O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc) a suspensão imediata da implantação do Sistema Educacional Integrativo (Sei) em comunidades indígenas. A recomendação aponta para a violação de leis e princípios constitucionais que protegem os direitos dos povos indígenas.
O Sei utiliza a metodologia do Centro de Mídias da Educação Paraense (Cemep), que oferece ensino médio presencial mediado por tecnologia, com aulas ministradas por professores em estúdios e acompanhamento de um mediador local. O MPF argumenta que essa metodologia desconsidera a diversidade cultural e os modos de vida das comunidades indígenas.
A recomendação destaca que a implantação do Sei ocorre sem a devida consulta prévia aos povos indígenas, conforme preconizado pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.
A recomendação do MPF também leva em conta a tramitação de uma ação civil pública, proposta pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e pelo MPF, que busca o retorno do ensino médio presencial em todas as comunidades onde o Sei é utilizado e a interrupção do avanço do sistema em todo o estado.
Demais violações
O MPF ressalta que a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Plano Nacional de Educação (PNE) e outras normativas garantem aos indígenas o direito a uma educação escolar que respeite suas especificidades culturais, línguas, tradições e organização social.
A recomendação enfatiza que a educação escolar indígena deve ser pautada pelos princípios da interculturalidade, bilinguismo e multilinguismo, especificidade, organização comunitária e territorialidade.
Além disso, o MPF considera que a metodologia do Cemep uniformiza o sistema de educação, dissociando-o dos modos de vida de cada comunidade indígena, e que os povos indígenas devem ser vistos como sujeitos de direitos, com protagonismo na construção e concepção de projetos e programas que lhes digam respeito.
Detalhes da recomendação
O MPF recomendou à Seduc que:
• suspenda imediatamente a implantação do Sei, por meio da metodologia do Cemep ou outra virtual assemelhada, nas comunidades indígenas;
• adote medidas para realizar consulta prévia às comunidades indígenas para formulação da metodologia de ensino mais adequada para o ensino médio escolar indígena;
• enquanto não realizada a consulta prévia, implante método de ensino presencial ou, ao menos, modular (Sistema de Organização Modular de Ensino, ou Some) à educação escolar indígena no Pará.
A Seduc tem o prazo de dez dias corridos, a partir do recebimento da recomendação, para informar ao MPF sobre o acatamento das medidas, apresentando informações detalhadas sobre as providências já adotadas ou justificativas para o não atendimento. O MPF alerta que, a partir da data da entrega da recomendação, a Secretaria de Educação será considerada ciente da situação e poderá ser responsabilizada por eventuais omissões.
Alunos da Escola Estadual Dom Pedro II, autores do e-book. Foto: Mariane Smith
A pouco menos de um ano para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em Belém (PA), os olhos do mundo todo já se voltam para a Amazônia, na riqueza da sua fauna e flora, levantando temas como sustentabilidade e preservação ambiental. Neste contexto, o projeto Semeando Textos da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) lançou o e-book ‘Semeando poesia na Amazônia nossa de cada dia’.
O projeto de extensão Semeando Textos faz parcerias com escolas de educação básica de ensino em Belém e região metropolitana. Para o e-book ‘Semeando poesia na Amazônia nossa de cada dia’, a produção dos textos e ilustrações são dos alunos do 2º ano da Escola Estadual Dom Pedro II, no qual abordam temas do cotidiano paraense e amazônico.
Sofia Rodrigues, 17 anos, escreveu o poema intitulado “Açaí Amazônico”, por considerar que o fruto representa o estado.
“Eu acho o açaí um símbolo do Pará muito importante, tanto economicamente quanto culturalmente. Ele representa o estado lá fora e leva o nome do Pará de forma abrangente, conectando as pessoas com nossa cultura”, afirmou.
A aluna explica que a experiência no projeto ajudou a adquirir conhecimentos que serão úteis também na sua formação.
“Foi muito bom reconectar-me com a poesia, escrever de uma forma melhor, mais suave, e nós aprendemos muita coisa, inclusive de Literatura Portuguesa, regras gramaticais e que são conhecimentos muito úteis no futuro”.
Inspirada por memórias afetivas de sua família, Yasmin Kawasaki, 16 anos, também escreveu sobre o fruto em “O açaí”. “Ele traz lembranças e destravou muitas memórias que eu tinha guardado na minha cabeça e pra mim foi um momento muito mágico, porque pude relembrar tudo isso e colocar um pouquinho do sentimento da nossa ligação com esse alimento”, comentou a estudante.
“Pra mim é uma felicidade imensa ter o meu poema no livro. O poema não é um tema assim que a gente vê sendo escrito com muita facilidade, mas através do projeto a gente teve todo um apoio, todo um aparato para conseguir desenvolver esse texto”, afirmou Yasmin.
Lançamento do e-book no campus Belém. Foto: Mariane Smith
Coordenadora do projeto Semeando Textos, a professora da Ufra, Liliane Afonso, explica que o objetivo do projeto é trabalhar a literatura, levantando temas sobre o contexto da Amazônia e a sustentabilidade.
“Nós trabalhamos nesta ação, discursos da COP 30. É um projeto voltado para levantar temas transversais de acordo com o que é colocado dentro da Base Nacional Comum Curricular e a partir desses temas a gente realiza a ação com a efetivação de um produto.”
O projeto realiza oficinas sobre literatura nas escolas de educação básica e cada ação termina com um gênero. Na ação anterior, foi trabalhado contos na Escola Estadual Mário Barbosa. Neste ano, na Escola Estadual Dom Pedro II o gênero foi poesia, que também foi uma demanda da escola.
“A construção é uma parceria com a escola. Nós realizamos oficinas de literatura, de poesia, de poemas e aí esses alunos se sentiram motivados a serem protagonistas e escreverem suas próprias poesias. Eles escreveram e a partir delas, ilustraram também. Nós fizemos uma reunião desses poemas e organizamos todos em um e-book”, explicou Liliane Afonso.
Os temas dos poemas estão ligados diretamente ao contexto amazônico, levando em conta a cultura e a preservação do meio ambiente.
“Elegemos a educação ambiental, porque é um discurso que está muito sendo veiculado hoje dentro da sociedade no Pará, a partir da COP 30, então nós elegemos a educação ambiental e a Literatura Amazônica para poder dialogar acerca desses temas. Mas quando a gente fala de educação ambiental, também está ancorado a sustentabilidade, a preservação dos biomas, da Amazônia, do meio ambiente. Então os alunos colocaram dentro desses poemas sobre a Amazônia, sobre o Carimbó, entre outros, não foi só sobre educação ambiental, mas são temas regionais para dialogar com o que eles estavam sentindo no momento da criação dos poemas”, concluiu a coordenadora do projeto.
O lançamento oficial do e-book ocorreu na última quinta-feira, 12, no campus Belém, e contou com a colaboração da coordenação adjunta do Projeto Semeando Textos, professora Thaís Amorim, do professor Jany Eric Queirós, coordenador do curso de Letras da Ufra, campus Belém, bolsistas e voluntárias do projeto, Claudilane, Laila e Giulia.
O cogumelo tóxico conhecido como Chlorophyllum molybdites foi encontrado pela primeira vez em Santarém por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A pesquisa é resultado do trabalho de conclusão de curso (TCC) de Daniel Marinho, aluno de graduação em Ciências Biológicas do Instituto de Ciências da Educação (Iced). Ele contou com a orientação dos servidores Marcos Santana e Eveleise Canto, ambos do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA).
A espécie de cogumelo é considerada tóxica e ocorre no Brasil, com acúmulo de registros na região Sul do país, onde ocorrem casos de intoxicação por ingestão acidental, provavelmente por ser confundida com espécies comestíveis. Na região amazônica, esse cogumelo tem poucos registros de ocorrência e ainda não há informações nos meios oficiais de casos de intoxicação por ingestão acidental da espécie.
Com o trabalho de pesquisa, os autores contribuíram para o aumento de conhecimento sobre o cogumelo, ampliando sua distribuição geográfica e fornecendo uma descrição morfológica detalhada (característica/estrutura) dos espécimes encontrados, o que pode ajudar no reconhecimento e prevenção de acidentes.
No estudo, os pesquisadores observaram que a espécie parece ter preferência por áreas antropizadas, ou seja, as transformadas pela ação humana, com interferência na vegetação, solo e/ou relevo. Na zona urbana de Santarém, pode crescer nos quintais e gramados e não representa grandes problemas, pelo contrário, ela está lá decompondo a matéria orgânica e contribuindo com o ciclo de nutrientes, atividade importante para o meio ambiente. Além disso, pode ser observada e admirada, pois produz cogumelos muito bonitos.
“O perigo está na manipulação inapropriada, sobretudo no consumo”, explica Marcos Santana, orientador do trabalho.
Foto: Reprodução/Acta Amazonica
Santana ainda destaca a importância do trabalho para o conhecimento da Funga (diversidade de fungos de uma região), principalmente dos fungos da Amazônia brasileira, especialmente da diversidade paraense, além de mostrar o valor da interação entre os institutos.
Para Santana, “o ponto central do estudo é o relato, pela primeira vez, da ocorrência dessa espécie no estado do Pará, o que acrescenta dados de conhecimento sobre essa espécie para a Amazônia. Existem maiores pontos dessa espécie em outras regiões brasileiras, mas na Amazônia é pouquíssimo relatada, quase não se tem conhecimento sobre isso, e o que se tem está muito restrito a amostras com problemas de má conservação, com problemas de identificação, entre outros fatores que podem limitar o avanço das pesquisas”.
Durante o trabalho de pesquisa foram coletados cogumelos em outras regiões do estado do Pará, como Oriximiná, mostrando que essa espécie de cogumelo pode ocorrer em vários lugares e conviver com as pessoas, às vezes sem serem observados. Um dos pontos de coleta desse cogumelo foi a Unidade Tapajós da Ufopa, além de trechos do canteiro central da Avenida Cuiabá e na estação científica da Ufopa em Curuá-Una. Todo material compõe descrição integral com riqueza de detalhes.
“O objetivo maior é acender esse alerta sobre quão pouco a gente conhece essa diversidade de fungos e, principalmente, sendo essa uma espécie tóxica, de alertar a população, já que é uma espécie urbana, que gosta de fundo de quintal, onde geralmente armazenamos folhas”, diz o orientador Santana.
Para ele, embora a espécie Chlorophyllum molybdites possa ser perigosa, seu potencial toxicológico pode ser aproveitado. É importante frisar que o objetivo da pesquisa não é desencorajar as pessoas a serem curiosas sobre os fungos, os cogumelos; essa, por exemplo, é uma espécie bonita, grande e vistosa. O alerta é para que as pessoas não manipulem sem a devida orientação, mas é possível conviver com essas espécies.
“O perigo maior está na ingestão, mas podem ocorrer problemas alérgicos ao manipular. Em caso de encontrar a espécie, é não mexer, mas se for o caso de remoção, por causa de crianças e animais domésticos, é só retirar com cuidado, colocar em um saquinho, amarrar, descartar normalmente e lavar bem as mãos depois”.
As amostras coletadas para a pesquisa foram depositadas na Coleção de Fungos do Herbário HSTM da Ufopa, e os dados secundários já estão disponíveis nos bancos de dados de biodiversidade do país para ampla consulta; outras pesquisas para explorar o potencial toxicológico desse cogumelo já começaram.
Os pesquisadores registraram de forma oficial, além da defesa do TCC do aluno, por meio de publicação em revista científica. O trabalho de pesquisa foi publicado na mais recente edição da ACTA Amazônica, em formato de artigo, e recebeu o título “New occurrence data of the toxic mushroom Chlorophyllum molybdites (Basidiomycota, Agaricaceae) in the Brazilian Amazon region”. A revista é especializada na divulgação de conhecimento científico sobre a Amazônia e tem sede no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM).
O artigo chamou a atenção dos editores, sendo nomeado como a capa da edição, algo muito importante para visibilidade e divulgação da ocorrência desse cogumelo para evitar casos de intoxicação alimentar, como os registrados na região Sul do Brasil, e divulgação das pesquisas desenvolvidas com os fungos paraenses.
Pesquisadores da Alemanha durante coleta de amostras. Foto: Dulcivânia Freitas/Embrapa
Pesquisadores do Instituto Leibniz, da Alemanha, coletaram no Amapá, no dia 12 de dezembro, amostras da praga vassoura-de-bruxa – Ceratobasidium theobromae – que atinge plantações de mandioca em cinco municípios do Estado.
A praga foi encontrada pela primeira vez em terras indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Estado, por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em setembro deste ano. O fungo foi detectado também na Guiana Francesa. À época, o governo do Amapá decretou emergência.
O fungo causa uma redução na produtividade de mandioca, além de comprometer a qualidade dos produtos consumidos pela comunidade ou comercializados.
A Embrapa informou que o objetivo da visita era conversar com as comunidades atingidas e coletar o material para fazer uma comparação com os sintomas que afetam mandioca de fora do Brasil, especialmente em Laos, no Vietnã.
Fases da visita técnica
A missão científica ocorreu de 11 a 13 de dezembro, participaram da ação o pesquisador Eder Oliveira, especialista em melhoramento genético, lotado na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, na Bahia); e colaboração da especialista Rosana Blawid, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
No primeiro dia da visita, os profissionais realizaram uma reunião de alinhamento na sede da Embrapa Amapá, na Zona Sul de Macapá, com os gestores e equipe técnica do centro de pesquisas, e com órgãos locais que atuam no monitoramento da praga, como a Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária no Amapá; e a Agência Estadual de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro).
Já no dia 12, os pesquisadores se reuniram para realizar as coletas das amostras. Os trabalhos foram realizados na comunidade da Montainha, do município de Tartarugalzinho e no Projeto de Assentamento Cujubim, no município de Pracuúba, ambos atingidos pela doença vassoura-de-bruxa.
No último dia, os visitantes e técnicos locais reuniram-se na Embrapa Amapá, para alinhar os encaminhamos de ações para controle da nova vassoura-de-bruxa da mandioca.
De acordo com a Embrapa, os profissionais são referências mundiais em doenças de plantas. A coleta foi autorizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Os materiais devem ser analisados num laboratório da instituição, na Alemanha.
Ainda segundo a Embrapa, a presença do fungo representa alto risco na redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento, este fungo não foi detectado em outros hospedeiros no Brasil.
Nota técnica Embrapa
Em setembro, quando o fungo foi detectado, a Embrapa divulgou uma nota técnica sobre o assunto. No documento, a empresa detalhou que o transporte de produtos agrícolas entre as regiões pode ter espalhado o fungo, assim aumentando o risco de infecção em outras áreas.
“A movimentação de plantas e produtos agrícolas entre regiões pode facilitar a dispersão do patógeno, aumentando o risco de infecção em novas áreas”, alerta a Nota Técnica da Embrapa.
Entenda mais sobre a praga
Pesquisadores da Alemanha durante coleta de amostras. Foto: Dulcivânia Freitas/Embrapa
Conforme a Embrapa, a transmissão do fungo pode acontecer através de materiais de manuseio das plantas, como ferramentas de corte e poda, que estejam infectadas, além da movimentação de solo e água.
Outros tipos de fungo semelhantes já apareceram no Amapá em frutos como o cupuaçu e em outras regiões do Brasil, como a crise do cacau do sul da Bahia nos anos 90. Mas a praga que afeta os plantios de mandioca especificamente foi registrada pela primeira vez.
A chefe de pesquisas da Embrapa, Cristiane Ramos, explicou que o fungo registrado na região norte, trata-se de uma praga quarentenária, que consiste em um organismo que a presença pode danificar ou destruir cultivos inteiros e ser um obstáculo na exportação, afetando diretamente a economia local.
“Esse fungo, especificamente, é um fungo que não tinha sido detectado no Brasil, por isso ele é considerado pelo Ministério da Agricultura como uma praga quarentenária. Ontem saiu uma matéria no site do Ministério da Agricultura confirmando que é uma praga quarentenária. Então foi a primeira vez que vi o registro desse fungo aqui no Brasil”, disse a chefe de pesquisas da Embrapa.
Aspectos da planta infectada:
A doença Ceratobasidium theobromae (Rhizoctonia theobromae), leva o apelido por deixar a planta seca como uma vassoura de bruxa, deixando os ramos deformados, com nanismo, além da proliferação de brotos fracos e finos nos caules.
É comum após a evolução do vírus a presença da clorose, que deixa as folhas com uma aparência amarela esverdeada ou o ‘verde-pálido’.
Em seguida, vem a morte da gema apical, quando a temperatura é inferior a -2,2ºC, durante 3 horas ou a morte descendente, quando todos os órgãos da planta são atingidos pela praga.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória nº 1.282/202, nesta terça-feira (24), que abre crédito extraordinário no valor de R$ 6,5 bilhões para o Ministério das Cidades viabilizar a recuperação de infraestrutura em áreas afetadas por eventos climáticos extremos.
O ato soma-se à iniciativa prevista na MP nº 1.278/2024 (editada pelo presidente Lula no início de dezembro), que autorizou a União a participar do fundo privado, administrado pela Caixa Econômica Federal, para a recuperação de áreas afetadas por desastres. De acordo com o texto, são recursos destinados especificamente ao Rio Grande do Sul, assolado por enchentes entre abril e maio deste ano.
O patrimônio do fundo deve ser formado pela integralização de cotas, além de aplicações financeiras, doações feitas por pessoas jurídicas ou físicas e acordos celebrados com entidades da administração. Estados, Distrito Federal e municípios podem participar do fundo por meio da integralização de cotas.
O fundo tem o intuito de ajudar na recuperação de estruturas, como estradas, pontes e prédios públicos, em áreas atingidas por eventos extremos. Mas também será usado para financiar projetos que ajudem a prevenir e se adaptar às mudanças no clima, como a construção de sistemas de drenagem e outras obras para evitar desastres.
Amazônia e Pantanal
O presidente também assinou a MP nº 1.281/2024 , que concede crédito extraordinário no valor de R$ 233,2 milhões para o atendimento da população atingida pelos incêndios e pela estiagem na Amazônia e no Pantanal.
Cerca de R$ 5,1 milhões serão destinados ao Ministério de Minas e Energia para ampliação e aprimoramento dos Sistemas de Alerta Hidrológico (SAH) em operação na região Amazônica, com o objetivo de mitigar os impactos da crise hídrica.
No âmbito do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, R$ 118 milhões serão utilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para fortalecimento da capacidade logística das equipes de fiscalização ambiental e das brigadas federais onde há maior incidência de focos de calor. O valor será utilizado para o custeio de diárias e passagens, aquisição de equipamentos (bases móveis), fretamento de aeronaves, além de outras despesas consideradas urgentes.
O MMA também será responsável pelo repasse de R$ 71,5 milhões ao Instituto Chico Mendes (ICMBio), para capacitação e estruturação de equipes de fiscalização, permitindo a contratação de profissionais especializados, aquisição de equipamentos de armamento, computadores, mobiliário, monitoramento e a implementação de tecnologias que garantam um acompanhamento eficaz das áreas suscetíveis a incêndios.
No âmbito do Ministério de Portos e Aeroportos, cerca de R$ 35,8 milhões serão utilizados para o restabelecimento da navegabilidade do rio Tapajós, entre Itaituba e Santarém, no Pará, prejudicada em razão da seca extrema.
O Parque Natural Raimundo Paraguassu abriu, de forma gratuita, a opção do Safari Ecológico: uma trilha guiada, feita através de veículos classificados como UTV (próprios para esse tipo de prática), por equipes da empresa Tribo do Mato, parceira da Prefeitura da Porto Velho na iniciativa.
O Safari Ecológico será oferecida para a população aos sábados, domingos e feriados, conduzida e organizada pela associação, que durante as incursões terão os participantes guiados e orientados sobre as espécies nativas existentes e preservadas no Parque.
“Encontramos o Parque Natural, no início da nossa gestão, em uma situação deplorável. Desde então encaramos a missão, junto a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, de transformar esse cenário em um local funcional e aconchegante ao porto-velhense. Começamos com a reforma, priorizando a preservação das espécies, e agora acrescentamos essa opção de lazer, que vem junto ao período de férias, gerando também mais entretenimento na nossa capital”, explicou o prefeito Hildon Chaves, que participou da trilha de inauguração do projeto.
Felipe Alexandre, atual presidente da Associação Cultural Tribo do Mato, explica que além do Safari Ecológico há ainda outras opções de trilha aos visitantes:
“Passamos a oferecer também a trilha a pé, trilha de bike, escalada, tirolesa e tudo que a gente tem acesso referente a atividades de aventura, foi trazido pra cá. Treinamos nossa equipe, compramos equipamentos de ponta, tudo para ofertar para a população, a custo zero, esse contato com a natureza”.
As atividades, ofertadas aos sábados, domingos e feriados, acontecem das 9h às 17h.
O Arquipélago do Bailique se tornou o palco de uma grande produção cinematográfica durante 13 dias. A minissérie ‘A ancestral’ é produzida no local e conta uma história de ficção científica sobre uma missão de uma astronauta, inserindo no enredo os problemas atuais enfrentados pela mudança climática no interior do Amapá.
O projeto é um dos contemplados pela Lei Paulo Gustavo. As gravações foram finalizadas no dia 18 de dezembro em uma parte do Bioparque da Amazônia, em Macapá.
‘A ancestral’
A história se passa cerca de 40 anos no futuro, com duas histórias paralelas que se encontram no Bailique, retratando as mudanças no clima enfrentadas atualmente já completamente avançadas.
“A gente fala de uma realidade alternativa retratando a vida dos últimos moradores do Arquipélago do Bailique. Num mundo onde as mudanças climáticas são muito extremas, a água está completamente salgada, a fauna praticamente se foi, eles não tem caça, não tem insetos e a vida fica muito difícil”, disse Célio Cavalcante, diretor da série.
Em outro momento, a história da exploradora de Marte colide com as dificuldades enfrentadas pelos habitantes do interior do Amapá.
“Ao mesmo tempo, está acontecendo a exploração espacial chinesa, quando a China está explorando Marte. Nessas duas histórias que aparentemente não têm nada a ver, que são contemporâneas nessa realidade alternativa, se cruzam no Bailique”, explicou o diretor.
A produção da série contou também com o apoio das comunidades tradicionais do Bailique que cederam espaços e as próprias casas como cenário.
“Nós procuramos alguns recortes, escolhemos casas específicas, paisagens específicas, fazendo o uso do fenômeno das terras caídas para retratar esse mundo de condições extremas. Os cenários, nós não construímos. Eles estão lá, representando a realidade daquelas pessoas de como elas vivem hoje e como vivem em um lugar muito frágil, onde essas mudanças climáticas se evidenciam de forma mais rápida”, complementou o diretor.
O presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique, Geová Alves, disse que a produção é uma forma de registro aos autuais problemas enfrentados pelos moradores, dando uma maior visibilidade à problemática.
“Essa série para a gente tem uma importância muito grande por conta do contexto em que ela tá se inserindo, por ser no Bailique, por mostrar a nossa realidade, nosso modo de vida e também os nossos problemas. Então pra gente foi um prazer muito grande formalizar essa parceria e poder contribuir de alguma forma com esse projeto”, disse.
Foto: Divulgação/Equipe ‘A Ancestral’
Além disso, a produção movimentou completamente o local onde foi filmada, nas vilas Macedônia e Progresso, com transporte, alimentação, hospedagem, infraestrutura, comércio local, entre outras necessidades da equipe.
O elenco conta com uma equipe de atores de dentro e fora do Amapá. O Yoran Blaschkauer, é um dos atores que integram o elenco e conta que as experiências no Bailique são únicas.
“Vim especialmente pela primeira vez aqui em Macapá, tá sendo lindo, uma experiência inesquecível, uma equipe maravilhosa. Meu personagem tem o nome de ‘Gringo’, eu sou um norte-americano e biólogo que já esta aqui nessas terras fazendo pesquisa há um bom tempo e tenho essa relação um pouco mais íntima com os nativos daqui e tive a oportunidade de conhecer o Bailique que é apaixonante, com pessoas maravilhosas”, disse.
Outra integrante que deu a vida a uma personagem nativa do Bailique foi a artista Ana Caroline. Ela contou que nos bastidores a admiração ao local gravação ao grande, ainda por se tratar de problemas reais contados de forma ‘descontraída’.
“Meu personagem é um personagem ‘real’, é uma pessoa que é do Bailique, que é essa mulher incrível, uma ativista do Bailique, que atua há muito tempo. Esta sendo uma experiência muito boa, interessante e desafiadora, é uma ficção que trabalha dentro de uma realidade”, contou.
Após o fim da fase das gravações, a minissérie segue para a fase pós-produção e em breve estará disponível em plataformas de streaming. A previsão para o lançamento da obra é dentro de 6 meses, no Bailique e em Macapá.
Foto: Divulgação/Equipe ‘A Ancestral’
Problemas além da ficção científica
A obra é um retrato sobre um possível futuro em que as consequências da mudança climática já estão completamente avançadas. O fato é que atualmente, em 2024, as consequências da salinização do Rio Amazonas continuam avançando, o que leva a uma reflexão em que o diretor de ‘A ancestral’ passa aos telespectadores, levantando uma reflexão sobre o presente e um futuro distante, no entanto, possível.
O Arquipélago do Bailique enfrenta uma situação de emergência climática reconhecida nacionalmente no ano de 2023 em que a água potável se encontra completamente indevida para o consumo. Máquinas que ajudam no processo de ‘dessalinização’ estão sendo enviadas para as comunidades. A ajuda busca tratar ao menos 18 mil litros de água por dia.
A mudança se dá por conta dos fenômenos La Niña e El Niño, que causam alterações anormais nos oceanos Pacífico e Atlântico, o que acaba influenciando diretamente nas recentes catástrofes que acontecem no Arquipélago.
Ainda como parte destas consequências, o local enfrentou a seca do Canal do Livramento, na Foz do Rio Amazonas, um dos principais, que é o responsável pela conexão entre 56 comunidades existentes no conjunto de ilhas. O canal ficou intrafegável com as consequências ainda mais agravadas devido ao forte período de estiagem.
Sinopse
Em um futuro não muito distante, acompanhamos a descoberta de restos humanos em Marte, que datam de mais de 10 mil anos atrás. Uma descoberta que traz diversas perguntas, para uma sociedade que não está pronta para absorver tal informação. Enquanto aqui na Terra, no arquipélago do Bailique, Dayane, sua familia e outros moradores, se preparam para ir embora para a capital, Macapá.
São os últimos moradores desse povoado isolado e alheio as notícias, que sofrem com a subida extrema do nível dos mares e salinização do rio Amazonas. Não bastasse isso, enfrentam conflitos locais com um fazendeiro ambicioso que os impede de ter energia elétrica e os proíbe de pescar no rio que os alimentou por gerações. Uma história de resiliência, a luta pela sobrevivência em um momento extremo da humanidade.
Torre de fluxo em meio à floresta de várzea da Reserva Mamirauá. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá
Despontando acima da copa das árvores da Reserva Mamirauá, no Amazonas, uma estrutura metálica se destaca na paisagem amazônica. Trata-se da Torre de Fluxo do Mamirauá, que chega a 48 metros de altura e é equipada com sensores que irão monitorar pelos próximos anos as emissões de gases de efeito estufa pelas florestas de várzea, em especial o gás metano, importante gás no processo de aquecimento global.
Diante da necessidade de se compreender a dinâmica dos gases de efeito estufa a nível mundial, visto que têm impacto direto sobre as mudanças climáticas, pesquisadores do Instituto Mamirauá, Stanford University e Universidade Federal de Santa Maria formaram uma parceria para preencher uma importante lacuna de conhecimento. Apesar dos ecossistemas tropicais serem responsáveis pela emissão de 50-60% de todo o gás metano oriundo de áreas úmidas no mundo, existem poucas estações de medição e monitoramento deste gás nestas regiões, e nenhuma em florestas de várzea da Amazônia – até agora.
Com financiamento da Fundação Gordon & Betty Moore, o projeto realizou a construção de uma torre de fluxo que abriga instrumentos avançados de medição de gás metano, gás carbônico e vapor d’água, além de diversos outros equipamentos para medir variáveis hidrometeorológicas. A torre foi construída em meio à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, maior área protegida de áreas úmidas continentais do Brasil, sendo também o primeiro sítio Ramsar do Brasil, reconhecida internacionalmente por sua importância ecológica.
Segundo Lady Custódio, pesquisadora do Instituto Mamirauá, “a fase de construção da torre enfrentou desafios devido às particularidades do ambiente de várzea. Foi necessário acompanhar cuidadosamente o ritmo da enchente para planejar a logística. Apesar das dificuldades, o sucesso da construção e a obtenção dos primeiros dados de monitoramento foram motivo de grande satisfação, marcando o início de uma etapa promissora para a pesquisa ambiental na região”.
O monitoramento dos gases de efeito estufa com a torre de fluxo permitirá, pela primeira vez, coletar dados sobre a emissão destes gases de maneira contínua em florestas de várzea, analisando a variação ao longo dos períodos de seca e cheia, onde o nível da água pode variar de 10 a 12 metros por ano.
“Existe uma discrepância muito grande entre o levantamento realizado por satélites da emissão de gases de efeito estufa em ambientes tropicais e as estimativas modeladas para essas áreas. Se sabe muito pouco sobre a dinâmica de gases de efeito estufa em áreas de floresta de várzea, especialmente do gás metano ”, comenta Ayan Fleischmann, pesquisador titular do Instituto Mamirauá e um dos coordenadores do projeto.
“Por isso se faz necessário a construção da torre de fluxo e a integração destas medições com dados de abrangência mundial, para podermos avaliar melhor o papel que as florestas de várzea da Amazônia têm na dinâmica global de gases de efeito estufa”, ressalta.
Neste intuito, a Torre de Fluxo do Mamirauá fará parte de redes de torres espalhadas por todo o mundo, contribuindo com dados inéditos e essenciais oriundos de áreas úmidas da Amazônia. A torre irá integrar a Rede FLUXNET-CH4, um banco de dados internacional de torres de fluxo localizadas em diversos ecossistemas, e o LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia) coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia, que há 25 anos busca compreender as dinâmicas ambientais da Floresta Amazônica e seu papel na regulação do clima, em escala regional e global.
Segundo Daniel Michelon, pesquisador do Instituto Mamirauá e da Universidade Federal de Santa Maria, “medir de forma contínua e precisa as trocas de metano entre o solo e a atmosfera fornece dados essenciais para entender as fontes e os processos de emissão nesse ecossistema específico. Além disso, esses dados ajudam a quantificar o impacto da região nas emissões globais de gases de efeito estufa, oferecendo informações valiosas para políticas de mitigação das mudanças climáticas e para o manejo sustentável da floresta”.
A Reserva Mamirauá, além de ser um excelente local para a construção da mais nova torre de fluxo, também abriga centenas de comunidades ribeirinhas e indígenas, cujos modos de vida estão intimamente ligados ao ciclo hidrometeorológico da região. Assim, o projeto da Torre de Fluxo do Mamirauá terá várias ações para engajar as comunidades locais, além da geração de renda proveniente do envolvimento de comunitários nas ações relacionadas à construção e manutenção da torre.
O projeto prevê a participação da escola local de São Raimundo do Jarauá, comunidade mais próxima da torre, com atividades educativas diretamente na área da torre e trocas de conhecimento sobre mudanças climáticas e seus impactos na região com os estudantes e comunitários.
A Torre de Fluxo do Mamirauá é um importante marco no avanço do conhecimento sobre a dinâmica ambiental de áreas úmidas da Amazônia, ecossistema de grande relevância socioeconômica e biológica, porém sub-representado em pesquisas científicas. Os dados coletados também serão essenciais para melhor compreender quais serão os impactos e o papel da Floresta Amazônica nas mudanças climáticas. O apoio e participação de comunidades tradicionais, instituições nacionais e estrangeiras tornam o projeto ainda mais pertinente, solidificando o seu alcance local, regional e internacional.
O governo de Rondônia foi escolhido para coordenar as Rotas Amazônicas Integradas (RAI), na Região Norte, durante o biênio 2025/2026. O estado terá a responsabilidade de liderar as ações para fortalecimento do turismo na região, com foco em um modelo sustentável, alinhado às diretrizes nacionais e demandas globais de preservação ambiental e valorização cultural.
Por meio da Superintendência Estadual de Turismo (Setur), o governo de Rondônia tem investido em ações e projetos para impulsionar o desenvolvimento do turismo sustentável. A realização da ExpoTurismo 2024, em julho, em Porto Velho, gerou R$ 1,9 milhão em investimentos e movimentou aproximadamente R$ 4,7 milhões na economia local.
Com o projeto Rondônia tem Turismo, o governo pretende alcançar todos os 52 municípios do estado, com apresentação do projeto aos gestores municipais, a fim de fomentar e fortalecer o setor em cada município, incentivando a prática turística; e despertar a população quanto às potencialidades, por meio de concursos, vídeos, folders e plataformas digitais.
Protagonismo rondoniense
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, reforçou o engajamento do estado com o turismo sustentável, tema central do biênio da RAI.
“O objetivo é impulsionar o turismo na Amazônia de forma responsável, promovendo o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, a preservação dos recursos naturais e o respeito às comunidades tradicionais. O estado está pronto para liderar com inovação, planejamento estratégico e união entre os estados da Região”.
O superintendente da Setur, Gilvan Pereira Júnior destacou que, com essa nova atribuição, o estado reforça sua posição como destino turístico emergente na Amazônia, investindo em estratégias que promovem o ecoturismo, valorização da cultura local e integração entre os estados da Região Norte. “A expectativa é que essa gestão estimule parcerias, atraia investimentos e potencialize o protagonismo da Amazônia como referência mundial em turismo sustentável.”
Rotas Amazônicas Integradas
As Rotas Amazônicas Integradas, lançada em 2021, reúne um portfólio de produtos turísticos unificado com os principais atrativos de cada estado, com divulgação em revistas, mapas, redes sociais, sites, feiras, congressos e demais eventos direcionados ao turismo. O objetivo é unir roteiros com perfis turísticos similares e, assim, elevar a atração de turistas nacionais e internacionais
Em dezembro, duas coisas são certas em Roraima: o Natal e o caju. Presente em quintais por todo o estado, o caju é quase uma fruta símbolo local, marcando presença na época mais festiva do ano. Pensando nisso, o Grupo Rede Amazônica convidou a chef Kalu Brasil — um dos maiores nomes da culinária roraimense — para ensinar como preparar uma receita exclusiva: peixe ao molho de caju, perfeita para inovar nas celebrações natalinas com sabores regionais.
A receita foi criada pela própria Kalu e está presente no livro “Kalu Brasil – Da Aldeia Para o Mundo”, lançado no início do mês. O prato leva filé de peixe (podendo ser qualquer dourado ou tambaqui), cebolas, tomates, pimentões e, claro, o caju. A receita tem grau de dificuldade média e pode ser acompanhada por arroz branco e farinha. (veja a receita completa no vídeo acima).
Kalu conta que criou o prato há 8 anos — a ideia era fazer uma receita que aproveita a época do caju, que é uma fruta muito típica e só aparece no fim do ano.
“É uma forma de valorizar tanto o peixe como as frutas regionais. Recomendo preparar com o dourado que é um peixe muito parecido com o bacalhau, só que mais acessível. Fico muito feliz em compartilhar essa receita, que considero uma realização, por ser apreciada e valorizar nossa cultura e sabores regionais”, conta a chef.
Ingredientes
4 kg de filé de dourado 4 dentes de alho 1 colher de sopa (rasa) de sal 1 xícara de chá de azeite extra virgem 2 cebolas 2 tomates 1 maço de cheiro verde (opcional) 2 pimentões, sendo um verde e um vermelho 4 cajus 250 g de castanha de caju torrada 2 limões
Modo de preparo
Lave o peixe utilizando água e limão, depois corte-o em pedaços com aproximadamente cinco centímetros de comprimento. Escorra bem e transfira para uma tigela grande. Amasse o alho com o sal, use para temperar o peixe e adicione um fio de azeite de oliva; Fatie as cebolas e os pimentões em rodelas, retire as sementes dos tomates e corte-os também em rodelas. Misture todos esses vegetais com o peixe; Em uma travessa grande de vidro, disponha os pedaços de peixe já temperados e intercale rodelas de caju entre eles, espalhando uniformemente. Asse em forno baixo (entre 150 e 180 graus) por cerca de 20 minutos. Confira se o peixe está bem cozido e, caso o caldo esteja reduzido, adicione uma xícara de água. Salpique as castanhas sobre o prato e leve de volta ao forno para gratinar por mais 20 minutos.
Caju para Kalu
Filha de mãe indígena Wapichana e pai não indígena, Kalu Brasil é chef de cozinha, culinarista, matriarca e dona de uma simpatia singular. Para ela, a receita é uma alternativa por ser acessível.
“Esse prato também valoriza os ingredientes que temos aqui na região, uma opção deliciosa e econômica. Afinal, nem todos podem comprar bacalhau, mas o dourado, por exemplo, encontramos facilmente em mercados locais”.
O caju para ela remete memórias de infância e por isso tem um valor simbólico.
“Eu me lembro do tempo em que morávamos no sítio com minha avó. Acordávamos cedo para colher cajus. Era um momento especial. Nós, crianças, costumávamos manchar as roupas com o caju, mas minha avó dizia que isso não era problema. O importante era aproveitar as frutas da terra. Essa ligação ficou comigo até hoje”, conta a culinarista.