As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 21 de maio na página oficial do concurso. Composição: Divulgação/Secom PR
Com categorias voltadas à comunicação indígena e à comunicação de comunidades tradicionais, o Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação busca ampliar a participação de iniciativas produzidas por comunidades indígenas e tradicionais. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 21 de maio na página oficialdo concurso.
O edital prevê o reconhecimento no valor total de R$300 mil distribuídos entre as seis categorias. Os selecionados em primeiro lugar receberão R$30 mil; os segundos colocados, R$15 mil; e os terceiros, R$5 mil.
As cinco melhores iniciativas de cada modalidade receberão um troféu e terão os custos de deslocamento e hospedagem garantidos para participar da cerimônia.
As inscrições podem ser escritas ou feitas de forma oral, por meio de arquivos de áudio ou vídeo. Os diferentes formatos ajudam a ampliar a participação e respeitam a diversidade de linguagens e tradições da oralidade. Podem participar pessoas maiores de 18 anos, entre elas jornalistas, comunicadores populares, fotógrafos, videomakers, artistas, educadores, pesquisadores e coletivos.
O objetivo é fortalecer a liberdade de expressão e incentivar a produção de conteúdos jornalísticos de interesse público sobre defesa do meio ambiente, direitos humanos e culturas tradicionais.
Além das das categorias comunicação de comunidades indígenas e a de comunidades tradicionais, o concurso contempla outras quatro: Reportagem em Texto, Reportagem Audiovisual, Fotojornalismo e Artes Visuais e Educação Midiática.
Fotos: Divulgação
Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira
O concurso busca transformar o legado das trajetórias do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira em incentivo aos que atuam na proteção da Amazônia, dos povos indígenas e no enfrentamento à desinformação.
A seleção é coordenada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), por meio da Secretaria de Políticas Digitais (SPDigi), em parceria com os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e das Relações Exteriores, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Também, conta com o apoio de recursos do Fundo de Direitos Difusos, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
*O texto foi publicado originalmente na página da assesoria de comunicação da Secretaria de Comnunicação Social do Governo Federal
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Na segunda-feira, 4, a Embrapa Amazônia Ocidental recebeu um grupo de empresários do setor primário, à frente o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas, Muni Lourenço Filho, para conhecer o projeto Pesquisa & Desenvolvimento para Produção Intensivo e Sustentável de Óleo de Pau-Rosa (Aniba rosaeodora), liderado pelo pesquisador Edson Barcelos desde 2024.
A FAEA pretende, com apoio da Embrapa, fundamentar a realização de eventos ampliados para levar esse conhecimento a um número ainda maior de produtores interessados em voltar a produzir a essência. Árvore nativa da Amazônia, historicamente explorada de forma predatória, é valorizada principalmente por seu óleo essencial rico em linalol, amplamente utilizado na perfumaria de luxo (como fixador, famoso no Chanel Nº 5) e na cosmética. Suas propriedades incluem ação anti-inflamatória, cicatrizante, regeneradora de tecidos, antisséptica e calmante, sendo útil no tratamento de feridas e cuidados da pele.
A espécie, um dos sustentáculos da economia amazonense no ciclo do Extrativismo (1912 – 1967) teve sua produção drasticamente reduzida de 500 toneladas por ano até a década de 1970 para apenas 1.480 quilos em 2021. Objetivando superar entraves e impulsionar nova arrancada em relação ao cultivo comercial, o projeto tem como foco a seleção de matrizes de alta qualidade, o desenvolvimento e validação de protocolos de clonagem por estaquia, definição de práticas agronômicas para redução de perdas no plantio e maior uniformidade nos cultivos. Nesse sentido, está sendo estabelecida uma coleção de trabalho, com materiais genéticos de diversas procedências, de forma a oferecer uma ampla base genética para apoiar atividades de seleção e melhoramento da espécie.
Segundo Barcelos, a pesquisa parte de uma população inicial de 80 árvores-matrizes localizadas na propriedade da empresa parceira da Embrapa, Litiara/Agroflora, em Rio Preto da Eva (AM). Entre essas, foram escolhidas, inicialmente, as 10 com maior vigor e teor de óleo na biomassa superior a 1,5%, reproduzidas por sementes.
Pesquisas objetivam superar entraves e impulsionar nova arrancada em relação ao cultivo comercial de pau-rosa. Foto: Lúcio Cavalcanti/Embrapa
Em novembro de 2025, foi iniciada a retirada dos galhos dessas plantas para a produção dos clones, por enraizamento de miniestacas (processo que usa pequenos pedaços de plantas (miniestacas) para que criem raízes e se desenvolvam em novas mudas idênticas à planta mãe). A reprodução do pau-rosa vem também sendo estudada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), mas em ambiente laboratorial, por enquanto sem escala comercial.
Ainda serão avaliados diversos parâmetros agronômicos para consolidar um sistema de produção robusto e sustentável, tais como: época ideal e altura da poda, espaçamento entre plantas, tipos e doses de adubação e estratégias para controle de pragas e doenças. Para plantar cinco hectares, são necessárias cinco mil mudas.
Mas não há sementes suficientes e, quando há, o material genético é muito heterogêneo e não garante produção de mudas de qualidade. Por outro lado, plantios diretos realizados a partir de sementes apresentam alta taxa de mortalidade — entre 70% e 90% — além de grande variabilidade genética, comprometendo a uniformidade das plantas e o teor de óleo, que pode variar de 0,5% a 2,0%.
Repetindo idêntica combinação de fatores técnicos, ecológicos e logísticos que determinaram a derrocada da produção extrativa da borracha na Amazônia, Edson Barcelos observa que, durante décadas, o pau-rosa foi igualmente explorado sem um sistema tecnológico de produção específico e preocupação com o futuro da atividade. As árvores, cortadas rente ao solo não permitiam replantios e manejo adequado. Após sua inclusão na lista de espécies ameaçadas de extinção, a prática foi proibida. No entanto, sem tecnologia adequada ao cultivo comercial, a área plantada de pau rosa, concentrada nos municípios amazonenses de Maués, Novo Aripuanã e Itacoatiara, hoje não ultrapassa 50 hectares, ressalta.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Formação em turismo de observação de aves em comunidades maranhenses. Foto: Reprodução/UFMA
Com olhar focado na observação técnica de aves da fauna maranhense, a quinta edição do evento ‘De Grão em Grão: a construção do turismo de base comunitária no Maranhão‘ capacitou moradores e acadêmicos do curso de Turismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)para a prática da observação de aves. A estratégia visa valorizar a biodiversidade local e garantir a conservação ambiental, geração de renda, valorização do território e fortalecer o Turismo de Base Comunitária (TBC) local.
Realizado de 1º a 3 de maio, na Escola Municipal Joaquim Alves Mendonça, na Comunidade Santa Clara, situada na RESEX Baía do Tubarão, no município de Humberto de Campos (MA), a iniciativa foi promovida pelo Núcleo de Pesquisa e Documentação em Turismo (NPDTUR/UFMA) e pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Turismo e Desenvolvimento Comunitário.
Teve apoio da comunidade Santa Clara, do ICMBio NGI SLZ, da Secretaria Municipal de Turismo de Humberto de Campos (SEMTUR), da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), por meio do projeto Bora Passarinhar, da Casa Ingapura (Barreirinhas), do Clube de Observadores de Aves de Itaituba e do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) – Regional Maranhão.
Formação em turismo de observação de aves em comunidades maranhenses. Foto: Reprodução/UFMA
Cinquenta espécies de aves avistadas – Esta edição contou com a participação de 43 pessoas, entre comunitários, a exemplo de marisqueiras, artesãs, empreendedores, pesquisadores, estudantes, professores e técnicos, e possibilitou a troca de conhecimento técnico e tradicional. Nos três dias de prática foram registradas em torno de 50 espécies de aves em apenas uma passarinhada e durante as observações ocasionais, desenvolvidas durante a oficina.
Para a coordenadora do evento, professora Mônica de Nazaré Araújo, “além de capacitar os participantes para a importância da conservação da avifauna, com esta ação a UFMA estimula ainda a estruturação da observação de aves como produto de ecoturismo, desenvolve competências para a condução de atividades de birdwatching com foco na interpretação ambiental e hospitalidade comunitária, tema este que foi desenvolvimento pelo professor e coordenador do curso de Turismo, Davi Andrade”, afirmou a pesquisadora.
Formação em turismo de observação de aves em comunidades maranhenses. Foto: Reprodução/UFMA
Segundo Fátima Costa, coordenadora do Clube de Observadores de Aves do Pará, “a Avifauna é um segmento do ecoturismo que mais cresce no país e possibilita a inserção de profissionais nesse mercado, desde que estejam preparados para desenvolver esta atividade que requer muita especialidade e compromisso com o ambiente”, finalizou a coordenadora.
Para o discente do 2º período do curso de Turismo, Jonas Silva de Pinho Campos, participar do De Grão em Grão foi uma experiência ímpar que contribuiu de maneira significativa para a sua formação profissional em turismo.
“Foi um espaço de diálogo para o fomento do turismo de base comunitária e mais a oficina de observação de aves. Uma oportunidade única de vivenciar atividade teórica, observação de aves presentes na região, realização de trilha, como também o avistamento da revoada dos Guarás. São atividades que muitos contribuíram para a identificação dos potenciais que podem ser utilizados na atividade eco turística conduzida pelos próprios comunitários”, concluiu o aluno.
Formação em turismo de observação de aves em comunidades maranhenses. Foto: Reprodução/UFMA
Integrante do Conselho Pastoral dos Pescadores – Regional Maranhão, Denyse Nunes, destaque que a formação marcou um importante ponto de partida para despertar, na comunidade, o fortalecimento da economia local via turismo de base comunitária (TBC), priorizando a garantia dos modos de vidas tradicionais e a observação de aves. “Contribui ainda para a conservação do território, fortalecendo o protagonismo dos territórios pesqueiros”, observou a participante.
A marisqueira Neurilene Ramos gostou muito do evento. “A oficina Capacitação em técnicas, potenciais e oportunidades da observação de aves na natureza, ministrada pelo pesquisador Edson Varga Lopes, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e coordenador do projeto Bora Passarinhar, foi excelente para a nossa compreensão sobre as aves aqui em Santa Clara”.
Neurilene Ramos elogiou ainda o curso de avistamento de pássaros e conservação ambiental no povoado.
“Aprendi muito com os professores. Aqui, a gente vive da maré, e sabe que se o mangue tem passarinho, tem vida. O guará, a garça o socó… Tudo está ligado como o caranguejo, o sururu que a gente tira pra viver. Cuidar das aves e cuidar da gente também. Queremos mais cursos para a nossa comunidade aprender e ensinar também”, concluiu.
Durante o evento aconteceu ainda o mapeamento ambiental turístico participativo, sob a perspectiva comunitária e comandado pela equipe do NPDTUR.
O Farol Santander São Paulo inaugurou a exposição‘A Invenção do Novo Mundo: Mapas da Coleção Santander‘, uma ampla e inédita mostra que reúne um conjunto expressivo de obras cartográficas dos séculos XVI, XVII e XVIII, período conhecido como a era de ouro da cartografia ocidental.
Com curadoria de Helena Severo e Maria Eduarda Marques, organização da Oficina de Arte e produção da AYO Cultural, a exposição ocupa a galeria do andar 24 do icônico edifício e apresenta ao público uma rara oportunidade de percorrer a formação do imaginário sobre o território brasileiro por meio de mapas históricos.
A exposição, apresentada pelo Ministério da Cultura via Lei Rouanet e com patrocínio do Santander Brasil, fica em exibição até o dia 26 de julho de 2026.
