O professor Dr. Dalmir Pacheco, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM-CMC), em Manaus, foi selecionado para ser um dos cinco embaixadores brasileiros na Brazil Conference at Harvard & MIT 2025.
Realizada anualmente desde 2015, a conferência é promovida pela comunidade brasileira de estudantes em Boston e tem como tema para a próxima edição ‘Uma Nova Década: Encontro de Gerações de Líderes’.
O objetivo é conectar e impulsionar líderes do presente e do futuro, promovendo discussões e soluções para a transformação do Brasil. Neste ano, o evento acontecerá nos dias 4, 5 e 6 de abril de 2025, nos Estados Unidos, reunindo lideranças de diferentes gerações e áreas de atuação.
O Programa de Embaixadores seleciona brasileiros que têm um papel ativo no desenvolvimento do país, por meio de iniciativas sociais, educacionais ou comunitárias. Além de contribuir com debates durante o evento, os embaixadores têm o compromisso de implementar ou dar continuidade a projetos de impacto social após retornarem ao Brasil, aproveitando a rede de conexões do programa para ampliar o alcance de suas ações.
Dalmir Pacheco
Foto: Divulgação
Doutor e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o professor Dalmir Pacheco é titular do IFAM – Campus Manaus Centro, além de escritor e palestrante. À frente do Espaço Curupira, núcleo de acessibilidade do IFAM, ele coordena diversos projetos voltados à educação especial, com destaque para o Projeto Arumã e o Projeto Apoema.
Em atividade há mais de 17 anos, o núcleo forma professores do ensino básico do interior do Amazonas na área de educação especial na perspectiva da educação inclusiva e produz materiais didáticos e paradidáticos com acessibilidade comunicacional.
A seleção do professor como embaixador reconhece seu impacto na inclusão educacional de pessoas com deficiência na região Amazônica, reafirmando o papel de educadores na construção de um futuro melhor para o Brasil.
O conflito por controle de territórios e por uso da terra na Amazônia Legal é o principal gerador de violência armada atualmente na região. A conclusão é do estudo Cartografia das Violências na Amazônia, em sua terceira edição, lançado nesta quarta-feira (11), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto Mãe Crioula (IMC).
O relatório aponta que, apesar da redução na taxa de desmatamento, ainda figuram no ranking das cidades mais desmatadas Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Porto Velho (RO), Lábrea (AM), Novo Progresso (PA), Itaituba (PA), Colniza (MT), Apuí (AM), Pacajá (PA) e Novo Repartimento (PA). Sete delas constam no ranking das 100 cidades mais violentas da Amazônia, e nove estão no último relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que documenta conflitos fundiários.
“Essa sobreposição demonstra o quanto o controle do território e o uso da terra são hoje fenômenos que estruturam a produção de violência e de criminalidade na região amazônica, tanto do ponto de vista dos ilícitos ambientais, como o desmatamento e o garimpo ilegal de ouro, quanto o tráfico de drogas, que tem potencializado a questão da violência letal na região”, explicou o coordenador de projetos do fórum, David Marques, em entrevista à Agência Brasil.
“Os conflitos fundiários relacionados à regularização da posse da terra, que historicamente existem na região, têm se notabilizado pela produção da violência, incluindo a violência letal”, afirmou.
O levantamento de cadastro de propriedades rurais revela que mais de 20 mil imóveis estão localizados em terras indígenas (TIs) ou áreas de proteção ambiental. Há sobreposição de propriedades em TIs em 8.610 imóveis rurais. Em áreas de conservação ambiental, há 11,8 mil propriedades registradas.
Apesar do registro de queda nos últimos anos, a região permanece com altas taxas de mortes violentas. Em 2023, houve 8.603 mortes violentas intencionais (homicídios dolosos, latrocínios, mortes decorrentes de intervenção policial e mortes de policiais) na Amazônia Legal, uma taxa de 32,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, 41,5% maior do que a taxa brasileira, de 22,8 mortes para cada 100 mil habitantes.
Considerando o triênio 2021-2023, 445 dos 772 municípios tiveram taxas de mortes violentas intencionais (MVI) mais elevadas do que as da média do país. Tais cidades concentram 66,8% da população da região e 83,7% de todos os assassinatos. Ainda que o levantamento aponte a redução recente da violência na região, o fórum avalia que o quadro de violência continua alarmante.
O relatório apresenta os dados da violência letal na região nos últimos anos: entre 2021 e 2022, a queda foi de 1,1%; entre 2022 e 2023, redução de 5,1%; e no período 2021 a 2023 a redução chegou a 6,2%, acima da média nacional, que teve redução de 4,6% no período. Foram analisados dados dos nove estados da Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão -, composta por 772 municípios. A análise busca compreender as conexões entre violência, crimes ambientais e o crime organizado na região.
Foto: Fernando Sette
Monopólio de facções
A redução da violência letal teve influência do estabelecimento de monopólios de atividades criminosas, segundo avaliação do fórum, e de uma estabilização nas relações entre as facções na maior parte da região. As facções criminosas estão presentes em 260 municípios, com predominância de membros do Comando Vermelho. O número supera as 178 cidades com presença de facções na edição do estudo em 2023.
“Conseguimos identificar a presença de facções em mais municípios do que tinha no levantamento anterior, e também cresceu a proporção desses municípios que são controlados por apenas um grupo. Ou seja, quando você tem territórios controlados por apenas um grupo, a tendência é que se reduza a intensidade do conflito e, portanto, a violência letal”, disse David.
Entre as 260 cidades com atividades de facções, 175 são dominadas por um único grupo criminoso – em 129, essa hegemonia pertence ao Comando Vermelho (CV); em 28, ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 85 dessas 260 cidades verificam-se disputas ou coexistência entre dois grupos ou mais.
O relatório indica que a ação das facções tem papel central não apenas em função da dinâmica do narcotráfico, mas em relação ao avanço do desmatamento, de outros crimes ambientais e com disputas fundiárias. O diretor-presidente do FBSP, Renato Sérgio de Lima, ressalta que o conflito pela terra na área é atualmente regulado pelo crime.
