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Pesquisadores estudam potencial econômico e ambiental do bambu na Amazônia peruana

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Foto: Reprodução/Agência Andina

Cientistas do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) e da Universidade Nacional Agrária La Molina implementarão o projeto BambúTech em Ucayali. A iniciativa visa revelar o potencial produtivo e climático das extensas florestas de bambu que cobrem grande parte dessa região.

A iniciativa propõe estudar o bambu a partir de uma perspectiva abrangente que combine ciência, inovação tecnológica e oportunidades produtivas para a região.

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O IIAP destacou que, com milhões de hectares de bambuzais ainda pouco estudados, a iniciativa busca transformar esse recurso natural em uma alternativa sustentável para a geração de valor econômico, manejo florestal e captura de carbono na Amazônia peruana.

O projeto, denominado BambúTech, é financiado pela ProCiencia da Concytec. A pesquisa terá duração de três anos e visa estudar o bambu a partir de uma perspectiva abrangente que combine ciência, inovação tecnológica e oportunidades produtivas para a região.

O IIAP destacou que Ucayali possui cerca de 3,5 milhões de hectares de florestas, uma área considerável que tem sido pouco analisada sob uma perspectiva científica. O engenheiro Diego García, pesquisador em agroflorestamento familiar, explicou que um dos principais objetivos será quantificar o carbono armazenado nessas florestas por meio da instalação de parcelas permanentes de monitoramento em diferentes ecossistemas.

pesquisa bambu peru
Foto: Reprodução/Agência Andina

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Para melhorar a precisão das medições, o projeto incorporará drones com imagens de alta resolução, uma tecnologia que permitirá estimar os estoques e fluxos de carbono em áreas muito maiores.

“Isso nos permitirá quantificar o carbono em grandes florestas de bambu e entender melhor o papel que essas florestas desempenham no sequestro de carbono”, afirmou García.

Potencial do bambu

A pesquisa também explorará o potencial produtivo, particularmente espécies do gênero Guadua, por meio do desenvolvimento de tábuas e protótipos de móveis.

Segundo o pesquisador, esses produtos serão submetidos a testes técnicos para aprimorar seu uso na fabricação de móveis e outros produtos, além de oferecer treinamento e assistência técnica a marceneiros que trabalham com esse material.

O projeto também inclui um inventário da diversidade de espécies na região, bem como uma avaliação do biochar produzido a partir de resíduos de bambu, um material que pode ser utilizado para melhorar a fertilidade de solos degradados.

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Por meio dessas linhas de pesquisa, os especialistas pretendem demonstrar que um recurso abundante e subutilizado na Amazônia pode se tornar uma oportunidade para promover inovação, sustentabilidade e desenvolvimento local.

*Com informações da Agência Andina

Seca, enchente, calor: eventos climáticos extremos ameaçam ecossistemas fluviais

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Em 2023, seca severa associada a onda de calor levou a temperaturas inéditas em rios e lagos da Amazônia. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Secas severas, enchentes intensas e ondas de calor pressionam os ecossistemas fluviais para além de seus limites naturais de resiliência. Revisando dados de sistemas fluviais de diversos continentes, pesquisa publicada na revista Nature Reviews Biodiversity mostra como, na maioria dos casos, a natureza não consegue retornar ao estado anterior após eventos climáticos extremos e sucessivos.

As consequências vão desde extinções locais e colapsos nas cadeias alimentares até alterações permanentes nos serviços que os rios oferecem às sociedades humanas.

“Eventos climáticos extremos estão aumentando em severidade e frequência, remodelando fundamentalmente os ecossistemas fluviais. Os rios funcionam como redes conectadas e, por isso, os impactos de um evento extremo quase nunca ficam restritos a um único ponto, eles se espalham por todo o sistema”, alerta Tadeu Siqueira, um dos autores do artigo.

Ele é docente do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp) em Rio Claro e coordenador de Integração do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP.

Uma das conjunturas abordadas pelo estudo envolve secas severas que levam à interrupção do fluxo em nascentes de rios. Nessas condições, a matéria orgânica se acumula nas áreas secas e, quando a água retorna, grandes volumes desse material são transportados rio abaixo. Esse processo pode provocar desoxigenação da água, mortandade de peixes e prejuízos a atividades humanas, como a geração de energia.

