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Justiça condena governo de Roraima a construir nova sede para museu

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Museu Integrado de Roraima após a demolição em maio de 2023. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A Justiça de Roraima determinou que o governo do estado construa uma nova sede para o Museu Integrado de Roraima (MIRR) no prazo de 360 dias. A decisão, de 29 de janeiro de 2026, também condenou o Estado a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais coletivos devido ao abandono do acervo histórico e cultural.

No dia 26 de fevereiro, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) entrou com um recurso contra a decisão. O governo argumenta que os prazos estipulados pela Justiça são de “impossível cumprimento espontâneo”.

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Ao Grupo Rede Amazônica, a Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) informou que está ciente da decisão e que já possui projetos para construção da nova sede e catalogação técnica do acervo. No entanto, devido à complexidade do trabalho, a secretaria ressaltou que vai pedir à Justiça um prazo mais adequado para cumprir as determinações com segurança e planejamento.

O Museu Integrado de Roraima foi inaugurado em 1985, antes localizado no Parque Anauá, zona Leste de Boa Vista, foi demolido pelo governo em maio de 2023, após 12 anos de abandono. Ficavam expostos no local materiais arqueológicos, peças de arte e até ossos humano e de animais.

Leia também: Único museu de Roraima é demolido após mais de uma década abandonado

A ação civil pública que gerou a condenação foi movida pelo Ministério Público (MP) de Roraima. O juiz Guilherme Versiani Gusmão Fonseca, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Boa Vista, concluiu que houve grave omissão do Estado na proteção do patrimônio público.

O problema se agravou após a demolição do antigo prédio que abrigava o museu, segundo a promotoria.

Museu Integrado de Roraima foi demolido pelo Governo de Roraima e funciona em local improvisado no Parque Anauá.
Museu Integrado de Roraima foi demolido pelo Governo de Roraima e funciona em local improvisado no Parque Anauá. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Desde então, as peças históricas ficaram sem local definitivo e, atualmente, estão guardadas em espaço chamado de Parque Tecnológico, que fica no Parque Anauá, local onde ficava a sede demolida.

Durante o processo, o MP apontou negligência na segurança, citando a existência de mais de 40 boletins de ocorrência relatando furtos no local.

Recurso aponta prazos inviáveis para construção do museu e falta de pessoal

No recurso apresentado à Justiça, chamado de embargos de declaração, o estado contesta as exigências do magistrado. A PGE destaca que a construção de um museu exige processos demorados e obrigatórios por lei, como projetos arquitetônicos complexos e licitações.

O governo alega também não ter equipe técnica suficiente no estado, como museólogos e arqueólogos, para fazer o inventário exigido em apenas 90 dias.

Segundo a PGE, o acervo conta com mais de 40 mil itens arqueológicos e 17 mil peças botânicas, o que torna o prazo materialmente impossível.

O recurso aponta ainda uma contradição na sentença. Segundo o Estado, uma inspeção da própria Justiça confirmou que o acervo está guardado hoje em um local com boas condições de conservação, com salas climatizadas e mobiliário adequado. Para o governo, isso não justificaria a urgência de construir um novo prédio em 360 dias.

Por fim, a Procuradoria argumenta que a reconstrução do museu já é uma meta prevista no Plano Plurianual (PPA 2024-2027) e que a Justiça não pode atuar como “administradora”, interferindo no orçamento do Poder Executivo.

Determinações da Justiça

Com a condenação inicial (que agora é alvo do recurso), o governo de Roraima ficava obrigado a:

  • Realizar um estudo técnico e inventário completo de todo o acervo do MIRR em até 90 dias (Essa etapa deve ser acompanhada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional);
  • Identificar, catalogar, verificar o estado de conservação e garantir a guarda correta de todas as peças no mesmo prazo de 90 dias;
  • Apresentar o projeto arquitetônico da nova sede em até 180 dias.
  • Construir a sede própria e reabrir o museu ao público em até 360 dias.
  • Incluir no orçamento anual do Estado os recursos necessários para a manutenção do espaço e do acervo.
  • Informar o IPHAN formalmente sobre todas as medidas adotadas em relação a bens arqueológicos.

*Por João Gabriel Leitão e Nalu Cardoso, da Rede Amazônica RR

Pan-Amazônia lidera missão ao porto peruano de Chancay e Canal do Panamá

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Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Coordenada pela Associação Pan-Amazônia, empresários dos estados do Amazonas, Roraima e Rondônia integraram, no período de 16 a 21 de fevereiro, missão institucional objetivando conhecer projetos estratégicos de infraestrutura econômica na América do Sul, fortalecer relações institucionais e avaliar oportunidades comerciais, logísticas e de investimentos visando desenvolver laços de negócios entre Peru, Panamá e a região Norte do Brasil.

As atividades se iniciaram em Lima, capital peruana, onde a delegação foi recebida pela ministra do Comércio Exterior e Turismo do Peru, Teresa Mera, em reunião com a presença do vice-ministro de Comércio Exterior e Turismo e representantes de diversos órgãos governamentais e empresas privadas ligados à estrutura portuária e modais de transporte que operam desde a Ásia dando suporte à corrente de comércio estabelecida com países sul-americanos.

Foram realizadas apresentações técnicas abordando a infraestrutura logística peruana, o papel estratégico do país como eixo de conexão Ásia–América do Sul, o potencial de integração comercial Peru/ Brasil e as oportunidades específicas para a região Norte brasileira relativamente ao estratégico corredor bioceânico Oeste amazônico/porto de Chancay.

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De acordo com o diretor executivo da Associação Pan-Amazônia, Belisário Arce, esta nova rota para a Ásia objetiva impactar significativamente a redução de custos de transporte e potencializar o crescimento das exportações do Norte e Centro-Oeste brasileiro, especialmente no tocante à produção de grãos dos estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima.

Fatores que levaram a Associação a organizar e cumprir a agenda de trabalho nos dois países amigos, salientando-se os arrojados Porto de Chancay e o Canal do Panamá. Reunidos com o Embaixador do Brasil em Lima, Clemente Baena Soares, os empresários da Pan-Amazônia levantaram queixas reais, destacadamente sobre a burocracia excessiva e os entraves alfandegários que tanto prejudicam o fluxo de mercadorias na região. A integração física já existe, mas os “trâmites de papéis” precisam acelerar, salienta Arce.

A missão seguiu para a Cidade do Panamá e as Eclusas de Água Clara, onde se localiza o famoso Canal, que, em suma, compreende uma hidrovia artificial de 82 km edificada sobre o istmo do Panamá conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. Um marco da engenharia mundial ao encurtar drasticamente viagens marítimas e, desta forma, eliminar o perigoso contorno do Cabo Horn, o ponto mais meridional do continente Sul-americano.

Crucial para o comércio global, a estrutura permite economizar tempo e custos, sendo uma das rotas mais importantes para o transporte de mercadorias entre a Ásia, as Américas e a Europa. Sua importância destaca-se, sobretudo, por ser vital ao comércio internacional, por onde passa cerca de 4% a 6% do comércio marítimo mundial; reduzir a longa e perigosa rota do Cabo Horn economizando milhares de milhas, tornando-se, enfim, cadeias de suprimentos fundamentais às rotas Ásia-Costa Leste dos EUA, Europa-América do Sul mais eficientes.

A delegação da Associação Pan-Amazônia em visita a Lima e Panamá City estava assim constituída:

  • Belisário Arce – Fundador e Diretor Executivo da Associação;
  • David Israel – empresário do setor de turismo;
  • João Luiz Oliva Pinto e esposa Antonia Oliva, empresários do setor de logística de transporte;
  • Adelso Neves – do setor de logística, transporte de carga terrestre e fluvial;
  • Diretor presidente da Fogás, Jaime Benchimol e esposa, Anne Benchimol;
  • Osiris M. Araújo da Silva, economista, do setor de agronegócios;
  • Adélio Barofaldi, CEO do grupo Rovema, de Rondônia, que atua nos setores de geração de energía, agronegócio, indústria, logística e transporte;
  • Germano Andrade – advogado tributarista;
  • Felipe Castro – produtor e transportador de soja em Roraima;
  • Phelippe Daou Júnior, CEO da Rede Amazônica, e sua esposa, Flávia Piva.

Leia também: Agro paraguaio impulsionado por capital brasileiro

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Turismo de Base Comunitária: Barcarena abre nova temporada para visitas em roteiros turísticos

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Com a oferta de experiência imersiva, o projeto TBC Barcarena envolve agricultura familiar a conservação da floresta amazônica no Pará. Foto: Franklin Salvador

Já imaginou viver uma experiência imersiva e verdadeiramente amazônica em Barcarena, no Pará? É isso que o projeto Turismo de Base Comunitária em Barcarena (TBC Barcarena) oferece em uma série de roteiros turísticos abertos ao público.

A nova temporada iniciou em 7 de fevereiro, composta por 18 atrativos, divididos em oito roteiros diferentes, que oferecem experiências gastronômicas, trilhas, apresentações culturais, banhos de cheiro, contação de histórias e muito mais, sempre com a comunidade à frente da imersão amazônica.

Leia também: Sítio-escola reúne artefatos de povos antigos de Barcarena durante pesquisa de campo

Com uma distância de 2 horas de Belém, a cidade possui uma beleza natural encantadora, rica cultura gastronômica e comunidades abertas para receber visitantes que procuram adentrar na Amazônia ribeirinha, quilombola e urbana.

A agricultora Natalina Coutinho recebe visitantes em seu sítio, onde há uma trilha encantadora e frutos deliciosos, os quais Natalina usa para a produção de geléias saborosas. 

“O Turismo de Base Comunitária significa encantar o público com aquilo que a gente tem de forma natural e agradável, mostrando a sustentabilidade do nosso município e da nossa região. Isso é muito importante pois agrega valor ao nosso trabalho, na nossa comunidade e a toda uma sociedade em conjunto”, explica a agricultora.

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O TBC Barcarena é realizado pelo Fundo Hydro e Mitsui Bussan no Brasil, e executado pelo Instituto Peabiru. Foto: Franklin Salvador
O TBC Barcarena é realizado pelo Fundo Hydro e Mitsui Bussan no Brasil, e executado pelo Instituto Peabiru. Foto: Franklin Salvador

Barcarena investe no turismo

Joyce Ferreira, turismóloga e coordenadora do projeto, explica que o Turismo de Base Comunitária é resultado de um trabalho coletivo:

“A gente mostra para a comunidade que o turismo de base comunitária é feito por eles, e como isso pode agregar na valorização da cultura, do patrimônio e dos seus atrativos”.

Os roteiros acontecerão no primeiro e no último sábado de cada mês até maio. Para mais informações, como valores, entre em contato pelo e-mail barcarenatbc@gmail.com ou telefone (91) 99210-6054. Você pode também manifestar interesse respondendo ao formulário online.

*Com informações do Instituto Peabiru

Cartilha reúne resultados do manejo sustentável do pirarucu no Amazonas

Foto: Adriano Gambarini/OPAN

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) entregou cerca de 700 cartilhas com apresentação dos resultados do Programa de Manejo Sustentável de Pirarucu, desde 1999, às comunidades participantes do programa de manejo no Estado do Amazonas.

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cartilha, distribuída pela Coordenação de Uso Sustentável da Fauna e da Biodiversidade (Cofap), do Instituto, traz informações sobre a formação, a importância e os resultados do manejo, com base nas experiências da Superintendência do Ibama no estado do Amazonas, que apoia e monitora as iniciativas de manejo.

As cartilhas foram distribuídas às secretarias municipais de educação que atendem as escolas envolvidas nos projetos de educação ambiental do programa, incentivando a participação comunitária.

Leia também: Com manejo sustentável, pirarucu recupera estoque natural na região do Médio Solimões

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Foto: Reprodução/Embrapa

Cartilha reforça importância do manejo

manejo do pirarucu (Arapaima gigas) se consolidou no Amazonas como um importante processo de gestão compartilhada dos recursos naturais para a conservação da espécie. Os lagos onde pode ocorrer o manejo estão inseridos em unidades de conservação federais e estaduais, terras indígenas e áreas de acordo de pesca, beneficiando as comunidades ribeirinhas amazonenses.

A iniciativa reforça o impacto positivo na conservação da espécie e na melhoria da economia local, evitando as invasões de pescadores irregulares aos ambientes aquáticos e protegendo a biodiversidade da região Amazônica.

Em 2025, o Ibama implementou o Programa Arapaima por meio da Portaria nº 22/2025, com o intuito de incentivar e avaliar a viabilidade de expandir o programa para outros estados da bacia hidrográfica do rio Amazonas, reconhecendo o potencial dessas regiões para a conservação e o uso responsável da espécie.

Acesse a Cartilha ’26 Anos do Manejo de Pirarucu no Estado do Amazonas: Aprendizados e Desafios de um Modelo de Gestão Compartilhada’ AQUI.

*Com informações do Ibama

Observatório da OTCA lança painel sobre degradação florestal na Amazônia

Área desmatada ilegalmente no Amazonas. Foto: Reprodução/Ibama

O Observatório Regional Amazônico da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (ORA/OTCA) lançou o novo Painel de Degradação Florestal da Amazônia, ampliando o conjunto de ferramentas de monitoramento ambiental disponíveis na plataforma.

A nova interface reúne mapas e gráficos dinâmicos que apresentam a série histórica de dados de degradação florestal dos oito países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Suriname e Venezuela) entre 1984 e 2024, permitindo análises espaciais e temporais integradas. Há ainda uma análise específica para todas as áreas naturais protegidas e territórios indígenas na Amazônia.

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O módulo de degradação passa a complementar os dados de desmatamento já disponibilizados pelo ORA. “O desmatamento é a remoção total da cobertura de vegetação nativa, já a degradação representa um processo intermediário, de empobrecimento da floresta, sem sua destruição completa, como ocorre, por exemplo, no corte seletivo de árvores”, explica Maycon Castro, Especialista Monitoramento Ambiental do ORA.

“Compreender a degradação é essencial porque ela frequentemente antecede diferentes trajetórias da paisagem. Uma área degradada pode evoluir para o desmatamento, avançar para a regeneração florestal ou permanecer por longos períodos em um estado de pousio”, explica Tarsila Andrade, especialista em geoprocessamento do ORA. 

A degradação florestal é mais difícil de mapear do que o desmatamento, pois, em alguns casos, ocorre com a floresta ainda em pé. Entre seus principais vetores estão os incêndios florestais, intensificados nos últimos anos por cenários de seca na Amazônia, o corte seletivo de madeira e o efeito de borda associado à fragmentação da paisagem.

Estes processos reduzem a capacidade da floresta de prover serviços ecossistêmicos, como regulação climática, conservação da biodiversidade e manutenção do ciclo hidrológico. O acesso a esse tipo de informação é estratégico para subsidiar políticas públicas baseadas em evidências nos países amazônicos.

“Nossas análises sobre áreas degradadas podem inclusive ajudar a separar as atividades ilícitas de corte seletivo, daquelas que através das concessões florestais praticam o corte seletivo”, explica afirma Arnaldo Carneiro, coordenador do ORA.

Leia também: Desmatamento, degradação, exploração: pesquisador aponta quais são as principais ameaças para a Floresta Amazônica

painel ora otca
Imagem: Reprodução/OTCA

Eventos de Perturbação

Os dados que alimentam o painel têm como base o produto Tropical Moist Forests (TMF), desenvolvido pelo Joint Research Centre (JRC) da União Europeia, que utiliza imagens de satélite para monitorar a evolução das florestas tropicais ao longo do tempo. Pela metodologia do TMF, uma área é classificada como floresta degradada quando sofre até três episódios de perda temporária da copa das árvores ao longo do tempo. Esses eventos, que podem ser causados por fogo, exploração de madeira ou outras pressões, duram no máximo cerca de dois anos e meio e precisam estar separados por períodos de recuperação da floresta.

Quando as perturbações se tornam mais frequentes, ou seja, passam de três ocorrências, a área deixa de ser considerada degradada e passa a entrar na conta do desmatamento, a partir do primeiro impacto registrado. Nos anos mais recentes da análise, o sistema adota critérios adicionais para diferenciar degradação e desmatamento, com base na quantidade e na consistência das observações feitas pelos satélites.

“Essas informações permitem enxergar a Amazônia de maneira mais completa, revelando não apenas onde a floresta foi derrubada ou degradada, mas também onde ela está sendo regenerada, pois o universo de áreas que foram desmatadas e abandonadas também é importante. Este mapeamento deve permitir identificar ambas trajetórias: da degradação ao desmatamento e do desmatamento para a regeneração. Isso amplia nossa capacidade de interpretar a história recente da região e fortalece o apoio aos países amazônicos na formulação de políticas baseadas em evidências”, afirma Carneiro.

Painel da ORA/OTCA

O novo painel de Degradação Florestal está reunido na Aba “Deforestation”, em seguida, “Deforestation/Degradation”, na qual o usuário pode optar por analisar os dados de degradação florestal ou desmatamento.

*Com informações da OTCA

Da cozinha ribeirinha ao turismo de base comunitária em Belterra: projeto incentiva bioeconomia

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Pequeno negócio de Belterra (PA) participa de projeto do Sebrae voltado à bioeconomia e passa por transformação estrutural e estratégica unida ao turismo local. Foto: Reprodução/Sebrae

Cores vibrantes da cultura ribeirinha, aromas de peixes típicos do Tapajós e a promessa de chalés ecológicos. A “Casa do Elton”, antes um restaurante simples da Flona do Tapajós, hoje oferece uma imersão completa na bioeconomia e no turismo de base comunitária, fruto de um intensivo programa de capacitação do Sebrae que redefiniu o futuro do empreendimento em Belterra (PA).

Localizado na comunidade de Piquiatuba, dentro da Floresta Nacional do Tapajós, o espaço chefiado por Elton John Vasconcelos ganhou um novo futuro a partir do trabalho de capacitação.

A iniciativa incluiu mentorias, capacitações técnicas e consultorias em áreas como atendimento, hospitalidade, organização do espaço, identidade visual e gestão.

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Da cozinha ribeirinha ao turismo de base comunitária em Belterra
O empreendedor Elton John Vasconcelos, de Piquiatuba, oferece serviços de gastronomia e de turismo e investe na expansão do negócio. Foto: Reprodução/Sebrae

O negócio também recebeu apoio na construção de identidade e ambientação. O estilista Walter Rodrigues, parceiro do Sebrae por meio da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), desenvolveu uniformes exclusivos para a equipe, valorizando a cultura local. As peças foram confeccionadas por mulheres da própria comunidade.

Segundo Newman Costa, coordenadora nacional de Biomas e Bioeconomia do Sebrae que acompanhou a acompanhou de perto o projeto, o espaço passou por uma verdadeira transformação estrutural e estratégica.

“Ele deixou de ser apenas um restaurante e se transformou em um espaço turístico. Entramos com capacitação gastronômica, hospitalidade, valorização do artesanato local e organização do ambiente”, disse Newman Costa, coordenadora nacional de Biomas e Bioeconomia do Sebrae.

“O que antes era um restaurante simples se tornou um modelo de negócio sustentável, integrado à bioeconomia e preparado para receber o mundo. A gente enxergou nele o potencial de mudança. Hoje ele é referência. É um exemplo de como é possível crescer sem perder a identidade”, conclui Newman.

A Casa do Elton planeja oferecer serviços de turismo e de hospedagens em chalés ecológicos. Foto: Reprodução/Sebrae

O negócio avança agora para uma nova etapa. A Casa do Elton em breve vai oferecer serviços de hospedagens em chalés ecológicos no estilo pousada. As obras começaram em fevereiro, com inauguração prevista para abril. Sempre dedicado ao trabalho, Elton está confiante sobre os projetos para crescimento: “Estamos começando com o pé direito e vamos terminar com o pé direito”.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Sobre o projeto que apoia o turismo local

O programa de Bioeconomia do Sebrae, desenvolvido inicialmente no bioma amazônico, ganhou destaque com o lançamento de um livro durante a COP30.

A iniciativa estruturou uma metodologia específica para fortalecer empreendimento da bioeconomia na região, considerando as oportunidades geradas pelo evento e as particularidades do território.

Agora, o projeto avança para Amapá, Acre e Amazonas e inicia a expansão do modelo para outros biomas brasileiros, como Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga e Semiárido. A proposta é replicar a metodologia desenvolvida na Amazônia, adaptando-a às realidades locais para impulsionar a bioeconomia em diferentes regiões do país.

*Com informações do Sebrae

E-book é disponibilizado com soluções para impulsionar nova economia da Amazônia

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E-book é disponibilizado gratuitamente. Foto: Reprodução/FIINSA

O Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) – Edição Especial COP30 consolidou-se como um espaço estratégico para a construção de uma nova economia para a região amazônica. Realizado em Belém (PA), o evento reuniu empreendedores, comunidades tradicionais, investidores, representantes do setor público e organizações da sociedade civil para debater caminhos concretos rumo a uma bioeconomia que gere renda, preserve a floresta e fortaleça os territórios amazônicos. Todo esse conteúdo foi reunido em um E-book gratuito no site: fiinsa.org.br/.

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O E-book reforça como a programação, composta por painéis, rodas de conversa e atividades colaborativas, abordou temas como protagonismo comunitário, sociobioeconomia, investimentos de impacto, inovação orientada pelo território, juventude, cultura, tecnologia, inteligência artificial e os desafios estruturais para que a Amazônia deixe de ser vista como promessa e seja reconhecida como realidade econômica.

FIINSA LANÇA E-BOOK
Grupo que participou da COP30 criou E-book. Foto: Reprodução/FIINSA

Leia também: E-book celebra pluralidade de pesquisas na Amazônia Sul Oriental

Ao final, as discussões convergiram para um ponto comum: o desenvolvimento para a Amazônia só é sustentável quando nasce da floresta, respeita o tempo dos territórios e valoriza os saberes de quem vive neles.

O documento reúne os principais debates, reflexões e entrevistas exclusivas com participantes desta edição, além da carta “Da Amazônia para o Mundo” – documento cocriado por mais de 430 participantes, com propostas e soluções para uma nova economia amazônica.

Na visão dos organizadores do evento, o ebook amplia o alcance e fortalece o legado dessa edição especial. “Realizar o FIINSA no primeiro dia da COP30, no dia 10 de novembro de 2026, foi uma escolha simbólica e estratégica. Queríamos abrir esse espaço global mostrando que a Amazônia não entra na conversa apenas como tema, mas como território que já constrói respostas, experiências e soluções concretas para os desafios do clima e da economia”, afirmou Marcus Bessa, cofundador do Impact Hub Manaus e um dos organizadores do evento.

Na mesma linha, André Vianna, outro cofundador do evento e diretor técnico do Idesam, destaca que o conteúdo reforça o protagonismo de quem vive nos territórios na construção de uma nova forma de pensar e agir sobre a Amazônia.

“O FIINSA evidenciou que a economia da Amazônia deve ser liderada por quem vive na floresta. O ebook sistematiza esse conhecimento coletivo e amplia o diálogo com investidores, formuladores de políticas públicas e a sociedade, em um momento-chave para o futuro do planeta”, ressalta. 

Confira o e-book:

*Com informações do FIINSA e Idesam

Manejo com redução de impacto é capaz de promover recuperação de floresta e estocar carbono

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Diferentemente da exploração ilegal predatória de madeira, o manejo é baseado em análises científicas que permitem a extração de forma planejada e controlada. Foto: Edson Vidal/Esalq-USP

A adoção de técnicas de manejo com redução de impacto na exploração de madeira é capaz de promover a recuperação de florestas tropicais, como a Amazônia, e estocar carbono a longo prazo, mantendo biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Pesquisa publicada no Journal of Environmental Management traz evidências de que essas boas práticas aumentam a biomassa acima do solo, ao contrário da exploração convencional. Reforça, assim, o papel do chamado manejo florestal com exploração de impacto reduzido (MF-EIR) como uma estratégia eficaz para conciliar a produção de madeira, a conservação da floresta e a mitigação das mudanças climáticas.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?

A biomassa, ou seja, a matéria orgânica viva ou morta (como plantas, árvores, animais e resíduos), é um indicador-chave para analisar a recuperação florestal e o sequestro de carbono.

O estudo foi realizado entre 1993 e 2023 em uma fazenda próxima ao município de Paragominas, no Estado do Pará, que tem uma área destinada a experimentos científicos, especialmente ligados à silvicultura e ao manejo de florestas tropicais.

Nesse período de 30 anos, os diâmetros das árvores foram medidos 12 vezes em dois sistemas de manejo – MF-EIR e convencional, além de uma parcela de controle não explorada. O estoque de biomassa foi estimado para a floresta toda; para áreas de espécies exploradas; com potencial de exploração e espécies sem valor madeireiro.

De acordo com os resultados, a área manejada com técnicas de impacto reduzido se aproximou das condições estruturais de uma floresta madura e teve balanço positivo de biomassa – ganho médio de 70,68 megagramas por hectare (Mg ha⁻¹). Por outro lado, a parcela de manejo convencional apresentou perda de biomassa, com saldo negativo de 11,35 Mg ha⁻¹, e a de controle ficou praticamente estável.

Ao longo do tempo, incluindo ciclos de corte de madeira, o MF-EIR levou, em média, a estoques máximos de biomassa de 353,42 Mg ha⁻¹, em todos os grupos de espécies analisados, ficando acima das demais áreas avaliadas.

“Esse acompanhamento por 30 anos traz resultados práticos inéditos e reafirma a importância de inserir o manejo florestal em discussões de mitigação das mudanças climáticas. Mostramos que o manejo de impacto reduzido consegue recuperar claramente a biomassa e, consequentemente, o sequestro de carbono. Com isso, os resultados podem ajudar na criação de metodologias para pagamento por serviços ecossistêmicos, como mercado de carbono, vindos dessas áreas e contribuir para a atualização da legislação de manejo sustentável em florestas tropicais”, avalia o coordenador da pesquisa, Edson Vidal.

Ele é do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e um dos coordenadores do Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Esalq.

Imagem colorida mostra manejo da floresta tropical e seu clima
Foto: Wikimedia Commons

A legislação

O manejo sustentável é descrito no Código Florestal brasileiro (Lei nº 12.651/2012) como a “administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema” e considerando a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não e de produtos e subprodutos da flora.

A legislação para a Amazônia prevê ainda planos de manejo, a cada cinco anos, cujos parâmetros técnicos seguem resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), criada em 2009.

Diferentemente da exploração ilegal predatória de madeira, o manejo é baseado em análises científicas que permitem a extração de forma planejada e controlada.

A exploração de impacto reduzido adota técnicas que minimizam danos à floresta, incluindo zoneamento e registro de área, planejamento detalhado de espécies com o mapeamento de todas as árvores comerciais (chamado inventário) e treinamento de pessoal. É necessário também fazer a seleção de árvores ideais para a colheita, corte de lianas e trepadeiras, planejamento de estradas e trilhas, além da minimização de desperdícios e dos danos à floresta remanescente. As árvores manejadas têm corte direcional respeitando um diâmetro mínimo, com planejamento de retirada e ciclos de extração determinados.

No ano passado, outro artigo publicado por um grupo de cientistas liderados por Vidal mostrou que até mesmo a distância entre as árvores de uma determinada espécie em uma região pode fazer diferença no manejo. Isso porque as distâncias mínimas de corte específicas para cada espécie podem favorecer a dispersão do pólen e a viabilidade genética, permitindo a conservação (leia mais AQUI).

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Manejo é alternativa econômica

Vidal destaca que a pesquisa publicada agora evidencia a viabilidade de conciliar o uso econômico da floresta à conservação ambiental, com fundamentação em ciência, planejamento e políticas públicas baseadas em evidências.

De acordo com o Sistema Nacional de Informações Florestais, a produção madeireira no Brasil provém, principalmente, de áreas de plantio – em 2023, 94% da madeira em tora teve origem em áreas plantadas. No mesmo ano, foram comercializados R$ 35,1 bilhões em produtos madeireiros, dos quais R$ 22,2 bilhões foram de madeira em tora.

Para os pesquisadores, ao favorecer a recuperação da biomassa e o sequestro de carbono, a exploração de impacto reduzido se alinha a estratégias econômicas discutidas no mercado, como projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) e de Improved Forest Management (IFM).

“Levei para a COP30 resultados que obtivemos e os dados suscitaram discussões interessantes. Conseguimos até mesmo um grupo que se organizou para fazer um evento em maio sobre manejo florestal. Durante a conferência, o foco principal nessa área estava voltado para a restauração de florestas”, conta à Agência FAPESP o pesquisador, que esteve em Belém (PA), em novembro de 2025, participando das discussões da Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Parcerias

O artigo foi desenvolvido no âmbito do projeto “Indo além do primeiro ciclo de colheita nas florestas tropicais da Amazônia Brasileira”, financiado pela FAPESP e vinculado à Iniciativa Amazônia+10 – programa liderado pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) que envolve Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 25 unidades da Federação, incluindo São Paulo.

Segundo Vidal, o próximo passo do estudo será envolver instituições que participam da Iniciativa Amazônia+10 e têm dados de manejo florestal de outros Estados, como Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, para comparar os resultados de biomassa de forma mais global. “A partir disso podemos pensar, por exemplo, em qual é a contribuição do manejo florestal para a NDC brasileira”, complementa.

Instrumento-chave para as metas de limitar o aquecimento global, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) é o compromisso que cada país apresentou no Acordo de Paris para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. As NDCs deveriam ter sido revisadas em 2025 – até o início da COP30, 111 dos 160 países apresentaram as novas metas.

O estudo também recebeu apoio da FAPESP por meio de mais cinco projetos (19/25820-722/09047-923/07753-624/04038-7 e 24/14326-0), incluindo bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado para pesquisadores que participam do grupo.

O artigo Impact of different management practices on tree biomass and carbon dynamics 30 years after logging in eastern Amazon pode ser lido em sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0301479725043130.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino

Água da chuva é transformada em potável em escola ribeirinha de Belém

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Sistema de aproveitamento de água pluvial purificada. Foto: João Caio/Agência Pará

A rotina dos 198 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) São José, na comunidade da ilha Grande, em Belém (PA), ganhou um reforço concreto de saúde, dignidade e sustentabilidade: a unidade é uma das quatro escolas que concluíram a implementação do sistema de aproveitamento de água pluvial purificada para consumo humano, utilizada nos bebedouros e também na cozinha, no preparo da alimentação escolar.

A iniciativa faz parte do programa Água para Todos, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas). O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental (Sagra), Rodolpho Zahluth Bastos, da Semas, realizou entrega de garrafinhas ecológicas aos estudantes da escola São José, um complemento que fortalece o impacto do programa para ampliar o alcance do projeto para além da área escolar, incentivando que as crianças possam levar para casa.

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Na escola, a água da chuva passa a ser vista como solução baseada na natureza e como resposta prática a uma realidade amazônica: comunidades cercadas por água, mas com dificuldade de acesso à potável.

“O programa Água para Todos nasce de uma condição de realidade amazônica, ribeirinha, onde as pessoas habitam em lugares cercados de água, mas não têm acesso à água potável. Dessa forma o projeto proporciona dignidade de justiça hídrica, de acesso a água de qualidade para as comunidades ribeirinhas”, afirmou Rodolpho Zahluth Bastos.

Além das escolas, a iniciativa também contempla uma Unidade Básica de Saúde (UBS), quatro empreendimentos de sociobiodiversidade de base comunitária e um sistema instalado na comunidade de Santo Amaro, em Benevides, totalizando 10 sistemas de captação, armazenamento e tratamento da chuva já implantados.

Como funciona o sistema de purificação da água

A estrutura instalada na Emef São José conta com três cisternas de cinco mil litros e um reservatório elevado de mil litros, que armazenam a água que será tratada sem nenhum aditivo químico, através de filtros, garantindo abastecimento para os pontos de consumo na cozinha e no bebedouro.

Engenheira civil da Startup Pluvi, Simeia Domingos explicou que o dimensionamento varia conforme a área de captação e a demanda de cada local. No caso da São José, o projeto considera 300 m² de telhado como área de captação e uma reserva total de 15 mil litros, distribuída nas cisternas e no reservatório elevado. Ela detalhou ainda o fluxo de funcionamento: a primeira água, que “lava” o telhado, é separada em um reservatório inicial, e a água seguinte, limpa, segue para as cisternas, depois para o reservatório elevado e, por fim, para o sistema de filtragem e tratamento que a torna própria para beber, chegando aos pontos de consumo na escola.

Água da chuva é transformada em potável em escola ribeirinha de Belém
Foto: João Caio/Agência Pará

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Para Rodolpho, a escolha das escolas como equipamentos prioritários amplia o alcance social da política pública. “A escola, na verdade, traz uma capilaridade para todos os moradores. No momento que a gente atinge as crianças desses moradores da ilha, a gente vai atingir, na verdade, todos eles. Então acho que foi um recorte de política pública essencial… instalar em escolas e não individualmente na casa das pessoas”, destacou.

Ele reforçou ainda que o projeto une segurança hídrica e desenvolvimento sustentável, com impacto direto no cotidiano e na economia local.

“É um projeto de solução baseada na natureza. A partir daí a gente faz um tratamento através de uma tecnologia social e passa a possibilitar que as pessoas tenham segurança hídrica, tanto no consumo humano, mas também na produção dos alimentos dessas escolas”, disse.

Rodolpho também citou a contribuição para empreendimentos comunitários: “As mulheres extrativistas vão utilizar a água potável para a produção dos óleos de andiroba, tem um impacto social enorme e para o fomento da sociobiodiversidade e da bioeconomia”.

Na avaliação da coordenadora da escola, Luciene Rocha, a mudança tem reflexo direto na qualidade de vida dos estudantes e na rotina da unidade. “Os alunos, eles vão estar consumindo, usufruindo uma água mais potável, mais limpa pro seu consumo, tanto de alimentação também… essa água que vai ser consumida desse projeto, com certeza em relação à outra que nós utilizávamos antes, é 100% com certeza renovável”, afirmou.

*Com informações da Semas PA

Pesquisa sobre diagnóstico mais preciso para leishmaniose canina é realizada no Maranhão

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Foto: Divulgação

A Universidade Estadual do Maranhão (Uema), por meio do Curso de Medicina Veterinária vinculado ao Centro de Ciências Agrárias (CCA), desenvolveu o estudo ‘Análise Comparativa do Teste Rápido Imunocromatográfico (Alere Leishimaniose Test Kit) e Imunoenzimático (ELISA) no Diagnóstico da Leishmaniose Visceral Canina’. O objetivo é ampliar a confiabilidade dos resultados e contribuir para o controle da doença no Maranhão.

A leishmaniose, causada pelo protozoário Leishmania infantum, representa um desafio à saúde pública, afetando tanto animais quanto humanos. A doença é transmitida pela picada da fêmea do flebotomíneo, popularmente conhecido como mosquito-palha. O diagnóstico precoce é essencial para orientar tratamentos e medidas de controle em áreas endêmicas.

O estudo foi dividido em dois planos de pesquisa, conduzidos por Maressa Naara Neves Eloi e Maria Clara Santos Bezerra Buna, ambos sob orientação do professor Fábio Henrique Evangelista de Andrade, do Departamento de Patologia (DPAT/Uema).

Pesquisa sobre diagnóstico mais preciso para leishmaniose canina é realizada no Maranhão
Foto: Divulgação

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O primeiro plano, conduzido por Maressa Eloi, analisou 485 amostras sanguíneas de cães do Hospital Veterinário Universitário (HVU/Uema), comparando os resultados do teste rápido com o ELISA. A execução dos testes ocorreu em parceria com o Laboratório de Patologia Veterinária (LaPaVe). Houve divergência em 14 amostras, possivelmente devido a variações na carga parasitária ou diferenças técnicas entre os métodos.

Para Maressa, o processo de pesquisa foi enriquecedor e desafiador. “Melhorar as ferramentas de triagem significa diagnóstico mais rápido, decisões clínicas mais seguras e maior eficiência nas ações de controle”, afirmou, destacando a responsabilidade sanitária e o bem-estar animal envolvidos.

Leishmaniose canina em investigação

O segundo plano, conduzido por Maria Clara, realizou o ELISA como exame padrão confirmatório em 133 amostras de soro do mesmo hospital. Foram 68 amostras reagentes e 65 não reagentes, com 14 discrepâncias em relação ao teste rápido. O estudo demonstrou a alta sensibilidade do teste rápido e a precisão confirmatória do ELISA, reforçando a importância de métodos complementares.

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Maria Clara destacou a experiência: “Realizar um projeto de pesquisa foi uma das experiências mais marcantes da minha trajetória acadêmica. A vivência no laboratório fortaleceu meu senso de responsabilidade ética e me ensinou resiliência, disciplina e paixão pela pesquisa científica”, disse.

O orientador, professor Fábio Henrique, comentou que as pesquisas mostraram divergências entre teste rápido e ELISA, indicando a necessidade de análises complementares. Ele ressaltou que o próximo passo será aplicar técnicas moleculares, como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), para esclarecer casos inconclusivos e aprimorar o diagnóstico da leishmaniose visceral canina em áreas endêmicas.

*Com informações da UEMA