Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) decidiu protocolar pedido de ingresso como amicus curiae, atuação regulamentada pelo Artigo 138 do Código de Processo Civil (CPC), sobre a Ação Civil Pública nº 1049079-37.2026.4.01.3400, movida pela FIESP contra dispositivos da Lei Complementar nº 214/2025, que asseguram a manutenção do diferencial competitivo da Zona Franca de Manaus (ZFM) no contexto da Reforma Tributária. Idêntica iniciativa foi adotada pela Associação Comercial do Amazonas. Segundo o presidente da entidade, Bruno Loureiro, “a ACA defenderá a constitucionalidade dos créditos presumidos da ZFM e a preservação da competitividade do modelo econômico que sustenta o setor produtivo e a economia do Amazonas”.
A “guerra” de S. Paulo contra a ZFM e o Polo Industrial de Manaus (PIM), particularmente, vem de longe. Não se trata da primeira, segunda ou décima estocada da representação empresarial paulista contestando a validade da política de incentivos estabelecida pelo DL 288/67. Sem embargo da relevância da política de incentivos para a economia da capital amazonense, o volume de desinformação generalizada em relação ao paradigma econômico, nesses quase 60 anos, tem origem bem definida: enquanto as prerrogativas estruturais mantêm-se preservadas em sua essência, o modelo (com exceção de algumas empresas) não evoluiu no sentido de se ajustar ao mundo globalizado evoluído nesse período, particularmente no que toca à revolução industrial 4.0.
Desta forma, desde o seu nascedouro aos tempos difíceis dos anos 1980/90 e décadas 2000 a Zona Franca defronta-se com circunstâncias semelhantes, os “inimigos” se revezam e recarregam suas baterias. Acuado, o Amazonas e as entidades representativas de classe se defendem, mas o processo manufatureiro aqui instalado não se legitima conjunturalmente, não consegue ter seus fundamentos reconhecidos pelo complexo industrial brasileiro.
Como escreveu o empresário Marx Gabriel, numa de suas competentes e pragmáticas notas publicadas nas redes sociais durante nova rodada de negócios que empreende no Japão e China, “o Brasil tem um problema sério de janela de oportunidade. Enquanto ainda discutimos se devemos ou não adotar inteligência artificial, a China já opera em escala industrial. Shanghai está construindo cinco novos data centers dedicados à IA.
ZFM. Foto: Divulgação/Suframa
Hangzhou, sede do Alibaba, gera 30% do seu PIB a partir de negócios digitais. Suzhou tem PIB per capita superior ao de todas as economias emergentes, com apenas 13 milhões de habitantes. O executivo brasileiro que visita esses ecossistemas volta transformado. Não porque aprendeu teoria, mas porque viu com os próprios olhos o que é possível”. Referindo-se à Amazônia, afirma: “a região carrega um desafio histórico de isolamento estratégico. Manaus é um polo industrial relevante, mas ainda opera com uma mentalidade de periferia em relação aos centros de decisão globais. Nossa visão é que o Brasil precisa parar de aparecer nessas conversas como objeto de proteção e começar a assumir-se como protagonista de soluções”, salienta.
Para Antonio Azevedo, presidente do grupo TV LAR, é fundamental reafirmar o direito legítimo da população amazônida de usufruir, de forma responsável e sustentável, o potencial econômico de sua biodiversidade. A Amazônia, observa, “ao mesmo tempo em que patrimônio ambiental estratégico e espaço de produção, trabalho e inovação, o uso regulado e inteligente dos ativos naturais, apoiado pela ciência, tecnologia e bioeconomia, é condição essencial para gerar renda, emprego e inclusão social, fortalecendo também a conservação”.
A construção de um novo modelo econômico para o Amazonas, salienta Azevedo, exige “integração entre a ZFM, o Polo Industrial, a bioeconomia e as cadeias produtivas regionais, com segurança jurídica, estímulo à inovação e agregação de valor local”. As entidades de classe, ressalta, “têm papel estratégico nesse processo, contribuindo para a articulação institucional e a formulação de propostas capazes de conciliar competitividade econômica, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento regional”. Nesse sentido, estabelecer um espaço comum para o debate desta questão, alinhando a visão das entidades representativas do setor produtivo e podermos protagonizar políticas públicas de longo prazo, afirma.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
O curso de Geologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) realiza nesta segunda-feira (25), às 9h30, em Santarém (PA), o lançamento oficial do documentário ‘Geologia de Campo: Experiência de Mapeamento Geológico na Amazônia’. Aberta ao público, a exibição ocorrerá no Auditório da Unidade Tapajós, situada no bairro do Salé, e integra a programação comemorativa dos 15 anos do curso de Geologia da instituição.
Aula prática do curso de Geologia da Ufopa. Foto: Reprodução/Ufopa
Com cerca de 35 minutos de duração, o documentário apresenta, de forma didática e acessível, a experiência do mapeamento geológico na Amazônia, acompanhando etapas fundamentais da formação acadêmica em Geologia, desde o pré-campo até o pós-campo.
A produção busca aproximar a ciência da sociedade, valorizar a universidade pública e despertar o interesse de estudantes e da comunidade em geral pelas geociências e pela compreensão do território amazônico.
