Home Blog Page 4

Cerca de 8 mil quelônios são devolvidos ao Rio Jauaperi, entre Roraima e Amazonas: recorde na região

Quelônio filhote. Foto: Marcelo Roveri

A Associação dos Artesãos e Extrativistas do Rio Jauaperi (AARJ), em parceria com a Expedição Katerre e o Mirante do Gavião Amazon Lodge, devolveram ao Rio Jauaperi, na divisa dos estados do Amazonas e Roraima, quase 8 mil quelônios ameaçados pela captura predatória.

Em vigência desde 2010 e inserido no Programa Monitora do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e no Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Projeto Bicho de Casco mobiliza integrantes de seis comunidades ribeirinhas ao largo de 100 quilômetros de rio.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Os profissionais que se dedicam ao projeto são remunerados como uma forma de Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), em seus diversos ofícios: piloteiro, vigilantes, coordenadores. Para incentivar o aumento da quantidade de novos quelônios, além do salário mensal pelo período de vigília das praias, é adicionada uma recompensa extra por filhote que cumpre o ciclo de coleta, eclosão, e amadurecimento para soltura. E um bônus de 10% do total gerado pela soltura para a comunidade que participou do projeto.

Neste último ano, o projeto também passou a contar com o apoio da Wildlife Conservation Society (WCS), na orientação e aplicação de cursos de manejo e conservação da fauna, de maneira a aprimorar técnicas necessárias para que os resultados sejam cada vez mais satisfatórios e promissores.

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

Manejo dos quelônios

É por volta de setembro quando as tartarugas chegam para a desova. Dá-se então a procura de rastros de quelônios e o início da fiscalização das praias. No momento certo, os ovos são cuidadosamente coletados e realocados em chocadeiras – sendo cada ninho identificado e numerado –, onde se desenvolverão longe de predadores e da ameaça de saques ilegais – até a eclosão.

Com o devido registro de datas, depois de um período de 45 dias, entre janeiro e fevereiro, os filhotes estarão prontos e já fortalecidos para serem devolvidos em segurança à natureza. Esse processo aumenta as chances de sobrevivência dos animais, cuja taxa natural é de cerca de 1%. Contudo, sabemos que é ainda pouco perto da realidade de décadas atrás, quando em apenas uma praia, era possível observar ovos de quelônios na quantidade de milhões.

Ecoturismo

A Expedição Katerre organiza uma saída especial no mês de janeiro para que os visitantes possam participar desta ação de conservação de soltura dos quelônios, em um roteiro de sete noites pelos rios Negro, Jaú e Jauaperi. Junto aos membros da AARJ Extrativista, eles acompanham a contagem e se emocionam com o momento de retorno dos filhotes às águas.

quelônios
Foto: Marcelo Roveri

Ruy Tone, um dos sócios da empresa de ecoturismo de base comunitária, fundada em 2004, incentiva a atividade como uma maneira de educar estes viajantes: “É uma forma de gerar consciência, e quando as pessoas retornam a esses ambientes, passam a valorizá-los mais”, afirma Tone.

Sobre a AARJ Extrativista: organização sem fins lucrativos fundada em 2004, localizada no Rio Jauaperi, na área da RESEX Baixo Rio Branco-Jauaperi (Decreto no 9.401 de 2018), na divisa dos estados do Amazonas e Roraima, que visa promover a geração de renda por meio do artesanato fazendo o uso sustentável de fibras naturais (cipó, raízes, cascas de árvore, sementes) e refugos de madeira reaproveitados de construções ou mesmo apreensões (itauba, louro, maçaranduba, rouxinho), além de incentivar as atividades de ecoturismo de base comunitária.

@sitah

Representa uma alternativa sustentável as atividades predatórias tão comuns na região. A Associação foi promotora principal do Acordo de Pesca do Rio Jauaperi ( I.N.99, 24/04/06), do Decreto (9.401 05/06/2018) da Reserva Extrativista, Baixo Rio Branco – Rio Jauaperi, e é reconhecida como responsável para o projeto de proteção dos quelônios ameaçados e lidera a luta a favor da preservação dentro da Resex.

Sobre a Expedição Katerre: desde 2004 realiza roteiros fluviais em comunhão com as comunidades ribeirinhas do Rio Negro. Partindo do município de Novo Airão, a 200 km de Manaus, os roteiros regulares ou charters exploram o Rio Negro e seus afluentes, percorrendo maravilhas naturais em meio a privilegiadas unidades de conservação entre as quais o Parque Nacional de Anavilhanas e a Reserva Extrativista do Baixo Rio Branco Jauaperi.

A frota é composta de três embarcações: o Jacaré-açu com 8 cabines-suíte climatizadas, e o Jacaré-tinga com 3 cabines-suítes climatizadas, e a mais recente aquisição o luxuoso La Jangada, que abre uma nota rota de navegação ao largo do Rio Solimões com destino a Tabatinga e paradas para vivências em áreas de reserva e aldeias indígenas. Entre os serviços a bordo, incursões na natureza conduzidas pelos guias locais que compartilham seus saberes sobre a Floresta, e uma tripulação formada por capitão, marinheiro, camareiras e cozinheiras que recebe os visitantes com acolhida e simpatia genuína.

Foto: Guilber Hidaka

Sobre o Mirante do Gavião Amazon Lodge: aberto em Agosto de 2014, às margens do Rio Negro, em frente ao Parque Nacional de Anavilhanas, abriga treze espaçosos bangalôs erguidos em madeira de lei que remetem a forma de barcos invertidos, conectados por caminhos trilhados e passarelas em meio à floresta nativa.