“Esse controle se dá por meio de cadeias produtivas, entre elas a criação do gado em territórios da União usurpados por grileiros, a exploração ilegal da madeira, a pesca predatória e, principalmente, o garimpo em terras indígenas. Essa regulação do território, que ocorre de forma violenta e operada pelo crime, estrutura e conecta todas as principais atividades criminais da Amazônia Legal”, apontou Lima.
Histórico de conflitos
Além da ação das facções criminosas, que é mais recente, existe um histórico de conflitos fundiários na Amazônia Legal que não se pode perder de vista, de acordo com o diretor-presidente do Instituto Mãe Crioula e professor da Universidade Estadual do Pará, Aiala Colares Couto.
“Para que se entendam as dinâmicas criminais na região, há que se levar em consideração que a ação de grileiros, que mais tarde vai redundar em avanço das monoculturas, expansão dafronteira agropecuária e ampliação do garimpo, está inserida na mesma lógica da disputa por rotas de escoamento do narcotráfico. Nesse sentido, é sempre sobre controle territorial armado que estamos falando”, explicou.
Região de fronteira
“A gente tem estruturado essas conexões e sobreposições entre os fenômenos e temos documentado, desde 2020, a intensificação da presença de uma criminalidade organizada de base prisional, essa mais faccional relacionada com o tráfico de drogas, na região, por conta da importância geográfica, e também da conexão da atuação desses grupos com ilícitos ambientais”, destacou David Marques sobre os achados do estudo.
Ele ressalta que o problema do crime organizado e das facções é nacional. No entanto, o agravamento da situação na região amazônica, com uma intensidade que não se observava antes, tem relação com essa questão geográfica: a proximidade de fronteira com países produtores de cocaína, que é um mercado altamente lucrativo e importante dentro do funcionamento das organizações criminosas no Brasil.
“Hoje três países são responsáveis pela produção de 99%, quase a totalidade, da cocaína que é consumida no mundo: Colômbia, Peru e Bolívia. Esses três países fazem fronteira com o Brasil na região norte. Isso é um dos grandes diferenciais da região e é o que tem atraído a atenção dessas organizações criminosas” explicou o coordenador do FBSP.
Apesar do cenário de estabilização entre facções em grande parte da região amazônica, David destaca que a situação “é sempre muito dinâmica e esse equilíbrio é sempre muito tênue”. Segundo ele, cabe ao poder público fazer o enfrentamento das organizações criminosas de uma forma qualificada.
Os estados do Amapá e Mato Grosso, que tiveram aumento da violência letal nas comparações apresentadas no relatório, investiram, por exemplo, na estratégia da letalidade policial, colocando a polícia militar para entrar em confronto direto com as facções. David avalia que essa é uma resposta equivocada ao problema.
“Isso tem muito pouca efetividade. É com base na investigação que a desarticulação dessas organizações pode ser realizada”, avaliou o especialista, apontando a importância de medidas que envolvem o fortalecimento da investigação criminal e a conexão dos setores da segurança pública, como as polícias, os setores de justiça e outros órgãos.
Além disso, no Mato Grosso, mais especificamente na região de fronteira, objeto de intensa disputa de facções, há o agravamento da violência em decorrência do surgimento de uma dissidência da chamada Tropa do Castelar. O levantamento revelou que, em alguns dos municípios dominados por essa facção, integrada por criminosos muito jovens e, em média, mais violentos, os indicadores de mortes violentas intencionais aumentaram.
Foto: Alexandre Cruz Noronha
Enfrentamento das facções
O fórum defende que o enfrentamento a essas organizações criminosas seja uma prioridade não apenas na Amazônia, mas no Brasil como um todo. “Nesse sentido, levantamos alguns dados que são promissores para a região amazônica. Quando falamos de um enfrentamento mais qualificado, uma das grandes chaves é a investigação financeira, chamada em outros contextos de follow the money. Hoje, no Brasil, a unidade de inteligência financeira é o Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras]”, indicou David.
O órgão analisa movimentações suspeitas e se comunica com as autoridades competentes pela investigação de possíveis ilícitos. O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública demonstra ainda que houve um crescimento relevante na produção dos relatórios de inteligência financeira (RIF) dentro do COAF.
“Entre 2016 e 2023, a produção de RIFs cresceu 101,7% no Brasil, e cresceu 300% em UFs da Amazônia Legal. Isso é um indicativo de que a produção de inteligência financeira na região tem crescido e aumenta o potencial de sucesso das investigações criminais que estão acontecendo nessa região.”
“A nossa hipótese é que esse crescimento de produção de inteligência financeira está associado, como no restante do Brasil, a um crescimento da percepção da importância tanto do tráfico de drogas quanto das facções criminosas no contexto da lavagem de dinheiro. É por meio da lavagem de dinheiro que essas organizações transformam o lucro proveniente dos ilícitos em capital econômico que depois pode ser revertido com impactos em mercados legais, nas próprias instituições e até em poder eleitoral, eventualmente”, disse o coordenador de projetos da entidade.
O estudo evidenciou ainda outro tipo de padrão de violência: aquele que se propaga após a realização de uma grande obra, como uma estrada ou uma hidrelétrica, ou que decorra da execução de projeto de extração de algum bem mineral, o que atrai trabalhadores forasteiros ao local.
A entidade avalia que é necessário que haja projetos para mitigar os impactos dessas obras na segurança pública, a exemplo do que existe na área ambiental. Há estudos de impacto socioambiental, mas não se avaliam os impactos na segurança pública, alertou o fórum.
TI Yanomami
Em Roraima, onde está localizada a Terra Indígena (TI) Yanomami, há queda de violência de uma forma geral. O relatório ressalta que, no estado, há a experiência da Casa de Governo, estrutura criada pelo governo federal para coordenar e monitorar presencialmente a execução do Plano de Desintrusão e de Enfrentamento da Crise Humanitária na Terra Indígena Yanomami.
