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COP 30: soluções sustentáveis devem liderar agenda climática, dizem especialistas

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Foto: Rodolfo Pongelupe

Pela primeira vez, o Brasil sediará a maior conferência global sobre mudanças climáticas. A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) será realizada em Belém, no Pará, reunindo mais de 60 mil participantes, entre chefes de Estado, diplomatas, lideranças indígenas e tradicionais, empresários, investidores, ativistas e delegações dos 193 países membros da ONU. Com a Amazônia no centro das atenções, o evento é visto como uma oportunidade histórica para impulsionar soluções climáticas e baseadas na natureza efetivas.

A conferência traz pautas cruciais como a redução de gases do efeito estufa (GEE) e o financiamento climático por países desenvolvidos. Para especialistas, a realização da COP na Amazônia reforça a importância da região na luta contra as mudanças climáticas e destaca a necessidade de soluções sustentáveis. 

“A COP 30 é uma grande oportunidade para o Brasil, para a Amazônia, porque o país vai presidir e coordenar as negociações climáticas. Isso tem duas importâncias. Primeiro, o Brasil é muito reconhecido por sua competência diplomática; e segundo, a COP trará os impactos climáticos que tem nos afetados cotidianamente, principalmente os povos das florestas. Esse chamado para a realidade e a urgência possibilitarão que as negociações andem mais rápido”, pontua Victor Salviati, superintendente de Inovação e Desenvolvimento Institucional da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). 

A conferência ocorre após a COP 29, realizada em Baku, no Azerbaijão, que gerou frustração devido à falta de assertividade nas decisões climáticas. Um dos principais pontos discutidos foi a Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG, na sigla em inglês), que definiu o financiamento de US$ 300 bilhões anuais pelos países desenvolvidos até 2035. Entretanto, esse valor foi considerado insuficiente diante da demanda de US$ 1,3 trilhão por ano, conforme estabelecido no Acordo de Paris.

Outro ponto crítico é a falta de consenso sobre a redução do uso de combustíveis fósseis, tema que se arrasta desde a COP 28. Para Salviati, a COP 30 deve colocar essas questões em pauta e estabelecer metas realistas e ambiciosas com ampla participação social.

“Essa COP vai ser muito importante para que o governo brasileiro tenha uma plataforma muito compreensiva e inclusiva. A participação social vai ser muito intensa, que vai das Organizações da Sociedade Civil (OSC), movimentos sociais, lideranças indígenas, caboclas e quilombolas a empresas e cientistas. O governo brasileiro vai ter o nosso apoio para fazer da COP de Belém a ‘COP da Transformação’”, finaliza Salviati.

Virgilio Viana, superintendente geral da FAS, reforça que, apesar de ocorrer na Amazônia, a COP 30 não é um evento focado apenas no Brasil, mas uma agenda global que deve ampliar o debate sobre Soluções Baseadas na Natureza (SbN). 

“É necessário distinguir o que é uma COP na Amazônia e no Brasil, e uma COP sobre o Brasil. Essa não é uma COP sobre nosso país, ela é uma agenda global. O grande significado dela acontecer em Belém é que ela sai do Oriente Médio – países produtores de petróleo – e é importante que tenha ocorrido lá, porque o aquecimento global está ligado ao uso dos combustíveis fósseis. Com a vinda para o Brasil, a grande importância é debater as Soluções Baseadas na Natureza, o papel dos povos da floresta nesse debate, e o papel da diplomacia brasileira”. 

Com uma programação intensa, a FAS e diversas instituições já estão mobilizadas para a COP 30. “Enxergamos a COP como uma série de discussões de processo de tomada de consciência, educação, engajamento e, principalmente, decisões entre diversos setores na agenda de mudanças climáticas. A expectativa para a COP deste ano é enorme. A Amazônia estará no centro das atenções, e devemos estar preparados para cobrar as ações necessárias nessa agenda de mudanças climáticas, com um foco na adaptação. Não temos planeta B, precisamos agir agora”, finaliza.

Mais do que nunca, essa é uma oportunidade de trabalho conjunto entre governos, sociedade civil, empresas e organizações comprometidas com a floresta viva e com o cuidado com as pessoas que cuidam e vivem nela.

A ambientalista quilombola e superintendente de Desenvolvimento Sustentável da Comunidades da FAS, Valcléia Lima, reforça outro ponto importante que também deve ser levado em consideração nesta COP: a equidade de comunicação direcionada às populações tradicionais. 

“É fundamental que as vozes das comunidades tradicionais sejam ouvidas. Povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas vivem as consequências das mudanças climáticas de forma direta. Muitas vezes, esses grupos são excluídos dos debates ou confrontados com uma linguagem técnica que os distancia do processo decisório. A comunicação equitativa deve ser uma prioridade. Tornar acessíveis conceitos como resiliência, sustentabilidade e adaptação é garantir que essas populações possam participar ativamente, não apenas como espectadores, mas como protagonistas”, pontua.

*Com informações da FAS

72% dos moradores da Região Norte acreditam que eventos climáticos extremos foram piores em 2024

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Foto: Divulgação/Facebook-Prefeitura de Viseu (PA)

Para 72% da população do Norte do Brasil, eventos climáticos extremos, como inundações, tempestades e secas, por exemplo, foram piores em 2024. É o que revela levantamento feito pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

Essa percepção é mais recorrente entre quem vive em áreas metropolitanas, que corresponde a 34% da população da região. Entre os que tem renda familiar superior a 5 salários mínimos, a taxa é de 35%. Já 31% têm ensino superior. 

Somente 19% afirmaram que os eventos de 2024 foram iguais aos anteriores. Para outros 4%, foram melhores que o normal, enquanto 2% consideram muito melhores que o normal. 

Ainda de acordo com a pesquisa, 51% acreditam que as mudanças climáticas são um grande problema, porém, não uma crise. Já 27% acreditam ser uma crise; enquanto 10% consideram um problema menor. Outros 6% disseram não ser nenhum problema.

Quanto aos próximos 5 anos, 65% acham que os eventos climáticos serão mais fortes. Porém, para 18% serão moderados, para 6% menos fortes e para 2% muito menos fortes. 

Sobre a compreensão de que o estado onde mora está passando por mudanças climáticas há quase unanimidade, com 96% das respostas. Somente 3% não acreditam nesse cenário. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Brasil 61, escrito por Marquezan Araújo

MCTI e CNPq abrem chamada de R$ 33,5 milhões para pesquisas na Amazônia Legal

Vista do AmazonFace (Amazônia). Foto: Reprodução/G20 Brasil

Estão abertas as inscrições para a Chamada Pública do Programa Integrado de Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica (Pró-Amazônia) destinada a fortalecer a pesquisa na Amazônia Legal. O edital MCTI/CNPq 03/2025 vai destinar R$ 33,5 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) a projetos voltados ao avanço científico e tecnológico na região.

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

As propostas devem ser submetidas até 10 de junho. Os projetos devem ser realizados em parceria com pelo menos uma Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT) sediada em um país membro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), formada por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

A Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia (SCTA) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coordena a iniciativa. O objetivo é consolidar a base científica da região, incentivando pesquisas aplicadas, cooperação internacional e estratégias para reduzir desigualdades regionais.

A subsecretária substituta de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Cássia Damiani, explica que a SCTA participou da concepção do Pró-Amazônia e dos editais vinculados ao programa. A chamada mais recente reforça a colaboração entre os membros da OTCA.

“A SCTA reconhece a importância desse investimento como um instrumento essencial para fortalecer a pesquisa aplicada, estimular soluções inovadoras e promover uma cooperação internacional sólida, entre os pesquisadores. É por meio de ações como esta que avançamos na preservação dos recursos naturais e no desenvolvimento integrado da Amazônia, sempre com foco na valorização do conhecimento científico e no bem-estar das populações amazônicas”, disse.

