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Ilhas de calor: como o concreto está esquentando Belém

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Foto: Adolfo Lemos/Acervo Ascom UFPA

Belém (PA), cidade equatorial banhada pela Baía do Guajará, sempre conviveu com o calor e a umidade típicos da Amazônia. Mas o crescimento urbano desordenado das últimas décadas tem intensificado esse cenário, criando o que especialistas chamam de “ilhas de calor urbanas”, áreas da cidade que registram temperaturas visivelmente mais altas que seus arredores. O professor Edivaldo Afonso de Oliveira Serrão, da Faculdade de Meteorologia, do Instituto de Geociências (IG/UFPA), explica os mecanismos por trás do fenômeno e seus impactos sobre a capital paraense.

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Segundo o pesquisador, tudo começa na forma como a cidade substitui a vegetação por superfícies artificiais. “A mudança no uso e na cobertura da terra, como a retirada da vegetação para dar lugar a áreas urbanizadas, altera, inicialmente, o saldo de radiação na superfície e, consequentemente, o balanço de energia”, explica.

Em áreas verdes, boa parte da energia solar é usada na evapotranspiração, processo pelo qual plantas e solo transferem água para a atmosfera, o que ajuda a resfriar o ambiente.

“Quando substituímos essa vegetação por concreto, asfalto e outras superfícies impermeáveis, reduzimos a disponibilidade de água para evapotranspiração e, consequentemente, uma parcela maior da energia passa a ser convertida em calor sensível”, diz Edivaldo Serrão. Segundo ele, essas superfícies também armazenam e liberam calor ao longo do dia e da noite.

Ilhas de calor: como o concreto está esquentando Belém
Vista panorâmica da cidade de Belém. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ilhas de calor aumentam em período de menor volume de chuva

O professor explica que a ilha de calor urbana ocorre quando determinadas áreas urbanizadas apresentam temperaturas mais elevadas do que áreas menos urbanizadas ou com maior cobertura vegetal no entorno. Em Belém, o fenômeno costuma ser mais forte entre junho e novembro, período de menor chuva na região. “Nessa época, há períodos com menor cobertura de nuvens e, consequentemente, maior entrada de radiação solar na superfície”, detalha.

Apesar da vulnerabilidade, Edivaldo Afonso Serrão pondera que Belém tem particularidades que podem amenizar o problema: “A cidade está próxima à linha do Equador e recebe elevada quantidade de energia solar ao longo do ano. Ao mesmo tempo, está localizada às margens da Baía do Guajará, o que favorece a atuação de circulações locais, como as brisas, que podem contribuir para a redistribuição de calor e umidade”.

No entanto o intenso processo de urbanização, a redução da cobertura vegetal, a ocupação de áreas de várzea e a impermeabilização do solo podem agravar os efeitos do aquecimento urbano.

Ocupação urbana gera diferenças térmicas na área metropolitana

O impacto da urbanização vai além do termômetro. Segundo Edivaldo Serrão, o contraste entre diferentes áreas da cidade pode gerar diferenças térmicas e de pressão que influenciam a circulação do ar e, consequentemente, a formação e distribuição das nuvens de chuva. Isso não significa que a cidade “cria” chuva, mas pode alterar onde e como ela cai.

O efeito mais direto, no entanto, está nos alagamentos. “Com a impermeabilização do solo, a água da chuva deixa de infiltrar adequadamente e escoa rapidamente pela superfície, aumentando o volume de água direcionado para as áreas mais baixas”, detalha o professor. Em Belém, esse problema tem agravantes específicos: “A baixa declividade de grande parte da cidade e o movimento das marés podem dificultar o escoamento das águas pluviais em determinados períodos”.

O professor chama atenção para um ponto em específico: em clima equatorial, o desconforto térmico não depende só do termômetro. “Em ambientes quentes e úmidos, como Belém, o organismo tem maior dificuldade para perder calor por meio da evaporação do suor. Por isso uma temperatura que poderia ser suportável em um ambiente seco pode gerar uma sensação de calor muito maior em Belém”, explica.

O meteorologista faz uma distinção importante: “A urbanização não é necessariamente responsável pela criação de uma chuva extrema ou de uma onda de calor, pois também há influência de fatores regionais e de grande escala”. Contudo a expansão urbana desordenada pode intensificar determinados efeitos locais e, principalmente, aumentar a exposição da população.

Para reverter o quadro, Edivaldo Serrão defende uma mudança de abordagem no planejamento da cidade, com mais infraestrutura verde: ampliação da arborização, criação de parques, preservação de várzeas e corpos d’água, além de jardins de chuva e pavimentos permeáveis. “Essas soluções podem contribuir simultaneamente para reduzir a temperatura, aumentar a infiltração da água, diminuir o escoamento superficial e melhorar o conforto térmico”, defende.

Leia também: O que é uma ilha de calor? Especialista explica a influência na temperatura de Manaus

Para o professor, a cidade precisa parar de pensar na drenagem apenas como escoamento rápido da água. A proposta é simples: migrar de uma infraestrutura predominantemente ‘cinza’ para uma abordagem integrada entre infraestrutura cinza, verde e azul. “O planejamento urbano precisa considerar o clima como um componente fundamental. Devemos pensar não apenas em construir sistemas de drenagem para retirar rapidamente a água da cidade, mas também em permitir que a cidade absorva, retenha e utilize parte dessa água, ao mesmo tempo em que ampliamos as áreas verdes”, conclui.

