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“Ilíada”, ou como trazer o clássico para um novo público

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Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

Como manter os clássicos vivos em um mundo dominado por telas? Um mundo em que até a literatura mais contemporânea disputa atenção com o Tik Tok?

Quando me convidaram para assistir à montagem teatral feita por Daniel Dantas e Letícia Sabatella de “A Ilíada”, no dia 15 de fevereiro, eu aceitei sem pensar muito. Entenda: o primeiro livro que li inteiro foi uma edição para crianças de “A Odisseia” e sempre fui apaixonado pelas histórias que o poeta Homero – tão mítico quanto seu próprio trabalho – traz em seus versos épicos.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

De coração aberto, não pesquisei muito sobre como os dois atores interpretaram as aventuras de Aquiles e o ataque dos gregos à cidade de Troia, apenas fui. Afinal, assistir a um espetáculo no Teatro Amazonas é sempre um programa bem-vindo. Acontece que, de início, me peguei confuso, pois não esperava que Dantas e Sabatella começassem de forma tão… não teatral. A impressão que tive era de que estava assistindo a uma aula de Literatura, uma que eu mesmo já dei vez ou outra, explicando sobre o enredo e os cantos que trariam ao palco: apenas o 1 e o 20, além de um breve glossário de palavras em grego que cruzariam suas falas.

Durante essa introdução, falaram que a tradução que adotaram foi a de Manoel Odorico Mendes, em um “português difícil” feito para funcionar quase exclusivamente no contexto do poema de Homero. Dizer que sua apresentação será “difícil” de entender, para mim, é um tiro no pé, uma vez que, de antemão, criamos uma barreira entre espectador e aquilo que ele espera ver, o que fez com que meu estranhamento só aumentasse…

Até que Dantas começou a interpretar os versos iniciais de um dos textos mais icônicos do Ocidente.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Imagino que Cristo, quando confrontou o homem possuído por uma Legião, tenha tido a mesma sensação que eu: em um escuro quase ritualístico, vi Dantas encarnar uma pluralidade de vozes com uma velocidade assustadora, e ia de um personagem a outro com a mesma facilidade com que tomamos fôlego. Sim, o português era desafiador. Sim, não foi um linguajar feito para ser compreendido sem uma introdução e um glossário a tiracolo.

Quando me dei conta, o jogo de luzes que brilhava de forma dinâmica sobre o ator ajudava a diferenciar suas personagens em uma sincronia automática. Beto Bruel é o gênio por trás da linguagem construída com sua iluminação e a performance de Dantas, que, embora só, deixa bem claro que não se trata de um monólogo. Vi uma dúzia de vozes naquele homem, uma dúzia de almas em um único corpo, e senti arrepios a cada instante.

Dantas se responsabiliza pelo Canto I, no qual são descritas as desavenças internas entre os gregos que planejavam invadir Troia, e ao fim de um pandemônio entre deuses perfeitamente executado, foi a vez de Sabatella trazer uma magia diferente ao palco no momento em que interpretou o consideravelmente mais violento Canto 20.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

A linguagem de mil luzes, vozes e gelo seco se consolida na interpretação de Letícia, que adiciona graciosos movimentos de dança e um estudo curioso de sotaques brasileiros à performance, dando tanto continuidade à atmosfera inquietante quanto um encantamento especial ao ritual que ela e Dantas trouxeram ao Teatro Amazonas. Sem fazer concessões à dificuldade do idioma que decidiram trazer ao palco, é a combinação dos fatores cênicos que torna a peça compreensível, uma vez que o espectador entende que é a experiência artística, acima de qualquer facilidade que um português adaptado e popular possa trazer, que eleva a obra ao nível de espetáculo. 

Ao final, me senti completamente dividido.

Por um lado, por ser professor, sempre defendo que o lúdico deve criar estratégias para que a arte seja acessível (e compreensível) a todos – o que, por meio da palavra, a obra não faz – ; por outro, fiquei chocado em como a composição feita no palco assume esse papel, apostando sim em um “português difícil”, mas também em todo um conjunto cênico, para criar um idioma próprio para os palcos, uma linguagem que vai além da compreensão simples e afeta diretamente sentidos que não sabemos ter.

O que foi feito naquela noite foi uma verdadeira experiência sensorial que, mesmo dispensando as facilidades do português atual, garante compreensão por recursos alternativos que por vezes esqueço que – erro meu, que também sou humano – só o teatro pode oferecer.

Eu, que sou tão investido em uma literatura acessível apenas por meio da leitura, esqueço que o teatro também proporciona uma experiência literária potente, imensamente assustadora, que encontra formas diferentes de falar, formas em que a palavra assume papel secundário: eu posso não ter “ouvido” Poseidon naquele palco, mas senti toda a sua força e imponência na luz azul que banhava Sabatella, enquanto imitava um tridente com os dedos e proferia suas falas com um forte sotaque carioca. E com certeza eu vou me lembrar da deusa Hera fumando à la Clarice Lispector.

Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Em tempos em que a leitura é um ato ameaçado pela emergência das novas tecnologias, é apaixonante ter a certeza de que as artes ainda encontram formas diversas de celebrar a linguagem. A peça, ao mesmo tempo que destaca o clássico, encontra uma forma poderosa de torná-lo apresentável a um público contemporâneo, usando cada um dos recursos cênicos que dispõe de maneira simples e absolutamente efetiva.

Durante os três dias em que a peça ficou em cartaz em Manaus, acredito que os espectadores tiveram uma experiência religiosa: às vezes incompreensível a princípio, mas com certeza divina.

Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Saiba qual a ordem dos desfiles das escolas de samba do Carnaval no Amapá em 2025

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Foto: Nayana Magalhães/GEA

Em 2025, o Carnaval no Amapá conta com desfiles das 10 escolas de samba nos dias 28 de fevereiro e 1º de março. Os desfiles acontecem no Sambódromo, zona sul de Macapá, e ordem é de acordo com a colocação da agremiação no Carnaval de 2024.

As escolas terão no mínimo 50 e no máximo 80 minutos para passar na avenida, conforme prevê o regulamento da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (LIESAP).

Quem não cumprir o tempo mínimo será desclassificado. Haverá um intervalo de 15 minutos entre cada escola para que seja organizada a avenida para o desfile seguinte.

Sexta-feira (28 de fevereiro)

Grupo de Acesso

  • Embaixada de Samba Cidade de Macapá (21h às 22h)
  • Solidariedade (22h35 às 23h55)

Grupo Especial

  • Império da Zona Norte (0h10 à 1h30)
  • Piratas Estilizados (1h45 às 3h05)
  • Império do Povo (3h20 às 4h40)

Sábado (1º de março)

Grupo de Acesso

  • Emissários da Cegonha (21h às 22h20)
  • Unidos do Buritizal (22h35 às 23h55)

Grupo Especial

  • Boêmios do Laguinho (00h10 à 1h30)
  • Maracatu da Favela (1h45 às 3h05)
  • Piratas da Batucada (3h20 às 4h40)

Transmissão ao vivo

O Carnaval Amapaense busca evidenciar a fusão de tradições e expressões culturais locais, reforçando a importância histórica dessas celebrações para a identidade regional. Além de entreter, a cobertura pretende impulsionar a economia criativa, fomentar o turismo e promover ações socioeducativas.

Por isso, para quem não puder participar da festa carnavalesca, os desfiles das escolas de samba de Macapá, do grupo especial, serão exibidos em TV aberta pelo canal Amazon Sat.  Saiba onde assistir AQUI.

Carnaval Amazônico – Amapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Armadilha fotográfica: uma forma eficaz de observar a floresta (e algumas surpresas)

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Foto: Reprodução/Youtube-Ticksman

Neste vídeo mostro o momento em que montei uma armadilha fotográfica na selva amazônica e capturei imagens incríveis de uma anta e porcos do mato! Acompanhe-me enquanto explico o processo de instalação da armadilha e revejo as imagens capturadas.

Descubra a diversidade da vida selvagem da Amazônia e a importância de monitorar esses animais em seu habitat natural.

Sobre o autor

Ticksman é o Flávio Aparecido Terassini, biólogo, professor universitário desde 2006, mestre em Ciências pela USP e doutorando pelo Bionorte.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Carnaval Amazônico acontece pela 1ª vez no Amapá com transmissão ao vivo e programação especial

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Escola Maracatu da Favela durante o desfile das escolas de samba do Amapá em 2024. Foto: Isadora Pereira/g1 Amapá

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) traz uma novidade especial para os amapaenses nesta sexta-feira (28): a primeira edição presencial do Carnaval Amazônico chega ao estado, prometendo muita alegria, tradição e uma cobertura completa para toda a Região Norte.

“Com os ajustes na empresa e mais profissionais dedicados ao projeto, a edição deste ano será ainda mais grandiosa e efetiva. A cobertura será regional, com destaque para o Amapá, com a maior manifestação carnavalesca do estado”, afirmou o CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior.

A programação inclui transmissões ao vivo dos desfiles das escolas de samba de Macapá, a partir de sexta-feira, e dos blocos carnavalescos de Santana, a partir de sábado. Os eventos serão exibidos em TV aberta pelo Amazon Sat.

“Nós já transmitimos tanto o Carnaval de Santana quanto o desfile das escolas de samba de Macapá — e, este ano, não será diferente. A emissora fará a cobertura completa dos dois eventos, com transmissões ao vivo do desfile do grupo especial de Macapá e dos blocos de Carnaval de Santana. A expectativa para esta edição é alta, com a promessa de levar toda a energia e a alegria das festividades para os telespectadores de toda a região Norte”, destacou o coordenador do canal Amazon Sat, Lemmos Ribeiro.

A Rede Amazônica também reforça seu compromisso com a sustentabilidade: campanhas educativas e iniciativas para reduzir os impactos ambientais do evento serão implementadas durante todo o circuito de carnaval.

“Os projetos da Fundação Rede Amazônica sempre incluem ações socioambientais. Neste carnaval, haverá compensação ambiental para neutralizar as emissões de gases de efeito estufa geradas pela execução do projeto, como o uso de gasolina, energia elétrica e geradores durante as transmissões”, destacou Matheus Aquino, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica.

Com muita música, cores e alegria, o Carnaval Amazônico promete ser uma celebração inesquecível para todos os cantos do Amapá e do Norte do Brasil.

Carnaval AmazônicoAmapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

O risco da autocorrupção

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Os pais não sabiam explicar de onde surgiu a ideia de Olavo. Lá pelos 5 ou 6 anos de idade, ele começou a dizer que queria ser padre. Com 7 ou 8 anos, nos almoços de domingo, abençoava toda a família. Todos riam, mas não entendiam bem. A família não era católica e nem os convidados, na sua maioria. De onde Olavo havia tirado estas ideias?

Na adolescência, Olavo ganhou um apelido. Era o profeta. Aquele que sempre tinha um bom conselho para os amigos. Parecia o mais maduro da turma e tinha um interesse genuíno em ajudar os colegas. Na escola, conseguiu desviar alguns do uso de drogas, fazendo uma verdadeira catequese quando descobria que alguém estava querendo experimentar ou tinha experimentado entorpecentes. Contava histórias, supostamente reais, de pessoas que caíram na desgraça, por irem por este caminho. Não se sabe como, na época, Olavo tinha acesso a estes casos. Não havia internet e nem tantas informações disponíveis. Com as meninas, Olavo era gentil e até romântico. Fazia poesias e música, quando se apaixonava.

Adulto, Olavo não se tornou padre, mas criou uma igreja. Era chamado de Mestre. O que mais surpreendeu era que Olavo costumava estudar religiões orientais, especialmente o budismo e o xintoísmo, além de adotar práticas místicas de diversos tipos. A igreja criada por Olavo, no entanto, era genuinamente ocidental e, pode-se dizer, no estilo mais ortodoxo e radical. Contra as expectativas do que seria um bom marketing, em uma sociedade mais contemporânea, a igreja de Olavo, de estilo mais antigo, começou a atrair adeptos aos poucos, por um boca-a-boca, entre os que se sentiam acolhidos. Olavo não parecia preocupado com quantidade. Seu objetivo era ajudar as pessoas que o procuravam. Ele mesmo levava uma vida simples e voltada para os fiéis.

Em algum momento, porém, algo aconteceu. Olavo e sua equipe de auxiliares mais próximos, todos agora graduados como sacerdotes, desviaram o foco das pessoas para a organização. A pauta agora era o número de seguidores, as doações recebidas e os diversos eventos que precisariam ser organizados, envolvendo grandes operações. Olavo parecia mais vaidoso, tinha poder e o seu padrão de vida elevou-se consideravelmente. Segundo ele, era necessário tornar a igreja grande, a fim de levar a mensagem para todos os quatro cantos do mundo. O empreendimento ia bem, mas o próprio Olavo não estava feliz.

O que aconteceu com Olavo é mais comum do que parece e pode ocorrer com qualquer um de nós. Na origem, somos idealistas e queremos fazer o bem. Quando isto ocorre, nossa alma e nossa mente sentem-se realizadas, pois esta é a missão comum de todos nós. Acredito que seja por isto que nos sentimos tão felizes quando fazemos alguém feliz. Como seres humanos, somos capazes de grandes sacrifícios para cuidar de uma única criança ou de contribuir com causas que beneficiem muita gente. Mas temos dentro de nós a dualidade. Mais uma vez me vem à mente as forças Yang e Yin. Elas se complementam, se juntam e produzem movimentos, em parte, contrários.

Somos vulneráveis pelo poder, pela vaidade e pelo dinheiro, para citar apenas alguns. É fácil os fins se confundirem com os meios e, se não estivermos atentos, seremos vítimas do pior tipo de corrupção: a autocorrupção. Se pensarmos bem, todas as corrupções começam por aí.

O autoconhecimento, as reflexões contínuas e o criar uma segunda pessoa, que nos observe e nos critique, podem ser bons antídotos para nos manter vigilantes e atuantes na construção da felicidade, para os outros e para nós mesmos.

Todos corremos algum risco de autocorrupção, que é quando nos afastamos de nossa essência. Talvez ninguém o perceba, nem nós mesmos. Você já pensou o que o colocaria neste tipo de risco? Fica o alerta para o Olavo e para cada um de nós. E fica também a esperança de que sempre haverá tempo para retornarmos ao nosso verdadeiro caminho.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Mapeamento de castanhais no Pará é ampliado por meio de parceria

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Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

Pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) realizaram, durante uma semana entre o fim de janeiro e início de fevereiro, o mapeamento de populações naturais de castanheira (Bertholletia excelsa Bonpl.) no mosaico das unidades de conservação de Carajás, na região Sul do Pará.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Essa atividade marcou a primeira etapa de execução do projeto de pesquisa ‘Estrutura e dinâmica populacional da castanheira no mosaico de unidades de conservação de Carajás’, coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Scoles (Ufopa) e executado em campo pelo engenheiro florestal e doutor em Botânica Marcos Vinicius Batista Soares, bolsista de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa, em parceria com o NGI Carajás do ICMBio e financiamento da Fundação Tecnologia Florestal e Geoprocessamento (Funtec/DF).

“O objetivo principal desta pesquisa é avaliar o estado de conservação das populações de castanheiras no mosaico de áreas protegidas de Carajás, pressionadas há décadas pelo avanço da agropecuária e mineração”, explicou Scoles.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

“Durante esse mapeamento dos castanhais da região da Serra dos Carajás, a equipe de pesquisa contou com a inestimável participação do cacique Roiri Xikrin. O principal resultado deste trabalho foi a seleção e delimitação de castanhais com histórico de extrativismo tradicional para elaboração de parcelas de estudo e monitoramento das populações de B. excelsa”, completou o coordenador da pesquisa. Xikrin é uma das lideranças indígenas responsável pela coordenação das coletas na região do Carajás.

Ricardo Scoles (Ufopa) e cacique Roiri Xikrin, parceiro do mapeamento. Janeiro de 2025. Foto: Acervo do projeto

O projeto pretende ampliar o conhecimento sobre a região das áreas protegidas de Carajás, visando à melhor gestão do território; para isso, objetiva estudar a estrutura e dinâmica populacional da castanheira-do-brasil ou castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa Bonpl.) em três unidades de conservação do Mosaico de Áreas Protegidas de Carajás (MAPC), Floresta Nacional de Carajás (Flonaca), Floresta Nacional de Tapirapé-Aquiri (Flonata) e Reserva Biológica de Tapirapé (Rebiota).

“Para uma melhor compreensão da dinâmica populacional de uma espécie arbórea de longa vida como a castanheira, é relevante desenvolver estudos demográficos das populações de castanheira-do-brasil nas suas áreas de ocorrência que garantam uma gestão sustentável mediante um efetivo monitoramento que permita a elaboração de indicadores de manejo e aplicação de modelagem florestal com predições futuras e incertezas associadas. Com isso, pode-se avaliar as tendências demográficas das suas populações ao longo do tempo. Poucas experiências de monitoramento das populações de castanheira a médio ou longo prazo há na Amazônia, a exceção da região de Trombetas”, alertou Scoles, que desde o ano 2021 vem chamando a atenção para essa situação.

Para os pesquisadores, a principal ameaça ambiental dentro do território do mosaico é a mineração, que extrai, de forma intensiva, ferro e outros minerais (cobre, manganês, ouro e níquel) na Flonaca e na Flonata, principalmente. Já no entorno das UCs do Mosaico de Carajás, destaca-se a pressão das atividades agropecuárias e garimpeiras, além do desmatamento.

O pesquisador esclarece ainda que os castanhais ocupavam extensas áreas por toda a região de Carajás e Marabá (Polígonos dos Castanhais), até a chegada da frente agropecuária e mineral. Atualmente, as populações de castanheiras do Sudeste paraense concentram-se principalmente no mosaico de áreas protegidas. Os principais coletores de castanhas nessas áreas são os indígenas Xikrin (principalmente na Flonaca e Flonata) e os agroextrativistas que residem nos projetos de assentamento e na vila Lindoeste, em São Felix do Xingu (PA), no entorno da Flonata. Contudo, o estudo e o monitoramento da dinâmica das populações naturais de B. excelsa na região de Carajás são muito relevantes em termos técnico-científicos para a consolidação do programa de conservação dos castanhais em Carajás. “Ainda que a espécie esteja protegida pela lei do corte, é classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), e sua situação na região do Sudeste do Pará é altamente preocupante devido ao desmatamento acumulado”, destaca Scoles.

Expedições

Serão realizadas quatro expedições de campo com uma duração entre duas e três semanas cada uma. Para a Flonaca, estão previstas duas expedições no primeiro semestre de 2025: a primeira missão está prevista para ocorrer durante o período da safra (entre janeiro e março) para mapear os castanhais coletados em parceria e consentimento com os indígenas Xikrin; já a segunda missão está prevista para ocorrer após a finalização da safra, no mês de maio, e objetivará inventariar populações de castanheiras previamente selecionadas em parcelas.

As outras duas expedições seguirão cronograma definido e devem ocorrer até o mês de setembro de 2025. A finalidade é sempre medir e remedir as castanheiras monitoradas cinco anos atrás para cada uma das duas unidades de conservação e instalar parcelas permanentes para estudo e monitoramento dos castanhais do mosaico nos próximos anos.

Confira mais informações sobre a parceria da Ufopa com o ICMbio:

Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

*Com informações da Ufopa

Dados de desmatamento e focos de calor na BR-319 mostram cenário complexo, aponta estudo

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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

A Amazônia, região estratégica para bem-estar das atuais e futuras gerações, apresenta um cenário de contrastes na área de influência da rodovia BR-319. A ‘Retrospectiva 2024: Desmatamento e focos de calor na área de influência da rodovia BR-319‘, publicação anual do Observatório BR-319, que chega a sua quarta edição em 2025, traz um panorama do cenário de 2010 a 2024, que mostra avanços recentes na redução do desmatamento, mas evidencia o agravamento dos focos de calor, alertando para os riscos que se impõem à floresta e às populações locais.

“A escolha desse período visa evidenciar, com mais clareza e profundidade, as oscilações significativas do cenário na Amazônia Legal – especialmente na região do Interflúvio Madeira-Purus –, marcada por momentos de redução e aumento, refletindo as dinâmicas de pressão ambiental na região. Nesse contexto, a área foi monitorada de forma contínua, revelando importantes tendências e desafios para a conservação da floresta nessa região”, diz trecho da publicação.

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Heitor Paulo Pinheiro, especialista em geoprocessamento e analista do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), responsável pelos dados da publicação, avalia que essa retrospectiva é “um marco para as análises, e uma base para entender melhor as dinâmicas do Interflúvio Madeira-Purus, pois traz dados importantes para subsidiar políticas públicas eficazes na região. Assim, com tudo que foi apresentado na retrospectiva, podemos afirmar que, melhorar a fiscalização é fundamental para se poder pensar novamente em pavimentação”.

“Os dados apresentados demonstram uma trajetória complexa do desmatamento e dos focos de calor na Amazônia Legal, especialmente na área de influência da BR-319. Há um padrão de crescimento do desmatamento até 2022, seguido por uma redução significativa em 2023 e 2024. No entanto, os focos de calor apresentam variações mais instáveis, com aumento em algumas áreas e redução em outras”, acrescenta Heitor. “Isso indica que, embora o desmatamento esteja sendo contido em algumas regiões, ainda há desafios na contenção de incêndios florestais. Além disso, o aumento de desmatamento em Unidades de Conservação federais, como a Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro em Rondônia e o Parque Nacional (Parna) Mapinguari entre Amazonas e Rondônia, preocupa, pois indica pressão crescente sobre Áreas Protegidas, que como o próprio nome indica, deveriam estar resguardadas dessas situações”, explica.

Leia também: BR-319: A história e a realidade da rodovia que liga o Amazonas ao Brasil

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

O ano de 2024, o mais quente da história, trouxe contrastes importantes. De um lado, os dados de desmatamento indicaram uma queda significativa em relação aos anos anteriores. O desmatamento total na Amazônia Legal foi de 358.503 ha, uma redução de 11,08% em relação a 2023. No Amazonas, o desmatamento caiu para 72.876 ha, enquanto Rondônia registrou 20.976 ha, marcando uma redução de 34,5% em relação ao ano anterior.

Entretanto, nem tudo são boas notícias. Em setembro de 2024, foram registrados 41.463 focos na Amazônia Legal – um aumento de 24,7% em relação a 2023. Municípios como Porto Velho, em Rondônia, foram os mais impactados, enquanto Áreas Protegidas, como a Flona do Bom Futuro apresentou um crescimento alarmante de 81,3% nos focos de calor em 2024, totalizando 87 focos em relação aos 48 de 2023, e o Parna dos Campos Amazônicos teve um aumento expressivo de 157% no mesmo período, saindo de 91 em 2023 para 234 em 2024.

A intensificação dos focos de calor está diretamente relacionada à seca extrema que acomete a região desde 2023, agravando queimadas que comprometem recursos hídricos e elevam os riscos de doenças respiratórias em cidades como Manaus e Porto Velho. Municípios como Manicoré e Humaitá continuam a enfrentar a dura realidade de um ambiente cada vez mais suscetível às mudanças climáticas.

Leia também: Seis municípios acumulam 94% do desmatamento na BR-319 em 2022

Governança e respeito aos direitos constitucionais

A Retrospectiva 2024: Desmatamento e focos de calor na área de influência da rodovia BR-319 não é apenas um levantamento estatístico – é um alerta para a sociedade e para os gestores públicos. “Apesar dos avanços no controle do desmatamento, o aumento dos focos de calor ressalta a urgência de políticas públicas integradas e de um monitoramento ambiental rigoroso. A conservação da Amazônia depende do fortalecimento dos órgãos ambientais, da conscientização das comunidades locais e da implementação de medidas que garantam a sustentabilidade para as atuais e futuras gerações”, avalia o secretário executivo do Observatório BR-319, Marcelo da Silveira Rodrigues.

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Para Marcelo, a publicação mostra dados preocupantes. “Eles são um alerta de que o processo da BR-319 está acontecendo e, com isso, consequências deletérias para as quais precisamos exigir a mitigação de impactos, como o cumprimento de medidas previstas em leis, recomendações do Ministério Público Federal e organizações da sociedade civil, que reiteradas vezes nos últimos 15 anos, indicam a necessidade de reforço de profissionais para órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), para as secretarias de meio ambiente estaduais e para o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), através de concursos públicos específicos para a região”, destaca Marcelo.

Leia também: Desmatamento e focos de calor apresentam queda em 2023 na área de influência da BR-319

Ele também defende que os dados indicam, entre outras coisas, que o poder público “precisa tomar as rédeas do processo de licenciamento e outras obras em andamento da rodovia: qualificando, sobretudo, a governança local, dando condições para que o Estado esteja presente, tanto com órgãos de comando e controle, quanto com assistência social, em saúde, em educação e no acesso a direitos em geral que garantam condições de cidadania para a população local e, portanto, também condições de respeito ao meio ambiente, que é um direito difuso de todos cidadãos”.

A importância do Interflúvio Madeira-Purus para o clima e o bem-estar local e global também é outro ponto que o secretário executivo do Observatório BR-319 destaca.

“A ascensão dos focos de calor na Amazônia Legal, especialmente na área de influência da BR-319, tem causas antrópicas, como invasões de terras para atividades ilegais de desmatamento, grilagem, abertura de pastos e ramais, que é intensificada pela ausência do Estado e agravada pela crise climática. Isso se converte em grandes secas no Amazonas e em Rondônia, além de cheias no Acre, pois não podemos mais analisar os impactos apenas de maneira local. E também destroem o potencial de desenvolvimento de uma matriz econômica sustentável de baixo carbono e baseada na bioeconomia, que acaba afetando o bem-estar de populações indígenas, ribeirinhas, extrativistas e tradicionais em geral, assim como nas sedes dos municípios”, avalia.

Marcelo também chama a atenção para o respeito à autodeterminação das populações indígenas e tradicionais. “Já temos 15 protocolos de consulta de territórios da área de influência da BR-319, onde essas populações mostram como querem dialogar sobre toda e qualquer medida que reverbere em impactos nas suas comunidades e modos de vida. O poder público precisa criar espaços para que esses diálogos sejam construídos e essas pessoas ouvidas, pois elas também serão afetadas por obras como a BR-319 e são sujeitos de direitos previstos na Constituição e precisam ser respeitadas”, conclui.

*Conteúdo publicado originalmente pelo Observatório BR-319

Senar oferta curso visando a valorização da agricultura familiar indígena em Roraima

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A Comunidade Indígena do Jabuti, no município de Bonfim, em Roraima, tem ganhado notoriedade pela valorização da agricultura familiar indígena. Um dos grandes incentivadores da causa é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que proporciona mudança de atitude do produtor e do trabalhador rural.

O principal objetivo é ampliar a capacidade produtiva das famílias indígenas para aumentar a produção de alimentos e geração de renda, através do treinamento de formação profissional Rural da Comunidade Indígena do Jabuti. A comunidade aprendeu a aproveitar o que mais tem facilidade em produzir: a pimenta. 

Angélica Souza foi uma das alunas que aprenderam, durante o curso, a produzir molhos, compotas e geleias de pimentas que são cultivadas na comunidade.

“Sobre o curso de beneficiamento da pimenta aprendi a fazer várias receitas. A gente planta o pé de pimenta, colhe a frutinha dela e, aqui com o Senar, aprendemos a aproveitar os frutos”, disse a indígena.    

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar, com esses cursos a comunidade aprende a agregar valor aos produtos locais, implementam uma visão empreendedora para vender além da matéria-prima, agregando conhecimentos técnicos de boas práticas de manipulação de alimentos. 

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Ao todo, foram ensinadas nove receitas com pimentas que já eram plantadas na comunidade. As pimentas mais cultivadas na localidade são malagueta, dedo de moça e olho de peixe.

Confira:

Manaus é candidata ao título de Cidades Criativas da UNESCO

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Foto: Clóvis Miranda/Semcom Manaus

Manaus (AM) pode vir a integrar a seleta Rede de Cidades Criativas da UNESCO, que incentiva a cooperação entre destinos onde a criatividade é ferramenta estratégica de desenvolvimento urbano sustentável. Além da capital amazonense, que concorre na categoria ‘Gastronomia‘, São Paulo (SP) também concorre, mas na categoria ‘Cinema’.

As cidades foram escolhidas no dia 21 de fevereiro pelo Comitê de Seleção do Governo Federal, do qual fazem parte a Comissão Nacional do Brasil para a UNESCO e os ministérios do Turismo e da Cultura. No total, foram analisadas dezenas de candidaturas, das quais 9 obtiveram a classificação mínima.

A decisão considerou vários critérios da UNESCO, como alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, a história e o patrimônio dos municípios; a sinergia junto a outras áreas criativas; a viabilidade financeira; a capacidade do município de contribuir e se engajar na Rede e a adesão de autoridades municipais ao processo.

A disputa também se baseou em quesitos como a qualidade da apresentação das cidades nas línguas inglesa ou francesa e os materiais de divulgação, a exemplo de fotos e websites. Também nortearam o processo de seleção o equilíbrio e potencial regional para atuar em rede, de modo a privilegiar áreas geográficas e especialidades criativas com menor representação internacional na Rede. A partir de agora, São Paulo e Manaus serão submetidas à apreciação da UNESCO.

As duas cidades endossadas pelo governo federal deverão formalizar suas candidaturas na plataforma da entidade até 3 de março, à meia-noite, horário de Paris (20h no horário do Brasil).

Presença brasileira

O Brasil ocupa atualmente uma importante posição na Rede, atrás apenas da China e empatando com a Itália no número de Cidades Criativas. Ao integrarem a Rede, os municípios devem se comprometer a compartilhar boas práticas, firmar parcerias para promover as indústrias da cultura e da criatividade nos planos de expansão urbana e cooperar para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A última seleção realizada pelo Brasil para a participação no processo internacional ocorreu em 2023, quando foram escolhidas Penedo (AL) e Rio de Janeiro (RJ), nas categorias Cinema e Literatura, respectivamente.

Além delas, outras 12 localidades brasileiras compõem o seleto grupo:

  • Belém (PA), Florianópolis (SC), Paraty (RJ) e Belo Horizonte (MG), na categoria Gastronomia;
  • Brasília (DF), Curitiba (PR) e Fortaleza (CE), em Design;
  • Salvador (BA) e Recife (PE), na área de Música;
  • Santos (SP), no Cinema;
  • João Pessoa (PB), na divisão Artes Populares;
  • e Campina Grande (PB), em artes midiáticas.

Fase internacional

Manaus disputou com mais de 20 cidades e agora segue para a fase internacional do processo seletivo para obter o Selo da Gastronomia Criativa.

Para o prefeito David Almeida, a classificação para a fase internacional é motivo de comemoração, uma vez que torna mundialmente conhecida a riqueza culinária de Manaus.

“Todo manauara conhece a riqueza culinária da nossa cidade. Os turistas, quando provam nossas iguarias como o tambaqui, jaraqui, o tucumã, ficam encantados. Esses alimentos estão presentes na nossa cultura e no nosso dia a dia. Com essa candidatura, apresentamos esse tesouro para o mundo. Fico feliz com a conquista nacional e agora vamos atrás desta vitória internacional. Manaus merece esse selo, que será um reconhecimento a todos os envolvidos e, tenho certeza, que nossa cidade entra na rota turística da gastronomia”, afirmou Almeida.

Para divulgar a gastronomia da cidade, a Prefeitura de Manaus lançou o site www.manauscidadecriativa.com.br e o perfil no Instagram @visitamanaus. Lá, os interessados podem ter acesso a matérias produzidas sobre a culinária local, o vídeo de divulgação da candidatura e uma lista de pratos e matérias-primas típicas da cidade.

O resultado final do Selo da Gastronomia Criativa será divulgado em outubro.

*Com informações do Ministério das Relações Exteriores e Prefeitura de Manaus

Cultivo de mandioca fortalece tradições indígenas e sustento na Serra da Moça, em Roraima

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Plantio de mandioca na Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

O plantio de mandioca nas comunidades indígenas é uma prática milenar que vai além do sustento, representando vínculo com o cultivo da terra. Diante da importância cultural e econômica para povos originários, agricultores da Serra da Moça, região do Murupu, seguem com o cultivo do alimento até hoje.

Utilizando técnicas tradicionais passadas de geração em geração, os indígenas plantam a mandioca, promovendo biodiversidade e sustentabilidade. De acordo com o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Guilherme Adjuto, o trabalho técnico também incentiva os produtores a identificarem escassez no mercado.

“Nas comunidades indígenas, a gente fomenta todas as etapas de produção, desde o plantio, fornecimento de insumos e assistência técnica. Nós direcionamos e incentivamos a produzirem aquilo que o mercado está pedindo, respeitando a cultura e suas particularidades”, disse.

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Saberes culturais

Além disso, o cultivo reforça a identidade cultural e a autonomia dos indígenas, mantendo vivo saberes e fortalecendo a resistência frente aos desafios econômicos e climáticos. Contemplados com o sistema de irrigação por energia solar, os produtores mudaram a realidade, segundo o vice-tuxaua da Serra da Moça, Lailton André.

Plantio de mandioca na Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

“Com a irrigação, as coisas melhoraram muito. Antes, a gente produzia pouco e em pequena quantidade porque dependíamos das chuvas, ou seja, a plantação ocorreria apenas no inverno e no pé da serra. Hoje, a nossa realidade é completamente diferente, pois produzimos o ano todo e em uma área perto de casa”, contou.

Na região, os agricultores indígenas optam pela monocultura. Ao longo dos anos, na comunidade já produziram melancia, macaxeira, abóbora, maxixe, feijão e agora, a mandioca. Trabalhando no campo desde a infância, o produtor Justino Carlos, coleciona mais de 50 anos de experiência com o cultivo da terra.

“Se não fosse o apoio da Prefeitura de Boa Vista, a gente teria pouca coisinha, não tinha como desenvolver, porque não tinha água. Então, a gente agradece que estão sempre ajudando. Recebemos a fotovoltaica e teve uma diferença muito grande para plantar, porque no verão ela é molhada”, contou.

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Serra da Moça. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV

De crianças a adultos

Todos os moradores das comunidades são envolvidos na produção, crianças, adultos e idosos. Com frequência, entre as atividades pedagógicas das escolas indígenas, os alunos são levados até a lavoura para interagir com os trabalhadores. Com o método, é garantindo a transição de saberes para as gerações mais novas.

Estudante do 4º ensino fundamental, Stven Eler, de 10 anos, foi com a turma da escola para visita a lavoura. “A gente sempre vem até aqui com a professora. É muito divertido porque encontramos as pessoas trabalhando e conseguimos ver tudo o que tem na roça. É bem interessante”, relatou.

Todos os moradores das comunidades são envolvidos na produção, crianças, adultos e idosos. Foto: Giovani Oliveira/SEMUC/PMBV