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Marcelo Barbosa Peixoto: um período construtivo na maçonaria amazonense

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Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, da GLOMAM Amazonas. Foto: Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A maçonaria tem sua origem no trabalho. Foi criada com a finalidade de construir e aperfeiçoar todos aqueles que tem e tiveram a oportunidade de se aprofundar em um de seus templos. Naturalmente encontrando a possibilidade de se tornarem homens justos, perfeitos sob o olhar do Grande Arquiteto do Universo.

Quem quer que ainda creia nos altos desígnios do homem sobre a face da terra, quem quer que ainda não tenha todo descrito da ação civilizadora nos destinos da humanidade, quem quer ainda não tenha tornado em absoluto em diferente ao movimento gerador que as conquistas do espírito humano vão operando no mundo maçônico, retirando-os dos preconceitos de todas as origens e libertando-os de outros que possam existir, impregnado de direito e de justiça, cuja, alma crer e faz o coração sentir que, a igualdade, a fraternidade e a liberdade não podem e não devem desaparecer do sentimento maçônico.

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O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, maçom de personalidade simpática e o homem com a mais completa encarnação da bondade e austero na condução do primeiro malhete da GLOMAM. Bem nascido no seio de uma família tradicional, nasceu em Manaus no dia 17 de janeiro de 1968. São seus pais, Renan Corrêa Peixoto e a senhora Maria Regina Barbosa Peixoto.

Recebeu as letras do primeiro e segundo grau no antigo Colégio Ida Nelson, começou a trabalhar muito cedo na companhia de seu pai, mas, tinha em mente uma qualificação universitária. O que concluiu o curso de Bacharel em Administração no dia 28 de agosto de 1993, profissão herdada da orientação paterna logo vai fazer o curso em Comércio Exterior de Logística pela Faculdade Aduaneiras, em 1997, no Estado de São Paulo. Em seguida, fez o curso de Comércio Exterior de Classificação Fiscal pela mesma faculdade.

O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, recebeu a primeira luz maçônica, no dia 10 de julho de 1993, na Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2. Foi elevado ao Grau de Companheiro, no dia 3 de março de 1994, foi Exaltado no dia 18 de junho de 1994 e tornou Mestre Instalado no dia 20 de agosto de 2013. Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2, no dia 20 de agosto de 2013. A busca pelo conhecimento maçônico o levou a buscar filosofismo tendo sido Exaltado no Grau Maçom do Santo Arco Real Capítulo Ocasional Amazonas, no dia 10 de setembro de 2016. Instalado no Santo Real Arco Grau 3, 2 e 1, Principal Capítulo Amazonas, no dia 10 de setembro de 2016.

Renan Peixoto, Marcelo Barbosa Peixoto e o irmão Hamilton Mourão à época Vice-Presidente da República. Foto: Acervo pessoal

Um autêntico e dedicado à causa maçônica a frente dos destinos da GLOMAM, pertence a este Grupo de Trabalhadores da Arte Real que continua contribuindo para o bem-estar da família maçônica. O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto vem desempenhando suas funções de forma exemplar e apesar dos parcos recursos da GLOMAM, jamais se recursou a atender aos necessitados e o que nos impressiona é sua simplicidade, cuja, principal característica, é dá apoio as lojas especialmente as do interior do estado, em um desdobramento contínuo de atividades em prol do crescimento do simbolismo maçônico.

Ele de certo, ocupa lugar na primeira fila e como combatente marca sempre na vanguarda de pé e a ordem com uma participação efetiva e dedicada. Legado passado pelo seu pai tornou-se estudioso dos ensinamentos da Arte Real e conhecedor de nossa legislação o que permite entender a seriedade do seu trabalho.

Como um bom soldado da Arte Real não poupa esforços para ser útil aos seus irmãos e às lojas jurisdicionadas. Cercado por um conselho de veneráveis, procura de todas as formas exprimir o conceito de que a maçonaria não é apenas um motivo de encontro entre irmãos, mas sobretudo, um trabalho voltado, aos menos favorecidos consagrando grande soma de suas energias ao bem-estar da instituição.

Ao ser humano foi dado o desafio de navegar as agitadas águas do tempo. Viver é vencer as provações que a existência nos impõem cotidianamente e cumprir com altivez e dignidade a travessia, inclusive ajudando seus irmãos também a atravessar. Afinal, o que é a vida se não vencer a distância e os limites? E depois retornar a fonte originária de onde a correnteza da vida brota e onde reúnam os mistérios da providência divina e maçônica. Compreender esse milagre e esse enigma é condição indispensável para uma existência enriquecedora e feliz, especialmente para aqueles que fazem o bem.

Marcelo Barbosa Peixoto um maçom onde tantas vezes ajoelhou-se em oração ao Grande Arquiteto do Universo. Por isso, sempre coube a ele a tarefa muitas vezes árdua, porém, sensível de agasalhar nos desvãos do seu mundo interior, todos os motivos, todos os sonhos, todas as crenças que se urde essa tecitura de amor a arte real, desbastando carinhosamente com seu cinzel de rosário a pedra bruta.

A Instituição Maçônica, cuja origem é motivo ainda hoje de paciente perquirição, ensejando as mais diversas opiniões muito especialmente das pessoas que não à conhecem. Todas elas, porém, demonstrando o caráter universalista da ordem, sempre se constituiu em tema apaixonante da apreensão e da inteligência humana e, Marcelo Barbosa Peixoto tem como referência um dos mais estudiosos da nossa ordem seu pai, Renan Peixoto.

Marcelo Barbosa Peixoto: um período construtivo na maçonaria amazonense
Foto: Acervo pessoal

Difícil por certo, será a sua conceituação uniforme, uma vez que, o seu processo de expansão e evolução acompanha os fatos que se desenrolam entre os homens, gerando motivações civilizadoras. Podemos afirmar também, que a maçonaria é uma instituição universal inspiradora da mais perfeita tolerância pelas crenças individuais.

Adotando desde seus primórdios a trilogia de liberdade, igualdade e fraternidade, tem consagrado na luta dos povos oprimidos a sua maior ação. É de fato uma instituição universal filosófica e humanitária, demonstrando dessa forma que é um organismo sempre em desenvolvimento e em condições de contribuir para o bem da humanidade e é neste seguimento que Marcelo Barbosa Peixoto mais se destacou levando ao mundo a contribuição da maçonaria em plena floresta amazônica.