Seu restaurante Camu camu destaca os ingredientes amazônicos e seus peixes raros, em criações originais assinadas pela chef Debora Shornik, do restaurante Caxiri Amazônia, localizado no Centro Histórico de Manaus. Incursões pela Floresta fazem parte da estadia: trilhas guiadas pela mata; visitas às comunidades ribeirinhas; passeios de canoa pelos igapós na época das cheias; focagem noturna de jacarés e birdwatching com o acompanhamento de ornitólogo.

Saiba a ordem de apresentação e temas dos blocos do grupo Irreverente no Carnailha 2026

0

Foto: Yuri Pinheiro

“Da Ilha da Magia, vem pro meio da avenida, é o Carnailha”. Esse é o jingle que anuncia a chegada do Carnailha 2026, o segundo maior evento cultural de Parintins, que ocorre nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, na cidade amazonense.

O Carnailha 2026 é realizado na Avenida Paraíba, no Centro de Parintins, com entrada gratuita, mas também venda de mesas e camarotes. O evento acontece nos dias 15, com os blocos do grupo Irreverente; 16, com o desfile da chave Especial; e 17, com o Carnaboi.

Leia também: Carnailha: Carnaval de Parintins se torna Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas

A primeira noite do Carnaval da ilha da magia, neste domingo (15), promete muita diversão com o desfile dos sete blocos que compõem o grupo Irreverente. Confira a ordem da apresentação dos blocos e seus respectivos temas para o Carnailha:

1°: Bloco Invasão Na Folia

Abrindo o desfile, o Bloco Invasão na Folia entra na passarela do Circuito para homenagear o protagonista do carnaval: o folião.

Na voz do artista Rômulo Vlasak, o bloco dará o pontapé da festa com o tema ‘Avisa as inimigas que eu xê-gay para causar na Carnailha, calando a boca de quem tá torcendo contra, então toma, toma, toma’.

Para este ano, a diretoria anunciou a parintinense Kevillyn Barbosa, uma mulher trans de 22 anos, para carregar o estandarte do ‘Bloco das Butterfly’, e promete ser a revelação do Carnailha.

Bloco Invasão na Folia abre os desfiles do grupo Irreverentes no Carnailha 2026
Bloco Invasão na Folia. Foto: Pitter Freitas

2°: Bloco Os Belezuras

O reconhecimento pela importância do empreendedorismo no setor de navegação de Parintins será o enredo que o bloco Os Belezuras levará para a passarela com uma homenagem ao empresário Amílcar Bentes, dono da Aliança Bentes Transportes.

Sob a composição de Éder Lima, o bloco irá homenagear a trajetória do empresário, marcada por diversas contribuições para o desenvolvimento da navegação do município, narrada através de marchinhas que vão levar emoção e muita diversão aos foliões.

Bloco Os Belezuras. Foto: Divulgação/Instagram-osbelezuras

3°: Bloco As Tiazinhas

Com o tema ‘Do Sujo ao Luxo’, o bloco As Tiazinhas irá resgatar a trajetória de 26 anos da agremiação, desde o início da brincadeira entre amigos até a tradicional agremiação que contagiou foliões. Além da história, o bloco também destacará a força da mulher através da liderança feminina do bloco, comandada pela presidente Francyane Teixeira, a vice Keyse Maria Godinho e a tesoureira Kelly Sarmento.

A história, a memória e a força dos laços afetivos construídos durante a criação do bloco serão narrados através da marchinha composta por Euler Nascimento.

Bloco As Tiazinhas. Foto: Pitter Freitas/Secom Parintins

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

4°: Bloco Pantera Cor De Rosa

Em 2026, o Bloco Pantera Cor de Rosa entra na avenida para contar a história de Gabriella Guarani, personalidade parintinense que representa a força, identidade e resistência LGBTQIAPN+. Também indígena, a homenageada é uma das maiores figuras artísticas da Ilha e reconhecida como um símbolo de coragem e representatividade.

Além da emoção que cerca a apresentação, o bloco não deixará de lado a irreverência, brilho e ritmos contagiantes, característicos de suas atuações no desfile.

Bloco Pantera Cor de Rosa homenageará Gabriella Guarani (ao centro), importante personalidade LGBTQIAPN+ de Parintins. Foto: Júlio Butel

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

5. Bloco Lagarto Salgado

Outra homenagem que promete ser marcante é o enredo do bloco Lagarto Salgado. Sob a presidência de Inês Bucal, o bloco do bairro da Francesa promete uma apresentação à altura do ícone do brega Wanderley Andrade.

Numa relação que mistura a essência do bloco com a irreverência, explosão e energia do ‘traficante do amor’, o bloco promete um desfile marcado por surpresas com alegria e muita festa, símbolos do músico popular do Norte brasileiro.

Wanderley Andrade será o homenageado do bloco Lagarto Salgado. Foto: Divulgação/Instagram-lagartosalgado

6. Bloco Chitara Da Chapada

Com o tema ‘Folias do Rei David – o Canto de Ouro na Realiza da Chapada’, o bloco homenageará uma das vozes mais reconhecidas da Amazônia: o levantador de toadas David Assayag. A homenagem se une com a história do bloco, já que David, além de folião, é um dos fundadores da agremiação, que surgiu nos anos 1980.

