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Boa Vista amplia qualidade nutricional da merenda escolar

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Novo cardápio traz mais variedade e novas preparações à merenda escolar, fortalecendo a alimentação diária dos estudantes. Foto: Francisco Sena/PMBV

A merenda escolar da Rede Municipal de Ensino de Boa Vista está ainda mais diversificada em 2026. O cardápio passou por reformulação e ganhou novas preparações que já integram a rotina das unidades, ampliando a variedade das refeições oferecidas diariamente aos estudantes.

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Entre as novidades estão pratos como feijoadinha com arroz brasileirinho, arroz de horta, salpicão de frango, cuscuz nordestino e feijão tropeiro. As receitas foram planejadas para unir valor nutricional, identidade cultural e aceitação do público infantil.

A reformulação foi elaborada pela equipe de nutricionistas do município, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Uma das responsáveis pelo planejamento, a nutricionista Letícia Bueno, explica que a inovação veio acompanhada de critérios técnicos rigorosos.

Boa Vista amplia qualidade nutricional da merenda escolar
Feijoadinha é uma das novidades do novo cardápio da Rede Municipal de Ensino, preparado com cuidado pela equipe de nutricionistas do município. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

“Em 2026 a gente quis inovar no cardápio. Fizemos uma grande modificação, mas sempre baseados nas normativas do PNAE. Nosso cardápio é elaborado pela equipe de nutricionistas e leva em consideração a faixa etária de cada criança, os hábitos alimentares e a questão cultural”, destacou.

Segundo ela, cada preparação é calculada com base nas necessidades específicas dos alunos. “A alimentação escolar é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e motor. Uma criança bem nutrida consegue aprender melhor e ter um desenvolvimento adequado. No cálculo do cardápio, consideramos macro e micronutrientes de acordo com a faixa etária, modalidade escolar e hábitos alimentares”, explicou.

Em 2025, a Prefeitura de Boa Vista distribuiu 1.548.906 quilos de alimentos às escolas da rede municipal. Desse total, mais de 52% foram hortifrútis frescos, adquiridos por meio de sete cooperativas locais, fortalecendo a economia da zona rural e garantindo alimentos de maior valor nutricional para os estudantes.

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Em 2025, a Prefeitura de Boa Vista distribuiu mais de 1,5 milhão de quilos de alimentos às escolas, com 52% de hortifrútis frescos da agricultura local. Foto: Francisco Sena/PMBV

Aprovação no refeitório

Na Escola Municipal Francisco Pedrosa, uma das unidades entregues recentemente, o feijão tropeiro foi servido no almoço e rapidamente virou assunto entre os pequenos. A novidade agradou.

Thomas Oliveira, de 5 anos, experimentou e aprovou. Disse que gostou muito e que estava “bem gostoso”.

Kauê Lima Mendes, também de 5 anos, repetiu o prato e contou, animado, que adorou e achou “delicioso”.

Já Alexa Rafaella elogiou não só a refeição, mas o ambiente escolar. Para ela, ficou “muito gostoso” — e a escola também está sendo motivo de alegria.

Na Escola Municipal Francisco Pedrosa, o feijão tropeiro conquistou os alunos: teve repeteco, elogios e muitos sorrisos no horário do almoço. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Referência nacional

O cuidado com a alimentação escolar já colocou Boa Vista em evidência no cenário nacional. Em janeiro deste ano, o Instituto Veritá divulgou pesquisa que avaliou a qualidade dos serviços públicos nas capitais brasileiras. Entre os destaques a merenda foi reconhecida como referência em qualidade e nutrição.

Indicadores de eficiência são criados para a cadeia da castanha-da-amazônia em Rondônia

O trabalho resultará no primeiro sistema de benchmarking da castanha-da-amazônia. Foto: Ronaldo Rosa

Embrapa Rondônia (RO) coordenará o desenvolvimento do primeiro sistema de benchmarking — metodologia de análise de mercado com base na comparação entre empresas concorrentes — da castanha-da-amazônia.. O trabalho deve preencher uma lacuna crítica na bioeconomia amazônica ao criar um sistema padronizado de indicadores de eficiência industrial no beneficiamento da castanha.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

O projeto de pesquisa foi um dos apenas seis selecionados no edital Projetos de Pesquisa em Economia Sustentável na Amazônia, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) em parceria com o Bezos Earth Fund. Ao edital concorreram 221 propostas apresentadas por instituições científicas da região.

“O benchmarking permitirá comparar o desempenho de diferentes beneficiadoras e propor melhorias técnicas e de gestão baseadas em evidências. Entre os indicadores a serem desenvolvidos estão: taxa de corte da matéria-prima, rendimento de produção e percentual de amêndoas quebradas — métricas que ajudarão as empresas a identificar gargalos e aprimorar seus processos”, explica a pesquisadora Lucia Wadt, líder do projeto e Chefe-Geral da Embrapa Rondônia.

A iniciativa começa com seis beneficiadoras parceiras dos estados do Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, que aceitaram compartilhar dados sob sigilo e proteção da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Cada participante receberá análises individualizadas e planos de melhoria específicos. Os dados agregados, processados e anonimizados servirão de base para recomendações setoriais e políticas públicas.

