Projeto ‘Ópera em Rede’. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).
A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.
A quadra poliesportiva da escola foi transformada para receber a programação, enquanto na área externa, os estudantes puderam conhecer figurinos utilizados no Festival Amazonas de Ópera (FAO) e aproveitar espaços interativos e “instagramáveis”. Veja como foi:
O Núcleo Avançado de Empreendedorismo e Tecnologia do Acre (NaveTech-AC), da Universidade Federal do Acre (Ufac), lançou o projeto de dominó em braille com figuras geométricas no Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Acre, em Rio Branco, com a realização do primeiro campeonato desse jogo.
A iniciativa foi desenvolvida em um módulo do projeto IOT (Internet das Coisas), ministrado pelo professor Rodrigo S. Sousa, do Instituto Federal do Acre (Ifac) e realizado no NaveTech-AC, coordenado pela professora Catarina Costa e pelo analista de tecnologia da informação Jair Figueirêdo.
A equipe que desenvolveu o jogo foi composta por Ana Maria B. Souza, José N.C. Neto, Luis Pedro M. Plese, Samuel C. Dias, Sérgio Brazil Júnior e Sthefany S. Ferreira.
O dominó em braille é uma adaptação do dominó padrão, consistindo em 24 peças produzidas em impressora 3D, com acrilonitrila butadieno estireno (ABS, na sigla em inglês).
As peças pesam cerca de 13 gramas e, no lugar dos pontinhos pretos cavados, que representam os números de 1 a 6, estão os símbolos em braille, os quais estão dispostos na horizontal, acompanhados de uma figura geométrica com o número de lados correspondente ao numeral representado. Em cada peça existe uma cavidade para indicar a posição de leitura dos símbolos.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
Parecia um gol de final de copa do mundo, só que muito mais forte, pois não havia um dos lados para chorar. Choros havia muitos, mas de emoções incontroláveis. Era como se no último minuto do jogo, os dois times fizessem um gol e os dois lados vencessem. “É penta! É penta! É penta!”, gritou Galvão Bueno, pulando abraçado com Pelé, em uma cena que ficou marcada na história do futebol brasileiro. Agora não era o futebol e nem o Brasil. Era algo bem maior, divino, talvez. E não se limitava a um país. O alcance era os quatro cantos do mundo.
Quando a fumaça branca aparece, pessoas já olhavam fixamente para a chaminé, numa expectativa de que poderia ocorrer a qualquer momento. A fumaça trouxe a explosão. Gente de todos os lados correm a pé, de bicicleta, se arrastando, gritando ou sussurrando consigo mesmo, falando línguas inelegíveis entre si, mas que todos entendiam o sentido. Repórteres de todo o mundo, falando sem parar, também eles emocionados, com suas câmeras e microfones. Homens, mulheres, trans, pessoas brancas, negras, amarelas, pobres, ricas, de direita, de esquerda, de centro, com rótulos e sem rótulos. É um momento histórico e todos sabem disso. Mas é mais do que algo sabido, é sentido. A energia que percorre a praça e invade as telas do mundo é contagiante. Em vários países, igrejas batem os sinos. Breaking news. Habemus Papam! Nasceu um papa.
Robert era um homem comum. Não tão comum, porque era padre e se tornou cardeal. Mas os padres não são pessoas comuns, de carne e osso? Não possuem suas virtudes e defeitos? Não lidam com as suas tentações? Não convivem com os seus anjos e demônios? Robert era um homem comum quando entrou no conclave. De lá, saiu Leão XIV. Pela crença dos católicos, o Espírito Santo o fez Papa. Ou teria o Espírito Santo assentado no corpo de Robert? Quem dirigirá a igreja católica e os seus mais de um bilhão e quatrocentos milhões de fiéis no planeta Terra? Acredita-se que não será Robert, um homem comum, mas Leão XIV, o Papa.
Um repórter perguntou uma vez a Pelé se não era um tipo de arrogância se referir a si mesmo na terceira pessoa. A resposta foi de que, ao contrário, arrogância seria se ele se confundisse com o Pelé. Ele era apenas o Edson. O gênio, o rei do futebol era o Pelé. Quem entrava em campo e fazia os gols e as jogadas incomparáveis era o Pelé. Edson tinha a consciência de que era um homem comum, mas sabia da grandiosidade de Pelé, que utilizava seu corpo, especialmente suas pernas.
É o mesmo o que acontece com os artistas quando pintam. Com os escritores quando escrevem. Com os músicos quando compõem. Com as mães quando se tornam mães. Com os pais também, nem sempre quando os filhos nascem, mas quando se tornam pais de verdade. Um presidente de um país ou de uma empresa ocupa uma posição que não é ele. O cargo é temporário. Por mais óbvio que pareça, quantos não misturam sua pessoa com a posição que ocupam?
Acredito que, para cumprir algumas destas missões precisamos, muitas vezes, de mais recursos do que possuímos. É como se fizéssemos uso, temporariamente, de forças e inspirações extras, um poder que vai além de nós mesmos, nos fazendo instrumentos de algo maior. Os japoneses usam a expressão Jishoi (Ji-tempo, Sho-lugar e I-posição) para definir a dualidade entre o que somos e a posição que ocupamos, em um lugar em um determinado tempo.
Pode ser que no caso de um Papa, esta energia maior, seja o que os católicos chamam de Espírito Santo. Podemos chamar de Força Cósmica, Inteligência Superior, Energia Divina, ou simplesmente de Universo. Alguns dirão que é o próprio Supremo Deus atuando. Outros rejeitarão completamente a ideia, atribuindo tudo ao acaso e afirmando que Robert Francis Prevost e Leão XIV são a mesma pessoa.
E você, acredita na diferenciação entre a pessoa e o cargo que ocupa? No seu caso, em que momentos você se sente instrumento de algo além de você mesmo? Ficarei feliz em saber o que você pensa a respeito.
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
Foto: Reprodução/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
O charmoso sobrado de azulejos azuis chama atenção de quem passa pela rua Frei José dos Inocentes, no centro histórico de Manaus (AM). Trata-se do Teatro da Instalação, administrado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, desde 2001.
O local é um dos prédios emblemáticos da Belle Époque e passou a ser um espaço de difusão cultural a partir do dia 6 de maio de 2001, quando recebeu a ‘Ópera dos Três Vinténs’, de Kurt Weill e Bertholt Brecht, no Festival Amazonas de Ópera (FAO). Antes, o prédio abrigava a antiga loja Casa Havaneza.
A loja, que tratava inicialmente de uma tabacaria em 1888, era de propriedade dos comerciantes J. Vaz da Costa e Soares. O nome foi uma referência à capital cubana, Havana. Porém, a loja expandiu seguindo a demanda e passou a comercializar roupas e outros itens. Além disso, o casarão já foi drogaria e abrigou a sede do Instituto Superior de Estudos da Amazônia (ISEA).
Atualmente, o espaço que foi transformado em ambiente cultural em 2001, contempla 214 lugares e recebe espetáculos de teatro e de dança, concertos, shows, ensaios cênicos de dança e cinema. Também foi adaptado para ser acessível para deficientes físicos.
Amazonas Band e o maestro Rui Carvalho. Foto: Heloisa Gomes
O Teatro da Instalação é também a base de dois corpos artísticos estatais: Amazonas Band e do Corpo de Dança do Amazonas (CDA). Os ensaios acontecem de segunda à quarta-feira, das 9h às 15h, com o CDA e, das 19h às 22h, com a Amazonas Band.
O Teatro da Instalação está localizado na Rua Frei José dos Inocentes, s/nº, no Centro de Manaus. Para mais informações: dcculturais@cultura.am.gov.br ou (92) 3090-6802
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) do Maranhão publicou no dia 7 de maio, no Diário Oficial, a ‘Lista Oficial de Espécies da Fauna de Vertebrados Ameaçadas de Extinção do Maranhão‘.
A lista apresenta 184 espécies classificadas nas categorias Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), conforme anexo da Resolução Consema nº 82, de 5/05/2025, disponibilizado no site da Sema (veja no fim da matéria).
“É um marco histórico para nosso estado, é a primeira vez que o Maranhão publica a lista, um instrumento essencial para proteção da fauna e para orientar o planejamento de ações de conservação da biodiversidade e de gestão das unidades de conservação, mais uma conquista do Governador Carlos Brandão”, ressaltou o secretário do Meio Ambiente, Pedro Chagas.
A Lista foi elaborada no processo de avaliação participativo que envolveu 93 pesquisadores e 40 instituições de pesquisa. Aparecem na lista espécies como:
Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla),
Gato-do-mato pequeno (Leopardus tigrinus),
Onça-pintada (Panthera onca),
Tubarão lixa (Ginglymostoma cirratum),
Boto cinza (Sotalia guianensis),
Gavião real (Harpia harpyja),
Ararajuba (Guaruba guarouba),
Maçarico rasteirinho (Calidris pusilla),
e Tartaruga cabeçuda (Caretta caretta).
Com essa relação, as espécies classificadas ficam protegidas de modo integral, incluindo a proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda manejo, beneficiamento e comercialização, podendo apenas servir para fins de pesquisa ou para conservação da espécie mediante autorização da Sema.
Para a Superintendente de Biodiversidade e Áreas Protegidas da Sema, Laís Morais Rêgo, a lista de espécies ameaçadas de extinção é um instrumento de gestão de fundamental importância para a Biodiversidade.
“Ela serve como um indutor de outras políticas públicas como educação ambiental, áreas protegidas, licenciamento e monitoramento ambiental, na priorização de ações e de áreas para a conservação da biodiversidade”, destacou.
A lista poderá ser atualizada a partir de dados de monitoramento ou aporte de conhecimento científico sobre o estado de conservação da espécie, seguindo a metodologia utilizada.
O projeto faz parte do Plano de Ação Territorial de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Meio Norte (PAT Meio Norte), no âmbito do Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção.
A elaboração da lista segue as diretrizes da Lei Complementar nº 140/2011, que determina a cooperação entre União, estados, DF e municípios na proteção do meio ambiente e preservação das florestas, da fauna e da flora, da Portaria MMA Nº 162/2016, que estabelece os procedimentos e publicação das Listas Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção, e da Instrução Normativa GABIN/ICMBio Nº 9/2020, que disciplina as diretrizes e procedimentos para a avaliação do risco de extinção das espécies da fauna brasileira, a utilização do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE, a política de dados e a publicação dos resultados.
Inserida há 12 anos na Política nacional de Atenção Primária do Ministério da Saúde, a estratégia de assistência à saúde por meio de Unidade Básica de Saúde Fluvial e suas equipes fluviais e ribeirinhas só existe no Brasil. Baseado nisso, o estudo de Mestrado em Condições de Vida e Situações de Saúde, desenvolvida pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia, realizou uma análise científica sobre os custos financeiros para o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) na Amazônia, fornecendo subsídios para uma avaliação aprofundada acerca da estratégia visando o fortalecimento da política.
A pesquisa, intitulada ‘Custos da Atenção Primária à Saúde em um Contexto Ribeirinho e Rural da Amazônia Brasileira’, foi realizada entre os meses de junho de 2018 e março de 2019, segundo descreve o autor, o administrador e contabilista Cláudio Pontes.
O estudo tomou como referência os custos de uma UBSF em funcionamento no município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus. A dissertação foi publicada na coleção britânica Intechopen, de livros internacionais sobre economia da saúde em conteúdos específicos.
Na apresentação, o autor descreve a UBSF como uma estratégia inovadora para levar cuidados de saúde a populações ribeirinhas isoladas na Amazônia. Durante o período analisado, foram realizadas nove viagens, atendendo dez áreas e 30 comunidades, com um custo total de R$ 761.705,87 (US$ 190.426,47). Os principais custos foram com recursos humanos (64,62%), insumos de saúde (17,72%) e combustível (12,11%).
Os recursos estimados apresentam uma realidade de viagens nos períodos de cheia, onde o acesso fluvial até as comunidades é facilitado e expressa que nessa época do ano os repasses federal e municipal somados são considerados suficientes para as viagens das equipes da estratégia saúde da família, embora não se tenha feito estimativas no período da seca onde os leitos dos rios estão mais secos e os custos das expedições aumentam sobremaneira.