Edivaldo Afonso de Oliveira Serrão é professor da Faculdade de Meteorologia, do Instituto de Geociências (IG/UFPA). Doutor em Meteorologia pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), com ênfase em modelagem hidrológica, mudanças climáticas e mudanças no uso e na cobertura da terra. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/5700978243198274

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 178, escrito por Luiza Amâncio

Pesquisa sobre patrimônio documental do Amazonas conquista 2º lugar em premiação nacional de Arquivologia

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Banca de defesa. Foto: Divulgação

A tese “Buscando sentido no caos: a gestão do patrimônio documental na administração pública do Amazonas”, de autoria de Leandro Coelho de Aguiar, professor do curso de Arquivologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), conquistou o segundo lugar no Prêmio Nacional de Arquivologia Maria Odila Fonseca 2025. Principal premiação da área, o prêmio, promovido pelo Arquivo Nacional, reconhece os melhores trabalhos da Arquivologia ou que tenham relação com temáticas arquivísticas no Brasil.

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Leandro Coelho Aguiar destaca a relevância da segunda colocação alcançada pela sua pesquisa de doutorado: “Receber esse reconhecimento do Arquivo Nacional tem um significado profundo. É uma tese produzida no Amazonas, sobre o Amazonas e por um professor da instituição em um Programa de Pós-Graduação da própria Ufam, o que demonstra a força da pesquisa regional desenvolvida em nossa universidade”, afirma o docente.

“Discutir a gestão e a preservação do nosso patrimônio documental, histórico e social é fundamental para a construção da memória e da identidade coletiva amazônica. Essa conquista evidencia o excelente trabalho do PPGH/Ufam e do laboratório Archivum [Laboratório de Pesquisa em Arquivologia, História e Patrimônio], sob a orientação do professor doutor James Roberto”, conclui.

Gestão documental na Primeira República

Defendida em 2024 no Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Ufam e orientada pelo professor James Roberto Silva, a tese discute a historicidade da gestão e preservação documental no Amazonas, contribuindo de forma decisiva para o debate sobre a preservação do patrimônio documental histórico e social do estado.

Conforme o resumo da tese, a pesquisa se debruça sobre “a gestão do patrimônio documental da Administração Pública do Amazonas durante a Primeira República (1889 e 1930), enfocando a estrutura administrativa, os atores envolvidos e as práticas documentais”.

Leia também: 12 patrimônios históricos e culturais tombados para conhecer em Manaus

Pesquisa de professor da Ufam conquista 2º lugar em premiação nacional de Arquivologia
Leandro Coelho Aguiar durante defesa da tese em 2024 . Foto: Divulgação

Utilizando a abordagem da História dos Arquivos, a tese mergulha no período por meio da análise de documentos de fontes oficiais e de notícias da imprensa da época para compreender a evolução das práticas arquivísticas e o papel dos arquivistas na administração pública da Primeira República.

“A gestão documental desse período caracterizava-se por instabilidades e descontinuidades, marcadas por decisões pragmáticas e voltadas para as necessidades imediatas da administração, sem uma fundamentação teórico-metodológica consolidada”, informa o texto da tese.

A pesquisa aponta que, ainda que houvesse o reconhecimento da importância da gestão e da preservação do acervo documental, as práticas arquivísticas do período foram comprometidas por fatores políticos e socioeconômicos, gerando instabilidade e adaptação contínua das estruturas documentais.

Sob forte influência de políticos e intelectuais do estado, as iniciativas eram marcadas por disputas constantes sobre sua organização, acesso e função e a gestão do patrimônio documental oscilava entre tentativas de organização e a predominância de práticas empíricas e fragmentadas.

A pesquisa está disponível na íntegra na Biblioteca de Teses e Dissertações da Ufam. A banca de defesa foi composta pelos professores Rafael Ale Rocha (PPGH/Ufam), Marcia Eliane Alves de Souza e Mello (PPGH/Ufam), James Roberto Silva (presidente da banca/orientador),
Alexandre de Souza Costa (PPGIC/Ufam), e, de forma remota, Adriana Angelita da Conceição (PMPEH/UFSC)

Leandro Coelho Aguiar é professor do curso de Arquivologia da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Ufam, líder do grupo de pesquisa do CNPq Núcleo de Pesquisa em Arquivologia (NUPEArq) e do Archivum, vinculado à FIC. É o atual presidente da Associação Nacional de História – Seção Amazonas (Anpuh-AM), gestão 2024-2026, e recém-eleito membro efetivo do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), órgão colegiado, vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Referência na Arquivologia: Maria Odila Fonseca (1953-2007)

O prêmio, criado em 2017, leva o nome da professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e servidora do Arquivo Nacional Maria Odila Fonseca, importante referência da área de Arquivologia. Segundo Leandro Aguiar, o reconhecimento da sua pesquisa pela premiação também tem um valor afetivo e histórico, pois foi aluno da professora durante sua formação em Arquivologia na UFF entre 2006 e 2010.

*Com informações da Ufam

‘Michael Jackson’ de Roraima mistura passos do rei do pop com forró de galeroso

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Foto: Reprodução/Instagram-felipearroeira

Foi através dos passos de Michael Jackson que um jovem roraimense misturou os movimentos artísticos do ídolo com o forró de galeroso, ritmo do Norte, para se tornar o ‘Michael Jackson’ de Roraima. Aos 26 anos, Felipe Arroeira decidiu vestir o personagem, se adaptou ao visual do artista e agora ganhou notoriedades nas redes sociais, com direito a contratos de publicidade e patrocínios, transformando o que era uma simples brincadeira em renda extra.