Além do foco técnico, o projeto busca articular políticas públicas e atores institucionais — como FinepSenai, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Embrapii — para integrar o benchmarking ao planejamento da bioeconomia nacional. A expectativa é que as evidências produzidas influenciem programas de financiamento, inovação e capacitação técnica, fortalecendo a competitividade das empresas e o valor econômico da floresta em pé.

Castanheira foto Patrícia Costa embrapa
Castanheira. Foto: Patrícia Costa/Embrapa

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Insidacores: salto estrutural

O benchmarking é uma metodologia consagrada no setor produtivo global, criada na década de 1980 na Xerox Corporation e usada por empresas líderes para comparar desempenhos e adotar melhores práticas. No entanto, nenhum setor da bioeconomia amazônica ainda dispõe de infraestrutura semelhante — o que, segundo os pesquisadores, explica parte da baixa competitividade regional.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

A ausência de padrões confiáveis de comparação impede que as beneficiadoras aprimorem sua produtividade e qualidade; reforçando portanto um modelo de concorrência baseado em preço, que desvaloriza o produto e o trabalho local.

De acordo com os coordenadores, a adoção do benchmarking no setor castanheiro representa um salto estrutural para a economia da floresta. A equipe do projeto considera que, com base em dados reais e comparáveis, será possível melhorar processos industriais, aumentar o valor agregado e criar incentivos econômicos para manter as castanheiras em pé.

Formação de jovens pesquisadores

“O projeto inclui um programa de formação de jovens pesquisadores em métodos de análise industrial e bioeconomia. As bolsas serão voltadas a estudantes de graduação e pós-graduação da Amazônia, com o objetivo de consolidar competências locais e garantir a replicação da metodologia em outras cadeias produtivas da sociobiodiversidade, como açaí, cupuaçu e andiroba”, destaca Maria Fernanda Berlingieri Durigan, pesquisadora da Embrapa Instrumentação(SP).

A equipe aplicará metodologias avançadas, como o Método de Análise Hierárquica (Analytic Hierarchy Process – AHP), para selecionar e validar indicadores de desempenho adicionais, que incorporarão dimensões de sustentabilidade ambiental, custos de produção e qualidade da castanha. Os dados coletados serão processados e validados em ambiente estatístico e utilizados para construir uma plataforma de análise comparativa, acessível apenas às instituições parceiras.

O projeto divide-se em três eixos complementares: eficiência operacional, com coleta e análise de dados industriais padronizados; políticas públicas e governança, mapeando marcos regulatórios e oportunidades de investimento; e formação de competências locais, com treinamento técnico e bolsas de pesquisa.

Segundo os pesquisadores, a economia sustentável amazônica depende de informação confiável e comparável para crescer. “Com o benchmarking, o setor da castanha-da-amazônia poderá orientar suas estratégias com base em evidências, atrair investimentos e conquistar novos mercados”, destaca Patricia da Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP).

Indicadores de eficiência são criados para a cadeia da castanha-da-amazônia em Rondônia
Projeto de pesquisa foca em castanhas. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Rede multi-institucional

O projeto será executado por uma rede multi-institucional que reúne a Embrapa Rondônia (líder), Embrapa Instrumentação, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Acre, Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade de Nova Iorque (NYU), Centro de Empreendedorismo da Amazônia (CEA), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e organizações da base produtiva da castanha-da-amazônia.

Cada parceiro contribuirá com competências suplementares: as unidades da Embrapa asseguram rigor técnico e inovação metodológica, as universidades formam novos pesquisadores, e o CEA e a ApexBrasil fortalecem a inserção empresarial e internacional do setor.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Entenda porquê consumir de forma consciente e sustentável é importante para o futuro

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Foto: Reprodução/Freepik

Consumir de forma consciente se torna essencial diante dos desafios ambientais e sociais enfrentados atualmente. Por isso, adotar práticas sustentáveis no dia a dia não significa apenas reduzir gastos, mas também contribuir diretamente para a preservação dos recursos naturais, para a diminuição da geração de resíduos e para a construção de um futuro mais equilibrado. 

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De acordo com o Serviço de Sustentabilidade da Câmara dos Deputados, o Ecocâmara, para consumir de forma consciente é preciso repensar hábitos e considerar os impactos positivos e negativos que as escolhas provocam no meio ambiente, na economia e na sociedade. 

O consumo consciente é uma das principais bandeiras do Projeto Consciência Limpa, da Fundação Rede Amazônica (FRAM). A iniciativa reforça a importância de analisar os impactos dos hábitos no dia a dia para reduzir prejuízos ambientais e promover um futuro mais sustentável. Com esse objetivo, o projeto destaca algumas dicas simples e práticas para ajudar a consumir de forma mais responsável.

Como consumir de forma consciente ?

O consumo consciente é muito importante na hora de fazer compras de modo geral. De acordo com o Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre, evitar compras impulsivas é fundamental para manter o equilíbrio financeiro e reduzir o desperdício. 

Planejar as compras por meio de listas, estabelecer um orçamento, esperar alguns dias antes de adquirir um produto e evitar decisões motivadas por emoções são estratégias que ajudam a consumir de forma mais responsável. Essa mudança de comportamento beneficia também o meio ambiente, pois o consumo excessivo aumenta a exploração de recursos naturais e a produção de resíduos. 

Segundo o Ecocâmara, é essencial priorizar produtos duráveis, com embalagens recicláveis ou reutilizáveis e de procedência sustentável, além de dar preferência a alimentos frescos e produzidos localmente.

Leia também: Saiba quais serviços fazem parte do Consciência Limpa 2026 em Rio Branco

As empresas também têm um papel importante nesse processo. De acordo com a Duque Sustentabilidade, uma empresa eco friendly é aquela organização que tem em sua cultura organizacional uma preocupação com o meio ambiente, ou seja, em seus processos, iniciativas e ações colocam a sustentabilidade como uma de suas prioridades principais.

Isso inclui o descarte correto de resíduos, a redução do desperdício, o uso eficiente de recursos naturais e o incentivo à reciclagem. O projeto orienta que estabelecimentos comerciais podem adotar iluminação em LED, reduzir o uso de papel, evitar o desperdício de água e priorizar fornecedores locais, diminuindo o impacto ambiental causado pelo transporte de mercadorias.

Leia também: Projeto Consciência Limpa promove educação ambiental e sustentabilidade no Acre

Consumir de forma consciente
Consumir de forma consciente é essencial diante dos desafios ambientais e sociais enfrentados atualmente. Foto: Reprodução/Freepik

Outro ponto fundamental do consumo consciente é o descarte adequado dos resíduos. Segundo o Ecocâmara, essa prática prolonga a vida útil dos aterros sanitários e impacta diretamente a renda dos catadores, que podem ter seus ganhos ampliados com a correta separação dos materiais recicláveis. 

O descarte correto do óleo de cozinha usado aparece como uma das ações mais simples e eficientes para evitar danos ambientais. Segundo o Duque Sustentabilidade, o óleo de fritura não deve ser jogado na pia, no vaso sanitário, no solo ou em sacolas plásticas. 

Reutilizar o óleo de cozinha é consumir de forma consciente. Foto: Ude Valentine /Comunicação Mirante

O projeto orienta que o ideal é armazená-lo em garrafas PET ou recipientes adequados e encaminhá-lo para empresas especializadas na coleta e reciclagem do material, como forma de evitar a contaminação dos rios, dos lagos e do solo, além de contribuir para a economia circular.

O óleo deve ser guardado somente após esfriar, utilizando um funil para evitar vazamentos. Além disso, não é necessário filtrar o óleo antes de armazenar, e quando um volume significativo for acumulado, basta encaminhá-lo para a coleta especializada.

Descarte de eletrônicos

Outro tipo de produto descartado que precisa de atenção é o eletrônico. O Instituto Descarte Correto, que atua como centro de recondicionamento de computadores, recebe o descarte de cabos e carregadores, computadores e monitores, tvs e rádios, celulares e tablets, impressoras e teclados, e eletrodomésticos em geral.

Esses materiais também são prejudiciais para o meio ambiente se são forem descartados corretamente, em função dos seus componentes e tempo de decomposição, poluentes que podem ser evitados.

De acordo com o instituto, ensinar sobre descarte correto, consumo responsável e sustentabilidade “é plantar hoje as sementes de um futuro mais justo, equilibrado e possível para todos”. 

Por isso, somando pequenas atitudes, como armazenar corretamente o óleo de cozinha usado, evitar compras por impulso, escolher produtos com menos embalagens e apoiar empresas comprometidas com o meio ambiente, fazem uma grande diferença quando praticadas de forma contínua. 

E o que o descarte incorreto pode gerar? 

O óleo mal descartado é um exemplo de que as consequência não são mínimas como se pode pensar. Quando descartado de forma inadequada, o óleo pode causar uma série de impactos ambientais e, segundo a Duque Sustentabilidade, um dos principais problemas é a poluição do solo, comprometendo a qualidade e prejudicando o cultivo de plantas. 

Outro impacto significativo é a poluição da água, já que ao chegar aos rios e lagos, o óleo forma uma película na superfície que impede a passagem de luz solar e reduz a oxigenação da água, afetando diretamente peixes e outros organismos aquáticos.

Além dos danos ambientais, o descarte inadequado do óleo pode causar também problemas estruturais nas cidades, já que o resíduo pode se solidificar nas tubulações de esgoto e provocar enchentes. 

Consumir de forma consciente ajuda o meio ambiente. Foto: Repordução/Freepik

O impacto sobre a fauna também é preocupante, uma vez que aves aquáticas e peixes podem ter o corpo coberto pelo óleo, o que compromete a respiração e a mobilidade desses animais.

Por isso, o descarte correto do resíduo é considerado uma das medidas mais importantes para reduzir os danos ambientais causados pelas atividades domésticas e comerciais.

Consumir de forma consciente é um dos pilares da sustentabilidade, pois ao adotar práticas responsáveis, consumidores e empresas contribuem para a preservação dos recursos naturais para as próximas gerações. 

Método desenvolvido no Amazonas é capaz de reduzir mordidas de morcegos e amenizar risco de raiva

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Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

Uma estratégia simples, acessível e movida a energia solar mostrou-se eficaz na redução de ataques de morcego-vampiro (Desmodus rotundus), principal transmissor da raiva para humanos e animais de criação. Este é o principal resultado de um estudo realizado entre 2023 e 2024 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e na Floresta Nacional de Tefé, no estado do Amazonas, por pesquisadores do Instituto Mamirauá.

A pesquisa investigou se a iluminação noturna com lanternas solares poderia diminuir a ocorrência de mordidas de morcego-vampiro, única espécie que costuma se alimentar do sangue de seres humanos e é vetor da raiva, uma doença viral grave transmitida pela saliva de mamíferos infectados. Uma vez que os sintomas neurológicos se manifestam, a doença é quase sempre fatal, tornando a prevenção fundamental.

Leia também: Mapeamento de vírus em morcegos em Mato Grosso busca prevenir futuras zoonoses

Método e resultados da pesquisa

O estudo foi realizado através de entrevistas com 53 famílias, totalizando 224 pessoas, sobre a ocorrência de mordidas nos últimos seis meses. Dos entrevistados, constatou-se que 30% já haviam sido mordidos ao longo da vida, sendo que 19% haviam sido mordidos nos últimos seis meses.

Em seguida, a equipe do estudo distribuiu lanternas movidas a energia solar e orientou os entrevistados a utilizá-las durante a noite para iluminar o entorno das casas. Concomitantemente, foram capturados morcegos próximos às comunidades para testar a presença do vírus da raiva.

A coleta de material constatou que, felizmente, nenhum indivíduo estava infectado. Após seis meses, os pesquisadores retornaram para avaliar o impacto da intervenção.

As mordidas relatadas pelos moradores locais diminuíram significativamente, de 19% para apenas 3%, após a adoção das lanternas. Observou-se também que a adesão ao método proposto foi essencial: os indivíduos que usaram a lanterna todas as noites e a noite inteira foram menos mordidos.

De acordo com Isadora Lobato, pesquisadora do Instituto Mamirauá responsável pelo estudo, “nossos resultados evidenciam como garantir o acesso à educação e à energia, direitos básicos, pode se traduzir em uma forma de promoção da saúde e prevenção de doenças em comunidades ribeirinhas da Amazônia”.

“A elevada subnotificação de casos de mordidas por morcegos-vampiros observada no estudo representa um grande desafio para o planejamento de ações de saúde pública adequadas à realidade das populações ribeirinhas, destacando a relevância de pesquisas voltadas a esse tema”, conclui.

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Medidas de proteção e prevenção

Com base nas descobertas, os pesquisadores reforçam um conjunto de recomendações para reduzir o risco de mordidas por morcegos e contaminação por raiva. Para proteger as pessoas e animais de criação, é essencial usar iluminação noturna próximo ao local onde se dorme, como as lanternas solares testadas.

Além disso, utilizar mosquiteiros ao dormir e manter portas e janelas bem fechadas ao anoitecer também reduzem a probabilidade de ser mordido. Para a proteção dos animais de criação, as medidas incluem instalar telas em currais e abrigos, certificar-se de que a vacinação dos animais está em dia e abrigá-los à noite em locais fechados sempre que possível.

“Esses resultados e as medidas propostas podem ajudar a orientar futuras ações integradas de vigilância epidemiológica, que incluam educação em saúde e acesso à energia em áreas de difícil acesso da Amazônia”, argumenta Isadora. “Esperamos contribuir para a saúde pública e o bem-estar dessas comunidades”.

Os resultados da pesquisa, as medidas para prevenir mordidas de morcegos, além de fatos sobre morcegos e sobre a raiva estão contidos em uma cartilha de divulgação científica produzida pela equipe de pesquisadores. Essa cartilha será impressa e distribuída em comunidades das áreas de estudo com o intuito de trazer informações relevantes que possam ser acessadas pelo público geral, ajudando na prevenção de acidentes com morcegos.

Método desenvolvido no Amazonas é capaz de reduzir mordidas de morcegos e amenizar risco de raiva
Imagem: Reprodução/Instituto Mamirauá

Leia também: Longe da fama do Drácula: morcegos são dispersores de sementes na Amazônia

Este projeto foi possível graças à doação das lanternas solares pela empresa Schneider Electric. As lanternas também foram doadas para parteiras tradicionais do Amazonas, para auxiliar nos trabalhos de parto e acompanhamento em regiões com pouco acesso à energia elétrica.

O Instituto Mamirauá é uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação que atua por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social na Amazônia, tendo como linhas de ação principais a aplicação da ciência, tecnologia e inovação na conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica, bem como a construção e consolidação de tecnologias sociais e programas de manejo em parceria com comunidades tradicionais.

A cartilha pode ser acessada AQUI.

*Com informações do Instituto Mamirauá

Educação ambiental: 4 livros que refletem sobre como cuidar do meio ambiente

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Foto: Reprodução/iStock

Para cuidar do meio ambiente é preciso ter conhecimento e responsabilidade. Na Amazônia, maior bioma do Brasil, os cuidados são ainda maiores para quem habita. Cada ação reflete em um consequência e cuidar do lixo, da água, e do consumo geral no dia a dia é imprescindível para a manutenção do meio ambiente, garantindo acesso às próximas gerações.

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Como parte das ações de conscientização, livros também ajudam a conhecer mais sobre o meio ambiente, contribuindo para uma educação ambiental atenta e segura. O jornalista e especialista em jornalismo ambiental Gabriel Ferreira afirma que, além da educação básica sobre os cuidados com o meio ambiente, faz-se necessário valorizar os saberes tradicionais e fazer uma autoanálise sobre o consumo diário e como ele impacta na sociedade.

A visão cosmológica dos povos indígenas nos ensina muita coisa importante que perdemos ao longo do tempo: o encantamento pelo mundo. Pra isso, eu vejo que olhar para o meio ambiente como parte nossa, seja espiritual, filosófica existencial e corpórea, é primordial e um passo importante se a gente for pensar em educação ambiental. Nós aprendemos o básico quando criança como não jogar o lixo na rua, e ao longo do tempo vamos ficando indiferentes. Então vale uma auto reflexão e o entendimento de o quanto é importante nos reeducarmos. De olhar por meio ambiente como nossa casa comum. Se destruir, não tem pra onde ir”, reflete Ferreira.

Leia também: DIA D: Consciência Limpa terá dia dedicado à serviços, educação ambiental e descarte sustentável no Acre

Confira quatro livros que contribuem para essas reflexões:

Educação ambiental: 4 livros que refletem sobre como cuidar do meio ambiente
Foto: Divulgação

‘Educação Ambiental – Princípios e Práticas’, de Genebaldo Freire Dias (2010)

Este livro reúne as informações básicas conceituais sobre a Educação Ambiental. É recomendado para quem não possui muito entendimento na área e está buscando conhecimento.

A obra faz um histórico de suas atividades pelo mundo, sugere mais de cem atividades para sua prática, fornece subsídios para a ampliação dos conhecimentos sobre o conhecimento ambiental e expõe as diferentes formas legais de ação individual e comunitária que possibilitam um exercício de cidadania, visando uma melhor qualidade de vida.

No livro, se encontra normas e possíveis responsabilidades a serem tomadas para melhorar a convivência com a natureza.

Onde encontrar: Amazon

Foto: Divulgação

‘A queda do céu’, de Davi Kopenawa e Bruce Albert (2010)

Escrita pelo antropólogo francês Bruce Albert e o xamã indígena Yanomami, Davi Kopenawa, essa obra combina filosofia, cosmologia e crítica à destruição ambiental.

Apresenta o entendimento dos povos indígenas sobre o mundo e a floresta. A obra faz uma analogia a destruição da floresta, pois também é a destruição do mundo espiritual e humano.

Trata-se de um livro que traz uma reflexão de que o ser humano está ligado ao meio ambiente em corpo e espírito.

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Foto: Divulgação

‘Ideias para adiar o fim do mundo’, de Ailton Krenak (2019)

Se você procura por livros que trazem reflexões filosóficas e lições de como preservar a natureza, essa obra é ideal.

‘Ideias para Adiar o Fim do Mundo’ é um ensaio filosófico e crítico que questiona a forma como a sociedade atual se relaciona com a natureza, com o progresso e com a própria ideia de humanidade.

A obra é baseada em uma palestra do pensador indígena Ailton Krenak, realizada em uma universidade em Portugal, e apresenta uma reflexão profunda a partir da perspectiva indígena.

Krenak faz uma análise política na obra, que separa o ser humano da natureza e trata o planeta como um recurso a ser explorado. Ele escreve em sua obra que é preciso haver um ‘reencantamento’ do mundo. Do Homem entender que sua relação com a natureza precisa ser harmoniosa, de bem viver e com isso, pode adiar o fim do mundo.

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‘Reflexões e Práticas em Educação Ambiental – discutindo consumo e geração de resíduos’, de Juscelino Dourado e Fernanda Belizário (2012)

‘Reflexão e Práticas em Educação Ambiental’ discute questões atuais envolvendo ensino e meio ambiente, abordando também a questão de consumo de bens, geração e descarte de resíduos, políticas públicas e pedagogia.

Além de ser um manual instrutivo sobre boas ações para o meio ambiente, esta obra busca o despertar da sensibilização ambiental por meio de diálogos, reflexões e práticas capazes de potencializar o engajamento e fortalecer os discursos sobre as questões ambientais.

Onde encontrar: Amazon

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional daOrganização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto e Duque Sustentabilidade.

Restaurante conquista visitantes com vitória-régia cenográfica em Santarém

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A cerca de cinco minutos de lancha, trajeto também faz parte da experiência. Foto: Divulgação

Os empreendimentos sobre as águas do Igarapé-Açu consolidam-se como atrativos que tem sido mais procurados por visitantes em Santarém (PA). Na região, um restaurante tem chamado atenção por conta de uma vitória-régia cenográfica que virou ponto disputado para fotos.

O administrador da atração é Argemiro Ferreira Pimentel, conhecido como ‘Seu Jacaré’, que desde 2021 aposta na valorização hospitalidade ribeirinha no Jacaré Bar e Restaurante. O local busca reunir gastronomia regional, bebidas autorais, como o Drink de Mari, e a experiência com a vitória-régia.

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“O turismo é tudo para mim. Não é apenas uma fonte de renda, mas um refúgio que proporciona qualidade de vida. Em cinco minutos de lancha chego à cidade, resolvo o que preciso e retorno para casa, onde desfruto da calmaria e do contato com a natureza. Muitos visitantes vêm com esse mesmo propósito, desacelerar. Aqui eles contemplam a paisagem, relaxam e fazem novas amizades. Não tem coisa melhor”, destaca.

vitoria-regia cenografica seu jacare santarem foto divulgacao
Foto: Divulgação

Além da culinária, o anfitrião preserva a tradição oral ao narrar lendas e histórias de visagens, elementos que despertam curiosidade e enriquecem a vivência cultural de quem chega.

Leia também: Verdade ou mito: A vitória-régia é capaz de carregar uma pessoa?

O percurso até o local já integra o passeio. A saída ocorre do Terminal da Praça Tiradentes e o trajeto de lancha, com cerca de cinco minutos, revela o encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, além da presença de garças, minguás, botos e outras espécies típicas da várzea.

A construção, com teto de palha, harmoniza-se com a paisagem. Casas de joão-de-barro espalham-se pelo entorno, que é decorado com pinturas, cestos artesanais e plantas regionais. A estrutura também utiliza energia proveniente de placas solares, reforçando o compromisso com práticas sustentáveis.

Entre as opções do cardápio estão tambaqui assado, caldeirada, filé de pirarucu, tucunaré ao molho especial e galinha caipira, além de bebidas preparadas com ingredientes da Amazônia.

Acesso à vitória-régia

No jardim, a vitória-régia cenográfica produzida em fibra e polietileno tornou-se um dos pontos mais fotografados. Disponível aos fins de semana, o acesso ao cenário custa R$ 10 por pessoa.

O funcionamento ocorre aos sábados, domingos e feriados, mediante agendamento prévio. O transporte de ida e volta custa R$ 30 por visitante. Menores de 10 anos não pagam a travessia. As reservas podem ser feitas pelo telefone (93) 99151-0013 ou pelo Instagram @casadojacarestm, onde também estão disponíveis informações sobre horários e cardápio bilíngue.

Leia também: Por que a vitória-régia tem esse nome?

Entre março e julho, no período de cheia, o cenário se transforma e amplia ainda mais a experiência de quem escolhe conhecer o destino.

O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, destaca a localização estratégica do atrativo como um dos principais diferenciais.

“É uma experiência incrível, porque o Igarapé-Açu fica muito próximo do centro urbano. Essa facilidade de acesso estimula as pessoas a fazerem a travessia e vivenciarem um estilo de vida ribeirinho, com um modo de morar e de viver diferente da dinâmica das cidades. É um passeio que sempre recomendamos para quem visita Santarém, inclusive para conhecer um dos três restaurantes existentes na área, entre eles o Jacaré Bar e Restaurante”.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Mapeamento de vírus em morcegos em Mato Grosso busca prevenir futuras zoonoses

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A coleta das amostras terá captura temporária dos morcegos e análise laboratorial. Foto: Reprodução/Acervo Amazon Sat

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCAM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no Câmpus de Sinop busca identificar vírus, fungos e bactérias que circulam em morcegos da região da transição Cerrado-Amazônia e que podem representar riscos à saúde humana. O objetivo é subsidiar políticas públicas de vigilância e prevenção de futuras zoonoses.

O trabalho é da mestranda Francisca Linalva Ferreira Braga orientada pelo professor Rafael Arruda, que é coordenador do Laboratório de Quiropterologia Neotropical do Campus Sinop. De acordo com a pesquisadora, o projeto parte da premissa de que entender a circulação de patógenos em morcegos é um passo essencial para antecipar surtos e criar estratégias de resposta rápida a possíveis emergências sanitárias.

A coleta das amostras será feita de forma ética, com captura temporária dos animais e análise laboratorial por meio de técnicas moleculares e microbiológicas.

Leia também: Contagem Anual de Morcegos é realizada por universidade em parque florestal em Mato Grosso

A região foi escolhida pela alta biodiversidade e intensa interação entre fauna silvestre, áreas urbanas e atividades humanas. Entre os patógenos que a equipe espera encontrar estão os respiratórios como Coronaviridae, Paramixovírus e Adenovírus, além de entéricos (relacionado ao intestino) como Rotavírus e Calicivírus já associados a morcegos em estudos anteriores realizados no Brasil.

“Mato Grosso representa uma imensa lacuna desse conhecimento”, aponta Francisca.

 Foto: Linalva Braga, Tais Braga e Vitória Matheus

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Dados sobre saúde dos morcegos pode gerar políticas públicas

Financiado por recursos do PPSUS, uma parceria entre Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), os dados podem servir para gerar políticas públicas por parte da Secretaria Estadual de Saúde e do próprio SUS. Para Linalva, que é servidora da Secretaria de Saúde de Sorriso, a qualificação no PPGCAM é o caminho para uma gestão pública mais eficiente.

O trabalho da mestranda também é o de desmistificar a figura do morcego. Apesar de hospedeiros de diversos patógenos, esses animais são vitais no controle de pragas agrícolas, para a reprodução de espécies vegetais nativas e de cultivo através dos serviços de polinização e dispersão de sementes.

“Morcegos desempenham um papel essencial na manutenção dos ecossistemas nativos e também são relevantes para a manutenção das atividades humanas. Ao gerar conhecimento científico sobre os morcegos e desmistificar sua relação com doenças, o projeto apoia políticas de conservação e promove uma convivência mais equilibrada entre seres humanos e fauna silvestre”, afirma Francisca Linalva Ferreira Braga.

*Com informações da UFMT

Estudante de Manaus transforma jogo que criou sobre extinção dos dinossauros em livro

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Foto: Divulgação

Dono de uma criatividade singular e apaixonado pelo período mesozoico (a Era dos Dinossauros), o estudante Lucas de Abreu Rocha criou uma nova versão para a história sobre a extinção dos dinossauros e a transformou no jogo que recebeu o nome de ‘O Último Rugido’, em 2024.

Agora, Lucas decidiu transformar a história de ficção científica que deu origem ao jogo, em um livro infanto-juvenil.

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“Tudo aconteceu quando eu e meus amigos tivemos a ideia de fazer um jogo para a Mostra Tecnológica da escola Manaós Tech. Daí, depois de um tempo, meu pai e eu achamos que seria legal transformar essa ideia em um livro e o nome veio porque tinha a ver com dinossauro e eu achei legal”, explica Lucas.

Lucas revela que, no livro ‘O Último Rugido’, o enredo se expande para além da plataforma do jogo e que a ideia, tanto a do livro quanto do jogo, é de inverter a história que se sabe até hoje sobre a explicação para a extinção dos dinossauros.

“No jogo, um humano viaja no tempo até a Era Mesozoica, porém, ao chegar na terra dos dinossauros, esse humano se transforma em um dinossauro. Só que aí ele encontra algo meio inesperado: Os dinossauros vivem numa sociedade super evoluída e, assim como a gente (humanos), eles estão destruindo o meio ambiente deles simplesmente por ganância. Já no livro, a história fica ainda mais emocionante e com mais detalhes”, conta Lucas.

Livro 'O Último Rugido' foi escrito por estudante de Manaus.
Foto: Divulgação

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Lucas Rocha revela que o objetivo com o livro e com o game é o de conscientizar as pessoas sobre a urgência em cuidar do planeta para que a raça humana não tenha o mesmo destino que os dinossauros.

“O meu objetivo é fazer com que as pessoas percebam que temos que cuidar do nosso planeta pra gente sobreviver porque senão, vamos ser extintos que nem os dinossauros. E olha que nós estamos na Terra há pouco tempo”, assimila o pequeno autor.

Lançamento do livro

O livro ‘O Último Rugido’ será lançado no dia 26 de fevereiro, às 16h30, na escola Manaós Tech for Kids, localizada na Rua Wilson de Castro, 36A, Conjunto Eldorado, Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus.

Estudo técnico será realizado no Parque do Cantão para exploração do ecoturismo

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Foto: Fernando Alves/Governo do Tocantins

Com a finalidade de abrir o Parque Estadual do Cantão (PEC) para atividades de ecoturismo, contribuindo para o desenvolvimento da região, o Governo do Tocantins fará um estudo técnico para revisão do Plano de Manejo do parque de competência do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), órgão responsável pela gestão da unidade.

A iniciativa para desenvolvimento da prática turística e do PEC foi proposta pelo governador Wanderlei Barbosa após visita ao parque.

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Segundo o governador, a diversidade da fauna e da flora do parque é um importante fator de atração de turistas que gostam de observar a natureza.

“Estamos fazendo um estudo técnico para o manejo do Cantão. Não queremos que seja cometida nenhuma agressão ambiental na área, mas precisamos pensar no ecoturismo para essa região, alavancando o desenvolvimento da prática turística e do estado, que possui roteiros atrativos que encantam turistas e a população do Tocantins”, destaca.

O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, ressalta que o plano vigente não permite a exploração ecoturística na área, porém o governador Wanderlei Barbosa já solicitou ao presidente do Naturatins, Cledson da Rocha Lima, a contratação de uma consultoria especializada para a revisão do documento. “O governador Wanderlei Barbosa está determinado a dar visibilidade ao Cantão para o Tocantins, para o Brasil e para o mundo”, afirma.

Ainda de acordo com Marcello Lelis, a decisão de revisar o Plano de Manejo do Parque Estadual do Cantão representa um passo estratégico e responsável.

“A atualização permitirá a definição de critérios técnicos, ambientais e operacionais para viabilizar o ecoturismo sustentável, com atividades como pesca esportiva controlada, trilhas aquáticas, observação de aves, turismo científico e ações de educação ambiental, sempre em consonância com os princípios da conservação”,  reforça.

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ariranhas registradas no parque do cantão, no tocantins
Foto: Divulgação/Naturatins

Parque Estadual do Cantão

Com aproximadamente 90 mil hectares, o  Parque Estadual do Cantão (PEC) é considerado um dos principais paraísos para o ecoturismo no Tocantins. Localizado em uma região de transição de biomas, onde o Cerrado encontra a Floresta Amazônica, o parque abriga mais de 800 lagoas e apresenta elevada biodiversidade. O local oferece trilhas terrestres e aquáticas, observação de aves, pesca esportiva e, durante o período de estiagem, praias de rio.

O PEC foi escolhido como a primeira área a receber o projeto Tocantins Restaura, iniciativa que prevê investimentos de R$ 120 milhões para a recuperação de cerca de 10 mil hectares de áreas degradadas, principalmente as afetadas por incêndios florestais. O projeto é resultado de uma Carta de Intenções assinada pelo governador Wanderlei Barbosa, em 2025, durante uma missão internacional na Suíça.

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Criado em 14 de julho de 1998, o Parque Estadual do Cantão foi a primeira unidade de conservação de proteção integral instituída pelo Governo do Tocantins. A criação do parque representou um marco histórico na política ambiental estadual, tornando-se referência na implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc) e, posteriormente, do Sistema Estadual de Unidades de Conservação (Seuc).

*Com informações do Governo do Tocantins

Ribeirinhos do Marajó investem no ‘vinho tinto’ de açaí

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Foto: Divulgação

Com o apoio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Afuá, no Marajó (PA), ribeirinhos assentados da reforma agrária estão investindo em uma novidade do mercado amazônico: vinho tinto de açaí

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A iguaria é uma proposta da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para mais um aproveitamento sustentável e lucrativo da principal cadeia produtiva das ilhas do município. O papel da Emater é de divulgação, mobilização e orientação sobre diversificação de atividades.  

“Nós colaboramos e estimulamos para que os atendidos pela Emater na sua vivência típica consigam ampliar e aprofundar possibilidades de trabalho, renda e valorização cultural. Para tanto, dispomos de ferramentas históricas, operacionais e de efetividade de políticas públicas, a exemplo de capacitação contínua, presença em eventos até internacionais, acompanhamento científicos dos processos e crédito rural”, explica o chefe do escritório local da Emater em Afuá, o engenheiro agrônomo Alfredo Rosas, especialista em Manejo Ambiental de Solos.

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Desde o segundo semestre de 2025, uma oficina com distribuição de kits encaminhou pelo menos 20 famílias dos assentamentos federais Ilha Araraman e Ilha Charapucu para começarem a fermentar alcoolicamente a polpa de açaí, com resultado da bebida nas versões “suave” e “seco”. 

O produto engarrafado e rotulado, com 750 ml, é comercializado por encomenda e em feiras da região, a R$ 60 a unidade. O lucro estimado ultrapassa 50%. 

“Pra gente, é uma excelente oportunidade de negócio. Quando a remessa tá pronta, já tá quase tudo com comprador certo. É um trabalho artesanal e elaborado. Pretendemos avançar limites, divisas e fronteiras”, indica Kátia Pantoja, de 48 anos, secretária da Associação do Desenvolvimento Intercomunitário dos Rios Corredor, Furo dos Chagas, Maniva e Outros (Adincocma). 

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Ribeirinhos do Marajó investem no 'vinho tinto' de açaí
Foto: Divulgação

Vinho de açaí expande possibilidades de renda

Na comunidade São José do Rio Maniva, Kátia, o marido Giovanhi Fagundes, de 46 anos, e as duas filhas do casal, Rita de Cássia, de 18 anos, e Geovanna, de 22 anos, estão na terceira safra de vinho de açaí: cada vez é de cerca de 28 litros.

O fruto nativo é colhido no próprio lote, atravessado pelo igarapé Aruãs, a 15 minutos de viagem de rabeta de Macapá, capital do Amapá, estado vizinho. Inclusive, Rita de Cássia estuda Engenharia Florestal e Geovanna, Engenharia de Pesca, na Universidade Estadual do Amapá (Ueap). 

“Aqui produzimos na coletividade e acreditamos que o pensamento tem que ser de contribuição comunitária, vivência integrada e participação múltipla. A descoberta de mais um potencial do açaí agrega valor às nossas tradições de povo da floresta”, diz a matriarca. 

Pela Adincocma, o vinho de açaí já faz parte da marca Art-Mani: um catálogo de óleos, pomada, sabão e xarope medicinais de sementes de andiroba e pracaxi, entre outras.

*Com informações da Agência Pará