Hoje é Dia de Reis, uma das mais tradicionais e importantes festa da cultura brasileira. Em tempos de redes sociais, como muitas tradições estão sendo esquecidas. Lembro como era importante receber a bandeira do Divino em casa e compartilhar o pão com os foliões, hoje não temos isso. Aliás, não temos nem espírito cristão, perdidos na atual intolerância de nossos dias.
Assim, quero propor a reflexão que é necessária. Hoje, Dia de Reis, esse hino a vida e expressão do cristianismo tem que ser dedicado a um verdadeiro cristão, Padre Julio Lancellotti. A vida dele dá sentido ao significado de ser cristão em cada ato dele e a todos que acolhe e são esquecidos pela sociedade.
Os devotos do Divino Vão abrir sua morada Pra bandeira do menino Ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai
Os devotos do Divino Vão abrir sua morada Pra bandeira do menino Ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai
Deus nos salve esse devoto Pela esmola em vosso nome Dando água a quem tem sede Dando pão a quem tem fome, ai, ai
Deus nos salve esse devoto Pela esmola em vosso nome Dando água a quem tem sede Dando pão a quem tem fome, ai, ai
A bandeira acredita Que a semente seja tanta Que essa mesa seja farta Que essa casa seja santa, ai, ai
A bandeira acredita Que a semente seja tanta Que essa mesa seja farta Que essa casa seja santa, ai, ai
Que o perdão seja sagrado Que a fé seja infinita Que o homem seja livre Que a justiça sobreviva, ai, ai
Que o perdão seja sagrado Que a fé seja infinita Que o homem seja livre Que a justiça sobreviva, ai, ai
Assim como os três reis magos Que seguiram a estrela guia A bandeira segue em frente Atrás de melhores dias, ai, ai
Assim como os três reis magos Que seguiram a estrela guia A bandeira segue em frente Atrás de melhores dias, ai, ai
No estandarte vai escrito Que ele voltará de novo Que o rei será bendito Ele nascerá do povo, ai, ai
No estandarte vai escrito Que ele voltará de novo Que o rei será bendito Ele nascerá do povo, ai, ai
Bandeira do Divino – Ivan Lins
Sobre o autor
Walace Soares de Oliveira é cientista social pela UEL/PR, mestre em educação pela UEL/PR e doutor em ciência da informação pela USP/SP, professor de sociologia do Instituto Federal de Rondônia (IFRO).
Zona Franca de Iquique, no Chile. Foto: Reprodução/Libre Empresa
O texto de hoje é sobre uma viagem há muito tempo atrás. A Zona Franca (Distrito Industrial de Manaus) completava os seus primeiros anos, para ser mais exato 10 anos. O Dr. Phelippe Daou nos convidou para, junto com cinegrafista Jair Alberto, acompanhado com um grupo de empresários do Amazonas, conhecer tecnicamente as zonas especiais Arica e Iquique, no Chile.
Nesta viagem tivemos a possibilidade de visitar duas faces diferentes: Arica, um fracasso total, e Iquique, um verdadeiro sucesso. Saindo de Manaus em direção ao Chile aterrissamos em Santa Cruz de La Serra, uma altitude fora do comum com muita dificuldade de respirar, porém as autoridades locais nos oferecem chá de coca, o que faz com que o corpo logo se adapte a altitude.
De manhã, de avião, ultrapassamos as Cordilheiras dos Andes e em uma descida vertiginosa acompanhando as montanhas chegamos a um grande deserto. Tão logo pousamos saímos para conhecer a abandonada zona livre da Arica. Tinha quase o mesmo tamanho do Distrito Industrial de Manaus, mas completamente abandonado. Um modelo que não deu certo. Ouvimos palestras dos empresários locais que explicaram as razões do fracasso.
Na manhã seguinte visitamos Atacama, os desenhos gigantescos e as múmias mais antigas do mundo. Chegamos a Iquique, uma cidade efervescente e de muita vida. A área central da cidade (grande) era cercada com muros altos e controle de entrada e saída e praticamente os mesmo produtos vendidos em Manaus e também o mesmo preço respeitando o câmbio.
Não tenho nenhuma ideia de como estão estas duas cidades hoje. Para mim foi a minha primeira experiência como repórter internacional e trabalhei inclusive como tradutor para grupo de empresários. Meu amigo gaúcho Jair Alberto voltou para o Rio Grande do Sul e nunca mais nos encontramos.
Por hoje é só! FUUUUUUIIIIIIII!!!!!!
Sobre o autor
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.
Em 1988 eu era locutor e diretor da rádio Amazonas FM. Recebi um comunicado passado pela Associação Amazonense de Imprensa, instituição que reunia todos os veículos de comunicação no Amazonas, dirigida pelo Dr. Francisco Garcia Rodrigues, anunciando o prêmio na categoria Rádio.
Imediatamente me coloquei à disposição para criar algo que pudesse destacar na programação e oferecer ao ouvinte algo que seria diferente do que era apresentado em quase todas as rádios do estado. Inspirado e motivado pelo crescente movimento dos bois de Parintins, busquei algo que complementasse a história de nossa terra amazônida.
Fui em busca de um personagem que representasse muito bem a nossa região e, de repente, resolvi convidar o mais importante pintor de nossa região, Moacir Andrade.
Ao analisar a obra geral de Moacir percebe-se a sua contínua busca de caracterização do amazônida. Mas não era uma exposição de quadro e sim um programa de rádio. E logo no primeiro contato senti que seria muito difícil.
Ele, Moacir, era um excelente contador de história e das lendas amazônicas, e falava horas intermináveis. Eu tinha pensado que no Dia da Natureza apresentaria a cada meia hora um “programete” de um minuto e trinta segundos, mas como? O Moacir não tinha freio, falava sem parar.
Como havia convidado para editar o competente radialista e amigo Ray Áureo (hoje na CBN Amazônia Manaus), ele sugeriu que gravássemos o Moacir livre e depois, em cima do que ele falava, faríamos um roteiro e o convidaríamos para ler.
Primeiro Moacir não gostou da ideia, acho que ele pensou que seria desvirtuar a história, e segundo eu passaria vários dias ouvindo para fazer o roteiro. Mas assim ficou decidido e ele acabou aceitando sob a condição que ele aprovasse o texto. Eu parti para a longa jornada com o fone no ouvido por longas horas. Não foi fácil, entretanto cheguei a um texto enxuto das longas lendas e histórias.
Para a minha surpresa ele gostou, mas mesmo assim ele sempre acrescentava algo mais. Foi necessário muita paciência de meu amigo Ray Áureo que finalmente editou e, escolhido um BG, o resultado ficou muito bom.
Nós inscrevemos na Associação e em seguida foi ao ar. Como são muita lendas vou destacar esta, exatamente como foi ao ar em 1989 na voz e desenvolvimento de Moacir Andrade:
Programa número 3: A lenda do Mapinguari
“A lenda do mapinguari conta que nas matas amazônicas existe um animal chamado de mapinguari, que tem a forma de macaco com um olho só na testa e uma abertura que vai ao umbigo. Este animal é uma espécie de defensor da floresta amazônica, ele só mata caçadores ou qualquer indivíduo que penetra na floresta fora de tempo regulamentar, por exemplo feriados, dias santos, domingo. Em dia reservado para a tranquilidade da floresta nenhuma pessoa pode entrar sob pena de ter os miolos devorados pelo mapinguari”.
Esta e mais 16 histórias conquistaram os jurados e fomos vencedores na categoria Rádio. Graças ao Moacir, que aceitou o desafio, e o talento e paciência do amigo Ray Áureo, dividimos o prêmio em dinheiro por nós três, que foi bem-vindo. O melhor foi o reconhecimento do talento das pessoas que compunham a rádio Amazonas FM.
Por hoje é só! Semana que vem tem mais. FFFFUUUUUUUUUUIIIIIIIIIIII!!
Sobre o autor
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.
Buenas, bela Manaus! Das bandas do Rio Madeira em terras amazônidas entre um açaí e um jaraqui para o mundo é hora da nossa coluna Bora Refletir.
Tenho assistido repetidas vezes o filme “Diamante de sangue”, seu enredo sobre o contrabando ilegal de diamantes e a manutenção das guerras civis pelo continente africano sempre me desperta reflexão e tristeza. E cada vez que assisto o desalento é profundo. Vamos refletir juntos a ligação dos “diamantes de sangue” africano e o “ouro de sangue” da nossa Amazônia.
África e Ásia durante o final do século XIX e no auge da segunda Revolução Industrial foi um movimento justificado pelos europeus como uma necessidade civilizatória. Dessa forma esses dois continentes foram fatiados como uma pizza, e alguns países se alimentaram deles até o século XX. Com destaque para Inglaterra, Alemanha, França e até a pequena Bélgica que cabe no estado do Espírito Santo. Contudo sua crueldade com o seu “pedaço” da África conhecido naquela época como Congo Belga é digno de filme de terror. Abusando da escravidão, mutilação e literalmente surrupiada a riqueza daquele país sem precedentes históricos.
E sempre com a alegação de ser um processo de civilização superior a uma civilização inferior. Mas, verdadeiramente ideológica e de expansão imperialista e nada mais. Afinal, o capitalismo necessitava de matéria–prima para sua expansão e mão-de-obra barata para seus mercados, com as bênçãos das religiões, principalmente sem organização sindical e a consciência de cidadania caracterizada por direitos e deveres baseados em um Estado constituído democraticamente.
No século XX o processo de retirada desses países, principalmente na África, provocou o caos social com vários grupos disputando o poder e normalmente financiados pelas potencias europeias. Dessa forma escondiam sua ação e domínio em suas antigas colônias.
No século XXI, após três séculos de supremacia da Revolução Industrial e do capitalismo vivemos um novo caos, o do aquecimento global. E o planeta que tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos segundo os cientistas, contrariando “terraplanistas” e “pastores fundamentalistas”, não está dando conta da devastação dessa supremacia. Estamos cada dia mais perto de um mundo apocalítico, pela insanidade do “bicho homem” e de sua ganancia desenfreada.
E você já deve estar perguntando, onde entra o “ouro de sangue”, bom ele está no seu celular, nos computadores, na web e redes sociais. Pois, tudo utiliza filamentos de ouro em sua fabricação. Segundo uma reportagem de 2022 do Brasil Repórter (uma agência independente e premiada de jornalismo investigativo) de Daniel Camargos, em 2019, de todo ouro que circulou no E.U.A. 37% vinha do ouro de sangue ligado a aparelhos eletrônicos. Numa conexão entre garimpo ilegal com as Big Techs, com esse ouro sendo usado nos celulares, notebook e superservidores que comandam o emaranhado das redes da internet pela exploração de terras indígenas Yanomami, Munduruku e Kayapó.
Lembrando que o garimpo ilegal afeta toda a floresta amazônica e depois a única coisa que sobra e devastação total, com o meio ambiente praticamente destruído e os rios contaminados de mercúrio por séculos.
Em fevereiro de 2023, os repórteres César Tralli e Marcus Passo da G1 Pará e TV Globo, publicaram uma reportagem sobre o caminho do ouro de sangue e a ilegalidade. Que culminou com a excelente reportagem sobre uma operação da Polícia Federal desmontando todo o esquema criminoso responsável pelo contrabando de um pouco mais de 13 toneladas de ouro com seu auge no período de 2020 a 2022. Segue link da reportagem para uma leitura mais apurada.
Lembrando que o garimpo ilegal afeta toda a floresta amazônica e todo o equilíbrio do planeta. E sua única herança é a devastação total do meio ambiente e dos rios contaminados por séculos pelo mercúrio. Assim, devemos refletir se queremos que a Amazônia vire um grande canteiro de terra arrasada, rios envenenados, estupros, prostituição, criminalidade e mortes ou lutaremos pela sobrevivência da floresta com novos arranjos produtivos sustentáveis e que trazem a paz, prosperidade e riqueza social.
A escolha está em nossas mãos se continuaremos a ser uma colônia no século XXI, deixando extraírem nossas riquezas, desde a invasão portuguesa. Ou assumimos de fato nosso potencial e protagonismo como o país do futuro investindo na preservação da floresta sustentável e na educação que produzem tecnologia e desenvolvimento social. Bora refletir!
Sobre o autor
Walace Soares de Oliveira é cientista social pela UEL/PR, mestre em educação pela UEL/PR e doutor em ciência da informação pela USP/SP, professor de sociologia do Instituto Federal de Rondônia (IFRO).
Passeata dos 100 mil, contra a ditadura militar. Foto: Evandro Teixeira (26/06/1968)
Por Walace SO*
Buenas bela Manaus, depois de um recesso retorno das bandas do Rio Madeira em terras amazônidas. Em 13/12/1968 foi decretado o terrível AI-5, um dos momentos mais nefastos da história brasileira e contra a Democracia e Estado de Direito. E para refletir, compartilho um trecho de Chico Buarque de Holanda:
“Num tempo Página infeliz da nossa história Passagem desbotada na memória Das nossas novas gerações
Dormia A nossa pátria-mãe tão distraída Sem perceber que era subtraída Em tenebrosas transações
Seus filhos Erravam cegos pelo continente Levavam pedras feito penitentes Erguendo estranhas catedrais”
Não podemos esquecer todo mal da ditadura militar e sua nefasta herança, que hoje ainda é viva. Aqueles que estavam nos porões e nos esgotos, hoje andam com a arma numa mão, a bíblia na outra e com a bandeira no ombro.
Esses falsos “homens de bem” são arautos do apocalipse e defensores do terror. Nossa democracia ainda engatinha, mas um dia será adulta e consciente. Lutar contra as instituições republicanas é um projeto do autoritarismo, resistir a ele e construir o diálogo institucional não é fácil. Deixamos de ser o país dos coronéis para sermos o país dos “pastores”, e em ambos o “curral eleitoral” é a prática. O primeiro alimentado pelo medo, o segundo pela ignorância.
A república brasileira foi anunciada, mas ela precisa de fato ser proclamada e vivida em sua essência e plenitude. Caso contrário seremos o país das milícias, onde religiosos abençoam armas e se dizem defensores da vida.
Bora refletir!
Sobre o autor
Walace Soares de Oliveira é cientista social pela UEL/PR, mestre em educação pela UEL/PR e doutor em ciência da informação pela USP/SP, professor de sociologia do Instituto Federal de Rondônia (IFRO).
Realizado anualmente pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é o mais importante do mercado editorial brasileiro. Em sua 65ª edição, a premiação tem entre seus semifinalistas a obra ‘Linklado: teclado digital para línguas indígenas‘, fruto de uma parceria entre as cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Noemia Kazue Ishikawa, Ana Carla Bruno e Ruby Vargas-Isla, com dois jovens estudantes amazonenses: Samuel Minev Benzecry e Juliano Dantas Portela. O aplicativo está disponível gratuitamente para Android e iOS.
Concorrendo no eixo Inovação, categoria ‘Fomento à Leitura’, o projeto é sobre o desenvolvimento de um aplicativo que reúne caracteres especiais e combinações de diacríticos para mais de 40 línguas indígenas. A ideia de criar um teclado inclusivo nasceu por volta de 2009, enquanto Noemia e Ruby realizavam um trabalho com os povos Tikuna (Magüta), no Alto Rio Solimões.
“Em 2001, eu tinha escrito parte da minha tese [de doutorado] em língua japonesa, em um computador com teclado em japonês. Então, eu não me conformava. Se dá para escrever em língua japonesa com milhares de ideogramas, que é muito mais complexo, por quê não conseguir escrever menos que uma dezena de caracteres da língua indígena?”, questionava Noemia.
A falta de um teclado específico dificulta a continuidade da escrita em muitas etnias. “Diversas línguas indígenas estavam excluídas da revolução digital por terem em seu vocabulário caracteres especiais, como ʉ, ɨ, g̃, ʉ̈̃ e i̇̂, por exemplo, que não estavam na maioria dos teclados físicos e virtuais. Isso fazia com que os falantes dessas línguas se comuniquem evitando escrever ou usando substitutos para esses caracteres. O problema também era enfrentado por estudantes indígenas que queriam escrever suas monografias, dissertações, teses, em suas línguas. Assim como escritores que queriam publicar suas obras em línguas indígenas”, detalha.
Foram necessários aproximadamente 14 anos de discussões sobre o assunto entre as cientistas do Inpa e consultas com o setor de Tecnologia da Informática, até encontrar os jovens universitários Samuel Minev Benzecry e Juliano Dantas Portela, responsáveis pelo desenvolvimento do Linklado. Na época, ambos tinham 17 anos.
“Foi muito emocionante ver que o aplicativo que os meninos criaram funcionava no celular, no computador e especialmente quando vimos que os caracteres não desconfiguravam na hora de imprimir”, relembra Ruby.
O lançamento oficial do aplicativo aconteceu em 11 de agosto de 2022, na Banca do Largo São Sebastião, localizado no Centro Histórico de Manaus. Entre tantos exemplos, o Linklado foi utilizado para tradução da obra “Embaúba: uma árvore de muitas vidas” para a língua Tikuna, da autora Cristina Quirino Mariano, que hoje também faz parte do projeto como tradutora.
“Participar do projeto Linklado e ser reconhecido pelo Prêmio Jabuti é uma honra imensa. Este prêmio não é apenas um marco na carreira de qualquer pesquisador ou escritor, mas também uma plataforma poderosa para dar visibilidade a iniciativas cruciais como a nossa. O Linklado é mais do que um aplicativo: é uma ferramenta de empoderamento e preservação cultural. Ao possibilitar a escrita em mais de 40 línguas indígenas, estamos contribuindo para a sobrevivência dessas línguas, promovendo a diversidade linguística e cultural que é tão rica no Brasil. O Prêmio Jabuti, sendo o mais importante do mercado editorial brasileiro, reconhece não só a inovação tecnológica que o Linklado representa, mas também a sua importância social e cultural. Este prêmio ajudará a ampliar o alcance do nosso projeto, alcançando mais falantes e incentivando o uso dessas línguas tanto no dia a dia quanto em contextos acadêmicos e literários. É um passo gigantesco para garantir que as vozes das comunidades indígenas sejam ouvidas e preservadas para as futuras gerações”, comenta Juliano Portela.
Cristina Quirino Mariano afirma: “o Linklado mudou totalmente minha vida para conversar com os meus parentes. Quando eu escrevia em português, meus parentes não entendiam direito. Então eu mandava mensagens só no áudio, na minha língua. Agora com o Linklado eu consigo escrever com todas as letras e eles entendem bem. E falei para eles baixarem o Linklado também. Agora a gente escreve tudo na nossa língua e a conversa ficou melhor”.
“Usando o Linklado também tive a chance de trabalhar como tradutora de livros, o que me ajuda a ter uma renda extra e fazer livros na língua do meu povo Magüta (Tikuna). Por isso, acho que o Linklado merece ganhar o Prêmio Jabuti, porque traz tecnologia para o povo indígena”, diz Cristina.
Cristina é do povo Magüta (Tikuna). Nasceu na comunidade indígena Belém do Solimões, na Terra indígena Eware 1, localizada no município de Tabatinga, Amazonas, em 1993. Mora em Manaus desde 2015. Em 2019, ingressou no curso de Farmácia em uma universidade da capital. Atualmente participa do projeto ‘Redes de mulheres indígenas tradutoras e cientistas: conexões para uma educação transformadora em ciência no Amazonas’, do programa Amazônidas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), coordenado pela pesquisadora Noemia Kazue Ishikawa, desenvolvido no Inpa.
“Estamos muito felizes e eu, particularmente, pois estamos vivenciando a Década das Línguas Indígenas no mundo que vai de 2022 a 2032. Ação e movimento declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com participação de vários povos indígenas do mundo e que tem como lema ‘Nada para nós sem nós’. E no Brasil várias mulheres indígenas estão encabeçando o movimento. Penso que o aplicativo Linklado pode ser uma singela contribuição da nossa equipe para Década das Línguas Indígenas no Brasil. A possibilidade de escrever na língua materna é uma das maneiras de mantê-las em uso, sobretudo entre os jovens. Ter o Linklado entre os finalistas do Jabuti, para mim, é possibilitar que o Brasil reconheça a sua diversidade linguística e que respeite os falantes destas línguas”, comenta Ana Carla Bruno.
“Participar de um projeto como o Linklado me afetou muito no sentido de manter minha esperança sobre o futuro da presença indígena milenar na Amazônia e através do continente Americano. O esforço de manter línguas em risco vivas, afinal, é o primeiro passo para aplicar conhecimentos ancestrais e garantir a convivência de humanos e não-humanos no Antropoceno”, declara Samuel Minev Benzecry.
Apesar das conquistas, Noemia afirma que a vitória ainda não foi totalmente alcançada. “Criamos o Linklado, mas precisamos divulgar melhor o aplicativo. Ainda falta chegar a mais usuários, os falantes das línguas, tanto para uso cotidiano, quanto na academia e no setor editorial de livros. Achamos que o Prêmio Jabuti pode ser um importante canal para que o aplicativo chegue ao conhecimento de mais e mais indígenas, e não indígenas que escrevem e publicam literatura, e consequentemente, os leitores em línguas indígenas”, finaliza.
Os membros da equipe do Linklado que concorre ao prêmio são: Samuel Minev Benzecry e Juliano Dantas Portela, Ana Carla Bruno, Ruby Vargas Isla Gordiano, Cristina Quirino Mariano e Noemia Kazue Ishikawa.
Prêmio Jabuti
Considerado um patrimônio cultural do Brasil, o Prêmio Jabuti é responsável por reconhecer e divulgar a produção literária nacional, com a valorização de cada um dos elos que formam a cadeia do livro. A premiação também tem o propósito de dialogar com os diversos públicos leitores e assimilar as mudanças da sociedade.
Neste ano, o Prêmio Jabuti tem 21 categorias literárias divididas em quatro eixos: “Literatura”, “Não Ficção”, “Produção Editorial” e “Inovação”, além do tão esperado “Livro do Ano”.
A divulgação dos dez semifinalistas de cada categoria aconteceu no dia 9 de novembro, enquanto a dos cinco finalistas está marcada para 21 de novembro, às 12h. A cerimônia de premiação será realizada no dia 5 de dezembro, às 20h, no Theatro Municipal de São Paulo (SP). Mais informações estão disponíveis no site oficial: premiojabuti.com.br.
Desmatamento e fungos letais já eram apontados como causas do declínio, mas agora biólogos ressaltam o papel da crise climática: altas temperaturas e baixa umidade afetam a respiração dos anfíbios, que é feita em parte pela pele.
A rãzinha-do-tepequém (Anomaloglossus tepequem) costumava ser observada em abundância em riachos da Serra do Tepequém, no estado de Roraima. Endêmica do Brasil e dessa localidade em específico, ou seja, só encontrada ali e em nenhum outro lugar do planeta, acredita-se que ela tenha desaparecido da natureza. Desde a década de 1990, nunca mais essa espécie amazônica foi vista.
Essa rã é um das 26 classificadas como possivelmente extintas no país, segundo o mais novo levantamento global de anfíbios feito pela União Internacional para a Conservação das Espécies da Natureza (IUCN). E os números são assustadores. Dois em cada cinco deles estão ameaçados.
O estudo teve a participação de mais de mil especialistas ao redor do mundo. Foram analisadas 8 mil espécies de anfíbios — entre sapos, rãs, salamandras, cobras-cegas e outros —, quase 3 mil a mais do que na última análise, realizada em 2004.
O grande destaque desta vez é o papel cada vez maior das alterações climáticas para o declínio global de anfíbios, considerados os mais ameaçados entre a classe dos animais vertebrados. Nada mais do que 40% de suas espécies estão com algum risco de extinção.
A rãzinha-do-tepequém (Anomaloglossus tepequem). Foto: Antoine Fouquet
Desmatamento, perda de habitat e a ocorrência de doenças, como a quitridiomicose, que tem devastado populações inteiras, já eram fatores mais amplamente documentados como ameaças, mas agora os biólogos alertam que o aumento da temperatura, a baixa umidade e a seca, consequências das mudanças no clima, estão aumentando ainda mais a pressão sobre muitas espécies de anfíbios.
De acordo com o estudo, de 2004 a 2022, mais de 300 espécies foram levadas bem próximas à extinção e 30% desses casos foram provocados, principalmente, pela crise climática.
“A água é essencial para a reprodução dos anfíbios. É nela que eles se reproduzem e os girinos nascem”, explica o biólogo Iberê Farina Machado, coordenador da Avaliação de Anfíbios no Brasil da Comissão de Sobrevivência das Espécies da IUCN e um dos coautores do artigo.
Além disso, alterações na temperatura e na umidade impactam a saúde e colocam em risco a sobrevivência desses bichos.
“Os anfíbios possuem a pele úmida e é através dela que respiram. Algumas espécies usam uma certa porcentagem maior do pulmão e outra da pele para a troca gasosa ou vice-versa. Se o clima está seco demais, isso afeta a respiração deles”.
Mapa produzido pelo levantamento revela onde estão as 2.873 espécies de anfíbios ameaçadas de extinção; a maioria está nas zonas de altitude, onde há cada vez menos umidade disponível
26 espécies possivelmente extintas no Brasil
O Brasil é o país com maior diversidade mundial em anfíbios, abrigando cerca de 1.200 espécies. Quase um terço delas foram avaliadas pela primeira vez nesse novo relatório.
A avaliação apontou que 189 espécies estão atualmente classificadas como criticamente (tem um s sobrando aí) ameaçadas, em perigo ou vulneráveis à extinção no Brasil. E o que preocupa mais é que a grande maioria delas é endêmica.
“O cenário é ainda mais sombrio quando temos em conta as 26 espécies classificadas como possivelmente extintas, não tendo sido avistadas em ambientes naturais desde a década de 1980 ou antes”, ressalta Machado.
É o caso da rãzinha-verrugosa-do-itatiaia (Holoaden bradei) e a rã-das-pedras-de-petrópolis (Thoropa petropolitana), ambas encontradas no século passado na Mata Atlântica. Entretanto, a última vez que a petropolitana foi avistada nos riachos da serra fluminense foi em 1982.
O biólogo esclarece que, no Brasil, o desmatamento e a expansão agropecuária e urbana continuam sendo os principais responsáveis pela extinção de anfíbios. Todavia, as alterações climáticas estão cada vez mais presentes.
Estima-se que nos últimos 40 anos, por exemplo, a Amazônia tenha ficado 1 ºC mais quente e apresentado uma taxa de redução de chuvas de até 36% em algumas áreas. As secas extremas no bioma são cada vez mais recorrentes. Neste exato momento, os estados amazônicos vivem uma das piores estiagens de sua história. Rios secaram e a navegação foi interrompida, deixando populações ribeirinhas sem acesso a alimentos e água potável. Mais de cem botos foram encontrados mortos no Lago de Tefé.
“À medida que os humanos provocam mudanças no clima e nos habitats, os anfíbios são incapazes de se deslocar muito longe para escapar do aumento da frequência e da intensidade do calor extremo, dos incêndios florestais, da seca e dos furacões acarretados pelas alterações climáticas”,
destaca Jennifer Luedtke Swandby, coordenadora da Autoridade da Lista Vermelha do Grupo de Especialistas em Anfíbios da IUCN e uma das envolvidas no estudo.
Anfíbios de altitude são os mais afetados
Seca e estiagem são sinônimos de falta de água e umidade. Nesse cenário desolador para a sobrevivência dos anfíbios, imagina-se que aqueles que vivem mais perto do solo seriam os mais impactados. Contudo, não é bem assim. As espécies que habitam áreas mais altas, acima dos 1.600 metros de altitude, perecem mais rapidamente.
Em regiões de grandes serras, como o Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro, ou no Monte Roraima, ao norte do país, sapos, rãs, pererecas e demais anfíbios sofrem mais com os distúrbios climáticos.
“Temos percebido as linhas das nuvens cada vez mais altas, ou seja, há menos umidade disponível para eles no topo das montanhas. E como eles não conseguem escapar mais para o alto, acabam se tornando reféns do clima”, diz o biólogo brasileiro.
A perda de tantas espécies e a iminente extinção de possíveis outras são um novo alerta sobre a necessidade urgente de se conter as causas das mudanças climáticas e mitigar seus efeitos. Os anfíbios são importantes bioindicadores da saúde de seus ecossistemas e, consequentemente, do planeta.
“O mundo aquecendo vai perdendo muitas mais espécies do que seres humanos e eles nos servem como um alerta”,
afirma Machado.
“Os anfíbios estão desaparecendo mais rapidamente do que podemos estudá-los, mas a lista de razões para protegê-los é longa, incluindo seu papel na medicina, no controle de pragas, alertando-nos para as condições ambientais e tornando o planeta mais bonito”, acrescenta Kelsey Neam, coordenadora de prioridades e métricas de espécies da Re:wild e uma das principais autoras do estudo.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Suzana Camargo
Não sei vocês, mas o dia de finados, na minha época de criança, era um evento. Minha mãe, católica atuante, preparava tudo um dia antes do dia do finados. Ela mandava limpar e pintar os túmulos. Comprava velas e se preparava para comprar flores próximo da entrada do cemitério.
Nos jornais, anunciava-se como seria o trânsito, pois haveria engarrafamento e era difícil estacionar. O prefeito mandava pintar e limpar o cemitério. Estava escrito no jornal como o cemitério estaria sendo preparado para receber a população. O cemitério era lotado. Tinha polícia e todos os tipos de controle para deixar a coisa ordenada.
Na entrada havia uma corda separando o povo que entrava e o povo que saia. Era muita gente lá, era verdadeiro encontro de amigos. Meus pais encontravam parceiros e trocavam ideia. Conversavam relativamente baixo, pois era um lugar de respeito e lembrança. Na praça Chile, em frente do cemitério São João Batista, colocavam palanque onde tinha missa e até a banda da polícia tocava em um horário preestabelecido.
No cemitério, nós íamos aos túmulos de tias e avós. Na frente do tumulo orávamos e cada um dos filhos colocava uma vela acesa (somos quatro). Ainda tinha, não lembro bem, mas era um túmulo ou só um monumento de uma pessoa e todos ainda antes de sair visitavam aquele local, oravam, colocavam vela e saiam.
O cemitério era quente. A caminhada lá dava para suar. Mas era interessante que nas sombras daquelas inúmeras mangueiras era agradável. Depois vinha uma chuva, às vezes torrencial. Anunciava-se assim, o início do tempo de chuva.
Lembro-me que quando bem pequeno eu observei que no cemitério era cheio de casinha e tinha escrito nas suas frentes a palavra Jazigo. Fui motivo de sarro porque falei para minha mãe que a família Jazigo era imensa, pois o cemitério estava cheio deles.
O cemitério era lugar de respeito e de certo modo amedrontador para nós. Meus irmãos treinavam voleibol no Olímpico Clube, que fica no fim do Boulevard Amazonas. Nos morávamos em Adrianópolis, na Rua Belém. A rua ia da praça Chile (frente ao cemitério) para Cachoeirinha. Então voltávamos do trieno cerca de nove ou dez horas da noite. Na frente do cemitério passávamos correndo para que nós não fossemos mais uma vítima de lendas urbanas.
Depois do cemitério era hora de brincar. Se desse íamos para o Guanabara tomar banho no Mindú. Lá encontrava nossa turma e jogávamos futebol enquanto meu pai jogava voleibol. No vôlei praticamente tinha dois times: um time que meu pai jogava e no outro lado o Milton Nogueira Marques montava. Sempre foi assim Milton x Edgar. Os dois eram grandes amigos, mas no jogo o pau cantava. Era divertida a discussão entre os dois, se um tocou na rede ou não.
Milton era dono do Cartório Nogueira. Manaus inteira ia para lá assinar acordos etc. Uma figura baixa e magra, mas extremamente simpático. Aberto as conversas e atencioso com os filhos dos amigos. Seu filho Pedro foi conosco para os Estados Unidos. Era uma pessoa muito legal que de um minuto para outro mudou muito quando foi abatido por uma tragédia familiar. Daí seu Milton praticamente sumiu.
Lembro-me uma vez que minha mãe tinha colocado unhas postiças. Era a moda, muito caro e difícil de conseguir em Manaus. Esta unha caiu no campo de areia de futebol. Minha mãe chamou o meu pai e pediu para procurar sem falar para ninguém que ela usava as unhas.
Chegou um momento que os dois times vasculhavam a areia procurando uma coisa vermelha. Meu pai não falava o que era e o pessoal insistia para saber até que minha mãe anunciou que era unha postiça dela. Finalmente acharam e devolveram para minha mãe.
Assim eram os dias feriados e em especial o dia dos finados. Que Deus tenha piedade daqueles que já se foram.
Observação: Este texto foi escrito por meu irmão Estevão e gentilmente cedido para fazermos uma reflexão sobre este dia.
Sobre o autor
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.
Um dos mais populares é Arigolândia, pois durante a 2ª Guerra Mundial, soldados da borracha foram para Porto Velho e entre eles muitos eram nordestinos, chamados de “arigós”.
Alguns bairros de Porto Velho, em Rondônia, têm histórias curiosas sobre suas origens. Um deles é Pedacinho de Chão. Na década de 1970 foi preciso abrir uma avenida chamada Norte e Sul, que começava na avenida Pinheiro Machado e acabava no quartel do 5º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC), que hoje é a Avenida Rogério Weber, no bairro Baixa da União.
As pessoas foram retiradas e transferidas para um novo local, o Pedacinho de Chão, que recebeu esse nome em homenagem a uma novela da Rede Globo que passava na época.
“Então falaram pra os moradores que os levariam para uma terra legalizada e documentada onde eles teriam o pedaço de chão de deles”, explicou o economista e historiador Anísio Gorayeb.
Já o bairro mais antigo da história do município, Caiari, surgiu como o primeiro conjunto habitacional do Brasil, a partir do primeiro governador do Território Federal do Guaporé, Aluísio Ferreira, que nacionalizou a Ferrovia Madeira-Mamoré.
“Aluísio era diretor da Estrada de Ferro e tinha a intenção de construir o conjunto com casas em alto padrão de luxo para que morassem os diretores, engenheiros e administradores da Madeira-Mamoré”, contou Gorayeb.
Sobre o bairro Triângulo, localizado na beira do rio, o historiador explicou que com a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, o trem entrava em um triângulo para virar a locomotiva e conseguir retornar o trajeto, a ação deu origem ao nome do bairro.
Durante a 2ª Guerra Mundial, soldados da borracha foram para Porto Velho, muitos nordestinos chamados de “arigós” moravam na região próxima ao Rio Madeira que recebeu o nome de Arigolândia, pela grande concentração destes moradores.
Vista aérea do Bairro Arigolândia. Foto: Anisio Gorayeb Filho
Ruas e avenidas
De acordo com o historiador, as grandes obras de Porto Velho foram realizadas pela Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e definiu o traçado da cidade, herdado dos americanos que implantaram o formato de ruas retas, que levavam aos pontos extremos, facilitando a locomoção pela cidade.
A avenida Sete de Setembro chamava-se rua do Comércio e a avenida Presidente Dutra, de Rua Divisória, e surgiram no início da criação da cidade. Surgiram outros bairros com nomes curiosos, como o bairro da Lagoa, que fica localizado em uma região que alagava muito e todas as ruas têm nomes de peixes, e o bairro Marechal Rondon, que as ruas receberam nomes de minérios.
Foto: Ana Flávia Venâncio/Prefeitura de Porto Velho
Por Walace SO*
Porto Velho sediou o I Fórum de Sustentabilidade de Porto Velho em parceria com o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, que é uma rede com mais de 2.500 governos locais comprometidos com a implantação sustentável em 130 países, durante os dias de 17 a 19 de outubro. Aqui recebemos entidades globais, locais e panamazônicas refletindo e debatendo nossos problemas do dia-a-dia. O foco além do meio-ambiente teve a reflexão da sustentabilidade de nossas cidades panamazônicas, apresentando projetos de sucesso e alternativas que possam ser compartilhadas em toda região.
Aqui se encontraram representantes de vários setores público, privado, terceiro setor, governamentais locais e internacionais, ONU, comunidades e outros. Destacamos algumas das personalidades e órgãos representados como o Ministério das Cidades com o Ministro Jader Filho, o Ministério do Meio Ambiente pelo diretor de Maio Ambiente Urbano Maurício Guerra, o Senador Federal de Rondônia Confúcio Moura, o prefeito de Porto Velho Hildon Chaves, o representante do Povo Paiter-Suruí Almir Suruí (uma das 100 maiores figuras de sustentabilidade pela revista Times), o secretário Rodrigo Perpétuo Executivo da ICLEI América do Sul, Julia Sandner Diretora do Programa de Segurança Energética e Mudanças Climáticas da América Latina (EKLA) e Fundação Konrad Adenauer (KAS), Elkin Veláskez Representante Regional do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), Marcelo Thomé diretor do Instituto Amazônia +21 entre muitos outros nomes de relevância do tema.
Mais que debater nossa realidade, sua relação com as novas necessidades de meios produtivos da Amazônia, foi à reflexão que além do meio ambiente, precisamos refletir nossas cidades, nossa urbanização e a relação com as características da nossa região. E essa reflexão tem que partir do nosso povo, nossos pesquisadores e sua contribuição para a região e todo planeta. Nada é sem conexão, tudo está em rede, mas não na rede da web, mas sim na rede do planeta e da vida. Nossa água, nossa terra, nossa fauna e flora, estão interligadas em conexão com todo o mundo. Assim, qual é o nosso papel? Qual é a nossa responsabilidade? Qual é de fato o nosso protagonismo? Essas questões serão norteadoras para que possamos preservar e produzir como pede o século XXI e o planeta precisa e necessita.
O Prefeito Hildon Chaves m sua fala fez uma declaração ousada e verdadeira, “não precisamos derrubar mais nenhuma árvore para termos desenvolvimento, precisamos apreender e inovar nossa cadeia produtiva”. O senador Confúcio Moura observou a importância do nosso protagonismo para os novos meios de produção pela pesquisa, qualificação de nossos pesquisadores e integração entre o agronegócio e o meio ambiente caminhando juntos alinhando tecnologia e sustentabilidade. O ministro Jader Filho observou a importância de construirmos nossas cidades, integradas com nossas características regionais e as novas necessidades de urbanização com infraestruturas adequadas, cidades adequadas ao nosso clima tão peculiar. Fala que corroborou a explanação de Elkin Veláskez da ONU-HABITAT e os projetos defendidos pela entidade.
Exemplos de sustentabilidade com a floresta como a produção do café dos Paiter-Suruí que é premiado nacionalmente, modelos de sustentabilidade de turismo e preservação como o Machu Picchu no Peru foram apresentados com outros, mostrando que podemos produzir soluções e gerenciar nossas demandas. E a preservação da Amazônia é um passo fundamental para a preservação do planeta. E devemos ter o protagonismo dessas demandas integradas com o diálogo e o fomento internacional. Muito se levou da nossa terra, agora é a hora de voltar, e essa volta não é para nós, ela é para todos nós. Não vivemos isolados, tudo que acontece aqui repercute em todo planeta. Assim, bora refletir e reconstruir um mundo melhor.
Sobre o autor
Walace Soares de Oliveira é cientista social pela UEL/PR, mestre em educação pela UEL/PR e doutor em ciência da informação pela USP/SP, professor de sociologia do Instituto Federal de Rondônia (IFRO).