A chamada contempla pesquisas em áreas como mudanças climáticas, cadeias produtivas da sociobiodiversidade, biotecnologia, recuperação de ecossistemas e inteligência artificial aplicada aos desafios da Amazônia. O resultado preliminar será divulgado em julho, com possibilidade de apresentação de recursos antes da publicação final.

A íntegra do edital está disponível no portal do CNPq.

Sobre o Pró-Amazônia

O Pró-Amazônia é um dos 10 programas estratégicos aprovados pelo Conselho Diretor do FNDCT para 2024 e tem como objetivo principal apoiar ou criar centros avançados de pesquisa, com colaboração entre instituições que atuem na ampliação do conhecimento científico da Região da Amazônia Legal, no aumento de recursos humanos capacitados, na melhoria da infraestrutura de ciência e tecnologia instalada e na diminuição das assimetrias regionais, sendo estas coordenadas por Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT) da Região da Amazônia Legal.

A Amazônia Legal é uma área de 5.217.423 km², que corresponde a 61% do território brasileiro. Além de abrigar todo o bioma Amazônia brasileiro, ainda contém 20% do Bioma Cerrado e parte do Pantanal Mato-Grossense. Ela engloba a totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Estado do Maranhão. Apesar de sua grande extensão territorial, a região tem apenas 21.056.532 habitantes, ou seja, 12,4% da população nacional e a menor densidade demográfica do país (cerca de 4 habitantes por km²). Nos nove estados residem 55,9% da população indígena brasileira, cerca de 250 mil pessoas, segundo a Funasa.

*Com informações do MCTI

Patente de processo inovador para produção de nibs de cupuaçu é registrada pela Ufac

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Foto: Reprodução/Ufac

A Universidade Federal do Acre (Ufac) conquistou o registro da patente ‘Processo físico de separação dos nibs e dos tegumentos de amêndoas fermentadas e secas de cupuaçu (Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) K. Schum)’.

Desenvolvido em parceria com a Cooperativa Reca, o método permite a separação eficiente dos nibs e tegumentos da fruta, tornando viável a produção de nibs de cupuaçu, produto alimentício de alto valor agregado e matéria-prima para fabricação de cupulate, análogo ao chocolate.

Leia também: Cupulate: pesquisadores estudam fabricação do chocolate de cupuaçu

Foto: Reprodução/Ufac

A pesquisa foi conduzida por professores e alunos da Ufac, junto com técnicos e agricultores da cooperativa, referência na agricultura familiar. Além do impacto econômico, a inovação agrega valor à produção local e fortalece práticas sustentáveis no setor.

O processo patenteado utiliza uma combinação de técnicas para a separação dos nibs e tegumentos das amêndoas fermentadas de cupuaçu. A torração ocorre em forno não rotativo a 130°C, seguida por trituração mecânica e peneiração em diferentes malhas.

A inovação está na aplicação do método de floculação em água, que permite separar os nibs das cascas de maneira mais eficiente e com menor custo, garantindo um alto rendimento e qualidade do produto final.

Foto: Reprodução/Ufac

Para o professor Eduardo Pacca Luna Mattar, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), a remoção do tegumento das amêndoas de cupuaçu sempre foi um desafio para a cadeia produtiva.

“Diferentemente do cacau, esse processo no cupuaçu é mais difícil. Nossa patente criou um método de baixo custo para essa separação, viabilizando a produção dos nibs de forma mais acessível e eficiente”, explicou.

O pedido da patente foi depositado em 1º de agosto de 2023 e publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 4 de fevereiro de 2025.

A iniciativa contou com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio do Edital nº 01/2020 do Programa de Residência Profissional Agrícola.

A gestão do processo de patente foi conduzida pelo Núcleo de Gestão do Conhecimento e da Tecnologia (NGCTEC), vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg). “Levamos a ideia ao NGCTEC e recebemos todo suporte para os trâmites junto ao INPI”, disse Mattar.