Se pretendem fazer silenciar a sua voz, para afirmar que ele não se dedicou aos preceitos da maçonaria em plena floresta amazônica, fiquem convencidos de que sua vida está marcada na história da maçonaria amazonense, afinal, para o homem, bastará consagrar-se nos anais de sua vida e ter lutado por uma causa nobre.

Meu bom irmão Marcelo Barbosa Peixoto como bom soldado da arte real, entregar-te sua vida para ser útil aos seus irmãos e a toda às lojas de nossa jurisdição. Procurar-te de todas as formas exprimir o conceito de que a maçonaria não é apenas um motivo de encontro entre os irmãos, mas sim, um trabalho voltado aos menos favorecidos. Direcionar-te grande soma de sua energia ao bem-estar da GLOMAM.

Leia também: Manoel Martins Vidal: uma história com a Vila de Serpa

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Minam publica projeto para desenvolvimento e operação de créditos de biodiversidade no Peru

Artesanato é uma medida sustentável. Foto: Divulgação/Agência Andina

O Ministério do Meio Ambiente (Minam), do Peru, ordenou a publicação do projeto “Diretrizes para o planejamento e operação de projetos de crédito de biodiversidade”, com o objetivo de disponibilizar ao público um guia para o desenvolvimento de projetos de crédito de biodiversidade no país.

O planejamento regulatório, formalizado pela Resolução Ministerial nº 00352-2025-MINAM, está enquadrado no Objetivo 19 do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabelece o aumento, até 2030, dos recursos financeiros de todas as fontes para a implementação de estratégias nacionais de biodiversidade, por meio de instrumentos de financiamento inovadores, como os créditos de biodiversidade.

Internacionalmente, este mercado encontra-se em fase inicial, com mais de 50 metodologias em desenvolvimento e diversos planos-piloto em curso. Neste contexto, o MINAM apresenta um conjunto de diretrizes para promotores de projetos, desenvolvedores e demais partes interessadas, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de medidas ambientalmente sustentáveis ​​e tecnicamente rigorosos.

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projetos para sustentabilidade no Peru
Projetos sustentáveis ajudam a manter a mata do Peru. Foto: Divulgação/Agência Andina

Estrutura do projeto

O documento está estruturado em torno de quatro eixos principais: a abordagem conceitual dos créditos de biodiversidade; os princípios para garantir sua integridade; a identificação de áreas prioritárias para a operação das propostas; e diretrizes específicas para seu planejamento e implementação.

Essas diretrizes abordam aspectos como tipos de projeto, modalidades de intervenção, definição da linha de base, monitoramento dos impactos na biodiversidade, salvaguardas, prevenção de duplicação e repartição de benefícios.

Da mesma forma, o projeto propõe definir um crédito de biodiversidade como uma unidade ou certificado negociável, que representa um resultado positivo e mensurável para a biodiversidade, gerado por um plano registrado e apoiado por métricas científicas verificáveis.

Esta proposta está disponível para consulta pública até 16 de janeiro de 2026, no site do Minam, através do seguinte link. Comentários e contribuições podem ser enviados por escrito ou para o endereço de e-mail serviciosecosistemicos@minam.gob.pe.

*Com informações da Agência Andina

IIAP produz mais de 2,8 milhões de alevinos para fortalecer segurança alimentar na Amazônia peruana

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Foto: Reprodução/Governo do Peru

O Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), órgão do Ministério do Meio Ambiente, encerrou 2025 com um resultado que impacta diretamente o cotidiano de milhares de famílias amazônicas. Durante o ano, a instituição produziu e distribuiu 2,86 milhões de alevinos de peixes nativos, superando sua meta anual de 2,22 milhões em 29% e fortalecendo a segurança alimentar em comunidades rurais e indígenas.

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Graças a esse esforço, 2.843 famílias em 503 comunidades indígenas e rurais agora têm peixes em seus tanques familiares. As iniciativas ocorreram em 83 distritos e 28 províncias nos estados de Loreto, Ucayali, San Martín, Madre de Dios, Amazonas, Huánuco, Cusco e Puno — territórios onde o acesso a proteínas e renda estável é difícil.

A produção foi focada em espécies de alto valor para as comunidades. O paco liderou as entregas com 1,23 milhão de alevinos, seguido pela gamitana com 949.190 e pelo boquichico com 654.850. Essa seleção permitiu uma resposta às condições locais e aos hábitos de consumo de cada região.

O projeto também teve como foco as mulheres. Um total de 816 mulheres receberam alevinos para seus tanques, fortalecendo seu papel na economia familiar e na tomada de decisões produtivas dentro da comunidade.

Leia também: IIAP realiza estudo para determinar fluxos de gases do efeito estufa em floresta de Loreto, no Peru

IIAP investe em produção de alevinos no Peru
Foto: Reprodução/Governo do Peru

Treinamento do IIAP

Além da distribuição de peixes, o IIAP focou no conhecimento. Ao longo do ano, foram realizados 58 cursos práticos de gestão da aquicultura, com a participação de 1.855 produtores. Destes, 789 eram mulheres que agora possuem mais ferramentas para garantir uma piscicultura eficiente e sustentável.

Os benefícios são projetados para o curto e médio prazo. A colheita estimada ultrapassa 1.122 toneladas métricas de peixe, com um valor econômico superior a S/16,83 milhões. Isso significa mais alimentos, maiores rendimentos e melhores oportunidades para as famílias beneficiárias.

Com esses resultados, o IIAP confirma que a aquicultura rural não produz apenas peixes, mas também bem-estar, autonomia e esperança para as comunidades mais vulneráveis ​​da Amazônia peruana, e deixa uma base sólida para dar continuidade ao trabalho em 2026.

*Com informações do IIAP

BBB 26: Marciele Albuquerque e Lívia Christina, as representantes da cultura no Norte

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Fotos: Reprodução/Instagrans oficiais de Marciele e Livia

As dançarinas Livia Christina e Marciele Albuquerque entraram na Casa de Vidro do Norte no dia 9 de janeiro como parte da dinâmica de escolha do grupo Pipoca para o Big Brother Brasil 2026 (BBB 26). Mas a disputa por uma vaga no reality show da TV Globo não é a primeira que elas travam entre si.

