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Dados de desmatamento e focos de calor na BR-319 mostram cenário complexo, aponta estudo

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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

A Amazônia, região estratégica para bem-estar das atuais e futuras gerações, apresenta um cenário de contrastes na área de influência da rodovia BR-319. A ‘Retrospectiva 2024: Desmatamento e focos de calor na área de influência da rodovia BR-319‘, publicação anual do Observatório BR-319, que chega a sua quarta edição em 2025, traz um panorama do cenário de 2010 a 2024, que mostra avanços recentes na redução do desmatamento, mas evidencia o agravamento dos focos de calor, alertando para os riscos que se impõem à floresta e às populações locais.

“A escolha desse período visa evidenciar, com mais clareza e profundidade, as oscilações significativas do cenário na Amazônia Legal – especialmente na região do Interflúvio Madeira-Purus –, marcada por momentos de redução e aumento, refletindo as dinâmicas de pressão ambiental na região. Nesse contexto, a área foi monitorada de forma contínua, revelando importantes tendências e desafios para a conservação da floresta nessa região”, diz trecho da publicação.

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Heitor Paulo Pinheiro, especialista em geoprocessamento e analista do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), responsável pelos dados da publicação, avalia que essa retrospectiva é “um marco para as análises, e uma base para entender melhor as dinâmicas do Interflúvio Madeira-Purus, pois traz dados importantes para subsidiar políticas públicas eficazes na região. Assim, com tudo que foi apresentado na retrospectiva, podemos afirmar que, melhorar a fiscalização é fundamental para se poder pensar novamente em pavimentação”.

“Os dados apresentados demonstram uma trajetória complexa do desmatamento e dos focos de calor na Amazônia Legal, especialmente na área de influência da BR-319. Há um padrão de crescimento do desmatamento até 2022, seguido por uma redução significativa em 2023 e 2024. No entanto, os focos de calor apresentam variações mais instáveis, com aumento em algumas áreas e redução em outras”, acrescenta Heitor. “Isso indica que, embora o desmatamento esteja sendo contido em algumas regiões, ainda há desafios na contenção de incêndios florestais. Além disso, o aumento de desmatamento em Unidades de Conservação federais, como a Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro em Rondônia e o Parque Nacional (Parna) Mapinguari entre Amazonas e Rondônia, preocupa, pois indica pressão crescente sobre Áreas Protegidas, que como o próprio nome indica, deveriam estar resguardadas dessas situações”, explica.

Leia também: BR-319: A história e a realidade da rodovia que liga o Amazonas ao Brasil

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

O ano de 2024, o mais quente da história, trouxe contrastes importantes. De um lado, os dados de desmatamento indicaram uma queda significativa em relação aos anos anteriores. O desmatamento total na Amazônia Legal foi de 358.503 ha, uma redução de 11,08% em relação a 2023. No Amazonas, o desmatamento caiu para 72.876 ha, enquanto Rondônia registrou 20.976 ha, marcando uma redução de 34,5% em relação ao ano anterior.

Entretanto, nem tudo são boas notícias. Em setembro de 2024, foram registrados 41.463 focos na Amazônia Legal – um aumento de 24,7% em relação a 2023. Municípios como Porto Velho, em Rondônia, foram os mais impactados, enquanto Áreas Protegidas, como a Flona do Bom Futuro apresentou um crescimento alarmante de 81,3% nos focos de calor em 2024, totalizando 87 focos em relação aos 48 de 2023, e o Parna dos Campos Amazônicos teve um aumento expressivo de 157% no mesmo período, saindo de 91 em 2023 para 234 em 2024.

A intensificação dos focos de calor está diretamente relacionada à seca extrema que acomete a região desde 2023, agravando queimadas que comprometem recursos hídricos e elevam os riscos de doenças respiratórias em cidades como Manaus e Porto Velho. Municípios como Manicoré e Humaitá continuam a enfrentar a dura realidade de um ambiente cada vez mais suscetível às mudanças climáticas.

Leia também: Seis municípios acumulam 94% do desmatamento na BR-319 em 2022

Governança e respeito aos direitos constitucionais

A Retrospectiva 2024: Desmatamento e focos de calor na área de influência da rodovia BR-319 não é apenas um levantamento estatístico – é um alerta para a sociedade e para os gestores públicos. “Apesar dos avanços no controle do desmatamento, o aumento dos focos de calor ressalta a urgência de políticas públicas integradas e de um monitoramento ambiental rigoroso. A conservação da Amazônia depende do fortalecimento dos órgãos ambientais, da conscientização das comunidades locais e da implementação de medidas que garantam a sustentabilidade para as atuais e futuras gerações”, avalia o secretário executivo do Observatório BR-319, Marcelo da Silveira Rodrigues.

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Para Marcelo, a publicação mostra dados preocupantes. “Eles são um alerta de que o processo da BR-319 está acontecendo e, com isso, consequências deletérias para as quais precisamos exigir a mitigação de impactos, como o cumprimento de medidas previstas em leis, recomendações do Ministério Público Federal e organizações da sociedade civil, que reiteradas vezes nos últimos 15 anos, indicam a necessidade de reforço de profissionais para órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), para as secretarias de meio ambiente estaduais e para o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), através de concursos públicos específicos para a região”, destaca Marcelo.