Produzido pelo professor Luciano Ribeiro da Silva e pelo discente Eduardo Afonso Silva de Sousa, ambos do curso de Geologia, o material audiovisual também evidencia o cotidiano das atividades de campo desenvolvidas pelo curso, destacando aspectos técnicos, acadêmicos e logísticos envolvidos na formação dos futuros geólogos. A proposta é ampliar o acesso ao conhecimento científico por meio de uma linguagem acessível e visual.
De acordo com a organização, a exibição representa uma oportunidade de diálogo sobre divulgação científica, formação acadêmica e extensão universitária, demonstrando como o conhecimento produzido na universidade pode retornar à sociedade de maneira educativa, inspiradora e socialmente relevante.
O documentário foi desenvolvido no âmbito do projeto “Extensão Universitária e Divulgação do Curso de Geologia no Oeste do Pará: Imersão Audiovisual no Cotidiano do Mapeamento Geológico”, contemplado pelo Edital Procce n.º 004/2025 – Pró-Extensão.
A programação é aberta à comunidade acadêmica e a estudantes do ensino básico interessados em conhecer as atividades de campo realizadas pelo curso de Geologia da Ufopa.
*Com informações da Universidade Federal do Oeste do Pará
O pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, comentou sobre o debate em torno do Marco Temporal durante entrevista ao jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.
Ao abordar o tema, Aldo Rebelo afirmou que é a favor do Marco Temporal para terras indígenas e criticou a condução das discussões relacionadas às terras indígenas após decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou inconstitucional trecho de lei que instituía marco temporal para terras indígenas. Para Aldo Rebelo a decisão do STF no fim de 2025, gerou “instabilidade jurídica” sobre o tema.
“O Marco Temporal está na Constituição. O Supremo cometeu um grave erro ao revogar o conceito de marco temporal. Criou uma intabilidade jurídica e institucional no país. E eu defendo a proteção dessa referência jurídica que é o marco temporal”.
“Sem marco temporal, tudo é possível”, afirma Aldo Rebelo
Aldo Rebelo afirmou que o debate precisa considerar, além da preservação, questões ligadas à como as terras se encontram atualmente. Segundo ele, toda terra no Brasil é indígena, mas é preciso considerar a situação como esta se encontra local a partir de um tempo específico, para que assim seja tomada a melhor decisão.
“Sem marco temporal, tudo é possível. Se você não tiver uma referência no tempo, como diz a Constituição em seu artigo 231, as terras ocupadas pelos indígenas, naquele momento deveriam ser demarcadas. Se você olhar para o passado, você vai demarcar até a cidade de São Paulo, que também era terra indígena, lá pelos anos de 1500”. Assista:
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
O pré-candidato a presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, afirmou que a Zona Franca de Manaus (ZFM), na sua opinião, foi criada por conta do que ele chamou de “abandono da Amazônia”.
Sua fala veio a partir de um questionamento elaborado pelo jornalista Welliton Lopes durante o programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat. Lopes deu um minuto ao entrevistado para que ele discorresse sobre o tema Zona Franca de acordo com sua visão.
“A Zona Franca de Manaus foi criada a partir da situação do abandono da Amazônia. Como você daria a possibilidade de desenvolvimento na área industrial, criou-se a Zona Franca que vem sendo mantida”, afirmou Aldo Rebelo.
Segundo Aldo Rebelo, apesar de ter sido deputado federal por São Paulo, quando exerceu seu mandato, ele afirmou ter sempre votado a favor da manutenção da Zona Franca de Manaus.
“Eu fui deputado por São Paulo, mas sempre votava para defender a Zona Franca, como uma necessidade não só da Amazônia, mas do Brasil”, alegou o pré-candidato. Assista:
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
Por ser um país com dimensões continentais, estudo têm cenários e resultados diferentes em algumas regiões do país. Foto: Rovena Rosa
A cada ano, o Brasil registra 6 mil mortes por doenças respiratórias relacionadas a temperaturas extremas – isto é, quando o calor ou o frio superam aquilo que o corpo humano consegue tolerar. É o que aponta uma pesquisa da Unicamp que analisou mais de um milhão de óbitos registrados em 646 municípios brasileiros ao longo de 11 anos. As descobertas se tornam mais urgentes diante das mudanças climáticas, que intensificam a frequência e a gravidade dos extremos térmicos no país e no mundo.
O estudo aponta que 6% das mortes por causas respiratórias, cerca de 66 mil casos, que ocorreram no Brasil de 2010 a 2020 estão relacionadas a temperaturas fora do ponto de menor risco, estimado em 22,4°C para o país. O calor responde pela maior parte desse impacto (4,27% das mortes por doenças respiratórias), enquanto o frio representa 1,81% dos casos, segundo dados do artigo publicado na revista PLOS Climate. Segundo os autores, foi a primeira vez que um estudo mapeou a relação entre temperatura e mortalidade respiratória em nível nacional no Brasil. O achado central, de acordo com eles, contraria o senso comum: o maior vilão não é o frio, mas o calor.
Fotos: Rovena Rosa
À medida que as temperaturas médias sobem e as ondas de calor se tornam mais frequentes e intensas devido às mudanças climáticas, a tendência é de que esse quadro se agrave.
“Nosso trabalho mostra que isso de fato acontece e é um problema. Se pensarmos em 6 mil mortes por ano, é um custo muito grande”, diz Guilherme Coelho, médico de família e primeiro autor do estudo. Ele desenvolve seu doutorado no Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.
Em três décadas, a ocorrência de ondas de calor no Brasil passou de 7 dias por ano para 52 dias por ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em algumas regiões, como o Nordeste e os estados de Roraima e Mato Grosso do Sul, a média das temperaturas máximas subiu até 3 °C.
No plano global, entre 2011 e 2020, o planeta se aqueceu 1,1 °C acima dos níveis pré-industriais, o que representa um ritmo mais acelerado do que em qualquer intervalo de 50 anos nos últimos dois milênios, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão das Nações Unidas.
Muitas vulnerabilidades
Guilherme Coelho, médico de família e autor do estudo. Foto: Divulgação/Jornal Unicamp
Os dados ganham contornos mais precisos quando se observa como a temperatura se traduz em risco direto de morte, a depender da região e do clima. O tempo entre a exposição e a morte pode variar conforme o tipo de temperatura extrema. O frio tem um efeito mais prolongado, podendo influenciar a mortalidade por até três semanas. O calor, por outro lado, atua de forma quase imediata, com pico de efeito nos primeiros dois a três dias. “O efeito do calor é muito mais rápido para os desfechos”, diz Coelho.
Em um país de dimensões continentais, ter resultados distintos a depender da região não é surpresa. Na pesquisa, o Norte registrou a maior fração dos óbitos atribuíveis ao calor – 12,5% das mortes respiratórias –, enquanto o frio praticamente não aparece como fator de risco naquela região. O Nordeste segue padrão semelhante, com 8,6% das mortes associadas ao calor. Já no Sul, o cenário se inverte: quase 6% das mortes estão relacionadas ao frio, contra apenas 1,5% ao calor. O Sudeste apresenta efeitos mistos, reflexo de sua diversidade climática.
O estudo aponta que os efeitos da temperatura sobre as doenças respiratórias podem ser explicados por dois mecanismos principais. O primeiro é fisiológico: o calor extremo favorece a desidratação e a irritação das vias aéreas, agravando doenças respiratórias, enquanto o frio compromete os mecanismos de defesa do sistema respiratório, reduzindo a capacidade do organismo de eliminar secreções e aumentando a suscetibilidade a infecções respiratórias.
O segundo mecanismo está relacionado à circulação de agentes infecciosos. Alterações de temperatura e umidade podem influenciar a sobrevivência e a transmissão de vírus respiratórios, como influenza, interferindo inclusive na sazonalidade dessas doenças. Segundo os autores do artigo, as mudanças climáticas impactam das duas formas, pois, ao intensificar os extremos térmicos, amplificam tanto o estresse fisiológico quanto as condições favoráveis à circulação de determinados patógenos.
Moradores em situação de rua são os mais acometidos pelas altos picos de temperaturas como o calor excessivo e o frio extremo. Fotos: Antônio Cruz e Rovena Rosa/Agência Brasil
Para chegar a esses dados, os pesquisadores utilizaram um modelo estatístico chamado DLNM (modelos não lineares de defasagem distribuída, na sigla em inglês), que captura dois aspectos ao mesmo tempo: a relação não-linear entre temperatura e morte, e o fato de uma onda de calor ou de frio ter efeitos que se prolongam por vários dias ou até semanas. Cada município foi analisado separadamente, e os resultados foram posteriormente combinados por meta-análise (técnica que pondera as estimativas locais e produz uma curva nacional).
“Existe uma sazonalidade natural e esperada. Quando a temperatura sai do esperado, calculamos o que pode ser atribuível a ela”, explica o doutorando.
O modelo matemático, no entanto, tem limitações. Por trabalhar com dados agregados, não permite afirmar individualmente que uma pessoa morreu por causa do calor (ou do frio). “Não estamos falando de causa direta. Para falar de causa, a gente precisa ver o dado individual. Aqui a gente fala em fração [populacional] atribuível”, diz Coelho.
Primeiro artigo publicado durante o doutorado de Coelho, o estudo reuniu pesquisadores de enfermagem, medicina e computação, vinculados ou não à Unicamp. A equipe inclui Danielle Kassada, professora da Faculdade de Enfermagem (FEnf) da Unicamp e coorientadora da pesquisa, Charles M’poca Charles, pós-doutorando da Unicamp, e Clarimar José Coelho, professor da PUC-Goiás e especialista em computação e matemática. Completam o grupo os docentes da FCM Maurício Wesley Perroud Junior e Rodolfo de Carvalho Pacagnella, orientadores de Coelho no mestrado e no doutorado, respectivamente.
O paradoxo do frio na Amazônia
O estudo também evidenciou um fenômeno descrito como “paradoxo do frio”, caracterizado pelo aumento da morbimortalidade (conceito que combina a incidência de doenças e a mortalidade) associado a quedas de temperatura em regiões tradicionalmente quentes. Temperaturas que seriam consideradas amenas em cidades do Sul e Sudeste do Brasil podem, no Norte, estar relacionadas ao aumento de óbitos por doenças respiratórias e cardiovasculares.
“A própria definição do que é frio é muito regional”, explica o médico. “Em Manaus, por exemplo, abaixo de 24 °C já é considerado frio, porque as residências não são feitas para aquelas temperaturas, e as pessoas não estão adaptadas”, afirmou.
Calor na região Norte é o que mais causou mortes por doenças respiratórias no país, segundo estudo da Unicamp. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM
Kassada explica que as moradias em áreas tropicais são construídas para dissipar o calor, com ampla ventilação, materiais leves e pouco isolamento térmico, o que torna a população mais exposta a episódios de frio. Populações adaptadas ao calor constante também tendem a tolerar menos as variações térmicas negativas do que aquelas de climas mais amenos.
O fenômeno não é exclusivo dos trópicos. Estudos europeus já registraram que populações de regiões mais quentes do continente são mais vulneráveis a quedas de temperatura do que as do norte. O artigo em questão amplia essa evidência para o contexto tropical e aprofunda um ponto que as mudanças climáticas tornam cada vez mais urgente: se o aquecimento global intensifica os extremos em ambas as direções, os desafios para a saúde pública vão muito além de se preparar para o calor.
(In)justiça climática
Mas os números e modelos estatísticos não capturam toda a dimensão do problema. A professora da Faculdade de Enfermagem conta que durante uma visita com alunos à casa de um paciente de Campinas, acamado após um acidente vascular encefálico (AVE), o termômetro levado para medir a temperatura local marcou 52 °C. A residência, descreve ela, tinha três cômodos, com apenas uma janela pequena e teto de amianto.
A intensidade dos impactos das ondas de calor sobre a saúde varia entre os diferentes grupos populacionais, afetando de forma mais expressiva as populações em situação de maior vulnerabilidade, destaca a docente. “Se esses efeitos já são observados em Campinas, uma das cidades mais desenvolvidas do interior do país, é provável que regiões com infraestrutura mais precária apresentem consequências ainda mais severas”.
Danielle Kassada, professora da Faculdade de Enfermagem (FEnf) da Unicamp. Foto: Divulgação/Jornal Unicamp
Os idosos concentram aproximadamente 75% das mortes por causas respiratórias associadas à temperatura, de acordo com o artigo. Esse cenário está relacionado ao declínio fisiológico da capacidade de regular a temperatura corporal, aliado à alta prevalência de doenças crônicas, como doença pulmonar obstrutiva crônica e asma. “É fundamental desenvolver estratégias específicas de proteção e cuidado direcionadas às populações em maior situação de vulnerabilidade e residentes de áreas periféricas”, enfatiza.
Tantas nuances e diferenças regionais colocam um desafio direto para as políticas públicas. No Norte, onde a alta temperatura responde por mais de 12% das mortes respiratórias e as ondas de calor se tornam progressivamente mais longas e intensas, o foco deve ser na resposta rápida.
Segundo Kassada, entre as medidas prioritárias estão a elaboração de planos de contingência para extremos térmicos, a criação de centros de resfriamento em espaços públicos climatizados (para acolher a população nos períodos críticos de calor) e a ampliação do acesso à climatização em unidades de saúde e moradias mais vulneráveis. O planejamento urbano também entra na equação das estratégias de adaptação climática, pela necessidade de ampliação de áreas verdes, redução de superfícies impermeabilizadas e mitigação das ilhas de calor urbanas.
Na região Sul, o desafio é outro. Os autores afirmam que a região continuará a exigir investimentos em preparação para o frio mesmo em um cenário de aquecimento global, já que a instabilidade climática pode manter ou agravar a vulnerabilidade de populações que carecem de infraestrutura habitacional adequada para lidar com quedas de temperatura. Isso inclui visitas domiciliares a idosos isolados durante períodos de frio intenso, melhoria das moradias para que retenham calor e campanhas sazonais que combatam a ideia de que o frio não é um risco à saúde no Brasil.
Independentemente de qual seja a região, pesquisadores e documentos de política pública convergem: o que falta não é diagnóstico, mas sistemas de alerta precoce baseados em gatilhos de temperatura específicos para cada localidade. Essa é uma das prioridades explícitas do Plano de Ação em Saúde de Belém (BHAP), lançado pelo Ministério da Saúde na COP30 (conferência climática global realizada no ano passado na capital paraense), que prevê o desenvolvimento de modelos preditivos ajustados aos contextos climáticos regionais e aos diferentes perfis de saúde da população.
Kassada cita o município do Rio de Janeiro como referência nacional na implementação de sistemas de alerta para o calor extremo. “A cidade instituiu, em 2024, o Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, estruturado em níveis de calor definidos a partir da combinação entre temperatura, umidade e tempo de exposição”. A lógica é antecipar a demanda antes que ela chegue ao sistema, algo que, segundo ela, as previsões climáticas e os indicadores epidemiológicos já permitem fazer com razoável precisão.
Da resiliência à prevenção
Kassada, que participou tanto da COP30 quanto da edição anterior da cúpula climática, destaca uma mudança significativa na abordagem das discussões sobre saúde entre as duas conferências. Enquanto na COP29 predominaram debates voltados à resiliência e à resposta aos impactos já instalados das mudanças climáticas, na reunião de Belém houve maior ênfase em estratégias preventivas, promoção da saúde e elaboração de planos territorializados de adaptação climática.
Durante o último evento, o Ministério da Saúde lançou o Plano AdaptaSUS, voltado para a adaptação climática na atenção à saúde, com foco territorial, e para a integração das ações de vigilância e assistência. Apresentado na mesma ocasião, o BHAP estabelece três linhas de ação para sistemas de saúde resilientes ao clima: vigilância e monitoramento, políticas baseadas em evidências, e inovação em saúde digital.
O plano reconhece que os impactos das mudanças climáticas afetam de forma desproporcional países em desenvolvimento e populações em situação de vulnerabilidade, e que estratégias padronizadas tendem a ser insuficientes em contextos de grande diversidade climática, territorial e socioeconômica, como o brasileiro.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, escrito por Marina Gama.
Desmatamento das IBAs na Amazônia compromete a vida de aves e do ecossistema biológico do território. Foto: Divulgação/Polícia Federal
As chamadas Áreas Importantes para a Conservação das Aves (IBAs), identificadas como essenciais para a preservação da biodiversidade, perderam mais de 1,8 mil km² de florestas no bioma amazônico entre 2023 e 2025, segundo análise da InfoAmazonia. A perda de vegetação ameaça espécies raras e compromete funções fundamentais da floresta, como a dispersão de sementes e o equilíbrio da cadeia alimentar.
O gavião-real é uma águia rara, uma das maiores aves de rapina das Américas, e gosta de fazer o ninho no topo das árvores. Conhecido cientificamente como Harpia harpyja, pode ter asas com mais de dois metros de envergadura. As garras são comparadas às de um urso, podendo ser ainda maiores e mais grossas. Para sobreviver, alimenta-se principalmente de mamíferos como preguiças e macacos, além de outros vertebrados de médio porte. Caçando no alto das copas, ele depende de grandes árvores e extensas áreas intactas de floresta para encontrar alimento.
A ave habita uma das 58 Áreas Importantes para a Conservação das Aves na Amazônia: a Caxiuanã/Portel, no Pará. Esses territórios, conhecidos em inglês como Important Bird Areas (IBAs), são resultado de uma iniciativa global, criada na década de 80 pela rede britânica BirdLife International, para identificar e proteger os habitats considerados indispensáveis para a sobrevivência das aves e da biodiversidade no planeta.
No entanto, as localizações das IBAs foram definidas pela ciência e não fazem parte do ordenamento jurídico de conservação do país, como ocorre com as Unidades de Conservação (UCs). Assim, apenas 15% delas (9 áreas) estão protegidas, ou seja, têm todo o seu território dentro de uma área protegida, como uma UC, Terra Indígena ou outra categoria de proteção.
Das 58 IBAs, apenas nove unidades em áreas protegidas, enquanto que 29 estão parcialmente protegidas e 20 estão sem sobreposição à áreas protegidas. Imagem: Funai/Save Brasil/INPE
Com essa fragilidade, o habitat de espécies raras como o gavião-real, mas, também, o Araçari-de-pescoço-vermelho e o Jacamim, está sendo desmatado. A InfoAmazonia analisou os dados do PRODES, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que calcula as taxas anuais de desmatamento, e observou uma perda de 1.821 km² de floresta entre agosto de 2023 e julho de 2025 (período que compreende os ciclos de monitoramento de 2024 e 2025). A área desmatada é quase o dobro da cidade de Belém.
Gavião-real é espécie rara, vive na Amazônia e sofre com desmatamento e caça. Foto: Carlos Tuyama/Projeto Harpia
“A Amazônia é o último reduto do gavião-real. Hoje, a gente tem que literalmente parar de desmatar, tem que restaurar a floresta. Os dias estão contados do jeito que está [o desmatamento]. Então, precisa reflorestar. Isso não significa plantar eucalipto e pinho, significa restaurar floresta nativa”, afirma Mario Cohn Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) especializado em aves amazônicas.
Haft explica que, diante da perda de habitat, as aves não levantam voo em busca de outros espaços. Elas permanecem onde estão, mesmo sem condições adequadas de sobrevivência Para ele, a criação de mais unidades de conservação pode ser uma solução para garantir a proteção integral das IBAs.
“Desmatar ou degradar a floresta significa matar os bichos que vivem lá dentro, diretamente ou indiretamente. Uma mata toda aberta ou fragmentada em pedaços pequenos, cercada de pasto, é muito ruim do ponto de vista da sobrevivência desses bichos. É como uma morte anunciada. Você enxerga o desmatamento e prevê perfeitamente quais vão ser as próximas espécies a se tornarem ameaçadas”, diz.
Além da fragmentação do habitat, o desmatamento compromete a construção de ninhos e intensifica a competição por alimento entre as aves. Espécies com baixa densidade populacional e alta dependência de florestas contínuas podem ter ciclos reprodutivos inteiros comprometidos, acelerando o risco de extinção mesmo diante de pequenas perdas territoriais.
O gavião-real, por exemplo, tem reprodução lenta: põe apenas um ovo por vez, e os filhotes podem permanecer dependentes dos pais por mais de um ano. Com isso, a recuperação populacional é mais demorada quando indivíduos são mortos ou perdem habitat.
Gavião-real é um predador do topo da cadeia alimentar e vive nos topos das maiores árvores da Amazônia. Foto: Reprodução/Ideflor PA
Outras espécies e o impacto além das aves
O jacamim-de-costas-escuras (Psophia sp.) é uma das espécies de aves que existem apenas na Amazônia e é encontrada na IBA Gurupi, que teve 114 km² de desmatamento. A ave vive em bandos e é admirada por comunidades locais. É considerada forte e valente, capaz até de predar jabutis. Também é conhecida pela facilidade com que interage com seres humanos.
Haft, que tem o jacamim como um dos focos de pesquisa, explica que a espécie pode adotar filhotes de outras aves.
“É um bicho social, que precisa de uma mata grande para rodar o suficiente e achar o que comer. Ele depende de uma mata fechada para, inclusive, se esconder de predadores. Imagina um fragmento pequeno de mata, onde não há para onde correr. Se entra um gato jaguatirica, pega todos esses jacamins, faz uma festa e depois cai fora”, explica Haft.
Jacamin-de-costas-escuras é um animal sociável, que anda em grupos e precisa de extensas áreas de floresta contínua. Foto: Reprodução/SEMA MA
O jacamim reúne várias espécies. Entre elas, o jacamim-de-costas-escuras é a que corre maior risco, classificada como Criticamente em Perigo (CR) desde 2014 — categoria da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que indica risco extremamente alto de extinção na natureza. Essa classificação considera fatores como quedas acentuadas da população, número reduzido de indivíduos e habitats cada vez menores e fragmentados.
Mutum é uma ave rara conhecida por transportar sementes na floresta amazônica Foto: Emanuel Barreto/ICMBio
Mas os impactos do desmatamento vão além da redução do número de aves. Muitas espécies amazônicas atuam como dispersoras de sementes. Outras ajudam a controlar populações de insetos e pequenos animais. As aves que se alimentam de frutas, por exemplo, ajudam sementes a alcançar áreas distantes da planta de origem, contribuindo para a diversidade vegetal e para a recuperação de áreas degradadas. Sem elas, parte desse ciclo natural é interrompido.
“Se você tira a floresta, elimina toda a função do ecossistema. Se retira, por exemplo, o mutum, provavelmente está afetando não apenas a dispersão de sementes realizada pela espécie, mas também a oferta de presas. O mutum serve de alimento para outros animais”, explica o pesquisador Thiago Orsi, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
“Com menos presas disponíveis, os predadores também tendem a diminuir. Ao mesmo tempo, a perda de predadores pode provocar crescimento descontrolado de populações de outros animais, alterando a dinâmica ecológica da floresta”, conclui o pesquisador.
O estado com o maior número de IBAs na Amazônia brasileira é o Amazonas (11). Em segundo lugar, está o Pará (10); em terceiro, Roraima e Amapá empatados, cada um com 5 áreas. Entre o Acre e o Amazonas, está a maior IBA do mundo: Tabocais, com 73 mil km² — área equivalente a quase 50 cidades de São Paulo. O território abriga a maracanã-de-cabeça-azul, espécie ameaçada de extinção.
Apesar da dimensão, Tabocais não é a área mais desmatada entre as 58 IBAs amazônicas. Foi a IBA Rio Capim, no sudeste do Pará, que registrou a maior perda florestal, com aproximadamente 324 km² desmatados entre 2023 e 2025. Em seguida, aparecem a Caxiuanã/Portel, habitat do gavião-real no Pará, com 320 km², e Alto Sucunduri, no Amazonas, com cerca de 275 km² devastados.
“O mais urgente é preservar essas áreas, principalmente na bacia do Rio Capim e nas regiões que ainda podem ser transformadas em unidades de conservação”, disse o ornitólogo e doutor em biologia Pablo Cerqueira, formado pela Universidade Federal do Pará.
Pesquisador com atuação em unidades de conservação no Pará, ele avalia que a criação de novas áreas protegidas e o fortalecimento do monitoramento das aves são medidas essenciais para conservar espécies já ameaçadas.
Edson Ribeiro, coordenador da Save Brasil, organização que lidera a classificação de novas IBAs no país, avalia que “possuímos um arcabouço jurídico, uma legislação ambiental relativamente consistente e um sistema de unidades de conservação bem elaborado”. Por outro lado, ele afirma que cabe uma “forma mais efetiva de destinar as verbas e os recursos diversos para a proteção desses territórios”.
“É preciso considerar também que a sociedade como um todo deve tratar a conservação dos ambientes naturais como prioridade. Há várias camadas sociais, econômicas e ambientais envolvidas em tudo isso, mas vivemos uma grave crise ambiental global. Não podemos mais, como indivíduos e como sociedade, negligenciar nossa responsabilidade em relação às outras formas de vida que compartilham conosco a ‘casa’ planetária”, argumenta.
Ribeiro reflete que “a natureza não reconhece os limites e fronteiras geográficas dos países estabelecidos pelo homem”. Independentemente da existência das IBAs, as políticas em curso ainda não são suficientes para deter o avanço sobre os habitats das aves amazônicas.
“Toda ação danosa nos ambientes naturais, mesmo numa escala local ou regional, reverbera em todo mundo. A Amazônia é conhecida por seu papel na regulação do clima, no regime de chuvas e em tantos outros serviços ecossistêmicos que a floresta de pé entrega generosamente ao ser humano. A perda de espécies de plantas e animais é apenas uma ponta do iceberg dos impactos das ações humanas nos ambientes”, complementa o coordenador.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazônia, escrito por Jullie Pereira
O jornalista, escritor e político Aldo Rebelo afirmou que a Amazônia é pouco explorada diante de sua vasta dimensão territorial. Segundo ele, em conversa do Welliton Lopes no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat, isso ocorre por causa da forma como a região é apresentada ao Brasil e ao mundo.
Pré-candidato à Presidência da República nas próximas eleições pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo declarou que “a Amazônia é conhecida por uma versão e não pelo que ela realmente é”. Para ele, apesar das inúmeras riquezas existentes na região, foi construída a ideia de que a Amazônia deve ser vista como uma área “intocável”.
“A Amazônia precisa ser explicada para o Brasil e para o mundo. O estado do Amazonas, que tem pouco mais de um milhão e quinhentos mil quilômetros quadrados, têm apenas 5% de todos o seu território ocupado por alguma atividade humana. Se você reunir a agricultura do Amazonas, a pecuária do Amazonas, as cidades, a infraestrutura, tudo isso não chega a 5% de território, 95% é de vegetação nativa. E ficam aqui picaretas, financiados lá de fora, para dizer que no estado do Amazonas o devastamento é irreversível. Não, já está tudo congelado, tudo transformado em unidade de conservação, em terra indígena”, declarou.
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa ‘Entrevistas’. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Segundo Aldo Rebelo, a forma como tem sido conduzidas as políticas de gestão sobre a Amazônia desaceleram o desenvolvimento da região. Rebelo citou alguns bens naturais já identificados na região e que, ao seu ver, devem ser explorados.
“Você não tem licenciamento para fazer a mina de Autazes, para fazer uma hidrovia no rio Madeira ou no rio Tapajós. Tem que remover isso. Primeiro, Supremo Tribunal Federal não pode mais parar obras de infraestrutura como parou a “Ferrogrão”. O STF não pode mais ser o tutor do país em áreas que são de atribuição do executivo e do legsilativo. Segundo lugar tem que ter uma autorida única de licenciamento. Não pode ser essa corrida de obstáculos que você tem que licenciar no Ibama, na Funai, no Ministério Público, no Juiz de primeiro grau”, disse. Assista:
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
Simulador de embriaguez estará disponível no estande do Sistema Transporte durante a TranspoAmazônia 2026. A experiência utiliza óculos especiais para reproduzir os efeitos da fadiga. Foto: Divulgação/Sistema Transporte
Manaus (AM) será a “capital do transporte brasileiro” entre os dias 27 e 29 de maio. Isso porque a capital do Amazonas receberá uma ampla programação institucional do Sistema Transporte (CNT, SEST SENAT e ITL) durante a terceira edição da TranspoAmazônia, maior feira e congresso internacional de transporte e logística da região Norte. Pela primeira vez, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) realizará na Amazônia reuniões estatutárias, encontros setoriais e uma programação aberta ao público voltada aos desafios logísticos, à inovação e ao desenvolvimento do transporte na região.
A participação inédita levará à capital amazonense o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, integrantes da diretoria da entidade, empresários e representantes de 29 federações, cinco sindicatos nacionais e 29 entidades associadas, ampliando a presença institucional do setor na região e fortalecendo o debate sobre infraestrutura, conectividade e integração logística.
Um dos principais destaques da programação será o estande do Sistema Transporte, que reunirá CNT, SEST SENAT, ITL, Despoluir, Fetramaz, Fetranorte e diversos sindicatos regionais em um espaço integrado de relacionamento, conteúdo e experiências voltadas ao público da feira.
Durante os três dias do evento, o estande terá programação contínua, com palestras dinâmicas, apresentações institucionais e debates sobre inovação, sustentabilidade, qualificação profissional e os desafios logísticos da Amazônia.
Foto: Divulgação/TranspoAmazônia
Programação será extensa
A programação incluirá temas como transformação tecnológica no transporte, inteligência logística, redução de emissões, formação profissional e perspectivas para o setor na região Norte. O público também poderá participar de ativações interativas, bem como conhecer produtos, serviços e iniciativas desenvolvidas pelo SEST SENAT, além de estudos e indicadores apresentados pelo CNT Data — plataforma da CNT responsável pela produção e análise de dados do transporte brasileiro, utilizada para subsidiar pesquisas, estudos econômicos e decisões voltadas ao desenvolvimento do setor.
Outro eixo da programação será a atuação do ITL (Instituto de Transporte e Logística), que levará apresentações sobre capacitação executiva e desenvolvimento profissional. Na pauta ambiental, o Despoluir levará ao evento ações voltadas à sustentabilidade e redução de emissões no transporte, destacando o compromisso do setor com uma agenda alinhada aos desafios ambientais da Amazônia e às exigências globais de sustentabilidade.
O estande foi concebido para aproximar empresários, autoridades, estudantes e jovens profissionais da atuação do Sistema Transporte, por meio de conteúdos acessíveis, experiências interativas e discussões conectadas às transformações da logística nacional.
Além da programação aberta ao público, a CNT realizará em Manaus reuniões da diretoria estatutária, encontros setoriais e agendas institucionais com lideranças nacionais do transporte de cargas e passageiros.
Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, a realização da agenda institucional em Manaus representa um avanço na integração da Amazônia às principais discussões sobre infraestrutura e logística no país.
“Estar na Amazônia com uma agenda institucional dessa dimensão representa uma oportunidade de aproximar o setor transportador das demandas regionais e ampliar a integração logística do país”, afirma.
TranspoAmazônia reúne cadeia logística nacional em Manaus
A TranspoAmazônia 2026 reunirá empresas, operadores logísticos, autoridades públicas, especialistas e representantes dos modais rodoviário, aquaviário, aéreo e multimodal.
A programação inclui feira de negócios, congresso internacional, painéis técnicos, networking e exposição de soluções voltadas ao desenvolvimento logístico da Amazônia, com foco em inovação, conectividade e integração regional.
O evento acontece entre os dias 27 e 29 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, com apoio do Governo do Amazonas, entidades representativas do setor e patrocínio da Transpetro.
Para o presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz) e idealizador da TranspoAmazônia, Irani Bertolini, a edição de 2026 consolida o crescimento do evento e amplia a relevância da Amazônia nas discussões nacionais sobre logística e infraestrutura.
“A TranspoAmazônia se consolida como um espaço estratégico para debater os desafios logísticos da região e apresentar soluções voltadas à realidade amazônica. A presença da CNT e do Sistema Transporte fortalece ainda mais esse ambiente de integração entre empresas, especialistas e lideranças do setor”, destaca.
A TranspoAmazônia 2026 — III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística da Amazônia acontece entre 27 e 29 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, de 9h às 21h. As inscrições são gratuitas pelo site oficial TranspoAmazônia 2026.
O pré-candidato a presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, nas Eleições 2026, criticou a forma como recursos do Fundo Amazônia são aplicados atualmente. A fala sobre o assunto foi feita em conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.
Aldo Rebelo não poupou críticas à forma que os recursos do Fundo Amazônia são utilizados. Segundo ele, estes recursos são “esmolas dadas pelos ricos”.
“O Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia. Para criar bolsas que compensem a pobreza. Olha, você não toca na Amazônia, você não vai produzir, você não vai criar uma vaca, não vai plantar uma roça, não vai tirar o minério de ouro lá do rio Madeira. Não vai tirar o nióbio lá da ‘Cabeça do Cachorro’, de São Gabriel da Cachoeira. Você deixa a Amazônia intocada. […] E em troca nós te damos uma bolsa, para você sobreviver de bolsa e de esmola, dado pelos ricos, para que eles possam emitir gases de efeito estufa e Amazônia ser uma espécie de reserva de sequestro de carbono”, criticou.
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa ‘Entrevistas’. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Aldo Rebelo propõe outra aplicação ao Fundo Amazônia
Aldo Rebelo afirmou ainda que quando ministro do conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), questionou ao diretor do órgão o porquê dos recursos do Fundo Amazônia não serem aplicados em pastas do Poder Executivo para o melhor desenvolvimento da população.
Segundo ele, o diretor à época afirmou que a destinação do recurso era definida por países que aplicavam no fundo, como a Noruega, e Organizações Não Governamentais (ONGs).
“Pergunte quanto do Fundo Amazônia tem na universidade, no governo do Amazonas, ou no do Pará, no Acre ou de Roraima. Na área de ciência e tecnologia, nas universidade. Esse recurso é para ONGs. Isso é inaceitável”, destacou Rebelo. Assista:
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
Médica radioterapeuta e empresária, Egreen Baranda é fundadora e CEO do Kwait Club, um River Club localizado às margens do lago Macurany, na zona Sul da cidade de Parintins (AM). Surgido em 2018 como um espaço inovador para suprir a falta de opções de lazer diurno e celebrações durante o Festival Folclórico de Parintins, o Kwati Club passou por reformas e já está com uma estrutura mais ampla para receber visitantes não somente durante o Festival, mas para diversas atividades em todos os dias do ano.
Há quase dez anos enfrentando os desafios diários de empreender na Amazônia, Egreen Baranda acredita no potencial amazônico de encantar aqueles que vivem na região e também aqueles que buscam conhecê-la. A fundadora e CEO do Kwati Club acredita que Parintins tem potencial para movimentar a economia não somente na época do Festival, mas durante todo o ano.
“Não é segredo para ninguém que o Festival de Parintins move milhões de reais na economia e a importância que o Festival tem para a população de Parintins. Mas eu acho que o grande diferencial no empreendedorismo do turismo amazônico é justamente esse. É você conseguir trabalhar ao longo do ano para que você consiga gerar renda. Então imagina que durante o Festival de Parintins a gente gera cerca de duzentos empregos diretos e indiretos ali para a população. Claro que fora do Festival a gente vai ter uma quantidade menor, mas a gente não vai deixar de estar gerando”, comenta.
A importância do Kwait Club na visão de Egreen Baranda
Foto: Reprodução/ Amazon Sat
Para Egreen Baranda, o Kwati Club tem por objetivo gerar meios para atrair aqueles que querem conhecer Parintins para além do Festival Folclórico que acontece todos os anos no fim de junho. Egreen destaca que a cidade de Parintins possui diversos outros atrativos e que é preciso conhecê-los.
“Eu enxergo o Kwati não só como uma opção durante o Festival. Eu acho que, durante o Festival, enquanto não tiver a reforma do bumbódromo, existe uma limitação para receber essa população que quer vir a Parintins. Eu digo que Parintins não funciona só os cinco dias que giram em torno do Festival. A gente tem que trabalhar para os outros 360 dias. Então o Kwati Club vem há anos trabalhando para que a gente consiga ter visitantes nesses outros 360 dias. Eu acredito que a importância do Kwati seja exatamente nesse papel que a gente faz, um trabalho ao longo do ano para continuar recebendo esse turista, para continuar recebendo esse cliente que quer vir a Parintins”, explica.
Lazer e conforto
Segundo a empresária, o Kwati Club possui diversos atrativos que vão desde o conforto de seus quartos, até os eventos realizados dentro do espaço.
“A edição 2026 eu brinco que é um revival. Porque na época que o Kwati era exclusivo de uma marca, ele já era exatamente como ele está hoje: um Kwati voltado para a experiência, que vai proporcionar aos clientes um atendimento personalizado, um Kwati que vai ter uma carta de drinks especial, um Kwati que vai ter um restaurante de buffet amazônico, mas também com outras culinárias. Já tínhamos esse ritmo menos acelerado há dez, vinte anos atrás. E a gente tá vivendo agora essa época. É um revival“, destacou Egreen.