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Quem frequenta a Orla Taumanan, vai em bares, praças ou acompanha conteúdos sobre Boa Vista nas redes sociais, se depara com vídeos com o ‘Michael Jackson’ de Roraima. Fã do artista desde criança, Felipe conta que conheceu as músicas do cantor por parte de pai e que passou a acompanhar, ao longo dos anos, acompanhar os clipes, estudar os passos e pesquisar detalhes das apresentações icônicas do artista, até decidir adaptar o ritmo do forró e criar uma versão própria do artista.

Hoje, os vídeos publicados por Felipe somam mais de 1,7 milhão de visualizações no TikTok e no Instagram. Depois de ganhar espaço nas redes sociais, o personagem passou a fazer parte da rotina de Felipe. Ele é chamado para participar de eventos, aparece em publicidades e circula por diferentes pontos de Boa Vista caracterizado como Michael Jackson.

Pelas redes sociais, ele fecha contratos de publicidade para divulgar lojas, restaurantes e eventos. Nas gravações, o “Michael Roraimense” aparece visitando estabelecimentos, experimentando roupas e apresentando produtos e serviços.

“Criei esse projeto para levar a arte do Michael para que as pessoas que pudessem continuar lembrando dele. Ele é um sustento na minha vida”, afirma Felipe sobre a renda obtida com o personagem.

O clipe favorito do “Michael Roraimense” é ‘Beat It’. Lançado em 1983, no aclamado álbum Thriller, a produção mostra Michael Jackson como um pacificador que usa a dança e a música para impedir um confronto entre duas gangues rivais. A marca registrada do clipe é a jaqueta vermelha de couro, com ombreiras marcantes.

Felipe combina o visual com o chapéu preto modelo Fedora, acessório característico do astro pop. É vestido assim, que ele revive Michael Jackson.

Michael Jackson de Roraima
Como Michael Jackson de Roraima, Felipe frequenta bares, festas e eventos ao redor de Boa Vista desde 2024, quando passou a vestir o personagem. Foto: Reprodução/Instagram-felipearroeira

Leia também: Dança no semáforo: Artistas transformam ruas de Manaus em palco

A caracterização ganhou repercussão nas redes sociais. Felipe criou o personagem em 2024, quando passou a frequentar festas e eventos ligados aos anos 1980. A performance ganhou novos rumos depois que um amigo o incentivou a incluir o forró. O amigo que o incentivou foi Deco Forrozeiro, conhecido como “O rei do Bate-bate”, influenciador e criador de conteúdo sobre o forró de galeroso.

Com a repercussão, Felipe também passou a circular por shoppings caracterizado como Michael Jackson e a fazer publicidade. A homenagem vai além da dança e da caracterização. Ao se transformar, ele acredita que também pode aproveitar a vida de uma forma que, na visão dele, o ídolo não conseguiu, principalmente durante a infância.

“Ele nunca teve a chance de curtir e aproveitar a vida. O tempo que ele tinha era obrigado a trabalhar. Ele quase não curtia a vida”, pontuou.

O encontro de MJ’s: Rodrigo Teaser e Felipe Arroeira. Foto: Reprodução/Instagram-felipearroeira

Paixão começou na infância

Felipe conheceu Michael Jackson por volta dos 7 anos, por influência do pai, que tinha um CD do cantor. Com o tempo, passou a ouvir as músicas, assistir aos clipes e se interessar principalmente pelas performances e danças do artista.

Ele começou a dançar ainda no ensino médio, por volta de 2018. Seis anos depois, em 2024, passou a se caracterizar como o Rei do Pop e incorporou o personagem às apresentações.

Para aperfeiçoar a caracterização, Felipe pesquisou vídeos na internet e acompanhou outros covers de Michael Jackson. Passou a estudar detalhes como maquiagem, cabelo, roupas e movimentos do cantor. Depois, começou a sair caracterizado pelas ruas de Boa Vista e a participar de festas. Com o aumento da exposição, o personagem deixou de ser apenas uma diversão.

Desde que começou a interpretar Michael, Felipe viveu um marco na trajetória. No dia 16 de agosto, o roraimense conheceu, em Boa Vista, o cantor Rodrigo Teaser, um dos mais conhecidos intérpretes de Michael Jackson: “Realizei meu sonho de conhecer o meu grande ídolo”, disse.

‘Música do Michael Jackson me libertou’

A relação com Michael Jackson também ocupa um espaço íntimo na vida de Felipe. Ele conta que sofreu bullying durante a época da escola e enfrentou momentos difíceis naquele período. Segundo ele, ouvir as músicas do artista trouxe alívio e ajudou a enfrentar a depressão.

“Depois que comecei a escutar o Michael, me senti liberto. A música do Michael me libertou. Comecei a sentir como se fosse alguma coisa que eu não tava vencendo, sentia muita depressão”, conta.

Ele lembra que, naquele período, encontrou nas músicas do artista uma forma de se sentir mais leve: “Comecei a escutar a música do Michael e do nada eu comecei a me sentir mais salvo, mais tranquilo”, confessou.” A experiência também influencia a maneira como ele enxerga o personagem. Felipe afirma que pretende usar a arte para divertir e incentivar outras pessoas.

Foto: Reprodução/Instagram-felipearroeira

Do pop ao forró

Se Michael Jackson ficou conhecido mundialmente por músicas como ‘Thriller’, ‘Billie Jean’ e ‘Beat It’, em Boa Vista o “Michael Roraimense” não fica restrito ao pop.

Felipe frequenta diferentes espaços caracterizado, incluindo lojas, shoppings, bares e festas. Nos forrós, o contraste entre o figurino inspirado no astro e a música tocada nos eventos virou parte da atração. Para ele, essa liberdade é um dos aspectos mais divertidos de interpretar o artista.

Nas ruas e festas, a caracterização também rende encontros com quem reconhece o personagem. Felipe conta que costuma parar para conversar e tirar fotos quando é abordado. “É um carinho enorme, sabe? É uma felicidade que eu tenho”.

Entre os passos do Rei do Pop e os ritmos das festas de Roraima, Felipe encontrou uma maneira própria de interpretar o ídolo que conheceu ainda criança. Agora, quer levar o “Michael Roraimense” para além do estado.

*Por Tiago Côrtes, da Rede Amazônica RR

Instituto investe em tecnologias para ajudar indústria amazônica a ganhar competitividade

Foto: Divulgação/CERTI Amazônia

No Polo Industrial de Manaus (PIM), empresas buscam soluções para aumentar a eficiência, modernizar processos produtivos e acompanhar a transformação digital da indústria. Esse movimento tem ampliado a atuação do Instituto CERTI Amazônia, que desenvolve tecnologias aplicadas aos desafios do setor produtivo, conectando empresas, pesquisadores e especialistas para transformar demandas do mercado em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

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Com 23 anos de atuação, a instituição privada de Ciência, Tecnologia e Inovação já executou mais de 120 projetos de alta complexidade em áreas como hardware, software, automação industrial, digitalização de processos, inteligência tecnológica e Internet das Coisas (IoT). As iniciativas apoiam empresas instaladas no PIM no desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento da produtividade e da competitividade.

“Atuamos integradas ao ecossistema como uma ponte estratégica entre a ciência aplicada e as demandas do mercado, desenvolvendo soluções customizadas e sustentáveis”, afirma Marco Giagio, diretor executivo do Instituto CERTI Amazônia.

Marco Giagio, diretor executivo do Instituto CERTI Amazônia. Foto: Divulgação/CERTI Amazônia

Credenciada pelo Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (CAPDA), da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a CERTI Amazônia atua na execução de projetos financiados pelos investimentos em PD&I realizados pelas empresas da região, decorrente das obrigações da Lei de Informática.

A iniciativa direciona recursos para o desenvolvimento tecnológico, a formação de profissionais especializados e a criação de uma rede que reúne indústria, universidades e startups. Segundo o executivo, um dos principais desafios da instituição é transformar os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação realizados pelas empresas em tecnologias capazes de gerar impacto direto na indústria.

“Ao traduzir esses investimentos em soluções de alto valor agregado, ajudamos as empresas locais a elevar sua eficiência produtiva e ampliar sua competitividade global, mantendo conhecimento e competências avançadas na própria região”, explica.

Além do estado do Amazonas, a atuação da CERTI Amazônia também avançou para o Pará, onde o Instituto implantou uma unidade no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém. A estrutura amplia a conexão entre ciência, empreendedorismo e mercado, apoiando iniciativas ligadas à sociobioeconomia e ao desenvolvimento de negócios sustentáveis.

Leia também: Incentivo à empreendimentos amazônicos geram inovação em áreas cada vez mais diversas

Com 23 anos de atuação, a instituição privada de Ciência, Tecnologia e Inovação já executou mais de 120 projetos de alta complexidade em áreas como hardware, software, automação industrial, digitalização de processos, inteligência tecnológica e Internet das Coisas (IoT).
Além do Amazonas, a atuação do instituto também avançou para o Pará, onde a empresa implantou uma unidade no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém. Foto: Divulgação/CERTI Amazônia

Tecnologia abre novos caminhos para a bioeconomia amazônica

A experiência acumulada no Amazonas e também no Pará no desenvolvimento de soluções para a indústria também vem sendo aplicada a desafios relacionados à floresta e ao uso sustentável dos recursos naturais em toda a região. Um dos principais projetos recentes é a Plataforma Digital da Floresta, que conecta dados, tecnologias e conhecimento científico para aproximar a biodiversidade amazônica de oportunidades de negócios. A iniciativa busca criar novas formas de geração de valor a partir dos ativos socioambientais da região.

Em 2025, o projeto recebeu reconhecimento internacional ao conquistar o New Commons Challenge, em Nova York, com uma premiação de US$ 100 mil destinada ao aprimoramento de uma plataforma tecnológica de monitoramento do desmatamento em tempo real e análise do uso do solo.

“O reconhecimento internacional mostra que a Amazônia tem capacidade de desenvolver soluções tecnológicas para desafios globais. A tecnologia é uma ferramenta fundamental para conciliar conservação ambiental, geração de conhecimento e novas oportunidades econômicas para a região”, afirma Giagio.

*Com informações da assessoria

‘Gente da 319’: projeto inicia mapeamento para enfrentar desafios fundiários na BR-319

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Projeto ‘Gente da 319’ visa atuar na regularização fundiária de imóveis de moradores que vivem às margens da rodovia. Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM

O projeto ‘Gente da 319’, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), iniciou o mapeamento e diagnóstico territorial das comunidades Purupuru, Araçá, Igapó-Açu e Realidade, localizadas às margens da rodovia, que é a única ligação de via terrestre do estado com Rondônia e o restante do Brasil. A atividade faz parte da iniciativa do órgão que visa a regularização fundiária e a garantia da segurança jurídica das famílias que vivem na região da BR-319.

Na dia 16 de agosto, uma equipe do projeto composta por engenheiros, técnicos e defensores públicos da DPE-AM mapeou as terras irregulares e a escuta de moradores que vivem às margens da BR-319.

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Léia Lima, moradora da comunidade São João. Foto: Luiz Felipe Santos

No km 35 da rodovia, Léia Lima, 58, moradora da comunidade São João, vive com o marido e os quatro filhos.

“Estamos há mais de 40 anos na área da 319. Nós temos a posse, mas não temos a titulação e, por isso, viemos todos para a primeira audiência pública e estaremos em todas as outras”, ressaltou a moradora, frisando a sua participação na primeira audiência pública do projeto Gente da 319, no dia 12 de agosto.

Léia também lidera o “Coletivo de Mulheres Agricultoras e Empreendedoras da BR-319”. Ela afirma que o coletivo é um meio de unir forças com outras mulheres que, além da insegurança jurídica em relação às suas casas, precisam enfrentar as dificuldades impostas pela precariedade e distância da rodovia.

“É muito difícil, porque, em uma emergência ou para acesso a outros serviços básicos, a gente precisa pegar o ramal, depois sair para a BR-319 para chegar até o Careiro da Várzea, pagar para atravessar na balsa ou na lancha e só depois chegar em Manaus”, desabafou a moradora.

Próximas etapas do projeto ‘Gente da 319’

Com previsão de seis meses, a etapa de mapeamento visa diagnosticar toda a extensão da BR-319. Após isso, o projeto avança para a segunda etapa, uma fase intensiva de atendimento e regularização, entre o sétimo e o vigésimo quarto mês, com ações de atendimento jurídico e social, coleta de documentos e mediação de conflitos.

Por fim, a terceira etapa será de consolidação territorial, até o trigésimo sexto mês, voltada à conclusão dos processos de regularização fundiária (REURB) e à entrega de um relatório fundiário completo ao Estado do Amazonas e às prefeituras envolvidas.

Leia também: BR-319: A história e a realidade da rodovia que liga o Amazonas ao Brasil

Rafael Barbosa e Thiago Rosas durante mapeamento fundiário de comunidades da BR-319. Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM
Rafael Barbosa e Thiago Rosas durante mapeamento fundiário de comunidades da BR-319. Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM

De acordo com o defensor público geral, Rafael Barbosa, a meta é atender cinco mil famílias, viabilizar a regularização de dois mil imóveis, realizar cinco ações itinerantes e três expedições por ano de execução, além de promover ao menos dez mediações de conflitos comunitários.

“Temos as etapas do projeto definidas, mas a maneira como vamos executar essas etapas ainda está em discussão e construção com a população. Quando o asfalto passar, a especulação imobiliária vai surgir e essas famílias vão precisar ter a segurança jurídica das suas casas. Diante desses desafios, iremos fazer nosso trabalho para garantir que todos tenham seus direitos garantidos”, destacou.

De acordo com dados do Observatório BR-319, a estrada interliga 22 municípios, 13 deles sob influência direta de sua área de abrangência, em um território que reúne 69 Terras Indígenas e 42 Unidades de Conservação monitoradas. Ao longo de suas margens, vivem cerca de 35 mil pessoas, entre ribeirinhos, agricultores familiares, pequenos comerciantes, comunidades tradicionais e povos indígenas, segundo o levantamento.

Parceria em prol da BR-319

Na primeira audiência pública, estiveram presentes representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), do Comando Militar da Amazônia (CMA), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea), além da presidência das Câmaras de Beruri e Careiro.

Leia também: Secretário Guilherme Checco apresenta novas medidas para desenvolvimento sustentável na BR-319

Audiência pública do Projeto Gente da 319 ocorreu no último dia 12 de agosto, no auditório do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM

Entre os que deram sua contribuição para o debate, o diretor do Centro de Ciências do Ambiente da Ufam, Prof. Dr. André Mendonça, destacou a importância de colocar a Academia no centro da discussão.

“Enquanto Universidade Federal do Amazonas, a gente entende que o trabalho da Defensoria em reunir a população junto aos entes e gestores das instituições que podem ajudar na regularização fundiária é essencial para que, juntos, possamos consolidar soluções. Temos um campus em Humaitá e temos nossas próprias vivências em relação à BR-319, então podemos trazer nossas contribuições para o debate”, pontuou.

A presidente da Câmara Municipal de Careiro, Berenice Bastos, também ressaltou o impacto da audiência pública e da próxima etapa de execução do projeto.

“Toda audiência pública é importante, porque ela ouve a sociedade. Nós, que atuamos em defesa do povo, escutamos há anos as dores dos agricultores, comerciantes e moradores da BR-319. A partir de agora, regularizando essas terras, eles terão o direito de dizer que a moradia é deles”, concluiu.

Caminhos para a regularização fundiária

CDRU (Concessão de Direito Real de Uso): quando a terra está localizada em área ambiental e cabe à Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) emitir o documento;
Assentamento: título emitido pelo Incra para lotes de terra localizados em assentamentos da reforma agrária;
Cessão de uso: quando o proprietário do terreno transfere o direito de uso do local para outra pessoa, mas não cede o direito de propriedade;
Legitimação Fundiária: quando o título do terreno é entregue de forma definitiva ao morador que está ocupando a área, sem qualquer ligação com o proprietário anterior;
Usucapião: processo que pode ser feito do início ao fim pela Defensoria, que ocorre quando uma pessoa mora há anos em um terreno sem que o proprietário legal reconheça a posse, permitindo que o morador atual ganhe o direito ao título.

*Com informações da DPE-AM

Escola indígena de Roraima é selecionada para apresentar projeto sobre língua Macuxi

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Foto: Divulgação

A Escola Estadual Indígena Lino Augusto da Silva, localizada na comunidade indígena Campo Alegre, zona Rural de Boa Vista, em Roraima, foi selecionada para apresentar em Belém (PA) o projeto “Língua Macuxi na Mídia”, iniciativa que utiliza tecnologias digitais como ferramentas para fortalecer o ensino e a valorização da língua Macuxi.

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A apresentação será nesta quinta-feira, 13, durante a programação Conectando Saberes: escuta, diagnóstico e promoção de competências digitais para crianças e adolescentes, etapa integrante da ação voltada ao Mapeamento Nacional de Iniciativas em Competências Digitais e Proteção On-line para Crianças e Adolescentes.

Escola indígena de Roraima é selecionada para apresentar projeto sobre língua Macuxi
Professor Marcílio Curiaca. Foto: Divulgação

A escola será representada pelos professores Marcílio Curicaca Leal e Ranieri Leocádio da Silva Nascimento. Para o professor Marcílio, a utilização das tecnologias pode contribuir para aproximar os estudantes da língua Macuxi e criar novas formas de preservação e divulgação.

Leia também: Professores de escolas indígenas em Roraima lançam livro sobre a cultura do povo Macuxi

“O nosso projeto nasceu da ideia de usar a tecnologia a nosso favor para ampliar, registrar e, principalmente, revitalizar a língua Macuxi. Queremos fazer com que ela esteja cada vez mais presente, ativa e acessível também no mundo digital, aproximando os jovens da nossa língua e criando novas formas de uso, divulgação e aprendizado”, disse.

Desenvolvido com estudantes dos ensinos Fundamental e Médio, o projeto propõe aproximar o ensino da língua indígena do universo tecnológico dos jovens. A ideia é utilizar celulares, computadores e tablets para produzir pequenos conteúdos em língua Macuxi, envolvendo formatos como conversas, danças e outras produções audiovisuais que possam ser compartilhadas também nas redes sociais.

A proposta busca fazer com que os próprios estudantes assumam papel ativo na produção dos conteúdos e no processo de valorização da língua e da cultura de seu povo.

Tecnologia criada na escola é a serviço da língua

Um dos próximos passos do projeto é a criação de um estúdio dentro da escola, que será utilizado para edição e produção dos materiais. Os próprios alunos serão responsáveis pela produção dos conteúdos, ampliando as possibilidades de aprendizagem e protagonismo juvenil.

Marcílio Curicaca Leal e Ranieri Leocádio da Silva Nascimento. Foto: Divulgação

“Por meio de celulares, câmeras fotográficas e notebooks, os alunos poderão produzir conteúdo em língua Macuxi, como vídeos, registros e outras produções, que posteriormente serão divulgados nas redes sociais dos próprios estudantes e da escola”, acrescentou o professor.

*Com informações do Governo de Roraima

Materiais pedagógicos conectam processo de aprendizagem com desafios da Amazônia

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Conteúdos visam reforçar aprendizagem escolar com uma educação conectada à realidade amazônica. Foto: Divulgação/FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) desenvolveu um conjunto de materiais pedagógicos para apoiar professores e estudantes na construção de uma educação conectada à realidade amazônica. As publicações abordam temas relacionados à floresta, à pesca, aos negócios sustentáveis, às identidades culturais e aos desafios socioambientais da região, articulando conhecimentos técnico-científicos, currículo escolar e saberes construídos nos territórios.

A iniciativa reúne duas frentes complementares:

  • a série ‘Bases do Aprendizado’, destinada principalmente a professores dos anos iniciais do ensino fundamental que atuam em turmas multisseriadas,
  • e a cartilha ‘Arapoty – Práticas Pedagógicas Inovadoras: Itinerários Formativos e Formação Continuada’, voltada à 1ª série do ensino médio.

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Desenvolvidos no âmbito de diferentes iniciativas apoiadas pelo Movimento Bem Maior (MBM) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os materiais integram as ações do Programa Educação para a Sustentabilidade e do Subprograma Educação Ribeirinha da FAS. A proposta é contribuir para uma educação que reconheça as especificidades dos territórios amazônicos e fortaleça a participação de professores, estudantes e comunidades no processo de ensino e aprendizagem.

“O desenvolvimento das nossas publicações pedagógicas é pautado pela co-construção e pela escuta ativa, com oficinas e encontros de diagnóstico pedagógico junto a coordenadores, equipes técnicas e professores das redes municipais e estaduais. A partir dessa escuta, identificamos as principais lacunas locais e as riquezas territoriais que devem constar nos livros, estruturados em Guias de Atividades que integram embasamento técnico-científico, lendas, poemas e composições locais. Todo o conteúdo é alinhado à BNCC e ao Plano Nacional de Educação e passa por revisões, diagramação e validação técnica antes de seguir para as redes de ensino e aprendizagem”, explica Silvana Souza, supervisora pedagógica do Programa de Educação para a Sustentabilidade da FAS.

Proposta é contribuir para uma educação que reconheça as especificidades dos territórios amazônicos e fortalecer processo de ensino e aprendizagem. Foto: Divulgação/FAS
Proposta é contribuir para uma educação que reconheça as especificidades dos territórios amazônicos e fortalecer processo de ensino e aprendizagem. Foto: Divulgação/FAS

Mteriais relacionam aprendizagem com o cotidiano amazônico

Publicação está disponível para download. Foto: Reprodução/FAS

A série Bases do Aprendizado é composta por três livros: Bases do Aprendizado para Cadeias Florestais, Bases do Aprendizado para Cadeias de Pesca e Bases do Aprendizado para Negócios Sustentáveis. Juntas, as publicações apresentam 57 Guias de Atividades e contribuem para a formação continuada e contextualizada de professores das redes municipais de ensino do Amazonas.

“A elaboração de materiais contextualizados é essencial para promover uma educação mais significativa e conectada aos territórios amazônicos. Ao partir do cotidiano, dos saberes tradicionais, das culturas e da relação dessas comunidades com a natureza, os materiais tornam a aprendizagem mais próxima das vivências dos estudantes. Além disso, ao abordar temas como os rios, as comunidades, a biodiversidade e os desafios socioambientais da Amazônia, esses recursos aproximam a escola da realidade local, fortalecendo o interesse, a participação e o protagonismo dos estudantes no processo educativo”, afirma Fabiana Cunha, gerente do Programa Educação para a Sustentabilidade da FAS.

Os materiais adotam a aprendizagem experiencial como metodologia, estimulando a construção do conhecimento por meio de experiências, vivências e atividades práticas. A proposta envolve professores, estudantes e comunidades de forma ativa, aproximando a aprendizagem e os conteúdos escolares dos saberes, dos valores e das atividades presentes no cotidiano amazônico.

Cada Guia de Atividades reúne objetivos de aprendizagem, informações técnico-científicas, curiosidades e propostas práticas na seção “Conectando Saberes”. As atividades podem ser adaptadas às características das turmas e estabelecem relações com componentes curriculares como Ciências, Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa e Artes.

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Arapoty amplia a proposta e aprendizagem do ensino médio

A estratégia de educação contextualizada também alcança o ensino médio por meio da cartilha Arapoty, desenvolvida no âmbito do projeto Práticas Pedagógicas Inovadoras para a Amazônia Profunda. Voltado à 1ª série, o material articula itinerários formativos e formação continuada e está alinhado à Base Nacional Comum Curricular e às diretrizes da Política Nacional de Ensino Médio, estabelecidas pela Lei nº 14.945/2024.

No contexto da publicação, o nome Arapoty remete à ideia de florescimento e representa a proposta de promover aprendizagens que nascem dos territórios, valorizam as identidades amazônicas e estimulam os estudantes a reconhecer suas histórias, produzir conhecimento e participar das transformações de suas comunidades.

A cartilha possui versões específicas para professores e estudantes. O Livro do Professor apresenta orientações metodológicas, sugestões de carga horária, possibilidades de avaliação e adaptações para diferentes condições de infraestrutura e conectividade. Já o Livro do Aluno reúne trilhas de aprendizagem, atividades formativas e espaços de registro, incentivando os estudantes a pesquisar suas comunidades, analisar dados, ouvir histórias, produzir textos, construir mapas e debater desafios socioambientais.

*Com informações da FAS

Descoberta histórica no Peru: primeira espécie de árvore Neea encontrada após quase um século

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A primeira nova espécie do gênero Neea descrita no país em mais de 90 anos. Foto: Divulgação/Sernanp

As áreas naturais protegidas do Peru estão mais uma vez na vanguarda da ciência mundial com a descoberta de Neea myrciifolia (Nyctaginaceae), a primeira nova espécie do gênero Neea descrita no país em mais de 90 anos.

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Essa descoberta foi feita nas florestas montanhosas da província de Oxapampa, na região de Pasco, dentro da Floresta de Proteção San Matías-San Carlos, do Parque Nacional Yanachaga-Chemillén e da Reserva Comunal Yanesha, áreas naturais protegidas administradas pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam), por meio do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (Sernanp).

A pesquisa foi liderada por Daniel da Silva Costa e Francisco Farronay, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em conjunto com Elson Felipe Sandoli Rossetto, do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro; Leandro L. Giacomin, da Universidade Federal da Paraíba; e Rocío del Pilar Rojas Gonzáles, do Herbário da Selva Central de Oxapampa-Jardim Botânico do Missouri.

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Primeira espécie de árvore Neea descoberta após quase um século
Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

Descrição da Neea myrciifolia em revista internacional

O estudo, publicado na revista científica Kew Bulletin, descreve a Neea myrciifolia como uma pequena árvore entre 1 e 5 metros de altura, com folhas opostas e verrucosas, inflorescências globosas e flores tubulares. Sua distribuição se restringe à floresta tropical central do Peru, entre 376 e 1500 metros acima do nível do mar, o que a torna uma espécie endêmica de grande valor para a biodiversidade nacional.

Para o Minam, a descoberta confirma que as florestas de Oxapampa e da floresta tropical central ainda abrigam espécies que a ciência não havia identificado. A presença de Neea myrciifolia em áreas naturais protegidas destaca o valor desses territórios para a conservação da biodiversidade, que ainda tem muito a revelar, e reforça a necessidade de manter ecossistemas protegidos onde, mesmo após décadas de pesquisa, novas espécies continuam sendo descobertas.

*Com informações da Agência Andina

Entenda o que é o ‘petróleo chique’ do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal

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O que é o ‘petróleo chique’ do Amapá? Foto: Divulgação/Foresea

A confirmação de que o reservatório no litoral do Amapá tem óleo com características de petróleo leve levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a chamar o produto de “petróleo chique“. Segundo Lula, as características do óleo repetem o padrão de alta qualidade encontrado no Pré-Sal em 2007.

