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Ingá: fruto típico da Amazônia auxilia no emagrecimento e combate a anemia

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Foto: Reprodução/Dr. Saúde

Com uma aparência peculiar, semelhante à de um cipó, o ingá se destaca entre as frutas amazônicas por sua característica autêntica. A fruta abriga várias sementes envoltas por uma polpa branca, macia e levemente adocicada.

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Além do sabor agradável, sua fragrância também chama atenção: durante a floração, que ocorre entre setembro e dezembro, o aroma suave do ingazeiro perfuma o ambiente, tornando fácil identificá-lo na paisagem.

Nas feiras da região, o ingá é garantido e está entre os favoritos de quem busca uma opção saudável e saborosa para sobremesa. Além de agradar ao paladar, ele também oferece uma série de benefícios nutricionais.

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O Grupo Rede Amazônica,  conversou com o nutricionista Roberto Rocha, especialista em reeducação alimentar e emagrecimento, que explicou que o ingá é uma excelente fonte de vitamina C, ferro e cálcio, nutrientes essenciais para o organismo.

Veja os valores nutricionais em 100 gramas de ingá, de acordo com a TACO (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos)

  • Kcal: 60 kcal.
  • Carboidratos: 15,50 g. Proteínas: 1 g.
  • Lipídeos: 0,10 g.
  • Colesterol: 0 mg.
  • Fibra Alimentar: 1,20 g.
  • Vit. C 1,6 MG
  • Cálcio: 21 mg
  • Ferro: 2.3 mg

“Por ser uma fruta regional e sazonal, o ingá pode ser um ótimo complemento para uma alimentação equilibrada. A vitamina C fortalece o sistema imunológico e tem ação antioxidante, ajudando na saúde da pele. O ferro combate anemias, previne cansaço e fadiga, além de auxiliar no transporte de oxigênio pelo sangue. Já o cálcio é fundamental para a saúde óssea, prevenindo a osteoporose e contribuindo para a regulação do ritmo cardíaco”, explica o especialista.

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Ainda de acordo com Roberto, por conter fibras, o fruto pode auxiliar ainda no processo de emagrecimento, considerando o contexto geral da dieta.

Com tantos atributos, não é surpresa que o ingá conquiste cada vez mais admiradores. Seja pelo sabor ou pelos benefícios à saúde, essa fruta típica da Amazônia é um verdadeiro presente da natureza.

*Por Agaminon Sales, da Rede Amazônica RO

Feriado de Carnaval? Não em Roraima; entenda por quê

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Foto: Giovani Oliveira/Semuc/PMBV

O período de Carnaval não é feriado em Boa Vista nem em Roraima. Isso porque para uma data ser considerada feriado é necessária uma lei, o que até este ano não existe na capital, tampouco no estado. Em 2025, o carnaval ocorre entre os dias 1º e 5 de março.

O período é considerado ponto facultativo na capital, o que significa que apenas servidores municipais terão folgas. O governo ainda não divulgou como será a data. Trabalhadores de empresas privadas devem seguir a jornada habitual ou conforme decisão dos gestores.

No âmbito nacional, o período de segunda a quarta-feira, até as 14h, é considerado ponto facultativo pelo governo federal, de acordo com o calendário oficial deste ano.

Festa de Carnaval em Boa Vista

Este ano, a tradicional festa de carnaval organizada pela prefeitura de Boa Vista inclui o desfile de 35 blocos em quatro pontos da capital e um circuito de rua. A festa programação se inicia na sexta-feira (1º) e segue até a terça-feira (4).

A folia em 2025 tem como tema ‘Folia que abraça, cidade que cuida’. A programação ocorre:

  • na Praça Fábio Marques Paracat;
  • no Circuito Itinerante: Praça Linear Chico do Carneiro, Praça Cabos e Soldados e Praça Clotilde Thereza Duarte de Oliveira;
  • e no Circuito de Rua, que terá desfiles de blocos em vários bairros da capital.

Para as crianças, a prefeitura de Boa Vista anunciou o show da atração nacional Mundo Bita, no domingo (2), na praça linear Chico do Carneiro.

Pesquisa com ariranhas busca compreender estado de conservação da espécie no Amazonas

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Foto: Marcelo Ismar Santana

A ariranha (Pteronura brasiliensis), a maior lontra do mundo e uma das mais ameaçadas de extinção, tem sido o foco de uma pesquisa na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, no Amazonas. O estudo, coordenado pelo Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, visa entender o estado de conservação, os padrões espaciais e temporais, e a saúde da população de ariranhas na região, além de avaliar a percepção das comunidades ribeirinhas sobre a espécie.

A ariranha, endêmica da América do Sul, sofreu uma drástica redução em sua distribuição geográfica ao longo das últimas décadas. A caça predatória, principalmente para o comércio de peles, e a perda de habitat foram os principais fatores que diminuíram a população dessa espécie e levaram à sua extinção em alguns locais.

Na RDS Amanã, dois anos após a criação da área protegida, a espécie, que havia sido extinta localmente, voltou a habitar a região. No entanto, interações negativas entre os moradores locais e as ariranhas ainda são motivo de preocupação, podendo levar a prejuízos econômicos para as comunidades e ameaças à espécie. Dessa forma, o projeto busca investigar não apenas a ecologia da espécie, mas também a relação com as comunidades humanas.

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Comportamento e monitoramento

O projeto de monitoramento também utiliza armadilhas fotográficas para registrar o comportamento das ariranhas. Dentre outras cenas, as câmeras capturaram imagens dos animais espalhando urina e fezes com as patas em locais conhecidos como “latrinas”, um comportamento típico da espécie para marcar território e alertar outros grupos sobre sua presença.

As armadilhas fotográficas também permitem aos pesquisadores mapear a distribuição das ariranhas na reserva e entender como diferentes grupos interagem entre si e com o ambiente.

Sendo um animal topo de cadeia, a conservação das ariranhas na RDS Amanã não só beneficia a espécie, mas também contribui para o equilíbrio do ecossistema como um todo. Ao investigar seu estado de conservação e buscar formas de conciliar a coexistência entre as ariranhas e comunidades locais, o projeto representa um passo importante em direção à proteção da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável das comunidades humanas que compartilham o mesmo território.

Relatório

Especialistas de 12 países da América Latina publicaram juntos o resumo mais abrangente do conhecimento sobre a conservação da ariranha (Pteronura brasiliensis), incluindo a identificação das áreas ribeirinhas mais importantes que fornecem habitat para esse ícone aquático da Amazônia. Confira o relatório.

*Com informações do Instituto Mamirauá

O grande milharal amazônico: o potencial dos sítios arqueológicos bolivianos

Canais nas áreas alagáveis serviam para escoar a água nas estações chuvosas. Foto: Reprodução/Bing Maps

Antes da chegada dos europeus à América do Sul, a cultura Casarabe ocupava grandes áreas do sudoeste amazônico, em um período estimado entre os anos 500 e 1400. Cada vez mais surgem indícios de uma ampla população que, na planície boliviana conhecida como Llanos de Moxos, mantinha extensos milharais. E isso é surpreendente. 09

Artigos publicados nos últimos meses permitiram classificar essas plantações como monoculturas, como o do fim de janeiro na revista Nature, reforçar a importância do milho na dieta humana e associá-lo à domesticação de patos, segundo o divulgado em dezembro na Nature Human Behaviour.

“Sempre achamos que as populações pré-colombianas daquela região cultivassem uma variedade de plantas, como as ‘três irmãs’ [milho, abóbora e feijão] na América Central, ou que adotassem práticas agroflorestais”, explica o arqueólogo ambiental italiano Umberto Lombardo, da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, autor principal do artigo da Nature, que teve participação de integrantes do grupo do arqueólogo Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP). “Encontrar uma monocultura de milho foi uma verdadeira surpresa”, completa ele, que viveu na região há pouco mais de 20 anos e pesquisa ali desde 2006.

Já se sabia, de trabalhos anteriores, que toda aquela área é repleta de resquícios de assentamentos humanos, com centenas de montes monumentais conectados por canais e caminhos. “Eles são organizados de acordo com um padrão hierárquico, com montes maiores no centro de agregados de montículos menores”, descreve Lombardo. “Isso sugeriria a presença de uma organização social acima do nível de cada assentamento, provavelmente com algum poder centralizado”.

Leia também: Milho chegou ao Brasil pela Amazônia ocidental e foi domesticado ao longo de ondas migratórias

Arte: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP

Uma mistura de técnicas de sensoriamento remoto, análises microbotânicas e levantamentos de campo agora evidenciaram uma engenharia da paisagem voltada ao plantio, com canais de drenagem para escoar a água nos meses chuvosos, quando tudo alaga, e lagos para reter água na estação seca, o que também seria precioso para atrair caça. De acordo com a investigação de vestígios de plantas, como os fitólitos (moldes petrificados das células vegetais, preservados em grande quantidade nos Llanos de Moxos), havia uma presença intensa de milho nos campos e lagoas, mas não nas partes onde havia floresta – o que deixaria claro que o cultivo não se dava em um contexto agroflorestal.

“Por décadas houve muito debate sobre o papel do milho”, relata a arqueóloga britânica Jennifer Watling, do MAE-USP, que supervisionou o trabalho de pós-doutorado do arqueobotânico brasileiro Lautaro Hilbert, coautor do artigo, na região. A dúvida vinha, em parte, do fato de que é uma planta que requer solos férteis, o que se pensava não existir na Amazônia – e já se demonstrou falso com o conhecimento sobre a terra preta ainda hoje fabricada por povos indígenas.

Em menor escala, Watling e colegas identificaram – também nas áreas florestais – fitólitos de abóbora, mandioca, cabaça, entre outras plantas. “Nos pontos mais altos, que não alagam na estação das chuvas, há floresta, que provavelmente era manejada”, destaca. Segundo ela, o trabalho da Nature ressalta a importância do milho na dieta daqueles habitantes. O mesmo vale para o artigo de dezembro na Nature Human Behaviour, cujo primeiro autor é o arqueólogo brasileiro Tiago Hermenegildo. Ele estudou material dos Llanos de Moxos durante o doutorado, concluído em 2022, na Universidade de Cambridge, Reino Unido, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O material agora foi repatriado e está depositado no museu em Trinidade, Bolívia, construído como retribuição a partir de fundos do projeto europeu.

“No sítio há evidências consideráveis da presença do milho”, afirma Hermenegildo. “Há vestígios nas cerâmicas, no solo, nos restos de grãos e de sabugos”. Os achados dependem muito do acaso, que em parte determina o que é preservado ou não, e de estarem presentes nas áreas amostradas pelos arqueólogos, que recolhem os pequenos grãos depois de peneirar os sedimentos escavados. Para fugir um pouco dessa necessidade de sorte, Hermenegildo desde o mestrado se concentrou no estudo de isótopos estáveis, formas variadas de átomos cuja composição não se altera ao longo do tempo, como acontece com os radioativos.

Milharal na Amazônia peruana: em alguns lugares há raças nativas. Foto: Education Images/Universal Images Group via Getty Images

A comida que fica no colágeno

“O tipo de carbono encontrado no colágeno preservado junto aos ossos é indicativo dos vegetais consumidos, enquanto o nitrogênio está associado à proteína animal”, explica. Ele complementa que na Amazônia não ocorrem naturalmente plantas do tipo C4 consumidas por seres humanos, como é o caso do milho, cujo mecanismo de fotossíntese produz moléculas com quatro átomos de carbono. Encontrar esse tipo de carbono em ossos humanos e animais indica, portanto, o consumo de milho.

Watling, que não trabalha com isótopos estáveis, considera esse tipo de análise mais informativo para inferir a dieta, já que se detecta aquilo que as pessoas e animais consumiram em vida. Mas o quadro mais amplo não deixa de ser importante. Antes do estudo isotópico, é fundamental conhecer a caracterização zooarqueológica e arqueobotânica do sítio, de acordo com Hermenegildo: quais animais e plantas existiam no contexto da vida humana. “Fomos descobrindo muitos ossos de pato durante a exploração do material de fauna”, conta ele. Isso foi surpreendente por ser incomum, e fez diferença nas interpretações.

Lagos pré-colombianos serviam para irrigação. Foto: Umberto Lombardo/Universidade Autônoma de Barcelona

O estudo trouxe os primeiros indícios arqueológicos reforçando a posição do pato-do-mato (Cairina moschata), nativo daquela região, como a única domesticação local a leste da cordilheira dos Andes. “Os isótopos estáveis mostram que eles comiam uma proporção de milho ainda maior do que as pessoas”, conta Hermenegildo. Ele ressalta, no entanto, que o uso das aves era provavelmente ritual – algo registrado em relatos deixados por padres que andaram por ali nos séculos XVI e XVII. “Ainda não dá para saber em qual contexto e quantidade as pessoas comiam patos”.

Os dados de isótopos estáveis ainda não permitem distinguir as fontes de proteína animal, ele explica, mas os ossos de fauna recuperados da escavação são principalmente de cervídeos. Esses animais que podiam chegar a 40 quilogramas (kg) eram caçados e representavam uma refeição bem mais significativa para a comunidade.

Para Hermenegildo, o que seu trabalho mostra de mais importante é a centralidade do milho na alimentação pré-colombiana daquela área, cuja urbanização se deu em torno do cultivo. Há indícios, segundo ele, de uma rede de troca entre as terras baixas amazônicas e os Andes, de forma que utensílios e adornos de cobre aparecem em sítios dos Llanos de Moxos. O milho acabou sendo também plantado nas montanhas, mas ainda não se sabe por qual rota. “A domesticação desse cultivo à altitude demorou mais”, explica. Depois da chegada dos colonizadores europeus, as populações amazônicas começaram a ser dizimadas e os registros de milho também se tornam mais escassos, uma vez que a lavoura precisa de cuidado humano para prosperar.

Ossos de pato-do-mato, a única espécie local domesticada a leste dos Andes (à esq.), estão presentes nos achados arqueológicos (à dir.). Fotos: Dan Vickers e Heiko Prümers/Instituto Arqueológico Alemão

“O sudoeste da Amazônia é um importante centro de diversificação em que raças nativas de milho foram desenvolvidas e adaptadas”, reitera a geneticista Flaviane Costa, pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Universidade de Oxford, Reino Unido, que não participou dos estudos.

Para ela, que é especialista na domesticação do milho e nas raças nativas ainda hoje plantadas na Amazônia, entender o histórico ligado à agricultura e ao patrimônio genético e cultural é importante inclusive, no âmbito de políticas públicas atuais de conservação e de segurança alimentar.

Leia também: Com versatilidade de uso, produção de milho garante sustentabilidade em Roraima

Costa considera crucial que os estudos de Hermenegildo, Lombardo e colaboradores sejam aprofundados para mensurar o tamanho dos campos de cultivo da cultura Casarabe e entender a diferença em relação ao que os povos indígenas praticam hoje. Ela põe ressalvas no uso do termo “monocultura”. “Os sistemas agrícolas tradicionais são muito dinâmicos em relação ao manejo e cultivo do milho e conservam uma diversidade grande em termos de raças locais e suas características, possibilitando usos diversos”.

De acordo com Lombardo, os achados na Bolívia sugerem que a produção de alimento seria suficiente para alimentar uma população numerosa, mas isso ainda é especulativo. “Precisamos de um mapa de todos os lagos e canais para ter uma estimativa de quanto poderia ser produzido na área inteira, e a partir daí talvez possamos traçar um modelo da população passada”, planeja o arqueólogo italiano.

Dificuldades com o uso de isótopos na arqueologia: Custo, acesso e preocupações éticas ainda limitam expansão da técnica

Tiago Hermenegildo terminou o mestrado em 2009 no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). “Fui para lá pela experiência com análises de isótopos estáveis, mas ninguém trabalhava com arqueologia”.

Ainda hoje, a ferramenta tem uso incipiente no país, inclusive por um problema de investimento, de acordo com a antropóloga portuguesa Maria Ana Correia, pesquisadora do Centro Interdisciplinar para Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano, Portugal, e associada ao Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP. Ela também ressalta que a preservação do colágeno é difícil em muitos sítios arqueológicos brasileiros, em consequência da alta temperatura e umidade.

Correia é coautora de um artigo publicado na edição de janeiro da revista American Journal of Biological Anthropology, que ressalta os cuidados éticos necessários nesse tipo de estudo. “Devemos selecionar amostras arqueológicas criteriosamente, priorizando a preservação para estudos futuros – não sabemos que técnicas estão por inventar – e registrando todo o processo”, sugere. “Também é preciso estabelecer relações de responsabilidade com a sociedade como um todo, mas particularmente com atuais representantes das comunidades em estudo”. Para ela, é encorajador ver estudos desenvolvidos sob liderança latino-americana.

Projeto

Povos indígenas e o meio ambiente na Amazônia Antiga (nº 19/07794-9); Pesquisador responsável Eduardo Góes Neves (USP); Modalidade Projeto Temático; Convênio AHRC, UKRI; Investimento R$ 2.732.154,84.

Artigos científicos

HERMENEGILDO, T. et alStable isotope evidence for pre-colonial maize agriculture and animal management in the Bolivian AmazonNature Human Behaviour. 23 dez. 2024.
LOMBARDO, U. et al. Maize monoculture supported pre-Columbian urbanism in southwestern AmazoniaNature. 29 jan. 2025.
STANTIS, C. et alEthics and applications of isotope analysis in archaeologyAmerican Journal of Biological Anthropology. v. 186, n. 1, e24992. jan. 2025.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Maria Guimarães

Conheça os enredos das escolas de samba do grupo especial do Carnaval no Amapá em 2025

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Desfile das escolas de samba do Amapá em 2024. Foto: Albenir Sousa/GEA

Vai curtir os desfiles das escolas de samba de Macapá este ano? Que tal conhecer os temas dos sambas-enredos deste ano e as letras das escolas de samba que disputam no grupo especial?

Confira detalhes sobre as escolas e aprenda as letras para cantar junto:

Leia também: Saiba qual a ordem dos desfiles das escolas de samba do Carnaval no Amapá em 2025

Império da Zona Norte

A Escola de Samba Mocidade Independente Império da Zona Norte foi fundada em 2 de julho em 1987. Suas cores são amarelo, azul e branco, e o símbolo que lhe representa é a Águia Imperial. Com 1.500 brincantes, o enredo de 2025 é ‘Isaac e sua Alegria: um conto de amor na passarela da folia’. Tem como presidente Imperador Willian Mattos, vice-presidente Michelle Carvalho e carnavalesco Adlan Bismark.

O enredo é uma homenagem à Isaac Menahem Alcolumbre e Alegria Gabbay Peres, pioneiros no desenvolvimento econômico e social do Amapá.

Segundo Adlan Bismark, a proposta artística é apostar “na riqueza dos detalhes, na força da comunidade e na excelência técnica para levar à avenida um espetáculo que conecte tradição e inovação”.

“Com alegorias impactantes, figurinos que traduzem a essência do enredo e uma bateria que promete arrepiar, queremos emocionar e envolver o público do começo ao fim”, destacou o carnavalesco.

Letra do samba enredo

‘Isaac e sua Alegria: um conto de amor na passarela da folia’
Composição: Adlan do Laguinho, Aureliano Neck, Davison Jaime e Tiago Lobato.

É, que maravilha voltar…
E contar uma história de amor.
Eternizar a saga de coragem…
Nos olhos da Alegria refletem Isaac.

No meio do mundo acende a chama…
Na cidade de Macapá.
Sangue marroquino conduz esperança…
Dos sonhos de quem não deixou de lutar.
Encontro emocionante numa noite enluarada…
Um jovem corteja a dama e com ela se casa.

Nessa noite de magia, minha águia Imperial…
Vai brilhar na avenida num retorno triunfal.
E mostrar pra essa gente o poder que tem a fé…
Deus ajuda quem trabalha e sempre mantém de pé.

Nasceu a mais bela união…
Versada na pura paixão…
E no sonho da prosperidade.
Verdade! Quem acredita sempre alcança…
Na força da perseverança…
Em busca da felicidade.

A Casa cresceu, conquistou o apogeu…
Onze sementes o amor floresceu.
Levando nas veias um grande legado…
Isaac se foi, mas foi eternizado. (Refrão 2X)
É chama que arde no peito…
Serei “Império” na vida e na morte.
Não leve a mal, esse é meu jeito…
Eu tenho orgulho de ser Zona Norte.

Piratas estilizados

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados foi fundado em 5 de janeiro de 1974. Sua cor é o laranja. Em 2025 o enredo é ‘Da lenda de Iaça ao sabor açaí que conquistou o mundo’ e conta com 1.500 brincantes. Tem como presidente Rebeca Lima, vice-presidente Flávio Picanço e carnavalesco Jorge Pantoja. A direção de carnaval é de Clóvis Jr.

O enredo 2025 do grêmio conta a origem e trajetória do açaí destacando que o fruto se tornou símbolo da identidade cultural e gastronômica da região.

A presidente da agremiação, Rebeca Lima, fala sobre promover conhecimento através da cultura popular:

“Piratas Estilizados traz para a avenida do samba a exaltação de um dos frutos mais apreciados e rentáveis da nossa Região Amazônica, o açaí. Vamos apresentar desde a origem lendária do nome até sua expansão para outros países, não apenas como alimento, mas também como um produto com grande potencial para o desenvolvimento econômico e sustentável”, explica a presidente.

Letra do samba enredo

‘Da lenda de Iaça ao sabor açaí que conquistou o mundo’
Composição: Davison, Antonio Neto e Ailson Picanço

Com a força de Oxóssi e sangue Tupi
Tem açaí, tem açaí!
“ALARANJADO” é o meu DNA
A orquestra faz o coração pulsar

Ê, de onde vem esse sabor?
Que semeia a esperança, seduz com sua cor
Ê, de onde vem esse sabor?
Vou contar uma história que um caboclo me contou
Em uma Aldeia lá nas terras do Pará
A fome aperreia, tempos ruins
Cabaça seca, o Cacique foi mandar:
Sacrificar as cunhatãs e curumins
Mal sabia que sua filha teria uma menina
Iaça chorou, chorou, na despedida
Olhou pro céu, rogou clemência a Tupã
E do seu pranto nasce a fruta “guardiã”

A fartura que a tribo alimentou
Um “sabor marajoara” na Amazônia se espalhou
O dom de ser muito a quem não tem nada
“A mais querida”, riqueza da mata

Poema nos versos de Nilson e João
A força de um povo no sol da manhã
Subindo a “Rampa” pra ganhar o pão
Cada paneiro leva um afã
Amassadeira, vê do fino ou do grosso de primeira
Sobre a mesa tem farinha e tamuatá
Barriga cheia, uma rede pra deitar… Quem quer provar?
E pelo mundo afora, com banana e granola
A “Super Fruta” é a nova sensação
Era só “nosso”, agora é exportação

Império do Povo

A Associação Recreativa Escola de Samba Império do Povo foi fundada em 3 de fevereiro de 1993. Suas cores são verde e branco. Com 1.300 brincantes, em 2025 traz o enredo ‘Kusiwa: o caminho desenhado sobre a pele’. Tem como presidente Wesley Conceição Braga, vice-presidente Rozeni Santiago Braga e direção de carnaval Rosivaldo Santiago Braga.

Este ano associação destaca o grafismo indígena Wajãpi. “Nós vamos tratar sobre o grafismo indígena Wajãpi, que é um tesouro muito grande para nós, amapaenses. É uma honra falar sobre esse patrimônio, porque somos um povo originário, com raízes muito fortes nos povos indígenas. A Império do Povo está preparando um espetáculo muito superior ao desfile do Carnaval de 2024, e tem muita surpresa vindo por aí, desde alas coreografadas até inovações nas alegorias e fantasias”, disse o presidente da escola Wesley Braga.

Letra do samba enredo

‘Kusiwa – O Caminho Desenhado Sobre a Pele’
Compositores: Luido, Rafael Esteves, André Félix, Tomaz Mocidade, Luiz Neto do Salgueiro e Marcinho do Pandeiro

Ê Kusiwa
Wyrau bradará liberdade
Ê Ê Kusiwa
Império do Povo é Força e Coragem

Janejarâ o criador
Jimi´a puku ecoou… pra trazer a harmonia
O mal que devorava bicho e gente,
Tukã-moj foi vencida, restaurando a sintonia
A existência veio sem cor
Wyrakawa celebrou
Pintando as cores da serpente
Os ancestrais perpetuaram a tradição
O real e o invisível hoje tem a ligação

Vem, chegando os Pajés pelos igarapés
No Oiapoque, Jari e Araguari
Resguardar o equilíbrio
Preservando a terrados Wajãpi

Caminho do risco, pincéis embebidos em tinta,
Marcado no corpo e na alma da gente, contornos, misturas
A escolha reflete as vãs criaturas
Evocação do material, uso espiritual
Poder da sedução, urucum, jenipapo e carvão
Inspiração nos animais,
Jakare, Yo, Panã, Jawi
Esses são trações, matizes, cultura dos Wajãpi

Chama… da resistência ainda emana
Grafado em armas contra os Karaikõs
Sabedoria em forma de expressão, repassando, a tradição
O Império é o pintor desenhando no povo
O desejo de ser campeão de novo. (Ê Ê.)

Boêmios do Laguinho

A Associação Universidade de Samba Boêmios do Laguinho foi fundada em 2 de janeiro de 1954. Suas cores são vermelho e branco. Com 1.450 brincantes, em 2025 trabalha o enredo ‘Elogio da Loucura’. Tem como presidente Daiana Ronieli Ramos dos Santos, vice-presidente Marcos Robson, carnavalesco Fran Sérgio de Oliveira Santos e direção de carnaval Marcelo Zona Sul.

Em 2025, a associação traz um enredo inspirado na obra do filósofo renascentista Erasmo de Roterdã, publicada em 1511.

“A proposta veio para a gente sair um pouco do tradicional, o Boêmios é uma escola tradicionalista com enredos tradicionais […] e reflete muito a loucura de ser boêmio. Em primeiro momento pensamos que não é um enredo fácil, que vai ter muitos proventos envolvidos”, disse Daiana Ronieli Santos, presidente da agremiação.

Letra do samba enredo

‘Elogio da Loucura’
Compositores: Professor Rogério Sena, Luizinho Moura e Silva Júnior

Tá todo mundo louco…
Lá vem boêmios!
Negra nação que me alucina
A força do samba, teu povo te chama
Laguinho és o amor da minha vida.

É loucura!
A musa inspiradora da canção
Remédio pra tristeza, a cura
Deusa que flutua na imaginação
Tá no brilho, que encanta os carnavais
Viaja em mentes geniais
Ninfa que faz gritar … chorar, dançar
Nasce da insensatez dá luz aos devaneios
Tá no canto do meu guará.

Me diz aí quem é “normal”?
É mera fantasia ser imortal
De médico e louco tem-se um pouco
Um desatino natural.

De pura ousadia que desafia… Ela é assim
Vai além, rompe limites
Inflama ideias, é fogo sem fim
Pulsa no coração das artes,
Nos traços do mestre a pintar
Insanamente desvenda segredos
Torna mais bonito o dom de criar
Boêmios, surge uma nova era,
Inunda a passarela,
Transborda de emoção
Numa “Pororoca” de paixão.

Maracatu da Favela

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Maracatu da Favela foi fundado em 15 de dezembro de 1957. Suas cores são verde e rosa. Com o enredo ‘Amazonizar: o olhar do poeta Joãozinho Gomes em verde e rosa’, conta com 1.500 brincantes. Tem como presidente Sandro Macapá, vice-presidente Paulinho Torrinha e carnavalescos Roberta Gomes, Lucas Rodrigues e Alerrandro Monteiro.

O Grêmio homenageia o poeta amapaense Joãozinho Gomes em seu enredo este ano. Sandro Macapá, diretor da escola, afirma que o desfile é baseado na história do “maior poeta da Amazônia”.

“Nós vamos falar do maior poeta da Amazônia, esse que versa muito bem e com propriedade sobre a nossa Amazônia, sobre o nosso jeito de ser, sobre a nossa fé, a nossa cultura […] quando a gente pensou ainda em abril sobre o enredo, nós pensamos em algo regional e foi unânime a gente falar desse poeta. Nosso samba tem uma poesia linda, é para frente. É um samba que diz: “a favela vai favelar”, então ele toca no coração de cada integrante verde e rosa” , disse o diretor.

Letra do samba enredo

‘Amazonizar: O Olhar do Poeta Joãozinho Gomes em Verde e Rosa’
Compositores: Adelson Branco, Darllan Ribeiro, Flavinho Bento, Erick Boaventura e Tayson Tyassu

Brilho…
No coração da Pérola Azulada
O despertar de um novo ser
Pra fazer história no caminho
Um paraoara, fruto de juçaras
Formoso em “seduzência”, essência
Do Brasil original pra descrever
Um mundo sem igual

Flecha que passa, protegendo meu iglu
Futuro do presente no jeito tucuju

Terra minha amada, tom de favela!
Teu verde aflora rosas por dentro
Os poemas sentinelas
Declamo como bom exemplo

Melhor ter mão presa em cumbuca
Que por mal de amor virar estrela
Areia, areia,
“Natalina falou”, “Natalina falou” tem cantador
E encanto de cantadeira
No toque a Maracatu chamou
Mão de couro nagô, pro batuque na senzala
Pra convenção dos aflitos resistir
Roda saia, Madalena se “espáia”

Vem ver poesia no horizonte é pergaminho
Transbordar amor é o destino
Fiel guerreira é nossa paixão
Amazonizaremos sim
Quem avistar essa imensidão

A Favela…Vai Favelar
No olhar Joãozinho Gomes amazonizar
Nesse rio mar de emoção
A maré alta são os versos na canção.

Piratas da Batucada

A Associação Recreativa e Cultural Escola de Samba Piratas da Batucada foi fundada em 31 de março de 1973. Suas cores são amarelo e branco. Em 2025 tem como enredo ‘Enredo: A realeza do sertão: o cordel azul e dourado de quem fez deste torrão o seu reinado’. No total, participam 1.480 brincantes. Tem como presidente Alex Pereira, vice-presidente Ilka Carrera, direção geral Sérgio Lemos (Teco) e carnavalesco Cid Carvalho.

Em 2025, a associação homenageia a cultura e migração dos nordestinos para o Amapá. A ideia é mostrar como “Sertão” [os nordestinos] tornou-se rei ao se adaptar ao “Torrão”, que no imaginário é o Amapá.

Segundo Alex Pereira, diretor da escola, a escolha foi por conta das lembranças que as músicas do nordeste trazem.

“Quando a gente vai para uma festa nordestina relembramos o passado, a nossa infância. Nós percebemos que em qualquer época do ano, quando toca essas músicas, a gente se emocionam então pensamos: ‘vamos fazer essa festa para o povo nordestino, que é animado e que vieram para o Amapá […] o comércio, a política, o esporte, em todas as áreas, têm essa influência’. Então daí veio essa inspiração para o enredo”, detalhou Alex.

Letra do samba enredo

‘A Realeza do Sertão: o cordel azul e dourado de quem fez deste torrão o seu reinado’
Compositores: professor Rogério Sena, Ailson Picanço e Silva Júnior

Oxente chegou o Glorioso Imortal
Da Zona Sul, é o Rei do Carnaval
Puxe o fole sanfoneiro no balancê arretado
Vem brincar no cordel todo azul e dourado

Óh, luar clareia!
Feito fogueira a imaginação
Muito longe do Nordeste
O imperador cabra da peste
Inspirou o meu torrão
Na idade média a lembrança:
Com Doze Pares de França
A luta do bem contra o mal
Olha seu moço!
Foi num mar de poesias
Que aventura e bruxaria
Viraram histórias pra contar
Na terra seca o dragão é carcará

Corre que lá vem ele o Majestoso Piratão
Cangaceiro, valente … forte igual lampião
O violeiro cantou os versos do trovador
E a cavalhada virou festa e tradição

Pelo Brasil, se espalha o causo popular
Nas xilogravuras contos e lendas do lugar
Deságuam memórias dessa lida
No rosto já marcado, um sertão
Vi reis e rainhas de um povo
Gente de fibra mudar o meu chão
No Amapá a esperança
Fez Asa Branca pousar
Se avexe não viu? Se avexe não
Nesse arrasta-pé vai ter samba e baião

Carnaval Amazônico – Amapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Indígenas acionam a Justiça e protestam contra leilão da BR-364 em Rondônia

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Foto: Gabriel Uchida

A Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga e Organizações Indígenas e Ambientais acionaram a Justiça Federal para denunciar supostas irregularidades na licitação de concessão da BR-364 em Rondônia. As ações questionam a ausência de estudos ambientais prévios e a falta de consulta obrigatória às comunidades indígenas possivelmente afetadas.

“Nós não fomos consultados, como diz a lei OIT-169. Não é que somos contra, é porque a gente não foi incluído no projeto. Isso vai ter impacto social e ambiental e nós queremos reivindicar esse direito. É um retrocesso contra os povos indígenas”, diz o líder indígena Gilmar, Cinta Larga.

Leia também: ‘Rodovia da morte’: futuro da BR-364 gera preocupação em caminhoneiros rondonienses

O leilão para conceder a rodovia à iniciativa privada deve acontecer na quinta-feira 27 de fevereiro e prevê um investimento de R$ 10 bilhões. Essa é a primeira vez que uma rodovia federal vai a leilão na região Norte do Brasil. O trecho em disputa, denominado Rota Agro Norte, possui 686,7 quilômetros de extensão.

Em protesto, um grupo de indígenas bloqueou temporariamente a BR-364, no km 224, na região de Cacoal (RO). Após algumas horas de manifestação pacífica, os participantes alertaram que farão um bloqueio total da via caso suas demandas não sejam atendidas. 

Em nota, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que as comunidades indígenas serão ouvidas durante a fase de licenciamento ambiental, que ainda está por vir e que antecede qualquer obra a ser realizada pela concessionária.

O Grupo Rede Amazônica entrou em contato com o Ministério dos Transportes, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

O que os povos indígenas reivindicam?

O líder indígena Gilmar Cinta Larga se pronunciou nas redes sociais, pedindo para ser ouvido e informado. Como porta-voz de seu povo, ele destacou que a concessão da rodovia afeta diretamente os povos indígenas da região, pois a estrada atravessa territórios onde vivem.

Os povos indígenas Cinta Larga e Zoró e as Organizações Indígenas e Ambientais ingressaram com processos judiciais distintos, mas que tratam das mesmas questões.

As ações apontam que a Rota Agro Norte está localizada em uma área de alto risco por atravessar uma zona de influência de diversas terras indígenas. 

As comunidades argumentam que sua consulta é prevista nos Parâmetros de Desempenho de Sustentabilidade do edital de concessão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No entanto, segundo a petição inicial, “o povo indígena Cinta Larga foi excluído de toda e qualquer tratativa nos moldes legais”.

“Os fatos apresentados evidenciam que o processo de concessão da Rodovia BR-364/RO – Lote CN5 viola normas constitucionais, nacionais e internacionais aplicáveis, expondo o meio ambiente, os povos tradicionais e a segurança jurídica do empreendimento a riscos concretos e irreparáveis, sendo necessária a suspensão do certame, conforme será detalhado adiante”, consta no documento.

A Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga entrou com um pedido de liminar alegando possíveis danos irreparáveis ao meio ambiente e às comunidades tradicionais, além de prejuízos econômicos, caso o leilão seja realizado e posteriormente considerado irregular.

O pedido foi negado na segunda-feira (24). No despacho, a Justiça Federal argumentou que não há dano concreto e imediato, uma vez que o leilão é apenas uma das fases de um processo mais amplo.

Na manhã desta quarta-feira, véspera do leilão, a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé ingressou com outra ação para suspender a concessão da BR-364. A organização pede urgência na suspensão do processo e requer que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizem os estudos sobre o componente indígena e tradicional. 

Esses estudos são considerados fundamentais para subsidiar a concessão e garantir previsibilidade quanto aos povos e territórios indígenas impactados.

Entenda o principal ponto da discussão: leilão da BR-364

Duplicação BR-364, em Rondônia — Foto: Antônio Lucas/Alero
 Foto: Antônio Lucas/Alero

O trecho a ser considerado no leilão, nomeado de Rota Agro Norte, abrange importantes pontos de Rondônia, desde o entroncamento com a BR-435 até a BR-319. Esse corredor, de acordo com o projeto, vai facilitar o escoamento de grãos entre a região Centro Oeste e os portos do Norte.

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A concessionária vencedora será responsável por uma série de obras e melhorias na infraestrutura da rodovia, com o objetivo de aumentar a segurança e a fluidez do tráfego.

Entre os projetos previstos estão a duplicação de 135 quilômetros, a construção de uma terceira faixa em cerca de 200 quilômetros, além da instalação de passarelas e outras intervenções.

Os investimentos para as melhorias gira na ordem de R$ 10 bilhões durante todo o período de concessão e pode gerar cerca de 92 mil empregos.

*Por Agaminon Sales, Jaíne Quele Cruz, Luciana Kuster e Marcelo Nery, da Rede Amazônica RO

Com mais de 100 doações de sangue, servidor público se torna recordista em Rondônia

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Foto: Divulgação/Fhemeron

Quando se trata de solidariedade e generosidade, Roberto Redondo Souza é uma inspiração para muitos. O servidor público é recordista em doações de sangue registradas na Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron), com 93 doações documentadas.

A primeira doação de Roberto foi feita em 1994, mas o sistema eletrônico da Fhemeron só começou a contabilizar os dados em 2008. De acordo com a Fundação, o recordista acumula mais de 100 doações ao longo dos anos, considerando também os registros feitos anteriormente em fichas manuais.

Leia também: Mitos e verdades sobre a doação de sangue: você sabe o que é necessário para ser doador?

Ao Grupo Rede Amazônica, Roberto informou que é doador de plaquetas e faz de 8 a 10 doações por ano. A decisão de se tornar doador foi tomada com o objetivo de ajudar o próximo.

“Resolvi ser doador pra fazer o bem ao próximo, e por saber que mesmo com o avanço tecnológico não inventaram nada que substitua o sangue. Há muita gente precisando de sangue, quer seja para realizar uma cirurgia ou para repor as plaquetas, no caso da câncer por exemplo”, disse.

O espírito solidário de Roberto já ajudou a salvar várias vidas. Ao relembrar o início de sua trajetória como voluntário, ele ressaltou a importância de incentivar novas pessoas a se tornarem doadoras.

“Que elas se sintam inspiradas com meu exemplo e que passem a doar, pois é um ato de amor ao próximo e muito gratificante saber que um simples gesto como esse podem salvar muitas vidas”, disse.

Estoque baixo de sangue O+

De acordo com a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron), o estoque de sangue do tipo sanguíneo O+ é considerado abaixo da média e pra reverter a situação, a instituição convida a população para fazer doações.

A Fhemeron fornece bolsas de sangue para hospitais de toda a rede pública de saúde, garantindo a realização de cirurgias e o tratamento adequado para pacientes com doenças crônicas.

Leia também: Caminhos do sangue: da doação à transfusão

Quem pode doar?

De acordo com a Fhemeron, para ser um doador é necessário ter entre 16 e 69 anos, pesar acima de 50 quilos, estar em boas condições de saúde e apresentar um documento oficial com foto. A recomendação é estar bem alimentado e evitar alimentos gordurosos antes da doação.

Impedimentos temporários:

  • Estar gripado ou com febre;
  • Estar grávida ou amamentando;
  • Estar em tratamento médico;
  • Ter ingerido bebida alcoólica no dia da doação (12 horas);
  • Ter tatuagem feita há menos de um ano;
  • Ter feito endoscopia digestiva nos últimos seis meses; e
  • Ter tido malária nos últimos 12 meses.
  • Impedimentos definitivos
  • Ter tido doença de Chagas;
  • Ter tido hepatite após os 11 anos de idade;
  • Ter sido exposto à situação ou comportamentos que levem a risco, acrescido para infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Onde doar?

Os hemocentros estaduais estão em funcionamento em seis municípios do estado: Porto Velho, Ariquemes, Cacoal, Ji-Paraná, Rolim de Moura e Vilhena.

Em Porto Velho, a unidade de coordenação de coleta funciona de segunda a sexta-feira, das 7h15 às 18h, e aos sábados, das 7h15 às 12h, localizada na Avenida Jorge Teixeira, nº 3.766, Bairro Industrial. Os endereços dos demais municípios estão disponíveis no Portal da Fhemeron.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Governo Federal autoriza uso da Força Nacional na TI Tenharim Marmelos, no Amazonas

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Foto: Lohana Chaves/Funai 

A Portaria MJSP nº 889/2025, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 28 de fevereiro, autoriza o uso da Força Nacional de Segurança Pública, em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), na Terra Indígena Tenharim Marmelos, no estado do Amazonas. A medida tem como objetivo a preservação da ordem pública e da segurança das pessoas e do patrimônio.

O texto assinado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, prevê ainda que o contingente disponibilizado obedecerá ao planejamento definido pela Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública da Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério. A operação terá apoio logístico da Funai, a quem compete oferecer parte da infraestrutura necessária ao trabalho da Força Nacional de Segurança Pública.

O trabalho ocorrerá em articulação com os órgãos de segurança pública do estado, sob coordenação da Polícia Federal, no escopo do Plano Amazônia: Segurança e Soberania – Plano Amas, uma das principais estratégias de implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Terra Indígena Tenharim Marmelos

Tenharim é o nome pelo qual são conhecidos três grupos indígenas que vivem hoje na região do curso médio do rio Madeira, no sul do Estado do Amazonas, pertencentes a um conjunto mais amplo de povos que chamam a si mesmos de Kagwahiva.

Existem hoje poucos remanescentes destes grupos Kagwahiva: os Tenharim do rio Marmelos, os Tenharim do Igarapé Preto e os Tenharim do rio Sepoti, os Parintintin e os Jiahui. De acordo com informações recentes, 741 pessoas vivem nesta TI, localizada à beira do rio Marmelos, um dos afluentes do rio Madeira.

A aldeia é dividida pela BR-230, a rodovia Transamazônica, que se constitui, para os Tenharim, no principal meio de escoamento de alguns de seus produtos como a castanha, a copaíba e a farinha de mandioca, bem como de entrada de alguns produtos manufaturados como o sal, o óleo e o sabão.

*Com informações da Secom/PR

Roraima bate recorde histórico de focos de calor e área atingida pelo fogo cresce 66% em 2024

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Fogo em floresta no município de Amajari, no interior de Roraima, em 2024. Foto: Oseias Martins/Rede Amazônica RR

Sob o efeito do fenômeno El Niño, em 2024, Roraima registrou um recorde histórico no número de focos de calor: 5.358, o maior número para o estado desde 1998, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar as queimadas na Amazônia. Focos de calor são zonas que há ressecamento e elevação de temperatura, que podem ocasionar incêndios.

O número supera o registrado cinco anos antes, em 2019, quando o estado teve 4.784 focos de calor. Os outros três anos com mais focos de calor foram:

  • 2003: 3.987
  • 2016: 3.870
  • 2007: 3.244

Em 2024, o mês com mais registros de focos de calor foi fevereiro, quando o estado atingiu a maior marca para o período na série histórica, com 2.057. O número começou a cair em abril, mês em que inicia o período de chuvas, mas chegou a menor marca em julho do ano passado, quando foram apenas três.

Os focos atingiram áreas de assentamento rural, propriedades privadas, terras indígenas, florestas e áreas de proteção ambiental no estado.

Em 2024, a população enfrentou uma estiagem severa, que aumenta as possibilidades de incêndio, a seca do Rio Branco, o principal do estado,  e às chamas. Com o solo e a vegetação seca, as temperaturas altas e a falta de chuva, o fogo se espalhou pelo estado e consumiu casas, animais e vegetação.

Resultado dos incêndios que atingiram Roraima, por vários dias a fumaça “tomou” o céu da capital Boa Vista e de municípios do interior do estado. A “cortina cinzenta” até fechou salas de aula, medida para evitar a exposição.

A seca severa também reduziu a vazão dos principais rios e levou 14 dos 15 municípios a decretarem emergência. Desses, pelo menos quatro tiveram o fornecimento de água encanada interrompido naquele ano e a população só teve acesso a água para beber e tomar banho por meio de caminhões-pipa.

Mais chuvas, menos focos em 2025

Do dia 1° de janeiro de 2025 até esse domingo (23), Roraima teve uma redução de 81% no número de focos de calor, em comparação com o mesmo período do ano passado. Até agora, foram 456 focos, já em 2024 o número era de 2.495 — ou seja, 2.039 focos a menos.

A queda é causada pelas mudanças climáticas, de acordo com o chefe do Programa Queimadas do Inpe, Fabiano Morelli. Diferente do ano passado, em 2025 o Brasil é impactado pelo fenômeno climático La Niña, que diminui as temperaturas e causa mais chuvas no Norte do país, onde Roraima está.

Com isso, a previsão é de que o estado tenha chuvas mais intensas.

“Isso se deve a mudança das condições climáticas. Saindo de um ano de El Niño com aquecimento no Atlântico Norte que favorece a ocorrência de fogo na região Norte do Brasil, para um período de La Niña onde as chuvas estão mais intensas em Roraima”, Fabiano Morelli, chefe do Programa Queimadas do Inpe.

O La Niña ocorre quando há o resfriamento da faixa Equatorial Central e Centro-Leste do Oceano Pacífico. Ele é estabelecido quando há uma diminuição igual ou maior a 0,5°C nas águas do oceano. O fenômeno acontece a cada 3 ou 5 anos.

No Brasil, os efeitos clássicos do La Niña são:

  • Aumento de chuvas no Norte e no Nordeste;
  • Tempo seco no Centro-Sul, com chuvas mais irregulares;
  • Tendência de tempo mais seco no Sul;
  • Condição mais favorável para a entrada de massas de ar frio no Brasil, gerando maior variação térmica.

Apesar disso, Roraima já figura entre os estados com os maiores números de focos desde o início de 2025. Com 456 focos registrados até essa segunda-feira (24), o estado é o terceiro com mais focos de calor. Ele está atrás do Maranhão, que tem 534, e do Mato Grosso, que já contabiliza 479.

Além disso, dos dez municípios brasileiros com mais focos de calor, sete são roraimenses. Pacaraima e Normandia, localizados ao Norte, e Caroebe, que está ao Sul, estão no topo do ranking com 72, 69 e 43 focos, respectivamente.

Para Fabiano, no entanto, o estado não deve registrar novos recordes em 2025 devido as chuvas causadas pelo La Niña. O pico de queimadas deve ocorrer no mês de março, conforme os dados históricos registrados em anos anteriores.

Área queimada

Incêndio atinge Amajari, Norte de Roraima. Foto: Samantha Rufino/Rede Amazônica RR

Em 2024, o fogo queimou 2.517.096 milhões de hectares em Roraima, a maior degradação dos últimos seis anos, de acordo com dados do Monitor do Fogo, plataforma do MapBiomas, que monitora áreas afetadas por queimadas.

O número representa um crescimento de 66% em comparação com o ano de 2023, quando o estado teve 1.511.154 milhões de hectares atingidos pelas chamadas. O Monitor também mostrou que Roraima liderou o ranking dos estados com mais áreas devastadas de janeiro a abril de 2024.

O estado foi um dos que mais queimou no ano passado, ocupando o quarto lugar. O pódio é liderado pelo Pará, com 7,3 milhões de hectares, Mato Grosso que teve 6,8 milhões e o Tocantins, com 2,7 milhões de hectares.

Em todo o Brasil, mais de 30,8 milhões de hectares foram queimados entre janeiro e dezembro de 2024. A Amazônia, que Roraima também integra, foi o bioma mais afetado: 60% de tudo o que foi destruído pelo fogo, foram 17.904.407 milhões de hectares consumidos pelo fogo no ano passado.

Com base em números como esse, em janeiro deste ano o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que o governo de Roraima, federal e outros nove governos da Amazônia e do Pantanal apresentem quais são os planos emergenciais contra queimadas.

Em nota, à época, o governo informou que apresentaria “formalmente, no prazo legal, os planos emergenciais relativos à conscientização e manejo integrado do fogo, que incluem campanhas educativas, publicidade e mobilização social.” Disse ainda que “dispõe de vários mecanismos e políticas públicas de controle e de combate contra queimadas ilegais”.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

“Primeiro registro na Amazônia”: cachalote-pigmeu é encontrado encalhado no Amapá

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Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) confirmou no dia 27 de fevereiro que o encalhe do cachalote-pigmeu na praia do Goiabalinho, em Calçoene, foi o primeiro registro de encalhe dessa espécie na costa Amazônica. O mamífero, que apareceu morto, pertence à família dos golfinhos, mas geralmente é confundido como baleia, por conta do tamanho.

Leia também: Carcaças de 4 animais marinhos são encontradas em praia no Amapá

O animal media 3 metros de comprimento e já estava em estado avançado de decomposição quando foi encontrado por um morador da região.

Claudia Funi, coordenadora do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC), explicou que os cachalotes-pigmeus vivem em águas profundas e o encalhe na costa amapaense fornecerá ao projeto mais detalhes sobre a espécie, que é considerada rara.

“Para a ciência, a importância é gigante. É um animal raro, que é difícil até em outros locais do mundo terem acesso a um espécime desse encalhado. Ele vive em águas profundas e é o primeiro para a região Amazônica. A gente vai pegar o material osteológico dele, material genético, que pode ajudar a gente a entender melhor essa espécie, inclusive a distribuição dela”, informou a pesquisadora.

Corpo de cachalote-pigmeu na praia do Goiabalinho, em Calçoene — Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP
Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

De acordo com relatório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), até 2023, o Brasil havia registrado apenas 5 encalhes de cachalote-pigmeu.

Para a coordenadora do projeto, que monitora encalhes de animais como baleias, botos e golfinhos, as características do encalhe indicam que o animal já chegou morto ao litoral.

Pesquisadores coletam amostras de cachalote-pigmeu — Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP
Foto: José Eduardo Lima/PCMC-AP

“Ele, possivelmente, já chegou morto aqui, pois vive em águas profundas. Ele já está sob o impacto da maré e do sol há pelo menos três dias. Então, identificar a causa morte dele é algo que a gente não vai conseguir. Por exemplo, retirar a bula timpânica, a gente não consegue ver escoriações e o que a gente vai tentar é ver conteúdo estomacal também, porque pode trazer informações pra gente”, descreveu Funi.

O cahalote-pigmeu vai passar por vários processos no Iepa para limpeza e retirada de materiais para integrar a coleção científica do Amapá.

Diferença dos cachalotes

O cientista ambiental Roginey Silva destacou que umas das maiores diferenças entre os cachalotes-pigmeus e cachalotes comuns são o tamanho e a expectativa de vida.

“Quando adultos, os cachalotes comuns podem chegar até 20 metros de comprimento e viverem até cerca de 40 anos. Já os pigmeus podem ter até 4 metros e vivem por volta de 23 a 25 anos”, disse.

Cachalote-pigmeu

Segundo o ICMBio, a espécie Cachalote-pigmeu pertence à ordem dos cetáceos (baleias, botos e golfinhos) e possui características como presença dentes e apenas um orifício respiratório. Os animais habitam águas costeiras e oceânicas.

A espécie ocorre preferencialmente ao largo da plataforma continental em águas tropicais e temperadas, podendo ser avistada solitária ou em pequenos grupos de até 6 indivíduos. Existem muito poucas informações sobre a espécie, fazendo com que ela seja classificada como contendo dados insuficientes (DD) para categorização de seu status de conservação.

Sobre o projeto PCMC

Filhote de cachalote morto encalha na praia do Goiabal, em Calçoene. Realizado deste o ano passado, o projeto foi uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estabelecida no processo de licenciamento ambiental da pesquisa marítima para levantamento de dados geológicos da TGS nas bacias do Pará-Maranhão e Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.

As atividades incluem o monitoramento de praias – para atuar e analisar encalhes de baleias, botos e golfinhos – e ações de educação ambiental em comunidades locais.

O projeto disponibiliza números para acionamento em casos de encalhe de animais marinhos: (96) 99206-3344 e (96) 99116-3712.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP