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‘Cunhatã’, ‘caboco’ e ‘xibata’: expressões típicas do Amazonas são usadas em questão do Enem

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Doutor em Linguística e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Amazonas, Sérgio Freire. Foto: Divulgação

Assim como em outros estados do Brasil, o Amazonas tem um dialeto próprio, marcado por expressões e gírias regionais, como “cunhatã”, “caboco” e “chibata”. Em referência ao rico vocabulário da região, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano incluiu uma questão sobre a temática na prova de Linguagens.

Leia também: Amazonês: aprenda 30 gírias e expressões que são a cara de Manaus

A questão foi inspirada em uma reportagem de 2021, publicada pelo Grupo Rede Amazônica, intitulada “Expressões e termos utilizados no AM são retratados em livro e camisetas”. O texto destacava iniciativas que valorizavam as expressões típicas do estado, incluindo o livro “Amazonês”, do doutor e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sérgio Freire.

Ao Grupo Rede Amazônica, o pesquisador explicou que o “amazonês” foi formado a partir de três línguas. São elas: a Língua Geral Amazônica (Nheengatu), o português europeu e o português nordestino.

Sérgio destaca que o chiado no “S” , bem característico na região, surgiu a partir da influência do português europeu. Entretanto, ele esclarece ainda que o dialeto apresenta variações significativas dentro do próprio estado.

Ao ter seu trabalho ganhando reconhecimento nacional, Freire enfatizou a importância de compartilhar a cultura do Amazonas com um público mais amplo, promovendo o conhecimento e a valorização das tradições regionais.

O professor reforçou que esse tipo de inclusão na prova promove a visibilidade da cultura amazonense e contribui para que estudantes de todo o Brasil conheçam a diversidade cultural do país.

“Quando estudantes de todas as partes do país se deparam com essa questão, cria-se uma oportunidade de sensibilização e respeito pela diversidade cultural do Brasil”.

Para quem deseja entender mais sobre as origens do vocabulário amazonense, Freire recomendou o livro Rio Babel, do professor José Ribamar Bessa Freire, que explora as raízes culturais e linguísticas da região.

Gírias amazonenses

Entre as gírias amazonenses mais conhecidas estão: “télezé?”, “maceta”, “chibata”, “brocado” e “leso”. Segundo Sérgio, são palavras de uso bem generalizado dentro do estado.

Já outras expressões podem ser de difícil entendimento para turistas que visitam a região, como: “tchonga”, “arrudiar”, ïlharga”, “lengalenga”, “abacabeiro”.

Confira uma lista com algumas gírias do “amazonês”:

De bubuia – Quando se está descansando, sem fazer nada, diz-se “estou só de bubuia”.

Chibata no balde – Expressão usada para dizer que algo é muito bom.

-Cortar a Curica – Expressão com o mesmo significado de “Cortar o barato”.

Kikão – Maneira de falar “cachorro-quente”, em Manaus. Expressão surgiu após o sucesso de um lanche que tinha um homem chamado de Kiko onde ele vendia cachorro-quentes com este nome.

Leso – Alguém que faz alguma besteira é chamado de “leso”.

Esculhambado – Expressão para indicar algo que está quebrado.

Escangalhado – Expressão para indicar algo que está quebrado.

Só o cuí – Expressão para indicar alguém que é muito magro.

Pai D’égua – A expressão significa algo muito bom.

Carapanã – Nome dado para mosquitos.

Ticar bodó – O bodó é um peixe que não pode ser ‘ticado’ pela escama dura que tem. A expressão tem o mesmo significado de “Está maluco?!”

Comer abiu – Abiu é uma fruta amazônica que cola os lábios de quem a come. Com este intuito, a expressão indica uma pessoa que é calada.

Leseira baré – Quando o amazonense faz uma besteira, nada é mais comum do que classificar como “leseira baré”. A expressão pode indicar ainda lerdeza, dizer que a pessoa é “lesa” ou “abestalhada”.