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De lados opostos no Festival Folclórico de Parintins, elas representam personagens típicos da festa amazonense protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido. Nesta disputa, Marciele, a Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso, foi escolhida para entrar no jogo com 54,55% dos votos contabilizados neste domingo (11).

A escolha pela representantes de uma das festas mais populares do Amazonas, mostra que o trabalho feito pela antecessora de Marciele no BBB, a também cunhã-poranga Isabelle Nogueira, do rival Garantido, deixou marcas positivas e uma curiosidade do público para ver mais. Isabelle participou do BBB 24 e foi uma das responsáveis por apresentar ao Brasil a grandiosidade do festival parintinense.

Leia também: Quem são os amazônidas que já participaram do Big Brother Brasil (BBB)

Marciele Albuquerque, a cunhã-poranga do Caprichoso

Marciele Albuquerque
Foto: Reprodução/Instagram-marciele.albuquerque

E, assim como a antecessora, Marciele Albuquerque é cunhã-poranga, mas do Boi Caprichoso. Definida como “moça bonita, sacerdotisa, guerreira e guardiã”, a cunhã-poranga representa a mulher mais bela da aldeia.

A personagem, no festival, simboliza a mulher indígena forte, guerreira e conectada à natureza, sendo expressão de beleza, coragem e espiritualidade.

Durante as apresentações no Festival de Parintins, a cunhã-poranga encanta o público com dança intensa, força corporal e expressividade cênica, sempre acompanhada de narrativas que exaltam a cultura indígena.

Sua presença no espetáculo reforça o protagonismo dos povos originários e a valorização da identidade indígena amazônica.

Marciele é indígena do povo Munduruku e natural de Juruti (PA), o que a faz levar para a arena uma vivência diretamente ligada à ancestralidade que representa.

Ela é dançarina e digital influencer, tem 32 anos e vive em Manaus há 16 anos. Filha mais velha de quatro irmãos, atualmente mora um dos irmãos e uma prima.

Livia Christina, a Rainha do Folclore do Garantido

Muito além da rivalidade “bovina”, Lívia também representa a cultura amazônica. Ela representa o item ‘Rainha do Folclore’ do Boi Garantido, personagem que simboliza a essência das tradições populares amazônicas.

Em cena, ela reúne danças, ritmos e elementos que traduzem o imaginário do povo da floresta, conectando lendas, rituais e manifestações culturais profundamente enraizadas na região.

No Festival de Parintins, a Rainha do Folclore tem a missão de conduzir o público por esse universo simbólico, valorizando a cultura indígena, ribeirinha e cabocla.

Natural da Baixa do São José, em Parintins, Lívia Christina construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao Boi Garantido. Sua história no boi vermelho e branco começou no corpo de dança Garantido Show Parintins, espaço onde se destacou pelo talento e pela entrega cênica.

Ao longo da carreira, disputou por dois anos o posto de Porta-Estandarte, figurando entre os principais nomes da agremiação.

*Com informações da Rede Amazônica AM e da Imprensa Globo

Como é a jornada dos venezuelanos acolhidos na fronteira com o Brasil?

Migrantes venezuelanos fogem da crise atravessando a fronteira com o Brasil. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Ao cruzar a fronteira entre a Venezuela e o Brasil, em Pacaraima, no norte de Roraima, migrantes venezuelanos encontram o primeiro ponto de atendimento a menos de um quilômetro da linha geográfica que separa os dois países. É nesse local que começa, oficialmente, a jornada para a permanência legal no Brasil e, para muitos, o processo de interiorização — como é chamada a política que leva esses estrangeiros para outras cidades do país.

O processo é conduzido pela Operação Acolhida, a força-tarefa do Exército criada em 2018 pelo governo federal, com apoio de organizações internacionais, sendo responsável pelo ordenamento da fronteira, acolhimento e interiorização de migrantes venezuelanos no Brasil.

A captura do ditador Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelos norte-americanos no último dia 3 projeta um momento de incerteza na fronteira.

Saiba mais: Entenda como fica a situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e prisão de presidente e primeira dama

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o Operação Acolhida disse estar “preparada para cenários de aumento do fluxo migratório” e mantém monitoramento constante na fronteira. Até a publicação desta reportagem, a situação era considerada estável.

“As equipes seguem atuando de forma permanente, acompanhando o movimento e garantindo o ordenamento da fronteira e a segurança da população roraimense”, informou.

Mais de 150 mil venezuelanos foram interiorizados por meio da Operação Acolhida. Elas foram levadas a 1.100 municípios brasileiros.

De acordo com o comandante da força-tarefa em Roraima, general de divisão José Luís Araújo dos Santos, a operação mantém seis abrigos divididos em Pacaraima e Boa Vista. Juntos, abrigam atualmente cerca 5,8 mil pessoas recém-egressas da Venezuela.

Apesar da importância de mecanismos como a Operação Acolhida para o atendimento humanitário aos migrantes, questões como adaptação cultural, inserção no mercado de trabalho, reunificação familiar e enfrentamento ao preconceito são parte do cotidiano de quem chega ao Brasil.

Por ser uma situação de “migração forçada”, o pesquisador e diretor do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal de Roraima (UFRR), João Carlos Jarochinski Silva, explica que os desafios enfrentados pelos estrangeiros não acabam ao cruzar a fronteira.

“A interiorização cria oportunidades concretas, sobretudo ao ampliar o acesso ao trabalho e reduzir a pressão na fronteira, mas não elimina as perdas acumuladas ao longo da trajetória migratória. Não é só ter documento e ‘zerar’ a vida”, disse.

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Entrada de migrantes

Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) contabilizam a entrada de quase 1 milhão de venezuelanos no Brasil entre 2018 e 2025 – o levantamento considera todo o fluxo migratório, o que inclui também o grupo atendido por meio da Operação Acolhida. Há outras rotas, além de Pacaraima, para que venezuelanos entrem e se estabeleçam no Brasil por conta própria.

Até novembro do ano passado, 11,2 mil migrantes foram levados para outros estados por meio do programa de interiorização da Acolhida.

Esse é o sonho do pedreiro venezuelano Daniel Torres, de 39 anos. Ele chegou em Pacaraima na última quarta-feira (7) após quatro dias de viagem saindo de ônibus de Apure, região na fronteira da Venezuela com a Colômbia.