Os experimentos foram realizados na Unidade de Tecnologia de Alimentos (UTAL) da Ufac. “Esse é um marco para a universidade”, destacou.

*Com informações da Ufac

Aplicativo é usado para monitorar andadas reprodutivas do caranguejo-uçá no Amapá

Aplicativo de monitoramento de andada de caranguejo-uçá contribui para preservação da espécie. Foto: Elimarcos Sacramento/Redemar Brasil

Uma ação de benefício para as comunidades pesqueiras no Amapá foi lançada pelo Instituto Redemar em 2025. O ‘Projeto Costamar‘ monitora as andadas reprodutivas do caranguejo-uçá em campo e através de aplicativo digital.

Leia também: Você sabe o que é a “andada” dos caranguejos?

A ação é para a preservação da espécie no local, contribuindo para a pesca sustentável na região. O monitoramento também é feito através de um aplicativo, o ‘Remar Cidadão’, que permite uma colaboração em conjunto para a pesquisa.

Thiago Couto, que é biólogo marinho da Redemar Brasil, explicou ao Grupo Rede Amazônica que a ação além de contribuir para reprodução da espécie, funciona para a previsão do período de defeso sem interromper a cadeia de fonte de renda dos catadores.

“Ele serve para que a gente consiga prever quando que vai ser a andada reprodutiva do caranguejo-uçá e para que período de defeso do caranguejo seja no tempo certo […] Que a gente analisa e pega os dados para que os catadores não passem mais tempo do que o necessário sem pegar caranguejo nem que o caranguejo fique menos tempo necessário protegido da pesca”, contou.

A pesquisa acontece em parceria com a Petrobras, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e outras entidades.

Aplicativo ‘Remar Cidadão’

Qualquer pessoa pode utilizar o aplicativo e registrar ocorrências em qualquer ponto do litoral brasileiro, até mesmo offline. O aplicativo pode ser adquirido de forma gratuita para IOS e Android. A ferramenta já foi utilizada com sucesso pra monitoramento de caranguejos no Pará até Bahia.

Remar Cidadão – Android
Remar Cidadão – IOS

“O cidadão pode entrar no aplicativo e preencher os dados. Por exemplo: ‘vi uma andada no dia tal’, registra se ela foi forte, se ela foi fraca, se foi de dia ou noite. Todos esses dados, com a ajuda da sociedade como um todo, isso vai ajudar com que a nossa absorção seja mais precisa”, disse o biólogo.

Mapeamento de caranguejos

O enfoque do treinamento é a utilização do aplicativo, permitindo que os próprios pescadores possam enviar dados sobre os padrões reprodutivos do caranguejo-uçá. Essa ação contribui diretamente para que o poder público defina os períodos de defeso de forma mais precisa.

Até o momento, as equipes da Estação Ecológica de Maracá-Jipioca e no Parque Nacional do Cabo Orange recebem treinamentos para o trabalho.

Projeto vai percorrer toda a costa do Amapá. Foto: Divulgação/Redemar Brasil

Com o intuito de fomentar a ciência participativa e envolver ativamente pescadores, catadores de caranguejo e trabalhadores de Unidades de Conservação, três oficinas serão realizadas nas comunidades pesqueiras atendidas pelo projeto.

Outro objetivo do projeto é traduzir conhecimento científico em informações de fácil acesso para pescadores, contribuindo para uma melhor compreensão e cooperação entre esses atores.

“A gente acredita que os períodos de andada do caranguejo vão ser diferentes esse ano, não sabemos quando, pode ser que aconteça no verão e no inverno […] Por isso a necessidade de implementar o projeto”, finalizou o pesquisador.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Búfalos selvagens: ainda sobre a ação civil contra os gigantes gentis do Guaporé

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Foto: Reprodução/Acervo NGI Cautário-Guaporé

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

A recente Ação Civil Pública (ACP) proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), que busca a erradicação total dos búfalos selvagens da Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, fronteira com a Bolívia, tem gerado intensos questionamentos sobre sua base científica e as implicações éticas da medida proposta. A ACP sustenta-se quase exclusivamente no estudo realizado por Lidiane França da Silva, em 2021, na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), levantando dúvidas sobre a abrangência e a solidez da análise apresentada.

Os búfalos chegaram à região na década de 1950, introduzidos na antiga Fazenda Pau D’Óleo, e hoje somam cerca de 5 mil indivíduos, chamados “Gigantes Gentis” devido à docilidade e à forma harmoniosa com que convivem com a natureza. A ACP propõe medidas drásticas, fala 28 vezes em “erradicação” – que é uma expressão leve para na verdade a matança – especula-se há anos que seria por vários meios, inclusive abate aéreo a tiros, alegando danos ambientais significativos, como compactação do solo, erosão e ameaça às espécies nativas.

Contudo, outros estudos, como os realizados por Eduardo Lage Bisaggio e técnicos do ICMBio, trazem abordagens mais moderadas. Esses trabalhos reconhecem que, após décadas, os búfalos se adaptaram ao ecossistema amazônico, recomendando estratégias de manejo sustentável e controle populacional, em vez da erradicação total sugerida pela ACP.

Outro ponto questionável na ACP é a estimativa, considerada exagerada por especialistas, de que a população de búfalos poderia alcançar rapidamente 50 mil indivíduos, (pulando de 5 mil em seis anos) caso medidas extremas não sejam tomadas imediatamente. Tal previsão não encontra respaldo sólido nos dados e em metodologias pertinentes, ampliando ainda mais as dúvidas sobre a urgência e necessidade das medidas extremas pedidas pelo MPF.

Em recente despacho judicial, o juiz responsável pela ACP destacou que o caso é “complexo” e determinou que o Instituto Chico Mendes (ICMBio) e o Estado de Rondônia se manifestem oficialmente antes de qualquer decisão judicial. Essa determinação abre um importante espaço para que diferentes perspectivas sejam apresentadas, enriquecendo o debate técnico-científico e ético sobre o tema.

Essas manifestações, tanto do ICMBio quanto do Estado de Rondônia, podem trazer novas informações, especialmente sobre alternativas sustentáveis já aplicadas em outras regiões amazônicas, que optaram pelo manejo populacional ao invés do extermínio total. Assim, torna-se evidente que uma visão ampliada do problema, baseada em múltiplas vozes científicas e éticas, será fundamental para evitar uma decisão apressada e potencialmente prejudicial.

Exemplo disso é o recente acordo firmado no Amapá, onde um pecuarista comprometeu-se a retirar 2 mil búfalos do leito assoreado do rio Araguari, sem que houvesse a necessidade de erradicação dos animais. Essa solução negociada demonstra que é possível conciliar a preservação ambiental com o manejo responsável dos búfalos, evitando medidas extremas e garantindo a sustentabilidade do ecossistema.

Nesse contexto, fica evidente a complexidade apontada pelo juiz responsável pela ação, que corretamente decidiu ouvir as partes diretamente envolvidas antes de avançar em qualquer decisão. A ampliação desse diálogo será crucial para uma solução ética, científica e equilibrada, que respeite tanto a vida dos “Gigantes Gentis” quanto a integridade ambiental da Amazônia.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Rondônia sedia Concurso Nacional de Cacau pela primeira vez

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Foto: Irene Mendes/Secom RO

Pela primeira vez, Rondônia sediará uma edição do ‘Concurso Nacional de Cacau Especial: Sustentabilidade e Qualidade’. A sétima edição do evento de premiação será realizada em dezembro deste ano em Cacoal. As inscrições para o concurso abrem dia 31 de março e seguem até 22 de agosto.

A disputa, que tem como objetivo valorizar os produtores brasileiros e fortalecer a cacauicultura nacional, premiará até 100 mil reais, distribuídos entre os vencedores do primeiro, segundo e terceiro lugares nas categorias Mistura/Blend e Varietal.

Leia também: Produtor rondoniense conquista prêmios nas duas categorias do Concurso Nacional do Cacau Especial

Poderão concorrer produtores de cacau de todo o Brasil, desde que os lotes inscritos tenham sido produzidos no país no ano de 2025. O edital e o passo a passo para participar estão disponíveis no site oficial do concurso.

Rondônia na cacauicultura nacional

O estado se destaca na cacauicultura, ocupando a 4ª posição no ranking dos maiores produtores de cacau do Brasil e o 2º maior produtor da Região Norte, com mais de 3 mil produtores.

Em seis edições do concurso, Rondônia já ganhou seis prêmios nas duas categorias da premiação.

Leia também: Cacau de Rondônia recebe selo de Indicação Geográfica

O Concurso Nacional de Cacau Especial – Sustentabilidade e Qualidade, em sua 7ª edição, é um marco na valorização do cacau brasileiro e no fortalecimento da cacauicultura nacional.

De acordo com o governo de Rondônia, o evento representa uma jornada de transformação, reconhecimento e impacto social, promovendo a qualidade, a sustentabilidade e a competitividade do cacau brasileiro no cenário internacional.

Sustentabilidade e inovação: Amazon Sat transmite II Fórum ESG Amazônia; confira a programação

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Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

O II Fórum ESG Amazônia, realizado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), ganha uma nova edição para abordar questões fundamentais relacionadas ao ESG (Ambiental, Social e Governança) na região amazônica.

O evento, que acontece dia 21 de março em Manaus (AM), tem como tema central ‘CIEAM e SUFRAMA Rumo a COP30’, com o objetivo de iniciar as discussões que devem seguir até a realização do evento, marcado para novembro em Belém (PA).   

O evento reúne especialistas para tratar, por exemplo, de sustentabilidade, transição energética, diversidade e inclusão social. Cases de empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), que já implementaram os critérios social e de governança dentro de suas organizações, fazem parte da programação.

A primeira edição Fórum aconteceu em março de 2024. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

Para a coordenadora da Comissão CIEAM de ESG, Régia Moreira, a ideia é introduzir cada vez mais esses pilares, que são tão importantes não apenas para as indústrias, mas para todo ser humano.

“Nós estamos em uma caminhada, em uma trilha de conhecimento, de abordagem, de introdução do ESG nas indústrias. Nesse fórum vamos mostrar alguns painéis de indústrias que já estão utilizando os pilares da sustentabilidade, do social e de governança. A ideia é introduzirmos cada vez mais esses pilares que são tão importantes. O ESG não é apenas para as indústrias, é para todo ser humano. Todos nós precisamos exercer esses três pilares em nossas vidas: a educação ambiental, a inclusão social e a governança”, ressaltou Régia.

O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, destaca a importância das iniciativas voltadas para ESG no desenvolvimento regional. 

“A sustentabilidade e as práticas de ESG são fundamentais para garantir que o desenvolvimento econômico ocorra de maneira responsável e que os recursos naturais sejam preservados. É uma temática que está ganhando cada vez mais destaque e espaço na agenda global, então nossa intenção ao realizar este evento de extrema importância, em parceria com o CIEAM, é que as empresas da ZFM possam não apenas disseminar e incorporar boas práticas de gestão, mas também se posicionar como exemplos de desenvolvimento sustentável, contribuindo para a imagem da nossa região nacional e internacionalmente ao promover produtos que sejam fabricados com responsabilidade social e ambiental”, destacou Saraiva

Transmissão ao vivo

O canal Amazon Sat vai transmitir ao vivo três painéis do evento:

  • 10h10 – Palestra: Agenda ESG – Custos ou Oportunidades para a Amazônia Brasileira
  • 11h10 – Palestra: FRAM + Rede Educa: Trilha do Conhecimento em ESG na Amazônia
  • 13h20 – Palestra: Transição Energética: Caminhos para um Futuro

Após o termino, você também poderá conferir tudo que rolou no II Fórum ESG Amazônia, de forma compacta, durante toda programação semanal do Amazon Sat.

Veja a programação completa do evento:

Grupo de Percussão da UEA lança primeiro álbum musical em plataformas digitais gravado em laboratório

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Foto: Reprodução/Arquivo Grupo de Percussão da UEA

O Grupo de Percussão da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), desenvolvido na Escola Superior de Artes e Turismo (Esat/UEA), lança seu primeiro álbum musical, contendo oito faixas, em todas as plataformas de streaming. A data de lançamento está programada para o dia 21 de março.

Formado por alunos do curso de Música da universidade e músicos amazonenses convidados, o grupo explora um repertório que abrange desde obras escritas para percussão até arranjos que refletem a diversidade rítmica e tímbrica desse universo sonoro. O primeiro álbum do Grupo de Percussão da UEA foi gravado no Laboratório de Percussão (Laperc), localizado na Esat, consolidando a missão de formar percussionistas versáteis e ampliar o público da música percussiva.

Segundo o professor Tarcísio Braga, além da performance, o grupo incentiva a criação e escrita de arranjos originais, aprimorando a leitura musical, a improvisação e a interpretação em diversos estilos. Sua atuação também se estende ao ambiente de estúdio, proporcionando aos músicos uma imersão na dinâmica de gravação.

Sobre as músicas, o professor comenta que são utilizados instrumentos incomuns e não usuais, como a marimba, instrumento de percussão com teclas de madeira; vibrafone; metalofone. Além desses, também foram usados instrumentos de choro (como violão, pandeiro, bandolim), baixo elétrico, bateria.

Foto: Reprodução/Arquivo Grupo de Percussão da UEA

Sobre o álbum

Braga fala que o repertório vai desde a música clássica, onde as faixas 5, 6 e 7 contém obras de Johann Sebastian Bach; composições dos alunos do curso de Música da UEA, como a faixa ‘Acarí’, de Célio Vulcão.

“A formação também toca standards de jazz, como Blue Bossa ou Afro Blue, que são obras do repertório da música improvisada do jazz, e a gente fez nosso próprio arranjo. Essas partituras estão no nosso site. Temos também peças tradicionais para a formação de grupo de percussão, como o Akadinda, que é uma composição para marimba, toda escrita na partitura, onde são três percussionistas na marimba”, afirma.

Mais informações podem ser encontradas no site do Laperc: https://sites.google.com/uea.edu.br/laperc/
Pré-save do lançamento: http://tratore.ffm.to/ueaperc

*Com informações da UEA

Madeira de manejo se transforma em peças utilitárias e decorativas pelas mãos de artesão acreano

Foto: Bruno Moraes/Sete

Gamelas, colheres, copos, pratos, artigos de decoração e outros objetos fazem parte do tesouro produzido pelo acreano Antônio Geraldo Sobrinho, que há mais de 20 anos utiliza madeira de manejo para criar suas peças. A narrativa de sua história marca o Dia Mundial do Artesão, celebrado em 19 de março.

Aos 60 anos, Antônio possui um ateliê no quintal de sua casa, em Rio Branco, no Acre, de onde sai toda sua produção.

“O artesanato é uma das melhores terapias. Eu gosto muito. O artesanato representa tudo para mim. Às vezes até esqueço de comer, porque estou entretido no trabalho. Ele é um controle psicológico, deixa a gente tranquilo”, destaca.

Sua arte é também sua fonte de ganho: “É a minha única renda. Há momentos em que conseguimos algo melhor, em outros é mais difícil. Já tive encomendas para outros estados, e também há peças minhas em outros países, que não foram encomendadas diretamente comigo, mas são minhas. No Brasil, já enviei peças para São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina”.

“Para mim, tudo é arte”

Antônio conta que, antes de se dedicar profissionalmente ao artesanato, já tinha noção de como era a produção. “A partir de 2000, comecei a produzir as primeiras peças, que não eram tão boas, mas, conforme fui aperfeiçoando, criei outras. Nós produzimos as peças, mas sempre pensando em criar novas”, relata.

Ressalta ainda que toda a madeira usada vem de manejo, de forma legalizada.

“Eu não vou desbravar e derrubar a floresta. Entro em contato com as pessoas que fazem manejo e pego. Tudo é legalizado, e a gente ajuda o meio ambiente a se alegrar com a gente, por manter e cultivar as árvores. Por isso, aproveito qualquer pedaço de madeira, seja tora ou pedaço pequeno. Para mim, tudo é arte”, avalia.

E o artesão gosta de desafios. “Quando me mostram algo que não faço, digo ‘não pergunte se eu faço, pergunte quanto custa’. As pessoas acham engraçado, mas eu digo que a arte já está dentro de mim. Eu nasci para o artesanato, é o meu trabalho”, explica, com risadas.

Produzindo diversas categorias de peças, Antônio cita algumas das madeiras com as quais trabalha: “Uso cumaru-ferro, cerejeira, cedro, aroeira e teca. Na minha casa, plantei cerejeira, mas é para ajudar a manter a floresta e o meio ambiente. Esse trabalho, para mim, é tudo. Mesmo que eu tivesse outro emprego, ainda assim dedicaria algumas horas ao artesanato”.

Leia também: Oficinas resgatam tradição do grafismo e teçume de arumã e tucum em artesanatos de mulheres indígenas

Antônio também cuida da renovação do seu portfólio: “Graças a Deus, a cada ano, tenho uma peça diferente. A peça que eu produzia antes, faço menos, e invisto na próxima. Não trabalho por esporte, trabalho com artesanato porque gosto”.

Em Rio Branco, o artesão tem peças expostas para comercialização na Casa do Artesanato Acreano (atualmente com funcionamento suspenso devido à cheia do Rio Acre), na Rua Eduardo Assmar, em frente ao Calçadão da Gameleira, mas também recebe encomendas por WhatsApp pelos números (68) 984165232 e (68) 992056468 ou Instagram @antoniogeraldoac.

Arte, economia, turismo e patrimônio

O titular da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), Marcelo Messias, destaca a atuação dos artesãos locais, que contam a história e preservam a identidade da população do Acre.

“Neste dia, ressaltamos a importância de cada mão talentosa que transforma matérias-primas em verdadeiras obras de arte, que leva o nome do nosso estado para o Brasil e o mundo. O artesanato não é só arte, é economia, turismo e patrimônio. Na Sete, valorizamos esse trabalho com incentivo, capacitação e oportunidade de negócios. A cada peça produzida, temos um pouco da nossa história sendo contada e nossa essência preservada”, ressalta.

Para promover cada vez mais o artesanato, o governo do Acre, por meio da Sete, realiza capacitações, caravanas de cadastramento nos municípios e oportunidade de negócios com participações nas feiras nacionais e internacionais, que levam o nome e a riqueza deste trabalho manual que representa o Acre para diversos lugares do mundo.

Além disso, a Casa do Artesanato Acreano, reúne peças de artesãos dos mais variados segmentos como biojoias, cerâmicas, palha e produtos feitos por indígenas.

A coordenadora do Artesanato Acreano na Sete, Risoleta Queiroz, afirma que o objetivo da data é valorizar os profissionais do setor, destacar o trabalho na sociedade e promover a autonomia e a economia local.

“O artesanato brasileiro é diverso, com características diferenciadas de norte a sul. A produção artesanal é influenciada pelas comunidades locais e pela matéria-prima disponível na região. O trabalho artesanal é uma fonte de renda para muitas famílias e os conhecimentos para a produção artesanal são passados de geração em geração”, diz.

Risoleta lembra ainda que o artesanato acompanha a história da espécie humana ao longo dos anos: “Sofreu mudanças, novos olhares e hoje é uma ferramenta artística que conserva culturas e muito significado, para além da produção de um objeto decorativo ou de um adereço para o corpo. O papel do artesão na sociedade não é somente de mão de obra, mas de produção artística importante para o mundo”.

*Com informações da Agência Acre