O FBSP obteve, via Lei de Acesso à Informação (LAI), números oficiais a respeito de equipamentos apreendidos na operação. Foram apreendidas 25 embarcações e duas aeronaves, além de outras 61 embarcações destruídas, bem como 42 pistas de pouso.
Segundo o estudo, membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) dominaram áreas de garimpo ilegal de ouro, o que agravou de maneira acentuada a violência e as condições de vida da população indígena local, que tem sido denunciadas, especialmente na gestão anterior do governo federal.
Museu de Guajará-Mirim está depredado. Foto: Auxiliadora Pinto
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Rondônia enfrenta um problema que reforça a fama do Brasil como um país sem memória.
Atualmente, no interior do estado, apenas um museu está aberto à visitação pública: a Casa de Rondon, em Vilhena. Esse local abrigou um posto telegráfico entre 1911 e 1969, inaugurado pela Comissão Rondon.
Na verdade, não é o país que carece de memória, pois isso é algo inerente às pessoas. Todos têm suas memórias afetivas e, no fundo, a maioria reconhece o valor da preservação da história e da identidade coletiva. A falha é institucional.
A atividade museológica é multissetorial, englobando cultura e educação, que são as bases de toda sociedade. O problema é que nem sempre os gestores públicos se preocupam com seus museus, bibliotecas, centros de documentação, pinacotecas e outros espaços semelhantes.
A falha não está na sociedade, que não deve ser rotulada como “desmemoriada”. O problema reside naqueles que têm poder decisório e não priorizam esse segmento. Por quê? Talvez pela falta de educação patrimonial, começando pelos próprios gestores. Alguns deles podem nunca ter visitado um museu.
Até seis anos atrás, quatro museus funcionavam no interior. Agora, resta apenas o de Vilhena. A maioria era mantida pelo empenho e dedicação de historiadores, servidores públicos idealistas e agentes culturais. No entanto, como esses espaços não têm cargos efetivos, há uma “dança das cadeiras” a cada mudança de prefeito. E nem sempre quem assume a área de cultura por meio de portaria tem aptidão ou reconhece a importância da preservação memorialística.
O Museu Municipal de Guajará-Mirim, na fronteira do Brasil com a Bolívia, estava abrigado em uma antiga estação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Apesar de passar por uma ampla reforma há doze anos, por falta de manutenção, o espaço está entrando em ruínas e todo o acervo foi extraviado. Além do prédio depredado, uma locomotiva ao lado, que foi revitalizada pela TV Globo para a minissérie Mad Maria, de 2005, também está abandonada, sem qualquer cuidado.
Em Presidente Médici, funcionava o Museu da Arqueologia Regional, com cerca de 300 mil peças, algumas com até 7 mil anos, sendo um exemplo de zelo. Ultimamente, encontra-se fechado, sem explicações. A antiga diretora, a historiadora Maria Coimbra, é uma referência em Rondônia na área arqueológica, tendo desenvolvido pesquisas fundamentais em dezenas de sítios arqueológicos da região.
Vizinha à cidade de Médici, Ji-Paraná é a segunda maior do estado. O núcleo urbano surgiu praticamente em torno de um velho posto telegráfico criado pela Comissão Rondon, na década de 1910. No local, funcionou o Museu das Comunicações a partir dos anos 1980, contando com um excelente acervo de peças em cerâmica e líticas, além de fotografias que narram a história da região. Foi fechado para reforma há cerca de três anos, sem previsão de reabertura.
Bons exemplos
A Casa de Rondon é, simbolicamente, o marco zero da cidade de Vilhena, com 105 mil habitantes. A casa foi fundada como parte da expansão telegráfica que integrou o antigo oeste do Mato Grosso (atual Rondônia) ao restante do país.
Um exemplo positivo é a Casa de Rondon, em Vilhena. Foto: Júlio Olivar
Tombada em 2015 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a Casa de Rondon dispõe de um acervo de fotografias, filmes e artefatos domésticos do imóvel original, onde vivia a Família Zonoecê, que administrou o antigo posto telegráfico de 1943 a 1969.
O ponto histórico passou por reforma em 2016, com recursos do Ministério do Turismo. Estava fechado desde 1996. Em 2024, foi reaberto graças a uma parceria entre uma cooperativa de crédito e a prefeitura.
A visitação pública ocorre diariamente, mediante agendamento na Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo. Várias escolas frequentam a Casa de Rondon para entenderem melhor como se deu a ocupação do Planalto dos Parecis e a importância histórica das campanhas militares lideradas por Cândido Rondon no início do século passado.
Na capital, Porto Velho, funcionam importantes instituições que salvaguardam a história local: Museu do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Memorial Rondon, Memorial Governador Jorge Teixeira, Museu da Memória (antigo Palácio Presidente Vargas) e Museu Internacional do Presépio.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
O Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna”, em Belém (PA), registrou em 2024 um número recorde de visitantes. Até o dia 13 de dezembro, mais de 470 mil pessoas passaram pela Unidade de Conservação (UC), superando em 40 mil o total registrado no mesmo período de 2023. Este marco reafirma o Parque como um dos principais destinos para lazer, contemplação da natureza e práticas esportivas na capital paraense.
Com 1,3 mil hectares, o Parque Estadual do Utinga, gerido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e pela Organização Social (OS) Pará 2000, oferece uma rica amostra do bioma amazônico, funcionando como um refúgio verde no coração de Belém. A média mensal de visitantes foi de 40 mil pessoas ao longo do ano, com destaque para julho, período de férias escolares e verão amazônico, quando o número chegou a 55 mil. A combinação de infraestrutura bem planejada, atividades diversificadas e preservação ambiental tem sido o grande diferencial do espaço.
“Este recorde é reflexo de um trabalho consistente de valorização do Parque, que alia conservação ambiental a um ambiente atrativo para moradores e turistas. Queremos que o Utinga continue sendo um exemplo de como áreas protegidas podem promover lazer, educação ambiental e sustentabilidade”, destacou o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto.
