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Ecobarreiras ajudam na contenção de resíduos durante o período de chuvas em Manaus

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Foto: Divulgação/Semulsp

Manaus (AM) enfrenta anualmente um desafio recorrente durante o período de chuvas com o aumento do volume de lixo que deságua nos igarapés da cidade. Para amenizar esse problema, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), instalou dez ecobarreiras em pontos estratégicos, para a preservação do meio ambiente e reforço na limpeza urbana.

Essas ecobarreiras, localizadas nos igarapés do Franco, do 40 e do Passarinho e ainda na avenida do Samba, Coroado, Mindu, Alvorada, São Francisco, Parque dos Gigantes e bairro da União, funcionam como filtros, retendo o lixo que, de outra forma, seguiria para os rios da região. Com as chuvas intensas que afetam a cidade, os equipamentos se tornam ainda mais necessários, evitando que grandes quantidades de resíduos comprometam os cursos d’água e causem impactos ambientais irreversíveis.

De acordo com o titular da Semulsp, Sabá Reis, as ecobarreiras são monitoradas e limpas diariamente pelas equipes de manutenção.

“Estamos trabalhando incansavelmente para manter a cidade limpa, especialmente nesse período de chuvas. Todos os dias, nossas equipes realizam a limpeza das ecobarreiras, garantindo que esses dispositivos cumpram sua função e preservem os igarapés da nossa cidade”, afirmou.

Foto: Divulgação/Semulsp

Além da ação do poder público, a colaboração da população é fundamental. O descarte correto de resíduos e o respeito aos horários de coleta de lixo são medidas simples, mas essenciais para que as ecobarreiras operem com máxima eficiência.

Com o apoio da comunidade e a atuação contínua das equipes da Semulsp, Manaus segue enfrentando o período chuvoso com responsabilidade e compromisso, reforçando a importância de unir esforços pela preservação ambiental e pela qualidade de vida de seus moradores.

*Com informações da Prefeitura de Manaus

Instituto Chico Mendes e Ibama iniciam prevenção de incêndios em Roraima

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Foto: Reprodução/Acervo/ICMBio

A temporada de prevenção contra incêndios começou nas unidades de conservação federais em Roraima, com a execução de queimas prescritas realizadas por brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A ação faz parte de um esforço mais amplo de proteção da Amazônia no estado, abrangendo não apenas as unidades de conservação, mas também as terras indígenas, áreas de importância estratégica para a conservação do meio ambiente. A Força Nacional também apoia a operação.

O Plano de Queimas compreende as Florestas Nacionais de Roraima e Anauá, os Parques Nacionais do Viruá e Serra da Mocidade, e a Estação Ecológica de Niquiá. O plano foi formulado pelo Núcleo de Gestão Integrada Roraima, gestor das áreas protegidas, e pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama).

O objetivo é proteger ambientes sensíveis ao fogo, como fragmentos florestais, matas ciliares, porções preservadas da Floresta Amazônica e ecossistemas amazônicos, como as campinaranas, presentes em unidades no centro-sul do estado. Embora as queimas sejam realizadas nas unidades de conservação, uma consequência esperada é a proteção da Terra Indígena Yanomami, que faz divisa com a Floresta Nacional de Roraima.

As queimas prescritas são uma técnica controlada usada para reduzir a quantidade de material combustível, como folhas secas e galhos, que podem intensificar incêndios florestais. A operação evita a propagação descontrolada do fogo, reduzindo significativamente os riscos de incêndios de grandes proporções.

Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto Chico Mendes, em parceria com o Prevfogo/Ibama, utiliza o equipamento Sling Dragon, que possibilita a aplicação de queimas prescritas em maior escala e com maior eficiência. O equipamento foi adquirido pelo Ibama e está sendo utilizado pela segunda vez consecutiva nas unidades de conservação federais em Roraima.

Esse dispositivo é acoplado a helicópteros, permitindo a ignição de maneira planejada, com maior segurança para os brigadistas e maior ganho de escala na área manejada. Outro exemplo da parceria é o uso da base institucional do Ibama na Floresta Nacional de Roraima.

Em 2023, o uso do Sling Dragon foi essencial para as queimas prescritas, que, por sua vez, ajudaram a conter o avanço de incêndios florestais no Parque Nacional do Viruá e na Estação Ecológica do Niquiá.

A janela de queima, o período mais propício para realizar as ações de prevenção, costuma ser diferente em Roraima em relação ao resto do país, já que este é um dos estados situados no Hemisfério Norte.

De acordo com o responsável pela gestão do fogo do NGI Roraima, Bruno Campos, as atividades ajudam a implementar a estratégia de Manejo Integrado do Fogo em Roraima.

Além de executar as queimas, o Ibama e o ICMBio realizam um trabalho de sensibilização e conscientização junto à comunidade local, alertando sobre o uso do fogo de maneira responsável. Outra estratégia está relacionada à pesquisa, em parceria com a Universidade Federal de Roraima, que visa diagnosticar as áreas degradadas e compreender as melhores formas de regeneração.

A operação reúne especialistas em fogo e brigadistas do Instituto Chico Mendes de unidades de conservação no Mato Grosso, Brasília e Rondônia, além de especialistas em fogo e brigadistas do Prevfogo/RR, com apoio do Prevfogo/Sede.

*Com informações do ICMBio

Imagem de microalga encontrada no Pará vence prêmio nacional de ilustração científica

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Foto: Reprodução/Acervo MPEG

Uma fotografia da diatomácea Polymyxus coronalis foi a vencedora na categoria de microscopia eletrônica do Prêmio Hermes Moreira Filho de Ilustração Científica no I Encontro Brasileiro de Diatomologia, realizado entre os dias 2 e 6 de dezembro. A imagem foi produzida pelo biólogo Leonardo Rocha no Laboratório de Microscopia Eletrônica de Varredura do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).

Leonardo Rocha produziu a imagem como parte de sua pesquisa de mestrado, em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Oceanografia da Universidade Federal do Pará, sob a orientação da paleontóloga Ana Paula Linhares (Museu Goeldi) e co-orientação da botânica Pryscylla Denise (Universidade Federal do Maranhão). O estudo de Rocha é o primeiro levantamento realizado por meio de biomonitoramento de comunidades de diatomáceas na Ilha de Cotijuba, parte da Região Metropolitana de Belém – Pará, que inclui 42 ilhas.

As diatomáceas são algas microscópicas unicelulares também denominadas de algas douradas e que pertencem à classe das Bacillariophytas. Elas possuem tamanhos que variam entre 5 μm–0,5 mm. São microrganismos adaptáveis, resistentes e sensíveis a variações ambientais, como mudanças de temperatura, pH, nutrientes, luminosidade, entre outras. As diferentes espécies de diatomáceas estão amplamente distribuídas ao redor do mundo e são as principais microalgas presentes nos estuários amazônicos.

A Polymyxus coronalis é uma das microalgas estudadas atualmente por Leonardo em seu mestrado. Com aparência semelhante a uma coroa, os pesquisadores descrevem a Polymyxus coronalis como “a reinante da Baía do Guajará” ou “a rainha das águas amazônicas”.

Essa diatomácea está presente em todo o Estuário Guajarino, que abarca a Ilha de Cotijuba e a cidade de Belém. Pryscilla Denise, especialista em diatomáceas, destaca dois fatos que tornam a Polymyxus coronalis muito interessante para a ciência: a espécie é capaz de indicar a água salobra da Amazônia e não há registros da Polymyxus coronalis fora da região amazônica.

Por sua vez, Ana Paula Linhares destaca a relevância científica deste biomonitoramento. “Cotijuba faz parte da porção insular do município de Belém e tem enfrentado um acelerado processo de urbanização nas últimas décadas. Dessa forma, este estudo pioneiro não apenas contribuirá com dados inéditos sobre a biodiversidade local, mas também fornecerá uma visão abrangente da qualidade dos ecossistemas aquáticos amazônicos”.

O biomonitoramento é uma técnica que avalia a qualidade ambiental de um local por meio da análise das respostas de organismos vivos. Essa técnica é utilizada para monitorar a qualidade da água, do ar, de áreas contaminadas, e para avaliar impactos ambientais. O biomonitoramento é uma ferramenta importante para a conservação da biodiversidade e proteção dos ecossistemas.

