A segunda e última noite da 25ª edição do Carnaboi em Manaus, neste sábado (21), mostrou a potência da cultura amazônica, reunindo milhares de pessoas no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo.
As galeras dos bois de Parintins, Caprichoso e Garantido, pularam, cantaram, choraram e sorriram muito ao som das toadas mais famosas do Festival Folclórico. Foram 40 atrações em dois dias da festa que celebra o início da temporada bovina.
Feira de artesanato, espaço gastronômico, áreas instagramáveis e outras atrações também compõem a festa, que retornou ao seu local de origem em 2026. E para quem não pôde ir pessoalmente curtir o Carnaboi, transmissões ao vivo foram realizadas pelas mídias do Grupo Rede Amazônica por meio do projeto Carnaval Amazônico.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) aprovou, no dia 13 de fevereiro, as conclusões do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena (TI) Nawa, de ocupação tradicional indígena Nawa/Kapanawa, localizada nos municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no Acre.
A aprovação se deu por meio da assinatura do Despacho Decisório pela presidenta da autarquia indigenista, Joenia Wapichana, com a presença online de lideranças e representantes do povo Nawa/Kapanawa.
O RCID tem por objetivo identificar e delimitar a TI, de forma a promover os direitos constitucionais territoriais e culturais do povo indígena. Após a assinatura, o Despacho Decisório, bem como o resumo do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação e o mapa da delimitação da TI, serão publicados no Diário Oficial da União (DOU) e no Diário Oficial do Estado do Acre.
Com a medida, a Terra Indígena deixa o status administrativo de reivindicação fundiária indígena “em estudo” e passa a ser reconhecida como terra indígena de ocupação tradicional delimitada.
A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, reforçou que os processos de identificação e delimitação, demarcação física e regularização fundiária de terras indígenas são prioridades nesta gestão.
“A terra indígena é a vida dos povos indígenas, é a garantia das futuras gerações, é a forma como os povos indígenas têm resistido ao longo de todos esses anos no Brasil. A gestão indígena veio para retomar a demarcação das terras indígenas. Este ato é mais um resultado dos trabalhos técnicos dos nossos servidores e, em especial, dos povos indígenas Nawa, que souberam resistir e nunca desistiram”, afirmou.
A presidenta ainda enfatizou que o relatório identifica e delimita cerca de 65 mil hectares da terra indígena, que possui uma população indígena de mais de 300 pessoas, distribuídas em 96 famílias, marcando o avanço de um processo iniciado há mais de duas décadas.
A liderança indígena e professora Lucila da Costa Moreira Nawa agradeceu a toda a equipe técnica da Funai e reforçou que “são mais de 20 anos para esse reconhecimento. É uma luta centenária do nosso povo e nunca baixamos a cabeça. Sempre corremos atrás dos nossos direitos. Hoje ficamos alegres e satisfeitos porque saiu o nosso primeiro relatório assinado. Agora é dar continuidade à nossa luta”, explicou.
Ilson Carneiro Nawa, conhecido como Railson, é cacique do povo e disse que a assinatura representa um marco aguardado por gerações.
“São mais de 20 anos de luta para conquistar o território. É um momento histórico que tanto esperamos ao longo dos anos. É uma luta do povo. Sou grato por este momento, aos parceiros, ao grupo de trabalho e à presidenta”, complementou.
Além da presidenta da Funai, participaram presencialmente as diretoras de Proteção Territorial, Janete Carvalho; de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta Baré; e de Administração e Gestão, Mislene Metchacuna, além de técnicos da Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas (Didem) e da Diretoria de Direitos Humanos e Políticas Sociais (DHPS).
De forma remota, além do povo indígena Nawa/Kapanawa, estiveram presentes o diretor da Didem, Manuel Prado, e o coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Toya Manchineri.
Foto: Elvio Pankararu/Funai
TI Nawa
A Terra Indígena Nawa, com superfície de 65.159,27 hectares e perímetro de 138.810,45 metros, está localizada nos municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no estado do Acre, e é de ocupação tradicional do povo Nawa/Kapanawa.
O termo provém da língua Pano e pode ser traduzido como “gente” ou “povo”. Kapanawa, por sua vez, refere-se à origem ancestral . O povo descende da indígena Kapanawa Mariruni, conhecida como a “última sobrevivente Náua”. Kapa significa “quatipuru”, um esquilo amazônico. Eles se reconhecem como pertencentes ao clã Awa, que significa anta.
Com a aprovação do relatório, a TI avança para as próximas fases administrativas do processo de demarcação, consolidando mais um passo na política de reconhecimento e proteção dos territórios indígenas no país.
Arqueólogos encontram peças em escavações na Praça Barão do Rio Branco. Foto: Aog Rocha/GEA
Arqueólogos encontraram peças históricas durante as obras na Praça Barão do Rio Branco, no Centro de Macapá (AP). Os objetos, vindos da Europa, revelam aspectos do cotidiano amapaense entre os séculos 18 e 19. A praça é considerada uma das mais antigas do Amapá.
As escavações fazem parte do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico da praça. O material será analisado por pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Entre os achados estão um cachimbo de caulim, cerâmicas indígenas e louças importadas.
Segundo o arqueólogo Kleber Souza, coordenador do projeto, os objetos ajudam a entender a formação da sociedade amapaense. Eles também revelam traços da escravidão e do contato entre populações negras e indígenas.
“Encontramos um repertório variado de louças importadas de Portugal e Inglaterra. São louças decoradas, outras finas. Além de cachimbos importados da Inglaterra e Holanda. A gente sabe a origem desse material através das marcas de fabricação, e eles são de caulim, uma matéria-prima específica”, explicou o arqueólogo.
Também foram encontrados pingentes e objetos que podem ter sido usados como amuletos de proteção, reforçando a dimensão simbólica e espiritual da época.
“É uma particularidade da história de Macapá. Temos poucas informações do século 19, e aqui há evidências da ocupação e da materialidade da sociedade colonial […] Era uma sociedade escravista, mas o mesmo tempo, é um grupo de pessoas que estava vindo aqui, forçados por esse processo de escravidão, mas também de resistência e fortalecimento de identidade”, disse Kleber.
O arqueólogo lembra que a área central de Macapá foi construída sobre um centro histórico. A região guarda objetos que ajudam a contar a história da antiga Vila de São José, nome inicial da cidade.
Peças foram encontradas durante escavações em praça. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
As escavações também revelaram vestígios estruturais, como esteios de madeira de antigas construções da vila.
“Havia aqui uma ocupação anterior à Praça Barão. As fotos antigas mostram parte disso, mas encontramos uma quantidade bem maior de vestígios”, afirmou Kleber.
Peças preservadas
Pesquisadores acreditam que parte das peças veio dos navios regatões, comuns na época colonial. Essas embarcações chegavam ao Amapá com produtos que eram vendidos ou usados como moeda de troca.
Por causa das descobertas, o projeto da obra foi ajustado. A profundidade das fundações foi reduzida de 1 metro para 20 centímetros, para preservar a camada arqueológica.
A expectativa é que as escavações avancem para outras áreas da praça. Todo o material será analisado e registrado pelo Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas do Amapá (Cepap).
Achados históricos
Em 2025, arqueólogos encontraram uma moeda de 20 réis de 1775. O achado ocorreu nas obras de reforma e ampliação da antiga Residência Oficial do Governo do Amapá, no Centro de Macapá, e próximo à orla do rio Amazonas.
Peças são raras. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
Ao todo, foram encontrados mais de 30 itens dos séculos 17 e 18, como anéis, ossos de animais e cachimbos de origem holandesa.
A residência fica localizada no que é considerado um Platô, um local plano e elevado. Evidências apontam que, mesmo antes da presença dos portugueses, comunidades dos povos indígenas já habitavam a região.
A data da moeda é anterior ao fim das obras da Fortaleza de São José de Macapá e da criação da política cambial brasileira que só começou em 1808.
*Por Mariana Ferreira e Raylana Dantas, da Rede Amazônica AP
Caprichoso e Garantido se encontram no palco do Carnaboi. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM
De volta ao Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus (AM), o Carnaboi 2026 começou na sexta-feira (20) e reuniu artistas e torcedores dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido na primeira noite de programação. Tradicionalmente, o Carnaboi marca o início da temporada bovina, que culmina no Festival Folclórico de Parintins, em junho.