Ecoturismo
Entre as opções que atraem o público estão trilhas ecológicas, passeios de bicicleta, rapel, bóia-cross e tirolesa. Em 2024, o lançamento da canoagem como atividade eco amigo foi um dos destaques, ampliando a oferta de experiências e promovendo uma interação ainda mais próxima com a natureza. A estrutura de apoio, que inclui quiosques, banheiros e áreas de descanso, também tem sido um fator determinante para o crescimento do número de visitantes.
A Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB), responsável pela gestão da UC pelo Ideflor-Bio, disse que tem intensificado ações de preservação ambiental e segurança, assegurando que a alta demanda não comprometa a biodiversidade. “O desafio de gerir um espaço tão visitado é grande, mas estamos preparados. Nossa equipe trabalha continuamente para garantir um ambiente seguro e sustentável, com ações de educação ambiental e fiscalização rigorosa”, afirmou o titular da GRB, Júlio Meyer.
Foto: David Alves/Agência Pará
COP30
Com os olhos do mundo todo voltados para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém, em 2025, o Parque Estadual do Utinga se prepara para receber investimentos significativos. Entre as melhorias planejadas estão a construção de um Novo Centro de Apoio aos Visitantes, com museu, auditório, cafés e áreas administrativas, além da revitalização de trilhas e da instalação de novas sinalizações e áreas recreativas.
“A realização da COP30 é uma oportunidade única para Belém e para o Parque do Utinga. Estamos trabalhando para que o espaço esteja à altura desse evento internacional, garantindo que seja um exemplo de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável”, enfatizou o diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação do Ideflor-Bio, Ellivelton Carvalho.
Em 2025, também está prevista a ampliação das atividades aquáticas no Lago Água Preta, incluindo a prática de canoagem, além da instalação de pontos de hidratação e contemplação da natureza. As melhorias visam não apenas atender ao público crescente, mas também consolidar o Utinga como um destino de referência em ecoturismo e educação ambiental.
“O Parque do Utinga é um patrimônio natural de todos os paraenses e visitantes. Nosso objetivo é continuar aprimorando a experiência dos frequentadores, ao mesmo tempo em que garantimos a preservação desse espaço único para as próximas gerações”, concluiu Júlio Meyer.
Mapa mostra as áreas sob risco alto, muito alto, moderado, baixo e muito baixo de desmatamento conforme a PrevisIA para o calendário de 2025, que vai de agosto de 2024 a julho do ano seguinte. Imagem: Reprodução/Imazon
Se as áreas sob maior risco de desmatamento na Amazônia não forem protegidas com urgência, a estimativa é que mais 6.531 km² sejam derrubados em 2025, o que seria 4% a mais do que o registrado neste ano. A previsão é da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, do instituto de pesquisa Imazon, que tem indicado as áreas ameaçadas na região desde 2021 com uma assertividade média de 73% nesses últimos quatro anos.
A estimativa da ferramenta segue o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, assim como os dados oficiais do governo federal. Conforme o Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram devastados 6.288 km² entre agosto de 2023 e julho de 2024, uma queda de 31% em relação a 2023.
Para 2024, a PrevisIA havia apontado 8.959 km² sob ameaça de desmatamento na Amazônia, sendo 5.207 km² sob risco muito alto, alto e moderado. Já na previsão da plataforma para o próximo ano, que aponta 6.531 km² sob ameaça de devastação entre agosto de 2024 e julho de 2025, 2.269 km² (35%) estão sob risco muito alto, alto ou moderado. Ou seja: essas seriam as áreas prioritárias para as ações de prevenção. Os outros 4.262 km² (65%) estão sob risco baixo ou muito baixo de desmatamento.
“Se atuarmos para proteger as áreas indicadas pela PrevisIA sob risco muito alto, alto ou moderado de desmatamento, poderemos reduzir ainda mais a derrubada da Amazônia em 2025 e avançar em direção à meta de desmatamento zero em 2030. Ação essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Brasil e mitigar os efeitos das mudanças climáticas que já estão nos afetando seriamente, como as cheias no Rio Grande do Sul e as secas na Amazônia. Precisamos usar essa tecnologia a favor da floresta”, afirma o pesquisador do Imazon e coordenador da PrevisIA, Carlos Souza Jr.
Estado
Classe de Risco (km²)
Muito baixo
Baixo
Médio
Alto
Muito alto
Total
%
Pará
448,30
978,69
764,98
94,87
0,09
2.286,92
35%
Amazonas
561,91
380,62
318,77
38,51
0,09
1.299,90
20%
Mato Grosso
308,78
505,59
242,45
57,25
0,79
1114,85
17%
Acre
63,38
222,57
363,19
34,54
–
683,68
10%
Rondônia
109,92
264,64
149,69
23,83
–
548,08
8%
Roraima
57,02
115,37
110,37
18,07
–
300,83
5%
Maranhão
50,42
100,91
43,29
4,61
–
199,24
3%
Amapá
41,04
19,28
2,59
–
–
62,91
1%
Tocantins
16,89
16,45
0,96
–
–
34,29
1%
Amazônia
1.657,65
2.604,13
1.996,28
271,68
0,97
6.530,70
100%
PA, AM e MT possuem as maiores áreas ameaçadas
Entre os estados, Pará (35%), Amazonas (20%) e Mato Grosso (17%) possuem as maiores áreas sob risco de desmatamento. Apenas os três concentram 72% de todo o território ameaçado na Amazônia, conforme a PrevisIA.
Já em relação à devastação registrada pelo Prodes em 2024, a plataforma de inteligência artificial apontou aumento nas áreas sob risco em cinco estados para o próximo ano: Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá e Tocantins. Nos outros três, Pará, Mato Grosso e Roraima, as áreas previstas como ameaçadas para 2025 são menores do que as desmatadas neste ano.
“Além de poder ajudar na estratégia nacional de combate ao desmatamento, a PrevisIA também pode auxiliar os governos estaduais e municipais a protegerem suas florestas, já que oferece um mapa das áreas de risco inclusive com informações de estradas e de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) sobrepostos”, completa Carlos.
Atualmente, a plataforma é usada pelos ministérios públicos de quatro estados da Amazônia Legal para basear estratégias de proteção da floresta: Pará, Amazonas, Mato Grosso e Acre. O Ministério Público do Pará, por exemplo, pretende liderar uma ação de conscientização para a prevenção do desmatamento a partir dos dados da PrevisIA.
A ideia consiste em enviar aos órgãos de meio ambiente estaduais e municipais as informações das áreas classificadas na PrevisIA sob risco muito alto e alto de desmatamento que possuem Cadastro Ambiental Rural (CAR), para que esses órgãos tenham maior rigor nos procedimentos de licenciamento ambiental, nas operações de fiscalização e na própria análise desses CARs.
“Além disso, as informações também serão enviadas aos detentores desses CARs, para que adotem as medidas necessárias para evitar o desmatamento e, consequentemente, os processos de embargo e de responsabilização”, explica o pesquisador do Imazon, Paulo Amaral, que lidera as ações da PrevisIA juntos aos ministérios públicos.
Terra Indígena Kayapó lidera ranking de risco
Entre as terras indígenas, a mais ameaçada pelo desmatamento em 2025 é a Kayapó, no Pará. Nesse território, uma área equivalente a 2,5 mil campos de futebol está sob risco de derrubada, segundo a PrevisIA.
Na previsão para 2024, a liderança desse ranking era da Terra Indígena Apyterewa, também localizada no Pará. Na estimativa de risco para 2025, depois de receber uma ação de desintrusão, o território caiu para o segundo lugar. Porém, ainda segue com risco alto de desmatamento, de uma área que também equivale a 2,5 mil campos de futebol. Em agosto deste ano, houveram relatos de novas investidas de invasores no território.
Já no caso das unidades de conservação, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, outro território paraense, segue na liderança como a mais ameaçada pelo quarto ano consecutivo. Nesse território, o risco de desmatamento chegou a quase 10 mil campos de futebol para 2025, de acordo com a PrevisIA.
Dez Terras Indígenas com maior risco de desmatamento em 2025
Terra Indígena
UF
Classe de Risco (Km²)
Muito baixo
Baixo
Médio
Alto
Muito alto
Total
Kayapó
PA
9,24
13,12
3,07
–
–
25,43
Apyterewa
PA
3,45
19,17
2,20
–
–
24,82
Parque do Xingu
MT,PA
7,06
6,19
0,09
–
–
13,34
Alto Rio Negro
AM
12,22
1,05
–
–
–
13,27
Cachoeira Seca
PA
2,75
7,90
1,95
–
–
12,60
Yanomami
RR,AM
10,98
1,57
0,04
–
–
12,59
Munduruku
PA
5,70
4,91
0,21
–
–
10,83
Araribóia
MA
2,23
6,35
1,22
–
–
9,80
Trincheira Bacajá
PA
3,67
4,69
0,84
–
–
9,20
Vale do Javari
AM
8,27
0,18
–
–
–
8,44
Dez Unidades de Conservação com maior risco de desmatamento em 2025
Unidade de Conservação
UF
Jurisdição
Classe de Risco (Km²)
Muito baixo
Baixo
Médio
Alto
Muito alto
Total
APA Triunfo Do Xingu
PA
Estadual
8,33
44,01
39,24
3,45
–
95,03
Resex Chico Mendes
AC
Federal
2,41
35,21
33,72
0,21
–
71,55
APA do Tapajós
PA
Federal
13,11
29,13
7,51
0,43
–
50,18
Esec Soldado da Borracha
RO
Estadual
0,13
3,84
20,06
4,49
–
28,51
Flona do Jamanxim
PA
Federal
6,57
10,65
3,94
0,46
–
21,62
APA do Arquipélago do Marajó
PA
Estadual
15,22
3,26
0,65
–
–
19,13
Reex Jaci-Paraná
RO
Estadual
0,47
7,73
7,21
0,25
–
15,67
Flota do Paru
PA
Estadual
9,86
1,80
3,32
0,13
–
15,11
APA do Lago de Tucuruí
PA
Estadual
2,52
6,84
4,20
0,26
–
13,83
APA Tapuruquara
AM
Municipal
12,34
0,85
0,06
–
–
13,24
Previsão conservadora
Uma das variáveis usadas pelo modelo de risco da PrevisIA são os dados históricos de desmatamento detectados pelo Prodes. Porém, como em 2024 houve um aumento significativo da derrubada e das queimadas a partir de agosto, um mês após o fechamento do calendário do Prodes, os pesquisadores alertam que a previsão da plataforma pode ser considerada conservadora, uma vez que esses dados não foram considerados no modelo de risco para 2025.
“Conforme o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, de agosto a outubro de 2024, meses que integram o calendário de 2025 do Prodes, já perdemos 1.628 km² de florestas, 25% da previsão. Isso significa que as ações de prevenção precisarão ser intensificadas principalmente a partir de maio, quando as chuvas na Amazônia deverão reduzir, o que facilita o desmatamento”, explica Carlos.
Conheça a ferramenta
Lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA é uma plataforma inovadora que utiliza a inteligência artificial para indicar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia. E, com isso, fornecer dados para evitá-lo. Sua metodologia analisa um conjunto de variáveis como a presença de estradas legais e ilegais, o desmatamento já ocorrido, as classes de territórios, a distância para áreas protegidas, os rios, a topografia, a infraestrutura urbana e informações socioeconômicas.
Fase de beneficiamento do fruto do tucumã na cooperativa Camtauá no Pará. Foto: Carranca/GIZ Brasil
Inovação, na Amazônia, começa quando, envolve quem e responde a quê?
Pode ser a quebra da casca do tucumã (Astrocaryum vulgare), fruto de uma palmeira de caule espinhoso, comum no nordeste do Pará. No passado, era feita com martelinho, horas de trabalho sobretudo feminino, de quem também cuidava da casa e dos filhos, à espera do marido, agricultor extrativista.
Acontece que o tal fruto, aberto, revela um tesouro natural para a saúde do rosto e do corpo, por exemplo. Foi por isso que consultores da cidade apareceram para criar um maquinário que facilitasse a quebra – logo rejeitado pela comunidade por não ser prático nem eficiente. Entraram então em cena lideranças locais, que aplicaram o conhecimento adquirido na lide com o tucumã. E aí…
…. Foi um tal de virar a máquina pelo avesso, modificando a posição das pás e alterando polias e roldanas até dar a força exata de impacto, otimizada pela instalação de energia elétrica (antes, era movida a pedal). Fazia-se necessário abrir a casca, dura feito rocha, sem prejudicar em demasia a polpa da amêndoa ou semente (laranja, de onde se extrai óleo) e a massa interna (branca, da qual se faz manteiga vegetal).
O resultado pode ser exibido em toneladas: das oito por mês, produzidas com o martelinho pela família extrativista, hoje contam-se oito por dia, graças à máquina aperfeiçoada.
“O fruto deixou de ser entregue in natura para chegar às mãos do cliente pré-beneficiado, sinal de autossuficiência e empoderamento da comunidade”, salienta Diana Gradissimo, pesquisadora-sênior da Symrise, um dos maiores produtores de matérias-primas para fragrâncias e sabores do mundo.
Igarapé do nordeste do Pará onde atuam as cooperativas do projeto Cosméticos Sustentáveis da Amazônia. Foto: Carranca/GIZ Brasil
Symrise é a empresa alemã que se associou à brasileira Natura em 2017 para a produção de cosméticos a partir da biodiversidade amazônica. A parceria recebe o nome de Projeto Cosméticos Sustentáveis da Amazônia e tem o apoio da GIZ, sigla em alemão para Sociedade Alemã de Desenvolvimento Internacional – empresa federal de interesse público que dá apoio ao governo daquele país em ações de desenvolvimento sustentável planeta afora.
“No Brasil, a GIZ atua há mais de 60 anos e conta com o Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento alemão como principal financiador de projetos”, informa Thais Penna Vasconcelos, assessora técnica. “A ideia é encontrar propostas sustentáveis que respeitem a biodiversidade, melhorem o cotidiano das populações envolvidas e atraiam a participação de empresas alemãs”.
Do projeto, exemplo de parceria público-privada, participam 19 cooperativas, produtores e associações de moradores e agricultores extrativistas do Amazonas, Pará e Rondônia, beneficiando 3 mil pessoas direta ou indiretamente. O custo logístico de trabalhar na Amazônia tem preço – e, nas duas fases iniciais, os investimentos alemães já alcançaram cerca de 6 milhões de euros.
O projeto, que já passou pela fase de organização dos grupos e atividades (2017-2021), concluiu a fase dois, em setembro passado, de inovação com valor agregado. Deu certo? Justo ouvir quem é da terra. Caso de Maria Valquíria de Lima Cordeiro, da Cooperativa Agropecuária dos Produtores Familiares Irituienses (D’Irituia), e de Gilson Santana, da Cooperativa Mista Agroextrativista de Santo Antônio do Tauá (Camtauá), ambas no Pará.
Seleção do tucumã na cooperativa D’Irituia, nordeste do Pará. Foto: Carranca/GIZ Brasil
Valquíria, como é chamada, tem 42 anos, dois filhos, marido e memória exemplar. “Já passamos muita dificuldade. Quase fechamos as portas da cooperativa, pois não tinha como pagar as contas”, recorda. Até surgir o convite de participar no projeto: “reviravolta divina!”. Porque a diferença de trabalhar com as empresas, enfatiza Valquíria, “é que elas nos tratam como parceiros, oferecendo organização, estrutura e até formação em informática para trabalhar.”
Foi mesmo um desafio, na pandemia, dar sequência ao cronograma de atividades, se o que predominava era o “analfabetismo digital”, na definição da assessora Thais, entre os cooperados. A necessidade obrigou, porém, a encontrar alternativas, caso dos cursos à distância e do incentivo, a seguir, de prosseguir os estudos – seguido à risca por Valquíria, que se formou em gestão ambiental. Hoje é diretora financeira, a “alma” do negócio de sua cooperativa.
Quanto a Gilson, 35 anos, pai de gêmeas, carrega a comunidade no sangue, afinal, a Camtauá foi iniciada por sua mãe. “Tinha 21 anos quando entrei para a cooperativa. Trabalhava na coleta do murumuru [Astrocaryum murumuru], época em que ninguém entendia o valor de manter a floresta em pé”, conta. Quando o projeto foi iniciado, “comecei a transmitir aos agricultores extrativistas o que era necessário para manter a qualidade em todas as etapas de produção da matéria-prima”. Popular, foi eleito presidente da cooperativa em 2016, cargo que ocupou até 2022.
Hoje, como gerente de produção, seu desafio é manter em constante aperfeiçoamento tanto o maquinário quanto as fases de beneficiamento do tucumã e murumuru para alcançar maior rendimento a quem é da Camtauá (atualmente, cerca de R$ 2 mil mensais, a mesma renda média dos cooperados da D’Irituia).
Após usar maquinário aperfeiçoado pela comunidade, cooperado da Camtauá finaliza a seleção do murumuru. Foto: Carranca/GIZ Brasil
Com quatro centrais de processamento e duas agroindústrias em atividade, o projeto Cosméticos Sustentáveis da Amazônia já tem a fase 3 em andamento desde setembro passado. O financiamento alemão é de cerca de 3 milhões de euros para impulsionar, nos próximos três anos, a educação.
“Queremos transmitir às futuras gerações o conhecimento disponibilizado, talvez por meio de plataformas de ensino”, diz Cristiane de Moraes, diretora de sustentabilidade da Symrise na América Latina. Encarregada da divisão de Ingredientes para Cosméticos, ela opina, orgulhosa: “Este projeto faz a diferença na Amazônia, não é comum ver resultados como os das fases já finalizadas”.
Ao que Valquíria, da D’Irituia, dá um gosto especial à análise oficial: “Antes a gente sorria para dentro. Agora, dá para ver o sorriso bonito em toda a comunidade”.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Marion Frank
A Terra Indígena (TI) Juma está a apenas 5 quilômetros da BR-230, que termina na cidade amazonense Lábrea. Isso significa que, por terra, invasores só precisam andar por cerca de três horas na floresta amazônica para chegar ao território onde vivem os Juma, um povo de recente contato que, em 1964, sofreu um massacre.
Mais de 60 pessoas morreram. Exatos 60 anos depois, os sobreviventes, seus filhos e netos, seguem ameaçados. Desta vez, pelo avanço do desmatamento no sul do Amazonas, antes considerado uma das áreas mais preservadas do estado. Como são poucos, se sentem em risco.
“Os invasores entram e alegam que não sabem os limites do território do povo indígena Juma”, afirmou a cacica Boreá Juma.
Ela conversou com a reportagem da Agência Pública em sua língua nativa, a Kagwahiva, da família Tupi-Guarani, falada por sete povos na Amazônia. Boreá sabe bem o que está acontecendo em seu território e nas redondezas de sua terra tradicional, na qual nasceu, cresceu e viu seus ancestrais partirem e deixarem legado e histórias para contar.
De acordo com a cacica, as derrubadas de mata e as queimadas feitas ao redor da TI “são para fazer grandes pastos de fazendas e criação de gado”. O foco dos grileiros, pessoas que desmatam e se apossam de terras públicas, são áreas não destinadas, ou seja, regiões sob responsabilidade de governos estaduais ou federais que ainda não tiveram sua finalidade definida.
Avanço do desmatamento no sul do Amazonas tem ameaçado a sobrevivência dos Juma e de outros povos originários na região.
Povos indígenas de recente contato, como o Juma, devem ser protegidos pelo Estado com ações específicas.
“Hoje a gente está passando ameaças que vêm do grileiro e do fazendeiro. Naquele tempo que aconteceu o massacre era do sorveiro [pessoas que entravam na floresta para extrair sorva e seiva de árvores raras]”, explicou Mandeí Juma, vice-presidente da associação Jawara Pina, que representa seu povo. “A gente vem passando, sobrevivendo, desde o começo”, finalizou.
Ainda que o desmatamento na Amazônia tenha reduzido 30,63% entre agosto de 2023 e julho deste ano, a maior taxa de redução em 15 anos, os números seguem altos, com o sul do Amazonas se consolidando como a nova fronteira do desmatamento.
No ano passado, por exemplo, a cidade de Lábrea, que fica a pouco mais de 90 quilômetros da TI Juma, superou Altamira, no Pará, como a líder no ranking de municípios com maior área desmatada no Brasil. Mesmo quando ocorrem fora dos limites do território Juma, os crimes ambientais afetam a sobrevivência dos povos originários, pois geram a escassez de alimento, com a fuga de animais, além de levar poluição a lugares sagrados.
“Aqui na aldeia tinha muitas araras-azuis, mas elas desapareceram. Talvez foi por causa do calor, ou falta de alimento, ou a derrubada [de árvores] que afastou as araras. Não foi só arara, também os porcos-do-mato não aparecem mais, os peixes diminuíram, os nambu e os jacamim não se encontram mais, e as frutas estão produzindo em época diferente”, finalizou a cacica.
Invasores deixam rastros
Além do caminho pela floresta, também é possível chegar à TI Juma pelo rio Assuã, um afluente do rio Purus, em um trajeto de cerca de 40 minutos de barco. A facilidade de acesso ao território deixa os indígenas cercados e expostos a diversos perigos, como o próprio desmatamento e a possibilidade de confronto, verbal ou físico, com suas lideranças.
No trajeto que fazem pelo rio para chegar à TI, os Juma costumam observar suas margens, em busca de caça ou para registrar as clareiras que são abertas pelos madeireiros, que entram em áreas protegidas para roubar madeira. Em junho de 2024, quando a reportagem foi até a aldeia, isso aconteceu. De longe, o grupo de cerca de cinco indígenas que estava no barco a motor viu restos de árvores derrubadas em um local com marcas de pegadas. Encostaram a embarcação na margem e registraram o caso.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Pública, escrito por Puré Juma
Com humor, comida boa e experiências incríveis, a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), lançou a série ‘Vem pro Acre‘, que mostra os destinos turísticos do estado e suas belezas. A série explora, além de destinos em meio à floresta, como a Trilha Chico Mendes, lugares mais urbanos, como o Palácio Rio Branco, que conta parte da história do Acre e funciona como sede do governo do Estado.
A série é produzida pela equipe da pasta e divulgada nas redes sociais. O apresentador Bruno Moraes visita cada local e mostra as experiências com muita informação e diversão garantida.
Além das trilhas, o Vem pro Acre deve mostrar também os museus que relembram e contam a história do estado e da população acreana, e outros destinos que despertam o interesse em saber mais da memória do Acre.
O ‘Vem pro Acre’ é mais uma das iniciativas para fomentar o turismo no estado. O titular da pasta, Marcelo Messias, ressalta a importância de projetos como este. “O Vem pro Acre é uma série que mostra nossos principais pontos turísticos em diversos municípios do estado nas rotas turísticas. Com o objetivo de fortalecer e dar mais visibilidade aos destinos, a série de vídeos vem ainda para aguçar a curiosidade não apenas dos visitantes, mas também dos acreanos e da população que reside no nosso estado”, afirma.
Foto: Divulgação
O Bruno Moraes explicou, ainda, o processo de criação da série. “É uma honra poder fazer parte desse projeto idealizado pela equipe de Comunicação da Sete. Essa ideia surgiu de uma necessidade de divulgar as atividades no Acre, tanto para atrair mais turistas, quanto para fazer com que os próprios acreanos desfrutem do seu espaço”, explicou.