Ele afirma que pretende seguir para Macapá, no Amapá, onde o irmão dele vive. Para isso, tentará atendido pelo programa de interiorização da Operação Acolhida.

“Quero trabalhar na construção civil com o meu irmão que mora em Macapá. Quero recomeçar a vida, na Venezuela não dava mais para ficar, muita coisa ruim. Em nome de Deus, quero começar uma vida nova”.

Leia também: Países da América Latina se manifestam sobre ataque à Venezuela

Programa de interiorização

Quando chegam em Pacaraima, os migrantes são cadastrados pelo governo brasileiro, que solicita documentos para registro e permanência no país , além de submeter os cidadãos a uma triagem básica de saúde – momento em que são vacinados. Em alguns casos, também são encaminhados para atendimento médico.

Enquanto aguardam a conclusão desses procedimentos, permanecem em abrigos temporários no município. Esses alojamentos são administrados pelos militares do Exército.

Durante essa etapa, os venezuelanos recém-chegados ao Brasil informam se têm oferta de emprego ou familiares em outras regiões, o que pode facilitar a inclusão no programa de interiorização.

Após a fase inicial, os migrantes seguem em ônibus para Boa Vista, onde o atendimento é ampliado. Ao menos um coletivo parte por dia de Pacaraima, conforme o Grupo Rede Amazônica apurou.

Na capital de Roraima, aqueles que têm trabalho garantido ou rede de apoio entram na fila para serem transferidos a outros estados. Os que não contam com suporte são acolhidos em abrigos de trânsito, com estrutura maior do que a disponível na fronteira.

Parte dos migrantes também participa de cursos de qualificação profissional, oferecidos em parceria com instituições como o Senai, além de processos de intermediação com empresas que buscam contratar profissionais. Depois desta etapa ocorre a interiorização para cidades onde há vagas de emprego ou familiares.

Migrantes venezuelanos

Para quem passou por esse processo, o retorno à fronteira pode marcar um novo capítulo da história migratória. Marjorie Cabrera, de 36 anos, natural de Maturín, vive há cinco anos no Brasil e voltou a Pacaraima para buscar as filhas e o irmão, que agora seguirão com ela para Santa Catarina, o estado que mais recebe venezuelanos por meio da interiorização. 

Ela mora no município de São José (SC), onde trabalha em um comércio, e conta que a viagem à Venezuela, em dezembro, foi marcada pela emoção do reencontro.

“A gente já tinha cinco anos que não se via. Agora, minhas três filhas estão todas reunidas. É muito sentimento encontrado”, afirmou.

Segundo Marjorie, a interiorização foi decisiva para a construção de uma nova vida no Brasil.

“É muito legal morar em Santa Catarina. A gente começa uma vida nova, uma vida boa. Aqui já é a minha vida, não tem como deixar o que eu tenho para voltar para a Venezuela”, disse.

A dimensão do trabalho humanitário desenvolvido na fronteira foi destacada pelo general José Luís. Ele afirmou que a operação segue estruturada para atender novos cenários migratórios.

“Cerca de 80 mil pessoas foram recepcionadas, com mais de 600 mil atendimentos [em 2025], garantindo documentação para viver no Brasil com cidadania”, afirmou o general.

Segundo ele, a atuação também avançou nas áreas de saúde e acolhimento com mais de 7 mil pessoas vacinadas “protegendo migrantes, refugiados e a população brasileira”.

Venezuelanos chegam e são recebidos por meio da Operação Acolhida em Boa Vista janeiro 2025
Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Não é um recomeço completo

Na avaliação do professor João Carlos Jarochinski, o processo migratório não pode ser visto como um simples “reinício administrativo”.

“Essas pessoas chegam, na maioria das vezes, sem recursos, sem conseguir transformar o que tinham na Venezuela em investimento aqui. Muitas vêm de uma migração forçada, marcada por perdas materiais, ruptura familiar e dificuldade de comprovar suas qualificações profissionais”, afirma.

De acordo com o pesquisador, o ponto favorável ao Brasil é que essa política de interiorização também atende a demandas estruturais do próprio país, especialmente em estados com escassez de mão de obra e envelhecimento da população, como Santa Catarina, principal destino dos venezuelanos no programa.

Ainda assim, ele aponta problemas que persistem no processo de integração.

“Há um descompasso entre a qualificação que muitos migrantes possuem e as vagas que acabam sendo ofertadas. Falta avançar no reconhecimento de títulos, na validação de competências e em políticas públicas mais articuladas entre União, estados e municípios.A interiorização funciona, mas precisa ser acompanhada de estratégias reais de integração”, avalia.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

2026: ZFM/Fundos constitucionais, desafios além da Reforma Tributária

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Foto: Reprodução/Arquivo Secom AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Enquanto o Brasil enfrenta procelosa fase de transição política e econômica, urge repensar a Zona Franca de Manaus (ZFM), particularmente no que se refere à correção de distorções estruturais e ajustes em sua dinâmica operacional. A hipótese é a diversificação do PIM via incorporação de matrizes econômicas derivadas da exploração sustentável dos recursos da economia verde para produção de alimentos (grãos, hortifrutis, carnes e peixes), minérios e manejo florestal, bioeconomia e ecoturismo. Salvo algumas empresas intensivas em tecnologia de ponta, o Polo, decorridos mais de meio século, e em face a limitações infraestruturais, oferece diminutas condições para atração de novas cadeias produtivas padrão indústria 4.0.

Por extremamente impactante sobre a ZFM, há que se considerar, adicionalmente, que a Reforma Tributária, aprovada em dezembro último, cria o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais (FCBF), objetivando suprimir a guerra fiscal no âmbito da CBS e IBS e evitar perdas na capacidade de investimento dos estados que sofrerão prejuízos com a cobrança dos impostos no destino (local de consumo). Também institui o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) que administrará recursos da União a serem distribuídos aos estados para investimentos em infraestrutura, em atividades geradoras de emprego e renda, no ensino e pesquisas com foco no desenvolvimento científico, tecnológico e inovação. Os entes terão autonomia no gasto, mas deverão priorizar projetos com ações de preservação do meio ambiente.

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Os recursos alocados na composição dos fundos serão aplicados de maneira gradativa, iniciando com R$ 8 bilhões em 2029 e crescendo à razão de R$ 2 bilhões por ano, podendo chegar a R$ 60 bilhões em 2043. Os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criado para equalizar a capacidade fiscal das unidades federativas, serão usados para distribuir 70% dos recursos do fundo; o restante terá por base o número de habitantes. A emenda prevê ainda a criação do Fundo de Sustentabilidade e Diversificação Econômica do Amazonas, também com aportes federais, tendo por objetivo fomentar a diversificação de atividades econômicas no estado. Para os demais estados da Amazônia Ocidental e o Amapá, outro fundo de desenvolvimento sustentável deverá ser criado.

Fundamental, contudo, destinar investimentos em programas e projetos voltados a promover avanços no campo da alta tecnologia, mirando obter fatias compensatórias sobre os recursos disponibilizados. A exploração sustentável dos recursos da biodiversidade é a alternativa mais próxima que temos. Entende-se como prioridades absolutas: investimentos em P&D, no Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), na modernização da assistência técnica e extensão rural, no Manejo Florestal Sustentável, na modernização da logística de transporte terrestre e fluvial, incluindo a conclusão das obras da BR-319. Foco central: efetiva interiorização dos benefícios fiscais e integração das instituições de base – Sudam, Suframa, centros de pesquisa, universidades -, hoje distanciadas umas das outras, sem conectividade e desprovidas de recursos financeiros e humanos adequados em níveis quantitativos e qualitativos.

Adicionalmente, buscar urgentes alternativas de salvaguarda. Estas não virão de livre iniciativa, mas de esforço conjunto governo, classes políticas e empresariais, universidades e centros de pesquisa centradas no objetivo de gerar nova matriz econômica para compensar eventuais perdas impostas pela RT e os avanços da globalização dos mercados. A bioeconomia, segundo estudos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pode impulsionar a reindustrialização do Brasil, e do polo industrial do Amazonas, particularmente, em bases verdes, ou seja, por meio de alternativas de baixa emissão de carbono, que aproveitam produtos tanto da biodiversidade quanto da agricultura e que agreguem valor para toda a cadeia produtiva, especialmente aos seus primeiros elos.

O Brasil, cumpre salientar, em função de seu potencial hídrico e vastidão de suas terras, de seus recursos humanos e da estrutura de pesquisa e desenvolvimento é reconhecidamente uma potência mundial na produção de commodities agropecuárias. As preocupações globais com as questões climáticas e de sustentabilidade das diferentes cadeias produtivas abrem oportunidades para produtos de maior valor agregado de origem natural e sustentável. Receituário que se encaixa perfeitamente ao modelo ZFM-2073 ajustado ao mundo globalizado. Em decorrência, todavia, do desmonte do sistema de planejamento do Estado nos primórdios deste século, ao que penso, a Sefaz, isoladamente, não reúne condições técnicas e políticas de assumir esta complexa agenda.

Impõe-se ao governo, inelutavelmente, conscientizar-se da necessidade de dotar a SEDECTI dos meios essenciais destinados a cumprir eficazmente a função de planejamento, coordenação dos investimentos em infraestrutura, em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I). Sem projetos, sem soluções tecnológicas autóctones, sem recursos. Nesta hipótese o Amazonas, inexoravelmente, perderá posições na distribuição dos fundos constitucionais criados com a Reforma Tributária, distanciando-se ainda mais da linha de frente do desenvolvimento regional. ‘Quem vai ao mar, avia-se em terra!’, dizia José Saramago”.

Leia também: 2026: recorrentes ideias sobre novo modelo econômico para o Amazonas impulsionado pela integração ZFM/PIM/Bioeconomia

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Rede social é usada para popularizar ciência e biodiversidade amazônica por estudantes da UFPA

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Perfil do Laboratório Integrado de Zoologia da UFPA em uma rede social visa ampliar o conhecimento científico produzido dentro da universidade. Foto: Divulgação/Instagram-labzoo

Buscando ampliar a divulgação do conhecimento científico, a Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com o Laboratório Integrado de Zoologia (Labzoo) criou o projeto de extensão ‘Deixe seu like: divulgando a coleção zoológica da UFPA-Iecos no Instagram’.

A iniciativa é responsável por um perfil na rede social que divulga curiosidades sobre animais e conteúdos produzidos pela equipe de zoólogos que integra o laboratório.

“A ideia do projeto surgiu da necessidade de ampliar o alcance do conhecimento científico produzido dentro da universidade, percebendo que grande parte desse conhecimento permanece restrita ao meio acadêmico”, relata a estudante do curso de Ciências Biológicas da UFPA Maria Eduarda Amorim.

Sob a orientação de Rodrigo Petry Corrêa de Sousa, técnico administrativo em educação e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental (PPBA) da UFPA Campus Bragança, Maria Eduarda produziu folders, reels/vídeos e publicações convencionais para o perfil no Instagram do Labzoo. 

Leia também: Universidade paraense é destaque internacional em produção científica sobre biodiversidade

Projeto Labzoo
Página na rede social visa ampliar o conhecimento por meio de conteúdos, registros e divulgação das atividades produzidas pelo laboratório. Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Hoje, a página do laboratório na rede social já conta com mais de 900 seguidores, e diferentes conteúdos entre folders sobre conhecimentos didático científicos publicados, álbuns de registros de visitações realizadas pela equipe do Labzoo a outras instituições, álbuns com registros de exposições e vídeos de divulgação das atividades de extensão do laboratório.

Segundo Maria Eduarda, além de popularizar a ciência, tornando-a mais atrativa para a sociedade, essa atuação do projeto em redes sociais também valoriza a biodiversidade, incentiva a consciência ambiental e destaca a importância das coleções científicas e da pesquisa acadêmica. 

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“Até o momento, o projeto já apresentou resultados significativos, como o aumento do engajamento nas redes sociais, maior alcance das publicações e interação com diferentes públicos. Também foi possível observar o interesse crescente do público pelos temas abordados, além do reconhecimento institucional do projeto, evidenciado por premiações e pela valorização da divulgação científica como uma atividade relevante dentro do meio acadêmico”, acrescentou a estudante. 

Leia também: Ufam e UFPA são as únicas do Norte entre as universidades federais que mais produzem pesquisa

Projeto vai além de rede social

Rede social é usada para popularizar ciência e biodiversidade amazônica por estudantes da UFPA
Estudante Maria Eduarda, durante a premiação Horário Schneider. Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Além de estar alcançando um grande reconhecimento do público, o projeto foi reconhecido institucionalmente por meio do Prêmio Horácio Schneider, realizado pelo Instituto de Estudos Costeiros, do Campus Bragança. A premiação busca reconhecer o talento científico, a dedicação e o envolvimento dos discentes nas ações promovidas pelo Iecos. Tanto Maria Eduarda quanto seu orientador foram contemplados na categoria “Extensão”. 

De acordo com Maria Eduarda, a sua escolha de projeto se deu porque ações de extensão como o “Deixe seu like” constroem pontes entre a universidade e a sociedade, sendo fundamentais para a popularização da ciência.

“Elas possibilitam que o conhecimento científico avance, promovendo educação científica, pensamento crítico e conscientização ambiental. Além disso, fortalecem o papel social da universidade, estimulam o diálogo com a comunidade e contribuem para a formação de cidadãos mais informados, capazes de compreender e valorizar a ciência em seu cotidiano”, conclui a estudante. 

*Com informações da UFPA

Três sítios arqueológicos para conhecer a história de Roraima

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Gravuras rupestres no sítio Arara Vermelha. Foto: Marta Sara Cavallini

O estado de Roraima abriga diversos patrimônios arqueológicos que ajudam a contar a história de milhares de anos da região e revelar formas de ocupação humana, práticas culturais, rituais e modos de vida dos povos originários.

Atualmente, o estado possui 491 sítios arqueológicos registrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e cadastrados no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG), banco de dados oficial do órgão.

“O sítio arqueológico tem a ver, primeiro, com a ideia de local, de uma coordenada geográfica, latitude e longitude, que apresenta vestígios de ocupação pretérita, anterior ao período colonial, o que também chamamos de pré-colombiano ou paleoameríndio”, explicou o doutor em geografia Deivison Molinari ao Portal Amazônia.

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De acordo com Molinari, os sítios arqueológicos guardam cemitérios, sepulturas, cerâmicas e artefatos que denunciam a moradia e o estilo de vida de povos antigos. A definição legal desses bens está prevista na Lei Federal nº 3.924, de 1961, que dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos no Brasil. Conheça três desses locais encontrados em Roraima:

Sítio Arara Vermelha 

O sítio Arara Vermelha, também conhecido como Pedra do Sol, fica localizado no município de São Luiz do Anauá, ocupando uma área de 23,7 hectares. Descoberto entre 2024 e 2025, o local possui datação aproximada de 9.400 anos atrás, o que o torna um dos mais antigos do estado.

Descoberto através de um estudo da Universidade de São Paulo (USP), o sítio foi identificado como o primeiro do Brasil com evidências de granito lascado manuseado por povos indígenas pré-coloniais. O granito, pedra natural que se forma dentro da terra ao longo de milhões de anos, era utilizado na produção de artefatos e ferramentas. 

O sítio, formado por um morro de granito com aproximadamente 38 metros de altura e por uma área plana no entorno, é coberto por rochas com 132 m² que reúne cerca de 17 hectares de rochas gravadas.

Leia também: Primeiro sítio arqueológico do Brasil com sinais de granito lascado é encontrado em Roraima

Sitio arqueológico Arara Vermelho
Sítio arqueológico Arara Vermelho. Foto: Marta Sara Cavallini

“As pinturas, que são chamadas de gravuras rupestres, eram feitas em uma rocha do tipo sedimentar, conhecido como arenito. Então as pedras possuem vários riscos e desenhos, tanto zoomorfos, formas de animais, quanto antropomorfos, desenhos de pessoas”, explicou Molinari. 

De acordo com o pesquisador, o sítio Arara Vermelha remete um pouco à história da arqueologia da Amazônia, além de ser considerado estratégico para a arqueologia amazônica por estar associado a um depósito sedimentar bem preservado, com alto potencial de novas descobertas.

Apesar da importância histórica, o Arara Vermelha enfrenta ameaças constantes, já que a região é usada para criação de gado e a prática da queima de áreas de mata para formação de pasto danificou blocos de granito com gravuras rupestres e comprometeu parte do entorno do sítio.

Sítio Pedra Pintada 

O sítio arqueológico Pedra Pintada, localizado na Terra Indígena São Marcos, no município de Pacaraima, data de cerca de 4.000 anos atrás e é considerado o mais simbólico de Roraima. Trata-se de um grande bloco de granito com uma caverna na base e três áreas principais de pinturas rupestres.

Sítio arqueológico da Pedra Pintada. Foto: Reprodução/Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

As pinturas se dividem em área de caverna, painel principal e mesa de pedra (localizado em um lugar de difícil acesso conhecida pelo eco que produz em outras áreas do sítio). Essas pinturas possuem formas geométricas como círculos, retângulos, linhas e retas, que teriam sido desenhadas com a ajuda de escadas ou andaimes improvisados, já que estão a mais de 10 metros do solo. 

Considerado sagrado pelos povos indígenas da região, o sítio revelou, em escavações realizadas na década de 1980, fragmentos cerâmicos, artefatos líticos, restos de alimentação, objetos de adorno, sementes, vestígios de cestaria, pigmentos minerais e sepultamentos. 

Leia também: Conheça três sítios arqueológicos na Amazônia que são considerados patrimônio cultural do Brasil

Ruínas do Forte São Joaquim do Rio Branco

O conjunto das Ruínas do Forte São Joaquim do Rio Branco, localizado em Bonfim, na confluência dos rios Uraricoera e Tacutu, foi construído em 1775, para evitar invasão dos espanhóis, ingleses e holandeses. O forte foi tombado em nível federal no estado por representar a ocupação portuguesa no norte do Brasil. 

Erguido pelo engenheiro alemão Phelippe Frederico Stürm, com mão de obra indígena, o entorno do forte deu origem aos primeiros aldeamentos que resultariam na atual cidade de Boa Vista.

Com uma área total de 25.738,47 metros quadrados, viviam na região cerca de 1019 indígenas das etnias Paraviana, Wapixana, Sapará, Atruarí, Tapicarí, Uaiumará, Amaripa e Pauxianá. 

Forte São Joaquim do Rio Branco vista de cima. Foto: Divulgação

O forte foi oficialmente tombado pelo Governo de Roraima, conforme a Portaria MINC nº 100, de 4 de dezembro de 2017 e homologado em 2023, utilizando o Decreto-Lei nº 25/1937.

