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‘Quibe acreano’ troca trigo por macaxeira e mostra diversidade cultural do estado; aprenda receita

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Do espanhol Luís Galvez ao gaúcho Plácido de Castro, o Acre tem sido um espaço de encontro para múltiplas culturas em plena Floresta Amazônica desde o começo de sua ocupação há mais de 120 anos.

E foi dessa troca entre indígenas, nordestinos, japoneses, sírio-libaneses, bolivianos e peruanos e outras comunidades é que se formou a identidade cultural do povo acreano. E foi daí também que surgiram receitas emblemáticas como a saltenha, a baixaria, o tacacá e os quibes de arroz e macaxeira.

A história da imigração sírio-libanesa no Norte do Brasil se confunde com a própria história do Acre. A comunidade foi uma das primeiras a se estabelecer no Acre durante o 1º Ciclo da Borracha no começo do século 1920.

Na maioria jovens solteiros, eles começaram a instalar casas aviadoras na região para abastecer os seringais do Acre e, boa parte, nunca mais deixou o estado, estabelecendo linhagens que até hoje são conhecidas pela população.

Com as famílias sírio-libanesas vieram também contribuições para o artesanato e culinária. O quibe é uma delas, embora na receita tradicional a massa seja feita com trigo, no Acre acabou ganhando versões únicas, uma com arroz e outra com macaxeira, raiz também conhecida como mandioca Brasil a fora.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

E é essa receita que João Bosco, salgadeiro com mais de 30 anos de experiência, ensina a fazer.

Confira a receita completa:

4 kg de macaxeira
2 colheres de sopa de sal
1 colher de sopa de colorau
1 pitada de corante de gema de ovos
Margarina
Óleo para fritar

Recheio

1,5 kg de carne moída
cheiro verde a gosto
pimenta de cheiro a gosto
alho a gosto
cebola a gosto

Modo de preparo

  • Em uma panela de pressão com água coloque a macaxeira para cozinhar com o corante, o sal e o colorau e deixa cozinhar por 20 minutos;
  • Enquanto isso, coloque a carne em outra panela para escaldar até que a água da carne se solte. Depois escorra essa água usando uma peneira;
  • Acrescente o alho, a pimenta de cheiro e a cebola e frite a carne com uma pitada de colorau até ela ficar sequinha;
  • Tire a macaxeira da panela de pressão, escorra a água e depois passe a mandioca por uma peneira para que a massa fiquei no ponto para ser moldada;
  • Amasse e comece a moldar a massa afinando em uma das pontas e deixando um espaço maior no meio para colocar o recheio;
  • Ponha a carne dentro e feche o quibe afinando a outra ponta da massa;
  • Com um palito faça um furo na massa, segundo o chef, dessa forma se evita que o salgado exploda e cause acidentes;
  • Com cuidado, coloque os quibes em uma panela com óleo fervente até que eles fiquem cobertos. A ideia aqui é apenas dourar a massa, pois tanto a macaxeira quanto o recheio já estão cozidos;

    Sirva e aproveite!

    *Por Yuri Maciel, da Rede Amazônica AC

Exposição ‘Quanto + Preto Melhor’ destaca a força da arte negra na Amazônia

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Foto: Divulgação

O Centro de Artes Visuais Galeria do Largo, no Centro de Manaus (AM), será palco de uma celebração à arte negra contemporânea com a inauguração da exposição coletiva ‘Quanto + Preto Melhor‘.

O projeto tem a curadoria de Marcelo Rufi, artista e pesquisador reconhecido por sua atuação em projetos que valorizam as narrativas afro-amazônicas. A mostra resgata e amplia histórias invisibilizadas, promovendo reflexões sobre letramento racial e a força ancestral que permeia a negritude.

O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de 4 anos pelo grupo Arte Ocupa com o auxílio de Marcelo, que teve sua inspiração em meio a um trabalho de faculdade.

A exposição reúne trabalhos dos artistas participantes do grupo Arte Ocupa. São eles: Anderson Souza, André Cavalcante Pereira, Andrew Ponto, Cigana do Norte, Edvando Alves, Estevan Leandro, Jorge Liu, Manuo, Rana Mariwo, Travamazonica, Ventinho, Vivian Evangelista e Zem Babumones.

Por meio de instalações, esculturas, pinturas e performances, as obras revelam a pluralidade das expressões artísticas negras e a profundidade cultural da Amazônia.

“A exposição propõe uma imersão. Ela é, sobretudo, uma homenagem e exaltação. O público vai levar consigo a experiência de conhecer mais sobre a arte contemporânea manauara em diferentes técnicas e narrativas não lineares, que abordam temas como racismo estrutural, afrofuturismo e memória ancestral”, afirma o curador.

Foto: Divulgação

Para Marcelo Rufi, que também é ativista cultural, a exposição é um marco importante para a representatividade da arte negra na região. “A proposta é usar a arte como uma ferramenta de educação e transformação, convidando o público a refletir sobre o impacto das histórias que foram invisibilizadas e o poder da ancestralidade que nos move”, destacou.

O próximo projeto, já em produção pelo grupo Arte Ocupa, será de oficinas e residências artísticas com o tema “Vejam antes que me tirem daqui”, que dialoga a respeito da memória e valor afetivo presente nos espaços públicos da cidade.

