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NASA substitui equipamento em observatório para otimizar coleta de dados no Pará

O novo equipamento instalado pela NASA vai possibilitar fazer medições noturnas. Foto: Divulgação/Ufopa

O Observatório Atmosférico da Amazônia, localizado na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), faz a coleta de dados sobre a radiação solar em diferentes níveis atmosféricos, visando a entender as mudanças climáticas na região. Esse processo será potencializado com a substituição de um equipamento chamado espectrômetro cimel, realizada, nesta semana, por um técnico da NASA, agência espacial dos Estados Unidos.

O equipamento faz parte da rede Aeronet, desenvolvida pela NASA, que investiga a suspensão de partículas no ar (aerossóis), como poeira, cinzas e fumaça, por exemplo. A Ufopa faz parte dessa rede por meio do Projeto Sonda, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com quem a universidade tem parceria.

Leia também: Observatório no Pará analisa influencia da radiação solar na Amazônia

O novo equipamento instalado vai possibilitar fazer medições noturnas, o que não ocorria com o anterior. Além de verificar a quantidade de aerossóis a partir da radiação solar, também poderá coletar informações a partir da luminosidade da Lua.

De acordo com o professor Lucas Vaz Peres, do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa, “ele consegue medir a quantidade de aerossóis no período noturno, o que é de grande importância, em função de que Santarém, assim como toda a região amazônica, sofre as consequências das queimadas, dos aerossóis que ficam em suspensão na atmosfera em função das queimadas, principalmente entrando agora no período seco”.

A troca do equipamento foi motivada pela preocupação com a chegada do tempo conhecido como ‘verão amazônico‘, quando há maior incidência de queimadas na região, principalmente depois dos registros feitos no ano passado, quando a região ficou encoberta por fumaça durante um grande período.

“Ano passado a gente sofreu bastante com relação a isso, então a NASA, que é a proprietária desse equipamento, que está na sua rede, na rede Aeronet, está preocupada em bem monitorar essa questão aqui na Amazônia”, enfatizou Peres.

A troca do equipamento foi feita pelo técnico da NASA, Christopher Bennett. Fotos: Divulgação/Ufopa

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Essa potencialização da coleta de dados atmosféricos no Observatório da Ufopa também ajudará nas pesquisas científicas para trabalhos de conclusão de curso na graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

A troca do equipamento foi feita pelo técnico da NASA, Christopher Bennett, acompanhado pelos professores Lucas Vaz Peres, Rodrigo da Silva e Theomar Neves, do curso de Ciências Atmosféricas do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG) da Ufopa. A atividade também contou com o acompanhamento da estudante Nicole de Oliveira, aluna do curso e bolsista do Inpe.

*Com informações da Ufopa

“Espetacular”: gringos reagem ao Festival Folclórico de Parintins

A russa Olga Kovalenko reagiu às apresentações dos bois de Parintins. Foto: Reprodução/Youtube-Olga do Brasil

O Festival Folclórico de Parintins, também conhecido como ‘Festival dos Bois’, é uma das manifestações culturais grandiosas do Brasil. Realizado anualmente na Ilha Tupinambarana ou Ilha da Magia, nomes famosos dados a Parintins (AM), durante o último fim de semana de junho, o evento mobiliza as torcidas dos bois Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), com apresentações repletas de toadas, alegorias, lendas indígenas e coreografias que emocionam plateias de até 35 mil pessoas no Bumbódromo.

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A cidade triplica sua população durante o festival. Em 2025, por exemplo, mais de 120 mil turistas estiveram na ilha, muitos internacionais, ávidos por capturar cada instante dessa festa visual e sonora. Isso porque, nos últimos anos, a internet ajudou a levar o impacto cultural do festival a uma nova dimensão: vídeos de ‘gringos’ – estrangeiros – , que assistem às transmissões online, têm gerado reações diferentes e viralizado nas redes sociais.

Esses vídeos, conhecidos como “reacts” (do inglês, ‘reações’), mostram o sentimento e comentários de quem assiste ou vê algo pela primeira vez. E o espetáculo folclórico parintinense não poderia faltar nesta lista, o que tem ajudado a internacionalizar ainda mais o festival.

Leia também: ​Veja reações de gringos com vídeos sobre a cultura amazônida

O Portal Amazônia encontrou três canais de estrangeiros que mostram reações à cultura do boi-bumbá:

Embaixadores da cultura parintinense?

Alguns youtubers estrangeiros se tornaram referências nesse tipo de conteúdo. O canal ‘Gringo da Suécia’, comandado por Carl Malmqvist, já produziu um vídeo reagindo ao Festival Folclórico de Parintins. Embora hesitante no início — por causa da duração das gravações — Carl assistiu à festa e relatou ter se apaixonado pelo evento:

“Achei tão espetacular esse festival […] As roupas, os costumes, as cores e as coreografias […] realmente toda arte vinda da Amazônia”.

Embora o vídeo não possa ser mais encontrado no Youtube por ter sido excluído, gerou várias visualizações e cedeu uma entrevista ao Portal Amazônia comentando sobre a cultura amazônica. Carl depois fez outro vídeo em que fala que se identificou como torcedor do Garantido e passou a divulgar sua toada favorita: ‘Legião Vermelha’.

O canal ‘Alwhites‘, do britânico Alfie White, também já reagiu a diversos vídeos da cultura Amazônica. Um em específico, ele gravou reações a cenas sobre o Festival de Parintins. O vídeo foi publicado há três anos e já possui mais de 43 mil visualizações.

Já o canal ‘Olga do Brasil’, da youtuber russa Olga Kovalenko, aborda temas brasileiros variados, incluindo episódios sobre o Festival de Parintins. Ela que vive no Brasil e já possui um português fluente apesar do sotaque carregado, e seu canal possui mais de um milhão de inscritos. O vídeo sobre o Festival de Parintins já possui mais de 233 mil visualizações.

Impacto cultural e emocional nas reações

Os vídeos de gringos reagindo ao Festival servem como uma ponte cultural. Por um lado, esses influenciadores trazem uma visão externa — curiosa e, muitas vezes, emocionada — diante da riqueza visual e sonora brasileira. Por outro, os espectadores brasileiros encontram nesses conteúdos motivo de orgulho.

No canal ‘Brasiliando’, do brasileiro Johny Mendes, que vive na Espanha, há um vídeo com diversas reações de espanhóis à vídeos do Festival Folclórico de Parintins.

A presença de estrangeiros felizes com o Festival de Parintins, tanto pessoalmente quanto em reações mundo afora, reforça a importância cultural e simbólica dessa manifestação folclórica para além das fronteiras do Brasil.

Quando visitantes de outros países demonstram encantamento com as apresentações dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, eles reconhecem o valor das tradições amazônicas, das narrativas indígenas e da riqueza estética do evento.

Esse reconhecimento internacional fortalece a identidade cultural da Região Norte e amplia a visibilidade do festival no cenário global, favorecendo o intercâmbio cultural. A alegria dos estrangeiros também destaca o papel do festival: um patrimônio vivo, capaz de emocionar e conectar diferentes culturas por meio da arte, da música e da ancestralidade.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Descoberta sobre reprodução de caranguejo-uçá pode causar alteração em lei de defeso no Amapá

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Novo período de andada reprodutiva do caranguejo-uçá é registrado no Amapá. Foto: Divulgação/Costamar

Uma andada reprodutiva da espécie caranguejo-uçá foi registrada fora do período de defeso, na Estação Ecológica Maracá Jipioca (ESEC), no litoral do Amapá. A ocorrência foi registrada por pesquisadores do projeto Costamar durante a noite, no final do mês de junho deste ano.

Leia também: Você sabe o que é a “andada” dos caranguejos?

A descoberta levanta a possibilidade de que o atual calendário referente à proteção da espécie esteja atrasado, o que pode causar uma revisão na lei que estabelece o período de defeso.

A última andada reprodutiva antes da ocorrida em junho foi registrada no mês de abril, dentro dos conformes do calendário.

O supervisor regional do projeto Costamar, Jonas Rosa, que monitora a espécie e sua reprodução, disse que a pesquisa está em fase inicial e será feita no período de três anos, para resultados mais precisos. “O estudo está em uma fase inicial, começamos a atuar em fevereiro, e é feito um monitoramento a cada 15 dias. Nossos técnicos vão a campo fazer esse monitoramento das andadas dos caranguejos”, disse.

Monitoramento da espécie é feito no litoral do Amapá. Foto: Divulgação/Costamar

A definição da data correta de reprodução permite que a andada reprodutiva aconteça corretamente, ainda segundo Jonas.

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“A andada reprodutiva do caranguejo é aquele momento onde eles saem para acasalar e fazem uma recuperação do seu estoque natural. O defeso é quando ele cobre esse período, permitindo que o caranguejo faça essa reprodução sem que aja a interferência do caranguejeiro pegando ele”, explicou o supervisor.

O estudo já foi realizado em outros estados, onde foram registrados novos períodos de defeso, com mudanças previstas no calendário de conservação da espécie.

“O benefício de deixar o caranguejo reproduzir no momento correto, é que existem menos conflitos com a fiscalização e permite mais economia. O caranguejeiro pode estar levando o alimento para a sua mesa sem que esses problemas ocorram”, finalizou Jonas.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Plataforma reúne dicas e jogos para auxiliar ensino de Física nas escolas de Roraima

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Imagem: Geralt via Pixabay

Com o objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento científico e oferecer suporte a professores que dão aula de Física nas escolas, acadêmicos do curso de licenciatura em Física da Universidade Estadual de Roraima (UERR) criaram um espaço digital. O ambiente é dedicado à produção, sistematização e divulgação de materiais didáticos voltados à realidade da educação no estado.

O site Física na Prática – UERR reúne nove materiais, entre apostilas e apresentações de slides com linguagem simples e dinâmica. Os conteúdos incluem até sugestões de jogos didáticos que podem ser usados por professores para facilitar a compreensão da matéria.

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Além da plataforma, os alunos preparam um robô que usa inteligência artificial para contribuir com o ensino: o Isaac, uma homenagem ao físico inglês Isaac Newton (1643-1727) – considerado um dos maiores cientistas de todos os tempos.

O projeto foi coordenado pelo professor Elemar Kleber Fraveto e envolveu 15 alunos dos 4º semestre. Ele explicou que a ideia de desenvolver de materiais didáticos para o ensino de física surgiu de uma disciplina focada no desenvolvimento de projetos de extensão, em que os universitários conectam o conhecimento acadêmico à comunidade externa.

Fraveto explicou que os materiais da plataforma se diferenciam dos livros didáticos tradicionais pela abordagem mais prática dos conteúdos. Segundo ele, além da leitura, o site apresenta exemplos de como a Física é aplicada no dia a dia e inclui jogos didáticos que vão além do que normalmente é encontrado nos livros.

“É possível desenvolver diversos materiais didáticos para que os conhecimentos de física possam ser mais significativos através de jogos de tabuleiro, através de outros tipos. Materiais de sucata, por exemplo, podem ser transformados em em simuladores físicos”, destacou.

Cada grupo trabalhou com os assuntos que tinha mais afinidade, para que fosse mais fácil traduzir o conteúdo de um jeito dinâmico e de fácil compreensão.

Agora, a plano é que o site se torne algo agregado às outras disciplinas do curso, em que os alunos farão materiais didáticos para incorporar esses conteúdos e auxiliar na divulgação científica para o ensino no estado.

“Os alunos gostaram muito da proposta e se organizaram em grupos. Cada grupo desenvolveu um material específico. Alguns foram apostilas, outros, apostilas interativas. Outro grupo trabalhou com guia didático. Um outro grupo trabalhou, inclusive, com o uso de inteligência artificial na construção de simuladores de física”, explicou.

Fachada da UERR em Boa Vista. Foto: Reprodução/UERR

Inteligência artificial ‘Isaac’

Os alunos desenvolveram até uma inteligência artificial própria, chamada Isaac, criada para auxiliar no ensino das leis de Newton, com acesso via WhatsApp. A ferramenta ainda está em fase de testes. A expectativa é que, conforme evolua, novas funcionalidades sejam implementadas e o uso seja divulgado nas escolas, segundo professor.

“No momento, ela [a ferramenta] só usa recursos textuais. Conforme formos atualizando, pretendemos colocar mais possibilidades de elementos visuais, como imagens e simuladores”, destacou o professor.

O professor destaca que o projeto beneficia tanto os estudantes, ao tornar o aprendizado da Física mais acessível, quanto os professores, ao oferecer ferramentas tecnológicas que tornam as aulas mais leves e interativas, como jogos e inteligência artificial.

“Vejo que esse projeto tem grande potencial, não só para auxiliar os professores, mas também na aprendizagem individual dos alunos”, resumiu.

*Por JG Grana, da Rede Amazônica RR

Estudantes de design conquistam público com produtos inspirados em Caprichoso e Garantido

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Fernando e Samuel contam como foi a experiência de criar pensando na cultura dos bois de Parintins. Foto: Reprodução/Ufam

Estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) se reuniram na ‘Exposição de Design de Superfície’ no hall da Faculdade de Tecnologia (FT), em Manaus (AM), nesta terça-feira (15) e apresentaram diversos produtos inspirados nos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, de Parintins.

O objetivo era aprender mais sobre a cultura amazonense, exercitar a criatividade e utilizar os conhecimentos adquiridos para desenvolver produtos atrativos para os apaixonados pelos bois-bumbás. Ao fim da exposição, os participantes prestigiaram a apresentação dos dois bois.

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A professora Patrícia dos Anjos Braga Sá dos Santos ministrou a disciplina e propôs a exposição aos estudantes. “O objetivo é estimular os alunos a trabalharem o design com a cultura amazônica e também cobrir um pouco desse nicho de mercado de produtos relacionados ao boi-bumbá que a gente quase não tem nada muito diferenciado”, disse.

“Fiquei muito satisfeita. Os alunos são finalistas, então, os trabalhos foram muito bons, mostraram um nível profissional, inclusive muitos dos trabalhos que estão expostos, o pessoal já está querendo comprar, e isso é muito gratificante. A gente sempre tem um trabalho muito com camisetas e ecobags, mas me chamou a atenção o trabalho que eles fizeram este ano com a louça, tipo xícaras de café, luminárias, que nós não tínhamos tido ainda. Então, eu vi que eles expandiram para outros produtos. Que essa era a ideia mesmo, é sair do lugar comum e ver outros produtos”, completou.

Todos os produtos foram avaliados por profissionais da Ufam e convidados para a eleição dos melhores trabalhos. Um dos avaliadores foi Guto Kawakami, designer e compositor do Boi Caprichoso. “Eu fico cheio de gratidão de ser convidado para uma iniciativa dessa, porque além do design, além da gente estar vendo o que a gente mexe todo dia na nossa profissão, eu consegui ver também uma das minhas paixões sendo trazida para cá, que é a nossa cultura. Eu nasci em Parintins, desde sempre, então, vivi o boi-bumbá , e ver a galera unindo design, toada e boi e todo esse tipo de coisa, eu fico muito feliz quando esse tipo de iniciativa acontece e eu sou chamado aí para estar olhando os trabalhos”, comentou.

“Eu queria parabenizar a todos pela iniciativa e aos alunos também por esses produtos muito belos que estão fazendo, desde xícaras, blusas, artesanatos. Está tudo muito bonito, e eu espero que essa mesclagem do design e da cultura se perpetue”, expôs.

Samuel Duarte e sua equipe trabalharam o design para o Boi Garantido, com aplicação em tecido, banner e luminária. “Essa proposta foi originada de um dos itens principais do festival, que é a batucada do Garantido. Ela compõe um dos 21 itens principais que são julgados. Ela é responsável por manter o ritmo de cada apresentação. A gente pegou alguns versos das próprias toadas que fazem referência à batucada para elaborar o trabalho. Nós fizemos três aplicações, uma delas foi a luminária, que é o item de decoração, a peça de vestuário, além de ela ser uma bandeira, ela também serve como um topzinho e a gente fez o nosso banner, que serve como estandarte também”, contou o estudante.

Leia também: Conheça os 21 itens avaliados nas apresentações do Festival Folclórico de Parintins

Equipe de Samuel apresentou propostas com o Garantido como tema. Foto: Reprodução/Ufam

“A experiência com a disciplina foi muito enriquecedora, porque isso nos faz destacar alguns pontos fortes entre nós e, para quem tem essa parte já mais aflorada, que é a parte de ilustração, as pessoas que têm esses pontos fortes conseguem aflorar mais na disciplina. E também são itens vendáveis, são itens que a gente pode comercializar para fora. E tem muita gente de fora que vê o nosso trabalho aqui e usam como referência. E já saiu, inclusive, itens daqui já para o festival também, foi muito interessante”, comemorou.

A equipe de Fernando Lima Neto fez uma proposta para o Boi Caprichoso: “A experiência foi boa, o padrão foi muito bom, o complicado foi na hora dos produtos mesmo, porque a gente tinha que encontrar o local de aplicação. Antes disso, eu era totalmente alheio ao boi, então, foi um aprendizado, uma descoberta para mim. Foi uma experiência bacana. Acredito que a gente conquistaria o público com nossos produtos porque a professora adorou, ela até quis uma das camisas que a gente fez. Então, acredito que agradou o público que gosta do Caprichoso”.

Equipe de Fernando apresentou propostas com o Caprichoso como tema. Foto: Reprodução/Ufam

*Com informações da Ufam

Pirarucu é inspiração para proposta de arquitetura sustentável de mercado no Pará

Proposta do novo Mercado de São Brás é inspirada no pirarucu. Foto: Amarilis Marisa/Agência Belém

O maior peixe de água doce do mundo, o pirarucu, não encanta apenas na gastronomia. Em Belém (PA), a capital amazônica que vai receber a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o gigante da Amazônia também inspirou a arquitetura do novo Mercado de São Brás, que será reinaugurado especialmente para o evento em 2025 e leva a assinatura do arquiteto Aurélio Meira.

Leia também: Belém do Pará: a capital amazônica que receberá a COP30

O projeto valoriza a identidade regional ao trazer, no formato do telhado, linhas e texturas inspiradas no couro do pirarucu, criando uma conexão profunda com a floresta e seus povos, em um compromisso com soluções inovadoras, sustentáveis e alinhadas à conservação da floresta.

No Mercado de São Brás, as estruturas principais são compostas por grandes blocos alongados, conhecidos como “vagões” por lembrarem o formato de trens. Esses módulos abrigam diferentes espaços internos e ganham cobertura com telhados orgânicos, que evocam o movimento, a fluidez e a força do pirarucu.

Durante uma visita técnica ao local, a representante do ‘Gosto da Amazônia’ em Belém, Nalva Maia, conversou com o arquiteto Aurélio Meira e destacou a importância do projeto: “Ver o pirarucu, que é parte da nossa vida e da nossa cultura, inspirar uma obra tão grandiosa para a COP30 enche a gente de orgulho. É a Amazônia mostrando que sustentabilidade e tradição podem caminhar juntas”.

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Mercado de São Brás terá nova estrutura para a COP30. Foto: Reprodução/Prefeitura de Belém

Coordenado pela ASPROC, o arranjo comercial do pirarucu ‘Gosto da Amazônia’ fortalece essa conexão entre manejo sustentável, design e identidade cultural, levando ao mundo um produto que valoriza a floresta em pé e transforma a vida de comunidades na Amazônia.

Manejo do pirarucu

O manejo sustentável do pirarucu é uma estratégia de conservação que une conhecimento tradicional e ciência para garantir a preservação da espécie e o sustento das comunidades amazônicas. Considerado o maior peixe de água doce do mundo, o pirarucu já esteve ameaçado pela pesca predatória.

Leia também: Com manejo sustentável, pirarucu recupera estoque natural na região do Médio Solimões

Com o manejo, comunidades ribeirinhas e indígenas passaram a monitorar os lagos, definir cotas de pesca, proteger os períodos de reprodução e fiscalizar de forma coletiva a atividade. Essas cotas são autorizadas e regulamentadas pelo IBAMA, o que torna a pesca do pirarucu manejado uma atividade legalizada e totalmente rastreável, ou seja, cada peixe pescado tem origem controlada e certificada

Essa prática não só contribui para o equilíbrio ecológico, mas também gera renda digna, fortalece a economia local e incentiva a conservação da floresta em pé. Ao comercializar o pirarucu de manejo, como faz o ‘Gosto da Amazônia’, o consumidor apoia diretamente um modelo de desenvolvimento sustentável, que valoriza a cultura, os saberes e o território das populações tradicionais.

Mais de 34 mil pessoas moram em unidades de conservação no Acre, diz IBGE

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Acre tem mais de 34 mil moradores em unidades de conservação, segundo o IBGE. Foto: Ângela Rodrigues/Sema

O Acre tinha 34.394 pessoas morando em unidades de conservação (UCs) em 2022, de acordo com dados do Censo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Destes, 19,3 mil são homens e 15 mil são mulheres. A maioria, 25 mil, se declara como parda.

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Estes resultados fazem parte da pesquisa Censo Demográfico 2022: Unidades de Conservação. É a primeira vez que o IBGE divulga um levantamento com este recorte. O lançamento ocorreu no Anfiteatro Garibaldi Brasil, no campus da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Foto: Lucas Thadeu/Rede-Amazonica-AC

Ainda conforme a pesquisa, são mais de 11,8 milhões de brasileiros nessas áreas, o que corresponde a 5,82% da população. Desse total, 98,7% estão em áreas de uso sustentável, como Áreas de Proteção Ambiental (APA) e reservas extrativistas.

O estado possui 11 unidades de conservação federais. Os moradores incluem comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e até ocupações irregulares. Um deles é o produtor Júlio Barbosa, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), que vive na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes. Para ele, estas informações são cruciais para resolver problemas antigos, como a regularização de ocupações.

“Na [Reserva] Chico Mendes, a gente estima que deve ter mais ou menos 10 mil moradores dentro dela. Desses 10 mil moradores, eu acredito que entre 500 a mil, são pessoas que estão vivendo totalmente ilegal e a gente precisa resolver esse problema. Tanto nós, representando a sociedade civil, como o próprio governo precisa resolver o problema da nossa unidade para que ela volte a se regularizar. Então, esse momento para nós aqui, ele tem uma importância muito grande”, ressaltou Barbosa.

Leia também: Rio Acre registra 3º pior nível para o início de julho nos últimos 10 anos na capital

Falta de saneamento

O levantamento do IBGE também revelou uma realidade preocupante. Pelo menos 40% dos moradores de unidades de conservação no país enfrentam falta de água tratada, esgoto ou coleta de lixo.

40% dos moradores de unidades de conservação no país enfrentam falta de água tratada, esgoto ou coleta de lixo. Foto: Divulgação

No Acre, de acordo com os dados, a maioria dos moradores de UCs coleta água de fontes ou nascentes, rios e poços rasos: são 27,2 mil pessoas nesta categoria.

Em relação ao esgotamento sanitário, o maior número é o de moradores que utilizam fossas rudimentares ou buracos para o descarte: 12,8 mil pessoas. Outro dado preocupante é que 8 mil moradores declararam não terem banheiro ou sanitário.

A expectativa é que os dados ajudem a direcionar políticas públicas mais eficazes.

“Os povos e comunidades tradicionais, os pesquisadores acadêmicos, sempre solicitaram ao IBGE informações sobre a presença de populações nas unidades de conservação e quais seriam as características dessa população. Então, agora realizado o Censo Demográfico 2022, a gente consegue devolver à sociedade esses dados que vão poder servir como evidências para o aperfeiçoamento da política ambiental e da política de ocupação e gestão das unidades de conservação”, frisou Francisco Damasco, gerente de territórios tradicionais e áreas protegidas do IBGE.

Relevância histórica

Foto: Acervo/IBGE

Ainda conforme o gestor, o Acre tem papel de destaque neste contexto, já que foi no estado que surgiram as reservas extrativistas, criadas a partir da luta do movimento seringueiro. Elas preservam o meio ambiente ao mesmo tempo em que garantem o modo de vida das comunidades tradicionais.

Para ele, dados deste tipo demoraram a ser divulgados pois só agora as entidades envolvidas chegaram à capacidade necessária para obtê-los.

“Nesses anos, os institutos que produzem os polígonos e os mapeamentos dessas unidades, eles foram aperfeiçoando o seu trabalho. E nós chegamos aqui hoje, 25 anos depois da criação desse sistema, com dados muito mais detalhados sobre os limites dessas unidades. Então, isso permitiu que o IBGE tanto preparasse uma operação de levantamento de dados específica para essas áreas, como também permitiu que a gente tivesse condição de detalhar os dados populacionais”, acrescentou.

*Por Victor Lebre, Aline Pontes, g1 AC

Monitoramento e regularização ambiental são fortalecidos com ampliação de parcerias em Rondônia

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Visita Sedam. Foto: Reprodução/ Arquivo Sedam.

Com o objetivo de fortalecer a cooperação técnica entre órgãos estaduais em temas prioritários para o desenvolvimento sustentável da Amazônia rondoniense, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) recebeu a visita institucional da Secretaria Especial de Integração do Estado de Rondônia em Brasília (Sibra).

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Porto Velho, Rondônia. Fotos: Frank Nery

A secretaria é responsável por apoiar a articulação das ações estratégicas do governo de Rondônia em nível nacional e internacional.

A programação incluiu uma reunião técnica no Laboratório de Geociências da Sedam, onde foram discutidas as potencialidades do Geoportal do governo de Rondônia, ferramenta estratégica que consolida dados geoespaciais sobre o território estadual, promovendo maior transparência e eficiência na gestão pública.

Regularização e monitoramento ambiental

Durante o encontro, foram apresentadas e debatidas as iniciativas da Sedam voltadas à implementação e fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), além das ações de monitoramento ambiental da cobertura florestal, desmatamento e queimadas.

ambiental
Foto: Reprodução/ Governo de Rondônia.

A equipe da Secretaria de Integração também conheceu de forma mais aprofundada a estrutura e atuação do Laboratório de Geociências, responsável pelo processamento e análise de dados de sensoriamento remoto, alertas de desmatamento e mapeamento de cobertura e uso da terra.

Leia também: Pesquisa busca fortalecer produção de cacau em Rondônia e impulsionar agricultura familiar

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a articulação entre os órgãos estaduais fortalece as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável. “Reforçar a integração entre nossas secretarias é essencial para garantir que Rondônia avance de forma alinhada com as agendas nacionais e internacionais. A cooperação técnica é um instrumento valioso para construirmos soluções eficazes que respeitem o meio ambiente e promovam o crescimento do estado”, enfatizou.

Foto: Jucilene Cavali

O secretário da Sedam, Marco Antonio Lagos, destacou a importância da integração entre as secretarias para fortalecer as políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à governança ambiental.

“A visita reforça nosso compromisso conjunto na promoção de políticas públicas integradas e inovadoras, que ampliem a governança ambiental, valorizem nosso patrimônio natural e fortaleçam o posicionamento de Rondônia nas agendas climáticas, ambientais e de desenvolvimento sustentável, tanto no cenário nacional quanto internacional”, declarou o secretário.

* O conteúdo foi originalmente publicado no Portal do Governo do Estado de Rondônia e escrito por Jorge Fernando.

AGROBV 2025: Repleta de novidades, vem aí mais uma edição da Maior Feira da Agricultura Familiar de Roraima

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Em sua 5ª edição, o evento espera superar os mais de 50 mil visitantes registrados no ano passado. Foto: Divulgação/PMBV

Boa Vista se prepara para receber mais uma edição da AgroBV, considerada a Maior Feira da Agricultura Familiar de Roraima. O evento ocorrerá de 31 de julho a 3 de agosto, no Centro de Difusão Tecnológica (CDT), região do Bom Intento, e promete surpreender o público com uma programação diversificada, experiências inovadoras no campo e oportunidades para quem vive da agricultura ou sonha em começar.

Chegando à sua 5ª edição, a expectativa é de superar os 50 mil visitantes do ano passado, pois o evento ganhou mais um dia de programação. A proposta é reunir agricultores, empresários do setor, técnicos, estudantes e toda a população em torno de uma agenda voltada ao fortalecimento da produção agrícola local, à troca de conhecimentos e à valorização da vida no campo.

Campo aberto, conhecimento compartilhado

Uma das grandes atrações da feira será novamente a área de cultivares experimentais em campo aberto, com 26 hectares de plantações que funcionam como verdadeiros laboratórios a céu aberto. No espaço, os visitantes poderão conhecer 16 cultivares de soja, 21 híbridos de milho, duas espécies de sorgo, duas de girassol, além de batata-doce e macaxeira.

“Nossos campos experimentais têm um papel fundamental na orientação técnica aos agricultores. Ali mostramos quais cultivares têm maior resistência a pragas, melhor produtividade e adaptação ao nosso solo. Tudo é pensado para atender a realidade do produtor local”, explicou o secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva.

Segundo ele, a AgroBV é uma oportunidade não apenas para quem já vive da agricultura, mas também para quem deseja dar os primeiros passos no setor.

“Este é um evento para todos. Desde os agricultores experientes até quem quer iniciar uma produção rural, mas ainda tem dúvidas. É um espaço rico de conhecimento e conexões com quem entende do assunto, além de apresentar máquinas, tecnologias e soluções do campo”, destacou o secretário.

Leia também: Boa Vista 135 Anos: Corrida Internacional 9 de Julho celebra história e paixão pelo esporte

Girassóis, sabores e diversão para toda a família

Com 6 hectares de área no CDT, o Campo de Girassóis promete ser um dos pontos mais visitados do evento. Foto: Divulgação/PMBV

Além das demonstrações técnicas, a programação foi pensada para envolver toda a família. A tradicional Fazendinha estará presente, com minivacas, porcos, carneiros, pôneis e coelhos — uma atração imperdível principalmente para a criançada, que ainda poderá aproveitar um espaço exclusivo com atividades lúdicas e recreativas.

Outro destaque é o encantador Campo de Girassóis, que ocupará 6 hectares do CDT e promete ser um dos locais mais visitados (e fotografados) do evento. Na Praça de Alimentação, os visitantes poderão saborear o melhor da culinária regional, com pratos feitos a partir de ingredientes vindos diretamente da agricultura familiar. Milho verde, paçoca, bolos e outras delícias estarão disponíveis ao longo dos quatro dias de evento.

Para quem gosta de desafios: AgroRun e AgroRun Kids

Unindo esporte e natureza, a tradicional AgroRun chega à sua 5ª edição com previsão de 1.200 participantes. A prova conta com 5 km de percurso por trilhas, estradas de barro e obstáculos naturais.

Este ano, a grande novidade será a primeira edição da AgroRun Kids, voltada especialmente para as crianças, garantindo aventura e diversão para os pequenos corredores.

A AgroRun traz 5 km de trilhas, estrada de barro e obstáculos naturais. A novidade deste ano é a AgroRun Kids. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Exposição e negócios no campo

Empresários do setor agropecuário também terão espaço garantido para apresentar produtos, inovações tecnológicas e soluções que podem aumentar a produtividade no campo.

A troca entre produtores e fornecedores deve movimentar o setor e ampliar as possibilidades de negócios. Até o momento, 77 empresas estão confirmadas.

Além disso, apresentações musicais ao vivo vão animar as noites de programação, reunindo cultura e lazer no mesmo espaço. As atrações serão divulgadas em breve pela prefeitura.

A interação entre produtores e fornecedores deve impulsionar o setor e abrir novas oportunidades de negócios. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Investimentos impulsionam o campo em Boa Vista

A AgroBV está diretamente ligada à política de valorização da agricultura familiar em Boa Vista. A atual gestão municipal já investiu mais de R$ 62 milhões no setor, com ações que vão desde a assistência técnica até a mecanização agrícola.

Famílias agricultoras e comunidades indígenas contam com liberação de sementes e fertilizantes, além de apoio com sistemas de irrigação movidos a energia solar, que reduzem custos e garantem produção mesmo no período de estiagem.

Atualmente, o Plano Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA) atende 1.781 famílias, com mais de 4 mil hectares plantados. Só no primeiro semestre de 2025, foram cultivados 1.205 hectares de grãos, sendo 700 ha com produtores independentes, 400 ha com agricultores cadastrados no programa e 105 ha em comunidades indígenas.

Mais de 130 sistemas de irrigação já foram instalados e outros 24 devem ser entregues até setembro, totalizando 156. A frota municipal também chama atenção: são 144 máquinas e implementos disponíveis para os produtores, entre tratores, colheitadeiras, caminhões e escavadeiras.

Com ações estruturadas e foco no desenvolvimento sustentável, a Prefeitura de Boa Vista fortalece cada vez mais o setor agrícola, impulsionando emprego, renda e segurança alimentar para a população.

Cheia afeta 18 mil pessoas em Careiro da Várzea e deixa comunidades sem energia elétrica

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Cheia afeta moradores de Careiro da Várzea, no Amazonas. Foto: Michel Castro

A cheia dos rios no Amazonas já afeta cerca de 18 mil pessoas em Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus. Na comunidade Costa do Marimba, às margens do Rio Amazonas, mais de 220 famílias vivem sobre as águas neste período e enfrentam dificuldades como a falta constante de energia elétrica.

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Pontes de madeira precisaram ser construídas nas ruas principais da cidade. Nas áreas mais afastadas, os impactos são ainda maiores. A aposentada Raimunda Simão de Oliveira, de 87 anos, relata que não consegue seguir a recomendação médica de fazer inalação diariamente por conta das quedas de energia. “A luz vai embora. Chegou 11h, mas meio-dia já foi embora. Como é que pode uma coisa dessas?”, disse.

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Casa isolada em meio ao Rio Solimões no interior do Amazonas. Foto: Michel Castro.

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Na mesma comunidade, a família do pequeno Theo, recém-nascido, precisa manter a rede balançando durante toda a madrugada para aliviar o calor e garantir que ele durma. Sem energia, o motor gerador é ligado até as 3h da manhã. “A gente embala até de manhã. Ninguém pode parar”, contou a mãe, Raylla Suzianny.

A pescadora Maria de Jesus Rocha de Oliveira afirma que gasta R$ 20 por dia em gasolina para manter o gerador funcionando. Mesmo com ligações frequentes para a concessionária, o problema persiste. “Ela só diz que vai passar a ocorrência. E pronto.”

Além do calor e da falta de luz, há risco constante para as crianças. A escola da comunidade, que atende cerca de 200 alunos, está com a quadra alagada e suspendeu as aulas presenciais para crianças de 3 a 5 anos desde o fim de maio.

Casa isolada em meio ao Rio Solimões no interior do Amazonas. Foto: Michel Castro.

O pescador Clodoaldo Brito Nunes relembra o susto vivido há poucas semanas, quando a filha de um ano e cinco meses caiu no rio. “Ela passou cinco minutos embaixo d’água. Foi um milagre ela sobreviver.”

Postes de energia estão tombando com a força da correnteza, e estudar sem luz se tornou um desafio diário. Enquanto a vazante não chega, moradores seguem enfrentando os impactos da cheia com improvisos e esperança.

Cheia no Amazonas

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Cheia do Rio Amazonas. Foto: Divulgação

De acordo com a Defesa Civil, 42 municípios do estado em situação de emergência devido a cheia que atinge o Amazonas, segundo o boletim de monitoramento da cheia mais recente, divulgado na quinta-feira (10). Confira abaixo

  • Guajará – Rio Juruá;
  • Ipixuna – Rio Juruá;
  • Itamarati – Rio Juruá;
  • Eirunepé – Rio Juruá;
  • Juruá – Rio Juruá;
  • Carauari – Rio Juruá;
  • Boca do Acre – Rio Purus;
  • Borba – Rio Madeira;
  • Nova Olinda do Norte – Rio Madeira;
  • Apuí – Rio Madeira;
  • Humaitá – Rio Madeira;
  • Manicoré – Rio Madeira;
  • Novo Aripuanã – Rio Madeira;
  • Atalaia do Norte – Rio Solimões;
  • Benjamin Constant – Rio Solimões;
  • Santo Antônio do Içá – Rio Solimões;
  • Tonantins – Rio Solimões;
  • Amaturá – Rio Solimões;
  • Fonte Boa – Rio Solimões;
  • Maraã – Rio Solimões;
  • São Paulo de Olivença – Rio Solimões;
  • Japurá – Rio Solimões;
  • Tefé – Rio Solimões;
  • Coari – Rio Solimões;
  • Jutaí – Rio Solimões;
  • Careiro da Várzea – Rio Solimões;
  • Careiro – Rio Solimões;
  • Manaquiri – Rio Solimões;
  • Anamã – Rio Solimões;
  • Careiro – Rio Solimões;
  • Anori – Rio Solimões;
  • Caapiranga – Rio Solimões;
  • Itacoatiara – Rio Negro;
  • Itapiranga – Rio Negro;
  • Boa Vista dos Ramos – Rio Negro;
  • Santa Isabel do Rio Negro – Rio Negro;
  • Manacapuru – Rio Solimões
  • Uarini – Rio Solimões
  • Urucurituba – Rio Amazonas
  • Alvarães – Rio Solimões
  • Iranduba – Rio Solimões
  • Barcelos – Rio Negro

Além dos municípios em emergência:

  • 13 estão em estado de alerta;
  • 1 em estado de atenção;
  • e seis em normalidade.

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De acordo com dados da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), 444 alunos foram impactados pela cheia dos rios em quatro municípios: Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini. Os alunos seguem com o calendário do “Aula em Casa”, programa de ensino remoto.

Segundo o Governo do Amazonas, para auxiliar os afetados pela cheia já foram enviados 580 toneladas em cestas básicas, 2.450 caixas d’água de 500 litros, 57 mil copos de água potável da Cosama, além de 10 kits purificadores do programa Água Boa e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para dezoito municípios.

Também foram destinados 72 kits de medicamentos para os municípios de Apuí, Boca do Acre, Manicoré, Humaitá, Ipixuna, Guajará e Novo Aripuanã, beneficiando mais de 35 mil pessoas.

Manicoré recebeu uma nova usina de oxigênio, com capacidade para produzir 30 metros cúbicos por hora, destinada ao hospital municipal. Já Apuí, foi contemplado com seis cilindros de oxigênio para servir como reserva de segurança.

* O conteúdo foi originalmente publicado no G1 Amazonas e escrito por Ruthiene Bindá.