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Pesquisadores de Rondônia utilizam IA na prospecção de medicamentos

Foto: Reprodução/UNIR

A cada dia, a inteligência artificial (IA) está mais presente em pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento. Em Porto Velho, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e da Fiocruz Rondônia utilizam o auxílio da IA na prospecção de novos fármacos para diversas doenças. O grupo já desenvolveu três softwares para auxiliar a comunidade acadêmica nessas investigações e uma quarta ferramenta está em fase de revisão para publicação.

Leia também: Software criado no Amazonas busca otimizar transição industrial para modelo de manufatura inteligente

As pesquisas são desenvolvidas no Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde (CEBio), no Campus UNIR de Porto Velho, sob a coordenação do pesquisador Fernando Zanchi. Uma equipe multidisciplinar também  atua no projeto e reúne alunos, pesquisadores e voluntários das áreas de Física, Química, Biomedicina, Biologia, Farmácia, Ciências da Computação e Bioquímica.

Com o auxílio da inteligência artificial, os softwares desenvolvidos pelos pesquisadores aplicam os conhecimentos dessas diversas áreas para analisar as estruturas moleculares de compostos químicos e verificar sua eficácia para o tratamento de enfermidades.

A intenção é facilitar as etapas da investigação de novos fármacos (medicamentos) ou ainda novas aplicações de medicamentos já conhecidos para o tratamento de doenças e problemas de saúde, especialmente aqueles que afetam os moradores da região Amazônica, como malária, dengue e leishmaniose, por exemplo.

Acelerar a produtividade e reduzir custos

Foto: Reprodução/UNIR

Os estudos de viabilidade de potenciais medicamentos seguem etapas minuciosas, e muitas vezes demoradas. O objetivo das ferramentas desenvolvidas pelos pesquisadores da UNIR e Fiocruz é agilizar algumas dessas fases, otimizando o trabalho dos pesquisadores e gerando economia de tempo e de recursos financeiros.

Fernando Zanchi explica que para produzir um novo remédio é necessário conhecer tanto as estruturas moleculares dos patógenos, que são os microorganismos causadores de doenças, quanto a dos candidatos a fármacos. Depois, os pesquisadores fazem o cruzamento dessas informações, no chamado teste de interação no laboratório, até chegar a um potencial resultado.

Tudo isso leva bastante tempo, e o trabalho dos softwares é justamente armazenar e processar milhares de informações sobre a composição das estruturas moleculares dos patógenos, com o intuito de acelerar as etapas das pesquisas, poupando tempo de estudo e trabalho humano.

Os programas agilizam significativamente o trabalho dos pesquisadores:

“Já deixamos diversos alvos preparados no sistema, eliminando todo o processo de filtragem dos alvos enzimáticos dos patógenos, de inserção desses dados no programa e de execução das interações de muitas moléculas contra muitos alvos. Ele [o pesquisador] só vai precisar entrar com as moléculas candidatas a fármacos. Por exemplo, se algum pesquisador suspeitar que um fármaco, já utilizado como antibiótico, poderá também atuar contra o Plasmódio causador da Malária, então ele poderá testar sua hipótese usando nosso software. E tudo isso de forma ágil e acessível via web”, explica Fernando.

Sobre os programas

Cada um dos softwares desenvolvidos possui suas especificidades. O Visual Dynamics, por exemplo, permite simular qualquer estrutura proteica de qualquer patógeno, enquanto o software que segue em fase de teste será dedicado exclusivamente ao Plamódio causador da Malária.

Arte: Reprodução/UNIR

Visual Dynamics é uma ferramenta para simulação de dinâmica molecular. Disponibilizado desde 2022, é utilizado atualmente por mais de 50 países em todos os continentes. Esse programa permite que o usuário simule o comportamento e interação de qualquer proteína que tenha relação com alguma doença, como diversos tipos de câncer, malária, Aids e Covid-19. Seu objetivo é adiantar etapas de pesquisas que investigam novos medicamentos para essas doenças.

Além disso, os dados reunidos no programa também podem levar à criação de outros produtos, como inseticidas e larvicidas, e auxiliar pesquisas voltadas para a preservação do meio ambiente. “Há registros de estudos que utilizam o programa na técnica de bioremediação – que usa microrganismos como bactérias, fungos e plantas, para descontaminação de áreas afetadas pela poluição”, afirma Fernando.

A pesquisa sobre o Visual Dynamics foi publicada na revista BMC Bioinfomatics (acesse aqui), e a ferramenta está disponível no link https://visualdynamics.fiocruz.br.

Já o PlasmoIA é um software baseado em inteligência artificial que foi desenvolvido para identificar o plasmódio causador da malária em imagens de microscopia. De acordo com o professor Fernando, essa ferramenta possui uma taxa de acerto de 98% na detecção da presença ou ausência de malária em amostras de sangue coletadas na lâmina. Nesse caso, a análise é feita rapidamente por meio de uma foto da amostra de sangue, produzida com auxílio de um microscópio e enviada para o sistema.

Por outro lado, a análise das lâminas feita por humanos é um pouco mais demorada e requer muita habilidade dos profissionais para rastrear o plasmodium nas amostras de sangue.

“Além do número reduzido de profissionais capacitados nas instituições de saúde, são necessários muitos anos de treinamento para atingir a excelência na profissão. Por isso, treinar o algoritmo para reconhecer a doença nas lâminas é uma alternativa para abreviar o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento dos pacientes, o que pode reduzir a transmissão entre pessoas”, observa o pesquisador Fenando Zanchi.

O software ainda precisa de um refinamento no sistema de identificação de casos em que não há malária. Isso porque, embora ele apresente uma alta sensibilidade de 98% para identificar os casos positivos, sua especificidade para os casos negativos ainda é baixa, impedindo a determinação de outras possíveis enfermidades que possam estar afetando o paciente.

Apesar dessa limitação, a combinação do diagnóstico médico, dos exames clínicos e dos resultados fornecidos pelo software permite uma identificação mais precisa de outras eventuais doenças.

Mais detalhes sobre o PlasmoIA estão disponíveis na revista PLOS (acesse aqui) e a ferramenta online, ainda em fase de validação, pode ser acessada em https://www.plasmoia.labioquim.fiocruz.br. 

O terceiro programa, o PlasmoQSAR é uma ferramenta online para cálculo e predição de atividade anti-malária. Publicado na revista ACS OMEGA (acesse aqui) e disponibilizado no endereço www.qsar.labioquim.fiocruz.br,  o software está registrado no INPI sob o número  BR 51 2024 000346-0.

A “calculadora”, como é chamada por Fernando, é um modelo matemático utilizado para realizar testes de determinado composto químico no combate a uma cepa do plasmódio, parasita causador da malária. Nesse estudo, o modelo consegue prever a eficácia de compostos químicos análogos ao triclosan contra a cepa 3D7 do parasita Plasmodium falciparum.

Leia também: Trajetória de Marcus Lacerda, especialista em malária na Amazônia, é destaque em publicação médica internacional

O PlasmoQSAR é resultante de uma dissertação de mestrado orientada por Zanchi no Programa de Pós-Graduação em Biologia Experimental (PPGBIOExp), ofertado em cooperação entre a UNIR e a Fiocruz.

E o Plasmodocking, por sua vez, é uma ferramenta de prospecção de novos fármacos exclusivo contra malária, através de docking molecular. O programa oferece um aumento significativo na velocidade de cálculo do docking molecular, permitindo análises mais rápidas e triagem virtual de milhares de compostos, ideal para estudos de larga escala. Para isso, utiliza técnicas avançadas de busca e otimização, como algoritmos genéticos e busca local baseada em gradientes. O estudo está em fase de revisão para publicação, mas a ferramenta já pode ser acessada em: https://plasmodocking-unir.ecotechamazonia.com.br/.

*Com informações da UNIR

6 conquistas culturais do Carnailha que o tornam único

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Você já ouviu falar no Carnailha? Um dos eventos mais esperados de Parintins, no Amazonas, é o momento em que o Carnaval toma conta da ilha da magia, famosa pela disputa dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido.

O evento é uma expressão da identidade cultural do povo parintinense, que mistura elementos do Carnaval e do boi-bumbá.

O evento é realizado tradicionalmente no domingo, segunda-feira e terça-feira de Carnaval com o objetivo de valorizar a cultura local e promover o turismo na região. Além de gerar emprego e renda para o município, o Carnailha movimenta a economia local.

Em 2025, a festa começou no dia 7 de fevereiro, com a chegada da Kamélia na ilha e acontece entre os dias 2, 3 e 4 de março, na Avenida Paraíba, na ilha da magia.

Confira algumas coisas que somente o Carnailha tem:

Confira as músicas:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Carnaval Amazônico reforça consciência coletiva com ações educativas e socioambientais

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Foto: Reprodução/FRAM

A segunda edição do projeto Carnaval Amazônico reforça a consciência coletiva sobre um de seus pilares: a sustentabilidade. Com ações educativas e socioambientais, o projeto conta, por exemplo, com a compensação dos gases de efeito estufa emitidos durante sua realização (carboneutralização).

Veja o que foi preparado para a edição de 2025:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Potencial anticancerígeno em planta amazônica é analisado no Acre

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Foto: Reprodução/Youtube-Sítio Panc

Uma pesquisa desenvolvida no programa de pós-graduação (PPG) em Produção Vegetal, da Universidade Federal do Acre (Ufac), revelou que o espinafre brasileiro (Alternanthera sessilis), uma planta alimentícia não convencional (Panc) da Amazônia, apresenta efeito positivo in vitro contra o câncer gástrico. O estudo, conduzido pelo doutorando Matheus Matos do Nascimento, analisou a composição química e bioquímica da planta cultivada sob diferentes fontes de fertilizantes, destacando sua elevada atividade antioxidante e seus altos teores de proteína vegetal.