O recorte da curadoria tem como eixo central o relevante acervo da Coleção Santander Brasil. Ao todo, são mais de 50 trabalhos — entre mapas, cartas náuticas, vistas e planisférios — que evidenciam a riqueza documental, estética e simbólica da cartografia produzida ao longo de três séculos.
“No Santander, acreditamos que preservar e compartilhar a cultura é ampliar o acesso ao conhecimento e às diferentes formas de compreender a história. Ao compartilhar este acervo, reafirmamos nosso papel como guardião de bens culturais e como ponte entre história, conhecimento e sociedade”, ressalta Bibiana Berg, head Sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social e Presidente do Santander Cultural.
O percurso da exposição está organizado de forma cronológica e propõe um recorte curatorial centrado na iconografia dos mapas — elemento fundamental para compreender não apenas a evolução técnica da cartografia, mas também as visões de mundo que moldaram essas representações.
Logo na entrada, o público é recebido por uma projeção de um mapa pertencente ao acervo da Biblioteca Nacional, que antecipa a dimensão histórica e visual da exposição. Ao longo do percurso, elementos expográficos ampliam essa experiência, como cortinas estampadas e uma tapeçaria que reforça o caráter imersivo da mostra.
A exposição reúne obras de alguns dos principais nomes da cartografia ocidental, evidenciando diferentes momentos e abordagens na representação do território brasileiro. Entre eles, destaca-se Joan Blaeu, um dos expoentes da cartografia holandesa e figura central na chamada era de ouro da produção cartográfica europeia, cujos mapas combinam rigor científico e riqueza ornamental. Outro nome fundamental é Nicolas Sansond’Abeville, considerado o pai da cartografia francesa moderna, responsável por consolidar uma linguagem mais racional e politicamente orientada na representação dos territórios.
No contexto da produção ligada ao Brasil holandês, ganha destaque Matthäus Merian, cujas imagens detalhadas de cidades e paisagens brasileiras contribuíram para ampliar o conhecimento visual sobre o território. Já no século XVIII, a presença de Guillaume de l’Isle marca a incorporação de métodos científicos mais rigorosos à cartografia, refletindo os avanços do pensamento iluminista.
A mostra também dialoga com referências pioneiras como Sebastian Münster, cuja obra sintetiza o momento em que fantasia, religiosidade e imaginação ainda moldavam as representações do chamado Novo Mundo.
Outro aspecto que se destaca na exposição é a presença recorrente de referências geográficas explícitas nos títulos das obras, que evidenciam o avanço do conhecimento europeu sobre o território ao longo dos séculos.
Mapas como “Carta particolare dell’ rio d’Amazone con la costa sin al fiume Maranhan” (1661), de Robert Dudley, “Paskaart van Brasil van Rio de los Amazones tot Rio de la Plata” (1666), de Pieter Goos, e “Kaart van der Aller-Heiligen Baay Waar aan de Hoofdstadt legt van Brazil” (séc. XVIII), de Izaak Tirion, revelam a importância dos grandes cursos d’água e do litoral na construção dessas representações.
Também aparecem recortes mais específicos, como em “Provincia di Seará” (1698), de João José de Santa Tereza e Andrea Antonio Orazi, e em vistas e registros de cidades como Olinda e Paraíba, presentes nas obras de Matthäus Merian.
Essas denominações indicam uma mudança significativa na cartografia produzida sobre o Brasil. Se nos primeiros mapas, especialmente do século XVI, predominavam imagens marcadas pelo imaginário e por referências genéricas ao território, ao longo do século XVII e, sobretudo, no século XVIII, observa-se um esforço crescente de identificação e nomeação precisa de regiões, rios, capitanias e cidades.
Esse movimento acompanha o avanço das navegações, o aprofundamento das disputas geopolíticas e a necessidade de domínio territorial, refletindo a transição de uma cartografia mais simbólica para uma representação cada vez mais instrumental e científica.
Os mapas do século XVI revelam um território ainda envolto em mistério e fantasia. Neles, é possível observar a presença de criaturas míticas, monstros marinhos e cenas que misturam relatos de viajantes com tradições medievais, compondo uma visão imaginada e, muitas vezes, exótica do Brasil.
A iconografia inclui representações da fauna, da flora e dos povos originários, além de registros de práticas que despertavam o olhar europeu, como o corte do pau-brasil e rituais considerados “selvagens”.
“Mais do que instrumentos de localização, os mapas apresentados na exposição podem ser compreendidos como construções simbólicas, nas quais estão inscritas as formas de ver e imaginar o mundo naquele período. Eles revelam sensibilidades, crenças e até fantasias que acompanharam a descoberta do chamado Novo Mundo”, afirma Helena Severo.
Já no século XVII, a cartografia passa a refletir maior rigor científico, acompanhando o avanço das navegações e o aprofundamento do conhecimento sobre o território. Esse período é marcado pela intensa produção cartográfica nos Países Baixos, que se tornaram um dos principais centros de impressão da Europa.
A presença holandesa no Brasil impulsionou a criação de mapas mais detalhados e ricos em informações visuais, especialmente durante o governo de Maurício de Nassau, quando artistas e cientistas produziram registros in loco da paisagem, da fauna, da flora e dos aspectos sociais e econômicos da colônia.
No século XVIII, sob a influência do pensamento iluminista, os mapas assumem um caráter ainda mais técnico e preciso. A cartografia passa a incorporar conhecimentos científicos de áreas como astronomia e geodésia, resultando em representações mais sóbrias e voltadas à definição de fronteiras e à gestão territorial.
“Ao longo dos três séculos abordados, é possível perceber uma transformação profunda: saímos de uma cartografia marcada pelo imaginário e pelo encantamento para representações cada vez mais precisas e científicas, acompanhando as mudanças no pensamento europeu”, destaca Maria Eduarda Marques.
Ao evidenciar a transformação dessas representações ao longo do tempo, a exposição A Invenção do Novo Mundo: Mapas da Coleção Santander propõe uma leitura sensível e histórica da cartografia, destacando sua dimensão artística, científica, filosófica e cultural.
Serviço
Exposição A Invenção do Novo Mundo: Mapas da Coleção Santander
Local: Farol Santander
Endereço: Rua João Brícola, 24 – Centro, São Paulo
Período: 24 de abril de 2026 a 26 de julho de 2026
Horário de Visitação: terça a domingo / 09h às 20h
Ingressos: R$ 45,00 (inteira) / R$ 22,50 (meia) ** Cliente Santander tem 10% de desconto na compra com cartão do banco
O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) participa da III Reunião Anual da Rede Bioamazônia, de 11 a 15 de maio, na cidade colombiana de Letícia, localizada na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru. Com o tema ‘Conflitos e ameaças na Pan-Amazônia: contribuições da ciência para a sustentabilidade do bioma’, o encontro reúne gestores, pesquisadores e especialistas de oito institutos de pesquisa sediados em cinco países. O debate promete ser um avanço na construção de uma agenda de atuação estratégica e comum às instituições envolvidas.
“No Museu Goeldi, a instituição científica mais antiga da Amazônia, transformamos mais de um século e meio de pesquisa em conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a geodiversidade, salvaguardando acervos que preservam a memória amazônica. É essa capacidade de unir a ciência, as culturas amazônicas e o compromisso, sobretudo com o desenvolvimento do território, que nós levamos à Rede Bioamazônia”, afirmou o diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, resumindo a missão e a participação da instituição.
Participam do encontro pelo Museu Goeldi, além do diretor, os pesquisadores Alberto Akama, Marlúcia Bonifácio Martins, Diana Cruz Rodrigues e Sue Anne Regina Ferreira da Costa. Eles integram painéis e grupos de trabalho relacionados aos eixos temáticos da reunião, oferecendo contribuições técnicas.
A reunião
O terceiro encontro da Rede Bioamazônia acontece na sede do Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI. De acordo com os organizadores, esta edição coloca no centro das discussões a contribuição da ciência para compreender e enfrentar as crescentes pressões sobre o bioma, a partir de uma perspectiva regional e colaborativa.
A cidade de Letícia está localizada em um ambiente significativo para o bioma: a bacia do rio Amazonas, um sistema fundamental para a regulação climática global, para a conservação da biodiversidade e para a conectividade ecológica do continente.
A reunião retoma e aprofunda o caminho iniciado no encontro anterior, realizado em Iquitos, no Peru, consolidando um espaço de trabalho entre instituições científicas que compartilham agendas e desafios comuns. Ao longo da semana, além da abordagem técnica dos temas que atravessam a região, a Rede avança em sua agenda interna, revisando progressos, alinhando prioridades e definindo orientações estratégicas para fortalecer a cooperação entre seus membros.
O encontro conta com apoio técnico e financeiro do Programa Amazônia Sempre, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A temática
A Rede Bioamazônia compartilha o entendimento de que a Amazônia atravessa um momento crítico de transformações socioambientais aceleradas, em que a convergência de múltiplas pressões — como o desmatamento, as mudanças climáticas, as atividades extrativistas e a degradação dos ecossistemas — pode levar a limiares ecológicos irreversíveis, a conflitos cada vez mais complexos e até mesmo a impactos em escala global, dada a relevância do ecossistema amazônico.
Por ameaças, a Rede entende aquelas atividades que geram mudanças ambientais negativas nos ecossistemas, seja por meio de processos formais, como a expansão da fronteira agrícola, seja por práticas ilegais, como a mineração informal.
Como conflitos, os membros do grupo compreendem as disputas ativas – frequentemente violentas – entre atores com interesses divergentes sobre o uso, o controle e a proteção dos recursos naturais. Ambas as dimensões se retroalimentam, criando espirais de degradação ambiental e vulnerabilidade social. As ameaças transformam as paisagens; os conflitos reconfiguram os territórios. Essa dupla crise desafia a capacidade de resposta dos Estados e coloca à prova os marcos existentes de governança socioambiental.
Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, ilustra biodiversidade do bioma amazônico. Foto: Janine Valente/MPEG
Nessa perspectiva, considerando a relevância da ação conjunta e integrada no território para compreender e propor caminhos diante de desafios de alta complexidade, a Rede Bioamazônia escolheu como tema central do encontro e como eixo de seu evento inaugural ‘Conflitos e Ameaças na Pan-Amazônia: contribuições da ciência para a sustentabilidade do bioma’, reunindo diferentes vozes especialistas para compor um panorama amplo dos diversos conflitos e ameaças que afetam a região, abordando aspectos como:
desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia e energia limpa,
impactos das mudanças climáticas,
contaminação por mercúrio,
espécies migratórias,
perda de conhecimentos tradicionais,
incêndios e manejo integrado do fogo
e comércio de espécies amazônicas (legal x ilegal).
Cada um dos temas será apresentado por pesquisadores especialistas, durante o painel técnico de inauguração, no qual serão compartilhadas uma visão geral, os principais aspectos e dados-chave que servirão de base para as discussões.
A Rede Bioamazonia
A Rede Bioamazonia é um instrumento regional cuja missão é integrar e fortalecer as capacidades de seus institutos membros, promover a geração e o intercâmbio de conhecimentos sobre a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, bem como o desenvolvimento e a transferência de soluções e tecnologias inovadoras para a bioeconomia amazônica. A Rede é integrada pelos principais institutos de pesquisa e inovação em biodiversidade de cinco países do bioma amazônico: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru, reunindo mais de mil pesquisadores especialistas na região.
Institutos integrantes:
Instituto de Ecologia da Universidade Maior de San Andrés (IE/UMSA) – Bolívia
Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – Brasil
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) – Brasil
Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) – Brasil
Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt – Colômbia
Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI – Colômbia
Instituto Nacional de Biodiversidade (Inabio) – Equador
Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Peru
Painelistas na III Reunião Anual – Rede Bioamazônia
Alberto Akama (Museu Goeldi) – Pesquisador associado e docente do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE/MPEG);
David Veintimilla Yanez (Inabio, Equador) – Subdiretor técnico do Inabio;
Diego Inclán (Inabio, Equador) – Diretor-executivo do Inabio e diretor da Rede Bioamazônia;
Henrique Pereira (INPA, Brasil) – Diretor do INPA e vice-presidente da Rede Bioamazônia;
João Valsecchi (Instituto Mamirauá, Brasil) – Diretor-geral;
Jorge Eliécer Arias Rincón (Instituto SINCHI, Colômbia) – Pesquisador associado do Programa Modelos de Funcionamento – Laboratório SIG e SR;
José Manuel Ochoa (Instituto Humboldt, Colômbia) – Gerente do Centro de Estudos Sociológicos e Mudança Global, membro da Diretoria de Conhecimento;
Manuel Martin Brañas (IIAP, Peru) – Diretor de Pesquisa em Sociedades Amazônicas e diretor da Rede Bioamazônia;
A pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, uma das principais referências brasileiras nos estudos sobre os ecossistemas aquáticos da Amazônia, foi homenageada no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto, a mais alta distinção científica do País. Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ela construiu uma trajetória marcada por contribuições para a compreensão das áreas alagadas amazônicas e da importância da floresta para o equilíbrio climático e ambiental.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou da cerimônia na Escola Naval, fruto de parceria entre a pasta, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Marinha do Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).
Luciana Santos destacou que a escolha da pesquisadora representa não apenas o reconhecimento de uma trajetória científica de excelência, mas também a importância estratégica da Amazônia para o futuro do País.
“Esta cerimônia simboliza também a vitória de um projeto de País que valoriza a ciência feita por brasileiras e brasileiros de todos os cantos”, disse.
Maria Fernandez destacou a importância da ciência para enfrentar os desafios ambientais e climáticos da atualidade. A pesquisadora destacou que as áreas úmidas amazônicas, foco de seus estudos, vêm sofrendo impactos crescentes provocados por incêndios, poluição e grandes empreendimentos.
“A ciência e a educação são o caminho para orientar decisões críticas que precisam ser tomadas”, afirmou.
O Prêmio Almirante Álvaro Alberto foi criado em 1981 e homenageia o criador e primeiro presidente do CNPq – Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, defensor do desenvolvimento científico e tecnológico. “O legado do Almirante Álvaro Alberto continua atual ao mostrar que o desenvolvimento do País depende do fortalecimento da ciência e da tecnologia”, afirmou o presidente do CNPq, Olival Freire Junior.
Além da entrega do prêmio, a cerimônia contou com a diplomação de novos membros titulares e correspondentes da Academia Brasileira de Ciências, que celebra 110 anos em 2026. Também foram entregues os títulos de Pesquisador Emérito e Menções Especiais de Agradecimento do CNPq a pesquisadores e personalidades que contribuíram para o desenvolvimento científico nacional.
Representando a Marinha do Brasil, o chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Corrêa, afirmou que investir em ciência, tecnologia e formação de pessoal é essencial para a soberania e o desenvolvimento do País. “Não há soberania robusta sem base científica consistente. Não há capacidade estratégica autônoma sem pesquisa, inovação, capacitação tecnológica e formação de recursos humanos de excelência”, declarou.
A pesquisadora do Inpa, Maria Teresa Fernandez Piedade, foi homenageada no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto. Foto: Érico Xavier/Fapeam
ENCTI
Durante a solenidade do prêmio, a ministra apresentou a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024–2034, documento que vai orientar as políticas públicas do setor ao longo da próxima década. Segundo Luciana Santos, a estratégia é “um compromisso de Estado com o futuro do Brasil”.
Construída a partir das diretrizes da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que mobilizou cerca de 100 mil pessoas em todo o País, a ENCTI reúne contribuições do Governo do Brasil, da academia, do setor produtivo e da sociedade. O documento estabelece como missão transformar conhecimento em soluções para a população, com foco em inclusão, sustentabilidade e soberania nacional.
A estratégia está organizada em quatro grandes eixos:
expansão e integração do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação;
reindustrialização em novas bases;
projetos estratégicos para a soberania nacional;
CT&I para o desenvolvimento social.
Entre os desafios previstos estão elevar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para 2% do PIB até 2034, garantir previsibilidade orçamentária, especialmente via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), reduzir dependências tecnológicas críticas e ampliar a integração entre ciência e setor produtivo.
Luciana Santos também destacou os 110 anos da Academia Brasileira de Ciências. “Celebrar esses 110 anos é reconhecer esse legado e reafirmar a importância de instituições fortes, comprometidas com o futuro do Brasil”, finalizou.
A cerimônia do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026 reuniu representantes de instituições científicas e de fomento à pesquisa, entre eles a presidente da ABC, Helena Nader; o presidente do CNPq, Olival Freire Junior; a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia; o presidente da Finep, Luiz Antonio Rodrigues Elias; além de representantes da Marinha, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Conrado Wessel.
Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: Divulgação
O segundo dia de programação do Amazônia das Palavras – Quarta Edição levou oficinas literárias e atividades culturais à Escola Estadual Indígena Professor Luiz Gonzaga de Souza Filho, em Codajás (AM). Conhecida como a “Terra do Açaí”, a cidade localizada às margens do Rio Solimões recebeu uma programação voltada a estudantes e educadores da rede pública, unindo literatura, cinema, música, oralidade e cultura amazônica.
Com pouco mais de 29 mil habitantes, Codajás é um dos maiores produtores de açaí do Amazonas e possui forte tradição ribeirinha. Fundada em 1875, a cidade carrega, inclusive no próprio nome, derivado do Nheengatu, marcas da presença indígena e da relação histórica com os rios da Amazônia.
Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: Divulgação
Ao longo do dia, estudantes participaram de oficinas de produção de textos, slam, música e literatura, moda e literatura, animação, Nheengatu e cinema em sala de aula. Entre elas, a oficina conduzida por Bete Bullara provocou reflexões sobre o papel do audiovisual no cotidiano e na formação crítica dos jovens.
Aprender a ler imagens
Formada em cinema pela UFF e integrante do CINEDUC desde 1975, Bete participa do Amazônia das Palavras desde a primeira edição e defende o cinema como linguagem fundamental para a educação contemporânea. Segundo ela, a proposta vai além do uso do filme como ferramenta complementar de ensino.
“O cinema é uma linguagem e, como toda linguagem, precisa ser aprendida. A função da escola é fazer com que as pessoas aprendam a decodificar essa linguagem”, afirma.
Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: divulgação
Durante a oficina, os estudantes tiveram contato com conceitos ligados à construção da imagem, iluminação, enquadramento e narrativa audiovisual, compreendendo como escolhas técnicas também carregam intenções e visões de mundo.
“A fotografia e o cinema não são cópias da realidade. Existe uma escolha por trás de cada enquadramento, de cada iluminação, de cada posição de câmera. Tudo isso comunica alguma coisa. É importante que as pessoas aprendam a perceber essas escolhas e entendam que existe uma intenção por trás de cada produto audiovisual”, explica a oficineira.
Para Bete Bullara, ensinar cinema dentro da escola também significa ampliar a capacidade de interpretação dos estudantes diante do excesso de informações visuais presentes no cotidiano contemporâneo.
“Hoje convivem muitas linguagens ao mesmo tempo dentro de uma tela. Texto, música, fotografia, vídeo, desenho. Quem não consegue perceber ou interpretar essas linguagens acaba ficando limitado na forma de compreender o mundo. O cinema na escola é importante justamente porque ajuda as pessoas a pensarem por si mesmas e a serem menos influenciáveis”, destaca.
Novos olhares
Entre os estudantes, a oficina despertou novas percepções sobre o universo audiovisual. A aluna Rayjha Geamylle, de 14 anos, contou que a experiência mudou a forma como enxerga o cinema. “A parte do cinema foi muito interessante porque mostrou como um filme é construído. Eu não imaginava tudo o que existe por trás. A gente pensa que é fácil, mas é totalmente diferente”, relata.
Em Codajás, projeto transforma cinema em ferramenta de leitura. Foto: Divulgação
Ela também destacou a importância de iniciativas culturais na cidade. “Poderia ter mais projetos assim aqui em Codajás. Não acontecem muitas coisas desse tipo, então acaba chamando muito a atenção da gente”, completa.
Para a direção da escola, a presença do Amazônia das Palavras fortalece o ambiente educacional ao aproximar os estudantes de novas experiências artísticas e literárias. Segundo a diretora Silvia Reis, além das oficinas, a doação de livros realizada pelo projeto amplia as possibilidades de leitura dentro da escola.
“Projetos como esse despertam nos alunos o interesse pela leitura, pela arte e pelo conhecimento. A doação dos livros também fortalece nosso acervo e cria novas oportunidades para que os estudantes tenham contato com diferentes histórias, autores e formas de pensar o mundo”, destaca.
Noite cultural mobiliza comunidade
As atividades noturnas também mobilizaram a comunidade de Codajás. A programação contou com exibição do documentário da terceira edição do projeto, homenagem à escritora Maria Firmina dos Reis, doação de livros à biblioteca escolar e o espetáculo circense “Silêncio Total – Vem Chegando um Palhaço”, com o ator Luiz Carlos Vasconcelos interpretando o Palhaço Xuxu.
Entre os convidados da noite esteve Amanda Christine, Rainha do Açaí de Codajás, que destacou o impacto da programação cultural na cidade.
“Foi uma noite muito bonita. O espetáculo do Palhaço Xuxu trouxe alegria para as pessoas e deixou a cidade mais feliz. O projeto também é importante porque incentiva os jovens a se aproximarem mais da literatura, da cultura e da educação”, afirma.
Expedição segue pelo Amazonas
Após a passagem por Codajás, a expedição segue para os municípios de Anori, Anamã, Manacapuru, Iranduba e Manaus, mantendo a proposta de promover atividades educativas e culturais gratuitas em escolas públicas e comunidades ribeirinhas.
O Amazônia das Palavras – Quarta Edição é um projeto patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; apoio: Cigás; promoção: Fundação Rede Amazônica. Realização: Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Em alusão ao Dia da Mineração, 6 de maio, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) deu visibilidade aos mapas do conhecimento geológico publicados para 50 municípios mineradores. Os produtos reúnem informações detalhadas sobre o território e servem de base para orientar pesquisas, reduzir riscos exploratórios e apoiar o planejamento do setor mineral no país.
Os mapas contemplam municípios de:
Minas Gerais (23),
Pará (10),
Goiás (5),
Bahia (5),
Mato Grosso (3),
Mato Grosso do Sul (1),
Amazonas (1),
Maranhão (1),
e Alagoas (1).
“A nossa atuação está baseada na geração de dados geológicos essenciais para identificar áreas com potencial mineral. Essa base técnica permite que empresas e investidores tomem decisões com mais segurança e também apoia o planejamento governamental, impulsionando o desenvolvimento sustentável desses municípios”, destacou o diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões.
O diretor-presidente ressaltou que a diversidade geológica do país é um diferencial estratégico. “Nossa atuação contribui para fortalecer toda a cadeia produtiva mineral, em alinhamento às diretrizes do Governo Federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o apoio do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O objetivo é tornar o Brasil mais atrativo e gerar benefícios para a população”, afirmou.
Ao indicar áreas com potencial mineral, o SGB contribui para o desenvolvimento dos municípios, explicou o diretor de Geologia e Recursos Minerais, Valdir Silveira.
“Com mais essa linha de mapas, o SGB possibilita aos gestores municipais e comunidades locais conhecerem o nível de detalhe da cartografia geológica e as ocorrências minerais cadastradas em âmbito regional”, salientou.
A análise deste cenário permitirá avaliar potencialidades e a necessidade de melhorias no conhecimento geológico de cada município produtor, visando aumentar a atratividade dos investimentos em pesquisa e produção mineral.
Mapa do conhecimento geológico de Oriximiná (PA). Imagem: Reprodução/SGB
Pesquisas do Serviço Geológico para o setor mineral
O SGB atua na geração de dados geológicos, geofísicos e geoquímicos de caráter pré-competitivo, fundamentais para reduzir riscos e orientar investimentos. As ações seguem as diretrizes do Plano Nacional de Mineração 2030, do Programa Mineração Segura e Sustentável do Plano Plurianual 2024-2027 e do Plano Decenal de Mapeamento Geológico e de Recursos Minerais (PlanGeo).
Entre as iniciativas em curso, estão as pesquisas para ampliar o mapeamento geológico sistemático na escala 1:100.000, além do avanço em levantamentos geofísicos e geoquímicos prospectivos – uma tríade de informações fundamentais para o setor.
Nos últimos anos, a instituição também tem ampliado os estudos sobre minerais críticos e estratégicos, como nióbio, grafita, terras raras, níquel, manganês e lítio, essenciais para a transição energética e a economia de baixo carbono. Em 2026, o SGB lançou a publicação An overview of critical and strategic minerals potential of Brazil, com um panorama nacional sobre o tema.
Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais. Foto: Divulgação
Com o avanço da odontologia moderna e o impacto da cultura da imagem, notadamente impulsionada pelas redes sociais, procedimentos bucais com foco estético deixaram de ser vistos como um luxo para se tornarem um componente do autocuidado e da autoestima.
Considerando tratamentos realizados em diversas partes do país no ano de 2025, a região Norte se sobressai como a que mais procura por esses procedimentos estéticos bucais (44,3%). É o que mostra pesquisa realizada pela Odontoprev com base em seus mais de nove milhões de beneficiários. O estudo consolida dados de 2025.
Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais. Foto: divulgação
Na sequência, a região Sul aparece como a que mais realiza procedimentos (37%), seguida pelo Centro-Oeste (31,9%), e pelo Sudeste (18,9%). Em contraste, o Nordeste apresenta o menor índice (6,2%) de realização de procedimentos.
Segundo o Dr. Emerson Nakao, dentista e consultor científico da Odontoprev, atualmente, esses tratamentosbuscam conciliar a saúde biológica do sorriso com uma aparência harmoniosa.
“São muitos tratamentos, como clareamento dental, facetas de porcelana ou lentes de contato; o foco vai além da perfeição. Buscamos oferecer um equilíbrio personalizado que respeite as características faciais de cada indivíduo, transformando o sorriso realmente em um cartão de visitas que alia funcionalidade e estética de forma integrada”, comenta.
Prevenção com a saúde bucal é o foco do Sudeste
Com um aumento notável de 38,9% em tratamentos preventivos, a região Sudeste assume a liderança no ranking das regiões que mais realizam este tipo de procedimentos, refletindo uma maior preocupação e conscientização sobre a saúde bucal, prevenção e autocuidado.
Em seguida vem o Sul (11,9%), o Norte (6,5%) e o Nordeste (6%). Já na região Centro-Oeste, apenas 3,1% da população demonstrou preocupação em prevenir possíveis problemas dentários.
Região Norte lidera a busca por procedimentos estéticos bucais. Foto: divulgação
“A sabedoria do cuidado com o sorriso reside na prevenção. Priorizar visitas regulares ao dentista e manter uma rotina de higiene rigorosa não é apenas uma questão de estética, mas um investimento na própria saúde, agindo muito antes do corpo precisar emitir o alerta da dor. Além disso, tratar problemas em estágio inicial é sempre mais simples, indolor e às vezes até econômico do que remediar intervenções complexas”, diz Dr. Nakao.
Olhar para os tratamentos curativos
Uma maior preocupação com a prevenção resulta na redução dos procedimentos curativos. A região Sudeste lidera a queda nos procedimentos, registrando -4,3%. Em seguida, vêm o Centro-Oeste com -0,8% e o Norte com -0,4%. Por outro lado, as regiões Sul e Nordeste apresentaram aumento nos procedimentos curativos, com 2,5% e 1,2%, respectivamente.
“Quando escolhemos cuidar do sorriso pelo valor da saúde e não pela urgência do incômodo, evitamos o estresse de urgências e garantimos que a boca cumpra suas funções vitais com pleno bem-estar, preservando a integridade dos dentes de forma duradoura”, ressalta Dr. Nakao.
Sobre a Odontoprev
A Odontoprev, empresa de capital aberto desde 2006, é líder em planos odontológicos no Brasil, com mais de nove milhões de beneficiários. A rede de cirurgiões-dentistas da Odontoprev é especializada, com aproximadamente 27 mil credenciados. A Companhia é listada no Novo Mercado da B3, participa da carteira global do Bloomberg GEI 2023, neutraliza a emissão anual de Gases de Efeito Estufa e conta com acionistas de mais de 30 países. Fundada em 1987, a empresa conta com soluções para todos os perfis de clientes, desde grandes corporações, empresas PME e planos individuais, nas marcas Odontoprev, Bradesco Dental, BB Dental e Odonto System, Mogidonto entre outras.
Um diagnóstico que sistematiza informações de 52 territórios foi apresentado durante a 16ª Mesa Quilombola Estadual, em Belém (PA), onde foram debatidas e encaminhadas demandas relacionadas à destinação de terras e à garantia de direitos territoriais. O espaço reuniu instituições como Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Ministério Público (MP), Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA) e universidades.
Dados produzidos por comunidades quilombolas no Pará, a partir de uma articulação entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Malungu (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará) e a iniciativa “Tô no Mapa”, estão orientando o encaminhamento de demandas por acesso à terra e a políticas públicas no Estado.
Os números foram organizados em dois documentos complementares:
o relatório “Cenário da segurança jurídica de comunidades quilombolas do estado do Pará: relatório analítico do automapeamento”, que apresenta uma análise estatística e jurídica da situação fundiária;
e o material “Automapeamento de comunidades quilombolas no estado do Pará”, que reúne de forma visual a metodologia, o processo e os principais achados do levantamento.
São informações de 52 comunidades quilombolas distribuídas em diferentes regionais do estado, abrangendo municípios como Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, Moju, Oeiras do Pará, Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari, incluindo comunidades como São José, Trindade 1 e Trindade 3.
“Estamos identificando áreas que já são ocupadas por comunidades quilombolas, mas que ainda não entraram em nenhuma base oficial de cadastro e não possuem nenhuma camada de proteção, seja por certificação, processos fundiários ou mesmo cadastro ambiental”, explicou Raquel Poça, pesquisadora de Políticas Públicas do IPAM.
Tabela onstruída pelo Iterpa mostra as comunidades mapeadas no Pará. Divulgação/ Iterpa
“A partir da qualificação desses dados, conseguimos não só dar visibilidade a esses territórios, mas direcionar essas informações para espaços institucionais como a Mesa Quilombola, que encaminham as demandas por acesso à terra. Isso permite que comunidades que antes não eram identificadas pelo Estado passem a ser reconhecidas e possam integrar estratégias de garantia de direitos e de proteção territorial no estado do Pará”, finaliza a pesquisadora.
Análise da segurança jurídica
O diagnóstico aponta um cenário marcado por fragilidades no processo de regularização fundiária. Parte significativa das comunidades analisadas ainda não possui titulação ou não está inserida em instrumentos formais de reconhecimento territorial, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Em muitos casos, também foram identificadas situações de sobreposição de direitos, conflitos territoriais e ausência de informações consolidadas sobre a dominialidade das áreas.
Ao todo, 19 comunidades foram identificadas sem processo de regularização fundiária iniciado ou sem informações sobre sua tramitação, o que indica a necessidade de encaminhamentos prioritários junto aos órgãos responsáveis. Dessas, oito estão localizadas em áreas de competência estadual, três em áreas federais e outras oito ainda apresentam indefinição fundiária, o que exige etapas adicionais de verificação para definição do órgão responsável.
A análise também evidencia diferenças entre as regionais. Na região da Guajarina, comunidades como São José, Trindade 1 e Trindade 3 foram classificadas em situação de maior vulnerabilidade por não apresentarem certificação, titulação ou inscrição no CAR, o que indica ausência total de mecanismos formais de proteção territorial. Em outras regiões, como Nordeste e Marajó, foram identificados casos de conflitos, indefinição fundiária e processos de regularização ainda não iniciados.
“Os materiais demonstram que a pauta territorial quilombola é conduzida de forma compartilhada entre comunidades e instituições, com responsabilidades divididas para acelerar a regularização fundiária”, afirmou o presidente do Iterpa, Bruno Kono.
O processo que resultou no diagnóstico foi desenvolvido a partir da articulação entre o projeto de Governança Fundiária do IPAM e a iniciativa Tô no Mapa. As equipes da Malungu foram capacitadas para realizar o levantamento de informações diretamente nos territórios, utilizando ferramentas digitais para registro dos dados.
Para a Malungu, o processo iniciado em 2025 representou um avanço no fortalecimento institucional e na atuação junto aos territórios. A organização destacou que a execução do projeto permitiu ampliar a presença nas comunidades e apoiar o automapeamento a partir do conhecimento adquirido.
“Esse processo foi muito benéfico para a Malungu. Conseguimos chegar aos territórios, escutar as comunidades e realizar o automapeamento a partir do olhar de quem vive nesses espaços. Isso fortalece não só o reconhecimento dos territórios, mas também a autonomia das próprias comunidades, que passam a ter referências para dialogar com os órgãos fundiários e avançar na regularização. Além disso, os dados coletados ajudam a entender conflitos, áreas de uso e o perfil das comunidades, contribuindo para a nossa atuação enquanto instituição”, explicou Érika Thaís, Coordenadora de Juventude da Malungu.
O levantamento também incorporou informações sobre conflitos territoriais e situações específicas de cada comunidade, ampliando a capacidade de análise para além do reconhecimento formal dos territórios. Com isso, o material passa a apoiar não apenas processos de regularização, mas também a gestão territorial das comunidades quilombolas no estado.
A partir desse processo, foi realizando o cruzamento dos dados territoriais com informações sobre políticas públicas, situação fundiária e instrumentos de regularização. Esse trabalho permitiu transformar o conjunto de dados em um diagnóstico estruturado, capaz de subsidiar o encaminhamento de demandas de forma mais precisa.
Mapeamento independente
Foto: Divulgação/Ipam
O “Tô no Mapa” é uma iniciativa que permite que povos e comunidades tradicionais realizem o automapeamento de seus territórios, por meio da autodeclaração e da delimitação das áreas que ocupam, garantindo visibilidade e uma camada de proteção enquanto aguardam o reconhecimento formal pelo Estado.
Para Isabel Castro, pesquisadora do IPAM, o processo é essencial por reduzir a invisibilidade desses povos, mesmo estando há anos em seus territórios.
“O grande diferencial é que os próprios comunitários se autodeclaram como comunidades tradicionais e também delimitam os limites da sua terra. Isso traz uma camada a mais de proteção para as áreas ainda não tituladas”, explica. “Com essa ferramenta, o Estado precisa reconhecer essa autodeclaração, que é legítima, e isso gera repercussões jurídicas e extrajurídicas, garantindo proteção enquanto a titulação não acontece”, finaliza Castro.
A organização das informações permite identificar de forma objetiva quais comunidades precisam iniciar processos de regularização, as que possuem encaminhamentos em curso e as que enfrentam situações mais complexas, como conflitos ou indefinição fundiária. Dessa forma, o diagnóstico contribui para orientar a atuação dos órgãos responsáveis e qualificar o debate institucional.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Ipam Amazoônia, escrito por Suellen Nunes