Atualmente o lugar se encontra em ruínas, já que muitas pedras, balas de canhões e diversos vestígios arqueológicos foram roubados ao longo dos anos, fazendo com que a vegetação ocupasse novamente a área. 

Além disso, o local se encontra abandonado e fechado para visitação por motivos de segurança e para evitar maior degradação e saques de seus vestígios arqueológicos que ainda restam no local. 

*Com informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Crise do café em Manaus de 1968: dificuldade de acesso e abastecimento vulnerável

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Embora muito consumido em Manaus, o café não era produzido na cidade. Foto: Jéssica Campo/ Seagri-Rondônia

Em 1968, a cidade de Manaus (AM) enfrentou uma crise incomum e marcante: a escassez de café. O produto, presente diariamente na mesa das famílias, desapareceu das prateleiras por várias semanas, provocando filas, reclamações e dificuldades para comerciantes e consumidores. A falta do grão se tornou um dos episódios mais lembrados da história do abastecimento da capital amazonense.

Leia também: A história do café adaptado à Amazônia

A crise não teve relação com a produção agrícola — já que a Amazônia não era produtora de café —, mas sim com falhas na logística nacional. Manaus dependia quase exclusivamente de remessas enviadas a partir de outras regiões do país. Qualquer atraso, interrupção ou desvio nessas viagens fluviais e marítimas afetava diretamente o consumo dos moradores da capital.

Com a interrupção das remessas regulares, os estoques ficaram reduzidos a ponto de muitos mercados registrarem prateleiras completamente vazias. Famílias relatavam dificuldade em encontrar o café e comerciantes não tinham previsão sobre quando seriam reabastecidos. O episódio expôs, com clareza, a vulnerabilidade logística das cidades amazônicas na década de 1960.

O problema só foi resolvido quando um grande carregamento chegou à cidade. O navio ‘Cidade de Manaus’, partiu de Belém (PA) com cerca de 20 mil sacas de café e normalizou o abastecimento na capital amazonense. Após semanas de escassez, a população pôde finalmente adquirir o produto novamente, encerrando o período de falta total, que durou cerca de 20 dias, segundo registros dos jornais da época.

Publicação do jornal A Crítica em 4 de maio de 1968 fala sobre a chegado do Navio com carga de café. Foto: Reprodução/Acervo Durango Duarte

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Origens da crise de abastecimento de café

A economia cafeeira brasileira sempre esteve concentrada no Sudeste, enquanto regiões como a Amazônia dependiam de remessas organizadas por órgãos federais e transportadas por longas rotas fluviais. Na década de 1960, essa estrutura apresentava deficiências significativas: atrasos, problemas operacionais e denúncias de má distribuição ocorriam com recorrência na região Norte, além de até mesmo suspeitas de que cargas destinadas estavam sendo desviadas em outros portos.

Leia também: Você sabe quais tipos de café a Amazônia mais produz?

Esses fatores combinados criaram o cenário para a crise de 1968. A falta de café em Manaus não era resultado de falta de produção, mas consequência direta de problemas na distribuição.

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Foto: Irene Mendes/Secom RO

A perspectiva histórica

O episódio da falta de Café e, Manaus é frequentemente citado como exemplo das dificuldades enfrentadas pela Amazônia durante grande parte do século XX nos livros de história local. A distância dos centros produtores e a dependência quase total de rotas fluviais tornavam o abastecimento vulnerável a qualquer interrupção.

Em 1968, o episódio foi discutido inclusive no Senado Federal e registrado nos anais da casa. O então senador Pedro Carneiro, em Belém (PA), destacou o problema que a capital amazonense passou naquele ano. No documento (página 68) ele justifica:

“Em Manaus, a falta chegou a ser total, gerando – o que pode parecer surpreendente para quem não mora na Amazônia, mas já é habitual para os que lá se encontram – o espetáculo de faltar café em território do país que mais produz café. E, nesse caso particular, a crise é mais surpreendente porquanto a comercialização do café cru continua a ser exclusividade do Instituto Brasileiro do Café, para evitar o descaminho. Apenas, ao que parece, atrasou-se o navio que iria recompor o estoque do IBC. Acontece, porém, que o atraso de navios, na rota Sul-Norte, está se tornando freqüente, registrando-se, inclusive, longas viagens de até três meses para Belém ser alcançada. A navegação de cabotagem, que foi grandemente aliviada com o tráfego regular, pela rodovia Belém-Brasília, realmente milagrosa para o abastecimento da Amazônia, parece ter voltado às velhas dificuldades”.

Essa fala evidencia o contraste histórico vivido pela cidade: mesmo em um país líder mundial na produção de café, a região amazônica podia enfrentar longos períodos sem o produto devido a fragilidades estruturais.

Quando o carregamento finalmente chegou a Manaus, a normalização do abastecimento foi rápida. Os mercados voltaram a oferecer o produto e o cotidiano dos moradores pôde ser retomado. Embora a crise tenha sido temporária, ela deixou um marco histórico sobre como a dependência logística podia afetar profundamente a vida das pessoas.

Para o pesquisador da Embrapa Ocidental, Alfredo Homma, a crise do café em Manaus no ano de 1968 foi fundamento para que a sociedade local se organizasse para evitar outras crises futuras no âmbito de produtos agrícolas

“Durante o ano de 1968, destacou-se a criação da Associação dos Empresários da Amazônia (AEA), que exerceu enorme influência no processo de ocupação da Amazônia, o início dos cultivos de dendezeiros no município de Benevides por meio de convênio entre Sudam e Institut de Recherche pour les Huiles et Oleagineux (IRHO), dos plantios de gmelina no Projeto Jari e a abertura da Rodovia Cuiabá-Porto Velho. Ocorreu, também, a fundação da Sociedade de Preservação aos Recursos Naturais e Culturais da Amazônia (Sopren), a terceira organização não governamental (ONG) mais antiga do País, com alguns eventos importantes”, destacou o pesquisador em sua obra ‘Notícias de Ontem – Comentários sobre a Agricultura Amazônica’.

