Graças ao transporte gratuito realizado pelo programa Avião Solidário da LATAM no dia (11), três macacos-barrigudos (Lagothrix cana), espécie ameaçada de extinção, receberam novos lares para reprodução e conservação da espécie.
Os primatas, sendo duas fêmeas juvenis e um macho adulto, estavam sendo criados ilegalmente como animais de estimação em diferentes localidades do Amazonas, o que é considerado crime ambiental. Após o resgate, ficaram sob os cuidados do Centro de Triagem (CETAS) – IBAMA de Manaus e foram designados pelos membros do Grupo de Assessoramento Técnico do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos (PAN Primatas Amazônicos) para duas instituições no interior de São Paulo, sendo o Parque Ecológico de São Carlos e o Parque Zoológico Municipal de Bauru.
Ambas as instituições possuem primatas da mesma espécie, mantidos em ambientes adequados e com expertise no manejo da espécie, e as recomendações de manejo visam promover a formação de grupos sociais, incrementando a viabilidade genética da população ex-situ (fora do ambiente natural), associada à estratégia para sua conservação in-situ (no ambiente natural), conforme diretrizes do PAN Primatas Amazônicos, sob coordenação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CPB/ICMBio).
Espécie macacos-barrigudos (Lagothrix cana). Foto: divulgação
O transporte gratuito foi realizado por meio da LATAM Cargo em voo que partiu de Manaus com destino a São Paulo/Guarulhos. De lá, as duas fêmeas seguiram para o Parque Ecológico de São Carlos e o macho para o Parque Zoológico Municipal de Bauru. O transporte aéreo foi realizado de forma gratuita pelo Avião Solidário da LATAM e evitou um deslocamento terrestre de quase 4 mil quilômetros entre as instituições, reduzindo para cinco horas um percurso que levaria mais de 55 horas exclusivamente via terrestre.
Cetas
O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) é um órgão do Ibama, gerenciado pelo governo federal, que abriga animais resgatados de, por exemplo, incêndio florestal, ou acidentados em ambiente urbano.
A escolha do Amazonas como local para realizar os desafios do XTERRA Amazônia tem uma razão. O município de Novo Airão prova ter o necessário para desafiar os atletas que buscam aventura, segundo o CEO da X3M, responsável pelo XTERRA Amazônia, Bernardo Fonseca.
“Aqui é o lugar perfeito para a gente realizar o XTERRA. Parece que o Amazonas está para o XTERRA como o XTERRA está para o Amazonas. O mote do nosso projeto aqui é realmente mostrar um lugar paradisíaco e que as pessoas precisam proteger. E a gente usa o esporte como a plataforma para realmente mostrar e educar as pessoas a conviverem com o esporte e essa linda natureza”, afirmou.
Na noite de sexta-feira (19), que antecedeu as provas, os participantes puderam aproveitar para confraternizar, retirarem os kits para as provas e também participar de uma palestra direcionada aos atletas amadores e profissionais que contou ainda com instruções e direcionamentos sobre a edição na Amazônia.
As provas foram divididas em corridas de 5km, 10km, 21km e 50 km, além de disputas de triathlon e ainda a Short Track, uma novidade para os atletas de alto nível de experiência convidados à participar nesta edição.
O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.
As atletas convidadas à participar do XTERRA Amazônia 2024, em Novo Airão no Amazonas, também fazem parte de uma estrutura muito maior do evento. Em seus currículos diversas competições já foram vencidas e, agora, preparam-se para enfrentar os desafios que somente a floresta amazônica pode proporcionar. Conheça-as:
XTERRA Amazônia 2024
O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.
Os atletas convidados à participar do XTERRA Amazônia 2024, em Novo Airão no Amazonas, também fazem parte de uma estrutura muito maior do evento. Em seus currículos diversos desafios já foram vencidos e, agora, preparam-se para enfrentar os desafios que somente a floresta amazônica pode proporcionar. Conheça-os:
XTERRA Amazônia 2024
O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.
Os atletas amadores e profissionais que participam do XTERRA Amazônia 2024, em Novo Airão no Amazonas, também fazem parte de uma estrutura muito maior do evento. Saiba como funciona o ranking nacional e o circuito mundial:
XTERRA Amazônia 2024
O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.
Uma lei publicada no Diário Oficial de Rondônia determina que o estado priorize a compra do Café Robusta para consumo em setores da administração pública. A norma publicada em junho já está em vigor e, segundo o governo, a Secretaria de Estado da Agricultura já está cumprindo essa determinação.
O texto beneficia a agricultura familiar e empreendedores rurais no estado. Confira um trecho:
“Prioriza a aquisição de café torrado em grão e café torrado moído da espécie Café Robusta Amazônico provenientes da agricultura familiar, do empreendedor familiar rural ou de produtores rurais e afins no âmbito do Estado de Rondônia”.
A Seagri informou que “vem priorizando a aquisição do café Robusta Amazônico produzido em Rondônia para consumo dos servidores e visitantes da unidade”.
Na mesma nota, a Seagri ressalta que a determinação não é opcional. Ou seja, caso a compra do café robusta não seja priorizada, é necessário explicar e fundamentar a decisão.
O que é café robusta?
Os robustas amazônicos são resultado do cruzamento dos cafés Conilon e Robusta especialmente selecionados. A qualidade da bebida extraída a partir dessa junção rendeu a ele a primeira Indicação Geográfica com Denominação de Origem (DO) para café canéfora sustentável.
Em janeiro deste ano, o café também foi reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do estado de Rondônia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no dia 17 de julho o projeto de lei nº 6.230/2023. O texto altera a lei nº 9.795/1999 e passa a assegurar atenção às mudanças do clima, à proteção da biodiversidade e aos riscos e vulnerabilidades a desastres socioambientais na Política Nacional de Educação Ambiental.
“Sobretudo na questão ambiental, nós temos que ter muito cuidado com o livro didático, porque quem vai salvar o planeta não somos nós, é a juventude que vai ter que aprender na escola a importância da questão ambiental”, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República.
A sanção fortalece a Política Nacional de Educação Ambiental, integrando questões contemporâneas e urgentes ao currículo educacional. Com a crescente preocupação global em relação às mudanças climáticas e à perda de biodiversidade, a implementação dessas alterações na legislação educacional se torna fundamental para preparar as futuras gerações para enfrentar esses desafios.
“Educar para o meio ambiente é uma tarefa deste século. Sem isso, a gente vai continuar achando que é possível viver em oposição à ecologia. Economia e ecologia não têm que ser algo que vai ser compatibilizado, é algo que tem que ser integrado, e cada vez mais isso é uma mesma equação”, afirmou a ministra Marina Silva Meio Ambiente e Mudança do Clima.
“É no Brasil que a gente pode ser uma potência agrícola e uma potência florestal, ser uma potência industrial, hídrica. A gente pode ser um país que é industrializado e que é também o país que fornece as commodities para a segurança alimentar do planeta, mas é o país que protege os povos indígenas”, defendeu.
Consctientização
Autor do projeto de lei, o deputado federal Luciano Ducci destacou que o propósito da promoção de inclusão dessas temáticas na Política Nacional de Educação Ambiental é mobilizar a sociedade como um todo.
“É um projeto que, por incrível que pareça, é mais atual agora do que quando foi apresentado. Tem a grande motivação de buscar uma transformação da sociedade através da educação”, afirmou.
“O único caminho que temos para conscientizar os jovens, as crianças, é por meio da educação. É um orgulho muito grande poder participar de forma direta e indireta da sua gestão, que é histórica, na área de educação”, declarou o deputado federal Átila Lira, relator do projeto de lei na Câmara dos Deputados, durante a cerimônia de sanção no Palácio do Planalto.
Alterações
As mudanças visam promover uma política educacional focada na conscientização ambiental, incentivando a participação ativa de indivíduos e coletivos, incluindo escolas em todos os níveis de ensino nas ações ambientais. A lei busca, ainda, alinhar os objetivos da educação ambiental às diversas políticas nacionais relacionadas ao meio ambiente, mudanças climáticas, biodiversidade e defesa civil.
Foto: Divulgação/Agência Gov/Via Planalto
Entre as principais diretrizes propostas, está o desenvolvimento de instrumentos e metodologias para garantir a eficácia das ações educadoras relacionadas às questões ambientais, às mudanças climáticas, desastres socioambientais e à perda de biodiversidade, além da inserção obrigatória desses temas nos projetos institucionais e pedagógicos das instituições de ensino da educação básica e superior.
A divulgação do Censo Demográfico 2022 a respeito da população quilombola mostra que, em Rondônia, a idade mediana deste povo é um ano maior que da população total. Considerando toda as pessoas residentes no Estado, a idade mediana é de 32 anos; já a dos quilombolas é de 33 anos. Idade mediana quer dizer que metade da população tem até aquela idade e a outra metade é mais velha.
Rondônia, que tem 2.925 pessoas que se consideram quilombolas, é um dos três estados em que a idade mediana dos quilombolas é maior que da população total. No Mato Grosso, a diferença é três anos (35 anos para os quilombolas e 32 para a população total) e, no Mato Grosso do Sul, os quilombolas têm idade mediana de 35 anos e a população total de 33 anos. Ponderando todo o Brasil, a idade mediana dos quilombolas é de 31 anos enquanto que da população total é de 35 anos.
Em relação ao índice de envelhecimento (proporção de pessoas com 60 anos ou mais em relação ao número de pessoas com até 14 anos), o Censo Demográfico 2022 aponta que os quilombolas rondonienses têm indicador próximo ao brasileiro e maior que o da Região Norte. No Estado, o índice foi de 53,02, enquanto em todo o país foi de 54,98 e na Região Norte foi de 36,86.
Os maiores índices de envelhecimento dos quilombolas foram apresentados por Rio Grande do Sul (82,69), Minas Gerais (81,37) e Mato Grosso (76,93) e os menores foram no Amazonas (23,4), Amapá (28,96) e Distrito Federal (34,85).
Quilombolas em Rondônia se concentram no Vale do Guaporé. Foto: Divulgação/IBGE
Taxa rondoniense de alfabetização dos quilombolas é a quarta maior do país
Averiguando sobre alfabetização, o Censo Demográfico 2022 mostra que a taxa entre os quilombolas rondonienses com 15 anos ou mais é de 92,4%, ficando atrás dos índices do Distrito Federal (98,7%), Amazonas (92,9%) e Santa Catarina (92,4%). A taxa de alfabetização brasileira desse povo foi de 81%.
As menores taxas de alfabetização entre os quilombolas foram registradas nos estados de Alagoas (70,2%), Piauí (70,3%), Paraíba (73,1%), Ceará (73,6%) e Pernambuco (74,1%).
Alfabetizada é a pessoa com cinco anos ou mais que consegue, pelo menos, ler e escrever um bilhete simples ou uma lista de compras.
As práticas esportivas tem ganhado meios mais fáceis e acessíveis de serem exercidas, seja uma caminhada, dança ou mesmo as tarefas domésticas – como jardinagem e até limpeza. Todas são consideradas atividades físicas que ajudam a manter o peso adequado, melhoram o humor e até a concentração.
Na região amazônica todos os meses competições esportivas são promovidas e uma das mais populares é a corrida. Em trilhas, com obstáculos, diversas oportunidades que colocam a população em contato mais próximo com a natureza.
Priorizando a saúde de quem pratica atividades físicas, em especial ao ar livre na região amazônica, é importante cuidar da pele, por exemplo. A dermatologista Anne Amaral dá dicas de prevenção, cuidados e proteção.
“É importante que os atletas façam a opção da utilização de um filtro físico. Protetor solar é melhor para quem pratica atividade física com suor excessivo ou mesmo que tenha utilização do ambiente aquático. Esses produtos não saem com facilidade em contato com suor ou água, e também, não ardem nos olhos e nem na boca”, indica a especialista.
Outro fator importante é a prevenção contra picadas de mosquitos transmissores de doenças, que podem também provocar alergias na pele de intensidades diferentes, desde casos mais leves, até outros mais graves que podem representar riscos.
Foto: Divulgação/XTERRA
“Quanto aos mosquitos é importante que o atleta utilize roupas adequadas. Hoje em dia nós já temos tecidos que tem substâncias para repelir a aproximação desses insetos e mosquitos, então a utilização de repelentes são importantes, tanto na região corporal quanto por cima das roupas”, afirma Anne.
Outra questão de extrema importância é a hidratação: água e bebidas isotônicas são sempre bem vindas, quando o assunto é manter-se hidratado.
“É muito importante que o atleta faça realmente a ingestão de bastante líquidos, devido a perda causada pelo suor. Então recomendo bastante água, utilização de água de coco e uma boa opção é bebida isotônica”, recomenda.
Dica da especialista
Calos e assaduras são sempre companhias indesejadas dos competidores ou daqueles que praticam qualquer exercício físico. A dermatologista também dá algumas dicas para ir aos treinos prevenido e sem medo:
Prevenção de calos – ”É muito importante a utilização de meias adequadas, que deixem o ambiente do pé mais confortável, sapatos adequados para ambientes de corrida, existem vários tipos de tênis, deve ser escolhido um específico que seja para corrida. Detalhe importante: a utilização de hidratantes”.
Prevenção de assaduras – “O principal na hora de realizar atividades físicas é sempre ter os equipamentos necessários, então isso inclui as roupas adequadas. É sempre importante que os shorts tenham aqueles protetores mais apertados embaixo, isso evita possíveis assaduras. O ato de roçar uma perna com a outra, uso utilização de hidratantes também é importante, tanto na região da virilha quanto na região dos pés, é uma forma de prevenir as possíveis assaduras ou até mesmo a formação de calosidade”.
XTERRA Amazônia 2024
O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.
Biotecnologia, biorrecursos, biomassa, biogás, biocombustíveis, produtos de biodiversidade de valor agregado, economia ecológica… São muitos os termos, conceitos, produtos e processos que envolvem o que a comunidade científica atualmente chama de Bioeconomia. E é essa amplitude do termo, ou falta de clareza, que pode colocar em risco a sustentabilidade dos ecossistemas e populações amazônicas, segundo estudo publicado no periódico internacional Ecological Economics.
“Bioeconomia hoje pode incluir muitas coisas, desde as monoculturas como soja e dendê, até a extração e agregação de valor a produto não-madeireiros. O que buscamos é chamar a atenção para a necessidade de esclarecer melhor esse termo e de estabelecer princípios fortes que considerem os povos amazônicos e a manutenção da floresta saudável, para que os esforços de investimentos e políticas sejam direcionados a um desenvolvimento justo para a região”, declara a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, primeira autora do artigo.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Para os países amazônicos e sua diversidade de contextos regionais, o trabalho recomenda o termo “sociobioeconomia” como uma das abordagens mais adequadas.
“O termo se refere à economia da floresta e sua sociobiodiversidade, a combinação da diversidade biológica e cultural. A sociobioeconomia também considera a diversidade biocultural – a interação entre sistemas naturais e culturas humanas – e economias indígenas, tradicionais e locais baseadas na sociobiodiversidade da região”, afirma o cientista. O uso do termo, no entanto, deve ser baseado em princípios rigorosos, como o compromisso com o desmatamento zero, a equidade social e a valorização das culturas e da biodiversidade locais, como afirma o artigo.
A Amazônia é a região de maior biodiversidade do mundo, lar da maior floresta tropical do planeta, que é o centro da regulação climática global, e tem uma população de cerca de 30 milhões de pessoas. A região contém 59% do território brasileiro, 70% de todas as áreas protegidas continentais e 83% de todas as terras indígenas do Brasil.
Sociobiodiversidade
Um conceito que expressa a inter-relação entre a diversidade biológica e a diversidade dos sistemas socioculturais. É a combinação de todos os organismos vivos na natureza, pessoas, cultura e tradições.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Diferentes conceitos e narrativas
O grupo de pesquisadores discutiu os termos e conceitos em uso e avaliou seu impacto na tomada de decisão sobre políticas públicas para o desenvolvimento da Amazônia. A trajetória do conceito envolve três visões, segundo a literatura científica: a bioeconomia biotecnológica, focada em tecnologias intensivas em ciência para aumentar a eficiência ambiental; a bioeconomia de biorrecursos, que propõe aumento da produtividade e intensificação do uso da terra; e a bioeconomia focada em processos ecológicos que promovam a biodiversidade, entre outras questões.
Para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO),por exemplo, bioeconomia é “Produção, utilização, conservação e regeneração de recursos biológicos – incluindo conhecimento relacionado, ciência, tecnologia e inovação – para fornecer soluções sustentáveis (informações, produtos, processos e serviços) em todas as áreas econômicas, possibilitando a transformação para uma economia sustentável”.
Já para a Comissão Europeia, bioeconomia é termo “relacionado a todos os setores de produção primária que utilizam e produzem recursos biológicos (agricultura, silvicultura, pesca e aquicultura) e a todos os setores econômicos e industriais que usam recursos e processos biológicos para produzir alimentos, rações, produtos de base biológica, energia e serviços”.
A bioeconomia, portanto, como atesta a pesquisadora, é pensada ou tratada de acordo com as necessidades de cada segmento social e com as especificidades de cada país ou região. “Alcançar consenso sobre termos e princípios fundamentais não é apenas uma questão de semântica. Novos campos de atuação trazem novas visões e narrativas que disputam recursos, investimentos e políticas públicas. Dessa forma, as narrativas dominantes têm o poder de definir futuras estratégias de desenvolvimento para a Amazônia”, afirma Ferreira.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Sociobioeconomia para a Amazônia
Pelo fato de o termo ser ambíguo e pouco claro, a bioeconomia, dependendo de sua abordagem, pode também causar impactos negativos ao ambiente. Os pesquisadores apontam o exemplo da produção do fruto do açaí (Euterpe oleracea Mart.), que é o produto da bioeconomia mais proeminente da Amazônia e o primeiro a ultrapassar um valor de mercado de US$ 1 bilhão, em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Ao mesmo tempo que a produção do fruto pode promover a conservação e o empoderamento local quando manejado de forma adequada, a rápida expansão do mercado tem levado à superexploração das florestas de várzea no estuário amazônico e à erosão da biodiversidade”, aponta a pesquisadora Ima Vieira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que também assina o artigo.
“A expansão das atividades de bioeconomia tem, portanto, o potencial de alterar drasticamente a Amazônia. A garantia de resultados positivos para as pessoas e a natureza dependerá de salvaguardas rigorosas. Em primeiro lugar, as definições e os princípios que sustentam a bioeconomia que traga benefícios para a sociedade e o ambiente devem ser padronizados”, afirma a cientista.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Para o pesquisador da Embrapa Roberto Porro, também coautor da análise, o uso do termo bioeconomia precisa ser qualificado, e dar lugar ao conceito alternativo de sociobioeconomia.
“Esta [sociobioeconomia] considera a posição expressa pelos povos e comunidades tradicionais, que são os protagonistas da economia florestal, enfatizando a equidade e a geração de valor a partir dos produtos da sociobiodiversidade e da agrobiodiversidade amazônica”, ressalta o cientista.
Porro acrescenta que as múltiplas expressões da sociobioeconomia amazônica constituem uma abordagem inclusiva à bioeconomia, por meio da qual a Embrapa visa reposicionar as operações na região. Os pilares dessa abordagem compreendem sistemas de produção sustentáveis, agregação de valor ao conhecimento e estilos de vida locais, segurança alimentar, equidade, repartição de benefícios e redução da pobreza.
“O conceito de sociobioeconomia pode fomentar sistemas econômicos alternativos, em contraste com uma abordagem business-as-usual, pois está em linha com as relações harmoniosas entre comunidades indígenas, locais e tradicionais e seu ambiente”, afirma o artigo. Mas os autores argumentam que o termo é baseado nos valores de justiça, ética, inclusão social, conservação da biodiversidade, equilíbrio climático e conhecimento tradicional.