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Exposição ‘Mil Marias e 18 ODS’ reúne 23 artistas mulheres amazônidas em Belém

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Foto: Divulgação

Com a participação de 23 artistas mulheres amazônidas, a exposição coletiva ‘Mil Marias e 18 ODS’ chega na Galeria Theodoro Braga, localizada no subsolo do Centur, na Gentil Bittencourt, bairro de Nazaré, em Belém (PA). A exposição conta com uma representação de cada um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), um conjunto de 17 metas globais + o 18º ODS da Igualdade Racial, recentemente incluído. Tais metas visam promover a paz, a justiça e a igualdade, além de garantir um futuro sustentável para todos.

As obras das artistas que vão estar expostas são de:

  • Chris Marcaro,
  • Dani Sá em collab com Emília Sá,
  • Dannoelly Cardoso,
  • Francy Botelho,
  • Ireny Nunes,
  • Mileide Barros,
  • Julia Goulart,
  • Karina Miranda,
  • Laís Cabral,
  • Boto Psicodélico,
  • Lenu,
  • Lorena Rodrigues,
  • Mandie Gil,
  • Mandy Modesto,
  • Marta Cardoso,
  • Maria Eloise Albuquerque,
  • Marina Pantoja,
  • Mama Quilla,
  • Michelle Cunha,
  • Renata Segtowick,
  • Rysssa Tomé e
  • Thay Petit. 

Para Marta Cardoso, uma das artistas da exposição, as obras contam sobre a cooperação entre “manas”, porque as artistas paraenses da Amazônia sempre estão juntas, dividindo as mesmas dores, os mesmos desafios, para viver de arte, para se manter de pé na arte.

Foto: Divulgação/Governo do Pará

A artista ainda falou sobre a parceria entre a FCP e as artistas. “A parceria veio primeiro pelo desejo de que essa exposição pudesse alcançar um público maior. Nós tivemos uma recepção muito boa no primeiro momento da mostra e aí veio o desejo para que nós pudéssemos estar no Centur, porque é um público variado, pessoas que gostam de fotografia, de cinema, de leitura, e temáticas atuais. Nós trouxemos essa proposta de uma mostra que já estava pronta, já estava feita, e nós ficamos gratamente surpresas pela abertura que nós tivemos da Fundação enxergar o potencial da relevância da temática para o momento que nós estamos vivendo”, finaliza Marta. 

No contexto amazônico, esses objetivos ganham uma relevância especial, refletindo a luta das mulheres na preservação do meio ambiente, no empoderamento econômico e na promoção da justiça social. A exposição seguirá até o dia 28 de fevereiro, de segunda a sexta, das 9h às 18h. A entrada é gratuita.

*Com informações da Agência Pará

Litorina retoma passeios em Porto Velho em 2025; relembre a história

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Foto: Cássia Firmino/Rede Amazônica RO

Os passeios de litorina nos trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) retornaram no dia 24 de janeiro, em Porto Velho (RO). As reservas podem ser feitas no local, ao lado da estação ferroviária, de forma gratuita.

Segundo a Prefeitura, a litorina percorrerá 800 metros dentro do pátio ferroviário, com capacidade para 11 pessoas. Os passeios ocorrerão às sextas-feiras, sábados e domingos. Confira os horários:

  • Sexta-feira, a partir das 14h.
  • Sábados e domingos, das 10h às 12h e das 14h às 18h.

O que é litorina?

A litorina é um pequeno vagão movido a diesel que foi usado durante a operação da ferrovia para transportar, principalmente, engenheiros, médicos, feitores e o salário dos funcionários. O passeio de litorina aconteceu por alguns meses em 2019, mas foi suspenso.

A restauração do vagão foi realizada por iniciativa dos próprios ex-ferroviários. Boa parte deles já têm mais de 80 anos e fazem questão de ver a litorina funcionando novamente.

O percurso é cercado pela floresta amazônica e passa por pontos históricos da EFMM como o Casarão dos Ingleses, construído no século XIX.

Relembre a história:

*Por Gabriel Farias, da Rede Amazônica RO

Encontro das Águas (Manaus)

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Foto: Ricardo Oliveira/Agência Amazonas

Com uma extensão de 6 quilômetros, o encontro entre o rio Negro e rio Solimões, em Manaus (AM), é muito visitado por turistas que buscam as belezas naturais da Amazônia, com visitas diárias em barcos para ver as águas que não se misturam, conhecidas como o Encontro das Águas.

Esse fenômeno ocorre devido a diferenças químicas entre o pH, temperatura e velocidade dos rios. O rio Negro possui águas escuras decorrentes da grande quantidade de material orgânico presente desde a sua nascente, na Colômbia e, de caráter ácido, possui o pH entre 3,8 a 4,9 e uma temperatura de 28°C.