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Em Mucajaí, no Sul de Roraima, família de produtores investe na criação de búfalos

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São cerca de 30 cabeças de búfalos que ocupam um extenso pasto, a poucos quilômetros da sede do município de Mucajaí, Sul de Roraima. É no local que a família do produtor rural Antônio Rodrigo da Silva decidiu investir na criação do animal para ter um retorno financeiro.

Apesar de parecerem brutos, os búfalos são muito dóceis, segundo Antônio. Para ele, sempre foi um sonho investir nos animais, uma criação que não é tão comum em Roraima.

Leia também: Patrulhamento em búfalos: uma modalidade exclusiva de policiamento marajoara

Além de carinhosos, o trabalho no dia a dia também é mais fácil com os bubalinos do que com os bovinos, segundo o produtor. Na família, o responsável por essa missão é o filho mais velho de Antônio, o Anderson da Silva. Ele aprendeu logo que chegou o primeiro casal na propriedade. Ele é responsável por soltar os búfalos no pasto, para que eles possam se alimentar.

O pasto é uma alimentação básica mas muito eficiente para a saúde deles, o que contribui com a qualidade do animal. Isso não significa que não tenha que se ter alguns cuidados. A vermifugação, vacina e acompanhamento veterinário são algumas das ações que precisam ser feitas pelos proprietários, como explica Anderson.

Na maior parte do tempo os búfalos ficam fora do curral. Com o calor típico de Roraima, a preferência é pelas áreas alagadas, por ser mais fresco para os animais. A manada entra na água e só sai pra comer ou pra voltar pro curral.

Na propriedade, o costume dos animais foi importante durante a seca histórica no início de 2024 fez com que os efeitos da estiagem fossem menos severo para os búfalos do que para o gado comum. Para o produtor, isso mostra que o animal é viável economicamente, mesmo no período seco.

Quando bem cuidados e com saúde em dia, os búfalos podem dar um bom retorno comercial, como o queijo de búfala. O leite de búfala é mais nutritivo que o leite de vaca e é muito utilizado para a produção de queijos. Antônio faz a extração do produto, mas apenas para consumo da família.

Porém, é com a venda do animal para açougues da região é que o produtor tira sua renda mensal. A carne também é muito valorizada por conta do valor nutricional.

A produção familiar vem ganhando novas mãos. A paixão pelo cuidado está passando de pai para filho, e agora para os netos de Antônio. É que os filhos do Anderson também já estão aprendendo no manejo com os animais.

Eles sobem no cavalo e vão tocando a manada para o orgulho do pai. “Deus queira que isso fique na família, a terra, a cultura, a gente tem que ensinar pra colher um fruto mais na frente”.

*Com informações da Rede Amazônica RR

Após meses de seca histórica, Rio Madeira volta a subir

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Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica RO

O rio Madeira voltou a ultrapassar a cota de um metro no domingo (3) após mais de um mês batendo recordes de mínimas históricas. De acordo com Serviço Geológico do Brasil (SGB), em setembro, o nível do rio chegou a 96 centímetros, o menor desde o início do monitoramento em 1967, e, em outubro, atingiu seu ponto mais crítico, marcando apenas 19 centímetros.

De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), as chuvas nas cabeceiras do rio, na Bolívia, vêm contribuindo para a recuperação gradual do nível das águas, pois cerca de 70% da vazão do rio Madeira vêm das regiões de cabeceira na Bolívia e no Peru.

De acordo com a Defesa Civil de Rondônia, a continuidade dessas chuvas é fundamental para que o rio recupere seu volume, impactando diretamente a logística e o funcionamento dos portos na região que teve uma redução de 60% no transporte de cargas.

O Porto de Porto Velho, uma das principais rotas de escoamento do Norte, permanece com operações limitadas desde o final de setembro. As rotas Porto Velho–Itacoatiara (AM), Porto Velho–Manaus (AM) e Porto Velho–Santarém(PA) foram fortemente impactadas.

O baixo volume afetou a Hidrelétrica de Santo Antônio, que precisou paralisar parte das unidades geradoras e funciona com apenas 14% das turbinas.

A seca extrema também alterou a realidade de famílias ribeirinhas que vivem às margens do rio Madeira, algumas sobreviviam com menos de 50 litros de água por dia em razão estiagem extrema em Rondônia.

Neste cenário, os peixes, principal fonte de subsistência das família ribeirinhas, desapareceram. Ao invés de pescar e vender, os pescadores compram peixe de outras regiões para conseguir se alimentar.

Durante o nível mais crítico, pescadores tiveram que criar “corredores” na lama em meio ao deserto que se formou onde antes era o rio Madeira.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Mato Grosso aposta em crescimento da mineração sustentável

Foto: Divulgação/Nexa Resources

Durante a palestra “Comunicação e Mineração” realizada dia 25 de outubro e organizada pelo Grupo de Trabalho de Mineração da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que é liderado pelo deputado estadual Max Russi (PSB), a advogada e organizadora da 2ª Expominério, Pâmela Alegria, enfatizou a importância de divulgar mais as ações positivas do setor mineral.

Para o líder do GT da Mineração da ALMT, deputado Max Russi, o debate sobre a exploração mineral sustentável em Mato Grosso é importante, uma vez que o debate permite desmitificar a atividade minerária de uma imagem negativa.

“É um setor que contribui com mais de 4% do nosso PIB, gera emprego e desenvolvimento e precisa evoluir. O que temos que combater é a extração ilegal, isso sim é crime. Mas, a atividade minerária que cumpre todas as regras ambientais é de suma importância para o estado e não pode ser marginalizada”, destacou Russi, que apoia a Expominério desde sua primeira edição.

A 2ª edição da Expominério, marcada para ocorrer de 7 a 9 de novembro de 2024, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, vai debater o potencial econômico da mineração, desmistificar percepções negativas e destacar práticas sustentáveis do setor.

O evento reunirá empresários e profissionais do setor e buscará promover uma comunicação mais objetiva com a sociedade e a imprensa para reforçar que mineração responsável não deve ser confundida com extração ilegal de recursos. “É preciso separar o crime de uma atividade profissional legalizada, demonstrando à sociedade a importância do setor para o desenvolvimento do estado e do País”.

O evento abrirá espaço para debates sobre políticas públicas voltadas ao setor mineral, tema que enfrenta desafios políticos e ambientais. Pâmela também destacou o apoio do deputado estadual Max Russi (PSB), presidente do Grupo de Trabalho de Mineração, a projetos educativos, como o Educa Mineração, que sensibiliza crianças e adolescentes sobre a importância da mineração, mostrando seu papel em tecnologias, dispositivos eletrônicos, água mineral e infraestrutura.

“É uma atividade econômica fundamental e, como qualquer outro setor produtivo, está cada vez mais vinculada à responsabilidade ambiental e social. Hoje, não existe mineração legal e responsável sem atender a essas normas”, reforçou.

Para o coordenador da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) em Guarantã do Norte, Humberto Paiva de Oliveira, Mato Grosso tem se destacado pela evolução no setor mineral, com governança estadual fortalecida para atrair investimentos. A Metamat apoia pequenos mineradores e media conflitos entre garimpeiros e grandes mineradoras, consolidando o estado como um polo seguro para investidores. Nos últimos dez anos, o valor da produção mineral de Mato Grosso saltou de R$ 500 milhões para R$ 7 bilhões, um crescimento de 15 vezes.

Paiva destacou que a pesquisa mineral contribui significativamente para o desenvolvimento de pequenas mineradoras, promovendo extração com menor impacto ambiental e custos operacionais reduzidos. Ele também elogiou o uso do sistema de satélites Planet, gerido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que monitora operações em tempo real, garantindo práticas sustentáveis na mineração e no agronegócio. “O estado é referência em governança ambiental e oferece segurança jurídica para investidores que querem crescer de forma responsável e sustentável. Isso atrai investidores que buscam segurança para aportar recursos em projetos de mineração em Mato Grosso”, comentou Paiva.

Com mais de sete mil cooperados, a Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe) é organização no setor de mineração de pequena escala em Mato Grosso que trabalha com o foco na regularização e sustentabilidade. Gilson Camboim, presidente da cooperativa, destaca que as atividades são totalmente legalizadas e que a Coogavepe tem o compromisso de atuar apenas em áreas autorizadas, respeitando as licenças ambientais exigidas.