Antropóloga paraense defende mestrado sobre mulheres negras em terreiros de Candomblé

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Tema foi objeto de estudo da pesquisadora Fiama Góes, da UFPA, que se baseou nas atividades do Terreiro Rundembo Gunzó de Bamburusema Junsara, que fica em Belém. Foto: Reprodução/Instagram-Profa.fiamagoes

A compreensão das dinâmicas territoriais e de sociabilidade de mulheres negras dentro de um terreiro de Candomblé de Angola foi tema de estudo da antropóloga Fiama Góes, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Pará (PPGSA / UFPA), na dissertação de mestrado ‘DAS MAMETUS ÀS MUZENZAS: As articulações e vivências de mulheres negras dentro de um terreiro de Candomblé e os reflexos no exercício da vida em comunidade‘.

Por meio das vivências, dos saberes e das perspectivas individuais e coletivas de mulheres negras, Fiama Góes descreve os passos e a rotina dentro do Terreiro Rundembo Gunzó de Bamburusema Junsara, localizado na periferia de Belém (PA), no bairro Terra Firme. Fora dele, ela observa as redes e os compartilhamentos entre o terreiro e a vida em comunidade dessas mulheres e seus projetos políticos sociais.

No estudo, o terreiro é apresentado como um quilombo urbano, um princípio ideológico de resistência cultural, em que as relações são estruturadas no matriarcado, de acordo com as vivências, pelos filhos e filhas da casa.

Mulheres “cuidam” das pessoas e perpetuam saberes ancestrais

No Terreiro Rundembo Gunzó de Bamburusema Junsara, a autora identifica uma estrutura hierárquica contra-hegemônica, que valoriza o saber e o poder de mulheres negras e se organiza pela mobilidade: ninguém permanece estagnado, evolui-se conforme tempo e conhecimento. O cuidado com os mais jovens e com os mais velhos é um princípio central, conduzido pela sacerdotisa Mam’etu Muagilê (Mãe Beth), mulher negra, quilombola e ativista.

“Ao participar dessa outra forma organizacional, o primeiro sentimento que tive foi o de estranhamento, dado que, na cultura ocidentalizada, não aprendemos a valorizar as pessoas responsáveis pelo cuidado, as quais, normalmente, são mulheres e são tratadas como subalternizadas (…) Por outro lado, dentro do terreiro, quem assume os ‘cargos de cuidado’ são pessoas consideradas autoridades da casa e estão em posições hierárquicas de notoriedade perante a família de santo”, relata a autora.

Leia também: De banho de cheiro à feitiçaria: as estratégias mágico-religiosas de mulheres negras e indígenas na Santa Inquisição

A obra destaca a centralidade da sabedoria ancestral, política e social da matriarca, que orienta a comunidade e guia o crescimento espiritual dos Filhos de Santo, um processo que exige abandonar vaidades e aprender, em pequenas tarefas cotidianas, com obediência e respeito aos mais velhos. Essa lógica revela que o terreiro se organiza não apenas por hierarquia, mas também,  sobretudo, por um sistema comunitário, no qual o reconhecimento no outro e as redes de apoio formadas no dia a dia sustentam a vida dentro e fora do barracão.

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O Terreiro Rundembo Gunzó de Bamburusema Junsara valoriza o poder e os saberes de mulheres negras. Foto: Acervo de pesquisa/Jornal Beira do Rio

Ibamca como prática social criada no terreiro

Verificou-se, na pesquisa, como as vivências internas do terreiro dialogam com as realidades externas de seus integrantes, fortalecendo a construção da história do povo preto com base nas estruturas ancestralmente organizadas na roça. Esse vínculo se materializa no Instituto Bamburusema de Cultura Afro- Amazônica (Ibamca), criado para atender à comunidade do terreiro e à população afro-amazônica das periferias e ilhas de Belém, especialmente da Terra Firme.

A necessidade de fundar o instituto surge, justamente, porque, devido a estruturas político-sociais persistentes, o terreiro ainda não é reconhecido como um espaço legítimo para ações sociais apoiadas pelo poder público.

Com base nas vivências e no diálogo com as oito mulheres negras, entre as quais, a sacerdotisa Mam’etu Muagilê e outras sete Filhas de Santo pertencentes ao terreiro, Fiama Góes observou como se constroem as redes e os compartilhamentos com a realidade exterior transformada pelas subjetividades de algumas mulheres que integram e são mantenedoras dessas redes.

A autora conclui que a separação entre o Ibamca e o terreiro é apenas simbólica, já que os projetos sociais do instituto nascem da própria casa de santo e de seus princípios de comunidade, solidariedade e cuidado. Desde sua criação, em 2004, o Ibamca realizou ações sociais, como distribuição de cestas básicas, exames e apoio para retirada de documentos, além de projetos culturais, como Capoeira Angola, Cine Bamburusema, Pretinta, entre outros. Em 2023, recebeu o reconhecimento de Ponto de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Ainda assim, a burocracia segue sendo um obstáculo histórico para a obtenção do CNPJ.

Antropóloga Fiama Góes com seu diploma de mestrado. Foto: Reprodução/Instagram-profa.fiamagoes

Segundo a pesquisa, o conhecimento técnico das Filhas de Santo foi essencial para que o terreiro acessasse políticas públicas de incentivo por meio do Ibamca, colocando a comunidade em espaços dos quais o povo preto costuma ser excluído. Como advogada e integrante da casa, a pesquisadora assumiu o compromisso de apoiar a regularização do instituto, articulando parcerias com organizações especializadas nesse trabalho.

Para Fiama Góes, a perspectiva comunitária vivenciada dentro do espaço de aquilombamento, como é a casa de santo, é que move o terreiro e o Ibamca a trabalhar em prol do povo preto.

“Compreende-se que o terreiro, a associação, a família de santo, os filhos e filhas da casa, de modo individual ou coletivo, podem contribuir para a expansão de redes de apoio que conseguem alcançar toda a comunidade preta que está sofrendo na diáspora, por não se ver pertencente ao corpo social ocidental, posto que é uma parcela sempre colocada à margem de direitos”, relata a autora.

Sobre a pesquisa

DAS MAMETUS ÀS MUZENZAS: As articulações e vivências de mulheres negras dentro de um terreiro de Candomblé e os reflexos no exercício da vida em comunidadefoi apresentada por Fiama Góes, no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Pará (PPGSA / UFPA), em 2023 , com orientação do professor Rodrigo Correa Diniz Peixoto.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 176, escrito por Keila Gibson