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Bosque dos Papagaios abriga centenas de espécies de árvores da região amazônica

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Bosque dos Paragaios. Foto: Diane Sampaio/PMBV

A proteção da flora Amazônica é essencial para a preservação do equilíbrio ambiental do planeta. Para garantir o papel de regulação do clima, na produção de oxigênio e no armazenamento de carbono, o Parque Ecológico Bosque dos Papagaios, localizado no bairro Paraviana, é um ambiente que abriga não apenas animais, mas também árvores típicas da Amazônia.

O Bosque dos Papagaios foi criado em julho de 2009 e está situado em uma área institucional de 12 hectares. Ao todo, são mais de 100 espécies de árvores distribuídas pelo local. O engenheiro agrônomo do bosque, Carvílio Neto, explicou que o solo é bem nutrido e as árvores da floresta crescem e se desenvolvem de forma saudável.

“O bosque é um espaço de proteção e guarda da biodiversidade amazônica. Aqui, a gente frisa bastante a preservação para que Boa Vista siga sendo uma cidade protegida para as gerações futuras. Passeando pelo parque encontramos um grande acúmulo de matéria orgânica, tanto da fauna do solo, como bactérias e fungos, quanto das folhas e galhos das árvores”, disse.

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Bosque dos Paragaios. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Espécies de árvores

Visitantes que passam pelo Bosque dos Papagaios encontram espécies de árvores como, andiroba, jenipapo, caimbé, samaúma, taperebá, pimenta-de-macaco, murici, ajarani, pata-de-vaca, castanha-do-brasil, sucuba, mari-mari, dentre outras.

Morando em Boa Vista há um ano com a família, Mariana Duarte sempre leva os filhos Heitor e Otávio para passeios no local.

“Viemos do Rio Grande do Sul e a experiência em Boa Vista tem sido muito bacana. A cidade é extremamente incrível. O bosque é um local que as crianças gostam muito. Todas as vezes que eles entram aqui é como se fosse a primeira visita, pois amam cada dia mais. Uma coisa muito bacana é que os animais e árvores são diferentes do que a gente está acostumado no nosso estado de origem”, destacou.

Bosque dos Paragaios. Foto: Diane Sampaio/PMBV

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Por mais que o bosque tenha sido criado há 15 anos, o espaço guarda árvores com idade superior a fundação do parque, que chegam aos 70 anos de idade, como é o caso de um pé de jatobá, uma das mais antigas do local.

David Vieira, de 7 anos, tem aproveitado as férias escolares com passeios pelas trilhas do Bosque dos Papagaios, ao lado da mãe, a psicóloga Lorena Vieira.

“Venho aqui com a minha mãe quase toda semana, pois moro aqui pertinho. Eu gosto muito de ver os animais e passear pelas trilhas, com a sombra das árvores e vento fresco. Sempre passeio de bicicleta aqui e nas praças da cidade. A gente gosta muito de tudo e já sabemos todos os animais que tem. Sempre vejo frutinhas que caem das árvores durante o passeio”, contou.

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Bosque dos Paragaios. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Bosque dos Papagaios

Aberto durante todos os dias, exceto feriados e pontos facultativos, o horário de funcionamento do bosque é das 8h às 18h durante a semana. Aos fins de semana, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Vale ressaltar que no local não é permitido entrar com animais domésticos, alimentar os animais, entrar com bebida alcoólica, consumir alimentos nas trilhas, fumar e descartar resíduos de forma irregular.

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*Com informações da Prefeitura de Boa Vista

Quando o amor decide o apogeu do craque: Pavão

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O amazonense Cláudio Carvalho de Souza, com seus 1,79 m de altura e 69 kg, era conhecido no mundo do esporte, especialmente voleibol, como maior atleta de basquetebol também daquele período. Ele fez história, tornou-se celebridade.

Na despedida do Clube do Remo, de Belém do Pará, numa noite memorável para o basquetebol amazonense, apesar de não ganhar a partida, ali ficara registrado, mais uma vez, que possuía um atleta de alto padrão aproveitável, com muita força de vontade e atributos que, à época, eram relegados a plano inferior pelos dirigentes do esporte local. Exatamente porque tais dirigentes não tomavam a decisão para superar os obstáculos que impediam a realização do campeonato de basquetebol.

Cláudio Carvalho de Souza, conhecido no mundo esportivo como Pavão, naquela noite foi o astro mais figurante das três constelações: Rio Negro, Bancrévea e Caiçara. Com a jaqueta dessas três equipes Pavão deu muito trabalho ao Clube do Remo do Estado do Pará, no qual desfilavam campeões brasileiros e jogadores que direta ou indiretamente viviam do basquetebol profissional no Estado do Pará.

Pavão constituía naquela noite um espetáculo à parte pela velocidade, precisão nas marcações, golpe de vista espantoso, pontaria nos arremessos e lealdade nos choques. Disso talvez, valeu-lhe o convite que recebera do Clube do Remo para fazer parte de seu plantel.

O Clube que nos visitava conhecido como Leão Azul deixou proposta em poder do jogador, cujo valor à época era 150 contos com casa e comida e ainda a sua indicação pelo clube para exercer uma atividade no comércio de Belém. Naquele período o atleta ficou indeciso, não sabia se ia ou não, seus amigos afirmavam a provável possibilidade de não aceitar o convite permanecendo no Bancrévea que acabara de surgir com uma proposta de 600 contos pelo seu passe, cujo seu clube na época haveria de aceitar.

Discutia-se em família, no entanto, que o atleta colocara o seu noivado acima de todas as ofertas. Sua noiva Izete Correa, estudante do Instituto de Educação, representava para ele a última palavra.

Rio Negro, sempre Rio Negro

Pavão foi uma espécie de “cria” do Rio Negro, em Manaus. Desde a idade de 11 anos que ele frequentava e praticava esportes no Líder. Foi levado por Álvaro Santos e burilado no voleibol e basquetebol pelo saudoso técnico Carlos Coelho, de quem ele guardava amizade e eternas recordações e ainda afirmava que aquele técnico conhecia fundo todos os segredos e os recursos das duas modalidades e era detentor de seis títulos de campeão de basquetebol, todos pelo Atlético Rio Negro Clube que, no ano de 1957, tornou-se campeão no Torneio Canto Frio. E ainda pelo campeonato oficial em 1958, tornou-se vice-campeão nos jogos da ACLEA, em 1959, no Torneio Canto Frio, tornou-se campeão em 1961, 1962 e 1963 e ainda foi o cestinha.

Mas o voleibol, já a partir do ano seguinte, começou a enfrentar a dificuldade pelos dirigentes da época, para salvar o basquetebol, ficando em iminência de desaparecer embora houvesse seis equipes muito boas em condições de realizar o certame.

Assim, Cláudio Carvalho de Souza integrou a equipe do Rio Negro na excursão de 1964 para o Estado do Pará. Naquela viagem ganharam de todos os times paraenses (Paysandu, Atuna e o Clube dos 14) sem perder um set. No campeonato brasileiro, ocorrido em Brasília, o Amazonas conquistou o terceiro lugar. Lá estava o Pavão e tiveram que enfrentar as poderosas equipes de São Paulo e Pernambuco.

Fotos: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Manaus – Uma cidade em plena floresta amazônica onde vive Cláudio Carvalho de Souza

A baía do Rio Negro era bem a vitrine do que significou o poderio do período econômico do látex. Apesar de ser um período difícil para a economia do Amazonas, muitos navios de todos os tipos permaneciam no local, cujo contato com a terra eram ligados por dezenas de catraias remadas por portugueses da cidade de Póvoa de Varzim que traziam e levavam passageiros e tripulantes desses barcos nacionais e internacionais que aguardavam aqui por suas cargas a serem transportadas para Nova York, Liverpool, Hamburgo e outras praças.

Mesmo com a queda vertiginosa do látex ainda mantínhamos a exportação de castanha, óleos vegetais, couros de animais silvestres e demais produtos menores que eram trazidos do interior do Estado por navios a vapor, que foram denominados ‘gaiolas’, ‘chatinhas’ e ‘vaticanos’.

Manaus, neste período, apesar da crise, oferecia aos seus visitantes e moradores ruas largas, cortadas por belos espaços e logradouros públicos, com bondes de tração elétrica e carroças com tração animal que cruzavam a cidade. Naquele período os animais também eram uma forma de transporte de mercadorias, especialmente nas serrarias para transportes de madeiras.

Se a arquitetura é o símbolo mais visível de uma sociedade, a fisionomia urbana de Manaus reflete bem o espírito da sociedade que aqui floresceu. Na verdade, a arquitetura de Manaus daquela época apresentava uma atitude emocional e estética do apogeu de período do látex e da burguesia, enriquecida por um processo produtivo.

De uma aldeia dos indígenas Manáos, o antigo lLugar da Barra, se transformara num dos mais importantes centros do mundo tropical, graças à vitalidade econômica da borracha que lhe deu vida, riqueza e encantos, como na antiguidade o comércio intenso, no Mediterrâneo, nas artes, nas letras e na arquitetura da Velha Europa.

O movimento no centro comercial regurgitando de gente de todos os lugares: nordestinos, ingleses, peruanos, franceses, israelenses, norte-americanos, alemãs, italianos, árabes e portugueses. A Avenida Eduardo Ribeiro concentrava um número expressivo de casas comerciais. Nas proximidades do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e nas ruas Marcílio Dias, Guilherme Moreira, Quintino Bocaiúva, Henrique Martins, Praça XV, não era diferente. Tudo o que o comércio internacional poderia oferecer era encontrado nesta longínqua cidade, plantada a milhares de quilômetros dos principais centros capitalistas.

As atividades comerciais bem constituídas abrigavam, no andar inferior, no comércio e no andar superior a residência do proprietário, instalado próximo ao seu trabalho, era razão para uma dedicação de maior tempo ao trabalho o que ocorria normalmente das 7h às 21h. Esse espaço residencial era o que predominava em nosso centro comercial. Mas, afastados como na Praça dos Remédios, onde havia uma grande concentração de árabes, ao longo da Joaquim Nabuco, Largo de São Sebastião, Sete de Setembro, Barroso, 24 de Maio, Saldanha Marinho e outras ruas circunvizinhas, dispunha-se as residências mais ricas, magníficos palacetes construídos no melhor estilo da época, assoalhos de acapu, pau-amarelo e pinho de riga, onde sol vazava as janelas e vitrais europeus. As salas normalmente iluminadas com belíssimos lustres europeus, paredes de tetos decorados de pinturas e telas ou ar frescos. Seus salões amplos exibiam luxuosíssimos móveis, porcelanas, cristais e pratarias e, que permaneciam sempre abertos para receber visitas e festas de aniversários, banquetes e saraus, as diversões familiares da Belle Époque.

Casas de alvenaria com porões habitáveis, com fachadas de painéis de azulejos europeus, com suas entradas de escadas em degraus de pedra de lioz ou mármore, sala de visita, alcova, sala de jantar, o grande corredor ladeado de dois ou três quartos, cozinha e mais dependências.

As famílias de menores recursos habitavam as extensas vilas de casas populares, o que encontramos ainda hoje nas ruas 24 de Maio, Lauro Cavalcante e Joaquim Nabuco e, as chamadas estâncias, extensas construções de meia-água, divididas em pequenos quartos para aluguel, vale apena lembrar a estância do Cangalha, que entrava pela 7 de Setembro até o Igarapé de Manaus, na antiga Ponte Cabral que existe até hoje.

Entre os hotéis destacavam-se: o Cassina, na Praça Dom Pedro II e, o Grande Hotel na Rua Municipal n.º 70, belíssimo edifício de dois andares com 42 quartos, cujos, cômodos eram caprichosamente mobiliados (este prédio muito mais tarde sofreu um grande incêndio, de suas ruínas sobrou apenas as fachadas pelas ruas 7 de setembro e Marechal Deodoro. A prefeitura propôs a demolição e em seguida houve a intercessão do então Secretário de Cultura da época Robério Braga que imediatamente, tomou providências para que as referidas fachadas fossem escoradas com enormes vigas de aço para sua sustentação, onde mais tarde foi restaurado).

O Atlético Rio Negro Clube é um clube que têm história

Não foi difícil constituir-se em nossa cidade times de futebol. O apogeu da borracha facilitava com a presença de firmas exportadoras aqui instaladas, cujos escritórios havia grande número de jovens que já praticavam o esporte em seus países de origens. De certa forma a economia da borracha permitia a prática desse esporte, dentre eles alguns se destacaram: o Satélite Clube, o Naval Foot ball, Manáos Sporting Clube, Manáos Atletic Club.

O Jornal a Gazeta da Tarde que circulava a época revelaria sociedade amazonense através da votação direta qual dos clubes de ‘Football’, da época que concorreria ao prêmio, participavam do concurso:

  • Atlético Rio Negro Club,
  • Luso Sporting Club,
  • Nacional Futebol Club,
  • União Sportiva Portuguesa,
  • Associação Athletica Desportiva,
  • América Futebol Club,
  • União Esportiva Hespanhola,
  • Amazonas Futebol Clube,
  • Monte Cristo Futebol Club,
  • Brasil Sporting Club,
  • Paysandu Futebol Club,
  • Liga Esportiva Italiana.
Fotos: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Em 6 de outubro de 1918, o Atlético Rio Negro Club foi declarado vencedor com 3.703 votos e o segundo colocado foi o Luso Sporting Club com 3.485 votos, tendo sido entregue uma placa em prata ao vencedor. Mais tarde, em 17 de abril de 1929, no aniversario da Revista de Carlos da Silva mesquita chamada “Amazônida”, o Atlético Rio Negro Club, foi eleito o mais querido do Amazonas.

De certa forma, naquele período a sede do clube era na rua Marcílio Dias, era o n.º 4.648, hoje 259 no famoso Palacete Vila Gião, foi nesta sede que o clube cresceu e saiu para grandes vitórias esportivas e sociais. Isso ocorreu em 1919, o Presidente do Atlético Rio Negro Club a época era o maranhense Francisco de Assis de Souza Guimarães, o precursor que deu início aos bailes de segunda feira gorda, o baile infantil e o baile de sábado de aleluia e a obrigatoriedade de ornamentar a sede. Foi neste momento que nasceu o celebre “Tanguinho” do maestro João Donizette Gondin.

Fotos: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Biólogo explica incidência de grilos em Belém

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Grilos dentro das casas. Foto: Divulgação/Comus Belém

Moradores de diferentes bairros de Belém têm relatado o aparecimento de grande quantidade de grilos dentro das casas e o desconforto causado por esse animais. Segundo o biólogo da Secretaria Municipal de Ambiente e Clima, Tavison Guimarães, que atua no Bosque Rodrigues Alves, esse é um fenômeno considerado recente na capital paraense, não identificado nos anos anteriores.

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O biólogo explica que somente um estudo aprofundado poderia esclarecer as causas do aumento da incidência de grilos em Belém, entretanto é possível apontar alguns possíveis motivos para a infestação relacionada, principalmente, com as mudanças climáticas.

Clima quente contribui para infestação de grilos

Segundo Tavison, o mundo tem sofrido um aumento de temperatura com o passar dos anos e o clima mais quente favorece a proliferação de insetos. O chamado ‘inverno amazônico’ está ainda mais quente em comparação a períodos passados.

“Está chovendo bem menos em relação aos anos anteriores. Antes, as chuvas começavam em novembro ou dezembro, e agora começou em janeiro, e com baixa frequência. O grilo é um animal que prefere temperaturas mais elevadas”, pontua o profissional. 

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Redução de matas e predadores naturais

Outro fator que pode contribuir para aumentar a proliferação de grilos é a baixa reprodução dos predadores naturais, como sapos e aranhas, por exemplo. A perda de habitat natural, de áreas de mata, cada vez mais invadidas nas cidades contribui para o aparecimento mais frequente de insetos em ambientes urbanos. 

Danielle Souza, antropóloga e moradora do bairro do Telégrafo há outo anos, notou infestação de grilos em Belém. Ela diz que era comum aparecer um ou dois grilos pela casa dela nessa época do ano. Agora, são cerca de cinco, sete grilos todas as noites.

“Eu comecei a achar estranho a quantidade, porque realmente tem aparecido bastante. De noite eu escuto o som de vários grilos, o que não era comum. A gente ouvia o som de um ou outro, agora tem bastante mesmo”, comenta Danielle. 

Tavison Guimarães diz que é comum aparecer mais grilos entre o final do verão e início do inverno, por ser época da reprodução natural desses animais. Entretanto, nesse ano, o que se observa é um aumento significativo dessa incidência apontado pela própria população em diversos bairros. 

Sem riscos para os seres humanos

Os grilos não causam nenhum dano ao ser humano, e matar esses bichos inofensivos só prejudica a natureza e desestrutura ainda mais a cadeia alimentar.

“A única coisa que incomoda é o barulho que o grilo faz. Todo ser vivo tem uma importância, o grilo mata ervas daninhas e serve de alimento para outros animais”, explica Guimarães.

O biólogo acrescenta que, ao entrar um grilo em casa, o correto é capturar e colocar de volta à natureza.

*Com informações da Agência Belém

O que você faz? Qual é o seu negócio?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Quando conheço uma pessoa em uma festa, um coquetel ou em uma prática esportiva, depois de um breve tempo de conversa, é comum a pergunta: “O que você faz? Qual é o seu negócio?” Isto deve acontecer com você também, já que somos induzidos a nos enquadrar em caixinhas de profissão, gênero, estado civil e diversos tipos de preferência, inclusive as sexuais e de clube de futebol. Com exceção destas duas últimas, que podem ser percebidas ou respondidas diretamente, sobre várias outras, tenho sempre dificuldade de responder, de uma forma objetiva e simples, que não requeira maiores explicações.

Uma situação delicada que enfrento, por exemplo, é quando me pedem para, a fim de me apresentar em uma palestra ou em situações similares, definir o que “eu sou”. Você responde bem a este tipo de pergunta?

No meu caso, lido ainda com um conflito interno. De um lado, a consciência de que é preciso ter foco para ser bem-sucedido em qualquer área; de outro, com a atração por diversos temas e projetos em que anseio me aprofundar, sabendo que não terei tempo nesta jornada para fazer isto. Como acredito que terei outras empreitadas, encaro isto com tranquilidade, que é perturbada quando me fazem tais perguntas: O que você faz? Qual é o seu negócio?

O que faço, ou procuro fazer, é muito diversificado. Qualquer que seja o rótulo de título ou profissão, no entanto, converge necessariamente para “contribuir com pessoas e com empresas”. Mas contribuir com o quê? E é aí que entra o que é o meu negócio: “Felicidade”, o que implica em resultados, para pessoas e para empresas. Felicidade para o meu entorno, para o mundo (já que acredito em um efeito irradiador da felicidade) e para a minha própria felicidade. Talvez, na maior parte do tempo inverta a ordem, priorizando a minha felicidade, mas, conscientemente, sei que ela será consequência do quanto eu tratar bem o “meu negócio”, uma forma coloquial de dizer “a minha missão” e o “meu propósito”.

Falando sobre Felicidade, alguém detém a sua fórmula? Existem práticas recomendáveis, sim, mas não são propriedades exclusivas. Se dentro das grandes Leis da Natureza, existem caminhos para a Felicidade, então, eles nunca serão exclusivos, mas complementares entre si.

É esta convicção que leva a mim e ao MCI, instituição que lidero, a defender e estimular a prática da Felicidade Consciente, valorizando diferentes caminhos, independentemente de qualquer tipo de rótulo, categoria, crença ou separações, próprias da maneira cartesiana de pensar. Este paradigma científico, que nos trouxe muitos avanços, é claramente insuficiente para nos fazer seguir adiante e lidar com as grandes questões atuais, como Edgar Morin nos ensina. Sendo um cientista altamente reconhecido pela academia, Morin propõe a ruptura dos atuais paradigmas concretos e materialistas, ainda preponderantes.

É por tudo isto que o MCI apoia o estudo e a pesquisa de diferentes métodos de felicidade, cujo objetivo seja transformar o mundo em algo melhor do que temos e das ameaças que se apresentam. Temos o amparo da filosofia, da neurociência, da psicologia positiva e de diferentes crenças religiosas, orientais e ocidentais. Precisamos destacar o quanto estes conhecimentos se assemelham e o quanto há de sinergia entre eles. Não precisamos classificá-las pelas diferenças, o que somente enfraquece o objetivo final.

O Método MCI de Felicidade é aberto e facilmente acessível, mas desejamos que outros caminhos, baseados em princípios elevados, sejam oferecidos, permitindo que cada um de nós faça as suas escolhas conscientemente, visando a Felicidade de todos e de nós mesmos. Todos temos o que oferecer e o que receber.

Filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles e Mokiti Okada declararam que por detrás de tudo o que faz, o homem objetiva a Felicidade. Retornando a questão inicial, este é o meu negócio. E você? O que você faz? Qual é o seu negócio?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Criada por macacos? Colombiana abandonada em meio à floresta relata experiência em livro

Foto: John D. Chapman

Em filmes de ficção é possível encontrar crianças que foram criadas por animais, em meio à natureza. É o caso dos populares ‘Mogli, o menino lobo’, em que um menino abandonado acaba sendo criado por lobos, e a ‘Lenda de Tarzan’, no qual o menino cresce em meio aos gorilas.

Porém, na Amazônia Internacional, existe um caso real semelhante aos filmes de fantasia. E, assim como na ficção, a história não se desenvolveu de uma maneira agradável.

Tudo começa na Colômbia, na segunda metade do século XX. A pessoa que poderia fazer parte dessa lista de personagens fictícios, mas que viveu momentos difíceis de verdade é Marina Chapman. Nascida em 1950, ainda criança Marina foi sequestrada e retirada do convívio com sua família.

Em depoimentos dados à veículos de comunicação internacionais, Marina conta que seu sequestro é uma das poucas lembranças vívidas da sua infância. Ela conta que brincava no jardim de sua casa, quando dois homens a agarraram e a abandonaram em uma floresta, totalmente sozinha. Ela não lembra o nome de sua vila, nem o local exato, mas o ocorrido ficou marcado em sua memória.

No livro ‘The Girl with No Name: The Incredible True Story of a Child Raised by Monkeys‘ (‘A garota sem nome: a incrível história real de uma criança criada por macacos’, tradução livre), Marina relata o tempo em que viveu cercada por macacos-prego, de uma espécie endêmica do bioma.

Marina em 2013. Foto: Reprodução/Youtube-The Guardian

Perda de sentidos

Com o decorrer dos anos, durante sua infância, Marina Chapman gradualmente se tornou “selvagem”: aprendeu a caçar para sobreviver, perdeu a capacidade de fala e, consequentemente, teve um grande atraso na sua capacidade cognitiva.

Vale ressaltar que, a primeira infância é uma fase crucial para o desenvolvimento do cérebro e a falta de contato humano na infância pode acarretar em consequências para toda vida. Mas foi nesse período que, conta Marina, ela desenvolveu uma relação de carinho e compaixão pelos primatas.

Retorno à sociedade

Com cerca de 10 anos de idade, Marina foi encontrada por um grupo de caçadores que entrou na mata e se deparou com a criança. No entanto, o que poderia ser o começo de uma história de reintegração social de sucesso para a menina, tornou-se mais um capítulo de dificuldade.

Marina foi vendida para um bordel em Cúcuta, no norte da Colômbia. Após alguns anos conseguiu fugir e, depois de até mesmo viver nas ruas, passou a trabalhar como doméstica em casas de família ricas.

Somente aos 14 anos foi adotada por uma família vizinha de uma das casas em que trabalhava, indo morar na capital colombiana, Bogotá. Somente neste período que as coisas passaram a melhorar socialmente para a jovem.

Em 1977, com 27 anos, foi enviada para Bradford, na Inglaterra, ao lado de seus irmãos adotivos. E foi lá que constituiu família, casou-se e teve duas filhas.

Foi uma de suas filhas, inclusive, que a incentivou a escrever o livro relatando sua história, que gerou diversas opiniões. Enquanto para uns a história de Marina parece impossível, tão fictícia quanto nos filmes, para outros há veracidade em seus relatos.

Ela chegou até mesmo a passar por detectores de mentira, cujo resultado mostraram seu real afeto pelos primatas. Mas psicólogos já chegaram a ponderar se o caso não seria de falsas memórias criadas para preencher um período nebuloso na vida da criança.

E aí, já conhecia essa história?

Edital: pesquisa científica é estratégia para fortalecer agricultura familiar e indígena em Roraima

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Foto: Divulgação/Secom RR

Na agricultura familiar e indígena, a pesquisa científica pode trazer inovações em termos de técnicas de cultivo, controle de pragas e doenças, ou na utilização de novos insumos que sejam mais acessíveis e que respeitem o meio ambiente. E foi para atender essa demanda que o Governo de Roraima, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Faperr) lançou o edital da Chamada Agroambiental.

O edital vai selecionar e financiar projetos que explorem soluções, dentro de eixos temáticos específicos a produtividade de forma sustentável, sem prejudicar o ecossistema local.

De acordo com o Diretor Administrativo da Faperr e doutor em Engenharia Florestal, Beethoven Barbosa, é necessário gerar conhecimento para o homem do campo para que a produção agrícola sofra menos riscos nesse momento em que o mundo enfrenta as mudanças climáticas.

“O ambiente não é uma ameaça, o meio ambiente está ao nosso favor e nós seres humanos precisamos aprender a conviver com a natureza, respeitá-la e fazer as nossas produções agrícolas que são necessárias à sobrevivência, da melhor forma possível. E é baseado em pesquisa, em inovação, gerando conhecimento local que vamos implementar melhor e ter menos riscos na produção do estado de Roraima”, explica o diretor.

No Agroambiental serão avaliados os projetos dentro de eixos temáticos considerados prioritários para o desenvolvimento de soluções que atendam às demandas do setor produtivo do estado sendo: Manejo Cultural do Solo; Economia e Segurança Alimentar; Manejo de Pastagens e Saúde Animal; Segurança Ambiental.

Os pesquisadores deverão possuir formação e experiência compatíveis com o eixo temático e os objetivos do projeto de pesquisa a ser submetido. Os projetos de pesquisa científica devem estar fortemente alinhados ao Plano Roraima 2030, desenvolvido pelo Governo do Estado e às categorizações definidas no Zoneamento Ecológico-Econômico de Roraima.

As propostas com foco no ‘Manejo Integrado de Pragas para pastagens e culturas tradicionais’ deverão ter suas pesquisas realizadas em regiões onde, comprovadamente, a ocorrência de pragas justifique a implementação da estratégia. Já as propostas com temática voltadas para o ‘Monitoramento fitopatológico da bananicultura’ deverão ser desenvolvidas, obrigatoriamente, em pelo menos uma das localidades: Caroebe e/ou São João da Baliza, preferencialmente aquelas com ocorrência do moko da bananeira.

Do mesmo modo as propostas com foco no ‘Monitoramento hídrico em áreas de savana submetidas à drenagem e ao uso consuntivo de água na agricultura’ deverão ser desenvolvidas em regiões onde tenha ocorrido drenagem para o cultivo de grãos, como soja e milho.

As propostas com temáticas voltadas para a “Detecção de risco de incêndio, considerando análises climáticas, combustíveis preferencialmente finos e aumentando a inflamabilidade para a elaboração de modelos preditivos” deverão ser desenvolvidas em áreas de fronteiras agrícolas com a floresta, especialmente nos municípios de Alto Alegre, Caracaraí, Iracema, Rorainópolis, São Luiz do Anauá e São João da Baliza.

As propostas com temática voltadas para o ‘Monitoramento das principais enfermidades em rebanho bovino de corte e leite’ deverão ser destinados aos produtores familiares beneficiários do programa Roraima Mais Leite (Caroebe, Rorainópolis e São João da Baliza). As propostas apresentadas também devem inserir como transversalidade, temáticas voltadas para a ‘Modelagem visando uma agricultura familiar e indígena de baixo carbono’ podendo ser aplicadas em qualquer contexto do estado de Roraima. O Governo Federal já trabalha o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) que tem como prioridade a produção sustentável de gado de leite e corte visando à baixa emissão de carbono na atmosfera. 

São parceiros do Agroambiental a Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Roraima (Iater), a Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr), a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) e o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR).

O secretário-adjunto de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação, Teylor Filgueiras, informou que as pesquisas científicas no setor serão primordiais para promover e direcionar as políticas públicas voltadas ao pequeno produtor e às comunidades indígenas.

Dentre os objetivos e ações a serem desenvolvidos durante os projetos estão:

  • Identificar e combater surtos de lagartas nas áreas agrícolas;
  • Prevenir a crise hídrica com técnicas adequadas na agricultura; 
  • Realizar campanhas de conscientização sobre prevenção e combate a incêndios; 
  • Monitorar a saúde dos animais, capacitar produtores em práticas de ordenha higiênica e manejo sanitário do gado; 
  • Avaliar a eficiência econômica do uso de máquinas agrícolas e equipamentos em processos de produção, bem como segurança alimentar do Programa de Grãos em comunidades indígenas, dentre outros.

O Governo do Estado de Roraima, por meio da FAPERR, realizará um aporte financeiro de até R$ 2.107.200, sendo: R$ 516 mil para auxílio ao desenvolvimento da pesquisa científica; e R$ 1.591.200 em bolsas para a equipe executora do projeto. As bolsas terão duração de 12 meses e serão pagas diretamente a cada beneficiário após assinatura do termo de outorga. Edital e anexos estão disponíveis no site da Faperr.

As inscrições estarão abertas de 21 de janeiro à 21 de fevereiro de 2025 e serão realizadas via Sistema SIGFAPERR.

*Com informações do Governo de Roraima

MPF volta a pedir à Justiça que proíba mudar educação do campo para EaD no Pará

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Foto: Reprodução/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) voltou a pedir à Justiça Federal que proíba o governo do Pará de transformar em Educação a Distância (EaD) as aulas presenciais oferecidas aos povos da floresta, do campo e das águas no estado.

O pedido foi feito no dia 21 de janeiro, após o Ministério da Educação (MEC) ter enviado nota técnica ao MPF em que registra que a legislação não prevê ensino à distância para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs).

A nota técnica havia sido solicitada pelo MPF ao MEC no dia 17 janeiro. O documento foi incorporado a um processo judicial em que o MPF atua pela não virtualização da educação do campo.

Especificidades desrespeitadas

O MEC argumenta que a modalidade EaD não está em conformidade com a legislação que garante a educação intercultural e o respeito às especificidades dos PCTs, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, trabalhadores rurais assentados, dentre outros. 

“Em atenção aos fundamentos constitucionais e legais da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a oferta da Educação a Distância e seus derivados, como ‘modelo de aulas telepresenciais’ ou sistemas interativos de oferta educacional, especificamente para comunidades rurais em sua diversidade, não encontram sustentação nos marcos legais da educação”, destaca a nota técnica.

Na Justiça, o MPF defende que cada um dos povos e comunidades tradicionais do Pará deve ser consultado antes de qualquer tomada de decisão do estado sobre esse tema.

Pretensão confirmada

No dia 22 de janeiro, o MPF divulgou resposta que a instituição recebeu da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc) em 2024 que confirma a pretensão do governo estadual de virtualizar o ensino para indígenas em 2025. 

No documento, o titular da Seduc, Rossieli Soares da Silva, encaminha ao MPF posicionamento da diretoria de Planejamento de Rede da Seduc em que é informado que a implantação do ensino médio na aldeia Itapeyga, na Terra Indígena Parakanã, será feita este ano via Centro de Mídias da Educação Paraense (Cemep).

A resposta foi assinada por Rossieli em 26 de setembro de 2024. Em 2025, o governo do estado tem divulgado, em comunicados institucionais, que a nova Lei do Magistério do Pará, aprovada no final de 2024, garante a manutenção do ensino presencial para PCTs. Para lideranças indígenas e o MPF, a lei põe fim ao regime presencial de ensino. 

*Com informações do Ministério Público Federal

Fórum de Davos 2025 pouco significou para o Brasil

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Foto: Reprodução/World Economic Forum

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Fórum Econômico Mundial (WEF) 2025, realizado no período de 20 a 24 de janeiro, na bucólica cidade de Davos, Suíça, sob o tema “Colaboração para a Era Inteligente”, é tradicionalmente um dos maiores palcos de discussão sobre economia global, tecnologia, sustentabilidade e política internacional. A conferência tem se notabilizado pela grande afluência de participantes que incluem, todos os anos, chefes de estado e de governo, CEOs de empresas, representantes da sociedade civil, meios de comunicação de todo o mundo e líderes juvenis procedentes da África, Ásia, Europa, Oriente Médio, América Latina e América do Norte.

Klaus Schwab, fundador e CEO do Fórum, autor do livro “A Quarta Revolução Industrial”, de 2016, propõe que tecnologias convergentes estão rapidamente remodelando o mundo, levando-nos a um ponto de inflexão que pode resultar numa revolução social com o poder de elevar ou fragmentar a humanidade. Com efeito, face a avanços da Inteligência Artificial, da Computação Cognitiva e de outras inovações tecnológicas, “automatizar é o caminho natural para aumentar a competitividade e a produtividade do setor”. Em relação ao Brasil, estudos técnicos reconhecem o “pouco interesse” com que o setor público trata a inovação, o que ficou demonstrado pela baixa participação brasileira em Davos 2025.

Falando por videoconferência no WEF, na quinta-feira, 23, o presidente Donald Trump, que assumiu seu segundo mandato na Casa Branca segunda-feira, 20, exigiu “maiores despesas militares, prometendo proteger a indústria dos EUA com tarifas e sugerindo que a redução dos preços do petróleo poderia acabar com a guerra na Ucrânia”. O discurso apontou novo impulso para a sua agenda “América em primeiro lugar”, o que poderá afetar ainda mais as relações com líderes mundiais. Em discurso durante o Fórum, o presidente da Argentina, Javier Milei, aliado de Trump, confirmou seus reiterados posicionamentos de que vai trabalhar por acordos da Argentina, não do Mercosul. “Farei o que for melhor para a Argentina”, disse Milei após discursar como estrela no palco do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, quando confirmou a necessidade de “abrir no âmbito do Mercosul a possibilidade de negociações independentes”.

Durante a COP29, a conferência da ONU realizada em Baku, Azerbaijão, de 11 a 22 de novembro de 2024, a delegação brasileira estava composta por 1.914 membros, número só inferior aos 2.229 integrantes da comitiva do próprio Azerbaijão, que sediou o evento. Para Davos 2025, contudo, o Brasil trouxe representação apenas protocolar. Analistas entendem que a ausência de uma delegação mais robusta certamente será interpretada como uma oportunidade perdida de alinhar as agendas de Davos e da COP30 a ser realizada em novembro deste ano, em Belém, PA. Sinal claro, segundo a diplomacia ocidental, de manifesto alinhamento do governo Lula da Silva a ditaduras e o mundo comunista, na contramão das tradicionais convicções do mundo político e empresarial brasileiro em relação à comunidade democrática internacional.

Sustentabilidade e ação climática, tópicos centrais no Fórum, estranhamente não contou com a presença do Ministério do Meio Ambiente (MMA), áreas ministeriais afins e ONGs que lhes dão sustentação no governo. A impressão geral em Davos 2025 é que o presidente Lula da Silva aparentemente ignorou o evento. Entretanto, como ponto positivo, a edição deste ano marcou a inauguração da “Brazil House” com a participação de grandes empresas e investidores, incluindo gigantescos grupos do porte da Vale, Gerdau, Ambipar, Be8, JHSF, BTG Pactual e Randcorp. Num evidente distanciamento entre os setores público e privado no que tange a questões de tamanha relevância.

O governador do Pará, Helder Barbalho, durante sua participação no Fórum, defendeu que o legado da COP30 será fundamental para a valorização da floresta, a bioeconomia e o clima. A Amazônia “trabalha para que o Brasil possa ter a capacidade de exercer o seu papel de liderança ambiental no planeta, efetivamente, pelas suas condições ambientais, por ter em seu território diversos biomas, destacando-se, particularmente, o amazônico, que faz do Brasil uma referência para a agenda climática”, afirmou.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

5 lugares encantadores para conhecer em Roraima

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Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Roraima é um verdadeiro tesouro de belezas naturais e diversidade. Se você busca um destino que combine aventura, paisagens exuberantes e experiências únicas, se prepare para explorar alguns dos locais mais icônicos da região. Conheça cinco pontos encantadores e imperdíveis:

Parque Nacional do Viruá

Um santuário de biodiversidade, o Parque Nacional do Viruá é uma área de proteção ambiental que atrai amantes da natureza e pesquisadores de todo o mundo. Localizado no sul de Roraima, o parque oferece trilhas que atravessam florestas alagadas, savanas e uma rica fauna. Entre os animais que podem ser avistados estão jaguatiricas, tamanduás-bandeira e diversas espécies de aves. É o lugar ideal para quem deseja se conectar com a natureza em estado bruto.

O parque pode ser visitado durante todo o ano. Mas, para planejar o passeio, é preciso estar atento às mudanças sazonais causadas pelas chuvas nos ambientes e rios da região.

A estação chuvosa em Roraima vai de maio a agosto. Maio e junho são os meses mais chuvosos. Em julho e agosto a quantidade de chuvas é menor e a navegação é feita com facilidade, sendo comuns períodos de sol seguidos de fortes pancadas de chuva. Em setembro tem início a estiagem e a vazante dos rios. A seca se acentua na região em janeiro e fevereiro, quando há maior facilidade para caminhadas nos ambientes alagáveis. Os meses de março e outubro costumam ser os mais quentes do ano.

O acesso ao Parque Nacional do Viruá se dá pela BR-174, rodovia federal que liga Manaus (AM) à Venezuela. São 190 Km de rodovia asfaltada partindo de Boa Vista-RR no sentido sul, ou 600 Km partindo de Manaus no sentido norte. Para chegar à Sede da UC, é preciso tomar a Estrada Perdida, no Km 322, e percorrer 7 Km de estrada de terra.

É importante o agendamento prévio da visita com no mínimo quatro dias de antecedência para a emissão de autorização através do e-mail ngi.roraima.usopublico@icmbio.gov.br.

Foto: Reprodução/Roraima Hostel

Fazenda Buritizal Grosso

Para uma experiência rural autêntica, a Fazenda Buritizal Grosso é um destino imperdível. Situada na zona rural, a fazenda oferece aos visitantes a oportunidade de vivenciar o dia a dia do campo, com destaque para a criação de gado e as plantações de buriti. Além disso, o local possui paisagens deslumbrantes e é perfeito para passeios a cavalo, trilhas ecológicas e observação de pôr do sol.

Para chegar ao local é necessário sair de Boa Vista, capital de Roraima, sentido ao município do Bonfim (fronteira com a Guiana), rodando pela BR-401 por mais ou menos 124km, até chegar próximo à entrada da sede do município do Bonfim, se observa à esquerda, 100m antes, que indica a entrada para a área do Hotel Fazenda Buritizal Grosso (@faz.buritizal.grosso).

Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Corredeiras do Bem-Querer

Se aventura e água fresca estão no seu radar, as Corredeiras do Bem-Querer são uma escolha perfeita. Localizadas no rio Branco, próximo à cidade de Caracaraí, as corredeiras são ideais para quem busca momentos de diversão em um ambiente natural. A água cristalina e o som relaxante das corredeiras proporcionam um cenário incrível para banho, piqueniques e atividades como caiaque.

As corredeiras do Bem-Querer ficam a 125km de Boa Vista, capital de Roraima, na região do município de Caracaraí. Ao chegar na placa, vicinal Bem Querer, entrar à esquerda e seguir por uma estrada de barro até chegar a uma fazenda à beira do Rio Branco. Irá passar por uma mata fechada e ao chegar na porteira do restaurante, avistará uma placa com o nome sítio arqueológico corredeiras do Bem-Querer.  

Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Platô da Serra do Tepequém

O Platô da Serra do Tepequém é um convite ao aventureiro que existe em cada um de nós. Localizado no município de Amajari, o platô é famoso por suas trilhas desafiadoras, cachoeiras escondidas e vistas panorâmicas que impressionam até os viajantes mais experientes. Durante o trajeto, é possível encontrar vestígios da antiga exploração de diamantes, um lembrete histórico que agrega ainda mais valor ao local.

A área conta com alguma urbanização. No passado, a energia elétrica era fornecida por meio de um gerador que só funcionava das 7h às 21h, hoje há um maior e com funcionamento 24h. Uma estrada de asfalto vai até a Vila do Paiva, principal povoação da serra. Existem atualmente quatro restaurantes que servem café da manhã, almoço e jantar, além de várias pousadas e áreas de camping na subida da serra (Estância Ecológica do SESC) e na própria Vila do Paiva.

A Serra do Tepequém, no Amajari (município que faz fronteira com a Venezuela), fica a 210 km de Boa Vista. Partindo de Boa Vista siga pela BR-174 sentido Venezuela e um pouco depois do quilômetro 100 pegue a estrada à esquerda, a RR 203. São pouco mais de 50 km para chegar à sede do município do Amajari e outros 50 km para chegar ao vilarejo no topo da Serra.

Foto: Reprodução/Serviço Geológico Brasileiro

Cachoeira do Jatapú

Encerrando a lista com chave de ouro, a Cachoeira do Jatapú é um destino que mescla tranquilidade e beleza natural. Situada em uma região de floresta preservada, a cachoeira é cercada por vegetação exuberante e forma piscinas naturais perfeitas para um mergulho refrescante. Além disso, é um excelente ponto para quem gosta de fotografia, já que o contraste entre água, rochas e verde é simplesmente encantador.

A cachoeira fica na Usina Hidrelétrica de Jatapú, localizada a 55 Km da sede do Município de Caraoebe, a Sudeste do Estado. De Boa Vista é necessário seguir pelo trecho sul da BR-174, entrando no Km 500 na BR-210, que está parcialmente pavimentada. São 354 Km de Boa Vista até Caroebe. Da hidrelétrica é preciso pegar um barco para ter acesso a cachoeira.

Foto: Reprodução/YouTube/Dia Dia Nossa Gente

Tecnologias sustentáveis são usadas por projeto do Inpa para mitigar impactos climáticos

Fotos: Francisca Souza/Arquivo pessoal

Intitulado ‘Transferência de Tecnologias Sustentáveis para a Produção de Produtos Desidratados: Fomentando a Bioeconomia e Enfrentando as Mudanças Climáticas’, o projeto da pesquisadora Francisca Souza, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), tem como objetivo capacitar comunidades locais e fortalecer a bioeconomia, além de diminuir os impactos causados pelas mudanças climáticas na região.

A iniciativa busca transformar polpas e sementes desidratadas em farinhas e doces de rolo, utilizando métodos que preservam as propriedades nutricionais e minimizam o desperdício. Francisca afirma que serão utilizados frutos regionais, como cupuaçu, açaí, pitaya, banana e abacaxi, valorizando ainda mais os recursos naturais da Amazônia

Foto: Acervo
Fotos: Francisca Souza/Arquivo pessoal

Segundo a pesquisadora, a proposta representa um avanço significativo na promoção da sustentabilidade e da bioeconomia.

“Ao transferir tecnologias sustentáveis para a produção de produtos desidratados, estamos não apenas agregando valor a matérias-primas e reduzindo desperdícios, mas também fortalecendo comunidades locais e promovendo alternativas resilientes às mudanças climáticas”, frisa Souza.

Capacitação de comunitários 

Além de fortalecer a bioeconomia regional, a proposta vai capacitar produtores locais com práticas de produção ecoeficientes, proporcionando benefícios sociais, econômicos e ambientais. A tecnologia transferida visa mitigar os impactos das mudanças climáticas, por meio do uso responsável dos recursos e da criação de soluções sustentáveis para a produção de alimentos.

Foto: Acervo
Fotos: Arquivo pessoal / Francisca Souza

Edital inédito da Fapeam

O projeto está entre as três propostas contempladas no edital – Transferência não Onerosa de Tecnologias voltadas ao Enfrentamento da Estiagem e Eventos Climáticos e Ambientais do Estado do Amazonas (nº 001/2024) – da Fundação de Amparo a Pesquisa da Amazônia. (Fapeam). O edital oferece um aporte financeiro de R$ 138.599,84, provenientes do Tesouro Estadual, para despesas de capital e custeio dos projetos selecionados. 

*Com informações do Inpa