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Um olhar através da história e da geografia: o espaço urbano de Manaus e Braga em Portugal

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Braga, em Portugal. Foto: Reprodução/Nacionalidade Portuguesa

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Se a arquitetura é o símbolo mais visível de uma sociedade, a fisionomia urbana de Manaus reflete bem o espírito da sociedade que nasceu aqui em 1669. Não se trata de uma fase ou de simples generalização sociológica, posso garantir. Na verdade, a nossa arquitetura mais antiga exprime uma atitude emocional e consequentemente estética de um período muito importante da forte presença de portugueses que imigraram para Manaus em busca da economia e exportação do látex.

Manaus que há muito despertou a admiração de tantos imigrantes estrangeiros, cuja primeira década de 1900 marcou uma época. É verdade, de uma aldeota dos indígenas Manaós, o antigo Lugar da Barra transformou-se em um dos mais importantes centros de atividade comercial do mundo tropical que, por meio de seu comércio nas últimas décadas do século XIX, fez-se presente na nossa economia com a exportação de pele de animais silvestres e principalmente o látex.

Manaus daquele período veio conhecer o gosto e a experiência de países europeus especialmente Portugal, onde nossa burguesia buscava inspirações. As viagens à Europa eram ocorrência de rotina por alguns exportadores de látex que viviam aqui. Era uma sociedade buscando o conhecimento firmando-se como força civilizadora, que hoje não é diferente de Portugal e continua a fascinar como bem destaca a cidade de Braga o professor português Miguel Sopas de Melo Bandeira.

Cidade de colinas suaves, a capital do Estado do Amazonas se desdobrava em visões múltiplas para o visitante que cruza avenidas de seu lúcido urbanismo. E não deixa de impressionar a obra antes do governo de Eduardo Ribeiro, vislumbrando-se cortes hidrográficos de vários igarapés que serpenteavam a cidade, tais como: do Salgado, do Espírito Santo, de Manaus, da Cachoeirinha, do São Raimundo e Educandos. Hoje lamentavelmente alguns desapareceram.

O professor Miguel Sopas de Melo Bandeira, assim destaca na sua obra ‘O espaço urbano de Braga em meados do século XVIII’:

O tipo de estruturas selecionadas procura, antes de tudo, refletir o plano urbano da cidade. Porém, a melhor compreensão de sua integridade e articulação exige perscrutar das dinâmicas humanas que o organizam”.

BANDEIRA, Miguel Sopas de Melo. O espaço urbano de Braga em meados do século XVIII. Edições Afrontamento. Porto, Portugal, 2000.

Os imigrantes portugueses tiveram ainda importante função da modelagem da sociedade da economia amazônica, tanto nas capitais como no interior. Naturalmente como classe política dominante e com o surgimento das atividades agrícolas e florestais extrativistas, tornaram-se agentes decisivos, suprindo essas atividades de liderança empresarial necessária, como produtores, mercadores, exportadores e comerciantes alcançando posição oligopolista, que se manteve do ápice da atividade socioeconômica baseada no látex até o advento de novas correntes e grupos culturais mais dinâmicos e inovadores.

Durante a fase áurea do látex, no fim do século XIX e a primeira década do século XX, milhares de imigrantes Lusos, atraídos pela fortuna conquistada por meio do trabalho, foram pioneiros na organização do sistema mercantilista de intercâmbio, cuja maior atuação era em Manaus e Belém. Transformaram essas cidades em entrepostos comerciais e, por algumas décadas, estabeleceram as linhas lógicas do suprimento rio acima de mercadores a base de crédito pessoal com os seringalistas recebendo em contrapartida, rio abaixo, mediante compra e venda dos gêneros e produtos extrativos destinados a exportação.

Avenida Eduardo Ribeiro, esquina da Avenida Sete de Setembro. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Na sua grande maioria os imigrantes portugueses proviam da região dos minifúndios do médio e do norte de Portugal.

Deixaram suas aldeias, freguesias, quintas ao longo do Rio Douro, Minho e Tejo: Vila Real, Povoa de Varzim, Viana do Castelo, Vila Nova de Gaia, Porto, Caldas da Rainha, Guarda, Albergaria – A – Velha, Alcabaça, Chaves, Soure, Viseu, Melgaço, Braga, Barcelos, Santarém, Alenquer, Bragança, Faro, Óbidos, Aveiro, Almada, Cintra, Oeiras, Setúbal, Arganil, Tabuaço, Matosinhos, Esparreja, Esposente, Coimbra, Pinheu, Mortusa, Armama, Amores, Leiria, Ovar, Vila Flor, Mirandela, Covinlhã, Conselhos de onde se originaria a maioria dos portugueses que imigraram para o Brasil e estabeleceram-se em Manaus e Belém.

BENCHIMOL, Samuel. Manaus – do – Amazonas: Memória empresarial 1994. Edição Governo do Estado do Amazonas/Universidade do Estado do Amazonas/Associação Comercial do Amazonas.

No Amazonas e Pará alguns desses nomes de cidades portuguesas se tornaram muito familiares em nossa região, pois foram adotadas por ocasião de fundação de vilas e cidades da Amazônia.

Os imigrantes portugueses na sua maioria eram jovens descendentes de famílias pobres, normalmente filhos de agricultores e proprietário de quintas e sítios, naturalmente de numerosa família patriarcal, com rígida educação doméstica e extremamente obediente à tradição, valores familiares e devotos de santa ou santo padroeiro da comunidade, em especial a Nossa Senhora de Fátima.

Portugal, no final do século passado, enfrentava uma crise econômica. As terras agrícolas dos minifúndios pertencentes a proprietários que possuíam famílias numerosas, sem terem como encaminhar seus filhos para a lavoura, uma vez que as parcelas de terra como a subdivisão da herança, tornaram-se tão pequenas que eram incapazes de sustentar uma família.

Uma das formas encontradas para sobreviver era buscar novos horizontes. O jeito encontrado fora imigrar para as colônias de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Diu, Damão, Macau, remanescentes do antigo Império.

No limiar de suas juventudes migravam para essas colônias e para o Brasil, Venezuela e Estados Unidos, em busca de trabalho e dias melhores.

As numerosas famílias que sobreviveram de uma agricultura quase de sobrevivência, cuidando das vinhas, das oliveiras, do azeite, da cortiça e de outros tantos produtos, incentivaram seus filhos a imigrar para o além-mar. Em muitas ocasiões eram trazidas por parentes próximos a até amigos da família que, no Brasil, haviam conseguido um pequeno comércio e procuraram pessoas de confiança para ajudar administrar os mesmos. Normalmente a fama desses estabelecimentos era: mercearias, padarias, talhos, bares, botequins, feira, quitandas, lojas e comércio em geral.

No decorrer do tempo, esses parentes e amigos se tornaram sócios e parceiros no empreendimento comercial em que trabalhavam. Ou até se desligavam para formar novas parceiras ou começar os próprios negócios. Dessa forma começava sua ascensão socioeconômica.

No caso da Amazônia, além desses estabelecimentos varejistas, os portugueses dominavam as casas aviadoras e o comércio do látex e gêneros regionais, propiciou-se a chegada de muitos imigrantes portugueses para aprender o ofício de caixeiros, balconistas, vendedores internos e externos, viajantes e propostos dos patrões como pessoas de confiança.

Imóvel em Braga (Portugal) adquirido por Miguel José Raio, que nasceu em 1814, e faleceu em 1875, tendo imortalizado seu nome no palacete. Foto: Reprodução/Acervo/Memorial José Raio

Com o distanciamento das famílias que ficavam em Portugal eles passavam anos sem notícias dos seus descendentes, quando conseguiam amealhar recursos visitavam suas famílias em Portugal.

Vale ressaltar que muitos imigrantes portugueses que imigraram para o Brasil e especialmente para Amazônia, com destaque para as cidades de Manaus e Belém alguns retornaram para Portugal fazendo fortuna na Amazônia e construíram grandes palacetes. Entre tantos destaco o imóvel adquirido por Miguel José Raio que nasceu em 1814 e faleceu em 1875 tendo imortalizado seu nome no palacete.

Nascido na cidade de Braga fez fortuna na cidade de Belém do Pará regressando a Portugal expandiu seus negócios fundando o Banco do Minho, junto a outros sócios. Com destacada influência na sociedade local deu grandes contribuições a várias instituições de assistência, cuja, generosidade permitiu com que as autoridades locais lhe dessem o título nobre em 1870 de Visconde São Lázaro.

São esses fatos que não devem ser esquecidos nem por nós da Amazônia e principalmente pelos portugueses estudiosos do assunto de além-mar. Destaco aqui o interesse nesta investigação do professor Miguel Sopas de Melo Bandeira.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

A dualidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial: o que é e como afeta a Amazônia?

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Encontro das águas do rio Amazonas com o oceano Atlântico na costa do Amapá. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Localizada no Norte do país, entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, está a chamada ‘Margem Equatorial’, região litorânea considerada a nova fronteira exploratória brasileira em águas profundas e ultraprofundas. Próxima à linha do Equador, esta região, segundo a Petrobras, possui “um potencial petrolífero relevante” por conta das “características do óleo e pela estimativa dos volumes existentes”.

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As descobertas de petróleo na costa das Guianas e Suriname nos últimos anos fazem com que a região se torne ainda mais atrativa, despertando interesse da indústria nacional, mas também da internacional, focada em petróleo e gás.

Pela Amazônia, além dos países já citados, no Brasil estão os estados do Amapá, Pará e Maranhão nesta conta.

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

A Margem Equatorial é dividida em cinco bacias sedimentares O foco da busca por petróleo atual é na Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Petrobras
A Margem Equatorial é dividida em cinco bacias sedimentares O foco da busca por petróleo atual é na Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Petrobras

Impasse: “lenga-lenga”?

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), em conjunto om outros representantes do Amapá, como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), defende a possibilidade de exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas.

No dia 3 de fevereiro, Alcolumbre se reuniu com o presidente Lula no Palácio do Planalto para discutir o assunto e solicitar apoio do governo na liberação. Eles defendem que a exploração do petróleo na área pode ser benéfica ao Amapá.

Alcolumbre destaca que o Amapá possui mais de 73% de seu território preservado e argumenta que a exploração de petróleo pode gerar importantes benefícios à economia local e nacional.

Desde 2020 a Petrobras tenta, sem sucesso, o aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para explorar a região. Em maio de 2023, o Instituto negou à Petrobras a licença para perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, citando preocupações ambientais.

Em outubro de 2024, o Ibama indeferiu o pedido da Petrobras. O instituto solicitou mais informações sobre os planos elaborados para esta atividade, levando-se em consideração a sensibilidade da região de recifes de corais amazônicos.

Saiba mais: GARS: cientistas estimam que apenas 5% dos recifes de corais da Amazônia já foram investigados

O presidente Lula criticou o Ibama, sugerindo que o órgão parece estar em oposição ao governo. Em uma entrevista no dia 12 de fevereiro para uma rádio no Amapá, afirmou querer que a exploração seja feita na região, mas também destacou: “antes de explorar, nós temos que pesquisar”.

A fase atual, como enfatizou, é a de autorização para realizar pesquisas na região, para saber se há petróleo e se tem possibilidade, a longo prazo, de produção, beneficiando o país energeticamente e economicamente. Se comprovada a viabilidade da exploração, aí sim será necessária uma licença ambiental voltada à isso.

