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A queda da borracha na Amazônia

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FotoMarcely Gomes/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O declínio da borracha na Amazônia passou a concretizar-se em 1900, quando a tenacidade anglo-saxônica exibiu ao mundo as quatro primeiras toneladas procedentes de seringais plantados.

Nos primeiros meses a notícia causou apenas controvérsias. É que dominava, entre nós, a crença de que a Hévea da Amazônia não se adaptaria facilmente em qualquer outra região. Além do mais, os próprios técnicos norte-americanos asseguravam que o produto de plantação jamais chegaria a ser artigo considerável.

Enquanto vinham a baila pontos de vista assim desencontrados, Wickham e outros faziam intensas experiências nos viveiros contando para isso com amplos recursos financeiros.

Assim é que de 4 toneladas iniciais, em 1900, subestimadas inclusive por técnicos americanos, a produção inglesa cresceu de ano para ano, à semelhança de uma avalanche: em 1910, 8.200t; em 1920, 304,816t; em 1930, 800.808 toneladas. Crescimento que em momento algum sofreu solução de tenuidade como determinação inexorável.

Evidentemente, assim aconteceu. A produção brasileira entrou em colapso. Era a famosa ‘Queda da Borracha’, com todo o seu cortejo de horrores para o comércio local. De 37.938 toneladas, em 1910, fomos diminuindo para 23.216; para 14.260 em 1930; até o cumulo dos absurdos com 6.500 toneladas.

Diante de tamanha desigualdade de produção entre o poderio de além fronteiras e a falta absoluta de planos de defesa da Hévea, não foi possível resistir por muito tempo. Centenas de organizações comerciais desapareceram na voragem das falências. Deu-se o êxodo dos seringais. Só os heróis permaneceram as margens dos altos rios, lutando sem tréguas pela sobrevivência.

Manaus experimentou dias amargos com seu principal produto de exportação cotado a preços irrisores e com os demais produtos – a castanha, a madeira, as oleaginosas, peles e couros – explorados pelos abutres da negociata em tais emergências. Deixou de ser aquela capital deslumbrante de que falavam com exaltações visitantes ilustres.

Porto quase sem movimento. Escassas as arrecadações da Fazenda Estadual. Em consequência disso, o funcionalismo em atraso por vários meses. Teatro Amazonas, sem condições de contratar companhias, como fizera desde a inauguração.

O decênio 1915-1925 transcorreu, assim, em meio às mais aflitivas provações. Desapareceram no sorvedouro das falências, ensejando o desespero a capitalistas e o desemprego a assalariados, centenas de casas comerciais, até então consideradas verdadeiras potências do crédito, interessadas na exportação da borracha, que chegou a empalhar como café.

De 1925 em diante, mediante o amparo decisivo do Governo Federal, os preços da goma-elástica passaram a subir. Houve como que um surgimento em toda a Amazônia. Como veremos mais adiante, estava em prática inteligente política, tendo por objetivo neutralizar os efeitos da Resolução de 1924.

Em 1938, finalmente a borracha alcançou preços mais compensadores. A praça de Manaus voltou a ressurgir das cinzas, como a fênix da lenda e toda a população enveredou por novos caminhos, como a preocupação de melhores dias.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Elos da Amazônia: chamada abre participação para empreendedores indígenas do Amapá

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Empreendedores indígenas amapaenses podem participar da chamada Elos da Amazônia. Foto: Michael Dantas/Idesam

Um levantamento recente do Instituto Ethos revela que a população indígena representa 1% dos trabalhadores nas grandes empresas do país, ocupando apenas 0,1% das posições de liderança. Como uma resposta para ajudar a transformar essa realidade, a iniciativa chamada Elos da Amazônia 2024 – Edição Empreendedorismo Científico Indígena está com inscrições abertas, em busca de promover o protagonismo indígena no cenário empresarial.

Com foco em reconhecer empreendedores indígenas que desenvolvam tecnologias inovadoras e disruptivas a partir da biodiversidade amazônica, a Chamada visa fomentar negócios competitivos, economicamente viáveis, ambientalmente equilibrados e socialmente inclusivos.

O edital selecionará duas startups lideradas por empreendedores autodeclarados indígenas, com sede em estados da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima) ou no Amapá, e constituídas há no máximo cinco anos.

As propostas devem demonstrar soluções tecnológicas aplicáveis ao mercado, podendo estar na fase de protótipo, validação ou em operação no mercado. As inscrições estão abertas até o dia 24 de janeiro de 2025 e podem ser feitas exclusivamente pelo site.

Além do reconhecimento, os projetos selecionados receberão suporte técnico para transformar ideias em negócios viáveis. Entre os benefícios estão a preparação para execução de recursos via Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), conexão com incubadoras e aceleradoras, e possível ingresso no Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio).

Cada startup selecionada pelo edital receberá R$ 1 milhão, sendo R$ 500 mil via PPBio para aceleração do negócio e R$ 500 mil para desenvolvimento de um projeto de tecnologia que será executado pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), via recursos da Embrapii.

Tecnologia com identidade amazônica

A iniciativa conta com a parceria do INDT, que apoia o desenvolvimento de tecnologias com alto potencial de impacto. Os critérios de seleção priorizam propostas alinhadas à sustentabilidade e ao uso consciente dos recursos da floresta. As tecnologias apresentadas podem incluir novos processos, sistemas ou aplicações baseadas na biodiversidade amazônica.

Para os idealizadores da Chamada, iniciativas como essa são fundamentais para promover o empreendedorismo indígena, transformando conhecimento acadêmico e tradicional em soluções de mercado. ‘’Acreditamos que uma tecnologia pode surgir de qualquer lugar: de experiências empíricas, saberes tradicionais ou pesquisas laboratoriais. O importante é prepará-la para o mercado e gerar renda para as comunidades indígenas”, reforça Geraldo Feitoza, Diretor Executivo do INDT.

O edital é uma realização do Idesam, Programa Prioritário de Bioeconomia, agenda da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), e INDT. A chamada conta ainda com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Conheça a biodiversidade protegida das áreas de conservação regional de San Martín, no Peru

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As áreas de conservação regional Cordilheira Escalera e Shunte e Mishollo – Boshumi, localizadas na região de San Martín, abrigam uma fauna variada e uma biodiversidade única. Foto: Divulgação/Agência Andina    

A região de San Martín, no Peru, possui duas áreas de conservação regional (ACR): Cordillera Escalera e Bosques de Shunte e Mishollo – Boshumi, áreas naturais protegidas estabelecidas pelo Estado peruano que servem para conservar as diversas formas de vida presentes na natureza, os diferentes ecossistemas e processos naturais que, juntos, geram grandes benefícios.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Estas áreas são propostas e geridas pelos governos regionais e são complementares às áreas naturais protegidas nacionais. Além disso, são espaços que permitem o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis ​​e de cadeias de valor baseadas na gestão dos recursos naturais e no turismo.

Na região de San Martín, estão localizadas duas áreas de conservação regionais onde se guarda e protege a biodiversidade dos frágeis ecossistemas das florestas nubladas montanas e dos ambientes peruanos de yungas e paramos, que fornecem às populações locais, contribuindo para a mitigação do clima. mudar. Vamos conhecer a biodiversidade e a variada fauna que abrigam.

Área de Conservação Regional Cordillera Escalera: ‘Onde nascem nossas águas

Foto: Divulgação/Agência Andina

É a primeira Área de Conservação Regional do Peru, criada em 22 de dezembro de 2005 através de solicitação que o Governo Regional de San Martín fez ao Estado, estabelecendo-se como tal pelo Decreto Supremo 045-2005-AG. Com uma área de 149.870 hectares, abrange cinco distritos da província de San Martín (San Antonio de Cumbaza, Tarapoto, Banda de Shilcayo, Shapaja e Chazuta) e quatro da província de Lamas (Pinto Recodo, Caynarachi, Barranquita e San Roque de Cumbaza).

A Cordilheira Escalera é fonte de abastecimento de inúmeros bens e serviços fornecidos pela floresta, destacando-se água e, entre outros, sementes, carne de caça, palmeiras, entre outros, para sete comunidades nativas Quechua Lamista e Chayahuita que mantêm conhecimentos sobre a conservação e utilização dos recursos naturais da floresta, bem como a diversidade biológica existente na área.

Dentro da área protegida surgem cinco importantes sistemas de água (Shanusi, Caynarachi, Mayo – Cumbaza, Shapaja – Chipeza e Pampayacu – Charapillo) que beneficiam mais de 450.000 pessoas.

Área de Conservação Regional das Florestas Shunte e Mishollo – Boshumi

Foto: Divulgação/Agência Andina

A Área de Conservação Regional Boshumi foi instituída como tal em 15 de dezembro de 2018, pelo Decreto Supremo 016-2028, com uma área de 191.405,53 hectares, localizada nos distritos de Campanilla e Huicungo na província de Mariscal Cáceres; e nos distritos de Pólvora, Shunté e Uchiza na província de Tocache, região de San Martín.

Na área existem charnecas (tipos de terrenos áridos e não cultivados) que captam e regulam a água da bacia do alto Huallaga, abastecendo mais de 69 mil pessoas. A área é um espaço de transição entre a puna úmida dos Andes centrais (ecorregião de pastagens e matagais de montanha) e as yungas peruanas (ecorregião de floresta tropical e subtropical úmida), onde existem amplitudes altitudinais entre 800 e 400 metros acima do nível do mar.

Foto: Divulgação/Agência Andina

O objetivo do ACR Boshumi é conservar as charnecas e os serviços ecossistêmicos que prestam em benefício das populações locais, bem como a sua contribuição para a mitigação das alterações climáticas nas regiões de San Martín e La Libertad, que são habitats de espécies endêmicas (únicas na área) e ameaçadas, como o urso de óculos, o macaco-lanudo de cauda amarela, a onça-pintada, o condor andino, entre outras espécies.          

Você pode encontrar até 1.500 variedades de flora entre árvores como cedro, parafuso, pumaquiro, incenso; palmeiras como huasi, palmeiras de cera; bromélias, samambaias e uma variedade de orquídeas. As florestas Shunté e Mishollo cumprem funções importantes, como o armazenamento de carbono atmosférico para ajudar a controlar o aquecimento global.

O Governo Regional de San Martín declarou a criação da ACR de interesse regional em dezembro de 2016, o que permitiu que 26% da superfície da região seja uma área natural protegida e 38,24% seja uma área de proteção e conservação ecológica.

*Com informações da Agência Andina

Quem foi Eduardo Ribeiro e qual sua influência para o Amazonas

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Eduardo Ribeiro. Imagem: Divulgação

Uma das Avenidas mais famosas do Centro de Manaus é a Avenida Eduardo Ribeiro. Mas você sabe quem foi Eduardo Ribeiro e porque uma das principais vias da capital amazonense foi batizada com seu nome?

Eduardo Gonçalves Ribeiro foi jornalista e militar. Nasceu no dia 18 de setembro de 1862 em São Luís, no Maranhão. Foi apelidado de ‘Pensador’, em decorrência de sua ativa participação nos movimentos republicanos e por ter editado o jornal maranhense ‘O Pensador’.

Em 1887 chegou a Manaus, no Amazonas, onde serviu como tenente do Exército. Já na República, em 1890, foi convidado por Augusto Ximeno de Villeroy, que em 4 de janeiro tomou posse como governador do Amazonas, para compor a alta administração do estado como chefe de seu gabinete. 

Quando Villeroy deixou o cargo e se transferiu para o Rio de Janeiro, substituiu-o no governo. Eduardo Ribeiro tomou posse no dia 2 de novembro de 1890 e foi afastado do cargo em 4 de abril do ano seguinte. No entanto, retornou 12 dias depois após o apoio e mobilização popular.

Ao encerrar o mandato, foi promovido a capitão de 1ª classe e foi transferido para o Rio de Janeiro, onde também assumiu o posto de professor da Escola de Guerra. Voltou ao Amazonas em 1892 e propês a criação da primeira constituição estadual, com ideais republicanos e positivistas.

Em seu governo, Manaus passou por inúmeras transformações, especialmente porque a capital vivia em um momento financeiro positivo com a exportação da borracha e precisava atrair mão de obra e capital estrangeiro. Esse e outros fatores motivaram Eduardo Ribeiro a modernizar a cidade.

Assim, como governador do estado, ele foi responsável por agilizar e terminar a construção do Teatro Amazonas e muitas das outras obras de urbanização da cidade, entre elas o Reservatório do Mocó e o Palácio da Justiça, por exemplo.

Foram várias obras feitas e vale ressaltar que, no período de seu governo, o estado estava vivendo a Belle Époque, por isso, uma política de embelezamento, saneamento e desenvolvimento, tendo como norte a cidade de Paris (França), transformando Manaus na conhecida “Paris dos Trópicos”.

Ele morreu em Manaus, em circunstâncias não esclarecidas. Foi encontrado em 14 de novembro de 1900, sentado no chão da sua casa, de pijamas, enforcado. Na residência encontravam-se apenas policiais designados para sua tropa particular, afinal, o maranhense era deputado e presidente da Assembleia. O inquérito foi encerrado e a polícia classificou a morte como suicídio, mas acredita-se que o ex-governador possa ter sido envenenado. 

Estudo destaca aprendizados sobre sistemas de concessões florestais entre Brasil, Indonésia e Congo

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Trabalhadores em área de manejo florestal na Amazônia. Foto: Israel Palestina

O boletim “Concessões em Florestas Públicas Tropicais: um olhar para a cooperação baseada nos desafios em comum entre os países da Aliança BIC”, produzido pela iniciativa de Legalidade Florestal sob a coordenação do Imaflora, analisa como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo (RDC) podem trocar experiências e fortalecer as concessões florestais como uma ferramenta de manejo sustentável e geração de renda. 

Com apoio da Good Energies Foundation, o estudo contextualiza os desafios compartilhados por essas nações, que juntas abrigam 540 milhões de hectares de florestas tropicais, mas enfrentam taxas alarmantes de desmatamento. Em 2021, essas bacias florestais perderam 2,3 milhões de hectares de florestas primárias, o equivalente a ¼ do desmatamento de florestas tropicais do planeta entre 2002 e 2022.e a equivale a ¼ do desmatamento de florestas tropicais do planeta entre 2002 e 2022. 

Contexto e objetivos do estudo 

A Aliança das Florestas, firmada em 2022 durante o encontro do G20 em Bali, formalizou a cooperação sul-sul entre Brasil, Indonésia e RDC. O estudo teve como foco as concessões florestais, um modelo que permite que empresas, cooperativas e associações de comunidades locais explorem, de forma sustentável, as florestas públicas por meio do manejo florestal. Essa abordagem promove tanto a conservação quanto a geração de benefícios socioeconômicos. “Nosso objetivo foi identificar desafios e oportunidades para fortalecer os sistemas de concessão, integrando experiências que contribuam para práticas mais inclusivas e eficazes”, explica Marco W. Lentini, um dos autores.

Além disso, a publicação destaca que o fortalecimento de concessões florestais não é apenas uma estratégia ambiental, mas também econômica.  

Metodologia: um olhar multidisciplinar 

O estudo foi desenvolvido com base em uma análise documental abrangente, entrevistas com 17 especialistas do setor florestal e um levantamento bibliográfico detalhado. Essas fontes permitiram traçar um panorama comparativo entre os sistemas de concessões florestais no Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, destacando os desafios compartilhados e as particularidades de cada país. A metodologia adotou uma abordagem multidisciplinar, integrando perspectivas econômicas, sociais e ambientais para avaliar o impacto das concessões nas florestas tropicais e nas comunidades locais. 

Além disso, o boletim incorporou uma análise crítica das políticas públicas e dos instrumentos de gestão florestal vigentes nos países BIC. O objetivo foi identificar lacunas institucionais e propor caminhos para aprimorar a governança, a inclusão comunitária e a eficiência das concessões. “Esse olhar amplo foi essencial para criar recomendações que sejam tanto realistas quanto transformadoras”, explica Luísa Falcão, analista de políticas públicas do Imaflora e coautora do boletim. 

Achados revelam barreiras comuns 

O boletim destaca que, embora as concessões florestais tenham se consolidado como uma das estratégias mais eficazes para promover o manejo sustentável e combater a exploração ilegal, os sistemas vigentes no Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo enfrentam desafios estruturais que limitam seu impacto. Uma das principais conclusões é que esses países compartilham barreiras comuns, como a falta de governança robusta, conflitos fundiários e a ausência de políticas públicas que priorizem a inclusão de comunidades locais. 

No caso do Brasil, apenas 1,3 milhão de hectares estão atualmente sob concessões florestais, muito abaixo da meta do Serviço Florestal Brasileiro, por exemplo, de chegar a 5 milhões de hectares no Brasil para esse modelo de manejo. Desde 2011, a produção total de madeira em tora dessas concessões foi de 2,4 milhões de m³, uma quantidade insuficiente frente à demanda nacional de 10 a 12 milhões de m³ anuais.  

Na Indonésia, 70% das florestas públicas estão sob concessões, mas a maioria é dominada por grandes empresas. “Apesar de avanços no mercado de carbono e na exportação de madeira legalizada para a União Europeia, o país enfrenta uma forte pressão do agronegócio, especialmente do cultivo de palma, que ameaça as áreas manejadas. Conflitos sociais e a falta de reconhecimento de direitos consuetudinários também são barreiras significativas”, conta Liviam Cordeiro-Beduschi. 

A RDC, por sua vez, apresenta um cenário mais crítico. Cerca de 90% da madeira explorada no país circula em mercados informais, sem qualquer tipo de regulamentação ou controle. Grandes companhias estrangeiras dominam as concessões, enquanto comunidades locais raramente são incluídas nas cadeias produtivas formais. “A governança na RDC é um desafio central. Sem mecanismos que garantam a rastreabilidade e a inclusão social, o modelo de concessões florestais enfrenta sérias limitações”, aponta Marco W. Lentini, um dos autores. 

O estudo também revelou que as três nações enfrentam dificuldades em diversificar o uso das florestas além da madeira. Produtos não madeireiros, como óleos, sementes e resinas, têm um grande potencial econômico, mas permanecem subexplorados devido à falta de infraestrutura e apoio técnico. Outro ponto comum é a necessidade de integrar as concessões a mecanismos globais, como o REDD+, para atrair financiamento e incentivar a conservação das florestas. 

Apesar das barreiras, o boletim destaca que há um espaço para melhorias, especialmente por meio da troca de experiências entre os países. A adoção de tecnologias de monitoramento, como satélites e sistemas de rastreabilidade digital, é apontada como uma solução compartilhada que pode fortalecer a transparência e combater a ilegalidade em larga escala. “Se conseguirmos alinhar as lições aprendidas nos três países, criaremos um modelo replicável de concessões florestais tropicais, com benefícios ambientais e sociais duradouros”, conclui Lentini. 

Propostas: uma agenda para a transformação 

As propostas são construídas a partir das melhores práticas observadas nos três países e buscam superar os desafios institucionais, sociais e econômicos que limitam o alcance das concessões. 

Um dos pilares das recomendações é o fortalecimento da governança florestal. O estudo sugere a criação de políticas públicas que integrem as comunidades locais nas cadeias produtivas de forma efetiva, reconhecendo seus direitos territoriais e garantindo acesso aos benefícios gerados pelas concessões. “É essencial que as concessões sejam mais inclusivas, transformando as comunidades em protagonistas da conservação e do manejo sustentável. Isso fortalece a floresta e melhora a qualidade de vida das pessoas que dependem dela”, destaca Maryane Andrade, coautora do boletim. 

A adoção de tecnologias de ponta é outra prioridade. Ferramentas como monitoramento por satélite, sistemas de rastreabilidade digital e drones são apontadas como soluções para aumentar a eficiência na fiscalização e garantir que a madeira comercializada seja de origem legal. No Brasil, por exemplo, plataformas como a Timberflow já demonstraram impacto positivo na rastreabilidade, mas ainda precisam ser ampliadas e integradas em escala nacional. 

O boletim também propõe ampliar a escala das concessões florestais, especialmente em áreas públicas subutilizadas. No Brasil, isso significa acelerar a liberação de editais para concessões de cerca de 5 milhões de hectares e criar modelos de concessão não onerosa que favoreçam comunidades locais. Na Indonésia e na RDC, é essencial que os governos priorizem a regularização fundiária e promovam mecanismos que evitem a concentração de terras em grandes empresas. 

Outro eixo importante é o financiamento de iniciativas sustentáveis, incluindo a integração das concessões florestais a mecanismos globais de pagamento por serviços ambientais, como o REDD+. Esse tipo de programa pode atrair investimentos internacionais, incentivando práticas de conservação e manejo responsável. “O futuro das concessões depende de sua capacidade de se conectar a mercados globais que valorizam a sustentabilidade e recompensam a conservação”, afirma Marco Lentini, autor do estudo. 

A diversificação de produtos florestais também é uma recomendação central. Além da madeira, produtos não madeireiros, como resinas, sementes e óleos essenciais, têm potencial para ampliar a geração de renda e reduzir a dependência econômica do setor madeireiro. Para isso, é necessário investir em infraestrutura, capacitação técnica e fomento ao empreendedorismo comunitário. 

Por fim, o boletim destaca a necessidade de fomentar a cooperação internacional. A troca de experiências entre Brasil, Indonésia e RDC pode acelerar a implementação de boas práticas, além de fortalecer o diálogo político em fóruns globais. “Esses países compartilham desafios semelhantes e têm muito a aprender uns com os outros. O alinhamento estratégico é uma oportunidade para criar um modelo global de concessões florestais tropicais”, conclui Lentini. 

De acordo com os autores, as recomendações apontam um caminho para transformar as concessões florestais em uma ferramenta efetiva de conservação e desenvolvimento sustentável, capaz de promover benefícios duradouros para as florestas e para as populações que delas dependem. 

*Com informações da Imaflora

Audiência pública em Santarém debate concessão florestal na região Mamuru-Arapiuns

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) anunciou a realização da audiência pública no município de Santarém, no oeste paraense, para debater o pré-edital de licitação pública que visa a concessão florestal na região do Mamuru-Arapiuns. O evento acontecerá no próximo dia 22 de janeiro, das 8h30 às 12h, no Auditório da Secretaria Regional de Governo do Baixo Amazonas.

A concessão florestal integra uma das principais estratégias do Governo do Pará para o manejo sustentável e a conservação ambiental, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 11.284/2006 e pela Lei Estadual nº 6.963/2007. O objetivo é garantir a exploração racional dos recursos florestais, promovendo desenvolvimento econômico e preservação ambiental na Região de Integração do Tapajós e Baixo Amazonas.

De acordo com o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a audiência pública será uma oportunidade essencial para assegurar a transparência e a participação popular no processo.

Detalhes

Durante o evento, serão apresentados detalhes do pré-edital, incluindo as Unidades de Manejo Florestal (UMFs), critérios técnicos de avaliação, indicadores de sustentabilidade e as espécies que poderão ser exploradas.

“Nosso foco é garantir que esse processo seja conduzido de forma técnica e responsável, respeitando a biodiversidade e promovendo o desenvolvimento local”, destacou a diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Claudia Simoneti.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A audiência pública atende aos preceitos legais previstos no artigo 21 da Lei Federal nº 14.133/2021 e no artigo 8º da Lei Federal nº 11.284/2006, que determinam a realização de consultas públicas em processos de concessão florestal. O objetivo é fomentar o debate sobre os aspectos técnicos, sociais e ambientais do projeto, garantindo a ampla divulgação das informações e a participação de diferentes segmentos da sociedade.

Consulta

O pré-edital e seus anexos estão disponíveis no site oficial do Ideflor-Bio, permitindo que interessados tenham acesso prévio ao conteúdo e apresentem sugestões ou questionamentos durante o evento. A expectativa é que a audiência reúna representantes de comunidades locais, organizações ambientais, empresas do setor florestal e gestores públicos.

A concessão na região do Mamuru-Arapiuns reflete o compromisso do governo estadual com a implementação de políticas públicas voltadas para o uso sustentável da floresta, em uma área estratégica para a preservação da Amazônia. O modelo de concessão é visto como uma alternativa para combater o desmatamento ilegal, promovendo uma gestão equilibrada dos recursos naturais.

“Nosso compromisso é com a construção de soluções que atendam às necessidades econômicas e sociais das comunidades, sem comprometer a integridade ambiental. A audiência pública é o espaço para ouvirmos todos os envolvidos e ajustarmos o projeto às expectativas da sociedade”, ressaltou Nilson Pinto.

*Com informações do Ideflor-Bio

Fórum Estadual de Turismo é reativado no Amazonas para impulsionar o setor

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Foto: Lucas Silva/Amazonastur

O Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), anuncia a retomada  do Fórum Estadual de Turismo do Amazonas (Forestur), que tem como objetivo fortalecer políticas públicas e promover o desenvolvimento sustentável do turismo.

A reativação foi oficializada pelo Decreto nº 50.824, de 5 de dezembro de 2024, assinado pelo governador Wilson Lima. Sob coordenação da Amazonastur, o Fórum retorna como um espaço estratégico para contribuir com a Política de Desenvolvimento Turístico do Estado, além de apoiar o planejamento e a execução de ações que integrem os princípios ambientais, sociais e econômicos. 

A diretora de Turismo da Amazonastur, Emmanuelle Pampolha, destacou que a reativação é uma conquista para o turismo amazonense, promovendo um diálogo construtivo para a implementação de um plano de ação integrado.

O presidente do Amazonas Cluster de Turismo (ACT), Kleber Bechara, enfatizou a importância do Forestur como um espaço estratégico para fortalecer o turismo em todo o estado e promover o diálogo entre os diferentes agentes do setor.

“A reativação do Florestur é um marco para o turismo do Amazonas. Este fórum é fundamental para promover debates construtivos e definir ações práticas que beneficiem tanto o trade turístico quanto as comunidades locais. Esperamos que este espaço seja utilizado para validar propostas estratégicas e fortalecer o papel do turismo como uma matriz econômica sustentável no estado,” afirmou Bechara.

Foto: Marcio James/Secom AM

Com 31 instituições participantes, o Fórum terá reuniões ordinárias trimestrais, com uma reunião extraordinária adicional já marcada para fevereiro, tendo como pauta principal o remapeamento das regiões turísticas do Amazonas para atualização do Mapa do Turismo Brasileiro, programa instituído pelo Ministério do Turismo (Mtur).

Criado em 2004, o FET tinha como objetivo principal impulsionar a gestão integrada, cooperativa, compartilhada, democrática e descentralizada da Política Estadual de Turismo. Paralisado desde 2017, o Fórum passou por uma reestruturação com o decreto e agora conta com 31 instituições, tanto do setor público quanto privado, além da sociedade civil.

*Com informações da Agência Amazonas

Defensivos alternativos: uma maneira de afastar pragas sem agredir o meio ambiente

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Foto: Divulgação/Ideflor-Bio

Calda bordaleza, calda de fumo, plantas repelentes. Esses são alguns tipos de defensivos alternativos ou naturais que podem ser usados em plantações, sem causar danos ao meio ambiente. O uso desses produtos foi reforçado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), no dia 11 de janeiro, data em que é celebrado o Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos. 

Os agrotóxicos são utilizados em áreas de cultivo para combater pragas, fungos e outros tipos de agentes que destroem ou diminuem a produtividade da lavoura. Eles são divididos em cinco categorias, cada produto tem uma função específica. O manejo irregular desses produtos pode causar danos ao meio ambiente. 

Segundo a engenheira agrônoma e diretora de Desenvolvimento da Cadeia Florestal do Ideflor-Bio em exercício, Laura Dias, esses pesticidas deixam resíduos nas plantações e nos frutos.

Náuseas, diarréias, tontura e dificuldade de respirar são alguns dos efeitos dos agroquímicos no organismo. O acúmulo desses agentes químicos no corpo também pode causar leucemia, câncer de pele, alterações neurológicas e até mesmo levar à morte.

Alternativas

Por outro lado, os defensivos naturais são produtos que trazem benefícios para o produtor rural e consumidor. “Essa estratégia traz muitos benefícios porque não vai haver contaminação do solo e da água. Além disso, vai preservar a fauna e os mananciais”, complementou Laura Dias.

O engenheiro agrônomo e gerente do Escritório Regional do Xingu do Ideflor-Bio, Israel de Oliveira, comentou que esses agentes podem ser utilizados também para afastar insetos que afetam as lavouras, assim como fungos. “O óleo de nim, que é um extrato de azadiractina, é um óleo inseticida. Você vai aplicar e não vai ter um efeito colateral para o meio ambiente. Nós podemos usar o trichodermil, que é um controle biológico de fungo”, frisou. Ele ressalta, ainda, que é preciso ter atenção ao receituário de uso de cada defensivo natural, para manter a quantidade e a eficiência da ação desses produtos.

*Com informações do Ideflor-Bio

Técnicas de irrigação na agricultura garantem renda em tempos de climas extremos no Amazonas

Foto: Divulgação/Empaer

A irrigação é um sistema que ajuda no fornecimento de água às plantas de forma controlada e eficiente, garantindo a sobrevivência da plantação e aumentando a produtividade. No Amazonas, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com o Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), ofertou para dezenas de agricultores do município de Rio Preto da Eva cursos sobre novas técnicas de irrigação.

Segundo a EMBRAPA, os quatro métodos de irrigação básica mais usadas são de superfície, aspersão, localizada e subirrigação. Para cada método, há dois ou mais sistemas de irrigação que podem ser empregados. Técnicas que ajudam o homem do campo a enfrentar adversidades climáticas como as encaradas na Amazônia.

O presidente do Senar Amazonas, Muni Lourenço, fala da importância de ofertar cursos como esses a produtores de municípios produtores do interior do estado, que lhes dão assistência no período mais pesado do verão, ou até mesmo em tempos chuvosos. 

“As mudanças climáticas e um verão intenso trazem impactos para a produção e consequentemente para a renda dos produtores rurais amazonenses. Nesse sentido o Senar, em parceria com o Sebrae, disponibiliza e amplia o conhecimento desses produtores ao domínio dessa tecnologia, que garante maior eficiência produtiva, sustentabilidade e garantia de renda”, informa.

A equipe de engenheiros agrônomos e instrutores credenciados do Senar Amazonas relata de que forma as técnicas ensinadas no curso em Rio Preto da Eva impactam na produção da região:

O suprimento adequado de água, ainda segundo a equipe, reflete em melhor qualidade dos frutos, maior produtividade, menor estresse das plantas nos períodos mais quentes do ano, além de otimizar o uso de fertilizantes.

O produtor pode optar pelo sistema que mais atende à sua demanda, de acordo com a espécie cultivada na propriedade, garantindo a produção com qualidade e viabilidade durante todo o ano agrícola.

Para os técnicos, a escolha entre as principais diferenças na aplicação de técnicas de irrigação para tempos extremos de calor, pode ocasionar impactos na produção.

Mudanças Climáticas 

“A melhor forma do agricultor evitar prejuízos causados pelos períodos de estiagem é investir em um sistema de irrigação adequado, que atenda às necessidades hídricas da sua lavoura. Por isso, eventos como o Dia de Campo, realizado pelo Senar Amazonas, são importantes para que o produtor possa conhecer na prática os sistemas disponíveis no mercado regional, assim como sua aplicabilidade em campo, para que, junto ao técnico, possam definir o tipo de irrigação mais adequado e economicamente viável para sua realidade”, esclareceu a equipe. 

Reprodução: You Tube/Amazon Sat.

ZFM/Fundos constitucionais: desafios além da reforma tributária

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Foto: Divulgação/Suframa

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Enquanto o Brasil enfrenta procelosa fase de transição política e econômica, urge repensar a Zona Franca de Manaus (ZFM), particularmente no que se refere à correção de distorções estruturais e ajustes em sua dinâmica operacional. A hipótese é a diversificação do PIM via incorporação de matrizes econômicas derivadas da exploração sustentável dos recursos da economia verde para produção de alimentos (grãos, hortifrutis, carnes e peixes), minérios e manejo florestal, bioeconomia e ecoturismo. Salvo algumas empresas intensivas em tecnologia de ponta, o Pólo, decorridos mais de meio século, e em face a limitações infraestruturais, oferece condições insuficientes para atração de novas cadeias produtivas padrão indústria 4.0. Avaliando o arcabouço institucional, a história revela que, em suas origens, a SUDAM operava como órgão catalisador da expansão econômica e social da Amazônia; enquanto a SUFRAMA cumpria funções estratégicas na promoção do crescimento industrial, tecnológico e de logística mercadológica da Amazônia Ocidental. Hoje estes órgãos tornaram-se praticamente figuras decorativas, desprovidos de funções de coordenação do desenvolvimento regional.

Por extremamente impactante sobre a ZFM, há que se considerar, adicionalmente, que a Reforma Tributária, aprovada em dezembro último, cria o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais (FCBF), objetivando suprimir a guerra fiscal no âmbito da CBS e IBS e evitar perdas na capacidade de investimento dos estados que sofrerão prejuízos com a cobrança dos impostos no destino (local de consumo). Também institui o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), que receberá aportes da União a serem distribuídos aos estados para investimentos em infraestrutura, em atividades geradoras de emprego e renda; no ensino e pesquisas com foco no desenvolvimento científico, tecnológico e inovação. Os entes terão autonomia no gasto, mas deverão priorizar projetos com ações de preservação do meio ambiente.

Os recursos alocados na composição dos fundos serão aplicados de maneira gradativa, iniciando com R$ 8 bilhões em 2029 e crescendo à razão de R$ 2 bilhões por ano, podendo chegar a R$ 60 bilhões em 2043. Os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criado para equalizar a capacidade fiscal das unidades federativas, serão usados para distribuir 70% dos recursos do fundo; o restante terá por base o número de habitantes. Além desses fundos, a emenda prevê a criação do Fundo de Sustentabilidade e Diversificação Econômica do Amazonas, também com aportes federais, tendo por objetivo fomentar a diversificação de atividades econômicas no estado. Para os demais estados da Amazônia Ocidental e o Amapá, outro fundo de desenvolvimento sustentável deverá ser criado nos mesmos moldes.

Fundamental, nesse curso, investir de imediato em programas e projetos voltados a promover avanços no campo da alta tecnologia, mirando obter fatias compensadoras dos recursos disponibilizados. Dentre outros benefícios, viabilizar acesso ao mercado externo com produtos da bioeconomia amazônica. Entendo como prioridades nesse contexto: investimentos em P&D, Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), modernização da assistência técnica e extensão rural, Manejo Florestal Sustentável, modernização da logística de transporte terrestre e fluvial. Todo o conjunto voltado à promoção da efetiva interiorização dos benefícios fiscais e integração das instituições de base – Sudam, Suframa, centros de pesquisa, universidades -, hoje distanciadas umas das outras, sem conectividade e desprovidas de recursos financeiros e humanos adequados em níveis quantitativos e qualitativos.

A Sefaz, isoladamente, não reúne condições técnicas para assumir esta complexa agenda. O governo do Estado precisa se conscientizar da necessidade de dotar a SEDECTI dos meios essenciais destinados a cumprir eficazmente a função de planejamento, coordenação e promoção de C&T. Sem projetos, sem recursos. Nesta hipótese o Amazonas, inexoravelmente, perderá posições na distribuição dos fundos. É pagar pra ver.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

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