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Sabores invisíveis? Saberes alimentares de Mosqueiro são reunidos em e-book

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Foto: Cauê Moreno/Ascom Uepa

A diversidade alimentar da Amazônia ganha destaque no e-book ‘Sabores invisíveis: PANC, histórias e receitas da Ilha de Mosqueiro’, uma obra que reúne receitas com ingredientes pouco comuns no cotidiano, mas profundamente enraizados na cultura e na biodiversidade regional.

e-book foi desenvolvido por professores e estudantes do curso de Gastronomia da Universidade do Estado do Pará (Uepa), ofertado pelo programa Forma Pará, em Mosqueiro, na Região Metropolitana de Belém, e publicado pela Editora da Uepa (Eduepa).

Leia também: Conheça as PANC, plantas alimentícias não convencionais da Amazônia

Resultado de um Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), o e-book evidencia a riqueza das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), reunindo espécies nativas da região amazônica. A organização é de Diego Aires da Silva, Rafael Vitti Mota e Ivonete Quaresma da Silva de Aguiar.

“O intuito dessa pesquisa, que fala sobre as PANCs, é que as pessoas possam utilizá-las no seu cotidiano, no seu dia a dia. Os restaurantes também, para que seja uma forma de atração ao público, ao turista, que chega naquela região e se depara com novidades. Onde as pessoas plantam, colhem e colocam no prato não só o arroz e o feijão, mas também outras possibilidades criativas. E isso também pode se tornar uma fonte de renda, já que é possível produzir e fornecer esses ingredientes para os restaurantes”, explica Adriana Lima, egressa da turma de Gastronomia em Mosqueiro e uma das participantes da pesquisa.

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e-book sabores invisíveis mosqueiro
E-book reúne informações sobre PANC de Mosqueiro, no Pará. Foto: Divulgação

PANC listadas no e-book revelam potência local

Entre as espécies destacadas no e-book estão erva-de-jabuti, taioba, cipó-d’alho, vinagreira, ora-pro-nóbis, begônia, clitória azul, jaca e camapu, que se articulam a ingredientes tradicionais da culinária paraense, como queijo do Marajó, camarão regional e gurijuba, ampliando os horizontes da gastronomia amazônica.

Adriana Uchoa, que também participou da pesquisa como voluntária, relembra o processo de construção do trabalho: “a gente começou coletando os insumos, depois se reunia para preparar as receitas e fazer os registros fotográficos”.

Ela destaca ainda sua identificação com as produções à base de pães, área em que já atua, e reforça o impacto da formação: “a formação pela Uepa contribuiu muito para o meu desenvolvimento profissional. Eu já gostava de cozinhar, era a chef da família, então, amei fazer o curso. Os professores são maravilhosos e agregou muito na minha vida”.

Ao longo das páginas, o livro combina pesquisa, memória e criatividade gastronômica. Receitas como pudim de bougainvillea e pão de marimari revelam possibilidades inovadoras a partir de ingredientes pouco explorados, enquanto histórias associadas às plantas reforçam sua conexão com os territórios e modos de vida locais. Folhas, flores, frutos e sementes deixam de ser apenas elementos decorativos e passam a protagonizar preparações como geleias, saladas e pratos autorais.

‘Sabores Invisíveis’ se consolida como um registro do potencial alimentar da biodiversidade amazônica e um convite à valorização de saberes tradicionais.

*Com informações da UEPA

Pesquisa transforma castanha do Maranhão em produtos inovadores e impulsiona bioeconomia

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Foto: Divulgação/ UFMA

Reconhecida mundialmente por sua riqueza de espécies e potencial econômico sustentável, a biodiversidade da Amazônia tem sido objeto de pesquisas científicas e iniciativas inovadoras no Brasil. No Maranhão, especialmente na região da Amazônia Legal, essa diversidade natural vem sendo cada vez mais explorada sob a perspectiva da bioeconomia, integrando conhecimento acadêmico, valorização de recursos locais e dos saberes tradicionais e geração de renda.

Foi nesse contexto que a pesquisadora e docente do curso de Engenharia de Alimentos, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Câmpus Imperatriz, Daniela Souza Ferreira, iniciou uma pesquisa voltada ao aproveitamento da castanha do Maranhão. Conhecida como cacau-selvagem, monguba ou mamorana, a espécie é nativa da região da Amazônia Maranhense com grande potencial nutricional e tecnológico porém ainda pouco explorada.

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Sob a coordenação de Daniela, o projeto “Bombom do Maranhão: Nova Cultura da Bioeconomia” nasceu com o objetivo de desenvolver um chocolate a partir da castanha do Maranhão, inicialmente concebido no âmbito acadêmico, o projeto ganhou força após aprovação em editais de fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), o que possibilitou sua evolução para uma iniciativa empreendedora.

A partir desse avanço, foi criada a startup Maranuts, responsável por transformar os resultados da pesquisa em produtos voltados ao mercado. Atualmente, a empresa está incubada na UFMA, consolidando a conexão entre ciência, inovação e empreendedorismo dentro da instituição.

Leia também: Lei aprovada na ALEAM transforma Castanha-do-Pará em Castanha-da-Amazônia

Potencial de um recurso ainda inexplorado

A pesquisa teve início em 2022, quando Daniela chegou ao Maranhão e passou a investigar produtos nativos com potencial para desenvolvimento científico e tecnológico. Durante esse processo, identificou a ausência de uma cadeia produtiva estruturada para a castanha do Maranhão, apesar de sua ampla ocorrência no estado.

Foto: reprodução/patida.com

“Eu mudei para o Maranhão em 2022 e comecei a pesquisar quais eram produtos nativos para fazer os trabalhos, para desenvolver as pesquisas, visando a editais de fomento. E eu comecei a pesquisar que não tinha produtos alimentícios com essa castanha do Maranhão. Ela não tem cadeia produtiva, são árvores de forma aleatória, não tem uma plantação de castanha aqui no estado. Ela se espalha de uma forma muito fácil, tem um bom desenvolvimento. Aí, eu comecei a ver a potencialidade. Nós levamos para o laboratório e começamos os primeiros testes”, conta a pesquisadora.

Os primeiros testes laboratoriais revelaram características promissoras: a castanha é rica em gorduras com propriedades semelhantes às da manteiga de cacau, o que motivou a proposta de produção de chocolate a partir desse insumo. A carência de estudos na literatura científica também reforçou o caráter inovador da pesquisa.

Além da viabilidade tecnológica, a castanha do Maranhão apresenta importantes benefícios nutricionais. “Ela tem a parte nutricional, compostos antioxidantes. Ela tem uma riqueza de gorduras, gorduras boas. Assim como outras oleaginosas, assim como outras castanhas. Ela tem uma gordura específica, um ácido graxo específico que tem propriedades melhores do que outras oleaginosas. Previne envelhecimento mental, algumas características nesse sentido. Porque a gente sabe que gordura boa é bom para o funcionamento dos neurônios”, enumera Daniela.

Essas características colocam a castanha em posição de destaque entre as oleaginosas, ampliando seu potencial de aplicação em produtos saudáveis. Alternativas que demonstram a versatilidade da matéria-prima e abrem caminho para o desenvolvimento de novos produtos no futuro.

Segundo a pesquisadora, as pesquisas caminham em uma perspectiva de fomentar uma cadeia produtiva da castanha do Maranhão. “Abre-se uma nova cultura, um novo produto. Não só chocolate, daí podem surgir outros produtos sendo fabricados com ela. Isso criando geração de renda para as famílias”.

Para além do chocolate, estão sendo desenvolvidos diferentes produtos, com foco em alimentação saudável e sem adição de açúcar, como uma pasta de castanha, semelhante a cremes de avelã, com versões que incluem cacau e outras combinações e “bowl” de castanha, um produto similar a cereais matinais, que pode ser consumido com leite, café, açaí ou como snack.

O “Bombom do Maranhão” já passou por etapas de validação, incluindo testes sensoriais e comercialização em feiras locais, especialmente na cidade de Imperatriz. Atualmente, a startup Maranuts está em fase de aceleração, com foco na profissionalização das embalagens e na inserção dos produtos em pontos de venda, como lojas de produtos naturais, empórios e drogarias.

Bioeconomia e geração de renda no Maranhão

De acordo com a pesquisadora, o aproveitamento da castanha do Maranhão contribui para a valorização da biodiversidade maranhense além de estimular a bioeconomia regional. “Promove um desenvolvimento de bioeconomia. Desde o plantio: famílias que começam a plantar, observar ali que pode gerar renda. […] Porque o nosso estado tem muita matéria-prima. Então, está na hora de ter produto final. Embalado para vender com a marca. Com o nome do Maranhão”, pontua Daniela.

reprodução site/visoflora.com

Esse é um dos principais impactos do projeto. A iniciativa estimula o cultivo da castanha por famílias e pequenos produtores; a geração de renda em diferentes etapas da cadeia; a valorização de matérias-primas locais e a criação de produtos com identidade maranhense e maior valor agregado. Além disso, o projeto movimenta outros setores, como design de embalagens, produção gráfica e serviços locais, fortalecendo a economia regional.

A iniciativa já conta com parcerias importantes para ampliar sua atuação. Entre elas, destaca-se a colaboração com a Associação Frei Tadeu, com a qual foi implantado um viveiro de mudas da castanha do Maranhão. Além disso, há articulações em andamento com empresas como a Suzano, visando fortalecer ações com foco ambiental e social, bem como a ampliação da produção junto a comunidades e pequenos produtores.

Também foi estabelecida uma área experimental no câmpus da UFMA em Imperatriz, com cerca de 50 árvores plantadas, cujo desenvolvimento vem sendo monitorado há aproximadamente um ano e meio.

Reconhecimento e incentivo ao empreendedorismo

Transformar uma matéria-prima pouco explorada em produtos inovadores, fortalecer a bioeconomia, estimular o empreendedorismo e criar novas oportunidades de renda no estado foram aspectos que trouxeram para o projeto “Bombom do Maranhão: Nova Cultura da Bioeconomia” o reconhecimento e a premiação com o segundo lugar no Prêmio Fapema 2025, na inédita categoria de empreendedorismo. A premiação destacou a importância de iniciativas que ultrapassam os limites do laboratório e chegam ao mercado.

Fruto da Castanha do Maranhão. Foto: Arquivo dos pesquisadores

Para a professora, o reconhecimento reforça a necessidade de incentivar estudantes e pesquisadores a desenvolverem uma visão empreendedora, integrando ciência e aplicação prática. Segundo ela, muitos projetos científicos permanecem restritos ao ambiente acadêmico, sem alcançar seu potencial de impacto social e econômico.

“O prêmio é um incentivo. É um mérito. Fiquei bem feliz e honrada. Foi o próprio governador que entregou o prêmio. […] Deu até para explicar do projeto. Então, isso é um incentivo. Mostrando que estou no caminho certo. Para continuar com essa pesquisa. Continuar na formação de pessoas. Com esse olhar de empreendedorismo”, expressou a docente.

O projeto “Bombom do Maranhão”, que deu origem à startup Maranuts, exemplifica como a pesquisa acadêmica pode gerar impactos reais na sociedade. Com o apoio de editais de fomento, parcerias estratégicas e o envolvimento da comunidade acadêmica, a proposta segue em expansão, firmando-se como um modelo de integração entre ciência, mercado e desenvolvimento regional.

A trajetória do projeto também evidencia o papel da universidade como agente de transformação social, integrando pesquisa científica, inovação e empreendedorismo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Maranhão, valorizando recursos naturais e promovendo inclusão produtiva.

E para os jovens pesquisadores, Daniela deixa uma mensagem:

“Primeiro, pensar em produtos realmente regionais, que valorizem a cultura do estado, as comunidades e os pequenos produtores. Quando a gente procura, os saberes regionais têm muito a acrescentar. A gente tem que conversar com as pessoas. Tem que ir ao campo. Tem que conversar com a comunidade. Ir ao local. Não ficar só dentro de um laboratório. E o próximo passo é arriscar. A gente sempre tem alguma coisa nova e fica com receio. ‘Será que isso vai dar certo?’ ‘Será que as pessoas vão se interessar por aquilo?’. Precisa arriscar”.

*Este texto foi originalmente publicado no site da UFMA

Aprimoramento das etapas de beneficiamento do guaraná amazônico pode transformar o fruto, apontam análises

Foto: Felipe Rosa/Embrapa

A qualidade do guaraná produzido na Amazônia está diretamente ligada às etapas de beneficiamento do fruto. Processos como despolpa, secagem, torra e armazenamento influenciam não apenas as características do produto final, mas também a renda das famílias produtoras e a sustentabilidade da cadeia produtiva.

Quando essas etapas são realizadas com técnicas adequadas e estruturas apropriadas, é possível melhorar a qualidade das sementes, reduzir perdas, otimizar o trabalho no campo e evitar impactos ambientais associados ao processamento do fruto.

Hoje, no Amazonas são produzidas entre 600 e 700 toneladas de guaraná nativo. Análises apontam que a produtividade poderia aumentar ao ser combinada com iniciativas de capacitação técnica, acesso a equipamentos e valorização do conhecimento local, ações fundamentais para fortalecer a produção de guaraná nas comunidades amazônicas.

Leia também: Saiba como o guaraná se tornou símbolo da cultura de Maués

Entre as soluções que vêm sendo adotadas para melhorar o beneficiamento do guaraná, estão estruturas e equipamentos que tornam o processo mais eficiente, seguro e sustentável. Alguns exemplos são:

  • Despolpadeira de guaraná: equipamento que facilita a separação das sementes e contribui para tornar o beneficiamento mais ágil e padronizado.
  • Tanque de contenção de água residuária: estrutura que evita que os resíduos líquidos gerados durante o processamento sejam descartados diretamente no ambiente. Com esse sistema, é possível reduzir riscos de contaminação de cursos d’água e ainda reaproveitar os resíduos na produção de compostos orgânicos.
  • Terreiro suspenso, também conhecido como secador solar: contribui para melhorar a secagem das sementes. A estrutura garante maior higiene no processo, reduz o tempo de exposição dos produtores às altas temperaturas do forno e diminui o consumo de lenha, colaborando para a redução de emissões de CO₂.

Além de melhorar a qualidade do produto final, essas soluções ajudam a tornar o processo de beneficiamento mais seguro e eficiente para as famílias produtoras.

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Participantes da Oficina de beneficiamento de Guaraná. Foto: Reprodução/Imaflora
Participantes da Oficina de beneficiamento de Guaraná. Foto: Reprodução/Imaflora

Fortalecimento da produção de guaraná nas comunidades

Para ampliar o acesso a essas melhorias, iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do guaraná têm investido em capacitação, assistência técnica e infraestrutura para os produtores.

Entre as estratégias adotadas está a organização dos agricultores em núcleos familiares de produção, modelo que permite compartilhar estruturas e equipamentos, ampliando os benefícios para diferentes famílias.

Nesse formato, cada núcleo conta com uma área de referência onde são instaladas estruturas de beneficiamento e disponibilizados equipamentos que podem ser compartilhados pelos produtores da comunidade.

Além disso, os agricultores recebem apoio técnico em diferentes etapas da produção, incluindo manejo dos guaranazais, análise de solo, recomendações de insumos e orientações sobre boas práticas de processamento e armazenamento.

Essas ações contribuem para profissionalizar a produção, melhorar a qualidade do guaraná e fortalecer a renda das famílias que dependem da cultura. “Para nós, isso vai melhorar a produtividade e até incentivar os produtores a produzirem mais. É algo muito gratificante”, afirma José Neto, produtor da comunidade Terra Preta.

Leia também: Guaraná e Copaíba: conheça os frutos que são os olhos da Amazônia

Oficina reuniu produtores em Parintins para troca de conhecimentos

Como parte dessas iniciativas, o Imaflora realizou, em fevereiro, uma Oficina de Beneficiamento de Guaraná na comunidade São Pedro do Marajó, no município de Parintins (AM).

A atividade reuniu cerca de 30 produtores de cinco comunidades da região do rio Uaicurapá: São Pedro do Marajó, Peixe Marinho, Santa Luzia do Marauaru, Terra Preta e São Raimundo do Gregorte.

Durante o encontro, os participantes puderam conhecer de perto as estruturas de beneficiamento instaladas pelo projeto e receber orientações sobre o uso dos equipamentos, boas práticas de manipulação das sementes e manejo adequado dos resíduos gerados no processo.

A oficina também foi um espaço de troca de experiências entre produtores, técnicos e parceiros do projeto, reforçando a importância do conhecimento compartilhado para o fortalecimento da cadeia produtiva do guaraná.

“Essas ações contribuem para o fortalecimento da cadeia do guaraná no estado, sobretudo, para os agricultores assistidos pelo Programa Olhos da Floresta, através de investimentos e acompanhamentos próximos aos produtores. Além disso, as atividades são realizadas de maneira compartilhada e facilitada pelas organizações que representam as comunidades e os agricultores familiares, o que faz com que haja um maior entendimento da realidade local”, explica Raimundo Souza, analista técnico do Imaflora.

Projeto Aliados pelo Campo Guaraná

A oficina integra as ações do projeto Aliados pelo Campo Guaraná 2025, iniciativa executada pelo Imaflora com financiamento da Coca-Cola Latin America.

O projeto conta ainda com parceria técnica da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e apoio da Prefeitura de Parintins, por meio da Secretaria de Produção, além da participação da Associação Agriguarani.

Ao final da atividade, também foi realizada a entrega oficial de equipamentos e materiais adquiridos pelo projeto para os produtores participantes, fortalecendo a infraestrutura de beneficiamento nas comunidades atendidas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora

Moda com insumos da floresta é transformada em estratégia de geração de renda no Amazonas

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Parceria entre a Secretaria de Cultura e o CBA fortalece a economia criativa ao inaugurar espaço que integra pesquisa, tecnologia e saberes tradicionais na Amazônia. Foto: Gabi Vitim/SEC AM

O Hub Amazon Poranga Fashion é uma nova proposta de conectar moda, inovação e bioeconomia no Amazonas, ampliando oportunidades para artistas, estilistas, artesãos e empreendedores da região. O hub nasce da união entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC AM) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA).

A iniciativa surge como um espaço de desenvolvimento, pesquisa e incubação de projetos que utilizam insumos amazônicos, como fibras naturais, sementes e materiais sustentáveis, fortalecendo uma cadeia produtiva que vai muito além da criação artística.

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Segundo o gestor cultural Turenko Beça, a parceria nasceu a partir de uma estratégia da Secretaria para ampliar o alcance da economia criativa no estado.

“A economia criativa é um dos setores da Secretaria, e a gente vai mapeando oportunidades e fazendo prospecção em diversas áreas. A partir de uma orientação do secretário Caio André, fizemos essa ligação com o CBA e conseguimos instaurar aqui o hub, que é o primeiro passo dessa relação com o centro de bionegócios”, explica.

Moda com insumos da floresta é transformada em estratégia de geração de renda no Amazonas
Moda amazônica usa diversos elementos regionais, como sementes. Foto: Gabi Vitim /SEC AM

Ele destaca ainda que o espaço dialoga diretamente com o uso sustentável dos recursos da floresta: “Os empreendedores trabalham com materiais amazônicos, como curauá, tucum, fibras naturais e couro de pirarucu. Isso gera uma cadeia produtiva muito rica, que envolve desde quem coleta até quem transforma esses materiais em produto final”.

O Hub funciona como uma incubadora de projetos e deve atrair novos empreendedores e investidores. A proposta é ampliar o alcance das iniciativas e fomentar negócios em escala maior, conectando criatividade e mercado.

“Esse espaço vai receber empresas e aproximar investidores dos empreendedores, tanto pela Secretaria quanto pelo CBA. A ideia é que esses projetos cresçam e ganhem escala produtiva”, destaca Turenko.

Avanço na economia criativa

Para a diretora cultural do Amazon Poranga Fashion, Jessilda Furtado, a parceria representa um avanço importante para o reconhecimento da moda como um segmento estratégico da economia criativa. “A gente percebeu a importância de valorizar a moda, porque temos estilistas incríveis, mas muitas vezes invisibilizados. O Amazon Poranga surgiu justamente para dar visibilidade a esses criativos e fortalecer esse mercado”, afirma.

Ela relembra que o projeto cresceu ao longo dos anos, passando por diferentes espaços culturais de Manaus até chegar ao CBA, consolidando-se como uma plataforma de inovação. “Hoje estamos em um lugar de pesquisa, que estuda os insumos da Amazônia e transforma isso em bionegócio. Isso amplia muito as possibilidades, vai além de um desfile de moda, é geração de renda e valorização da nossa identidade”, completa.

Saiba mais: Amazon Poranga Fashion inaugura hub de moda em Manaus

Moda com insumos da floresta é transformada em estratégia de geração de renda no Amazonas
Foto: Gabi Vitim /SEC AM

Com mais de um milhão de visualizações nas edições anteriores, o projeto demonstra o potencial econômico e cultural do setor. “A moda impacta diretamente na vida de muitas pessoas, do artesão ao estilista. É um segmento que coloca comida na mesa e valoriza o que é nosso”, reforça Jessilda.

A ampliação desse olhar também é destacada por Fabiana Rocha, gestora do espaço CBA de inovação, que aponta uma mudança na forma como a bioeconomia é pensada.

“O CBA está vivendo um novo momento, saindo da pesquisa apenas de laboratório para transformar ideias em negócios reais. A economia criativa entra como um elemento fundamental, porque ela amplia esse conceito e mostra que a Amazônia também é arte, cultura e inovação”, ressalta.

Leia também: As modistas da Belle Époque: destaques ofuscados durante o ciclo da borracha em Manaus

Inovação na moda

Para os estilistas, o impacto da parceria já é concreto. A diretora criativa Thaís Arévola ressalta que o acesso à estrutura do CBA fortalece o desenvolvimento de produtos sustentáveis.

“A gente trabalha com tecidos de fibras amazônicas, como o curauá e até fibra de abacaxi. O CBA auxiliava nesse processo, e agora, com o hub, isso se amplia para outros criativos também”, destaca.

Ela destaca ainda que o acesso a laboratórios e pesquisas deve facilitar o trabalho de quem atua com técnicas tradicionais. “Isso vai beneficiar desde estilistas até comunidades ribeirinhas e indígenas, tornando o processo mais acessível e valorizando o trabalho dessas pessoas”, finaliza Arévola.

*Com informações da Agência Amazonas

Cianismo: alteração genética rara em ave silvestre é registrada no Tocantins

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Espécime com cianismo. Foto: Bianca Montanaro/Ibama

Um registro fotográfico feito por uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em São Félix do Tocantins (TO), identificou um caso incomum de alteração genética em um periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri). A foto foi produzida pela analista ambiental Bianca Montanaro.

Conhecido como cianismo, o fenômeno observado está relacionado à ausência de pigmentos responsáveis pelas cores amarelas, laranjas e vermelhas (psitacina).

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Como a coloração verde das aves resulta da combinação entre o amarelo e o azul das penas, a ausência daqueles pigmentos faz com que o animal apresente coloração predominantemente azul.

periquito-de-encontro-amarelo comum, sem cianismo
Foto: Bianca Montanaro/Ibama

O registro foi realizado de forma ocasional, durante atividade de observação de aves. O indivíduo foi identificado em meio a um bando alimentando-se em uma plantação de milho.

“Flagrantes desse tipo em vida livre são raros e valiosos, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a variabilidade natural das espécies e reforçar a importância da conservação da biodiversidade”, afirma Bianca.

O que é cianismo?

De modo geral, o cianismo afeta apenas a coloração, não havendo evidências de que, por si só, cause prejuízos diretos à saúde do animal. No entanto, na natureza, essa alteração pode representar desvantagens, como redução da camuflagem, maior exposição a predadores, possíveis dificuldades de reconhecimento entre indivíduos e impactos no sucesso reprodutivo.

Trata-se de uma condição genética, assim como o albinismo em seres humanos. Ainda assim, sua ocorrência tende a permanecer rara em populações naturais, uma vez que indivíduos com essa característica podem apresentar menor taxa de sobrevivência e reprodução.

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Alterações genéticas como o cianismo possuem importância em diferentes níveis. Do ponto de vista biológico, evidenciam a variabilidade genética das espécies e contribuem para o entendimento dos mecanismos de herança e expressão de pigmentos. Ecologicamente, podem influenciar a dinâmica das populações, ao afetar a sobrevivência e a interação dos indivíduos.

*Com informações do Ibama

Plano Diretor e a favelização de Manaus

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Plano Diretor e a favelização de Manaus Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A Lei Complementar Nº 2, de 16 de janeiro de 2014, dispõe sobre o Plano Diretor Urbano e Ambiental do Município de Manaus, em atendimento ao disposto no artigo 182 da Constituição Federal, nos artigos 39 a 42-B da Lei Federal nº 10.257/2001, Estatuto da Cidade, e nos artigos 227 e 228 da Lei Orgânica do Município (LOMAN). Configura o instrumento básico destinado a atender a necessidade de cumprimento das funções sociais e ambientais da cidade e da propriedade urbana, assim como dos espaços territoriais. Pretende, por outro lado, a integração entre os órgãos, entidades e conselhos municipais, visando a atuação coordenada no cumprimento das estratégias formuladas para a execução de planos, programas e projetos priorizados pelo Executivo com suporte político do poder Legislativo municipal.

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Em 22 anos de vigência do Plano Diretor, Manaus e o interior amazonense sustentam números que evidenciam
brutal descompasso geopolítico em relação ao cenário nacional. Dados do IBGE revelam que a renda per capita
de Manaus, R$ 63 mil por ano, é o triplo da renda per capita do interior, de R$ 21 mil/ano (em média, cerca de
um salário-mínimo por mês). Não por acaso, aproximadamente 50% da população amazonense, segundo o
IBGE, vivia em situação de extrema pobreza em 2021.

O IDH Médio de Manaus, 0,737, considerado alto, se contrapõe aos índices das cidades do interior, situados entre os 20 piores índices do Brasil (média de 0,50 a 0,59). O quadro resulta de transformações socioespaciais das cidades e do campo, agravado nas décadas de 50 e 60 pelo êxodo rural sistematizado em todo o país. O fenômeno gera problemas sociais urbanos e dilemas estruturais, próprios das cidades desestruturadas social e economicamente, como falta de emprego, moradia precária, violência, pouca acessibilidade, baixo acesso aos centros de saúde, transporte coletivo sucateado.

Manaus
Cidade de Manaus. Divulgação/Prefeitura de Manaus

Consequência lógica desse distanciamento, a capital amazonense, a partir dos anos 1970 passou a sofrer inexorável processo de inchamento demográfico face ao abrigo de massas populacionais atraídas pela Zona Franca de Manaus de estados do Norte e Nordeste, e até de países vizinhos, que passaram a ocupar vorazmente a periferia da cidade, causando inchaço ou macrocefalia urbana. Segundo especialistas, o crescimento rápido e desordenado das cidades decorrente do fator superlotação/infraestrutura insuficiente.

Impulsionado pelo êxodo rural e industrialização, tem como efeito perverso a segregação socioespacial, favelização, trânsito intenso e sobrecarga de serviços públicos. Em 1985, estudos da PMM, no contexto do programa Cidades de Porte Médio, do Banco Mundial, concluíram que 60% de Manaus já havia sido tomada por favelas localizadas em curvões e encostas de alto risco na periferia da cidade.

A tal ponto se avolumou o problema que, dentre as 20 favelas mais populosas do Brasil, segundo o IBGE, seis
estão localizadas nas zonas Leste e Norte de Manaus, como se relaciona:

  • Rocinha – Rio de Janeiro (RJ) – 72.021 moradores;
  • Sol Nascente – Brasília (DF) – 70.908 moradores;
  • Paraisópolis – São Paulo (SP) – 58.527 moradores;
    Cidade de Deus/Alfredo Nascimento – Manaus (AM) – 55.821 moradores;
  • Rio das Pedras – Rio de Janeiro (RJ) – 55.653 moradores;
  • Heliópolis – São Paulo (SP) – 55.583 moradores;
  • Comunidade São Lucas – Manaus (AM) – 53.674 moradores;
  • Coroadinho – São Luís (MA) – 51.050 moradores;
  • Baixadas da Estrada Nova Jurunas – Belém (PA) – 43.105 moradores;
  • Beiru / Tancredo Neves – Salvador (BA) – 38.871 moradores;
  • Pernambués – Salvador (BA) – 35.110 moradores;
  • Zumbi dos Palmares/Nova Luz – Manaus (AM) – 34.706 moradores;
  • Santa Etelvina – Manaus (AM) – 33.031 moradores;
  • Baixadas da Condor – Belém (PA) – 31.321 moradores;
  • Colônia Terra Nova – Manaus (AM) – 30.142 moradores;
  • Jacarezinho – Rio de Janeiro (RJ) – 29.766 moradores;
  • Vila São Pedro – São Bernardo do Campo (SP) – 28.466 moradores;
  • Cidade Olímpica – São Luís (MA) – 27.326 moradores;
  • Chafik / Macuco – Mauá (SP) – 26.835 moradores;
  • Grande Vitória – Manaus (AM) – 26.733 moradores.

O êxodo rural de povos primitivos

A pressão migratória agrava a favelização em Manaus e abre brechas para o tráfico de drogas e milícias, hoje praticamente incontroláveis. Manaus continua atraindo migrantes dos rincões em busca de trabalho e melhores condições de vida, o que só faz crescer a concentração na cidade; parte se acomoda em comunidades com problemas típicos das favelas, de falta de saneamento básico a disputas por pontos de venda de drogas. Reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo (OESP – https://www.estadao.com.br/), de 3 de abril último, relata que não apenas migrantes de outras regiões e países vizinhos incharam a capital amazonense. Indígenas também.

Manaus tem 47% de seu território ocupado por favelas.
favela de Manaus. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

A comunidade localizada na região do Tarumã-Açu, por exemplo, é resultado de uma migração iniciada nos anos
1980 por indígenas baré e kokama, contribuindo para o “boom” populacional de Manaus estimulado pela criação da Zona Franca em 1967. Os que não eram absorvidos pelo mercado de trabalho ao menos tinham uma área para cultivar roças. Quase 50 anos depois, o território continua acolhendo indígenas e não indígenas atraídos pelo sonho de uma vida melhor na cidade grande.

Leia também: A guerra no Irã já afeta negativamente a economia brasileira


O Parque das Tribos, como é conhecido, sobre o qual raros amazonenses têm conhecimento, é um pequeno retrato do êxodo dentro da capital. Oficialmente reconhecido em 2014, o local abriga cerca de 850 famílias de descendentes de 32 etnias, segundo as pesquisas mais atuais. São pelo menos 4,5 mil pessoas. A comunidade indígena dentro da capital tem todos os aspectos de uma favela: ruas sem pavimentação, falta de saneamento básico, barracos amontoados, inúmeras igrejas evangélicas, conflitos por pontos de venda de drogas e uma maioria trabalhadora que encontrou ali o único lugar possível para fazer morada.

O Estado de S. Paulo revela que “a atração de indígenas para Manaus, expressada não só na realidade da favela das tribos, mas também na de outras regiões para onde esses povos se espalharam, faz da capital amazonense a cidade com mais indígenas no Brasil. São 71,7 mil, segundo o Censo de 2022. O número é 18 vezes maior do que a população indígena na capital em 2010, de 3,8 mil.

Apesar do crescimento de 1.768% em pouco mais de uma década, os números precisam ser vistos com ressalvas. Houve mudanças na metodologia de recenseamento e muitos manauaras mudaram a forma de fazer a autodeclaração. Mas não há quem conteste o fato de que a promessa de uma vida melhor em Manaus seja determinante para o êxodo que não cessa há
décadas”.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O sonho do trabalho e a necessidade de fugir das mazelas do interior do Amazonas explicam parte
do crescimento desordenado de Manaus ao longo das últimas décadas. Segundo o IBGE, só nos
últimos 20 anos a população da capital do Amazonas cresceu 47%. Saiu de 1.403.796 em 2000 para
2.063.547 em 2022.

É um crescimento sem paralelos com outras metrópoles brasileiras no período.
Para efeito de comparação, segundo a reportagem do Estadão, a população de São Paulo aumentou
10% em duas décadas. O salto da população nacional como um todo nesse intervalo foi de 19%. Um
dos efeitos dessa anomalia demográfica é expresso na formação de milícias comandadas pelo tráfico.

Recentemente, a polícia debelou o embrião de uma delas. O grupo criminoso “grilava” terras e
vendia lotes para pessoas muito simples. Em seguida, surgia cobrando taxa de segurança, energia
elétrica e água. Quem não pagava era roubado, tinha casas incendiadas ou sofria atentados.

O esquema, segundo a polícia, começou a funcionar pouco depois da constituição do bairro, em 2015,
e as primeiras prisões ocorreram em 2021. Como resolver tão complexos problemas? Na verdade, há
soluções? O período eleitoral enseja oportunidade de ouro aos candidatos a mandatos eletivos propor e lutar por medidas de políticas públicas destinadas a viabilizar intervenções de Estado para pôr fim a essas agruras sociais, econômicas e urbanísticas.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Cartilha promove informação e conscientização ambiental sobre aracnídeos na Amazônia

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Foto: Thiago Carvalho/MUSA

Com o objetivo de promover uma educação ambiental acessível e a conscientização acerca dos aracnídeos, a cartilha ‘O mundo dos pseudoescorpiões e a educação ambiental’, desenvolvida por uma estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA), trabalha de forma didática informações sobre animais tão pequenos que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano.

A iniciativa faz parte da pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) desenvolvida por Erika Barbosa, estudante de Licenciatura em Ciências Naturais na UFPA e orientada pela professora Rita de Cássia. O conteúdo também orienta sobre formas seguras de convivência, prevenção de acidentes e respeito. 

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“Um dos grandes diferenciais foi trabalhar um grupo que não é tão conhecido e explorado e trazer à luz para que as pessoas possam saber quem são, o que comem, onde vivem. A cartilha trouxe um grupo de artrópodes que são os aracnídeos, no caso mais específico, os pseudoescorpiões para serem visualizados pelos estudantes. Todos os grupos possuem a sua importância e a sua relevância e como o quanto implicado esses organismos estão, em termos de relação, no ambiente natural”, comenta Rita de Cássia.

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Cartilha promove informação e conscientização ambiental sobre aracnídeos na Amazônia

Cartilha reforça papel dos pseudoescorpiões no meio ambiente

Os pseudoescorpiões fazem parte da família dos aracnídeos e são animais que são quase imperceptíveis a olho nu, mas que fazem parte do nosso dia a dia e podem ser encontrados escondidos entre as folhas secas. Erika Barbosa, criadora da cartilha, comenta sobre a necessidade de apresentar esses animais desde a infância. 

A importância dessa temática é que ela funciona como porta de entrada para vários aprendizados essenciais, um deles é a quebra do medo que as pessoas possuem por aracnídeos. Da mesma forma, mostrar que apesar de serem pequenos, eles têm o seu papel no meio ambiente e participam do equilíbrio ecológico. Isso leva as crianças a desenvolverem um pensamento crítico, pensar que existe um mundo que a gente não conhece e que esse mundo também é importante”, analisa.

A cartilha  aborda conteúdos que conscientizam sobre a relevância dos pseudoescorpiões na natureza e a importância da preservação dos seus habitats.

O material reúne, de maneira educativa e adaptada para o público infantil, informações sobre essa família por meio de jogos didáticos, caça-palavras, questionários e foi aplicado na matéria de educação ambiental trabalhada pelos alunos da Escola Estadual Madre Zarife Sales.  

A cartilha pode ser acessada AQUI.

*Com informações da UFPA

Renúncias iniciam mudanças nos estados da Amazônia Legal para Eleições 2026; veja lista

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Foto: Roberto Jayme/Acervo tse

A Lei eleitoral que exige o afastamento de políticos de seus cargos atuais para disputa de novos cargos foi contabilizada até o sábado (4). Na Amazônia Legal, formada por nove estados, foram registradas cinco renúncias ao governo e outras cinco à prefeitura para as Eleições 2026.

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A desincompatibilização tem como objetivo evitar o uso da máquina pública em favor das candidaturas, que devem ser oficializadas somente em agosto, após convenções partidárias e registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Confira as primeiras mudanças para as Eleições deste ano:

Governo

Entre os governadores, cinco devem disputar vaga no Senado, deixando os cargos para seus vices:

Ainda entre os governadores, somente Clécio Luís (União), do Amapá, pode tentar a reeleição, uma vez que Carlos Brandão (sem partido), do Maranhão; Marcos Rocha (PSD), de Rondônia; e Wanderlei Barbosa (Republicanos), do Tocantins vão concluir seus mandatos e decidiram não seguir nas disputas.

Prefeitura

Nas prefeituras o cenário também é de mudanças, com as renúncias de cinco prefeitos que devem entrar na corrida pelo comando da administração estadual:

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Agricultores e cientistas criam Fórum Popular Agroflorestal no Nordeste Paraense

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Foto: Reprodução/Instagram-centrocapoeira

Belém (PA) foi o palco de uma articulação inédita que une conhecimento ancestral das comunidades tradicionais e da agricultura familiar com conhecimentos de instituições de ensino e pesquisa entre os dias 30 de março e 1° de abril. O evento ‘Restaurando florestas que alimentam: 1º Encontro do Fórum Popular Agroflorestal da Amazônia’ reuniu, nas sedes da Embrapa e da UFPA, as lideranças que estão na linha de frente da recuperação de áreas degradadas na região do Nordeste Paraense.

O evento é uma iniciativa do Centro Avançado de Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira) – um centro multi-institucional coordenado pela Embrapa – que atua na transformação de áreas degradadas e resilientes e dá continuidade a um processo que se consolidou no projeto Sustenta & Inova, financiado pela União Europeia. O objetivo central do encontro é consolidar a governança do Fórum, um coletivo que dá “nome e regra” ao trabalho de restauração que já acontece na prática por meio da agricultura familiar.

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Agricultores e cientistas criam Fórum Popular Agroflorestal no Nordeste Paraense
Foto: Reprodução/Instagram-centrocapoeira

Esse processo é resultado da união de um grupo de pesquisa-ação denominado Refloramaz. Formado por agricultores, técnicos, estudantes, pesquisadores e professores desde 2017,  se consolida a partir da especialização “Restauração ambiental e sistemas agroflorestais na Amazônia”, ofertada pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Essa instituição apoia a organização do Fórum junto com a Embrapa, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad).

Para Emilie Coudel, pesquisadora do Cirad e uma das articuladoras do Refloramaz, o Fórum nasce para preencher uma lacuna entre as políticas e o campo.

“Mesmo com as melhores intenções, é difícil que as políticas públicas alcancem as demandas reais dos agricultores. Precisamos de espaços onde as próprias comunidades proponham soluções a partir de suas dificuldades e iniciativas que já dão certo”, afirma.

Segundo ela, o momento é de transição: “Com a especialização Refloramaz, construímos muito conhecimento com os agricultores. Agora, é hora de chamar as instituições e os tomadores de decisão para definir uma agenda que realmente fortaleça a restauração ambiental a partir dos territórios”.

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Agricultores e cientistas criam Fórum Popular Agroflorestal no Nordeste Paraense
Foto: Reprodução/Instagram-centrocapoeira

Diferente de modelos de conservação abstratos, o Fórum atua como uma rede estratégica de incidência política, focada em dar escala ao manejo das capoeiras (áreas de vegetação secundária) e aos Sistemas Agroflorestais (SAFs) com o objetivo de proteger a fauna e a flora, ao mesmo tempo em que geram renda e segurança alimentar para as comunidades locais e avança nos estudos sobre regeneração natural. Mais do que a execução técnica, o objetivo é consolidar uma articulação que garanta voz ativa e protagonismo aos guardiões da floresta, assegurando que o conhecimento tradicional oriente as políticas públicas e os investimentos para a região.

A pesquisadora Lívia Navegantes, do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF/UFPA) e uma das articuladoras do Refloramaz, afirma que a restauração das florestas na Amazônia só pode ocorrer a partir da iniciativa das pessoas que vivem nela, por isso é preciso ser feito um trabalho em cooperação em que elas sejam apoiadas e haja uma reflexão conjunta entre comunidade e ciência.

“A ciência sozinha, isolada, e muitas vezes descontextualizada das problemáticas específicas de cada local, não pode pretender responder às urgências ambientais e climáticas isoladamente. Somente juntos, através do diálogo de saberes, o respeito às diferentes visões, inclusive às visões institucionais, é que podemos achar alternativas concretas e viáveis para a recuperação ambiental da Amazônia. O Fórum pretende ser este espaço, dando espaço para a voz e reconhecendo o protagonismo dos povos locais, valorizando suas experiências, conhecimentos e organização coletiva. Através desse apoio mútuo e união de ideias e de forças é que pretendemos incidir nas políticas ambientais”, analisa Lívia.

Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do Centro Capoeira, a articulação do Fórum reforça que a restauração da Amazônia não se faz apenas em laboratórios, mas no diálogo com quem vive no território.

*Com informações da Embrapa

Bactérias beneficiam cultivo de pimenta-do-reino e podem reduzir uso de produtos químicos

Duas bactérias identificadas melhoram o enraizamento das estacas de pimenta-do-reino. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias endofíticas, presentes naturalmente no interior das plantas, com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino, especiaria de grande importância econômica e social no Brasil.

estudo mostrou que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 são capazes de estimular o crescimento da planta e o enraizamento de estacas utilizadas na propagação da pimenteira-do-reino.

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A estaquia é uma técnica de reprodução a partir da retirada de pequenos galhos das plantas, chamados estacas. Uma vez enraizadas, as estacas se tornam novas mudas de pimenteira-do-reino. Um dos gargalos da agricultura familiar, de acordo com os especialistas, é o baixo índice de “pegamento” dessas raízes, ou seja, elas não crescem o suficiente para promover o desenvolvimento da planta.

Bactérias beneficiam cultivo de pimenta-do-reino e podem reduzir uso de produtos químicos
Arte: Vitor Lobo e Sabrina Morais

Nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), estacas da variedade Singapura de pimenteira-do-reino foram submetidas a soluções com as bactérias. A Priestia sp. T2.2 se destacou ao promover um aumento de até 75% na altura das plantas e de 136% em sua massa seca  (parte aérea) em comparação às plantas de controle.

Já a Lysinibacillus sp. C5.11 foi responsável por um salto ainda mais impressionante: 333% de crescimento da massa seca das raízes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, também apresentou efeitos positivos na parte aérea, mas em menor escala.

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Os efeitos positivos das bactérias nas estacas foram atribuídos à capacidade dos microrganismos de produzir ácido indolacético (AIA) — um hormônio natural da planta que regula processos de crescimento vegetal — e sideróforos, compostos que capturam ferro no ambiente e tornam o nutriente mais disponível para as plantas. Os testes foram realizados em laboratório e em casas de vegetação, que simulam o ambiente natural. O próximo passo é realizar os testes em áreas de produtores e com outras variedades clonais de pimenteira-do-reino. 

“Um pimental produtivo se inicia com uma muda sadia. E uma das dificuldades dos produtores é ter estacas que tenham um enraizamento efetivo para a produção das mudas. Há ainda muitas perdas nesse processo. Então, essa descoberta revela o potencial de obtermos um bioinsumo que traga mais segurança aos pequenos produtores para a implantação ou ampliação de pimentais com mudas sadias e, consequentemente, plantas mais vigorosas e produtivas”, afirma Alessandra Nakasone, pesquisadora da Embrapa Florestas.

A descoberta é estratégica para pequenos agricultores, principais responsáveis pela produção no País. Além disso, o uso de microrganismos benéficos pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos, aumentando a sustentabilidade da cadeia produtiva. “Isso ocorre porque as bactérias promovem a solubilização dos nutrientes que estão no solo, ou seja, tornam as substâncias mais disponíveis para a absorção pelas raízes”, explica a pesquisadora.

Produção brasileira

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, com uma produção de quase 125 mil toneladas em 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse período,  o valor da produção nacional saltou de R$ 1,65 bilhão (2023) para mais de R$ 3,67 bilhões (2024) — um aumento de aproximadamente 122% em apenas um ano, refletindo a forte valorização do produto no mercado.

A produção brasileira é caracterizada pela sustentabilidade e qualidade da pimenta-do-reino. Os estados do Espírito Santo e do Pará detêm, juntos, mais de 90% da safra nacional. Com produção anual de 41 mil toneladas em 2024, a produção paraense se destaca pela agricultura familiar e por processos sustentáveis de produção.

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Microrganismos aliados da agricultura

As bactérias endofíticas vivem nos tecidos internos das plantas sem causar doenças e podem ser benéficas ou neutras. As benéficas desempenham papéis fundamentais para a saúde vegetal, como a produção de fitormônios (hormônios vegetais), a fixação de nitrogênio, a solubilização de nutrientes e o aumento da resistência a estresses ambientais.

Esse tipo de interação já fora observado em outras culturas agrícolas, inclusive cítricas, milho e cana-de-açúcar. No caso da pimenta-do-reino, pesquisas anteriores com espécies dos gêneros Bacillus e Pseudomonas haviam demonstrado promoção do enraizamento e aumento da produtividade. O novo estudo, no entanto, detalhou os mecanismos fisiológicos de linhagens específicas e reforçou a importância de associar biotecnologia ao manejo sustentável.

A propagação da pimenta-do-reino pode ser feita por meio de sementes ou estacas enraizadas. O primeiro modo, como explica o pesquisador Oriel Lemos, da Embrapa Amazônia Oriental, exige mais tempo para o desenvolvimento da planta e não garante a manutenção dos atributos da planta-mãe, como, por exemplo, a alta produtividade. Já as estacas garantem a manutenção das características genéticas das matrizes e reduzem o tempo até a frutificação. Entretanto, a dificuldade de enraizamento compromete o pegamento e a qualidade das mudas e, por consequência, a produtividade das lavouras.

Nesse cenário, a inoculação de microrganismos benéficos surge como alternativa viável para garantir estacas mais vigorosas e uniformes, reduzindo custos de produção e aumentando o retorno financeiro aos agricultores.

“Esses resultados apontam para plantas com raízes mais vigorosas, ramificadas e pesadas. Isso é fundamental para a absorção de nutrientes do solo e consequentemente maior crescimento da planta, maior quantidade de galhos e folhas, mais fotossíntese, mais sanidade, maior longevidade dos pimentais e maior produtividade. É um ciclo benéfico de desenvolvimento”, ressalta Lemos.

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Regulamentação de bioinsumos abre caminho

Outro ponto relevante é que a recente Lei Federal nº 15.070/2024 trouxe mais segurança jurídica ao setor de bioinsumos no Brasil. Pela nova norma, produtos biológicos desenvolvidos a partir de microrganismos como as cepas de Priestia e Lysinibacillus não são classificados como pesticidas e estão liberados para uso agrícola, desde que comprovada a segurança.

Para Katia Nechet, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, isso significa que as linhagens identificadas no estudo poderão futuramente se transformar em produtos viáveis e acessíveis para utilização no manejo da cultura.

“A expectativa é que, além de melhorar o crescimento das mudas, esses bioinsumos possam atuar no controle de doenças comuns à pimenta-do-reino, como as causadas por Fusarium, e assim reduzir perdas e fortalecer a cadeia produtiva”, acredita Nechet.

Caminhos futuros

Os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários testes em campo para confirmar o desempenho das cepas em diferentes condições de cultivo e em maior escala. Outro passo será a avaliação desses microrganismos em diferentes variedades de pimenta-do-reino e sistemas de cultivo, como o plantio em tutor vivo de gliricídia, que substitui os postesas estacas de madeira como suporte para o crescimento da planta. 

O pesquisador Oriel Lemos reforça que a produção da pimenta-do-reino no Brasil é pautada pela sustentabilidade ambiental, econômica e social. Os resultados obtidos reforçam que a biotecnologia pode ser uma aliada poderosa na agricultura familiar e na sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Equipe da pesquisa

  • Luana Cardoso de Oliveira, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa);
  • Alessandra Keiko Nakasone, da Embrapa Florestas;
  • Sílvia Mara Coelho do Nascimento, da Universidade Federal de Lavras (UFLA);
  • Deyse Ribeiro Silvino de Jesus, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE);
  • Walkymário de Paulo Lemos, da Embrapa Amazônia Oriental;
  • Patrícia Santana Barbosa Marinho e Andrey Moacir do Rosário Marinho, da Universidade Federal do Pará (UFPA);
  • Kátia de Lima Nechet e Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira, da Embrapa Meio Ambiente;
  • e Jorge Teodoro de Souza, da Universidade Federal de Lavras (UFLA). 

Acesse o artigoPromoção de crescimento e enraizamento de estacas por bactérias endofíticas de raízes de pimenta-do-reino

Fotos: Ronaldo Rosa

*Com informações da Embrapa