há muito mais tempo do que nós, resolvam pagar para que a gente possa dar qualidade de vida pro povo que mora na Amazônia”.

Presidente Lula esteve em Belém no dia 2 de outubro para compromissos gerais antes da COP 30.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na região, o presidente entregou três unidades de ensino em duas cidades da Ilha do Marajó: Breves e Melgaço. Por lá, Lula ainda assinou uma ordem de serviço para a retomada de sete obras da educação em Melgaço: cinco escolas, uma creche e uma quadra escolar.

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De acordo com o governo federal, a Ilha de Marajó tem mais de cem empreendimentos com retomada de obras previstas. Eles incluem creches, escolas e quadras, para atender quase vinte e 5 mil estudantes. No ano passado, a região foi selecionada como “prioritária de assistência técnica e monitoramento educacional” pelo governo.

Depois dos eventos nas duas cidades da ilha, o presidente Lula seguiu para a capital paraense para visitar obras de infraestrutura, inclusive de drenagem e saneamento.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

Variante do Aedes aegypti é registrada pela primeira vez na Amazônia

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Armadilha usada para capturar mosquitos, com os encontrados na nova pesquisa. Foto: José Ferreira Saraiva e colaboradores

Pela primeira vez, cientistas identificaram na Amazônia a forma pálida do mosquito transmissor de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, o Aedes aegypti var. queenslandensis. O achado, feito em Macapá por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (IEPA) em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a Secretaria Municipal de Vigilância em Saúde de Macapá (SMVS) e o Laboratório de Saúde Pública do Amapá (Lacen/AP), foi publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

A equipe instalou armadilhas em um fragmento florestal urbano de Macapá entre 19 e 24 de dezembro de 2024 e capturou 191 exemplares da variedade pálida do mosquito, confirmando a presença desse fenótipo na região. Até então, a variedade havia sido registrada no Brasil somente em Taubaté (SP), em 2020. Globalmente, ela é associada a ambientes urbanos quentes e secos, como os da Austrália e do Mediterrâneo.

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O pesquisador José Ferreira Saraiva, autor principal do estudo, explica que a variante se diferencia pelo padrão de escamas claras no abdômen, enquanto a forma predominante no Brasil é escura. “Até o momento, não há evidências de que a variedade seja mais resistente a inseticidas ou transmita doenças com mais eficiência”, afirma.  

“No entanto, por estar associada a ambientes urbanos e regiões quentes, como a Austrália e o Mediterrâneo, sua presença na Amazônia acende um alerta para possível ampliação da faixa de distribuição e da sazonalidade, especialmente durante a estação mais quente e seca do ano, já que esta é uma variedade mais resiliente a essas condições”, ressalta.

Os autores sugerem que a variedade pode ter chegado à região pelo porto de Santana, a apenas 9,5 km do local da coleta, um dos principais pontos de entrada de embarcações internacionais. Em 2019, o porto já havia sido a porta de entrada de outro mosquito, o Aedes albopictus, hoje amplamente disseminado em Macapá.

Para os cientistas, a presença da variedade evidencia a urgência de fortalecer a vigilância entomológica em portos, aeroportos e áreas estratégicas, com inspeções regulares e instalação de armadilhas. Saraiva lembra que o papel da população continua central no controle tanto da variante pálida quanto das formas clássicas. 

“A medida mais eficaz continua sendo a eliminação sistemática de água parada ao menos uma vez por semana, mantendo quintais sem lixo ou entulho e guardando objetos sob cobertura”, orienta. “A proteção individual também deve incluir telas em portas e janelas, o uso correto de repelentes e roupas de mangas compridas, quando possível”.

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Pesquisa com variantes do Aedes aegypti continua

Os próximos passos da pesquisa incluem ampliar a vigilância entomológica em Macapá e no porto de Santana com coletas trimestrais e análises genéticas para rastrear a origem da variedade e sua conectividade com outras regiões. “Precisamos compreender como essa população se integra à já existente e se apresenta riscos adicionais para o controle de arboviroses”, conclui Saraiva.

Após a conclusão do projeto que levou à descoberta, o pesquisador explica que a equipe pretende gerar novos dados para apoiar o modelamento da presença e da possível expansão de Aedes aegypti var. queenslandensis, estimando abundância, sazonalidade e a proporção entre a forma pálida e a típica. “Os próximos preveem vigilância entomológica contínua nos fragmentos florestais urbanos de Macapá e na área portuária de Santana, com coletas trimestrais”.

Os cientistas também planejam realizar análises genéticas. “Os resultados deverão orientar ajustes nas estratégias de vigilância e controle e serão comunicados periodicamente às autoridades sanitárias, condicionados ao suporte operacional e financeiro necessário para o projeto”, conclui.

Variedade pálida do mosquito Aedes aegypti (Aedes aegypti var. queenslandensis), vetor de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela (Foto: José Ferria Saraiva e colaboradores)
Variedade pálida do mosquito Aedes aegypti (Aedes aegypti var. queenslandensis), vetor de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Foto: José Ferria Saraiva e colaboradores

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Fundação Rede Amazônica promove terceira edição do Círio na Rede em Macapá

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Círio de Nazaré 2023 em Macapá, Amapá. Foto: Isadora Carneiro/Acervo g1 Amapá

O Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações de fé da Amazônia, acontece no próximo dia 12 de outubro, em Macapá, reunindo milhares de fiéis na tradicional procissão que celebra a devoção a Nossa Senhora de Nazaré. Neste ano, o evento ganha ainda mais significado com a realização do projeto Círio na Rede, promovido pela Fundação Rede Amazônica (FRAM).

Entre as ações de destaque está a campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis. Com o apoio direto da Diocese de Macapá, as doações poderão ser trocadas por itens promocionais da festividade, como brindes personalizados que levam a marca do Círio na Rede. A iniciativa busca fortalecer a solidariedade e transformar o gesto da doação em um momento de integração comunitária. Empresas e entidades locais também serão incentivadas a contribuir, o que deve ampliar o impacto da ação. No ano passado foram arrecadados três toneladas de alimentos, a expectativa para este são de quatro toneladas, beneficiando famílias em situação de vulnerabilidade.

Um ponto alto da 3ª edição do Círio na Rede é a garantia de inclusão e acessibilidade durante o festejo. Este ano, novamente será disponibilizado um espaço exclusivo para pessoas com deficiência (PCDs) na missa do Círio, realizada na Praça Santuário de Fátima. O ambiente contará com estrutura adaptada e equipe dedicada ao acolhimento, assegurando conforto, segurança e participação digna para todos.

“Mais do que infraestrutura, o Espaço PCD é um gesto de respeito: assegura que pessoas com deficiência vivam o Círio com conforto, autonomia e emoção. É o acesso digno à fé e à celebração, transformando inclusão em prática e pertencimento real”, explica o coordenador de projetos da fundação, Matheus Aquino.

Além dessas iniciativas, o projeto também prevê a distribuição gratuita de água ao longo do percurso da procissão, ações de coleta seletiva de resíduos, campanhas educativas em diferentes plataformas e a transmissão ao vivo do evento pelo Amazon Sat, G1 Amapá e Portal Amazônia, ampliando o alcance da celebração para todo o país e até mesmo para o público internacional.

Segundo a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, o Círio na Rede reafirma o compromisso institucional da FRAM com a valorização da fé, da cultura e da cidadania:

“O Círio na Rede é mais do que um projeto, é uma oportunidade de unir pessoas em torno da fé e da solidariedade. Para a FRAM, é motivo de orgulho apoiar uma manifestação tão significativa para nossa cultura e nossa identidade amazônica, fortalecendo também a cidadania e sustentabilidade por meio de ações sociais e ambientais”.

O projeto evidencia o papel do Círio de Nazaré em Macapá como um patrimônio vivo da região, capaz de unir fé, tradição e responsabilidade social em uma celebração que emociona e transforma vidas.

O Círio na Rede tem o apoio da Prefeitura de Macapá, Geap Saúde, Grupo Equatorial, tem o apoio institucional da Diocese de Macapá, Águas da Amazônia, Exército Brasileiro, Tratalyx e a realização da Fundação Rede Amazônica.

Sobre a Fundação Rede Amazônica

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica, comprometida com a integração e desenvolvimento da Amazônia, com a missão de capacitar pessoas, articular parcerias e contribuir para o desenvolvimento social, ambiental e científico-tecnológico da região.

Serviço

O quê: Círio na rede – Círio de Nazaré (em Macapá)
Quando: 12 de Outubro
Onde: Praça Santuário de Fátima – Macapá

Cadeia da borracha: o esforço silencioso que transforma o extrativismo do Acre

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

Na vastidão verde do Acre, onde o tempo dança ao compasso da floresta, mãos calejadas percorrem caminhos antigos, guiadas por memória e resistência. Entre seringueiras que sangram esperança, brota um dos insumos mais preciosos que cruzam fronteiras: a borracha amazônica.

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Impulsionada por políticas públicas, pela atuação da Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra) e por incentivos do setor privado, a matéria-prima extraída nas estradas de borracha da zona rural de Rodrigues Alves calça o mundo com dignidade e resiliência.

Uma das principais matérias-primas utilizadas pela marca francesa Veja é justamente essa borracha. As solas dos tênis levam de 20 a 40% de borracha originária da floresta, coletada por comunidades tradicionais que mantêm modos de vida sustentáveis.

O valor pago pelo quilo do CVP (borracha semiprocessada) é 3,5 vezes superior ao valor de mercado, com bônus de qualidade e de Serviços Socioambientais (PSES), o quilo chega a R$ 15. Além disso, como parte da certificação Fair for Life, cooperativas recebem um bônus adicional de R$ 0,60 por quilo para investir em projetos comunitários.

Com sede em Rodrigues Alves, a Coopercintra coordena essa engrenagem de saberes com 18 famílias que atuam na extração de látex nos municípios de Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Nessa rede já bem consolidada, que inclui ao menos 26 cooperativas, o produto é coletado nas comunidades, transportado pela Coopercintra à Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), e de lá segue para a empresa.

“Hoje a gente trabalha com 18 famílias de seringueiros em dois municípios, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul, em seis comunidades em que o produtor coleta nas suas áreas, traz para a cooperativa, a gente pesa, faz o pagamento e depois, quando a gente termina o período de safra, a gente transporta para Cooperacre, que encaminha para o destino final, ou seja, para que a Veja faça a produção dos tênis”, explica Queline Souza, diretora executiva da Coopercintra.

Em parceria com a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), a Coopercintra também realiza capacitações e monitoramento da qualidade da borracha, extraída em áreas remotas por trabalhadores que conhecem o tempo e os sinais da floresta como poucos.

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No compasso da floresta

Entre árvores e trilhas, o seringueiro Pedro Rodrigues de Souza, de 69 anos, desenha caminhos com sabedoria herdada. Aprendeu com o pai ainda menino e hoje, prestes a completar 70, percorre com familiaridade as estradas que levam até às suas 60 seringueiras. 

Seus passos são rápidos e certeiros, como se a mata falasse em silêncio com ele e vive em harmonia com o território que alimenta seu sustento e molda sua história.

Natural de Marechal Thaumaturgo, criou cinco filhos com os frutos que a floresta lhe ofereceu com generosidade. A extração ocorre durante o chamado verão amazônico, quando a seiva corre mais livre. Souza é um dos beneficiados pela compra da empresa na comunidade, um gesto que, para ele, revela o potencial transformador do extrativismo acreano.

“Aprendi a cortar seringa com meu pai. Na época eu era o filho mais novo e para onde ele ia, eu o acompanhava. Quando ele faleceu, fiquei sozinho e dei uma parada por alguns anos e voltei de novo em 2020 e hoje, mesmo aposentado, minha renda maior é da borracha”, conta.

SERINGUEIRO PEDRO REZENDO COLETA BORRACHA
Pedro Rezendo. Foto: Pedro Devani/Secom AC

Souza acredita no equilíbrio entre exploração sustentável e preservação como fórmula vital para que a floresta continue sendo fonte de vida e dignidade.

“No meu ponto de vista é importante porque a pessoas conseguem tirar coisas da florestas sem precisar derrubar, queimar e prova que a mata também pode ser uma renda e dá pra viver assim. Foi assim que consegui criar meus cinco filhos”, diz agradecido.

Leia também: Soldados da Borracha: mais de 60 mil são reconhecidos por trabalho na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial 

Tecnologia que escuta a floresta

Para atender às exigências da Veja, os extrativistas seguem critérios específicos de coleta, garantindo qualidade e rastreabilidade. É nesse momento que a atuação da Funtac se faz presente, oferecendo cursos e acompanhando os processos para que a borracha chegue ao mercado com excelência.

“Como aquela comunidade trabalha com o látex nativo para a venda dessa empresa, o produto não estava com a qualidade muito aceitável e eles procuraram a Funtac dizendo que queriam melhorar essa qualidade. Então, acertamos cursos de como coletar essa matéria-prima mais limpa, resultando em um produto mais limpo e de maior valor agregado”, explica Suelem Farias, diretora técnica da Funtac.

E para reforçar ainda mais essa cadeia sustentável, no fim de junho o governo do Acre protagonizou um feito histórico: o pagamento da subvenção do murmuru diretamente na conta dos extrativistas, algo aguardado há quase três décadas.

A nova metodologia, respaldada pela Lei Estadual nº 1.277/1999 e oficializada pelo Decreto nº 1.564/2024, foi implementada por determinação do governador Gladson Camelí, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri).

“Essa decisão me deixou muito feliz. Criamos a divisão do subsídio para atender exclusivamente os extrativistas assim que assumi a secretaria, porque antes ela era fundida a outras áreas”, explica o secretário de Agricultura, José Luis Tchê.

Antes, o pagamento enfrentava atrasos devido a erros cadastrais. Agora, a desburocratização e parceria com o Banco do Brasil garantiram agilidade e segurança.

“Por solicitação do governador, decidimos resolver de vez a vida dos nossos extrativistas. Fizemos parceria com o Banco do Brasil e já pagamos mais de 70 extrativistas diretamente na conta. O projeto-piloto funcionou e vamos seguir nesse formato”, garante Tchê.

*Com informações da Agência Acre

Maria-da-campina: a ave amazônica que desapareceu por mais de um século e foi redescoberta

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Foto: Héctor Bottai, CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

O desaparecimento e posterior redescoberta de espécies sempre despertam atenção no meio científico. No caso da Amazônia, onde a biodiversidade é vasta, histórias assim ganham contornos ainda mais surpreendentes.

Entre os exemplos está o de uma ave discreta, de porte reduzido e aparência modesta, conhecida popularmente como Maria-da-campina. A trajetória dessa espécie reúne mais de 160 anos de mistério até ser reencontrada em seu habitat natural.

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A Maria-da-campina (Hemitriccus inornatus) é um pássaro do gênero Emitricus, que passou despercebido por décadas. Sua história é marcada tanto pela coleta inicial feita em 1831 quanto pela redescoberta, apenas em 1993, por guias de observação de aves.

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Segundo o ornitólogo Mário Cohn-Haft, no canal Cantos da Amazônia, trata-se de um caso emblemático da ornitologia brasileira, que mostra como ambientes pouco estudados ainda podem guardar surpresas.

Primeira coleta no século XIX

O primeiro registro da Maria da Campina remonta a 1831, quando o naturalista austríaco Johann Natterer explorava o alto Rio Negro, no Amazonas. Em uma região de solos arenosos e vegetação típica de campina, ele coletou um exemplar do pequeno pássaro.

Esse material foi enviado a Viena (Áustria) e, cerca de 40 anos depois, descrito como uma nova espécie pelo curador da coleção. Recebeu o nome Inornatus, que significa “não ornamentado”.

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A nomenclatura refletia a ausência de cores marcantes, algo que contribuiu para a falta de interesse posterior pela espécie.

Durante mais de um século, o exemplar permaneceu praticamente esquecido, enquanto cientistas questionavam se não se tratava apenas de uma variação de outra ave já conhecida.

Redescoberta após 160 anos

A história do passarinho ganhou novos capítulos em 1993. Os ornitólogos Andrew Whittaker e Kevin Zimmer, durante atividades de observação em uma campina próxima a Manaus, ouviram um som peculiar.

Inicialmente, não atribuíram importância ao canto. Mas, após investigarem, encontraram um pequeno pássaro do gênero Emitricus. A análise confirmou que se tratava da espécie coletada por Natterer no século XIX.

A confirmação levou ao reencontro científico da Maria-da-campina, após um intervalo superior a 160 anos desde o primeiro registro.

O próprio Mário Cohn-Haft relata que levou um exemplar taxidermizado a Viena para comparações detalhadas, assegurando a identidade da espécie:

Características da Maria-da-campina

Descrita como uma ave de pequeno porte, possui plumagem verde-oliva escuro na parte superior e branco ligeiramente amarelado na parte inferior.

Seu canto é característico e diferenciado, lembrando um som agudo, cristalino e quase gaguejado, conforme descrito por Cohn-Haft. Apesar da singularidade, a ave se mantém discreta, habitando áreas de vegetação rala e árvores esguias, a aproximadamente cinco metros do solo.

O comportamento reservado dificulta a localização. Quando não está cantando, a chance de encontrá-la é mínima. Outro fator observado é que o playback, técnica utilizada para atrair aves por meio da reprodução de seus cantos, costuma silenciar em vez de estimular resposta desse pássaro.

Habitat e desafios de observação

A espécie está associada a áreas conhecidas como campinas, ambientes de mata rala que contrastam com a densa floresta amazônica.

Essas formações vegetais se assemelham a ilhas de vegetação baixa, espalhadas pelo coração da Amazônia. Justamente por estarem em áreas pouco valorizadas pela ciência no passado, acabaram recebendo menor atenção em estudos ornitológicos, o que contribuiu para o longo período de esquecimento da Maria da Campina.

Segundo Cohn-Haft, a ave só foi registrada novamente porque guias de observação prestaram atenção em detalhes do canto, até então ignorados em visitas anteriores.

Importância científica da redescoberta

O reencontro da Maria-da-campina estimulou novas pesquisas sobre os ambientes de campina e o conjunto de espécies endêmicas que habitam esses locais.

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Imagem colorida mostra Maria da Campina em um galho de árvore
Foto: Reprodução/ Youtube – Sons da Amazônia

Para os especialistas, o caso evidencia a necessidade de ampliar os estudos em diferentes tipos de vegetação da Amazônia. A aparente simplicidade desses ambientes pode esconder espécies únicas, como ocorreu com a Maria-da-campina.

A partir do interesse despertado por essa redescoberta, pesquisadores passaram a dedicar mais atenção às campinas, resultando em novas descobertas de aves e aprofundando o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica.

Pelé em Cuiabá: a passagem do Rei do Futebol pela capital mato-grossense

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Foto: Reprodução/Livro ‘Cuyabá, um Show de Bola’, de José Augusto Tenuta

Pelé é considerado o maior jogador de futebol de todos os tempos e marcou a história do esporte mundial. Em sua trajetória, o craque deixou memórias por onde passou, incluindo visitas a cidades brasileiras distantes dos grandes centros esportivos.

Cuiabá (MT) foi uma dessas cidades que receberam a presença do Rei do Futebol. Sua passagem pela capital mato-grossense ficou registrada na memória de torcedores, jornalistas e admiradores que acompanharam de perto os momentos em que Pelé esteve presente.

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A visita ocorreu em um período em que o futebol se expandia para diferentes regiões do país e buscava se consolidar também no Centro-Oeste. A presença de Pelé em Cuiabá reforçou esse movimento e atraiu olhares para a prática esportiva local.

Além da participação em eventos esportivos, Pelé também cumpriu compromissos institucionais e sociais. Sua ida á cidade foi cercada de homenagens e simbolizou um marco para a história do futebol em Mato Grosso.

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A chegada de Pelé a Cuiabá

O ídolo mundial esteve em Cuiabá em ocasiões que marcaram diferentes décadas, sempre recebendo grande atenção da população. O principal registro aconteceu em 1973, quando Pelé, ainda jogador do Santos Futebol Clube, participou de uma partida amistosa na cidade.

O jogo foi disputado no antigo Estádio Presidente Dutra, conhecido como Dutrinha. O espaço, que já era tradicional no futebol mato-grossense, viveu uma de suas maiores lotações. Milhares de torcedores se reuniram para ver de perto o camisa 10 da Seleção Brasileira.

Pelé chegou acompanhado de seus companheiros de equipe e mobilizou a imprensa local. O desembarque foi cercado por curiosos que queriam registrar fotos e autógrafos.

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O jogo histórico no Dutrinha

Pelé pousando para foto em jogo de Santos em Cuiabá, em 1965. Foto: Acervo de Glauco Marcello de Almeida

A partida em que Pelé atuou em Cuiabá reuniu o Santos, clube que dominava o futebol brasileiro na época, contra uma seleção local formada por jogadores de destaque do estado. O encontro despertou enorme expectativa entre torcedores que raramente tinham a chance de assistir a ídolos do futebol nacional em campo.

Durante o jogo, Pelé mostrou a mesma habilidade que o consagrou mundialmente. Mesmo sendo um amistoso, sua movimentação, dribles e passes chamaram a atenção. O Santos venceu a partida, mas o resultado ficou em segundo plano diante da oportunidade única de assistir ao Rei do Futebol de perto.

Relatos da época registram que os torcedores vibraram a cada toque de bola de Pelé. O estádio se tornou palco de uma celebração esportiva e a presença do craque em campo elevou o prestígio do futebol local.

A repercussão em Mato Grosso

A passagem de Pelé por Cuiabá também repercutiu de forma intensa na imprensa regional. Jornais locais noticiaram a visita com destaque, reforçando a importância do momento para o esporte do estado. Para muitos atletas mato-grossenses, a presença do craque serviu como inspiração para seguir carreira no futebol.

Além do aspecto esportivo, a visita de Pelé gerou visibilidade nacional para Cuiabá. A cidade, que ainda buscava consolidar-se como polo esportivo, ganhou espaço em veículos de comunicação de outros estados, o que fortaleceu a imagem do futebol mato-grossense.

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Foto mostra elenco do Santos que disputou jogo em Cuiabá. Foto: José Augusto Tenuta

Até hoje, o episódio é lembrado como um dos mais marcantes da história do estádio Dutrinha e do esporte em Mato Grosso.

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Pelé além das quatro linhas

Durante sua passagem por Cuiabá, Pelé também participou de compromissos fora do campo. O jogador foi recebido por autoridades locais e participou de eventos sociais que reforçaram seu papel como embaixador do futebol brasileiro.

A postura de Pelé, sempre atencioso com torcedores e admiradores, consolidou a imagem de um atleta acessível. Mesmo cercado por multidões, o craque dedicou tempo a autógrafos, cumprimentos e entrevistas, que ficaram registradas em fotos e arquivos da imprensa mato-grossense.

Essas interações ajudaram a fortalecer o vínculo entre o ídolo e a população cuiabana, que passou a ter o episódio como parte de sua memória cultural e esportiva.

Até os dias atuais, a memória da passagem de Pelé pela capital mato-grossense é lembrada em reportagens e registros históricos. O episódio reforça a dimensão do Rei do Futebol, cuja carreira ultrapassou fronteiras e levou emoção a diferentes partes do país.

Pedágio no Rio Madeira? Entenda o que está previsto na concessão do trecho entre Rondônia e Amazonas

Comboio de 30 barcaças navega o rio Madeira, em Porto Velho. Foto: Reprodução/Transportes Bertolini

Depois que o governo federal incluiu a Hidrovia do Rio Madeira no programa de concessões, surgiram muitas dúvidas sobre a possível cobrança de tarifas para navegação no trecho entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM). Afinal, será cobrado pedágio para poder navegar pelo rio?

Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), a empresa que vencer o leilão da concessão e assumir a operação e manutenção da hidrovia poderá sim cobrar tarifas das embarcações comerciais que transportam cargas.

Mas essa cobrança só vai acontecer conforme as melhorias forem sendo entregues pela concessionária, e não são todos que vão precisar pagar.

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A proposta de concessão já foi aprovada pela Antaq e está em análise pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O próximo passo será uma audiência pública, aberta à população, para discutir o projeto, esclarecer dúvidas e receber sugestões. Ainda não há data definida para esse encontro.

O Grupo Rede Amazônica conversou com a Antaq para entender o que vai acontecer no trecho, como será feita essa cobrança e quem poderá ficar isento. Entenda os principais pontos:

Quanto custará o pedágio?

A empresa que vencer o leilão da concessão poderá cobrar uma tarifa inicial de R$ 0,80 por tonelada de carga transportada. Esse valor está previsto na proposta como referência, mas durante o leilão vence quem oferecer o menor preço, ou seja, o valor final pode ser mais barato que R$ 0,80.

A cobrança será feita de forma gradual, conforme as melhorias forem sendo entregues pela concessionária, por exemplo:

  • Até o 2º ano de contrato a empresa poderá cobrar até 70% da tarifa.
  • Até o 5º ano, poderá cobrar 100% do valor, desde que todas as obras estejam concluídas.

Se a empresa entregar todas as melhorias antes do prazo, poderá antecipar a cobrança total. Esse modelo é chamado de “degrau tarifário” e tem como objetivo garantir que os usuários só paguem o valor cheio quando os serviços estiverem funcionando plenamente.

rio madeira em porto velho
Foto: Leandro Morais/Secom RO

O que a empresa precisa fazer antes de cobrar?

A concessionária que vencer o leilão terá que cumprir uma série de exigências. Primeiro, será necessário conseguir licenças ambientais para operar na região e colocar em funcionamento equipamentos de dragagem para limpar e aprofundar o leito do rio para melhorar a navegação.

Além disso, a empresa deverá instalar sistemas de monitoramento do clima e do rio, realizar obras de manutenção ao longo da hidrovia e colocar sinalização adequada para controlar o tráfego das embarcações.

Entre o 3º e o 4º ano, também será necessário fazer obras mais complexas, como a retirada de pedras do fundo do rio (derrocamento). Tudo isso precisa estar em andamento ou concluído antes que a cobrança total da tarifa seja autorizada.

Quem não vai pagar tarifa?

Nem todas as embarcações que circulam pela hidrovia do Rio Madeira terão que pagar o pedágio, como o caso dos chamados barcos mistos, que transportam tanto passageiros quanto cargas.

Além deles, pequenas embarcações que não têm finalidade comercial também não precisarão pagar. Isso inclui, por exemplo, lanchas e canoas usadas para passeios e deslocamento de ribeirinhos.

A tarifa muda conforme o tipo de carga?

De acordo com a Antaq, por enquanto, a tarifa não muda. Mas o contrato permite que a empresa peça autorização para cobrar valores diferentes, dependendo do tipo de carga ou cliente. Isso só pode acontecer com aprovação da agência e seguindo regras justas.

Onde ficarão os pontos de pedágio?

Não haverá pedágios físicos. A cobrança será digital, com controle do tráfego e identificação das embarcações. Esse sistema é chamado de “Free Flow”.

Leia também: Portal Amazônia responde: por que o rio Madeira tem este nome?

Quais são os próximos passos?

Ainda não há datas definidas para os próximos passos do processo de concessão. A audiência pública, que será aberta à população para discutir o projeto e esclarecer dúvidas, ainda está em fase de preparação.

Também não há previsão para a análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que precisa avaliar os estudos técnicos e jurídicos envolvidos. A publicação do edital e o leilão da concessão — que vai definir qual empresa será responsável pela operação e manutenção da hidrovia — também seguem sem data marcada.

Se todas as etapas forem aprovadas, será realizada uma consulta pública e, em seguida, o leilão para escolher oficialmente a concessionária que vai assumir a hidrovia do rio Madeira.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Com Sistema Elétrico Nacional, Roraima se torna polo estratégico de energia e abre espaço para novos investimentos

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Fornecimento estável de energia reduz custos e impulsiona oportunidades em setores como saúde, turismo e tecnologia em Roraima. Foto: Divulgação/MIDR

Com a energização do Linhão Manaus–Boa Vista, Roraima passa a integrar o Sistema Interligado Nacional (SIN) e se projeta como novo polo estratégico de energia, além de atrair investimentos em setores como irrigação, datacenters, agroindústrias, saúde, hotelaria e turismo.

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A integração elétrica de Roraima se concretiza com financiamentos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) serão investidos um total de R$ 2,5 bilhões na linha de transmissão. O valor total do projeto é de R$ 3,3 bilhões, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).

Com Sistema Elétrico Nacional, Roraima se torna polo estratégico de energia
Roraima se torna polo estratégico de energia. Foto: Divulgação

No dia 21 de setembro, Roraima exportou 27 MegaWatts (MW) para o SIN, indicando que a geração de energia do estado já superou a demanda local. Para o secretário Extraordinário de Atração de Investimentos do Governo do Estado de Roraima, Aluízio Nascimento da Silva, esse é apenas o começo de um movimento maior.

“O grande negócio do linhão não é só Roraima estar no sistema nacional, mas criar condições para atrair investimentos e, no futuro, disponibilizar energia ao SIN. Queremos transformar essa capacidade em uma regra e fazer dela o grande negócio do estado”, afirmou Nascimento.

A linha em circuito duplo de 500 kV liga as subestações Lechuga, Equador e Boa Vista, e vai operar inicialmente com cerca de 55% da carga, enquanto o restante continuará sendo suprido pelas usinas locais até o fim dos contratos vigentes. Além de ampliar a matriz, o acesso ao SIN garante acesso ao mercado livre de energia e cria condições para atender futuras indústrias, projetos de irrigação e o agronegócio, setor que vem crescendo de forma acelerada nos últimos anos em Roraima.

O secretário extraordinário de Atração de Investimentos, destaca que esse novo cenário já desperta o interesse de segmentos estratégicos.

“Um setor que me deixa muito animado é o de data centers. Já estamos recebendo propostas nesse sentido, assim como de agroindústrias finalísticas, como frigoríficos de frango, visando o consumo local e do Amazonas, que juntos somam quase 5 milhões de consumidores, mas também para atender a vizinhos como Venezuela, Colômbia, Guiana e até os países do Caribe, um mercado de mais de 60 milhões de pessoas. Tudo isso só é possível com energia de confiança”, ressaltou Nascimento.

No dia 21 de setembro, Roraima exportou 27 MegaWatts (MW) para o SIN. Foto: Divulgação

A localização estratégica de Roraima pode ser aproveitada também no campo da conectividade. “A Guiana já recebe quatro cabos de fibra ótica internacionais, com backbones em Georgetown. Como nossa rede já chega à divisa, podemos trazer essa estrutura e gerar redundância para todo o Norte do Brasil”, completou.