Leia também: Desmatamento e focos de calor apresentam queda em 2023 na área de influência da BR-319

Ele também defende que os dados indicam, entre outras coisas, que o poder público “precisa tomar as rédeas do processo de licenciamento e outras obras em andamento da rodovia: qualificando, sobretudo, a governança local, dando condições para que o Estado esteja presente, tanto com órgãos de comando e controle, quanto com assistência social, em saúde, em educação e no acesso a direitos em geral que garantam condições de cidadania para a população local e, portanto, também condições de respeito ao meio ambiente, que é um direito difuso de todos cidadãos”.

A importância do Interflúvio Madeira-Purus para o clima e o bem-estar local e global também é outro ponto que o secretário executivo do Observatório BR-319 destaca.

“A ascensão dos focos de calor na Amazônia Legal, especialmente na área de influência da BR-319, tem causas antrópicas, como invasões de terras para atividades ilegais de desmatamento, grilagem, abertura de pastos e ramais, que é intensificada pela ausência do Estado e agravada pela crise climática. Isso se converte em grandes secas no Amazonas e em Rondônia, além de cheias no Acre, pois não podemos mais analisar os impactos apenas de maneira local. E também destroem o potencial de desenvolvimento de uma matriz econômica sustentável de baixo carbono e baseada na bioeconomia, que acaba afetando o bem-estar de populações indígenas, ribeirinhas, extrativistas e tradicionais em geral, assim como nas sedes dos municípios”, avalia.

Marcelo também chama a atenção para o respeito à autodeterminação das populações indígenas e tradicionais. “Já temos 15 protocolos de consulta de territórios da área de influência da BR-319, onde essas populações mostram como querem dialogar sobre toda e qualquer medida que reverbere em impactos nas suas comunidades e modos de vida. O poder público precisa criar espaços para que esses diálogos sejam construídos e essas pessoas ouvidas, pois elas também serão afetadas por obras como a BR-319 e são sujeitos de direitos previstos na Constituição e precisam ser respeitadas”, conclui.

*Conteúdo publicado originalmente pelo Observatório BR-319

Senar oferta curso visando a valorização da agricultura familiar indígena em Roraima

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A Comunidade Indígena do Jabuti, no município de Bonfim, em Roraima, tem ganhado notoriedade pela valorização da agricultura familiar indígena. Um dos grandes incentivadores da causa é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que proporciona mudança de atitude do produtor e do trabalhador rural.

O principal objetivo é ampliar a capacidade produtiva das famílias indígenas para aumentar a produção de alimentos e geração de renda, através do treinamento de formação profissional Rural da Comunidade Indígena do Jabuti. A comunidade aprendeu a aproveitar o que mais tem facilidade em produzir: a pimenta. 

Angélica Souza foi uma das alunas que aprenderam, durante o curso, a produzir molhos, compotas e geleias de pimentas que são cultivadas na comunidade.

“Sobre o curso de beneficiamento da pimenta aprendi a fazer várias receitas. A gente planta o pé de pimenta, colhe a frutinha dela e, aqui com o Senar, aprendemos a aproveitar os frutos”, disse a indígena.    

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar, com esses cursos a comunidade aprende a agregar valor aos produtos locais, implementam uma visão empreendedora para vender além da matéria-prima, agregando conhecimentos técnicos de boas práticas de manipulação de alimentos. 

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Ao todo, foram ensinadas nove receitas com pimentas que já eram plantadas na comunidade. As pimentas mais cultivadas na localidade são malagueta, dedo de moça e olho de peixe.

Confira:

Manaus é candidata ao título de Cidades Criativas da UNESCO

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Foto: Clóvis Miranda/Semcom Manaus

Manaus (AM) pode vir a integrar a seleta Rede de Cidades Criativas da UNESCO, que incentiva a cooperação entre destinos onde a criatividade é ferramenta estratégica de desenvolvimento urbano sustentável. Além da capital amazonense, que concorre na categoria ‘Gastronomia‘, São Paulo (SP) também concorre, mas na categoria ‘Cinema’.

As cidades foram escolhidas no dia 21 de fevereiro pelo Comitê de Seleção do Governo Federal, do qual fazem parte a Comissão Nacional do Brasil para a UNESCO e os ministérios do Turismo e da Cultura. No total, foram analisadas dezenas de candidaturas, das quais 9 obtiveram a classificação mínima.

A decisão considerou vários critérios da UNESCO, como alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, a história e o patrimônio dos municípios; a sinergia junto a outras áreas criativas; a viabilidade financeira; a capacidade do município de contribuir e se engajar na Rede e a adesão de autoridades municipais ao processo.

A disputa também se baseou em quesitos como a qualidade da apresentação das cidades nas línguas inglesa ou francesa e os materiais de divulgação, a exemplo de fotos e websites. Também nortearam o processo de seleção o equilíbrio e potencial regional para atuar em rede, de modo a privilegiar áreas geográficas e especialidades criativas com menor representação internacional na Rede. A partir de agora, São Paulo e Manaus serão submetidas à apreciação da UNESCO.

As duas cidades endossadas pelo governo federal deverão formalizar suas candidaturas na plataforma da entidade até 3 de março, à meia-noite, horário de Paris (20h no horário do Brasil).

Presença brasileira

O Brasil ocupa atualmente uma importante posição na Rede, atrás apenas da China e empatando com a Itália no número de Cidades Criativas. Ao integrarem a Rede, os municípios devem se comprometer a compartilhar boas práticas, firmar parcerias para promover as indústrias da cultura e da criatividade nos planos de expansão urbana e cooperar para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A última seleção realizada pelo Brasil para a participação no processo internacional ocorreu em 2023, quando foram escolhidas Penedo (AL) e Rio de Janeiro (RJ), nas categorias Cinema e Literatura, respectivamente.

Além delas, outras 12 localidades brasileiras compõem o seleto grupo:

  • Belém (PA), Florianópolis (SC), Paraty (RJ) e Belo Horizonte (MG), na categoria Gastronomia;
  • Brasília (DF), Curitiba (PR) e Fortaleza (CE), em Design;
  • Salvador (BA) e Recife (PE), na área de Música;
  • Santos (SP), no Cinema;
  • João Pessoa (PB), na divisão Artes Populares;
  • e Campina Grande (PB), em artes midiáticas.

Fase internacional

Manaus disputou com mais de 20 cidades e agora segue para a fase internacional do processo seletivo para obter o Selo da Gastronomia Criativa.

Para o prefeito David Almeida, a classificação para a fase internacional é motivo de comemoração, uma vez que torna mundialmente conhecida a riqueza culinária de Manaus.

“Todo manauara conhece a riqueza culinária da nossa cidade. Os turistas, quando provam nossas iguarias como o tambaqui, jaraqui, o tucumã, ficam encantados. Esses alimentos estão presentes na nossa cultura e no nosso dia a dia. Com essa candidatura, apresentamos esse tesouro para o mundo. Fico feliz com a conquista nacional e agora vamos atrás desta vitória internacional. Manaus merece esse selo, que será um reconhecimento a todos os envolvidos e, tenho certeza, que nossa cidade entra na rota turística da gastronomia”, afirmou Almeida.

Para divulgar a gastronomia da cidade, a Prefeitura de Manaus lançou o site www.manauscidadecriativa.com.br e o perfil no Instagram @visitamanaus. Lá, os interessados podem ter acesso a matérias produzidas sobre a culinária local, o vídeo de divulgação da candidatura e uma lista de pratos e matérias-primas típicas da cidade.

O resultado final do Selo da Gastronomia Criativa será divulgado em outubro.

*Com informações do Ministério das Relações Exteriores e Prefeitura de Manaus

Cultivo de mandioca fortalece tradições indígenas e sustento na Serra da Moça, em Roraima

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Plantio de mandioca na Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

O plantio de mandioca nas comunidades indígenas é uma prática milenar que vai além do sustento, representando vínculo com o cultivo da terra. Diante da importância cultural e econômica para povos originários, agricultores da Serra da Moça, região do Murupu, seguem com o cultivo do alimento até hoje.

Utilizando técnicas tradicionais passadas de geração em geração, os indígenas plantam a mandioca, promovendo biodiversidade e sustentabilidade. De acordo com o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Guilherme Adjuto, o trabalho técnico também incentiva os produtores a identificarem escassez no mercado.

“Nas comunidades indígenas, a gente fomenta todas as etapas de produção, desde o plantio, fornecimento de insumos e assistência técnica. Nós direcionamos e incentivamos a produzirem aquilo que o mercado está pedindo, respeitando a cultura e suas particularidades”, disse.

Leia também: Mandioca ou macaxeira: pesquisadora paraense explica as diferenças

Saberes culturais

Além disso, o cultivo reforça a identidade cultural e a autonomia dos indígenas, mantendo vivo saberes e fortalecendo a resistência frente aos desafios econômicos e climáticos. Contemplados com o sistema de irrigação por energia solar, os produtores mudaram a realidade, segundo o vice-tuxaua da Serra da Moça, Lailton André.

Plantio de mandioca na Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

“Com a irrigação, as coisas melhoraram muito. Antes, a gente produzia pouco e em pequena quantidade porque dependíamos das chuvas, ou seja, a plantação ocorreria apenas no inverno e no pé da serra. Hoje, a nossa realidade é completamente diferente, pois produzimos o ano todo e em uma área perto de casa”, contou.

Na região, os agricultores indígenas optam pela monocultura. Ao longo dos anos, na comunidade já produziram melancia, macaxeira, abóbora, maxixe, feijão e agora, a mandioca. Trabalhando no campo desde a infância, o produtor Justino Carlos, coleciona mais de 50 anos de experiência com o cultivo da terra.

“Se não fosse o apoio da Prefeitura de Boa Vista, a gente teria pouca coisinha, não tinha como desenvolver, porque não tinha água. Então, a gente agradece que estão sempre ajudando. Recebemos a fotovoltaica e teve uma diferença muito grande para plantar, porque no verão ela é molhada”, contou.

Leia também: Portal Amazônia responde: a mandioca é tóxica?

Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

De crianças a adultos

Todos os moradores das comunidades são envolvidos na produção, crianças, adultos e idosos. Com frequência, entre as atividades pedagógicas das escolas indígenas, os alunos são levados até a lavoura para interagir com os trabalhadores. Com o método, é garantindo a transição de saberes para as gerações mais novas.