“O que não dá é para a gente ficar nesse ‘lenga-lenga’. O Ibama é um órgão do governo, parecendo que é um órgão contra o governo. […] A Petrobras é uma empresa responsável, tem a maior experiência de exploração em águas profundas, vamos cumprir todos os ritos necessários para que não cause nenhum estrago na natureza”, prosseguiu Lula em sua declaração.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O impasse tem destaque por estar ganhando força justamente no ano em que Belém (PA) será a sede da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), prevista para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro.

O presidente informou que há previsão de uma reunião, entre a Casa Civil e o Ibama, nos próximos dias para analisar a situação.

Em visita ao Amapá em 13 de fevereiro, o presidente da república “reforçou o interesse do Governo Federal em permitir que a Petrobras realize pesquisas na região da chamada Margem Equatorial para avaliar as riquezas em petróleo potencialmente existentes na região”, informou em nota o Planalto.

De acordo com o Planalto, para o presidente, “é plenamente possível fazer a prospecção sem que isso implique em dano ambiental, e os combustíveis fósseis ainda terão importância para o país, inclusive para ajudar a financiar a transição energética”.

“Eu sonho que um dia a gente não precise de combustível fóssil, mas esse dia está longe ainda. A gente não vai fazer loucura. A Petrobras é a empresa que tem mais tecnologia no mundo de prospecção de petróleo em águas profundas. Ninguém pode proibir a gente de pesquisar para saber o tamanho da riqueza que a gente tem”, afirmou Lula durante a visita ao estado.

Leia também: Litoral do Amapá: como é a bacia da foz do Rio Amazonas, alvo de disputa entre Ibama e Petrobras

Ambientalistas e Marina Silva

Ambientalistas e organizações, como o Greenpeace, também tem se manifestado sobre o assunto, apontando os riscos de explorar a região em busca de petróleo. Por conta do sistema de recifes amazônicos ainda não possuir estudos aprofundados, trata-se de uma área delicada e que exige um trabalho rigoroso para sua proteção e conservação.

Em casos de acidentes com o óleo, por exemplo, ele poderia se espalhar rapidamente pelos manguezais e até mesmo em águas internacionais. Além de se levar em consideração as populações que vivem na área de abrangência da Margem Equatorial.

O Greenpeace informou que um estudo do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), com apoio do Greenpeace Brasil, mapeou as correntes marinhas da Bacia da Foz do Amazonas e apontam os riscos associados a essa atividade.

A organização inclusive lançou um abaixo-assinado, ‘Petróleo na Amazônia, não!’, pedindo que a região amazônica não se torne alvo desse tipo de exploração.

Além disso, as comunidades locais (indígenas, ribeirinhas, etc) já expressaram temer os impactos da exploração em seus modos de vida e de sobrevivência.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura no Senado, ressaltou que os estudos são de extrema importância para a proteção ambiental da região, mas reconheceu o potencial econômico da possibilidade de exploração:

A proposta da Petrobras

Com tudo isso, em dezembro do ano passado, a Petrobras apresentou um novo plano de emergências, que segue em análise pelo Ibama, ainda sem data para resposta.

Segundo a empresa, serão seis embarcações equipadas para contenção e recolhimento de óleo e três aeronaves para monitoramento e resgates.

Mapa da estrutura de resposta a emergências da Petrobras para a Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. Foto: Divulgação/Petrobras

No dia 29 de janeiro, representantes da empresa apresentaram ao governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), um plano para eventuais acidentes durante as pesquisas. O Centro de Despetrolização e Reabilitação de Fauna é uma das medidas, com base no município de Oiapoque.

A previsão é de serem perfurados 16 poços na Margem Equatorial até 2028, com um investimento de US$ 3,1 bilhões.

*Esta matéria segue em atualização conforme avançarem as negociações e resoluções sobre o assunto

“A nova geração vai herdar um mundo mais quente”: olimpíada desafia estudantes a restaurar a natureza

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Foto: Katarina Silva/Coletivo Miracema/WWF-Brasil

Estudantes do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º e 2º ano do ensino médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil já podem se inscrever na 3ª edição da Restaura Natureza, uma olimpíada que alia teoria e prática em ações climáticas para trazer de volta equilíbrio ao planeta.

O desafio promovido pela organização sem fins lucrativos WWF-Brasil, insere crianças e jovens no contexto dos debates que ocorrerão na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e na 6ª Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), a serem realizadas este ano em Belém (PA).

Leia também: Belém do Pará: a capital amazônica que receberá a COP30

“A nova geração vai herdar um mundo mais quente, com mais eventos extremos e por tanto é essencial fomentar o maior engajamento dos jovens com a agenda ambiental, especialmente no ano da COP 30 no Brasil”, diz Veronica Maioli, especialista de conservação do WWF-Brasil.

Com os fóruns de negociações globais acontecendo no país, a organização da Restaura Natureza espera um número crescente de inscrições, como já ocorreu nos anos anteriores.

Enquanto na primeira edição participaram 7.424 estudantes e professores, com a apresentação de 208 projetos, o segundo desafio teve 8.437, com 275 projetos.

Como participar?

Para se inscrever é necessário formar uma equipe que tenha a participação de um professor responsável e acessar a página restauranatureza.org.br  para preencher um cadastro. A inscrição é gratuita e poderá ser feita até o dia 5 de maio.

Depois dessa etapa, cada estudante já estará habilitado a participar da fase online, na qual responderá a quizzes sobre dez temas que reforçam a urgência da restauração da natureza, como escassez hídrica e segurança alimentar, por exemplo. Os pontos acumulados individualmente online somarão para a fase prática, que será executada em equipe. 

“As crianças e adolescentes irão desenvolver, acompanhados de um professor responsável, os seus projetos relacionados ao uso de tecnologia, plantio, incidência política, campanhas de engajamento ou qualquer ação que promova a restauração dos ecossistemas”, explica Verônica.

De acordo com a especialista, os projetos concorrerão nas categorias comissão julgadora e voto popular e os vencedores serão premiados com brindes e viagens para conhecerem projetos e ações que ampliem suas percepções sobre restauração. Verônica destaca ainda que a olimpíada é uma das ferramentas de educação ambiental capaz de gerar transformações para um futuro melhor e saudável para todos. 

“Ela permite uma maior participação, integração e discussão, estimulando um novo olhar sobre as emergências climáticas com inovação e com transformações sociais, incentivando novos comportamentos que nos permitam enfrentar, minimizar ou nos adaptar melhor com um novo futuro”, conclui.

*Com informações da Agência Brasil

Amazonas tem queda de 82% no desmatamento e 65% nos focos de calor, informa Ipaam

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Foto: José Narbaes/Ipaam

O número de desmatamentos no Amazonas registrou uma queda de 82,91%, entre 1º de janeiro e 10 de fevereiro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Durante os primeiros 41 dias deste ano, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) contabilizou 475 ocorrências, resultando em 11,95 km² de área destruída. No mesmo intervalo de 2024, o estado registrou 2.780 eventos, totalizando 52,98 quilômetros quadrados (km²) de vegetação derrubada.

Leia também: Desmatamento emitiu 1 bilhão de toneladas CO2 em 2023, aponta SEEG

Além disso, os focos de calor também apresentaram uma redução expressiva. Entre 1º de janeiro e 10 de fevereiro de 2025, foram registrados 67 focos de calor no Amazonas, o que representa uma queda de 65,54% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram identificados 194 focos de calor.

Os dados são fruto do monitoramento realizado pelo Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP), que utiliza tecnologias de imagens de satélite para detectar alterações na cobertura florestal. Com o uso de satélites de alta resolução, o Ipaam consegue identificar com precisão os desmatamentos ilegais, em tempo real, permitindo uma ação mais rápida e eficaz das equipes de fiscalização.

O diretor-presidente do Ipaam, o engenheiro ambiental Gustavo Picanço, fez uma análise técnica sobre os números, destacando a importância do uso de tecnologias no monitoramento e fiscalização. E explicou que o Ipaam é responsável pela fiscalização das áreas desmatadas, e o uso de imagens de satélite de alta resolução nos permite detectar alterações na cobertura florestal em tempo real, permitindo uma atuação mais rápida e precisa.

“Embora o combate ao fogo seja responsabilidade do Corpo de Bombeiros, nosso trabalho de monitoramento é essencial para fornecer dados atualizados que ajudam na tomada de decisões e na atuação das equipes. A integração entre nosso monitoramento e a atuação dos bombeiros torna o processo mais eficiente e garante uma resposta mais eficaz aos problemas ambientais”, explicou o gestor.

Foto: José Narbaes/Ipaam

A coordenadora do CMAAP, Priscila Carvalho, também destacou a redução significativa nos números de desmatamento e focos de calor, mas ressaltou que a fiscalização deve ser contínua, especialmente nos períodos de maior risco, quando a incidência de focos de calor tende a aumentar.

“Embora os índices mostrem uma queda significativa, o trabalho de monitoramento e fiscalização precisa ser constante. O aumento no número de alertas de desmatamento e focos de calor em algumas regiões exige que nossas equipes permaneçam atentas”, afirmou a coordenadora.

E acrescentou que o Ipaam não só monitora as áreas desmatadas, mas também acompanha os focos de calor, colaborando com os bombeiros na atuação e prevenção. A integração entre os órgãos ambientais e as autoridades competentes é fundamental para garantir a proteção da nossa floresta e a redução desses índices.

Mais dados

Em 2025, de 1º de janeiro a 10 de fevereiro, os dados de desmatamento do Ipaam indicam que, por quantidade de alertas de desmatamento, os municípios de Japurá, São Gabriel da Cachoeira e Novo Aripuanã (respectivamente, a 744, 852 e 227 quilômetros de Manaus) apresentaram os maiores números. Japurá lidera com 77 alertas, resultando em 43,04 km² de área desmatada, seguido por São Gabriel da Cachoeira com 59 alertas e 58,37 km², e Novo Aripuanã com 57 alertas e 50,02 km².

Quanto à área desmatada, os municípios de Humaitá, Boca do Acre e Apuí (respectivamente, a 590, 1.028 e 453 quilômetros de Manaus) mostraram os maiores impactos. Humaitá, por exemplo, registrou 35 alertas, resultando em 189,423 km² de área desmatada, seguido por Boca do Acre com 29 alertas e 137,960 km², e Apuí com 15 alertas e 132,375 km² de área perdida.

Em relação aos focos de calor, entre 1º de janeiro e 10 de fevereiro de 2025, os municípios com maior número de focos foram São Gabriel da Cachoeira (com 16 focos de calor), Guajará (com 8 focos) e Barcelos (com 6 focos). No mesmo período de 2024, os dados mostraram uma diferença significativa, com Barcelos registrando 38 focos de calor, São Gabriel da Cachoeira com 27 focos e Apuí com 20 focos.

 Foto: José Narbaes/Ipaam

De acordo com a coordenadora do CMAAP, é importante destacar que focos de calor não necessariamente indicam queimadas. Eles podem estar relacionados a áreas de vegetação seca ou queimadas controladas, mas também podem ser originados por outros fatores, como atividade humana ou fenômenos naturais.

“O monitoramento desses focos é essencial para a tomada de decisões rápidas, especialmente nos períodos críticos, como a seca, quando os riscos de incêndios aumentam”, disse.