Além do potencial energético, Roraima intensifica a atração de investimentos por meio do programa Roraima Day, lançado em 2019. Segundo Nascimento, a iniciativa tem como objetivo “vender” o estado para investidores, abordando temas como energia, regularização fundiária e meio ambiente. Desde seu lançamento, o programa já percorreu nove estados e recebeu centenas de empresas em eventos como os de São Paulo (110 empresas) e Curitiba (163 empresas). O segundo ocorreu nesta segunda-feira (22), e já trouxe resultados. “Tenho 34 visitas marcadas in loco de pessoas que estavam em Curitiba”, destacou o secretário.

Início da energização do Linhão Manaus-Boa Vista

O estado de Roraima foi incluído ao Sistema Interligado Nacional (SIN) no dia 10 de setembro deste ano. A operação de início da energização do Linhão Manaus-Boa Vista foi conduzida a partir da sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em Brasília, com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do MIDR, Waldez Góes.

O ministro ressaltou que a iniciativa representa um marco histórico para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. “O presidente Lula segue firme garantindo à Amazônia aquilo que é condicionante para o processo de desenvolvimento e agregar valor às nossas vocações produtivas, que é inovação, tecnologia, infraestrutura, energia de qualidade e logística”, observou.

Impactos ambientais e fiscais

Estado de Roraima. Foto: Richard Messias/PMBV

De acordo com o gerente de Energia da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Roberto Wagner Lima, até 2026 o linhão de Tucuruí deve atender cerca de 70% da demanda energética de Roraima. A substituição das usinas termelétricas a óleo diesel pode gerar uma redução anual de mais de R$ 500 milhões na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) — subsídio pago por todos os brasileiros para bancar a geração de energia em áreas isoladas.

Em 2023, a CCC custou R$ 13 bilhões ao país, sendo Roraima um dos estados que mais pressionava esse gasto. Segundo Lima, essa conta representa hoje entre 4% e 4,5% do valor final da tarifa de energia elétrica. “O Linhão, além de garantir segurança energética para Roraima, vai aliviar o bolso de todos os consumidores do país, reduzindo a necessidade desse subsídio aos combustíveis fósseis”, ressaltou. 

Fonte: Brasil 61

Amazonas registra menor número de focos de calor para setembro desde 2002

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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

O Amazonas registrou uma redução de 86,31% dos focos de calor em setembro, comparado com o mesmo período de 2024. Com menos de mil focos, o estado registrou o menor número de notificações em 23 anos. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), monitorados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

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Em setembro de 2025, foram identificados 942 focos de calor no Amazonas, contra 6.879 focos notificados no mesmo período de 2024. Este foi o menor número de focos de calor registrados em setembro desde 2002, quando iniciou-se o monitoramento com o atual satélite de referência do Inpe, sendo a primeira vez que o total mensal fica abaixo de mil registros.

“Em 23 anos de monitoramento, é a primeira vez que alcançamos esse resultado, que é fruto da intensificação das ações de fiscalização e da presença constante das equipes do Governo do Amazonas em campo, somados ao impacto das chuvas, que também tiveram um papel relevante nas áreas que historicamente mais queimam”, disse o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira.

Leia também: Amazonas tem queda de 93,4% nos registros de focos de calor em julho de 2025

floresta sem focos de calor ou queimadas no amazonas
Foto: Divulgação/Sema AM

Amazonas no ranking nacional

Com o resultado, o Amazonas ficou em 5º lugar no ranking de focos de calor, entre os estados da Amazônia Legal. Do total de registros, as áreas de gestão direta do Estado acumularam 144 focos – 15,27% do total. Os demais ocorreram em áreas federais e vazios cartográficos.

“O Governo do Amazonas vem atuando de forma firme, com planejamento e presença efetiva. O Ipaam intensificou a fiscalização e o monitoramento das áreas críticas, em parceria com a Sema. E o combate direto às queimadas está sob a responsabilidade do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, que atua com apoio da Defesa Civil e das prefeituras. Esse é um esforço conjunto e contínuo para proteger nossas florestas, nossa biodiversidade e a vida da população”, afirmou o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço.

Análise anual

Conforme dados analisados pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente, a redução também foi significativa no acumulado do ano. De 1º de janeiro a 30 de setembro de 2025 foram identificados 3.282 focos de calor no Amazonas – 18.832 a menos que no mesmo período em 2024, quando 22.114 focos foram registrados.

No ranking geral anual, o estado também ficou na 5ª posição, em comparação com os demais estados da Amazônia Legal. Do total de focos para o período, apenas 13,34% ocorreram em áreas estaduais, como glebas e Unidades de Conservação (438 focos).

*Com informações da Agência Amazonas