Estudante do 4º ensino fundamental, Stven Eler, de 10 anos, foi com a turma da escola para visita a lavoura. “A gente sempre vem até aqui com a professora. É muito divertido porque encontramos as pessoas trabalhando e conseguimos ver tudo o que tem na roça. É bem interessante”, relatou.

Todos os moradores das comunidades são envolvidos na produção, crianças, adultos e idosos. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

Zelador cuida sozinho de museu em Porto Velho

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O Memorial Jorge Teixeira: espaço cultural esquecido. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O Memorial Governador Jorge Teixeira, localizado na capital rondoniense, enfrenta um estado de abandono há cerca de um ano. O único responsável pela preservação do espaço cultural é o zelador Salomão Arlindo, que recebe um salário mínimo mensal. “Comprei uma roçadeira por conta própria e faço o que posso. Mas faltam recursos para produtos de limpeza e sacos de lixo”, relatou Salomão, que trabalha no local há duas décadas. Ele faz campanha para arrecadar doações por pix.

O Memorial, que integra o roteiro turístico da cidade, está aberto à visitação mediante agendamento. Sem os devidos cuidados, a manutenção do espaço depende inteiramente do dedicado funcionário, e corre o risco de ser fechado. Nas redes sociais, vídeos de Salomão realizando a manutenção do imóvel geraram elogios à atitudes, mas críticas às instituições públicas. Comentários apontam que as autoridades não dão a devida atenção ao patrimônio histórico de Rondônia.

Inaugurado na década de 1990, o museu abriga diversas relíquias relacionadas à biografia de Jorge Teixeira, o último governador do Território Federal de Rondônia e o primeiro do estado. Teixeirão, como era conhecido, governou de 1979 a 1985, e foi uma figura mítica na política local. Dois municípios, Teixeirópolis e Jorge Teixeira, além do Aeroporto Internacional de Porto Velho, foram nomeados em sua homenagem.

Salomão Arlindo: sacrifício pessoal para cuidar de um espaço público. Foto: Reprodução/Facebook

O Memorial GJT funciona na antiga residência oficial dos governadores, construída no final da década de 1940, à rua José do Patrocínio, 501, esquina com Euclides da Cunha; está no Centro Histórico, próximo ao antigo Palácio Presidente Vargas, sede do Poder Executivo estadual até 2015. O local possui uma estátua de bronze de Teixeirão no jardim frontal, de onde se avista o Rio Madeira e a Usina Hidrelétrica de Santo Antônio.

A historiadora Yêdda Borzacov e a jornalista Maria Aparecida de Souza, conhecida como Cida, se dedicaram à preservação do espaço enquanto puderam. Mantido por uma associação em convênio com o Governo Estadual, o Memorial foi sendo abandonado com a avançada idade de Yêdda e a morte de Cida, em 2020. Elas atuaram voluntariamente, mesmo aposentadas do serviço público, para garantir a preservação do local, por amor à história.

O acervo

Repleta de condecorações, indumentárias, objetos pessoais, obras de arte e documentos, o espaço onde está o Memorial Governador Jorge Teixeira foi habitado por governadores durante quase quatro décadas. Ângelo Angelim foi o último residente do casarão, em 1987.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Carnaboi 2025: Veja as atrações e os horários dos dois dias de festa em Manaus

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Público no Carnaboi 2024. Foto: Marcely Gomes/SEC AM

O Carnaboi 2025 será realizado nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus, com entrada gratuita. A programação completa dos dois dias de festa foi divulgada nesta terça-feira (25). Confira as atrações e os horários das apresentações abaixo.

A 24ª edição do evento será promovido pelo Governo do Amazonas em parceria com a Fundação Rede Amazônica.

Pelo segundo ano consecutivo, o Carnaboi terá transmissão ao vivo pela Rede Amazônica, além do g1 e CBN Amazônia Manaus.

Confira abaixo a programação completa dos dois dias de Carnaboi 2025:

1ª noite – Sexta-feira – 7 de março

Exaltação Cultural: O Amazonas é Boi-Bumbá

19h00 – Grupo A Toada & Robson Jr
19h40 – Grupo Kboclos & Márcio do Boi
20h20 – João Paulo Faria & Carlos Batata
21h00 – Fabiano Neves & Klinger Jr
22h15 – Carnaboi 2025 – É Festa de Boi-Bumbá
23h45 – Sebastião Jr. & Leonardo Castelo
00h25 – Prince do Caprichoso & Júnior Paulain
01h05 – Israel Paulain & Carlinhos do Boi
01h45 – Edmundo Oran & Canto da Mata
02h25 – Toada de Roda & Felipe Júnior

2ª noite – Sábado – 8 de março

Exaltação indígena: Viva os Povos da Floresta

19h00 – Boi Brilhante / Boi Garanhão / Boi Corre Campo
19h45 – Márcia Novo & Curumins da Baixa
20h30 – Luanita Rangel & Jardel Bentes
21h15 – Márcia Siqueira & Mara Lima
22h00 – Edilson Santana & Paulinho Viana
22h45 – Tony Medeiros & P.A Chaves
23h40 – Carnaboi 2025 – É Festa de Boi-Bumbá
01h10 – Patrick Araújo & Arlindo Neto
01h50 – David Assayag & Helen Veras
02h30 – Gean Figueira & Adriano Aguiar

Horários das transmissões

Na sexta-feira (7) a transmissão será após o BBB 25 e no sábado (8) após o Altas Horas.

MPF exige solução para desequilíbrio ambiental causado por cinco mil búfalos selvagens em Rondônia

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Animal na reserva biológica. Foto: Acervo NGI Cautário-Guaporé

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O Ministério Público Federal (MPF) exige que o Estado de Rondônia apresente uma solução para o desequilíbrio ambiental registrado na Reserva Biológica Guaporé, onde vivem cerca de cinco mil búfalos selvagens. Os animais, que ocupam uma área equivalente a 60 campos de futebol, estariam desertificando a região devido à sua reprodução desenfreada.

O MPF acionou o Governo Estadual e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), exigindo a erradicação dos búfalos e aplicando uma multa de R$ 20 milhões ao Estado pelos supostos danos causados.

Originalmente, apenas 36 búfalos asiáticos, das raças Carabao e Jarafabadi, foram introduzidos na antiga Fazenda Pau d’Alho em 1953, como parte de um projeto estatal de expansão da pecuária na região.

O abate dos búfalos para consumo foi cogitado, mas descartado devido à ausência de controle de zoonoses no rebanho. Em 2014, uma audiência pública na Assembleia Legislativa discutiu até a “caça turística” como forma de mitigar o impacto ambiental. No entanto, a ação ficou no discurso.

Em 2016 o então governador Confúcio Moura (MDB) sancionou a Lei 3771 permitindo o abate desses animais para se evitar mais prejuízos à fauna e à flora. Na prática, porém, nada ocorreu de lá para cá.

A falta de acesso à área isolada de 96 mil hectares onde os búfalos vivem torna o controle populacional inviável.

48% da área alagada foram reduzidos devido ao hábito dos búfalos de chafurdar na lama e desviar os leitos de água. Espécies nativas, como onças-pintadas e cervos-do-cerrado foram praticamente extintos pelos “invasores”.

Agora, o MPF determina que os búfalos devem ser abatidos com o menor grau possível de sofrimento, e o plano de extermínio deve ser apresentado pelo Governo Estadual, sob fiscalização do órgão federal e acompanhamento do ICMBio. A probabilidade é de que o abate seja a tiros e de que ps corpos sejam incinerados no próprio local.

O ICMBio divulgou uma nota afirmando que “estuda tecnicamente a melhor alternativa para a retirada dos búfalos, considerando as dificuldades logísticas para a destinação desses animais selvagens, diante da geografia do local”.

Possível exagero nos números

O MPF alerta que, sem uma solução imediata para a dizimação dos búfalos, a população poderá chegar a 50 mil animais até 2030. No entanto, os números parecem exagerados. Mesmo que se mais da metade do rebanho for composta por fêmeas – e não há exatidão sobre esse dado – e 100% delas se reproduzissem, a quantidade de búfalos dobraria em cinco anos, no máximo. Normalmente, apenas animais confinados e submetidos à inseminação artificial e manejo específico conseguem parir com menos de dois anos de vida.

Outro lado da história – o olhar de um defensor da causa animai

As propostas até agora ventiladas enfrentam resistência das políticas de defesa da vida animal. Um cidadão, que prefere não ser identificado por ser servidor do Estado, questiona: “Qual o bem natural de maior valor: uma família de búfalos ou uma árvore? Quem pode aquilatar?” Ele diz, ainda, que “não existe abate a tiro sem sofrimento”. Órgãos ambientais estão de olho na questão

Tratando os animais como “gigantes gentis do Guaporé”, o naturalista chama-os de “majestosos, de olhos profundos e movimentos serenos”.

Segundo ele, “os búfalos selvagens do Guaporé não são predadores, não representam ameaça. Eles pastam silenciosamente, banham-se nos rios e protegem seus filhotes com um instinto que só os mais nobres seres possuem: o amor.

Eles não escolheram estar ali. Foram trazidos, esquecidos, mas nunca perderam sua docilidade. Quem já os observou de perto sabe: há uma beleza tranquila neles, uma força que não se impõe pela violência, mas pela presença serena.

O olhar poético prossegue: “Exterminá-los não é apenas apagar vidas, mas silenciar para sempre uma parte da natureza que encontrou seu próprio equilíbrio. Eles não merecem ser punidos pela sua existência. Eles merecem ser protegidos pelo que são: seres vivos que só pedem para continuar respirando”.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Software criado no Amazonas busca otimizar transição industrial para modelo de manufatura inteligente

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Foto: Reprodução/Pixabay

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP), desenvolveu o Software Maturidade na Indústria 4.0 IFES. Trata-se de uma ferramenta inovadora voltada para a avaliação e o aprimoramento da maturidade digital das indústrias no contexto da Indústria 4.0. O Software foi desenvolvido pelos pesquisadores Sandro Breval Santiago e Stanley Soares de Souza e registrado oficialmente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número BR512021001482-0.

De acordo com o professor Sandro Breval Santiago, com o avanço da transformação digital e a crescente necessidade de adaptação às novas tecnologias industriais, o Maturidade Ind4.0 IFES surge como uma solução estratégica para empresas que desejam mapear, diagnosticar e otimizar seus processos de transição para um modelo de manufatura inteligente. “É um programa computacional desenvolvido com base em metodologias avançadas para avaliar o grau de maturidade das empresas na adoção de tecnologias da Indústria 4.0”, explicou.

Entre as funcionalidades do Software estão: avaliação de maturidade digital, diagnóstico baseado em indicadores estratégicos, relatórios automatizados e recomendação de melhorias, planejamento da transformação digital. O Maturidade Ind4.0 IFES pode ser adotado por empresas de setores como: manufatura e produção em larga escala, automação industrial e mecatrônica, setor automobilístico e metalúrgicos, indústrias químicas e farmacêuticas, empresas do setor de logística e supply chain, startups e empresas emergentes na área de tecnologia. Além da possibilidade para colaborações com órgãos públicos, associações industriais e instituições de pesquisa, ampliando seu alcance e contribuindo para o avanço da digitalização na indústria nacional.

Como funciona

O Software utiliza uma metodologia sistemática para identificar o estágio atual da empresa na jornada rumo à Indústria 4.0 e mapeia níveis de automação, conectividade e digitalização em diferentes áreas produtivas. Além de apontar lacunas tecnológicas e operacionais, facilitando a formulação de planos de melhoria. É feito um diagnóstico, a partir da análise de dados estruturais e operacionais, utilizando um modelo de maturidade validado cientificamente, juntamente, com uma avaliação de níveis de integração entre equipamentos, processos e sistemas de gestão, possibilitando uma classificação do nível da empresa dentro de categorias de maturidade, desde a fase inicial até um estágio avançado de digitalização.

A partir daí, o Software gera relatórios detalhados sobre o estado atual da indústria e sugestões para adoção de tecnologias emergentes. As recomendações são customizadas conforme a infraestrutura disponível, o orçamento e os objetivos estratégicos da empresa, permitindo a comparação com empresas do mesmo setor, fornecendo insights valiosos para benchmarking e inovação.

O pesquisador, professor Sandro Breval Santiago, explica que todos esses passos permitem apoiar os gestores e engenheiros de produção na elaboração de roadmaps estratégicos para implementação gradual das soluções da Indústria 4.0.

“O Software fornece um plano de ação estruturado, destacando investimentos prioritários em automação, IoT, inteligência artificial e outras tecnologias, além de ajudar a alinhar projetos de digitalização às metas de eficiência operacional e sustentabilidade corporativa”, enfatizou.

Diferencial

Utilizando JavaScript e C#, o software se diferencia por fornecer uma avaliação personalizada, baseada em indicadores-chave de desempenho, possibilitando que gestores e tomadores de decisão adotem medidas concretas para elevar sua competitividade e eficiência no cenário global da manufatura inteligente. O professor Sandro explicou também que a ferramenta proporciona um ambiente de análise robusto e dinâmico, permitindo que empresas de diferentes portes e setores realizem um diagnóstico detalhado sobre sua estrutura digital, operacional e estratégica.

“A experiência foi muito interessante pois conseguimos fazer o link entre a teoria, conceitos e modelagem com a prática aplicando o modelo na IFES. O que podemos perceber é a sua usabilidade e efetividade na demonstração dos resultados coletados. Fizemos o app e executamos na Ufam para fins de estudo de caso”, destacou o docente.

Impactos e Benefícios para a Indústria

O desenvolvimento do Maturidade Ind4.0 IFES representa um avanço significativo para empresas que buscam elevar sua competitividade e adotar práticas inovadoras na produção industrial. A ferramenta tem impactos direto na tomada de decisão baseada em dados, redução de custos e aumento da eficiência, melhoria na qualidade da produção, capacitação e desenvolvimento tecnológico e apoio à sustentabilidade industrial, já que está alinhada à Indústria 4.0, que favorece práticas mais sustentáveis, como redução do consumo de energia, otimização de recursos e menor impacto ambiental.

De acordo com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP), professor Marcelo Albuquerque de Oliveira, pesquisas como essa reafirmam o engajamento do PPGEP com a inovação e o desenvolvimento tecnológico, impulsionando a transformação digital no setor industrial.

“O Maturidade Ind4.0 IFES representa um passo essencial para que empresas brasileiras possam competir em um cenário global cada vez mais digitalizado, preparando-as para os desafios e oportunidades da Indústria 4.0. O projeto reflete a missão da Ufam em promover pesquisas aplicadas, soluções tecnológicas inovadoras e impacto direto na economia e na sociedade. A Universidade segue investindo em parcerias estratégicas e projetos de ponta para consolidar Manaus e a Amazônia como polos de referência em inovação industrial”, enfatizou.

Albuquerque falou ainda que a coordenação e o colegiado do PPGEP reiteram seu compromisso com a pesquisa aplicada, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, promovendo soluções que impactam diretamente a sociedade e a indústria.

“Cada projeto desenvolvido no Programa reflete a missão de fomentar avanços científicos, tecnológicos e metodológicos, preparando profissionais qualificados e contribuindo para a transformação de setores estratégicos. O PPGEP/Ufam segue investindo em parcerias estratégicas, colaborações interinstitucionais e projetos inovadores, consolidando sua posição como referência em Engenharia de Produção e inovação tecnológica. As iniciativas do Programa buscam não apenas aprimorar processos e produtos, mas também fortalecer o desenvolvimento econômico e social, alinhando-se às necessidades da Amazônia e do Brasil”, finalizou.

*Com informações da Ufam

Comunidades da Amazônia irão receber polo de soluções energéticas

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Comunidade Três Unidos no estado do Amazonas. Foto: Rodolfo Pongelupe

Promover uma transição energética justa, ampliando o acesso à energia sustentável e eficiente nas comunidades da região amazônica. Estes são os principais objetivos do “Polo de Soluções Energéticas Sustentáveis para a Amazônia”, que será implementado até setembro de 2025 em duas comunidades: a comunidade indígena Três Unidos e a comunidade ribeirinha Tiririca, no Amazonas. A iniciativa é liderada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pela Schneider Electric, líder global na transformação digital da gestão de energia e automação. Assinada na Casa G20, no Rio de Janeiro, a parceria terá duração de dez anos.

O novo polo funcionará no Núcleo de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (Nieds) Assy Manana. Seu enfoque será em promover tecnologias de gestão energética e estratégias inteligentes, sustentáveis, eficientes e acessíveis, priorizando o consumo consciente e justo, além de reduzir desperdícios. A finalidade é apoiar as comunidades locais na transição a um modelo de consumo mais equilibrado, em harmonia com a biodiversidade e o desenvolvimento local e a diminuição das emissões.

“As fontes limpas representam uma abertura de novos horizontes na fomentação da bioeconomia e da educação. A energia é um facilitador capaz de criar condições para o desenvolvimento sustentável e gerar esperança por uma Amazônia próspera, com melhoria de renda e indicadores sociais, mantendo a floresta em pé”, afirma o superintendente geral da FAS, Virgilio Viana.

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“A transição energética justa é um ponto importante quando falamos em promover o desenvolvimento sustentável. Na Schneider Electric, acreditamos que todos devem ter acesso a soluções que tornem o consumo de energia mais inteligente, eficiente e sustentável, especialmente em comunidades com menos acesso à energia, como as da Amazônia”, afirma Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul.

A Schneider Electric e a FAS já colaboram desde 2012 em projetos de fontes renováveis para a Amazônia e agora expandem esse trabalho para oferecer alternativas inovadoras para o uso responsável do recurso gerado na região.

Comunidade indígena Três Unidos, no Amazonas. — Foto: Divulgação/FAS

Foco na educação e no uso consciente e responsável da energia

O Polo de Soluções Energéticas Sustentáveis terá um foco educacional robusto, oferecendo treinamentos e qualificação profissional às comunidades para capacitá-las na implementação e no gerenciamento de sistemas energéticos inteligentes e eficientes. Além disso, o espaço será uma vitrine para práticas de uso responsável da energia e sediará eventos e visitas de campo que promovam a troca de conhecimentos.

“Acreditamos que o acesso à energia é um direito humano básico, assim como o seu uso responsável – e existem soluções para isso. Também neste sentido, a educação é fundamental. Por isso, a Schneider Electric tem como meta treinar um (1) milhão de pessoas em gestão de energia até o fim de 2025 em todo mundo, e a Amazônia faz parte desse universo. Essa capacitação vai além da transferência de conhecimento técnico – ela busca empoderar as comunidades locais para que possam aplicar soluções práticas no dia a dia, contribuindo para sua autonomia energética e melhoria na qualidade de vida”, acrescenta Segrera.

Visando gerar resultados de impacto socioambiental, como a redução do desmatamento e o fortalecimento do posicionamento do Brasil na COP30 rumo à Agenda 2030, o Polo engloba temas transversais como educomunicação, acesso à cultura, conservação da biodiversidade, qualificação profissional e enfrentamento da emergência climática. Com isso, estima-se beneficiar 28 comunidades localizadas na APA Rio Negro e RDS Puranga Conquista, atendendo mais de mil famílias.

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“Energia, água e comunicação são essenciais para a prosperidade na Amazônia e estão interligadas. O número de pessoas sem acesso à energia na região é significativo, chegando a quase um (1) milhão”, diz a superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades, Valcléia Lima Solidade. “Quando temos empresas como a Schneider Electric empenhadas em implementar soluções energéticas, ficamos felizes em contribuir. Acreditamos que, por meio desse projeto, daremos ainda mais visibilidade à energia limpa para o bem da Amazônia e levaremos dignidade às populações locais.”

A parceria entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a Schneider Electric foi fortalecida pela Aliança de Empresas Francesas pela Amazônia Viva, firmada em março de 2024 pela FAS e pela Câmara do Comércio França-Brasil. O objetivo dessa aliança é facilitar o engajamento de empresas francesas em projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia.

*Com informações da FAS

Primeira química do Pará: Clara Pandolfo foi pioneira no uso de satélite para mapear áreas degradadas

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Foto: Reprodução/UFPA

Clara Martins Pandolfo: química, ambientalista, professora e pesquisadora, foi a segunda mulher a receber o título honorífico de Professora Emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA) e uma das maiores conhecedoras dos problemas ambientais amazônicos, uma cientista que uniu a teoria à prática, atuando decisivamente em questões ligadas ao planejamento do desenvolvimento da região. 

Seu pioneirismo no uso de satélite para mapear áreas degradadas por fazendeiros e madeiros e as medidas adotadas, inicialmente na SPVEA, depois na Sudam, para conter o mau uso da terra lhe valeram o epíteto de “a dona da selva”, como os opositores a chamavam. Era não apenas uma ironia, mas também o reconhecimento da sociedade à importância do trabalho que realizou em defesa da Amazônia.

Clara nasceu em 12 de junho de 1912, exatamente no ano em que a economia da borracha entrou em crise na Amazônia, quando o mercado internacional se voltou à borracha produzida em seringais plantados pelos ingleses na Malásia e no Ceilão. A crise se estendeu por décadas e afetou os negócios do pai, o comerciante Albano Augusto Martins, proprietário da Casa Albano, que viria a se tornar uma das mais tradicionais casas comerciais de Belém. 

Ressentindo-se financeiramente com a crise e as despesas da educação dos filhos, os pais apoiaram a caçula de cinco irmãos, quando, concluído o ensino secundário, em 1926, aos 14 anos de idade, decidiu cursar Química Industrial em uma escola recém-fundada em Belém, a Escola de Química do Pará, então sob responsabilidade da Associação Comercial (ACP), que oferecia ensino gratuito. Por ser de menor idade, a adolescente foi admitida como aluna ouvinte, mas, graças ao seu bom desempenho, no ano seguinte, tornou-se aluna regular. Para Sérgio Pandolfo, filho e biógrafo de Clara, a escolha da mãe foi menos por vocação e mais por contingência financeira. 

A escola era dirigida pelo naturalista francês Paul Le Coint, diretor do Museu Comercial da ACP. Os professores eram igualmente franceses, trazidos da Sorbonne, o que tornava o francês a língua dominante em sala. Clara Martins, ainda sem o sobrenome Pandolfo que receberia do marido Rocco Rafael Pandolfo, venceu a dificuldade linguística e se tornou a primeira mulher formada em Química, na Amazônia, algo que diz muito da sua personalidade nada afeita a seguir o papel de submissão feminina na sociedade das primeiras décadas do século XX. 

Essa característica pode ser medida também por sua efetiva participação na campanha feminista de defesa do direito ao voto das mulheres, liderada por Bertha Lutz no início da década de 1830, no Brasil. Durante todos os quatro anos de curso, Clara se destacou como estagiária de Paul Le Coint. Em 14 de setembro de 1929, graduou-se. Tinha somente 17 anos quando apresentou a tese Contribuição ao estudo químico de plantas medicinais da Amazônia, logo publicada na única edição do Boletim daquela escola. 

Mesmo com o fechamento da Escola de Química do Pará, em 1930, por Getúlio Vargas, Sérgio Pandolfo conta que sua mãe manteve a colaboração com o naturalista francês em pesquisas tecnológicas e análises de matérias-primas regionais. Segundo ele, essa fase teve profunda influência na formação técnico-científica da mãe, “levando-a a adquirir o gosto pelo estudo dos recursos naturais da Amazônia, a que dedicou, desde então, a maior parte de seus esforços no desempenho profissional”. Em 1931, ela tornou-se servidora pública estadual, ao trabalhar como química dos Laboratórios de Bromatologia e de Hipodermia da Diretoria de Saúde Pública do Pará, tornou-se assistente química e, depois, diretora do Laboratório de Biologia da Santa Casa de Misericórdia.

Foto: Reprodução/UFPA

Voz em defesa da Amazônia

Sobre Clara Pandolfo, o jornalista Lúcio Flávio Pinto disse: “A química foi a base científica para voos mais altos e amplos da sua inteligência”. Primeiro, na antiga Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), em 1953, a convite do superintendente Artur Cesar Ferreira Reis, depois, na Sudam, em que foi diretora-geral do Departamento de Recursos Naturais, cargo que exerceu até a aposentadoria compulsória, em 1990. 

Em relação à atuação, disse o jornalista: “Ao longo de 40 anos a voz da doutora Clara se manteve firme, respeitada e temida. Ela não devia sua posição a nenhum pistolão. Podia exigir que a convencessem através de argumentos. Se não, defenderia sua própria posição”. Lúcio cita, como exemplo, a posição contrária de Clara Pandolfo à disposição do superintendente Elias Sefer de fazer aprovar três projetos agropecuários no Acre, por estarem localizados em área de floresta densa, o que contrariava resolução da própria Sudam.

Durante mais de 25 anos, ela trabalhou como docente dos ensinos secundário e superior, tendo sido professora de vários colégios de Belém, da Escola de Enfermagem e da Escola de Química da UFPA, da qual se aposentou como professora titular. Para além da atividade em sala de aula e laboratórios, Clara Pandolfo teve intensa participação em palestras, seminários e congressos no Brasil e no exterior, e foi autora de uma extensa bibliografia relatando suas pesquisas sobre a Amazônia, região da qual foi uma das maiores conhecedoras. 

Em reconhecimento a este trabalho técnico e científico desenvolvido em defesa da Amazônia e do uso sustentável de seus recursos naturais durante mais de seis décadas, a UFPA concedeu à Clara Martins Pandolfo o título honorífico de Professora Emérita, em sessão do Conselho Superior de Ensino e Pesquisa realizada em 2 de janeiro de 1989, conforme Resolução nº 1.713, assinada pelo reitor, à época, José Seixas Lourenço. 

*Com informações da UFPA