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Ministério do Turismo reforça apoio ao etnoturismo na Amazônia Legal

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Foto: Alyton Sotero/Instituto Samaúma

A Aldeia Shinenawa, na Terra Indígena Katukina Kaxinawá, localizada em Feijó, no Acre, está sendo palco do lançamento do estudo ‘Diagnóstico do Etnoturismo na Amazônia Legal‘ do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). O evento contou com a presença do Ministério do Turismo (MTur), que destacou sua contribuição para o desenvolvimento do turismo responsável e sustentável em territórios indígenas.

Durante o evento, foram apresentados produtos e iniciativas que buscam fomentar o turismo de base comunitária indígena, uma prática que alia a preservação cultural e ambiental à geração de renda e emprego digno para os povos originários.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Também foram promovidas rodas de conversas com as lideranças da comunidade. Segundo a Coordenadora-Geral de Turismo Sustentável e Responsável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, esses esforços visam transformar o Brasil em uma referência mundial no turismo responsável em territórios indígenas.

O estudo lançado durante o evento soma a iniciativas que visam fortalecer a gestão pública e privada na promoção do turismo de base comunitária. Com essa abordagem, o Ministério espera ampliar o reconhecimento do etnoturismo como uma prática essencial para a sustentabilidade, consolidando o papel dos povos indígenas como protagonistas de suas próprias narrativas e territórios.

Foto: Divulgação/MTur

Experiências do Brasil Original

Promovido conjuntamente com os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e a Universidade Federal Fluminense (UFF), o Experiências do Brasil Original é um programa que orienta a estruturação de produtos turísticos em comunidades tradicionais. A iniciativa inclui ações de diagnóstico, capacitação, formatação e comercialização, possibilitando que atrativos integrem a oferta turística nacional.

O MTur disponibiliza um guia de implementação do Projeto Experiências do Brasil Original pelas esferas de governo estaduais e municipais. O documento apresenta toda a metodologia para a replicação de ações locais com potencial de promover inserção social, desenvolvimento econômico e a valorização dos recursos naturais e culturais em territórios indígenas e quilombolas por meio do turismo de base comunitária. (Acesse AQUI o guia)

Veja mais: Pará e Roraima ganham destaque no projeto Experiências do Brasil Original

Mapeamento

O MTur lidera um projeto inovador de mapeamento das comunidades indígenas que atuam no turismo nacional. A iniciativa faz parte do Projeto “Brasil Turismo Responsável”, iniciado em julho de 2024 e que resulta de cooperação técnica junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O objetivo é identificar povos que desenvolvem atividades turísticas baseadas nos princípios do turismo de base comunitária, além de catalogar e promover boas práticas, sempre com a concordância dos envolvidos. Para facilitar a coleta de informações, há um formulário eletrônico que pode ser preenchido por comunidades indígenas e organizações públicas e privadas ligadas ao segmento. (Acesse AQUI o formulário).

A ação vai permitir a compilação de dados detalhados das ações em desenvolvimento, possibilitando um diagnóstico mais preciso das necessidades das comunidades e a promoção de seus produtos turísticos. Com a medida, o MTur pretende ampliar o Mapa Brasileiro do Turismo Responsável e contribuir para o fortalecimento de uma rede de turismo sustentável, inclusivo e culturalmente rico, respeitando saberes tradicionais e a autonomia dos povos.

*Com informações do MTur

Mais de 250 municípios da Amazônia têm alta vulnerabilidade aos eventos extremos

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Foto: Euzivaldo Queiroz/Seduc-AM

Quase 30% das cidades com até 50 mil habitantes da Amazônia apresentam um alto grau de vulnerabilidade em relação a eventos extremos, como as secas e enchentes. Esse é o resultado de um estudo realizado por pesquisadores do Pará, Amapá e São Paulo, que analisou as características de 671 pequenos municípios – que cobrem 87% da região amazônica – e avaliou como eles estão preparados para lidar com os efeitos das mudanças climáticas.

Na investigação, os autores consideraram o nível de acesso ao tratamento de esgoto, à destinação adequada dos resíduos e ao abastecimento de água potável, além da presença de moradias inacabadas e degradadas, o número de crianças e idosos, a incidência de malária, a taxa de mortalidade recente pela Covid-19 e o Produto Interno Bruto (PIB) municipal.

Eles criaram uma classificação por meio de um índice que varia de 0 a 1, onde 0 representa uma vulnerabilidade muito baixa aos eventos extremos e 1, uma vulnerabilidade muito alta. O valor aumenta conforme a propensão das populações a sofrerem perdas e danos causados por eventos extremos.

Dentre os 265 pequenos municípios identificados como altamente vulneráveis, 187 (70%) estão em três estados: Pará (73) – que concentra os 11 com o maior índice da pesquisa –, Maranhão (77) e Amazonas (37). Em seguida, há cidades no Mato Grosso (25), Rondônia (20), Acre (14), Roraima (7), Tocantins (7) e Amapá (5).

Altamente vulneráveis – O estudo traz a classificação de ‘alta’ vulnerabilidade e ‘muito alta’ vulnerabilidade. Municípios com pontuação entre 0,4931 e 0,5290 são categorizados como ‘alta’ vulnerabilidade, e aqueles com pontuação acima de 0,5291, como ‘muito alta’.

Pará, Amazonas e Maranhão reúnem municípios mais vulneráveis às mudanças climáticas da Amazônia

Estudo analisou as cidades com até 50 mil habitantes e considerou aspectos sociais, ambientais e econômicos para determinar a vulnerabilidade em caso de eventos extremos.

Mapa das cidades mais afetadas na Amazônia. O estudo contou apenas as cidades com até 50 mil habitantes, logo as que estão em cinza não constam no estudo. Sendo vermelho para vulnerabilidade muito alta e azul escuro para muito baixa. Veja o mapa interativo AQUI. Imagem: InfoAmazonia

O estudo afirma que os fatores que mais aumentam o grau de vulnerabilidade das cidades são a precariedade da mobilidade urbana, a dificuldade de acesso à internet e aos meios de comunicação, e a falta de serviços médicos. 

Situações extremas

A cidade de Eirunepé, no interior do Amazonas, fica às margens do rio Juruá e foi classificada pelos pesquisadores como altamente vulnerável. O local enfrentou chuvas anormais, que causaram enchentes e alagamentos em fevereiro. 

Eirunepé, no Amazonas, tem chuvas acima e abaixo da média histórica em 2024

Estudo classificou a cidade do Amazonas como muito vulnerável às mudanças climáticas; com baixa infraestrutura para atuar na redução dos impactos locais, a população enfrenta enchentes e secas severas. Veja o infográfico interativo AQUI.

A variação da chuva continuou no decorrer do ano e Eirunepé é um dos municípios que enfrenta uma grave seca neste ano. O secretário da Defesa Civil da cidade, Benedito Rondinelli, disse à InfoAmazonia que a maior preocupação é conseguir chegar às famílias ribeirinhas, mais impactadas com a falta de infraestrutura e de mobilidade. “As balsas já não chegam mais no município, os voos estavam interditados por conta dessa fumaça que atingiu praticamente todo o Amazonas. A gente está aqui em situação extrema”. 

Enquanto os rios não voltam a subir, o trabalho da Defesa Civil tem sido atender as comunidades. Rondinelli afirma que está distribuindo cestas básicas e água potável, mas as distâncias atrapalham o serviço. “Ficou muito ruim para eles pegarem peixe, já não tem mais praticamente o que comer. Então, a gente está orando a Deus para que a chuva venha rápido”. 

Os pesquisadores explicam que os indicadores que compõem o índice de vulnerabilidade do estudo, como o acesso à comunicação e ao transporte público, são os únicos que podem ser alterados por políticas públicas locais, como das prefeituras. Isso ocorre porque o aumento dos eventos extremos também está relacionado ao aumento da temperatura e das chuvas, índices que dependem, em grande parte, de medidas de governança global e de acordos climáticos internacionais.

Para isso, o professor afirma que as pequenas cidades também precisam avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as 17 metas estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2015 e adotadas pelos países membros, incluindo o Brasil. Entre os ODS, estão a erradicação da pobreza, o desenvolvimento econômico, o acesso à água potável e ao saneamento, a saúde e o bem-estar, e a redução das desigualdades.

A defesa de um modelo ligado à preservação do meio ambiente

A urbanista e professora da UFPA, Ana Claudia Cardoso, afirma que as cidades da Amazônia foram estruturadas a partir de modelos desenvolvimentistas, consolidados desde a década de 1970, com o objetivo de criar cidades seguindo a lógica urbana que hoje conhecemos. Isso resultou na destruição das florestas, na construção de estradas, casas de alvenaria e prédios administrativos na região.

Ela explica que esse modelo “importado” de urbanização se distanciou dos conhecimentos tradicionais dos povos da região, o que incentivou o desmatamento e levou à criação de áreas que hoje sofrem com os impactos das mudanças climáticas e estão vulneráveis, como as cidades analisadas no estudo. 

Cardoso afirma que as populações eram mais conectadas com os conceitos de preservação da floresta e de manutenção do bem-estar, mas isso mudou à medida que foram adotando conceitos oriundos de conhecimentos não indígenas. Não existia, por exemplo, a distinção entre urbano e rural, dois termos que indicam a separação entre o que é planejado para as cidades e para as comunidades mais próximas dos rios. Para ela, essa visão que separa as cidades e a floresta está impedindo a implementação de medidas efetivas para enfrentar os problemas ambientais e climáticos.

“A seca extrema que tem promovido a matança de peixes e deixado povos indígenas isolados é resultado de políticas públicas que induziram uma série de usos da terra, e o pior é que não estamos regenerando aquilo que permitia que os sistemas fossem mais resilientes, que era regenerar floresta”, diz a professora.

Enchentes causadas por fortes chuvas e subida dos rios impactam zonas vulneráveis das cidades amazônicas Foto: Miguel Almeida/ Seas

Lilian Souza, assistente social e ativista, conhece bem a diferença apontada por Cardoso entre os projetos pensados para as áreas rurais e urbanas. Ela mora em uma comunidade no ramal São José, na zona rural do município de Careiro, no Amazonas, a 100 km de Manaus. De acordo com a classificação do estudo, a cidade é altamente vulnerável aos eventos extremos. Souza afirma que o acesso à educação, à saúde e até a outros serviços básicos, como energia elétrica, é difícil na sua região.

“As escolas não têm nenhuma estrutura, e as comunidades não possuem poços de água. Quando têm [poços], eles não têm profundidade suficiente para garantir água durante o ano todo. Quando chega a época da seca, o poço também seca”, diz.

Com uma população de 30,7 mil pessoas, o município não possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em caso de um desastre ambiental que prejudique a saúde de um morador, ele precisará ser transferido para a capital, Manaus. Para isso, um deslocamento de, em média, quatro horas deverá ser realizado.

“Quando a gente fala que é do Amazonas, as pessoas de fora ficam até encantadas, pensando nas belezas que temos aqui. Mas vivemos em cima da riqueza e ao mesmo tempo somos um povo pobre, infelizmente. Quando a gente vai conhecendo a realidade, vemos que as pessoas não têm acesso ao conhecimento. Elas vão aceitando tudo, sem cobrar nada”, diz Souza.

Como parte da solução, a professora Ana Cardoso afirma que o modelo tradicional de vida das comunidades indígenas precisa ganhar relevância na busca por políticas públicas. “Ainda existem outras formas de viver. As comunidades mostram que é possível e que somos capazes de coexistir com o bioma, desde que o rio não esteja totalmente contaminado, desde que a floresta não esteja pegando fogo. Os ribeirinhos, os seringueiros, todos têm uma boa relação com o território, com perspectivas diferentes das que foram colocadas pelo desenvolvimento dos municípios”, afirma.

Como analisamos a vulnerabilidade dos municípios aos eventos extremos?

Nesta reportagem, analisamos dados do estudo “Pequenos municípios da Amazônia sob risco de futuras mudanças climáticas”, desenvolvido por oito instituições, incluindo quatro universidades (três na Amazônia e uma no Sudeste). A InfoAmazonia focou no indicador de vulnerabilidade criado pela pesquisa, sob orientação de Everaldo Souza, um dos autores da pesquisa e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) do Instituto de Geociências da UFPA.

O estudo avaliou o risco de desastres ambientais e eventos extremos considerando três fatores principais: a ameaça de eventos climáticos extremos, a exposição da população e do meio ambiente, e o grau de vulnerabilidade em várias dimensões (sociais, econômicas, ambientais e de infraestrutura local). Foram utilizados os dados do Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para identificar os 671 municípios da Amazônia Legal com menos de 50 mil habitantes. Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis aqui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, produzido pela Unidade de Geojornalismo InfoAmazonia, com o apoio do Instituto Serrapilheira, escrito por Jullie Pereira

Capivara ou Ronsoco? A espécie amazônica que é sensação nas redes sociais também no Peru

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Foto: Reprodução/Agência Andina

É uma espécie que sempre esteve presente na Amazônia, que abriga uma rica biodiversidade, mas nos últimos meses a capivara ou ‘ronsoco’ como é conhecida no Peru, virou sensação entre os usuários das redes sociais. Uma tendência que aumentou nesta época natalícia.

Mas o que é a capivara ou ronsoco? Que tipo de espécie é e onde vive? Que características ela possui que a tornam especial? Vamos descobrir o que dizem os especialistas sobre esse personagem popular que cativa os mais jovens.

Leia também: Confira curiosidades sobre as capivaras

As capivaras ou ronsocos são uma espécie sociável que vive em grupos de até 20 indivíduos. ANDINO
Foto: Reprodução/Agência Andina

1. A capivara ou ronsoco é o maior roedor do mundo e pode medir, no caso dos machos, até 1,5 metro de comprimento e pesar cerca de 50 quilos. Sua pelagem é marrom avermelhada.

Reprodução: Redes Sociais – Agência Andina.

2. Seu nome científico é Hydrochoerus hydrochaeris, mas é conhecido por diversos nomes: ronsoco, capivara, chigüire, carpincho, piro-piro, entre outros. O termo capivara vem da palavra guarani capii-bara que significa ‘mamífero roedor’.

3. Seu corpo é em forma de barril e possui uma cabeça pequena. O macho distingue-se por apresentar uma pequena protuberância de 2 cm no focinho.

4. As capivaras vivem em grande parte da América do Sul, especialmente na Amazônia. No Peru existem populações importantes no Parque Nacional Manu, na Reserva Nacional Pacaya Samiria, no Parque Nacional Bahuaja Sonene, na Reserva Nacional Tambopata, bem como na Reserva Comunal El Sira, no Parque Nacional Yanachaga Chemillén e na Floresta de Proteção San Matías-San Carlos.

5. É uma espécie sociável, vive em grupos de até 20 indivíduos e se adapta bem à vida aquática graças ao fato de sua anatomia ser projetada para nadar. Quando um desses animais percebe perigo, solta um latido curto para avisar os demais e costumam se proteger debaixo d’água, podendo mergulhar por até cinco minutos. Sua natureza pacífica e amigável para com outras criaturas, até mesmo humanos, contribuiu para sua popularidade como animais amigáveis ​​e afetuosos.

6. O ronsoco tem uma dieta herbívora, que inclui plantas aquáticas e terrestres, o que o torna um componente essencial do ecossistema. Consome também plantas cultivadas como capim, milho e cana-de-açúcar. Em geral, sua alimentação é bastante variada e adaptada às condições do ambiente em que vivem.

Sensação nas redes sociais

A popularidade da capivara é tão grande que até o WhatsApp desenvolveu designs e existe um “modo capivara” que serve para personalizar o aplicativo. A dança da capivara se popularizou no TikTok onde milhares de jovens dançam ao ritmo da música contagiante

A internet está repleta de imagens e vídeos que popularizaram a capivara, e tal é a tendência que uma grande indústria tem desenvolvido em relação a esse animal: brinquedos, bichos de pelúcia, camisas pólo e produtos diversos são a sensação na atual campanha de Natal.

Mesmo no distante Japão a capivara virou tendência. Os “Cat cafés” são um conceito inovador e nobre que procura juntar os entusiastas dos animais de estimação com os gatos que precisam de um lar. No Japão, especificamente em Tóquio, os amantes dos animais levaram este conceito mais longe e abriram cafés onde, além de conviver com os felinos, agora é possível conviver com um dos seres mais sociais do mundo: as capivaras.

Dois cafés deste país oferecem uma experiência única aos seus clientes, comendo rodeados de capivaras. Estes simpáticos roedores, conhecidos pela sua natureza amigável, tornaram-se os convidados especiais destes estabelecimentos, proporcionando um ambiente relaxante e alegre enquanto os clientes saboreiam as suas bebidas e comidas.

Foto: Divulgação / Agência Andina

No México, a associação CEPAD criou a “Huitzil”, uma capivara que os acompanha através de um microsite com o objetivo de apoiar crianças e adolescentes vítimas indiretas de desaparecimentos. Huitzil é uma capivara que ajuda crianças a lidar com o desaparecimento de um familiar.

Febre no Peru

A febre da capivara no Peru chegou há vários meses. Arequipa foi uma das primeiras cidades onde este popular roedor amazônico foi adotado. Um acessório conhecido como cabo de capivara chamou a atenção de crianças e adultos. Desenhada com pelúcia peluda, a peça recria a imagem da capivara e se tornou um acessório indispensável entre os jovens.

Foto: Divulgação / Agência Andina

Os jovens consideram este acessório um companheiro ideal para levar para todo o lado. Portanto, os jovens têm indicado que se sentem acompanhados, diminuindo o estresse nas aulas ou na realização das tarefas diárias.

Em Lima, o ronsoco tornou-se um dos animais mais visitados do Parque de las Leyendas. As crianças e os jovens esforçam-se por conhecê-lo e, como era de esperar, é um boom na atual campanha de Natal.

*Com informações da Agência Andina

Fórum discute avanços dos mecanismos de mitigação às mudanças climáticas no Pará

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Foto: Fernando Sette

A sexta edição do Fórum Paraense de Mudanças e Adaptação Climática (FPMAC), que reúne órgãos do poder público estadual e federal, instituições privadas e entidades do terceiro setor, será realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) nos dias 12 e 13 de dezembro. O objetivo do Fórum é apresentar as conquistas alcançadas em 2024 em ações de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Entre os assuntos que serão abordados durante o evento está a Lei nº 10.750, de 31 de outubro de 2024, que institui o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), substituindo o decreto estadual nº 941, de 3 de agosto de 2020, que criou o Plano.

A revisão pública aprimorou os componentes transversais do plano, como Força Estadual de Combate ao Desmatamento, o Programa Regulariza Pará, o Programa Territórios Sustentáveis, o Plano Estadual de Bioeconomia, o Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa, o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais e o Sistema Jurisdicional de REDD+, este último em desenvolvimento.

Outras temáticas que serão debatidas vão envolver as ações do programa Regulariza Pará, a política de Gerenciamento Costeiro, o Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa, Plano de Bioeconomia, o Monitoramento Hidrometeorológico, além da Política Estadual de Recursos Hídricos do Pará, apresentando os princípios, diretrizes, objetivos e instrumentos de gestão dessas iniciativas.

O evento ocorrerá a partir das 9h, na Semas Bosque – Travessa Lomas Valentinas, nº 2100, bairro do Marco, em Belém. Para participar é necessário apenas fazer a inscrição gratuita no local.

*Com informações da Semas PA

Peru sediará 16ª edição do Congresso Florestal Mundial em 2027

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Foto: Reprodução/Agência Andina

O Conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação (FAO) anunciou que o Peru será o país sede do XVI Congresso Florestal Mundial a ser realizado em 2027, o que consolida o país como líder na conservação da biodiversidade e na gestão sustentável dos recursos florestais e da vida selvagem a nível global.

A candidatura foi apresentada oficialmente durante a 27ª sessão do Comitê Florestal (COFO 27), em julho de 2024, em Roma, Itália, como resultado de um esforço articulado entre o Serviço Nacional de Florestas e Fauna Bravia (Serfor) do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação (Midagri) e o Ministério das Relações Exteriores do Peru.

Durante o evento internacional, delegações de todo o planeta poderão conhecer a diversidade cultural e os produtos de alto valor que as florestas peruanas oferecem para o mercado internacional.

Estes espaços de diálogo proporcionam uma oportunidade de obter uma visão geral do setor florestal, a fim de discernir tendências, adaptar políticas, sensibilizar os órgãos de decisão e influenciar a opinião pública.

Desta forma, o Peru se posiciona como líder continental na organização de eventos globais e de grande escala, como a Cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a Jogos Esportivos Pan-Americanos e Assembleia Anual do Banco Mundial e do FMI.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Os congressos florestais mundiais são realizados aproximadamente uma vez a cada seis anos. O primeiro Congresso foi realizado na Itália em 1926.

Estes fóruns permitem a troca de opiniões e experiências sobre questões relacionadas com florestas e silvicultura, resultando em recomendações aplicáveis ​​à escala nacional, regional e global.

Os espaços de diálogo proporcionam uma oportunidade de obter uma visão geral do sector florestal , a fim de discernir tendências, adaptar políticas, sensibilizar os órgãos de decisão e influenciar a opinião pública.

O intercâmbio de conhecimentos dentro do setor florestal e deste com outros setores beneficia todos os países. A divulgação dos avanços científicos e técnicos, bem como os contatos profissionais promovidos por estas conferências, contribuem para uma melhor compreensão global do papel das florestas. E o país anfitrião recebe apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Peru, país florestal

O Peru é um país de florestas. Mais de 73 milhões de hectares de florestas amazônicas, secas, andinas e outros ecossistemas florestais cobrem quase 60% do território nacional.

Não à toa, o Peru ocupa o quarto lugar no mundo em extensão de floresta tropical, o segundo lugar na América do Sul e o nono em todo o planeta.

Além disso, a Amazônia peruana abriga 3,6 milhões de pessoas, incluindo mais de 50 povos indígenas e populações indígenas isoladas em contato inicial.

*Com informações da Agência Andina

Espécies novas de sapos ajudam a entender origem e evolução da biodiversidade da Amazônia

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O sapo Neblinaphryne imeri, descoberto em 2022. Foto: Taran Grant

Ele anunciou a própria morte. Cantava alto na boca da toca de uma aranha-caranguejeira. Então, foi capturado. Por pesquisadores.

Foi por causa do canto diferente que o sapo, batizado Neblinaphryne imeri, chamou a atenção dos cientistas que andavam em solo íngreme e lamacento, no novembro chuvoso de 2022, no alto de um pico na Serra do Imeri, divisa entre o estado do Amazonas e a Venezuela.

Leia também: Nova espécie de sapo é encontrada em cadeia isolada de montanhas no Amazonas

O Pico do Imeri, que nem os indígenas Yanomami visitam por causa da dificuldade de acesso, e também porque naquela altitude não habitam presas de peso, como mamíferos grandes, só foi alcançada pela equipe de pesquisadores com o apoio do Exército Brasileiro e de seu helicóptero.

Essa foi a segunda expedição liderada por Rodrigues em colaboração entre pesquisadores e o Exército nessa região da Amazônia. A primeira expedição ocorreu em 2017 no Pico da Neblina, que fica a 80 km do Pico do Imeri. Ambas as montanhas estão em áreas protegidas: a Terra Indígena Yanomami e o Parque Nacional do Pico da Neblina.

Na expedição ao Pico da Neblina também foi coletada uma espécie de sapo nova para a ciência, que recebeu o nome de Neblinaphryne mayeriem homenagem a Sinclair Mayer, general que ajudou na organização daquela expedição.

Após longas análises, os cientistas concluíram que os dois sapos, o do Pico da Neblina e o do Pico do Imeri, são espécies-irmãs. E essa descoberta indica que as montanhas daquela região sofreram alterações relevantes há 55 milhões de anos.

Vista panorâmica da Serra do Imeri, habitat das duas novas espécies de sapos. Foto: Taran Grant

Ancestral comum

No alto das montanhas, as condições de clima são bastante diferentes daquelas encontradas nas partes mais baixas e quentes da Amazônia. Isso determina toda uma biodiversidade adaptada àquele clima, incluindo espécies da fauna que dificilmente desceriam para a parte baixa da floresta.

Exames de DNA feitos nas duas espécies novas de sapos apontam que elas têm um ancestral comum, que viveu na Serra do Imeri há 55 milhões de anos.  Naquela época, o Pico da Neblina e o Pico do Imeri estavam provavelmente conectados. Com a erosão que foi ocorrendo durante milhões de anos, águas e ventos removeram material das camadas superiores das montanhas, ajudando assim a formar as regiões baixas da floresta. Com isso, alguns topos de montanha foram ficando isolados.

Em meio às transformações, a mesma espécie de sapos foi dividida. Enquanto alguns indivíduos ficaram ilhados em uma montanha, desenvolvendo-se de determinada forma, outros indivíduos ficaram isolados em outro pico, evoluindo de forma diferente.

O sapo Neblinaphryne imeri, descoberto em 2022. Foto: Taran Grant

O passado ensina sobre o futuro

Biólogos e geólogos têm trabalhado em conjunto para um melhor entendimento da biodiversidade e da paisagem das florestas tropicais. A geogenômica, termo elaborado pelo geólogo Paul Baker, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, mostra como as hipóteses podem evoluir por meio da colaboração entre especialistas.

Lúcia Lohmann, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, coordena projetos na região amazônica em parceria com cientistas de outras áreas.

“Entender o passado e as nossas origens é de suma importância para que possamos fazer melhores previsões para o futuro, estabelecer políticas públicas e estratégias para a conservação da biodiversidade”.

Lohmann participou da expedição à Serra do Imeri e, junto com a equipe de botânica, coletou mais de 1.200 amostras de plantas, representando aproximadamente 220 espécies – em grande parte endêmicas da região.

Documentar a biodiversidade de regiões desconhecidas num momento em que um alto número de espécies está entrando em extinção é tarefa urgente para a ciência.

“Os materiais coletados trazem novas peças para o grande quebra-cabeça sobre a origem e evolução da biodiversidade da Amazônia”, diz Lohmann.

Pesquisadores em expedição no alto da Serra do Imeri, no Amazonas. Foto: Taran Grant

Descrever a novidade

Rodrigues já caminhava aos 8 anos de idade junto com um pescador pelas montanhas do litoral de São Paulo, na região da atual Jureia. Na época, coletava borboletas, besouros e outros insetos. Hoje, na sala 102 do Instituto de Biociências da USP, fileiras de répteis e anfíbios figuram junto ao herpetólogo que já descreveu perto de 200 espécies novas.

O sapo Neblinaphryne imeri foi descoberto em 2022 e descrito como nova espécie em artigo para a revista científica Zootaxa apenas em setembro deste ano. Rodrigues explica que o mesmo grupo de cientistas que coleta os bichos nas expedições também dá aulas, orienta alunos, segue pesquisando e faz uma extensa análise de cada espécie coletada.

Diversos aspectos são observados para descrever uma espécie nova: analisar fotos e o canto do bicho em vida, estudar o corpo com lupa, efetuar medidas de todos os indivíduos coletados, determinar o sexo, extrair partículas do tecido para análise de DNA, enviar o DNA para ser sequenciado – no caso do Neblinaphryne imeri isso se deu na Coreia. Depois, segue-se com o estudo dos ossos e articulações, fazendo escaneamento do esqueleto, e só então chega o momento de descrever a nova espécie.

Ainda há espécies que vieram junto na expedição de 2017 que aguardam por ser descritas.

“Nós estamos descobrindo fauna e flora novas de um Brasil completamente desconhecido. Quer dizer, estamos preenchendo um ramo da árvore da vida desconhecido e que pode ter coisas extremamente importantes”, diz Rodrigues, que já tem planos para uma próxima expedição, agendada para 2025, também com apoio do Exército, para a Serra de Tulu-Tuloi – a cerca de 200 quilômetros do Imeri, também no Amazonas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Sibélia Zanon

Estilista do povo Piratapuya, Sioduhi leva futurismo indígena amazônico para as passarelas

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Foto: Camila Picolo/Instituto C&A

No Alto Rio Negro (Noroeste Amazônico) vivem dezenas de povos, que praticam a tolerância, a diversidade e a diplomacia, características que o estilista Sioduhi considera fundamentais em sua trajetória no mundo da moda. Seu povo, Piratapuya, originário da região, é “gente-peixe”, e aparece homenageado no logotipo de sua marca, assim como em diversas outras referências que surgem em suas criações. 

Depois de um período vivendo em São Paulo, Sioduhi voltou para o Amazonas, por acreditar que seria necessário apoiar a cadeia produtiva de seu estado. Os desafios de ser um jovem empreendedor amazônico, indígena e integrante da comunidade LGBTQIAPN+ são imensos. No entanto, as dificuldades nunca impediram Sioduhi de seguir trabalhando para descentralizar a moda nacional e demarcar novos territórios.

Nos conhecemos pessoalmente aqui em Manaus, onde estou passando uma temporada para realizar pesquisas para o meu doutorado em antropologia social. Já nos seguíamos nas redes sociais há algum tempo, e, assim que cheguei na cidade, fui conhecer o seu ateliê, localizado algumas ruas abaixo de onde estou hospedado. 

Ao longo dos dias, visitei Sioduhi outras vezes, para conversarmos despretensiosamente. Acompanhei-o em entrevistas na televisão, oficinas com jovens indígenas, reuniões de empreendedorismo, aberturas de exposição, cafés da tarde, shows, bares e festas, assim como na produção das fotos e vídeos de sua campanha. Pude vê-lo gargalhar diversas vezes, um traço marcante de sua personalidade. Sioduhi é um jovem doce e extremamente gentil, sobretudo quando se sente confortável. 

No entanto, com o passar das semanas, ele se mostrava apreensivo com os inúmeros impasses que surgiam para finalizar sua nova coleção. Num desses dias, no início da noite, recebi uma mensagem em que dizia: “É cansativo receber tantos nãos”. Pouco tempo depois, lá estava ele fazendo piada e contando de um compromisso que surgira em cima da hora. 

No último final de semana (entre 30 de novembro e 1° de dezembro), na véspera de sua viagem para São Paulo, fomos juntos a uma ball indígena, da qual Sioduhi seria jurado. Perguntei, ao longo do trajeto, se ele não estava esgotado  com a correria dos últimos dias. Sua resposta, breve e assertiva, com um pequeno sorriso estampado no rosto, é um perfeito lampejo da pessoa com quem convivi nos últimos meses: “Estou exausto, mas aceitei o convite. É minha gente!”.

O estilista lança sua nova coleção na 55ª edição da Casa de Criadores, que acontece entre os dias 5 e 10 de dezembro de 2024, em São Paulo. Responsável pela abertura do evento, a Sioduhi Studio apresenta ‘Kahtiridá: Fio da vida’, coleção que busca refletir sobre as possibilidades de cura e resistência em um mundo assolado por catástrofes. 

Nas criações, ele traz materiais como a fibra de tucum, o algodão emborrachado de seringueira e o tingimento natural com Tecnologia ManioColor, extraída da casca da mandioca.

Embora seja um desafio muito grande se apresentar, ainda mais no caso de uma pessoa que transita entre universos tão distintos, o que você gostaria que as pessoas que não conhecem o Sioduhi soubessem sobre você? 

Sioduhi — Sou o Sioduhi, “neto daquele que está sentado cantando”, na tradução literal. Mas pode ser também “aquele que carrega o espírito do Baiá”, músico e compositor das canções milenares das cerimônias dos povos do Alto Rio Negro. Sou Piratapuya (Waikʉhn), da Terra Indígena Alto Rio Negro. Meu povo compartilha este território com outros 23 povos. Fala-se 18 línguas na região, sendo a tukano, minha primeira língua, uma delas. 

Nasci em 1995, na comunidade indígena Mariwá, no Médio Uaupés. Fiz muitas viagens pelo Uaupés e pelo Rio Negro com minha família. Eu acompanhava, constantemente, meus pais no trabalho com a agricultura nas nossas roças de maniva e nas atividades de pesca. Quando eu tinha 5 anos, minha família começou o processo de sair e voltar para a nossa comunidade. A escola mais próxima havia fechado, e tivemos que passar o ano letivo em Iauaretê, um dos distritos de São Gabriel da Cachoeira, município do Amazonas. Iauaretê está localizado na fronteira entre o Brasil e a Colômbia. 

Foi em Iauaretê que eu comecei a gostar de moda, antes mesmo de compreender o que ela era. Eu vivia na casa da minha prima, e como minha tia costurava, passei a observar e a gostar. Mas foi somente depois da faculdade que eu tive coragem de correr atrás do sonho e realizá-lo. A mudança para o distrito de Iauaretê foi, na verdade, apenas o começo das múltiplas mudanças que eu vivenciaria. Não só de local, mas também de ter contato com outras culturas — seja na língua, na alimentação, no comportamento, enfim, no modo de ver o mundo. 

E tudo isso me fez passar por um processo de depressão. Principalmente quando tive que me mudar para a cidade de São Gabriel da Cachoeira, aos 15 anos, porque fui selecionado no Instituto Federal. Foi nessa idade que me compreendi como uma pessoa de dois espíritos. Os atravessamentos da colonização, da eurocristianização e da militarização me fizerem sentir culpa por um tempo, mas, felizmente, encontrei apoio quando mais precisei. 

Confira a entrevista na íntegra AQUI.

Foto: Alex Costa @rivotrist/divulgação

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Leonardo Nascimento

Seca recorde deixa cicatrizes no coração dos amazonenses por dois anos consecutivos

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Foto: Nilmar Lage/Greenpeace

O Amazonas é o maior estado brasileiro em extensão, onde vivem 3,9 milhões de pessoas. E por estar inteiramente inserido na floresta amazônica, é um dos mais dependentes dos rios, já que além de fornecer água e comida, os enormes cursos d’água da região conectam pessoas e permitem o acesso a serviços, como saúde e educação. Mas e se todos os rios secarem?

É uma pergunta difícil de responder e até de imaginar. Mas em 2024 deu para ter uma ideia de como seria, já que este ano os principais rios da Bacia Amazônica atingiram os níveis mais baixos da história, e o que se viu foi caos, abandono e privação. Em muitas regiões, os rios literalmente sumiram, enquanto em outras, transformaram-se em pequenos fios de água, afetando milhares de pessoas.

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Todos os 62 municípios do Amazonas decretaram estado de emergência devido a estiagem severa, e segundo estimativas da Defesa Civil do estado, mais de 850 mil pessoas foram diretamente afetadas pela seca. 

Problemas como o desabastecimento de itens de primeira necessidade, o fechamento de escolas e a impossibilidade de exercer o direito ao voto, vulnerabiliza, ainda mais, a vida de populações que já são historicamente invisibilizadas e abandonadas pelo Estado.

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Estamos falando do mais básico de todos os direitos, como à água, por exemplo. Imagine viver na maior bacia hidrográfica do mundo, e não ter acesso a água potável. Pois segundo o instituto Trata Brasil, 20% da população do Amazonas não tem acesso à água tratada e em diversas localidades, a única água disponível é a do rio. 

Assim, durante a seca, muitas comunidades tiveram poucas opções: beber água com lama e ter problemas intestinais; recorrer a um poço, se sua comunidade tivesse a sorte de ter um; ou contar com a doação de garrafas de água. 

O preço dos alimentos e a escassez de pescados também pressionou a segurança alimentar das pessoas. E a dificuldade de chegar às escolas afastou 4,3 mil alunos dos estudos, em 19 municípios do Amazonas. 

Em agosto, a professora Miscelina Nunes Rodrigues, da Comunidade São Francisco do Arraiá, em Tefé, relatou que já enfrentavam problemas com a entrega da merenda da escola, e até mesmo de acesso dos estudantes. 

Para onde foram os rios?

Em 2024, a Amazônia enfrentou sua segunda seca recorde consecutiva. Graças a um El Niño persistente, aliado ao aquecimento das águas do Atlântico norte, as chuvas não deram conta de recuperar os rios amazônicos no último ano. Mas verdade seja dita, não é como se cientistas nunca tivessem apontado que um dos efeitos das mudanças climáticas seria a ocorrência de eventos climáticos extremos como secas severas na Amazônia. 

No Brasil, esses eventos climáticos têm se agravado em frequência, intensidade e abrangência, e não apenas em forma de seca, mas também de chuvas em excesso e temperaturas elevadas. O El Niño, por exemplo, é um evento climático que ocorre naturalmente, mas que ganhou força em um ambiente que já está mais quente.

As atividades que mais contribuem no mundo para a piora do aquecimento global são a exploração e queima de combustíveis fósseis. Mas no caso do Brasil, o desmatamento e as queimadas ilegais são os principais responsáveis por essas emissões.

A combinação perigosa entre queimadas e fumaça nessas localidades tornam a situação ainda mais alarmante, já que o efeito na saúde da população local é largamente sentido havendo, segundo estudos da FIOCRUZ, um aumento de 100% das internações com problemas respiratórios no período seco.

Em 3 de outubro de 2024, a cota do Rio Negro chegou a 12,69 metros, às 17h, quebrando o recorde anterior, que era de 12,70 metros, durante a seca de 2023 – segundo dados do Serviço Geológico do Brasil, estação Rio Negro em Manaus. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Além disso, a baixa formação de gelo nos Andes tropicais, outro efeito das mudanças climáticas, impacta o ciclo de inundação dos rios, já que seu degelo é fundamental para esse processo na bacia do Rio Solimões, por exemplo.

Os períodos de estiagem têm se tornado cada vez mais severos e prolongados na Amazônia e no Brasil como um todo. A estiagem deste ano  começou meses antes do planejado no Amazonas, e durou mais tempo que de costume. De acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemadem), a partir da década de 90, as secas no Brasil tornaram-se mais frequentes e intensas, e a situação se agravou ainda mais a partir de 2016.

Evolução temporal das secas no Brasil considerando o Índice Padronizado de Precipitação e Evapotranspiração de dezembro de 1951 a abril de 2024.  As barras em azul indicam períodos com chuvas acima da média ao passo que as barras vermelhas indicam períodos com chuvas abaixo da média. Imagem: Cemadem

Por enquanto, os rios seguem por aqui, mas se não acabarmos com o desmatamento e levarmos a sério o combate às mudanças climáticas, o pesadelo de um mundo sem a Amazônia e seus rios pode um dia se tornar real. 

Estiagem esperada, reação lenta

Em um ano de eleições municipais, quase 16 mil pessoas ficaram impedidas de votar no Amazonas devido a seca recorde, segundo dados da Justiça Eleitoral do Amazonas.

Tentando não repetir a tragédia decorrente da seca recorde do ano passado, em 2024 o governo do Amazonas afirma ter colocado um Plano de Contingência das Ações de Vigilância em Saúde para Estiagem no Amazonas em março, com envio de medicamentos aos municípios mais afastados, e ter distribuído 3 mil toneladas de alimentos, além de purificadores de água e caixas d’água. Mas muitos sofreram, e ainda estão sofrendo, com a seca no estado. 

Rômulo alerta que governos de todas as esferas não podem mais esperar a crise bater à porta para agir. 

Ativistas do Greenpeace realizaram um protesto no leito seco do Rio Solimões, na cidade de Manacapuru, Amazonas. Os ativistas abriram uma faixa de 45mx18m em uma paisagem árida, onde antes passava um dos maiores rios da bacia Amazônica, para denunciar os impactos da crise climática na Amazônia. Foto: Nilmar Lage/Greenpeace

As populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas do Amazonas têm sido as primeiras a sofrer as consequências da seca e estiagens dos rios no norte do país e as mais afetadas pelos eventos climáticos extremos, mas são justamente as que menos contribuíram para essa emergência climática e que menos recebem apoio. Por outro lado, são estas mesmas populações que estão na frente quando se trata de soluções por meio de tecnologias sociais para enfrentar a crise climática. 

Vivemos num mundo em mudança, graças à ação humana. E apenas a ação humana pode reverter esse cenário. Precisamos agir para frear a crise climática. Municípios, estados e países precisam avançar, e muito, na adaptação às mudanças climáticas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace, escrito por Rosana Villar

Cidade em Mato Grosso é líder entre os municípios mais ricos no agro

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Foto: Divulgação/Gcom-MT

A produção agrícola brasileira alcançou, em 2023, um valor total de R$ 814,5 bilhões. Desse total, os 100 municípios mais ricos no agronegócio contribuíram com 31,9%, ou seja, R$ 260 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O destaque vai para o estado de Mato Grosso à frente, abrigando 36 dos municípios mais produtivos do país. A primeira posição é ocupada por Sorriso (MT), com uma produção de R$ 8,3 bilhões, seguido por São Desidério (BA), com R$ 7,8 bilhões.

Outras cidades mato-grossenses que compõem essa lista são:

  • Sapezal, com valor de produção agrícola estimado em R$ 7.544.333 bilhões;
  • Campo Novo do Parecis, com R$ 7.157.753;
  • Diamantino, com 5.905.259;
  • e Nova Ubiratã, com 5.463.407 bilhões, entre outras.

Confira a lista completa dos municípios mais ricos no AQUI.

Área colhida

Os 100 municípios mais ricos em valor de produção agrícola ocupam uma área colhida de 33,1 milhões de hectares, que corresponde a 34,5% da área total de hectares do Brasil. 

Esse grupo dos 100 municípios está distribuído entre 14 unidades da federação. São elas (em ordem alfabética): 

Bahia 

Distrito Federal

Goiás

Maranhão

Mato Grosso

Mato Grosso do Sul

Minas Gerais

Pará

Paraná 

Pernambuco 

Piauí 

Rio Grande do Sul 

São Paulo 

Tocantins

Produtos

Em relação aos produtos, a soja continua no topo, com R$ 348,6 bilhões. Esse valor corresponde a 42,8% do valor total da produção agrícola. Quanto ao milho, também houve resultados significativos, com R$ 101,8 bilhões, seguido pela cana-de-açúcar, com R$ 101,9 bilhões. Outras culturas como algodão, laranja e café também tiveram participações expressivas.

*Com informações do Brasil 61

Cicloturismo: ‘Caminhos de Bujaru’ conectará territórios quilombolas no nordeste do Pará

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Foto: Reprodução/Ideflor-Bio

A cidade de Bujaru, no nordeste paraense, avança na implantação de um circuito de trilhas ecológicas com apoio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio). Denominada de ‘Caminhos de Bujaru‘, a iniciativa será uma trilha de longo curso destinada ao cicloturismo e conectará dois territórios quilombolas, promovendo integração cultural, conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico local.

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Na última semana, o gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer, esteve no município para realizar o mapeamento inicial do trajeto, em parceria com a Prefeitura de Bujaru, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Além de sua atuação no Ideflor-Bio, Meyer também é diretor nacional de trilhas da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, o que reforça a relevância técnica do projeto.

Ecoturismo

O trajeto da trilha vai incluir passagens por igarapés de águas cristalinas, vegetação nativa, e construções históricas que contam parte da história da região. Para a secretária de Meio Ambiente de Bujaru, Leuda Coelho, o projeto representa uma oportunidade transformadora para o município.

Coelho enfatizou ainda os impactos positivos que o ecoturismo pode gerar na economia local. “Guias, transportes, hospedagens e restaurantes serão beneficiados diretamente. Além disso, pequenos negócios, como artesanatos e produtos locais, ganharão visibilidade. É uma oportunidade para destacar nossa cultura, histórias das comunidades quilombolas e patrimônios históricos”, pontuou.

Foto: Reprodução/Ideflor-Bio

Aprendizagem

O projeto não se limita ao desenvolvimento econômico, mas também visa promover educação ambiental. “Os visitantes poderão aprender sobre a biodiversidade local, os ecossistemas e a importância da preservação. Isso contribui para uma maior conscientização sobre práticas sustentáveis”, acrescentou a secretária.

A iniciativa também busca engajar as comunidades quilombolas na conservação ambiental, mostrando o valor econômico e ecológico das áreas naturais. Segundo o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, esse envolvimento é fundamental para o sucesso do projeto. “Quando as comunidades se tornam protagonistas na preservação e na promoção do ecoturismo, os resultados são mais duradouros e significativos”, afirmou.

Com o planejamento em andamento, a Prefeitura de Bujaru e o Ideflor-Bio esperam iniciar as primeiras ações estruturais no próximo ano. A expectativa é que os “Caminhos de Bujaru” não apenas atraiam visitantes, mas também coloquem o município como referência no ecoturismo no Pará, promovendo sustentabilidade e valorização cultural.

*Com informações do Ideflor-Bio