E o evento vai além, pois mostra a união dos bois rivais, em prol da cultura popular amazônica e para reforçar a força do folclore regional.
Na primeira noite, subiram ao palco nomes como David Assayag, Sebastião Júnior, Edilson Santana, Prince do Caprichoso, Márcia Siqueira e Carlinhos do Boi, além da participação de levantadores de toadas, outros itens oficiais e grupos coreográficos das duas agremiações.
Durante a noite, as galeras organizadas de Caprichoso e Garantido dividiram o Sambódromo em um “mar” azul e vermelho, levando bandeiras, adereços e coreografias características das torcidas bovinas. A estrutura montada incluiu reforço na segurança, equipes de saúde e esquema especial de trânsito no entorno do Centro de Convenções.
O show dos bois de Parintins, com repertório formado por toadas conhecidas do público e composições recentes, possui uma dinâmica diferente à do Festival Folclórico, adaptada ao formato carnavalesco.
Mãe e filha chegaram cedo para assistir a apresentação do Garantido no Carnaboi 2026. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
Silvia Maria levou a filha, Jéssica Kelly, que é uma pessoa com deficiência (PcD) para acompanhar de perto a apresentação do Boi Garantido. Elas chegaram cedo, antes da maior parte do público, para assistir a apresentação próximas do palco.
“Ela gosta muito do Garantido desde pequena. Então com essa condição dela, eu prefiro chegar cedo até pra ela conseguir ver tudo de pertinho”, disse a mãe da jovem torcedora.
O casal Eliana Fonseca e Alan Cruz matam a saudade de Parintins e do Caprichoso através do Carnaboi. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
Torcedores do Boi Caprichoso, o casal Alan Cruz e Eliana Fonseca foram ao Carnaboi em Manaus este ano para se divertir. Nascidos em Parintins, eles dizem que estar no Carnaboi é uma forma de aliviar a saudade da cidade.
“Todos os anos a gente tenta vir. O Caprichoso é a nossa alegria, é o boi que a gente sempre acompanhou desde quando vivíamos em Parintins. Acaba sendo uma ligação até com a nossa infância”, afirma Eliana Fonseca.
Assim, o Carnaboi simboliza a união das torcidas para celebrar a cultura, abrir a temporada bovina e mostrar que a rivalidade dos bois pertence ao Festival Folclórico de Parintins.
Pirarucu Uarini da chef Débora Valente no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.
A chef Débora Valente, em Manaus (AM), é uma das convidadas que mostrou que a gastronomia tem o poder de contar a histórias de recomeço e superação.
Isso porque Débora descobriu na cozinha um recomeço de vida e, diferente de muitas histórias que começam com receitas de família, o primeiro aprendizado veio da necessidade.
“Lá pelos meus 30 anos, quando eu me vi desempregada, eu descobri que eu sabia fazer o básico bem feito. Começou com docinhos tradicionais, aquele nosso conhecido brigadeiro. Aí, depois, passei a preparar, por exemplo, um lagarto ao molho de mostarda, que fica uma delícia”, contou Débora.
Chef Débora Valente no programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Quando surgiu, em Manaus, o primeiro curso superior de Tecnologia em Gastronomia, Débora não pensou duas vezes: prestou vestibular, ingressou na faculdade e, ainda durante a formação, recebeu o convite para dar aulas de Confeitaria e Panificação. Mesmo não sendo sua área de preferência, aceitou o desafio e se tornou professora.
No entanto, com a reformulação do curso para o modelo tecnológico, ela decidiu começar novamente e buscou sua segunda graduação na área.
“Eu achava que era simplesmente cozinhar. Cozinhar não é isso. Eu trabalho com cozinha quente, cozinha fria, cozinha internacional, cozinha francesa, italiana, árabe e, principalmente, a cozinha amazônica, que é o meu xodó. Cozinhar é técnica, é nunca mais parar de pesquisar, de aprender, de procurar conhecimento”, explicou a chef.
Além disso, a chef destaca a responsabilidade de trabalhar com produtos da maior biodiversidade do planeta e de manter vivas as referências culturais ligadas à alimentação.
“Todo mundo vem para cá atrás dos nossos ingredientes incríveis, que contam a história, as raízes caboclas, indígenas e quilombolas. E essa é a nossa responsabilidade”, afirmou.
Chef Débora Valente no programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A receita apresentada por Débora é ‘Pirarucu uarini ao limonete de maxixe’. De acordo com a chef, o prato é uma combinação que surpreende. Confira:
Rendimento:
5 porções (filés de aproximadamente 100 g)
Ingredientes
500 g de filé de pirarucu fresco (pode ser lombo)
5 g de sal refinado (1 colher de chá rasa)
2 g de pimenta-do-reino moída (½ colher de chá)
4 dentes de alho amassados
5 g de páprica defumada (1 colher de chá)
10 ml de suco de limão (1 colher de sopa)
150 g de farinha de trigo
2 ovos
200 g de farinha Uarini (filé ou ovinha)
1 litro de óleo de soja
Pré-preparo
Corte o pirarucu em 5 pedaços iguais (ou no tamanho desejado, mas mantendo espessura parecida para fritar por igual). Tempere e em uma tigela com a mistura de: sal, pimenta-do-reino, alho amassado, páprica e suco de limão. Espalhe bem essa mistura sobre todos os pedaços de peixe.
Tampe a tigela e leve à geladeira por 30 minutos. Pode deixar até 2 horas para sabor mais intenso.
Empanamento (sequência correta)
Prepare 3 recipientes separados:
Recipiente 1: farinha de trigo
Recipiente 2: ovos levemente batidos com um garfo (adicionar 2 col de sopa de água para diluir os ovos)
Recipiente 3: farinha Uarini
Agora siga essa ordem obrigatória para cada pedaço de peixe:
Passe na farinha de trigo (retire o excesso)
Passe no ovo batido (cubra bem)
Passe na farinha Uarini, pressionando levemente para fixar
Coloque os filés empanados em um prato e não empilhe para não tirar a crocância.
Aqueça até 180 °C (se não tiver termômetro: jogue um pouquinho de farinha, se borbulhar na hora, está pronto).
Frite poucos pedaços por vez para não esfriar o óleo.
Frite por cerca de 3 a 5 minutos, virando se necessário, até ficar bem dourado e crocante.
Retire com uma escumadeira.
Coloque os filés fritos sobre: peneira de aço ou papel-toalha para manter o peixe sequinho e crocante.
Limonete de maxixe
Rendimento:
Aproximadamente 4 porções (como acompanhamento)
Ingredientes
200 g de feijão de praia (de corda ou fradinho)
2 folhas de louro
150 g de maxixe verde (limpo e firme)
100 g de cebola roxa
4 pimentas-de-cheiro verdes (com sementes)
8 tomates grape (ou similares)
1 maço pequeno de cheiro-verde misto (cebolinha, chicória e coentro)
10 ml de suco de limão
20 ml de azeite de oliva extra-virgem
2 g de sal refinado (ajustar depois)
1 g de pimenta-do-reino moída
Modo de Preparo:
Coloque o feijão de praia em uma panela com água suficiente para cobrir. Adicione as folhas de louro e um pouco de sal e cozinhe até que o feijão fique al dente (cozido, porém firme). Escorra a água e deixe esfriar. Reserve.
Preparar os vegetais
Maxixe:
Raspe levemente os espinhos (se houver).
Lave bem.
Corte em cubos de aproximadamente 1 cm, mantendo as sementes.
Cebola roxa:
Corte em cubos do mesmo tamanho do maxixe.
Pimentas-de-cheiro:
Pique bem miudinho, com sementes.
Cheiro-verde (cebolinha, chicória e coentro):
Pique finamente.
Tomates grape:
Corte cada um em 4 partes.
Finalização
Chef Débora Valente no programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/ Amazon Sat
Em uma tigela grande, coloque oMaxixe, a Cebola, a Pimenta-de-cheiro, o Tomate e o Cheiro-verde, adicione suco de limão, Azeite, Sal e Pimenta-do-reino. Misture bem para envolver todos os ingredientes.
Acrescente o feijão já cozido e frio à mistura temperada e mexa delicadamente para não amassar os grãos. Prove e corrija o sal, limão ou azeite, se necessário.
Armazenamento
Sirva imediatamente ou mantenha em recipiente fechado sob refrigeração até a hora de servir. Dica: Fica excelente como acompanhamento para peixes grelhados, assados ou fritos.
Para servir
Sirva o peixe imediatamente com:
Limonete de maxixe ou
Molho de pimenta amazônica ou
Arroz branco e vinagrete
Dicas importantes da chef (segredo do sucesso)
Peixe gelado empana melhor
Não fure o peixe na fritura (perde suculência)
Óleo frio = peixe encharcado
Óleo quente demais = queima por fora e fica cru por dentro.
Com a tecnologia social, indígenas podem criar seus próprios dicionários. Foto: Ana Vilacy/MPEG
Os Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas, desenvolvidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em parceria com pesquisadores da Universidade do Novo México e comunidades indígenas, receberam a certificação de tecnologia social da Fundação Banco do Brasil.
Com metodologia replicável e com comprovado impacto positivo em comunidades, o projeto concorre ao 13° Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, edição especial de 40 anos, que ocorrerá em maio. A iniciativa – uma das sete desenvolvidas pelo Museu Goeldi – também passa a integrar a plataforma Transforma FBB, rede digital que reúne soluções sociais de diversos países.
Coordenadora do projeto, a pesquisadora do Museu Goeldi, Ana Vilacy, afirma que a certificação é importante porque atesta a demanda dos povos indígenas que lutam para preservar suas línguas ameaçadas.
“Ficamos muito felizes com a certificação porque ela reconhece os dicionários como uma resposta para a demanda social, que é a questão das línguas indígenas ameaçadas. Ao mesmo tempo, o certificado reconhece a ação política das comunidades indígenas falantes dessas línguas tradicionais, que querem retomar o aprendizado e a transmissão no seio das suas próprias comunidades”.
Para Ana Vilacy, o certificado de tecnologia social dá maior visibilidade aos Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas: “Com essa certificação, a tecnologia fica mais acessível em larga escala, torna-se mais conhecida dentro e fora do país, aumenta a visibilidade e o escopo de atuação desse trabalho”.
Desenvolvido com software livre, a nova tecnologia social do Museu Goeldi foi elaborada com o objetivo de favorecer a apropriação da metodologia de criação dos dicionários por quaisquer comunidades interessadas. “Utilizamos softwares livres de amplo acesso, que podem ser aplicados por qualquer grupo interessado em desenvolver seus próprios dicionários”, reforçou a pesquisadora.
As línguas Kanoé, Oro Win, Puruborá, Sakurabiat, Salamãi e Wanyam já possuem dicionários elaborados a partir da metodologia desenvolvida pelo Museu Goeldi, disponibilizados no portal do projeto.
Também está disponível o dicionário temático “Lugares sagrados dos Medzeniakonai”, desenvolvido pelo pesquisador indígena Artur Baniwa.
De acordo com Ana Vilacy, outros quatro dicionários estão sendo desenvolvidos, com previsão de lançamento este ano: das línguas Makurap, Wayoró, Kujubim e Djeoromitxí.
“Também estamos trabalhando a metodologia com professores e alunos indígenas do curso intercultural indígena da Universidade Federal do Maranhão para produzir vocábulos, pequenos dicionários das suas próprias línguas, como atividades curriculares”, acrescentou.
Ao todo, 148 tecnologias sociais foram certificadas pela Fundação Banco do Brasil este ano. Todas concorrem ao 13° Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social que, nesta edição, irá premiar iniciativas em duas categorias: Novas Tecnologias Sociais e Desafio Fundação BB 40 Anos.
O total do investimento é de até R$ 6 milhões em premiação e certificação. As finalistas serão anunciadas na segunda quinzenas de fevereiro e a cerimônia de premiação está prevista para o dia 29 de maio.
A primeira noite da 25ª edição do Carnaboi em Manaus, nesta sexta-feira (20), reuniu centenas de pessoas no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo. As galeras dos bois de Parintins, Caprichoso e Garantido, mostraram mais uma vez a empolgação pelo início da temporada bovina no Amazonas.
Ao ritmo do “dois pra lá, dois pra cá” das toadas, os amantes do boi-bumbá participam do evento que conta com 40 atrações em dois dias da festa que celebra a cultura regional e o folclore amazônico.
Feira de artesanato, espaço gastronômico, áreas instagramáveis e outras atrações também compõem a festa, que retorna ao seu local de origem em 2026.
A expectativa é que o público ultrapasse os 27 mil presentes na edição de 2025. E para quem não pode ir pessoalmente curtir o Carnaboi, é possível acompanhar as transmissões ao vivo do Grupo Rede Amazônica.
A segunda noite promete ainda mais alegria e celebração à identidade dos nortistas com muita toada e coreografias. Confira a programação completa deste sábado (21) AQUI.
O projeto Consciência Limpa mobiliza a comunidade acreana no ‘DIA D‘ com serviços, educação ambiental e descarte sustentável. A ação da Fundação Rede Amazônica (FRAM) no Lago do Amor, em Rio Branco, integra educação, cidadania, saúde e práticas sustentáveis, com foco no engajamento comunitário e na gestão adequada de resíduos.
O ‘DIA D’, em 28 de fevereiro, tem como tema ‘Ação Consciência Limpa: Acre pelo Meio Ambiente e Clima e Drive Thru’, uma iniciativa de mobilização social e ambiental voltada à sensibilização da comunidade sobre a importância da preservação ambiental e da adoção de práticas sustentáveis.
O evento visa engajar a sociedade por meio de atividades educativas e serviços que promovam impacto socioambiental direto e ampliem o alcance das práticas sustentáveis no cotidiano. A programação contempla uma série de atendimentos e orientações oferecidos sem custo à comunidade, com foco em saúde, cidadania e informação.
Durante o evento no Lago do Amor, em Rio Branco, a população poderá acessar os seguintes serviços gratuitos:
Atendimento jurídico (cível e previdenciário) com a OAB;
Emissão de documentos e serviços sociais (Cadastro Único, alistamento militar, entre outros) com o OCA;
Atendimento ao público, negociações e orientações de segurança elétrica com a Energisa;
Atendimento de saúde e vacinação com apoio de unidades parceiras;
Atividades recreativas e educativas para públicos de todas as idades;
Drive-Thru de Resíduos, incluindo coleta de eletroeletrônicos, pilhas, baterias e óleo de cozinha usado, facilitando o descarte ambientalmente adequado;
Espaços de orientação e capacitação sobre temas relacionados à sustentabilidade e ao consumo responsável.
Essas ações são estruturadas para ampliar o acesso da população a serviços que promovem bem-estar e informação, ao mesmo tempo em que incentivam práticas sustentáveis e o cuidado com o meio ambiente.
Drive-Thru de Resíduos: praticidade e impacto para a reciclagem
Uma das principais atividades do ‘DIA D’ é a ação de Drive-Thru de Resíduos, que tem como objetivo oferecer uma forma prática e acessível para que a população realize o descarte correto de materiais recicláveis e resíduos que exigem tratamento específico, como equipamentos eletroeletrônicos, pilhas, baterias e óleo de cozinha usado.
Essa iniciativa estimula a participação ativa da comunidade no processo de reciclagem e contribui para o fortalecimento da gestão adequada de resíduos sólidos no estado.
Foto: Larissa Marinho
Sustentabilidade, cidadania e desenvolvimento regional
O projeto Consciência Limpa, que atua há mais de 20 anos na Região Norte, promove educação ambiental, sustentabilidade e a participação da comunidade em práticas responsáveis para a preservação dos recursos naturais. O projeto utiliza estratégias educativas e ações práticas para transformar conhecimento em atitudes sustentáveis, abordando temas como destinação correta de resíduos, economia circular e consumo consciente, por isso o DIA D é fundamental para levar todas as ações de conscientização à população.
Segundo o coordenador do projeto, Matheus Aquino, o evento representa uma oportunidade de aproximar a população das soluções ambientais e estimular mudanças de comportamento, reforçando a importância do engajamento comunitário na construção de um futuro mais sustentável para o Acre e toda a Amazônia.
“A ação DIA D integra educação ambiental, serviços comunitários e práticas sustentáveis com o objetivo de estreitar o vínculo entre a sociedade e a preservação do meio ambiente. Oferecer serviços gratuitos à população e facilitar o descarte adequado de resíduos é parte essencial desse compromisso coletivo”, destacou o coordenador.
Assim, o Consciência Limpa se consolida como uma iniciativa de impacto socioambiental reforçando o compromisso da Fundação Rede Amazônica com o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Projeto ‘Meninas nas Agrárias’ recebe jovens que moram em assentamentos de reforma agrária no Pará. Foto: Divulgação/Arquivo Pro-Semeia
No intuito de mostrar, na prática, que meninas que moram em assentamentos rurais podem sim estar presentes no mundo acadêmico ou seguir carreira científica, o projeto ‘Meninas nas Agrárias’, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), tem transformado a vida de adolescentes no interior do Pará.
O projeto, coordenado pela professora Ruth Almeida, nasceu antes da pandemia de Covid-19 e teve suas primeiras ações voltadas para meninas das ilhas próximas a Belém. Com o sucesso, o foco expandiu-se para os campi do interior, recebendo jovens que moram em assentamentos de reforma agrária nos municípios de Capitão Poço, Mãe do Rio e Irituia.
“O projeto nasce desse debate de termos mais meninas fazendo ciência. Que elas podem estar na universidade. Já sabemos oficialmente que temos mais meninas no ensino fundamental, médio, superior e pós-graduação. Mas em áreas como Exatas e Agrárias, ainda há uma percepção, principalmente na UFRA, de que é um espaço muito masculino”, explica a professora Ruth Almeida.
O incentivo começa por explicar o que é uma universidade e convidar meninas para conhecerem o campus da Ufra Capitão Poço. As atividades incluem visitas guiadas aos laboratórios e salas de aula, apresentações sobre os cursos e a história da instituição, em um diálogo direto entre alunas de graduação da UFRA e as jovens da comunidade.
Presença de mulheres na UFRA representa grande maioria na instituição. Foto: Arquivo Pro-Semeia
Quem guia as meninas pelo campus são outras meninas, universitárias como Antônia Cleane Silva, do sexto semestre de Agronomia.
“O projeto é importante por atuar diretamente nos assentamentos da reforma agrária, incentivando meninas mulheres a se reconhecerem como parte da ciência, especialmente nas áreas agrárias, que sempre foram ocupadas por homens. Ele possibilita que meninas consigam ver novas possibilidades para além da sua realidade, sem perder o vínculo com suas origens”, diz.
“Eu entro às vezes em sala de aula e há turmas em que temos 90% de estudantes do sexo feminino. O problema é que, ao relacionar as agrárias só a uma perspectiva masculina, a instituição não se prepara para receber as mulheres. A estrutura de pensamento ainda é de anos atrás, quando os cursos eram eminentemente masculinos”, diz.
No campo, as atividades também ocorrem com oficinas e capacitações. Antônia Cleane diz que as ações do projeto dialogam diretamente com a sua própria origem e o desejo de atuar no campo. Oriunda da área rural, ela cresceu ajudando o pai na roça.
“Como menina do interior, estar na universidade representa não apenas uma conquista pessoal, mas também a possibilidade de levar conhecimento técnico para minha família e para as comunidades rurais das quais faço parte. Acredito que o conhecimento científico pode transformar a realidade dos agricultores da agricultura familiar”, diz.
Projeto Meninas das Agrárias
O ‘Meninas das Agrárias’ é uma das atividades do projeto Pró-Semeia, que representa a continuidade do Profor-EXT (Programa Nacional de Formação em ATER para Assentamentos de Reforma Agrária e Contribuições para a Agenda 2030).
Atualmente o Pro-Semeia é uma rede nacional que conecta universidades, instituições, territórios e comunidades para fortalecer a agricultura familiar. Junto ao INCRA e ao MDA, é formado por 19 IES (entre elas a Ufra), 21 equipes e mais de 7 mil famílias atendidas em 13 estados brasileiros.
Mulheres na Ufra
A presença de mulheres na Ufra é bem marcante. Além de contar com uma reitora pró-tempore, possui 267 professoras, 238 técnicas administrativas, 297 alunas de pós-graduação e 3.750 alunas ativas entre a graduação, Parfor e Forma Pará. Segundo a professora Ruth Almeida, a percepção comum de que as Ciências Agrárias e as Exatas são “espaços masculinos” ainda persiste, mesmo que, na prática, a realidade da UFRA já tenha mudado.
Por isso o projeto busca não apenas atrair novas estudantes e mostrar que elas podem ser alunas, mas transformar a estrutura institucional para acolher quem já está na universidade. Desde adequar banheiros em atividades de campo até o incentivo à carreira acadêmica, o projeto busca garantir um olhar diferenciado para as necessidades das mulheres.
“Falar de ciência é falar de permanência: precisamos discutir maternidade, apoio a alunas com deficiência e proteção contra a violência. No dia 9 de março, lançaremos um formulário oficial na UFRA para mapear experiências de violência e dificuldades que as alunas enfrentam por serem mulheres”, disse.
Dividido em duas noites de shows, o Carnaboi 2026 volta ao Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus (AM), para sua 25ª edição. Com noites temáticas e entrada gratuita, o evento marca o início da temporada bovina, uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins. E para garantir a diversão de todo o público apaixonado pelo boi-bumbá, este ano o evento conta com uma área exclusiva para Pessoas com Deficiência (PcD) e mobilidade reduzida.
O ‘Espaço Acessível’ foi disponibilizado nos dois dias – sexta-feira (20) e sábado (21) – para as PcD e seus acompanhantes, com 30 vagas preenchidas por ordem de chegada.
A estrutura, realizada pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEPcD), disponibiliza um local seguro, com proteção para chuva, banheiro adaptado, hidratação e intérprete de libras.
Além disso, o local conta com audiodescrição e equipes multiprofissionais dando o suporte e acompanhamento das pessoas durante o evento.
Carnaboi pensado para todos
Apaixonado pelo Boi Garantido, Rogério Nascimento é um dos brincantes de boi-bumbá que compareceu na primeira noite do Carnaboi 2026.
Ele conta que sempre utiliza os espaços construídos para PcDs no evento, mas que chega cedo para curtir a festa no meio do público em geral.
“Eu venho sempre sozinho. Só eu e Deus com o pessoal do Garantido. Mas eu prefiro acompanhar o evento com a galera. Depois, quando eu cansar, eu vou para lá. Já sou antigo no Carnaboi. Como diz aquele ditado, eu sou ‘macaco-velho’. Então eu vou me virando como dá”, afirma Nascimento, que sempre comparece no Carnaboi.
Rogério Nascimento chegou cedo para curtir o Carnaboi 2026. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
Também são disponibilizados abafadores de ruído para pessoas que possuem dificuldades de lidar com barulhos altos ou tem sensibilidade auditiva. É o caso de Felipe Souza, que afirma gostar dos dois bois.
Autista, para ele é difícil estar em ambientes com muito ruído, mas apesar do som alto que ecoa as toadas no sambódromo, ele decidiu tentar.
“É a primeira vez que eu venho. Gosto muito de boi-bumbá. Apesar de eu estar com a camisa do Garantido, eu gosto do Caprichoso também. E ver daqui é muito diferente do que na internet, que é onde eu sempre acompanho desde criança”, revelou Souza.
A irmã de Felipe, Tiana Souza, também gostou do espaço disponibilizado para PCDs. “Ele gosta muito de boi-bumbá, então como eu fiquei sabendo deste espaço, fica mais tranquilo aqui pra ficar com ele”, aprovou.
Felipe Souza utlizou abafadores de ruído para assistir as apresentações do primeiro dia de Carnaboi 2026. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
Do lado do Caprichoso, a dona de casa Auxiliadora Pereira levou o filho Eduardo Martins, de 21 anos, que é uma pessoa com Síndrome de Down.
“Às vezes é muito difícil trazer ele porque tem muita gente, a gente fica com um pouco de medo, mas com o espaço pra atender é muito importante pra interação dele, pra convivência com os outros”, afirma.
Em sua 25ª edição, o evento acontece pelo terceiro ano consecutivo como parte do projeto Carnaval Amazônico, do Grupo Rede Amazônica e a expectativa é que o público ultrapasse os 27 mil visitantes registrados em 2025.