Aplicação de multas

O gerente de Fiscalização Ambiental do Ipaam, Rodrigo Tacioli, destaca que as infrações de desmatamento, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008, implicam em multas mínimas de R$ 5 mil por hectare ou fração. Esse valor pode ser dobrado em casos de desmatamento consumado com o uso de fogo ou provocação de incêndio.

Além da aplicação de autos de infração, o órgão realiza o embargo administrativo das áreas desmatadas e das atividades nelas realizadas. Quando encontrados equipamentos ou apetrechos utilizados na prática ilegal do desmatamento, esses itens também são apreendidos.

Tacioli explica que a exploração ilegal de madeira e a derrubada de florestas nativas, registradas principalmente no início do ano, geralmente antecedem as queimadas, estando intimamente associadas a elas. Por isso, ele enfatiza que o combate às queimadas precisa passar, necessariamente, pela fiscalização do desmatamento ilegal e, ainda antes, pela repressão à exploração ilegal de madeira.

As queimadas também podem ser feitas em áreas agropastoris, visando à renovação de pastagens ou culturas agrícolas. Quando essa prática não é autorizada pelo órgão ambiental competente ou é realizada em desacordo com a autorização concedida, é passível de autuação, com multas de R$ 3 mil por hectare ou fração, conforme o Decreto Federal 6.514/2008, artigo 58, além de outras sanções administrativas cabíveis.

*Com informações da Agência Amazonas

Carnaval Amazônico 2025 conta com ampla programação cultural e socioambiental; confira

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Foto: Divulgação/FRAM

A Fundação Rede Amazônica (FRAM), em correalização com o Grupo Rede Amazônica e com o apoio do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Estado (SEC-AM), anuncia o Carnaval Amazônico 2025. O projeto tem como objetivo resgatar a tradição das bandas e blocos de Carnaval, além de fortalecer o Carnaboi, destacando a cultura regional e promovendo ações socioambientais e educativas.

“Com os ajustes na empresa e mais profissionais dedicados ao projeto, a edição deste ano será ainda mais grandiosa e efetiva. A cobertura será regional, com destaque para os estados com maior manifestação carnavalesca. Com o apoio da Globo, na TV aberta e nos meios digitais, a programação será mais sólida e atraente, envolvendo e movimentando ainda mais pessoas na região”, explica o CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior.

Confira as ações programadas para este ano:

Ações ambientais

  • Plantio de mudas em áreas pré-selecionadas, utilizando tecnologia de geolocalização para monitoramento e preservação das espécies. A iniciativa busca não apenas a recuperação ambiental, mas também a promoção da sustentabilidade econômica, gerando oportunidades de renda para as comunidades locais envolvidas no processo de cultivo e manutenção das árvores.
  • Compensação da emissão de carbono, por meio de ações estratégicas que minimizem os impactos ambientais das atividades realizadas durante o Carnaval Amazônico. Essa iniciativa reforça o compromisso do projeto com a responsabilidade ambiental, alinhando-se às melhores práticas de preservação e mitigação das mudanças climáticas.

Ações sociais

  • Campanhas de conscientização sobre saúde pública, com foco na prevenção ao HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A iniciativa inclui ações educativas na programação da Rede Amazônica e em suas plataformas digitais, incentivando práticas seguras entre os foliões.
  • Orientação sobre consumo responsável de bebidas alcoólicas e segurança no trânsito, promovendo a conscientização sobre os riscos da combinação de álcool e direção. A campanha contará com mensagens educativas nos meios de comunicação para sensibilizar os participantes sobre a importância de um Carnaval seguro e responsável.

Cobertura

  • Clipes musicais: Produção de oito clipes exclusivos, além de dois clipes especiais dedicados aos bois-bumbás, destacando a riqueza cultural do Carnaval de Manaus. Os vídeos serão exibidos ao longo da programação para valorizar os ritmos e artistas regionais, fortalecendo a identidade amazônica dentro do Carnaval.
  • Entradas ao vivo: Durante toda a programação, haverá transmissões diretas dos principais blocos e festas, trazendo a energia e a animação dos foliões em tempo real. Além da cobertura das ruas de Manaus, também serão exibidas imagens de eventos carnavalescos em cidades do interior, ampliando o alcance da festa.
  • Giro pelos blocos: Quatro edições especiais, nos dias 28/02, 01/03, 03/03 e 04/03, que apresentarão um panorama completo do Carnaval de Manaus e das festividades em diversas cidades do interior. A programação trará entrevistas, bastidores, curiosidades e momentos marcantes das celebrações.
  • Transmissão do Carnaboi: Um dos eventos mais tradicionais e aguardados do Carnaval da região Norte, o Carnaboi será transmitido ao vivo nos dias 07/03 e 08/03. A festa, que une a energia do Carnaval com as toadas dos bois-bumbás, será destaque na programação, logo após o Big Brother Brasil, reforçando a cultura popular e o regionalismo.

O Carnaval Amazônico 2025 reforça o compromisso da Fundação Rede Amazônica com a cultura, a sustentabilidade e a responsabilidade social, conectando o público com a essência do Carnaval da região Norte.

Orelhas? Chifres? Conheça a coruja-de-crista, ave que se destaca por característica peculiar

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Foto: Marcelo L. Quirino/Mirante do Gavião

A coruja-de-crista (Lophostrix cristata) é uma ave conhecida por possuir penas na cabeça que muitas pessoas associam à orelhas ou até mesmo chifres. Ela faz parte da família Strigidae, composta por 22 espécies de corujas que se diferem pelo tamanho, cor da plumagem e áreas de ocorrência. No Brasil, a espécie ocorre na região amazônica, mas também pode ser vista até o sul do México.

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A plumagem da coruja-de-crista é marrom, mas o que chama atenção mesmo é sua característica mais peculiar: o ‘V’ composto por penas brancas que se forma em sua face. O formato é o que leva muitas pessoas à pensarem se tratar de orelhas ou chifres.

Além disso, apresentam manchas brancas arredondadas nas asas e discretas estrias no ventre. De hábito noturno, é sorrateira e caça grandes insetos, como gafanhotos e baratas.

Leia também: “Som da morte”: Descubra a lenda por trás da coruja-rasga-mortalha

Tem o hábito de vocalizar a partir de poleiros abaixo do dossel ou à média altura na mata. Prefere áreas de mata com maior densidade de árvores maduras, plantas epífitas, emaranhados de cipó, troncos de árvores mortas e galhos caídos.

A coruja-de-crista pode pesar mais de meio quilo o macho e mais de 600g a fêmea, que são maiores que os machos.

Possui três subespécies:

  • Lophostrix cristata cristata (Daudin, 1800): Guianas, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador e na Amazônia brasileira;
  • Lophostrix cristata wedeli (Griscom, 1932): Panamá, Colômbia, Venezuela e Equador;
  • Lophostrix cristata stricklandi (P. L. Sclater & Salvin, 1859): do México ao Panamá.
Imagem: Reprodução/Bird Life

*Com informações do Bird Life, Aves de Rapina Brasil e Mirante do Gavião

STF divulga minuta de proposta que será debatida em conciliação sobre Marco Temporal

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Foto: Gustavo Moreno/Supremo Tribunal Federal

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou no dia 14 de fevereiro a minuta de proposta de alteração legislativa que será avaliada na próxima audiência de conciliação sobre a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) para demarcação de terras indígenas.

Leia também: Portal Amazônia responde: Entenda o que é o ‘marco temporal’ para terras indígenas

O texto não é final e servirá de base para a análise pelos integrantes da comissão especial. Todos poderão fazer modificações e aprimoramentos no texto ao longo dos debates. A audiência está marcada para o dia 17, às 9h, na sala de sessões da Segunda Turma do STF.

A minuta foi construída a partir das sete sugestões recebidas pelo gabinete do ministro por diferentes integrantes da comissão especial na última segunda-feira (10) e busca racionalizar os trabalhos de deliberação, compatibilizando as diferentes posições e preocupações externadas durante as reuniões promovidas nos últimos seis meses.

Leia a íntegra da minuta.

Organização dos trabalhos

A audiência de segunda-feira (17) será destinada à análise e debate da minuta. O principal objetivo será a busca de consenso entre os membros da comissão em torno de uma proposta.

A depender da evolução do debate, será realizada votação em relação aos pontos em que houver divergência entre os integrantes. Será observada a regra da maioria com o registro pormenorizado de cada posição adotada.

*Com informações do STF

Indígena isolado faz contato voluntário com ribeirinhos no Amazonas

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Foto: Reprodução

Um indígena em situação de isolamento entrou voluntariamente em contato com moradores da comunidade ribeirinha Bela Rosa, às margens do Rio Purus, no município de Lábrea, Amazonas. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que o encontro ocorreu no dia 12 de fevereiro.

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A identidade étnica do indígena ainda não foi determinada, mas a Funai confirmou que ele pertence à Terra Indígena (TI) Mamoriá Grande. Ele chegou à comunidade por volta das 19h, descalço e vestindo apenas um pano cobrindo a região genital.

Imagens mostram o indígena interagindo com um morador, enquanto outros ribeirinhos observam a cena. Em um dos registros, o morador apresenta um isqueiro ao visitante, que demonstra curiosidade e tenta aprender a usar o objeto.

Ambos os lados buscam estabelecer comunicação. O indígena se expressa em um dialeto desconhecido, enquanto os ribeirinhos tentam se comunicar em português e por meio de gestos.

Foto: Reprodução

De acordo com a Funai, o indígena permanece na comunidade. Para garantir sua assistência, um plano de contingência foi elaborado em conjunto com a Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Madeira Purus, a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI).

“A equipe já está acompanhando e monitorando in loco a situação, mantendo cuidados necessários em relação ao indígena isolado, aguardando a chegada das equipes médicas e de servidores da fundação que já estão se deslocando para a localidade, onde irão permanecer por tempo indeterminado”, diz a entidade.

Terra Indígena Mamoriá Grande

Conforme a Funai, em 11 de dezembro de 2024 foi publicada a portaria de restrição de uso referente à área da Terra Indígena Mamoriá Grande. A medida foi um importante passo para proteger os povos indígenas isolados da região, cuja presença foi oficialmente confirmada pela Funai em 2021.

Leia também: Após 4 anos, Funai restringe área a povos isolados no sul do Amazonas

A área também conta com 20% do território sobreposto com a Reserva Extrativista (Resex) Médio Purus, que permite que os moradores daquela região colete e faça o uso dos recursos naturais de forma responsável, sem exaurir os recursos ambientais.

A Fundação ainda destaca que a área enfrenta ameaças que tornam a sua interdição imprescindível. São elas:

  • Especulação fundiária;
  • Conflitos locais, sob a forma de ameaças provenientes de moradores da Resex Médio Purus contra indígenas e servidores da Funai;
  • Ausência de respaldo legal para fiscalização.

“(A interdição) impede a exploração de recursos naturais e restringe o acesso de terceiros à área. A medida visa salvaguardar a vida dos indígenas isolados, extremamente vulneráveis a pressões externas e impactos ambientais”, explica a Funai sobre do decreto da interdição da Terra Indígena.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Reserva Nacional Allpahuayo Mishana é fonte de água e mostra importância da preservação no Peru

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Foto: Divulgação/Agência Andina

A Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, localizada em Loreto, no Peru, abriga uma biodiversidade variada que a torna um destino importante quando se trata de conservação do meio ambiente.

Criada há 21 anos, a reserva além de contribuir para a preservação, tornou-se foco de importante atividade turística, dada a sua localização geográfica, a apenas 23 quilômetros da cidade de Iquitos.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Estrategicamente localizada na província de Maynas, em Loreto, numa área de 58.069 hectares, esta reserva caracteriza-se pela presença de bosques e a areia branca das encostas do rio Napo. Outra característica é a presença das florestas inundadas do rio Nanay, onde crescem espécies de plantas únicas.

Além da riqueza da flora e da fauna ali encontradas, esta reserva nacional também preserva as fontes de água para consumo humano que abastecem Iquitos.

Fauna diversificada

A reserva peruana reúne 498 espécies de aves, das quais 21 são exclusivas das florestas de areia branca, incluindo seis espécies novas para a ciência e nove endêmicas da ecorregião de Napo. 

Foto: Divulgação/Agência Andina

Entre as espécies únicas desta área está o Iquitos perlita, que – segundo estimativas – tem uma população inferior a 100 exemplares.

Também foi registrada a presença de 83 espécies de anfíbios, 120 espécies de répteis e 155 espécies de peixes.

Quanto aos mamíferos, foram registradas 145 espécies. Entre eles, destacam-se dois primatas endêmicos desta área: o macaco huapo equatorial e o toco preto. O roedor Scolomys melanops também é encontrado na região.

Recintos para visitantes

Foto: Divulgação/Agência Andina

O visitante pode ir ao Centro de Pesquisas Allpahuayo, localizado no quilômetro 26 da rodovia Iquitos – Nauta.

Neste local, anexo ao Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana, podem ser encontradas plantas medicinais e árvores frutíferas nativas no âmbito de um circuito turístico.

Um pouco mais adiante, no quilômetro 28 da referida estrada, fica o posto de vigilância El Irapay, onde começa uma trilha em direção à comunidade de Mishana.

A riqueza e os atrativos da Reserva Nacional Allpahuayo Mishana levaram esta zona do Peru a ser incluída na lista dos 100 melhores destinos da organização Destinos Verdes, que destaca localidades com qualidades ligadas ao desenvolvimento sustentável, tanto nas suas atividades econômicas como na o futuro de suas comunidades.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Entre as atividades que consolidam esse perfil está o manejo dos ovos das tartarugas que vivem às margens dos rios. Neste trabalho de preservação desta espécie, as autoridades atuam em conjunto com as comunidades locais.

Seguindo também os parâmetros do desenvolvimento sustentável, em Allpahuayo Mishana é colhido o fruto da palmeira aguaje (buriti), evitando a depredação desta árvore e de seus galhos, para que continue seu crescimento. Essa fruta também é utilizada pelas comunidades amazônicas para sustentar as famílias, tanto na venda como alimento quanto para uso no artesanato.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Nesse sentido, esta Reserva Nacional é palco todos os anos do Concurso de Escalada Aguaje, que reúne representantes das comunidades da região, que devem subir ao topo das palmeiras onde cresce esta fruta. Em novembro de 2024 este concurso teve a sua segunda edição.

*Com informações da Agência Andina

Lenda da Gruta de Kamukuwaká: o guerreiro, os pássaros e a luta contra inimigos atuais

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Foto: Piratá Waurá

Na cosmogonia da etnia Wauja, em Mato Grosso, a lenda de Kamukuwaká conta que ele teve a casa transformada em pedra por Kamo (o Sol), pois este invejava sua força e beleza. Essa lenda reforça a importância cultural e histórica de povos indígenas que já viram parte de seus registros serem destruídos.

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Isso porque a gruta de Kamukuwaká existe e abriga rituais e a história dos povos que vivem no Alto Xingu por meio de gravuras rupestres milenares. Trata-se de um local considerado sagrado por 11 etnias indígenas – tombado como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2010 -, localizado no município de Paranatinga, que está, ironicamente, fora do Território Indígena do Xingu.

A gruta fica dentro de uma área particular, o que dificulta o acesso e conservação pelos povos indígenas. Em 2018 parte das pinturas rupestres na gruta foram alvo de depredação em função da falta de demarcação apropriada no local, prejudicando a preservação histórica dos Wauja.

Gruta guarda parte da história do povo indígena. Foto: Gabriele Viega Garcia

A lenda

A gruta é considerada a morada atemporal do guerreiro Kamukuwaká. Ele é o líder ancestral que deixou como herança aos povos do Alto do Xingu o ritual da furação de orelha, que inicia jovens lideranças nas comunidades.

Em um especial para o Nonada Jornalismo, Erika Artmann esmiuçou a lenda durante conversas com o fotógrafo e professor da aldeia, Piratá Waurá:

Kamukuaká: história que acompanha o curso do rio

“Na história de Kamukuaká, a gruta servia como casa na aldeia antiga de Tupapuihu, que significa Lugar da Pedra. A beleza do líder e as músicas do povo despertaram a inveja de Kamo, Sol, que vivia do lado direito do rio. O povo dos pássaros havia descido do céu, onde estava a aldeia deles, para a terra. Kamukuaká, ao encontrá-los, perguntou o que estavam fazendo ali. As aves explicaram que iriam furar a orelha de um dos seus jovens, quando o líder do povo que habitava Tupapuihu se interessou e pediu para que também furassem a sua orelha. Os pássaros foram embora e disseram que voltariam.

Tempos depois, todos vieram para o ritual: Kamukuaká, seu povo, os pássaros e Kamo. O líder decidiu que usaria a própria flecha para fazer o furo. Foi quando Kamo pegou o objeto e fingiu que furaria a orelha de Kamukuaká mas, no meio da festa, mirou na cabeça porque queria mesmo era matá-lo. Quando percebeu, Kamukuaká se virou e o objeto furou uma orelha. Depois Kamo lançou uma segunda flecha que acertou a outra orelha. Depois, as flechas continuaram sendo atiradas até que furaram, uma por uma, as orelhas dos jovens do povo de Kamukuaká. Kamo não conseguiu matar ninguém. A história conta o início do ritual de furação de orelha, que ocorre até hoje entre os Wauja.

Na aldeia Topepeweke, uma das nove do povo Wauja – onde atualmente mora Piratá Waurá -, a última vez que o ritual aconteceu foi em 2009. Naquele ano, uma pessoa foi escolhida para ser treinada como líder na aldeia. “Então, [o ritual] acontece quando o cacique escolhe seu novo sucessor, que poderá substituir futuramente”. A escolha se dá entre os jovens com idade de 10 a 17 anos.

Mas em Tupapuihu, no tempo de Kamukuaká, após o ritual de Furação de Orelha, os jovens foram aprisionados na gruta-casa, de onde eram controlados e vigiados por Kamo. Por mais que tentassem sair, as paredes rígidas da rocha impediam. Kamo enviou algumas aves com dentes para o lugar e mandou que os matassem, mas Kamukuaká e seus parentes deram comida e fizeram amizade com os animais, que de seus inimigos passaram a ser amigos e estar do lado do povo.

Kamo estava insatisfeito. Não conseguiu matar Kamukuaká nem com as flechas na furação de orelha, nem com as aves comedoras de gente. Por isso, mandou uma cobra gigante à gruta para comer os jovens que estavam lá em reclusão. Quando o animal chegou, os homens usaram a mesma estratégia que tiveram com os pássaros: mantê-la alimentada para que não os comessem. O professor Piratá Waurá conta que, quando acabou todo o alimento dentro da gruta, eles precisaram entregar uma pessoa: “Seguraram o homem e jogaram na boca da cobra grande, que ficou satisfeita e voltou a dormir”. Precisavam encontrar um jeito de sair dali.

Decidiram, então, mandar as aves de dentes afiados comerem as paredes de pedra. Deste modo, teriam uma passagem para fugir da gruta. “ Os animais vão comendo, quebrando os dentes, até que os parentes dos periquitos, mas aqueles de dentes afiados, conseguem furar três saídas para o céu”. Assim que isso acontece, uma liderança do povo de Kamukuaká lança sua flecha. As demais pessoas que estavam na reclusão repetem o movimento, que logo dá origem a uma corda. Assim o povo de Kamukuaká conseguiu fugir à noite, enquanto Kamo e a cobra ainda dormiam.

Quando eles estavam no meio da fuga, Kamo acordou e mandou que a cobra gigante subisse atrás deles. Mas uma das irmãs de Kamukuaká, que havia ficado escondida na gruta e guardava uma ferramenta de corte consigo, conseguiu impedir que a cobra fosse atrás deles. Com o objeto, ela corta a cobra do rabo à cabeça.

Enquanto isso, as pessoas que subiram para o céu precisaram escolher para onde ir porque lá havia a aldeia dos pássaros, mas também as de outros seres. Ao escolherem o caminho e chegarem à primeira comunidade, descobriram que erraram o trajeto e estavam na aldeia das onças, um território perigoso. Ainda assim, por estarem com fome, decidiram que um deles deveria verificar o que tinha na oca e porque o lugar estava tão silencioso. Perceberam que quase todas as onças tinham saído para caçar mas, quando um deles entrou em uma das casas, ouviu-se um rugido. A única onça que não foi à caçada estava ali dentro. Nisso, todas as onças voltaram para o céu e atacaram o povo de Kamukuaká.

Quando já não restava quase ninguém, Kamukuaká lutou com as onças e abriu espaço para fugirem novamente. Ao saírem, finalmente encontraram a aldeia dos pássaros e conseguiram a ajuda necessária para voltar para a terra. As aves trouxeram o povo de Kamukuaká de volta para casa. Piratá conta que “foram descendo aqui no rio Tamitatoala, o rio Batovi. E por isso todo o rio, cada lugar, tem uma história referente às histórias de Kamukuaká”.

Em 2020, o antropólogo Walter Coutinho escreveu um relatório sobre a gruta a pedido do Ministério Público do Mato Grosso. Ali, Coutinho explica que a história contada pelos Wauja sobre Kamukuwaká está inscrita na paisagem do rio Batovi. “Diversos pontos ou formações dessa paisagem são interpretados pelos Wauja como uma expressão tangível da narrativa mitológica. Além das formações geográficas diretamente relacionadas ao mito, eles também reconhecem outras áreas de significado cultural, mormente relacionadas a atividades econômicas desenvolvidas pelos indígenas que ali habitaram no passado”.”

Leia a publicação completa AQUI.

Ações para preservação

Os desenhos rupestres vandalizados em 2018 eram utilizados para ensinar às crianças justamente sobre as suas origens e cultura. Para os Wauja, alguns dos grafismos também representam a fecundidade feminina, pois acreditam que as mulheres têm o poder de aumentar a fertilidade de tudo o que é vivo.

Os símbolos desenhados na gruta também inspiram as decorações das cerâmicas e cestaria, as pinturas corporais e também as músicas que embalam os rituais de apaziguamento dos espíritos da natureza.

Em 2020, um vídeo feito para o ‘Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade’, do Iphan, apresenta a ação ‘Registro e Conservação da Paisagem Cultural de Kamukuwaká’, explicada por Piratá Waurá:

A ação foi vencedora na categoria ‘Patrimônio Material’, segmento ‘Cooperativas, associações formalizadas ou redes e coletivos não formalizados’.

Mas a luta pela preservação do local segue. Um pedido de revisão e ampliação da demarcação da terra indígena, para abranger a gruta de Kamukuaká foi solicitado e, até 2024, ainda não havia sido validado.

*Com informações do Instituto Homem Brasileiro, PIB/ISA, Iphan e Nonada Jornalismo