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Dentes molares de mastodontes são doados para a Ufam em visita ao interior do Amazonas

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Foto: Reprodução/Ufam

O setor da Paleontologia, ligado ao Departamento de Geociências do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal do Amazonas (ICE/Ufam), recebeu doação de material fossilífero encontrado às margens do Rio Juruá, na cidade de Eirunepé, a sudoeste do estado. A entrega ocorreu entre os dias 26 e 29 de outubro, durante a visita da geóloga, paleontóloga e professora da Ufam, Rosemery Rocha da Silveira, a cidade.

Segundo a docente, a ação resultou na doação de dois dentes molares de distintos mastodontes (ancestrais de elefantes) que parecem ter sido muito comuns naquela região, a julgar pelo número de achados, considerando os anteriores a essa fase, tendo registro desde formas juvenis até indivíduos adultos.

Tratativas

A professora Rosemery Rocha destacou que assim que soube do interesse dos comunitários em realizar a doação intensificou os diálogos com os doadores.

“Em geral, quando se acha um fóssil, costuma-se ser tomado por um grande entusiasmo, o que por vezes pode levar a perda total do material, ou seja, por curiosidade e tomado pelo anseio de encontrar uma grande novidade, tenta-se mobilizar o máximo dos objetos. Isso acaba retirando as informações dos detalhes das fases que aquele fóssil foi submetido até ser soterrado e transformado em rocha, que poderia ajudar a entender o paleoambientes que vivia, a idade relativa do fóssil, e mesmo se ele morreu ali ou foi transportado”, diz a professora.

Foto: Reprodução/Ufam

Rosemery Rocha explica também a necessidade de intensificar as ações paleontológicas na região, tanto do ponto de vista científico quanto no que se refere ao trabalho de conscientização sobre a proteção do patrimônio paleontológico, e lembra ainda, que a comercialização de fósseis é crime.

O Departamento de Geociências, no âmbito do Laboratório de Paleontologia e Museu de Geociências solicitam àqueles que encontrarem material fóssil, comunicar-nos por e-mail rrsilveira@ufam.edu.br e/ou WhatsApp (92)98155-0560, ou diretamente no Departamento de Geociências, Bloco 7, ICE.

Como ocorreu?

A enorme vazante deste ano promoveu ampliação de áreas contendo rochas passíveis de visualização direta. Apesar de ser um período de inúmeras dificuldades para as pessoas e demais organismos, representa uma condição que favorece o achado de novos fósseis de organismos antigos, o que pode ajudar a revelar parte da história da região onde foi encontrado.

A professora explicou o fenômeno destacando que embora não seja comum encontrar fósseis, alguns locais são mais comuns que outros para que condições propícias aconteçam, principalmente se você mora em uma bacia sedimentar e próximo a cursos de rios.

“É necessário entender que fósseis são considerados restos (por exemplo: ossos, dentes, troncos, folhas) ou vestígios (pegadas, marcas de repouso, perfurações, predações) de organismos, e que não podem ser confundidos como vestígios humanos (relacionados à arqueologia). Por anos a região de Eirunepé (AM) já atravessou estiagens significativas, uma delas em 1998, que resultou na doação para o Laboratório de Paleontologia do (DEGEO/ICE/Ufam), de diversas vértebras, dentes de diversas categorias de vertebrados, inclusive de grandes mastodontes, taxodontes, fragmentos de mandíbulas (jacarés gigantes, mastodontes, taxodontes), fragmentos de plastrão de tartarugas, ossos de patas de preguiças-gigantes”, finalizou.

*Com informações da Ufam

Felicidade dos filhos, além do bem-estar

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Recebi significativos comentários sobre o artigo anterior em que defendia que os pais de hoje parecem ter maior preocupação com o bem-estar do que os pais da minha geração, mas que bem-estar não significa felicidade. Argumentei que para serem felizes de uma forma mais consistente, nossas crianças precisam ser estimuladas a desenvolver um modelo mental de gratidão e de altruísmo. Em todos os estudos da psicologia positiva sobre felicidade, os dois componentes aparecem com destaque.

A maior parte dos comentários era de pais que hoje vivem um estilo de vida sacrificante, mas que entendem que estão oferecendo o melhor para os seus filhos. Ao ouvi-los, eu me sinto estimulado a reforçar ainda alguns outros pontos essenciais para os pais que querem oferecer mais do que bem-estar.

Antes disso, porém, registro que reconheço, nos pais das novas gerações, um nível de consciência elevado sobre a sua responsabilidade na educação dos filhos. Há mais informações disponíveis e o interesse não ocorre apenas por parte das mães, como era comum no passado. Para começar, trocar fraldas do bebê atualmente é dever de mãe e de pai. Depois vêm o acompanhamento das notas, as festinhas da escola, a ida ao médico, a ajuda de lições de casa ou os horários de brincar. O senso comum hoje nos diz que pai e mãe devem estar juntos nesta jornada. Parece óbvio, mas não foi assim em outros tempos. É preciso comemorar estas conquistas, que não são pequenas. No entanto, como é natural em uma fase de mudanças, tende-se a adotar um extremo contrário. Neste caso, pais sacrificados, valorizando mais a condição de amigos do que de pais. Costumo brincar com as minhas filhas, mesmo já adultas, dizendo que sou amigo, mas que pai não é coleguinha. Não que elas precisem ser lembradas disso, ao contrário.

É na infância o momento mais favorável para o desenvolvimento de atitudes gratas e altruístas. Um adulto com um modelo mental egoísta, ingrato e pessimista terá muito mais dificuldades de se transformar e assim se aproximar de uma vida mais feliz, independentemente de fatores externos.

Uma pessoa que cresce acostumada a ter tudo, sem esforço, não desenvolverá resiliência e poderá tornar-se alguém que desiste facilmente de seus objetivos. Lidar com obstáculos e aprender que as coisas precisam ser conquistadas ajuda a desenvolver resiliência, ao mesmo tempo que conduz à luta pela superação de metas. Resiliência e conquista de metas são elementos importantes para a construção da felicidade.

Aprender a desfrutar da alegria e da leveza servirá como um grande antídoto contra o hábito do mau humor, do ver tudo com um excessivo peso e da dificuldade de viver o presente, sem apego ao passado ou a preocupações desnecessárias com o futuro. Ajudará também a vivenciar melhor a beleza e a arte, nas suas diversas formas.

A existência de um sentido para a vida contribui para a saúde mental e é a melhor prevenção contra diversos tipos de doenças, dentre elas, a depressão e o vazio existencial. Ter um sentido é buscar a consciência de uma missão, desenvolver um propósito e trabalhar um legado. Isto costuma vir mais tarde, numa fase mais adulta. Para começar, podemos estimular as crianças a ter sonhos e a fazer movimentos neste sentido. Podemos ajudá-las a sonhar sonhos construtivos, benéficos para mais pessoas.

A consciência de que somos responsáveis pelas nossas escolhas e pela construção de nosso próprio destino estimula a autorresponsabilidade. Há muita força quando este pensamento se soma à crença na existência de uma Força Superior que promove a Felicidade, quando seguimos as Suas Grandes Leis.

Que todos possam oferecer bem-estar aos seus filhos, mas que não deixem de cuidar da Felicidade!

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Esses rios ainda são nossas ruas? Estudo avalia condições dos terminais hidroviários paraenses

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Foto: Alessandra Serrão/Comus

Águas barrentas, com tons cinza, além de refrescarem, carregam histórias, banham culturas e deságuam no oceano. Rasgando cidades e vilarejos, os rios, sempre associados à  biodiversidade, na Amazônia são também vias de acesso. O vaivém das águas carrega consigo animais, pessoas e produtos por uma via de transporte que é considerada sustentável e de baixo custo: as hidrovias.

Sabendo do potencial que a Região Norte apresenta nesse modal de transporte (meio pelo qual pessoas ou mercadorias são movidas de um lugar para o outro), o engenheiro de produção Guiler Oliveira Garcia Júnior desenvolveu a dissertação ‘Preposição de um instrumento para avaliação dos terminais hidroviários de passageiros: estudo de caso no estado do Pará‘.

O estudo teve como objetivo avaliar os terminais hidroviários paraenses, aplicando questionários que mediam o grau de satisfação em relação aos serviços ofertados. “Investigar os problemas e buscar soluções pode contribuir, significativamente, para melhorar a infraestrutura e os serviços de transporte fluvial, promovendo, assim, o desenvolvimento da região e melhorando a qualidade de vida da população dependente desse meio de transporte”, enfatiza Guiler Garcia, que, em seu estudo, analisou três terminais, sendo dois em Belém – Terminal Hidroviário do Porto de Belém Luiz Rebelo Neto e Terminal Hidroviário Ruy Barata –, e um em Salvaterra – Terminal Hidroviário de Camará.

Hidrovias desempenham importante papel na Amazônia

Por apresentar uma vasta rede hidrográfica, a Amazônia é considerada uma das regiões com potencial elevado para o desenvolvimento do transporte hidroviário, visto que este apresenta uma série de vantagens, como transporte de cargas e pessoas, integração regional, acesso a áreas remotas, redução de custos e preservação ambiental.

O pesquisador analisou os terminais da Ilha do Marajó, local de grande fluxo na região, para compreender o funcionamento do sistema de transporte hidroviário no Pará. Em seguida, realizou visitas técnicas nos terminais selecionados para a dissertação, levantando dados e avaliando a infraestrutura e a qualidade dos serviços prestados, por meio de entrevistas e aplicação de dois questionários. O primeiro foi elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e direcionado aos gestores dos terminais. O segundo foi elaborado pelo autor e respondido pelos usuários desses espaços.

Dessa maneira, o questionário Antaq permitiu conhecer a estrutura dos terminais, a logística operacional do setor portuário e os fatores que influenciaram a qualidade dos serviços ofertados. “O terminal de Belém, segundo os estudos da Antaq de 2013 e 2018, foi o melhor avaliado entre os terminais pesquisados na Amazônia. Nesta pesquisa, ele também foi o melhor avaliado, até porque é o terminal que realiza viagens intermunicipais e interestaduais, também é de onde saem as linhas com as maiores concentrações de passageiros”, explica o engenheiro.

Terminais não atendem a requisitos dos usuários

Os terminais de Belém, Combu e Camará obtiveram avaliações distintas dos usuários, mas enfrentam problemas semelhantes. “Os usuários consideraram bom o serviço ofertado pelo terminal hidroviário de Belém’. Já o terminal do Combu, reformado recentemente, foi classificado como ‘regular’, isto é, ele não está preparado para atender à população. O de Camará foi considerado ‘ruim’ pelos usuários. Existem elementos para o funcionamento normal do terminal, porém a estrutura não apresenta um padrão de qualidade satisfatório”, afirma o pesquisador.

Itens como segurança, estacionamento, organização no embarque e desembarque, entre outros, foram mencionados pelos passageiros. “O último item dos questionários pede uma sugestão: ‘o que pode ser melhorado? Qual sua sugestão?’ Os três terminais obtiveram resultado semelhante, como falta de segurança e policiamento, falta de capacitação dos prestadores de serviço e falta de informação, principalmente para os turistas”, enfatiza Guiler Garcia.

Ampliação de estacionamentos, disponibilização de funcionários para o auxílio no embarque e desembarque e criação de um site com informações atualizadas para os passageiros são algumas das ações apontadas, na dissertação, como forma de melhorar os serviços prestados. Guiler Garcia afirma, ainda, que a classificação dos transportes hidroviários na região amazônica vai mudar de acordo com o aspecto que está sendo avaliado. Para o pesquisador, o investimento em infraestrutura é essencial para garantir maior eficiência dos terminais.

“A condição dos portos na Região Norte do Brasil varia consideravelmente. No Pará, o governo do estado vem investindo na infraestrutura hidroviária, fazendo a readequação e construção de novos terminais. Embora já exista uma preocupação com o cumprimento de parâmetros de segurança e qualidade, ainda falta fiscalização e transparência dos órgãos reguladores”, finaliza o engenheiro.

Transporte hidroviário

Vantagens

Baixo nível de perdas e danos
Maior vida útil da infraestrutura portuária
Tráfego 24 horas/dia
Menor congestionamento de tráfego

Desvantagens

Baixa velocidade de operação
Rotas limitadas
Mais burocracia para documentação de mercadorias
Investimento inicial em veículos elevados

Fonte: Garcia Júnior, 2023.

Sobre a pesquisa

A dissertação Preposição de um instrumento para avaliação dos terminais hidroviários de passageiros: estudo de caso no estado do Pará foi defendida por Guiler Oliveira Garcia Júnior, em 2023, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Naval (PPGNAV/Itec), da UFPA, com orientação do professor Mounsif Said.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 172, da UFPA, escrito por André Furtado

Amazônia Central perdeu 8% de cobertura de água nos últimos dois meses de 2023 em relação à média mensal

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Redução na cobertura da água traz dificuldade de acesso a alimentos e água potável na Amazônia. Na foto, Lago Tefé na seca de 2023. Foto: Ayan Fleischmann/Acervo Pesquisadores

A região central da Amazônia enfrentou uma redução histórica na área de águas abertas entre 2023 e 2024. Segundo um estudo publicado nesta quarta (13) na revista “Environmental Research Letters”, a cobertura hídrica da região diminuiu 8% nos últimos dois meses de 2023 em relação à média mensal.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em parceria com a instituições como a Universidade de Brasília (UnB), o Institut de Recherche pour le Développement (IRD), da França e a Universidade Tecnológica do Uruguai, alerta para um cenário crítico para 2024 e reforça a necessidade de medidas urgentes de mitigação.

O artigo alerta para uma estiagem ainda mais extrema em 2024. Os dados de outubro de 2024 já mostram uma diminuição de cerca de 18% na área de lagos maiores que 10 hectares em relação ao mesmo período do ano anterior. Setembro de 2023 registrou 57.624 km² de águas abertas na Amazônia Central, enquanto o mesmo mês de 2024 contabilizou apenas 51.775 km², uma diferença de quase 6 mil km².

Para investigar os efeitos da seca do último ano sobre a extensão das águas abertas na Amazônia, incluindo reservatórios, rios e áreas alagadas, a equipe utilizou dados de sensoriamento remoto captados por Radares de Abertura Sintética, ou SAR.

Esses sensores coletam informações sob diferentes condições climáticas e mesmo na presença de nuvens, fornecendo retratos detalhados da região a cada 12 dias. Os pesquisadores analisaram mais de 1.500 imagens que abrangem o período entre 2017 a 2024 e observaram como as mudanças na cobertura de água se distribuíram e afetaram a área.

Algumas áreas experimentaram quedas ainda mais extremas, como o Rio Negro, que alcançou seu nível mais baixo em 120 anos. “A estiagem provém de uma combinação de fatores”, explica Daniel Maciel, autor do estudo.

Novembro e dezembro de 2023 registraram os menores valores da cobertura de água desde o início da coleta de informações, em 2017, e lagos isolados tiveram reduções de até 80% em comparação com a média geral da estação seca.

A redução da água disponível afeta gravemente a biodiversidade e a subsistência de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. “A estiagem severa resulta em uma diminuição no acesso a alimentos, educação, remédios, transporte e água potável”, destaca Maciel.