Já o Rio Solimões com águas branca, devido a grande quantidade de magnésio e cálcio presentes nele, possui um aspecto lamacento, pois carrega sedimentos e argila desde a sua nascente nos Andes.

O Solimões é de caráter quase neutro, com o pH entre 4,5 e 7,8, e temperatura entre 22°C, o que influencia na formação do ‘encontro das águas’ em um ponto em que as águas não se misturam.

Quando ocorre a mistura desses rios, é formado o Rio Amazonas, considerado o maior rio em volume de água e um dos maiores em extensão.

Apesar do mais conhecido encontro das águas ser em Manaus, ocorrem outros: em Santarém (PA) – entre o rio Tapajós e Amazonas –; Tefé (AM) – entre o Lago Tefé e o rio Solimões –; Tapauá (AM) – entre o rio Ipixuna e o rio Purus –; e em Boca do Acre (AM) – entre o rio Acre e o Rio Purus.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Estudantes paraenses aprendem a fabricar sabão caseiro em ação de sustentabilidade

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Foto: Divulgação

Para envolver a comunidade escolar em ações sustentáveis, a Escola Estadual Professora Maria da Conceição Malheiro, localizada no município de Irituia, no Pará, criou o projeto ‘Fabricação de sabão caseiro: sustentabilidade e educação ambiental no espaço escolar’, que promove a sensibilização ambiental e a prática da reciclagem a partir do óleo de cozinha usado.

Unindo Educação Ambiental e Química, o projeto envolveu estudantes da 2ª série do Ensino Médio e levou ao espaço escolar discussões, debates e práticas sobre uso consciente de resíduos de óleo de cozinha e o descarte do material visando desenvolver uma cultura de cuidado com o meio ambiente, além de contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda segundo a educadora, o projeto agrega muito os conhecimentos dos estudantes e os torna indivíduos conscientes.

“Um dos principais resultados desse projeto é a união da teoria e prática, o que nitidamente aumenta a conscientização ambiental. Isso representa um importante passo para os alunos, mostrando que cada ação individual pode impactar positivamente no combate às mudanças climáticas. Ao promover a conscientização, a coleta responsável e o reaproveitamento, a escola torna-se um exemplo de sustentabilidade para a comunidade, incentivando a preservação do meio ambiente e a criação de soluções para o descarte adequado do óleo de cozinha. Além disso, o projeto prepara os alunos para serem agentes de mudança, protagonistas capazes de promover atitudes sustentáveis em suas vidas futuras”, frisou a professora Cinthia.

Para a estudante da 2ª série do Ensino Médio, Ana Clara de Oliveira, a experiência trouxe muito aprendizado. “A experiência foi muito legal porque a gente pôde aprender fazendo, botando a mão na massa, tendo a explicação e a ajuda dos professores. No projeto pude aprender a importância de não descartar o óleo de qualquer jeito e que é possível reutilizá-lo. Gostei muito da experiência pois foi algo divertido e que trouxe um grande aprendizado para todos nós”, afirmou.

O estudante Alexandre Monteiro, também da 2ª série do Ensino Médio, destacou a importância do componente curricular de Educação Ambiental e do projeto de sabão ecológico.

*Com informações da Agência Pará

Grilos: insetos se tornam frequentes no período chuvoso na Amazônia

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Foto: Vanessa Monteiro

Basta cair uma chuva que alguns visitantes começam a aparecer. No chamado inverno amazônico, o dia a dia ganha novos integrantes, especialmente insetos, entre eles os grilos. Recentemente, em Belém (PA), muitas pessoas tem relatado o aparecimento constante e massivo de grilos dentro das residências.

Mas qual a relação deles com a chuva? Segundo a professora Telma Batista, entomologista da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), os grilos fazem galerias e túneis no solo, onde se reproduzem e depositam os ovos. Ela explica que o aumento deles também pode estar relacionado a mudanças de estação e a períodos mais longos de seca. 

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Foto: Vanessa Monteiro

A professora explica que os grilos se alimentam de raízes, folhas, matéria orgânica e costumam aparecer perto de hortas e jardins. Insetos noturnos, eles são atraídos pela luz.

Segundo a professora Telma Batista, é nesse período que também ocorrem os acasalamentos, e que o cri-cri característico é nada mais que um cortejo dos grilos machos.

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 Foto: Vanessa Monteiro

A professora explica que o grilo não é transmissor de doenças e não é um inseto que provoque algum tipo de ataque, embora seja indicado evitar o contato.

Embora sejam considerados pragas na agricultura, é diferente do que ocorre no ambiente urbano, segundo a professora.

“Eles sempre estão presentes, mas como ficam guardados no solo em outros períodos do ano, as pessoas não os vêem com frequência. Os produtores rurais são acostumados a lidar com eles em todas as fases do ano, mas no ambiente urbano é somente nesse período chuvoso que eles aparecem. Então não precisa entrar em pânico, porque com o tempo ele tende a ir embora”, orienta.

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Foto: Vanessa Monteiro

Ela explica que esses insetos são importantes para a manutenção do ecossistema.

Curiosidades

Se em algumas culturas os grilos são sinal de prosperidade, o que muita gente não sabe é que os grilos também são uma poderosa fonte de proteína e a criação de grilos é um mercado que se desenvolveu rapidamente nos últimos anos no Sudeste Asiático, como indicam dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Ainda de acordo com a FAO, mais de 1.900 espécies de insetos comestíveis são consumidas em todo o mundo, entre eles os grilos. Eles são considerados uma fonte alternativa de proteína às carnes convencionais. 

*Com informações da Universidade Federal Rural da Amazônia

‘Quibe acreano’ troca trigo por macaxeira e mostra diversidade cultural do estado; aprenda receita

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Do espanhol Luís Galvez ao gaúcho Plácido de Castro, o Acre tem sido um espaço de encontro para múltiplas culturas em plena Floresta Amazônica desde o começo de sua ocupação há mais de 120 anos.

E foi dessa troca entre indígenas, nordestinos, japoneses, sírio-libaneses, bolivianos e peruanos e outras comunidades é que se formou a identidade cultural do povo acreano. E foi daí também que surgiram receitas emblemáticas como a saltenha, a baixaria, o tacacá e os quibes de arroz e macaxeira.

A história da imigração sírio-libanesa no Norte do Brasil se confunde com a própria história do Acre. A comunidade foi uma das primeiras a se estabelecer no Acre durante o 1º Ciclo da Borracha no começo do século 1920.

Na maioria jovens solteiros, eles começaram a instalar casas aviadoras na região para abastecer os seringais do Acre e, boa parte, nunca mais deixou o estado, estabelecendo linhagens que até hoje são conhecidas pela população.

Com as famílias sírio-libanesas vieram também contribuições para o artesanato e culinária. O quibe é uma delas, embora na receita tradicional a massa seja feita com trigo, no Acre acabou ganhando versões únicas, uma com arroz e outra com macaxeira, raiz também conhecida como mandioca Brasil a fora.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

E é essa receita que João Bosco, salgadeiro com mais de 30 anos de experiência, ensina a fazer.

Confira a receita completa:

4 kg de macaxeira
2 colheres de sopa de sal
1 colher de sopa de colorau
1 pitada de corante de gema de ovos
Margarina
Óleo para fritar

Recheio

1,5 kg de carne moída
cheiro verde a gosto
pimenta de cheiro a gosto
alho a gosto
cebola a gosto

Modo de preparo

  • Em uma panela de pressão com água coloque a macaxeira para cozinhar com o corante, o sal e o colorau e deixa cozinhar por 20 minutos;
  • Enquanto isso, coloque a carne em outra panela para escaldar até que a água da carne se solte. Depois escorra essa água usando uma peneira;
  • Acrescente o alho, a pimenta de cheiro e a cebola e frite a carne com uma pitada de colorau até ela ficar sequinha;
  • Tire a macaxeira da panela de pressão, escorra a água e depois passe a mandioca por uma peneira para que a massa fiquei no ponto para ser moldada;
  • Amasse e comece a moldar a massa afinando em uma das pontas e deixando um espaço maior no meio para colocar o recheio;
  • Ponha a carne dentro e feche o quibe afinando a outra ponta da massa;
  • Com um palito faça um furo na massa, segundo o chef, dessa forma se evita que o salgado exploda e cause acidentes;
  • Com cuidado, coloque os quibes em uma panela com óleo fervente até que eles fiquem cobertos. A ideia aqui é apenas dourar a massa, pois tanto a macaxeira quanto o recheio já estão cozidos;

    Sirva e aproveite!

    *Por Yuri Maciel, da Rede Amazônica AC

Exposição ‘Quanto + Preto Melhor’ destaca a força da arte negra na Amazônia

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Foto: Divulgação

O Centro de Artes Visuais Galeria do Largo, no Centro de Manaus (AM), será palco de uma celebração à arte negra contemporânea com a inauguração da exposição coletiva ‘Quanto + Preto Melhor‘.

O projeto tem a curadoria de Marcelo Rufi, artista e pesquisador reconhecido por sua atuação em projetos que valorizam as narrativas afro-amazônicas. A mostra resgata e amplia histórias invisibilizadas, promovendo reflexões sobre letramento racial e a força ancestral que permeia a negritude.

O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de 4 anos pelo grupo Arte Ocupa com o auxílio de Marcelo, que teve sua inspiração em meio a um trabalho de faculdade.

A exposição reúne trabalhos dos artistas participantes do grupo Arte Ocupa. São eles: Anderson Souza, André Cavalcante Pereira, Andrew Ponto, Cigana do Norte, Edvando Alves, Estevan Leandro, Jorge Liu, Manuo, Rana Mariwo, Travamazonica, Ventinho, Vivian Evangelista e Zem Babumones.

Por meio de instalações, esculturas, pinturas e performances, as obras revelam a pluralidade das expressões artísticas negras e a profundidade cultural da Amazônia.

“A exposição propõe uma imersão. Ela é, sobretudo, uma homenagem e exaltação. O público vai levar consigo a experiência de conhecer mais sobre a arte contemporânea manauara em diferentes técnicas e narrativas não lineares, que abordam temas como racismo estrutural, afrofuturismo e memória ancestral”, afirma o curador.

Foto: Divulgação

Para Marcelo Rufi, que também é ativista cultural, a exposição é um marco importante para a representatividade da arte negra na região. “A proposta é usar a arte como uma ferramenta de educação e transformação, convidando o público a refletir sobre o impacto das histórias que foram invisibilizadas e o poder da ancestralidade que nos move”, destacou.

O próximo projeto, já em produção pelo grupo Arte Ocupa, será de oficinas e residências artísticas com o tema “Vejam antes que me tirem daqui”, que dialoga a respeito da memória e valor afetivo presente nos espaços públicos da cidade.

A abertura da exposição contará com apresentação do Maracatu Pedra Encantada, em meio a um cortejo que se inicia no Largo de São Sebastião e se estende até a Galeria do Largo, onde o grupo será homenageado na exposição.

A entrada é gratuita e a mostra permanecerá em exibição no Centro de Artes Visuais Galeria do Largo até o final de fevereiro. O espaço funciona de quarta a domingo, das 15h às 20h.

Amazônia registra maior área queimada desde o início do ‘Monitor do Fogo’

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Queimadas na cidade de Altamira, no Pará. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

Em 2024, a Amazônia teve 17,9 milhões de hectares queimados. Essa é a maior área registrada desde 2019 quando o Monitor do Fogo, iniciativa da rede MapBiomas Fogo coordenada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), iniciou suas medições e confirma um crescimento de 67% na área queimada na floresta amazônica.

Em 2024, a Amazônia registrou a maior área queimada dos últimos seis anos, consolidando-se como o bioma mais afetado pelas chamas no Brasil. Foram 18 milhões de hectares consumidos pelo fogo, o que representa 58% de toda a área queimada no país e um aumento de 67% em relação a 2023. Esse crescimento expressivo concentra-se, em grande parte, nas áreas queimadas no Estado do Pará, que liderou o ranking nacional com 7,3 milhões de hectares. No bioma Amazônia, a área de floresta afetada pelos incêndios superou as queimadas nas áreas destinadas ao uso agropecuário, chegando a aproximadamente 8 milhões de hectares – um volume que equivale a 44% de toda a área queimada.

Leia também: Fogo teve alta de 64% em florestas públicas não destinadas em 2024

“A floresta amazônica enfrentou um aumento significativo nas queimadas devido a uma combinação de fatores humanos e climáticos, especialmente em função do fenômeno El Niño, que teve início em meados de 2023. Essa condição reduziu as chuvas na região amazônica e intensificou o período de seca, ocasionando um solo menos úmido e uma vegetação mais vulnerável às queimadas, sejam elas acidentais ou propositalmente iniciadas. Embora a seca, por si só, não seja a causa do aumento das queimadas, ela potencializa as queimadas originadas por ação humana, como o desmatamento e a grilagem para expansão de áreas produtivas”, explica Felipe Martenexen, pesquisador do IPAM. 

No contexto estadual, Tocantins e Maranhão possuem territórios abrangendo tanto o bioma Amazônico quanto o Cerrado, que foram os dois biomas mais afetados pelos incêndios em 2024. 

Foto: Reprodução/IPAAM

“As diferenças no perfil de áreas queimadas na Amazônia e no Cerrado refletem as particularidades ecológicas de cada bioma, influenciando as estratégias de prevenção. Na Amazônia, o fogo afetou predominantemente áreas de florestas nativas em 2024. Já no Cerrado, o fogo ocorreu principalmente em áreas de formações savânicas, que são ecossistemas adaptados ao fogo, mas que, em excesso, sofrem degradação. Essas diferenças sugerem que a Amazônia demanda esforços focados na fiscalização do desmatamento e controle de atividades ilegais, enquanto o Cerrado requer estratégias voltadas para o manejo integrado do fogo e na conservação das áreas naturais”, aponta Vera Arruda, pesquisadora do IPAM. 

Floresta em chamas

As formações florestais foram a formação natural mais atingida pelas chamas, com uma área atingida de 7,6 milhões de hectares em 2024 – 3,2 vezes a mais do que no ano anterior. O fogo afetou, principalmente, áreas do sudeste paraense, na fronteira do bioma amazônico com o Cerrado, e parte do Estado de Roraima. 

Leia também: Saiba como estão divididas as regiões de integração dos municípios do Pará

“Chama a atenção a área afetada por incêndios florestais em 2024. Normalmente, na Amazônia, a classe de uso da terra mais afetada pelo fogo tem sido historicamente as pastagens. Em 2024 foi a primeira vez desde que começamos a monitorar a área queimada que essa lógica se inverteu. A floresta úmida passou a representar a maioria absoluta da área queimada, sem dúvida um fato preocupante visto que uma vez queimada, aumenta a vulnerabilidade e a chance dessa floresta queimar novamente”, afirma Ane Alencar diretora de Ciência do IPAM e coordenadora da iniciativa Mapbiomas Fogo.

Além disso, 6,7 milhões de hectares de pastagens do Brasil foram atingidos pelas chamas em 2024, um aumento de 31% em relação a 2023, e avançou principalmente sobre áreas da Amazônia, 41% dos pastos queimados no Brasil. Áreas de agricultura totalizaram 1 milhão de hectares queimados, 198% a mais do que no ano anterior.

Estados e municípios

Todos os estados que mais queimaram em 2024 registraram grandes avanços do fogo em 2024. Na Amazônia, ainda ressecada pelas estiagens de 2023 e 2024, Pará e Roraima aumentaram suas áreas queimadas em 87% e 66%, respectivamente.

Leia também: Incêndios na Amazônia queimaram área 10x maior do que a de desmatamento, aponta estudo

No Mato Grosso, que reúne Amazônia, Cerrado e Pantanal, a área queimada chegou a 6,8 milhões de hectares queimados, atingindo principalmente áreas de vegetação nativa como florestas, savanas e campos alagados, que queimaram juntos 4,7 milhões de hectares. O Estado ocupa a segunda posição na lista após um aumento de 198% na sua área afetada pelo fogo, impulsionado por secas severas, mudanças climáticas e desmatamento. A situação pode se agravar com a aprovação de uma lei estadual que reduz parte da reserva legal do bioma Amazônia de 80% para 35%, aumentando o risco de desmatamento em 5,5 milhões de hectares e comprometendo a biodiversidade, o clima e a produtividade agrícola.

*Com informações do IPAM
 

Forno de baixo custo para fabricação de biocarvão visa diminuir impacto ambiental da cadeia produtiva do açaí na Amazônia

Foto: Moisés Mendonça

Iguaria muito valorizada na Amazônia desde antes da chegada dos colonizadores, o açaí tornou-se hoje um alimento planetário, com entusiasmados consumidores dos Estados Unidos até a Ásia. Sua polpa, misturada ao extrato de guaraná, frutas, granola e servida em baixas temperaturas, caiu no gosto dos esportistas, tornando-se item obrigatório no cardápio de quiosques à beira-mar pelo seu sabor adocicado e refrescante.

Leia também: Produtos com extrato de guaraná podem reduzir a oleosidade da pele e do cabelo

Porém, é preciso distinguir o açaí que fascina os habitantes da Amazônia (em geral servido com farinha de mandioca ou de tapioca e peixe ou camarão frito) da polpa açucarada, acompanhada de guaraná, que efetivamente globalizou o consumo da fruta e fez sua produção disparar. Dados da Pesquisa Industrial Anual divulgados em 2023 pelo IBGE apontam que, em 2014, o Brasil produzia apenas 6,7 milhões de toneladas de polpa. Em 2021, esse total já havia superado os 100 milhões de toneladas.

O estado do Pará, que tem no açaí sua segunda principal cultura, depois da soja, responde por 90% da produção nacional. Essa liderança gera renda para os produtores, em sua maioria estabelecidos em pequenas e médias propriedades que operam em regime de organização familiar. Por outro lado, a crescente produção vem criando problemas de ordem ambiental, em virtude da quantidade de resíduos gerados, principalmente pelo descarte inadequado do caroço da fruta.

Para produzir a polpa, o açaí deve ser colhido e batido em equipamentos específicos para ser despolpado. O que sobra, além do líquido espesso de cor roxa, são grandes volumes de sementes, que representam a maior parte do volume da fruta, e muitas vezes são descartados em vias públicas ou em lixões, podendo causar o assoreamento e a contaminação de igarapés, riachos e outros corpos d’água.

Leia também: Pesquisa indica informações técnicas e econômicas sobre o cultivo do açaí no Amazonas

Chorume escorrendo pela linha d’água. Substância pode contaminar igarapé, que costuma ser fonte de alimentação humana e animal, além de recurso para irrigação e psicultura. Foto: Moisés Mendonça

Durante o projeto de mestrado, o engenheiro agrônomo Moisés Mendonça desenvolveu um protótipo de forno de baixo custo para transformar o caroço do açaí em biochar. O produto, também conhecido como biocarvão, é obtido a partir da queima de uma biomassa (o caroço) a altas temperaturas e baixa oferta de oxigênio, em um processo chamado pirólise. O biochar não é um produto novo na literatura científica, mas suas aplicações têm sido objeto de diversos estudos nos últimos anos em virtude dos efeitos benéficos que pode promover para o solo.

Na hora de escolher um tema para a sua dissertação, o pesquisador procurou algo que se conectasse com a realidade amazônica. Ao pesquisar na literatura científica, conheceu o biochar e associou suas propriedades à problemática dos resíduos sólidos oriundos da produção do açaí.

“O açaí é muito importante para o Pará, gerando renda e riqueza para o estado. Mas, quando olhamos para o lado ambiental, fica claro o quanto essa produção agride o meio ambiente local”, explica o egresso da Unesp, atualmente cursando o doutorado em Desenvolvimento Rural e Sistemas Agroalimentares no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), no câmpus da cidade de Castanhal. “Onde quer que exista agroindústria familiar ou uma grande produção, podem ser encontrados resíduos de caroço. O problema não está apenas na poluição visual. O resíduo exposto a céu aberto gera chorume, que segue a linha d’água e afeta igarapés, riachos e rios. O impacto é grande”, diz.

Leia também: Portal Amazônia responde: existe mesmo diferença entre o açaí e a juçara?

Melhora para a qualidade do solo

Orientador do projeto de mestrado de Mendonça em Jaboticabal, o engenheiro agrônomo Wanderley de Melo explica que o biochar, por não sofrer uma queima total, como se dá durante a fabricação do carvão convencional, acaba preservando uma série de elementos importantes, como o enxofre, fósforo e outros nutrientes que melhoram a fertilidade do solo. 

“Usamos o caroço do açaí nesse processo. Mas poderíamos usar lodo de esgoto, podas de árvores ou o resíduo de quase qualquer cultura agrícola. O Brasil é hoje um grande consumidor e importador de fertilizantes. Seria importante se a gente aproveitasse esses resíduos para reduzir essa dependência”, afirma o professor. Atualmente, ele supervisiona outro projeto na área, no qual a produção de biochar ocorre a partir de restos da produção do cacau.

Caroço de açaí secando ao sol para a produção de biochar. Foto: Moisés Mendonça

Outra vantagem da produção do biochar é que a queima parcial pela pirólise também imobiliza moléculas de carbono que, caso ocorresse a queima total, seriam liberadas na atmosfera. Uma vez que o carbono esteja retido no solo, sua liberação se dará por meio do processo natural de decomposição do biochar, que é lento. Esse aprisionamento do carbono no solo contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Mendonça destaca também como benéfica a capacidade do biochar de reter a umidade do solo. “Isso é importante na Amazônia, onde temos seis meses de chuva e seis meses secos. Além disso, o solo é arenoso, o que reduz sua capacidade de reter a água. O biochar, por ser um material poroso, ajuda a reter essa água nas raízes da planta durante o período mais seco do ano”, diz ele, que além de doutorando é professor no IFPA.

Forno usa material acessível

O projeto que Mendonça desenvolveu em seu mestrado envolveu o desenvolvimento de um forno rústico, de estrutura simples e barata, que se baseia no reúso de materiais facilmente encontrados na região. Isso permite que a tecnologia seja apropriada pelos agricultores locais, capacitando-os a produzirem seu próprio biochar. O trabalho também avaliou a aplicação deste biocarvão produzido rusticamente como condicionador de solo para a produção de mudas de pimenta-do-reino, outra cultura de importância econômica da região. A pesquisa foi publicada em setembro no Journal of Environmental Management.

O forno foi construído a partir de um tambor grande de 200 litros. Dentro dele foi colocado um tambor menor, de 100 litros, totalmente carregado com os caroços do açaí. A diferença de volume entre os dois tambores foi preenchida com material combustível, no caso resíduos de podas da própria fazenda-escola do câmpus do IFPA, em Castanhal (PA).

“Para elaborar esse forno, pesquisei alguns equipamentos fora do Brasil. Cheguei a esse modelo que usa tambores porque se mostrou o material mais simples e acessível que encontrei. Ao longo de algumas rodovias do Pará é comum encontrar vários desses tambores, que são descartados pela indústria e depois revendidos”, diz Mendonça.

Além da construção do forno rústico, o experimento também analisou os efeitos da aplicação de quatro taxas diferentes (4, 8 16 e 32 g) de biochar à terra, cada uma com quatro granulometrias (3, 5, 7 e 12 mm de diâmetro), além de um grupo de mudas controle que não continha o biocarvão. Os resultados apontaram que a combinação de 32 g (equivalente a uma aplicação de 32 t/ha) com partículas de 5 mm foi a que apresentou os melhores resultados para o crescimento das raízes das mudas. O trabalho também encontrou efeitos positivos na altura das mudas em aplicações de 16 t/ha com partículas de 5 mm. O uso do biochar mostrou ainda capacidade de aumentar a retenção de água, afetando positivamente a umidade do solo.

A comprovação de que o biochar, mesmo que produzido de forma rústica e acessível, apresenta impactos positivos nas propriedades e fertilidade do solo, estimulou Mendonça a aperfeiçoar o produto durante o doutorado. Seu orientador nesta etapa é o engenheiro agrônomo Romier da Paixão Souza. Souza explica que a apropriação da tecnologia por parte dos produtores locais é sempre um desafio para a aplicação de uma tecnologia social. Professor no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural e Sistemas Agroalimentares do IFPA, ele tem centrado boa parte de sua atuação acadêmica nos últimos anos na educação no campo e no desenvolvimento de tecnologias sociais aplicáveis à agroecologia.

“Além desse processo de apropriação, outra dificuldade costuma ser a adaptação e a construção de equipamentos que efetivamente atendam às condições dos produtores rurais e cuja utilização seja realmente possível”, explica o professor do IFPA.

Para enfrentar o primeiro desafio, Souza aposta na educação ambiental junto aos agricultores, suas famílias e no entorno das comunidades. Já a elaboração de equipamentos que sirvam aos agricultores passa, em parte, pelo trabalho que vem sendo realizado no Laboratório de Bioinsumos da Amazônia.

A proposta da estrutura, explica o professor, é abrigar projetos inovadores de tecnologia social, mas também estimular o uso por parte dos produtores da compostagem, vermicompostagem e de biofertilizantes para reduzir o uso da adubação química, em geral mais cara e agressiva ao meio ambiente.

“Uma tecnologia nova que temos trabalhado é o uso dos microrganismos eficientes capturados na mata. Por meio de um processo que adaptamos para a região amazônica, esses organismos são multiplicados em laboratório e dispostos na forma de uma biocalda benéfica para as plantas”, explica.

Fumaça gerada pelo início da queima dos resíduos para produção do biochar. Foto: Moisés Mendonça.

Outro projeto do laboratório desenvolveu uma colheitadeira manual de mandioca que facilita o arranque do tubérculo do solo, diminuindo consideravelmente o esforço do produtor. “Essas tecnologias são registradas na forma de patentes com conhecimento aberto. A ideia não é gerar uma patente para ganhar dinheiro, mas para que as pessoas possam se apropriar da tecnologia”, diz Souza.

Após uma primeira versão concebida durante o mestrado na Unesp, Mendonça tem trabalhado no aprimoramento do forno junto a um assentamento da cidade de Castanhal, onde produtores locais testam, avaliam e colaboram com sugestões de melhorias no projeto. Entre os incrementos da nova versão, por exemplo, está o controle da temperatura do forno, permitindo que o biochar fique pronto após um período de 6 a 8 horas, enquanto a versão anterior necessitava de 12 horas de queima.

“A proposta é que o forno para a produção de biochar a partir do caroço do açaí reúna aspectos sociais, ambientais e econômicos. Isso porque o produtor poderá deixar de depender da aquisição de fertilizantes químicos para produzir seu próprio adubo orgânico, e possam inclusive comercializar esse material como um produto”, diz Mendonça.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Marcos do Amaral Jorge

UNICEF alerta para cuidados com crianças após período de seca e fumaça no Norte do Brasil

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UNICEF alerta para cuidados com crianças após período de seca e fumaça. Foto: Bruno Kelly/UNICEF/BRZ

A seca prolongada e os incêndios na Amazônia em 2024 trouxeram impactos significativos para as populações ribeirinhas e indígenas, especialmente crianças e adolescentes. Doenças respiratórias e infecciosas, agravadas pela fumaça das queimadas e pela falta de água potável e alimentação adequada e nutritiva, seguem como principais ameaças à saúde dessas comunidades. 

Além disso, a seca também pode causar problemas como estresse, ansiedade e depressão, especialmente entre agricultores e comunidades rurais que dependem da agricultura e podem sofrer com grandes perdas financeiras. Apesar do retorno gradual das chuvas, o nível dos rios ainda não se normalizou, e a situação demanda atenção contínua.   

A Oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF para o Território Amazônico, Lídia Pantoja, destaca que as condições de seca favorecem o aumento de doenças transmitidas pela água como hepatite e diarreias, além de problemas respiratórios decorrentes da má qualidade do ar. A escassez de água também impossibilita o acesso seguro para o consumo humano, preparação de alimentos e práticas adequadas de higiene, o que intensifica o risco de contaminações. Lídia ainda ressalta que o aquecimento global tem permitido a expansão de doenças como malária e dengue na região. 

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Cuidados com a saúde das crianças  

O UNICEF recomenda medidas simples, mas essenciais, para proteger as crianças. É fundamental filtrar a água com um pano limpo ou coador de papel e tratá-la com hipoclorito de sódio a 2,5%, prioritariamente. Para cada litro de água, devem ser adicionadas duas gotas do produto, disponível em Unidades Básicas de Saúde. Caso o hipoclorito não esteja disponível, a água deve ser fervida por pelo menos três minutos para torná-la segura para o consumo.   

Além disso, recipientes de armazenamento de água devem ser higienizados regularmente, e alimentos como frutas, verduras e legumes precisam ser lavados em água corrente e deixados de molho em solução de hipoclorito ou água sanitária por 10 minutos.  

Acesso a água potável. Foto: Divulgação/Cosama

Evitar exposição das crianças à fumaça e manter os ambientes limpos ajuda a prevenir doenças respiratórias, enquanto práticas regulares de higiene, como banhos com sabonete e a lavagem das mãos, podem evitar problemas de pele e doenças causadas por microrganismos.   

As doenças respiratórias, como pneumonia e bronquiolite, e as de origem hídrica, como diarreias graves, apresentam sinais de alerta que não devem ser ignorados, especialmente em crianças. Tosse persistente, dificuldade para respirar, febre alta, vômitos e sinais de desidratação, como boca seca e aumento da frequência de evacuações, presença de fezes líquidas ou pastosas, náuseas e vômitos, são sintomas que requerem atenção médica imediata. Diante de qualquer um desses sinais, é essencial que as famílias procurem a unidade de saúde mais próxima para avaliação e tratamento adequado, reduzindo os riscos de complicações graves. 

Ações do UNICEF no Território Amazônico 

Em 2024, o UNICEF intensificou ações emergenciais para mitigar os efeitos da crise climática na Amazônia. Por meio do projeto “Respostas à Crise Climática na Amazônia”, coordenado pelo UNICEF em parceria com a ADRA, Caritas Suíça e SPM, foram beneficiadas mais de 64 mil pessoas em 196 comunidades indígenas e ribeirinhas. Entre as iniciativas, destacam-se a construção de três cisternas com capacidade de 60 mil litros cada, na região do Rio Solimões, melhorias na infraestrutura de água em 39 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e capacitação de 631 agentes comunitários em Água, Saneamento e Higiene (WASH). 

No Pará, o projeto “Emergência Munduruku: Água, Saneamento, Higiene e Promoção da Saúde para Crianças e Adolescentes em situações de Vulnerabilidade da Terra Indígena Munduruku” atendeu povos indígenas do rio Tapajós, pressionados pela expansão do garimpo ilegal, com intervenções em saúde e WASH. Além disso, mais de 32 mil crianças foram indiretamente beneficiadas com capacitações voltadas para agentes indígenas de saúde em oito Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) prioritários nos estados do Amazonas, Roraima, Acre e Pará.   

Em parceria com a Associação dos Povos Indígenas da Terra Indígena São Marcos e com o apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima, foram implementadas ações para mitigar os efeitos da estiagem, como atividades de atenção primária à saúde, nutrição, água, saneamento e higiene, que beneficiam diretamente cinco comunidades prioritárias da Terra Indígena.  

Essas ações são parte de uma estratégia mais ampla do UNICEF para fortalecer comunidades e apoiar governos locais na adaptação às mudanças climáticas, assegurando os direitos de crianças e adolescentes mesmo em cenários de emergência. Lídia reforça que “as comunidades impactadas pela seca enfrentam desafios que vão além do acesso à água, incluindo o fortalecimento das capacidades locais para lidar com emergências climáticas e proteger a saúde infantil.”   

Prevenção e compromisso 

O UNICEF reitera a importância de um esforço coletivo para garantir o acesso a serviços básicos e prevenir doenças em tempos de crise. Investir na saúde, na educação, nos serviços de água e saneamento, e na proteção de crianças e adolescentes é essencial para mitigar os impactos das emergências climáticas, que afetam de forma desproporcional as populações mais vulneráveis. O UNICEF segue comprometido em garantir os direitos das crianças e adolescentes na região amazônica e em ampliar parcerias para promover soluções duradouras que mitiguem os impactos das mudanças climáticas.   

*Com informações do Unicef