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Agricultor aposta na irrigação para enfrentar seca e melhorar produção em Roraima

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Foto: Oseias Martins/Rede Amazônica RR

Há mais de 30 anos, Washington Luís cultiva a terra na região do Cantá, Norte de Roraima. Atualmente, ele dedica a propriedade ao cultivo de cacau e banana, com planos de expandir a venda para o mercado local e outros estados.

Mas os desafios não têm sido poucos. A seca e a estiagem no início deste ano, causadas pelo fenômeno climático El Niño, prejudicaram o cultivo e trouxeram prejuízos. Por isso, ele resolveu investir na irrigação como saída para driblar imprevistos climáticos.

Ele explica que o baixo nível de água foi um dos principais problemas enfrentados em sua plantação: “Toda produção que a gente tem de plantio vai de água baixa. Já está dizendo, de água baixa, porque a água foi pouca”.

Para evitar novas perdas, Washington investiu em um sistema de irrigação. Ele criou um açude com capacidade de atender toda a propriedade. “Eu tenho um açude aqui de 50 metros por 25 de largura, com 3 de profundidade, que é o reservatório maior que eu tenho de água. A gente utiliza ele, dá cento e poucos metros daqui até lá”.

A água é distribuída por áreas divididas, e o sistema é usado todos os dias, principalmente durante os horários de maior calor. “A gente usa uma hora, uma hora e vinte em cada gleba. Então chega em torno de três, três horas e meia por dia. Mas assim, todo dia, no momento que o sol tá muito quente”.

Fenômeno climático afetou o estado

O El Niño é causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e, neste ano, aumentou o número de queimadas e provocou seca nos rios em Roraima. A expectativa de produtores e especialistas era pela chegada do La Niña, fenômeno oposto, que traria mais chuvas. Porém, até agora, ele não se confirmou.

Maria Clara, meteorologista, explica que a falta de chuvas está associada à ausência de “corredores de umidade”, que são zonas atmosféricas que favorecem a precipitação.

“Quando nós temos os corredores de umidade, aquelas zonas de convergência do Atlântico Sul que atravessam o Brasil e acabam conectando a umidade do Sudeste com a umidade da Região Norte, favorecem as chuvas em Roraima. Essa condição a gente está vendo muito pouco, ela tem acontecido muito pouco”, pontua.

Irrigação em fazenda no Cantá, Norte de Roraima. Foto: Oseias Martins/Rede Amazônica RR

Sem o La Niña e com as propriedades ainda se recuperando dos impactos do El Niño, o cenário preocupa agricultores. Para Haron Xaud, pesquisador da Embrapa, é essencial pensar em estratégias para reduzir os riscos nas culturas.

Segundo Haron Xaud, sistemas de irrigação são fundamentais para lidar com as irregularidades climáticas. “A irrigação deve sempre ser uma alternativa para os produtores, mas deve ser feita de forma licenciada, dentro de todos os preceitos de utilização na propriedade”.

Washington acredita que os esforços já dão resultado:

“A gente olha a planta, vê a planta toda bonita, toda desenvolvendo. Não tem nada que entristeça a gente, porque nem a própria planta tá triste. Todo tempo ela alegra que tem água o suficiente. Ela tem como base dar 70% a mais da expectativa do produto. Porque, sem irrigação, ela tem um período que não vai desenvolver. Irrigada e adubada, todo tempo ela tá produzindo e tá desenvolvendo”.

*Por Naamã Mourão, da Rede Amazônica RR

Intercâmbio sobre recuperação florestal é realizado pelo Pará e Acre 

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Foto: Divulgação/Agência Pará

Servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará participaram de um intercâmbio no Estado do Acre voltado à troca de experiências sobre recuperação ambiental e sistemas agroflorestais (SAFs). A iniciativa, realizada entre os dias 15 e 29 de novembro, envolveu gestores e técnicos das secretaria de Meio Ambiente do Pará e Acre (Sema Acre), fortalecendo a cooperação técnica entre os dois estados amazônicos.

O intercâmbio, que integra o projeto Amazon Sustainable Landscapes (ASL), contou com apoio de organizações como Conservation International (CI), Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e Cooperação Alemã (GIZ). Os participantes compartilharam estratégias de implementação de Planos Estaduais de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN), ferramentas de monitoramento e metodologias aplicadas à regularização ambiental.

Foram apresentados os planos para recuperação de vegetação nativa dos dois estados,  com destaque para a Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu (URTX), no Pará, e o Viveiro da Floresta, no Acre. Os debates incluíram soluções para a produção de mudas e sementes, logística de distribuição e organização de redes regionais, como a Rede de Sementes do Acre.

Foto: Divulgação/Agência Pará

Prioridade

Indara Aguilar, diretora de Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais da Semas, destacou que a troca de experiências é importante para a recuperação florestal.

O coordenador do Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), Cláudio Cavalcante, falou sobre o papel do intercâmbio no fortalecimento das políticas públicas ambientais.

Foto: Divulgação/Agência Pará
Os participantes aprofundaram conhecimentos sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA). A Sala de Situação do Acre, uma ferramenta de monitoramento estratégico, também foi apresentada como referência para suporte à gestão ambiental no Pará.

A agenda técnica incluiu visitas de campo a projetos de restauração ativa e propriedades de agricultores familiares beneficiados por SAFs.

Foto: Divulgação/Agência Pará

*Com informações da Agência Pará

Universidade paraense é destaque internacional em produção científica sobre biodiversidade

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Foto: Clarté/Ascom Ufpa

A Universidade Federal do Pará (UFPA) emergiu como uma das principais instituições latino-americanas na produção científica sobre biodiversidade, segundo o Relatório publicado pela editora holandesa Elsevier.

O documento Biodiversity research in 2024: a global perspective with focus on Latin America analisou aproximadamente 137 mil artigos publicados, entre 2019 e 2023, em periódicos indexados na base de dados Scopus, revelando que a América Latina respondeu por 11% da produção científica global na área durante o período. A UFPA destaca-se na nona posição geral e como primeira instituição da Pan-Amazônia.

O relatório destaca que o Brasil é o principal protagonista na região, responsável por 43,5% dos artigos publicados. Essa produtividade coloca o país em uma posição de liderança, à frente de outras nações, e reforça sua importância global, figurando como a quinta nação mais prolífica, atrás apenas dos Estados Unidos, da China, do Reino Unido e da Alemanha.

A UFPA se destacou como uma das instituições que mais contribuíram para a geração de conhecimento, refletindo o impacto e a relevância de suas pesquisas na Amazônia.

Além de uma produção quantitativa expressiva, os estudos brasileiros também demonstraram alta qualidade, como evidenciado pelo Índice de Citações Ponderado por Campo (FWCI). Com um FWCI de 1,24, a produção científica sobre biodiversidade no Brasil está acima da média global, indicando que as pesquisas desenvolvidas têm sido amplamente reconhecidas e citadas por outros cientistas.

A pesquisa em biodiversidade na América Latina, conforme o relatório, é notavelmente colaborativa: 51% dos artigos publicados foram resultado de parcerias internacionais, e 8,5% das publicações foram citadas em documentos relacionados a políticas públicas. Esse dado ressalta o papel fundamental da ciência latino-americana na formulação de políticas ambientais e sociais.

A biodiversidade da América Latina, especialmente da Amazônia, possui um valor incomensurável. A região abriga uma vasta porção das florestas tropicais do mundo e uma rica variedade de espécies. Contudo enfrenta desafios críticos, como a perda de 94% da vida selvagem, registrada entre 1970 e 2024, segundo o WWF.

*Com informações da UFPA

Projeto irá recuperar ecossistemas degradados no corredor amazônico dos Andes, no Peru

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Um projeto de investimento público para recuperação de ecossistemas degradados no âmbito geográfico do corredor Andes-Amazônia, que envolve as regiões Amazonas e Cajamarca, no Peru, será executado pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam) no primeiro semestre de 2025.

A informação foi relatada pelo diretor geral de Diversidade Biológica do Minam, Mirbel Epiqué, que explicou que esta iniciativa permitirá a recuperação dos territórios desses departamentos. Neste sentido, disse que no âmbito da execução será promovida a constituição de um banco de sementes florestais autóctones, de forma a fortalecer os processos de restauração das florestas locais.

Acrescentou ainda que esta ação conjunta envolve entidades públicas, setor privado, sociedade civil, universidades e atores sociais relacionados à conservação e recuperação da biodiversidade, com o apoio técnico do Projeto BLF dos Andes Amazônicos.

O anúncio foi feito no evento ‘Equilíbrio de experiências em restauração florestal e de ecossistemas’, realizado em Cajamarca pela Minam e pelo Serviço Nacional de Silvicultura e Vida Selvagem (Serfor), nos dias 21 e 22 de novembro.

Neste contexto, foi abordada a urgência do fortalecimento das redes de alerta precoce, da recuperação dos ecossistemas e da restauração florestal, bem como da geração de uma cultura de prevenção contra as causas da degradação, considerando os impactos das alterações climáticas.

O referido evento reuniu representantes de Minam, Serfor, municípios provinciais e distritais de Jaén e San Ignacio, setor privado, peritos locais, universidades e organizações da sociedade civil.

O BLF Andes Amazônico 2024-2029, liderado pela Practical Action in Peru, é um dos seis projetos financiados pelo UK Biodiverse Landscapes Fund (BLF), que são realizados em territórios transfronteiriços de alta biodiversidade e riqueza cultural.

*Com informações da Agência Andina

Justiça determina que Funai retome demarcação da Terra Indígena Guanabara, no Amazonas

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Foto: Reprodução/MPF AM

No Amazonas, a Justiça Federal acolheu pedido do Ministério Público Federal (MPF) e concedeu liminar para que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) retome imediatamente o procedimento de demarcação das terras ocupadas pela comunidade Guanabara, da etnia Kokama, em Benjamin Constant.

A decisão prevê a apresentação, em 90 dias, de cronograma das fases necessárias para a conclusão da demarcação, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

O pedido do MPF foi apresentado em ação civil pública ajuizada em março deste ano contra a União e a Funai pela falta de providências administrativas e judiciais necessárias para a conclusão do processo de demarcação da Terra Indígena (TI) Guanabara. Isso porque, desde 2013, a Funai tem conhecimento do caso, mas até o momento, nada foi feito e a demarcação permanece paralisada.

Segundo o MPF, a continuidade do processo é urgente para o povo indígena residente, pois possibilita o encerramento de conflitos e a inclusão em políticas públicas para indígenas em terras oficialmente demarcadas.

Ao destacar a urgência da conclusão da demarcação da terra indígena, o procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal alertou que “há sério risco de que, ao fim do processo, exista dano à reprodução sócio-cultural da comunidade indígena, frustrando, então, o objetivo da ação presente: o direito à demarcação da Terra Indígena do Povo Guanabara Kokama para garantia de sua autodeterminação”.

Histórico

Desde setembro de 2014, o MPF acompanha o procedimento de demarcação da TI Guanabara, para assegurar a duração razoável do processo administrativo e encerrar a demora na demarcação na terra indígena.

Ao longo dos anos, ao ser questionada sobre o processo de demarcação da TI Guanabara, a Funai justificou a demora por diversas razões, como escassez de recursos, verbas orçamentárias, carência e rotatividade de pessoal, crise da covid-19 e similares. Além disso, o MPF aponta descaso e inércia da Funai em responder aos ofícios do MPF nos últimos meses.

*Com informações do MPF

75% das cidades no Amapá despejam resíduos sólidos em lixões, aponta IBGE

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Segundo dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no dia 29 de novembro, dos municípios amapaenses, 75% despejam resíduos sólidos em lixões à céu aberto. A pesquisa é referente ao ano de 2023.

Apenas quatro municípios do estado não registraram a presença destes resíduos em lixões, devido ao aterro controlado como destinação final, são eles: Itaubal, Macapá, Pedra Branca do Amapari e Santana.

Estes aterros controlados consistem em um local próprio para receber este material, que no estado correspondem o equivalente a 37,5% do total e se encontram em apenas 6 municípios: Itaubal, Mazagão, Pedra Branca do Amapari, Santana e Vitória do Jari.

Já os aterros sanitários, que tratam estes resíduos sem consequências ao meio-ambiente, se concentram em 5 municípios: Itaubal, Laranjal do Jari, Macapá, Oiapoque e Santana. As informações são parte do Suplemento de Saneamento da pesquisa de Informações Básicas Municipais.

Os municípios que não apareceram na pesquisa indicam apenas a presença de lixões à céu aberto, ou seja, que não possuem o encaminhamento dos resíduos ao aterro sanitário ou aterros controlados, são eles:

  • Porto Grande;
  • Ferreira Gomes;
  • Tartarugalzinho;
  • Serra do Navio ;
  • Calçoene;
  • Cutias;
  • Mazagão;
  • Pracuúba.

O que são os resíduos sólidos?

Este resíduo consiste em materiais descartados sem a necessidade de utilização imediata e são gerados pela atividade humana. Confira alguns:

  • Embalagens;
  • Papel;
  • Plástico;
  • Vidro;
  • Orgânicos;
  • Resíduos químicos;
  • Metais;
  • Madeira.

Estes materiais se classificam entre:

  • Orgânicos, ou seja, que podem se decompor, como alimentos e resto de jardinagem;
  • Recicláveis, como papel, cartão, plástico, vidro e metal;
  • Não recicláveis, como material sintético;
  • Perigosos, como pilhas e baterias;
  • e Especiais, como resíduos eletrônicos ou hospitalares por exemplo.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Cantor acreano Heitor Costa concorre a prêmio nacional com a música ‘Arrasada’

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“Quatro da manhã ‘cê pega o Uber com a cara de choro
Com o salto na mão, copo seco no outro
Toda descabelada, maquiagem borrada
Saiu pra arrasar e voltou arrasada
Vai
Você pode encontrar alguém melhor
Você pode escutar alguém pior
Mas Heitor Costa
Você só encontra uma vez

É com o hit ‘Arrasada’ que o cantor acreano Heitor Costa, de 21 anos, concorre ao Prêmio Multishow 2024 na categoria “Arrocha do ano”. Heitor participa pela primeira vez de uma competição nacional e tem como concorrentes artistas como Natanzinho Lima, Grelo e ‘Nadson, o Ferinha’.

A 31ª edição do Prêmio Multishow, que ocorre no dia 3 de dezembro, é uma das mais relevantes celebrações da música brasileira, reconhecendo e homenageando os artistas que se destacaram ao longo do ano. A cerimônia vai reunir talentos de diversas áreas musicais.

Natural de Rio Branco, Heitor saiu da Baixada da Sobral aos 12 anos para morar com o pai em Aracaju, no estado do Sergipe, em busca de novas oportunidades, e vem construindo na música uma carreira de sucesso. Atualmente, ele conseguiu levar a mãe e a irmã para o estado sergipano.

“Graças a Deus consegui essa realização profissional e agora estou só colhendo os frutos. Desde pequeno tinha um sonho de cantar, já cantava, mas não profissionalmente”, recordou.

Heitor começou a fazer shows ao 18 anos e já se apresentou com Wesley Safadão, Pablo, Gustavo Lima, dentre outros famosos. Ele explicou que a música foi um sucesso na região do Nordeste. “Foi um estouro aqui a música. Faço mais de 30 shows por mês e está sendo muito bom esse sucesso”, disse.

Sobre o hit

Lançada há quatro meses nas plataformas de áudio e vídeo, ‘Arrasada’ é de autoria de Heitor Costa e outros três compositores e tem mais de 20 milhões de reproduções apenas no Spotify. Veja os demais números abaixo (referentes até o dia 29 de novembro):

Instagram: 2,644 milhões de seguidores
TikTok: 747 mil seguidores
Spotify: 3,383 milhões de ouvintes mensais
YouTube: 492 mil inscritos
Sua Música: 101 mil seguidores
Kwai: 123 mil seguidores

*Por Aline Nascimento, da Rede Amazônica AC

Amapá recebe ‘Encontros Amazônicos Pré-COP30’: o que a Amazônia precisa?

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Foto: Divulgação/Arquivo/Secom AP

Discutir os caminhos para a geração de emprego e renda, ao mesmo tempo em que se mantém a floresta em pé, é um dos desafios propostos pelos ‘Encontros Amazônicos Pré-COP30‘, que reunirá povos originários, pesquisadores e a sociedade civil entre os dias 11 e 13 de dezembro em Macapá (AP). 

De acordo com o Governo do Amapá, parceiro da programação, será mostrado aos participantes “a experiência do estado mais preservado do Brasil, com a bioeconomia, a demarcação de áreas indígenas, negócios verdes, Zoneamento Ecológico-Econômico e um código ambiental modernizado”.

O evento marca os preparativos para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a “COP da Amazônia”, que será em Belém (PA) em 2025. Representantes de entidades, movimentos sociais, centros de pesquisa e o poder público vão buscar “Novas Alianças pela Amazônia”, tema escolhido para a reconstrução de políticas públicas sustentáveis para a região.

Ao longo de três dias, o encontro vai promover debates sobre as principais demandas da Amazônia, ouvindo quem vive nela, sob as copas das árvores. Cooperativas agrícolas, extrativistas, pescadores, quilombolas e indígenas do Amapá e da Guiana Francesa vão contar experiências, compartilhar problemas, e ajudar na construção de um documento que será apresentado aos líderes mundiais.

Povos originários da Amazônia serão ouvidos e as demandas serão entregues durante a COP30 no Pará em 2025
Foto: Divulgação/Arquivo/Secom AP

A programação no Amapá consolida o estado como integrante da COP30. O coordenador geral do encontro, Daniel Vaz, destaca que a conferência vai trazer milhares de pessoas de todo o mundo para debater as questões climáticas, mas também para buscar conhecer a região e estabelecer parcerias e projetos.

Programação no Amapá consolida o estado como integrante da COP30

Foto: Márcia do Carmo/GEA

O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), Gutemberg Silva, destaca que o evento tem dois pilares: a valorização dos povos tradicionais e a natureza como protagonista dos debates.

Cidade de Oiapoque, no Amapá, e São Jorge, na Guiana Francesa, fronteira entre Brasil e Europa
Foto: Divulgação/Arquivo/Secom AP

Antes de Macapá, os “Encontros Amazônicos Pré-COP30” chegam às cidades de Tabatinga e Letícia, na fronteira do Brasil com a Colômbia, nos dias 3 a 6 de dezembro. A programação na capital amapaense contará ainda com receptivo para os convidados, atrações culturais e feira de empreendedorismo com destaque para empresas com o Selo Amapá, startups, artesanato indígena e quilombola.

Além do Governo do Estado, lideram e apoiam à iniciativa o Sebrae, Centro Regional para a Cooperação em Educação Superior na América Latina e Caribe (Creces), Parque Científico e Tecnológico Solimões, Flacso Brasil, Corporación educativa Indoamérica, Red de Escuelas Y Facultades de Arquitectura Latinoamericana, CorpoAmazônia, Universidad Metropolitana, Universidade de São Caetano do Sul, Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (Cirat), FYGP, Comissão Nacional para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Cnodes), Conselho Nacional dos Direitos Humanos e Norwegian Agency For Exchange Cooperation (Norec).

COP30

Evento tem dois pilares: a valorização dos povos tradicionais e a natureza como protagonista dos debates

Foto: Divulgação/Arquivo/Secom AP

A COP é uma reunião anual entre os países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. Nele, chefes de estados e outras autoridades governamentais debatem soluções para conter o aquecimento global e criar alternativas sustentáveis para a vida no planeta.

*Com informações do Governo do Amapá

Universitários são premiados por soluções de combate à fome, desmatamento e poluição na Amazônia

Foto: Divulgação/Agexcom UFAM

Quatro equipes formadas por jovens universitários do Acre e Amazonas foram premiadas na primeira edição do Desafio Saul Benchimol, realizada no dia 29 de novembro, em Manaus (AM). A premiação distribuiu um total de R$ 20 mil entre os vencedores e reconheceu projetos que oferecem soluções para combater problemas como fome, desmatamento e poluição na Amazônia. O evento foi organizado pela Bemol em parceria com a Brasil Júnior (Confederação Brasileira de Empresas Juniores).

Para Elias Gabriel, Presidente Executivo da Brasil Júnior, o desafio vai além da competição. “O Desafio Saul Benchimol foi uma oportunidade para a juventude da Amazônia aplicar seus conhecimentos em projetos que impactam diretamente suas comunidades”, afirma.

Conheça os projetos premiados

Plantas que Transformam (Acre): O projeto propõe capacitar comunidades ribeirinhas do Norte a identificar, cultivar e utilizar plantas alimentícias não convencionais (PANCs) para enfrentar desafios como desnutrição e a dificuldade de acesso a alimentos frescos. A iniciativa prevê workshops presenciais e online, produção de materiais educativos e parcerias com universidades, ONGs e empresas alinhadas aos valores de sustentabilidade.

BioAqua (Amazonas): Propõe um sistema de aquaponia sustentável e de baixo custo, unindo a criação de peixes e o cultivo de plantas, para combater a fome em comunidades ribeirinhas isoladas. A solução utiliza energia solar e recursos locais, como insetos da floresta para ração, com foco inicial na comunidade Terra Preta do Limão, no Amazonas.

VerdeTech (Amazonas): Desenvolveu uma plataforma de monitoramento em tempo real para combater o desmatamento e os incêndios florestais na Amazônia. A solução utiliza sensores inteligentes que detectam alterações no ambiente, como fumaça e ruídos, e alertam equipes de fiscalização. O projeto também capacita comunidades locais para operar os equipamentos.

Boia Anfíbia Inteligente (Amazonas): Apresenta uma solução inovadora para reduzir a poluição por microplásticos e outros resíduos nos rios amazônicos. A boia, movida a energia solar, capta e monitora poluentes em tempo real, enquanto promove a capacitação de comunidades locais e a divulgação de dados ambientais.

Os estudantes participaram de mentorias, workshops e apresentações antes da cerimônia final, que homenageou Saul Benchimol, cofundador da Bemol e defensor do empreendedorismo e da educação na região. A iniciativa foi aberta a estudantes do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, com o objetivo de reconhecer o papel da juventude na busca por soluções para os desafios socioambientais da Amazônia.

Versos de Porto Velho: os médicos-poetas de 1917

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Porto Velho na época da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Foto: Dana Merrill

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 1917, a jovem cidade de Porto Velho, recém-formada com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e separada do território de Humaitá, no sul do Amazonas, já mostrava seu vigor literário. Desde 1915, o jornal “O Município” publicava crônicas e poesias, abrindo espaço para a expressão artística.

Em menos de um ano após o falecimento do poeta maranhense Vespasiano Ramos, ocorrido em dezembro de 1916, foi lançado na cidade o livro de poesias “Saudades Esperanças”, escrito pelo médico Jayme Pereira.

Graduado no Rio de Janeiro, o Dr. Jayme se estabeleceu em Porto Velho, uma cidade com menos de dois mil habitantes, onde trabalhava como inspetor sanitário na região do Alto Madeira, a serviço do Estado do Amazonas. Mesmo com a agenda repleta de campanhas de vacinação e atendimentos nas farmácias Americana e Madeira, ele encontrava tempo para se dedicar à poesia.

Aqui está um de seus poemas:

Uma Saudade: Esperança

Saudade, constante, das lutas infantis,
Dos dias de antanho, com cheiro de mar.
Saudade dos tempos que não voltam mais,
Guanabara querida, que lembranças fatais.

Saudade dos colegas de tantas galhofas,
Do vinho, dos bailes, dos doces saraus.
Saudade da juventude vivida aos risos,
Na capital de nossa Pátria, momentos tão reais.

Saudade e Esperança! A Raiz, o Fruto,
Esperança que alude à fé sem temor,
Deus de todas as causas, seu nome absoluto,
É ela que guia o coração sonhador.

Esperança: poesia sem voz,
Sentimento que o coração seduz,
E me trouxe ao Vale do Madeira,
Meu Porto Velho, novo amor, minha luz!

Nas principais cafeterias de Porto Velho, a declamação de poemas era comum. A cidade vivia tempos de glamour com o ‘boom’ da borracha, que a transformava em um microcosmo europeu, com cinema, teatro e moda à belle époque tropical. Desde 1917, a Livraria e Papelaria Madeira, anexa à tipografia do jornal “Alto Madeira”, oferecia ao público o livro de Jayme. Infelizmente, não restaram exemplares nos arquivos consultados.

Outro médico-poeta

Jayme não estava sozinho. O médico José de Mendonça Lima, em 1918, foi eleito membro da Sociedade Homem de Letras de Manaus. Residente no povoado de Abunã, então parte do município de Santo Antônio do Rio Madeira (anexado a Porto Velho em 1945), ele era um fervoroso promotor cultural. Fundou um cinema chamado Bohemia e chegou a exibir filmes para Rondon em 1918, durante a passagem do sertanista por Abunã.

Dr. Mendonça também participou da inauguração do sino da Igreja Católica de Abunã, que ajudou a financiar. Ele via o sino como um símbolo de fé e comunicação. Morou em Guajará-Mirim e serviu como cônsul do Brasil em Guayaramerín, cidade boliviana na fronteira com Rondônia. Segundo o jornal “Alto Madeira”, Dr. Mendonça era “um orador notável, escritor castiço, com profundos e variados conhecimentos, servidos por uma cultura vasta”.

Embora poucas informações sobre as obras dos Drs. Jayme e Mendonça tenham sobrevivido ao tempo, destaca-se a presença de médicos no universo literário desde os norte-americanos, nos primórdios de Porto Velho, em 1907, passando por Dr. Joaquim Augusto Tanajuro (dono do jornal “Alto Madeira”) até os dias atuais.

Nomes como Viriato Moura, Aparício Carvalho, Newton Pandolpho (em Vilhena) e Heinz Roland Jakobi são autores contemporâneos que seguem essa tradição, contados às mais diferentes ramificações da literatura. Entre 2019 e 2023, o médico-historiador Jakobi publicou uma série de três livros sobre os médicos em Rondônia: “Fragmentos da História da Medicina em Rondônia” (volumes 1 e 2) e “101 Personagens da História da Medicina em Rondônia”.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista