Boletim aponta redução de 41% nos casos de dengue e de 71% nos óbitos em 2025, mas reforça alerta para o período sazonal de maior transmissão no Amazonas. Foto: Divulgação /FVS-RCP
Com redução de 41% nos casos confirmados de dengue e de 71% nos óbitos em 2025, em comparação a 2024, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) divulgou no dia 5 de janeiro a atualização do Boletim Epidemiológico de Arboviroses. O documento apresenta o panorama atualizado das principais arboviroses em circulação no estado.
Apesar da redução expressiva, a dengue permanece como a arbovirose de maior magnitude no Amazonas, com o registro de 4.667 casos confirmados em 2025. O boletim aponta, no entanto, ampliação da dispersão territorial da doença, com casos confirmados em 28 municípios, especialmente nas regionais de saúde do Rio Juruá e do Alto Solimões.
O monitoramento laboratorial identificou predominância do sorotipo DENV1, além da circulação pontual de outros sorotipos, o que reforça a necessidade de vigilância contínua e acompanhamento permanente do cenário epidemiológico.
Ao avaliar os dados, a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que os resultados refletem o esforço conjunto das equipes de saúde e dos municípios, mas exigem atenção constante.
“Mesmo com a diminuição observada em 2025, é fundamental manter o monitoramento, fortalecer o controle do mosquito, ampliar a vacinação e engajar a população para evitar novos casos graves da doença”, afirma.
O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, ressalta a vacinação como estratégia complementar essencial no controle da dengue. “Em 2025, foram distribuídas mais de 90 mil doses da vacina contra a dengue no Amazonas, com cerca de 130 mil doses aplicadas ao longo do ano, principalmente entre crianças e adolescentes. A ampliação da cobertura vacinal, aliada às ações de controle vetorial e à vigilância epidemiológica, contribui diretamente para a redução dos casos e da gravidade da doença no estado”, avalia.
Chikungunya apresenta crescimento expressivo no Amazonas
Em relação à chikungunya, o boletim evidencia aumento expressivo no número de casos confirmados em 2025, com 156 registros distribuídos em 26 municípios do Amazonas, principalmente no interior do estado, o que representa crescimento de aproximadamente 290% em comparação a 2024, quando foram confirmados 40 casos.
E os casos de Zika apresentaram comportamento inverso, com redução de cerca de 68%, passando de 77 casos confirmados em 2024 para 25 em 2025, mantendo-se em níveis baixos e concentrados em poucos municípios.
No mesmo período, não houve registro de casos confirmados de febre do Oropouche em 2025, após 3.181 casos registrados em 2024, enquanto a febre do Mayaro apresentou redução superior a 50%, caindo de 122 casos confirmados em 2024 para 60 em 2025, com ocorrência pontual no estado.
Níveis dos rios são monitorados pelo SGB. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM
Os rios Negro e Solimões apresentaram estabilidade dos níveis em Manaus e Manacapuru, no Amazonas, na última semana, segundo o 1º Boletim Hidrológico da Bacia do Amazonas de 2026, divulgado no dia 6 de janeiro pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). O comportamento é influenciado, principalmente, pelas condições de chuva registradas nas últimas semanas.
O Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Amazonas é divulgado às terças-feiras na plataforma do Sistema de Alerta Hidrológico.
Na bacia do rio Negro, apesar da desaceleração no ritmo de subida, os níveis permanecem dentro da faixa de normalidade para o período. Atualmente, o nível do rio Negro em Manaus é de 21,96 metros, conforme registrado na estação de Ponta do Ismael.
“O que se observou em Manaus foi apenas o reflexo de um movimento de recessão pontual ocorrido no Alto Solimões a partir da segunda semana de dezembro. Na maior parte das estações, os níveis estão dentro do esperado para o período”, explica o pesquisador Andre Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA).
Encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Foto: David Rego Jr.
Na bacia do rio Solimões, os últimos 30 dias foram marcados por uma descida acumulada de cerca de 3,20 m em Tabatinga. Antes, os níveis estavam acima do esperado para o período e, com a descida, os valores estão próximos ao limite inferior da faixa de normalidade. A cota observada no município é de 6,66 m. Em Manacapuru (AM), o nível está em 13,24 m e já é observada a estabilidade dos níveis.
De acordo com os prognósticos meteorológicos, há previsão de chuvas com anomalia positiva no Alto Solimões nas próximas duas semanas. Esse cenário tende a favorecer a retomada do processo de enchente dos rios, típico desta época do ano.
Na bacia do rio Branco, o rio segue em processo de vazante, com redução no ritmo das descidas diárias nos municípios de Boa Vista (RR) e Caracaraí (RR). As estações de monitoramento indicam níveis dentro do esperado para o período. No entanto, os prognósticos apontam chuvas abaixo da média na região para as próximas semanas, o que exige atenção. Em Boa Vista, o nível atual do rio Branco é de 1,30 m e em Caracaraí de 2,06 m.
Na bacia do rio Purus, o rio Acre, em Rio Branco (AC), está com níveis elevados e permanece acima da faixa de normalidade, com cota de 10,77 m. Em Beruri (AM), o comportamento do rio está associado à influência do rio Solimões, mantendo níveis compatíveis com o período. A cota registrada no município é de 14,58 m.
Na bacia do rio Madeira, o rio segue em processo de enchente, com elevações médias diárias de aproximadamente 25 cm em Humaitá (AM) e 18 centímetros em Porto Velho (RO). Os níveis são considerados elevados para a época. Em Porto Velho, a cota atual é de 12,5 m e, em Humaitá, de 19,79 m.
Os dados do SGB indicam ainda estabilidade dos níveis ao longo do rio Amazonas, em resposta direta ao comportamento observado no rio Solimões, com valores próximos às médias históricas. As cotas observadas são: 8,59 m em Itacoatiara (AM); 3,78 m em Parintins (AM); 3,88 em Óbidos (PA); e 3,61 m em Almeirim (PA).
O monitoramento dos rios é feito a partir de estações, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações e gera informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações estão disponíveis na plataforma SACE e são atualizadas diariamente.
Entremet de açaí e cupuaçu. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre
De origem francesa, o “entremet” é um doce que tem ficado cada vez mais popular no Brasil e, também, na Amazônia. É basicamente uma mousse com camadas internas de recheios, uma base de bolo e geralmente finalizada com uma glaçagem brilhante e bem espelhada.
A sobremesa, apesar de ter nascido na Europa, ganha versões quando encontra outras culturas e, na Amazônia, sabores de frutas regionais tem sido incorporados ao doce por chefs da região. Aprenda a receita ensinada pelo padeiro artesanal no Acre, Ricardo Nery:
Primeiramente, reduza a acidez do cupuaçu com água e açúcar. Depois, aplique o cupuaçu reduzido em um recipiente com o chocolate (pode ser o de sua preferência) e adicione metade do creme de leite. Em seguida, misture com processador ou liquidificador. E o recheio do entremet está pronto.
Depois, coloque em uma forma de silicone o recheio de cupuaçu, por 8h/12h, dentro do congelador ou freezer.
Para fazer a base do entremet, reduza a acidez do açaí, aplique metade do creme de leite fresco e misture até ferver. Após esse procedimento, acrescente o chocolate na panela. Misture, coloque o restante do creme de leite fresco e espere esfriar um pouco.
Coloque em um recipiente e guarde no congelador, por um período de 12h. É preciso deixar bem gelado para endurecer o creme de leite.
Hora de montar o entremet: bata a base de açaí congelada em uma batedeira e espere a massa ficar um pouco mais densa. Pegue uma forma de silicone ou um pote de preferência. Coloque até a metade para depois aplicar o recheio de cupuaçu e em seguida complete com o resto.
Finalização:
Tire da forma de silicone e, em seguida, espete o doce em um palito e enrole o doce em uma ganache de sua preferência.
Ao longo do ano, o Amazonas contabilizou 4.545 focos, entre janeiro e dezembro. Foto: Nilmar Lage/Greenpeace
Em 2025, o Amazonas registrou o menor número anual de focos de calor desde o início da série histórica do atual sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ao longo do ano, o estado contabilizou 4.545 focos, entre janeiro e dezembro.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) monitoram e analisam os dados diariamente para orientar políticas ambientais e ações de combate em campo.
Pela primeira vez em 23 anos de acompanhamento contínuo, iniciado em 2002, o total anual ficou abaixo de 5 mil registros, estabelecendo um recorde histórico de redução das queimadas no estado. O resultado também reflete a ampliação da presença permanente do Corpo de Bombeiros em áreas críticas.
Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, a redução expressiva resulta da combinação entre fatores climáticos e investimentos em estrutura, tecnologia e integração entre órgãos estaduais. Segundo ele, o apoio do Fundo Amazônia e de parceiros internacionais, como o KfW, foi decisivo para fortalecer a capacidade operacional do estado.
“Ampliamos a presença do Corpo de Bombeiros em mais de 90% dos municípios críticos. Essa atuação integrada tem permitido respostas rápidas, prevenção ao desmatamento ilegal e colocou o Amazonas entre os estados com menor participação nos focos de calor da Amazônia”, destacou o secretário.
Os dados mostram que os registros de 2025 representam uma redução de 82,18% em relação a 2024, quando o estado contabilizou 25.499 focos — a maior queda desde o início da série histórica.
Para o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, o resultado reforça a importância do monitoramento contínuo e do uso de informação técnica na tomada de decisões.
“O acompanhamento diário dos dados do Inpe, aliado à análise das áreas mais suscetíveis e ao direcionamento das ações de fiscalização preventiva, permitiu reduzir ocorrências e evitar a formação de novos focos em regiões sensíveis. O trabalho integrado das instituições envolvidas tem sido fundamental para consolidar esse resultado”, afirmou.
Com esse desempenho, o Amazonas ocupou a 5ª posição no ranking de focos de calor entre os estados da Amazônia Legal, respondendo por apenas 6% do total registrado na região.
Do total de ocorrências em 2025:
704 focos (15,49%) ocorreram em áreas de gestão direta do estado;
2.788 focos (61,34%), em áreas federais;
1.053 focos (23,17%), em vazios cartográficos.
Avanços no Amazonas
Em 2025, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) dobrou o número de municípios com presença da corporação, passando de 11 para 22 cidades.
Os novos municípios receberam viaturas Auto Bomba Tanque (ABT), com capacidade para 10 mil litros de água, além de equipamentos e efetivo militar, por meio dos Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIP), implantados em parceria com as prefeituras.
“A presença do Corpo de Bombeiros com estruturas novas, com Bombeiros Militares, em um trabalho coordenado com as prefeituras, dá ao poder público uma capacidade de resposta muito expressiva, o que resulta na redução dos números”, concluiu o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz.
“Amazônia a Olhos Vistos” apresenta registros de pesquisadores e fotógrafos sobre impactos ambientais e iniciativas de conservação. Banner: Kaylane Golvin/Ascom Inpa – Foto: Igor Souza/Ascom Inpa
Após integrar um intenso circuito de visitações durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro, em Belém (PA), a exposição fotográfica ‘Amazônia a Olhos Vistos’ chega a Manaus (AM) no dia 9 de janeiro, no Bosque da Ciência, espaço de visitação pública do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).
A mostra propõe uma reflexão sobre as crescentes ameaças à Amazônia e as soluções voltadas à proteção desse importante bioma.
Desenvolvida pela Rede Bioamazonia – que reúne os principais institutos de pesquisa e inovação em Biodiversidade da Pan-Amazônia, a exposição reúne 20 imagens captadas por fotógrafos membros da Rede, com curadoria de João Valsecchi do Amaral e Miguel Monteiro, do Instituto Mamirauá.
As fotografias retratam os impactos das mudanças climáticas e das atividades humanas sobre os ecossistemas, a biodiversidade e as comunidades tradicionais da região amazônica.
Imagem mostra uma floresta morta de igapó no rio Uatumã, em decorrência da barragem de Balbina, no Amazonas. Foto: Igor Souza- Ascom Inpa.
Para o diretor do Inpa, professor Henrique Pereira, a exposição vai além do aspecto visual e cumpre um papel fundamental de sensibilização científica.
“Esta exposição convida o público a sentir a Amazônia com os olhos e com a consciência, compreendendo que as ameaças à biodiversidade são reais, mas que a ciência oferece caminhos concretos para proteger o futuro da floresta”, destacou Pereira, que é vice-diretor da Rede Bioamazonia.
Entre os registros expostos está uma imagem do pesquisador Jochen Schöngart, do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP Maua), que mostra uma floresta morta de igapó no rio Uatumã, em decorrência da barragem de Balbina, no Amazonas. Outra fotografia é de autoria do jornalista Lucas Batista, ex-integrante da Assessoria de Comunicação do Inpa (Ascom/Inpa), e apresenta a Coleção Científica Biológica de Invertebrados do Instituto.
A imagem apresenta a Coleção Científica Biológica de Invertebrados do Instituto. Foto: Igor Souza- Ascom Inpa.
A mostra foi concebida especialmente para a COP30 e apresentada inicialmente ao público no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde registrou visitação expressiva nas duas semanas da programação paralela da Conferência do Clima. No Bosque, a mostra será instalada na Ilha da Tanimbuca e a expectativa é que fique disponível ao público durante um ano.
De acordo com o chefe do Bosque da Ciência, Jorge Lobato, a exposição marca a primeira programação de 2026 no espaço científico-cultural do Inpa, que registrou recorde de visitantes em 2025. “Por ser janeiro um mês de férias, preparamos uma programação especial para esse período. Iniciamos com esta exposição, que é um trabalho extremamente bonito e significativo, e que convida o público a refletir sobre as crescentes ameaças que a região amazônica vem sofrendo”, afirmou.
O Bosque da Ciência funciona de terça a domingo, das 9h às 16h30, com permanência permitida até às 17h. As visitas são gratuitas, mediante agendamento prévio pelo link disponível AQUI.
Rede Bioamazonia
A Rede Bioamazonia é um instrumento regional com a missão de fortalecer a cooperação transfronteiriça, integrar capacidades de pesquisa e inovação em biodiversidade e estimular a bioeconomia amazônica como alternativa ao modelo extrativista convencional.
Criada em 2024, a iniciativa surgiu diante de um contexto global marcado por múltiplas crises e mudanças aceleradas que vêm alterando drasticamente as condições de vida no planeta, em especial na Amazônia.
São institutos membros da Rede Bioamazonia:
Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander Von Humboldt (Humboldt) – Colômbia
Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI (SINCHI) – Colômbia
Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Instituto Mamiraruá) – Brasil
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) – Brasil
Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) – Brasil
Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Peru
Instituto Nacional de Biodiversidade (InaBio) – Equador
Instituto de Ecologia da Universidade Mayor de San Andrés (IE/UMSA) – Bolívia
Os trabalhos são coordenados pela SMEC, com base em levantamento técnico das equipes de engenharia e manutenção em cada escola. Foto: Diane Sampaio/PMBV
A Prefeitura de Boa Vista deu início ao serviço de manutenção em mais de 80 unidades da Rede Municipal de Ensino, contemplando escolas das áreas urbana, do campo e indígenas. As ações são executadas durante o período de férias escolares e seguem até o dia 30 de janeiro de 2026.
A primeira unidade a receber os serviços foi a Escola Municipal Maria de Fátima Faria Andrade, localizada no bairro Centenário. O objetivo é garantir que todas as escolas estejam em condições estruturais adequadas para receber alunos, professores e equipes pedagógicas no início do ano letivo de 2026, previsto para o dia 2 de fevereiro.
O secretário municipal de Educação e Cultura, Lincoln Oliveira, acompanha de perto os serviços de manutenção nas escolas de Boa Vista. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Planejamento técnico garante intervenções adequadas em cada unidade escolar
Os trabalhos são coordenados pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), a partir de um levantamento técnico feito pelas equipes de engenharia e manutenção, que identificaram as necessidades específicas de cada unidade escolar.
“Nas escolas do campo e indígenas, as intervenções respeitam as particularidades de cada comunidade, assegurando funcionalidade, segurança e conforto. As demais unidades da rede municipal passarão pelos serviços de manutenção ao longo do ano de 2026, reforçando o compromisso da Prefeitura de Boa Vista com a valorização da educação, a melhoria contínua da infraestrutura escolar e a oferta de ambientes adequados para o processo de ensino e aprendizagem”, disse o secretário municipal de Educação e Cultura, Lincoln Oliveira.
As ações são executadas durante o período de férias escolares e seguem até o dia 30 de janeiro de 2026. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Adequações, acessibilidade e melhorias nos ambientes educacionais
Os serviços incluem manutenção e troca de telhados e coberturas, reformas e adequações em banheiros, reparos e modernização das instalações elétricas, além de reformas e ampliações de copas e refeitórios.
Também estão previstas a substituição de forros, portas, janelas e revestimentos, pintura interna e externa, impermeabilização de calhas e lajes, correções estruturais, melhorias no sistema de drenagem, manutenção de containers e áreas comuns, além de adequações em unidades de educação inclusiva e especializada.
Após o ataque à Venezuela ocorrido no sábado (3/01), o Ministério da Saúde enviou equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com o país.
A pasta também estrutura plano de contingência para resposta do SUS ao possível agravamento da crise internacional e avanço da demanda de migrantes na região fronteiriça. Até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região.
“Nossa equipe do Ministério da Saúde e membros da Força Nacional, que possuem vasta experiência em situações de tragédia, já estão presentes na região identificando, se necessário, estruturas hospitalares e avaliando a possibilidade de ampliação. Se preciso, montaremos hospitais de campanha ou expandiremos as estruturas existentes para reduzir os impactos no sistema público brasileiro”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, o MS mobilizou equipes da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), FNSUS e de Saúde Indígena para reduzir, ao máximo, os impactos no SUS brasileiro.
O Ministério também está à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) para o caso de ajuda humanitária. “Estamos nos preparando para apoiar, se necessário, com medicamentos e insumos para diálise, visto que o principal centro de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, foi destruído pelo ataque”, reforçou Padilha.
Centro comercial de Pacaraima. Foto: Nalu Cardoso/Rede Amazônica RR
Fortalecimento da saúde com a Operação Acolhida
A Operação Acolhida foi totalmente assumida pelo MS em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária. Desde julho, com a implantação do Projeto Saúde nas Fronteiras, em parceria com a AgSUS, o ministério mantém 40 profissionais permanentes que fazem o acompanhamento e o acolhimento dos migrantes nos abrigos em Pacaraima e Boa Vista. Até dezembro, foram investidos cerca de R$ 900 mil em equipes e insumos.
O projeto conta com equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, psicólogo, assistente social e mediador intercultural para atuação em espaços de alojamento e ocupações espontâneas. Além disso, inclui equipe de técnicos de enfermagem, auxiliares administrativos e mediadores interculturais, com foco nas demandas de imunização.
De setembro a novembro de 2025, foram realizados mais de 5 mil atendimentos, sendo 2 mil na capital Boa Vista e 3 mil em Pacaraima. Em 2024 e 2025, foram aplicadas cerca de 500 mil doses de vacina na Operação Acolhida. Em um cenário de emergência, o Ministério da Saúde está pronto para triplicar a capacidade de atendimentos no SUS, saltando de três para nove equipes itinerantes do Saúde nas Fronteiras.
O Ministério da Saúde reafirma o papel do SUS como referência internacional ao garantir assistência médica integral a todas as pessoas em solo nacional. Para imigrantes em cidades de fronteira, esse direito é assegurado, independentemente do status migratório ou nacionalidade.
Você sabe qual é o Dia da Onça? Ou que Rondônia celebra dois aniversários anualmente? Pensando em datas que são importantes para a região amazônica, o Portal Amazônia preparou um calendário especial de 2026 com destaque para essas celebrações.
Ilha do Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Ministério das Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) iniciam um novo programa de enfrentamento à violência de gênero e de qualificação da produção e do uso de dados em territórios prioritários do país. A iniciativa será implementada ao longo de 36 meses, entre janeiro de 2026 e dezembro de 2028, com investimento total de R$ 6 milhões, e conta com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE).
A iniciativa tem como objetivo fortalecer as capacidades institucionais do Ministério das Mulheres e das redes locais de atendimento para prevenir, enfrentar e responder à violência contra mulheres e meninas, com foco especial em contextos de alta vulnerabilidade social e territorial. A parceria prioriza dois territórios estratégicos: a Ilha do Marajó, no Pará, e o território Yanomami, nos estados do Amazonas e de Roraima.
A iniciativa aposta no aprimoramento da produção, sistematização e uso de dados desagregados sobre a situação de mulheres e meninas como ferramenta central para subsidiar políticas públicas baseadas em evidências. Também prevê a adaptação de boas práticas internacionais ao contexto brasileiro, o fortalecimento de metodologias de trabalho culturalmente sensíveis e a ampliação da capacidade técnica de instituições públicas, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias.
A iniciativa será implementada ao longo de 36 meses. Na foto, comunidade indígena na Terra Yanomami. Foto: Bruno Mancinelle/Arquivo Casa de Governo
Iniciativa prioriza territórios com cenários críticos
Os territórios priorizados concentram alguns dos indicadores mais críticos do país. Na Ilha do Marajó, onde vivem cerca de 557 mil pessoas distribuídas em 17 municípios, quase 70% da população reside em comunidades ribeirinhas de difícil acesso e enfrenta graves vazios assistenciais. A região apresenta altas taxas de gravidez na adolescência, sub-registro civil, exploração sexual de crianças e adolescentes e escassez de serviços especializados para mulheres em situação de violência.
Já no território Yanomami, que abriga mais de 27 mil indígenas em 384 aldeias, a violência baseada em gênero se agrava em um contexto de crise humanitária, insegurança alimentar, impactos do garimpo ilegal e barreiras de acesso a serviços públicos culturalmente adequados.
Entre os resultados esperados da iniciativa estão:
o fortalecimento da capacidade decisória do Ministério das Mulheres para formular, implementar e monitorar políticas de enfrentamento à violência baseada em gênero;
o desenvolvimento de capacidades técnicas para a coleta, análise e disseminação segura de dados sociodemográficos;
o fortalecimento das redes locais de atendimento nos dois territórios;
e o apoio ao protagonismo e à organização de mulheres e lideranças comunitárias.
Ao unir o mandato e a expertise técnica do UNFPA à atuação do Ministério das Mulheres, a iniciativa busca contribuir para respostas mais articuladas, intersetoriais e culturalmente sensíveis, promovendo a redução das desigualdades de acesso a serviços, o fortalecimento da cidadania e a construção de políticas públicas que garantam a mulheres e meninas o direito de viver uma vida livre de violência.
No extremo Norte de Roraima, uma cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela tem sido o primeiro local do Brasil a sentir os reflexos da crise política, econômica e humanitária existente no país vizinho. Pacaraima.
Localizada na fronteira entre os dois países, a 215 quilômetros de Boa Vista, Pacaraima já conta com mais de 1,1 milhão de migrantes venezuelanos que entraram no país desde 2015, transformando a rotina da cidade. De acordo com estimativas do Censo 2022, o município possui cerca de 19 mil habitantes.
Fronteira do Brasil com a Venezuela. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR
O estouro da crise na Venezuela mudou a rotina de Pacaraima. Só em 2025, a cidade recebeu mais de 96 mil novos migrantes venezuelanos introduzidos na rotina do município. Foram mais de 11 mil venezuelanos entrando por Pacaraima em outubro do ano passado, segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra).
A Prefeitura de Pacaraima informou que a cidade segue em tranquilidade, com comércio funcionando normalmente e sem alterações na rotina. A gestão municipal afirmou que “acompanha os desdobramentos e mantém diálogo com as forças de segurança”.
Parte do cotidiano da cidade
Centro comercial de Pacaraima. Foto: Nalu Cardoso/Rede Amazônica RR
Desde 2015, Pacaraima vivencia uma transformação sem precedentes com a crise econômica e social instalada no Venezuela, que ocasionou um grande fluxo de pessoas venezuelanas cruzando a fronteira em direção ao Brasil. Muitos chegam a pé, carregando mochilas, sacolas e trazendo crianças, em busca de alimentação, trabalho e atendimento básico de saúde.
José González, de 48 anos, natural de Maturín, no leste da Venezuela. Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR
É nesse contexto que chegaram recentemente migrantes como José González, de 48 anos, natural de Maturín, no leste da Venezuela. Trabalhador autônomo, ele entrou no Brasil três dias antes dos novos desdobramentos políticos no país vizinho. Ele afirma que a decisão de sair da Venezuela não está relacionada a rejeição ao país de origem, mas à dor de deixar um lugar que já não oferece segurança.
“O fato de estarmos aqui é porque a situação nos levou a esses extremos. Não é que a gente se sinta rejeitado pelo país, não. O que a gente sente é dor pelo nosso país. A Venezuela nos dói”, disse.
Segundo ele, a instabilidade não se restringe a uma região específica. Ao falar sobre a notícia do ataque e da captura de Maduro, José diz ter sentido medo e incerteza, mas também esperança de uma solução diplomática. “O que a gente espera agora é que tudo se resolva da melhor maneira, pelo diálogo. Quem sofre sempre é o povo inocente”, afirmou.
Em agosto de 2018, episódios de violência e confronto entre brasileiros e venezuelanos marcaram um dos momentos mais críticos da história recente da cidade. Ruas ficaram vazias, comércios fecharam as portas e Pacaraima ganhou projeção nacional como símbolo das dificuldades enfrentadas por municípios de fronteira diante de um fluxo migratório intenso.
À época, o município passou a ser descrito como um “território em tensão constante”.
Local onde antes havia acampamento de venezuelanos às margens da BR-174 agora tem só restos de objetos queimados — Foto: Jackson Félix/G1 RR
Operação Acolhida
Ainda em 2018, foi criada a Operação Acolhida. Comandada pelo Exército do Brasil, a iniciativa estruturou a triagem, a vacinação, a regularização de documentos e a interiorização de migrantes para outros estados do país.
Pacaraima passou a conviver de forma permanente com a presença de abrigos, equipes de saúde, militares e organizações humanitárias. Mesmo assim, muitos venezuelanos seguem vivendo fora das estruturas oficiais, alugando quartos, ocupando imóveis ou trabalhando no comércio local.
Cerca de 400 migrantes venezuelanos esperam em posto de triagem da Operação Acolhida em Pacaraima — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Fronteira fechada e ajuda humanitária
Em 2019, caminhões com ajuda humanitária partiram de Boa Vista em direção à fronteira, enquanto o fechamento temporário intensificou o uso de rotas ilegais, conhecidas como trochas.
Histórias de crianças venezuelanas que cruzavam a fronteira por caminhos alternativos para estudar em escolas brasileiras passaram a chamar atenção para a complexidade do fenômeno migratório.
Pacaraima passou por um processo de adaptação. A cidade foi a que mais cresceu proporcionalmente em Roraima na última década, impulsionada principalmente pela migração.
Com o trânsito de migrantes, a cidade atingiu uma taxa de adesão ao PIX de 550%, segundo o levantamento “Geografia do PIX”, da FGV, que mapeou em todo o país o uso desse meio de pagamento criado pelo Banco Central. São 106 mil pessoas usando a ferramenta, em média, a cada mês, para 19 mil habitantes.
Hoje, o espanhol é ouvido com frequência nas ruas, e venezuelanos trabalham em supermercados, restaurantes, oficinas, hotéis e no comércio informal.
Centro comercial de Pacaraima. Foto: Nalu Cardoso/G1 RR
Elizabeth Rincón, de 39 anos, é uma dessas migrantes. Ela chegou em Pacaraima há menos de um mês, deixou familiares na Venezuela e diz que os primeiros dias no Brasil foram marcados pela apreensão. Vivendo longe do país natal, ela afirma que o futuro da Venezuela segue incerto e que a saída de Maduro não traz, por si só, segurança.
“Não me sinto aliviada, porque não sabemos o que vai acontecer agora. Tiraram Maduro, e depois? A gente não sabe. Deixamos tudo nas mãos de Deus. Fiquei triste, porque me disseram que tinha acontecido uma explosão, que a situação estava grave. Minha mãe está lá”, disse.
Migrante venezuelana que vive em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela — Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica