Home Blog Page 81

Universidade Federal de Mato Grosso assina Carta de Belém pela Amazônia; leia na íntegra

0

Universidade Federal de Mato Grosso assina Carta de Belém pela Amazônia. Foto: Natália Almeida e Wallace Albuqerque

Em preparação para a COP 30, que será realizada em Belém (Pará), em novembro deste ano, a comunidade científica da Amazônia Legal deu um passo histórico com a publicação da Carta de Belém, documento construído por redes de pesquisa, universidades e instituições de toda a região. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é uma das signatárias, reforçando seu compromisso com a ciência, a sociobiodiversidade e a justiça climática.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a COP 30?

Prof. Dr. Domingos de Jesus Rodrigues, pesquisador da UFMT Campus de Sinop, que atua como coordenador representando o estado de Mato Grosso na rede CAPACREAM (Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia) e no PPBio-AmOc (Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Ocidental), esteve presente durante a lançamento da Carta. Domingos destacou a importância da cooperação científica na região.

Universidade Federal de Mato Grosso.
Universidade Federal de Mato Grosso. Foto: Universidade Federal de Mato Grosso

“Esse processo não começou agora: vem sendo estruturado há anos, justamente porque pesquisar a Amazônia exige redes inter e multidisciplinares, capazes de integrar universidades, institutos de pesquisa, comunidades locais e parceiros internacionais. A Amazônia é um território de dimensões continentais, onde o chamado ‘Custo Amazônia’ impacta qualquer iniciativa científica — transporte caro, em muitos locais apenas por rios, falta de infraestrutura, descontinuidade de editais e distâncias enormes. Assim, a UFMT se soma a outras instituições que trabalham em rede colaborativa, buscando superar esses desafios, garantir capilaridade, continuidade e impacto”, refletiu.

Principais propostas da Carta de Belém

O documento também elenca reivindicações estruturais, como financiamento contínuo para a pesquisa, fortalecimento das universidades e institutos amazônicos, criação de programas de comunicação pública da ciência e inclusão da justiça climática como princípio transversal da NDC brasileira.

Compromisso da Universidade Federal de Mato Grosso

Ao aderir à Carta de Belém, a Universidade Federal de Mato Grosso reafirma sua identidade como instituição amazônica e seu compromisso em promover soluções que conciliem sustentabilidade, justiça social e valorização da diversidade cultural da região, como explicou a reitora da UFMT, Profª. Dra. Marluce Souza.

“A ciência produzida na Amazônia precisa dialogar com os grandes desafios globais, mas sem perder de vista os saberes e os modos de vida de quem habita esse território. Neste sentido, a UFMT se une a esse movimento para transformar conhecimento em políticas públicas e contribuir para uma agenda de justiça socioambiental”.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Universidade Federal de Mato Grosso entre as signatárias da Carta de Belém, documento em defesa da sociobiodiversidade amazônica. Foto: Natália Almeida e Wallace Albuqerque

O pró-reitor de Pesquisa, Prof. Dr. Bruno Araújo, também destacou a relevância da participação institucional. Segundo ele, a presença da UFMT entre as signatárias fortalece a cooperação científica e evidencia o papel estratégico das universidades da Amazônia Legal. “Esse alinhamento é fundamental para que a COP 30 seja um espaço de transformação real, no qual a ciência amazônica tenha centralidade na definição de soluções para a crise climática”, pontuou.

A UFMT desenvolve pesquisas essenciais para a preservação dos biomas brasileiros, como Pantanal, Cerrado e Amazônia. Um exemplo é o livro “Parque Estadual do Xingu: Biodiversidade, recursos naturais, importância ecológica e socioambiental”, lançado em 19 de setembro e organizado pelos pesquisadores pesquisadores Domingos de Jesus Rodrigues, Leandro Dênis Battirola, Thadeu Sobral-Souza, Thiago Junqueira Izzo e a pesquisadora Flávia Rodrigues Barbosa, em parceria com a Sema-MT, Fundação Uniselva e outras entidades.

Foto: Divulgação/UFMT

O livro reúne um mapeamento da flora e fauna do Parque Estadual do Xingu, no sul da Amazônia, resultado de um Termo de Cooperação Técnica com a UFMT e apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA). A publicação evidencia a importância ecológica e histórica da área e apresenta descobertas inéditas, incluindo registros de samambaias, orquídeas, formigas e borboletas, com 1.517 indivíduos de 151 espécies catalogados entre 2021 e 2023, além da diversidade de mamíferos e peixes de médio e grande porte.

Este é mais um exemplo dos resultados alcançados pela UFMT em prol da ciência amazônica. Com a adesão à Carta de Belém, a universidade fortalece sua contribuição técnica e científica para a COP 30 e para a formulação de políticas públicas ambientais.

A carta

A Carta de Belém, sintetiza as contribuições de mais de 120 pesquisadores e pesquisadoras para a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil, compromisso firmado no Acordo de Paris para limitar o aquecimento global e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. 

O documento é ao mesmo tempo uma síntese técnica das contribuições das redes de pesquisa colaborativa da Amazônia para a implementação da NDC brasileira, bem como um chamado político: “somente com a valorização da ciência em rede será possível transformar conhecimento em ação, convertendo compromissos em políticas públicas concretas e sustentáveis, em uma região historicamente negligenciada”.

*Por: Thiago Crepaldi (Membro do Programa Institucional de Comunicação Pública da Universidade Federal de Mato Grosso/PROPESQ), com informações do “Movimento Ciência” e “Vozes da Amazônia na COP 30”.

Como é a alimentação dos animais da Amazônia? Confira alguns dos mais populares

0

Bicho-preguiça comendo folhas. Foto: Reprodução/Mata Ciliar SP

A alimentação é essencial para a manutenção da vida, certo? Quando falamos de alimentação é possível que se relacione imediatamente aos seres humanos, mas você já parou para pensar como é a alimentação e a digestão dos animais da Amazônia?

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A floresta abriga uma variedade impressionante de estratégias alimentares, que vão desde predadores de topo até herbívoros lentos e pacíficos. Conhecer esses hábitos é entender também o equilíbrio ecológico que mantém a maior floresta tropical do planeta em funcionamento.

Que tal conhecer como funciona a alimentação de alguns dos mais populares animais da região?

Sucuri

A sucuri, uma das maiores serpentes do mundo, é uma predadora carnívora que não tem pressa. Sua alimentação é variada: peixes, aves, capivaras, jacarés e até antas. Sem veneno, ela utiliza a constrição, enrolando-se na presa até sufocá-la. Depois, engole o animal inteiro!

Por conta desse processo, a digestão pode levar semanas, período em que a cobra permanece o mais imóvel possível, economizando energia e se preparando para a próxima caçada.

Leia também: De jiboia à ‘anaconda’, conheça as cinco maiores cobras da região amazônica

Foto: Divulgação/Alexandre Almeida

Onça-pintada

A onça-pintada é outro predador de topo, mas muito mais ágil. Dono de uma das mordidas mais poderosas entre os felinos, o animal se alimenta de veados, capivaras, tatus, jacarés, tartarugas e até peixes.

A sua alimentação pode incluir mais de 80 espécies diferentes, variando conforme a disponibilidade. Em cativeiro, uma onça chega a consumir até 7 quilos de carne em uma única refeição.

Leia também: Humanos convivendo com onças-pintadas: histórias de interação com um dos gigantes da Amazônia

Foto: Emiliano Ramalho/Instituto Mamiraua

Formiga saúva

Enquanto isso, debaixo da terra, a formiga saúva cultiva seu próprio alimento. Ao contrário do que parece, ela não come as folhas que corta. Elas servem de substrato para um fungo, que é a verdadeira fonte de nutrição da colônia. Trata-se de uma relação simbiótica sofisticada e eficiente, que mantém milhões de formigas bem alimentadas.

Leia também: A vida secreta das formigas: estudo revela diferenças entre formigas terrestres e arborícolas da Amazônia

Foto: Reprodução/Instituto Butantan

Anta

Maior mamífero terrestre da Amazônia, a anta é herbívora e frugívora. Sua alimentação é baseada em frutos, folhas, brotos e flores, usando o focinho alongado para alcançar diferentes tipos de vegetação.

Ao ingerir sementes, atua como uma das mais importantes dispersoras da floresta, ajudando na regeneração de áreas inteiras. Uma anta adulta pode consumir até nove quilos de plantas por dia.

Leia também: Jardineira das florestas: Saiba a importância da anta, o maior mamífero terrestre da América do Sul

Foto: Diivulgação/PMBV

Macaco-prego

Inteligente e curioso, o macaco-prego tem uma dieta onívora e variada: come frutos, insetos, ovos, pequenos vertebrados e até utiliza ferramentas, como pedras. Sua digestão é eficiente para lidar com tantos alimentos diferentes, embora tenha dificuldade com fibras muito duras.

Leia também: Conheça espécies de macacos que só são encontradas na Amazônia

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Bicho-preguiça

Na ponta oposta do ritmo, o bicho-preguiça se contenta com folhas pobres em energia. Seu estômago dividido em várias câmaras abriga bactérias que fermentam a celulose, permitindo a sobrevivência.

O processo é tão lento que a digestão de uma refeição pode levar até um mês. O metabolismo baixo explica o estilo de vida calmo e arrastado desse animal.

Leia também: 4 curiosidades peculiares sobre os bichos-preguiça

Foto: Eduardo Gomes/Acervo INPA

Peixe-boi

Nos rios, o peixe-boi amazônico se alimenta de capim-agulha, algas e outras plantas aquáticas. Herbívoro exclusivo, chega a ingerir 10% do próprio peso por dia.

Seu intestino, que pode alcançar 40 metros, é adaptado à fermentação da celulose, produzindo gases que ajudam até na flutuação do corpo.

Leia também: Peixes-boi da Amazônia e Marinho são declarados patrimônios culturais naturais de natureza imaterial do Pará

Foto: Reprodução/ Anselmo d’Affonseca

Acre teve setembro com menor número de queimadas em duas décadas, diz Inpe

0

Fumaça de queimadas na região do Bonsucesso, em julho desse ano, na capital. Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica AC

O Acre registrou 840 focos ativos de queimadas em setembro e chegou à menor marca para o mês desde 2001, última vez que o nono mês havia encerrado abaixo de mil detecções. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Este número representa ainda uma redução de 78,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 3.855 focos.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O total setembro manteve a tendência de crescimento nas queimadas pelo quinto mês seguido e ficou 62,5% acima de agosto. Contudo, setembro costuma ser o mês mais crítico em relação às queimadas, o que torna ainda mais importante a queda nos números entre 2024 e este ano.

Apesar de estar abaixo da média histórica de setembro (3.370 focos) e distante do recorde registrado em 2022, quando o estado teve 6.693 ocorrências, o total de 2025 ainda ficou acima do mínimo já contabilizado, que foi de 212 focos em 1999. Confira o gráfico com a série histórica mais abaixo.

Os dados fazem parte da comparação feita pelo Inpe com base nos registros de satélite dos últimos 27 anos, ou seja, entre o anos de 1998 a 2025.

O monitoramento aponta uma redução acentuada da atividade de fogo neste ano na capital acreana. A média observada nos primeiros três dias de setembro foi de 12,61 μg/m³, enquadrando a qualidade do ar como boa de acordo com parâmetros internacionais

Chuvas ajudaram a conter o fogo e as queimadas

Um dos fatores que ajudaram a conter o avanço das queimadas foi o aumento do volume de chuvas em setembro. Segundo a Defesa Civil de Rio Branco, foram registrados 90,8 milímetros de precipitação, o que corresponde a 97,8% do volume esperado para o mês.

O índice é o quarto maior dos últimos 10 anos e o melhor desta década para a capital acreana. Mesmo com o resultado ligeiramente abaixo do esperado (92,7 mm), as chuvas amenizaram a estiagem severa que vinha sendo registrada desde o início do ano.

O cenário é bem diferente do observado em setembro de 2024, quando choveu apenas 32,1 mm e a cidade ficou encoberta por fumaça, com a qualidade do ar chegando ao nível perigoso.

À época, nos primeiros dias de setembro de 2024, a qualidade do ar em Rio Branco era considerado “muito insalubre”, com 139,3 µg/m3 de material particulado. A capital chegou a liderar o ranking das cidades brasileiras com piores índices de poluição.

Leia também: Número de queimadas reduziu quase 100% nos primeiros meses de 2025 no Acre, aponta Inpe

Cenário nacional

Em todo o país, o Inpe registrou quase 76 mil focos de incêndio nos primeiros nove meses de 2025, o que representa queda de 64% em relação ao mesmo período de 2024.

O total nacional é o menor desde o ano 2000, o que reforça a tendência de redução das queimadas em todo o território brasileiro neste ano.

Na primeira foto, a poluição tomou conta do ar em Rio Branco em 2024. Na segunda foto, o cenário é diferente em 2025. Fotos de Walace Gomes, da Rede Amazônica AC.

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC

Projeto Harpia pede ajuda para encontrar ninho de filhote de harpia resgatado em Novo Airão, no Amazonas

0

Foto: Divulgação/Projeto Harpia

O Projeto Harpia, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), solicita ajuda dos moradores de Novo Airão, no Amazonas, para localizar o ninho de um filhote de gavião-real (Harpia harpyja). O filhote foi encontrado por um morador na avenida Presidente Vargas, bairro Remanso. Segundo os pesquisadores, é fundamental localizar o ninho e os pais da ave para que ela possa ser reintegrada ao ambiente natural.

Leia também: Conheça o gavião-real: A maior águia das Américas e que desfila sua realeza pela floresta amazônica

O animal é uma fêmea e tem cerca de dois meses. O morador acionou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o resgate foi realizado há uma semana pelo Projeto Harpia e pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/Ibama).

Após exames e avaliação veterinária, foi constatado que o filhote está saudável e, por enquanto, permanece sob os cuidados do Cetas, em Manaus.

“Se o ninho não for encontrado, o filhote pode acabar em cativeiro permanente e não deixará descendentes para a população de harpias da Amazônia”, alertou a equipe do projeto.

Projeto Harpia pede ajuda para encontrar ninho de filhote de gavião-real, também conhecido como harpia, resgatado em Novo Airão, no Amazonas.
Projeto Harpia pede ajuda para encontrar ninho de filhote de gavião-real, também conhecido como harpia, resgatado em Novo Airão, no Amazonas. Foto: Divulgação/Projeto Harpia

A harpia é considerada a maior e mais poderosa águia das Américas, sendo um predador de topo de cadeia e um importante indicador da qualidade ambiental. A espécie está classificada como “Vulnerável” à extinção, segundo a lista oficial de fauna ameaçada.

Como ajudar se encontrar o ninho

O Projeto Harpia e o ICMBio pedem que moradores de Novo Airão que visualizarem ninhos grandes ou avistarem harpias adultas entrem em contato pelos canais abaixo:

  • 📞 Linha Verde Ibama: 0800 061 8080
  • 📲 ICMBio: @icmbio
  • 🦅 Projeto Harpia Brasil: @ProjetoHarpiaBrasil

A colaboração da comunidade é considerada essencial para garantir a sobrevivência e a conservação dessa espécie símbolo da floresta amazônica.

Guia em Libras ensina nomes de municípios e pontos turísticos de Roraima

0

Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Já imaginou como dizer que vai viajar ao Lago do Caracaranã ou que mora em Caracaraí na Língua Brasileira de Sinais (Libras)? Um guia regional em Libras reúne sinais que representam Roraima, que completa 37 anos neste domingo (5), como os nomes dos 15 municípios e pontos turísticos, criado para apoiar a inclusão escolar e social da comunidade surda roraimense, com respeito à cultura.

Influenciada por migrantes do Norte e Nordeste do Brasil, além de outros países, como a Venezuela e a Guiana, e com mais de 10 línguas indígenas, Roraima tem um vocabulário único, mas a comunicação verbal não é a única.

Leia também: Professor escreve sobre nomes de cidades acreanas em Libras

As línguas de sinais são formas de comunicação que utilizam gestos e movimentos no lugar da fala, com seu próprio vocabulário e regras gramaticais. Assim como cada povo desenvolveu seu idioma oral, cada comunidade criou sua língua de sinais. Portanto, há línguas de diferentes países e regiões.

No aniversário de Roraima, o Grupo Rede Amazônica conversou com um dos colaboradores do guia regional, Erick Fabiano de Almeida Chagas, de 49 anos, professor responsável pelo Centro Estadual de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) do estado.

“O guia é uma forma de evidenciar a cultura surda, para que as pessoas passem a conhecê-la, e para que todos entendam que os surdos possuem necessidades e também uma maneira própria de conhecer os lugares regionais nos quais estão inseridos dentro da sociedade roraimense”, ressaltou.

O material reúne sinais em Libras de pontos turísticos de Roraima, como o Monte Roraima, o Portal do Milênio, o Bosque dos Papagaios e a Orla Taumanan. Também inclui os 15 municípios do estado, além de instituições públicas, escolas, universidades, igrejas e bairros da capital Boa Vista.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Sinais regionais

O projeto para a construção do guia de sinais foi iniciado em 2015 com professores do CAS, instrutores e membros da comunidade surda. No entanto, a iniciativa foi interrompida e só foi retomada oito anos depois, em 2023.

O processo de criação dos sinais começou em 2024 e durou cerca de um ano. Ele exigiu visitas presenciais na maior parte dos locais que seriam representados e envolveu instrutores surdos e professores de Libras. Segundo Erick, foi necessário observar o ambiente, as características e o contexto dele.

O sinal para o município de Uiramutã, por exemplo, reproduz uma cachoeira. Localizada na tríplice fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana, Uiramutã é a cidade proporcionalmente mais indígena do país e possui mais de 80 cachoeiras ainda inexploradas.

Leia também: Conheça Uiramutã, o município com maior proporção de indígenas do país

Portal do Milênio, um dos pontos turísticos de Roraima, em Libras
Foto: Reprodução/Guia de Sinais regionais em Libras para Estado de Roraima

Já o Monte Roraima é representado com um gesto que simula o formato plano do topo da montanha. Situado na fronteira entre o Brasil, Venezuela e Guiana, o Roraima é a maior montanha plana do mundo.

O local faz parte de um conjunto de montanhas chamadas tepuis, formações em forma de mesa que parecem levantar do solo. Essas montanhas estão entre as mais antigas formações geológicas do planeta.

O sinal do Portal do Milênio em Libras reproduz o formato do arco que marca o monumento, um dos principais cartões-postais de Boa Vista. Localizado na Praça das Águas, no Centro da capital, o portal foi construído no ano 2000 para simbolizar a chegada do século 21.

“A criação parte da visita in loco a alguns locais. Em outros casos, o trabalho acontece a partir da observação do contexto e das características do ambiente. A gente lida com a pedagogia visual, então eles [participantes] observam elementos específicos do lugar e, a partir disso, constroem o sinal. É um estudo aprofundado, que exige atenção não só dos professores de Libras, mas também dos instrutores e a comunidade surda envolvida”, explicou Erick.

Segundo o professor, os sinais precisam ser criados exclusivamente por pessoas surdas, que conhecem a cultura e têm vivência para representar os significados. “Porque são eles que vão entrar nessa questão do contexto, da visita, e verificar qual a melhor forma de criar o sinal”, disse.

Libras: fortalecimento da inclusão

O principal objetivo do guia é levar informação tanto para a comunidade surda quanto para ouvintes. A ideia é fortalecer a inclusão, promovendo o empoderamento das pessoas surdas e incentivando a empatia da sociedade.

Segundo Erick Fabiano, em muitos casos, pessoas surdas não são bem atendidas em locais públicos ou sequer recebem atendimento por falta de um intérprete de Libras, profissional considerado fundamental.

“A comunidade surda, por mais que ela conheça, porque tem a questão da pedagogia visual, é interessante ela chegar e estar lá sinalizado que ali é a Orla Taumanan, para ela compreender que, se ela for no Lago Caracaranã, ela chega lá e tem uma placa de sinalização com o lago, quer dizer, importante porque ela se sente valorizada. Ela se sente fazendo parte daquela sociedade porque ela vê que aquela sociedade está acolhendo e inserindo ela”, explicou ele.

Eduardo Rangel e Carlos Nattrodt, instrutores surdos; Neíres Vidal e Erick Chagas, professores — colaboradores do Guia de Sinais Regionais em Libras de Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

O guia está disponível de forma gratuita e online. Ele pode ser acessado pelos perfis do CAS Roraima e da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seed) no Instagram. Ou baixe AQUI.

Além do acesso online, ele deve ser distribuído em escolas e instituições. O material foi desenvolvido pelo Centro Estadual de Atendimento às Pessoas com Surdez, em parceria com a Secretaria de Educação, instrutores e professores.

Uma segunda versão do guia de sinais regionais em Libras de Roraima está em fase de planejamento. Ela deve incluir sinais de novos pontos turísticos, órgãos públicos, escolas e igrejas. Ainda não há data definida para o lançamento.

*Por Yara Ramalho e João Gabriel Leitão, da Rede Amazônica RR

Maior exercício militar do Brasil faz demonstração com tanques, aviões e armas em Roraima

0

Exercício na Operação Atlas em Boa Vista. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Exército e a Força Aérea Brasileira realizaram, no dia 3 de outubro, uma demonstração conjunta em Boa Vista, dentro da Operação Atlas 2025 — considerada o maior exercício militar já realizado no Brasil. A atividade reuniu tropas, veículos blindados, tanques, armas e aviões para mostrar a capacidade de resposta das Forças Armadas na proteção da Amazônia, região estratégica para o país.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O evento aconteceu na Base Aérea de Boa Vista e contou com a presença do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho; o general Tomás Paiva, comandante do Exército; o comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) o Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno e o comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.

demonstração com tanques, aviões e armas em Roraima
Exercício reúne militares para proteger a Amazônia, em Boa Vista, Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Durante o evento, Mucio afirmou que o treinamento não está ligado a conflitos externos, mas à preparação permanente do Brasil para defender o próprio território “Você vai para a academia todo dia, fazer ginástica, para quê? Não é para brigar com alguém, é para estar preparado. É isso que estamos fazendo aqui. Não temos nenhuma querela com vizinhos, o Brasil é um país pacífico, mas precisamos treinar para um jogo que não desejamos disputar”, disse.

Múcio destacou ainda que a Amazônia enfrenta “muitas guerras” internas, como a invasão de terras, o garimpo ilegal e a grilagem, problemas que exigem atuação permanente do Estado “Essas operações também servem para mostrar que estamos prontos para defender o país contra tudo que fizer mal à Amazônia e ao Brasil”, afirmou.

Militares fazem demonstração de ataque por terra, em Boa Vista, Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A Operação Atlas reúne cerca de 10 mil militares da Marinha, Exército e Aeronáutica em ações coordenadas em Roraima, Amazonas, Pará e Amapá. Um dos destaques é a utilização do Sistema Astros, de artilharia de foguetes e mísseis, além de simulações em rios, áreas terrestres e no espaço aéreo.

Segundo o Ministério da Defesa, o objetivo é garantir a interoperabilidade entre as Forças, ou seja, a capacidade de atuar de forma integrada “Esse é o grande feito da Atlas: todas as forças trabalhando de maneira afinada para servir ao país”, disse o ministro.

Veja fotos da demonstração

As ações seguem até o dia 9 de outubro, quando será realizado, em Bonfim (RR), um exercício de tiro real.

Militares fazem demonstração de poder bélico em Boa Vista. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR
Tanques de guerra são usados em demonstração da Operação Atlas, em Boa Vista. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR
Militares fazem demonstração de poder bélico em Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Operação Atlas 2025

Cerca de 10 mil militares participam da Operação Atlas 2025, maior exercício militar do Brasil, realizado em Roraima. O treinamento, que vai até 9 de outubro, tem como objetivo reforçar a atuação das Forças Armadas na Amazônia, considerada uma região estratégica para o país.

A operação começou em junho, com a fase de deslocamento de tropas para o extremo Norte do país. A segunda etapa começou em agosto, com uma simulação em Manaus (AM), e entra na fase principal em Boa Vista.

Tropas e equipamentos de diferentes regiões do país estão sendo enviados para a capital de Roraima, onde serão realizados o Apronto Operacional, que avalia a prontidão e operacionalidade militar, e a Simulação Viva.

Um dos destaques da operação é o uso do Sistema Astros, artilharia de mísseis e foguetes com alta tecnologia agregada. O treinamento envolve ações em terra, rios, mar e espaço aéreo, com o uso de meios terrestres, aéreos e fluviais.

De acordo com o Ministério da Defesa, que coordena o exercício militar conjunto, o objetivo é melhorar a integração entre Marinha, Exército e Aeronáutica, garantindo que atuem de forma coordenada e eficiente.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Quinta do Mestre e o ato sagrado de contar histórias

0

Quinta do Mestre e da Sereia, em Alter do Chão, no Pará. Foto: Rony Aires para a Prefeitura Municipal de Santarém

Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

Com a passagem do Sairé de 2025, lembrei de minha própria viagem a Alter do Chão, uma vila vizinha ao município de Santarém (PA), terra indígena borari, a quem não estiver familiarizado. Acontece que eu ouvi muito sobre o lugar, considerado por muitos um paraíso no coração do Norte brasileiro.

Acontece que Alter não é um Éden, mas um território encantado.

Não uso encantado como um adjetivo, mas o aproximo do terreno da encantaria, uma cosmovisão que aproxima as potências da natureza do ser humano, suspendendo a noção de que somos superiores a qualquer forma de vida. Tudo tem potência, da planta sob nossos pés até as criaturas da floresta: a compreensão do que é “humano” é mais vasta, mais ampla, e abrange muito mais do que pessoas.

Nesse sentido, tudo é feito da mesma matéria, e sendo feitos da mesma matéria, tudo é compartilhado em um único organismo que permite intercâmbios entre os elementos que o compõem, inclusive entre suas formas.

Não há muito o que amarrar em palavras.

Andar pela orla de Alter é perceber-se um filho pródigo, alguém distante que esqueceu do solo que o pariu, e que, de alguma forma, busca voltar, seja num banho de rio, seja na comunhão com a terra por meio de um tacacá ou, como experimentei, de um jeito encantado de contar histórias. 

Às margens do rio, sereias existem, e mesmo quem nelas não acredite, sabe ali que são reais.

Não acredito em ninguém que encare as águas escuras de um rio nortista e não sinta que, se encarar fixamente, não sinta nada olhando de volta.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Não acredito que estejamos tão consumidos pelo mundo capitalista que não haja em nós espaço para o mistério, especialmente para os filhos e filhas do Norte, cujo cordão umbilical não se corta.

As luzes da racionalidade, em algum momento, precisam se apagar para que a noite mostre que o universo é grande demais para nossas mentes tão pequenas.

A noite ensina humildade, nos lembra que não há diferentes do peixe charutinho que comemos ou da terra que nos come.

Em uma noite muito específica, essa lição é dada.

Falo da Quinta do Mestre e da Sereia, um momento semanal nas ruas de Alter que reúne turistas, locais, artistas, adultos, crianças e encantados em uma noite sagrada, onde uma história encantada é contada. É uma cerimônia de preservação do carimbó, ritmo paraense ecoado pelos Mestres dessa sonoridade e pelas Sereias que, com pés bem humanos e saias rodadas multicoloridas, levantam a poeira que mistura, em meio às canções, a terra e o ar. Não à toa, o carimbó é patrimônio cultural e artístico imaterial do estado do Pará, celebrado pela união desses contadores de histórias que juntos, mantêm viva a memória de um cortejo ancestral.

quinta do mestre
Quinta do Mestre e da Sereia, em Alter do Chão, no Pará. Foto: Rony Aires para a Prefeitura Municipal de Santarém

Não sou do time que acredita que Literatura é a arte da escrita. Acredito que é a arte da Palavra, e do contar de histórias que, organizadas em sentenças e proclamadas com o coração, se transformam em um outro tipo de experiência.

Ou, como senti ali, em encantaria.

Trata-se de uma festa, a primeira forma de ritual, em que o carimbó dá o ritmo ao passar das horas. Enquanto escrevo isso, percebo que nenhuma frase posta aqui faz jus ao momento, pois é uma daquelas situações em que o tempo e razão não pautam uma linguagem coerente, porque não é um momento para coerência.

É uma linguagem do corpo, uma experiência para se viver no momento presente, não para ser resgatada em crônica diretamente do passado. Eu tento, mas com a certeza de que vou falhar.

Leia também: A literatura amazônida ainda não existe

O carimbó transforma o corpo em água, num gingado quase instintivo que a prática com certeza refina em técnica. Mas a Quinta do Mestre não é sobre técnica, é um convite aos presentes partilharem do que aquela terra oferece. Não uso “oferecer” como uma espécie de produto, mas como um momento de contato com uma percussão terrosa, uma sonoridade aérea, e canções que fazem arder o coração.

Todos ali dançam, todos ali suam, e por um breve momento, o fim do mundo parece um conto distante.

É uma história de corpo e música, que, por meio de canções tradicionais de Carimbó, reencenam o encontro dos Mestres da música com suas Sereias, encarnadas em cada pessoa com coragem o bastante para vestir uma das saias multicoloridas e descalçar os pés.

O compasso dos passos cria sua própria música, não juntando o sagrado e o profano em um único momento, o que seria cristão demais. O que temos ali é a prova de que o profano é o próprio sagrado, reprimido por tanto tempo que esquece que é também um parágrafo de uma história maior, uma que todos ali se juntam para contar.

As Sereias dançam, como se recém-saídas da própria água, e o instrumento dos Mestres convocam os Botos, que com elas desenham círculos no ar. Quem é Boto e quem é gente?

A resposta é bem simples: não importa.

Quinta do Mestre e da Sereia, em Alter do Chão, no Pará. Foto: Rony Aires para a Prefeitura Municipal de Santarém

Ali, uma história não é só contada, mas é vivida no encontro da canção com a dança, da narrativa com a noite. À beira do encontro do rio Tapajós com o lago Verde, tudo se encontra, tudo se perde. Tudo se acha.

Eis o que para mim configura um mistério sagrado: ele não é feito para ser racionalizado, e escrever é também botar ordem.

Não é meu desejo ordenar nada, pois no início dos tempos, tudo era uma coisa só. Carne da mesma carne, água da mesma água, uma palavra contida em outra, pois eram a mesma.

Como nenhuma cerimônia dispensa de benção, um banho de cheiro é aspergido entre os presentes, selando o encontro com a terra enquanto a atmosfera é temperada por aquilo que dedos tão cuidadosamente maceraram. É o cheiro da terra, e, depois, é de todos os que tomaram parte na festa sagrada.

Conforme a noite morre e a lua se resguarda na água, o encanto perdura, esperando a próxima quinta-feira para ser reencenado.

Passeando pela orla, vendo as efígies de muiraquitã que se estendem de uma ponta a outra, me perguntei se não é esse ritual que sustenta os pilares do lugar, que mantém as forças da razão e do tempo tão distantes, que mantém a encantaria viva.

Alter é uma terra indígena, e a Quinta do Mestre é uma celebração que nos lembra o quão desnecessária é a religião (provavelmente do latim, religar) se nunca nos separarmos da terra.

Ali, toda quinta-feira é recontada uma história sagrada. Mal posso esperar para ouvi-la de novo.

Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pecuária cresce 85% em Roraima em sete anos, aponta Agência de Defesa Agropecuária

0

Gado criado em Roraima. Foto: Naamã Mourão/Rede Amazônica RR

A pecuária cresceu 85,7% em Roraima nos últimos sete anos e, em 2025, o estado atingiu um rebanho de 1,3 milhão de cabeças de gado, segundo a Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

No primeiro semestre de 2025, foram abatidos 105.301 bois no estado. A previsão é atingir 180.515 abates até o fim do ano, o que representa desempenho histórico para o setor.

Pecuária cresce 85% em Roraima
Pecuária cresce 85% em Roraima em sete anos. Foto: Naamã Mourão/Rede Amazônica RR

Entre os municípios, Mucajaí lidera o ranking com 19.876 abates, seguido por Rorainópolis (13.064) e Caracaraí (11.923). Na sequência aparecem:

  • Iracema: 11.496;
  • Cantá: 10.645;
  • Alto Alegre: 10.420;
  • Caroebe: 9.412;
  • Bonfim: 8.310;
  • São Luiz do Anauá: 3.236;
  • Amajari: 2.883;
  • São João da Baliza: 2.820;
  • Boa Vista: 1.216.

Leia também: Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta mitigam emissão de gases de efeito estufa na Amazônia

Exportações ganham força

Com o aumento da produção, o setor se prepara para exportar carne bovina. Em Iracema, a 93 km da capital Boa Vista, uma fazenda mantém cerca de 7 mil bois destinados ao abate, com foco no mercado de outros estados.

Pecuaristas de Roraima miram exportação para o Caribe. Foto: Naamã/Rede Amazônica RR

O pecuarista Chrystiano Ricardo, que chegou a Roraima há 15 anos, acompanha de perto o crescimento da pecuária no estado. “Estamos aqui desde 2001, e a gente conseguiu já mudar muito na área tecnológica da fazenda, com inseminações, com a própria recria do gado. Nós temos Goiânia, temos Manaus, que somando esses dois, a gente pode escoar mais ou menos 2 mil a 3 mil animais por mês”, disse.

“Isso é muito bom, com o estado que era pequeno, que não tinha essa saída de gado, hoje a gente está crescendo, a gente vê uma luz no fundo do túnel”, ressaltou.

Para ele, exportar parte da produção ajuda a valorizar o produto e fortalece o setor. Ele explicou que, para exportar, é necessário ter rastreabilidade animal desde o nascimento até o abate. “Com a ajuda do frigorífico, conseguimos agregar valor ao produto e trabalhar com volume. Antigamente, a gente ficava pensando: como vou vender? Para quem? Hoje, não”, contou Chrystiano.

Caribe é oportunidade de expansão

O zootecnista Diógenes Fernando Cardoso avalia que a abertura do mercado para a Comunidade do Caribe (Caricom), bloco que reúne países da região, representa uma grande oportunidade para Roraima.

“Nós temos 11 milhões de habitantes e 40 milhões de turistas. Se você pensar nesse mercado, é algo extraordinário. Você tem infinitas possibilidades de crescer. Não dá mais para pensar em abrir novas áreas. O segredo agora é aproveitar o que já existe, aumentar a produtividade e fazer isso de forma sustentável”, afirmou Diógenes Fernando.

Fernando Martinho. Foto: Divulgação/Repórter do Brasil

Para o especialista, o segredo está está na intensificação produtiva, com investimento em tecnologia, genética, manejo e nutrição para aumentar a produção em menos espaço.

Com o mercado em expansão, a pecuária deve seguir como um dos principais motores da economia roraimense nos próximos anos, segundo o especialista. A meta dos produtores é manter o ritmo de crescimento.

Em Iracema, por exemplo, a fazenda de Chrystiano projeta chegar a 6 mil vacas até 2026. “A gente procura dobrar o número de vacas. Toda propriedade que pensa em crescer tem que ter a sua própria recria, sem depender de compras externas. A nossa meta aqui é chegar nesse número até o ano que vem”, disse.

Evento discute futuro da pecuária

O crescimento da pecuária será discutido no Roraima Beef Summit 2025, que acontece no dia 21 de outubro. O evento vai reunir produtores, especialistas e pesquisadores para debater inovação, manejo e oportunidades de mercado.

Toda a renda do evento será doada ao Hospital de Amor, destinado ao tratamento de pacientes com câncer no estado, O evento também arrecada alimentos para o Programa Mesa Brasil, do Sesc, que distribui doações a famílias em situação de vulnerabilidade.

*Por Naamã Mourão, da Rede Amazônica RR

Humanos convivendo com onças-pintadas: histórias de interação com um dos gigantes da Amazônia

0

Uma família cuidou de um filhote de onça no Amazonas, chamando-o de ‘Golias’. Foto: Reprodução

Onças-pintadas são animais emblemáticos da fauna brasileira, detentores de beleza impressionante e força inquestionável. Elas ocupam biomas diversos, como a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica, onde interagem — direta ou indiretamente — com comunidades humanas e com as transformações ambientais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Na várzea amazônica, humanos e esses felinos dividem um espaço que muda com o movimento das águas. No Pantanal, o ecoturismo aproxima pessoas desses animais. No sul, o diálogo entre produtores e projetos busca minimizar conflitos.

Assim, a busca por convívio entre seres humanos e onças-pintadas mobiliza esforços científicos e comunitários em diferentes regiões do país.

Relembre algumas histórias — baseadas em notícias e relatos — de pessoas que convivem ou conviveram com onças-pintadas no Amazonas. Cada narrativa mostra desafios e adaptações na relação entre humanos e esses grandes felinos:

Iauaretê e a convivência com onças-pintadas na RDS Mamirauá

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, o Projeto Iauaretê estuda as onças-pintadas há mais de uma década, acompanhando-as em ambientes de várzea inundada e em períodos secos. O relato é apresentado em estudos que são divulgados publicamente.

Um relato marcante envolve o pesquisador Emiliano Ramalho, que participou de operações de captura e marcação de onças junto a outros pesquisadores. Ele descreveu momentos de convivência intensa com a floresta, quando via felinos se moverem entre galhos e troncos durante as cheias.

Leia também: Contatos imediatos com uma onça-pintada

Em Mamirauá, as onças-pintadas demonstraram comportamento adaptativo: durante a cheia, muitas permanecem nas copas das árvores e movimentam-se entre galhos elevados para evitar as águas.

Esse padrão de uso do habitat influencia a forma como pesquisadores e moradores observam e interagem com os felinos. A existência de expedições turísticas de observação de onças-pintadas nas copas das árvores, com turistas e cientistas, é uma resposta que combina a presença humana e a pesquisa no mesmo espaço.

Onça-pintada criada como pet

Um filhote de onça-pintada, mantido como “pet” por uma família, foi resgatado no dia 4 de fevereito desta ano em Santo Antônio do Içá, no interior do Amazonas, após uma denúncia anônima à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semat) do município. O animal foi batizado de ‘Golias’ pela família. Após o resgate, ele foi encaminhado à sede da Defesa Civil, onde recebeu atendimento veterinário. Não se sabe como o filhote foi capturado.

Com apenas 8 meses de vida, o filhote foi identificado pelas autoridades e aguardou autorização dos órgãos ambientais para ser liberado e retornar ao seu habitat natural. Porém, no dia seguinte, Golias voltou para a casa onde era criado em cativeiro. Ele aguardou alguns dias para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) providenciasse sua remoção do município.

Foto: divulgação/ Prefeitura de Santo Antônio do Içá

Leia também: Veterinária explica se as onças que vivem no CIGS podem voltar para a floresta

Segundo o Ibama, um veterinário do município avaliou o filhote e constatou que ele estava saudável e com comportamento dócil. No entanto, como não havia estrutura adequada na cidade para abrigá-lo, a onça precisou ser devolvida à família enquanto o Ibama buscava uma solução para sua remoção.

Quase dois meses depois do resgate ele foi transferido para o Instituto NEX No Extinction, um santuário de felinos localizado em Corumbá de Goiás (GO), para receber tratamento especializado e ter a chance de ser futuramente devolvido à natureza. 

Resgate de Tatá

Em 2022, o Portal Amazônia contou a história de Tatá, que viralizou nas redes sociais. A saga dela ocorreu há quase 30 anos, mas se tornou símbolo da família da social media Annie Carolline.

Tudo começou em meados de 1993, logo após o casamento dos pais de Annie. O pai dela, João Carlos Pinto de Castro, na época terceiro-sargento do Exército foi transferido para o município de Tefé. Em uma ronda pela Floresta Amazônica, ele e outros colegas encontraram uma onça filhote mamando na mãe morta, possivelmente assassinada por caçadores. 

Foto: Annie Chaves/Acervo pessoal

Em 1994 a mãe de Annie foi para Tefé e, segundo os relatos dela, João era super apegado à onça, que foi “batizada” como Tatá. “Não podia sentir o cheiro dele que enlouquecia querendo ir até onde ele ‘tava’”, conta.

Na entrevista ao Portal Amazônia, Annie contou que depois de ter sido encontrada, Tatá foi levada para o quartel da 16ª Brigada de Infantaria de Selva em Tefé. Em 1995, os pais de Annie voltaram para Alegrete, no Rio Grande do Sul, cidade natal dos dois e onde, pouco tempo depois, Annie nasceu.

A última informação da onça, depois desse período, que Annie encontrou, foi dada pelo Sargento Borges, que serviu com João Carlos Castro na época. Segundo Borges, Tatá foi levada para o Exército em Tabatinga, no Amazonas, e lá permaneceu até falecer. Leia a história completa AQUI.

Acima das Nuvens? Saiba quais são os pontos mais altos da Amazônia Legal

0

O Brasil, apesar de suas ricas e diversas paisagens naturais, não é considerado um país de grandes altitudes quando comparado a seus vizinhos da América do Sul, como Peru, Bolívia e Chile, onde se encontram cordilheiras monumentais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ainda assim, mesmo em terras brasileiras é possível alcançar alguns lugares que parecem tocar o céu: picos, serras e montanhas que emergem da imensidão verde amazônica e revelam horizontes de tirar o fôlego.

Leia também: Saiba quais são os pontos mais altos dos países da Amazônia Internacional

O relevo da Amazônia permitiu que alguns picos brasileiros chegassem a quase 3 mil metros de altitude. Para além da grandiosidade natural, esses pontos mais altos guardam também histórias culturais, espirituais e paisagens que encantam os aventureiros que decidem explorá-los. Confira:

Amazonas – Pico da Neblina (2.995 m)

O Amazonas abriga não apenas o ponto mais alto do estado, mas também o ponto culminante do Brasil: o Pico da Neblina. Localizado na Serra do Imeri, próximo à fronteira com a Venezuela, o cume alcança 2.995,30 metros.

Mais do que uma montanha, este é um santuário ecológico e espiritual. O povo Yanomami considera o local sagrado, e sua visitação só é permitida com autorização especial. Para quem tem a oportunidade de chegar até lá, a recompensa é indescritível: uma visão que parece tocar as nuvens e desbravar o infinito.

Leia também: Pesquisadora revela processos de formação do Pico da Neblina

Foto: Marcos Amend/ICMBio

Roraima – Maverick, no Monte Roraima (2.875 m)

No estado de Roraima se encontra um dos mais icônicos cartões-postais da Amazônia: o Monte Roraima. Seu ponto mais alto em território brasileiro é conhecido como Maverick, uma formação rochosa no topo do monte, que atinge 2.875 metros.

Esta gigante “mesa”, com paredes verticais que impressionam qualquer viajante, está situado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Mais do que uma paisagem, o Monte Roraima é uma referência cultural e espiritual para povos originários da região.

Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Pará – Serra do Acari (1.906 m)

O Pará, conhecido por suas vastas planícies e rios grandiosos, também guarda seu cume: a Serra do Acari. Com 1906 metros de altitude, ela está localizada na fronteira com a Guiana, a mais de mil quilômetros da capital Belém.

A região é remota e de difícil acesso, o que preserva sua natureza quase intocada. Para os aventureiros, explorar esse ponto culminante do Pará é uma verdadeira jornada de descobertas.

Foto: Marcelo Castro via Creative Commons

Tocantins – Serra das Traíras (1.340 m)

O Tocantins, porta de entrada para a Amazônia Legal, tem na Serra das Traíras seu ponto culminante, com 1.340 metros de altitude. Localizada na divisa com Goiás, a serra abrange os municípios de Arraias e Paranã e é um local de beleza singular.

As formações rochosas, a vegetação típica do Cerrado e os panoramas que se abrem no alto encantam viajantes e reforçam a diversidade de paisagens que compõem a Amazônia Legal.

Foto: Luiz HP/Tocantins em Fotos

Rondônia – Pico do Tracoá (1.126 m)

Na Serra dos Pacaás Novos, em Campo Novo de Rondônia, se ergue o Pico do Tracoá, com 1.126 metros de altitude. O local faz parte do Parque Nacional dos Pacaás Novos, uma unidade de conservação repleta de biodiversidade e paisagens deslumbrantes.

A região é considerada um dos destinos mais promissores para o ecoturismo no estado, com trilhas e mirantes naturais que permitem contemplar a floresta de um ângulo privilegiado.

Leia também: Descubra as belezas naturais do Pico do Tracoá, o ponto mais alto de Rondônia

Foto: Divulgação/Prefeitura de Campo Novo

Mato Grosso – Serra do Monte Cristo (1.118 m)

Embora grande parte do território mato-grossense seja formada por chapadas e planícies, é na Serra do Monte Cristo, próxima a Cuiabá, que se encontra o ponto mais alto do estado: 1.118 metros acima do nível do mar.

A região, além de bela, está próxima a áreas de proteção ambiental e guarda uma rica fauna e flora. É também um dos locais preferidos para o turismo de aventura e contemplação no estado.

Maranhão – Chapada das Mangabeiras (804 m)

O ponto mais alto do Maranhão é a Chapada das Mangabeiras, com 804 metros de altitude. Essa região, localizada no centro-sul do estado, é a área mais elevada do território maranhense, mas trata-se de uma formação do relevo localizada na divisa entre o Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Foto: Reprodução/Instagram-luisfcarqueijo

Amapá – Serra do Tumucumaque (701 m)

No extremo norte do Amapá, em plena fronteira internacional, se ergue a Serra do Tumucumaque. Com 701 metros de altitude. O ponto mais alto do estado está inserido em uma região de floresta densa e pouco explorada, que integra uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical protegida do planeta.

Para os viajantes que buscam isolamento e contato pleno com a natureza, este é um verdadeiro tesouro amazônico.

Foto: Divulgação/ICMBio

Acre – Serra da Contamara, na Serra do Divisor (609 m)

Embora o Acre seja conhecido por seus planaltos e baixas altitudes, sua região oeste guarda uma surpresa: a Serra do Divisor. Ali, na Serra da Contamara, encontra-se o ponto mais alto do estado, com 609 metros.

Essa área montanhosa contrasta com o relevo predominante acreano e integra o Parque Nacional da Serra do Divisor, um território de rica biodiversidade e um dos cenários mais belos da Amazônia brasileira.

Foto: Reprodução/Governo do Acre