A abertura da exposição contará com apresentação do Maracatu Pedra Encantada, em meio a um cortejo que se inicia no Largo de São Sebastião e se estende até a Galeria do Largo, onde o grupo será homenageado na exposição.

A entrada é gratuita e a mostra permanecerá em exibição no Centro de Artes Visuais Galeria do Largo até o final de fevereiro. O espaço funciona de quarta a domingo, das 15h às 20h.

Amazônia registra maior área queimada desde o início do ‘Monitor do Fogo’

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Queimadas na cidade de Altamira, no Pará. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

Em 2024, a Amazônia teve 17,9 milhões de hectares queimados. Essa é a maior área registrada desde 2019 quando o Monitor do Fogo, iniciativa da rede MapBiomas Fogo coordenada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), iniciou suas medições e confirma um crescimento de 67% na área queimada na floresta amazônica.

Em 2024, a Amazônia registrou a maior área queimada dos últimos seis anos, consolidando-se como o bioma mais afetado pelas chamas no Brasil. Foram 18 milhões de hectares consumidos pelo fogo, o que representa 58% de toda a área queimada no país e um aumento de 67% em relação a 2023. Esse crescimento expressivo concentra-se, em grande parte, nas áreas queimadas no Estado do Pará, que liderou o ranking nacional com 7,3 milhões de hectares. No bioma Amazônia, a área de floresta afetada pelos incêndios superou as queimadas nas áreas destinadas ao uso agropecuário, chegando a aproximadamente 8 milhões de hectares – um volume que equivale a 44% de toda a área queimada.

Leia também: Fogo teve alta de 64% em florestas públicas não destinadas em 2024

“A floresta amazônica enfrentou um aumento significativo nas queimadas devido a uma combinação de fatores humanos e climáticos, especialmente em função do fenômeno El Niño, que teve início em meados de 2023. Essa condição reduziu as chuvas na região amazônica e intensificou o período de seca, ocasionando um solo menos úmido e uma vegetação mais vulnerável às queimadas, sejam elas acidentais ou propositalmente iniciadas. Embora a seca, por si só, não seja a causa do aumento das queimadas, ela potencializa as queimadas originadas por ação humana, como o desmatamento e a grilagem para expansão de áreas produtivas”, explica Felipe Martenexen, pesquisador do IPAM. 

No contexto estadual, Tocantins e Maranhão possuem territórios abrangendo tanto o bioma Amazônico quanto o Cerrado, que foram os dois biomas mais afetados pelos incêndios em 2024. 

Foto: Reprodução/IPAAM

“As diferenças no perfil de áreas queimadas na Amazônia e no Cerrado refletem as particularidades ecológicas de cada bioma, influenciando as estratégias de prevenção. Na Amazônia, o fogo afetou predominantemente áreas de florestas nativas em 2024. Já no Cerrado, o fogo ocorreu principalmente em áreas de formações savânicas, que são ecossistemas adaptados ao fogo, mas que, em excesso, sofrem degradação. Essas diferenças sugerem que a Amazônia demanda esforços focados na fiscalização do desmatamento e controle de atividades ilegais, enquanto o Cerrado requer estratégias voltadas para o manejo integrado do fogo e na conservação das áreas naturais”, aponta Vera Arruda, pesquisadora do IPAM. 

Floresta em chamas

As formações florestais foram a formação natural mais atingida pelas chamas, com uma área atingida de 7,6 milhões de hectares em 2024 – 3,2 vezes a mais do que no ano anterior. O fogo afetou, principalmente, áreas do sudeste paraense, na fronteira do bioma amazônico com o Cerrado, e parte do Estado de Roraima. 

Leia também: Saiba como estão divididas as regiões de integração dos municípios do Pará

“Chama a atenção a área afetada por incêndios florestais em 2024. Normalmente, na Amazônia, a classe de uso da terra mais afetada pelo fogo tem sido historicamente as pastagens. Em 2024 foi a primeira vez desde que começamos a monitorar a área queimada que essa lógica se inverteu. A floresta úmida passou a representar a maioria absoluta da área queimada, sem dúvida um fato preocupante visto que uma vez queimada, aumenta a vulnerabilidade e a chance dessa floresta queimar novamente”, afirma Ane Alencar diretora de Ciência do IPAM e coordenadora da iniciativa Mapbiomas Fogo.

Além disso, 6,7 milhões de hectares de pastagens do Brasil foram atingidos pelas chamas em 2024, um aumento de 31% em relação a 2023, e avançou principalmente sobre áreas da Amazônia, 41% dos pastos queimados no Brasil. Áreas de agricultura totalizaram 1 milhão de hectares queimados, 198% a mais do que no ano anterior.

Estados e municípios

Todos os estados que mais queimaram em 2024 registraram grandes avanços do fogo em 2024. Na Amazônia, ainda ressecada pelas estiagens de 2023 e 2024, Pará e Roraima aumentaram suas áreas queimadas em 87% e 66%, respectivamente.

Leia também: Incêndios na Amazônia queimaram área 10x maior do que a de desmatamento, aponta estudo

No Mato Grosso, que reúne Amazônia, Cerrado e Pantanal, a área queimada chegou a 6,8 milhões de hectares queimados, atingindo principalmente áreas de vegetação nativa como florestas, savanas e campos alagados, que queimaram juntos 4,7 milhões de hectares. O Estado ocupa a segunda posição na lista após um aumento de 198% na sua área afetada pelo fogo, impulsionado por secas severas, mudanças climáticas e desmatamento. A situação pode se agravar com a aprovação de uma lei estadual que reduz parte da reserva legal do bioma Amazônia de 80% para 35%, aumentando o risco de desmatamento em 5,5 milhões de hectares e comprometendo a biodiversidade, o clima e a produtividade agrícola.

*Com informações do IPAM
 

Forno de baixo custo para fabricação de biocarvão visa diminuir impacto ambiental da cadeia produtiva do açaí na Amazônia

Foto: Moisés Mendonça

Iguaria muito valorizada na Amazônia desde antes da chegada dos colonizadores, o açaí tornou-se hoje um alimento planetário, com entusiasmados consumidores dos Estados Unidos até a Ásia. Sua polpa, misturada ao extrato de guaraná, frutas, granola e servida em baixas temperaturas, caiu no gosto dos esportistas, tornando-se item obrigatório no cardápio de quiosques à beira-mar pelo seu sabor adocicado e refrescante.

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Porém, é preciso distinguir o açaí que fascina os habitantes da Amazônia (em geral servido com farinha de mandioca ou de tapioca e peixe ou camarão frito) da polpa açucarada, acompanhada de guaraná, que efetivamente globalizou o consumo da fruta e fez sua produção disparar. Dados da Pesquisa Industrial Anual divulgados em 2023 pelo IBGE apontam que, em 2014, o Brasil produzia apenas 6,7 milhões de toneladas de polpa. Em 2021, esse total já havia superado os 100 milhões de toneladas.

O estado do Pará, que tem no açaí sua segunda principal cultura, depois da soja, responde por 90% da produção nacional. Essa liderança gera renda para os produtores, em sua maioria estabelecidos em pequenas e médias propriedades que operam em regime de organização familiar. Por outro lado, a crescente produção vem criando problemas de ordem ambiental, em virtude da quantidade de resíduos gerados, principalmente pelo descarte inadequado do caroço da fruta.

Para produzir a polpa, o açaí deve ser colhido e batido em equipamentos específicos para ser despolpado. O que sobra, além do líquido espesso de cor roxa, são grandes volumes de sementes, que representam a maior parte do volume da fruta, e muitas vezes são descartados em vias públicas ou em lixões, podendo causar o assoreamento e a contaminação de igarapés, riachos e outros corpos d’água.

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Chorume escorrendo pela linha d’água. Substância pode contaminar igarapé, que costuma ser fonte de alimentação humana e animal, além de recurso para irrigação e psicultura. Foto: Moisés Mendonça

Durante o projeto de mestrado, o engenheiro agrônomo Moisés Mendonça desenvolveu um protótipo de forno de baixo custo para transformar o caroço do açaí em biochar. O produto, também conhecido como biocarvão, é obtido a partir da queima de uma biomassa (o caroço) a altas temperaturas e baixa oferta de oxigênio, em um processo chamado pirólise. O biochar não é um produto novo na literatura científica, mas suas aplicações têm sido objeto de diversos estudos nos últimos anos em virtude dos efeitos benéficos que pode promover para o solo.

Na hora de escolher um tema para a sua dissertação, o pesquisador procurou algo que se conectasse com a realidade amazônica. Ao pesquisar na literatura científica, conheceu o biochar e associou suas propriedades à problemática dos resíduos sólidos oriundos da produção do açaí.

“O açaí é muito importante para o Pará, gerando renda e riqueza para o estado. Mas, quando olhamos para o lado ambiental, fica claro o quanto essa produção agride o meio ambiente local”, explica o egresso da Unesp, atualmente cursando o doutorado em Desenvolvimento Rural e Sistemas Agroalimentares no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), no câmpus da cidade de Castanhal. “Onde quer que exista agroindústria familiar ou uma grande produção, podem ser encontrados resíduos de caroço. O problema não está apenas na poluição visual. O resíduo exposto a céu aberto gera chorume, que segue a linha d’água e afeta igarapés, riachos e rios. O impacto é grande”, diz.

Leia também: Portal Amazônia responde: existe mesmo diferença entre o açaí e a juçara?

Melhora para a qualidade do solo

Orientador do projeto de mestrado de Mendonça em Jaboticabal, o engenheiro agrônomo Wanderley de Melo explica que o biochar, por não sofrer uma queima total, como se dá durante a fabricação do carvão convencional, acaba preservando uma série de elementos importantes, como o enxofre, fósforo e outros nutrientes que melhoram a fertilidade do solo. 

“Usamos o caroço do açaí nesse processo. Mas poderíamos usar lodo de esgoto, podas de árvores ou o resíduo de quase qualquer cultura agrícola. O Brasil é hoje um grande consumidor e importador de fertilizantes. Seria importante se a gente aproveitasse esses resíduos para reduzir essa dependência”, afirma o professor. Atualmente, ele supervisiona outro projeto na área, no qual a produção de biochar ocorre a partir de restos da produção do cacau.

Caroço de açaí secando ao sol para a produção de biochar. Foto: Moisés Mendonça

Outra vantagem da produção do biochar é que a queima parcial pela pirólise também imobiliza moléculas de carbono que, caso ocorresse a queima total, seriam liberadas na atmosfera. Uma vez que o carbono esteja retido no solo, sua liberação se dará por meio do processo natural de decomposição do biochar, que é lento. Esse aprisionamento do carbono no solo contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Mendonça destaca também como benéfica a capacidade do biochar de reter a umidade do solo. “Isso é importante na Amazônia, onde temos seis meses de chuva e seis meses secos. Além disso, o solo é arenoso, o que reduz sua capacidade de reter a água. O biochar, por ser um material poroso, ajuda a reter essa água nas raízes da planta durante o período mais seco do ano”, diz ele, que além de doutorando é professor no IFPA.

Forno usa material acessível

O projeto que Mendonça desenvolveu em seu mestrado envolveu o desenvolvimento de um forno rústico, de estrutura simples e barata, que se baseia no reúso de materiais facilmente encontrados na região. Isso permite que a tecnologia seja apropriada pelos agricultores locais, capacitando-os a produzirem seu próprio biochar. O trabalho também avaliou a aplicação deste biocarvão produzido rusticamente como condicionador de solo para a produção de mudas de pimenta-do-reino, outra cultura de importância econômica da região. A pesquisa foi publicada em setembro no Journal of Environmental Management.

O forno foi construído a partir de um tambor grande de 200 litros. Dentro dele foi colocado um tambor menor, de 100 litros, totalmente carregado com os caroços do açaí. A diferença de volume entre os dois tambores foi preenchida com material combustível, no caso resíduos de podas da própria fazenda-escola do câmpus do IFPA, em Castanhal (PA).

“Para elaborar esse forno, pesquisei alguns equipamentos fora do Brasil. Cheguei a esse modelo que usa tambores porque se mostrou o material mais simples e acessível que encontrei. Ao longo de algumas rodovias do Pará é comum encontrar vários desses tambores, que são descartados pela indústria e depois revendidos”, diz Mendonça.

Além da construção do forno rústico, o experimento também analisou os efeitos da aplicação de quatro taxas diferentes (4, 8 16 e 32 g) de biochar à terra, cada uma com quatro granulometrias (3, 5, 7 e 12 mm de diâmetro), além de um grupo de mudas controle que não continha o biocarvão. Os resultados apontaram que a combinação de 32 g (equivalente a uma aplicação de 32 t/ha) com partículas de 5 mm foi a que apresentou os melhores resultados para o crescimento das raízes das mudas. O trabalho também encontrou efeitos positivos na altura das mudas em aplicações de 16 t/ha com partículas de 5 mm. O uso do biochar mostrou ainda capacidade de aumentar a retenção de água, afetando positivamente a umidade do solo.

A comprovação de que o biochar, mesmo que produzido de forma rústica e acessível, apresenta impactos positivos nas propriedades e fertilidade do solo, estimulou Mendonça a aperfeiçoar o produto durante o doutorado. Seu orientador nesta etapa é o engenheiro agrônomo Romier da Paixão Souza. Souza explica que a apropriação da tecnologia por parte dos produtores locais é sempre um desafio para a aplicação de uma tecnologia social. Professor no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural e Sistemas Agroalimentares do IFPA, ele tem centrado boa parte de sua atuação acadêmica nos últimos anos na educação no campo e no desenvolvimento de tecnologias sociais aplicáveis à agroecologia.

“Além desse processo de apropriação, outra dificuldade costuma ser a adaptação e a construção de equipamentos que efetivamente atendam às condições dos produtores rurais e cuja utilização seja realmente possível”, explica o professor do IFPA.

Para enfrentar o primeiro desafio, Souza aposta na educação ambiental junto aos agricultores, suas famílias e no entorno das comunidades. Já a elaboração de equipamentos que sirvam aos agricultores passa, em parte, pelo trabalho que vem sendo realizado no Laboratório de Bioinsumos da Amazônia.

A proposta da estrutura, explica o professor, é abrigar projetos inovadores de tecnologia social, mas também estimular o uso por parte dos produtores da compostagem, vermicompostagem e de biofertilizantes para reduzir o uso da adubação química, em geral mais cara e agressiva ao meio ambiente.

“Uma tecnologia nova que temos trabalhado é o uso dos microrganismos eficientes capturados na mata. Por meio de um processo que adaptamos para a região amazônica, esses organismos são multiplicados em laboratório e dispostos na forma de uma biocalda benéfica para as plantas”, explica.

Fumaça gerada pelo início da queima dos resíduos para produção do biochar. Foto: Moisés Mendonça.

Outro projeto do laboratório desenvolveu uma colheitadeira manual de mandioca que facilita o arranque do tubérculo do solo, diminuindo consideravelmente o esforço do produtor. “Essas tecnologias são registradas na forma de patentes com conhecimento aberto. A ideia não é gerar uma patente para ganhar dinheiro, mas para que as pessoas possam se apropriar da tecnologia”, diz Souza.

Após uma primeira versão concebida durante o mestrado na Unesp, Mendonça tem trabalhado no aprimoramento do forno junto a um assentamento da cidade de Castanhal, onde produtores locais testam, avaliam e colaboram com sugestões de melhorias no projeto. Entre os incrementos da nova versão, por exemplo, está o controle da temperatura do forno, permitindo que o biochar fique pronto após um período de 6 a 8 horas, enquanto a versão anterior necessitava de 12 horas de queima.

“A proposta é que o forno para a produção de biochar a partir do caroço do açaí reúna aspectos sociais, ambientais e econômicos. Isso porque o produtor poderá deixar de depender da aquisição de fertilizantes químicos para produzir seu próprio adubo orgânico, e possam inclusive comercializar esse material como um produto”, diz Mendonça.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Marcos do Amaral Jorge

UNICEF alerta para cuidados com crianças após período de seca e fumaça no Norte do Brasil

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UNICEF alerta para cuidados com crianças após período de seca e fumaça. Foto: Bruno Kelly/UNICEF/BRZ

A seca prolongada e os incêndios na Amazônia em 2024 trouxeram impactos significativos para as populações ribeirinhas e indígenas, especialmente crianças e adolescentes. Doenças respiratórias e infecciosas, agravadas pela fumaça das queimadas e pela falta de água potável e alimentação adequada e nutritiva, seguem como principais ameaças à saúde dessas comunidades. 

Além disso, a seca também pode causar problemas como estresse, ansiedade e depressão, especialmente entre agricultores e comunidades rurais que dependem da agricultura e podem sofrer com grandes perdas financeiras. Apesar do retorno gradual das chuvas, o nível dos rios ainda não se normalizou, e a situação demanda atenção contínua.   

A Oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF para o Território Amazônico, Lídia Pantoja, destaca que as condições de seca favorecem o aumento de doenças transmitidas pela água como hepatite e diarreias, além de problemas respiratórios decorrentes da má qualidade do ar. A escassez de água também impossibilita o acesso seguro para o consumo humano, preparação de alimentos e práticas adequadas de higiene, o que intensifica o risco de contaminações. Lídia ainda ressalta que o aquecimento global tem permitido a expansão de doenças como malária e dengue na região. 

Leia também: Duas secas: como falta de chuvas e baixa umidade do solo agravam incêndios na Amazônia

Cuidados com a saúde das crianças  

O UNICEF recomenda medidas simples, mas essenciais, para proteger as crianças. É fundamental filtrar a água com um pano limpo ou coador de papel e tratá-la com hipoclorito de sódio a 2,5%, prioritariamente. Para cada litro de água, devem ser adicionadas duas gotas do produto, disponível em Unidades Básicas de Saúde. Caso o hipoclorito não esteja disponível, a água deve ser fervida por pelo menos três minutos para torná-la segura para o consumo.   

Além disso, recipientes de armazenamento de água devem ser higienizados regularmente, e alimentos como frutas, verduras e legumes precisam ser lavados em água corrente e deixados de molho em solução de hipoclorito ou água sanitária por 10 minutos.  

Acesso a água potável. Foto: Divulgação/Cosama

Evitar exposição das crianças à fumaça e manter os ambientes limpos ajuda a prevenir doenças respiratórias, enquanto práticas regulares de higiene, como banhos com sabonete e a lavagem das mãos, podem evitar problemas de pele e doenças causadas por microrganismos.   

As doenças respiratórias, como pneumonia e bronquiolite, e as de origem hídrica, como diarreias graves, apresentam sinais de alerta que não devem ser ignorados, especialmente em crianças. Tosse persistente, dificuldade para respirar, febre alta, vômitos e sinais de desidratação, como boca seca e aumento da frequência de evacuações, presença de fezes líquidas ou pastosas, náuseas e vômitos, são sintomas que requerem atenção médica imediata. Diante de qualquer um desses sinais, é essencial que as famílias procurem a unidade de saúde mais próxima para avaliação e tratamento adequado, reduzindo os riscos de complicações graves. 

Ações do UNICEF no Território Amazônico 

Em 2024, o UNICEF intensificou ações emergenciais para mitigar os efeitos da crise climática na Amazônia. Por meio do projeto “Respostas à Crise Climática na Amazônia”, coordenado pelo UNICEF em parceria com a ADRA, Caritas Suíça e SPM, foram beneficiadas mais de 64 mil pessoas em 196 comunidades indígenas e ribeirinhas. Entre as iniciativas, destacam-se a construção de três cisternas com capacidade de 60 mil litros cada, na região do Rio Solimões, melhorias na infraestrutura de água em 39 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e capacitação de 631 agentes comunitários em Água, Saneamento e Higiene (WASH). 

No Pará, o projeto “Emergência Munduruku: Água, Saneamento, Higiene e Promoção da Saúde para Crianças e Adolescentes em situações de Vulnerabilidade da Terra Indígena Munduruku” atendeu povos indígenas do rio Tapajós, pressionados pela expansão do garimpo ilegal, com intervenções em saúde e WASH. Além disso, mais de 32 mil crianças foram indiretamente beneficiadas com capacitações voltadas para agentes indígenas de saúde em oito Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) prioritários nos estados do Amazonas, Roraima, Acre e Pará.   

Em parceria com a Associação dos Povos Indígenas da Terra Indígena São Marcos e com o apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima, foram implementadas ações para mitigar os efeitos da estiagem, como atividades de atenção primária à saúde, nutrição, água, saneamento e higiene, que beneficiam diretamente cinco comunidades prioritárias da Terra Indígena.  

Essas ações são parte de uma estratégia mais ampla do UNICEF para fortalecer comunidades e apoiar governos locais na adaptação às mudanças climáticas, assegurando os direitos de crianças e adolescentes mesmo em cenários de emergência. Lídia reforça que “as comunidades impactadas pela seca enfrentam desafios que vão além do acesso à água, incluindo o fortalecimento das capacidades locais para lidar com emergências climáticas e proteger a saúde infantil.”   

Prevenção e compromisso 

O UNICEF reitera a importância de um esforço coletivo para garantir o acesso a serviços básicos e prevenir doenças em tempos de crise. Investir na saúde, na educação, nos serviços de água e saneamento, e na proteção de crianças e adolescentes é essencial para mitigar os impactos das emergências climáticas, que afetam de forma desproporcional as populações mais vulneráveis. O UNICEF segue comprometido em garantir os direitos das crianças e adolescentes na região amazônica e em ampliar parcerias para promover soluções duradouras que mitiguem os impactos das mudanças climáticas.   

*Com informações do Unicef

Boa Vista é a primeira capital da Amazônia Legal a implantar um Centro de Compostagem de Resíduos Orgânicos

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Centro de compostagem de resíduos orgânicos. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Há um ano, Boa Vista inovou e se tornou a primeira capital da Amazônia Legal a implantar um Centro de Compostagem de Resíduos Orgânicos. O local já recebeu 1.800 toneladas de resíduos e produziu 250 toneladas de composto. Além do material úmido (resto de alimentos), 1.300 toneladas são provenientes de podas de árvores feitas na limpeza da cidade.

O composto produzido no Centro de Compostagem de Resíduos Orgânicos em Boa Vista beneficia não apenas produtores da agricultura familiar que participam do Plano Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA), e comunidades indígenas, mas também entidades beneficentes. A distribuição do adubo é coordenada pela Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAAI).

Leia também: 8 curiosidades sobre Boa Vista que você precisa conhecer 

Centro de compostagem de resíduos orgânicos. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Desde o início da distribuição do composto, 75 famílias agricultoras fizeram retirada, além do envio de 39 toneladas de adubo para comunidades indígenas, atendendo cerca de 100 famílias envolvidas em plantios coletivos. Segundo o prefeito Arthur Henrique, o Centro de Compostagem executa um processo natural e controlado de decomposição de materiais orgânicos, transformando-os em um composto de alta qualidade.

“Esse trabalho é mais um investimento da Prefeitura de Boa Vista na agricultura familiar do município, que fortalece a produção sustentável, aumenta a produtividade e promove o cuidado com o meio ambiente. É um material que seria desperdiçado e a gente reaproveita, ao transformar em adubo”, disse.

Leia também: Novas técnicas de cultivos sustentáveis na agricultura familiar recebem fomento no Pará

Centro de compostagem de resíduos orgânicos. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Distribuição de composto

Produtora de macaxeira, graviola, capim, melancia, feijão e milho, a Associação Beneficente Agapão, clínica de reabilitação para dependentes químicos, já foi beneficiada com como calcário, sementes e fertilizantes, e agora com o composto orgânico.

“Hoje, trabalhamos com 122 famílias, entre internos e pessoas carentes que recebem doação dos nossos produtos. Estamos com grandes expectativas com relação à influência positiva desse adubo na nossa plantação. Já recebemos outros insumos da prefeitura e ficamos surpresos com a qualidade dos frutos colhidos. Então, para a gente tem sido uma experiência excelente’, contou o diretor da Agapão, Jadiel Ribeiro.

*Com informações da Prefeitura Municipal de Boa Vista

Amapá avança na regulamentação da pesca esportiva como ativo turístico

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Foto: Divulgação

O Governo do Amapá realizou uma reunião estratégica na sede da Secretaria Extraordinária de Representação em Brasília (Seab) no dia 22 de janeiro para tratar da regulamentação e do uso sustentável das Unidades de Conservação voltadas à pesca esportiva.

Leia também: Entenda como funciona a pesca esportiva e como deixar o peixe menos ‘estressado’ durante a pescaria

Também foram discutidas normas para a implementação da atividade no estado, assegurando a prática conforme a legislação vigente. O objetivo é consolidar o Amapá como um destino turístico de referência para praticantes da pesca esportiva, fomentando o turismo de base comunitária e ampliando as oportunidades de geração de renda e emprego.

As tratativas fazem parte de uma articulação integrada entre as secretarias de Estado do Turismo (Setur), Pesca e Aquicultura (Sepaq), Desporto e Lazer (Sedel) e Comunicação (Secom).

A secretária da Sedel, Cibely Peixoto, ressaltou que a regulamentação da pesca esportiva será um importante para fortalecer e fomentar o potencial natural do esporte no Amapá.

Foto: Divulgação

A pesca esportiva já é reconhecida oficialmente no Amapá como um evento cultural, graças à aprovação, em 2023, do projeto de lei que instituiu o Torneio Amapaense de Pesca Esportiva na Região dos Lagos. De autoria do deputado Pastor Oliveira (Republicanos), a legislação abrange os municípios de Amapá, Pracuúba e Tartarugalzinho, inserindo o torneio no calendário oficial do estado e fortalecendo o turismo esportivo e a economia local.

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Participaram do encontro o secretário da Seab, Zico Araújo, e o subsecretário de Representação do Município de Santana, Danilo Rodrigues, que dialogaram com a equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Tradição, anonimato e dança: touloulous ganham destaque no Carnaval na Guiana Francesa

Foto: Reprodução/YouTube-Dicckson Tyler

O Carnaval da Guiana Francesa é um espetáculo singular que mescla cultura, tradição e dança em um dos períodos mais vibrantes do ano. Durante as semanas de celebração, os bailes de máscaras ganham destaque, trazendo à tona uma das tradições mais icônicas da região: o protagonismo das misteriosas touloulous.

As touloulous são mulheres mascaradas e completamente disfarçadas, vestindo trajes que cobrem todo o corpo, incluindo luvas e véus que escondem até mesmo as menores pistas sobre sua identidade. Essa figura é central no Carnaval da Guiana Francesa, representando o anonimato absoluto. Durante os bailes, é permitido apenas às touloulous convidarem seus parceiros para dançar, criando um espaço de empoderamento feminino e de inversão social temporária.

Os bailes acontecem em salões de dança embalados pelo som de orquestras que tocam ritmos tradicionais como a biguine, a mazurca e o piké djouk. Cada uma dessas danças possui passos e características únicas. No salão, os convidados aguardam, enquanto as touloulous escolhem seus parceiros. A regra é clara: o anonimato deve ser respeitado a todo custo.

A tradição do anonimato permite que as touloulous vivenciem uma liberdade rara em um contexto onde, geralmente, os papéis sociais são mais definidos. Durante o baile, elas podem convidar para dançar quem quiserem – colegas, conhecidos ou até mesmo seus empregadores – sem que ninguém saiba quem está por trás do disfarce.

Tololos

Embora as touloulous sejam as protagonistas, há também uma versão masculina da tradição. Nesse caso, os homens se disfarçam como tololos, assumindo um papel semelhante ao das mulheres mascaradas. Contudo, essa versão é menos comum e não possui a mesma relevância cultural que os bailes tradicionais das touloulous.

Pesquisador de plantas da floresta no Juruá cria laboratório de remédios naturais

Francisco criou a marca Alquimia da Floresta para comercializar os seus remédios naturais.Foto: Diego Silva/Secom AC

A preservação da floresta amazônica passa por atividades produtivas sustentáveis que possam gerar oportunidades e renda aos seus moradores. Um dos caminhos possíveis para gerar desenvolvimento econômico sem a destruição do meio ambiente é a exploração do potencial natural da grande diversidade de plantas da região para a fabricação de remédios e cosméticos.

Antônio Francisco dos Santos Puyanawa, de 68 anos, conhecido no Vale do Juruá como Francisquinho, tem dedicado a sua vida para conhecer o potencial medicinal da plantas da Amazônia. Montou um laboratório na sua casa em Rodrigues Alves, no Acre, e, mais recentemente, criou a marca ‘Alquimia da Floresta’ para comercializar os seus remédios, que são considerados naturais pela Anvisa.

Mas, junto com as suas filhas Júlia, que é biomédica, e Marbelita, bióloga, e também do seu filho André, que é engenheiro florestal, luta para alcançar mais um grau de regularização para que os seus produtos sejam considerados fitoterápicos.

Francisquinho morou em diversos lugares do Vale do Juruá. Nasceu no Seringal Nazaré, em Porto Walter, onde foi criado, e na juventude viveu na Aldeia Puyanawa, em Mâncio Lima. Posteriormente, se transferiu para o Meritzal, em Cruzeiro do Sul, até se estabelecer definitivamente em Rodrigues Alves.

“A minha pesquisa com as plantas começou quando eu era bem jovem. Morava em colocações na floresta e a maneira de curar as doenças que apareciam era por meio daquilo que a gente tinha disponível. Cascas de árvores, arbustos, raízes e uma infinidade de plantas. A gente fazia chá, garrafadas, xaropes e fui percebendo aquilo que dava resultado para a saúde humana”, relembra ele.

Apesar de atualmente as suas habilidades de alquimista serem reconhecidas por muita gente de outros estados e países que encomendam os xaropes, tinturas e garrafadas, ele prefere manter a humildade.

“Eu não falo em cura, mas em tratamento e se a cura vier é uma bênção. Ao longo da minha vida tomei gosto para trabalhar com as plantas. Fui testando misturas a partir do conhecimento tradicional. Fazia muitos testes e via os resultados. Quero ajudar as pessoas a encontrarem saídas para o sofrimento, porque muitas vezes elas não têm dinheiro para fazer um tratamento. Mas aqui comigo sempre foi assim, se tiver dinheiro leva, mas se não tiver leva também”, diz ele.

A criação da empresa Alquimia da Floresta é a maneira que Francisquinho encontrou com os seus filhos para poder ampliar os estudos das plantas medicinais e comercializar os produtos para outros lugares do Brasil e do exterior.

“É claro que para produzir esses remédios naturais eu preciso de recursos. Porque tenho que ir pra mata passar muito tempo para encontrar as plantas medicinais, fazer a limpeza e preparar o álcool de frutas e de folhas, que serve de base para os remédios”, conta.

Quando perguntado o quanto já investiu em alguns equipamentos para fazer extração das plantas e as misturas, ele responde que não tem a menor ideia.

“Todos os equipamentos foram comprados com recursos próprios, pouco a pouco, economizando daquilo que foi comercializado. A venda acontece para outros estados por meio de uma divulgação boca a boca. Muita gente vem procurar porque alguém fez o tratamento e deu resultado e assim divulgam para os outros”, lembra Francisquinho.

Foto: Diego Silva/Secom AC

Apoio institucional da Funtac para as pesquisas

A Alquimia da Floresta está se tornando conhecida como uma alternativa à pesquisa da biodiversidade amazônica para a fabricação de remédios. A partir dos conhecimentos tradicionais dos moradores mais antigos da floresta é possível identificar plantas que sejam benfazejas para a saúde humana.

“Temos tido o apoio da Fundação de Tecnologia do Acre, a Funtac, no sentido da articulação com outras entidades como o Sebrae, com quem conseguimos recursos para melhorar o laboratório. A Funtac já realizou várias visitas ao nosso laboratório para a orientação das metodologias de trabalho”, lembra ele.

Para Francisquinho, a preservação da floresta permite uma gama de possibilidades para o empreendedorismo sustentável.

“Esse é um serviço que estamos prestando à comunidade. A planta viva na floresta tem mais utilidade do que acabar com tudo e fazer pasto pra boi. Essa atividade sustentável é muito mais rentável e benéfica. Se alguém estudar uma área de floresta nativa para retirar plantas medicinais e para cosméticos terá muito mais lucro do que criando gado”, analisa.

Francisquinho tem uma área de terra de 15 hectares na Gleba 13 de Maio, em Rodrigues Alves, de onde tira grande parte da matéria-prima para os seus remédios.

“Todos desmataram e eu preservei para retirar as plantas. Só fiz o manejo de duas quadras para o manejo de outras plantas medicinais que não tinham na minha área. Então, eu criei uma sementeira que é uma verdadeira farmácia viva”, ressalta.

O objetivo de Francisquinho é trabalhar fazendo a sua parte para a regeneração da floresta. “Na verdade, estamos fazendo um Reflorestamento dessa área com plantas que estão em extinção na nossa região, como a copaíba, a cerejeira, o mogno, o molungu, o Sangue de Dragão, o jenipapo. Esse manejo produz sementes que garantem a existência dessas plantas no Acre”, destaca ele.

Entre tantos produtos da Alquimia da Floresta alguns se tornaram mais conhecidos. Entre eles o Tônico Regenerador, contra a anemia, e o anti-malárico, que segundo Francisquinho serve tanto para prevenir de contrair a malária quanto para expulsar a doença do organismo. Esse remédio é feito a base das plantas mangerioba, quina-quina, angico e raiz do açaí.

*Com informações da Agência Acre

Pesquisa avalia saúde dos peixes e qualidade da água no rio Javaés, no Tocantins

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Foto: Divulgação

Uma pesquisa em desenvolvimento no Rio Javaés, no Tocantins, busca avaliar as condições ambientais da região por meio da análise de peixes bioindicadores, como a espécie Pygocentrus nattereri (conhecida como piranha-vermelha). O estudo, coordenado pelo professor Alysson Soares da Rocha e financiado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), conta com um investimento de R$ 100 mil. 

Ao considerar as variações sazonais, o objetivo principal é associar a condição fisiológica dos peixes ao índice de qualidade da água e ao nível do reservatório. Além disso, os dados obtidos formarão um banco de informações sobre a saúde dos peixes e as condições ambientais do rio, permitindo a detecção de impactos específicos, como poluição orgânica, derramamento de óleo, alterações de pH, níveis de oxigênio dissolvido e presença de pesticidas. 

Indicadores biológicos como ferramenta de diagnóstico ambiental 

De acordo com o professor Alysson Soares, o uso de bioindicadores é essencial para identificar diferentes tipos de impactos ambientais. “Muitas espécies são sensíveis a certos poluentes, como pesticidas, enquanto outras são mais tolerantes. Isso nos permite criar índices personalizados para monitorar e combater problemas ambientais”, explica. 

Foto: Divulgação

A pesquisa avalia parâmetros hematológicos da Pygocentrus nattereri e a qualidade da água em diferentes pontos de coleta ao longo do Rio Javaés. O método permite identificar possíveis variações no ecossistema fluvial, correlacionando fatores ambientais às condições de saúde da fauna aquática. 

Rio Javaés 

O Rio Javaés é um dos principais corpos hídricos da região e desempenha um papel crucial no equilíbrio ecológico e no abastecimento de comunidades locais. A iniciativa busca também promover a conscientização sobre a preservação ambiental e a importância do monitoramento contínuo da qualidade da água para garantir a sustentabilidade do ecossistema e das populações que dependem do rio. 

*Com informações do Governo de Tocantins