Leia também: Conheça uma PANC medicinal anti-inflamatória e desintoxicante: o espinafre-amazônico

A tese foi defendida no dia 13 de fevereiro e faz parte de um esforço para valorizar as Panc amazônicas, muitas delas ainda pouco exploradas cientificamente. Parte da pesquisa foi realizada no Instituto Politécnico de Bragança, em Portugal, durante o doutorado sanduíche do pesquisador, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A orientadora da pesquisa, professora Almecina Balbino Ferreira, ressaltou a relevância dos achados e o impacto que eles podem ter tanto na alimentação quanto na medicina.

“Esses resultados ampliam o conhecimento sobre as Panc amazônicas, mostrando não apenas seu alto valor nutricional, mas também sua possível aplicação clínica”, disse. “O estudo identificou que o espinafre brasileiro possui compostos bioativos com potencial para atuar na prevenção e no combate ao câncer gástrico, um dado que abre novas perspectivas para futuras pesquisas na área”.

Além do espinafre brasileiro, outras Panc foram analisadas na pesquisa, como a bertalha e o major gomes, conhecidas regionalmente por seu valor nutritivo. Essas plantas têm sido reconhecidas por sua riqueza em antioxidantes, que ajudam a proteger as células contra danos e contribuem para o fortalecimento dos ossos, músculos e pele.

O pesquisador Matheus Matos do Nascimento enfatizou que ainda são necessários estudos adicionais para confirmar os efeitos observados em laboratório. “Os testes in vitro mostraram um potencial promissor, mas o próximo passo é aprofundar as investigações com estudos in vivo”.

Para dar sequência às descobertas, ele busca parcerias com outras universidades com o objetivo de avançar no estudo das propriedades bioativas da planta e viabilizar futuras aplicações na área da saúde.

*Com informações da Ufac

Amazon Sat transmite o Carnaval de Santana 2025; veja quais blocos participam da festa

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Santana

Com mais de 20 bandas musicais, realizando eventos totalmente gratuitos em pontos montados no Corredor da Folia e a participação de 10 blocos, a programação oficial do Carnaval 2025 de Santana (AP), organizada pela Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Sancult), juntamente com a Liga dos Blocos e Micaretas de Santana (Liblomica), começa neste sábado (1º), a partir das 23h30.

Serão cinco dias de muita festa e folia com o desfile dos blocos tradicionais e outras atrações programadas para os dias 1º, 2, 3, 4 e 8 de março. Os abadás dos blocos já estão sendo comercializados desde a semana passada na Central do Carnaval, localizada na Avenida Santana, e custam entre R$ 25 e R$ 30.

O canal Amazon Sat vai realizar a transmissão ao vivo nos dias de folia em Santana. Saiba onde assistir AQUI. Também é possível conferir a transmissão ao vivo pelo Portal Amazônia.

Confira a ordem de desfile dos Blocos:

Sábado (1º de março)

Bloco My Love – Entra no Corredor às 23h45 e saída às 01h45
Bloco NaBaLaDa/Flanáticos – Entra no Corredor às 00h45 e saída às 2h45
Bloco Faraó – Entra no Corredor às 01h45 e saída às 03h45

Domingo (2 de março)

Bloco My Love Kids – Entra no Corredor às 18h e saída às 20h
Dj EME (Atração nacional) – Início às 21h
Bloco Abalou/Barulho – Entra no Corredor às 23h e saída às 1h
Bloco Uau – Entra no Corredor às 00h e saída às 2h
Bloco Bebo Todas – Entra no Corredor às 1h e saída às 3h
Bloco Pororoca/Porto Folia – Entra no Corredor às 2h e saída às 3h45

Segunda-feira (3 de março)

Bloco NaBaLaDa/Flanáticos – Entra no Corredor às 23h45 e saída às 1h45
Bloco Faraó – Entra no Corredor às 00h45 e saída às 2h45
Bloco My Love – Entra no Corredor às 1h45 e saída às 3h45

Terça-feira (4 de março)

Bloco Faraó Kids – Entra no Corredor às 18h e saída às 20h
Bloco Abalou/Barulho – Entra no Corredor às 23h e saída às 1h
Bloco Pororoca/Porto Folia – Entra no Corredor às 00h e saída às 2h
Bloco Uau – Entra no Corredor às 1h e saída às 3h
Bloco Bebo Todas – Entra no Corredor às 2h e saída às 3h45

Sábado (8 de março)

Escola de Samba Império do Povo – Entra na Avenida às 20h
Banda Babado Novo – Inicia apresentação às 22h
Pipoca do Povo – Inicia apresentação às 1h da manhã

Carnaval Amazônico – Amapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

2025 inicia com registro de aumento de 68% no desmatamento da Amazônia

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Imagem: Christian Braga/Greenpeace

O desmatamento na Amazônia Legal aumentou 68% em janeiro de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 133 km² de destruição florestal. A área é a sexta maior desmatada da série histórica para o mês e representa mais de 400 campos de futebol devastados por dia.

