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DNIT contesta 7ª Vara Federal e defende conclusão das obras da BR-319

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Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Ao se opor clara e obstinadamente à conclusão das obras da BR 319, a ministra Marina da Silva, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) omite uma verdade incontestável: a licença da obra foi concedida pelo próprio Ibama, órgão vinculado ao seu Ministério. Para ela, entretanto, a pavimentação da BR-319 “sem um estudo adequado pode ser prejudicial à região, podendo ‘agravar’ de maneira assustadora o problema da seca, da estiagem e, com certeza, aumentar inclusive esses incêndios que temos hoje”. Em sentido contrário, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ingressou com Agravo de Instrumento contra a decisão proferida nos autos da Ação Civil Pública movida pelo Laboratório do Observatório do Clima, que suspendeu a eficácia da Licença Prévia emitida pelo IBAMA, em 2022, autorizando a pavimentação da rodovia.

O recurso apresentado pelo DNIT ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) propõe reverter a suspensão da LP 672/2022, emitida pelo IBAMA em 2022, contestando a decisão da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, de julho passado, segundo a qual os estudos ambientais subjacentes à concessão da referida LP apresentavam lacunas e falhas que poderiam gerar impactos significativos ao meio ambiente. No recurso, o DNIT defende o prosseguimento das obras, essencialmente no trecho Trecho do Meio, entre o km 250,7 e o km 656,4 da BR-319”, justificando a área como “de extrema importância para a economia local por se constituir no único acesso terrestre entre Manaus e Porto Velho”.

O DNIT argumenta que “a BR-319 não só facilita o trânsito entre o Amazonas e Rondônia, como também conecta o estado vizinho de Roraima ao restante do Brasil. O órgão salienta que a falta dessa ligação rodoviária impacta diretamente o escoamento de produtos e serviços da região, além de prejudicar o deslocamento de pessoas”. Considera, ainda, que o transporte rodoviário representa uma solução viável e necessária, uma vez que o modal fluvial via Rio Madeira é limitado pela geografia e sujeito a estiagens que assolam os rios da região, e o transporte aéreo é caro e de baixa disponibilidade”.

Reforça, por outro lado, que “a obra é estruturante, com grande impacto social e econômico, e pode, inclusive, salvar vidas, ao facilitar o acesso a serviços de saúde e emergências”. Além de sujeitas a desastres técnicos, como em decorrência do desabamento de duas pontes em 2022 – uma sobre o rio Curuçá, em setembro de 2022, deixando quatro mortos, um desaparecido e 14 pessoas feridas; e a segunda, sobre o rio Autaz Mirim, que não deixou feridos. A despeito de todos os percalços com que se defronta, a rodovia é alvo de debates ambientais negativistas recrudescidos junto a setores do governo Federal face a compromissos internacionais assumidos com ONGs ambientalistas consubstanciados no “desmatamento zero na Amazônia”.

As posições contrárias da ministra Marina Silva não foram consideradas pelo governo Federal, que, em novembro de 2023, enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) 5787-23, assinado pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, instituindo o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA) – 2024/2027, na órbita da SUDAM. O PRDA considera que “muitas das estradas que existem na região são precárias e sem mínima observância de condições para o tráfego seguro de veículos, o que dificulta a circulação de pessoas e mercadorias”. Desta forma, “a região carece de novos meios para permitir transportes mais ágeis e eficientes”.

O principal objetivo do PL, segundo a exposição de motivos, “é tornar a Amazônia referência na valorização da sociobiodiversidade”. O Plano propõe o desenvolvimento de 11 programas, com uma série de ações estratégicas, dentre os quais a repavimentação da BR-319 e a construção de terminais hidroviários e de ferrovias visando maior eficiência do transporte regional”. Lamentavelmente, nenhuma dessas iniciativas saiu do papel até o momento. O PRDA continua adormecendo nos escaninhos da burocracia brasiliense. Longe do tabuleiro do poder à espera de decisões executivas do governo Federal para a posta em marcha dos investimentos e intervenções sociais e econômicas preconizadas no Plano. Definitivamente, Marina da Silva com apoio de suas ONGs internacionais têm mais força política do que o próprio presidente Lula da Silva.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Acordo de Pesca Marumaruá-Atapi recebe 1ª autorização de manejo do pirarucu no Amazonas

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Foto: Bernardo Oliveira

O grupo de manejo Marumaruá-Atapi, situado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA), no Amazonas, conquistou a autorização para realizar a pesca sustentável do pirarucu. O mais novo grupo a obter a autorização sustentável de pesca é formado pelas comunidades São Raimundo, Santa Teresa e Sítio Inamuí.

Esse marco foi formalizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que concedeu uma cota de 120 pirarucus, o equivalente a 6.000 kg de pescado, para o ano de 2024.  As comunidades devem iniciar o manejo em meados de novembro. 

