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O risco da autocorrupção

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Os pais não sabiam explicar de onde surgiu a ideia de Olavo. Lá pelos 5 ou 6 anos de idade, ele começou a dizer que queria ser padre. Com 7 ou 8 anos, nos almoços de domingo, abençoava toda a família. Todos riam, mas não entendiam bem. A família não era católica e nem os convidados, na sua maioria. De onde Olavo havia tirado estas ideias?

Na adolescência, Olavo ganhou um apelido. Era o profeta. Aquele que sempre tinha um bom conselho para os amigos. Parecia o mais maduro da turma e tinha um interesse genuíno em ajudar os colegas. Na escola, conseguiu desviar alguns do uso de drogas, fazendo uma verdadeira catequese quando descobria que alguém estava querendo experimentar ou tinha experimentado entorpecentes. Contava histórias, supostamente reais, de pessoas que caíram na desgraça, por irem por este caminho. Não se sabe como, na época, Olavo tinha acesso a estes casos. Não havia internet e nem tantas informações disponíveis. Com as meninas, Olavo era gentil e até romântico. Fazia poesias e música, quando se apaixonava.

Adulto, Olavo não se tornou padre, mas criou uma igreja. Era chamado de Mestre. O que mais surpreendeu era que Olavo costumava estudar religiões orientais, especialmente o budismo e o xintoísmo, além de adotar práticas místicas de diversos tipos. A igreja criada por Olavo, no entanto, era genuinamente ocidental e, pode-se dizer, no estilo mais ortodoxo e radical. Contra as expectativas do que seria um bom marketing, em uma sociedade mais contemporânea, a igreja de Olavo, de estilo mais antigo, começou a atrair adeptos aos poucos, por um boca-a-boca, entre os que se sentiam acolhidos. Olavo não parecia preocupado com quantidade. Seu objetivo era ajudar as pessoas que o procuravam. Ele mesmo levava uma vida simples e voltada para os fiéis.

Em algum momento, porém, algo aconteceu. Olavo e sua equipe de auxiliares mais próximos, todos agora graduados como sacerdotes, desviaram o foco das pessoas para a organização. A pauta agora era o número de seguidores, as doações recebidas e os diversos eventos que precisariam ser organizados, envolvendo grandes operações. Olavo parecia mais vaidoso, tinha poder e o seu padrão de vida elevou-se consideravelmente. Segundo ele, era necessário tornar a igreja grande, a fim de levar a mensagem para todos os quatro cantos do mundo. O empreendimento ia bem, mas o próprio Olavo não estava feliz.

O que aconteceu com Olavo é mais comum do que parece e pode ocorrer com qualquer um de nós. Na origem, somos idealistas e queremos fazer o bem. Quando isto ocorre, nossa alma e nossa mente sentem-se realizadas, pois esta é a missão comum de todos nós. Acredito que seja por isto que nos sentimos tão felizes quando fazemos alguém feliz. Como seres humanos, somos capazes de grandes sacrifícios para cuidar de uma única criança ou de contribuir com causas que beneficiem muita gente. Mas temos dentro de nós a dualidade. Mais uma vez me vem à mente as forças Yang e Yin. Elas se complementam, se juntam e produzem movimentos, em parte, contrários.

Somos vulneráveis pelo poder, pela vaidade e pelo dinheiro, para citar apenas alguns. É fácil os fins se confundirem com os meios e, se não estivermos atentos, seremos vítimas do pior tipo de corrupção: a autocorrupção. Se pensarmos bem, todas as corrupções começam por aí.

O autoconhecimento, as reflexões contínuas e o criar uma segunda pessoa, que nos observe e nos critique, podem ser bons antídotos para nos manter vigilantes e atuantes na construção da felicidade, para os outros e para nós mesmos.

Todos corremos algum risco de autocorrupção, que é quando nos afastamos de nossa essência. Talvez ninguém o perceba, nem nós mesmos. Você já pensou o que o colocaria neste tipo de risco? Fica o alerta para o Olavo e para cada um de nós. E fica também a esperança de que sempre haverá tempo para retornarmos ao nosso verdadeiro caminho.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Mapeamento de castanhais no Pará é ampliado por meio de parceria

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Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

Pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) realizaram, durante uma semana entre o fim de janeiro e início de fevereiro, o mapeamento de populações naturais de castanheira (Bertholletia excelsa Bonpl.) no mosaico das unidades de conservação de Carajás, na região Sul do Pará.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Essa atividade marcou a primeira etapa de execução do projeto de pesquisa ‘Estrutura e dinâmica populacional da castanheira no mosaico de unidades de conservação de Carajás’, coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Scoles (Ufopa) e executado em campo pelo engenheiro florestal e doutor em Botânica Marcos Vinicius Batista Soares, bolsista de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa, em parceria com o NGI Carajás do ICMBio e financiamento da Fundação Tecnologia Florestal e Geoprocessamento (Funtec/DF).

“O objetivo principal desta pesquisa é avaliar o estado de conservação das populações de castanheiras no mosaico de áreas protegidas de Carajás, pressionadas há décadas pelo avanço da agropecuária e mineração”, explicou Scoles.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

“Durante esse mapeamento dos castanhais da região da Serra dos Carajás, a equipe de pesquisa contou com a inestimável participação do cacique Roiri Xikrin. O principal resultado deste trabalho foi a seleção e delimitação de castanhais com histórico de extrativismo tradicional para elaboração de parcelas de estudo e monitoramento das populações de B. excelsa”, completou o coordenador da pesquisa. Xikrin é uma das lideranças indígenas responsável pela coordenação das coletas na região do Carajás.

Ricardo Scoles (Ufopa) e cacique Roiri Xikrin, parceiro do mapeamento. Janeiro de 2025. Foto: Acervo do projeto

O projeto pretende ampliar o conhecimento sobre a região das áreas protegidas de Carajás, visando à melhor gestão do território; para isso, objetiva estudar a estrutura e dinâmica populacional da castanheira-do-brasil ou castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa Bonpl.) em três unidades de conservação do Mosaico de Áreas Protegidas de Carajás (MAPC), Floresta Nacional de Carajás (Flonaca), Floresta Nacional de Tapirapé-Aquiri (Flonata) e Reserva Biológica de Tapirapé (Rebiota).

“Para uma melhor compreensão da dinâmica populacional de uma espécie arbórea de longa vida como a castanheira, é relevante desenvolver estudos demográficos das populações de castanheira-do-brasil nas suas áreas de ocorrência que garantam uma gestão sustentável mediante um efetivo monitoramento que permita a elaboração de indicadores de manejo e aplicação de modelagem florestal com predições futuras e incertezas associadas. Com isso, pode-se avaliar as tendências demográficas das suas populações ao longo do tempo. Poucas experiências de monitoramento das populações de castanheira a médio ou longo prazo há na Amazônia, a exceção da região de Trombetas”, alertou Scoles, que desde o ano 2021 vem chamando a atenção para essa situação.

Para os pesquisadores, a principal ameaça ambiental dentro do território do mosaico é a mineração, que extrai, de forma intensiva, ferro e outros minerais (cobre, manganês, ouro e níquel) na Flonaca e na Flonata, principalmente. Já no entorno das UCs do Mosaico de Carajás, destaca-se a pressão das atividades agropecuárias e garimpeiras, além do desmatamento.

O pesquisador esclarece ainda que os castanhais ocupavam extensas áreas por toda a região de Carajás e Marabá (Polígonos dos Castanhais), até a chegada da frente agropecuária e mineral. Atualmente, as populações de castanheiras do Sudeste paraense concentram-se principalmente no mosaico de áreas protegidas. Os principais coletores de castanhas nessas áreas são os indígenas Xikrin (principalmente na Flonaca e Flonata) e os agroextrativistas que residem nos projetos de assentamento e na vila Lindoeste, em São Felix do Xingu (PA), no entorno da Flonata. Contudo, o estudo e o monitoramento da dinâmica das populações naturais de B. excelsa na região de Carajás são muito relevantes em termos técnico-científicos para a consolidação do programa de conservação dos castanhais em Carajás. “Ainda que a espécie esteja protegida pela lei do corte, é classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), e sua situação na região do Sudeste do Pará é altamente preocupante devido ao desmatamento acumulado”, destaca Scoles.

Expedições

Serão realizadas quatro expedições de campo com uma duração entre duas e três semanas cada uma. Para a Flonaca, estão previstas duas expedições no primeiro semestre de 2025: a primeira missão está prevista para ocorrer durante o período da safra (entre janeiro e março) para mapear os castanhais coletados em parceria e consentimento com os indígenas Xikrin; já a segunda missão está prevista para ocorrer após a finalização da safra, no mês de maio, e objetivará inventariar populações de castanheiras previamente selecionadas em parcelas.

As outras duas expedições seguirão cronograma definido e devem ocorrer até o mês de setembro de 2025. A finalidade é sempre medir e remedir as castanheiras monitoradas cinco anos atrás para cada uma das duas unidades de conservação e instalar parcelas permanentes para estudo e monitoramento dos castanhais do mosaico nos próximos anos.

Confira mais informações sobre a parceria da Ufopa com o ICMbio:

Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

*Com informações da Ufopa

Dados de desmatamento e focos de calor na BR-319 mostram cenário complexo, aponta estudo

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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

A Amazônia, região estratégica para bem-estar das atuais e futuras gerações, apresenta um cenário de contrastes na área de influência da rodovia BR-319. A ‘Retrospectiva 2024: Desmatamento e focos de calor na área de influência da rodovia BR-319‘, publicação anual do Observatório BR-319, que chega a sua quarta edição em 2025, traz um panorama do cenário de 2010 a 2024, que mostra avanços recentes na redução do desmatamento, mas evidencia o agravamento dos focos de calor, alertando para os riscos que se impõem à floresta e às populações locais.

“A escolha desse período visa evidenciar, com mais clareza e profundidade, as oscilações significativas do cenário na Amazônia Legal – especialmente na região do Interflúvio Madeira-Purus –, marcada por momentos de redução e aumento, refletindo as dinâmicas de pressão ambiental na região. Nesse contexto, a área foi monitorada de forma contínua, revelando importantes tendências e desafios para a conservação da floresta nessa região”, diz trecho da publicação.

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Heitor Paulo Pinheiro, especialista em geoprocessamento e analista do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), responsável pelos dados da publicação, avalia que essa retrospectiva é “um marco para as análises, e uma base para entender melhor as dinâmicas do Interflúvio Madeira-Purus, pois traz dados importantes para subsidiar políticas públicas eficazes na região. Assim, com tudo que foi apresentado na retrospectiva, podemos afirmar que, melhorar a fiscalização é fundamental para se poder pensar novamente em pavimentação”.

“Os dados apresentados demonstram uma trajetória complexa do desmatamento e dos focos de calor na Amazônia Legal, especialmente na área de influência da BR-319. Há um padrão de crescimento do desmatamento até 2022, seguido por uma redução significativa em 2023 e 2024. No entanto, os focos de calor apresentam variações mais instáveis, com aumento em algumas áreas e redução em outras”, acrescenta Heitor. “Isso indica que, embora o desmatamento esteja sendo contido em algumas regiões, ainda há desafios na contenção de incêndios florestais. Além disso, o aumento de desmatamento em Unidades de Conservação federais, como a Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro em Rondônia e o Parque Nacional (Parna) Mapinguari entre Amazonas e Rondônia, preocupa, pois indica pressão crescente sobre Áreas Protegidas, que como o próprio nome indica, deveriam estar resguardadas dessas situações”, explica.

Leia também: BR-319: A história e a realidade da rodovia que liga o Amazonas ao Brasil

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

O ano de 2024, o mais quente da história, trouxe contrastes importantes. De um lado, os dados de desmatamento indicaram uma queda significativa em relação aos anos anteriores. O desmatamento total na Amazônia Legal foi de 358.503 ha, uma redução de 11,08% em relação a 2023. No Amazonas, o desmatamento caiu para 72.876 ha, enquanto Rondônia registrou 20.976 ha, marcando uma redução de 34,5% em relação ao ano anterior.

Entretanto, nem tudo são boas notícias. Em setembro de 2024, foram registrados 41.463 focos na Amazônia Legal – um aumento de 24,7% em relação a 2023. Municípios como Porto Velho, em Rondônia, foram os mais impactados, enquanto Áreas Protegidas, como a Flona do Bom Futuro apresentou um crescimento alarmante de 81,3% nos focos de calor em 2024, totalizando 87 focos em relação aos 48 de 2023, e o Parna dos Campos Amazônicos teve um aumento expressivo de 157% no mesmo período, saindo de 91 em 2023 para 234 em 2024.

A intensificação dos focos de calor está diretamente relacionada à seca extrema que acomete a região desde 2023, agravando queimadas que comprometem recursos hídricos e elevam os riscos de doenças respiratórias em cidades como Manaus e Porto Velho. Municípios como Manicoré e Humaitá continuam a enfrentar a dura realidade de um ambiente cada vez mais suscetível às mudanças climáticas.

Leia também: Seis municípios acumulam 94% do desmatamento na BR-319 em 2022

Governança e respeito aos direitos constitucionais

A Retrospectiva 2024: Desmatamento e focos de calor na área de influência da rodovia BR-319 não é apenas um levantamento estatístico – é um alerta para a sociedade e para os gestores públicos. “Apesar dos avanços no controle do desmatamento, o aumento dos focos de calor ressalta a urgência de políticas públicas integradas e de um monitoramento ambiental rigoroso. A conservação da Amazônia depende do fortalecimento dos órgãos ambientais, da conscientização das comunidades locais e da implementação de medidas que garantam a sustentabilidade para as atuais e futuras gerações”, avalia o secretário executivo do Observatório BR-319, Marcelo da Silveira Rodrigues.

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Para Marcelo, a publicação mostra dados preocupantes. “Eles são um alerta de que o processo da BR-319 está acontecendo e, com isso, consequências deletérias para as quais precisamos exigir a mitigação de impactos, como o cumprimento de medidas previstas em leis, recomendações do Ministério Público Federal e organizações da sociedade civil, que reiteradas vezes nos últimos 15 anos, indicam a necessidade de reforço de profissionais para órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), para as secretarias de meio ambiente estaduais e para o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), através de concursos públicos específicos para a região”, destaca Marcelo.

Leia também: Desmatamento e focos de calor apresentam queda em 2023 na área de influência da BR-319

Ele também defende que os dados indicam, entre outras coisas, que o poder público “precisa tomar as rédeas do processo de licenciamento e outras obras em andamento da rodovia: qualificando, sobretudo, a governança local, dando condições para que o Estado esteja presente, tanto com órgãos de comando e controle, quanto com assistência social, em saúde, em educação e no acesso a direitos em geral que garantam condições de cidadania para a população local e, portanto, também condições de respeito ao meio ambiente, que é um direito difuso de todos cidadãos”.

A importância do Interflúvio Madeira-Purus para o clima e o bem-estar local e global também é outro ponto que o secretário executivo do Observatório BR-319 destaca.

“A ascensão dos focos de calor na Amazônia Legal, especialmente na área de influência da BR-319, tem causas antrópicas, como invasões de terras para atividades ilegais de desmatamento, grilagem, abertura de pastos e ramais, que é intensificada pela ausência do Estado e agravada pela crise climática. Isso se converte em grandes secas no Amazonas e em Rondônia, além de cheias no Acre, pois não podemos mais analisar os impactos apenas de maneira local. E também destroem o potencial de desenvolvimento de uma matriz econômica sustentável de baixo carbono e baseada na bioeconomia, que acaba afetando o bem-estar de populações indígenas, ribeirinhas, extrativistas e tradicionais em geral, assim como nas sedes dos municípios”, avalia.

Marcelo também chama a atenção para o respeito à autodeterminação das populações indígenas e tradicionais. “Já temos 15 protocolos de consulta de territórios da área de influência da BR-319, onde essas populações mostram como querem dialogar sobre toda e qualquer medida que reverbere em impactos nas suas comunidades e modos de vida. O poder público precisa criar espaços para que esses diálogos sejam construídos e essas pessoas ouvidas, pois elas também serão afetadas por obras como a BR-319 e são sujeitos de direitos previstos na Constituição e precisam ser respeitadas”, conclui.

*Conteúdo publicado originalmente pelo Observatório BR-319

Senar oferta curso visando a valorização da agricultura familiar indígena em Roraima

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A Comunidade Indígena do Jabuti, no município de Bonfim, em Roraima, tem ganhado notoriedade pela valorização da agricultura familiar indígena. Um dos grandes incentivadores da causa é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que proporciona mudança de atitude do produtor e do trabalhador rural.

O principal objetivo é ampliar a capacidade produtiva das famílias indígenas para aumentar a produção de alimentos e geração de renda, através do treinamento de formação profissional Rural da Comunidade Indígena do Jabuti. A comunidade aprendeu a aproveitar o que mais tem facilidade em produzir: a pimenta. 

Angélica Souza foi uma das alunas que aprenderam, durante o curso, a produzir molhos, compotas e geleias de pimentas que são cultivadas na comunidade.

“Sobre o curso de beneficiamento da pimenta aprendi a fazer várias receitas. A gente planta o pé de pimenta, colhe a frutinha dela e, aqui com o Senar, aprendemos a aproveitar os frutos”, disse a indígena.    

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar, com esses cursos a comunidade aprende a agregar valor aos produtos locais, implementam uma visão empreendedora para vender além da matéria-prima, agregando conhecimentos técnicos de boas práticas de manipulação de alimentos. 

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Ao todo, foram ensinadas nove receitas com pimentas que já eram plantadas na comunidade. As pimentas mais cultivadas na localidade são malagueta, dedo de moça e olho de peixe.

Confira:

Manaus é candidata ao título de Cidades Criativas da UNESCO

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Foto: Clóvis Miranda/Semcom Manaus

Manaus (AM) pode vir a integrar a seleta Rede de Cidades Criativas da UNESCO, que incentiva a cooperação entre destinos onde a criatividade é ferramenta estratégica de desenvolvimento urbano sustentável. Além da capital amazonense, que concorre na categoria ‘Gastronomia‘, São Paulo (SP) também concorre, mas na categoria ‘Cinema’.

As cidades foram escolhidas no dia 21 de fevereiro pelo Comitê de Seleção do Governo Federal, do qual fazem parte a Comissão Nacional do Brasil para a UNESCO e os ministérios do Turismo e da Cultura. No total, foram analisadas dezenas de candidaturas, das quais 9 obtiveram a classificação mínima.

A decisão considerou vários critérios da UNESCO, como alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, a história e o patrimônio dos municípios; a sinergia junto a outras áreas criativas; a viabilidade financeira; a capacidade do município de contribuir e se engajar na Rede e a adesão de autoridades municipais ao processo.

A disputa também se baseou em quesitos como a qualidade da apresentação das cidades nas línguas inglesa ou francesa e os materiais de divulgação, a exemplo de fotos e websites. Também nortearam o processo de seleção o equilíbrio e potencial regional para atuar em rede, de modo a privilegiar áreas geográficas e especialidades criativas com menor representação internacional na Rede. A partir de agora, São Paulo e Manaus serão submetidas à apreciação da UNESCO.

As duas cidades endossadas pelo governo federal deverão formalizar suas candidaturas na plataforma da entidade até 3 de março, à meia-noite, horário de Paris (20h no horário do Brasil).

Presença brasileira

O Brasil ocupa atualmente uma importante posição na Rede, atrás apenas da China e empatando com a Itália no número de Cidades Criativas. Ao integrarem a Rede, os municípios devem se comprometer a compartilhar boas práticas, firmar parcerias para promover as indústrias da cultura e da criatividade nos planos de expansão urbana e cooperar para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A última seleção realizada pelo Brasil para a participação no processo internacional ocorreu em 2023, quando foram escolhidas Penedo (AL) e Rio de Janeiro (RJ), nas categorias Cinema e Literatura, respectivamente.

Além delas, outras 12 localidades brasileiras compõem o seleto grupo:

  • Belém (PA), Florianópolis (SC), Paraty (RJ) e Belo Horizonte (MG), na categoria Gastronomia;
  • Brasília (DF), Curitiba (PR) e Fortaleza (CE), em Design;
  • Salvador (BA) e Recife (PE), na área de Música;
  • Santos (SP), no Cinema;
  • João Pessoa (PB), na divisão Artes Populares;
  • e Campina Grande (PB), em artes midiáticas.

Fase internacional

Manaus disputou com mais de 20 cidades e agora segue para a fase internacional do processo seletivo para obter o Selo da Gastronomia Criativa.

Para o prefeito David Almeida, a classificação para a fase internacional é motivo de comemoração, uma vez que torna mundialmente conhecida a riqueza culinária de Manaus.

“Todo manauara conhece a riqueza culinária da nossa cidade. Os turistas, quando provam nossas iguarias como o tambaqui, jaraqui, o tucumã, ficam encantados. Esses alimentos estão presentes na nossa cultura e no nosso dia a dia. Com essa candidatura, apresentamos esse tesouro para o mundo. Fico feliz com a conquista nacional e agora vamos atrás desta vitória internacional. Manaus merece esse selo, que será um reconhecimento a todos os envolvidos e, tenho certeza, que nossa cidade entra na rota turística da gastronomia”, afirmou Almeida.

Para divulgar a gastronomia da cidade, a Prefeitura de Manaus lançou o site www.manauscidadecriativa.com.br e o perfil no Instagram @visitamanaus. Lá, os interessados podem ter acesso a matérias produzidas sobre a culinária local, o vídeo de divulgação da candidatura e uma lista de pratos e matérias-primas típicas da cidade.

O resultado final do Selo da Gastronomia Criativa será divulgado em outubro.

*Com informações do Ministério das Relações Exteriores e Prefeitura de Manaus

Cultivo de mandioca fortalece tradições indígenas e sustento na Serra da Moça, em Roraima

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Plantio de mandioca na Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

O plantio de mandioca nas comunidades indígenas é uma prática milenar que vai além do sustento, representando vínculo com o cultivo da terra. Diante da importância cultural e econômica para povos originários, agricultores da Serra da Moça, região do Murupu, seguem com o cultivo do alimento até hoje.

Utilizando técnicas tradicionais passadas de geração em geração, os indígenas plantam a mandioca, promovendo biodiversidade e sustentabilidade. De acordo com o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Guilherme Adjuto, o trabalho técnico também incentiva os produtores a identificarem escassez no mercado.

“Nas comunidades indígenas, a gente fomenta todas as etapas de produção, desde o plantio, fornecimento de insumos e assistência técnica. Nós direcionamos e incentivamos a produzirem aquilo que o mercado está pedindo, respeitando a cultura e suas particularidades”, disse.

Leia também: Mandioca ou macaxeira: pesquisadora paraense explica as diferenças

Saberes culturais

Além disso, o cultivo reforça a identidade cultural e a autonomia dos indígenas, mantendo vivo saberes e fortalecendo a resistência frente aos desafios econômicos e climáticos. Contemplados com o sistema de irrigação por energia solar, os produtores mudaram a realidade, segundo o vice-tuxaua da Serra da Moça, Lailton André.

Plantio de mandioca na Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

“Com a irrigação, as coisas melhoraram muito. Antes, a gente produzia pouco e em pequena quantidade porque dependíamos das chuvas, ou seja, a plantação ocorreria apenas no inverno e no pé da serra. Hoje, a nossa realidade é completamente diferente, pois produzimos o ano todo e em uma área perto de casa”, contou.

Na região, os agricultores indígenas optam pela monocultura. Ao longo dos anos, na comunidade já produziram melancia, macaxeira, abóbora, maxixe, feijão e agora, a mandioca. Trabalhando no campo desde a infância, o produtor Justino Carlos, coleciona mais de 50 anos de experiência com o cultivo da terra.

“Se não fosse o apoio da Prefeitura de Boa Vista, a gente teria pouca coisinha, não tinha como desenvolver, porque não tinha água. Então, a gente agradece que estão sempre ajudando. Recebemos a fotovoltaica e teve uma diferença muito grande para plantar, porque no verão ela é molhada”, contou.

Leia também: Portal Amazônia responde: a mandioca é tóxica?

Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

De crianças a adultos

Todos os moradores das comunidades são envolvidos na produção, crianças, adultos e idosos. Com frequência, entre as atividades pedagógicas das escolas indígenas, os alunos são levados até a lavoura para interagir com os trabalhadores. Com o método, é garantindo a transição de saberes para as gerações mais novas.

Estudante do 4º ensino fundamental, Stven Eler, de 10 anos, foi com a turma da escola para visita a lavoura. “A gente sempre vem até aqui com a professora. É muito divertido porque encontramos as pessoas trabalhando e conseguimos ver tudo o que tem na roça. É bem interessante”, relatou.

Todos os moradores das comunidades são envolvidos na produção, crianças, adultos e idosos. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

Zelador cuida sozinho de museu em Porto Velho

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O Memorial Jorge Teixeira: espaço cultural esquecido. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O Memorial Governador Jorge Teixeira, localizado na capital rondoniense, enfrenta um estado de abandono há cerca de um ano. O único responsável pela preservação do espaço cultural é o zelador Salomão Arlindo, que recebe um salário mínimo mensal. “Comprei uma roçadeira por conta própria e faço o que posso. Mas faltam recursos para produtos de limpeza e sacos de lixo”, relatou Salomão, que trabalha no local há duas décadas. Ele faz campanha para arrecadar doações por pix.

O Memorial, que integra o roteiro turístico da cidade, está aberto à visitação mediante agendamento. Sem os devidos cuidados, a manutenção do espaço depende inteiramente do dedicado funcionário, e corre o risco de ser fechado. Nas redes sociais, vídeos de Salomão realizando a manutenção do imóvel geraram elogios à atitudes, mas críticas às instituições públicas. Comentários apontam que as autoridades não dão a devida atenção ao patrimônio histórico de Rondônia.

Inaugurado na década de 1990, o museu abriga diversas relíquias relacionadas à biografia de Jorge Teixeira, o último governador do Território Federal de Rondônia e o primeiro do estado. Teixeirão, como era conhecido, governou de 1979 a 1985, e foi uma figura mítica na política local. Dois municípios, Teixeirópolis e Jorge Teixeira, além do Aeroporto Internacional de Porto Velho, foram nomeados em sua homenagem.

Salomão Arlindo: sacrifício pessoal para cuidar de um espaço público. Foto: Reprodução/Facebook

O Memorial GJT funciona na antiga residência oficial dos governadores, construída no final da década de 1940, à rua José do Patrocínio, 501, esquina com Euclides da Cunha; está no Centro Histórico, próximo ao antigo Palácio Presidente Vargas, sede do Poder Executivo estadual até 2015. O local possui uma estátua de bronze de Teixeirão no jardim frontal, de onde se avista o Rio Madeira e a Usina Hidrelétrica de Santo Antônio.

A historiadora Yêdda Borzacov e a jornalista Maria Aparecida de Souza, conhecida como Cida, se dedicaram à preservação do espaço enquanto puderam. Mantido por uma associação em convênio com o Governo Estadual, o Memorial foi sendo abandonado com a avançada idade de Yêdda e a morte de Cida, em 2020. Elas atuaram voluntariamente, mesmo aposentadas do serviço público, para garantir a preservação do local, por amor à história.

O acervo

Repleta de condecorações, indumentárias, objetos pessoais, obras de arte e documentos, o espaço onde está o Memorial Governador Jorge Teixeira foi habitado por governadores durante quase quatro décadas. Ângelo Angelim foi o último residente do casarão, em 1987.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Carnaboi 2025: Veja as atrações e os horários dos dois dias de festa em Manaus

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Público no Carnaboi 2024. Foto: Marcely Gomes/SEC AM

O Carnaboi 2025 será realizado nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus, com entrada gratuita. A programação completa dos dois dias de festa foi divulgada nesta terça-feira (25). Confira as atrações e os horários das apresentações abaixo.

A 24ª edição do evento será promovido pelo Governo do Amazonas em parceria com a Fundação Rede Amazônica.

Pelo segundo ano consecutivo, o Carnaboi terá transmissão ao vivo pela Rede Amazônica, além do g1 e CBN Amazônia Manaus.

Confira abaixo a programação completa dos dois dias de Carnaboi 2025:

1ª noite – Sexta-feira – 7 de março

Exaltação Cultural: O Amazonas é Boi-Bumbá

19h00 – Grupo A Toada & Robson Jr
19h40 – Grupo Kboclos & Márcio do Boi
20h20 – João Paulo Faria & Carlos Batata
21h00 – Fabiano Neves & Klinger Jr
22h15 – Carnaboi 2025 – É Festa de Boi-Bumbá
23h45 – Sebastião Jr. & Leonardo Castelo
00h25 – Prince do Caprichoso & Júnior Paulain
01h05 – Israel Paulain & Carlinhos do Boi
01h45 – Edmundo Oran & Canto da Mata
02h25 – Toada de Roda & Felipe Júnior

2ª noite – Sábado – 8 de março

Exaltação indígena: Viva os Povos da Floresta

19h00 – Boi Brilhante / Boi Garanhão / Boi Corre Campo
19h45 – Márcia Novo & Curumins da Baixa
20h30 – Luanita Rangel & Jardel Bentes
21h15 – Márcia Siqueira & Mara Lima
22h00 – Edilson Santana & Paulinho Viana
22h45 – Tony Medeiros & P.A Chaves
23h40 – Carnaboi 2025 – É Festa de Boi-Bumbá
01h10 – Patrick Araújo & Arlindo Neto
01h50 – David Assayag & Helen Veras
02h30 – Gean Figueira & Adriano Aguiar

Horários das transmissões

Na sexta-feira (7) a transmissão será após o BBB 25 e no sábado (8) após o Altas Horas.

MPF exige solução para desequilíbrio ambiental causado por cinco mil búfalos selvagens em Rondônia

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Animal na reserva biológica. Foto: Acervo NGI Cautário-Guaporé

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O Ministério Público Federal (MPF) exige que o Estado de Rondônia apresente uma solução para o desequilíbrio ambiental registrado na Reserva Biológica Guaporé, onde vivem cerca de cinco mil búfalos selvagens. Os animais, que ocupam uma área equivalente a 60 campos de futebol, estariam desertificando a região devido à sua reprodução desenfreada.

O MPF acionou o Governo Estadual e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), exigindo a erradicação dos búfalos e aplicando uma multa de R$ 20 milhões ao Estado pelos supostos danos causados.

Originalmente, apenas 36 búfalos asiáticos, das raças Carabao e Jarafabadi, foram introduzidos na antiga Fazenda Pau d’Alho em 1953, como parte de um projeto estatal de expansão da pecuária na região.

O abate dos búfalos para consumo foi cogitado, mas descartado devido à ausência de controle de zoonoses no rebanho. Em 2014, uma audiência pública na Assembleia Legislativa discutiu até a “caça turística” como forma de mitigar o impacto ambiental. No entanto, a ação ficou no discurso.

Em 2016 o então governador Confúcio Moura (MDB) sancionou a Lei 3771 permitindo o abate desses animais para se evitar mais prejuízos à fauna e à flora. Na prática, porém, nada ocorreu de lá para cá.

A falta de acesso à área isolada de 96 mil hectares onde os búfalos vivem torna o controle populacional inviável.

48% da área alagada foram reduzidos devido ao hábito dos búfalos de chafurdar na lama e desviar os leitos de água. Espécies nativas, como onças-pintadas e cervos-do-cerrado foram praticamente extintos pelos “invasores”.

Agora, o MPF determina que os búfalos devem ser abatidos com o menor grau possível de sofrimento, e o plano de extermínio deve ser apresentado pelo Governo Estadual, sob fiscalização do órgão federal e acompanhamento do ICMBio. A probabilidade é de que o abate seja a tiros e de que ps corpos sejam incinerados no próprio local.

O ICMBio divulgou uma nota afirmando que “estuda tecnicamente a melhor alternativa para a retirada dos búfalos, considerando as dificuldades logísticas para a destinação desses animais selvagens, diante da geografia do local”.

Possível exagero nos números

O MPF alerta que, sem uma solução imediata para a dizimação dos búfalos, a população poderá chegar a 50 mil animais até 2030. No entanto, os números parecem exagerados. Mesmo que se mais da metade do rebanho for composta por fêmeas – e não há exatidão sobre esse dado – e 100% delas se reproduzissem, a quantidade de búfalos dobraria em cinco anos, no máximo. Normalmente, apenas animais confinados e submetidos à inseminação artificial e manejo específico conseguem parir com menos de dois anos de vida.

Outro lado da história – o olhar de um defensor da causa animai

As propostas até agora ventiladas enfrentam resistência das políticas de defesa da vida animal. Um cidadão, que prefere não ser identificado por ser servidor do Estado, questiona: “Qual o bem natural de maior valor: uma família de búfalos ou uma árvore? Quem pode aquilatar?” Ele diz, ainda, que “não existe abate a tiro sem sofrimento”. Órgãos ambientais estão de olho na questão

Tratando os animais como “gigantes gentis do Guaporé”, o naturalista chama-os de “majestosos, de olhos profundos e movimentos serenos”.

Segundo ele, “os búfalos selvagens do Guaporé não são predadores, não representam ameaça. Eles pastam silenciosamente, banham-se nos rios e protegem seus filhotes com um instinto que só os mais nobres seres possuem: o amor.

Eles não escolheram estar ali. Foram trazidos, esquecidos, mas nunca perderam sua docilidade. Quem já os observou de perto sabe: há uma beleza tranquila neles, uma força que não se impõe pela violência, mas pela presença serena.

O olhar poético prossegue: “Exterminá-los não é apenas apagar vidas, mas silenciar para sempre uma parte da natureza que encontrou seu próprio equilíbrio. Eles não merecem ser punidos pela sua existência. Eles merecem ser protegidos pelo que são: seres vivos que só pedem para continuar respirando”.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Software criado no Amazonas busca otimizar transição industrial para modelo de manufatura inteligente

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Foto: Reprodução/Pixabay

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP), desenvolveu o Software Maturidade na Indústria 4.0 IFES. Trata-se de uma ferramenta inovadora voltada para a avaliação e o aprimoramento da maturidade digital das indústrias no contexto da Indústria 4.0. O Software foi desenvolvido pelos pesquisadores Sandro Breval Santiago e Stanley Soares de Souza e registrado oficialmente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número BR512021001482-0.

De acordo com o professor Sandro Breval Santiago, com o avanço da transformação digital e a crescente necessidade de adaptação às novas tecnologias industriais, o Maturidade Ind4.0 IFES surge como uma solução estratégica para empresas que desejam mapear, diagnosticar e otimizar seus processos de transição para um modelo de manufatura inteligente. “É um programa computacional desenvolvido com base em metodologias avançadas para avaliar o grau de maturidade das empresas na adoção de tecnologias da Indústria 4.0”, explicou.

Entre as funcionalidades do Software estão: avaliação de maturidade digital, diagnóstico baseado em indicadores estratégicos, relatórios automatizados e recomendação de melhorias, planejamento da transformação digital. O Maturidade Ind4.0 IFES pode ser adotado por empresas de setores como: manufatura e produção em larga escala, automação industrial e mecatrônica, setor automobilístico e metalúrgicos, indústrias químicas e farmacêuticas, empresas do setor de logística e supply chain, startups e empresas emergentes na área de tecnologia. Além da possibilidade para colaborações com órgãos públicos, associações industriais e instituições de pesquisa, ampliando seu alcance e contribuindo para o avanço da digitalização na indústria nacional.

Como funciona

O Software utiliza uma metodologia sistemática para identificar o estágio atual da empresa na jornada rumo à Indústria 4.0 e mapeia níveis de automação, conectividade e digitalização em diferentes áreas produtivas. Além de apontar lacunas tecnológicas e operacionais, facilitando a formulação de planos de melhoria. É feito um diagnóstico, a partir da análise de dados estruturais e operacionais, utilizando um modelo de maturidade validado cientificamente, juntamente, com uma avaliação de níveis de integração entre equipamentos, processos e sistemas de gestão, possibilitando uma classificação do nível da empresa dentro de categorias de maturidade, desde a fase inicial até um estágio avançado de digitalização.

A partir daí, o Software gera relatórios detalhados sobre o estado atual da indústria e sugestões para adoção de tecnologias emergentes. As recomendações são customizadas conforme a infraestrutura disponível, o orçamento e os objetivos estratégicos da empresa, permitindo a comparação com empresas do mesmo setor, fornecendo insights valiosos para benchmarking e inovação.

O pesquisador, professor Sandro Breval Santiago, explica que todos esses passos permitem apoiar os gestores e engenheiros de produção na elaboração de roadmaps estratégicos para implementação gradual das soluções da Indústria 4.0.

“O Software fornece um plano de ação estruturado, destacando investimentos prioritários em automação, IoT, inteligência artificial e outras tecnologias, além de ajudar a alinhar projetos de digitalização às metas de eficiência operacional e sustentabilidade corporativa”, enfatizou.

Diferencial

Utilizando JavaScript e C#, o software se diferencia por fornecer uma avaliação personalizada, baseada em indicadores-chave de desempenho, possibilitando que gestores e tomadores de decisão adotem medidas concretas para elevar sua competitividade e eficiência no cenário global da manufatura inteligente. O professor Sandro explicou também que a ferramenta proporciona um ambiente de análise robusto e dinâmico, permitindo que empresas de diferentes portes e setores realizem um diagnóstico detalhado sobre sua estrutura digital, operacional e estratégica.

“A experiência foi muito interessante pois conseguimos fazer o link entre a teoria, conceitos e modelagem com a prática aplicando o modelo na IFES. O que podemos perceber é a sua usabilidade e efetividade na demonstração dos resultados coletados. Fizemos o app e executamos na Ufam para fins de estudo de caso”, destacou o docente.

Impactos e Benefícios para a Indústria

O desenvolvimento do Maturidade Ind4.0 IFES representa um avanço significativo para empresas que buscam elevar sua competitividade e adotar práticas inovadoras na produção industrial. A ferramenta tem impactos direto na tomada de decisão baseada em dados, redução de custos e aumento da eficiência, melhoria na qualidade da produção, capacitação e desenvolvimento tecnológico e apoio à sustentabilidade industrial, já que está alinhada à Indústria 4.0, que favorece práticas mais sustentáveis, como redução do consumo de energia, otimização de recursos e menor impacto ambiental.

De acordo com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP), professor Marcelo Albuquerque de Oliveira, pesquisas como essa reafirmam o engajamento do PPGEP com a inovação e o desenvolvimento tecnológico, impulsionando a transformação digital no setor industrial.

“O Maturidade Ind4.0 IFES representa um passo essencial para que empresas brasileiras possam competir em um cenário global cada vez mais digitalizado, preparando-as para os desafios e oportunidades da Indústria 4.0. O projeto reflete a missão da Ufam em promover pesquisas aplicadas, soluções tecnológicas inovadoras e impacto direto na economia e na sociedade. A Universidade segue investindo em parcerias estratégicas e projetos de ponta para consolidar Manaus e a Amazônia como polos de referência em inovação industrial”, enfatizou.

Albuquerque falou ainda que a coordenação e o colegiado do PPGEP reiteram seu compromisso com a pesquisa aplicada, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, promovendo soluções que impactam diretamente a sociedade e a indústria.

“Cada projeto desenvolvido no Programa reflete a missão de fomentar avanços científicos, tecnológicos e metodológicos, preparando profissionais qualificados e contribuindo para a transformação de setores estratégicos. O PPGEP/Ufam segue investindo em parcerias estratégicas, colaborações interinstitucionais e projetos inovadores, consolidando sua posição como referência em Engenharia de Produção e inovação tecnológica. As iniciativas do Programa buscam não apenas aprimorar processos e produtos, mas também fortalecer o desenvolvimento econômico e social, alinhando-se às necessidades da Amazônia e do Brasil”, finalizou.

*Com informações da Ufam