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De acordo com o chefe do Executivo, o achado de óleo leve na Foz do Amazonas promete aumentar a margem de lucro e a eficiência da Petrobras, colocando o estado no centro das atenções do mercado global de energia.

A declaração foi dada durante visita ao navio-sonda da Petrobras em Oiapoque, no extremo norte do estado, na segunda-feira (17). Na ocasião, o presidente acompanhou as pesquisas de campo e comemorou os resultados das amostras coletadas na Margem Equatorial.

“Eu sujei a mão do Pré-sal e sujei a mão desse […] Esse parecia que já tava refinado de tão leve que é. Nós temos a chance de ter um petróleo muito chique. Muito chique e de muita qualidade para abençoar o futuro do filho de vocês”, disse o presidente.

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Lula visita a sonda NS-42, da Petrobras, na Margem Equatorial, onde o ´petróleo chique’ foi encontrado. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

Leve, fluido e de alto rendimento

Na indústria petrolífera, a qualidade do produto é medida pela densidade em uma escala chamada Grau API (desenvolvida pelo American Petroleum Institute). Quanto maior o grau API, mais “leve” e fluido é o óleo, e maior é o seu valor comercial.

  • Petróleo Pesado (baixo API): Mais denso e escuro, exige processos industriais complexos e caros nas refinarias para ser transformado em combustível.
  • Petróleo Leve (alto API): Fluido e com menos impurezas, é facilmente processado e gera uma fatia maior de derivados nobres, como gasolina, querosene de aviação (QAV) e diesel de alta qualidade.
Entenda o que é o 'petróleo chique' do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal
Entenda o que é o ‘petróleo chique’ do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal. Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras

O óleo, retirado a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense, apresenta características similares ao “Brent”, a referência internacional negociada nas principais bolsas do mundo, conforme a Petrobras.

“O Amapá tem uma chance extraordinária […] Na hora que a Petrobras anunciar definitivamente, que o petróleo é de belíssima qualidade. Eu perguntei à Magda ‘é Brent?’, ela disse ‘não, é mais do que Brent, é Brent com louvor’”, falou Lula.

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Economia e próximos passos

A extração de um combustível com essa especificação traz impactos diretos para a economia, segundo o presidente. Por ser mais limpo e fino, o óleo exige menos gasto de energia e insumos nas refinarias da Petrobras, tornando a produção mais eficiente.

Embora a qualidade do ‘petróleo chique’ seja elevada, o desafio de engenharia é complexo. A perfuração ocorre em uma lâmina d’água de cerca de 3 mil metros, somada a mais 3 mil metros de rocha no subsolo marinho.

Entenda o que é o ‘petróleo chique’ do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal. Foto: Reprodução/ Facebook-Ocyan

A Petrobras segue na etapa de avaliação exploratória para dimensionar o volume exato da reserva e confirmar a viabilidade comercial do campo.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica Amapá

Filhos do Boto: projeto cinematográfico investiga relação entre lenda amazônica e violência contra mulheres ribeirinhas

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Foto: Divulgação

‘O Imaginário’ iniciou os estudos de pré-produção de “Filhos do Boto”, novo projeto cinematográfico que será realizado em comunidades ribeirinhas do Baixo Madeira, entre os estados de Rondônia e Amazonas. O documentário terá como ponto de partida uma das narrativas mais conhecidas da cultura amazônica: a lenda do Boto.

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A produção pretende investigar como essa tradição influencia o imaginário e o modo de vida das comunidades ribeirinhas, estabelecendo um diálogo entre o mundo real e o universo dos encantados. A partir dessa perspectiva, o filme propõe uma reflexão sobre questões sociais presentes na região Norte, especialmente as violências cometidas contra meninas e mulheres.

Com previsão de alcançar mais de 10 comunidades ribeirinhas, no percurso entre Porto Velho (RO) e Humaitá (AM), “Filhos do Boto” pretende ouvir moradores e registrar histórias, memórias e diferentes percepções sobre a permanência da lenda no cotidiano amazônico.

O documentário busca lançar luz sobre uma dimensão pouco discutida da narrativa do Boto: sua possível utilização, ao longo de gerações, como explicação simbólica para situações de abuso e violência sexual envolvendo mulheres e meninas ribeirinhas.

Lenda do boto move relações e cultura

Ao aproximar o universo mítico das experiências concretas vividas nas comunidades, “Filhos do Boto” pretende dar voz a mulheres e meninas cujas histórias foram historicamente atravessadas pelo silêncio, pelo medo e pela naturalização da violência.

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Filhos do Boto: novo projeto cinematográfico do O Imaginário investiga a relação entre a lenda amazônica e a violência contra mulheres ribeirinhas
Foto: Divulgação

A produção também propõe uma reflexão sobre os impactos de uma cultura patriarcal na perpetuação dessas violências e sobre os mecanismos sociais que contribuem para seu encobrimento. Nas águas e comunidades do Rio Madeira, o filme pretende confrontar diferentes perspectivas sobre uma tradição que faz parte da identidade cultural amazônica, buscando compreender seus significados e suas relações com questões sociais contemporâneas.

Mais do que registrar uma lenda, “Filhos do Boto” pretende utilizar o cinema como ferramenta de investigação, memória e reflexão sobre as relações entre cultura, território, gênero e violência na Amazônia.

A realização do projeto marca mais uma iniciativa do O Imaginário voltada à valorização das narrativas amazônicas e à utilização do audiovisual como instrumento de registro, reflexão e transformação social.

*Com informações da assessoria