Captura de tela 2025 02 19 155048 - Ano de 2025 começa com aumento de 68% no desmatamento da Amazônia

“Esses números evidenciam uma crescente pressão sobre a Amazônia e servem como um sinal de alerta para a necessidade de fortalecer as ações de monitoramento na região. Para reverter esse cenário, é fundamental intensificar a fiscalização, ampliar as operações de combate aos crimes ambientais e fortalecer políticas que incentivem a proteção e o uso sustentável da floresta”, afirma a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim. 

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon e mostram que Mato Grosso liderou a devastação em janeiro deste ano, concentrando 45% do total detectado. Roraima (23%) e Pará (20%) aparecem em seguida, e juntos, eles somam 88% da redução de vegetação registrada na Amazônia. 

Já nos municípios, seis dos dez que mais desmataram estão no Mato Grosso, dois em Roraima e um no Pará.

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1AmajariRR12
2JuínaMT8
3UruaráPA8
4Nova MaringáMT8
5Feliz NatalMT6
6CaracaraíRR6
7Porto dos GaúchosMT5
8MucajaíRR4
9AripuanãMT4
10TabaporãMT4

A pesquisadora Larissa alerta que, além desse crescimento, também é preocupante a perda em áreas protegidas concentrada em algumas regiões. “Um exemplo é que apesar do Amazonas ter sido o quinto estado que mais desmatou em janeiro de 2025, a maioria das unidades de conservação que mais desmataram estão localizadas neste estado “, explica.

Além disso, o estudo identificou que sete das dez terras indígenas mais afetadas pelo desmatamento estão total ou parcialmente dentro de Roraima, evidenciando a vulnerabilidade das TIs no estado. “A destruição dessas terras impacta diretamente os povos originários, que dependem da floresta para sua sobrevivência, além de comprometer a manutenção da biodiversidade de fauna e flora e a regulação climática. É preciso uma ação em conjunto dos órgãos responsáveis  para atuar nos locais apontados como mais críticos”, ressalta Larissa.

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1TI YanomamiAM/RR0,2
2TI BacurizinhoMA0,2
3TI Alto Rio NegroAM/RR0,08
4TI MalacachetaRR0,05
5TI JapuíraMT0,04
6TI CanauanimRR0,04
7TI Jurubaxi-TéaAM/RR0,02
8TI Manoá/PiumRR0,02
9TI RaimundãoRR0,02
10TI WaiWáiRR0,02

Degradação florestal em janeiro é a terceira maior desde 2009

A  degradação, caracterizada pela derrubada parcial da vegetação, que ocorre devido às queimadas e extração madeireira, atingiu 355 km² no primeiro mês do ano de 2025, afetando um território maior que o município Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. A área ainda é 21 vezes superior à impactada no mesmo período do ano passado, quando 16 km² foram acometidos. O dado é o terceiro maior da série histórica para o mês, ficando atrás apenas de janeiro de 2015 (389 km²)  e de 2011 (376 km²).

Serie historica da degradacao em janeiro - Ano de 2025 começa com aumento de 68% no desmatamento da Amazônia

Os estados amazônicos que tiveram maior ocorrência da atividade foram Pará (46%), com 116 km² degradados, e Maranhão (40%), com 144 km². Juntos eles concentraram 86% das áreas com a prática. 

É também dentro deles que estão os dez municípios com maior degradação, cinco deles no Pará e cinco no Maranhão. Ocupando o topo do ranking está o Prainha, localizado no Norte do Pará, que apresentou 67 km², extensão que equivale a 6.700 campos de futebol de mata afetados.

RankingNomeEstado Área (km²)
1PrainhaPA67
2Bom JardimMA58
3Centro Novo do MaranhãoMA52
4AlmeirimPA38
5Mojuí dos CamposPA26
6Santana do AraguaiaPA15
7Zé DocaMA14
8Amarante do MaranhãoMA10
9Centro do GuilhermeMA9
10Monte AlegrePA7

No mês de janeiro, foram detectadas oito Unidades de Conservação amazônicas com a presença da degradação. Três delas estão situadas no Pará, uma no Maranhão, duas em Rondônia, uma no Amapá e uma está distribuída entre o Amazonas, Mato Grosso e Roraima. São elas: Rebio do Gurupi (50 km²), FES do Paru (17 km²), APA Arquipélago do Marajó (2 km²), Parna Serra da Cutia (2 km²), Parna dos Campos Amazônicos (1 km²), Resex do Rio Cajari (1 km²), APA do Tapajós (0.3 km²) e Resex do Rio Pacaás Novos (0.2 km²).