“Podemos ter uma mortalidade maior de peixes, a principal fonte de proteína animal nas comunidades mais remotas, e a seca também afeta a agricultura familiar, com a dificuldade de cultivar até a mandioca, cuja farinha é a base da alimentação de muitas pessoas”, continua o autor. Ele também explica que a diminuição do nível de água aumenta a ressuspensão de sedimentos pela ação do vento, o que pode ocasionar a floração de algas tóxicas.

O pesquisador Ayan Fleischmann, do Instituto Mamirauá, destaca que a seca extrema afeta grande parte da Bacia Amazônica em novembro de 2024, isolando milhares de ribeirinhos e exigindo ajuda humanitária emergencial.

Segundo Maciel, os resultados demonstram a urgência de medidas assertivas para redução de danos. “A redução do desmatamento, com controle, monitoramento e punição do desmatamento ilegal, o combate a incêndios florestais e o monitoramento em tempo real dessas ocorrências, o uso racional da água e a implementação de estratégias de longo prazo para combater as mudanças climáticas são algumas das ações importantes”, relata o autor. Os planos futuros da equipe incluem entender como a mudança na área alagada afeta a qualidade da água e como isso pode impactar a biodiversidade ao longo dos anos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Ponto de não retorno: a Amazônia não tem tempo a perder

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

Ainda nos anos 1990, estudiosos da Amazônia discutiam a possibilidade de que o desmatamento excessivo conduzisse o bioma a um ponto de não retorno, o que poderia comprometer a continuidade da floresta tropical tal como a conhecemos. Mas aquilo que já foi um debate largamente teórico tornou-se hoje uma questão urgente e desafiadora, num contexto em que os efeitos do desmatamento são turbinados pelas rápidas e intensas mudanças climáticas globais.

O pilar central do conceito de ponto de não retorno estipula que se os níveis de desmatamento e degradação da Amazônia atingirem certos patamares, a floresta perderá a capacidade de se sustentar, independentemente de quaisquer iniciativas posteriores no sentido de mitigar a perda de cobertura vegetal. Essa autodegradação poderia transformar vastas áreas da floresta tropical em áreas pobres em biodiversidade, o que traria implicações devastadoras não apenas para a região, mas também para o clima global. 

Para esboçar um quadro do aspecto que teria essa Amazônia sem a floresta, algumas pessoas recorrem ao termo savana. Mas não é uma descrição lá muito precisa: uma Amazônia sem floresta se mostraria muito mais pobre, tanto em termos de fauna quanto de flora, do que uma savana.

Uma das principais descobertas que fundamentam a preocupação com a possibilidade de que ponto de não retorno esteja se aproximando é a relação entre o desmatamento e a extensão da estação seca no sul da Amazônia. 

Nesta região concentra-se boa parte do chamado Arco do Desmatamento. Este nome foi proposto pelo movimento ambientalista, e se tornou internacionalmente reconhecido, para identificar um vasto segmento do bioma amazônico onde a devastação avança em ritmo mais acelerado há décadas

Estudos pioneiros indicaram que o desmatamento contínuo pode prolongar a duração da estação seca para além dos quatro meses habituais. Essa jornada estendida poderia inviabilizar a possibilidade de que a floresta tropical sobreviva às duras condições do período seco.

E, segundo o cientista Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas brasileiros, que se dedica a estudar a resiliência amazônica há 30 anos, esse quadro já está acontecendo. 

Arte: Equipe de Arte ACI – Fonte: Mapbiomas

Os dados científicos recentes, gerados a partir de pesquisas conduzidas em diversas áreas do bioma, delimitam um cenário ainda mais perigoso, porque a combinação de desmatamento e aquecimento global exacerba os problemas.

O desmatamento afetou cerca de 18% da área da floresta. Quando se somas também as áreas degradadas já afetou um pouco mais de 20% da área do bioma. Os estudos multidisciplinares mostram que, se o desmatamento alcançar 25% da área, e o aquecimento global ultrapassar a média global em 2°C, grande parte da floresta entrará no ciclo de autodestruição. Se estas condições se verificarem, as previsões apontam para o ponto de não retorno sendo alcançado até 2050, ou seja, em menos de 30 anos.

E as pesquisas sugerem que os efeitos extremamente danosos não se limitarão apenas à Amazônia, espalhando-se por toda a América do Sul, como um efeito dominó. Em especial, por meio da interrupção do fenômeno conhecido como “rios voadores”, os fluxos de vapor d’água que circulam da Amazônia para outras regiões do continente. A floresta, nas regiões onde ainda está preservada em sua exuberância, funciona como uma bomba d’água ativa, que exala umidade para a atmosfera. Esses grandes canais aéreos de vapor são responsáveis por levar umidade para o Cerrado e a Mata Atlântica. O impacto chega ao sudeste do Brasil e partes da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.

Arte: Equipe de Arte ACI – Fonte: Mapbiomas

Sem essa umidade, os demais biomas do continente se tornarão mais secos, enfrentando estações sem períodos de chuvas prolongadas e temperaturas mais altas. Essas alterações colocariam sob ameaça não apenas a biodiversidade do país como também sua agricultura. Todo o agronegócio brasileiro, concentrado no Cerrado, estaria, portanto, sob risco.

Perda de biodiversidade já é alarmante

Quando a análise passa do ponto de vista macro para processos mais regionais, é como se a tese do ponto de não retorno ganhasse ainda mais nitidez.

Em Rondônia, onde o grupo realiza as suas pesquisas, região onde o desmatamento e a degradação da maior floresta tropical do planeta é alto, a situação é classificada como “alarmante” pelo cientista da Unesp, por causa da perda de condições climáticas adequadas para a manutenção da biodiversidade aquática.

Brejão cita um estudo da International Union for Conservation of Nature, uma das mais reputadas ONGs ambientalistas, divulgado em 2023, que mostrou que um quarto das espécies de peixes de água doce do mundo estão ameaçados de extinção, principalmente devido às mudanças climáticas, à pesca excessiva e à poluição. 

No caso particular de Rondônia, os pesquisadores da Unesp estimam que as mudanças nos ecossistemas aquáticos vão afetar tanto espécies que são muito sensíveis ao desmatamento quanto aquelas que suportam esse tipo de impacto, sendo até beneficiadas por ele.

“Nos dois últimos anos, em que testemunhamos secas severas na Amazônia, já registramos impactos profundos sobre a biodiversidade aquática. Além disso, a própria malha de estradas acaba fragmentando a hidrografia e dificultando o deslocamento das espécies de peixes entre as diferentes manchas florestais”, analisa Brejão. O que mostra que, para além da questão climática, a ação direta do homem sobre o bioma também tem deixado marcas bastante negativas.

Como evitar o ponto de não retorno

Embora as previsões e cenários problemáticos sejam abundantes, a boa notícia é que há também alguns estudos científicos que sugerem que é possível impedir que o bioma afunde no buraco negro do ponto de não retorno. E essa perspectiva otimista é reforçada por iniciativas e projetos socioambientais já em andamento, que procuram manter a floresta em pé e gerar renda para os moradores da região.

Uma das possibilidades mais promissoras para reverter esse cenário, diz o climatologista Carlos Nobre,  é o plano conhecido como  “Arco da Restauração”, nome que indica o desejo de reverter o estrago feito no Arco do Desmatamento.

O plano foi  anunciado durante a COP28, no ano passado em Dubai, será liderado pelo Brasil e  visa restaurar, empregando recursos do BNDES, 240 mil km² de floresta até 2050, começando com 60 mil km² até 2030. O financiamento incluirá também recursos do Fundo Amazônia e do Fundo Clima, com R$ 550 milhões voltados para pecuaristas e pequenos agricultores. 

Os objetivos de longo prazo serão reverter os danos causados pelo desmatamento, reduzir a duração da estação seca e estimular uma nova economia sustentável baseada na floresta. Tais objetivos são realizáveis, ele diz, desde que a iniciativa ganhe a escala necessária.

Em paralelo, e essa é a grande menina dos olhos de alguns cientistas que buscam soluções para a Amazônia, inclusive de Carlos Nobre, quem começa a ganhar tração é o programa Amazônia 4.0. A meta é capacitar comunidades locais para produzir e comercializar produtos da biodiversidade, como cacau, cupuaçu e castanha.

Além disso, está em desenvolvimento um Instituto de Tecnologia da Amazônia, nos moldes do ITA, para impulsionar a pesquisa e inovação sustentável na região, com apoio de Brasil, Colômbia e Peru. O instituto será focado em áreas como biodiversidade, sistemas fluviais e restauração de áreas degradadas. O lançamento está previsto para a COP 30, no final de 2025, junto com cinco polos de inovação destinados a criar startups voltadas para essa nova socioeconomia da floresta em pé.

O manejo do pirarucu no médio Juruá e a plantação de café orgânico no Sul do Amazonas também são exemplos de como comunidades, cientistas e profissionais de várias áreas podem trabalhar de forma integrada em busca da preservação e geração de riqueza. No caso do município de Apuí, a pressão da expansão da agropecuária, com o desmatamento ligado ao gado e ao cultivo de soja, é uma realidade.

 No entanto, produtores locais estão tendo a chance de trabalhar com uma alternativa sustentável para a região, a partir de um projeto de produção de café orgânico. Com um aporte de R$ 11 milhões, o projeto-piloto, que envolvia cerca de 50 famílias, agora inclui 250 produtores.

Arte: Equipe de Arte ACI – Fonte: Mapbiomas

A iniciativa, liderada pela ONG Idesam, busca integrar a produção de café à preservação ambiental, cultivando o grão próximo à floresta, o que melhora a ciclagem de nutrientes no solo e reduz a necessidade de adubos. A expectativa é aumentar a produção em 5.000%, de 231 para 12 mil sacas de café, e expandir a área cultivada para mais de 600 hectares em dez anos. 

O café orgânico de Apuí já está sendo comercializado, com potencial de conquistar mercados internacionais. Além dos benefícios econômicos, o projeto visa a recuperação de áreas degradadas e a mitigação das emissões de carbono por meio do reflorestamento e da conservação ambiental.

O mesmo raciocínio é empregado no manejo do pirarucu, no interior do Amazonas. Uma das vitórias dos últimos anos da Associação de Produtores Rurais de Carauari (Asproc) é a abertura de um frigorífico na região de Manaus. A ideia dos associados, que estruturam a cadeia de produção há mais de uma década, sempre foi driblar os atravessadores. Por isso, todo o peixe pescado hoje é processado por parceiros, mas as receitas das vendas vão diretamente para os membros da associação, que fazem a divisão dos valores de acordo com as regras de cada comunidade.

Se a possibilidade de aumento de renda tem feito com que milhares de pessoas – mais de 2 mil segundo números oficiais da associação – aderissem ao manejo, isso não significa que o estoque pesqueiro do médio Juruá esteja em queda, muito pelo contrário. O número de famílias envolvidas com a pesca tem aumentado a uma taxa de 50% por ano. Isso porque o manejo, com regras definidas com base na ciência, controla o estoque de peixe de cada lago, ano a ano. Nos anos 1990, o pirarucu quase sumiu das águas amazônicas.

Da forma como é feita hoje, explica o cientista, com foco na proteção dos ecossistemas terrestres, apenas 22% da biodiversidade aquática está sendo efetivamente protegida. “Além disso é urgente que se contenha a degradação das florestas remanescentes no bioma e seja feito um planejamento para priorizar a restauração e recuperação das florestas ripárias (ou matas ciliares), reconectando a floresta e facilitando o deslocamento de fauna terrestre. Para os peixes, essa recuperação florestal e reconexão dos fragmentos pode conter o processo de perda de diversidade a que estamos assistindo em tempo real”, diz o professor do IB de Rio Claro.

O climatologista Carlos Nobre, outro que deixou de se restringir a elaborar diagnósticos para os grandes problemas da Amazônia e partiu para o encaminhamento de soluções, também não jogou a toalha.

Séries Jornal da Unesp

Este artigo faz parte da série Biomas do Jornal Unesp. Nesta série, o Jornal da Unesp mapeia os desafios ambientais presentes nos diferentes biomas do Brasil.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Unesp, escrito por Eduardo Geraque

COP 29: Amazonas defende agilidade para financiamento da agenda de mitigação e adaptação às mudanças climáticas

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Discurso de Secretário de Estado do Meio Ambiente do Amazonas. Foto: Magna Helena/Abema

Presente na COP 29, que acontece na cidade de Baku, em Azerbaijão, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) liderou, no dia 12, um painel sobre ‘Arquiteturas de Financiamento da Agenda do Clima a partir do Pagamento por Serviços Ambientais na Amazônia’.

O secretário da Sema, Eduardo Taveira, destacou a importância de acelerar o financiamento de agendas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O painel foi dividido em duas mesas. Na primeira, participaram secretários de Estado do meio ambiente da região Norte amazônica, entre eles o secretário Executivo do Mato Grosso, Alex Marega; o Secretário de Tocantins, Marcello Lelis; o secretário de meio ambiente do Acre, Leonardo Carvalho; além dos secretários do Pará, Raul Romão, e o secretário da Sema Amazonas, Eduardo Taveira, como mediador.

O objetivo do encontro foi abordar experiências e novas possibilidades de financiamento climático, focado no Pagamento por Serviços Ambientais. A agenda de geração de créditos de carbono foi destaque do painel, tendo em vista o potencial de captação de recursos de maneira ágil, a partir da conservação da floresta, com benefício tanto para fundos climáticos como para as comunidades onde os créditos são criados.

“No Amazonas, essa repartição de benefícios é definida por Decreto: no máximo 15% vai para cobrir custos operacionais das instituições implementadoras e, do restante, metade de todo o recurso da venda dos créditos vai obrigatoriamente para a Unidade de Conservação que tiver projeto de carbono implementado. Ou seja, é garantia de que esses recursos voltam para as populações tradicionais, promovendo justiça climática e bem-estar social para os povos da floresta, com a prioridade e a urgência necessária”, completou.

A segunda mesa reuniu instituições financiadoras e órgãos de controle, com o objetivo de discutir a transparência e requisitos necessários para construir sistemas ágeis de inovadores de financiamento da agenda climática.

O encontro foi mediada pela CEO da FleishmanHillard Brasil, Ana Domingues, e contou com a participação do Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE/AM), Júlio Pinheiro; a Conselheira para Financiamento Climático do Banco Mundial, Svetlana Klimenko; o diretor GCF Task Force no Brasil, Carlos Aragon e o secretário Taveira.

*Com informações da Sema AM

Painel sobre ‘Soberania da Amazônia’ encerra temporada 2024 do projeto ‘Amazônia Que Eu Quero’

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A temporada 2024 do programa ‘Amazônia Que eu Quero’ chegou, oficialmente, ao fim das atividades com o tema ‘Soberania da Amazônia’. O evento que foi exclusivo para convidados ganhou transmissão no canal temático Amazon Sat e teve como objetivo criar um debate saudável sobre o futuro da região amazônica.

Entre os participantes que debateram sobre a soberania amazônica estavam o procurador-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), André Petzhold Dias; o Comandante Militar da Amazônia (CMA), Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves; o General de Brigada e Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia, Reinaldo Sótão Calderaro, e o Secretário-Geral de Inteligência do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Sérgio Fontes.

Durante o painel, os participantes destacaram a importância da soberania da Amazônia. O procurador-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), André Petzhold Dias, afirmou que para alcançar a soberania o foco precisa ser no ser humano. “Tudo tem que ser voltado para que essa pessoa tenha seus direitos atendidos, dessa forma, ela ocupará o território e a soberania será exercida”, contou.

Outro ponto importante destacado no painel foi sobre a união dos amazônidas. “Problemas sempre existirão, eles vão se sucedendo. Solucionamos alguns, mas logo aparecem outros. Porém, se todos estiverem juntos com um propósito firme o problema será solucionado”, disse o Secretário-Geral de Inteligência do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Sérgio Fontes.

Ele explicou que para a Amazônia alcançar a soberania é necessário focar em quatro pontos: reforço da inteligência do país, integração de todos os órgãos, compartilhamento de experiência com os países vizinhos e investimento na ciência.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A importância do debate

Este ano, o projeto trabalhou com o tema ‘Amazônia Continental’. Segundo a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica (FRAM), Mariane Cavalcante, todas as capitais da região amazônica receberam debates que refletiam a importância de encontrar soluções para manter a Amazônia em pé.

“Este último painel foi uma grande celebração, afinal, o projeto está conosco há cinco anos. Durante o evento, falamos muito sobre soluções, mas também ressaltamos a importância de ter líderes que se transformem em protagonistas para pensar de dentro para fora”, disse.

De acordo com a coordenadora do projeto ‘Amazônia Que Eu Quero’, Debora Holanda, o painel final cumpriu o seu papel de promover um debate essencial sobre a defesa da Amazônia.

O CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior, afirmou que o projeto “tem todas as condições de continuar crescendo, pois trata de assuntos relevantes para a sociedade. A cada nova edição, mais pessoas nos procuram querendo conhecer mais do projeto. Vejo com um processo natural, quanto mais aprofundado for o tema debatido, mais relevante vai se tornar o evento”.

Foto: Reprodução/Fundação Rede Amazônica

Sobre o Amazônia Que Eu Quero

Concebido em 2019, o Programa ‘Amazônia Que eu Quero’ é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e Grupo Rede Amazônica que tem por objetivo promover a educação política por meio da interação entre os principais agentes e setores da sociedade, além do levantamento de informações junto aos gestores públicos e da participação ativa da população, por meio de câmaras temáticas estabelecidas pelo programa, como foi o caso da edição de 2023 que discutiu três eixos centrais Educação, Turismo e Conectividade no contexto Amazônico.

Sobre a Fundação Rede Amazônica

A Fundação Rede Amazônica, é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica, atua há 38 anos com os objetivos de capacitar pessoas, articular parcerias, desenvolver projetos e programas que contribuem para a proteção e desenvolvimento da Amazônia.

Parque convida público a escolher nome do novo morador do Mangal das Garças, no Pará

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Foto: Divulgação

Com uma postura altiva e um grande bico de cor vibrante, o mais novo morador do Mangal das Garças chegou para abrilhantar ainda mais o plantel de aves do Parque. Trata-se de um exemplar de Tucano-toco (Ramphastos toco), também conhecido por tucanuçu, considerado o maior dos tucanos. O animal passa por um período de quarentena e adaptação e logo será inserido nos projetos de educação ambiental do complexo zoobotânico. O nome do novo integrante será escolhido pelo público por meio de enquete nas redes sociais do Mangal.

A ave pertence a família ranfastídeos, que inclui tucanos e araçaris, os quais vivem em todo o Brasil central e partes da Amazônia. O Tucano-toco geralmente chega aos 56 centímetros e pesa 540 gramas. Com expectativa de vida de até 20 anos, esses animais têm como principal característica o longo bico amarelo-alaranjado, que pode alcançar até 22 centímetros.

O novo morador chegou ao Parque Zoobotânico Mangal das Garças por meio do Ideflor-bio, após entrega voluntária da família que o criava na Ilha do Marajó, ao órgão ambiental. O médico veterinário Camilo Gonzáles explica que ave é considerada jovem e passa por um período de quarentena e realização de exames.

O Mangal conserva outros quatro espécimes de tucanos e um aracari, com os quais o Tucano-toco será colocado em convivência para fins de readaptação e integração ao Parque. A ave também fará parte dos projetos de educação ambiental, nos quais o público poderá ver de perto e aprender mais sobre o modo de vida dos tucanos, além de saber curiosidades e garantir um registro com o animalzinho.

Foto: Divulgação

Curiosidades

Os tucanos-toco são muito inteligentes. No ritual de acasalamento, por exemplo, machos e fêmeas jogam caroços de frutas uns nos outros. Outra curiosidade é o grande bico, que apesar de parecer enorme e pesado, é constituído de tecido ósseo esponjoso que forma uma estrutura não maciça e areada, parecida com um favo-de-mel. Isso torna o bico mais leve e ajuda a não dificultar o voo. Geralmente se alimentam de frutos e também de ovos e pequenos vertebrados.

Ajude a escolher o nome do novo morador do Mangal

O Mangal quer a ajuda do público para a escolha do nome do novo morador. Será lançada uma caixinha de perguntas no perfil do Instagram do Parque para que os visitantes deixem sugestões de nomes para o bichinho. Para participar basta seguir o perfil @mangaldasgarcas e deixar a sugestão.

O Parque Zoobotânico Mangal das Garças é administrado pela Organização Social Pará 2000, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e funciona de terça a domingo das 8h às 18h com entrada gratuita.

*Com informações da Agência Pará

Cartilha reúne pesquisa botânica de 30 espécies arbóreas da trilha principal da Funbosque

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Foto: Divulgação/Funbosque

A cartilha ‘Gigantes da Trilha: Árvores da trilha principal da Fundação Escola Bosque – Vol. 1’ é produto de um trabalho socioambiental e interdisciplinar, que contém a pesquisa botânica de 30 espécies arbóreas da trilha principal da escola localizada em Belém, no Pará, envolvendo a participação dos estudantes nas atividades para sua construção. A cartilha está disponível online na página principal do site da Funbosque.

O projeto foi elaborado pelos pesquisadores e engenheiros florestais Wanderson Silva e Ema Castaneira e teve início em outubro de 2023. Eles desejam que o material seja uma referência nas discussões técnicas, relativas à criação de uma área de proteção ambiental (APA) nas dependências da sede da Funbosque, assim como nos assuntos relativos à crise climática.

Iniciativas para uma nova Área de Proteção Ambiental

Ema Castaneira explica que a unidade sede da Funbosque ainda não possui classificação perante o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), regulamentada no ano 2000, segundo a Lei nº 9985 pelo Governo Federal, mas que pode adquiri-la após alguns procedimentos necessários, já que a legislação brasileira dá ao município competência para a criação.

O objetivo ao classificar a área segundo o SNUC é a preservação desse fragmento de floresta secundária e o desenvolvimento sustentável, a partir da proteção e da conservação de atributos bióticos, abióticos, estéticos e culturais, considerados essenciais para a qualidade de vida da comunidade. 

Foto: Divulgação/Funbosque

Estudantes como coautores

A execução do projeto fez parte de um plano de ação direcionado à rede escolar – para toda e qualquer disciplina que se adeque nos planos pedagógicos -, assim como, às práticas de percepção ambiental ou atividades relacionadas.

A cartilha contém desenhos dos ramos das espécies selecionadas, realizada com a colaboração de estudantes das turmas Ipê Rosa e Ipê Amarelo, ambas do 2º Ano do Ensino Médio Integrado – Técnico em Meio Ambiente, e a turma Boto, CII, 5° ano da unidade sede, alguns pré-avaliados por profissionais da equipe de psicopedagogia e saúde da escola, com indicativos de Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) e autismo. Dessa forma, a inclusão social e a tradição de representar os caracteres botânicos por meio de desenhos tiveram destaque no processo. 

Com o apoio das professoras Ray Silva e Rozi Azancort e da psicopedagoga Maria de Nazaré Silva, as atividades previamente definidas foram implantadas no cronograma pedagógico da formação técnica em meio-ambiente. Os jovens também tiveram participação no preparo do campo, junto aos pesquisadores, para se familiarizar com o material utilizado. Esse trabalho serve como estímulo para a iniciação científica no nível médio e de base para futuros projetos.

*Com informações da Funbosque

Rondoniense ganha concurso nacional de desenho com obra que representa ‘brasilidades’

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Desenho vencedor de Jhonatan Kallil. Foto: Jhonatan Kallil

Aos 17 anos, o estudante Jhonatan Kallil de Ji-Paraná (RO), venceu o Concurso Nacional de Desenhos durante a 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) de 2024. A obra apresenta referências da cultura e biodiversidade brasileira.

O trabalho de Jhonatan traz elementos emblemáticos culturais do país, como o vira-lata caramelo, chinelos de dedo, a fauna representada pela onça-pintada, capivara, mico-leão e boto rosa. A obra está atualmente exposta em Brasília (DF).

Jhonatan revelou que seu interesse pela arte começou na infância, quando escrevia e ilustrava histórias, além de fazer origamis. Ele começou a desenhar em 2019, após ser inspirado por artistas das redes sociais e depois aprimorou seu estilo. “Ganhar o concurso foi um misto de gratidão, alívio e orgulho”, disse.

Jhonatan se destacou não apenas pelo talento, mas também pela persistência. Segundo ele, depois de participar de outras edições do concurso sem chegar na final, ele decidiu tentar novamente.

Foto: Reprodução

“Sempre pensei que, se quero algo, vou fazer até alcançar o resultado que me deixe feliz”, declarou.

Jhonatan também é medalhista em várias olimpíadas de conhecimento, como de matemática e astronomia. O jovem acredita que desafios são oportunidades para aprender e crescer.

A obra de Jhonatan foi escolhida por votação popular entre 606 inscritos. O vencedor rondoniense ganhou uma viagem a Brasília, dispositivos eletrônicos, além de cartões postais com seu desenho.

*Por Gabriel Farias, da Rede Amazônica RO