Em Mato Grosso, a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) requer uma série de licenças, como a Licença Prévia (LP), a Licença de Instalação (LI) e a Licença de Operação (LO), que garantem que as cooperativas operem em conformidade com a legislação.

Ele também comentou que a mineração de pequena escala representa cerca de 80% da produção mineral no Brasil. “A mineração de pequena escala explora camadas superficiais, enquanto a mineração industrial explora camadas mais profundas, que exigem tecnologia avançada”, explicou Camboim, enfatizando a importância de cada segmento dentro de suas respectivas capacidades e o papel da mineração no desenvolvimento econômico e sustentável de Mato Grosso.

A Expominério 2024 conta com o patrocínio oficial do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Companhia de Mineração de Mato Grosso (Metamat). Também tem patrocínio da Alpha Minerals e da Federação das Cooperativas de Mineração de Mato Grosso (Fecomin), Azevedo Sette Advogados, Nexa, Keystone, Aura Apoena, Rio Cabaçal Mineração, Ero Brasil Xavantina e Fomentas Mining Company.

*Com informações do Brasil61

Programa ‘Mulheres em Campo’, em Roraima, impulsiona empreendedorismo feminino rural

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

O programa ‘Mulheres em Campo‘, criado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem como intuito despertar o interesse pela gestão e ampliar o protagonismo feminino na administração das empresas rurais. 

Além disso, auxilia a mulher do campo na descoberta do potencial de cada uma em sua propriedade, ensinando a planejar e transformar o dia a dia e a vida financeira.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Em Roraima, o curso já realizou três edições, que envolvem mulheres em varias atividades práticas orientando detalhes que vão desde o uso das frutas regionais disponíveis em suas propriedades e região, até a venda e administração de seu negócio.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A produtora rural Marivalda de Tomaz é uma das alunas da segunda turma do curso realizado na comunidade indígena do Sucuba, na zona rural do município de Alto Alegre. Ela relata com entusiasmo a participação no treinamento, sobre o conhecimento compartilhado nos cinco dias de curso.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A equipe do Senar Roraima afirma que é importante a participação de mulheres em cursos como este, pois promovem sua independência:

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar Roraima, o programa é realizado desde 2018 e mais de 130 mulheres já foram beneficiadas. O projeto já assistiu municípios como Boa Vista, Alto Alegre, Bonfim, Mucajaí e Cantá. O projeto acontece a partir de demanda proveniente de sindicatos, cooperativas, associações, entre outros. Neste ano já foram realizadas três ações, duas na zona rural de Boa Vista e uma na zona rural de Alto Alegre, em uma comunidade indígena. 

Público-alvo

  • Produtoras rurais com escolaridade mínima de 5º ano (antiga 4ª série);
  • Mulheres a partir dos 16 anos.

A carga horária é de 40 horas, dividida em cinco encontros de 8 horas, com intervalos de sete dias entre eles. Durante os encontros, as mulheres participam de discussões, dinâmicas, atividades de grupo, realizam atividades individuais e com a suas famílias. Além de estudos de caso e exposições, que tornam o aprendizado mais efetivo e atrativo.   

Confira:

Vídeo: Youtube-Amazon Sat

                                                                                         

Conheça 6 artistas independentes de MPB da Região Norte

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Duo Chapéu de Palha. Foto: Divulgação

A nova geração da música popular brasileira (MPB) no Norte do Brasil está ganhando destaque com uma nova onda criativa que ultrapassa as fronteiras. Esses músicos estão experimentando uma fusão de gêneros globais, combinando a MPB com elementos de jazz, rock, pop e eletrônica e oferecendo uma nova leitura da produção artística brasileira.

Fora do eixo Sul-Sudeste, os artistas do Norte enfrentam desafios em termos de visibilidade e oportunidades, mas vêm conquistando espaço graças às plataformas digitais e aos festivais locais que impulsionam novos talentos. Nomes como Natália Matos, que mistura em suas canções ritmos latinos com o pop, e Luê, que combina bossa nova com beats contemporâneos, são exemplos dessa nova geração que está atraindo público tanto no Brasil como no exterior.

A diversidade desses artistas não se limita às influências musicais, mas também permeia as temáticas abordadas em suas letras, que dão voz às questões ambientais, sociais e culturais da região Norte.

Leia também: 6 artistas que são amazônidas e você nem imagina

Nessa curadoria, vamos explorar o trabalho (EPs, singles ou álbuns) de seis artistas independentes de MPB da região Norte, que estão redefinindo os limites da música popular. Suas vozes e produções trazem a efervescência de uma cena artística rica em inovação, que carrega uma força cultural autêntica e singular:

Dan Stump – Céu Tropical

Cantor, compositor e diretor, o amazonense Dan Stump iniciou sua carreira musical em 2015 com a publicação de covers em vídeo. Desde então, vem conquistando seu espaço na cena independente. Seu primeiro álbum, Tudo Que Eu Penso São Palavras Perdidas Que Tento Organizar, explora suas paixões, tristeza, alegria, saudades e angústias. Em 2022, apresentou seu segundo álbum, Transe Tropical, que resgata suas raízes amazonenses e a produção contemporânea brasileira. Entre amores tropicais e despedidas, sua música se destaca ao mesclar sonoridades amazônicas com MPB e folk.

Gabriê – Até Onde Eu Posso Chegar

Gabrielle Junqueira, conhecida como Gabriê, nasceu em 1998 em Porto Velho, capital de Rondônia. Aos 15 anos, começou a postar vídeos na internet, interpretando canções próprias e de outros compositores, e venceu um festival de música na categoria autoral. Durante a pandemia de covid-19, lançou seu álbum de estreia, Até Onde Eu Posso Chegar, no qual apresenta onze faixas que abordam autoconhecimento, pertencimento e paixões, em harmonia com a apreciação da natureza. Em alguns versos, Gabriê celebra o amor, em outros, denuncia a luta amazonense por um respiro em meio ao fogo. Em “Da Beira”, a artista traz a urgência da realidade nortista, da resistência e da arte.

Soprü – Enquanto A Orquestra Não Vem

Formada em Palmas, no Tocantins, a Soprü é uma banda engajada na criação de experiências sonoras. Composta por Iuri Grooveman, Caio Paiva, Carvalho Samuel, Wellis Raik e Jesus, a Soprü começou suas atividades em 2018, inicialmente com a intenção de gravar um álbum, e se define como rock nortista, sem um gênero fixo, expressando a diversidade de suas influências. Com um estilo que mistura indie rock e psicodelia, seu álbum de estreia, Enquanto A Orquestra Não Vem, lançado em abril, traz oito faixas que combinam groove, melancolia e composições multirrítmicas, explorando temas de romances e libertação pessoal. As letras sobre ócio e dúvidas se entrelaçam com uma sonoridade que toca como o sol na pele.

Chapéu de Palha – Elo

Formado em março de 2019, o duo amazonense Chapéu de Palha, composto por Giovanna Póvoas e Helder Cruz, começou a sua trajetória publicando gravações amadoras de suas composições de voz e violão na plataforma SoundCloud. Em 2021, lançaram seu primeiro álbum, começando com o single “O Amor do Mundo Inteiro”, que foi acompanhado por um clipe gravado nas belezas naturais de Novo Airão (AM). A falta, a solidão e o vazio se contrastam com a paixão, as borboletas no estômago e o calor.  A religiosidade também se faz presente nas letras, com referências a Ogum e Oxum. O nome da dupla surgiu em 2019, quando uma amiga de Giovanna começou a cursar agronomia na UFAM e usou um chapéu de palha durante o trote. Ela achou a ideia incrível e decidiu adotar o chapéu, mesmo não sendo da turma.

Gabi Farias – Vazante

Gabi Farias é uma artista multidisciplinar amazonense, atuando como cantora, compositora, performer, professora de música e produtora. Com uma linguagem lúdica e nostálgica, seus trabalhos oferecem experiências sinestésicas que trazem memórias. Em 2019, lançou seu primeiro EP solo, “VAZANTE”, que narra histórias de partidas e incertezas, marcando o início de sua trajetória musical. Anos depois, lançou seu álbum de estreia, “ENCHENTE”, em 2021, apresentando a estética pop experimental por meio dos singles “Sóis” e “Olhos Negros (Devaneio)”. O álbum, que conta com onze faixas e dez participações, reflete a fluidez da água e proporciona uma experiência sonora imersiva, resgatando memórias e destacando suas vivências como mulher amazônida.

Reiner – ¿brasil PROFUNDO feat. Eliakin Rufino

Reiner é um músico e produtor da nova geração da música de Belém (PA), que combina tradições musicais brasileiras com influências globais. Sua carreira começou em 2016 com o EP “Filho da Nuvem”. Seu álbum de estreia, “ELÔ, continua essa jornada, misturando referências musicais e abordando temas sociais de relevância para a atualidade. Ao navegar pelas correntes de uma Amazônia futurista, Reiner cria um som que reverencia o passado e projeta um olhar inovador para o futuro, equilibrando elementos locais e globais. Suas composições combinam influências da música negra e indígena com guitarras que ecoam Sepultura e samples de Portishead, resultando em uma sonoridade envolvente.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Melissa Sayuri

Universidade paraense sedia maior evento de observação da Terra por satélite

Imagem de PIRO por Pixabay

A Universidade Federal do Pará (UFPA) sedia, de 4 a 8 de novembro, no Campus Guamá, em Belém, o principal evento internacional dedicado à observação da Terra por satélite. Nesta edição, além de atividades teórico-práticas, incluindo tutoriais especializados on-line e presenciais, reuniões paralelas e workshop, serão realizados dois simpósios: o ISPRS Technical Commission: III Remote Sensing Midterm Symposium e o XXI Simpósio Internacional da Sociedade de Especialistas Latino-Americanos em Sensoriamento Remoto (Selper).

O encontro contará com a presença de pesquisadores como Catherine Nakelembe (Nasa Harvest África); Jianya Gong (Universidade de Wuhan) e Jaime Hernandez (Universidade do Chile). Entre os temas que serão discutidos, estão ‘sensoriamento remoto e impactos globais’; ‘tomada de decisão baseada em dados’; ‘futuras explorações espaciais’ e ‘monitoramento ambiental e segurança’.   

O objetivo da programação é discutir o conhecimento científico acerca do sensoriamento remoto, que, como tema principal do evento, vai abranger técnicas de aquisição de imagens da superfície terrestre por satélite, algoritmos de processamento e análise dos dados, e suas aplicações para a pesquisa e gestão do meio ambiente.

Para o professor Laurent Polidori, atual coordenador da Comissão Científica Internacional da ISPRS, o evento vai contribuir para reposicionar o Brasil na área de sensoriamento remoto.

“O sensoriamento remoto é essencial para conhecermos a superfície terrestre, especialmente em regiões como a Amazônia, onde os métodos tradicionais de levantamento são dificultados pela imensidão do território, pelas dificuldades de acesso e pelas paisagens complexas, que mudam o tempo todo. Por isso as tecnologias espaciais são amplamente utilizadas das geociências, da cartografia e do monitoramento ambiental”, destaca o Polidori.

A expectativa é que a programação atraia cerca de 500 pessoas de 40 países. A palestra de abertura será da brasileira Thelma Krug, que abordará o tema “Observações espaciais para monitoramento de indicadores de mudança do clima: desafios e oportunidades”.

Durante os cinco dias de evento, as programações simultâneas estarão distribuídas entre o Centro de Evento Benedito Nunes e dois grandes estandes projetados no campus

*Com informações da UFPA

PF conclui inquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Philips

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Foto: Reprodução/Instagram – © Opi.Isolados

Após quase dois anos e meio de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu, na última sexta-feira (1º), o inquérito sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

Pereira e Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, em Atalaia do Norte, no Amazonas, quando visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior área do país destinada ao usufruto exclusivo indígena e que abriga a maior concentração de povos isolados em todo o mundo.