Além de contribuir para o entendimento da biodiversidade local, o registro da Polymyxus coronalis por meio de Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) feita por Leonardo Rocha é inédito. Descrita no século XIX por naturalistas para o Rio Pará, é a primeira vez que se faz uma microscopia eletrônica desse material. Pryscilla Denise assinala: Na época [da sua descoberta e descrição científica] só era desenho. A fotografia é muito importante porque consegue caracterizar e avançar no conhecimento da Polymyxus coronalis”.

Leonardo Rocha explica que o uso do Microscópio Eletrônico de Varredura é possível ter uma imagem de alta resolução da microalga. “Diferente do microscópio de luz, o MEV dá uma resolução e ampliação da amostra muito maior e melhor [até 50 mil vezes mais], e a gente consegue ver vários detalhes. Ele utiliza feixe de elétrons que são lançados na mostra gerando uma imagem no monitor do aparelho”.

A fotografia produzida por Leonardo Rocha teve o apoio do pesquisador Hilton Tulio Costi, coordenador do Laboratório de Microscopia Eletrônica de Varredura do MPEG. Essa premiação coloca mais uma vez em evidência a importância dos laboratórios multiusuários do Museu Goeldi.

Laboratório de Microscopia Eletrônica de Varredura – O LME é parte do conjunto de laboratórios institucionais do Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG instalado na Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia (COCTE), no Campus de Pesquisa da instituição. Criado no ano de 2000, com recursos dos fundos setoriais (CT-PETRO/MPEG), este laboratório tem como principal objetivo apoiar projetos de pesquisa do MPEG, mas também atende usuários de instituições que atuam em parceria com o MPEG, da comunidade científica nacional e como prestador de serviços a empresas públicas e privadas. Seu trabalho beneficia os programas de cursos de pós-graduação no Museu Goeldi, de instituições do Estado do Pará e de outros estados brasileiros.

Atualmente o LME do MPEG é apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.

I Encontro Brasileiro de Diatomologia

O objetivo do primeiro encontro, evento virtual que ocorreu entre os dias 2 e 6 de dezembro, foi reunir pesquisadores de todo o Brasil para fortalecer a comunidade científica que estuda as diatomáceas, a partir do compartilhamento de conhecimentos. A proposta visa estimular o desenvolvimento acadêmico e científico entre pesquisadores de diferentes níveis de experiência, além de promover discussões sobre metodologias avançadas e técnicas analíticas.

*Com informações do Museu Goeldi

Segurança ao homem do campo: proteção policial em comunidade rural de Xapuri, no Acre

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Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

No Acre, a comunidade rural de Xapuri tem vivido dias de tranquilidade com reforço da segurança há cerca de dois anos com a Patrulha Rural Comunitária, que tem realizado um “trabalho de excelência” segundo comunitários. O serviço conta com a participação da população e do Sindicato dos Produtores Rurais.

Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

A patrulha acontece por meio de uma parceria entre o Sistema FAEAC, SENAR e sindicatos, que desempenham ações de assistência técnica e gerencial, formação profissional e promoção social, promovendo a capacitação e a melhoria da qualidade de vida do homem e da mulher do campo.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC), Assuero Veronez, relata que, para que o homem do campo viva de forma segura em suas propriedades, é preciso que haja um olhar diferenciado do poder público.

Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

O 1° Tenente e comandante da 2ª Companhia de Xapuri, Marcus Roberto, contou que apresentou à Federação da Agricultura os trabalhos realizados a frente do projeto da Patrulha Comunitária Rural. Foram apresentados, também, projetos sociais como o do ‘Guardiões da Paz’, além da entrega de algumas solicitações, como a capacitação para a equipe e doações.

O comandante contou ainda que a Patrulha Comunitária Rural do município de Xapuri é uma equipe que está trabalhando a cerca de 12 meses de forma efetiva. Inicialmente era formada por quatro policiais e, em dezembro 2024, houve o lançamento da segunda turma. 

Estrutura da Patrulha Comunitária Rural 

Foto: Marcus Roberto/Arquivo pessoal

As equipes possuem uma viatura equipada com comunicação via satélite, para possibilitar consultas na área da floresta, uma parceria do sindicato dos trabalhadores dos produtores rurais e da cooperativa. O trabalho é realizado em regime de escala de 12 horas, atendendo 17 comunidades no patrulhamento, feito em ramais, com abordagens e visitas às comunidades e propriedades rurais para ouvir os produtores.

O patrulhamento que hoje atende cinco escolas, com 150 crianças, e a previsão é que deve aumentar para dez escolas, segundo o Comandante.

Projeto de lei que torna cerimônia do Kuarup manifestação da cultura nacional vai à sanção presidencial

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Foto: Mário Vilela/Funai

A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal aprovou no dia 17 de dezembro o Projeto de Lei (PL 6.177/2019) que torna a cerimônia do Kuarup, ritual indígena do Xingu, em Mato Grosso, manifestação da cultura nacional. Apresentado em 2019 pela deputada Professora Rosa Neide (MT), o projeto segue para sanção presidencial.

O Kuarup reúne diversas etnias do Alto Xingu e é realizado entre os meses de agosto e setembro no Parque Nacional do Xingu, no norte de Mato Grosso. No ritual, são abordados temas profundos e universais, como a morte e o luto, ao mesmo tempo em que se homenageia a memória de entes queridos.

Essa alternância entre momentos de luto e celebração da vida reflete a filosofia indígena de que a continuidade da existência e a convivência harmoniosa em comunidade são essenciais após a perda de entes queridos. O auge da cerimônia acontece quando troncos de árvore são lançados simbolicamente na água, representando a despedida, a transformação e a transcendência.

Prática religiosa

A celebração representa uma prática religiosa que destaca a figura de Mavutsinim, a divindade criadora, que, segundo a tradição, moldou o mundo e os primeiros homens a partir dos troncos da árvore Kuarup.

A narrativa, que foi documentada pelo indigenista Orlando Villas Bôas, revelou a tentativa de Mavutsinim de ressuscitar os mortos, transformando troncos de madeira em seres humanos por meio de um ritual complexo, que inclui cânticos, danças e celebrações comunitárias.

Elementos simbólicos, como os troncos ornamentados e a interação com a natureza ao redor, desempenham papel essencial nesse rito, que busca honrar os ancestrais e fortalecer os laços e a coesão social da comunidade.

Foto: Mário Vilela/Funai

*Com informações da Agência Senado

Chuvas no Acre: monitoramento dos rios inicia com o objetivo de prever inundações

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Foto: Dhárcules Pinheiro/Sejusp AC

Devido ao período chuvoso no Acre, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) iniciou a operação do Sistema de Alerta da Bacia do Rio Acre (SAH Acre). O objetivo é intensificar o monitoramento dos rios para informar sobre os níveis e alertar para possíveis inundações nos pontos monitorados, nos municípios de  Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Rio Branco. Desse modo, o SGB apoia as ações para prevenir desastres ou reduzir os impactos das cheias. 

As informações serão disponibilizadas em boletins divulgados semanalmente, com resumos sobre os níveis dos rios e acumulados de chuva. O primeiro já está disponível aqui. Além disso, é possível acompanhar os dados em tempo real, por meio da plataforma SACE. A operação segue até abril.

Segundo o pesquisador, uma das características do Rio Acre é o aumento expressivo nas vazões diárias ao longo do ano. “Esse comportamento impactou diversas vezes a população que vive nas margens, chegando a ter o risco de cheia dentro do período de dezembro a abril. Por isso, a operação do Sistema de Alerta Hidrológico do Acre é realizada nessa janela, para que estejamos preparados para as situações extremas que possam ocorrer”.

A Bacia Hidrográfica do Rio Acre, na porção Sul da Amazônia Ocidental, é uma sub-bacia do Rio Amazonas. Além de fazer fronteira com o Peru e a Bolívia (transfronteiriça), também está ao lado dos estados do Amazonas e de Rondônia. 

As previsões climatológicas indicam chuvas abaixo da média na região para os próximos meses. Apesar disso, Jordão explica que é preciso ter atenção durante esse período: “O Rio Acre, quando enche, tem a velocidade de escoamento mais lenta, criando uma cheia prolongada. Por isso, é possível que um evento concentrado, a depender de onde ocorra, possa ocasionar uma enchente”.

Cheias no Rio Acre

Em março de 2024, o Acre enfrentou uma cheia de grandes proporções após fortes chuvas concentradas em um curto período. Na capital do estado, Rio Branco, o rio chegou à cota de 17,89 m – a segunda maior, atrás do recorde de 18,53 m, registrado em 2015. No município de Brasiléia (AC), foi registrada a máxima histórica de 15,58 m. Em Xapuri (AC), foi registrado o pico de 17,08 m – segunda máxima histórica, atrás do recorde de 18,24 m, em 2015.

Parceria 

O monitoramento dos rios é feito a partir de estações telemétricas e convencionais, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações, gerando informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações estão disponíveis na plataforma SACE.

*Com informações do SGB

Cumaru: a nova economia da biodiversidade dos Zo’é, no Pará

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Foto: Hugo Prudente/Acervo Iepé

Em novembro os Zo’é realizaram a primeira venda de cumaru da sua história: 188 quilos e meio da semente seca do cumaru embarcaram da Terra Indígena Zo’é em direção a Santarém (PA). Chegando na cidade paraense, a carga foi entregue à Coopaflora, que pagou cerca de R$15 mil à Tekohara, organização representativa do povo Zo’é. O valor obtido com a venda da carga será revertido na compra de insumos básicos que serão distribuídos igualmente entre as famílias Zo’é.

Os Zo’é vivem no norte do Pará, entre os Rios Erepecuru e Cuminapanema. Atualmente são cerca de 330 pessoas, organizadas em 19 grupos. Eles são considerados um povo indígena de “recente contato” pelo Estado brasileiro. E fundaram sua associação há dois anos, através da qual vendem seu artesanato. Agora os Zo’é estão muito animados com esta primeira experiência com o cumaru, que veio para fortalecer sua capacidade de produção e gestão de economias da sociobiodiversidade, alcançando mais autonomia na aquisição de itens de primeira necessidade que utilizam em seu dia a dia.

Cumaru: a baunilha da Amazônia

Apelidado de “baunilha brasileira”, o cumaru é a semente do cumaruzeiro, planta nativa da Amazônia que pode chegar a até 30 metros de altura na fase adulta. Cada fruto possui uma semente – para extraí-la é preciso que a casca lenhosa do fruto seja rompida. O cumaru é muito utilizado para culinária, além de perfumes e sabonetes.

Leia também: Saiba para quê serve e quais os benefícios do cumaru, a baunilha da Amazônia

Foto: Kamikia Kisedje/Nia Tero

Treinamento para o trabalho com o cumaru

Como parte do lançamento dessa nova economia da sociobiodiversidade dentro da Terra Indígena Zo’é, em setembro os indígenas haviam participado de um treinamento voltado às boas práticas sustentáveis da cadeia do cumaru. Realizado pelo Instituto Iepé, em parceria com Coopaflora e FPE-CPM/Funai (Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema), a atividade formativa contou com o envolvimento ativo da Tekohara Organização Zo’é. Criada em 2022, a Tekohara é uma associação fundada e gerida pelos próprios zo’é.

Parceira tanto do treinamento como da comercialização das sementes, a Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte (Coopaflora) tem como objetivo fortalecer o extrativismo sustentável na região.

A formação aconteceu durante sete dias e envolveu diferentes aspectos das boas práticas na coleta de sementes de cumaru: reconhecimento das árvores, quebra adequada dos frutos, construção e uso do secador, pesagem das sementes, registro e rastreabilidade, além do armazenamento adequado das sementes.

Toda a produção de cumaru será creditada por família, nos moldes já acordados com os Zo’é na experiência bem sucedida do FAZ, o Fundo de Artesanato Zo’é. O registro dos valores foi feito pela diretoria da Tekohara com o apoio do Programa Zo’é do Instituto Iepé e da Frente de Proteção Cuminapanema, responsável pela gestão da conta bancária da organização.

Das 31 famílias extensas em que se dividem os Zo’é, apenas sete não se envolveram no processo de coleta, mas já afirmaram que pretendem participar da próxima leva. A Coopaflora já sinalizou interesse em adquirir um novo volume em janeiro de 2025 e os Zo’é se encontram mobilizados para isso.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Iepé

Cartilha une Lenda da Boiuna e a Educação Intergeracional na Amazônia

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Foto: Reprodução

A lenda da Boiuna, que representa uma cobra guardiã dos rios e da floresta na Amazônia, ganha vida de uma forma educativa em Palmas (TO), com o projeto intergeracional realizado no Centro Municipal de Educação Infantil João e Maria. Essa iniciativa, que reúne crianças da educação infantil e idosos da Universidade da Maturidade (UMA), utiliza histórias e brincadeiras para promover o fortalecimento de laços entre as gerações e o resgate de tradições culturais essenciais.

A mitologia da Boiuna é como uma metáfora para o cuidado com o meio ambiente e a proteção das riquezas naturais, ponto de encontro entre a sabedoria dos mais velhos e a criatividade dos mais novos. Por meio de atividades lúdicas como a contação de histórias, a construção de brinquedos com materiais reciclados e danças em grupo, o projeto preserva a tradição cultural local e promove uma conscientização ambiental de forma prática e acessível.

Esse tipo de ação é um exemplo de como lendas e mitos podem ser aproveitados como ferramentas pedagógicas para tratar de questões ambientais e sociais, ao mesmo tempo em que fortalece valores como união, respeito e cuidado. A Boiuna, como símbolo de proteção da natureza, inspira crianças e adultos a se conectarem de forma mais profunda com o meio ambiente, promovendo uma convivência mais harmoniosa entre diferentes gerações.

O impacto  vai além do aprendizado sobre a biodiversidade amazônica, pois oferece aos idosos um papel ativo e significativo na educação, enquanto as crianças têm a oportunidade de aprender de maneira mais interativa e afetiva. Este tipo de projeto pode facilmente ser replicado em outros contextos, criando espaços de aprendizado e troca que valorizam tanto as tradições culturais quanto a construção de um futuro mais sustentável.

A iniciativa, que pode ser replicada em outros contextos, demonstra como lendas podem ser usadas como ferramentas pedagógicas para abordar questões ambientais e promover valores como união e cuidado mútuo. Além disso, reforça o papel da educação lúdica na formação integral das crianças, enquanto oferece aos idosos um espaço de contribuição ativa e significativa.

Acesse o livro AQUI.

*Com informações da Universidade Federal do Tocantins

Pesquisa realizada em Mato Grosso diminui tempo de eliminação de poluentes na água

Foto: kalhh/Pixabay

Em 2024, a Comissão do Plano de Logística Sustentável (PLS) premiou durante o IV Seminário de Sustentabilidade na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) teses e dissertações através da Competição 3MT® Teses e Dissertações UFMT – Versão Temas ODS 2024. Os trabalhos receberam o reconhecimento dos estudos que estão em desenvolvimento em diferentes áreas. Este ano o evento abordou experiências voltadas para a construção de soluções sustentáveis para as cidades.

Douglas Lisboa Ramalho, do Programa de Pós-Graduação em Química, com a pesquisa ‘Avaliação neurotoxicológica do Paraquat e seus produtos de degradação em Drosophila melanogaster‘ ficou em terceiro lugar na competição.

Foto: Willian Gomes/UFMT

A inovação está justamente na ferramenta utilizada para a mineração para a eliminação dos resíduos. “Então, utilizando um modelo animal que é o Drosophus melanogaster, que é um tipo de mosca, conhecido como mosca das frutas, esses animais tem uma, a gente fala, uma ortologia genética, ou seja, uma semelhança genética dos seres humanos. Essa semelhança faz esses animais muito especiais para os nossos tipos de pesquisa, porque a gente procura, primeiramente, olhar o efeito tóxico dos produtos”, pontua Douglas Lisboa Ramalho.

Ele agradeceu pela oportunidade e explicou que o projeto foi baseado em procurar entender como o agronegócio tem impactos sobre a saúde pública.

“Existe uma linha muito tênue entre esses dois, entre a economia, no caso a parte lucrativa, e a saúde pública. Então, existem vários projetos hoje na literatura que estão descritos que os resíduos gerados pelos agronegócios vêm atrapalhando ou proporcionando doenças crônicas, doenças em seres humanos, devido à contaminação crônica das águas residuais. A problemática do trabalho está em que o tratamento de água potável hoje nos territórios na América não é o suficiente para eliminar esses resíduos”, relata o pesquisador.

*Com informações da UFMT

Startup amazonense desenvolve técnica para ampliar produção de mudas de bananas

Foto: Simone da Silva/Acervo pessoal

No Amazonas, a Startup Biofábrica Ananas, apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolveu mudas de bananas micropropagadas, que são plantas clonadas em laboratório, usando a técnica de cultura de tecidos vegetais. O método permite a reprodução em larga escala, a partir de partes da planta-mãe, e assegura mudas com alta qualidade genética e fitossanitária, eliminando a variabilidade genética que ocorre em métodos tradicionais de propagação.

O projeto coordenado pela doutora em Biotecnologia Vegetal, Simone da Silva, é amparado pelo Programa Inova Amazônia Módulo Tração, Edital Nº 001/2023, uma parceria entre a Fapeam e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A iniciativa trabalha com variedades de espécies desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental, entre as quais Pacovan, BRS Conquista, Maçã, BRS Princesa e Terra-Anã, além de matrizes selecionadas por produtores locais.

Simone destaca que a pesquisa foi motivada pela necessidade de oferecer mudas de alta qualidade para o setor produtivo do Amazonas, que enfrenta desafios como a perda frequente de matrizes devido aos longos períodos de seca e outras adversidades climáticas. “Essa situação força os produtores a adquirir mudas de biofábricas localizadas no Sudeste e Nordeste, o que aumenta os custos e o tempo de reposição”, explicou.

Com a aplicação da técnica de cultura de tecidos vegetais, o projeto fornece mudas selecionadas, geneticamente padronizadas e adaptadas às condições locais. Além de solucionar gargalos como a presença de pragas, doenças e a falta de padronização, essa abordagem promove maior controle fitossanitário.

Segundo a coordenadora, para os produtores rurais, os impactos incluem o acesso facilitado a mudas de alta qualidade, o que contribui para o aumento da produtividade das lavouras, a estabilidade na geração de renda familiar e a garantia de colheitas regulares. Além disso, essa iniciativa potencializa a competitividade dos produtos locais em mercados internos e externos, que demandam padrões rigorosos de qualidade e consistência.

A Biofábrica Ananas, responsável pelo projeto, possui o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para produção de mudas micropropagadas, o que facilita a expansão da cadeia produtiva local e contribui para a bioeconomia da região. Além disso, a técnica de cultura de tecidos vegetais pode ser expandida para outras culturas, fortalecendo a fruticultura e promovendo práticas sustentáveis no estado.

Resultados

Os principais resultados incluem:

  • otimização de protocolos para a micropropagação de variedades comerciais;
  • produção inicial de 30.000 mudas em laboratório, com meta de alcançar 300.000 mudas até 2027;
  • melhor acesso dos produtores a mudas padronizadas e de alta qualidade, adaptadas às condições locais;
  • desenvolvimento de uma infraestrutura local que reduz custos;
  • e, ainda, melhoramento da logística de distribuição no estado do Amazonas.

Apoio

Para Simone, o apoio da Fapeam foi essencial para viabilizar o projeto, especialmente, por meio do financiamento proporcionado pelo Programa Inova Amazônia. O fomento permitiu o desenvolvimento de protocolos inovadores para a produção de mudas de banana micropropagadas, apoiando a criação de uma infraestrutura local que atende às necessidades do setor produtivo no Amazonas.

“O investimento da Fapeam contribuiu diretamente para posicionar o estado na vanguarda da bioeconomia, ao impulsionar a aplicação de tecnologias modernas, como a cultura de tecidos vegetais”, acrescentou.

*Com informações da Fapeam