Além das UCs, sete Terras Indígenas também foram degradadas, três delas estão no Maranhão, duas em Mato Grosso, uma no Amazonas e uma no Pará. Quem liderou o ranking foi a TI Alto Turiaçu, localizada no Maranhão, ela teve 69 km² atingidos, território equivalente a 6.900 campos de futebol de mata degradados no primeiro mês do ano.

RankingNomeEstado Área (km²)
1TI Alto TuriaçuMA69
2TI AraribóiaMA10
3TI PiripkuraMT2
4TI Cunhã-SapucaiaAM1
5TI Alto Rio GuamáPA0.4
6TI WawiMT0.1
7TI AwáMA0.08

“Apesar da alta, é esperado que os números de desmatamento e degradação reduzam nos próximos meses, pois estamos nos meses onde historicamente esses distúrbios não são tão intensos por conta das chuvas. Por isso, é importante que o governo e órgãos responsáveis usem esse tempo para focar ainda mais em ações preventivas e planejamento para conter os impactos antes que chegue o período mais crítico”, alerta Carlos Souza Jr. , pesquisador do Imazon.

Veja aqui os dados de janeiro

Acesse aqui todos os boletins de desmatamento e degradação

Saiba mais sobre o SAD aqui

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Ingá: fruto típico da Amazônia auxilia no emagrecimento e combate a anemia

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Foto: Reprodução/Dr. Saúde

Com uma aparência peculiar, semelhante à de um cipó, o ingá se destaca entre as frutas amazônicas por sua característica autêntica. A fruta abriga várias sementes envoltas por uma polpa branca, macia e levemente adocicada.

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Além do sabor agradável, sua fragrância também chama atenção: durante a floração, que ocorre entre setembro e dezembro, o aroma suave do ingazeiro perfuma o ambiente, tornando fácil identificá-lo na paisagem.

Nas feiras da região, o ingá é garantido e está entre os favoritos de quem busca uma opção saudável e saborosa para sobremesa. Além de agradar ao paladar, ele também oferece uma série de benefícios nutricionais.

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O Grupo Rede Amazônica,  conversou com o nutricionista Roberto Rocha, especialista em reeducação alimentar e emagrecimento, que explicou que o ingá é uma excelente fonte de vitamina C, ferro e cálcio, nutrientes essenciais para o organismo.

Veja os valores nutricionais em 100 gramas de ingá, de acordo com a TACO (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos)

  • Kcal: 60 kcal.
  • Carboidratos: 15,50 g. Proteínas: 1 g.
  • Lipídeos: 0,10 g.
  • Colesterol: 0 mg.
  • Fibra Alimentar: 1,20 g.
  • Vit. C 1,6 MG
  • Cálcio: 21 mg
  • Ferro: 2.3 mg

“Por ser uma fruta regional e sazonal, o ingá pode ser um ótimo complemento para uma alimentação equilibrada. A vitamina C fortalece o sistema imunológico e tem ação antioxidante, ajudando na saúde da pele. O ferro combate anemias, previne cansaço e fadiga, além de auxiliar no transporte de oxigênio pelo sangue. Já o cálcio é fundamental para a saúde óssea, prevenindo a osteoporose e contribuindo para a regulação do ritmo cardíaco”, explica o especialista.

Leia também: Conheça 10 frutas exóticas encontradas na Amazônia

Ainda de acordo com Roberto, por conter fibras, o fruto pode auxiliar ainda no processo de emagrecimento, considerando o contexto geral da dieta.

Com tantos atributos, não é surpresa que o ingá conquiste cada vez mais admiradores. Seja pelo sabor ou pelos benefícios à saúde, essa fruta típica da Amazônia é um verdadeiro presente da natureza.

*Por Agaminon Sales, da Rede Amazônica RO

Feriado de Carnaval? Não em Roraima; entenda por quê

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Foto: Giovani Oliveira/Semuc/PMBV

O período de Carnaval não é feriado em Boa Vista nem em Roraima. Isso porque para uma data ser considerada feriado é necessária uma lei, o que até este ano não existe na capital, tampouco no estado. Em 2025, o carnaval ocorre entre os dias 1º e 5 de março.

O período é considerado ponto facultativo na capital, o que significa que apenas servidores municipais terão folgas. O governo ainda não divulgou como será a data. Trabalhadores de empresas privadas devem seguir a jornada habitual ou conforme decisão dos gestores.

No âmbito nacional, o período de segunda a quarta-feira, até as 14h, é considerado ponto facultativo pelo governo federal, de acordo com o calendário oficial deste ano.

Festa de Carnaval em Boa Vista

Este ano, a tradicional festa de carnaval organizada pela prefeitura de Boa Vista inclui o desfile de 35 blocos em quatro pontos da capital e um circuito de rua. A festa programação se inicia na sexta-feira (1º) e segue até a terça-feira (4).

A folia em 2025 tem como tema ‘Folia que abraça, cidade que cuida’. A programação ocorre:

  • na Praça Fábio Marques Paracat;
  • no Circuito Itinerante: Praça Linear Chico do Carneiro, Praça Cabos e Soldados e Praça Clotilde Thereza Duarte de Oliveira;
  • e no Circuito de Rua, que terá desfiles de blocos em vários bairros da capital.

Para as crianças, a prefeitura de Boa Vista anunciou o show da atração nacional Mundo Bita, no domingo (2), na praça linear Chico do Carneiro.

Pesquisa com ariranhas busca compreender estado de conservação da espécie no Amazonas

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Foto: Marcelo Ismar Santana

A ariranha (Pteronura brasiliensis), a maior lontra do mundo e uma das mais ameaçadas de extinção, tem sido o foco de uma pesquisa na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, no Amazonas. O estudo, coordenado pelo Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, visa entender o estado de conservação, os padrões espaciais e temporais, e a saúde da população de ariranhas na região, além de avaliar a percepção das comunidades ribeirinhas sobre a espécie.

A ariranha, endêmica da América do Sul, sofreu uma drástica redução em sua distribuição geográfica ao longo das últimas décadas. A caça predatória, principalmente para o comércio de peles, e a perda de habitat foram os principais fatores que diminuíram a população dessa espécie e levaram à sua extinção em alguns locais.

Na RDS Amanã, dois anos após a criação da área protegida, a espécie, que havia sido extinta localmente, voltou a habitar a região. No entanto, interações negativas entre os moradores locais e as ariranhas ainda são motivo de preocupação, podendo levar a prejuízos econômicos para as comunidades e ameaças à espécie. Dessa forma, o projeto busca investigar não apenas a ecologia da espécie, mas também a relação com as comunidades humanas.

Leia também: Ariranhas começam a desaparecer no Parque Estadual do Cantão e preocupam especialistas

Comportamento e monitoramento

O projeto de monitoramento também utiliza armadilhas fotográficas para registrar o comportamento das ariranhas. Dentre outras cenas, as câmeras capturaram imagens dos animais espalhando urina e fezes com as patas em locais conhecidos como “latrinas”, um comportamento típico da espécie para marcar território e alertar outros grupos sobre sua presença.

As armadilhas fotográficas também permitem aos pesquisadores mapear a distribuição das ariranhas na reserva e entender como diferentes grupos interagem entre si e com o ambiente.

Sendo um animal topo de cadeia, a conservação das ariranhas na RDS Amanã não só beneficia a espécie, mas também contribui para o equilíbrio do ecossistema como um todo. Ao investigar seu estado de conservação e buscar formas de conciliar a coexistência entre as ariranhas e comunidades locais, o projeto representa um passo importante em direção à proteção da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável das comunidades humanas que compartilham o mesmo território.

Relatório

Especialistas de 12 países da América Latina publicaram juntos o resumo mais abrangente do conhecimento sobre a conservação da ariranha (Pteronura brasiliensis), incluindo a identificação das áreas ribeirinhas mais importantes que fornecem habitat para esse ícone aquático da Amazônia. Confira o relatório.

*Com informações do Instituto Mamirauá

O grande milharal amazônico: o potencial dos sítios arqueológicos bolivianos

Canais nas áreas alagáveis serviam para escoar a água nas estações chuvosas. Foto: Reprodução/Bing Maps

Antes da chegada dos europeus à América do Sul, a cultura Casarabe ocupava grandes áreas do sudoeste amazônico, em um período estimado entre os anos 500 e 1400. Cada vez mais surgem indícios de uma ampla população que, na planície boliviana conhecida como Llanos de Moxos, mantinha extensos milharais. E isso é surpreendente. 09

Artigos publicados nos últimos meses permitiram classificar essas plantações como monoculturas, como o do fim de janeiro na revista Nature, reforçar a importância do milho na dieta humana e associá-lo à domesticação de patos, segundo o divulgado em dezembro na Nature Human Behaviour.

“Sempre achamos que as populações pré-colombianas daquela região cultivassem uma variedade de plantas, como as ‘três irmãs’ [milho, abóbora e feijão] na América Central, ou que adotassem práticas agroflorestais”, explica o arqueólogo ambiental italiano Umberto Lombardo, da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, autor principal do artigo da Nature, que teve participação de integrantes do grupo do arqueólogo Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP). “Encontrar uma monocultura de milho foi uma verdadeira surpresa”, completa ele, que viveu na região há pouco mais de 20 anos e pesquisa ali desde 2006.

Já se sabia, de trabalhos anteriores, que toda aquela área é repleta de resquícios de assentamentos humanos, com centenas de montes monumentais conectados por canais e caminhos. “Eles são organizados de acordo com um padrão hierárquico, com montes maiores no centro de agregados de montículos menores”, descreve Lombardo. “Isso sugeriria a presença de uma organização social acima do nível de cada assentamento, provavelmente com algum poder centralizado”.

Leia também: Milho chegou ao Brasil pela Amazônia ocidental e foi domesticado ao longo de ondas migratórias

Arte: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP

Uma mistura de técnicas de sensoriamento remoto, análises microbotânicas e levantamentos de campo agora evidenciaram uma engenharia da paisagem voltada ao plantio, com canais de drenagem para escoar a água nos meses chuvosos, quando tudo alaga, e lagos para reter água na estação seca, o que também seria precioso para atrair caça. De acordo com a investigação de vestígios de plantas, como os fitólitos (moldes petrificados das células vegetais, preservados em grande quantidade nos Llanos de Moxos), havia uma presença intensa de milho nos campos e lagoas, mas não nas partes onde havia floresta – o que deixaria claro que o cultivo não se dava em um contexto agroflorestal.

“Por décadas houve muito debate sobre o papel do milho”, relata a arqueóloga britânica Jennifer Watling, do MAE-USP, que supervisionou o trabalho de pós-doutorado do arqueobotânico brasileiro Lautaro Hilbert, coautor do artigo, na região. A dúvida vinha, em parte, do fato de que é uma planta que requer solos férteis, o que se pensava não existir na Amazônia – e já se demonstrou falso com o conhecimento sobre a terra preta ainda hoje fabricada por povos indígenas.

Em menor escala, Watling e colegas identificaram – também nas áreas florestais – fitólitos de abóbora, mandioca, cabaça, entre outras plantas. “Nos pontos mais altos, que não alagam na estação das chuvas, há floresta, que provavelmente era manejada”, destaca. Segundo ela, o trabalho da Nature ressalta a importância do milho na dieta daqueles habitantes. O mesmo vale para o artigo de dezembro na Nature Human Behaviour, cujo primeiro autor é o arqueólogo brasileiro Tiago Hermenegildo. Ele estudou material dos Llanos de Moxos durante o doutorado, concluído em 2022, na Universidade de Cambridge, Reino Unido, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O material agora foi repatriado e está depositado no museu em Trinidade, Bolívia, construído como retribuição a partir de fundos do projeto europeu.

“No sítio há evidências consideráveis da presença do milho”, afirma Hermenegildo. “Há vestígios nas cerâmicas, no solo, nos restos de grãos e de sabugos”. Os achados dependem muito do acaso, que em parte determina o que é preservado ou não, e de estarem presentes nas áreas amostradas pelos arqueólogos, que recolhem os pequenos grãos depois de peneirar os sedimentos escavados. Para fugir um pouco dessa necessidade de sorte, Hermenegildo desde o mestrado se concentrou no estudo de isótopos estáveis, formas variadas de átomos cuja composição não se altera ao longo do tempo, como acontece com os radioativos.

Milharal na Amazônia peruana: em alguns lugares há raças nativas. Foto: Education Images/Universal Images Group via Getty Images

A comida que fica no colágeno

“O tipo de carbono encontrado no colágeno preservado junto aos ossos é indicativo dos vegetais consumidos, enquanto o nitrogênio está associado à proteína animal”, explica. Ele complementa que na Amazônia não ocorrem naturalmente plantas do tipo C4 consumidas por seres humanos, como é o caso do milho, cujo mecanismo de fotossíntese produz moléculas com quatro átomos de carbono. Encontrar esse tipo de carbono em ossos humanos e animais indica, portanto, o consumo de milho.

Watling, que não trabalha com isótopos estáveis, considera esse tipo de análise mais informativo para inferir a dieta, já que se detecta aquilo que as pessoas e animais consumiram em vida. Mas o quadro mais amplo não deixa de ser importante. Antes do estudo isotópico, é fundamental conhecer a caracterização zooarqueológica e arqueobotânica do sítio, de acordo com Hermenegildo: quais animais e plantas existiam no contexto da vida humana. “Fomos descobrindo muitos ossos de pato durante a exploração do material de fauna”, conta ele. Isso foi surpreendente por ser incomum, e fez diferença nas interpretações.

Lagos pré-colombianos serviam para irrigação. Foto: Umberto Lombardo/Universidade Autônoma de Barcelona

O estudo trouxe os primeiros indícios arqueológicos reforçando a posição do pato-do-mato (Cairina moschata), nativo daquela região, como a única domesticação local a leste da cordilheira dos Andes. “Os isótopos estáveis mostram que eles comiam uma proporção de milho ainda maior do que as pessoas”, conta Hermenegildo. Ele ressalta, no entanto, que o uso das aves era provavelmente ritual – algo registrado em relatos deixados por padres que andaram por ali nos séculos XVI e XVII. “Ainda não dá para saber em qual contexto e quantidade as pessoas comiam patos”.

Os dados de isótopos estáveis ainda não permitem distinguir as fontes de proteína animal, ele explica, mas os ossos de fauna recuperados da escavação são principalmente de cervídeos. Esses animais que podiam chegar a 40 quilogramas (kg) eram caçados e representavam uma refeição bem mais significativa para a comunidade.

Para Hermenegildo, o que seu trabalho mostra de mais importante é a centralidade do milho na alimentação pré-colombiana daquela área, cuja urbanização se deu em torno do cultivo. Há indícios, segundo ele, de uma rede de troca entre as terras baixas amazônicas e os Andes, de forma que utensílios e adornos de cobre aparecem em sítios dos Llanos de Moxos. O milho acabou sendo também plantado nas montanhas, mas ainda não se sabe por qual rota. “A domesticação desse cultivo à altitude demorou mais”, explica. Depois da chegada dos colonizadores europeus, as populações amazônicas começaram a ser dizimadas e os registros de milho também se tornam mais escassos, uma vez que a lavoura precisa de cuidado humano para prosperar.

Ossos de pato-do-mato, a única espécie local domesticada a leste dos Andes (à esq.), estão presentes nos achados arqueológicos (à dir.). Fotos: Dan Vickers e Heiko Prümers/Instituto Arqueológico Alemão

“O sudoeste da Amazônia é um importante centro de diversificação em que raças nativas de milho foram desenvolvidas e adaptadas”, reitera a geneticista Flaviane Costa, pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Universidade de Oxford, Reino Unido, que não participou dos estudos.

Para ela, que é especialista na domesticação do milho e nas raças nativas ainda hoje plantadas na Amazônia, entender o histórico ligado à agricultura e ao patrimônio genético e cultural é importante inclusive, no âmbito de políticas públicas atuais de conservação e de segurança alimentar.

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Costa considera crucial que os estudos de Hermenegildo, Lombardo e colaboradores sejam aprofundados para mensurar o tamanho dos campos de cultivo da cultura Casarabe e entender a diferença em relação ao que os povos indígenas praticam hoje. Ela põe ressalvas no uso do termo “monocultura”. “Os sistemas agrícolas tradicionais são muito dinâmicos em relação ao manejo e cultivo do milho e conservam uma diversidade grande em termos de raças locais e suas características, possibilitando usos diversos”.

De acordo com Lombardo, os achados na Bolívia sugerem que a produção de alimento seria suficiente para alimentar uma população numerosa, mas isso ainda é especulativo. “Precisamos de um mapa de todos os lagos e canais para ter uma estimativa de quanto poderia ser produzido na área inteira, e a partir daí talvez possamos traçar um modelo da população passada”, planeja o arqueólogo italiano.

Dificuldades com o uso de isótopos na arqueologia: Custo, acesso e preocupações éticas ainda limitam expansão da técnica

Tiago Hermenegildo terminou o mestrado em 2009 no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). “Fui para lá pela experiência com análises de isótopos estáveis, mas ninguém trabalhava com arqueologia”.

Ainda hoje, a ferramenta tem uso incipiente no país, inclusive por um problema de investimento, de acordo com a antropóloga portuguesa Maria Ana Correia, pesquisadora do Centro Interdisciplinar para Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano, Portugal, e associada ao Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP. Ela também ressalta que a preservação do colágeno é difícil em muitos sítios arqueológicos brasileiros, em consequência da alta temperatura e umidade.

Correia é coautora de um artigo publicado na edição de janeiro da revista American Journal of Biological Anthropology, que ressalta os cuidados éticos necessários nesse tipo de estudo. “Devemos selecionar amostras arqueológicas criteriosamente, priorizando a preservação para estudos futuros – não sabemos que técnicas estão por inventar – e registrando todo o processo”, sugere. “Também é preciso estabelecer relações de responsabilidade com a sociedade como um todo, mas particularmente com atuais representantes das comunidades em estudo”. Para ela, é encorajador ver estudos desenvolvidos sob liderança latino-americana.

Projeto

Povos indígenas e o meio ambiente na Amazônia Antiga (nº 19/07794-9); Pesquisador responsável Eduardo Góes Neves (USP); Modalidade Projeto Temático; Convênio AHRC, UKRI; Investimento R$ 2.732.154,84.

Artigos científicos

HERMENEGILDO, T. et alStable isotope evidence for pre-colonial maize agriculture and animal management in the Bolivian AmazonNature Human Behaviour. 23 dez. 2024.
LOMBARDO, U. et al. Maize monoculture supported pre-Columbian urbanism in southwestern AmazoniaNature. 29 jan. 2025.
STANTIS, C. et alEthics and applications of isotope analysis in archaeologyAmerican Journal of Biological Anthropology. v. 186, n. 1, e24992. jan. 2025.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Maria Guimarães