Essa conquista é o resultado de um longo processo comunitário iniciado em 2008, com a mobilização das comunidades do entorno dos lagos Marumaruá-Atapi, que buscam o ordenamento do uso dos recursos pesqueiros na região. A autorização representa um reconhecimento dos esforços dessas comunidades em conservar e fortalecer a gestão sustentável dos recursos naturais.

Leia também: Manejo sustentável de pirarucu implementado nos rios amazônicos salvou a espécie da extinção

Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

Com a assessoria técnica do Instituto Mamirauá, o grupo foi capacitado ao longo dos anos em técnicas de contagem, pesca sustentável e boas práticas de manipulação do pescado. Esse acompanhamento técnico foi decisivo para a implementação de um manejo eficaz e que agora alcança um novo patamar de formalização. O grupo também se prepara para promover a 20ª Feira de Pirarucu de Manejo Sustentável, que acontecerá em novembro na cidade de Tefé, Amazonas, com a comercialização dos peixes manejados.

O evento da feira será uma oportunidade para celebrar o primeiro manejo, as práticas de conservação e o fortalecimento das cadeias produtivas da Amazônia.

A autorização do manejo do pirarucu é fundamentada pela Instrução Normativa SEMA/AM nº 09 de 28 de agosto de 2017, que regulamenta o uso sustentável dos recursos pesqueiros na região. Essa normativa fortalece a sustentabilidade dos sistemas de lagos protegidos e reitera a importância da atuação comunitária na gestão dos recursos.

O Instituto Mamirauá, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação,  passa a atuar em 13 acordos de pesca e celebra os 25 anos do manejo do pirarucu junto às comunidades parceiras. Desde o início do manejo, em 1999, o Instituto Mamirauá já formou mais de 1.000 multiplicadores da técnica, no Brasil e demais países amazônicos.

Localização

A mais nova área de manejo do pirarucu, regulamentada para a gestão sustentável dos recursos pesqueiros, está localizada na Amazônia Central, no estado do Amazonas, mais precisamente dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA). Marumaruá-Atapi está situada à margem esquerda do paraná do Cubuá, um afluente do rio Solimões e abrange um complexo de 32 ambientes aquáticos e uma extensão de 238,32 km².

A área está localizada a 37,9 km da cidade de Tefé, município mais próximo e ponto de referência para os moradores das comunidades envolvidas. A capital Manaus está a 503,4 km de distância. Marumaruá-Atapi é cercado por outros importantes complexos pesqueiros, como Lauriana (a sudeste), Piranha (a nordeste), Capivara (a sudoeste), Janamã (ao sul) e Acará (ao norte), além dos paranás do Cubuá (oeste), Copeá (sul) e Castanha (noroeste).

Localizada inteiramente em uma região de floresta de várzea, a área é caracterizada por sua alta produtividade pesqueira, fundamental para a diversidade de espécies e a riqueza da biodiversidade aquática. A várzea, um ecossistema dinâmico, promove a abundância de espécies como o pirarucu e o tambaqui, que encontram nos lagos da região um habitat ideal para reprodução e alimentação.

Essa localização estratégica, cercada por outros grandes sistemas aquáticos, potencializa o sucesso do manejo sustentável, já que a conectividade entre os corpos d’água permite a renovação constante dos estoques pesqueiros quando manejados de forma sustentável e assegura a sobrevivência das comunidades que dependem desses recursos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

INPI reconhece Indicação Geográfica para o queijo de Autazes, no Amazonas

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Foto: Reprodução/Agência Sebrae AM

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) publicou, na Revista da Propriedade Industrial (RPI) do dia 10 de setembro de 2024, o reconhecimento da Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), para o município de Autazes, situado na Região Metropolitana de Manaus (AM), conhecido como produtor de queijo

Com esse registro, o Instituto chega a 129 IGs reconhecidas no Brasil, sendo 91 IPs (todas nacionais) e 38 DOs (28 nacionais e 10 estrangeiras).

Segundo a documentação apresentada ao INPI, o município ostenta o título de ‘Cidade do Leite e do Queijo’, devido à sua tradição na produção pecuária e de produtos lácteos.

Habitado desde o século XVIII pelo povo indígena Mura, o município de Autazes teve seu nome originado dos rios Autaz-Açú e Autaz-Mirim. A exploração da região teve início em 1637, através do Rio Madeira, por produtores de cacau e extratores de produtos naturais. A ocupação definitiva ocorreu por volta de 1860.

A partir daí, a atividade leiteira se tornou a principal da economia local, de forma que o município de Autazes possui um rebanho de mais de 70 mil cabeças de gado, manejado por cerca de 1.000 criadores, sendo muitos agricultores familiares.

Queijarias flutuantes

A produção se destaca pelo queijo coalho bovino, elaborado em queijarias flutuantes. Essa é uma adaptação necessária às variações do nível dos rios, que ao longo do ano alagam as planícies e mudam as rotas de transporte de mercadorias.

Atualmente, o município conta com seis fábricas de laticínios, seis queijarias flutuantes e nove queijarias com Serviço de Inspeção Estadual (SIE), com mais 14 em processo de obtenção do selo.

Comprovações

Diversos documentos relacionam o nome geográfico Autazes com a produção de queijos, confirmando que a localidade é conhecida por tal produção – requisito para obter a Indicação de Procedência (IP).

Além disso, no Caderno de Especificações Técnicas, consta que o produto da IP Autazes é o queijo coalho produzido a partir de leite bovino e bubalino, obtido da ordenha do gado criado no próprio município.

Confira a publicação na RPI completa AQUI.

*Com informações do INPI

BioDossel: projeto aponta importância das árvores na manutenção da fauna de insetos

Fotos: Larissa Queiroz/INCT BioDossel

O Projeto BioDossel, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), é o mais recente Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), cujo foco é investigar a diversidade de insetos que habitam as copas das árvores. As pesquisas realizados pelo Projeto apontam para a importância das árvores na manutenção da fauna de insetos, a mais diversa no mundo, e também para a necessidade de se preservar a floresta, uma vez que explora a biodiversidade, ainda pouco conhecida, que habita nas copas das árvores.

Leia também: Biodiversidade de insetos nas copas das árvores na Amazônia surpreende pesquisadores

Conforme o pesquisador do Inpa e coordenador do BioDossel, José Albertino Rafael, o projeto busca responder a seguinte pergunta – quantas espécies de insetos existem em um ponto da floresta? – uma vez que não existe registro do número de espécies que habitam na copa das árvores. “O mais espetacular é a abundância e a riqueza de espécies que a gente está encontrando no dossel da floresta. Para alguns grupos, 60% do que se coleta no dossel não é encontrado no sub bosque”, comenta.

José Albertino aponta que muitos desses indivíduos são de espécies novas e isso representa um mundo desconhecido dessa fauna, algo que tem causado impacto na comunidade científica.

Armadilhas desenvolvidas pela equipe do Inpa

O diferencial do BioDossel é a nova abordagem de métodos de coleta eficientes e padronizados, a exemplo da estratificação vertical das armadilhas, desenvolvida pelo Inpa, que são armadilhas colocadas em diferentes alturas nas árvores utilizando árvores emergentes – aquelas que crescem acima do dossel florestal – Isso associado à nova metodologia do hotshot para extração de DNA desenvolvida pelo Museum für Naturkunde de Berlim, o Centro para a Descoberta Integrativa da Biodiversidade.

O hotshot e o uso do MinION (dispositivo portátil para sequenciamento de DNA) permite o sequenciamento em larga escala do fragmento de DNA barcode, uma sequência específica de DNA que ajuda na delimitação preliminar de espécies e identificações baseadas em dados moleculares. Essas abordagens buscam responder à pergunta central do projeto.

“O nosso grupo conta com cerca de 400 pesquisadores nacionais e estrangeiros envolvidos no projeto, todos vislumbrando a importância de desenvolvimento desse conhecimento para o mundo e para a comunidade de uma maneira geral”, pontua.

*Com informações do Inpa

Restauração biocultural ajuda a mitigar a degradação florestal na Amazônia

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Foto: Reprodução/Acervo do projeto

A Amazônia passa por um período crítico de aumento da degradação florestal. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente em agosto foram 38.266 focos de queimadas, cerca de 120% a mais do que no mesmo período do ano passado. O cenário é de avanço da devastação, porém a ciência aponta que há caminhos para promover a proteção e a restauração do bioma a partir do fortalecimento das comunidades e saberes locais.

Uma proposta da metodologia de restauração florestal biocultural foi elaborada e testada com sucesso em estudo desenvolvido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em parceria com indígenas de quatro aldeias Tupinambá no oeste do Pará, na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns.

O projeto analisou o efeito de incêndios frequentes em florestas de terra firme e a percepção das comunidades indígenas sobre a degradação a fim de propor uma metodologia de restauração com articulação de conhecimentos científicos e tradicionais. Os resultados reforçam a compreensão dos efeitos em larga escala do fogo. Nas áreas estudadas, a biomassa acima do solo diminuiu 44% nas florestas queimadas uma vez e 71% nas afetadas duas vezes, com perdas de biodiversidade que variam de 37% a 51%.

“Florestas queimadas tornam-se mais vulneráveis a novos incêndios, criando uma espiral de degradação e vulnerabilidade social, com potenciais efeitos devastadores para territórios, comunidades e serviços ecossistêmicos oferecidos pela floresta”, explica Ima Célia Vieira, doutora em Ecologia e pesquisadora do Museu Goeldi, onde coordenou o projeto ‘Recuperação de áreas degradadas por incêndios florestais em comunidades/aldeias indígenas no oeste do Pará’. O resultado alcançado virou capítulo no e-book ‘Avanços no conhecimento sobre monitoramento, ecologia e manejo integrado do fogo – o legado da chamada CNPq-PREVFOGO-Ibama 33/2018’.

A atenção para os povos e comunidades tradicionais da Amazônia se justifica pela vulnerabilidade dessas populações aos impactos da degradação, assim como o protagonismo que elas têm mostrado na defesa dos territórios e da biodiversidade. Dados do MapBiomas revelam que, de 1985 a 2023, as Terras Indígenas (TIs) foram as áreas mais preservadas do Brasil, com perda de apenas 1% de sua vegetação nativa, enquanto nas áreas privadas a redução foi de 28%.

No contexto do projeto, os indígenas Tupinambá das aldeias Muratuba, Juarituba, Mirixituba e Jaca elaboraram um plano de restauração que busca transformar as áreas degradadas em florestas sociais. A abordagem é denominada biocultural, pois combina o manejo da regeneração natural com o enriquecimento da floresta com espécies úteis para as comunidades, fortalecendo a produção local e os múltiplos valores que a floresta oferece.

Alerta para a degradação

O estudo ‘Os motores e impactos da degradação da floresta amazônica’, publicado na revista Science, aponta que a degradação ameaça 38% das florestas remanescentes na Amazônia. É nessas florestas que a restauração biocultural pode ser adotada, sobretudo em territórios coletivos, como é o caso de Tis, territórios quilombolas e Resex.

O avanço do fogo aliado à exploração madeireira ilegal são os principais indicativos da tendência de aumento da degradação florestal, que é caracterizada pela perda de qualidade das florestas remanescentes onde há queda de serviços ecológicos, climáticos, econômicos e sociais.

Por exemplo, as áreas afetadas emitem mais CO2 por ano; liberam um terço a menos de água para a atmosfera, o que dificulta a formação de chuvas; e possuem as maiores perdas de biodiversidade, como demonstra os dados sistematizados neste policy brief produzido por especialistas de diversas instituições científicas, incluindo o Museu Goeldi.

O documento apresenta ainda recomendações para políticas públicas, como a necessidade de monitoramento e divulgação dos números relacionados à degradação, a criação de mecanismos de incentivo à qualidade das florestas em reservas legais, a criação de fundo emergencial para prevenção e combate ao fogo em anos de secas extremas e a incorporação dessa agenda no Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento na Amazônia (PPCDAm).

Um dos objetivos dessas propostas é direcionar esforços para os territórios onde a degradação está mais concentrada. Segundo os estudos, de 2018 a 2022, mais da metade da degradação florestal na região ocorreu em apenas 25 municípios, entre eles: São Félix do Xingu, Altamira, Paragominas, Novo Progresso, Santarém e Santana do Araguaia, no Pará. Além disso, essa atenção às localidades pode ajudar na construção de respostas que levem em conta os impactos em aspectos ambientais e socioeconômicos do problema, como avalia Ima Vieira.

“Os incêndios florestais são prejudiciais aos ecossistemas florestais e às comunidades locais. A passagem do fogo reduz temporariamente a quantidade de biomassa, afeta a composição das espécies e ameaça os meios de subsistência locais, uma vez que queima as áreas de extrativismo”, analisa Ima Vieira, que também assessora a FINEP em temas relacionados à Amazônia.

*Com informações do Museu Goeldi

Artigo apresenta primeira equação para estimar biomassa de florestas no Acre

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Foto: Reprodução

O professor Willian Flores, do campus Floresta da Universidade Federal do Acre (Ufac), publicou, em coautoria e em inglês, artigo segundo o qual para melhorar as estimativas dos estoques de carbono nas florestas neotropicais são necessárias medições mais diretas, tomando como exemplo o sudoeste da Amazônia. O estudo está na revista “Forest Ecology and Management” (vol. 570, fator de impacto 3,7).

Flores liderou a pesquisa, que também conta com a participação de Foster Brown, Sonaira Souza da Silva e Igor Oliveira; além da parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Embrapa-AC, Woodwell Climate Research e Centro de Energia Nuclear na Agricultura.

O artigo traz contribuições inéditas sobre a importância de equações alométricas locais para estimativas de biomassa da floresta mais precisas. Foi utilizado o método destrutivo, pesando (literalmente) 190 árvores com diâmetro a altura do peito entre 5 centímetros e 90 centímetros.

“As equações existentes na Amazônia são centralizadas na Amazônia Central, que podem superestimar a biomassa florestal em até 46%”, explicou Flores.

“Nosso estudo preenche uma lacuna importante na ciência para as florestas do Acre, tendo implicações para políticas públicas e privadas que envolvem carbono florestal.”

Estudante paraense busca melhoramento genético do cupuaçu cultivado na Colômbia

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Foto: Maria Isabel Castro/Acervo pessoal

Com o objetivo de adquirir novos conhecimentos sobre o melhoramento genético e o manejo do cupuaçu (Theobroma grandiflorum), a estudante Maria Isabel Castro está desenvolvendo uma pesquisa baseada no fruto da região amazônica brasileira. Ela é intercambista da Universidade de Nariño, da Colômbia, e está no décimo semestre do curso de Agronomia na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

A estudante está analisando várias características dos cupuaçuzeiros, incluindo a quantidade de frutos por árvore, o tamanho dos frutos, as sementes e características morfológicas e químicas.

“Estamos comparando o que já foi feito no Brasil e os cupuaçuzeiros da Colômbia, para saber se eles possuem as mesmas características ou se há diferenças que podem ser exploradas para melhorar a produção por lá”, conta Maria Isabel.

Leia também: Estudo realizado por pesquisadores do Pará e São Paulo sequencia primeiro genoma do cupuaçu

Segundo Maria Isabel, a maior diferença entre o cupuaçu cultivado na Colômbia para o fruto produzido na região norte brasileira está nos processos de melhoramento que já foram desenvolvidos no Brasil. 

“Estou fazendo uma caracterização morfológica para depois encontrar materiais vegetais de lá que possam ser mais resistentes a doenças. Por exemplo, aqui não se tem a doença popularmente chamada de monilíase, que é muito devastadora e acaba com cultivos inteiros porque afeta diretamente o fruto”, explicou.

A Monilíase é uma doença, causada pelo fungo Moniliophthora roreri, que ataca diretamente o fruto do cacaueiro e do cupuaçuzeiro em qualquer fase do seu desenvolvimento e pode comprometer até 100% de uma produção.

Maria Isabel conta que a intenção de vir à Ufra para desenvolver o trabalho começou a partir de um projeto de pesquisa, de caracterização genética do cupuaçu, que ela já participava na Universidade de Narinõ. “Nós pesquisamos o lugar onde o cupuaçu se originou e descobrimos que foi aqui, na região amazônica brasileira”, disse. 

A partir desse momento, o orientador da estudante na Colômbia encontrou pelas redes sociais o Grupo de Pesquisa e Extensão em Manejo e Fertilidade do Solo Da Ufra (GPEMFS), que já realizava pesquisas com a cultura do cupuaçu, e entrou em contato com o engenheiro agrônomo, Doutor Jessivaldo Galvão, coordenador do grupo e especialista em cultura do cupuaçu.

Juntamente com o pesquisador e engenheiro agrônomo Rafael Moisés Alves, também especialista em cultura do cupuaçu, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), eles puderam viabilizar o intercâmbio da estudante para desenvolver o trabalho na região norte brasileira.

Foto: Maria Isabel Castro/Acervo pessoal

Na Ufra, Maria Isabel está sob orientação do engenheiro agrônomo, Jessivaldo Galvão. Segundo ele, embora o cupuaçu cultivado na Colômbia pertença ao mesmo gênero que o brasileiro, há diferenças significativas entre eles. “Esses frutos apresentam variações quanto ao sabor, produtividade, espessura da casca e composição da polpa. Aqui na Amazônia, já acumulamos muito conhecimento que pode auxiliar no melhoramento do cupuaçu colombiano, especialmente no aumento da resistência a doenças, o que pode beneficiar a produtividade e a qualidade do fruto”, disse.

Ele também destacou que o cupuaçu da Amazônia brasileira, reconhecido por sua qualidade, é resultado de anos de pesquisas sobre melhoramento genético. A estudante também desenvolve a pesquisa na EMBRAPA e é orientada pelo pesquisador Rafael Alves.

A previsão é para que a pesquisa seja finalizada no primeiro semestre de 2025, com o intuito de fornecer informações que ajudem os produtores colombianos a melhorar a qualidade e a produtividade do cupuaçu. Além disso, a estudante também está escrevendo um livro sobre a cultura do cupuaçu, que será publicado no mesmo ano e servirá como base para a aplicação dos resultados.

*Com informações da UFRA

Lixo doméstico ainda é principal criadouro do mosquito transmissor da dengue em Porto Velho

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Foto: Wesley Pontes/SMC PVH

A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) de Porto Velho (RO) concluiu mais um Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa). Este é o terceiro estudo realizado este ano para avaliar o risco de proliferação do mosquito na capital. O resultado apontou um Índice de Infestação Predial (IIP) de 0,4, ou seja, baixo risco de surto das doenças transmitidas pelo mosquito como dengue, zika e chikungunya.

O LIRAa é executado pelo Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) da Semusa, através da Divisão de Pesquisa e Diagnósticos de Zoonoses e Entomológica (DPDZE).

O levantamento, realizado entre 5 de agosto e 3 de setembro de 2024, também apontou que os principais criadouros do mosquito foram depósitos de água de armazenamento baixo (37,5%) e lixo doméstico, incluindo recipientes plásticos (31,3%).

A diretora do DVS, Geisa Brasil, explica que “em comparação com os dois primeiros levantamentos, é perceptível a redução do índice de infestação predial. Essa diminuição está vinculada às atividades educativas sobre prevenção ao mosquito transmissor da dengue, realizadas nos bairros mais endêmicos e também em escolas da capital”, aponta a diretora.

Ela ainda observa que o período de estiagem severa em Porto Velho é outro importante fator que contribuiu para a redução do índice de infestação do Aedes aegypti.

Atenção

Apesar do baixo risco para infestação do mosquito Aedes aegypti, Geisa Brasil reforça a necessidade da população manter a limpeza recorrente dos quintais, recolhendo entulhos e outros objetos que podem acumular água.

Confira os resultados dos LIRAas de 2024:

  • 1º LIRAa (março) = 3,3% IIP – Alerta
  • 2° LIRAa (junho) = 2,4% IIP – Alerta
  • 3º LIRAa (setembro) = 0,4% IIP – Baixo Risco

Casos de Dengue em Porto Velho

Os casos de dengue em Porto Velho vem diminuindo gradativamente ao longo dos anos, fruto de uma trabalho de educação em saúde, conscientização da população e limpeza urbana realizada pela Prefeitura. Em 2022, o município confirmou 1.963 casos de dengue contra 1.093 em 2022. Esse ano, de janeiro a agosto, são 540 registros da doença.

Cuidados coletivos

Mas além dos trabalhos realizados pela Prefeitura no combate à dengue, a contribuição coletiva também é importante para diminuir o número de casos da doença na capital. Confira algumas medidas para evitar a proliferação do mosquito:

1 – Mantenha bem tampados: caixas e barris de água;
2 – Coloque o lixo em sacos plásticos e mantenha a lixeira sempre bem fechada;
3 – Não jogue lixo em terrenos baldios;
4 – Se for guardar garrafas de vidro ou plástico, mantenha-as sempre com a boca para baixo;
5 – Não deixe a água da chuva acumular sobre a laje e calhas entupidas;
6 – Encha os pratinhos ou vasos de planta com areia até a borda;
7 – Se for guardar pneus velhos em casa ou borracharias, retire toda a água e mantenha-os em locais cobertos, protegidos da chuva;
8 – Limpe as calhas com frequência, evitando que galhos e folhas possam impedir a passagem da água;
9 – Lave constantemente, com água e sabão, os recipientes utilizados para guardar água, pelo menos uma vez por semana;
10 – Os vasos de plantas aquáticas devem ser lavados com água e sabão, toda semana. É importante trocar a água desses vasos com frequência;
11- Piscinas e fontes decorativas devem ser sempre limpas e cloradas.

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Entenda as linhas de investigação dos incêndios florestais no país

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com 85 inquéritos instaurados para investigar um cenário de incêndios florestais sem precedentes no Brasil, as apurações apontam indícios de crime ambiental. De acordo com o delegado da Polícia Federal à frente dos processos, Humberto Freire de Barros, são diferentes as hipóteses que podem ter motivado pessoas de diferentes partes do país a dar início ao fogo que consome riquezas, saúde e capacidade do ser humano existir no seu lugar.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, vê também um cenário de resistência à retomada de uma política pública ambiental.

“Nós conseguimos retomar a criação de unidades de conservação, demarcação de terra indígena, combate ao garimpo, fazer um esforço enorme para reduzir desmatamento no ano passado em 50%, esse ano já reduzimos 45% e estamos agora diante de uma situação, é uma combinação de um evento climático extremo que está assolando não só o Brasil, mas o planeta, e criminosos ateando fogo no país.”

Há menos de dez dias para o fim do mês de setembro, o Brasil já registra quase 200 mil focos desde o início do ano. Mais da metade desse total teve início na Amazônia.

Grilagem

Segundo o pesquisador Mauricio Torres, do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf) da Universidade Federal do Pará (UFPA), que estuda conflitos territoriais na região amazônica, historicamente, o fogo é uma das etapas de um processo mais amplo de apropriação de terras públicas não destinadas. Embora o uso desse elemento tenha muitas outras funções no campo, como controle de pragas em áreas de pastagens ou eliminação de resíduos sólidos, o fogo também serve para completar o processo da derrubada.

“Uma floresta recém-derrubada cria um volume imenso de galhos, troncos e se não tocar fogo, não é possível fazer nada, nem entrar na área. Não consegue formar pastagem, não consegue fazer nada. Então, o que eles fazem? Esperam isso secar, tocam fogo e o solo fica exposto”.

Essas derrubadas têm comumente o objetivo de grilagem para apropriação de terras públicas que ainda não foram destinadas a cumprir uma função, como as terras indígenas ou as unidades de conservação, por exemplo, explica Torres. De acordo com o pesquisador, a apropriação de terras é sempre pensada na lógica das sucessivas anistias concedidas aos invasores, como as estabelecidas pelas Leis 11.962/2009 e 13.465/2017. A primeira anistiou invasões até 2004 e a segunda estendeu o benefício até 2008, além de determinarem outros critérios como limite de área e tipo de ocupação.

Para Torres nesse processo de grilagem, o desmatamento ocupa um lugar de destaque. “Segundo os atuais programas de ‘regularização fundiária’, um dos melhores documentos para provar o tempo de ocupação é um auto de infração ambiental por desmatamento. Ele mostra por um documento oficial que ele [o invasor] estava lá na data da infração. Se ele não teve a ‘sorte’ de ter sido autuado, ele precisa mostrar uma imagem de satélite com esse desmatamento feito até 2008”, explica.

Em imagens de satélites, o pesquisador mostra que o desmatamento se alastra, ao longo de mais de 20 anos, exatamente pelas áreas públicas ainda não destinadas, por isso é necessário pensar medidas de enfrentamento aos incêndios florestais que vão além do controle do fogo. “Não basta você ter uma fiscalização ambiental, você tem que ter uma ação fundiária. Você tem que deixar de fazer com que o desmatamento seja premiado por um título da terra. Você tem que combater a grilagem”, diz.

Crimes

Para o delegado da Polícia Federal, a ação humana no uso do fogo em um momento em que o manejo foi proibido já aponta a existência de um crime, mas ainda é necessário entender cada caso.

De acordo com Barros, esse crime pode ser culposo, quando a pessoa não teve a intenção de causar o incêndio, ou doloso quando a ignição é intencional.

Nesse último caso, a grilagem é apenas um dos crimes conexos aos crimes ambientais que têm sido apurados nas investigações, mas há outros, como a formação de quadrilha, ou crime organizado, lavagem de dinheiro, corrupção. “Por isso que a nossa investigação muitas vezes leva um tempo maior, para que possamos correlacionar esses outros crimes e dar a resposta do poder público que esses criminosos merecem”, diz.

Retaliação

Barros diz que o surgimento concomitante de pontos de ignição do fogo em fração de minutos também é um indício de ação coordenada que leva a outras hipóteses investigativas.“A gente fez no sul do Amazonas, recentemente, uma ação de repressão à mineração ilegal no Rio Madeira e nós destruímos mais de 420 dragas. Isso gera uma insatisfação por parte daqueles que estavam praticando o crime e a gente trabalha com uma possibilidade de retaliação por parte desses criminosos ambientais, a esse novo momento que vivemos de retomada da agenda ambiental”.

Outras ações de desintrusão de terras indígenas e desocupação de unidades de conservação também levantam essa hipótese. Ainda no mês de julho, a publicação em um jornal local do município de Novo Progresso, no sudeste do Pará, trazia a declaração de pecuaristas insatisfeitos com a desocupação da Floresta Nacional Jamanxim afirmando que seriam capazes de incentivar incêndios na unidade de conservação, caso tivessem que retirar os rebanhos da área pública federal.

Unidades de conservação

Nos últimos meses, a queima de unidades de conservação foram além da Amazônia e afetaram parques e florestas nacionais em outros biomas, como o Cerrado, o segundo mais atingido pelo fogo.

Para a pesquisadora Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e coordenadora do MapBiomas Fogo, Vera Arruda, em agosto deste ano, as savanas do Cerrado tiveram um aumento de 221% na área queimada em comparação ao ano anterior.

“Esses eventos resultam na perda de biodiversidade, com espécies de plantas e animais, muitas vezes endêmicas, sendo impactadas. A destruição da vegetação nativa também afeta a capacidade do bioma de funcionar como regulador do ciclo hidrológico, já que o Cerrado abriga nascentes de importantes bacias hidrográficas. Além disso, os incêndios podem causar a degradação do solo, aumentar a emissão de gases de efeito estufa e comprometer os serviços ecossistêmicos”, explica.

Danos ecossistêmicos

De acordo o delegado Barros, nos inquéritos policiais iniciados em razão desses incêndios florestais, os custos desses serviços ecossistêmicos também serão calculados para que os responsáveis pelos crimes ambientais, também sejam responsabilizados a indenizar essas perdas. “Esses serviços ecossistêmicos que a área atingida deixa de prestar é monetizável, aferível financeiramente e isso está constando, desde julho do ano passado quando a normatização foi atualizada, nos nossos laudos”, concluiu.

*Com informações da Agência Brasil

Com seca no Acre, pesquisadores avançam em descoberta de fósseis de ‘jacaré gigante’

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Foto: Reprodução

Em meio à estiagem severa no Norte do Brasil, pesquisadores conseguiram avançar nas descobertas de fósseis encontrados no Rio Purus. Vértebras do Purussaurus brasiliensis, conhecido como lagarto do Rio Purus, que viveu na Amazônia há mais de 8 milhões de anos, e é definido como o maior crocodilo do mundo, foram encontradas em escavações.

A última descoberta foi durante uma ação de campo, entre os dias 15 e 18 de agosto, no Sítio Cajueiro em Boca do Acre, no Amazonas.

Leia também: Purussaurus brasiliensis: o jacaré com a mordida mais potente do mundo viveu na Amazônia

O Rio Purus entra no Brasil pelo Acre no município de Santa Rosa do Purus, a quase 300 km da capital Rio Branco, onde está o Rio Acre, principal bacia do estado — e que na sexta (21) chegou a menor cota já registrada na história, de 1,25 metro.

Com seca na Amazônia, pesquisadores encontram pedaços da vértebra de um Purussaurus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

O pesquisador Edson Guilherme, paleontólogo da Universidade Federal do Acre (Ufac), comandou a expedição. Ele afirmou que e o período de seca está sendo aproveitado para entrar em campo e tentar encontrar novas pistas e fósseis de animais antigos que podem ajudar a revelar parte da história da região.

“Nós tivemos a oportunidade de encontrar espécies novas para a ciência que ainda vão ser estudadas. Nós vamos ainda preparar o material e oportunamente vamos divulgar sobre esses achados”, afirmou.

Segundo o paleontólogo, para os estudos, a seca foi importante pois como as águas dos rios mais baixas, os barrancos ficaram expostos e ficou mais fácil retirar os ossos que estavam enterrados. “Facilita muito o nosso trabalho”, complementou.

Histórico e processo de descoberta

Desde 2019, pesquisadores têm explorado uma área localizada em Boca do Acre, no Amazonas. O sítio concentra fósseis, em ótimo estado de preservação, dos principais animais da megafauna amazônica do mioceno, período que vai de 23 milhões a 5 milhões de anos atrás.

“Nós recolhemos o crânio de um quelônio [tipo de tartaruga] que ainda é desconhecido e ainda vai ser estudado e também recebemos o pós crânio de um eremotério [preguiça gigante de até 6 metros] que saiu de uma terra indígena na Região do Purus”, conta Guilherme.

O processo de descoberta conta com o trabalho de muitos pesquisadores até que os fósseis estejam prontos para exposição. Um deles é o biólogo Leonardo Aldrin. Em entrevista à Rede Amazônica, ele explicou como é feito o trabalho em laboratório.

“Primeiro a peça é identificada parcialmente no campo. Depois, os pesquisadores que estão na expedição trazem o material com essa identificação. Primeiro, a gente vê essa identificação, justamente para ver qual estrutura está faltando. Começa a colagem, começa a limpar, tirar os sedimentos, areia, argila, seja, o que quer que seja que esteja incrustado na peça” explicou.

Maior crocodilo do mundo que viveu no Acre há milhões de anos é redescrito em artigo científico. Foto: Valter Calheiros/Musa

Todo esse processo laboratorial é para garantir que a identificação do animal encontrado não seja perdida. Qual o animal, a localidade onde viveu e a época também são catalogadas nesse momento.

A estudante Isabela Pessoa destaca como o trabalho da paleontologia ajuda a compreender melhor a região amazônica. “Através da paleontologia a gente consegue traçar um caminho evolutivo que todas as espécies que vivem atualmente na Amazônia passaram. Esse trabalho no sítio Cajueiro é muito importante, porque é um sítio pouco explorado, que foi recém descoberto e a partir desse estudo e da preparação desses fósseis, a gente vai conseguir, quem sabe até achar uma novidade para a ciência”, disse ela.

Purussaurus

Podendo chegar a mais de 12 metros, o Purussaurus foi o maior crocodilo que viveu no planeta em qualquer tempo. O primeiro fóssil do animal foi achado em 1892 às margens do Rio Purus e chegou até as mãos do botânico João Barbosa Rodrigues, responsável pelo Museu de Botânica da Amazônia na época do império e também o primeiro a classificar o crocodilo.

O que estudos sobre o Purussaurus brasiliense apontam, que ele seria um parente distante do jacaré-açu. Ele ocupava a Amazônia ocidental e foi o maior crocodilo já registrado em todo o mundo.

A mordida do Purussaurus era duas vezes mais forte que a do Tiranossauro Rex, o mais notório dos dinossauros. O jacaré pré-histórico, segundo as pesquisas, precisava comer uma média de 40 quilos de carne diariamente.

Na Ufac também está guardado mais um fóssil que pode ser do animal. O material foi achado em 2019 pelo pequeno pequeno Robson Cavalcante, que tinha 11 anos na época. O fóssil estava enterrado às margens do Rio Acre, no município de Brasileia, no interior do estado.

*Por Lucas Thadeu e Hellen Monteiro, da Rede Amazônica AC