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Árvores grandes consomem e armazenam mais carbono, aponta estudo

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Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá. Foto: Léo Ramos Chaves /Revista Pesquisa FAPESP

Há muito se ouve falar sobre a iminência de a Amazônia atingir o ponto de não retorno e tornar-se degradada. Nos últimos anos as notícias foram ficando cada vez piores, diminuindo a capacidade da floresta de captar carbono. Agora, chega uma boa notícia: as árvores estão se tornando maiores por toda a região, possivelmente em consequência do aumento do teor de gás carbônico (CO₂) na atmosfera, segundo artigo publicado no final de setembro na revista científica Nature Plants. O aumento foi mais evidente nas árvores maiores.

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Os dados mostraram que o tamanho médio das árvores amazônicas cresceu 3,3%, por década, nos últimos 30 anos, enquanto o tamanho máximo aumentou 5,8%. Isso indica que as árvores maiores conseguiram se beneficiar mais do acréscimo de carbono ao ar, embora toda a floresta tenha aumentado, de modo geral. Por toda a bacia amazônica, a proporção de troncos com diâmetro maior de 40 centímetros (cm) aumentou.

“Usamos inventários florestais que integram uma rede chamada RAINFoR, nos quais os pesquisadores medem a floresta em cada um desses locais ao longo de muito tempo”, explica a ecóloga brasileira Adriane Esquivel-Muelbert, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, primeira autora do artigo.

Nos nove países amazônicos, integrantes da rede vão periodicamente a campo e medem as mesmas árvores, identificando quais sobreviveram.

A medida usada é o que os especialistas chamam de área basal, que quantifica quanto espaço o tronco ocupa se a árvore fosse cortada a uma distância de 1,3 metro (m) acima do chão. “Se há alguma deformidade no tronco, medimos mais acima”, relata Esquivel-Muelbert. “Para garantir que a medição seja feita sempre no mesmo lugar, pintamos uma marca no tronco”.

Assim é possível, ano após ano, avaliar mudanças. O que transparece disso é que as árvores com mais de 40 cm de diâmetro são cada vez mais numerosas e maiores, mas o aumento das árvores com tronco entre 10 cm e 20 cm não é tão perceptível. “O ideal seria termos a biomassa de cada árvore, mas não conseguimos ter precisão suficiente na estimativa da altura para acompanhar o crescimento”, afirma.

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O artigo interpreta a observação como um sinal de resiliência da floresta, que assim se afirmaria como um estoque de carbono. O bônus é retirar o CO₂ da atmosfera, mas essa função de sumidouro não basta para amenizar os danos causados pela emissão desenfreada pelo mundo afora.

O resultado é surpreendente porque estudos recentes indicam que a Amazônia estaria se tornando mais fonte do que captadora de carbono (ver Pesquisa FAPESP nº 321). “Esses estudos são feitos em uma escala diferente e olham para vários tipos de floresta ao mesmo tempo, inclusive áreas desmatadas”, diz a ecóloga. “Nós olhamos só para a floresta madura, e isso faz muita diferença”.

Ou seja, não há contraposição, porque os objetivos de estudo são distintos. As áreas desmatadas de fato são fonte de carbono, e o problema é elas predominarem sobre as de floresta madura.

“A capacidade de sumidouro das florestas maduras está diminuindo, existe uma previsão de que esse efeito pare de existir em 2030”, diz Esquivel-Muelbert.

Para reverter isso, é preciso garantir a permanência dessas florestas, além de reduzir a emissão de combustíveis fósseis.

árvores gigantes são encontradas no amapá
Árvore gigante na Amazônia. Foto: Rafael Aleixo/GEA

Mostrar que as árvores maiores, muito longevas, estão resistindo às mudanças climáticas pode ser um bom sinal, caso elas sejam mais resilientes do que se calculou até agora. Experimentos florestais que simulam uma seca extrema mostraram, anteriormente, que as árvores muito grandes podem morrer subitamente em situações de seca, por uma falha hidráulica no transporte de água das raízes às folhas (ver Pesquisa FAPESP nº 238). As secas estão, justamente, cada vez mais acentuadas e frequentes no contexto atual de mu­dança do clima.

A diferença das árvores gigantes

Mas isso não é o que se vê na realidade, de acordo com o biólogo brasileiro Paulo Bittencourt, pesquisador na Universidade de Cardiff, no Reino Unido. “Aparentemente as árvores grandes não são mais limitadas por seca do que as pequenas, nas áreas onde vivem”, afirma ele, que estuda árvores gigantes na Amazônia brasileira (ver Pesquisa FAPESP nº 336) e na Malásia.

“O monitoramento na Malásia tem mostrado que elas estão muito bem depois de uma forte seca e que se aclimataram mudando atributos da madeira”. Dados preliminares com o angelim-vermelho (Dinizia excelsa), no Amapá, mostram a mesma coisa.

Entender como árvores que podem passar dos 40 m de altura resolvem o desafio de engenharia hidráulica é uma questão ainda em aberto, mas Bittencourt tem avançado nessa investigação. Sobressair-se acima do dossel da floresta também é um risco no que diz respeito a atrair raios durante tempestades e a rachar por causa de rajadas de vento, riscos que parecem ter um papel mais preponderante.

“Continuamos a tentar entender as árvores gigantes”, diz a pesquisadora de Cambridge. “Como elas são raras na paisagem, é difícil entender o que causa a mortalidade”.

Bittencourt acrescenta que é preciso repensar os estudos: “Muitos inventários se baseiam em parcelas de 1 hectare (ha), nas quais não há mais do que 10 árvores grandes”, explica. “Se uma cai, o efeito na biomassa da parcela é muito grande”.

A fatia de 1% das árvores que representam as maiores da floresta acumula cerca de 50% da biomassa vegetal. Esquivel-Muelbert tem trabalhado com parcelas de 1.500 ha, justamente em busca de sanar essa limitação.

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Para o biólogo Rafael Oliveira, que participou do experimento de seca “Esecaflor” e do estudo liderado por Bittencourt com árvores gigantes do Amapá, o estudo de Esquivel-Muelbert pode sugerir uma mudança no olhar sobre o papel da Amazônia no ciclo do carbono.

“Quem estuda vegetação sabe que ela tem mecanismos de resistência a diversos fatores estressantes”, afirma. O cenário de colapso que domina as projeções vem, segundo ele, de modelos climatológicos que não levam em conta a fisiologia das árvores e de uma amostragem ampla da paisagem.

“Precisamos de mais estudos na escala local, para monitorar o que a vegetação está fazendo”.

Esquivel-Muelbert ressalta a necessidade de investimento de longo prazo, por vários países, nesse tipo de estudo. “Só vamos entender a dinâmica da floresta se continuarmos a fazer inventários detalhados”, avisa a pesquisadora, que considera os dados de longo prazo uma infraestrutura científica importante.

Ela ressalta também que experimentos são muito importantes para entender os mecanismos. Um deles é o AmazonFACE, que despejará CO₂ em trechos da floresta amazônica para medir a reação da vegetação. “Será que elas investem mais em frutos ou em crescimento?”, exemplifica a ecóloga. O primeiro pulso de emissão do gás, conta Bittencourt, deve acontecer em breve, com intenção de começar de fato o experimento no início de 2026.

“Talvez as árvores aumentem sua biomassa, talvez fiquem mais resistentes à seca por transpirarem menos, talvez já tenham atingido seu limite de aclimatação e não mudem nada”, propõe. Segundo ele, o mais empolgante do artigo da colega de Cambridge é que a observação na escala da bacia amazônica se encaixa perfeitamente nas percepções mais atuais.

A reportagem acima foi publicada com o título “Devoradoras de carbono” na edição impressa nº 357, de novembro de 2025.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Maria Guimarães

Exposição virtual ‘Ciência na Amazônia’ é lançada pelo Centro de Memória FAPESP

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Imagem: Reprodução/Site oficial

A Amazônia é alvo de interesse científico desde o início do século 19, quando o naturalista alemão Alexander von Humboldt descreveu as paisagens e espécies das “regiões equinociais da América”. Desde essa época, pesquisadores do país e do exterior fizeram avançar o conhecimento sobre os ecossistemas, a biodiversidade, as populações locais e as relações natureza-sociedade na região que será um dos pontos centrais da agenda de debates da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), entre 10 e 21 de novembro em Belém.

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A FAPESP apoia pesquisas na Amazônia desde 1962, quando financiou uma das primeiras expedições de Paulo Vanzolini à região. Ao longo de seis décadas, mais de 3 mil pesquisadores embrenharam-se na floresta, desvendando sua biodiversidade, seu papel na provisão de produtos e serviços ambientais, no ciclo do carbono e na regulação do clima – uma região que ao mesmo tempo abriga mais de 30 milhões de brasileiros.

Boa parte desse trabalho de pesquisa está documentada na exposição virtual Ciência na Amazônia: história, desafios e descobertas, inaugurara pelo Centro de Memória FAPESP no dia 6 de novembro, quando tem início a Cúpula do Clima de Belém, que reúne chefes de Estado e de Governo, ministros e dirigentes de organizações internacionais para discutir os principais desafios e compromissos para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Paulo Vanzolini e a zoologia na Amazônia

A exposição Ciência na Amazônia está dividida em três capítulos. O primeiro documenta os resultados do projeto Expedição Permanente à Amazônia (EPA), liderado por Vanzolini. Com apoio da FAPESP, além de descrever várias novas espécies, Vanzolini contribuiu para a formulação da Teoria dos Refúgios.

Frequentemente, Vanzolini convidava artistas para participar da viagem, entre eles, José Cláudio da Silva, que retratou a flora e fauna numa coleção de cem óleos sobre tela que hoje integra o acervo do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. A exposição dá acesso a documentos, fotos e imagens das expedições de Vanzolini, às obras de José Cláudio da Silva e traz entrevistas com o zoólogo Miguel Trefaut Rodrigues sobre a Teoria dos Refúgios.

Trefaut dirigiu o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (1997-2001) e trabalha em pesquisas na Amazônia desde 1978. Realizou expedições à região por mais de 40 anos, também com o apoio da FAPESP, várias delas documentadas na exposição.

A primeira parte traz ainda entrevista com Naercio Menezes, especializado em ictiologia. Ele foi estagiário no Museu de Zoologia sob a orientação de Vanzolini e participou das primeiras pesquisas de campo, nos anos 1960.

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Amazônia: pesquisa acima do dossel da floresta

O segundo capítulo tem foco nas pesquisas acima do dossel das árvores, que buscam entender o papel da floresta no equilíbrio climático e os riscos que o desmatamento e emissões de dióxido de carbono (CO2) trazem para a vida no planeta.

Carlos Nobre, catedrático do Instituto de Estudos Avançados da USP e copresidente do Painel Científico para a Amazônia, conta, em entrevista, a criação, em 1996, e os resultados do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que envolveu pesquisadores brasileiros, norte-americanos e de cinco países europeus. O objetivo foi estudar em profundidade o funcionamento e a interação de todos os componentes do ecossistema amazônico – atmosfera, solos, rios, flora, fauna e seres humanos.

A geofísica Maria Assunção Faus da Silva Dias, pesquisadora da USP, que coordenou o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), descreve em entrevista – e mostra em fotos – o ambiente e os desafios de campanhas de medições intensivas do programa LBA no Pará e em Rondônia.

Exposição virtual 'Ciência na Amazônia' é lançada pelo Centro de Memória FAPESP
Imagem: Reprodução/Site oficial

No mesmo capítulo, Paulo Artaxo, professor titular do Instituto de Física da USP e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), lembra da campanha GOAmazon (Green Ocean Amazon), em 2013, dos primeiros Projetos Temáticos da FAPESP de pesquisa na região, do desafio de reduzir emissões de gases de efeito estufa e da urgência de se adotar uma economia de baixo carbono para estabilizar a mudança climática.

David Lapola, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), detalha o experimento AmazonFACE, que investiga como o aumento de CO2 atmosférico afeta a floresta amazônica, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos que ela fornece à humanidade. O experimento tem apoio do Reino Unido, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da FAPESP.

Os impactos do desmatamento e da mudança do clima são analisados por Thelma Krug, líder do Conselho Científico da COP30, e as estratégias de fomento da FAPESP para a pesquisa na região são descritas por Marcio de Castro, diretor científico da Fundação.

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A transformação da floresta

O terceiro capítulo homenageia o trabalho de pesquisadores pioneiros, como Luiz Hildebrando (1928-2014), Erney Camargo (1935-2023), Bertha Becker (1930-2013) e Warwick Kerr (1922-2018), que abriram caminho para o avanço do conhecimento e para a implementação de políticas públicas na região, e se dedica às pesquisas mais recentes, realizadas abaixo do dossel da floresta.

Eduardo Neves, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, explica como a ciência e as novas tecnologias – como o LiDAR (Light Detection and Ranging) – lançaram luz no protagonismo dos povos da floresta, que, ao longo de milênios, criaram a Amazônia que conhecemos atualmente.

O terceiro capítulo também trata do avanço das pesquisas na área de geologia na Amazônia que, há 20 anos, tinham foco na exploração econômica, com perfurações de solo em busca de jazidas de gás e petróleo, na busca de reservas minerais e no potencial hidrelétrico dos rios e que, mais recentemente, passaram a investigar a própria formação de solos, rochas e rios da Amazônia e sua interação com o meio aéreo e os seres vivos sob o ponto de vista ecológico.

Quem fala sobre essa mudança é André Sawakuchi, professor do Instituto de Geociências da USP, que trabalha no Projeto de Perfuração Transamazônica (TADP, sigla para Trans-Amazon Drilling Project), um Temático da FAPESP que tem como objetivo compreender como a formação geológica da Amazônia contribuiu para que ela se tornasse o local com a maior biodiversidade do mundo.

Carlos Américo Pacheco, que foi diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, fala sobre a Amazônia +10 – uma iniciativa proposta pela FAPESP e encampada pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que apoia projetos de pesquisa em colaboração, voltados à conservação da biodiversidade e adaptação às mudanças climáticas, à proteção de populações e comunidades tradicionais, aos desafios urbanos e à bioeconomia como política de desenvolvimento econômico para a região.

Em 2021, durante a COP26 de Glasgow, a FAPESP anunciou a criação de um consórcio envolvendo o Estado de São Paulo e os nove estados da Amazônia Legal (por isso, Amazônia+10) para a realização de pesquisas científicas na região. Diante do sucesso, o programa foi assumido pelo Confap e hoje conta com a participação das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 25 unidades da Federação.

O terceiro capítulo trata, ainda, da inclusão econômica dos povos da floresta e da complementaridade entre saberes. A antropóloga Manoela Carneiro da Cunha, em entrevista, alerta que a visão da ciência sobre a realidade da Amazônia não pode prescindir do ponto de vista da população que nela vive, diálogo necessário que traz novos e importantes desafios para o campo da pesquisa.

A exposição se encerra com as expectativas de Krug e Nobre (leia entrevista nesta edição de Agência FAPESP) sobre a COP30, de que os debates avancem das negociações formais para ações efetivas, com protagonismo dos países em desenvolvimento.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Claudia Izique

Quem foi Dandãezinho? Saiba quem é o homenageado no parque que sedia a Expoferr Show em Roraima

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Parque de Exposições Dandãezinho. Foto: Reprodução/Secom RR

O Parque de Exposições Dandãezinho sedia grandes eventos em Roraima, como a 44ª edição da Expo-Feira Agropecuária de Roraima, a Expoferr Show. Localizado na região de Monte Cristo, no sentido Norte da BR-174, área rural de Boa Vista, o espaço sedia há mais de 30 anos a principal feira agropecuária do estado roraimense.

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O nome do parque é uma homenagem à João Alves dos Reis, conhecido popularmente como Dandãezinho, um dos fazendeiros de maior destaque de Roraima que também está entre os pioneiros do desenvolvimento agropecuário do estado.

Mas quem foi Dandãezinho? Porque recebeu esse apelido? Baseado em registros históricos disponíveis na internet, o Portal Amazônia conta a história desse personagem que consolidou seu nome no maior evento do agronegócio roraimense.

Quem foi Dandãezinho?

Nascido no interior de Roraima, João Alves dos Reis (1907-1992) foi um dos maiores criadores de cavalo de Roraima. Apesar de ser filho de pais cearenses, João foi criado pelo tio, o fazendeiro João Evangelista de Pinho, o “Velho Dandãe”, que era uma das figuras mais respeitadas do estado.

Velho Dandãe cedeu o apelido ao sobrinho, que ficou conhecido como Dandãezinho
Velho Dandãe ao lado do filho Ubirajara Pinho. Foto: Facebook-Boa Vista de Antigamente

Ao lado do tio, João percorria diversas fazendas do “Velho Dandãe” espalhadas no interior do estado. Sua companhia acabou gerando um apelido de família, Dandãezinho, batizado pelo próprio Evangelista. Agora batizado, o sobrinho não só herdou o apelido do tio como também seguiu os seus passos: tornou-se dono de várias propriedades e chegou a administrar, segundo relatos, cerca de 10 mil cabeças de gado e dezenas de cavalos.

A exemplo do tio, Dandãezinho se tornou uma referência do agronegócio em Roraima e também uma das pessoas mais influentes da região, onde apoiou campanhas políticas de personalidades e teve papel fundamental na defesa da população roraimense.

Dandãezinho faleceu em 30 de outubro de 1992 e, após a morte, o Governo de Roraima o homenageou batizando o Parque de Exposições Dandãezinho com seu apelido. Um gesto de reconhecimento em prol da sua atuação no cenário agropecuário do estado.

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Complexo multiuso

Com uma área de aproximadamente 240 mil m², o Parque de Exposições Dandãezinho é um complexo multiuso projetado para grandes eventos, principalmente a Expoferr Show. Suas instalações conta com palcos para shows, arenas para rodeio, parque de diversões, espaços para estandes e até auditório, onde suporta públicos que ultrapassam 70 mil pessoas.

O parque moderno sedia, há mais de 30 anos, a maior feira agropecuária de Roraima, que a cada ano vem crescendo em números e importância para o setor do agronegócio da região Norte.

Expoferr
O Parque de Exposições Dandãezinho sedia diversos eventos em Roraima e, entre eles, há 30 anos, recebe a Expoferr Show. Foto: Reprodução/Secom RR

Taironas: um dos povos indígenas mais avançados da América pré-colombiana

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Foto: Dwayne Reilander/Wikimedia Commons

Os taironas foram um conjunto de sociedades pré-colombianas que se desenvolveram nas encostas e planícies da Sierra Nevada de Santa Marta, no atual território da Colômbia, entre os departamentos de Magdalena, Cesar e La Guajira. A ocupação da região por populações sedentárias ou semissedentárias remonta a milênios, mas a formação cultural conhecida como “Tairona” apresenta evidências arqueológicas consistentes a partir do primeiro milênio e maior densidade populacional entre os séculos VIII e XVI depois de Cristo.

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As primeiras referências escritas sobre os indígenas taironas surgiram nos relatos coloniais do início do século XVI d.C., mas as evidências arqueológicas mostram ocupações sistemáticas em áreas costeiras e, posteriormente, em povoados montanhosos.

As populações taironas se organizaram em dezenas, possivelmente centenas de assentamentos, que iam desde a zona costeira até altitudes superiores a 1.200 metros. A redescoberta arqueológica de sítios como Pueblito e Teyuna, no século XX, reforçou a importância histórica dessa civilização.

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Os vestígios mais conhecidos atribuídos aos taironas incluem centros com arquitetura de pedra, terraços agrícolas e sistemas hidráulicos. Entre os sítios arqueológicos destacados está a chamada Ciudad Perdida (Teyuna, também conhecida como Buritaca-200), descoberta por moradores locais na década de 1970.

A cidade é datada aproximadamente entre os séculos VIII e XVI e é considerada mais antiga que Machu Picchu. Outras localidades costeiras e enseadas com ocupação prolongada, como Chengue, Neguanje e Buritaca, também concentram importantes achados cerâmicos e de metalurgia.

Cultura material: cerâmica, ouro e arquitetura

Foto: Rolf Müller/ Wikimedia Commons

A produção material tairona é marcada por cerâmica, complexos trabalhos em pedra e notável ourivesaria. Os artesãos trabalharam ligas de ouro e cobre (tumbaga) e produziram pendentes, máscaras e adornos corporais com a técnica da “cera perdida”.

O tratamento de superfície destacava o dourado do metal, conferindo grande valor simbólico e social aos objetos. As cronologias cerâmicas e metálicas mostram fases que vão de períodos anteriores a 200 a.C. até o final da presença pré-hispânica, com intensificação entre 900 e 1600 d.C.

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Organização social e modos de vida

Fontes arqueológicas e registros coloniais indicam que os taironas viviam em redes de povoados e chefias, com forte integração econômica regional. A ocupação incluía agricultura em terraços, cultivando milho, mandioca e outros produtos, além do manejo de recursos costeiros e rotas de trocas. O contato com os espanhóis no século XVI foi marcado por conflitos, levando parte da população a se refugiar em áreas mais altas da Sierra Nevada e ao abandono de muitos centros.

Descendentes e presença atual

Os povos que hoje habitam a Sierra Nevada de Santa Marta — Kogi, Arhuaco (Iku), Wiwa e Kankuamo — são considerados descendentes diretos das sociedades taironas. Essas comunidades vivem em territórios tradicionais, falam línguas do tronco chibcha e preservam práticas rituais, agrícolas e cosmologias próprias.

Foto de indígenas do povo Arhuaco (Iku) tirada em 2017. Foto: Kelly Tatiana Paloma/ Wikimedia Commons

Muitos sítios arqueológicos são vistos como sagrados, e há esforços conjuntos para preservar tanto o patrimônio cultural quanto o equilíbrio ambiental da região.

Costumes e aspectos rituais conhecidos

Estudos indicam que a vida tairona combinava práticas agrícolas, rituais ligados à natureza e produção de bens cerimoniais. A ourivesaria, os adornos corporais e representações simbólicas revelam papéis sociais diferenciados, com destaque para líderes rituais ou xamânicos.

As populações atuais herdeiras dessa tradição mantêm cosmologias que valorizam a proteção do território, os ritos de cuidado ambiental e a visão integradora entre humanos, montanha e mar.

Situação de preservação e arqueologia contemporânea

Desde a redescoberta de importantes sítios, foram criados parques nacionais e projetos de conservação. Ao mesmo tempo, problemas como o saque de peças, pressões econômicas e mudanças ambientais ameaçam a preservação do patrimônio. Pesquisas científicas e iniciativas de turismo controlado buscam conciliar proteção cultural e natural, além de respeitar os direitos dos povos descendentes.

12 curiosidades sobre a Expoferr Show 2025, a maior feira de agronegócios do Norte

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A Expoferr Show 2025, realizada entre os dias 4 e 8 de novembro, chegou em sua 44ª edição com a promessa de ser a mais inovadora e tecnológica já realizada. A maior feira de agronegócios da Região Norte, promovida pelo Governo de Roraima, por meio da Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação) e da Secult (Secretaria de Cultura e Turismo), reúne produtores, investidores, instituições financeiras, empreendedores e o também crianças, jovens estudantes e universitário em meio ao público em geral por proporcionar uma programação diversificada e interativa.

A feira acontece no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado na BR 174, Zona Rural de Boa Vista, entre 4 e 8 de novembro.

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Em 2025 o tema é ‘Colhendo o Progresso, Semeando o Futuro’, destacando o potencial e a diversidade do agronegócio roraimense. Confira algumas curiosidades sobre esta edição da Expoferr Show:

12 curiosidades sobre a Expoferr Show 2025

Leia também: Expoferr Show 2025: maior feira agropecuária de Roraima chega à 44ª edição

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Levantamento do CBM-AP mostra redução histórica de focos de queimadas no Amapá em 2025

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Governo do Amapá e CBM se mantém vigilantes para evitar e combater incêndios florestais. Foto: Divulgação/SEMA

As ações integradas de combate e prevenção às queimadas no Amapá resultaram em uma expressiva redução no número de focos de incêndios registrados em 2025. De acordo com levantamento realizado pelo Corpo de Bombeiros (CBM-AP), com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram contabilizados 387 focos até o dia 29 de outubro de 2025. Em 2024 o ano fechou com 2.014 focos e, em 2023, foram 2.552 registros.

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Para o Governo do Amapá, os resultados de 2025 refletem o comprometimento das forças de segurança e dos órgãos ambientais com a preservação do patrimônio natural do estado. resultando no fortalecimento das estratégias de monitoramento, fiscalização e sensibilização realizadas em todo o estado.

″Amapá Verde″ deve acontecer até dezembro, quando geralmente ameniza o período de estiagem. Foto: Divulgação/CBM-AP

“Esse avanço é fruto do trabalho conjunto entre nossas equipes de campo. Estamos mostrando que investir em prevenção, tecnologia e conscientização gera resultados concretos e protege vidas, comunidades e o meio ambiente”, afirmou Cézar Vieira, gestor da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Ainda segundo os dados de 2025, foram registradas 265 ocorrências de combate direto a incêndios florestais e 1.214 ações preventivas, como palestras, instruções e atividades educativas. As iniciativas alcançaram um público estimado em 21.365 pessoas, ante 13.990 no ano passado.

Leia também: Número de focos de queimadas no Amapá em 2025 é o menor dos últimos três anos, diz CBM

Foram contabilizados 387 focos até o dia 29 de outubro de 2025. Número é considerado baixo comparado com os dados de 2023 e 2024. Foto: Divulgação/CBM-AP

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Pelsondré Martins, a ampliação das atividades de educação ambiental, investimentos e a atuação da Operação Amapá Verde têm sido os principais fatores para a redução dos focos, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade. 

“O Governo do Amapá tem trabalhado de forma integrada e permanente para proteger o meio ambiente e garantir a segurança da população. Os resultados alcançados são fruto de investimentos contínuos, do fortalecimento das ações educativas e da presença constante das equipes da Operação Amapá Verde em todo o estado. Essa atuação conjunta tem sido essencial para reduzir os focos de queimadas, principalmente nas áreas mais vulneráveis”, destacou o comandante do CBM-AP.

Operação Amapá Verde 

A “Amapá Verde”, que iniciou em 21 de agosto e segue até dezembro deste ano, ou até o fim do período de estiagem, objetiva fortalecer a presença dos militares em campo, reforçando tanto o combate quanto a conscientização das pessoas das localidades, de forma a proteger vidas, propriedades e o meio ambiente. Ao todo, a operação será composta por 12 ciclos, com trocas de equipes a cada 10 dias.

Amapá
O período de estiagem e o calor do verão amazônico aumentam o risco de queimadas e incêndios florestais. Foto: Divulgação/SEMA

A operação conta com bases instaladas em Laranjal do Jari, Mazagão, Ferreira Gomes, Pedra Branca, Tartarugalzinho, Amapá e Itaubal, cobrindo áreas estratégicas onde há maior incidência de queimadas.

Cuidados no período da estiagem

O período de estiagem e o calor do verão amazônico aumentam o risco de queimadas e incêndios florestais, além de intensificar problemas respiratórios causados pela fumaça. Para proteger a saúde das pessoas, o meio ambiente e a segurança das comunidades, o Corpo de Bombeiros Militar do Amapá orienta:

  • Evite atear fogo em lixo, terrenos baldios ou áreas de vegetação;
  • Em propriedade urbana ou rual, não faça queimadas para limpeza de terrenos. A prática é proibida e pode gerar multas e responsabilização criminal;
  • Procure meios seguros e legais para descarte de resíduos. Evite jogar vidro e metal em vias públicas, pois com o calor intenso, esses materiais podem concentrar a luz solar e iniciar focos de fogo;
  • Não jogue bitucas de cigarro às margens de rodovias e terrenos;
  • Hidrate-se bastante e mantenha os ambientes arejados;
  • Proteja crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, pois são os mais afetados pela fumaça;
  • Em caso de fogo ou fumaça suspeita, ligue imediatamente para o 193.

*Com informação do Governo do Amapá

Prêmio AgroInventores de Roraima impulsiona inovação durante Expoferr Show 2025

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Prêmio AgroInventores de Roraima tem como objetivo principal dar visibilidade a quem desenvolve soluções criativas voltadas ao setor agropecuário. Foto: Divulgação/Seadi Roraima

O estado de Roraima marca a estreia da iniciativa Prêmio AgroInventores em 2025. A 1ª edição da premiação pretende reconhecer ideias, soluções e invenções voltadas ao fortalecimento do agronegócio local e integra oficialmente a programação da 44ª Expoferr Show, realizada entre os dias 4 a 8 de novembro de 2025, no Parque de Exposições Dandãezinho, em Boa Vista.

As inscrições gratuitas do prêmio AgroInventores foram abertas para produtores rurais, estudantes, professores, pesquisadores, empreendedores ou inventores em geral que tenham desenvolvido soluções práticas para o campo, conforme os critérios definidos pelo regulamento da iniciativa.

O prêmio Prêmio AgroInventores de Roraima é organizado pela Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) de Roraima, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Roraima (Faperr) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Roraima (Faerr).

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Expoferr. Foto: Divulgação

A ideia central da iniciativa é estimular o desenvolvimento de tecnologias, protótipos ou processos inovadores que possam ser aplicados no meio rural, contribuindo para a produtividade, sustentabilidade e logística do agronegócio em Roraima.

De acordo com o regulamento, as invenções devem estar em fase de desenvolvimento ou teste, indicando que existem protótipos funcionais, porém ainda não disponíveis comercialmente.

Os projetos inscritos são apresentados no espaço denominado Hub Seadi de Inovação. A avaliação é realizada por uma banca técnica e votação pelo público presente. A pontuação máxima é de 100 pontos.

A premiação para os três melhores projetos é de R$ 5.000,00 para o 1º lugar, R$ 3.000,00 para o 2º lugar e R$ 2.000,00 para o 3º lugar.

Conexão com a Expoferr e estrutura da feira

O Hub Seadi de Inovação se destaca como um espaço dentro da Expoferr voltado para dar visibilidade às tecnologias aplicadas ao setor agropecuário.

Expoferr. Foto: Divulgação

Dessa forma, a iniciativa está estrategicamente vinculada à Expoferr, aproveitando a visibilidade da feira, o público especializado e as oportunidades de negócios para fortalecer a cadeia do agronegócio roraimense.

A programação da feira permite a interação entre inventores, produtores, empreendedores e instituições de pesquisa, compondo um ambiente favorável ao surgimento de soluções aplicáveis e novos negócios. Por meio desse prêmio, o agronegócio de Roraima ganha uma vitrine de inovação que, nas próximas edições, tende a se consolidar como um dos principais impulsionadores do desenvolvimento rural no estado.

O impacto esperado inclui o fortalecimento da cultura de inovação no agronegócio de Roraima, aumento da produtividade, mitigação de desafios como irrigação, manejo de solo, armazenamento e logística, além da potencial geração de novos negócios a partir das invenções apresentadas.

Premiados

Os premiados desta primeira edição foram:

1º lugar: Francisco Edivan – criador de uma máquina para debulhar feijão verde, equipamento que promete agilizar o processo de colheita, ainda feito de forma manual.

2º lugar: startup Agramas de Desenvolvimento e Tecnologia – representada pelo CEO Carlos Coutinho, que desenvolveu um equipamento para colher açaí diretamente do pé, eliminando a necessidade do produtor subir nas árvores.

3º lugar: estudante de Agronomia Ana Ferreira – autora do projeto Biomissomos, que propõe o uso de ovos de crisopídeos no controle biológico de pragas no feijão-caupi.

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

#Galeria Expoferr Show 2025: confira destaques do quarto dia da feira em Roraima

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Foto: Willame Sousa

Animais tem encantado as crianças que visitam a 44ª Expoferr Show este ano em Boa Vista (RR). Muito além dos leilões e competições esportivas, os bichos tem chamado atenção dos pequenos, bem como sua relação com o cotidiano do roraimense.

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Jovens também tem participado de projetos como o ‘Juventude na Expoferr’, da Fundação Rede Amazônica (FRAM), que tem como objetivo aproximar e estimular o interesse dos estudantes para as diversas oportunidades que a Expoferr proporciona na educação, cultura, tecnologia e negócios.

Leia também: FRAM promove ‘Juventude na Expoferr’: ação aproxima estudantes do empreendedorismo e da inovação

Animais expostos na Expoferr tem conquistado o público. Foto: Willame Sousa
Feira está em sua 44ª edição. Foto: Willame Sousa
Centenas de famílias tem aproveitado para conhecer um pouco de cada setor da feira. Foto: Willame Sousa
Estudantes participam do projeto Juventude na Feira, da FRAM. Foto: Willame Sousa
Comércio local também tem ganhado destaque na feira, com diversos artesãos entre os cerca de 300 expositores. Foto: Willame Sousa
Atrações como touro mecânico tem feito a alegria da criançada. Foto: Willame Sousa
Rainha da Expoferr e princesas passeiam pela feira. Foto: Willame Sousa
Distribuição de damurida era esperada para a penúltima noite. Foto: Divulgação/Secom RR
Penúltimo dia contou como Manu Bahtidão como atração nacional. Foto: Fernando Oliveira/Secom RR
Outra atração nacional foi João Gomes, que levou centenas de visitantes para a área dedicada a música. Foto: Fernando Oliveira/Secom RR

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

#Galeria Expoferr Show 2025: confira destaques do terceiro dia da feira em Roraima

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Foto: Neto Figueredo/Secom RR

A Expoferr Show 2025 movimenta Roraima com atrações que unem conhecimento, oportunidades e experiências únicas para o público visitante. O Circuito Rota do Agro é um dos atrativos que contam com um percurso interativo revelando a produção rural local.

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E muito além de Roraima, a feira também revela, no Pavilhão Internacional, produtos e tecnologias de outros países amazônicos vizinhos. Além disso, as competições da Arena Rodeio começaram com muita emoção.

Expoferr Show 2025 terceiro dia
Área gastronômica da Expoferr tem sido bastante movimentada, com o público buscando aproveitar a culinária local. Foto: Willame Sousa
No Circuito Rota do Agro o percurso interativo mostra detalhes da produção rural de perto. Foto: Willame Sousa
A Fazendinha da Expoferr também encanta crianças e adultos como uma mini fazendo em meio ao evento. Foto: Willame Sousa
Diversos locais foram montados pensando em proporcionar ao público a chance de produzir registros diferentes pela feira. Foto: Willame Sousa
Jogos típicos de feiras também foram montados para a diversão dos visitantes. Foto: Willame Sousa
Dezenas de shows locais também fazem parte da programação. Foto: Willame Sousa
O Pavilhão Internacional conta com a presença da delegação da Guiana, com o objetivo de ampliar as conexões comerciais e culturais. Foto: Fernando Oliveira/Secom RR
E a emoção tomou conta da Arena do Rodeio com o início das competições da Expoferr Show 2025. Foto: William Roth/Secom RR
Pelo menos 30 peões de Roraima e de outros estados estão inscritos na competição, que distribuirá R$ 33 mil em premiações. Foto: William Roth/Secom RR
A banda de forró Anjo Azul foi a atração nacional da terceira noite. Foto: Neto Figueredo/Secom RR

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Imagens inéditas mostram áreas destruídas pelo garimpo ilegal na Terra Yanomami quase 3 anos após emergência

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Crateras cheias de água abertas em área de garimpo na Terra Yanomami. Foto: Divulgação/HAY

Imagens inéditas registradas por indígenas mostram áreas destruídas pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e aviões sobrevoando a região. Elas denunciam que a atividade garimpeira continua, quase três anos após o decreto de emergência no território.

Um vídeo gravado em outubro deste ano mostra a destruição causada por garimpeiros na região de Marauiá, próxima a fronteira entre Brasil e Venezuela. No local, há crateras cheias de água abertas no solo.

“Essa área é destruída pelo garimpo, tá vendo aí olha como está […] tudo é destruído”, afirma um dos indígenas que filma o local.

A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima, e parte da Venezuela. Garimpeiros atuam na região desde, ao menos, a década de 1970.

Leia também: Quem são os Yanomami? Conheça um dos maiores povos indígenas da Amazônia Internacional

Registros também mostram aviões e barcos usados por garimpeiros. Dados do Sistema de Alertas ‘Wãnori’, ferramenta de monitoramento operada por indígenas, apontam que 41 alertas foram registrados no primeiro semestre de 2025, a maioria relacionadas a questões territoriais, como invasões e ataques.

Segundo o líder indígena Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), a mais representativa do povo, os garimpeiros estão presentes, principalmente, onde a fiscalização é menor.

“Os garimpeiros sabem onde tem bases fortes e aonde não têm bases. Então isso, aonde tem os buracos, [é porque] os garimpeiros estão entrando na Terra Yanomami”, diz Dário.

Regiões com alertas de garimpeiros

Entre 6 de agosto e 29 de outubro, ao menos oito alertas de aeronaves suspeitas. Aviões e helicópteros, foram registrados sobre as regiões de Apiaú e Xitei, em Roraima, e Marauiá, no Amazonas.

No dia 8 de setembro, um avião pousou em uma pista conhecida como Pupunha, na região de Xitei, em Alto Alegre (RR). Garimpeiros chegaram ao local com munição, que teria como destino o garimpo. No dia 13, outro avião vindo da Venezuela pousou na mesma área com mais pessoas.

Outro registro foi feito no dia 12 de outubro, quando dois barcos abastecidos com insumos para o garimpo foram vistos no rio Uraricoera, na região de Palimiú. As lideranças informaram que há uma tentativa de retorno dos garimpeiros à região, conforme o monitoramento.

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Imagens inéditas mostram aviões e áreas destruídas pelo garimpo ilegal na Terra Yanomami quase 3 anos após emergência
Área degradada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Foto: Divulgação/HAY

O rio Uraricoera, em Palimiú, é usado como rota pelos garimpeiros para chegar às áreas de garimpo através de barcos. Em 2021, comunidades da região foram atacadas a tiros. Confrontos entre invasores e agentes federais também foram registrados na região.

A Terra Yanomami está em emergência de saúde pública desde janeiro de 2023. Desde então, o governo tem realizado ações para melhorar o atendimento aos indígenas e combater o garimpo ilegal.

Em outubro, lideranças elaboraram a Carta de Surucucu durante o VI Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana. O documento reconhece os esforços do governo federal contra o garimpo e na recuperação da saúde, mas cobra medidas urgentes, como:

  • A implementação Bases de Proteção Etnoambiental e apoio ao Plano de Vigilância Indígena da TIY;
  • Manutenção da Casa de Governo e das operações de desintrusão até que todos os garimpeiros sejam retirados;
  • Criação de Forças-Tarefa Judiciais para garantir que o Poder Judiciário conclua tanto inquéritos de investigação quanto processos abertos de garimpeiros e financiadores do garimpo;
  • Aprovação do Projeto de Lei 3.776/2024, que prevê aumento de penas para o crime de garimpo ilegal.

O documento também cobra que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) transforme os recursos aplicados no território em resultados concretos. As lideranças pedem ainda uma educação diferenciada, com Territórios Etnoeducacionais que garantam o acesso a escolas bilíngues e interculturais.

“A gente espera a pós-desintrusão. Isso significa que não há mais retorno dos garimpeiros, é isso que o governo federal tem que decretar. E quando você fala desintrusão, você pede licença, isso significa que vai voltar. Então, como nós, Yanomami, precisamos, é fato: os invasores não podem voltar mais na Terra Yanomami”, disse Dário Kopenawa.

“É uma pós-desintrusão, é isso que o governo federal tem que fazer, outro plano rígido, bem forte, para os garimpeiros não entrarem mais na Terra Yanomami”, ressaltou Kopenawa.

O que dizem os órgãos

A Casa de Governo informou que as ações de combate ao garimpo ilegal coordenadas pelo órgão no território são permanentes e “não há qualquer previsão de que sejam interrompidas”. Segundo o órgão, o plano integrado envolve atividades de comando e controle, monitoramento aéreo e atuação conjunta com órgãos federais de segurança, defesa e proteção territorial.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que os números das ações de assistência à saúde indígena “são robustos e demonstram uma transformação estrutural”. Segundo a pasta, deste a decretação da emergência, foram investidos mais de R$ 596 milhões na recuperação e melhoria da infraestrutura de saúde.

O número de profissionais atuando no território aumentou de 600 para 1.855, elevando em 72,6% os atendimentos médicos. O ministério destacou ainda a reabertura de polos de saúde, o aumento de testes de malária e a inauguração do primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena do país, em Surucucu.

Comunidade indígena na Terra Yanomami. Foto: Bruno Mancinelle/Arquivo/Casa de Governo

O Senado informou que o projeto de lei que aumenta as penas para crimes relacionados ao garimpo ilegal recebeu parecer favorável do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), na forma de substitutivo, na Comissão de Meio Ambiente (CMA). O texto agora segue para decisão final na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde aguarda a designação de relator.

Em nota, o Ministério da Educação informou que lançou, em julho deste ano, a Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais (PNEEI-TEE), que busca garantir uma educação indígena de qualidade, multilíngue e intercultural.

A iniciativa estabelece 52 Territórios Etnoeducacionais em todo o país e será executada de forma descentralizada, com comissões gestoras formadas por representantes das próprias comunidades indígenas.

Ressaltou ainda que estados e municípios têm autonomia sobre a oferta do ensino e que mantém diálogo com os povos Yanomami e Ye’kwana, e com demais povos indígenas, “em prol da construção coletiva de uma educação que respeite e valorize suas identidades, línguas e saberes”.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério da Justiça também foram procurados sobre os pedidos e o Grupo Rede Amazônica aguarda o retorno.

Relembre: Os Yanomamis e a Guerra contra os garimpeiros: Saiba tudo o que está acontecendo na maior Terra Indígena do Brasil

Terra Indígena Yanomami

Com quase 10 milhões de hectares, a Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil em extensão territorial. Localizado no Amazonas e em Roraima, o território abriga cerca de 32 mil indígenas, que vivem em 392 comunidades.

O povo Yanomami é considerado de recente contato com a população não indígena e se divide em seis subgrupos de línguas da mesma família, designados como: 

  • Yanomam,
  • Yanomamɨ,
  • Sanöma,
  • Ninam,
  • Ỹaroamë
  • e Yãnoma.

A região está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, a partir da posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), começou a criar ações para atender os indígenas.

Por Marcelo Marques, Lucas Wilame e Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR