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Segurança alimentar: Rondônia registra recorde histórico de exportações

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Foto: Daiane Mendonça/Secom RO

Rondônia alcançou recorde de exportação e está presente em 83 países, com 135 produtos. De janeiro a setembro de 2024, foram movimentados US$ 2,20 bilhões, o que equivale a R$ 12,72 bilhões. O valor é o maior que o registrado no mesmo período de 2023 (US$ 2,13 bi), e é o maior valor registrado em toda a série histórica, que começou a ser divulgada a partir de 1997. O levantamento é da Coordenação de Geointeligência de Dados Econômicos, vinculada à Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico (Sedec), com base nos dados do comércio exterior brasileiro: Comex Stat, e aponta uma evolução da evidência de Rondônia na segurança alimentar no mercado global.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, explicou que o estado colhe os resultados de valorizar a produção local com a expansão do mercado consumidor.

Produção Rondoniense

O estado é o terceiro que mais exporta na região Norte. Os principais produtos exportados são: soja, carne bovina, milho e estanho. Além disso, o café, o Tambaqui, assim como outros pescados do estado; castanhas e chocolates estão cada vez mais presentes na pauta de exportações.

Foto: Tony Santos/Secom RO

Rondônia é referência na produção do Tambaqui, café (robustas amazônicos), e cacau, que são produções com Selo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). É historicamente um importante produtor de grãos, com destaque para soja e milho, e possui o maior rebanho do Brasil, livre de febre aftosa sem vacinação. O alto padrão de sanidade da carne bovina conquista até os mercados internacionais mais exigentes.

Em 2023, no top 10 dos países que mais importam de Rondônia; estão China, Turquia, Espanha, México, Argélia, Estados Unidos, Países Baixos, Emirados Árabes Unidos, Chile e Argentina. Para chegarem até o mercado internacional, os produtos rondonienses contam com uma logística estratégica com ligação por rodovias, aeroportos e a hidrovia do Madeira.

Levantamento com base nos dados do comércio exterior brasileiro, feito pela Coordenação de Geointeligência de Dados Econômicos da Sedec.

Desenvolvimento econômico

No estado, os empresários recebem o apoio da Invest Rondônia, a Coordenadoria de Atração de Investimentos da Sedec, que possui como uma das principais missões; aumentar a presença de Rondônia no mercado internacional, oferecendo acolhimento, apoio e assessoramento aos empreendedores e investidores.

O titular da Sedec, Sérgio Gonçalves, salienta que a Invest está atenta para impulsionar as rotas estratégicas de exportações e à procura das oportunidades para o desenvolvimento econômico. ‘‘Rondônia tem um dos melhores ambientes de negócios do Brasil, está estrategicamente localizado no coração da Amazônia, e o governo do estado busca dar todas as condições para que os negócios rondonienses prosperem, e que pessoas do mundo inteiro conheçam o diferencial dos produtos do estado”.

*Com informações da Sedec-RO

Projeto para prevenir incêndios na Amazônia é aprovado por Comissão de Meio Ambiente

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Foto: Divulgação/Brigada de Alter do Chão-PA

O ano ainda não acabou e a Amazônia já registrou quase o dobro de focos de incêndios em relação ao ano passado. 2024 foi o pior, dos últimos 26 anos, em relação ao número de queimadas na região — até outubro foram mais de 22 mil focos. Só em agosto, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram mais de 10 mil focos. No mês anterior, julho, a área de floresta queimada na Amazônia cresceu 132%, na comparação com 2023. 

Para reduzir os focos e proteger a floresta, um dos projetos de lei de autoria do deputado Amom Mandel (CIDADANIA-AM) institui medidas para prevenir e combater incêndios florestais na Amazônia. O PL 4980/2023 foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente e inclui ainda a criação de protocolos de resposta rápida e campanhas de conscientização sobre o impacto do fogo nas florestas.

Entre os artigos propostos pelo PL 4980/2023 estão:

  • Criação da Comissão Interestadual de Combate às Queimadas;
  • Criação do Fundo de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais na Amazônia (FPCIFA);
  • Alteração do Código Florestal de 2012, integrando a Política Nacional de Manejo e Controle de Queimadas;
  • Criação de protocolos de resposta rápida;
  • Promoção de campanhas de conscientização.

Comissão Interestadual de Combate às Queimadas

Um dos destaques do projeto é a criação da Comissão interestadual de Combate às Queimadas, que deve ter um papel fundamental para dar mais atenção às queimadas na região. Ou seja, potencializando o trabalho do Prevfogo na região e funcionando como uma espécie de comitê de monitoramento local. O autor do projeto explica.

Segundo Amom Mandel, a ideia não é tirar a competência dos órgãos já postos, como o Prevfogo, mas potencializar o seu trabalho na região.

Sobre o Prevfogo

O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) é um Centro Especializado, que funciona dentro da estrutura do Ibama, e é responsável pela política de prevenção e combate aos incêndios florestais em todo o território nacional. O Prevfogo inclui atividades relacionadas com campanhas educativas, treinamento e capacitação de produtores rurais e brigadistas, monitoramento e pesquisa.

O projeto de lei ainda precisa ser aprovado pelas Comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça para ser votado no plenário da Câmara.

*Com informações do Brasil 61

Saiba quais são os benefícios da compostagem para a agricultura familiar

Foto: Marfran Vieira/Idam

Com o objetivo de estimular a produção sustentável de alimentos por meio de técnicas de manejo agroecológicas, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) recomenda a produção de composto orgânico para utilização nas lavouras. A iniciativa, segundo o órgão, minimiza, também, os impactos das mudanças climáticas nas produções agrícolas e pode ser utilizado em substituição aos fertilizantes químicos.

De acordo com o gerente de Apoio à Agroecologia e Produção Orgânica (Geapo) do Idam, Mario Ono, a compostagem orgânica é um processo de decomposição de resíduos orgânicos de origem animal e vegetal, livres de contaminantes, que resulta composto orgânico. O bioinsumo, segundo ele, é utilizado na nutrição vegetal para o fornecimento de macro e micronutrientes às plantas, além de melhorar a estrutura e aumentar a atividade microbiana do solo.

Ono ressalta que a pilha de resíduos deve ser feita em um local próximo a fonte de água. Além disso, é importante que esteja fora do alcance de animais e crianças e, ainda, à sombra de árvores para não secar rapidamente em períodos de maior incidência solar.

Foto: Marfran Vieira/Idam

O preparo

A montagem da pilha de compostagem deve ser preparada com as seguintes camadas: 15 a 20 cm de material seco rico em carbono (material vegetal), cobrindo toda área demarcada; mais ou menos 5 cm de resíduos fonte de nitrogênio (estercos de animais); uma camada de 10 a 15 cm de material verde rico em carbono (material vegetal); uma camada fina de 1 a 2 cm de terra fértil ou cinza; as próximas camadas são a repetição das anteriores, até atingir uma altura de 1,5m.

Segundo ele, o composto fica pronto em torno de 90 a 120 dias, dependendo do número de reviradas e do tipo de materiais utilizados, quando estiver soltinho, com a cor marrom e cheiro de terra. “Para tanto, é importante controlar umidade e temperatura da pilha de compostagem para se obter um composto orgânico de qualidade. Depois disso, o composto deve ser peneirado e o material que não ficou bem decomposto deve ser adicionado a uma nova pilha de compostagem”, reforçou o gerente.

*Com informações do IDAM

Estudos revelam potencial da pupunha branca nas indústrias alimentícia e farmacêutica

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Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Partindo da premissa de que a geração de conhecimento possa ser revertida em benefício à sociedade, sobretudo à população de menor poder aquisitivo, o Laboratório de Ciências dos Alimentos (LCA), da Faculdade de Nutrição (ICS/UFPA), vem desenvolvendo estudos e pesquisas com a pupunha branca, uma variedade pouco consumida, de reduzido interesse comercial, encontrada em diferentes partes da Amazônia.

Também chamada pupunha albina, essa variedade possui casca e polpa inteiramente brancas. Apesar da polpa abundante, ela possui menos óleo que outras variedades: vermelha, amarela e verde – o que a torna mais seca, dando a sensação de formação de farinha na mastigação, e reduz a procura para seu consumo. No entanto é importante destacar que a pupunha branca é rica em compostos, como amido e fibra, conforme apontaram as pesquisas desenvolvidas no LCA, lideradas pela pesquisadora professora Orquídea Vasconcelos dos Santos, do Grupo de Pesquisa Aplicação de Tecnologias Analíticas para Agregação de Valor a Produtos e Subprodutos da Fruticultura Amazônica, chancelado pelo CNPq.

Um desses estudos foi realizado por Rosely Carvalho do Rosário, durante o Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA/UFPA), em que comprovou o elevado teor de amido da pupunha branca e a sua diversidade de uso. A dissertação ‘Caracterização do amido da pupunha albina’ deu continuidade às pesquisas nas quais os estudos de constituintes isolados dessa matriz vegetal reconheceram a alta potencialidade desse fruto, com destaque para a composição amilácea, ou seja, rica como fonte de amido.

Ela explica que, na caracterização, o amido do fruto em questão é analisado como um todo, desde a quantidade de proteínas e sais minerais até as suas potencialidades de aplicação, justamente para dizer à comunidade científica em que ele pode ser empregado. Um dos achados das pesquisas do grupo do LCA é que o amido de pupunha branca pode ser empregado tanto no desenvolvimento de alimentos como na indústria farmacêutica, por exemplo, na encapsulação de medicamentos e de compostos bioativos, na indústria da panificação e de massas, na área tecnológica, na fabricação de bioplásticos para envolver alimentos, entre outras.

Pesquisa garante que o fruto não apresenta risco à saúde

No Laboratório de Ciências dos Alimentos, as pesquisas com pupunha começaram em 2018, mas foram interrompidas em decorrência da pandemia da covid-19, o que causou perda de amostras e problemas com as parcerias científicas. A ideia de pesquisar a pupunha branca surgiu como uma forma de desmistificar o receio das pessoas em consumir o fruto, seja pela aparência, por medo de envenenamento, seja por achar que não gostariam do sabor. As pesquisas, no entanto, mostram que a pupunha branca pode ser consumida sem nenhum risco.

Segundo a professora Orquídea Vasconcelos, a pupunha branca causa uma admiração nas pessoas em razão da cor diferente, mas os vendedores dizem que vende muito pouco.

Buscando evitar esse desperdício, o grupo de pesquisa propôs adicionar o amido de pupunha branca ao trigo no preparo de pães e massas como forma de baratear a produção. De acordo com o que se sabe, o trigo é uma matéria-prima que encarece bastante os produtos, porque grande parte é importada para o Brasil. “Você pode substituir parcialmente o trigo daqueles produtos pelo amido de pupunha branca e de outras fontes não convencionais, assim barateando a produção da indústria e o preço ao consumidor”, informa.

A pesquisadora esclarece que o amido de pupunha não substitui o trigo totalmente, visto que eles têm propriedades diferentes: “Estamos testando proporções diferentes, de modo a manter a propriedade final do produto. O pão, por exemplo, não pode perder a propriedade elástica, dada pelo trigo. Isso está sendo feito por meio de uma substituição proporcional. Adicionamos 5, 10, 15% de amido ao trigo e observamos até onde a massa se mantém elástica e palatável”.

Orquídea Vasconcelos informa que é possível extrair amido de qualquer variedade de pupunha, mas o rendimento e a coloração variam conforme a cor do fruto. A pupunha branca fornece um amido branco mais apropriado à mistura com o trigo por não alterar a coloração dos produtos.

A pesquisadora cita um estudo do LCA sobre a composição mineral dos amidos de pupunhas, mostrando que essa composição não oferece nenhum risco à saúde humana.

Análise nutricional e funcional apresenta bons resultados

Foto: acervo da pesquisa

Em janeiro de 2023, a pesquisadora Mayara Santos defendeu sua dissertação no PPGCTA, na qual avaliou a composição nutricional e funcional dos extratos lipídicos isolados de variedades de pupunhas (vermelha, amarela, verde e branca), concluindo que o rendimento da pupunha branca é menor do que o das outras pupunhas. O rendimento é a quantidade de óleo presente em 100g de amostra. Enquanto as outras pupunhas oscilam entre 15 e 20%, a quantidade de óleo da pupunha branca é de 7%. Tendo menos óleo, ela perde o sabor.

No entanto a pesquisa detectou que, em relação à composição de ácidos graxos, a pupunha branca mantém a sua funcionalidade na prevenção cardiovascular, dado que os índices de aterogenicidade e trombogenicidade e as taxas hipocolesterolêmicas (redução do colesterol), por exemplo, ainda estão presentes em seu óleo, mesmo em quantidades reduzidas.

A pupunha branca também apresenta baixo teor de carotenoides, uma provitamina A que exerce, no organismo, a função de proteção contra agentes oxidantes celulares, podendo, assim, minimizar a etiologia de doenças cardiovasculares e o envelhecimento celular. Em escala progressiva, a pupunha vermelha apresenta maior teor de carotenoides; a amarela, um pouco menor; a verde, menor ainda. A branca é a última dessa escala.

De acordo com a professora Orquídea, as pesquisas do LCA buscam desenvolver produtos aplicando as potencialidades de cada uma dessas matrizes, ou seja, isolando e elaborando produtos alimentícios de fácil consumo e de custo reduzido. Alguns exemplos são as farinhas utilizadas em massas (biscoitos, pães, cookies e snacks em geral) e os óleos extraídos como fontes coadjuvantes na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, a provitamina A (carotenoides).

Laboratório tem dois pedidos de patente em tramitação

Atualmente, o Laboratório de Ciências dos Alimentos (LCA) está com dois pedidos de patentes em tramitação no Instituto Nacional da Propriedade Industrial; e um terceiro, postado. O processo é realizado em três etapas: a postagem e duas avaliações. A segunda avaliação encerra o processo, que leva em torno de quatro anos.

Orquídea Vasconcelos revela a preocupação social que norteia os trabalhos desenvolvidos no laboratório:

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 172, da UFPA, escrito por Walter Pinho

Olericultura: produtor triplica produção após acompanhamento técnico 

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O estado de Tocantins tem registrado aumentos significativos na produção de hortaliças folhosas, mesmo que a região Norte continue entre as menores produções brasileiras de hortícolas, com um destaque especial para a melancia, segundo a página oficial do Governo do estado.

Um dos ramos da horticultura, a olericultura abrange a exploração de um grande número de espécie de plantas que possibilita a geração de empregos. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem auxiliado diversos produtores de forma técnica em suas plantações nesse ramo.

O olericultor Edvan Milhomem foi um dos produtores em Tocantins que viu sua produção triplicar após o acompanhamento técnico. 

Foto: Reprodução / YouTube – Amazon Sat

A equipe técnica do Senar lista uma série de dificuldade enfrentadas quando iniciam o acompanhamento com um olericultor que tem experiência, mas que necessita de orientação para o crescimento de produção:

Conhecimento técnico limitado: O olericultor não possui conhecimento sobre práticas agrícolas modernas, manejo de solo, irrigação, controle de pragas e doenças entre outros.

Infraestrutura inadequada: A propriedade pode não tem infraestrutura adequada para o cultivo como, equipamentos, ferramentas e instalações.

Gestão deficiente: normalmente não tem habilidades gerenciais para planejar, organizar e controlar a produção.

Dificuldade em absorver informações: precisa de tempo para absorver e aplicar as orientações técnicas.

Resistência a mudanças: muitas vezes resisti a mudanças em suas práticas tradicionais.

Limitações financeiras: O olericultor enfrenta problemas com restrições financeiras para investir em melhorias.

Dificuldade em acessar mercados: apresenta dificuldade em encontrar canais de venda para sua produção.

Foto: Reprodução / YoutubeAmazon Sat.

Quanto as diferenças de um olericultor menor para um de grande propriedade, os técnicos afirmam que há uma série de técnicas diferentes que devem ser aplicadas para ambos.

Os técnicos descrevem quais são as principais práticas para um olericultor ter bom desempenho na produção: 

Olericultor de pequeno porte

Cultivo intensivo: aproveitar ao máximo o espaço disponível.

Diversificação de culturas: reduzir riscos e aumente a oferta.

Técnicas manuais: utiliza ferramentas simples e mão de obra familiar.

Controlar as pragas e doenças: métodos orgânicos e integrados.

Irrigação eficiente: uso de sistemas de gotejamento.

Olericultor de grande porte

Cultivo extensivo: aproveita áreas maiores para economia de escala.

Especialização em culturas: foco em poucas variedades para otimizar produção.

Mecanização: uso de equipamentos pesados para aumentar eficiência.

Controle de pragas e doenças: métodos químicos e biológicos integrados.

Irrigação automatizada: sistemas de irrigação por aspersão ou pivô.

Técnicas comuns a ambos

  • Planejamento e gestão;
  • Análise de solo e adubação;
  • Controle de nutrientes;
  • Monitoramento climático;
  • Práticas de sustentabilidade.
Vídeo: Reprodução/YouTube – Amazon Sat

Riscos da alta produção de açaí: Igarapé-Miri testemunha transformações socioambientais no Pará

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Foto: Oswaldo Forte

Rica e diversa, a culinária paraense é um farto exemplo do paladar amazônico. Conhecidos pelos seus aromas, seus pratos típicos incluem ervas e carnes, trazendo no sabor um quê inconfundível. Entre os sabores mais famosos da região, está o do açaí, típico acompanhamento das refeições nas mesas locais. De norte a sul do Brasil, a sua forma de consumo varia, mas do que ninguém discorda é do seu potencial. Pensando nisso, Benedito Brito de Almeida, graduado em Licenciatura Plena em Educação do Campo (Ênfase em Ciências Naturais) pela UFPA/Campus Abaetetuba, pesquisou quais têm sido as consequências advindas do aumento da produção do fruto.

Nascido e criado nas ilhas do município de Igarapé-Miri, Benedito trabalhou na produção do açaí até entrar na faculdade e viu seu município se desenvolver graças a esse fruto. A cidade está situada a 78 quilômetros de Belém, na mesorregião do nordeste paraense, conhecida como Baixo Tocantins. O município é reconhecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como a capital mundial do açaí, por ser um grande produtor e exportador do fruto. Dados do IBGE apontam que, somente em 2020, o fruto movimentou a economia local mais de R$1,57 bilhão, com mais de 420 mil toneladas produzidas.

A dissertação intitulada ‘O aumento da produção do açaí e as alterações socioambientais na várzea de Igarapé-Miri/PA’ teve como objetivo analisar as transformações na área de várzea, ocasionadas pela produção do açaí, por meio do olhar de sujeitos sociais que contribuem com a realidade atual da comunidade miriense. “Os debates realizados em sala de aula despertaram a minha curiosidade pelo processo de consolidação dessa produção, que tem importância inestimável para os ribeirinhos. Também quis entender seus impactos em três esferas: social, ambiental e econômico”, revela o pesquisador.

Fruto, palmito, biofertilizantes e artesanato

O açaí possui elevada qualidade nutricional e sua polpa pode ser utilizada de inúmeras maneiras; todavia outros componentes de sua palmeira também possuem importante valor comercial na cadeia de produção, nos níveis nacional e internacional. “Nos últimos anos, temos visto a exportação do palmito, que possui valor nutricional elevado, e também do caroço de açaí, considerado resíduo do fruto, para a produção de fibras, biomassas e biofertilizantes. Localmente, sua raiz é usada na Medicina tradicional; seu caule, como suporte para construção de pontes e casas; as folhas e as vassouras, como adubo orgânico; e seus caroços, como artesanato”, detalha.

Esse quadro contribui para que o açaí seja cada vez mais procurado e tenha suas áreas de plantação expandidas. Assim, buscando obter dados de forma segura sobre a produção do fruto, Benedito Brito de Almeida baseou a metodologia de seu trabalho em quatro abordagens: observações, entrevistas, aplicações de formulários e reuniões com grupos focais.

“A primeira entrevista aconteceu com um dos sócios fundadores da Associação dos Minis e Pequenos Produtores Rurais de Igarapé-Miri, o qual forneceu riquíssimas informações e documentos que direcionaram a pesquisa. Posteriormente, fizemos a aplicação de formulários com produtores, ao longo da várzea do município, e, por fim, reunimos com um grupo composto por agricultores de várias regiões para elaborar os mapas cognitivos, com suas percepções sobre a produção do açaí”, enfatiza o professor.

Com a pesquisa, Benedito de Almeida constatou que um dos principais danos socioambientais resultantes da elevada produção de açaí é a invasão de áreas de preservação permanente, o que culmina na retirada de matas ciliares e na redução de espécies de vegetais e animais (pescados e caças) que, segundo o autor, já foram a base da alimentação das comunidades rurais. Por outro lado, o aumento de renda da população é o fator positivo ocasionado pelo processo, visto que a produção gerou autonomia, melhorias de residências e acesso à educação, promovendo, então, maior conforto à comunidade local.

Economia e meio ambiente seguem rumos diferentes

O professor afirma que, na região pesquisada, economia e meio ambiente seguem rumos diferentes.

Como alternativa para a redução dos danos ambientais, o professor ressalta que o estado pode incentivar a geração de renda com outras culturas além do açaí, auxiliando os produtores na entressafra do fruto. “O açaí é o carro-chefe da produção, mas é preciso investir em outras culturas, ou seja, trabalhar com o consórcio de espécies, agredindo menos o meio ambiente e produzindo o ano todo, pois a safra do açaí se concentra entre agosto e dezembro. Porém, para isso acontecer, precisa de investimento do poder público, principalmente em assessoramento, certificação e abertura de mercados”, enfatiza.

Filho de mãe professora e pai agricultor, Benedito Brito de Almeida segue os caminhos já percorridos pelos pais. O professor, que já foi produtor rural e, agora, é doutorando em Educação, conclui esta matéria reconhecendo o enorme potencial do açaí. “Antes, os produtores eram obrigados a procurar mercado para expandir sua produção, mas, depois que o mundo conheceu o sabor e os valores nutricionais do açaí, é o mercado que vem à sua procura”, finaliza.

Sobre a pesquisa

A dissertação O aumento da produção do açaí e as alterações socioambientais na várzea de Igarapé-Miri/PA foi defendida por Benedito Brito de Almeida em 2020, no Programa de Pós-Graduação em Cidades, Territórios e Identidades (PPGCITI), Campus Abaetetuba, com orientação dos professores Yvens Ely Martins Cordeiro e Norma Ely Santos Beltrão.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 172, da UFPA, escrito por André Furtado

IRMA: nova estratégia peruana ajuda a restaurar ecossistemas e reduzir risco de desastres

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Uma nova estratégia que permite identificar e priorizar medidas de conservação de infraestruturas naturais para reduzir o risco de desastres no Peru em caso de eventos naturais como deslizamentos de terra e inundações foi lançada pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam) peruano.

Trata-se do IRMA, sigla para o modelo de ‘Identificação Rápida de Medidas de Ação’, uma ferramenta de informação preventiva para reduzir o impacto gerado por inundações e deslizamentos de terra.

Segundo o Minam, a ferramenta está em implementação e permitirá identificar e priorizar medidas de conservação de infraestruturas naturais para prevenir e reduzir o risco de desastres com uma abordagem sustentável.

De acordo com o ministério, a estratégia setorial dá ênfase aos ecossistemas do alto andino e da Amazônia andina, bem como às partes altas das bacias que precisam ser restauradas, pois perderam a capacidade de regular a água, estabilizar encostas e proteger as populações contra os perigos naturais.

Segundo a Direção Geral de Ordenamento do Território e Gestão Integral dos Recursos Naturais do Minam, cerca de 30% da superfície destes ecossistemas é afetada, por isso é necessário mudar os cuidados com o território com uma abordagem baseada na conservação da natureza.

Valor estratégico do IRMA

Foto: Divulgação/Agência Andina

A implementação do modelo IRMA contribui para reverter a deterioração dos espaços naturais e recuperar a sua capacidade de proporcionar segurança e bem-estar à população, disse o diretor de Monitorização e Avaliação dos Recursos Naturais do Território, do Minam, Jesus Flores.

Da mesma forma, a sua aplicação incentiva a utilização eficaz dos recursos públicos e privados, garantindo uma ocupação mais resiliente do território, com uma visão de longo prazo contra os efeitos das alterações climáticas e reduzindo o risco de catástrofes.

A infraestrutura natural inclui ações como a “revegetação” do solo, a instalação de barreiras vivas, a criação de plataformas e o controle de voçorocas em áreas críticas.

Estas intervenções ajudam a mitigar o risco de catástrofes, reforçando a retenção de água nos solos, estabilizando os terrenos e prevenindo a erosão. Além disso, contribuem para a recuperação do ambiente natural, que é fundamental para proteger as populações e os seus meios de subsistência.

Em quais regiões já funciona?

Esta metodologia foi implementada nas bacias de Rímac, Lurín e Chillón (Lima), Lucre e Andahuaylillas (Cusco), Mantaro (Junín), Ponasa (San Martín), Vraem (distrito de Pichari em Cusco) e na inter-bacia de Ancón e Santa Rosa (Lima).

Seus resultados e avanços foram apresentados no Pavilhão do Peru durante a COP 16 em Cali, na Colômbia, no evento “Gestão de riscos de desastres e recuperação de ecossistemas: reduzindo riscos e conflitos”, liderado por Minam, Universidad Católica Sedes Sapientiae e Peru CO2 – Alliance for Amazônia peruana.

*Com informações da Agência Andina

Dois filhotes de peixes-boi são resgatados e levados para Belém

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Foto: Divulgação

O Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), realizou, neste domingo (10), o transporte de dois filhotes de peixe-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis), uma das espécies mais ameaçadas de extinção da região amazônica. De regiões distintas, os dois mamíferos aquáticos foram encontrados em Monte Alegre, no Baixo Amazonas, e Portel, no Marajó, e foram transportados para a capital Belém.

O voo de transporte iniciou na manhã deste domingo (10) para Santarém e, em seguida, para Monte Alegre, onde o primeiro filhote embarcou. O animal foi encontrado dia 7 pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). A secretaria solicitou apoio ao órgão estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) no traslado do animal. Durante esses dias, o filhote foi assistido pelos comunitários e pela Semma de Monte Alegre até o acionamento para o resgate.

A ação conjunta de resgate contou com diversos parceiros, entre eles, a Comunidade São Benedito, Prefeitura de Portel, Ibama, ICMBio, Mpeg, Instituto Bicho D’água, Semas, Cetras-Ufra e o Graesp.

Segundo o diretor do Grupamento, coronel Armando Gonçalves, o transporte no modal aéreo é o mais recomendado nesse tipo de demanda, por oferecer maior segurança aos animais, em menor tempo.

Foto: Divulgação

“A agilidade e eficiência da nossa equipe foram cruciais para salvar os dois filhotes de peixe-boi em situação de risco. O uso de aeronaves em operações de resgate como essa garante a segurança dos animais e a eficiência do processo, minimizando o tempo de resposta e maximizando as chances de sucesso. Agradecemos a todos os envolvidos nessa operação e reiteramos o nosso compromisso com a preservação ambiental e o bem-estar da fauna brasileira”, afirma o diretor, coronel Armando Gonçalves.

Durante o traslado de Monte Alegre a Belém, neste domingo, a equipe tomou conhecimento do segundo animal, conhecido carinhosamente como ‘Bené Baixinho’. Bené foi encontrado no sábado (9) na comunidade São Benedito, área rural de Portel, no Marajó, e estava sob cuidados do Instituto Bicho D’água.

Foi então que a rota para Portel foi traçada para o resgate do segundo animal com pouso no final da tarde na base do Graesp, em Val-de-Cans, Belém. Agora, os dois filhotes estão recebendo cuidados no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (Cetras) da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Após, ‘Bene Baixinho’ (Portel) será encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pará (UFPA).

De acordo com a gerente de fauna, aquicultura e pesca da Semas, Talita Praxedes, os filhotes devem receber cuidados específicos. “No caso de Monte Alegre, estimam que ele tenha ficado pelo menos oito dias sem alimentação. Ele tinha um ferimento nas costas, o que comunica para a gente que, talvez, muito provável, a mãe tenha sido morta por arpão e esse arpão também pegou nele. Então, ele teve muito emagrecimento e desidratação”.

“O menor, como foi encontrado ontem, apresentava apenas desidratação, talvez alguma perda de peso, mas não tão acentuada quanto o outro. Eles precisam de cuidado agora de alimentação, medicação, e também assistência por causa da vida de estresse, da viagem. Vão receber todos os cuidados necessários e a avaliação por parte da equipe técnica lá do hospital veterinário”, informou Talita Praxedes.

*Com informações da Agência Pará

Vitória do Jari tem maior percentual de moradores em favelas do Brasil, mostra IBGE

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Município de Vitória do Jari, no sul do Amapá. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Vitória do Jari, no sul do Amapá, é o município do país com o maior percentual de pessoas morando em favelas em relação à população, alcançando 69,2%, segundo dados do Censo de 2022, do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 8 de novembro.

Os dados do IBGE mostram que em 2022, o Brasil possuía 12.348 favelas e comunidades urbanas. Mostra também o número de 16.390.815 moradores dessas áreas.

O Amapá aparece liderando a lista de sete municípios, com relação à crescimento em termos de população:

  • Vitória do Jari (AP), com 69,2%
  • Ananindeua (PA), com 60,2%
  • Marituba (PA), com 58,7%
  • Belém (PA), com 57,2%
  • Manaus (AM), com 55,8%;
  • Paranaguá (PR), com 47,2%;
  • Cabo de Santo Agostinho (PE), com 45,4%.

Vitória do Jari, segundo o IBGE, em 2022, possuía população de 11.291pessoas. A cidade está localizada a 180 km de Macapá e surgiu após ser desmembrada do município de Laranjal do Jari em 8 de setembro de 1994.

A origem da pequena cidade está ligada ao desenvolvimento direto de Laranjal do Jari. Por lá, durante muito tempo foi executado o Projeto Jari Florestal, onde muitos trabalhadores laboravam na exploração de minério.

Essa população de trabalhadores aumentou na região e criou-se uma espécie de povoado às margens do rio Jari, que ficou conhecido na década de 80 como “Beiradinho”.

Em 1994, “Beiradinho” foi instituído como Vitória do Jari. O local é vizinho a Monte Dourado, município paraense que também se mistura com a vida ribeirinha da região.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

ZFM, destruição criativa, mudar para avançar

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Foto: Reprodução/Suframa

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Segundo Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos primeiros economistas a considerar as inovações tecnológicas como motor do desenvolvimento capitalista, a destruição criativa tem como fundamento o surgimento e consolidação de produtos e métodos capitalistas inovadores que ocupam espaço no mercado, causando o desaparecimento de produtos e métodos antigos. O princípio assenta-se perfeitamente na Zona Franca de Manaus (ZFM), que, penso eu, não pode continuar a ser entendida como um modelo industrial fechado, auto-suficiente e infenso às dinâmicas geopolíticas internacionais, hoje impulsionadas pela Revolução Industrial 4.0. É, por conseguinte, de responsabilidade do governo, das classes políticas e empresariais buscar ajustar o modelo aos pressupostos determinantes de sua criação. Ao se cogitar a absoluta necessidade de reconfiguração do modelo – iniciativa que deveria ter sido adotada quando da abertura da economia no governo Collor de Mello a partir de 1991/1992 -, deve-se ter em mente não se referirem tais medidas de políticas públicas a nada de inusitado, mas ao cumprimento do disposto no diploma legal que levou o governo federal a instituir a ZFM há mais de meio século.

Desta forma, visando sua harmonização aos padrões tecnológicos internacionais, particularmente à Indústria 4.0, o modelo, no período, poderia ter sofrido ao menos três importantes transformações em relação à matriz econômica original (DL 288/67): a) ampliar e ajustar o PIM à Indústria 4.0; b) desenvolver polo de biotecnologia, mineração, produção de alimentos e ecoturismo e c) implantar uma Zona Especial de Exportações. Além do mais, superar o caduco modelo de substituição de importações vigente desde sua origem, em 1967. Efetivamente, as pré-condições que deverão conferir à “ZFM-2073” maior equilíbrio, sustentação e inserção internacional. Tal condição, contudo, não se realiza por meio de decreto, mas de pesados investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I). Assim ocorreu no Japão, nos Tigres Asiáticos, na Europa Ocidental, na Austrália, nos Estados Unidos e mais recentemente na China.

Com efeito, a incorporação desses vetores poderá, estimativamente, impactar a matriz econômica, do atual modelo mono industrial, para um novo sustentado proporcionalmente, ao que proponho, pela Bioeconomia (35%), PIM 4.0 (35%) e Plataforma de Exportações (30%). Desta forma, tornar a economia do Amazonas diversificada e equilibrada por centrada nos pilares que universalmente sustentam as economia desenvolvidas: o setor primário, o industrial, o comercial/serviços e o tecnológico. Factível, o novo desenho da matriz econômica ZFM-2073 poderá, certamente, em 10 ou 15 anos gerar exportações da ordem de U$ 15 bilhões/ano e ao menos triplicar o atual nível de emprego. A exploração da biodiversidade, da mineração, da produção de alimentos, do manejo florestal sustentável e do ecoturismo, por outro lado, poderão reconfigurar os atuais indicadores macroeconômicos da ZFM, que apontam uma concentração de 85% do Produto Industrial (PIM, basicamente), 92% do ICMS arrecadado e 77,5% do PIB estadual na capital do Amazonas.

A ausência de políticas públicas ajustadas às potencialidades inerentes ao campo da biotecnologia reflete-se no baixo aproveitamento sustentável dos recursos da biodiversidade amazônica. Por convenção internacional, a biotecnologia “abrange qualquer aplicação tecnológica que se utiliza de sistemas biológicos, organismos vivos ou derivativos destes, para produzir produtos e processos para usos específicos”. Objetivamente, uma área da ciência talhada para a Amazônia, que reúne a mais importante biodiversidade do planeta, objeto de pesquisas por parte do Inpa, Embrapa e Academia. O Brasil, não obstante a abundância inconteste desses recursos, não sabe, entretanto, como usá-los eficazmente. No PIM, por exemplo, não temos uma só empresa que opere nesse campo da biotecnologia. O grande desafio consiste, por conseguinte, em traduzir conhecimento científico em produtos e processos inovadores.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

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