O projeto é coordenado pela equipe de comunicação da Sete, integrada pelas jornalistas Karolini Oliveira e Maria Fernanda Arival, o film maker Marcos Rocha e o apresentador Bruno Moraes, em parceria com a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).
Os primeiros episódios já foram lançados na página da pasta no Instagram, podendo ser acessada pelo @turismoacre.
Adotar práticas de ESG – Ambiental, Social e Governança, é uma necessidade para as empresas mais modernas. O conceito é aplicável para todo o tipo de negócio, sendo determinante para o crescimento e desenvolvimento dos negócios contemporâneos.
Assim, estar preparado para atender ao que o conceito exige, é também um dever dos profissionais de diferentes áreas e setores, tanto na parte interna, quanto na parte externa da empresa.
Entre as características do ESG, destaca-se o impacto positivo na sociedade e nos ecossistemas, as relações interpessoais, a conservação do meio ambiente, gestão de processos, adoção de práticas administrativas eficientes, transparência, gestão de crise e riscos e a responsabilidade fiscal.
O curso oferece uma formação inovadora, projetada para capacitar profissionais a integrar os princípios de sustentabilidade, governança corporativa e responsabilidade social nas suas práticas empresariais.
Todo o conteúdo foi desenvolvido para preparar líderes empresariais para o futuro, com foco em estratégias ESG (ambientais, sociais e de governança) aliadas ao uso de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial.
Dessa forma, os estudantes aprenderão, durante a pós-graduação, a utilizar IA para aprimorar e otimizar estratégias sustentáveis nas organizações; analisar, em estudos de casos reais, simulações e projetos práticos para aplicar o conhecimento adquirido em desafios concretos e ainda perceber como a inovação e as ferramentas tecnológicas podem transformar a sustentabilidade e a responsabilidade social nas empresas.
“A pós-graduação da PUCPR prepara os estudantes para ingressar no mercado de trabalho com diferenciais competitivos por meio de uma ampla oferta de cursos de especialização em todas as áreas do conhecimento. Com formatos variados — presenciais, semipresenciais e a distância (EaD), tanto com aulas síncronas quanto gravadas —, os cursos são constantemente renovados e atualizados a cada edição”, explica o Diretor da Educação Continuada da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Emílio Borsa,
Quem pode realizar essa pós-graduação?
Como o objetivo do MBA é formar líderes empresariais capazes de implementar estratégias ESG eficientes, utilizando tecnologias de ponta para promover a transparência, a eficiência e a responsabilidade nas suas organizações, qualquer potencial líder pode se inscrever.
Por isso, se você quer saber mais sobre o tema para crescer na carreira e, ao mesmo tempo, é alguém com fortes habilidades de liderança, pensamento estratégico, capacidade analítica e foco em inovação, o lugar certo para transformar sua carreira é na PUCPR.
O mundo contemporâneo está repleto de desafios. Novas formas de se comunicar, de trabalhar e até mesmo de interagir entre os indivíduos trazem incertezas e inseguranças tanto para quem vai ingressar no mercado de trabalho, quanto para quem já está inserido no cotidiano profissional.
Por isso, a adaptação e a preparação devem ser constantes, em uma maneira de atualização para as práticas e processos mais modernos. Uma escolha inteligente para quem não quer perder espaço nesse cenário de volatilidade, é a busca por conhecimento constantemente.
O Diretor da Educação Continuada da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Emílio Borsa, expõe que a inovação é a aposta para enfrentar os desafios locais e globais, principalmente com a revolução digital e a crise climática.
“A pós-graduação lato sensu segue como a melhor opção para profissionais que buscam um caminho seguro para sua capacitação. Além de oferecer conteúdos, técnicas e ferramentas atualizados e organizados de maneira fluida, conta com o apoio de corpo docente qualificado e a segurança de que o aprendizado é relevante e reconhecido tanto pela comunidade acadêmica quanto pelo mercado de trabalho”, comenta.
Há mais de 65 anos, a PUCPR prepara seus alunos de graduação e pós-graduação para encarar todo e qualquer tipo de desafio, pois os estudantes são os protagonistas da aprendizagem. “O foco não está apenas na transmissão de conteúdo, mas no desenvolvimento da autonomia intelectual e da colaboração entre alunos, o que os prepara para resolver problemas complexos”, reforça Carlos.
Além disso, a instituição, signatária do Pacto Global da ONU, também orienta seus cursos para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, abordando questões como sustentabilidade e direitos humanos.
Foto: Divulgação
Reconhecimento e tradição aliados à compreensão da contemporaneidade
A PUCPR é a terceira melhor universidade privada do Brasil. Além disso, é destaque ainda pela produção científica de impacto e pela qualidade dos cursos de pós-graduação. A universidade integra tecnologia e inovação em seus programas, como o Centro de Realidade Estendida, que oferece uma experiência imersiva para alunos de graduação e pós-graduação.
Para quem já está no mercado de trabalho, a PUCPR também é uma escolha certeira com os cursos de pós-graduação online ao vivo. São mais de 100 cursos interativos, com uma metodologia que valoriza a aprendizagem personalizada. As aulas ao vivo permitem a participação ativa dos alunos, favorecendo o networking e a troca de experiências.
O formato de ensino flexível é ideal para quem busca equilibrar os estudos com outras responsabilidades profissionais e pessoais. Ao final do curso, os alunos recebem certificações reconhecidas pelo MEC, que podem ser usadas para aprimorar seus perfis profissionais no mercado de trabalho.
“A PUCPR se destaca pela inovação nos formatos de aula, nas estruturas de seus laboratórios com simulações de realidade estendida e nos sistemas de avaliação, garantindo uma experiência de aprendizado que combina flexibilidade, qualidade e alinhamento com as demandas do mercado, oferecendo soluções para o agora”, completa Borsa.
Com uma abordagem inovadora e alinhada às demandas do mercado, a PUCPR prepara seus alunos para uma carreira bem-sucedida, baseada em competências essenciais para enfrentar os desafios de um mundo em constante mudança.