O risco se intensifica com os chamados eventos extremos compostos: combinações de secas acompanhadas por ondas de calor ou incêndios florestais seguidos de chuvas intensas produzem impactos desproporcionais. Foram observados casos recentes, como o colapso do plâncton no rio Yangtzé, na China, em 2022, e a mortandade de peixes no rio Klamath, na Califórnia, após uma sequência de incêndios e tempestades.

Efeitos climáticos como a seca estão cada vez mais intensos

No Brasil, em 2023, uma seca severa associada a uma onda de calor levou a temperaturas inéditas em rios e lagos da Amazônia. Em alguns locais, as águas ultrapassaram 37 °C e um dos lagos monitorados chegou a atingir 41 °C em toda a coluna d’água.

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Seca extrema e temperaturas recordes de até 41°C levaram ao superaquecimento dos lagos amazônicos - seca na amazônia
Seca 2023 na Amazônia. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Esses níveis de aquecimento causam grandes mortandades de peixes e outros organismos aquáticos, além de indicarem que eventos próximos aos limites térmicos suportáveis pelas formas de vida podem se tornar mais comuns em sistemas tropicais.

Dados de satélite reforçam essa tendência, apontando um aquecimento gradual das águas amazônicas de cerca de 0,6 °C por década desde os anos 1990. A combinação de radiação solar intensa, águas mais rasas, vento fraco e alta turbidez cria condições propícias para o superaquecimento.

O estudo atenta ainda para os limites das estratégias tradicionais de conservação e revela que a aposta em refúgios climáticos naturais, áreas mais frias e protegidas, pode não ser suficiente diante de ondas de calor mais longas e intensas. Nesse cenário, Siqueira defende uma mudança de paradigma, com a transição de ações locais e reativas para estratégias antecipatórias e de maior escala.

“Para enfrentar eventos cada vez mais intensos, é hora de pensar em gestão de bacias e resiliência em larga escala”, salienta o pesquisador. Entre as propostas estão a restauração ampla de hábitats, a melhoria da conectividade entre rios, a proteção de áreas de recarga de aquíferos e a adoção de soluções baseadas na natureza.

Segundo o pesquisador, para viabilizar alternativas eficazes, é preciso investir em programas de monitoramento de alta resolução e frequência, capazes de registrar eventos extremos durante a sua ocorrência, além de fortalecer pesquisas de longo prazo que permitam a compreensão dos impactos que persistem por muito tempo após sua ocorrência.

O artigo Extreme events and river biodiversity under climate change pode ser lido em: nature.com/articles/s44358-026-00131-7.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Michelle Braz – bolsista de Jornalismo Científico da FAPESP vinculada ao CBioClima

Nova espécie de peixe endêmica é identificada em Loreto, no Peru

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) identificaram uma nova espécie de peixe nas águas do rio Tigre, que atravessa a província e região de Loreto. A espécie, cujo nome científico é Pyrrhulina punctata, distingue-se por um padrão de manchas escuras em seu corpo que o diferencia de qualquer outro peixe conhecido até o momento na região.

Isso foi destacado pelo IIAP, que especificou que essa descoberta é resultado de um esforço coordenado entre a equipe de especialistas daquela instituição e especialistas de universidades brasileiras como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre; a Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá; e o Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP).

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Os detalhes da pesquisa aparecem na última edição da revista científica internacional Journal of Fish Biology. O IIAP destacou que, graças a esse trabalho, o Peru adiciona um novo membro à sua lista de peixes de água doce.

Características da nova espécie de peixe

A principal característica da Pyrrhulina punctata é uma fileira de 7 a 16 manchas pretas irregulares em seus flancos ou laterais. Ao contrário de outros peixes semelhantes, esta espécie mantém suas marcas desde o nascimento até a idade adulta.

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peixe pyrrhulina punctata loreto amazônia peruana foto agencia andina
Foto: Divulgação/Agência Andina

A coloração marcante lhe confere valor ornamental. Além disso, exibe dimorfismo sexual acentuado, com os machos desenvolvendo nadadeiras mais grossas e longas. As margens distais escuras dessas nadadeiras servem como uma característica distintiva de identificação.

Para confirmar que se tratava de uma espécie distinta, os pesquisadores utilizaram técnicas modernas que combinam observação física com análises genéticas avançadas baseadas em DNA. Esse método permitiu distinguir com precisão a Pyrrhulina punctata de outros parentes próximos que habitam a bacia amazônica.

O IIAP explicou que os espécimes utilizados no estudo foram coletados dentro da Reserva Nacional Pucacuro, uma área de floresta tropical que ainda se mantém em excelente estado de conservação. Por fim, o instituto afirmou que essa conquista científica é de grande importância porque a espécie é endêmica do Peru e habita pequenos desfiladeiros em uma área natural protegida, o que garante sua sobrevivência diante das ameaças ambientais.

*Com informações da Agência Andina

117 anos de força e longevidade: conheça a Tia Margarida, paraense que vive no Amapá

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Tia Margarida emociona filhos, netos e bisnetos com sua história de resistência. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

A anciã Oneide de Souza, conhecida como Tia Margarida, completou 117 anos de vida no dia 20 de março. Nascida em 20 de março de 1909, na Ilha de Viçosa, município de Chaves (PA), ela vive há sete anos em Macapá (AP), onde recebe cuidados da filha e da neta.

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A trajetória de Tia Margarida impressiona pela resistência e pela história de luta. Mãe solo, criou cinco filhos trabalhando na roça, tirando leite da seringueira e vendendo no período da borracha. Também foi castanheira e empregada doméstica. Com sacrifício e coragem, sustentou a família sozinha.

Segundo o Guinness World Records 2026, a pessoa mais velha do mundo é a britânica Ethel Caterham, com 116 anos. Isso significa que Tia Margarida, com 117 anos, é ainda mais velha, embora sua idade não esteja oficialmente registrada pelo Guinness.

Tia Margarida tem 117 anos. Amapá.
Tia Margarida tem 117 anos. Foto: Divulgação

Trajetória e desafios de Tia Margarida

Hoje, sem visão e com limitações físicas, ela depende de ajuda para todas as atividades. Vive na capital amapaense aos cuidados da neta Yolanda e da filha Maria Benedita de Souza, de 70 anos, que também enfrenta problemas de saúde, mas se dedicam diariamente à matriarca.

Antes de falar sobre a emoção de ver a mãe chegar a essa idade, Benedita lembra das dificuldades enfrentadas no dia a dia.

“Não é fácil. Eu também tenho meus problemas de saúde e, sem cadeira de rodas ou de banho, precisamos carregar minha mãe para fazer o asseio diário. Mas Deus tem nos dado força para continuar cuidando dela”, conta Maria Benedita.

A família sobrevive com o benefício de um salário mínimo pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e com trabalhos informais do genro.

Eles fazem um apelo por ajuda: precisam de uma cadeira de rodas e um assento para banho para garantir mais conforto à idosa. Apesar das dificuldades, Benedita se emociona ao falar da mãe.

“É um privilégio muito grande ver minha mãe chegar nessa idade. Ela sempre foi uma mulher guerreira, muito humilde e cuidadosa. Criou os filhos com trabalho duro, tirando seringa, castanha, tudo para nos alimentar. Hoje, mesmo com tantas limitações, continua sendo nossa inspiração”, disse.

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O segredo da longevidade

A alimentação simples também marcou a vida de Tia Margarida. Batata-doce, macaxeira, peixe e frutas da região, como açaí, castanha e bacaba, sempre fizeram parte da rotina.

“Ela sempre gostou de comer batata-doce e macaxeira, porque eram plantações que ela mesma cultivava. Também nunca deixou de comer peixe e frutas. Esse hábito acompanhou toda a vida dela”, lembra Benedita.

Apesar das limitações financeiras, os 117 anos de Tia Margarida não vão passar em branco. A família prepara uma comemoração simples em Macapá. Netos e bisnetos vão levar alimentos para um almoço coletivo.

“Não temos condições de fazer festa, mas cada neto vai trazer um alimento. O importante é estarmos juntos e alegrar o coração dela”, explica a filha.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Alta joalheria em Paris conta com trabalho de rondoniense inspirada na Amazônia

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Ayahuasca é uma das inspirações para as joias criadas por Roberta Barbosa. Foto: Reprodução/Roberta Barbosa – site oficial

Paris, passarelas e alta joalheria pareciam um horizonte distante para a rondoniense Roberta Barbosa. Hoje, esse universo faz parte de sua trajetória profissional: ela construiu carreira na área na capital francesa e desenvolve um portfólio marcado por referências da Amazônia.

Ao Grupo Rede Amazônica, ela explicou que crescer na Amazônia foi determinante para o seu olhar como designer, principalmente pela conexão com a natureza. Segundo Roberta, no início o objetivo era “ganhar o mundo”, mas hoje ela reconhece que a vivência em Porto Velho foi essencial na sua formação.

“Pra mim, ser uma profissional da Amazônia numa marca global é, antes de tudo, representatividade. É ser a única brasileira do time. Acredito de verdade que minha origem é minha maior força criativa. Na França (ou qualquer lugar pra falar a verdade), ninguém consegue imaginar a riqueza que é crescer na Amazônia”, disse.

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Essa identidade aparece diretamente no trabalho. No portfólio, peças inspiradas no Uirapuru e na Ayahuasca traduzem em joias elementos da região onde cresceu.

“Fiz da minha cultura a minha especialidade. Transformei o Uirapuru em broche, a Ayahuasca em brinco e trouxe comigo as minhas referências de vida. É só olhar meu portfolio: é todo verde. Estou aqui mas uma parte minha continua aí, e isso pra mim ficou muito forte nessa época”, completou.

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Joias inspiradas no Uirapuru. Foto: Reprodução/Roberta Barbosa – site oficial

Joias da Amazônia para o mundo

O interesse pela criação sempre esteve presente, mas a joalheria entrou na vida de Roberta ainda na infância, dentro de casa. A mãe produzia colares de pérolas, atividade que depois se transformou em negócio da família. Esse contato influenciou a forma como ela enxerga as peças até hoje.

“Sempre me interessei por arte, desenho e criação, mas a joalheria fez parte da minha vida de uma forma muito orgânica. Eu cresci mergulhada nesse mundo. Eu cresci vendo a joia ocupar esse lugar ambíguo entre o íntimo e o público. É pequeno, mas afirma algo muito forte”, disse.

Apesar disso, a escolha profissional inicial foi outra. Roberta cursou arquitetura, buscando uma área ligada à arte e à criação. A decisão de seguir na joalheria veio apenas no fim da graduação, após um curso feito com o irmão em um ateliê montado pelo pai.

“Era algo muito minimalista, com pedras brasileiras, muito íntimo, mas pra mim virou uma chave”, disse.

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Em busca de formação mais específica, ela passou a procurar cursos na área e encontrou poucas opções no Brasil. Foi então que decidiu se candidatar a uma escola especializada em joalheria em Paris. Preparou portfólio, intensificou os estudos de francês e contou com o apoio de professores de Porto Velho.

A mudança para a França, em 2020, trouxe desafios imediatos. A cidade estava com restrições, ela ainda não dominava o idioma e precisou se adaptar rapidamente ao novo ambiente.

“Chegar aqui em 2020 foi extremamente desafiador, porque a cidade estava praticamente fechada. O turismo bloqueado. Eu não conhecia ninguém. Meu francês ainda em desenvolvimento (e minha escola era totalmente em francês). Eu estava tentando assimilar tudo ao mesmo tempo”, explicou.

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A criadora das joias, Roberta Barbosa. Foto: Reprodução/Roberta Barbosa – site oficial

Mesmo assim, não desistiu. Durante a formação, Roberta passou a valorizar ainda mais suas origens e incorporá-las ao trabalho. Elementos da Amazônia ganharam mais espaço nas criações, reforçando uma identidade que hoje é central no seu processo criativo.

“Por não falar a mesma língua e não fazer parte da mesma cultura, eu tinha que me provar 2x mais. O início foi realmente um desafio, mas foi na escola que aprendi a valorizar ainda mais a minha identidade”, disse.

Na escola, participou de concursos importantes, e um deles foi decisivo para abrir portas no mercado internacional. O projeto vencedor garantiu visibilidade e marcou o início da sua atuação profissional na área.

“Fiz um broche que replicava movimento, fluidez e um elemento da montaria, e fiquei em primeiro lugar. Ter ganhado esse prêmio me proporcionou a visibilidade que eu precisava pra ter essa oportunidade”, comentou.

Hoje, trabalhando com alta joalheria, ela desenvolve desenhos que partem de conceitos criativos e se transformam em peças. Única brasileira no time em que atua, Roberta vê sua origem como diferencial.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Novo mapeamento identifica 1,2 milhão de hectares de manguezais no Brasil

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Manguezais na Amazônia. Foto: Reprodução/Greenpeace

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançaram, no dia 18 de março, a atualização do Mapeamento dos Manguezais Brasileiros – 2024.

O levantamento identificou 1.229.644 hectares desses ecossistemas no país, distribuídos em 11.142 fragmentos ao longo da costa brasileira, durante evento na sede do Instituto, e Brasília.

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Os dados mostram que cerca de 82% da área total de manguezais está inserida em Unidades de Conservação, como Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e Reservas Extrativistas (Resex), evidenciando o papel dessas áreas na proteção da biodiversidade e no sustento de comunidades tradicionais.

A maior concentração está na costa norte do país, especialmente nos estados do Amapá, Pará e Maranhão, que juntos reúnem aproximadamente 78% da cobertura nacional.

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O estudo foi desenvolvido em parceria entre o Centro Nacional de Monitoramento e Informações Ambientais (Cenima) do Ibama e o Departamento de Oceano e Gestão Costeira da Secretaria Nacional de Mudança do Clima do MMA. A nova versão atualiza o Atlas dos Manguezais Brasileiros, publicado em 2018, e amplia a capacidade de monitoramento desses ecossistemas estratégicos.

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Manguezal. Foto: Anselmo Malagoli/ICMBio

Para o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, o trabalho representa um avanço científico e tecnológico na análise ambiental e no apoio à tomada de decisão.

“Esse mapeamento reúne o que há de mais moderno em tecnologia com um elemento essencial, que é o olhar humano. Cada fragmento foi analisado individualmente, com validação de pesquisadores de todo o país. Isso fortalece a base técnica para a conservação e qualifica a atuação do Estado na proteção desses ecossistemas”, afirmou.

A atualização marca a transição de um modelo cartográfico estático para um sistema de monitoramento contínuo, baseado em séries temporais de imagens de satélite. Foram utilizadas imagens do satélite Sentinel-2, combinadas com diferentes composições espectrais, índices específicos para manguezais e modelos digitais de superfície, permitindo maior precisão na identificação de áreas estreitas e fragmentadas.

Os dados passam a integrar a Plataforma de Análise e Monitoramento Geoespacial da Informação Ambiental (PAMGIA) do Ibama, fortalecendo o acesso a informações estratégicas para a gestão ambiental e o planejamento territorial.

O mapeamento também integra o Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais do Brasil (ProManguezal), coordenado pelo MMA, que organiza as ações do governo federal voltadas à conservação, recuperação e uso sustentável desses ecossistemas. Entre as metas estão a recuperação de 17 mil hectares de manguezais até 2030, a criação de novas Unidades de Conservação e a capacitação de profissionais.

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Mapeamento dos Manguezais Brasileiros foi lançado em 18 de março. Foto: Hermínio Lacerda/Ibama
Foto: Hermínio Lacerda/Ibama

Durante o evento, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância dos novos instrumentos para a agenda ambiental brasileira. Segundo ela, os avanços apresentados representam um investimento concreto na proteção da biodiversidade, na valorização dos serviços ecossistêmicos e no enfrentamento das mudanças do clima, com benefícios diretos para as populações tradicionais.

Além do mapeamento, foi apresentado o Plano Clima 2024–2035, principal instrumento estratégico do país para orientar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O plano estabelece metas para redução de emissões de gases de efeito estufa, ampliação de fontes limpas de energia e fortalecimento da resiliência de territórios e populações frente a eventos extremos.

Reconhecidos como ecossistemas essenciais para a biodiversidade e para a regulação do clima, os manguezais desempenham papel fundamental na proteção do litoral, na captura de carbono e na manutenção de atividades como a pesca artesanal e o extrativismo. O novo mapeamento reforça a base técnica para sua conservação e amplia a capacidade do Estado brasileiro de monitorar e proteger esses ambientes estratégicos.

*Com informações do Ibama

Ibama classifica pirarucu como invasor em trecho do rio Madeira e libera pesca em Rondônia

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Com a nova regra, pescadores, tanto profissionais quanto artesanais, podem realizar a captura e o abate do pirarucu na região designada sem restrição. Foto: Reprodução/Acervo Embrapa

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) classificou o pirarucu como espécie invasora na região acima da barragem de Santo Antônio, no rio Madeira, em Porto Velho. Além disso, o órgão autorizou a captura e o abate sem limite do peixe nessa área. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta semana.

Com a nova regra, pescadores, tanto profissionais quanto artesanais, podem realizar a captura e o abate sem restrição de quantidade, tamanho ou período do ano.

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No caso do rio Madeira, acima da barragem de Santo Antônio, os peixes não poderão ser devolvidos em suas áreas de origem, caso capturados: todos devem ser abatidos obrigatoriamente.

Os produtos da pesca só podem ser comercializados dentro do estado onde o peixe foi retirado. Caso sejam transportados para outro estado, serão apreendidos.

A norma também autoriza que governos estaduais e municipais incentivem ações de controle da espécie. O pirarucu abatido poderá ser destinado a programas sociais, como merenda escolar, hospitais públicos e iniciativas de combate à fome.

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Em unidades de conservação, o controle dependerá de autorização dos gestores e deverá seguir os planos de manejo específicos.

A decisão será reavaliada em três anos, para verificar se a medida é eficaz no controle da presença do pirarucu fora de sua área natural.

pirarucu da Amazônia
Foto: Siglia Souza/Embrapa

Entenda porquê o pirarucu se tornou invasor no próprio rio

Segundo a doutora em Biodiversidade e Biotecnologia, Dayana Catâneo, a expansão do pirarucu para novas áreas do rio está diretamente ligada às mudanças no ambiente. Antes, a espécie era encontrada principalmente na parte do rio Madeira abaixo da antiga Cachoeira de Santo Antônio, onde as condições naturais eram mais favoráveis.

Naquela região, a presença de várias corredeiras, com águas rápidas e turbulentas, funcionava como uma espécie de barreira natural. Esse tipo de ambiente não favorece o pirarucu, que prefere águas mais calmas, como lagos e áreas de pouca correnteza.

Com as alterações no rio, essas barreiras deixaram de existir, facilitando a chegada do peixe a novos trechos.

De acordo com Dayana Catâneo, o pirarucu é predador de topo de cadeia trófica e não possui predadores naturais. Isso faz com que, ao ocupar novos ambientes, ele possa reduzir a população de outras espécies nativas e causar desequilíbrios no ecossistema aquático.

“Como se trata de um predador de topo de cadeia trófica, o pirarucu pode diminuir outras espécies e mudar o equilíbrio do rio. Por isso, mesmo sendo da Amazônia, ele é considerado invasor nessas regiões específicas, onde pode causar impactos ao meio ambiente”, explicou Dayana.

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Ainda segundo a especialista, as mudanças ambientais ajudaram o pirarucu a se espalhar para áreas onde ele não existia antes, virando um problema nesses locais. Como ele se alimenta de vários tipos de peixes e é um predador de topo de cadeia, acaba aumentando a pressão sobre as espécies nativas, que não estão acostumadas com esse tipo de ameaça, ficando mais vulneráveis e causando desequilíbrio na região.

*Com informações do Ibama e de Quetlen Caetano, da Rede Amazônica RO

Amazônia Legal avança em estratégia para desenvolvimento sustentável nas fronteiras

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Seminário debateu estratégias para o desenvolvimento sustentável das fronteiras da Amazônia Legal. Foto: Divulgação/MIDR

A Amazônia Legal avança na construção de uma estratégia para o desenvolvimento sustentável das regiões de fronteira. Durante o seminário Desenvolvimento Fronteiriço, Infraestrutura e Bioeconomia no Arco Norte e em Rondônia, realizado na quarta-feira (18) pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi apresentado diagnóstico que aponta a integração entre infraestrutura, bioeconomia e logística como caminho para ampliar a geração de emprego e renda na região.

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O estudo mostra que a consolidação da bioeconomia em escala está condicionada à ampliação de investimentos em infraestrutura logística, energética e de comunicações. A ausência desses elementos limita a competitividade dos bioprodutos e dificulta a geração de emprego e renda na região.

As regiões de fronteira do Arco Norte concentram uma série de desafios estruturais que impactam diretamente o seu desenvolvimento. Entre os principais entraves estão as limitações de infraestrutura e logística, o acesso restrito à energia e à conectividade digital, além de questões relacionadas à segurança pública e integração regional.

Esse conjunto de fatores contribui para a baixa integração econômica e social desses territórios, dificultando a geração de emprego, renda e oportunidades para a população, como destaca o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR), Lucas Miotti.

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“Foi um trabalho intenso e articulado entre as equipes da SDR e do Ipea, com foco na identificação de problemas e na construção de soluções concretas para as regiões de fronteira. O resultado é uma carteira de projetos estruturada por estado do Arco Norte, com potencial para enfrentar desafios de infraestrutura, conectividade e logística, e transformar a realidade das populações locais”, explicou Miotti.

O diagnóstico também aponta que, apesar do grande potencial da Amazônia para o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, a estrutura econômico-produtiva da bioeconomia ainda é incipiente e demanda políticas públicas específicas para se fortalecer. Atualmente, a baixa geração de empregos formais nesse segmento evidencia um descompasso entre o discurso internacional favorável à economia sustentável e a realidade local, ainda fortemente baseada em atividades tradicionais não sustentáveis.

Outro ponto destacado foi o papel estratégico das regiões de fronteira na Amazônia, que ainda são, em muitos casos, tratadas como áreas periféricas, especialmente em termos sociais, econômicos e logísticos. Para os pesquisadores, parte dos desafios do desenvolvimento na faixa de fronteira passa pela promoção de alternativas econômicas inovadoras, com destaque para a bioeconomia e o fortalecimento de ecossistemas de inovação.

O estudo também ressalta que os modelos tradicionais de desenvolvimento adotados na Amazônia — como o extrativismo mineral em larga escala e o modelo industrial da Zona Franca de Manaus — não são suficientes, sustentáveis ou replicáveis para toda a região, reforçando a necessidade de novas abordagens baseadas nas potencialidades locais, capazes de maior impacto na geração de emprego e renda.

Nesse contexto, o conceito do Quadrante Rondon ganha relevância estratégica. A área corresponde a uma porção do território nacional que, do ponto de vista logístico, está mais próxima de portos do Oceano Pacífico do que dos portos brasileiros no Atlântico. Essa configuração abre novas possibilidades de integração econômica e comercial, especialmente na fronteira com a Bolívia, que se estende por mais de 1.300 quilômetros em Rondônia, podendo transformar a região em um importante corredor de conexão internacional.

O seminário também destacou características socioeconômicas atuais da Amazônia, como uma população majoritariamente jovem, feminina, negra e urbana, com baixos índices de formalização do trabalho e limitações no acesso à infraestrutura, especialmente nas áreas de fronteira.

aula portugues fronteira rondonia e bolivia, na Amazônia internacional
Aulas de português são realizadas na fronteira entre Rondônia e Bolívia, na Amazônia. Foto: Divulgação

Programa Fronteira Integrada na Amazônia

Durante o evento, o MIDR apresentou avanços do Programa Fronteira Integrada (PFI), estratégia vinculada à Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). A iniciativa tem como foco promover o desenvolvimento econômico, social e produtivo na faixa de fronteira brasileira, por meio da cooperação com países vizinhos, atração de investimentos, estímulo à inovação e redução das desigualdades regionais.

Para o coordenador-geral de Gestão do Território do MIDR, Vitarque Coêlho, o evento mostra um olhar especial para o desenvolvimento do Arco Norte e Rondônia.

“O estudo vai servir para orientar as necessidades de investimento na região. Por exemplo, foi identificado que entre Rondônia e a Bolívia tem uma zona de fronteira de centenas de quilômetros, porém as trocas são poucas pela ausência de pontes. No entanto, está prevista, no âmbito do Novo PAC, no Programa Rotas de Integração Sulamericana, a construção de uma nova ponte naquela região, que vai ajudar nesse tráfego de informações, pessoas e mercadorias. Enfim, esse trabalho irá nos ajudar a utilizar os recursos de maneira mais eficaz, definir prioridades e apoiar estratégias de ações públicas e privadas”, disse o coordenador-geral.

“É importante ressaltar que tudo que estamos fazendo é validado por cada um dos estados. Além das ações para ajudar a resolver problemas na prática, a ideia é que esses planos de fronteiras que estamos construindo sejam um legado de conhecimento sobre os territórios, trazendo conhecimento ao país e à sociedade sobre a realidade desses territórios”, completou Vitarque.

Como parte das ações do programa, está em andamento a etapa de divulgação da Carteira de Projetos dos estados do Arco Norte e de Rondônia. A consulta pública ficará aberta até o dia 27 de março de 2026, período em que a sociedade poderá enviar contribuições, sugestões e avaliar as propostas apresentadas, conforme sua relevância para o desenvolvimento das fronteiras amazônicas.

O processo contempla, na Amazônia, os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, e busca ampliar a participação social na construção de políticas públicas mais eficazes, alinhadas às demandas e potencialidades dos territórios de fronteira.

*Com informações do MIDR

Dicas de lugares públicos e privados para descarte de resíduos eletrônicos no Acre

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O descarte correto de resíduos eletroeletrônicos é essencial para evitar impactos ambientais e permitir que materiais como metais, plásticos e componentes sejam reaproveitados.

De acordo com Camila Dinelli, presidente do Instituto Descarte Correto, equipamentos como celulares, computadores, pilhas e eletrodomésticos não devem ser descartados no lixo comum, pois contêm substâncias que podem contaminar o solo e a água. 

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Atualmente existem diversos pontos de coleta públicos e privados que recebem esses materiais e garantem a sua destinação adequada, como supermercados, empresas, instituições de ensino e organizações que disponibilizam locais específicos para o descarte.

“O mais importante é que as pessoas saibam que resíduos eletroeletrônicos não devem ser descartados no lixo comum, pois precisam de destinação adequada para evitar impactos ambientais e permitir que estes materiais voltem para economia circular”, explicou Dinelli. 

Confira algumas dicas de lugares públicos e privados para o descarte correto de resíduos eletrônicos no Acre:

Dicas de lugares públicos e privados para descarte de resíduos eletrônicos no Acre

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.

Bosque dos Papagaios incentiva observação de pássaros para redução de estresse

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Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Entre árvores altas e trilhas com sombras, o som que domina o Bosque dos Papagaios, em Boa Vista (RR), não vem da cidade, mas da natureza. O canto dos pássaros transforma o espaço em um ponto privilegiado para observação de aves, uma prática que, além de aproximar a população da biodiversidade amazônica, também traz benefícios comprovados para a saúde mental.

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O último levantamento feito no Parque Ecológico Bosque dos Papagaios apontou a existência de 52 espécies de aves em vida livre no local, dependendo da época do ano, além dos animais que ficam no mantenedouro de fauna silvestre. De acordo com o gerente do bosque, Francisco Ibiapina, os exemplares mais comuns são o sabiá, caraxué, joão-pinto, aracuã, papa-capim, dentre outros.

“Aqui é um corredor para observação de pássaros, pois aves migratórias e raras passam pelo parque constantemente, devido às frutas e sementes das árvores do boque. Somos procurados por fotógrafos de vida selvagem e grupos de observação, além da população em geral. Tem visitante que vem todo dia aqui para descansar a mente e depois voltar para a rotina”, disse.

Melodia que cura

Em um mundo cada vez mais digital e urbano, experiências sensoriais naturais, como ouvir pássaros, oferecem uma oportunidade simples de reduzir estresse e melhorar a saúde mental. Um estudo publicado na revista Scientific Reports e citado pela National Geographic relaciona o som do canto dos pássaros à redução dos níveis de depressão e ansiedade na mente humana.

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Durante o estudo, os pesquisadores solicitaram aos participantes que registrassem, ao longo de duas semanas, informações sobre o ambiente em que estavam e como se sentiam durante o dia. Os resultados mostraram que, nos momentos em que as pessoas relataram ter ouvido o canto de pássaros, houve uma melhora no bem-estar mental, por horas, mesmo após o contato com as aves.

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Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Saúde mental e natureza

Ferramenta acessível de cuidado emocional, a natureza potencializa os efeitos positivos estudados pela ciência. Para a psicóloga e Referência Técnica de Saúde Mental de Boa Vista, Gilvânia Matos, o contato com os sons do habitat natural tem enfeito psicológico imediato, sem contar que esse hábito pode ser adotado com tranquilidade e de forma gratuita na capital.

“Vivemos uma vida no modo automático, então essa conexão com a natureza faz com que a gente desacelere e consiga centrar-se. O canto dos pássaros e a conexão com a natureza diminui ruídos urbanos, reduzindo a ansiedade e pensamentos autodestrutivos, além de estimular a liberação de neurotransmissores no cérebro, como serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de bem-estar”, destacou.

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Refúgio que acolhe

Ciente dos benefícios, a Prefeitura de Boa Vista mantém e apoia ambientes urbanos, preservando a vida constante de todo o ecossistema. Morando em Boa Vista há mais de 20 anos, o advogado Kennedy Cavalcante visita o Parque Ecológico com frequência, acompanhado da esposa e neta, já que sente forte conexão com a natureza quando está no local.

“Vir ao bosque, definitivamente, melhora meu dia. O canto dos pássaros, inclusive dos que estão em observação aqui, como as araras, papagaios e tucanos, é fascinante. Sempre percebo também os animais que ficam na copa das árvores. Tudo isso traz uma paz muito grande para a nossa cabeça. A natureza, realmente, quando a gente se conecta com ela, traz benefícios”, destacou.

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Foto: Andrezza Mariot/PMBV

*Com informações da Prefeitura de Boa Vista