A novidade fica por conta das marchinhas, que terá as vozes de Edilson Santana e, claro, do próprio David. Uma apresentação que promete muita emoção e reverência à carreira do artista que carrega o legado cultural de Parintins.

A maior voz da Amazônia, David Assayag será o homenageado do bloco Chitara da Chapada. Foto: Pitter Freitas/Secom Parintins

7. Bloco Os Piratas

Depois de levantar o troféu em 2025, o Bloco Os Piratas volta à avenida com muita expectativa e torcida empolgada. Agora em busca do bicampeonato, o tema deste ano será ‘Empurra Pinga no Folião Que Hoje tem Revelação’, uma proposta voltada para os foliões que fazem o arrastão, a tradicional festa atrás do trio.

Um enredo também irá celebrar a força da cachaça como símbolo cultural e elemento mágico da folia, capaz de contagiar, libertar e revelar personagens na avenida carnavalesca.

Atual campeão do grupo Irreverentes, bloco Os Piratas vai em busca do bi no Carnailha 2026. Foto: Sidney Simas

Ouça os temas

Pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura de Parintins leva as marchinhas e os sambas-enredo do Carnailha às principais plataformas digitais, ampliando o acesso do público às músicas que vão embalar a festa em 2026.

O álbum ‘Carnailha 2026’ é composto pelas as marchinhas dos blocos:

Carnaval Amazônico

O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

Sabores da Amazônia estreia nova temporada: aprenda a receita de pirarucu ao molho de camarão do Chef Manoel Brelaz

0

Chef Manoel Brelaz. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O chef Manoel Brelaz, em Manaus (AM), é um dos convidados que abriu o coração e a cozinha para mostrar que a gastronomia tem o poder de contar histórias. A relação do chef com a cozinha começou dentro de casa, ainda na infância, quando ajudava a mãe nos afazeres domésticos. 

“Somos cinco irmãos, e eu precisava ajudar meus pais, principalmente a minha mãe, nos afazeres de casa, e eu, como sempre, gostava muito de cozinhar. Ela é a minha inspiração para isso, tanto ela quanto o meu pai. Lembro do fogão de barro, da lenha, aquela coisa bem raiz do interior, que eu gosto e prezo muito por isso”, contou o chef.

Antes de se encantar pela gastronomia, aos 14 anos Manoel tinha outro sonho: cursar Administração. O chef acreditava que seguiria esse caminho, mas com a morte da madrinha, com quem morava e incentivava seu sonho, sentiu a necessidade de recomeçar do zero. 

“Ela queria que eu fizesse administração, e eu achava que era isso que eu queria fazer também. E aí ela faleceu. Foi quando eu tive que recomeçar do zero. E aí foi quando a minha tia chegou para mim e falou ‘por que você não faz gastronomia?’. Foi quando eu decidi fazer o curso pelo Senac”, explicou Manoel.

De acordo com o chef, ao concluir o curso, seguiu direto para a faculdade, em que, paralelamente aos estudos, trabalhou para custear as mensalidades e as despesas. Ao longo do tempo, Manoel passou por diversas experiências sempre com foco na gastronomia amazônica.

Leia também: 6 pratos icônicos para se apaixonar pela culinária do Amazonas

Chef Manoel Brelaz
Chef Manoel Brelaz. Foto: Reprodução/Amazon Sat

“Eu pude empreender, gerenciar com pessoas e passar conhecimento focado para a nossa gastronomia amazônica, que é o que eu amo fazer, que é o que eu gosto de passar para as pessoas, e é o que está na veia mesmo. Sinto prazer e amor em fazer isso”, contou Manoel.

Depois de três anos à frente de um restaurante próprio, Manoel decidiu encerrar esse ciclo e buscar novos desafios. Chegou a atuar na gestão de uma clínica de saúde, mas foi na hotelaria que encontrou o espaço ideal para crescer profissionalmente. 

Seis meses depois de iniciar nessa área, passou a integrar a equipe do Novo Hotel Manaus, onde construiu uma trajetória começando como cozinheiro, subchefe e, posteriormente, chef.

“Como chef do Novo Hotel Manaus, eu tenho o privilégio e a oportunidade de estar propagando cada vez mais a gastronomia amazônica. A Amazônia está na veia, está para a gente, está no mundo, está no foco, e é uma honra e uma satisfação levar isso para fora de Manaus”, concluiu o chef.

Leia também: Rabada no tucupi: prato típico do Acre gerou curiosidade depois de ser tema de conversa no BBB 26

Pirarucu ao molho de camarão com purê de batata. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A receita do episódio é Pirarucu ao molho de camarão com purê de batata. De acordo com o chef, o prato é regional e acessível com a proposta de mostrar que é possível preparar algo especial em casa. Confira: 

Ingredientes 

Pirarucu ao molho de camarão:

  • 200 g de pirarucu temperado
  • Camarão a gosto
  • ½ cebola picada
  • ½ pimentão verde picado
  • ½ pimentão vermelho picado
  • ½ pimentão amarelo picado
  • 1 pimenta-de-cheiro picada
  • 4 dentes de alho picados
  • Azeite ou óleo a gosto
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino a gosto
  • Suco de limão a gosto
  • 100 ml de água
  • 1 colher de chá de farinha de trigo
  • 200 g de creme de leite
  • Leite a gosto (para ajustar o molho, se necessário)
  • Cheiro-verde a gosto
  • Chicória a gosto
  • Manteiga ou margarina a gosto
  • Castanha de caju triturada (opcional, para finalizar ou dar textura)

Purê de batata

  • 400 g de batata
  • Sal a gosto
  • Manteiga ou margarina a gosto
  • Creme de leite a gosto
  • Leite a gosto (para ajustar a cremosidade)

Modo de preparo

Antes de começar, prepare o ‘mise en place’, termo francês que significa deixar todos os ingredientes separados e prontos para uso.

Aqueça a panela, adicione um fio de azeite e doure o alho picado em cubinhos pequenos (brunoise). Em seguida, acrescente a cebola, os pimentões e a pimenta de cheiro e deixe refogar até que os ingredientes estejam levemente macios.

Abra espaço na panela e coloque o camarão limpo, se atentando para não passar do ponto e ficar borrachudo. Tempere com sal e misture delicadamente.

Em um recipiente separado, dissolva a farinha de trigo na água e despeje na panela para engrossar levemente o molho. Acrescente o creme de leite, mexa até atingir uma textura cremosa e finalize com cheiro-verde, ajuste o sal e reserve.

Para o pirarucu, tempere o filé com sal, pimenta e limão e deixe marinar por alguns minutos. Em uma frigideira quente, adicione manteiga e grelhe o peixe, virando de tempos em tempos, até que esteja dourado por fora e suculento por dentro.

Por fim, prepare o purê. Amasse bem as batatas ainda quentes, acrescente sal, manteiga e um pouco de creme de leite até atingir uma consistência cremosa e lisa.

Montagem

No prato, disponha o purê como base, coloque o filé de pirarucu grelhado por cima e cubra com o molho de camarão. Finalize com tiras de pimentão cortadas em julienne para dar cor e elegância.

“Mais regional do que isso, impossível”, afirma o chef.

Focos de calor reduzem 70% em janeiro de 2026 no Amazonas, aponta Inpe

0

Foto: Henrique Almeida/Ipaam

O Amazonas registrou uma redução de 70% nos focos de calor em janeiro de 2026. De acordo com dados do Programa Queimadas (BD Queimadas), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram contabilizados 18 focos no período, enquanto em janeiro de 2025 foram 60 registros. Os dados são monitorados pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Na comparação com janeiro de 2025, a redução corresponde a 42 focos de calor a menos. O resultado reforça o cenário de queda observado no início de 2026, e indica menor incidência de alertas no território amazonense no recorte analisado.

A última vez em que o Amazonas registrou, em janeiro, um número inferior a 18 focos de calor foi em 2012, quando o estado contabilizou oito registros, segundo a série histórica do BD Queimadas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, explicou que os dados do Inpe são acompanhados diariamente e subsidiam ações de prevenção, fiscalização ambiental e resposta às ocorrências em todo o estado.

Ainda segundo o gestor do Ipaam, a redução dos registros reflete o acompanhamento contínuo dos dados técnicos e o direcionamento das ações preventivas para áreas mais suscetíveis à ocorrência de queimadas.

“O monitoramento diário das informações do Inpe permite identificar os municípios com maior risco e orientar ações de prevenção e fiscalização. Esse trabalho técnico, aliado à integração entre os órgãos, tem sido fundamental para reduzir os focos de calor logo no início do ano”, destacou.

Leia também: Conheça 8 projetos que apoiam a conservação da Amazônia

Imagem colorida mostra floresta em chamas para falar de focos de calor
Foto: Nilmar Lage/ Greenpeace

Redução de focos de calor é resultado de estratégias

O secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, ressaltou que o resultado registrado em janeiro é reflexo do trabalho estratégico que vem sendo estruturado pelo Governo do Amazonas, com foco na prevenção e na atuação integrada entre os órgãos ambientais.

“O Governo do Amazonas já iniciou 2026 com planejamento e articulação institucional. Estamos atuando de forma antecipada, com foco no combate ao desmatamento e na redução dos riscos ambientais para o período mais crítico, que costuma ser a partir do segundo semestre”, destacou o secretário da Sema.

No ranking dos municípios com maior número de focos de calor em janeiro de 2026, Autazes, Barcelos e Lábrea (respectivamente, a 113, 399 e 702 quilômetros de Manaus) aparecem com dois registros cada. Em janeiro de 2025, o cenário era diferente: São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros da capital) liderou o ranking, com 16 focos, seguido por Guajará (a 1.476 quilômetros de Manaus) com oito, e Barcelos com seis registros.

*Com informações do Ipaam

Documentário intercontinental: colaboração une Mato Grosso e Moçambique

0

Foto: Reprodução/Universidade Federal do Mato Grosso

Com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o documentário ‘A Fala da Liberdade da Mulher Moçambicana’, que retrata a escritora Paulina Chiziane, foi lançado em 27 de janeiro, em Maputo (Moçambique).

A produção intercontinental é dirigida pelo professor da UFMT Celso Luiz Prudente e tem lançamento previsto para novembro de 2026 no Brasil, durante a 22ª Mostra Internacional do Cinema Negro (MICINE).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo Prudente, o filme parte de uma reflexão sobre a presença e a voz das mulheres em um país marcado por processos históricos de ruptura.

“O tema central do filme é a mulher moçambicana. Moçambique passou por uma revolução anticolonizadora e, ao mesmo tempo, soube se atualizar como uma referência no respeito à questão de gênero”, afirma.

Leia também: Narrativas Femininas pelo Mundo: viagem pela Amazônia revela papel da mulher na região

Documentário intercontinental: colaboração entre Mato Grosso e Moçambique conta a história de Paulina Chiziane
Foto: Reprodução/ Universidade Federal do Mato Grosso

Documentário une países

Para o diretor, registrar essa trajetória no audiovisual também amplia possibilidades de formação e diálogo: “A revolução tecnológica, que dá mais espaço ao cinema e ao audiovisual, permite relações pedagógicas que podem ser muito bem adotadas”.

Além do recorte social, o documentário destaca a relevância cultural de Paulina Chiziane, primeira romancista de Moçambique vencedora do Prêmio Camões, um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. “Quando uma mulher africana integra essa galeria, isso reforça a emergência do respeito à questão de gênero”, avalia Prudente.

*Com informações da Universidade Federal do Mato Grosso

Como são feitas as tinturas para as pinturas corporais indígenas?

0

Foto: Reprodução/Acervo Funai

Os povos indígenas são responsáveis por diversos costumes e tradições que preservam suas identidades e histórias. Uma dessas práticas é a pintura corporal, utilizada por várias etnias como uma forma de expressão cultural, espiritual e de pertencimento desses grupos originários.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Essas pinturas são feitas a partir de tinturas obtidas de elementos naturais como plantas, frutas, sementes e minerais. A preparação dos pigmentos é realizada de forma artesanal e cada tintura é utilizada conforme os costumes da etnia da região.

Saiba mais sobre como são feitas as colorações e quais tipos de elementos naturais são utilizados:

Urucum: vermelho

Obtida através da polpa do urucuzeiro, a semente de urucum é responsável pela cor vermelha. A extração consiste na mistura da semente amassada com óleo, como andiroba, que ajuda na fixação da cor na pele.

Leia também: Ancestralidade indígena: conheça as diversas utilidades do urucum

Como são feitas as tinturas para as pinturas corporais indígenas? - URUCUM
Cor vermelha é extraída da semente de urucum. Foto: Reprodução/Acervo Funai

Jenipapo: preto

Uma das tinturas mais utilizadas, o preto é extraído do fruto verde do jenipapo e o sumo é misturado com carvão para garantir uma tonalidade escura. Essa “tinta” é bem popular, pois a duração da fixação na pele é de aproximadamente 15 dias.

jenipapo
Corante natural da cor preta é retirado do fruto verde do jenipapo. Foto: Gustavo Giacon

Tabatinga: branco

Encontrada nas margens ou no fundo de rios, a tabatinga é uma argila clara, de alta viscosidade, que é bastante utilizada para a extração de pigmentos natural da cor branca voltada para pinturas artísticas.

Tabatinga é encontrada nas margens ou no fundo dos rios. Foto: Ulisses Pascarelli

Açafrão-da-terra: amarelo

A planta da mesma família do gengibre é utilizada para extração de tons amarelados, por meio de sua raiz seca e moída.

Raiz do Açafrão-da-terra. Foto:Divulgação/Instagram-emporiolitoral

Estudo sobre os elementos usados para as pinturas corporais

No artigo intitulado ‘O Uso de Corantes Naturais por Algumas Comunidades Indígenas Brasileiras: Uma Possibilidade para o Ensino de Química Articulado com a Lei 11.645/2008’, as pesquisadoras Vania da Costa Ferreira Vanuchi e Mara Elisa Fortes Braibante, apresentaram a descrição química de alguns corantes naturais e quais comunidades indígenas utilizam as colorações para as pinturas corporais:

quadro sobre a extração de pigmentos naturais para pintura corporal
Quadro explicativo dos corantes naturais utilizadas pelas respectivas comunidades indígenas. Imagem: Reprodução/O Uso de Corantes Naturais por Algumas Comunidades Indígenas Brasileiras: Uma Possibilidade para o Ensino de Química Articulado com a Lei 11.645/2008
Indígena realiza pintura corporal com tinta de urucum para o ritual do Kuarup, no Parque do Xingu (MT). Foto: David Ribas/Funai

Além disso, as pesquisadoras também descreveram o modo como determinadas comunidades indígenas realização a extração dos pigmentos como, por exemplo, o urucum.

“Os Asurini do Trocará (TO), os Xikirin (PA) e os Karajá (MT) amassam as sementes com as mãos e espalham pelo corpo. Já os Xerentes (TO) obtêm a tintura por meio da fervura prolongada da semente de urucum e após esfriar, espalham pelo corpo. Por outro lado, os indígenas do Alto Xingú ralam as sementes, peneiram e fervem em água até formar uma pasta”, especificam.

Planta ameaçada de extinção no Pará modifica taxas de crescimento em resposta a condições climáticas

0

Flor-de-carajás (Ipomoea cavalcantei), que é restrita ao Pará e está ameaçada de extinção

Ameaçada de extinção e com ocorrência restrita ao Pará, a flor-de-Carajás (Ipomoea cavalcantei) ajusta suas taxas de crescimento e fecundidade de acordo com as condições microclimáticas do ambiente. É o que aponta um estudo publicado na revista New Phytologist nesta quinta-feira (12).

O achado, que é fruto de uma colaboração entre o Instituto Tecnológico Vale e diversas instituições brasileiras, como a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), pode orientar planos de conservação para essa e outras espécies endêmicas.

Leia também: Espécie endêmica da Flona de Carajás é definida como símbolo de Parauapebas por meio de lei

A equipe acompanhou populações naturais da flor-de-Carajás em duas áreas distintas de cangas (afloramentos de rochas ferruginosas) na Floresta Nacional de Carajás, no sudeste do Pará: a canga aberta, marcada por altos níveis de radiação, alta incidência de luz e temperaturas elevadas, e a canga arbustiva, com condições climáticas mais amenas.

Centenas de plantas foram marcadas e medidas entre 2022 e 2024 para avaliar crescimento, sobrevivência, recrutamento e produção de sementes, enquanto sensores instalados no solo registraram as variações de temperatura e luz.

Paralelamente, os pesquisadores realizaram experimentos controlados de germinação, quebra de dormência e estabelecimento de plântulas (embriões vegetais já desenvolvidos que emergem da semente), expondo sementes e plantas jovens a diferentes regimes que simulam as condições naturais de seus habitats. O desempenho das populações foi comparado a partir dos resultados.

Na canga arbustiva, as plantas apresentaram maiores taxas de crescimento e produção de sementes, embora apenas um número reduzido de sementes tenha conseguido germinar e se estabelecer. Já na canga aberta, as sementes da flor-de-Carajás exibiram maior proporção de germinação e, consequentemente, maior número de plântulas, mas atingiram menores tamanhos na fase adulta. 

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“O estudo mostra que populações em ambientes contrastantes apresentam crescimento populacional semelhante, mas sustentado por conjuntos diferentes de taxas vitais”, diz Talita Zupo, autora do estudo.

Na prática, isso indica que ambientes mais “estressantes”, como a canga aberta, não devem ser automaticamente descartados como prioritários para a conservação, pois podem sustentar populações viáveis por meio de estratégias distintas.

“Em cangas abertas, ações que favoreçam recrutamento e estabelecimento inicial podem ser mais eficazes, enquanto a manutenção da sobrevivência e do crescimento de indivíduos adultos pode ser mais crítica em cangas arbustivas”, exemplifica a pesquisadora.

Ameaçada de extinção e com ocorrência restrita ao Pará, a flor-de-Carajás
Fotos: Júlia Ramos/Prefeitura de Parauapebas

Desafios da espécie no Pará

O mecanismo identificado no estudo, conhecido como compensação demográfica, pode aumentar a resiliência da espécie diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. “A compensação demográfica pode permitir que a espécie mantenha seu crescimento populacional semelhante mesmo quando condições ambientais mudam, desde que as mudanças afetem diferentes taxas vitais de forma assimétrica, como reduzindo o crescimento, mas favorecendo o recrutamento, por exemplo”, aponta Carolina Carvalho, também autora do trabalho.

No entanto, o trabalho indica que essa estratégia também tem limites. “Temperaturas muito elevadas ou condições fora dos limiares fisiológicos podem comprometer várias taxas vitais simultaneamente e reduzir a capacidade de sobrevivência”, diz.

Para as autoras, a principal lição deixada pelo estudo é a de que os detalhes importam quando o tema é a conservação de espécies endêmicas. “Vimos que diferenças de poucos graus na temperatura do solo ou variações na incidência de luz alteram a quebra de dormência, modificam taxas de germinação e influenciam no crescimento e no desempenho fotossintético”, destacam.

“Abordagens baseadas apenas em clima regional ou médias ambientais podem mascarar mecanismos-chave que operam em escalas finas”, ressaltam.

Os achados da pesquisa podem ser essenciais para a otimização de planos de conservação focados nas necessidades das populações de cada habitat. “Para espécies ameaçadas e endêmicas, como a Ipomoea cavalcantei, incorporar o microclima nas estratégias pode nos ajudar a melhorar previsões sobre a vulnerabilidade da espécie frente mudanças ambientais e informar ações de restauração mais eficazes”, pontua Carvalho, reforçando a necessidade de conservar mosaicos ambientais, não apenas alguns tipos de habitat.

“Políticas de conservação devem buscar preservar a heterogeneidade ambiental, pois é justamente essa variação que permite a compensação entre taxas vitais e sustenta a persistência da espécie”, conclui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Sexta-feira 13: Os mistérios e as lendas que assombram Porto Velho

0

O prédio administrativo da UNIR, onde funcionou um hotel, é tido como mal-assombrado. Foto: Arquivo Público

Sexta-Feira 13. O dia sempre desperta mais do que apenas superstições em Porto Velho. A cidade está inserida no folclore amazônico, rico em figuras como o Mapinguari, Matinta-Perera, Saci-Pererê e Lobisomem. Mas a capital rondoniense também nutre um folclore próprio: as lendas urbanas. Descritos pela gíria local como ‘cabulosos’ — termo que evoca mistério e perigo —, esses causos de arrepiar atravessam gerações, habitando o limite entre a ficção e os registros históricos da cidade.

O Mistério do Major Amarante

O Cemitério dos Inocentes é um dos cenários das visagens locais. O relato mais emblemático envolve o túmulo do major Emanoel Silvestre do Amarante, genro do marechal Rondon. Amarante, morto de febre tifoide em 1929, teria se transformado em uma cobra imensa que aparecia em noites de lua cheia. O militar, vaidoso e poliglota, delirou no leito de morte dizendo que não queria partir para o além — e sua recusa o manteve “vivo”.

Desde então, corre a lenda de que uma cobra imensa habita sua sepultura, que frequentemente amanhecia trincada em noites de lua cheia e tempestades. Popularmente, dizia-se que a serpente era a transfiguração do próprio major, que em vida fora um poliglota e inventor brilhante.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A mulher-árvore e as almas penadas da ferrovia

Outro ponto de assombro é o Cemitério da Candelária, onde repousariam os restos de uma mulher que, segundo a tradição oral, tirou a própria vida após uma desilusão amorosa com um engenheiro da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). A lenda diz que, como “castigo”, uma castanheira brotou de seu túmulo, fundindo-se ao cadáver e transformando-se na temida Mulher-Árvore.

A historiadora Yêdda Borzacovi, nascida em 1939 e testemunha ocular da era de ouro da ferrovia – que é o epicentro da cidade –, recorda que os sussurros e o arrastar de correntes eram relatos comuns. Com cerca de seis mil mortes registradas durante a construção da EFMM, entre 1907 e 1912, a crença popular é de que muitos trabalhadores, vindos de mais de 50 países, nunca deixaram os trilhos, permanecendo em busca de um caminho de volta para casa.

Muitas aparições foram registradas ao longo dos anos: de ferroviários caminhantes a navios-fantasmas navegando o Madeirão.

Na região do Baixo Madeira, especialmente na comunidade Nazaré, há incontáveis histórias.

Prédios que falam

A arquitetura histórica de Porto Velho também guarda seus segredos. No prédio da Universidade Federal de Rondônia, no Centro Histórico, antigos vigilantes noturnos relatam lamentos e o som de portas batendo nos corredores onde outrora funcionou um hotel. Já um casarão, onde viveu uma tradicional família, é alvo de temor por quem transita pela rua José Bonifácio durante a madrugada, com relatos de vozes que emanam de seu gradil centenário.

A escritora Sandra Castiel compartilha memórias pessoais de um casarão já demolido na Rua Campos Salles. Ela morou no local com pais e irmãos, no início da década de 1960. E recorda o susto da cozinheira da família ao ouvir crianças brincando na cozinha vazia e no pomar. e a sensação nítida de uma presença andando pelos corredores.

O capiroto da casa de shows

As lendas não ficaram presas ao passado. Em 2011, as redes sociais de Porto Velho foram tomadas pelo relato de uma aparição em uma casa de shows local. Um homem elegantemente trajado, com terno e chapéu brancos, teria derretido durante uma dança, revelando chifres e rabo antes de desaparecer no banheiro, deixando apenas as roupas para trás. O episódio, que remete à estética da boemia antiga da cidade, dos tempos do Ciclo da Borracha, com homens vestidos de roupas de linho, chegou a causar desmaios e se tornou um dos primeiros fenômenos virais de terror na internet rondoniense.

Por que o medo da Sexta-Feira 13?

A mística em torno da data é uma construção que une religião e cultura pop. No cristianismo, o número 13 é associado à Última Ceia (Jesus e os 12 apóstolos, sendo o 13º o traidor Judas) e a sexta-feira é o dia da crucificação.

Na matemática simbólica, o 13 rompe a perfeição do número 12 (meses do ano, signos do zodíaco). O medo é tão real para alguns que possui nome científico: parascevedecatriafobia. O cinema, com franquias como “Sexta Feira 13”, apenas selou o destino da data no imaginário coletivo como o dia oficial do terror.

Leia também: Comemoração histórica: os 50 anos da paróquia que precedeu a cidade de Vilhena

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Casa do Artesanato impulsiona renda em Rio Branco, afirma governo

0

Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom AC

Localizada na Galeria de Arte Juvenal Antunes, em frente ao Calçadão da Gameleira, em Rio Branco (AC), a Casa do Artesanato Acreano registrou movimentação superior a R$ 443,5 mil em 2025 com a venda de peças produzidas por 130 artesãos que expõem no espaço. O ponto reúne trabalhadores de diferentes regiões do estado e tem ampliado a circulação de produtos ligados à cultura tradicional acreana.

Os dados são da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), responsável pela coordenação do espaço. Além do volume financeiro alcançado neste ano, a estrutura contribuiu para manter 2.356 artesãos com cadastro ativo e regular no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), abrangendo profissionais de todas as regionais do Acre.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo a coordenadora da Casa do Artesanato Acreano e coordenadora estadual do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), Risoleta Queiroz, com o registro em dia, os artesãos passam a ter acesso a políticas públicas e de incentivo para a comercialização de suas peças. O apoio é oferecido pela Sete, por meio da coordenação estadual do PAB, do governo federal.

“[A casa do] Artesanato Acreano incentiva os artesãos a participarem de capacitações e consultorias, criando oportunidades de desenvolver novos produtos para o mercado”, destaca a coordenadora.

A Casa também apoia a participação em feiras regionais, nacionais e internacionais. “Nosso estado é um dos que mais vendem nas feiras nacionais. O artesanato tem se destacado muito, tanto local quanto nacionalmente, e até internacionalmente”, ressalta.

Trajetória empreendedora

Expondo na Casa desde a fundação, Márcia Silvia de Lima é uma artesã que saiu da falência de uma empresa para se tornar uma empreendedora de sucesso.

“Eu já gostava de fazer artesanato, mas foi depois da falência da minha empresa que precisei viver exclusivamente desse trabalho. A primeira experiência foi no antigo Mira Shopping [em Rio Branco], onde fui convidada a expor meus produtos, e dali surgiram novas oportunidades”, relata.

Apesar dos desafios, a artesã não desistiu e, com o início da exposição de seus trabalhos na Casa do Artesanato, passou a ser reconhecida pelas instituições públicas e privadas. Márcia chega a atuar em feiras como instrutora, por meio do PAB Acre e Nacional.

“Meu carro-chefe são os colares feitos com a semente da jarina lapidada e torneada. Também produzo pulseiras, brincos, colares decorativos, chaveiros e bolsas confeccionadas com a semente, que têm boa aceitação do público”, explica.

Recentemente, a empreendedora expôs na COP30, no espaço Green Zone e no Espaço Chico Mendes. Além disso, suas peças já compuseram o figurino de desfiles de moda no Brasil, como a São Paulo Fashion Week, e em Paris,  além de receber menções na revista Vogue, por meio de parcerias com lojistas conceituados do país.

Leia também: Artesanato com barro se torna caminho para saúde e oportunidade de negócio para acreana

Apesar dos avanços, Márcia aponta que ainda existem desafios a serem enfrentados, especialmente em relação ao consumo local.

“O maior desafio é a conscientização do próprio acreano em valorizar e comprar o artesanato do Acre. Falta incentivo ao comércio justo, mas seguimos firmes, pois contamos com o apoio do governo”, afirma.

Sobre a presença na Casa do Artesanato Acreano, Márcia enfatiza: “É um espaço fundamental de divulgação e comercialização. Através dela, conquistei novos clientes e recebi pedidos de lojistas de outros estados”.

Avanços

Em 2025, além da participação em feiras nacionais e capacitações, a Casa do Artesanato promoveu o cadastramento de artesãos em diversos municípios do Acre. Como resultado, 420 novos artesãos foram registrados no Sicab.

Como expectativa para 2026, o artesanato acreano prossegue avançando. Neste ano, em reconhecimento pela atuação para o fortalecimento das políticas públicas do artesanato, o PAB irá entregar, ao Estado do Acre, novos equipamentos, que irão fortalecer a estrutura e a logística do setor.

Entre os investimentos estão um caminhão-baú, que irá contribuir no transporte de peças maiores, especialmente de madeira, para feiras nacionais; e uma caminhonete S-10, que facilitará o acesso aos municípios do interior.

O Estado ainda irá receber dois tablets, dois computadores, um celular e uma impressora, possibilitando a emissão da Carteira do Artesão em formato de cartão, que substituirá o modelo impresso em papel.

Cadastro de expositor na Casa do Artesanato Acreano

Para expor peças na Casa do Artesanato Acreano, os artesãos interessados devem estar cadastrados no Sicab, apresentar documentos pessoais e duas peças de sua autoria que tenham passado por curadoria para emissão da Carteira do Artesão.

Inaugurada em 2023, no Parque da Maternidade, a Casa do Artesanato Acreano foi reinaugurada em 2024 na Galeria de Arte Juvenal Antunes.

Imagem colorida mostra parte interna da Casa do Artesanato
Artesãos de todo o estado podem expor na Casa do Artesanato Acreano. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom

*Com informações da Agência Acre

Roraima registra aumento de 231% na exportação de bovinos em 2025

0

Foto: Divulgação/Aderr e Secom-RR

Roraima registrou crescimento de 231,9% nas exportações de bovinos em 2025, segundo a Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr). Ao todo foram enviadas 70.931 cabeças de gado para outros Estados brasileiros, frente a 21.367 em 2024. Os animais foram destinados para abate, engorda, esporte, exposição e recria.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O principal destino das remessas foi o Amazonas. O Estado liderou o ranking de importações com 62.188 cabeças de gado de Roraima, um aumento de 209,8% em relação a 2024, quando foram adquiridos 20.069 animais.

Outro destaque foi Rondônia, que não havia recebido bovinos roraimenses em 2024 e passou a importar 3.867 cabeças em 2025. Além disso, houve crescimento das exportações para Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, que juntos adquiriram quase 6 mil animais no período analisado.

Leia também: Pecuária cresce 85% em Roraima em sete anos, aponta Agência de Defesa Agropecuária

Fatores do crescimento de Roraima no setor

De acordo com a Aderr, o avanço é resultado de fatores como o aumento das exportações brasileiras de carne para o mercado internacional e a redução da oferta de animais em outras praças pecuárias, o que levou compradores a buscarem reposição de rebanho em regiões mais distantes.

 presidente da Aderr, Marcelo Parisi, explicou que a diminuição da oferta de outros mercados para o pecuarista de recria e engorda fez com que criadores buscassem reposição fora de seus Estados de origem.

“Temos observado que, nos últimos anos, o pecuarista de Roraima tem investido bastante em melhoria da qualidade genética do rebanho. Isso representa uma carcaça melhor, um animal mais precoce entrega de uma carne melhor para o frigorífico”, comentou o presidente da Aderr.

Roraima-registra-aumento-de-231-na-exportacao-de-bovinos-em-2025_Ascom-Aderr-2
Foto: Divulgação/Aderr e Secom-RR

Parisi acrescenta que frigoríficos do Amazonas têm priorizado a compra de animais vivos no estado justamente por essa evolução do rebanho: “Então, esses são os principais fatores que permeiam esse aumento, além do preço atrativo do animal aqui do Estado”.

Ainda segundo Parisi, as políticas sanitárias também tem protagonismo no resultado alcançado. Em maio de 2025, Roraima recebeu o certificado de livre da aftosa sem vacinação, concedido pela OMSA (Organização Mundial da Saúde Animal).

“Isso traz condições favoráveis para o nosso produtor, que poder exportar e buscar um mercado melhor para o seu rebanho. Então, isso gera receita para o estado e para as propriedades rurais que também voltam a reinvestir esses valores para que tenhamos uma pecuária cada vez mais forte em Roraima e possamos entregar cada vez mais qualidade para o consumidor”, afirmou o presidente da Aderr.

*Com informações da ADERR