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​’Acreanês’: conheça algumas das expressões mais usadas pelos acreanos

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Viver no Acre tem suas particularidades. Muitos imigrantes nordestinos buscaram na região o sonho de uma vida melhor. Com eles, trouxeram também um pouco da cultura de outros Estados. E dessa mistura de crenças, hábitos e tradições, começou a surgir um vocabulário próprio: o “acreanês”.

Veja se você entende: “Bom mesmo seria que eu ‘xiringasse’ uma ‘ruma’ de palavras que não faz sentido algum para quem não mora aqui no Estado. Aí depois, já que ninguém entendeu nada ‘mermo’, o bom seria ir para um ‘piseiro’ e ‘espocar’ de vez o meu vocabulário”.

E olha que esses são apenas alguns dos termos mais comuns e tem muito mais como esses espalhados pelas conversas por aí.  Mas vamos traduzir o que foi dito:

Mas, afinal, qual é a importância e a origem dessas palavras típicas de cada região? Definidas como fenômeno linguístico, elas são empregadas em determinados grupos sociais. No caso das gírias típicas de Estados, o único diferencial é que o grau de aceitação ganhou uma amplitude ainda maior.

O especialista em lexicologia (ciência que estuda uma grande quantidade de palavras de um determinado idioma sobre diversos aspectos), Alexandre Melo, explica que esses termos são importantes porque marcam uma determinada região. Alguns se tornam tão presentes, que acabam incorporados ao vocabulário e até passam a ser encontrados em dicionários da língua portuguesa.

“Existe o vocabulário regional, que não necessariamente é uma gíria porque ela ganha força e permanece no vocabulário. Aí falamos que esse é um vocabulário regional e existem as gírias que são mais ou menos temporárias. Então nós temos as palavras próprias do Acre e, portanto, uma característica, um perfil léxico do povo acreano”, esclarece o professor. 

Caroço de açaí é testado como fonte de energia renovável no Pará

Estudo tem como objetivo transformar o resíduo da fruta em combustível para ser usado em escala industrial.

A Hydro está investindo para usar nas caldeiras da Alunorte uma energia renovável com ampla oferta no Pará: o caroço do açaí. Em parceria com a Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA), tem sido avaliada da viabilidade técnica-econômica do uso desse resíduo como combustível nas caldeiras da Alunorte, refinaria de alumina, localizada em Barcarena (PA). 

O Pará lidera a produção e a exportação mundial da polpa da fruta e alcançou a produção de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2019, segundo a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento do Pará (Sedap). Com duração de um ano e investimento de cerca de R$ 500 mil, a pesquisa analisará os requisitos técnicos e logísticos para uso do caroço em escala industrial, além de estudar o aspecto social e ambiental do uso do caroço do açaí como um combustível renovável. 

Para produção da polpa do açaí, o caroço é descartado e, caso os resultados da pesquisa sejam positivos, esta será a primeira aplicação deste resíduo em escala industrial. O caroço da fruta já é reaproveitado atualmente em menor escala em outros setores. O uso do caroço em uma refinaria de alumina pode representar uma nova possibilidade para o seu ciclo econômico. 

Foto: Divulgação

Ao todo, 11 pesquisadores estarão envolvidos diretamente neste estudo e haverá também uma análise para entender os desafios da cadeia de suprimento e da sazonalidade do produto. O trabalho integrado entre diferentes grupos é necessário em virtude da complexidade da cadeia produtiva do açaí no Pará, e da necessidade de destinação apropriada do resíduo dessa produção, que não possui um processo de destinação padronizado de ponta a ponta.

Caso o estudo comprove a viabilidade da utilização do caroço do açaí como fonte de energia alternativa, abre-se a possibilidade de dar uma destinação ao resíduo, que pode vir a se tornar um subproduto dentro da sua cadeia produtiva.

“É um trabalho em simbiose da indústria do açaí e da indústria de alumínio, com a possibilidade de usar o resíduo da produção da polpa da fruta para atender à demanda por fontes renováveis de energia na nossa refinaria. A viabilidade desse estudo, se provada, traz a importante solução para a destinação do resíduo do açaí, mas também gera outros benefícios como potencial de redução de emissões na operação e impacto positivo no desenvolvimento do território onde a Hydro atua”, afirma o gerente executivo de Projetos de Energias Renováveis da Hydro, Sergio Ferreira.

“O caroço de açaí é 90% em massa do fruto de açaí. Isso significa que em 2019 foi descartado um milhão de toneladas de caroço, o que permite gerar continuamente durante um ano 160 MW de eletricidade. Atualmente esse resíduo é um passivo ambiental, que poderá ser convertido num biocombustível renovável com valor agregado e capaz de promover uma nova atividade econômica: a produção de bio-eletricidade”, informou o professor titular da UFPA-FEM, Manoel Nogueira.

Foto: Divulgação

Convênio de pesquisas

A utilização de rejeitos industriais já é pauta de pesquisas realizadas pela Hydro dentro do convênio com a UFPA, como os estudos de 2020 da produção de cimento e de agregado sintético, ambas com o resíduo oriundo do refino da bauxita, gerado na Alunorte; e de 2021, o estudo da viabilidade do uso do rejeito do minério da mina de bauxita da Hydro, em Paragominas (PA), para a produção de telhas, tijolos, materiais refratários, cimento de baixo carbono e até um plástico biodegradável.

Há também outros três projetos de inovação no combate à Covid-19 que estão em andamento: produção de respiradores de baixo custo, estudos de efeitos psicológicos durante a pandemia e uso da ciência de dados para criar modelos epidemiológicos. 

O réveillon nosso de cada dia

Comemoramos um novo ano, desejosos que não seja apenas uma virada de calendário. Ansiamos por uma nova vida, quando todos os nossos maiores desejos serão realizados.

Se tudo evolui e reevolui em ciclos, como nos ensina o filósofo Mokiti Okada, seria natural que comemorássemos o fim de cada um deles, compreendendo que o final de um ciclo representa também o início de um novo, mais um passo de evolução. Seria como transformar o final de qualquer ciclo em uma espécie de um réveillon.

Mesmo que imaginários, haveria fogos de artifícios, esperanças renovadas e mensagens positivas para todo o universo, e não apenas para os que amamos. Seriam merecedores de nossos melhores sentimentos, inclusive, os que nos fizeram isto ou aquilo, pois não queremos carregar mágoas e ressentimentos para o novo ano, assim como não levaríamos sujeiras para uma nova residência.

Comemoramos um novo ano, desejosos que não seja apenas uma virada de calendário. Ansiamos por uma nova vida, quando todos os nossos maiores desejos serão realizados. Todas as nações, raças, culturas e pessoas de qualquer faixa etária comemoram a chegada de um novo ano. Mesmo que videntes façam trágicas profecias, comuns a cada vez, não é o momento de ouvi-los. É hora de esperança, de otimismo e de fé. 

Foto: Reprodução/Freepik

Fico imaginando como seria se conseguíssemos estender este espírito do réveillon para outros ciclos. A cada dia, viveríamos um novo renascimento. Agradeceríamos a Deus por mais esta oportunidade. À noite, repassaríamos o que desfrutamos e novamente sentiríamos gratidão, valorizando cada acontecimento, fossem os agradáveis ou não. Mesmo nos dias mais difíceis, nos lembraríamos que o ultrapassamos e que amanhã seria um novo dia.

A semana ganharia um novo significado, pois perceberíamos que, a cada 7 dias, todos úteis, inicia-se uma nova etapa e, para a maior parte das pessoas, o direito a um respiro para um descanso. O mês também ganharia um novo olhar, quase que um meio réveillon. Não apenas um ciclo de contas a pagar ou valores a receber. Em um período de 12 meses, valorizaríamos as 4 estações, em que a natureza reforça continuamente o princípio não linear de que tudo evolui e reevolui em ciclos, como nos ensina o mestre citado no início deste artigo.

Indo mais além, e se estendêssemos o espírito do réveillon para outras situações? Para os relacionamentos, por exemplo? Se quando fosse o caso de uma separação, o casal não precisasse de advogados, de processos litigiosos e nem de briga por isto ou por aquilo, nem mesmo pela posse ou custeio das crianças?

E se aplicássemos este mesmo olhar para os ciclos profissionais, como a saída de um emprego, que nos levará a um outro caminho, que talvez não optássemos, mas que representa novas oportunidades? Ou na coragem de tentar uma nova profissão, construindo uma ponte para o nosso propósito?

Como seria o espírito do réveillon para a entrada em uma nova década de idade, como na casa dos 40, dos 60, 80, ou mais, degustando o que a juventude, maturidade ou senioridade trazem?

Como seria se, a cada tempo e em cada situação, aplicássemos o espírito do réveillon ao nos despedirmos do “ano velho que passou”, com uma saudade gostosa de que tudo valeu, mesmo que não tenha sido o ideal. Ao mesmo tempo, saudarmos “o ano novo que chega”, com esperança, alegria e confiança no que plantamos, com fé no que vamos colher?

Com este espírito de réveillon, caro leitor, desejo que você vivencie cada ciclo de 2022, construindo felicidade para você, para mim e para todo mundo. Muito obrigado pela sua atenção e companhia durante este ciclo que se encerra. Que no próximo, estejamos juntos.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC, ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livroFelicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista 

Conheça 10 lugares tombados como patrimônio histórico de Manaus

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Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa

MANAUS – O tombamento é uma forma encontrada pelas autoridades para proteger o patrimônio nacional. Os bens tombados estão sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e são divididos em duas modalidades, os bens móveis e imóveis. Você sabe quais prédios da capital amazonense foram selecionados pelo sistema de proteção? O Portal Amazônia mostra os patrimônios da cidade e sua importância histórica. Confira:

Centro Cultural Usina Chaminé

Foto: Reprodução/Michael Dantas

O prédio construído em 1910, possui características neo renascentistas e foi criado com o objetivo de ser uma unidade de tratamento de esgoto. Tombado como Monumento Histórico do Amazonas em 1988, a edificação foi reformada em 1993, passando a funcionar como Centro de Artes Chaminé, abrigando a Pinacoteca do Estado, com exposições que funcionavam de forma temporária.

Em 2002, o prédio recebeu uma nova reforma, já denominado como Usina Chaminé, reaberto como parte das ações do Programa de Preservação da Natureza da Memória Cultural e Histórica do Amazonas.

Cemitério São João Batista

Foto: Divulgação

Fundado em 1890, o cemitério está localizado na zona centro sul da cidade, na Av. Boulevard Álvaro Maia, esquina com praça Chile. O local foi tombado como Patrimônio Histórico pelas suas edificações históricas, como o caso da capela gótica e pórticos.

Além das sepulturas de valor religioso, histórico, cultural e arquitetônico, como os inúmeros modelos que apresentam técnicas variadas de construção, alguns com materiais valiosos antigos como cerâmica inglesa, esculturas artísticas, pintura marmorizada.

O gradil antigo do cemitério, por exemplo, foi confeccionado com rebites de ferro para unir as peças e anéis decorativos de chumbo para reforçar essas estruturas, já que não existia a solda elétrica à época. Possui um amplo arquivo de sepultamentos realizados desde 1882.

Relógio Municipal

Foto: Divulgação

Inaugurado no início do século XX, ele foi instalado na avenida Eduardo Ribeiro em 1927 nas proximidades da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, e faz parte do Patrimônio Histórico no ano de 1988 e possui aproximadamente 5 metros de altura. 

Há registros de que a primeira iniciativa de se construir um medidor de horas na Cidade data de 1854, quando o presidente da Província, Herculano Ferreira Pena, em pronunciamento à Assembleia Legislativa Provincial, expôs a necessidade da existência de um relógio público em Manaus.

Praça Heliodoro Balbi

Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Considerada ponto tradicional da cidade, aberta ainda na época do Império, a Praça Heliodoro Balbi, ou Praça da Polícia, ocupa uma área de 8.515 m², no centro da cidade de Manaus. O codinome deve-se ao fato de ter sido palco, por muitos anos, para as apresentações da banda da Polícia Militar.

O local também abrigou, até 2004, o Comando Geral da PM, no prédio onde existia, anteriormente, o Palacete Provincial. Esse prédio foi restaurado em 2008, para dar lugar a mais um espaço cultural da cidade, recebendo novamente o nome de Palacete Provincial.

A Praça Heliodoro Balbi conta com duas piscinas ornamentais, árvores, quiosques e sebos, além do tradicional Café do Pina, bancas de tacacá, sorvete, entre outros. No espaço são também realizados shows musicais, concertos, atividades circenses, espetáculos natalinos, dentre outros eventos.

Academia Amazonense de Letras

Foto: Divulgação

A Academia Amazonense de Letras foi fundada em 1918 é a entidade literária máxima do estado brasileiro do Amazonas, com apenas 30 vagas e tinha como presidente Djalma Batista. Atualmente o órgão possui 40 vagas ocupadas por poetas, romancistas, jornalistas, cronistas, ensaístas, médicos, teólogos, economistas, educadores, sociólogos e antropólogos. 

Teatro Amazonas

Foto: Divulgação

Inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896, o Teatro Amazonas preserva parte da arquitetura e decoração originais. Tombado como Patrimônio Histórico Nacional em 1966 ele possui estilo arquitetônico e renascentista. O salão de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas, distribuídas entre a plateia e três pavimentos de camarotes.

Impossível não ficar hipnotizado com o teto côncavo, no qual estão quatro telas pintadas em Paris pela tradicional Casa Carpezot. As telas representam música, dança, tragédia e ópera. Esta última, uma homenagem ao compositor brasileiro Carlos Gomes.

Ao centro, um majestoso lustre de bronze francês. Também não passam despercebidas as máscaras nas colunas da plateia, que homenageiam compositores e dramaturgos, entre eles, Aristófanes, Molière, Rossini, Mozart e Verdi.

Mercado Municipal Adolpho Lisboa

Foto: Reprodução/Construtora Biapó

O Mercado Municipal Adolpho Lisboa, um dos mais importantes centros de comercialização de produtos regionais em Manaus, foi construído no período áureo da borracha. Por ser um dos principais exemplares da arquitetura de ferro sem similar em todo mundo, foi tombado em 1º de julho de 1987 pelo Iphan.

Sobre a bandeira do portão principal, existe uma cartela cravada com o nome Adolpho Lisboa que, na época da construção, era prefeito da cidade de Manaus. Posteriormente Lisboa deu o nome ao mercado.

Reservatório de Mocó

Foto: Divulgação

O reservatório abrange uma área com cerca de 1000 metros quadrados. Foi planejado e construído com o objetivo de solucionar os problemas de abastecimento de água, que atingiam a cidade no final do século XIX.

Inaugurado em 1899, destaca-se pela sua estrutura interna que suporta dois enormes tanques metálicos, instalados no espaço superior da edificação. Tombado em 13 de Março de 1995, o Reservatório do Mocó abastece ainda hoje parte da Cidade de Manaus.

Instituto Benjamin Constant

Foto: Divulgação

Autorizado pela Lei 643, de 2 de junho de 1884, o presidente da Província, Theodoreto Souto, criou uma instituição destinada a oferecer os ensinos primário, moral e doméstico para meninas órfãs e pobres.

Inaugurada no dia 10 de julho, na rua Nove de Novembro, atual Lauro Cavalcante, recebeu a denominação Azylo Orphanológico Elisa Souto em homenagem à esposa daquele presidente. Para regente desse asilo, foi nomeada Eulália Fernandes Rêgo Monteiro.

A reforma do ensino público realizada pelo presidente provincial Adolpho de Vasconcelos, em 1886, determinou que a Escola Normal Feminina e o asilo funcionassem no mesmo local. Em razão disso, alugou-se um prédio, de Alfredo Sérgio Ferreira, na rua da Independência, atual Frei José dos Inocentes. A mudança ocorreu no dia 12 de abril daquele ano.

O asilo orfanológico ficou nesse local até 1º de agosto de 1888, quando foi transferido para o palacete do Barão de São Leonardo, na rua Ramos Ferreira, adquirido na administração de Theodoreto Souto para abrigar o Museu Botânico.

Em 26 de abril de 1892, pelo Decreto 11, o governador Eduardo Ribeiro extinguiu o asilo e criou o Instituto Benjamin Constant, com igual finalidade. O nome do Instituto foi uma homenagem a Benjamin Constant Botelho de Magalhães, conhecido como Fundador da República e primeiro titular do Ministério da Instrução Pública. 

A administração desse novo estabelecimento escolar ficou a cargo das irmãs da Congregação Filhas de Sant’Anna, que chegaram a Manaus em 1893, vindas da Itália. A primeira superiora a reger o Benjamin Constant foi sóror Ana Aquilina Gilardini, que assumiu em 4 de maio daquele mesmo ano.

Vale ressaltar que, apesar desse Instituto ser gerenciado pelas Filhas de Sant’Anna, também havia um diretor laico. O primeiro deles foi o desembargador Luiz Duarte da Silva, nomeado pelo Governo do Estado.

A partir de 1900, ficou facultado às alunas do Instituto que concluíssem o curso com bom aproveitamento o direito a se matricularem na Escola Normal e serem nomeadas professoras do interior do Estado, mediante concurso.

Na administração estadual de Ephigênio de Salles, inaugurou-se, nesse estabelecimento de ensino, em 29 de julho de 1929, uma capela em honra à Sant’Anna, ampliada na década de 40. O Teatrinho Santa Rosa foi instalado em 1930.

O governador Danilo Areosa, em 1969, desativou o Instituto e, em seu lugar, instalou a Fundação Educacional do Amazonas, responsável, à época, pela administração dos ensinos de nível médio e primário. O Benjamin voltaria a funcionar somente no governo de João Walter de Andrade, porém não mais como internato e, sim, como uma escola de regime misto.

Em 1997, a Escola Estadual Benjamin Constant passou a funcionar em um edifício alugado, na travessa Frei Lourenço, n. 33, onde veio a encerrar suas atividades em 2001.

Por meio do Decreto 11.190, de 14 de junho de 1988, o prédio dessa instituição de ensino – na rua Ramos Ferreira, n. 991, Centro – foi tombado pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas – CEDPHA.

Na década seguinte, em 1998, esse prédio histórico recebeu a instalação do Centro de Informática Benjamin Constant – Ceinfor, desativado em 2003 e substituído, no outro ano, pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas – Cetam. Essa unidade do Cetam foi denominada Instituto Benjamin Constant e funciona até os dias atuais.

Porto de Manaus

Foto: Divulgação

O Porto de Manaus, capital do estado do Amazonas, é um dos principais pontos turísticos mais visitados. Localizado na Rua Marque de Santa Cruz, centro de Manaus, foi inaugurado em 1907, com o crescimento da exploração da borracha, a infraestrutura do local na época precisou passar por uma ampliação e reorganização. Com as obras iniciadas oficialmente em 7 de outubro de 1902, com uma solenidade que contou com a presença do governador do estado Dr. Silvério Nery.

As obras foram realizadas por etapas: Em 1903, foi construída a Casa de Máquinas (hoje se encontra o Museu do Porto); no ano de 1904, foram construídos os armazéns nº 9 e 10, a torre metálica para a caixa-d’água, as linhas férreas destinadas aos serviços dos armazéns do Porto, o cais do Roadway e instalações dos primeiros geradores de eletricidade; as calçadas e as áreas em torno dos armazéns nº 9 e 10 foram feitas em 1905; o prédio da Alfândega e Guardamoria, juntamente com o segundo trecho do cais de alvenaria e o prolongamento da plataforma de madeira, o armazém nº0, a ponte flutuante do Roadway, o Escritório Geral e galerias de esgoto foram montados nos anos de 1906 e 1907.

No contexto geral, as obras se arrastaram por longos anos e apenas chegaram a serem concluídas por volta de 1919. 

No país do agrotóxico, mulheres da agricultura familiar de Rondônia vão na contramão e 58% não utilizam veneno

*Escrito por Larissa Zuim, cedido ao Portal Amazônia

Só em 2020 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a utilização de quase 500 novos agrotóxicos no Brasil. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) aponta o Brasil como um dos maiores consumidores mundiais desses agroquímicos ou defensivos agrícolas e o segundo maior comprador de insumos da lista de proibidos em outros países, como por exemplo, na União Europeia. Na contramão desse grave problema à saúde e ao meio ambiente, as mulheres da agricultura familiar são mais resistentes à utilização dos agrotóxicos.

Das agricultoras familiares que são proprietárias e concessionárias de estabelecimentos rurais no país, 77% (590 mil mulheres) disseram na coleta de dados do Censo Agropecuário 2017 (IBGE) não ter utilizado agrotóxicos, e em Rondônia 58% (7 mil) não fizeram uso desse tipo de produto no período de referência, de 1º de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017. É oque revela a análise feita pela reportagem, com informações do Censo Agropecuário 2017, realizada com o apoio da Internews Earth Journalism Network e da Escola de Dados da Open Knowledge Brasil.

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Para a realidade do estado de Rondônia, esses números são significativos, uma vez que 82% dos estabelecimentos rurais (69,3 mil) considerando os proprietários e concessionários são de agricultura familiar, onde a presença das mulheres é maior. Elas são proprietárias de 13% (11,8 mil agricultoras) dos estabelecimentos familiares, em oposição aos 2% (2,5 mil mulheres) da agricultura não familiar.

Ainda em Rondônia, apesar de existirem mais estabelecimentos de agricultura familiar, eles concentram uma área menor, em comparação com aqueles da agricultura não familiar. Os 13 mil estabelecimentos dessa categoria, que estão sob a administração dos homens, têm área média de 393 hectares; enquanto que a área de terras dos 58,2 mil agricultores familiares têm em média apenas 52 hectares.

No caso das agricultoras familiares, a situação não é diferente. A área média das mulheres que lidam com a terra para o cultivo familiar é cerca de cinco vezes menor que a das grandes produtoras rurais. Os 2% de agricultoras não familiares possuem área média de 192 hectares por propriedade, ao mesmo tempo em que os 13% das agricultoras familiares concentram sua produção em uma área média de 43 hectares.

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Essa diferença nos tipos de agricultura explicam os altos índices de utilização de agrotóxicos. Enquanto a agricultura familiar, especialmente as mulheres, busca alternativas ecológicas, as lavouras ostensivas de monocultura de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar consomem juntas 80% dos insumos comercializados no Brasil, de acordo com o IDEC.

Decisões como essa, da não utilização de veneno, são o reflexo de uma preocupação com a saúde familiar e com o meio ambiente que é possível verificar na fala das agricultoras, já que, além dos danos ao meio ambiente, como envenenamento do solo e das águas ou a morte de insetos polinizadores, os agrotóxicos geram graves problemas associados à saúde sexual e reprodutiva feminina.

Estudos da  Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) mostram diversos prejuízos causados pela exposição às altas taxas de insumos agrícolas, como infertilidade, má formação dos fetos durante a gestação, resíduo no leite materno, intoxicação, cânceres, distúrbios neurológicos e mentais e até aumento nas taxas de suicídio.

Para Maria das Graças Silva, geógrafa e pesquisadora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), as mulheres se preocupam mais com esses fatores por causa do seu papel dentro do ambiente familiar, como mãe e cuidadora.

“Pela minha observação nesses 20 anos de campo, a mulher vai conciliar o plantio com o ambiente, com a natureza, porque elas pensam na segurança alimentar e nutricional, em não usar agrotóxico, em reaproveitar, para garantir a alimentação e o sustento de toda a família a longo prazo”.

Segundo a pesquisadora, a diferença entre as propriedades geridas por mulheres e pelos homens é sentida até visualmente. “É nítida a mudança ao visitar um lote manejado por uma mulher e outro por um homem. Uma mulher que ganha um lote não vai desmatar 100% para fazer a roça”, explica a geógrafa. “Ele é muito mais verde e vivo, porque elas diversificam seus cultivos”.

(A agricultora Cida, além da produção de colorau, produz hortaliças para a alimentação de casa. Foto: Aparecida de Sousa)

Essa observação faz parte da vivência da Cida, ou Maria Aparecida de Sousa, agricultora familiar do assentamento Antônio Conselheiro II, no interior de Rondônia. “Nós, mulheres, olhamos mais para o lado da lavoura branca, ter horta, café, colorau, cana, cacau, milho, arroz, feijão. A gente quer produzir para alimentar”, conta.

A diversidade de cultivos é uma das características essenciais da Agricultura Familiar, de acordo com o agroecólogo e pesquisador da Unir, Emanuel Maia. “Estudando esse tipo de agricultura percebe-se que ela tem funções para além da produção financeira e sustento das famílias, ela ajuda a manter a paisagem com mais diversidade, o que é fundamental para conservação da floresta”.

Feito principalmente por mulheres, quintais produtivos não foram reconhecidos no Censo

Com pouco incentivo técnico e financeiro, as mulheres da agricultura familiar recorrem a caminhos alternativos para a produção no campo e a conservação do meio ambiente em Rondônia.

Entretanto, esse caminho mais sustentável apontado pelas mulheres ainda é invisibilizado. A pouca informação oficial em documentos, órgãos e pesquisas sobre a produção feminina nas áreas rurais é a primeira barreira para construir uma visão geral de como as mulheres se relacionam com o meio ambiente. Não há dados expressivos sobre as relações de gênero no campo, e até mesmo no Censo Agropecuário de 2017, utilizado nesta reportagem, ainda há lacunas a serem preenchidas.

A exemplo da estratégia para a manutenção alimentar e financeira da casa apontada pelos pesquisadores entrevistados, os chamados “quintais produtivos”. Esses quintais são um sistema agroflorestal que combina espécies florestais, lavoura e pastoreio de animais, apresentando biodiversidade, capacidade de produção e de reaproveitamento. Essa produção diversificada ajuda a equilibrar a saúde e a manutenção do solo, diminuindo a necessidade de utilizar agrotóxicos.

Porém, os quintais produtivos e a variedade de cultivos que as mulheres do campo fazem para alimentação não são registrados pelo IBGE, uma vez que o órgão não sistematiza informações da produção dos agricultores para consumo próprio.

O que se torna um problema nesse contexto, já que estudos, como o Terra & Mata, da Ecoporé, demonstram que são as mulheres as principais responsáveis pela produção de alimentos para autoconsumo, doações, trocas entre famílias camponesas e comercialização de excedentes, e mesmo assim, não entram nas estatísticas.

A agrônoma Miriam Nobre, integrante da Sempreviva Organização Feminista (SOF), vem trabalhando junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a ampliação dos dados de gênero coletados no Censo Agropecuário e na melhoria do cruzamento de informações com outras bases de dados.

Ela alerta que, sem o recorte de gênero, a invisibilidade pode se tornar mais acentuada. Integrar questões como a renda obtida no estabelecimento agropecuário e das múltiplas atividades desenvolvidas pelas mulheres, como os quintais produtivos e seus subprodutos (horticultura, floricultura, geléias, bolos, farinha), possibilitaria compreender melhor sua posição e suas práticas no campo.

Como no caso de Eliana Buss da Rocha, do Acampamento de Reforma Agrária Che Guevara, na Zona da Mata em Rondônia. Mais conhecida como Lia, ela conta que hoje, a produção de pasto é majoritariamente masculina, enquanto as mulheres plantam café, milho, arroz, feijão, mas, principalmente hortaliças, que são comercializadas para as escolas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e utilizadas no consumo próprio, o que acaba não sendo considerado para o Censo.

O caso se repete na casa de Josiane Santos de Souza, a Jô, do Assentamento 14 de Agosto, em Ariquemes. As mulheres trabalham coletivamente cultivando verduras como alface, rúcula, agrião, ervas medicinais e flores, tanto para o embelezamento – nas palavras dela – como para confecção de remédios e repelentes.

Além disso, as mulheres fazem o plantio do cacau, que tem grande potencial para a geração de renda e de reflorestamento. Dentro da lavoura cacaueira, as agricultoras constroem suas hortas e o viveiro de mudas na intenção de reflorestar. “Isso porque queremos criar autonomia, tomar a frente, do nosso jeito, por perceber o que é bom para a família, para a saúde e para a natureza”, explica Jô.

Um projeto que atua nessa linha com as mulheres de Rondônia é o Viveiro Cidadão, da Ação Ecológica Guaporé – Ecoporé. A proposta atende 138 mulheres, de 8 municípios, com a distribuição de mudas e acompanhamento técnico para criação de quintais produtivos. Entre as cadastradas, 52% têm a titularidade da terra, o que assegura o aproveitamento futuro com a plantação de cultivos permanentes, de plantas frutíferas e espécies florestais nativas.

Políticas públicas para mulheres no campo são recentes e de difícil acesso

A posse da terra, por si só, já é um elemento de significativa importância na agricultura familiar e na conservação ambiental, como ressalta o agroecólogo Emanuel Maia (Unir). De acordo com ele, quando se dá a garantia da titularidade, o proprietário tende a conservar.

E para as mulheres, a posse extrapola a condição econômica, tornando-se garantia de sobrevivência para ela, sua família e o mais importante, seus filhos. Lia, do acampamento Che Guevara, ressalta que as famílias sempre tiveram uma mesma posição: quando a situação se regularizar, a posse será em nome das mulheres. “É uma segurança para nós, porque, independente do que acontecer entre o casal, a mulher tem como amparar os filhos”.

Porém, este é um direito recente. A regularização fundiária em nome da mulher foi permitida apenas na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 189. E foi somente em 2003 com a Portaria do Incra nº 981, que se tornou obrigatória a titularidade da terra em nome do casal, independentemente de haver contrato de união formal.

Mesmo com esse avanço, ainda são poucas propriedades em nome de mulheres, poucas pesquisas que possuem o recorte de gênero e poucas políticas públicas voltadas à mulher do campo.

Maria das Graças (Unir) ressalta que mesmo que as mulheres rurais tenham conquistado direitos para sua categoria nas últimas décadas, no sentido de ter acesso à terra, de poder ser proprietária e ter direito à assistência técnica direcionada ao trabalho dela, essas mulheres continuam não acessando estas políticas públicas.

“Durante nossas pesquisas de campo, descobrimos que elas não acessam essas políticas, pois nem documentação elas têm. Quando houve o mutirão para retirada de documentos para as mulheres do campo, muitas vezes quem encontrávamos nas filas eram os homens. Questionados sobre onde estavam suas companheiras, eles abertamente falavam – estão em casa, cuidando dos filhos, da horta.”

Mesmo com incentivos como o do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura (Pronaf-Mulher), até a obtenção do crédito o caminho é sinuoso, pois existe a dificuldade no acesso à informação, na burocracia bancária, na criação do projeto e na aplicação técnica. Com pouca orientação e gestores públicos que não estão abertos ao diálogo, sobram ideias e falta ajuda.

Com menos da metade dos estabelecimentos rurais do estado com acesso à assistência profissional, são também as mulheres as mais prejudicadas, sendo que menos de 20% recebem ajuda técnica, de acordo com dados de 2020 da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO).

Para a pesquisadora Maria das Graças (Unir), há a dificuldade de identificar quem é essa mulher, onde ela está e o que ela faz, porque a pouca visibilidade que se dá à questão de gênero no campo fica condicionada a um micro recorte das pesquisas científicas. E como ressalta Miriam Nobre, mesmo que o Censo Agropecuário tenha começado a incluir a questão de gênero desde 2006, o percurso para abarcar toda a realidade do campo, ainda levará um tempo considerável.

(A produção de horticultura para consumo próprio não é contabilizada no Censo Agropecuário como produto do estabelecimento. Foto: Aparecida de Sousa)

Amazônia Legal

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Imagem: Reprodução/IBGE

A Amazônia Legal foi instituída pela Lei 1.806, de 06/01/1953, com o objetivo de definir a delimitação geopolítica com fins de aplicação de políticas de soberania territorial e econômica para a promoção de seu desenvolvimento.

Os limites da Amazônia Legal foram se estendendo em função da área de atuação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 14 de julho de 2022, uma série de atualizações dos recortes territoriais legais do país. Entre os produtos com revisão de 2021 está a publicação ‘Limite da Amazônia Legal‘, que atualiza a área de 5.015.067,86 km², correspondente a cerca de 58,93% do território brasileiro (8.510.345,540 km²).

Nove estados compõem a Amazônia Legal – Acre (22 municípios), Amapá (16), Amazonas (62), Mato Grosso (141), Pará (144), Rondônia (52), Roraima (15), Tocantins (139) e parte do Maranhão (181, dos quais 21 foram parcialmente integrados) – com um total de 772 municípios.

No mapa da Amazônia Legal constam as divisas estaduais, limites municipais e posições das sedes das cidades que constituem a base logística para o controle estratégico do território e para a exploração econômica da região.

Histórico

Delimitada, inicialmente, em 1953, pela Lei 1.806, Amazônica Legal compreendida os estados do Pará e Amazonas, os à época territórios federais do Acre, Amapá, Guaporé e Rio Branco e, ainda, a parte de Mato Grosso a norte do paralelo 16º, a porção de Goiás a norte do paralelo 13º e área do Maranhão a oeste do meridiano de 44º.

Em 1966, a Lei 5.173 definiu que a região abrangeria os estados do Acre, Pará e Amazonas, os territórios federais do Amapá, Roraima e Rondônia e, ainda, as áreas de Mato Grosso a norte do paralelo 16º, de Goiás a norte do paralelo 13º e do Maranhão a oeste do meridiano de 44º. Em 1977, a Lei Complementar 31 de 11.10.1977 integrou todo o estado de Mato Grosso à Amazônia Legal.

Em 2001, a Medida Provisória 2146-1 de 4 de maio de 2001, criou as Agências de Desenvolvimento da Amazônia e do Nordeste, extinguindo a Sudam e a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A Sudam foi recriada em 2007, pela Lei Complementar 124, junto com o Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA).

Fonte: IBGE

Conheça o peixe-boi-da-Amazônia, o ‘cantor’ que equilibra o ecossistema da região

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Foto: Rômulo D’Castro/Arquivo Pessoal

Das quatro espécies de peixe-boi existentes no mundo, uma delas vive em água doce e só pode ser encontrada na Amazônia. Trata-se do peixe-boi-da-Amazônia, de nome científico Trichechus inunguis, considerado o menor de todos, medindo até 3 metros e pesando até 450kg.

O mamífero aquático, assim como as outras três espécies, é da ordem dos sirênios. Eles receberam apelidos de ‘peixe-boi’ por conta dos seus cantos, que levou navegadores e pescadores a associá-los às mitológicas sereias. Por ter um metabolismo lento, ele pode ficar mais de 20 minutos em baixo d’água. 

Foto: Divulgação/Inpa

O peixe-boi-da-Amazônia apresenta grande importância ecológica, pois colabora para o equilíbrio do ecossistema em que vive. Como ele se alimenta de plantas aquáticas que ficam na superfície dos rios, impede que elas se proliferem, evitando o efeito chamado de “tapagem”.

Isso acontece quando um crescimento excessivo de matéria orgânica cobre toda a superfície do rio, impedindo a entrada do sol, o que ocasiona a mortandade de algas e animais que vivem no fundo.

Enquanto seus parentes do mar, os peixes-bois marinhos, podem nadar tanto em água doce quanto em água salgada, o peixe-boi-da-Amazônia raramente se aventura em águas salgadas.

Vegetariano ‘gordinho’

O peixe-boi-da-Amazônia é um mamífero herbívoro – ou seja, se alimenta apenas de algas, aguapés e capim aquático. Mas de plantinha em plantinha, o peixe-boi chega a pesar 300kg e a medir 2,5m.

Foto: Reprodução/Ampa

Ele se alimenta principalmente na época chuvosa, quando há mais disponibilidade de plantas. Passa até oito horas por dia comendo e chega a consumir 10% de seu peso em um único dia. Toda essa comida é armazenada em seu corpo em forma de gordura, para suprir suas necessidades energéticas durante a estação seca, quando há menos comida.

Quando as chuvas escasseiam, o peixe-boi-da-Amazônia sai dos pequenos igarapés, onde normalmente vive sozinho, para os grandes rios, onde se junta a grupos de quatro a oito indivíduos.

Reprodução

A capacidade de recuperação da população de peixes-bois é limitada devido ao seu longo ciclo reprodutivo. Cada fêmea de peixe-boi gera apenas um filhote de cada vez, com raros casos de gêmeos. Cada gestação dura 13 longos meses.

Depois que o filhote nasce, a mãe o amamenta por períodos de em média dois anos. A mamãe peixe-boi é muito zelosa: é ela quem ensina o bebê a nadar, a escolher seus alimentos e a subir à superfície para respirar. Mas todo esse cuidado significa que uma fêmea procria apenas a cada quatro anos.

Ameaça de extinção

Contudo, o peixe-boi-da-Amazônia é considerado uma das espécies mais ameaçadas de extinção no Brasil. As principais ameaças desse animal são a poluição e a degradação de seu habitat pela desordenada ocupação humana, além da caça indiscriminada. Por ser manso e curioso, torna-se uma presa fácil para caçadores que utilizam a carne, a gordura e o couro desses animais.

Com a caça dos peixes-bois adultos, muitos filhotes ficam abandonados e não conseguem sobreviver sozinhos, por isso a Associação Amigos dos Peixe-boi (AMPA) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTIC) recebe estes animais com o intuito de reabilitá-los e assim, após etapa do semicativeiro do Programa de Reintrodução do Peixe-boi do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, reintroduzi-los aos rios da Amazônia.

Piolho de cobra

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Conhecido como embuá e gongolo, o piolho de cobra pertence a classe dos diplópodes. Diferente das lacraias que são carnívoras, o piolho de cobra é herbívoro.

Ele não é peçonhento, porém, ao ser intimidado, o seu sistema libera uma secreção que pode deixar a pele manchada.

Na floresta, o piolho de cobra pode ser encontrado em lugares úmidos como, por exemplo, madeiras podres e embaixo de folhas.

Os diplópodes se reproduzem de forma sexuada, seus órgãos sexuais encontram-se em um dos segmentos da parte anterior.

Nos machos, o órgão sexual são uma modificação na pata do sétimo segmento e nas fêmeas, uma abertura no terceiro segmento. As fêmeas armazenam os espermatozoides na cópula e fecundam os ovos no momento em que os deposita.

Pacu, curimatã e matrinxã: conheça 19 peixes que estão sob risco de extinção na Amazônia

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Mais de 80 espécies de peixe estão estão sob risco de extinção na Amazônia. O bioma tem 180 espécies, em geral, que correm o risco de desaparecem do ecossistema, conforme informações do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018, divulgado na sexta-feira (25), pelo Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio).

O estudo contou com a participação de 1.270 pesquisadores. Dentre as espécies de peixe que estão ameaçadas, constam o Pacu, o Curimatã e o Matrinxã, conhecidos entre os consumidores do Norte.

O Curimatã, de nome científico Prochilodus britskii, é conhecido apenas da série-tipo, coletado na bacia do rio Arinos, a montante da primeira corredeira antes da confluência com o rio Juruena, drenagem do rio Tapajós, estado de Mato Grosso. Sua classificação é Em Perigo de extinção.

A principal ameaça atual é a perda de qualidade de habitat devido a mudança no uso do solo para fins agropecuários e urbanos (J.A.S. Zuanon, obs. pess.). Há a previsão de construção de pelo menos uma usina hidrelétrica no rio Arinos, o que poderá comprometer severamente o habitat da espécie.

Já o Pacu, de nome científico Mylesinus paucisquamatus, sofre com a perda e fragmentação do habitat de corredeiras. Dentre as atividades que alteram o habitat de corredeiras, se destacam o represamento dos rios para construção de usinas hidrelétricas e atividades mineradoras. Na bacia do rio Tocantins seis usinas hidrelétricas encontram-se em funcionamento ou já com a Licença de Operação concedida e quatro estão planejadas.

O matrinxã, também conhecido como piabanha, de nome científico Brycon gouldingi, sofre com a pesca esportiva e comercial. A bacia do rio Tocantins, onde vive grande parte da população, está sendo progressivamente modificada por barragens hidrelétricas.

O Portal Amazônia levantou 19 espécies da região que também compõe a lista vermelha, confira:

Espécie: Curimatã (Prochilodus britskii)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrado no Mato Grosso
Foto: Reprodução

Pacu (Mylesinus paucisquamatus)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Pará, Tocantins e Goiás
Foto: Reprodução

Matrinxã (Brycon gouldingi)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Pará, Mato Grosso, Tocantins e Goiás

Pirapema ou camurupim (Megalops atlanticus)

  • Situação: Vulnerável
  • Encontrada no Amapá e Pará 
Foto: Reprodução/FishTV

Aracu (Leporinus pitingai)

  • Situação: Criticamente em perigo
  • Encontrada no Amazonas 

Aracu-boca-pra-cima (Sartor tucuruiense)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Pará e em Tocantins

Gurijuba ou bagre (Sciades parkeri)

  • Situação: Vulnerável
  • Encontrado na costa no Amapá e Pará

Bacuzinho (Rhynchodoras xingui)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Mato Grosso, Pará e Goiás

Bagre (Aguarunichthys tocantinsensis)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrado no Pará, Tocantins, Mato Grosso e Goiás
Foto: Reprodução/Governo de Tocantins

Acari ou cascudo (Baryancistrus longipinnis)

  • Situação: Criticamente em perigo
  • Encontrada no Pará e Tocantins 
Foto: Reprodução/Planet Catfish

Acari (Baryancistrus niveatus)

  • Situação: Criticamente em perigo
  • Encontrada no Pará, Tocantins e Goiás
Foto: Reprodução

Acari-Cachimbo (Harttia depressa)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Amazonas

Alicate ou Cari-de-Unha (Hopliancistrus tricornis)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Pará

Cascudo-zebra-imperial, acari-zebra, zebrinha, cascudo-zebra (Hypancistrus zebra)

  • Situação: Criticamente em perigo
  • Encontrada no Pará
Foto: Reprodução

Acari-Vampiro (Leporacanthicus joselimai)

  • Situação: Vulnerável
  • Encontrada no Pará

Cascudo-Tigre-Ouro (Peckoltia compta)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Pará 

Garoupa-São-Tomé (Epinephelus morio)

  • Situação: Vulnerável
  • Encontrada na costa do Amapá até Santa Catarina 
Foto: Reprodução/Blog do Pescador

Joana (Crenicichla cyclostoma)

  • Situação: Criticamente em perigo
  • Encontrada no Pará e Tocantins

Joaninha-da-Pedra ou Jacundá (Teleocichla cinderella)

  • Situação: Em perigo
  • Encontrada no Pará e Tocantins
Foto: Reprodução

Veja a lista completa de peixes do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção

Igarapés do Pará

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E o mês de férias escolares coincide com o início do período mais quente na Amazônia, o que chamamos de ‘verão amazônico’. A temperatura elevada é convidativa para um bom mergulho, que, além de refrescar o corpo, dá para se divertir e conhecer mais das belezas naturais da região.

A equipe do Portal Amazônia desembarca na região Metropolitana de Belém e apresenta algumas opções de igarapés (é uma palavra indígena, de origem tupi, que significa “caminho de canoa”) e piscinas naturais, que além de águas limpas, são atrativos à parte para os dias mais ensolarados. Confira:

Complexo Ecológico Parque dos Igarapés

O espaço possui piscina natural de água corrente, além de trilhas ecológicas, e prática de esportes radicais, como arvorismo, rapel, escalada, tirolesa, paintball e outras. 

Endereço: Tv. WE12, 1000 – Coqueiro

Horário: todos os dias, de 9h às 18h

Preços

Segunda: R$ 20
Terça, quarta e quinta: Fechado para manutenção
Sexta: R$ 20
Sábado: R$ 25
Domingo e feriado: R$ 35

Fones para contato

(91) 3347-3659 ou (91) 98394-8597 (Recepção do clube)
(91) 99313-4664 (WhatsApp)
(91) 98394-8597 (WhatsApp – Eventos)

Facebook: parquedosigarapes (Eventos)
Instagram: @parquedosigarapes (Eventos)
(91) 99314-0101 (Chalés ReservAmazon)

Açude Paraíso dos Reis

Um balneário com uma extensa piscina natural. Fica localizado na Ilha de Caratateua, popularmente, conhecida como Outeiro. Vendem comidas, mas não bebidas alcóolicas.

Endereço: Rua da Felicidade com Tv. Sigma – Outeiro

Comidas a partir de R$ 40

Preços: segunda a sexta, R$ 10 por pessoa. Sábados e domingos, R$ 15.

Balneário Curcuperé

Também regado à águas naturais, é um local para lazer e onde é servida alimentação.

Endereço: R. do Amor, 10 (passando a escola Bosque) – Outeiro

Preços: A partir de R$ 15 por pessoa

Horários: todos os dias, de 9h às 17h

Informações: (91) 98727-1497