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Projetos fortalecem autonomia de mulheres em comunidades amazônicas

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Mulheres independentes inspiram. Foto: Rodolfo Pongelupe

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, vai além de uma data simbólica de reconhecimento. Em territórios tradicionais da Amazônia, transformar essa celebração em oportunidades concretas de geração de renda, qualificação e liderança feminina é um desafio permanente.

Nesse contexto, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) tem desenvolvido iniciativas voltadas ao fortalecimento econômico e ao protagonismo de mulheres das florestas e rios amazônicos. As ações visam ampliar a independência financeira das participantes, aliando geração de renda, formação técnica e valorização dos saberes tradicionais.

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“Garantir autonomia econômica para as mulheres da região amazônica é oferecer ferramentas concretas para que elas possam empreender, gerar renda e fortalecer suas comunidades. Quando investimos em formação e valorizamos os conhecimentos locais, criamos caminhos reais de transformação social e desenvolvimento sustentável”, destaca a superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima.

Entre as iniciativas está o ‘Laboratório de Empreendedorismo Feminino’, realizado em Manaus (AM), que integra o projeto Empreendedoras da Floresta, feito em parceria com a L’Oréal Fund for Women. A ação promoveu, em junho do ano passado, imersões formativas voltadas ao desenvolvimento de negócios sustentáveis e criativos.

Durante os encontros, as participantes tiveram acesso a oficinas sobre planejamento, inovação de produtos e modelagem de negócios, além de apresentarem seus projetos em formato de pitch para uma banca avaliadora. A proposta fortaleceu competências estratégicas e possibilitou a troca de experiências entre as participantes, ampliando a rede de contatos.

mulher é símbolo de inspiração em comunidades amazônicas
Foto: Rodolfo Pongelupe

“Pude aprender bastante e ter mais conhecimento sobre planejamento, precificação e sobre como organizar os produtos até à venda. Foi muito importante, porque a FAS e a L’oreál vem dando oportunidade para mulheres artesãs”, comentou Joana Oliveira, empreendedora do grupo Formiguinhas do Saracá, localizada na comunidade Saracá (distante cerca de 60km de Manaus, via fluvial), numa das atividades do projeto.

No campo da qualificação técnica, a FAS também desenvolve o projeto ‘Elas Reparam’, em parceria com o Consulado da Mulher (ação social que tem a Whirlpool, dona da Brastemp, Consul e KitchenAid, como principal mantenedora). A iniciativa capacita mulheres de Unidades de Conservação (UCs) em manutenção de eletrodomésticos, como geladeiras, máquinas de lavar, micro-ondas e aparelhos de ar-condicionado.

Além de abrir uma nova alternativa de renda dentro das próprias comunidades, o projeto reduz custos com deslocamentos até centros urbanos para consertos. Antes, muitos equipamentos eram inutilizados ou descartados por falta de assistência técnica local. Com a capacitação, as participantes passam a oferecer o serviço na própria região, fortalecendo a economia comunitária e promovendo maior estabilidade financeira para suas famílias.

FAS: projetos para mulheres

Outra frente é a ‘Jornada de Empregabilidade e Carreira’, uma iniciativa da FAS em parceria com o Amazonas Shopping, voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade social que desejam avançar na vida profissional. Realizada em novembro, a formação ofereceu um espaço estruturado de aprendizado, com atividades focadas no desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais (hard e soft skills).

A programação beneficiou dezenas de mulheres, com orientações práticas sobre elaboração de currículo, participação em entrevistas e preparação para processos seletivos.

“Ao investir em formação empreendedora, qualificação técnica e fortalecimento de redes locais, contribuímos para que mulheres amazônidas ampliem sua renda e assumam papéis estratégicos na economia comunitária. Em territórios onde são guardiãs da floresta e da cultura, promover independência econômica também significa fortalecer a sustentabilidade da Amazônia”, finaliza Valcléia Lima.

*Com informações da FAS

Aproximadamente 44% do setor de turismo sustentável no Brasil é ocupado por mulheres

Foto: Governo Federal

Um relatório de impacto da Vivalá Turismo Sustentável no Brasil aponta que o número de mulheres no turismo comunitário representa 44% do total de pessoas empreendedoras no setor. Os dados, divulgados pelo Sebrae com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o público feminino é maioria no ramo.

De acordo com os números, em relação à clientes viajantes, a porcentagem feminina pula para 70%. Para a coordenadora de operações da Vivalá, Mariana Oliveira, a busca por relações mais justas no turismo sustentável é um dos motivos que favorece a presença de mulheres.

“Os dados do relatório mostram que o turismo responsável contribui para a redução das desigualdades de gênero, o que indica um modelo mais inclusivo e que promove empoderamento. Já no modelo tradicional, as mulheres tendem a ocupar funções mais operacionais, enquanto os cargos de decisão e visibilidade seguem majoritariamente masculinos. Do ponto de vista das viajantes, o turismo comunitário costuma oferecer ambientes mais acolhedores, seguros e sensíveis às questões de gênero, enquanto o modelo tradicional nem sempre considera essas dimensões de forma intencional”, destaca Mariana.

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A tendência é que os números aumentem ainda mais, principalmente no turismo de base comunitária, que combina geração de renda local, imersão cultural e valorização das pessoas locais. O grande contraste, quando comparado a outros setores e até mesmo ao modelo tradicional de turismo, ajuda a explicar por que o turismo sustentável pode ser uma frente poderosa no atendimento da equidade de gênero, que é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Agenda 2030.

Liderança feminina na Amazônia

Um dos exemplos de liderança feminina no turismo de base comunitária nasceu às margens do Rio Negro, que banha o Amazonas e é o maior rio de águas pretas do mundo. Horenilde da Silva Gomes, conhecida como Nilde, é CEO da Caboclo’s House Ecolodge e cresceu no Lago de Acajatuba, localizado a 70 km de Manaus (AM), ao lado de 13 irmãos.