No relatório final sobre a apuração, a PF manteve o indiciamento de nove investigados. Ou seja, o órgão ofereceu denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) de nove pessoas contra as quais assegura ter reunido provas suficientes para acusá-las de participar do duplo homicídio. O MPF pode pedir o arquivamento, caso entenda não haver elementos probatórios contra os investigados, ou denunciá-los à Justiça Federal, transformando-os em réus.

Entre os indiciados está Ruben Dario da Silva Villar, apontado como mandante do crime. Sem citar nomes, a PF informou que os outros oito indiciados tiveram papéis na execução dos homicídios e na ocultação dos cadáveres das vítimas.

A reportagem – da Agência Brasil – ainda não conseguiu contato com a defesa de Villar, que já tinha sido indiciado pelo mesmo motivo em janeiro de 2023, quando a PF divulgou que tinha identificado a maioria das pessoas envolvidas no assassinato.

“Temos provas de que ele [Colômbia] fornecia munições para o Jefferson e o Amarildo, as mesmas encontradas no caso”, disse, na época, o então superintendente regional da PF no Amazonas, Alexandre Fontes, afirmando que Villar também pagou as despesas iniciais com a defesa de Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, primeiro suspeito a ser preso, em 7 de junho de 2022.

Interesses contrariados

Colaborador de publicações jornalísticas prestigiadas, como os jornais britânico The Guardian e os estado-unidenses The New York Times e Washington Post, Dom Phillips, 57 anos, viajou à região com o propósito de entrevistar lideranças indígenas e ribeirinhos para um novo livro-reportagem sobre a Amazônia que planejava escrever.

Embora falasse português fluentemente e já tivesse visitado a região outras vezes, Phillips viajava na companhia de Pereira por este ser um experiente indigenista Pereira. Com 41 anos de idade, estava licenciado da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde fevereiro de 2020, por questões políticas, e atuava como consultor técnico da organização não governamental União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Os agentes da PF responsáveis pela apuração do crime concluíram que Pereira e Phillips foram mortos em decorrência do trabalho do indigenista. Mesmo licenciado da Funai, Pereira continuou contrariando interesses de grupos que ameaçam o bem-estar e a integridade de parte da população local. Na Univaja, auxiliava na implementação de projetos para permitir às comunidades tradicionais proteger seus territórios e os recursos naturais neles existentes. 

“A vítima atuava em defesa da preservação ambiental e na garantia dos direitos indígenas”, destacou a PF, na nota que divulgou hoje – e na qual reforça que segue monitorando os riscos aos habitantes da região do Vale do Javari e que continua investigando ameaças contra indígenas que vivem na mesma região onde Pereira e Phillips foram mortos.

Linha do Tempo – Bruno Pereira e Dom Philips. Arte: Agência Brasil

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Alex Rodrigues

Livro reúne fotos que contam histórias da colonização de Rondônia

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Kim-Ir-Sen Pires Leal e sua obra: uma contribuição para a história. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O repórter fotográfico goiano Kim-Ir-Sen Pires Leal acaba de lançar o livro “Rondônia em Imagens”, retratando um período que vai do final da década de 1970 ao início da década de 1980. A obra apresenta cerca de 200 imagens em cores e em preto e branco, com cenas inusitadas e impactantes de um tempo bem diferente, em que estado recebia milhares de migrantes que chegavam a todo momento, em sua maioria a bordo de paus-de-arara e ônibus.

As fotografias capturam paisagens de povoados em construção, com seus casarios de madeira e ruas empoeiradas, e trazem intrinsecamente várias críticas sociais e a capacidade de resistência do povo brasileiro. O autor considera que o conteúdo seja “antropológico social”. No entanto, as imagens também são obras de arte, com beleza plástica em cada composição, feitas com muita qualidade técnica e poética nas capturas das máquinas analógicas. O único filtro utilizado foi o olhar acurado de Kim, um verdadeiro mestre da fotografia.

O principal foco da obra são as expressões das pessoas comuns: o engraxate, o homem encantado com o cinema, o barbeiro, a tristeza e alegria convivendo em simbiose. Gente incomum, aventureira e corajosa de um Brasil Profundo, vinda de várias partes do país cheias de esperança na vida nova representada pela ocupação desenfreada das terras de Rondon, que se transformou no estado de Rondônia em 1981.

O livro surge como um importante documento histórico. Inclusive, com a fenda sobre os reflexos da onda migratória nas comunidades indígenas seculares, abandonadas à própria sorte diante da “civilização” que se instalou. O jornalista Montezuma Cruz produziu os textos explicativos — publicados em português e inglês — das fotografias; o projeto leva a assinatura da diretora de cinema Raíssa Dourado. Trabalhos de excelência de todos os envolvidos, resultando num belíssimo produto gráfico e editorial.

“A vovó agricultora e o menino debaixo da lona do caminhão em Vilhena, a mãe e as filhas buscando água em Espigão do Oeste retratam pessoas recebidas de braços abertos por Rondônia, que alcançaria em 1985 o seu primeiro milhão de habitantes; são fotos emblemáticas”, analisa Montezuma Cruz, um profundo conhecedor das entranhas rondonienses; ele atua no jornalismo local há meio século.

O livro foi contemplado pela Lei Rouanet, garantindo a publicação por meio do patrocínio do Grupo Energisa. Com isso, os exemplares serão distribuídos em todas as escolas públicas estaduais, além de estar disponível para download gratuito na internet. Confira:

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Tradição viva: Centro Cultural do povo indígena Kambeba é inaugurado no Amazonas

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Foto: Patrick Marques/g1 Amazonas

O Centro de Desenvolvimento Cultural, Humano e Sustentável do povo indígena Kambeba, no Amazonas, foi inaugurado no dia 1° na Comunidade Três Unidos, há 60 quilômetros de Manaus. Cerca de 220 indígenas do povo vivem no local e o espaço tem o intuiro de manter viva a tradição dos povos originários na região.

Com o intuito de preservar e incentivar essa tradição, a empresa NTICS, que ajuda iniciativas a se conectarem com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), inaugurou o Centro de Desenvolvimento Cultural, Humano e Sustentável Kambeba na Amazônia, dentro da comunidade.

No espaço, o povo Kambeba que mora na comunidade vai poder trabalhar e desenvolver seus costumes e tradições de diferentes maneiras, segundo o tuxaua da comunidade, Waldemir Kambeba.

“A comunidade do povo Kambeba, que era uma comunidade que, aliás, era uma cultura que estava se esquecendo e que hoje está fortalecida com mais um centro cultural. Vai acabar de fortalecer muito mais, garantir o fortalecimento de toda a nossa cultura, manter esse território em forma de culturas tradicionais, como de medicina, dos nossos conhecimentos, das nossas danças, das nossas línguas, da nossas crenças que isso é importante para o nosso povo”, disse.

A ideia de construir o espaço veio em 2022, quando a NTICS esteve na comunidade três unidos para fazer um documentário sobre o povo kambeba, segundo o representante da empresa, Bellmond Viga

“Para nós, chegar aqui mais de dois anos atrás, na época do documentário, e ter vivenciado isso, foi sair desse lugar mental, onde a gente sabe de várias problemáticas, de vários diagnósticos, mas entender na prática o que poderia ser feito. Então, mais do que chegar aqui, a gente começou a entender profundamente que soluções da Amazônia pro mundo precisam existir e não ao contrário, como hoje em dia acontece”, contou viga.

O momento especial para os moradores teve uma roda de conversa sobre diferentes assuntos como as necessidades do povo e fortalecer suas raízes e os saberes da comunidade.

O esporte também teve espaço, com a participação de atletas indígenas da canoagem, que já foram campeões regionais e representaram o Amazonas em competições nacionais.

Outro momento que marcou a abertura do espaço, foi o lançamento do livro chamado “Curas da Terra”, escrito por Baba Kambeba, matriarca da comunidade, que não pôde estar presente por questões de saúde.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM