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Exército realiza acordo de parceria para pesquisa e desenvolvimento com implantação do IME na Amazônia

Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

A Amazônia representa um território de importância estratégica para o Brasil, tanto sob a perspectiva da defesa e da soberania nacional quanto do desenvolvimento sustentável e da preservação ambiental. Nesse contexto, no dia 23 de janeiro, o Exército Brasileiro, por meio do Instituto Militar de Engenharia (IME), e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) realizaram a assinatura do Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, visando à implantação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM) – IME da Amazônia – para o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras voltadas à defesa, à sustentabilidade e à integração territorial da Amazônia.

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Estiveram presentes na cerimônia o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), General de Exército R1 Marcos Antônio Amaro dos Santos; o Comandante do Exército, General Tomás Miné Ribeiro Paiva; o Diretor-Geral do CENSIPAM, General de Exército R1 Richard Fernandez Nunes; o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Luiz Gonzaga Viana Filho, o Comandante do IME, General de Divisão Juraci Ferreira Galdino; além de integrantes do Alto-Comando do Exército e demais autoridades civis e militares.

Parceria integra ações de diferentes áreas

A execução da parceria ocorrerá por meio da articulação entre as estruturas institucionais e os recursos humanos do IME e do CENSIPAM, envolvendo áreas técnicas e estratégicas relacionadas à ciência, tecnologia, inovação, defesa e sustentabilidade amazônica, visando assim à implantação do IME da Amazônia.

A cooperação inclui, ainda, o apoio técnico-científico à implantação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia, a integração de pesquisadores e engenheiros do IME em atividades desenvolvidas no âmbito do CENSIPAM, bem como a realização de estudos, oficinas e outras ações colaborativas voltadas à geração de soluções tecnológicas aplicáveis à proteção e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal.

Durante o evento, o Ministro da Defesa, José Múcio, destacou a relevância do acordo para o fortalecimento da presença do Estado na região amazônica.

“Nós estamos levando oportunidades para regiões do país onde existem poucas oportunidades. Uma obra dessa, que o Exército está levando para a região amazônica, serve para que aqueles que têm raízes lá finquem suas raízes, criem seus filhos, estudem lá, para que possamos corrigir as profundas diferenças que separam tanto os brasileiros”.

Na mesma linha, o Diretor-Geral do CENSIPAM, General de Exército R1 Richard Fernandez Nunes, ressaltou que a parceria potencializa a capacidade de preservação ambiental e de monitoramento estratégico da Amazônia ao unir excelência acadêmica e atuação operacional:

“Na realidade, temos uma parceria entre um instituto reconhecidamente como um dos melhores do mundo na formação de quadros altamente qualificados na área científica e tecnológica. Aqui no CENSIPAM, temos um órgão que tem como responsabilidade a proteção da Amazônia, por meio do SIPAM, para dar sustentação a essa parceria em termos práticos. No final, quem sai ganhando é a Amazônia e o Brasil”.

Leia também: Instituto Militar de Engenharia apresenta projeto de implantação do Instituto de Pesquisa do Exército na Amazônia

parceria IME da Amazônia - exército brasileiro
Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

Ao abordar a dimensão estratégica da cooperação, o Comandante do Exército, General Tomás, enfatizou o papel da integração interinstitucional no fortalecimento da soberania nacional e na elevação do nível tecnológico na região. “Pela diversidade, preservação do meio ambiente, pelas riquezas naturais que temos, precisávamos elevar o nível tecnológico que temos na Amazônia e essa parceria vai nessa direção, é um braço do IME na Amazônia”.

Complementando essa visão, o Comandante do IME, General de Divisão Galdino, destacou o envolvimento direto do instituto na consolidação da parceria e no desenvolvimento de pesquisas estratégicas na região amazônica.

“Os nossos pesquisadores e os nossos temas de pesquisa serão discutidos e trabalhados no IPEAM. O IME está de corpo e alma envolvido nesse projeto, tanto que se diz que é o IME em Manaus, inicialmente com um programa de extensão, com programas de mestrado e doutorado em parceria com o IME no Rio de Janeiro e universidades locais, além da realização de pesquisas em temas estratégicos para o Exército e para a defesa.”

Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

Por fim, o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Viana Filho, ressaltou os impactos positivos da união entre as instituições para o desenvolvimento regional e para o fortalecimento da base industrial de defesa. “Nós estamos juntando um tripé de entes, e isso será muito importante porque a formação de mestres e de doutores irá catalisar pesquisas que vão fomentar a base industrial de defesa, que na Amazônia aumenta a cada dia”.

A parceria entre IME, CENSIPAM e IPEAM expressa a convergência de missões, a complementaridade de competências e a visão de futuro de instituições que compartilham o compromisso com a soberania nacional, a proteção da Amazônia e o uso inteligente do conhecimento e da tecnologia em benefício do País.

IPEAM

O Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM), formalmente instituído pela Portaria Cmt Ex nº 2.350, de 24 Out 2024, como um destacamento do Departamento de Ciência e Tecnológica (DCT), é uma iniciativa recente e estratégica do Exército Brasileiro, visando incentivar a realização de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados às necessidades da Defesa Nacional e às especificidades da região amazônica.

Dentre as atribuições pretendidas para o IPEAM estão a de formar recursos humanos altamente qualificados e realizar pesquisa e desenvolvimento, buscando soluções inovadoras em áreas críticas e disruptivas.

*Com informações do Centro de Comunicação Social do Exército

Comemoração histórica: os 50 anos da paróquia que precedeu a cidade de Vilhena

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Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, fundada em 11 de fevereiro de 1976, em Vilhena, principal cidade do sul do estado rondoniense. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 1976, cerca de 90% dos brasileiros eram católicos [hoje, são 56,7%]. Naquele tempo, a presença da Igreja era uma das primeiras sementes necessárias para que uma vila buscasse se firmar como cidade. Em Vilhena (principal cidade do sul de Rondônia, a 700 km de Porto Velho) não foi diferente. Neste 11 de fevereiro de 2026, completa-se meio século da criação da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, instalada na antiga vila que só se tornaria município autônomo, separado de Porto Velho, em 23 de novembro de 1977.

Por trás dessa história está a figura de um verdadeiro herói para os católicos locais: o padre ítalo-brasileiro Ângelo Spadari, missionário salesiano que marcou a memória da comunidade.

Padre Spadari: o missionário que chegou montado em um burro

Em 1963, o Sargento Aymoré Pereira acolheu o padre Ângelo Spadari, que percorria a Amazônia montado em um burro. Hospedado em uma cabana da base provisória da Força Aérea Brasileira (FAB), dali partia para missões evangelizadoras em aldeias indígenas e seringais.

No 27 de outubro de 1963, aos 53 anos, celebrou a primeira missa oficial em Vilhena, no pátio da FAB, durante a Semana da Asa — festa em homenagem a Alberto Santos Dumont e ao Dia do Aviador. Cerca de 35 fiéis participaram. O local exato da celebração corresponde hoje ao número 3009 da Avenida Sabino Bezerra de Queiroz, na Vila da Aeronáutica.

Além da FAB, Spadari celebrou missas na região da chamada “Vilhena Velha”, próxima ao antigo posto telegráfico conhecido como Casa de Rondon, e no refeitório do DNER, organizando também procissões ao redor do Campo de Aviação. Em 1964, visitou o Posto Pyrineus (Aldeia Aroeira), onde batizou indígenas durante três dias de missão.

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A campanha pela primeira igreja

Ordenado em São Paulo em 1940, Spadari dirigia o Colégio Dom Bosco em Porto Velho depois de sua passagem pelo Planalto dos Parecis, mas sua vocação missionária o trouxe de volta a Vilhena em 1966. Nesse período, sofreu um acidente de burro, num seringal a 70 km da vila de Vilhena, e contraiu malária, mas não desistiu. Hospedado na pensão Cinta-Larga, abençoou as poucas casas da vila e iniciou, na Páscoa de 1967, a campanha para erguer a primeira igreja.

Organizou festas, rifas e bingos no 5º BEC e na FAB, colocou cofrinhos em bares e posto fiscal, e arrecadou cimento, tijolos, vergalhões e madeira doados por fieis.

Desenho da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Foto: Divulgação

Já recuperado de uma malária e da queda de burro, ainda em 67, o padre Ângelo Spadari utilizou o dinheiro arrecadado para comprar dez sacos de cimento em Cuiabá (MT). Os tijolos franceses chegaram de Porto Velho, Ji-Paraná e Pimenta Bueno. Além disso, recebeu doações de vergalhões e madeiras, reunindo aos poucos tudo o que era necessário para erguer a igreja.

O terreno, previamente marcado pelo Sargento Aymoré, foi preparado com máquinas e homens do 5º BEC/DNER. O alicerce contou com o apoio do comerciante Donato Queiroz, que doou 50 metros de pedra. Enquanto a construção ficava parada devido às chuvas e à falta de material, Spadari mantinha viva a fé da comunidade: celebrava missas no posto de saúde, embaixo de uma árvore e, mais tarde, na Escola Isolada Wilson Camargo, com a colaboração da professora Esmeralda Sol-Sol.

Em 1969, o missionário enfrentou novamente a malária e precisou ser internado no Hospital São José, em Porto Velho. Mesmo assim, não desistiu. Após muitas dificuldades, retornou a Vilhena e concluiu a obra. Uma das primeiras edificações em alvenaria da vila dominada por casebres de madeira e pelo improviso.

No dia 24 de maio de 1970, três anos depois de iniciar a construção, Padre Spadari celebrou a inauguração da igreja. O templo, com 8 por 20 metros, parecia “grande demais” para ele, que havia planejado quatro metros a menos. A ampliação foi determinada pelo bispo Dom João Batista da Costa.

Naquele mesmo dia, na igreja ainda sem portas laterais e com piso de cimento, aconteceu a primeira Festa de Nossa Senhora Auxiliadora, seguida de procissão pelas ruas da vila, que já contava com cerca de 300 moradores, além de comércio, serrarias e escola.

Auxiliadora, padroeira da cidade

Embora a primeira missa em Vilhena, em 1963, tenha sido dedicada à Virgem de Loreto, padroeira da aviação, prevaleceu a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, já padroeira de Porto Velho, cidade à qual Vilhena pertencia. Com a emancipação de Vilhena, em 1977, a escolha foi mantida. Hoje, a santa é homenageada com feriado municipal em 24 de maio, tanto aqui quanto na capital.

Educador e missionário

Padre Ângelo viveu em Vilhena até 1981. Além de catequizar, incentivava a educação, citando o intelectual romano Cícero (106 a.C. – 43 a.C.): “A ignorância é a mãe de todos os males.” Falava várias línguas, estudava tupi e outros idiomas indígenas, aplicava injeções, distribuía remédios e ensinava o uso de ervas medicinais.

Foi amigo da primeira professora da cidade, Noeme Barros, falecida em 1997 — o mesmo ano em que Spadari morreu em Manaus. Ao lado do coadjutor Padre Fausto Boem, que chegou em 1972 e partiu junto com ele, Spadari deixou marcas profundas na memória afetiva da comunidade.

Ângelo Spadari e Fausto Boem, os dois primeiros padres da Paróquia de Vilhena, em 1976. Foto: Divulgação

Patrimônio preservado

A igrejinha construída por Spadari permanece como relíquia e cartão-postal de Vilhena, na Avenida Capitão Castro, em frente à praça que leva seu nome. Ao lado dela, ergue-se hoje a moderna Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora, símbolos da fé cristã e da história local.

A tradicional “igrejinha”, ao lado do templo construído no final da década de 1980. Foto: Divulgação

Leia também: O adeus ao pioneiro Plínio, que testemunhou o surgimento de Vilhena

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Indígenas criam peixes em tanques para garantir alimento seguro após garimpo contaminar rios na Terra Yanomami

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Indígenas mostram alevinos de tambaquis criados em tanques na comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

No Rio Mucajaí, no Sul de Roraima, dentro da Terra Indígena Yanomami, a pesca deixou de fazer parte da rotina depois que o garimpo ilegal contaminou as águas com mercúrio e fez os peixes desaparecerem. Com a retirada dos invasores, o rio está voltando ao natural, mas o processo leva tempo.

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Por isso, os indígenas de Sikamabiu passaram a criar peixes em tanques como alternativa para garantir alimento seguro à comunidade, uma iniciativa inédita no território. Os peixes estão no nome da comunidade: Sikamabiu, que significa “rio dos mandis”, na língua Ninam.

O incentivo à criação de peixes na região faz parte de um projeto do governo federal, lançado oficialmente no dia 2 de fevereiro de 2026, mas está em atividade desde novembro do ano passado. O trabalho é feito pelos próprios indígenas e inclui um sistema integrado com irrigação de roças e criação de galinhas. A ideia é expandir a ação para outras sete comunidades até o fim de 2026.

A iniciativa busca reforçar a segurança alimentar no território Yanomami, em situação de emergência há três anos, após o garimpo ilegal contaminar os rios, reduzir a pesca e os alimentos às comunidades indígenas.

A unidade inaugurada na comunidade tem 10 tanques de piscicultura e dois açudes, com escavação de 440 m². Juntos, abrigam mais de 8 mil alevinos de tambaqui, como são chamados os peixes que ainda não atingiram a fase adulta. A espécie não é endêmica da Terra Yanomami, mas é amplamente consumida na Amazônia.

Leia também: Conheça curiosidades sobre nove peixes da Amazônia

Indígenas Yanomami diante de um dos tanques instalados para criação de peixes na comunidade Sikamabiu.
Indígenas Yanomami diante de um dos tanques instalados para criação de peixes na comunidade Sikamabiu. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A estrutura dos tanques substitui a pesca no rio e garante proteína animal segura, já que os peixes do rio estão contaminados por mercúrio, substância altamente tóxica ao ser humano.

A comunidade Sikamabiu fica na região do Baixo Mucajaí e reúne cerca de 400 pessoas, em aproximadamente 30 famílias, a maioria do povo Xiriana (ou Xirixana), subgrupo dos Yanomami. Ao todo, 34 indígenas foram capacitados para atuar em todas as etapas da piscicultura, da construção dos tanques ao manejo dos peixes.

“Quando a gente ia pescar e cortava os peixes, notava que a carne deles estava dura, ruim, sabor ruim, suja e a gente pensou: o que vamos fazer agora? Onde vamos buscar alimentos? Esse projeto ajuda muito”, relatou a liderança feminina da comunidade, Luísa Xirixana.

Tanques substituem o rio contaminado

O projeto é realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável pelas orientações sobre a construção dos tanques, e com o Instituto Federal de Roraima (IFRR), voltado à capacitação dos indígenas. Além disso, recebeu investimento de R$ 1,8 milhão do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

O lançamento aconteceu com a presença do ministro Wellington Dias, do MDS, da presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana, do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), e de outras autoridades.

“Esses tanques são uma resposta direta à falta de peixes no rio. O mercúrio desce com a água, e quem está rio abaixo sofre mais. Hoje, o peixe do rio não é confiável”, explicou a pesquisadora da Embrapa Roraima, Rosemary Veilaça, bióloga especializada em agroecologia e inclusão.

Leia também: Pesquisadoras descobrem tanques usados para criação de peixes na Amazônia pré-colonial

Tanques de piscicultura instalados na comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami.Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Os tambaquis devem atingir o tamanho ideal até junho e garantir alimento para a comunidade nos próximos meses.

“O que estamos fazendo aqui é garantir que essas comunidades possam produzir o próprio alimento, no próprio território, sem depender da chegada constante de cestas básicas, que têm uma logística difícil e cara”, afirmou o ministro.

“Alimentar nosso povo”

Liderança de Sikamabiu, o tuxaua Carlos Nailson Xirixana afirmou que, embora a comunidade não tenha sido diretamente atingida pelo garimpo, os impactos da atividade no Baixo Mucajaí afetaram os indígenas de toda a região, inclusive os da comunidade.

“O garimpo não foi aqui, mas o efeito veio pelo rio. Os peixes quase morreram todos. A gente via peixe boiando. Por isso pedimos esses tanques. O peixe do rio já não dava mais segurança”, disse.

Além disso, reforçou que a produção não tem fins comerciais: “Esses peixes dos tanques não são para vender. É para alimentar o nosso povo. Aqui tem muitas pessoas. A gente quer produzir para a comunidade”.

Fertirrigação e autonomia

A pesquisadora da Embrapa, Rosemary Veilaça, explicou que a água usada nos tanques passa por testes. Depois, é reaproveitada na irrigação das roças, com plantio de mandioca, batata e arroz. O sistema é chamado de fertirrigação, que integra irrigação e adubação e dispensa fertilizantes químicos.

“Aqui a gente não fala só de segurança alimentar, mas de cidadania alimentar. É um sistema em que uma produção sustenta a outra e garante autonomia para o povo”, afirmou Rosemary Veilaça.

O projeto era um pedido antigo da região, segundo Gerson da Silva Xirixana, presidente da associação Texoli, organização que representa os indígenas da localidade.

“Muita gente não acreditou. Diziam que não ia dar certo. Hoje vemos o peixe e as plantas crescerem. É muito bom”, resumiu.

Os tanques de piscicultura foram construídos com geomembrana, uma manta sintética impermeável, escolhida por ser mais leve, durável e adequada à logística da região, onde o acesso às comunidades ocorre principalmente por rios, aeronaves ou a pé na floresta.

Leia também: Crise Humanitária Yanomami: o que é? O que fazer?

Plantas são irrigadas por água em um sistema de fertirrigação anexado aos tanques de peixe na comundiade Sikamabiu, na Terra Yanomami. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Para manter o sistema em funcionamento na comunidade, o IFRR capacitou 34 indígenas em piscicultura. Eles aprenderam técnicas de criação dos peixes, como alimentação, controle da água e período de colheita.

“A proposta é que eles tenham autonomia completa para tocar esse projeto, sem depender da presença constante de técnicos. O conhecimento fica na comunidade”, explicou o diretor-geral do campus Amajari do IFRR, Rodrigo Luiz Barros.

Os próprios indígenas participaram da montagem das estruturas. Para as lideranças indígenas, a formação técnica é tão importante quanto ter o peixe.

“O que a gente pediu foi aprender a cuidar da terra e do peixe [de maneira técnica], para ensinar nossos filhos e netos”, disse Luísa Xirixana.

A expectativa é que os indígenas capacitados se tornem “multiplicadores do conhecimento” dentro do território Yanomami, ensinando outras comunidades a produzir o próprio alimento de forma segura, fora do rio contaminado pelo mercúrio.

Dignidade e permanência no território

Durante a inauguração da unidade demonstrativa, autoridades federais afirmaram que a produção de alimentos dentro do próprio território reduz a dependência de ações emergenciais e ajuda a enfrentar os impactos do garimpo ilegal.

A presidente da Funai, Joênia Wapichana, destacou que a iniciativa vai além do combate ao garimpo: representa um passo na reparação dos danos causados aos povos indígenas.

“Não basta combater o garimpo ilegal. É preciso garantir gestão do território, recuperação ambiental e acesso às políticas públicas. Esses projetos mostram que é possível reconstruir a dignidade dos povos indígenas depois de tanta violência”.

Leia também: Conheça os Yanomami: povos indígenas que vivem isolados na Floresta Amazônica

Indígenas Yanomami da comunidade Sikamabiu no local onde os tanques de criação de peixe estão instalados. Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR

Mesmo com a presença das autoridades, lideranças locais reforçam que a permanência no território depende do acesso a alimento seguro.

“O rio não é mais como antes. Se a gente não aprende a produzir aqui, a gente não consegue continuar vivendo aqui”, pontuou o tuxaua Carlos.

Terra Yanomami

Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades.

O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma,  Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.

O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal.

*Por Caíque Rodrigues e Valéria Oliveira, da Rede Amazônica RR

Projeto de kit de energia solar criado por estudantes do Amapá recebe Prêmio Jovem Cientista

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Projeto consiste na criação de um kit de energia solar portátil. Foto: Andressa Vaz

Um projeto de pesquisa orientado por professores e executado por alunos do Instituto Federal do Amapá (Ifap) foi o vencedor do 31º Prêmio Jovem Cientista, na categoria Ensino Superior, edição 2025. A iniciativa contou com o apoio do Governo do Estado e se destaca pelo caráter sustentável e inovador.

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O projeto consiste na criação de um kit de energia solar portátil desenvolvido para atender castanheiros da Amazônia. A proposta surgiu da necessidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores extrativistas, substituindo motores a diesel por uma alternativa limpa. O kit supre necessidades básicas, como iluminação noturna, preparo de alimentos e comunicação, contribuindo para melhores condições de trabalho na floresta.

O orientador do projeto e docente do Ifap – Campus Laranjal do Jari, Diego Armando Silva da Silva, destacou a importância do reconhecimento para a pesquisa desenvolvida no Amapá.

“Receber esse prêmio representa o reconhecimento institucional da pesquisa realizada na Amazônia. Grande parte da produção científica ainda está concentrada nos grandes centros e enfrentamos muitos desafios. Esse prêmio evidencia a ciência produzida no Amapá e sua relevância nacional. Valoriza um modo de fazer ciência enraizado na realidade local, junto às comunidades”, afirmou o professor.

Projeto de kit de energia solar criado por estudantes do Amapá recebe Prêmio Jovem Cientista
Foto: Andressa Vaz

O kit de energia solar foi um dos projetos participantes do Programa Doutor Empreendedor, promovido pelo Governo do Estado e executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap). O programa facilita a transferência do conhecimento acadêmico para o mercado, estimulando a criação de produtos e serviços inovadores.

Kit propõe solução real

O diretor-presidente da Fapeap, Gutemberg Silva, ressaltou que a iniciativa busca soluções concretas para os desafios regionais.

“O programa demonstra que o conhecimento produzido pela pesquisa pode e deve gerar soluções reais para a sociedade. Ao incentivar pesquisadores a empreenderem, o Doutor Empreendedor aproxima a ciência das comunidades e do território”, destacou o gestor.

Leia também: Amapá é líder no ranking de patentes em relação ao PIB na Região Norte

Gutemberg ressaltou, ainda, que o apoio a programas como este integra uma política pública de valorização da ciência.

“O Governo do Amapá entende a ciência e a tecnologia como eixos estratégicos para o desenvolvimento. Ao apoiar o Doutor Empreendedor, o Estado reafirma o compromisso em incentivar soluções inovadoras e promover um futuro mais justo para a população”, completou.

O projeto dialoga com os princípios da Amazônia 4.0 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A próxima etapa prevê o aprimoramento do equipamento para ampliar a eficiência e expandir os benefícios às comunidades extrativistas.

*Com informações do Governo do Amapá

Perfil epidemiológico do câncer no Amazonas reforça a importância da prevenção

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Foto: Divulgação/FVS-RCP

No início do mês de fevereiro se celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer, dia 4, e com isso, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) reforça a relevância da conscientização, da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso oportuno ao tratamento contra a doença.

Entre os principais fatores de risco, aponta a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), destacam-se:

  • o tabagismo,
  • o consumo de álcool,
  • o excesso de peso,
  • a alimentação inadequada,
  • a inatividade física,
  • a poluição atmosférica
  • e infecções oncogênicas, como o papilomavírus humano (HPV) e as hepatites virais.

Segundo análise da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis (GVDANT) da Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), o Amazonas registrou 20.948 mortes por câncer entre 2021 e 2025. A idade média foi de 62 anos, e 61% dos óbitos ocorreram em pessoas com 60 anos ou mais.

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A mortalidade foi semelhante entre homens e mulheres, com leve predominância feminina (50,9%). No período, as taxas de mortalidade por câncer apresentaram crescimento, passando de 9,15 em 2021 para 15,62 em 2025, o que representa um aumento de 70,71%.

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que fatores de risco ligados ao estilo de vida, como falta de atividade física, alimentação inadequada, excesso de peso, consumo de álcool e tabaco, além de sono insuficiente, influenciam diretamente o desenvolvimento de doenças crônicas.

”Esses mesmos fatores estão associados a problemas como hipertensão, diabetes e outras doenças metabólicas, o que mostra que as ações de prevenção são integradas e se reforçam mutuamente”, esclarece.

Leia também: Câncer de próstata: causas, sintomas, tratamentos e prevenção

Para a gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GVDANT) da FVS-RCP, Anny Antony, fortalecer ações de promoção da saúde, ampliar a conscientização da população, estimular hábitos mais saudáveis ao longo do curso de vida e promover o rastreamento e o cuidado oportuno no SUS são medidas fundamentais.

“Pequenas escolhas feitas no cotidiano, como se movimentar mais, cuidar da alimentação, dormir melhor e buscar os serviços de saúde no tempo certo, fazem diferença real na redução do câncer e de outras doenças crônicas. Informação salva vidas, e a prevenção começa antes do adoecimento”, destaca.

Pesquisa Nacional de Saúde no combate ao câncer

No Brasil, o monitoramento dos fatores de risco para doenças crônicas é realizado pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde, principal inquérito nacional sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis.

Em 2024, foram feitas 27.048 entrevistas nas capitais brasileiras, mostrando alta exposição da população a fatores associados ao risco de câncer, como excesso de peso, identificado em 62,6% dos adultos, e obesidade, presente em 25,7% dos entrevistados.

pesquisas sobre câncer no amazonas - fvs-rcp
Foto: Divulgação/FVS-RCP

O inquérito também apontou baixa prática de atividade física no lazer (42,3%), além da manutenção de comportamentos pouco saudáveis, como consumo de álcool, alimentação de baixa qualidade nutricional e sedentarismo. Outro fator de alerta foi o sono insuficiente, observado em até um em cada quatro adultos, condição relacionada ao aumento do risco metabólico e inflamatório.

Na Região Norte, cerca de 7 mil pessoas participaram do levantamento, sendo aproximadamente 1.000 em Manaus, com perfil semelhante ao nacional. Destacam-se a alta prevalência de excesso de peso, especialmente entre mulheres, além do sedentarismo, maior tempo de exposição a telas e descanso insuficiente.

Esse cenário contribui para maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de doenças crônicas e se reflete na mortalidade, concentrada principalmente em cinco tipos de câncer: estômago, pulmão, colo do útero, mama e próstata que, juntos, respondem por 43% das mortes por neoplasias no Amazonas.

*Com informações da SES-AM

Exploração de madeira em Mato Grosso está proibida até 1º de abril; saiba por quê

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Foto: Karla Silva/Sema MT

Está proibida, até o dia 1º de abril, a exploração florestal sustentável em Mato Grosso. A medida busca proteger o solo dos impactos da retirada da madeira na estação chuvosa, além de minimizar as consequências do transporte pesado dentro das florestas.

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O período proibitivo, que ocorre todos os anos, começou no dia 1º de fevereiro. A restrição abrange o corte, derrubada, arraste ou transporte de toras.

Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), cerca de 6% do território mato-grossense é atingido pela restrição, o que corresponde a 52 mil quilômetros quadrados de áreas que possuem Planos de Manejo Florestal Sustentável autorizados pelo órgão.

Leia também: Mato Grosso, Amazonas e Pará lideram extração ilegal de madeira em UCs na Amazônia

Exploração de madeira na Amazônia
Foto: Reprodução/Imazon

Em alguns municípios do Noroeste de Mato Grosso, na região amazônica, onde as chuvas são mais intensas, a proibição se estende até maio. As cidades afetadas são Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juína, Juruena e Rondolândia.

Leia também: Quase metade da exploração ilegal de madeira em Mato Grosso foi registrada em áreas protegidas

Proibição da exploração de madeira precisa ser respeitada

Extração legal de madeira cresce, mas atividade ilegal ainda é responsável por quase metade do total da atividade — Foto: Divulgação/Imazon
Foto: Divulgação/Imazon

A norma está prevista em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e regulamentada pela Câmara Técnica Florestal de Mato Grosso por meio da Resolução nº 10/2017, que estabelece o período proibitivo para a exploração sob o regime de Manejo Florestal Sustentável de Baixo Impacto.

Só é permitido emitir a guia florestal e transportar o volume das espécies de madeira que foram estocadas nas esplanadas e cadastradas no Sistema Sisflora antes do início da proibição, ou após o término, em 1º de abril.

Conforme a superintendente de Gestão Florestal da Sema, Tatiana Paula Marques de Arruda, respeitar esse período é essencial para manter o equilíbrio entre o desenvolvimento ambiental, econômico e social.

“O período proibitivo se refere a época chuvosa, em que não há viabilidade para exploração. A restrição estabelecida nesse momento, garantirá uma exploração mais sustentável, reduzindo o impacto ambiental causado pela movimentação de veículos pesados na floresta e assegurando a conservação da vegetação”, afirma.

*Com informações do Governo de Mato Grosso

Saiba quanto custa e como participar de expedição exclusiva que leva mulheres ao Monte Roraima

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Expedição para mulheres ao Monte Roraima. Foto: Divulgação/Roraima Adventures

Uma expedição exclusiva para mulheres vai levar um grupo ao Monte Roraima a partir do dia 10 de março. O roteiro inclui trilhas até o topo da montanha, passagem por pontos tradicionais como o Vale dos Cristais e o Lago Gladys, além de dias de imersão no platô.

Para ir ao Monte Roraima é necessário sair de Boa Vista (RR) e passar por comunidade indígena na Venezuela. O topo do monte fica no país vizinho.

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Expedição é promovida pela empresa Roraima Adventures e é a terceira edição voltada apenas ao público feminino é realizada. O pacote custa R$ 7.850 por pessoa. Para que haja a expedição é necessário um grupo de, pelo menos, cinco participantes. O valor inclui:

  • Transporte terrestre de Boa Vista até a comunidade indígena de Paraitepuy (ida e volta);
  • Uma diária de hospedagem em Santa Elena de Uairén;
  • Alimentação completa durante o trekking;
  • Equipamentos coletivos de camping (barracas compartilhadas, cozinha e utensílios);
  • Guia de trilha;
  • Equipe de apoio e logística;
  • Taxas de entrada nas comunidades indígenas;
  • Kit de primeiros socorros.
monte roraima
Monte Roraima (RR). Foto: Divulgação

A viagem tem duração de até 10 dias e começa em Boa Vista, com deslocamento terrestre até Santa Elena de Uairén, na Venezuela. De lá, o grupo segue até a comunidade indígena de Paraitepuy, onde se inicia o trekking (modalidade de caminhada de longa duração, realizada em ambientes naturais como montanhas, trilhas e regiões remotas, geralmente durando vários dias).

O Monte Roraima é uma montanha com cerca de dois bilhões de anos e 2.734 metros de altitude. Ele fica na fronteira entre três países: Venezuela (80%), Guiana (15%) e Brasil (5%). A formação rochosa tem formato de mesa, conhecida como tepui, e está entre os destinos turísticos mais procurados da região. O acesso ao local ocorre por Roraima.

Leia também: Monte Roraima: o que você precisa saber antes de visitar o gigante da tríplice fronteira

Ao longo do percurso, as participantes passam por acampamentos na base do Monte Roraima, fazem a subida até o topo e permanecem cinco noites explorando diferentes áreas da montanha.

Durante a permanência no topo, estão previstos trajetos até o Vale dos Cristais, o Ponto Triplo — marco que delimita as fronteiras entre Brasil, Venezuela e Guiana —, o Lago Gladys, além de piscinas naturais, mirantes e formações rochosas conhecidas da região.

São dois dias de trilha até chegar ao topo do monte. As caminhadas variam de 4 a 8 horas por dia, em trilhas consideradas de nível médio a difícil, com terrenos irregulares e variações de temperatura que podem chegar a 0°C.

Custo da viagem ao Monte

O pagamento pode ser feito à vista, por transferência bancária ou Pix, ou em até oito vezes no cartão de crédito. O valor está sujeito a alterações.

Ficam fora do valor itens como passagens aéreas, transporte entre aeroporto e hotel em Boa Vista, hospedagem e alimentação na capital, seguro-viagem e equipamentos de uso pessoal, como mochila cargueira, saco de dormir, isolante térmico e barraca individual.

O seguro-viagem é recomendado, mas deve ser contratado separadamente pela participante.

Há ainda serviços e itens opcionais pagos à parte, como barraca individual durante toda a expedição, carregador pessoal, locação de mochila cargueira, saco de dormir e colchonete, além da possibilidade de hospedagem individual em Santa Elena de Uairén.

A organização informa que o trekking não exige técnicas de escalada, mas demanda preparo físico devido às longas caminhadas e às condições do terreno.

Para brasileiras, é necessário apresentar RG original, certificado internacional de vacinação contra febre amarela e comprovante de vacinação contra a Covid-19. A recomendação é também portar passaporte válido.

A Roraima Adventures atua há mais de duas décadas no turismo de natureza em Roraima, especialmente nos segmentos de ecoturismo, aventura e expedições ao Monte Roraima. Ao longo desse período, a empresa estruturou roteiros voltados a experiências imersivas em ambientes naturais, com foco em turismo responsável e sustentabilidade ambiental, o que rendeu reconhecimento regional e nacional no setor.

*Com informações da Rede Amazônica RR

Amazonas concentra 18% das áreas sob risco de desmatamento na Amazônia previsto para 2026, aponta PrevisIA

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Foto: Erick Xavier/Wikimedia Commons

O Amazonas aparece entre os estados mais ameaçados pelo desmatamento na Amazônia em 2026. Segundo dados da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, 1.000 km² do território amazonense estão sob risco de devastação — o que representa 18% de toda a área ameaçada na região.

No estado, dois municípios do sul do Amazonas que compõem a região conhecida como Amacroestão no ranking das 10 cidades na situação mais crítica apontadas pelo previsIA. Os municípios citados são: Apuí e Lábrea.

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Amacro é um espaço considerado como a junção de uma das fronteiras da Amazônia, entre o Amazonas, Acre e Rondônia. É um conceito elabora por um estudo do Greenpeace Brasil feito com imagens de satélite que identificaram uma área de desmatamento envolvendo três estados do Norte do Brasil, onde foram identificados, planos de manejo florestal desmataram milhares de hectares de terras públicas. A região passou a ser conhecida como a Fronteira do Desmatamento.

Imagem mostra em mapa onde é região conhecida como “Amacro”, acrônimo para região identificada pelo Greenpeace. Foto: Reprodução/ Rede Globo

No total, a PrevisIA calcula que 1.686 km² da Amazônia estarão sob risco muito alto ou alto em 2026, o que corresponde a 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) aparecem em risco moderado e 2.759 km² (50%) em risco baixo ou muito baixo.

Leia também: PrevisIA: inteligência artificial aponta 5,5 mil km² com risco de desmatamento na Amazônia em 2026

No Amazonas, a pressão se concentra em áreas de expansão agrícola e próximas a estradas. Desde 2020, cerca de 95% do desmatamento ocorre a até 5,5 km de uma via de acesso.

“A análise estadual é fundamental para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da floresta. No caso do Amazonas, os municípios de Apuí e Lábrea são estratégicos para conter o avanço da devastação”, afirma Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.

Pressão sobre terras indígenas e unidades de conservação

Além dos municípios, o Amazonas também possui terras indígenas e unidades de conservação estaduais entre as áreas mais ameaçadas. 

O levantamento mostra que 357 km² estão sob risco em territórios indígenas e outros 598 km² em unidades de conservação, reforçando a necessidade de atuação local

O que é a PrevisIA

Lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA é uma plataforma que utiliza a inteligência artificial para indicar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia. E, com isso, fornecer dados para evitá-lo.

Sua metodologia analisa um conjunto de variáveis como a presença de estradas legais e ilegais, o desmatamento já ocorrido, as classes de territórios, a distância para áreas protegidas, os rios, a topografia, a infraestrutura urbana e informações socioeconômicas.

“A ferramenta também possibilita análises municipais, favorecendo a adoção de políticas públicas pelas secretarias de meio ambiente e demais órgãos ligados às prefeituras na proteção da floresta”, explica Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

CUFA Amazonas abre inscrições para aulas gratuitas de dança e esportes em Manaus; saiba como participar

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CUFA amplia acesso ao esporte e cultura em 2026. Foto: Divulgação

A Central Única das Favelas (CUFA) abriu inscrições para aulas gratuitas de ballet, jazz, jiu-jítsu e tênis de mesa, voltadas para crianças, jovens e adultos, em Manaus (AM).

As atividades são voltadas para crianças, jovens e adultos e têm como objetivo ampliar o acesso da comunidade ao esporte e à cultura. Os interessados podem se inscrever pelo telefone (92) 93300-4782.

Leia também: Amazônia Negra: CUFA Amazonas celebra a força ancestral que resiste e transforma o território

As aulas na Cufa

As aulas têm vagas limitadas e acontecem em dias diferentes da semana. Veja as vagas abaixo:

  • Ballet: a partir de 12 anos, às segundas-feiras, das 19h às 21h;
  • Jazz/Contemporâneo: a partir de 12 anos, às quartas ou sextas-feiras, das 19h às 21h;
  • Ballet Infantil: crianças de 6 a 11 anos, aos sábados, das 10h às 11h.

No esporte, a instituição passou a oferecer treinos de jiu-jítsu e tênis de mesa em parceria com o Instituto Paradesportivo do Amazonas (IPA). As aulas atendem turmas infantis e adultas e acontecem às segundas e quartas-feiras, das 13h às 17h, na sede da CUFA.

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Foto: Antonio Lima e Mauro Neto/Secom AM

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Segundo a vice-presidente da central no Amazonas, Fabiana Carioca, o objetivo é ampliar o acesso de comunidades a oportunidades que muitas vezes não estão disponíveis.

Já o presidente da instituição, Alexey Ribeiro, afirma que a meta para este ano é incluir também o basquete adaptado, fortalecendo a participação de pessoas com deficiência.

“As novidades de 2026 representam mais um passo na construção de oportunidades reais, no fortalecimento da cidadania e na formação de campeões para a vida, por meio da cultura e do esporte”, afirma Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.

‘Beira’: filme produzido em Rondônia é selecionado para festival de curtas francês

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Cena do curta-metragem ‘Beira’. Foto: Divulgação/Curta-metragem ‘Beira’

O curta-metragem rondoniense ‘Beira‘, produzido em Porto Velho (RO), foi selecionado para integrar a programação do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, considerado o maior evento do mundo dedicado ao cinema curto.

O filme foi exibido no dia 5 de fevereiro, na Sessão do Mercado “Brésil 2”, ao lado de outras quatro produções brasileiras.

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Dirigido pela cineasta Marcela Bonfim, Beira está entre os cinco curtas escolhidos em todo o país para representar o Brasil no Marché du Court Métrage, espaço do festival voltado à circulação e difusão de obras audiovisuais no mercado internacional.

O festival, criado em 1979, é hoje o maior do mundo no formato curta-metragem e o segundo maior evento cinematográfico da França em público e presença profissional, atrás apenas do Festival de Cannes.

Saiba mais: Edital Brasil com S: produções apresentam a Amazônia ao mundo em estreias no Brasil e no exterior

Beira

Beira conta a história de Eva, uma mulher negra e lésbica que retorna a Porto Velho após anos afastada para cuidar da antiga casa da avó, Dona Dora. No reencontro com a cidade, a personagem lida com memórias, afetos e conflitos, em um território que a acolhe e, ao mesmo tempo, a rejeita.

A narrativa aborda temas como pertencimento, memória e resistência a partir das margens da capital rondoniense, com uma estética que dialoga com o cinema negro, o realismo poético e a espiritualidade.

'Beira': filme produzido em Rondônia é selecionado para festival de curtas francês
Foto: Divulgação/Curta-metragem ‘Beira’

Para Marcela Bonfim, a exibição do curta em festivais nacionais e internacionais representa a valorização de narrativas historicamente invisibilizadas.

“Ocupar os espaços onde as narrativas acontecem é fundamental para marcar a nossa própria existência, sobretudo quanto lugar é uma terra como Rondônia, uma terra forte, cheia de histórias e legados ainda negligenciados pelo próprio país. É simplesmente iluminar uma potência que sempre esteve ali e agora se expande pro mundo”, disse.

Antes da exibição na França, Beira integrou a programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, no Cine Praça. A exibição marca a estreia nacional do curta.