Hoje, ela comanda uma hospedagem considerada top 1% das melhores do mundo, segundo o TripAdvisor e afirma que a floresta faz parte de tudo isso.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Nilde, é CEO da Caboclo’s House Ecolodge e cresceu no Lago de Acajatuba, localizado a 70 km de Manaus (AM), ao lado de 13 irmãos. Hoje ela comanda uma hospedagem considerada top 1% das melhores do mundo, segundo o TripAdvisor
Nilde é CEO da Caboclo’s House Ecolodge e cresceu no Lago de Acajatuba, a 70 km de Manaus. Foto: Divulgação/Vivalá

“Eu tinha uma família enorme, então a casa sempre estava cheia. Muitas vezes, eu e minhas irmãs mais velhas tínhamos que cuidar dos mais novos para ajudar meus pais, e foi assim que aprendi desde cedo sobre responsabilidade, união e resiliência. Acho que toda a realidade daquele lugar foi transformadora: a floresta, o rio, a sabedoria popular e a vida comunitária moldaram quem sou”, afirma. 

O turismo entrou em sua vida quando seu pai recebia visitantes na Casa de Farinha da família e mostrava todo o processo da mandioca, enquanto sua mãe ensinava o poder das plantas com a medicina natural. Em 2005, trabalhou em um hotel de selva e viu de perto a força do turismo e o impacto da floresta nos viajantes.

“Senti que havia um caminho para mim, mostrar a Amazônia, ensinar nossos modos de viver e criar um legado baseado na sabedoria ancestral”, conta. No ano seguinte, Nilde, junto com seus pais, comprou um flutuante e abriu um restaurante, mas logo perceberam que não era aquilo. 

Leia também: Saiba quanto custa e como participar de expedição exclusiva que leva mulheres ao Monte Roraima

Com a venda do flutuante, adquiriram um terreno e abriram um novo restaurante com quartos duplos. “Foi nesse momento que nasceu a Caboclo’s House, um projeto familiar ribeirinho liderado por mulheres. A cada ano, com esforço e dedicação, construímos mais um pedacinho, sempre com a esperança de receber bem nossos hóspedes. O começo, no entanto, foi muito difícil. As dificuldades financeiras eram grandes, era complicado encontrar mão de obra, e ser mulher empreendendo na região também não era simples”, conta Nilde. 

Apesar das dificuldades, e enquanto o turismo caminhava a passos lentos na região, em 2017, a empreendedora conheceu uma viajante que, ao passear pelo hotel, as conectou com um grupo de outras pessoas interessadas na experiência. Foi então que a comunidade passou a ter novos horizontes, especialmente pela conexão com a Vivalá.

“A Vivalá fomenta o turismo e instrui as pessoas da comunidade a não perderem sua essência. Com o tempo, vieram também o reconhecimento e os prêmios. Fui homenageada como mulher empreendedora e pelo meu trabalho de base comunitária. Hoje, ver o hotel ser reconhecido entre os melhores hotéis do mundo é mais que um título, é a prova de que um sonho improvável deu mais do que certo”, ressalta Nilde. 

União de mulheres empreendedoras

Nilde não apenas vive do turismo sustentável, como incentivou outras mulheres a se desenvolverem e buscarem seu espaço. “Junto com a estruturação do hotel, empreendedores locais surgiram, atrativos foram criados, e todos descobriram que só precisavam de oportunidade para florescer. Entre tantas histórias, uma que me toca muito é a da Sueula, do Cheiro da Floresta, que produz cosméticos naturais amazônicos. Incentivei ela a acreditar no seu talento e hoje ela é uma empreendedora de sucesso, vendendo seus produtos e oferecendo oficinas para hóspedes de hotéis da região”, cita.

A história da Sueula Teixeira Andrade, fundadora do Cheiro da Floresta, se mistura com a chegada da Vivalá na região. Segundo a empreendedora, a empresa passou a existir quando o negócio social ofereceu mentorias de empreendedorismo na comunidade. “Para mim e para o meu desenvolvimento, foi muito importante, porque eu aprendi muita coisa, como lidar com o meu dinheiro e com o meu negócio. As trocas que eu tive fizeram com que eu crescesse pessoalmente e com que eu visse o potencial que eu tinha das minhas mãos”, conta Sueula.  

Os produtos artesanais são produzidos e comercializados pela empreendedora, que destaca que já tinha contato com ervas e óleos por conta de seus ancestrais, que a ensinaram a cuidar da floresta. Mas foi com a mentoria e as capacitações que ela passou a ver aquela paixão como um negócio rentável. “Eu comecei a estudar e a ver que é um mundo muito grande e, por incrível que pareça, a matéria prima está no meu quintal. Hoje faço vários produtos, mas a cosmética natural realmente mudou minha vida e o turismo de base comunitária fez com que a gente se fortalecesse”. 

Saiba mais: Manaus é destaque em pesquisa global sobre tendências de viagem para 2026

Suela também ressalta a importância do apoio feminino para o fortalecimento da comunidade e dos negócios. “Eu vejo hoje que nós mulheres somos uma grande força aqui dentro. A maioria dos empreendimentos que temos de turismo de base comunitária e sustentabilidade, quem gesta é uma mulher, de pousada a pequenos empreendimentos. Eu acho que nós mulheres nos fortalecemos muito e nos juntamos para viver isso e mostrar que cada uma de nós somos capazes, mesmo com os desafios da vida e com tudo que acontece. É um modelo muito bom de trabalho que a gente vive e o fortalecimento da comunidade para mim também é muito grande”, conclui. 

Mulheres em campo aumentam a sensação de segurança

Mais do que entender a importância das mulheres ocuparem cada vez mais lugares, é importante incentivar. “A Vivalá fortalece a autonomia econômica das mulheres ao gerar oportunidades de renda justa por meio do turismo comunitário e ao apoiar iniciativas locais onde muitas mulheres já atuam na gestão e coordenação. Ao conectar comunidades ao mercado do turismo responsável, contribuímos para a valorização do trabalho feminino, o aumento da renda e o fortalecimento do papel das mulheres na cadeia como um todo”, comenta Mariana. 

Equipe Vivalá
Vivalá atua com agendas de inovação, bioeconomia, tecnologia, cultura tradicional e responsabilidade social na Amazônia. Foto: Divulgação/Vivalá

Atualmente, cerca de 80% dos destinos da organização contam com ao menos uma mulher no time de campo, e a tendência é que o número se expanda nos próximos anos. Uma das parceiras Vivalá, que atua como guia, é Mônica Azevedo Rodrigues, especialista em ecoturismo.

“Sendo guia de turismo e mulher, sei exatamente onde estão as dores e receios de outras mulheres. Isso já me deixa bem à frente dos profissionais homens, nesse quesito. Conheço profissionais do sexo masculino que são incríveis e muito empáticos. Ainda assim, há algo singular na experiência de compartilhar determinadas vivências com outra mulher — a sensação de ser compreendida não apenas pela escuta atenta, mas pelo reconhecimento genuíno de um lugar de fala compartilhado”, conta.

Mônica é guia de turismo nacional e atua com a Vivalá há cerca de um ano, no roteiro para a Chapada dos Veadeiros (GO). Segundo ela, ao guiar mulheres os desafios são maiores. É importante garantir para a viajante que ela esteja em um ambiente seguro e acolhedor, principalmente quando o grupo precisa lidar com outros prestadores de serviço homens. A guia afirma que a presença de lideranças comunitárias femininas durante as viagens é um ato de empoderamento e que passa confiança. 

“Dentro do meu conhecimento, principalmente como viajante, que é algo que sempre amei, percebo uma crescente no número de mulheres que querem incentivar outras mulheres a viver mais, a fazer viagem solo, a viver sem necessariamente ter alguém (homem ou mulher) do outro lado, que não há nada errado em fazer as coisas sozinha, até porque muitas vezes não temos a companhia e o tempo passa. A vida corre rápido demais para esperar o momento ideal para ir atrás do que se quer. Então o que vejo é isso, mulheres tomando a frente nas próprias escolhas e boa parte delas, cuidando para que essa escolha seja a melhor e mais segura possível”, destaca. 

Para a viajante Rita Alves, se sentir segura durante todo o roteiro fez a diferença. “Estive na Amazônia, em comunidade ribeirinha, em área de preservação ambiental, vivendo uma experiência real de contato com a natureza e com pessoas profundamente conectadas ao território. Um lugar conduzido por mulheres e homens fortes, afetuosos e respeitosos com a floresta — e isso não é acaso, é escolha de rota, de ética e de visão. Mas desde antes da viagem, já deu pra sentir o compromisso e a responsabilidade com cada detalhe: a equipe realizou uma reunião prévia para apresentar o cronograma, alinhar expectativas, explicar o roteiro e nos preparar para a vivência. Isso fez toda a diferença. Me senti segura, respeitada e muito bem acompanhada”.

Divulgação Vivalá
Organização Vivalá é referência em turismo sustentável com programas de impacto socioambiental. Foto: Divulgação/Vivalá

Sobre a Vivalá 

A Vivalá é referência em turismo sustentável e programas de impacto socioambiental positivo, atendendo pessoas físicas e algumas das maiores organizações do país, com agendas de inovação, bioeconomia, tecnologia, cultura tradicional e responsabilidade social, promovendo experiências que buscam ressignificar a relação que as pessoas têm com o Brasil. Atualmente, a Vivalá atua em 30 operações nos biomas da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, em conjunto com mais de 1.600 famílias envolvidas na operação. 

Com 17 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais da Organização Mundial do Turismo, ONU Meio Ambiente, Braztoa, Embratur, Abeta, Fundação do Grupo Boticário, Yunus & Youth, entre tantos outros. A Vivalá tem uma operação 100% carbono neutro e é uma empresa B certificada, tendo a maior nota do setor no Brasil e a 7ª maior no mundo. Até o final de 2025, a Vivalá já contava com mais de 6 mil clientes, além de ter injetado mais de R$ 8,5 milhões em economias locais por meio da compra de serviços de base comunitária. Para mais informações, acesse: https://www.vivala.com.br/

Relembre toadas marcantes compostas pelo ‘mestre das evoluções’ de Parintins, Tadeu Garcia

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Compositor Tadeu Garcia. Foto: Divulgação

O compositor de toadas do Boi Garantido, Tadeu Garcia, morreu neste sábado (7), aos 68 anos. Natural de Parintins, era carinhosamente apelidado de “Mestre das Evoluções” devido ao talento em compor toadas que descrevem o movimento do boi na arena do Bumbódromo de Parintins.

Leia também: Mentes que compõem Parintins: a identidade por trás das toadas do Festival

Ao longo de décadas, Garcia escreveu clássicos do boi bumbá e se imortalizou na galeria de lendas do Festival de Parintins. Relembra algumas toadas marcantes compostas por Tadeu Garcia:

‘Evolução’ (1995)

A toada marcou o início de uma série que se tornaria uma das marcas do compositor. A música descreve o movimento do boi na arena e ajudou a consolidar o conceito das toadas de evolução, usadas para acompanhar a dança do Garantido durante as apresentações.

‘Encontro dos Povos’ (1998)

A toada destaca a diversidade cultural da Amazônia e aborda o encontro entre diferentes povos que formam a identidade regional. A música valoriza a mistura de tradições indígenas, caboclas e populares presentes no festival.

‘Canto do Sonho-Fantasia’ (2009)

A música mistura imaginação e espetáculo, elementos centrais das apresentações do Garantido. A toada celebra a criatividade e o universo simbólico que marca o festival de Parintins.

‘As Dimensões do Vaqueiro’ (2024)

Uma das composições mais recentes do artista, a toada destaca o papel do vaqueiro na tradição do boi-bumbá. A música ressalta a importância desse personagem para a condução e evolução do boi dentro da arena do Bumbódromo.

Quem foi Tadeu Garcia

O compositor Tadeu Garcia era carinhosamente apelidado de “Mestre das Evoluções”, devido ao talento em compor toadas para as performances do boi vermelho e branco no Festival de Parintins.

Entre suas composições mais conhecidas estão toadas como “Marca da Ausência” (1997), “Tempos de Cabanagem” (1998), em parceria com Paulinho Du Sagrado, “Luzes Rubras” (2001), “Alma de Guerreiro” (2002), “Sublimação” (2004) e “Canto do Sonho-Fantasia” (2009), além da histórica sequência de toadas de Evolução, iniciada em 1995 e que atravessou diversas edições do Festival, até a Décima Nona Evolução, que fará parte do álbum Garantido 2026.

Além da música, Tadeu Garcia também se dedicou à literatura e à pesquisa sobre a cultura regional. Ele é autor do livro As Lendas e Tradições do Folclore de Parintins: um mergulho na cultura amazônica e suas raízes ancestrais, obra que reúne estudos e reflexões sobre a formação cultural do boi-bumbá e as tradições da ilha.

*Com informações da Rede Amazônica AM e Boi Bumbá Garantido

Amazonas segue entre estados que mais desmatam, apesar da queda histórica na Amazônia

Imagem aérea de sobrevoo de monitoramento de desmatamento na Amazônia no município de Lábrea, Amazonas, realizado em 26 de março de 2022. Foto: Divulgação/Greenpeace

O desmatamento na Amazônia registrou o menor índice dos últimos sete anos no semestre encerrado em janeiro de 2026. Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), houve redução de 41% em relação ao período anterior.

Apesar da queda expressiva, o Amazonas aparece entre os três estados que mais derrubaram floresta, ao lado do Pará e do Acre.

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Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento mostram que, entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, três municípios amazonenses concentraram as maiores áreas devastadas:

Isso é um alerta importante nos últimos meses: o avanço da destruição no norte do estado, onde há o maior bloco de áreas protegidas do mundo”, ressalta Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon.

desmatamento no Amazonas
Foto: Reprodução/Greenpeace

Leia também: Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

Por outro lado, o Amazonas registrou uma das maiores reduções na degradação florestal — provocada por queimadas e extração de madeira. A área degradada caiu de quase 3 mil km² para apenas 53 km², uma queda de 98%.

De acordo com o Imazon, a queda no desmatamento é essencial para que o Brasil alcance a meta de desmatamento zero até 2030. No Amazonas, o desafio é equilibrar os avanços na redução da degradação com o fato de ainda estar entre os estados que mais derrubam floresta na Amazônia Legal.

Confira o ranking de desmatamento na Amazônia por estado (km²):

Estados que mais desmataram

ESTADOAgosto 2024- Janeiro 2025Agosto 2025 – Janeiro 2026Variação
Pará850 km²382 km²-55%
Amazonas288 km²196 km²-32%
Acre278 km²196 km²-32%

Fonte: Imazon

Cenário geral na Amazônia

  • Em janeiro de 2026, o desmatamento caiu de 133 km² para 83 km².
  • Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, foram derrubados 1.195 km² de floresta.
  • A redução é de 74% em comparação com o semestre de 2020/2021, período de recorde de devastação.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Fundação Marabaixo projeta o Amapá no cenário do afroturismo

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Conquista da Fundação Marabaixo integra os planos do programa Amapá Afro. Foto: Maksuel Martins/GEA

O Governo do Amapá celebra uma conquista histórica para a cultura e o turismo do estado. A Fundação Marabaixo alcançou o 1º lugar no edital do Programa Rotas Negras, do Ministério da Igualdade Racial, iniciativa do Governo Federal que fortalece e projeta o afroturismo em todo o país.

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Instituído pelo Decreto nº 12.277/2024, o Programa Rotas Negras tem como missão impulsionar o afroturismo como instrumento de desenvolvimento sustentável das comunidades negras, promovendo e valorizando a cultura afro-brasileira nos cenários nacional e internacional. Ao todo, 50 iniciativas foram selecionadas em todo o Brasil, reconhecendo projetos que fortalecem a memória, a resistência e a identidade do povo negro.

Para a diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, o reconhecimento reafirma o compromisso do Amapá com a valorização de sua história e de suas raízes.

“Essa conquista é fruto de um trabalho coletivo e da força do nosso povo. O Marabaixo é resistência, é fé e é identidade. Estar em primeiro lugar no Programa Rotas Negras mostra que o Amapá está preparado para apresentar ao Brasil e ao mundo a riqueza da nossa cultura afro-amapaense”, destacou.

Leia também: Marabaixo é usado para ensinar a história afro-amapaense em escola no Amapá

Diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos. Foto: Fundação Marabaixo
Diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos. Foto: Fundação Marabaixo

Fundação Marabaixo incentiva o afroturismo

Mais do que uma modalidade de turismo, o afroturismo é uma ferramenta de empoderamento, valorização e visibilidade. Ele potencializa tradições, ritmos, gastronomia, celebrações, religiosidades e manifestações que evidenciam o legado africano, afro-diaspórico e afro-brasileiro, promovendo inclusão social e geração de oportunidades.

A conquista conta ainda com a parceria da Universidade Federal de Santa Maria, fortalecendo o intercâmbio de saberes, a pesquisa e a consolidação de políticas públicas no âmbito do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir).

A iniciativa também integra as ações do programa Amapafro, previsto no Plano de Governo do governador Clécio Luís, que tem como eixo estratégico o fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial, à valorização da cultura negra e à geração de oportunidades para as comunidades tradicionais do estado.

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

Iniciativa foi lançada no palácio do setentrião em julho de 2025 e agora colhe seus frutos. Foto: Maksuel Martins/GEA

Com o resultado, o Amapá ganha destaque nacional de forma positiva, reafirmando o protagonismo da região Norte e consolidando o Marabaixo como símbolo vivo de resistência, cultura e identidade do povo negro brasileiro.

*Com informações do Governo do Amapá

Pesquisadores investigam o “silêncio” das aves na Amazônia

Foto: Cintia Cornellius/Acervo pessoal

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) ganhou destaque internacional ao ser publicada recentemente na seção de notícias da revista Science. O estudo investiga as causas do misterioso declínio populacional de aves em florestas tropicais intactas, fenômeno que pesquisadores temem ser o prenúncio de uma nova “primavera silenciosa” causada pelas mudanças climáticas.

O estudo é fruto do projeto IRRIGA, coordenado pela professora Cintia Cornelius, docente do Instituto de Ciências Biológicas (ICB-Ufam) e do Programa de Pós-Graduação em Zoologia (PPGZOOL). O projeto também é liderado pelos pesquisadores David Luther (George Mason University) e Jared Wolfe (Michigan Technological University), e conta com a colaboração de docentes e discentes da Ufam e do Inpa.

O experimento principal ocorreu na Fazenda Experimental da Ufam, onde a equipe montou o que chamam de uma “máquina do tempo virtual”. Durante a pesquisa, buscou-se entender se a redução das chuvas e o aumento das temperaturas estão prejudicando as aves. Para isso, os pesquisadores instalaram uma rede de 3 quilômetros de tubulações e 72 aspersores em parcelas da floresta.

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O objetivo era suplementar a chuva natural durante a estação seca para mimetizar os níveis de umidade registrados na década de 1980, permitindo comparar a saúde das aves nessas áreas com as de áreas que sofrem com as secas atuais.

A execução técnica do sistema de irrigação do experimento em campo foi liderada por Stefano Avilla, doutorando do PPGZOOL da Ufam com a colaboração do Prof. Silfran Marialva Alves (FCA-UFAM). Os primeiros resultados são reveladores: as aves capturadas nas áreas irrigadas mostraram-se mais bem alimentadas, com níveis mais altos de gordura no sangue e sinais físicos de maior sucesso reprodutivo em comparação com as aves das áreas não irrigadas.

japiim, ave da amazônia
Foto: Cynthia Lebrão/Uakari Lodge

Desaparecimento de aves pode desequilibrar ecossistemas

Mesmo em anos de extremos climáticos opostos — como a severa seca de 2024 e o excesso de chuva em 2025 — os dados preliminares sugerem que as aves beneficiam-se de estações secas mais úmidas, o que reforça a hipótese de que as mudanças climáticas estão afetando a disponibilidade de alimentos (insetos) e a sobrevivência das espécies.

Leia também: Aves fantasmas: confira 8 espécies de aves dificilmente observadas na Amazônia

O declínio atinge especialmente aves insetívoras que vivem próximas ao solo, como o uirapuru-veadeiro, cujo canto está se tornando uma raridade. Como as aves desempenham papéis cruciais na polinização, dispersão de sementes e controle de pragas, seu desaparecimento pode desequilibrar todo o ecossistema.

A pesquisa no projeto IRRIGA se estende também para outros grupos de animais. A doutoranda e egressa da UFAM, Aline Souza Medeiros (George Mason University) investiga os efeitos sobre mamíferos e aves usando ferramentas como câmeras e gravadores autônomos que registram o uso das áreas irrigadas por estes animais.

A professora Cintia Cornelius ressalta que o projeto tem sido vital para o desenvolvimento da pesquisa acadêmica na região, apoiando docentes e alunos de pós-graduação. Apesar de desafios recentes no financiamento internacional, a equipe já garantiu recursos para manter o experimento em 2026, buscando agora financiamento com agências de fomento no Brasil e parcerias com filantropia privada para dar continuidade a este trabalho crítico para o futuro da Amazônia.

A Primavera Silenciosa

Em 1962, a pesquisadora Rachel Carson publicou o livro Primavera Silenciosa, que aborda a influência no pesticida DDT no índice de mortalidade de abelhas, o que prejudicou o processo de polinização de flores, além de influenciar, também, a saúde humana.

O livro é considerado um marco para o movimento ambientalista. Na época, o livro gerou comoção pública e, por pressão popular, o inseticida DDT foi proibido em diversos países.

* Com informações da Univerdade Federal do Amazonas (UFAM)

SUS inicia tratamento inédito para malária em crianças, a partir da região amazônica

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Medicamento produzido no Brasil chega às crianças. Foto: Reprodução/Agência Gov

O Ministério da Saúde iniciou tratamento inovador contra a malária para crianças no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a medida, o Brasil torna-se o primeiro país do mundo a disponibilizar a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. O público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país. Até então, desde 2024, o medicamento era ofertado apenas a jovens e adultos a partir de 16 anos.

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Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica, com investimento de R$ 970 mil, para ampliar o controle da doença em todo o território nacional. A entrega do medicamento iniciou no dia 2 e está ocorrendo de forma gradual, com foco em áreas prioritárias na região Amazônica.

Leia também: Na Amazônia, malária esconde casos de dengue, chikungunya e parvovírus B19

O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, ressaltou que a Pasta tem investido fortemente para garantir que medicamentos mais eficazes e de uso mais simples cheguem a quem precisa.

“Hoje realizamos um treinamento de profissionais de saúde que atuam no DSEI Leste e vamos ampliar para sete Distritos Sanitários Especiais Indígenas em todo o país. Esse é mais um exemplo da potência do Sistema Único de Saúde ao incorporar um medicamento com eficácia comprovada, com o objetivo de reduzir ainda mais os casos de malária no Brasil e contribuir para superar essa emergência sanitária”, disse.

O ministério da saúde já recebeu 64.800 que serão distribuídos em áreas de maior incidência como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Estes territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos. O primeiro a ser contemplado será o DSEI Yanomami, com 14.550 comprimidos.

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Succinato de tafenoquina, remédio usado no tratamento da malária
Tafenoquina. Foto: Fabio Miranda/Ministério da Saúde

Em 2024, o Território Yanomami foi a primeira região do Brasil a receber a tafenoquina 150mg, indicada para pacientes com mais de 16 anos, como parte de uma estratégia inovadora de aprimoramento do tratamento nas regiões mais afetadas.

Com a incorporação da tafenoquina pediátrica, o Brasil se posiciona na vanguarda do combate à malária e segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). A medida busca melhorar o cuidado e fortalecer o enfrentamento da doença em regiões remotas, ampliando o alcance do SUS.

Para a secretária é importante esse medicamento chegar aos territórios indígenas. “À medida que ampliamos a cobertura do tratamento com rapidez e eficiência, reduzimos também o risco de transmissão da malária nas comunidades. Se conseguirmos alcançar uma cobertura elevada, é possível reduzir em até 20 mil casos da doença. Se não há um medicamento como a tafenoquina para crianças e não há um teste rápido que facilite o diagnóstico precoce, ficamos sem ferramentas eficazes para enfrentar o problema. Por isso, levar essas tecnologias para as áreas mais afetadas pela malária, onde elas podem gerar maior impacto, é uma obrigação nossa”, explicou.

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Tratamento inédito

A nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, o que proporciona mais conforto e praticidade para as famílias e profissionais de saúde; maior adesão à terapia; eliminação completa do parasita; e a prevenção de recaídas, contribuindo para a interrupção da transmissão da doença. Possibilita, ainda, ajuste da dose conforme o peso da criança, garantindo maior eficácia do tratamento.

Teste de Malária. Foto:  Foto: Luis Oliveira/Ministério da Saúde

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Para garantir a segurança e implementação efetiva da tafenoquina pediátrica, o Ministério da Saúde está realizando oficinas de treinamento. Nesta primeira etapa, 250 profissionais dos DSEI prioritários serão habilitados.

Incorporação

A tafenoquina 50mg foi incorporada ao SUS por meio da Portaria nº 64 , de 15 de setembro de 2025, e representa uma revolução no enfrentamento à doença por Plasmodium vivax , a principal espécie causadora da malária no Brasil, responsável por mais de 80% dos casos no país. O pedido de incorporação da tecnologia foi apresentado pelo Ministério da Saúde, após registro da nova apresentação de 50 mg na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A proposta considerou a vantagem do tratamento em dose única. O novo medicamento passou a ser indicado para pessoas com malária vivax, com peso acima de 10 kg, que não estejam grávidas ou em período de amamentação. Até então, o esquema terapêutico disponível exigia tratamento por até 14 dias, o que dificultava a adesão, especialmente entre crianças.

Região Amazônica

A malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença. O Ministério da Saúde segue intensificando o monitoramento e o reforço das ações de controle vetorial, busca ativa, disponibilização de testes rápidos entre outras estratégias de combate à doença na região.

Entre 2023 e 2025, somente no território Yanomami, houve aumento de 103,7% na realização de testes, crescimento de 116,6% no número de diagnósticos e redução de 70% nos óbitos pela doença.

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Foto: Arthur Alves/Arquivo PMM

“Nos territórios Yanomami e no Alto Rio Negro, o Ministério da Saúde também tem investido no reforço das equipes de saúde, com contratação de profissionais, microscopistas e agentes de combate às endemias. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, conseguimos melhorar a assistência e reduzir significativamente os casos e óbitos por malária nos territórios indígenas”, pontuou Weibe.

Diminuição de casos

A malária é uma das doenças que integra o Programa Brasil Saudável. A iniciativa do Governo Federal visa enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em maior vulnerabilidade social. O programa é coordenado pelo Ministério da Saúde e reúne outros 13 ministérios, além de parceiros estratégicos como organizações da sociedade civil e organismos internacionais.

Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos desde 1979, com 15% de redução em relação a 2024. No mesmo período, também houve uma redução de 16% em áreas indígenas de todo o país. Os casos por Plasmodium falciparum (protozoário causador da forma grave de malária) também reduziram em 30% em relação ao ano passado.

A utilização da tafenoquina para cura da malária por Plasmodium vivax tem se mostrado eficaz, reduzindo as recaídas e a transmissão. Ainda, a utilização associada de artesunato e mefloquina tem impactado positivamente no controle da malária por Plasmodium falciparum no país. Outras medidas relevantes foram a ampliação do teste de diagnóstico rápido para malária (TDR) e a distribuição de Mosquiteiros Impregnados de Longa Duração (MILD).

Com a incorporação da tafenoquina pediátrica, o país implementa mais uma importante medida para a cura radical da doença.

*Por Leidiane Souza, Vicente Ramos e Rafael Ely, do Ministério da Saúde

Concessões florestais são referência de desenvolvimento sustentável, afirma governo do Pará

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Impulsionadas pelo Governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), as concessões florestais vêm fortalecendo o uso responsável das florestas públicas no estado, aliando conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento da governança territorial. Em 2025, o Pará registrou um avanço expressivo nesse modelo de gestão, consolidando-o como uma das principais estratégias de desenvolvimento sustentável na Amazônia.

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Até o momento, foram assinados 12 contratos de concessão florestal no estado, por intermédio da Diretoria de Gestão de Florestas Públicas de Produção (DGFLOP). Desse total, 11 são voltados ao manejo florestal sustentável e um à restauração ecológica. As áreas concedidas somam cerca de 680 mil hectares de florestas públicas sob gestão responsável, resultando em uma arrecadação superior a R$ 14 milhões para o Estado.

As concessões florestais permitem que áreas previamente delimitadas e licitadas sejam destinadas ao manejo sustentável de produtos e serviços ambientais, sempre sob regras rigorosas de monitoramento, transparência e controle público. O modelo garante que a floresta permaneça em pé, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde está inserido.

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Concessões florestais
Concessões florestais do Pará são referência de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Responsabilidades e proteção das áreas

De acordo com a diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Claudia Simoneti, o sistema estabelece responsabilidades claras às empresas concessionárias. “Além do pagamento de outorga ao Estado e da realização de investimentos sociais, as empresas assumem a proteção integral das áreas concedidas, com vigilância contínua para prevenir invasões, extração ilegal de madeira, desmatamento e queimadas”, enfatizou.

O manejo florestal segue critérios técnicos rigorosos. Segundo a diretora, a exploração ocorre de forma planejada e controlada. 

“O manejo ocorre por meio de um sistema de rodízio, que permite a produção planejada e contínua ao longo dos anos. Em cada hectare, área equivalente a um campo de futebol, são retiradas apenas de quatro a seis árvores selecionadas, respeitando padrões ambientais e legais”, explicou Ana Claudia.

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Planejamento e regeneração da floresta

Outro ponto fundamental do modelo é o tempo necessário para a regeneração da vegetação. A mesma área só pode passar por um novo ciclo de manejo após um período entre 25 e 30 anos, tempo considerado suficiente para a recuperação da floresta.

Concessões florestais do Pará são referência de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

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Esse cuidado contribui para manter o estoque de carbono, favorecer a regulação climática, conservar a biodiversidade e garantir a continuidade dos serviços ecossistêmicos prestados pelas florestas.

O planejamento de longo prazo também prevê novos avanços. Para 2026, está previsto o lançamento de edital para concessões florestais em seis Unidades de Manejo Florestal localizadas nas Florestas Estaduais do Iriri e do Paru, ampliando o alcance do modelo no território paraense.

Referência em sustentabilidade

Segundo a gerente de Planejamento e Análises Florestais do Ideflor-Bio, Thais Novais, o pioneirismo do Pará torna as concessões florestais do estado uma referência nacional e internacional.

“Entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) atendidos pelo modelo, estão o ODS 13, que trata da ação contra a mudança global do clima, e o ODS 15, voltado à vida terrestre. As concessões ajudam a combater o desmatamento em florestas públicas, promovem o uso sustentável dos recursos naturais e viabilizam a restauração de áreas degradadas ou desmatadas ilegalmente”, ressaltou.

Concessões florestais do Pará são referência de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Para a gerente, a concessão florestal também se consolida como um importante instrumento de governança pública. “Ela ordena o uso das florestas brasileiras e transforma áreas públicas em territórios sob regime de uso sustentável, com ganhos expressivos em ordenamento territorial, proteção florestal, desenvolvimento local e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis”, concluiu Thais Novais.

*Com informações do Ideflor-Bio

Quase 3 mil áreas de risco na Amazônia Legal foram identificadas pelo SGB

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Ao todo, foram realizados levantamentos em 1,8 mil municípios; os estudos são essenciais para apoiar o poder público municipal em ações para prevenção de desastres. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com o intuito de contribuir para prevenção de desastres e apoiar os esforços para proteger vidas, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) realiza em todo país estudos que identificam áreas de risco. Mais de 1,8 mil municípios já foram contemplados pelos levantamentos e foram mapeadas mais de 17,7 mil áreas de risco. Os dados constam em dashboard do SGB, atualizado em fevereiro de 2026.

Além disso, é realizado o monitoramento dos níveis de rios de 19 bacias hidrográficas por meio dos Sistemas de Alerta Hidrológico (SAH). O trabalho ganha ainda mais relevância diante da chegada do período chuvoso e de eventos climáticos extremos.

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Essas ações ajudam na formulação de políticas públicas e de medidas que garantam mais segurança às populações, contribuindo para prevenir ou reduzir impactos de desastres como deslizamentos, erosões e enchentes. 

“Os estudos evidenciam nosso compromisso com os municípios e toda a população brasileira”, destaca o diretor-presidente do SGB, Vilmar Medeiros Simões.

Ele ressalta que os relatórios disponibilizados “fornecem a gestores públicos e às defesas civis instrumentos valiosos para que possam tomar decisões assertivas para salvaguardar vidas e evitar perdas materiais”.

Os mapeamentos também ajudam os municípios na captação de recursos destinados a obras preventivas e de resposta a desastres.

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A Defesa Civil do Pará e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) estão desde terça-feira (31) mapeando locais de risco na praia de Ajuruteua e no centro urbano de Bragança, município do nordeste paraense. O resultado do trabalho constará de um relatório de domínio público, que será entregue à Prefeitura e ao governo do Estado para elaboração de um planejamento destinado às duas áreas.
Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará

Áreas de risco

Um dos trabalhos realizados é a Cartografia de Áreas de Risco que indica as áreas de risco alto e muito alto associadas a processos de inundações, enchentes, erosões e de movimentos gravitacionais de massa – como deslizamentos e queda de blocos. Os estudos foram realizados em 1.803 municípios (até fevereiro de 2026), nas áreas urbanizadas das cidades e identificaram mais de 4,6 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco no Brasil.

De acordo com os dados, nos municípios mapeados, já foram identificadas 17,7 mil áreas de risco, sendo 5,5 mil de risco muito alto e 12,1 mil de risco alto.

A maior parte dos riscos geológicos está associada a processos de deslizamentos, com 8,8 mil áreas mapeadas. Em seguida, estão os processos de inundação, com 5,7 mil registros.

Áreas de risco identificadas nos estados que compõem a Amazônia Legal (2.876):

EstadoMunicípios mapeadosÁreas de risco
Pará961,1 mil
Amazonas62800
Maranhão93379
Rondônia52178
Acre22165
Mato Grosso28163
Amapá849
Roraima 533
Tocantins159

Veja todos os estados AQUI.

Estudos realizados

Outros estudos desenvolvidos nas cidades e que também geram subsídios para planejamento territorial, gestão de riscos e prevenção de desastres, são:

Monitoramento e previsão de níveis de rios

O SGB opera 19 Sistemas de Alerta Hidrológico (SAH), que geram previsões sobre os níveis dos rios e possibilitam antecipar cenários para prevenir ou reduzir o impacto de inundações ou secas. São mais de 10 milhões de pessoas beneficiadas, em mais de 100 municípios atendidos. 

Em períodos chuvosos que provocam aumento do nível dos rios, o SAH entra em operação e inicia o disparo de boletins de alerta hidrológicos. Esses boletins apresentam previsões de níveis das águas para as próximas horas, além de informações sobre as chuvas.

Dessa forma, o SGB auxilia defesas civis e órgãos municipais nas atividades de prevenção e apoio às populações afetadas. Uma das ações que podem ser realizadas, por exemplo, é a remoção de pessoas de áreas com possibilidade de serem inundadas.

*Com informações do SGB

Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas estão entre as 40 tecnologias sociais de maior impacto no país

Cacique José Augusto Kanoe, professor Mario Puruborá e Ana Vilacy Galucio durante o II Encontro de Tecnologia Social da Amazonia (Manaus, 2025), apresentando os Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas. Foto: Divulgação/MPEG

Identificado pelo Observatório de Tecnologias Sociais do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) como uma iniciativa com metodologia inovadora e replicável em larga escala, os Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas, desenvolvidos sob a coordenação da pesquisadora Ana Vilacy Galucio, estão na etapa final do 13° Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais, considerado um dos mais importantes do país.

Dentre os 148 projetos certificados, este ano, como novas tecnologias sociais pela fundação, os dicionários do MPEG, agora, compõem a lista dos 40 finalistas do prêmio. Com a indicação, cada projeto finalista já garantiu R$ 65 mil. Os sete grandes vencedores serão anunciados no dia 29 de maio, numa cerimônia em Brasília.

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A pesquisadora e curadora do acervo linguístico do Museu Goeldi, Ana Vilacy, afirmou que a indicação dos Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas como finalista do prêmio reconhece a tecnologia social do MPEG como uma resposta para a necessidade dos povos indígenas de manter o aprendizado de suas línguas.

“Recebemos a notícia com muita felicidade. Essa conquista mostra que estamos conseguindo dar resposta para uma demanda social importantíssima, que é a questão das línguas ameaçadas e a necessidade de aprendizagem dessas línguas pelas comunidades. Estar entre as tecnologias sociais finalistas do prêmio é muito gratificante, já nos consideramos vencedores”, comentou. 

Segundo Ana Vilacy, os R$ 65 mil garantidos nesta etapa deverão ser investidos na melhoria do compartilhamento dos aplicativos.

“Criamos a metodologia e o formato geral para produzir os dicionários. Mas para cada língua, se desenvolve um aplicativo. O prêmio será investido no processo de certificação e de compartilhamento gratuito desses aplicativos nas lojas de apps”, detalhou.

O projeto do MPEG concorre na categoria Novas Certificadas, que conta com 30 finalistas e irá premiar 5 tecnologias sociais com R$ 200 mil para cada. As outras 10 finalistas do prêmio disputam a categoria Desafio Fundação BB 40 anos, que irá premiar dois projetos com R$ 1,2 milhão para cada. Ao todo, entre certificações e premiações, serão investidos até R$ 6 milhões.

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Dicionários são usados em escolas indígenas

Desenvolvidos, desde 2019, em parceria com a Universidade Novo México e com a participação ativa de povos indígenas, os dicionários foram construídos com tecnologias de fonte aberta (open source), de fácil acesso, que podem ser utilizadas e aprimoradas em larga escala pelas comunidades, sem necessidade de acesso à internet para rodar os aplicativos. Já estão disponíveis sete dicionários na plataforma do Museu Goeldi: das línguas Kanoé, Oro Win, Puruborá, Sakurabiat, Salamãi e Wanyam, além do dicionário de de lugares sagrados dos Medzeniakonai.

O professor Mário Puruborá, da Aldeia Aperoi, localizada no município de Seringueiras, no estado de Rondônia, utiliza o dicionário na escola Iwara Puruborá, que reúne em torno de 20 estudantes, entre crianças, adolescentes e adultos. Segundo ele, o dicionário está sendo utilizado como “o principal e fundamental livro didático na escola Iwara Purubora”.

A aldeia concentra cerca de 50 indígenas e, na escola, dois professores trabalham com a tecnologia social do Museu Goeldi. “Mas também usamos nas aulas remotas, pelo meet, para atender os parentes que moram fora do território, nas cidades”, acrescentou Mário Puruborá.

Dicionário multimídia de línguas indígenas
Foto: Divulgação/MPEG

Mapeamento do Observatório de Tecnologias Sociais

Para que os Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas se tornassem finalistas do 13° Prêmio da Fundação BB de Tecnologia Social, o Observatório de Tecnologias Sociais do Museu Goeldi foi fundamental, na opinião de Ana Vilacy.

“Foi a partir do mapeamento da equipe do Observatório de Tecnologias Sociais que foi identificado o potencial do nosso projeto como uma tecnologia social, pois uma característica dos dicionários é que eles são elaborados com softwares livres para que sejam replicados e disponibilizados de forma mais ampla para as comunidades”, atestou.

Coordenador do Observatório, Arthur Ribeiro explicou que, além de identificar os projetos do Museu Goeldi que possam ser reconhecidos como tecnologias sociais, o trabalho inclui, entre outras ações, a divulgação das experiências e a busca por financiamentos via editais.

“Os Dicionários, por exemplo, foram uma experiência que se enquadrou muito bem no prêmio de reaplicação da Fundação Banco do Brasil”, disse, lembrando que a certificação do banco incluiu o projeto na rede Transforma, que reúne outras 915 tecnologias sociais do país, entre elas, Replicando o Passado e as Olimpíadas de Ciências de Caxiuanã, ambas também desenvolvidas pelo Museu Goeldi. “Ficamos muito felizes com a notícia dos Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas entre as finalistas”, celebrou.

Com objetivo de identificar potenciais tecnologias sociais entre os projetos desenvolvidos no Museu Goeldi, ele explicou que a equipe do Observatório busca a interlocução com os pesquisadores da instituição. “Qualquer pesquisador que tenha interesse, pode entrar em contato conosco para que tenha a sua experiência de tecnologia social registrada no Observatório”.

Conforme Arthur Ribeiro, a tecnologia social “é uma tecnologia cultural, social e historicamente inserida, que parte da cultura de um determinado povo e se adequa a todas as suas necessidades. Acima de tudo, permite a apropriação da tecnologia pela própria comunidade, porque ela mesma faz a autogestão, já que participou do processo de concepção, de ideação, de controle e de monitoramento”, afirmou ele.

*Com informações do Museu Goeldi