O autor recomenda que novas pesquisas sobre custo-efetividade e eficiência do serviço possam ser realizadas para aprimorar o modelo. Como fatores limitantes, ele aponta a falta de controle informatizado e a ausência de comparações com outras UBSFs.
A pesquisa aponta também os desafios enfrentados pelas populações ribeirinhas, entre os quais acesso limitado a serviços de saúde, sendo a principal dificuldade a distância e o tempo necessário para se chegar aos serviços de saúde, levando em média 4,2 horas para alcançar áreas urbanas.
Condições geográficas e climáticas, sobretudo relacionadas à sazonalidade dos rios e às condições climáticas que dificultam o transporte, a logística e o acesso às comunidades; altas taxas de doenças, com prevalência de hipertensão (26% da população adulta) e outras condições de saúde devido à falta de acesso regular a cuidados médicos; desigualdade histórica, uma vez que antes da criação das UBSFs, não havia um modelo institucionalizado de atendimento adequado para essas comunidades, e custos elevados de atendimento para levar serviços de saúde (transporte, combustível e manutenção de equipes).
Claudio Pontes explica que esses desafios reforçam a necessidade de estratégias específicas, como as UBSFs, atendendo as demandas únicas dessas populações e reduzindo desigualdades. Além de recursos humanos, insumos de saúde e combustível, outros custos associados às UBSF apontados pelo estudo são alimentação (4,02%), materiais de escritório e TI (0,82%), Manutenção (0,34%), materiais de higiene e limpeza (0,24%) e gás de cozinha (0,13%).
O trabalho teve como orientador o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias de Sousa Lima. Para Tobias, a principal colaboração do estudo é o fato de ter dado uma contribuição científica inédita no campo da saúde coletiva, do ponto de vista dos custos da Atenção Primária à Saúde, que pode vir a se tornar referência para o Brasil e outros países.
“Com sua formação nas ciências gerenciais, Cláudio Pontes oferece uma contribuição estratégica ao estimar os custos das UBS Fluviais na Amazônia. Sua obra se torna referência indispensável para o planejamento e financiamento da saúde fluvial, além de fomentar e fortalecer uma linha de pesquisa no campo da gestão, do planejamento e das políticas de saúde voltadas à realidade amazônica”, comenta Tobias.
Claudio Pontes e Rodrigo Tobias destacam a importância da pesquisa como referencial de consulta sobre saúde fluvial, uma vez que realizam atualmente uma pesquisa com a finalidade de promover diagnóstico situacional das 54 UBSFs, de um total de 96 cadastradas pelo Ministério da Saúde na Amazônia.
UBS Fluvial. Foto: Mais Médicos
“Esse indicador é essencial para se compreender as condições de financiamento dessa estratégia de Atenção Primária em Saúde em regiões fluviais e ribeirinhas – bem como identificar oportunidades e desafios, incluindo aspectos como a sazonalidade dos rios, navegabilidade e a fixação dos profissionais de saúde, levando-se em conta sempre a garantia ao direito universal à saúde em contextos tão desafiadores”, explica Tobias. A partir do diagnóstico, o MS poderá subsidiar ações da PNAB como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam na região amazônica.
A pesquisa
A dissertação de Mestrado é do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde (PPGVIDA), desenvolvida pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA). A pesquisa foi realizada entre os meses de junho de 2018 e março de 2019 pelo administrador e contabilista Cláudio Pontes.
Rondônia tem se destacado no combate ao desmatamento ao antecipar as ações preventivas do governo do estado. As operações Hileia, coordenadas pela Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), e Operação Verde Rondônia do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO), atuam nas áreas mais críticas com três meses de antecedência ao período crítico de incêndios florestais. Esse período ocorre geralmente entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, devido ao regime de chuvas no bioma.
De acordo com a Coordenadoria de Geociências (Cogeo) da Sedam, os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), através do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) – que emite alertas para suporte à fiscalização – o estado apresentou reduções expressivas de desmatamento no período entre agosto de 2024 e março de 2025, em comparação com os anos anteriores.
Segundo o coordenador da Cogeo, Joselânio Ferreira, Rondônia demonstrou uma tendência de queda no desmatamento, com reduções de 69,5% entre agosto de 2023 e março de 2024, e de 43,3% entre agosto de 2024 e março de 2025. Justificou ainda, que, essa janela de análise corresponde ao ‘Ano Prodes’, ano-calendário do desmatamento, que vai de 1º de agosto do ano anterior a 31 de julho do seguinte ano – Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite -, metodologia amplamente divulgada pelo Inpe. Diferente do calendário civil, permitindo considerar integralmente as variações sazonais no desempenho ambiental.
Nos oito primeiros meses do ano Prodes, o estado de Rondônia liderou na redução na taxa do desmatamento na Amazônia Legal com 43,3%, foi seguido pelo estado do Tocantins com 36,8%. Em primeiro, o estado do Amapá que teve redução de 61,4%. Os únicos estados que tiveram incremento nas taxas para o período foram Acre com 83% e Mato Grosso com 6%.
O coordenador observou que, ao contrário da simples quantificação em hectares — que evidencia apenas o volume do desmatamento — a análise da taxa de redução oferece um critério comparativo mais justo e sensível às particularidades de cada estado.
Esse indicador considera, tanto a extensão territorial quanto as especificidades ambientais e socioeconômicas locais, refletindo com maior precisão a eficácia das políticas de monitoramento, fiscalização e prevenção adotadas. Em outras palavras, enquanto os valores absolutos indicam “quanto” foi suprimido, a taxa percentual revela “quão bem” cada unidade federativa vem conseguindo conter o desmatamento em seu próprio contexto.
O Cardeal da Amazônia e arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, que participou do conclave, exaltou a escolha de Leão XIV como novo papa. O religioso, que chegou a ser apontado como um dos favoritos ao papado, afirmou que a eleição do cardeal Robert Francis Prevost representa uma igreja missionária e conectada com o mundo. A declaração foi feita nesta sexta-feira (9), um dia após o término do processo de escolha do novo líder da Igreja Católica.
Prevost foi eleito papa na quinta-feira (8), com ao menos 89 dos 133 votos — número que representa dois terços dos cardeais eleitores. Ele sucede o papa Francisco, que liderou a Igreja Católica desde 2013 e faleceu em abril, e agora assume a Cátedra de São Pedro.
Em vídeo enviado à Rede Amazônica, Dom Leonardo destacou que espera que a igreja no Amazonas esteja em sintonia com o pontificado de Leão XIV e pediu orações dos fiéis pela vida do novo líder da Igreja Católica.
“Temos um novo papa. Nos vai ajudar agora na caminhada da igreja. Com saudades do papa Francisco, agora vamos nos deixar guiar pelo papa Leão XIV: um homem simples, um homem de muita escuta, um missionário. Nós todos queremos que a Arquidiocese de Manaus e do Amazonas acompanhe o papa Leão com nossas orações”, afirmou o cardeal.
Segundo a Arquidiocese de Manaus, Dom Leonardo deve retornar à capital amazonense após o dia 18 de maio, quando participará de uma missa com os cardeais que estiveram no conclave.
Saiba quem é Robert Francis Prevost, o novo Papa Leão XIV
Foto: Reprodução/Vatican News
Nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost tem 69 anos e se torna o primeiro papa norte-americano da história da Igreja. É também o primeiro pontífice vindo de um país de maioria protestante.
Apesar da origem norte-americana, Prevost construiu grande parte de sua trajetória religiosa na América Latina, especialmente no Peru. Foi lá que se destacou até alcançar os cargos mais altos da Cúria Romana.
Ao ser eleito, ocupava duas funções importantes no Vaticano: prefeito do Dicastério para os Bispos — órgão responsável pela nomeação de bispos — e presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina.
De perfil discreto e voz tranquila, Prevost costuma evitar os holofotes e entrevistas. No entanto, é visto como um reformista, alinhado à linha de abertura implementada por Francisco. Tem formação sólida em teologia e é considerado um profundo conhecedor da lei canônica, que rege a Igreja Católica.
Entrou para a vida religiosa aos 22 anos. Formou-se em teologia na União Teológica Católica de Chicago e, aos 27, foi enviado a Roma para estudar direito canônico na Universidade de São Tomás de Aquino.
Foi ordenado padre em 1982 e, dois anos depois, iniciou sua atuação missionária no Peru — primeiro em Piura, depois em Trujillo, onde permaneceu por dez anos, inclusive durante o governo autoritário de Alberto Fujimori. Prevost chegou a cobrar desculpas públicas pelas injustiças cometidas no período.
Em 2014, foi nomeado administrador da Diocese de Chiclayo, cargo em que foi ordenado bispo e permaneceu por nove anos. Nesse período, enfrentou a principal crise de sua trajetória: em 2023, três mulheres acusaram Prevost de acobertar casos de abuso sexual cometidos por dois padres no Peru, quando elas ainda eram crianças.
Segundo as denúncias, uma das vítimas telefonou para Prevost em 2020. Dois anos depois, ele recebeu formalmente os relatos e encaminhou o caso ao Vaticano. Um dos padres foi afastado preventivamente e o outro já não exercia mais funções por questões de saúde. A diocese peruana nega qualquer acobertamento e afirma que Prevost seguiu os trâmites exigidos pela legislação da Igreja. O Vaticano ainda não concluiu a investigação.
Durante sua passagem pelo Peru, Prevost também ocupou cargos de destaque na Conferência Episcopal local e foi nomeado para a Congregação do Clero e, depois, para a Congregação para os Bispos. Em 2023, recebeu o título de cardeal — função que ocupou por menos de dois anos antes de se tornar papa, algo raro na Igreja moderna.
Durante a internação de Francisco, Prevost foi o responsável por liderar uma oração pública no Vaticano pela saúde do então pontífice.
Como foi o conclave
O conclave para a eleição do novo papa começou na quarta-feira (7), com a presença de 133 cardeais – sete deles brasileiros. Na primeira rodada da votação, na quartaà tarde, deu fumaça preta.
O mesmo ocorreu após a segunda e a terceira rodadas, na manhã desta quinta. Para a tarde, havia a previsão de uma quarta rodada de votação perto de 12h30 (no horário de Brasília) — a fumaça branca saiu por volta das 13h07 (de Brasília).
A onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como onça-preta (quando apresenta melanismo), é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas do tigre e do leão. Com até 158 kg e mais de 2 metros de comprimento, esse predador é símbolo de força e equilíbrio ecológico. No entanto, sua presença nas paisagens naturais tem diminuído drasticamente.
De acordo com dados da WCS Brasil, historicamente, a onça-pintada ocupava uma vasta área que ia do sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Com o avanço do desmatamento, da expansão agropecuária e da caça ilegal, essa distribuição se reduziu consideravelmente.
Hoje, a espécie é encontrada principalmente na América Central e em boa parte da América do Sul, sendo o Brasil o país com a maior população remanescente.
Apesar de ainda ocorrer em quase todos os biomas brasileiros, com exceção dos Campos Sulinos, a distribuição da onça-pintada no país é bastante fragmentada. As maiores populações estão concentradas em áreas onde há continuidade de habitat natural, como a Amazônia e o Pantanal.
É onde se encontra a maior população contínua da espécie. A onça-pintada habita regiões com vegetação nativa preservada, mas sofre pressão na região conhecida como “arco do desmatamento” — que inclui o leste e sul do Pará, oeste do Maranhão, norte do Mato Grosso e Rondônia.
Cerca de 47% do bioma ainda abriga populações da espécie, em especial fora das áreas mais impactadas pelo assoreamento e alteração hidrológica, como o Leque Aluvial do Rio Taquari. O Pantanal é um dos melhores locais para a observação da onça na natureza.
Cerrado
Foram identificadas 11 subpopulações distribuídas em áreas ainda conservadas. A estimativa é que elas ocupem cerca de 582 mil km². Apesar disso, a fragmentação do habitat é uma ameaça constante.
Caatinga
A presença da onça-pintada nesse bioma semiárido é rara e ameaçada. Existem cerca de cinco subpopulações conhecidas, que juntas ocupam apenas 10% da área da Caatinga.
Mata Atlântica
É um dos biomas mais críticos para a conservação da espécie. As onças-pintadas estão praticamente restritas a unidades de conservação, em uma área estimada em 30 mil km², muito pouco considerando a extensão original da floresta.
Foto: Gustavo Figueirôa/SOS Pantanal
Ameaças e conservação
A principal ameaça à onça-pintada é a perda de habitat, provocada pelo avanço do desmatamento e da agropecuária. Além disso, a caça retaliatória por parte de criadores de gado ainda é comum, especialmente em regiões onde o contato entre fauna silvestre e áreas rurais é frequente.
Diversas instituições, como o ICMBio e ONGs ambientais, desenvolvem ações de monitoramento, manejo e educação ambiental para garantir a sobrevivência da espécie. A criação de corredores ecológicos entre áreas protegidas é uma das estratégias mais eficazes para conectar populações isoladas.
“Trabalhar com o turismo vale muito a pena. Aqui não para de chegar gente, do Rio de Janeiro, de São Paulo, da equipe da gravação do filme Geni e o Zepelim. As pessoas que têm saído daqui têm voltado e com mais gente”.
A fala é de Jonathan Fernandes, filho e sócio de Cíntia Flores, proprietária da Pousada Canto e Encanto Janaína, localizada às margens do Rio Croa, em Cruzeiro do Sul.
No Dia Nacional do Turismo, celebrado em 8 de maio, o depoimento de Jonathan representa um número significativo de pessoas que atuam no setor e fazem parte do chamado trade turístico no Acre.
Em celebração à data, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), retrata o desenvolvimento do turismo de base comunitária (TBC) no estado, e as contribuições do conceito para a manutenção da floresta em pé.
Jonathan Fernandes recebe turistas na Pousada Canto e Encanto Janaína, às margens do Rio Crôa, em Cruzeiro do Sul. Foto: Marcos Rocha/Sete
Entre os destinos acreanos em ascensão, há dois frequentemente reconhecidos por estudiosos e entusiastas do turismo: o Rio Croa, em Cruzeiro do Sul, e a Serra do Moa, no Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima.
Em ambos os locais, o TBC desempenha um papel importante, e o governo do Acre, por meio Sete, impulsiona o segmento com apoio de diversos parceiros, entre eles, o Programa REDD+ Early Movers (REM) – Fase II.
Mirante da Serra, no Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima. Foto: Allan Kenned/Rio Branco Filmes
A tendência, segundo aponta o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, é de que um número maior de pessoas passem a investir no segmento e a integrar o trade turístico acreano.
“O estado do Acre é riquíssimo. As oportunidades são muitas. E o turismo de base comunitária é importante pra manter a floresta em pé, ao mesmo tempo que gera oportunidade de emprego e renda para as pessoas que vivem ali. Então, o nosso papel como secretaria é apoiar, incentivar, mostrar os caminhos, por meio do turismo, que tragam renda para as famílias e ajudem a manter a floresta em pé”, destaca.
Na Serra do Divisor, Agemiro Magalhães, o Miro, é referência quando se trata de turismo de base comunitária. Ele conta que nasceu e cresceu na região e está há 35 anos na margem direita de quem desce o Moa, onde há 21 trabalha com turismo. “Eu comecei a receber os pesquisadores que vinham fazer pesquisa quando foi criado o parque, daí fui desenvolvendo a pousada, porque precisava ter mais um espaço pras pessoas ficarem. E acabou que eu fui fazendo a primeira pousadinha cobertinha de palha. E daí começou o meu trabalho”, lembra.
Figura conhecida na Serra do Divisor, Miro foi chefe e inspiração para Eva Maria Luz da Silva, proprietária da Pousada Caminho das Cachoeiras, em atividade há cerca de quatro anos. Para ela, ter o próprio negócio foi a realização de um sonho.
“Nasci e me criei aqui, construí família e hoje ainda moro aqui. Todo ser humano tem o sonho de ter o seu próprio negócio e, graças a Deus, consegui chegar aonde estou hoje. É uma profissão de que eu sempre gostei, de preparar comida. Eu amo esse trabalho. Por isso, hoje eu me sinto muito bem, realizada em trabalhar com comida e trocar ideias, conhecer pessoas diferentes. Para mim, é maravilhoso”, conta.
Ali próximo, na Pousada Canindé da Serra, Antônia Gracilândia Coelho de Lima, mais conhecida como “dona Graça”, é uma das anfitriãs conhecidas de quem visita a Serra.
Proprietária da Pousada Canindé da Serra, dona Graça mostra peixe frito que serve em seu estabelecimento. Foto: Marcos Rocha/Sete
Dona Graça e outras duas cozinheiras foram as responsáveis pelos pratos que alimentaram todos os participantes dos cursos realizados na pousada. Habituada a receber grupos com grande número de pessoas, Graça destaca: “Não é fácil, mas estamos todas acostumadas a preparar comida em grande quantidade. Graças a Deus, tudo acontece da melhor forma”.
Turismo para manutenção do homem e da floresta
Na floresta, subsistência é uma palavra significativa para os moradores, inclusive para Edmilson Cavalcante, guia turístico no Parque Nacional da Serra do Divisor, para quem o turismo contribui como fonte de renda para as famílias que vivem na região. “Isso a gente vê no dia a dia. As coisas estão melhorando cada vez mais”, diz.
Edmilson Cavalcante, guia turístico no Parque Nacional da Serra do Divisor, conta histórias que marcaram a região e são atrativos para turistas e visitantes até hoje. Foto: Marcos Rocha/Sete
“O turismo aqui é a fonte de subsistência. Antes as dificuldades eram muito maiores. Hoje, com o turismo, evoluiu muito, as famílias tiram boa parte do sustento do turismo, porque tudo o que a gente produz no parque, a banana, a melancia, a farinha, a goma pra fazer tapioca, a gente vende para as pousadas, para alimentação dos turistas. É uma fonte de renda. E uns ganham guiando, as pousadas ganham hospedando, os barqueiros também ganham, e forma uma rede de pessoas trabalhando, porque o turismo não é só um que faz, são vários”, enfatiza, descrevendo o conceito de trade.
Cachoeira do Amor, ao pé da subida para o Mirante da Serra. Foto: Marcos Rocha/Sete
O Parque da Serra do Divisor é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e responsável pela autorização de projetos de impacto, como a construção do Mirante da Serra.
Ali, as possibilidades são muitas para o turismo, desde a observação de aves, ao trekking, que é uma caminhada em maior contato com a natureza, até as aventuras da subida para o Mirante da Serra. Com diversas cachoeiras, histórias de busca por petróleo e aparições registradas pelos moradores, o parque é um tesouro de biodiversidade e potencial turístico ecológico na Amazônia.
Vista do Mirante da Serra do Divisor, na fronteira do Acre com o Peru. Foto: Allan Kenned/Rio Branco Filmes
Para incentivar o desenvolvimento local, o governo do Acre tem investido na promoção do turismo de base comunitária em feiras e eventos nacionais e internacionais do turismo. No 8º Salão do Turismo, realizado no Rio de Janeiro (RJ), no ano passado, por exemplo, as experiências da Serra do Divisor, do Caminho das Aldeias e da Biodiversidade, da Trilha Chico Mendes e do Croa agradaram o público. Além disso, os incentivos continuam com a qualificação de quem atua na área, com cursos oferecidos também para a comunidade do Rio Croa e em Cruzeiro do Sul.
Edmilson destaca que já levou muitas pessoas para o Mirante da Serra do Divisor, e que a experiência é diferente para cada um. “Eu já trouxe pessoas de todo canto do mundo aqui pro Mirante”, relata. “Muitos deles se emocionam. Eu achava aquilo diferente quando via. Mas depois que fui entender que, pra muitos deles, esse contato com a natureza é diferente. Muitos não têm o que a gente tem aqui”, explica.
Nesse sentido, o turismo de base comunitária exemplifica como o modelo pode contribuir para a manutenção da floresta em pé, como no Parque Nacional da Serra do Divisor, criado pelo Decreto nº 97.839, em 16 de junho de 1989, e que conserva o bioma amazônico em uma área que chega a 837.555 hectares, segundo dados do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan).