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“O Warao que ajudou a todos os indígenas”: conheça Gabriel Zapata

Além de se comunicar no dialeto Warao, Gabriel fala com fluência espanhol e português e arrisca frases em outros dialetos indígenas para atender as etnias que chegam em Pacaraima. Foto: Miguel Pachioni/UNHCR

Gabriel Zapata trabalha como mediador intercultural no Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados (SJMR), organização parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Mora em Pacaraima, cidade do estado de Roraima que fica na fronteira norte do Brasil. No seu dia a dia, faz a identificação, atendimento e acompanhamento de pessoas indígenas que buscam proteção no país.

“No acompanhamento, eu gosto de fazer perguntas, conhecer as culturas, aprender algumas palavras do dialeto da pessoa e ter essa troca de conhecimentos”, explica.

Ele conta que é muito importante levar em consideração todas as etnias e suas diferenças: “Muitas pessoas chegam aqui e acham que como indígenas, não vão receber atenção”.

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Gabriel é indígena da etnia Warao. Ele conta que a maior demanda é justamente de sua população, mas no exercício do seu trabalho, percebeu que outras tantas etnias, por vezes, passavam desapercebidas ou não identificadas. Desde que começou na função, o mediador intercultural já mapeou 19 etnias indígenas vindas da Venezuela para o Brasil no fluxo da Operação Acolhida.

A Operação Acolhida é uma resposta humanitária do Governo Federal para responder ao deslocamento intenso de venezuelanos na fronteira entre os dois países. Tem como objetivo garantir atendimento aos refugiados e migrantes e realizar a realocação voluntária, segura, ordenada e gratuita dessas pessoas, dos municípios de Roraima para outras cidades do Brasil. Saiba mais aqui.

“Pessoas refugiadas costumam chegar a um novo país bastante fragilizadas, com muitos medos e inseguranças. Mas há grupos que chegam em situações ainda mais vulneráveis, como é o caso de pessoas indígenas. É por isso que essas pessoas precisam de apoio específico, considerando suas necessidades e particularidades de suas culturas e tradições. Viabilizar a contratação de um mediador intercultural indígena com a parceria de SJMR é oferecer conforto e confiança a essas pessoas”, destaca Davide Torzilli, Representante do ACNUR no Brasil.

Leia também: Como é a jornada dos venezuelanos acolhidos na fronteira com o Brasil?

A experiência de Gabriel no contexto humanitário começou em 2022. Ele foi voluntário em um antigo abrigo da Operação Acolhida em Boa Vista. Sua função era alfabetizar crianças e jovens indígenas para que pudessem começar a frequentar escolas brasileiras. Essa atuação chamou a atenção do Instituto Pirilampos que faz um trabalho lúdico-pedagógico em abrigos, hospitais, casas de repouso, comunidades rurais e indígenas. Contratado como mobilizador comunitário, Gabriel foi intérprete no abrigo Waraotuma a Tuaranoko.

Gabriel começou a trabalhar formalmente no contexto humanitário em atividades com crianças, adolescentes e jovens em abrigos da Operação Acolhida em Boa Vista. Foto: Gabriel Zapata/Acervo pessoal
Gabriel começou a trabalhar formalmente no contexto humanitário em atividades com crianças, adolescentes e jovens em abrigos da Operação Acolhida em Boa Vista. Foto: Gabriel Zapata/Acervo pessoal

“Meu papel era receber as informações e levar para a comunidade. Essas informações eram em português e os indígenas Warao não conseguiam se comunicar. Eu traduzia do português para o Warao. Era meio difícil. Eu ainda estava aprendendo português”, conta.

Ainda hoje ele segue com algumas tarefas de intérprete, agora traduzindo português, espanhol e Warao. Gabriel acompanha grupos que estão chegando no Brasil e precisam emitir documentos, bem como outros que já estão aqui querem renovar.

“Eu me apresento, falo o meu cargo e depois explico os serviços que presto como mediador intercultural. Eu faço eles saberem que eu vou dar atendimento por ser parte de uma etnia indígena. E que eles vão receber um atendimento diferenciado”.

A importância da representação

“Quando comecei como mediador, logo na primeira semana, chegou à Pacaraima uma família que tinha mais ou menos 36 pessoas Warao. Nesse grupo, havia uma mulher grávida. Pouco tempo após a chegada, ela deu à luz à criança. Eu já tinha feito o atendimento dela. Prestei apoio como mediador e os pais me perguntaram se podiam colocar o nome da criança de Gabriel Jesus, como forma de agradecimento a mim e aos Jesuítas. Eu estou representando essa gente também”, se emociona.

Dentre as etnias mais atendidas por Gabriel, estão os povos Warao, Taurepang, Wayúu, Kari'ña, E’ñepa, mas ele se orgulha em identificar outras tantas no Posto de Triagem da Operação Acolhida em Pacaraima. Foto: Miguel Pachioni/UNHCR
Dentre as etnias mais atendidas por Gabriel, estão os povos Warao, Taurepang, Wayúu, Kari’ña, E’ñepa, mas ele se orgulha em identificar outras tantas no Posto de Triagem da Operação Acolhida em Pacaraima. Foto: Miguel Pachioni/UNHCR

Desde 1991, o IBGE incluiu indígenas no censo demográfico nacional. Dados de 2022, registraram 1.693.535 pessoas indígenas no Brasil, de 391 etnias que falam 295 línguas. Quanto aos indígenas vindos da Venezuela em situação de refúgio ou migração no país, dados do proGres, sistema do ACNUR voltado ao registro e à gestão de casos, indicam, até março de 2026, a presença de 13.962 pessoas. Já o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) registrava, no mesmo período, 9,4 mil indígenas refugiados e migrantes cadastrados em diferentes estados do Brasil.

“É muito importante ter representação indígena numa sociedade. Assegura as tradições e culturas das várias etnias, que fazem parte da diversidade que existe aqui no Brasil”, comenta Gabriel sobre a representatividade indígena no governo brasileiro. O sonho dele, enquanto indígena Warao, é levar para a Venezuela o conhecimento que o Brasil oferece sobre representatividade indígena. “Quero demonstrar esse conhecimento às comunidades na Venezuela e que elas saibam da autonomia que se tem aqui”, explica.

Entre a cidade, à comunidade e um novo país

Gabriel é natural da cidade de Sotillo, no estado venezuelano de Monagas. Aos seis anos, seus pais o levaram para passar um tempo na comunidade Warao de sua família para que ele pudesse aprender os conhecimentos fundamentais de sua etnia.

“É uma lembrança que até hoje não esqueço. Quando fui levado para lá para conhecer como são as casas de palafita, como distribuem os afazeres e como levar esse os conhecimentos para outras pessoas. Minha avó me contou das histórias Warao dos costumes que temos na comunidade. Meu avô explicou como era o deslocamento do povo Warao navegando em rios, a responsabilidade da pesca, colheita de frutas e do trabalho do dia a dia. Eu não sabia nadar muito bem e ele me ensinou também”, conta emocionado.

Hoje em dia, Gabriel mora com parte de sua família e faz questão de se comunicar no dialeto Warao. Além da língua, ele preserva a cultura do artesanato, que também aprendeu ainda pequeno.

“O artesanato é algo que vem passando por anos e gerações. Esse conhecimento vem perseverando. O que mais guardo da minha cultura são essas manualidades. Ser Warao, é ter essa responsabilidade de manter nossa cultura viva para quem vêm depois”, reforça.

A vinda para o Brasil não foi fácil. Ele enfrentou discriminação, preconceito, dificuldades de adaptação. Mas hoje em dia, além de falar muito bem português, Gabriel tenta compartilhar com brasileiros os saberes Warao. Quando perguntado sobre uma curiosidade que gostaria de contar sobre seu povo aos brasileiros, ele não titubeou.

“Na cultura Warao, as famílias são numerosas. As pessoas [brasileiras] ficam assombradas, mas para os Warao isso é normal. E a maioria dos Warao que saem da comunidade e vem para o Brasil não comem carne”.

No Brasil, 19 de abril marca o Dia Nacional dos Povos Indígenas. A data convida a refletir sobre a importância da cultura e das tradições indígenas na construção da identidade do país ao mesmo tempo que aprofunda as discussões acerca das questões e desafios que afetam estes povos.

O trabalho do ACNUR junto às populações indígenas

Com o início do fluxo de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela para o Brasil, o ACNUR passou a desenvolver atividades voltadas à população indígena do país vizinho. Desde 2025, esse trabalho – incluindo a contratação de Gabriel como mediador intercultural – tem contado com o apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, iniciativa das Nações Unidas, Governo do Brasil e Consórcio Amazônia Legal, com financiamento do Governo do Canadá.

No ano passado, foi assinado um Memorando de Entendimento entre o ACNUR e o Ministério dos Povos Indígenas, durante a COP30, que consolidou bases de cooperação voltadas ao fortalecimento de políticas públicas culturalmente adequadas, à ampliação da capacidade institucional de estados e municípios, à promoção da convivência pacífica entre comunidades indígenas anfitriãs e indígenas refugiada, e o apoio à liderança, participação e organização comunitária. Saiba mais sobre o trabalho do ACNUR com populações indígenas aqui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo ACNUR, escrito por Yana Lima

Mato Grosso lidera 70% do mercado brasileiro em etanol de milho

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Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

O Mato Grosso consolidou sua liderança nacional na produção de etanol de milho ao alcançar 5,6 bilhões de litros na safra 2024/2025, volume que representa cerca de 70% de toda a produção brasileira. O avanço, que vem transformando a dinâmica econômica da cadeia do milho no estado, pautou os debates da 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada no dia 16 de abril, no Cenarium Rural, em Cuiabá.

O evento reuniu empresários, investidores e autoridades em torno de um setor cada vez mais estratégico para a matriz energética e o desenvolvimento regional.

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O crescimento do etanol de milho em Mato Grosso ocorre em ritmo acelerado e sustentado por uma estrutura industrial em expansão, com 17 usinas de biocombustíveis  em operação, sendo nove dedicadas exclusivamente ao milho e três no modelo flex (milho e cana de açúcar), e perspectiva de avanço contínuo nos próximos ciclos. Mais do que volume, o movimento representa uma mudança estrutural: o estado deixou de exportar matéria-prima para agregar valor dentro de casa, gerando emprego, renda e arrecadação.

Ao abrir o evento, o governador Otaviano Pivetta contextualizou que essa virada econômica ocorreu a partir de 2017, com o advento da primeira usina de etanol de milho. Ele também destacou que a industrialização trouxe ganhos diretos para a economia mato-grossense:

“Mato Grosso já é o maior produtor de bioenergia do país e, neste ano, deve esmagar cerca de 20 milhões de toneladas. Isso mostra o tamanho do potencial que ainda temos para crescer. O Estado tem feito a sua parte, com incentivos fiscais e um ambiente seguro para atrair indústrias. Isso amplia as opções para o produtor vender o milho aqui dentro, agrega valor à produção e gera emprego e renda. É assim que transformamos produção em desenvolvimento”.

Leia também: Com versatilidade de uso, produção de milho garante sustentabilidade em Roraima

ETANOL DE MILHO MRO GROSSO
Governador do Mato Grosso Otavino Pivetta recebeu prêmio. Foto: Mayke Toscaco/ Secom-MT

“Etanol de milho deixou de ser apenas uma alternativa energética”

A força do setor também foi destacada pela secretária de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, Mayran Beckman, que apontou o etanol de milho como um dos principais vetores de transformação econômica do estado. Para ela, o protagonismo do Estado não é pontual, mas resultado de um ambiente estruturado para crescer.
 
“O etanol de milho deixou de ser apenas uma alternativa energética. Hoje ele é um motor de desenvolvimento regional, que integra produção agrícola, indústria e geração de energia limpa. Temos produtividade, matéria-prima e um setor comprometido com inovação. Isso nos coloca em posição de liderança e com capacidade de expandir ainda mais”, completou.

As projeções apresentadas durante a conferência reforçam esse cenário de expansão. A expectativa é que a moagem de milho alcance 26,8 milhões de toneladas na safra 2026/2027, com crescimento superior a 19% em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela entrada de novas usinas e pela ampliação da capacidade industrial.
 
Para o presidente do Conselho da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM),  Eduardo Menezes Mota, o momento é de consolidação e preparação para um novo salto do setor, levando em conta o cenário internacional, que tem elevado o papel estratégico dos biocombustíveis.

“Projetamos um crescimento consistente, com aumento da produção e maior integração da cadeia. O etanol de milho já é um caso de sucesso e tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Com a alta do petróleo e as tensões geopolíticas, o etanol passa a ser um escudo para a economia brasileira, garantindo segurança energética e reduzindo a exposição a crises externas”, disse.

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, reforçou o impacto econômico da industrialização do milho, destacando a capacidade de multiplicação de valor dentro da cadeia produtiva.

“Quando o grão é industrializado, ele pode aumentar de valor entre 80% e 100%. Isso transforma completamente a economia local e impulsiona outros setores, como a pecuária e a produção de proteína. Não existe competição entre alimento e energia. O que estamos vendo é o contrário: a bioenergia fortalece a produção de alimentos e torna o agro mais eficiente”, afirmou.

Além da produção de biocombustível, o setor também gera subprodutos estratégicos, como DDGS, utilizados na nutrição animal, e contribui para a produção de bioeletricidade, ampliando ainda mais seu impacto na economia brasileira.

*Com informações da Sedec-MT

Conta Um Conto 2026 fortalece protagonismo juvenil com foco na Amazônia e na Agenda 2030

Foto: Divulgação

A Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Colégio Lato Sensu, lançou a edição 2026 do concurso cultural Conta Um Conto, iniciativa consolidada que incentiva a leitura, a criatividade e a produção textual entre jovens da Região Norte. Neste ano, o projeto avança em seu posicionamento estratégico ao integrar literatura e sustentabilidade como eixos centrais da formação cidadã.

Com o tema “O Conto, a Amazônia e a Agenda 2030”, os participantes são convidados a desenvolver contos autorais conectados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), abordando questões sociais, ambientais, educacionais ou econômicas, a partir da perspectiva e dos desafios da Amazônia contemporânea.

Literatura como vetor de consciência e transformação

A edição 2026 amplia o alcance pedagógico do concurso ao estimular reflexões críticas sobre o desenvolvimento sustentável na região. Ao articular a produção literária à Agenda 2030, o projeto reforça o papel da educação como ferramenta de transformação social e fomenta o protagonismo juvenil diante das demandas globais e regionais.

Público participante

O concurso é destinado a estudantes de 11 a 17 anos, matriculados no Ensino Fundamental II ou Ensino Médio, residentes nos estados da Região Norte — Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. A inscrição deve ser realizada por responsável legal.

Categorias regionais do Conta um Conto

A edição está organizada em duas categorias:

  • Categoria Amazonas: destinada a participantes do estado do Amazonas
  • Categoria Amazônia: voltada a estudantes dos estados do Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima

Em cada categoria, serão reconhecidos:

  • 1 vencedor do Ensino Fundamental II
  • 1 vencedor do Ensino Médio
  • Reconhecimento e incentivo à educação

Os vencedores receberão tablets, além de reconhecimento público em cerimônia oficial e ampla divulgação nos canais institucionais da Fundação Rede Amazônica. A iniciativa reforça o compromisso da FRAM com o desenvolvimento educacional e a valorização de novos talentos da região.

Inscrições abertas

As inscrições estarão disponíveis de 24 de abril a 10 de maio de 2026, por meio do site:

👉 inscricoes.fram.org.br

O processo deve ser realizado pelo responsável legal, com preenchimento completo e correto dos dados.

Diretrizes para participação

Os contos deverão ser:

  • Autorais
  • Manuscritos na folha oficial do concurso
  • Com extensão entre 30 e 60 linhas
  • Sem identificação do autor no texto
  • Desenvolvidos obrigatoriamente com base no tema proposto

Cerimônia de premiação

A cerimônia de premiação está prevista para ocorrer entre os dias 01 e 03 de julho de 2026, reunindo os destaques desta edição.

Conta um Conto

O Conta Um Conto é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Colégio Lato Sensu.

Instituto oferece bolsas para estimular bioeconomia amazônica

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Dez pessoas serão selecionadas para uma imersão de 15 dias na Amazônia para entender o conceito de bioeconomia. Foto: Ingrid Barros/Agência Brasil

O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) lançou uma iniciativa para transformar conhecimento científico sobre a biodiversidade da floresta em produtos e negócios de impacto global, que gerem oportunidades para as comunidades tradicionais.

O Desafio Bioinovação Amazônia convoca profissionais para solucionar seis desafios nos setores de alimentação, cosméticos e novos materiais verdes. Eles devem utilizar matérias-primas como castanha-do-brasil, açaí, andiroba, copaíba, murumuru, buriti, babaçu e borracha nativa.

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Dez pessoas serão selecionadas para uma imersão de 15 dias na Amazônia (cerca de dez dias em Manaus e cinco dias em comunidades rurais da região, dependendo do desafio), com todos os custos cobertos.

Leia também: Chamada apoia colaborações em bioeconomia e desenvolvimento sustentável no Amazonas

A iniciativa busca dois perfis:

  • quem tem experiência comprovada em biodiversidade amazônica, residência ou atuação profissional na região e interesse em empreendedorismo ou licenciamento de tecnologia. São considerados “Inovadores”;
  • especialistas em pesquisa e desenvolvimento (P&D) com experiência internacional nos setores de cosméticos, alimentos ou materiais de base biológica, disponíveis para mentoria presencial e remota ao longo do programa.
açaí do pará
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Imersão na Amazônia

O programa tem quatro fases: seleção de talentos (online), formação de equipes e design da solução (online), imersão e validação (residência na Amazônia e online) e cerimônia de premiação final (presencial).

Os dez selecionados receberão um pacote de apoio: “inovadores” ganharão bolsas mensais de R$ 3,5 mil a R$ 7,5 mil/mês por seis meses, conforme nível de formação; especialistas em P&D, bolsas mensais de US$ 650 a US$ 1,3 mil por seis meses.

Também está previsto um fundo da validação de R$ 100 mil por equipe para insumos, reagentes e testes especializados; suporte laboratorial do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA); mentoria especializada, passagens e hospedagem em Manaus.

O desafio prevê a premiação final de três pessoas, com valores de R$ 200 mil, R$ 150 mil e R$ 100 mil, conforme a colocação. Eles também se tornarão parceiros da Zôma, a geradora de negócios do Idesam, e receberão suporte jurídico para adequação à Lei da Biodiversidade, acesso a redes de mercado e apoio estratégico contínuo para a criação do negócio.

A ação conta com financiamento do Bezos Earth Fund e parceria da Penn State University (EUA), da Rede Terra do Meio e da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Coopeacre).

*Com informações da Agência Brasil

Dia da Terra: ficção científica ou realidade virtual?

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O litoral do Brasil e a foz do rio Amazonas, em registro realizado pela NASA de 27 de novembro de 2020. Foto: Reprodução/NASA

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Dia 22 de abril, o Dia da Terra, celebrado, pela primeira vez, em 1970, nos Estados Unidos. Em 2026 os festejos abrem espaço no mundo inteiro na busca de tentar discutir, de forma prática e acessível, como a agenda ambiental poderia estar ainda mais conectada à economia real. Mais do que um debate institucional, o tema hoje conversa com eficiência operacional: cadeia produtiva, inovação, investimentos e hábitos de consumo.

A data foi institucionalizada levando em conta:

  • a) protestos contra a degradação ambiental, a poluição atmosférica, contaminação de rios e derramamentos de óleo;
  • b) criar um fórum educacional para despertar a população sobre a necessidade de proteger o planeta;
  • c) incentivar mudanças de comportamento e a adoção de práticas sustentáveis para preservar o meio ambiente para gerações futuras.

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Hoje, a data é celebrada mundialmente como um alerta contra as mudanças climáticas no qual engajam-se, conforme estimativa do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) mais de um bilhão de pessoas. Em 2009, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução reconhecendo formalmente o Dia Internacional da Mãe Terra.

Em 2016, por meio do Acordo de Paris, a Organização articulou compromisso das nações em limitar o aumento da temperatura global em até 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e fortalecer sua capacidade de mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas. Na verdade, inoperante até os dias atuais, muito embora renovado COPs após COPs, inclusive na última, a famosa COP30, a COP dos incêndios e dos tumultos, realizada em novembro de 2025 em Belém (PA), que gerou o “Pacote de Belém”, aprovado por 195 países.

O acordo, mais uma vez, focou em ampliar o financiamento climático (triplicar os recursos, jamais liberados), criar o (ficcional) Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFF), para remunerar florestas em pé e reconhecer direitos de comunidades tradicionais, que não saiu do papel. De igual maneira, aprovado no Acordo de Paris (2015), nações desenvolvidas concordaram em mobilizar US$ 100 bilhões anuais para apoiar ações climáticas em países em desenvolvimento, posteriormente ampliado para 300 bilhões de dólares anuais até 2035. Não se tem notícia sobre projetos mobilizados na África, nos países pobres da Ásia ou da América Latina onde esses recursos estariam sendo aplicados. Nesse sentido, as COPs não passam de eventos imaginários.

Com os próximos 50 anos em perspectiva, e em preparação para o Dia Mundial do Meio Ambiente, o PNUMA compartilhará informações sobre ações que podem ser tomadas para proteger a biodiversidade, contribuir com o reflorestamento de paisagens degradadas e se comprometer com a gestão sustentável de recursos naturais.

Em relação ao Brasil, em que grau o país evoluiu na agenda ambiental conciliada às idiossincrasias geopolíticas, às particularidades socioeconômicas de suas regiões. Como diferenciar preservação dos biomas com ausência de políticas públicas norteadoras de atividades produtivas? Afinal, preservar é tão importante quanto produzir.

Exemplos contundentes, e vergonhosos: A rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, como a Ferrogrão (EF-170), de 933 km, conectando Sinop (MT) ao Porto de Miritituba (PA) para escoar soja e milho vem sendo obstruídas por ações de ONGs inimigas de nosso desenvolvimento, toleradas pelo próprio governo federal.

Vale salientar, por oportuno, uma constatação inexorável: se houvesse Ibama, ONGs e Marina da Silva nos anos 1950, 1960 ou 1970 o Brasil não teria construído Brasília, a rodovia Belém-Brasília, a Ponte Rio-Niterói, as hidrelétricas de Paulo Afonso ou Itaipu, a BR-174, que interliga Manaus a Boa Vista, RR, ou a própria BR-101, que conecta Touros, no Rio Grande do Norte, a São José do Norte, no Rio Grande do Sul.

Com aproximadamente 4.700 km de extensão, ela margeia o litoral brasileiro, passando por 12 estados conectando o Nordeste ao Sul do país. A BR-174 cruza a Reserva Yanomami, sem qualquer incidente, a não ser o escancaramento da condição de extrema pobreza em que aquele povo continua sendo mantido. 

Leia também: Cidades planejadas, as inovações urbanísticas do Parque Mosaico em Manaus

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ideflor-Bio destaca protagonismo comunitário e preservação no Parque de Monte Alegre

Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Localizado no município de Monte Alegre, na região do Baixo Amazonas, o Parque Estadual Monte Alegre (Pema) desponta como um dos destinos mais fascinantes do Pará para quem busca natureza, história e experiências culturais autênticas.

Administrado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), por meio da Gerência da Região Administrativa da Calha Norte I (GRNCI), a unidade de conservação está aberta diariamente e oferece uma ampla diversidade de atrativos aos visitantes.

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Ao todo, nove pontos turísticos estão disponíveis para visitação, reunindo sítios arqueológicos e formações naturais de grande relevância:

  • o Sítio Arqueológico Serra da Lua,
  • a Gruta Itatupaoca,
  • a Pedra do Mirante,
  • a Pedra da Tartaruga,
  • a Caverna Miritiepe,
  • a Pedra do Cogumelo,
  • o Sítio Arqueológico Pedra do Pilão,
  • o Painel de Pinturas do Pilão
  • e a emblemática Caverna da Pedra Pintada – considerada um dos mais importantes registros de arte rupestre da Amazônia.

Os atrativos revelam vestígios de ocupações humanas milenares, com mais de 12 mil anos e proporcionam uma verdadeira imersão no passado pré-colonial da região. As pinturas rupestres, formações rochosas e cavernas despertam o interesse de pesquisadores e turistas, consolidando o parque como um patrimônio histórico e cultural de valor inestimável para o estado do Pará e para o Brasil.

Leia também: Parque Estadual de Monte Alegre preserva sítios arqueológicos mais antigos da Amazônia

Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Diversidade de roteiros

Além do patrimônio arqueológico, o Parque Estadual Monte Alegre também se destaca pelas paisagens naturais e pela diversidade de trilhas. Duas rotas oficiais integram a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, ampliando as possibilidades de visitação com diferentes níveis de experiência e contato com a natureza.

A Trilha do Ererê é uma das mais procuradas e proporciona um mergulho na história da vila que leva o mesmo nome, conduzindo os visitantes até o interior do parque pela Pedra do Mirante. O percurso deve ser realizado com acompanhamento de condutores locais, garantindo segurança e enriquecendo a experiência com informações sobre a cultura e o território.

Leia também: Expedição Pedro Teixeira chega a Monte Alegre (PA)

Já a Trilha Paytuna é voltada para o cicloturismo e possui aproximadamente 30 quilômetros de extensão. O trajeto percorre as comunidades de Santana e Paytuna, adentrando a porção sul do parque, onde está localizada a Pedra do Pilão. A atividade é indicada para visitantes que buscam aventura e integração com as paisagens da região.

Mas atenção, para garantir uma visita segura e confortável, a gestão do parque orienta que os visitantes utilizem botas ou tênis, roupas leves, calças, além de levarem água e protetor solar. Outro ponto importante é que o acesso aos principais atrativos exige veículos com tração, devido às características arenosas do solo, o que pode dificultar a circulação de carros baixos.

Protagonismo local

O turismo de base comunitária também é um diferencial do Pema. As comunidades de Santana, Ererê e Maxirá, situadas no entorno da unidade de conservação, oferecem restaurantes com comidas tradicionais, fortalecendo a economia local e proporcionando aos visitantes uma experiência gastronômica regional.

O agendamento de visitas com condutores credenciados — muitos deles oriundos das comunidades tradicionais — pode ser realizado por meio do perfil oficial do parque nas redes sociais. A iniciativa reforça o protagonismo comunitário e contribui para a valorização dos saberes locais na condução das atividades turísticas.
 
Para o condutor de trilhas Mazinho de Brito, a experiência no parque vai além da contemplação das paisagens.

“Conduzir visitantes no Monte Alegre é compartilhar histórias que atravessam gerações. Cada trilha revela um pouco da nossa identidade, da relação das comunidades com a natureza e da importância de preservar esse patrimônio único”, destacou.

O gerente da Região Administrativa da Calha Norte I, Itajury Kishi, ressalta o papel estratégico da unidade. “O Parque Estadual Monte Alegre é um exemplo de como é possível aliar conservação ambiental, valorização cultural e geração de renda. Nosso trabalho tem sido fortalecer a gestão participativa e ampliar o acesso ordenado aos atrativos, garantindo a proteção desse importante patrimônio para as futuras gerações”, afirmou.

*Com informações do Ideflor-Bio

Pesquisa da UFMA sobre descarbonização do Porto do Itaqui conquista 1º lugar em premiação nacional

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Pesquisa da UFMA sobre descarbonização vence premiação nacional. Foto: Divulgação

Uma pesquisa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), desenvolvida no Instituto de Energia Elétrica (IEE), conquistou o 1º lugar no Congresso Nacional Integra Portos (CNIT) 2025. O artigo premiado, “Descarbonização do Porto do Itaqui: levantamento da estimativa das emissões de CO2 pelos navios enquanto atracados entre 2022 e 2024”, se destaca por contribuir com a mensuração das emissões de gases de efeito estufa em operações portuárias.  

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O estudo analisou o período de 2022 a 2024 e teve como referência a tecnologia Onshore Power Supply (OPS), já utilizada em grandes portos como Valência, na Espanha, e Rotterdam, na Holanda. Esse sistema permite que navios atracados mantenham suas operações conectadas à rede elétrica local, reduzindo, significativamente, a emissão de CO2.  

Segundo o pesquisador e professor do curso de Engenharia Elétrica da UFMA Clóvis Oliveira, no Brasil ainda não há infraestrutura desse tipo em funcionamento para grandes embarcações de carga, e a pesquisa pode servir como base para a futura implantação da tecnologia. 

“Realizamos visitas a portos que já estão bastante avançados nessa discussão e estudamos as soluções aplicadas nesses locais. A partir daí, buscamos adaptar essas experiências à nossa realidade, identificando os dados técnicos essenciais para trazer essas soluções ao Porto do Itaqui”, explica o pesquisador.  

Leia também: Conexão de Roraima ao SIN é a maior obra de descarbonização da região amazônica, aponta MME

Pesquisa da UFMA sobre descarbonização do Porto do Itaqui conquista 1º lugar em premiação nacional
Professores Clóvis Oliveira e Shigeaki Lima integraram pesquisa sobre descarbonização do Porto do Itaqui. Foto: Agaminon Sales/DCOM

O estudo foi financiado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), e desenvolvido por uma equipe da UFMA formada pelos professores Clóvis Oliveira, Darliane Ribeiro, José Gomes, Shigeaki Lima, Hercules Oliveira e pelo mestrando Vitor Santos. 

Impactos ambientais  

O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de CO2, número que tende a crescer nas próximas décadas e exige investimentos em soluções de mitigação. Na Europa, a tecnologia OPS já é utilizada como ferramenta estratégica para reduzir impactos ambientais. No Brasil, porém, esse avanço ainda é limitado. 

“Na Europa, a discussão está avançada, com marcos regulatórios prevendo que, até 2030 ou 2035, todas as embarcações e portos devam ter OPS. Aqui no Brasil ainda está engatinhando, e o que impede o avanço célere é a ausência de uma legislação específica que aborde o assunto”, destaca Clóvis Oliveira.  

Leia também: A solução vem do lixo: biometano coloca Manaus na rota da descarbonização

Porto de Itaqui. Foto: Divulgação/Emap

Para o pesquisador, o estudo traz a discussão para o âmbito nacional, servindo como base para possíveis investimentos na redução das emissões de carbono no setor marítimo-portuário.  

“Um dos grandes méritos do trabalho é sua replicabilidade. A metodologia desenvolvida pode ser aplicada em outros portos brasileiros, contribuindo para a construção de uma agenda nacional de descarbonização portuária”, aponta.  

De olho no futuro  

Os estudos realizados no Instituto de Energia Elétrica da UFMA já estão gerando novos resultados, como a criação de um aplicativo que permitirá aos operadores portuários calcular a quantidade de CO2 emitida.  

“Estamos avançando na elaboração de um aplicativo que funcionará como calculadora ou simulador. Queremos transformar esse método em um produto tecnológico. Já temos uma versão alfa em funcionamento na UFMA e agora buscamos financiamento para desenvolver um front-end comercial”, revela o pesquisador.  

Para ele, a premiação no CNIT representa o reconhecimento de um esforço coletivo da academia. “Representa muito esforço da academia. O Instituto de Energia Elétrica nasceu da perseverança de pessoas que começaram como grupo de pesquisa e cresceram, buscando financiamento e produzindo soluções inovadoras em microrredes, energia eólica, solar e maré motriz. Somos referência no Brasil. Essa conquista mostra que a Universidade pode apresentar resultados práticos para problemas reais da indústria”.  

Estudos como este evidenciam que a Universidade Federal do Maranhão cumpre seu papel ao promover pesquisas voltadas para soluções inovadoras em questões de grande relevância social e ambiental para o estado. 

*Com informações da UFMA

Mulheres indígenas, ribeirinhas e agentes da CPT fortalecem protagonismo em seus territórios no Amazonas

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Nos momentos de escuta, reflexão, partilha e roda de diálogo, orientados por mulheres da Comissão Pastoral da Terra, foram abordados temas centrais à realidade vivida pelas participantes. Foto: Reprodução/Acervo CPT

O Centro Pastoral São Paulo VI, em Itacoatiara (AM), recebeu em março o Encontro Alusivo ao Dia Internacional das Mulheres, reunindo mulheres camponesas e mulheres da Comissão Pastoral da Terra (CPT), oriundas de diferentes territórios e comunidades, entre eles:

  • a Aldeia Correnteza, na Terra Indígena Rio Urubu;
  • a Comunidade Nossa Senhora Aparecida do Jamanã;
  • o Quilombo Sagrado Coração de Jesus;
  • a Comunidade Rondon;
  • a Comunidade Aparecida do Jamanã;
  • a Comunidade Centenário;
  • a Comunidade Santa Fé do Canaçari;
  • e a Comunidade São João do Araçá, no Rio Arari.

A atividade foi promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em parceria com a Prelazia de Itacoatiara.

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O encontro teve como objetivo fortalecer o protagonismo das mulheres em seus territórios, incentivando sua permanência no campo, nas águas e nas florestas, bem como reafirmando a importância da organização coletiva, da defesa dos direitos e da valorização de seus modos de vida. A programação também ressaltou a importância do cultivo da terra, da produção de alimentos saudáveis, da proteção da floresta e da defesa de uma vida digna, em contraposição às diversas formas de exclusão.

Ao longo da programação, foram promovidos momentos de escuta, reflexão, partilha e roda de diálogo, orientados por mulheres da Comissão Pastoral da Terra, que abordaram temas centrais à realidade vivida pelas participantes.

Entre os assuntos discutidos, destacaram-se a violência contra a mulher, seus sinais, formas de denúncia e redes de apoio; o trabalho escravo contemporâneo e outras formas de exploração no trabalho; os direitos e políticas públicas para mulheres nos territórios, com ênfase no acesso à documentação, benefícios, saúde, educação e assistência; além da importância do autocuidado e da saúde integral da mulher, considerando corpo, mente e espiritualidade.

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Mulheres camponesas indígenas, ribeirinhas e agentes da CPT em Itacoatiara/AM fortalecem o protagonismo em seus territórios
Mulheres camponesas indígenas, ribeirinhas e agentes da CPT em Itacoatiara/AM fortalecem o protagonismo em seus territórios. Foto: Reprodução/Acervo CPT

As discussões evidenciaram desafios concretos enfrentados pelas mulheres em seus contextos, como a violência e suas múltiplas manifestações, a precarização do trabalho, a negação de direitos básicos, a dificuldade de acesso a políticas públicas e a ausência de atendimento adequado em áreas essenciais, como saúde e educação.

Ao mesmo tempo, reforçaram-se caminhos de proteção, resistência e organização coletiva, com destaque para a importância das redes de apoio, dos espaços de formação e da denúncia como instrumentos de enfrentamento das violações de direitos.

No período da tarde, as participantes vivenciaram momentos de autocuidado, acolhimento e valorização, por meio de uma ação social que contou com a presença da UNIPLAN, representada por professores e alunos dos cursos de Enfermagem, Fisioterapia e Pedagogia.

Foram realizados serviços de verificação de sinais vitais, massagens relaxantes, acolhimento e atividades de integração, fortalecendo esse momento de cuidado, escuta e atenção às mulheres presentes. O Salão Tulipas também esteve presente, contribuindo para esse momento de bem-estar e valorização.

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Mulheres camponesas indígenas, ribeirinhas e agentes da CPT em Itacoatiara/AM fortalecem o protagonismo em seus territórios. Foto: Reprodução/Acervo CPT

A realização do encontro contou com o importante apoio da Prelazia de Itacoatiara, que colaborou para a concretização da atividade e reafirmou seu compromisso com a promoção, o cuidado e a valorização das mulheres. O evento contou ainda com a presença de importantes instituições e organizações, como a UNIPLAN, a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Instituto de Defesa das Mulheres e Meninas Casa de Maria, a Rede Um Grito pela Vida, o grupo Alcoólicos Anônimos, além de outras representações da sociedade civil.

Mais do que uma atividade alusiva à data, o encontro constituiu-se como um espaço de formação, escuta, denúncia, fortalecimento e reconhecimento da dignidade das mulheres, reafirmando o compromisso com a valorização das mulheres camponesas e com a construção de territórios mais justos, sustentáveis e livres de violência.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo CPT da Prelazia de Itacoatiara (AM), escrito por Daniele Berge Negreiros e Sara Negreiros Nascimento

Indígenas comercializam cerca de 2 toneladas de castanha-da-Amazônia pelo PAA

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Agricultores do povo indígena Cinta Larga cultivam castanha. Foto: Robson Moreira/Rede Amazônica

Agricultores do povo indígena Cinta Larga, pertencentes à Associação dos Produtores, Artesãos e Manejadores Indígenas (APAKKU MAAJ) de Espigão D’Oeste, no estado de Rondônia, irão entregar aproximadamente 2 toneladas de castanha-da-Amazônia para o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município. O acordo foi autorizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no final do mês de março e tem duração prevista de 24 meses.

Executado pela Companhia na modalidade de Compra com Doação Simultânea (CDS) do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o projeto tem investimento de pouco mais de R$ 147 mil para apoio à comercialização, recursos que são repassados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para a Companhia realizar a aquisição.

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Além de fomentar o extrativismo e o desenvolvimento sustentável, a iniciativa destaca o papel do PAA na inclusão produtiva dos diferentes segmentos sociais abrangidos pela Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais.

A associação possui 200 membros e foi constituída em 2025, com o objetivo de comercializar matérias-primas agrícolas, entre elas a castanha-do-brasil coletada em floresta nativa. O empreendimento coletivo também desenvolve iniciativas em prol da valorização da cultura do povo Cinta Larga e da defesa dos direitos indígenas.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Segurança alimentar 

Criado há mais de 20 anos, no âmbito da estratégia Fome Zero, o Programa de Aquisição de Alimentos une o incentivo à produção das agricultoras e dos agricultores familiares ao fornecimento de alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar.

O Programa é coordenado pelo MDS, em parceria com os ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Fazenda, e executado pela Conab, além de estados e municípios.

Por meio do PAA, a Conab compra os produtos da agricultura familiar, assegurando renda aos produtores, e os alimentos adquiridos são destinados ao abastecimento da rede socioassistencial, aos equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional, como os restaurantes populares e as cozinhas comunitárias e também, a grupos populacionais em situação de vulnerabilidade social, complementando a alimentação de quem está em situação de insegurança alimentar e nutricional.

castanha da amazônia
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Castanha-da-Amazônia 

Fruto da castanheira-da-Amazônia, árvore nativa da região é uma amêndoa de relevante valor nutricional, típica dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a castanha é composta de 60% a 70% de lipídios e de 15% a 20% de proteína.

Além da alimentação, é utilizada no artesanato e na produção de cosméticos, sendo uma potencial fonte de renda para os beneficiários das políticas públicas da agricultura familiar, com destaque, além dos povos indígenas, para silvicultores e extrativistas.

*Com informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

Fundo Amazônia lança prêmio para reconhecer iniciativas de povos e comunidades tradicionais

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Premiação visa reconhecer iniciativas de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas que contribuam para a proteção dos territórios. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Fundo Amazônia anunciou o lançamento do “Prêmio Fundo Amazônia – Conhecer e Reconhecer”, que vai selecionar iniciativas lideradas por povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais que contribuam para a proteção dos territórios e da floresta na Amazônia Legal.

O prêmio é uma parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), gestor e coordenador do Fundo, respectivamente. As inscrições estão abertas.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

O anúncio ocorreu durante painel na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. Serão selecionadas 50 iniciativas, sendo 15 conduzidas por organizações indígenas, 15 por organizações quilombolas e 20 por organizações de outros segmentos de povos e comunidades tradicionais. Cada iniciativa premiada receberá R$ 50 mil, totalizando o valor de R$ 2,5 milhões.

Para Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, o prêmio marca uma nova etapa na atuação do Fundo Amazônia.

“Desde 2023, o Fundo ampliou sua presença nos territórios e passa agora a apoiar diretamente iniciativas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, que já desempenham papel central na proteção da floresta. O prêmio reconhece e fortalece esses que são os principais guardiões da Amazônia”, disse Tereza.

O MMA foi representado pela diretora da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT), Claudia Regina Sala de Pinho, que comentou sobre a importância do reconhecimento das ações.

“O prêmio valoriza não apenas os povos indígenas e as comunidades quilombolas, mas também a diversidade de povos e comunidades que atuam diretamente na proteção dos territórios e na conservação da Amazônia”, afirmou Pinho.

“Ao reconhecer esses sujeitos, evidencia modos de vida fundamentados no bem-estar coletivo, na relação equilibrada com a natureza e no desenvolvimento de tecnologias ancestrais, historicamente construídas e essenciais para a proteção do bioma amazônico. Mais do que um reconhecimento simbólico, a iniciativa fortalece a visibilidade e reafirma o papel estratégico desses povos como verdadeiros guardiões da sociobiodiversidade e detentores de direitos”, pontuou.

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Fundo dará prêmio de R$ 50 mil para iniciativas que contribuam para a proteção de territórios.
Prêmio é uma parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), gestor e coordenador do Fundo Amazônia. Foto: Nailson Wapichana/Coiab

Prêmio reforça protagonismo

A chefe do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia do BNDES, Fernanda Garavini (foto acima), e a gerente Ana Paula Donato (foto abaixo) apresentaram as informações sobre o prêmio, também disponíveis no site do Fundo Amazônia.

“Este prêmio é mais um passo neste reconhecimento do protagonismo dos povos indígenas e dos povos e comunidades tradicionais nessa agenda de proteção de território, de enfrentamento da crise climática e de desvelar um outro modelo de ocupação da Amazônia, um caminho ancestral”, afirmou Garavini.

“É um prêmio destinado tanto para organizações formais quanto para coletivos informais”, acrescentou Donato.

Leia também: Com R$ 39 mi, Fundo Amazônia apoia pequenos produtores rurais e extrativistas de óleos vegetais, açaí e pescado

Fernanda Garavini, chefe do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia do BNDES.. Foto: Reprodução/Youtube-coiabamazonia

Para a presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré, o prêmio representa uma oportunidade de reconhecimento e fortalecimento dessas iniciativas. “Muitas vezes, as experiências realizadas nos territórios podem influenciar e incidir em políticas públicas, e isso é muito importante”, afirmou. “Esse reconhecimento se dá também por meio do aporte de recursos previsto no edital do Fundo Amazônia. Estamos aqui para reforçar o compromisso da Funai em divulgar essa iniciativa, para que os povos indígenas conheçam, compreendam o processo e possam participar. O edital foi pensado de forma mais simples, com menos burocracia, para atender às demandas dos povos indígenas”.

Quem pode participar

Podem concorrer ao prêmio coletivos e organizações de povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais da Amazônia Legal que desenvolvam iniciativas voltadas à proteção dos territórios e à conservação da floresta. A categoria de participação será autodeclarada no momento da inscrição, respeitando as diferentes formas de organização desses grupos.

Que tipo de iniciativa pode ser inscrita

O prêmio aceita diferentes formatos de atuação, desde ações pontuais até práticas contínuas, desde que se tratem de experiências já realizadas, com resultados concretos no território. As iniciativas devem apresentar uma base territorial identificável, permitindo compreender sua atuação prática e sua contribuição para a proteção dos territórios e da floresta.

Serão consideradas elegíveis iniciativas que atuem em frentes como vigilância e monitoramento territorial e ambiental, restauração ecológica e preservação da biodiversidade, organização social, formação e práticas culturais voltadas à gestão territorial, adaptação climática e segurança alimentar, manejo integrado do fogo e prevenção de incêndios florestais, elaboração e implementação de instrumentos de gestão territorial e ambiental, além de ações relacionadas à regularização fundiária.

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Como se inscrever

As inscrições estarão abertas entre os dias 6 de abril e 6 de julho de 2026 e deverão ser realizadas por meio de edital público, com orientações disponíveis nos canais oficiais do Fundo Amazônia. O processo de seleção será conduzido em duas etapas. A primeira, de habilitação, será realizada pelo BNDES e verificará a completude das informações, a anuência coletiva e a regularidade das propostas. Na sequência, as iniciativas passarão por uma etapa de análise qualitativa, conduzida por três comissões de seleção — uma para cada categoria (indígena, quilombola e demais povos e comunidades tradicionais) — com composição interinstitucional.

Participam dessas comissões  a Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a Rede de Povos e Comunidades Tradicionais (Rede PCTs), além de representantes do governo federal (Ministério dos Povos Indígenas, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e  Ministério da Igualdade Racial) e dos estados da Amazônia Legal.

As propostas serão avaliadas com base em critérios como clareza e consistência, contribuição para a proteção territorial, protagonismo de mulheres, participação de jovens e transmissão de saberes, além da contribuição para o repertório coletivo de experiências.

O cronograma prevê o lançamento e início das inscrições em 6 de abril de 2026, o encerramento em 6 de julho de 2026, a divulgação das iniciativas premiadas em novembro e a realização da premiação, acompanhada de ações de comunicação e visibilidade, entre novembro e dezembro de 2026.

Todas as informações sobre o Prêmio Fundo Amazônia – Conhecer e Reconhecer estão disponíveis no site do Fundo Amazônia.

Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia é a maior e mais transparente iniciativa para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) baseada em resultados do mundo. Criado em 2008, tem como objetivo viabilizar o apoio nacional e internacional a projetos para a conservação e o uso sustentável das florestas na Amazônia Legal.

Em 2025, o Fundo Amazônia atingiu o maior volume anual desde sua criação, com cerca de R$ 2 bilhões em projetos aprovados. O mecanismo ampliou sua escala de atuação, avançou na restauração de áreas degradadas, expandiu o apoio a atividades produtivas sustentáveis e às ações que garantem a integridade dos territórios de povos e comunidades tradicionais que mantêm a floresta em pé.

O Fundo Amazônia também voltou a apoiar iniciativas estruturantes voltadas ao monitoramento, fiscalização ambiental e comando e controle, indispensáveis ao enfrentamento do desmatamento e dos crimes a ele associados. Nesse escopo, incluem-se iniciativas de prevenção e combate a incêndios florestais, bem como o fortalecimento das capacidades institucionais dos órgãos responsáveis pela proteção ambiental, inclusive das Forças de Segurança Pública.

A atuação do Fundo Amazônia na prevenção e combate a incêndios florestais foi ampliada para o Cerrado e Pantanal. Finalmente, as iniciativas voltadas à regularização fundiária também merecem destaque na atuação recente do Fundo.  

Entre 2023 e 2025, o Fundo aprovou e contratou R$ 4 bilhões em projetos em 50 projetos — o equivalente a 58% de todo o volume apoiado desde sua criação, consolidando sua retomada operacional e ampliação de capacidade de execução.