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Murumuru: semente utilizada como cosmético pode ser utilizada na construção civil

Murumuru é utilizada na indústria de cosmético. Foto: site beleza verde

Amplamente encontrado em terrenos alagados na região amazônica, o murumuruzeiro tem ganhado importante destaque, principalmente por seu potencial econômico. O óleo extraído das amêndoas de seu fruto transforma-se em uma gordura semissólida, denominada manteiga de murumuru, e muito utilizada na indústria de cosméticos para fabricação de sabonetes, cremes e xampus, por exemplo.

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Engana-se, entretanto, quem imagina que suas aplicações restringem-se a formulações ligadas ao mundo da beleza. É o que aponta uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Pará que testou as cinzas da casca do murumuru como componente de concreto estrutural.

Murumuru
Murumuru. Ilustração: Gabriela Cardoso

Graduado em Engenharia Civil, Milleno Ramos de Souza foi quem conduziu o estudo que contou com orientação do professor Marcelo Rassy Teixeira e coorientação da professora Luciana de Nazaré Pinheiro Cordeiro. A pesquisa buscava uma solução voltada a minimizar o impacto ambiental decorrente da grande utilização do cimento no setor construtivo civil.

“O cimento hoje é o segundo elemento mais utilizado no mundo, fica atrás apenas da água. Popular na construção civil, é utilizado em larga escala, no entanto sua produção acarreta uma grande poluição ambiental, em virtude de a queima para sua fabricação lançar muito CO2 na atmosfera”, destaca o autor da dissertação Estudo da potencialidade da cinza da casca do murumuru, um resíduo agroindustrial amazônico como filler ao concreto estrutural.

Murumuru
Murumuru. Foto: Wikipedia/reprodução

Apresentada no Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura e Desenvolvimento Energético da UFPA (PPGINDE), vinculado ao Núcleo de Desenvolvimento Amazônico em Engenharia (NDAE), a pesquisa teve como objetivo analisar as características e o comportamento que o resíduo do fruto teria quando misturado ao concreto estrutural. A escolha do murumuru como base para o estudo levou em consideração o fato de o processo de extração da polpa nas cooperativas deixar uma quantidade considerável de resíduos advindos da casca do fruto.

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Produto tem melhor elasticidade e pouca penetração de água

Para o estudo, inicialmente foi feita uma coleta dos resíduos pré-triturados em uma cooperativa. O material foi queimado a 200ºC, moído e peneirado até passar por uma malha de 75 µm, atingindo, assim, o tamanho filler – um pó bastante fino, comumente utilizado como material de enchimento em concretos e argamassas.

 Após a obtenção das cinzas, seguiram-se os experimentos físicos e químicos para obtenção do concreto, o que incluiu um processo de substituição do cimento em diferentes percentuais. Nesta etapa, foram feitas análises de resistência à compressão; resistência à tração; módulo de elasticidade; absorção de água; entre outros experimentos.

Murumuru
Murumuru. Foto: Reprodução

Os resultados foram satisfatórios. O uso do murumuru foi capaz de deixar o concreto mais leve e resistente. A percentagem melhor avaliada foi a de 6% do resíduo do murumuru em relação ao cimento. “Obtiveram-se resultados com ganho em incremento, resistência à compressão e à tração no concreto, além de um melhor módulo de elasticidade e pouca penetração de água, graças ao efeito filler gerado pelo resíduo no concreto estrutural”, ressalta Milleno de Souza.

Além disso, a pesquisa apresentou uma solução para duas problemáticas ambientais, a primeira, em relação à produção de cimento, que lança para a atmosfera uma quantidade considerável de CO2; e a segunda, ligada à destinação final, no setor agrícola, dos resíduos do murumuru, os quais, em sua maioria, são queimados a céu aberto ou depositados em aterros sanitários.

“Com este trabalho, mostramos que diversos resíduos podem ser estudados no setor da construção civil, como incremento ao concreto, por exemplo. Pesquisas, nesse sentido, podem apontar inúmeros benefícios para a indústria da construção civil, como aumento da resistência e melhora na durabilidade do concreto, quanto contribuir com soluções ambientais, já que você vai retirar parte desse cimento e substituí-lo por uma cinza de resíduo vegetal. Este é um estudo bastante valoroso para o melhoramento da ciência, afinal a incentiva em estudos que mostram um resíduo regional da Amazônia sendo utilizado”, defende o pesquisador.

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Sobre a pesquisa

A dissertação Estudo da potencialidade da cinza da casca do murumuru, um resíduo agroindustrial amazônico como filler ao concreto estrutural foi defendida por Milleno Ramos de Souza, em 2022, no Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura e Desenvolvimento Energético (PPGINDE/NDAE/Campus Tucuruí), da Universidade Federal do Pará.

CV Lattes: Orientação: Marcelo Rassy Teixeira, coorientação: Luciana de Nazaré Pinheiro Cordeiro.

*Fonte: Beira do Rio edição 174 – Março, Abril e Maio

Boa Vista Junina 2025 – Arquibancadas montadas na praça Fábio Paracat terão capacidade para receber mais de 5 mil pessoas

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A estrutura contará com um espaço maior e uma cenografia temática especial, inspirada em cordéis, no sertão nordestino e na arte da xilogravura. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A estrutura do Maior Arraial da Amazônia já começou a ser montada na Praça Fábio Marques Paracat. E neste ano, as arquibancadas vão receber mais de 5 mil pessoas por noite para assistirem os espetáculos das quadrilhas. A festa acontece de 3 a 8 de junho e virá com o tema “Boa Vista Junina 25 anos – Dançar quadrilha com a família é pura tradição”, reforçando a identidade cultural construída e celebrada ao longo de gerações.

A estrutura contará com um espaço maior e uma cenografia temática especial, inspirada em cordéis, no sertão nordestino e na arte da xilogravura. Além disso, o evento terá a tradicional praça de alimentação com comidas típicas de São João, além de espaços dedicados a empreendedores locais, contando também com a feirinha de turismo e uma área gastronômica diversificada.

O evento terá a tradicional praça de alimentação, além de espaços dedicados a empreendedores locais. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

“Toda a infraestrutura do Boa Vista Junina foi planejada para ampliar a grandiosidade do evento, garantir mais conforto ao público, aumentar a capacidade de atendimento e, ao mesmo tempo, oferecer uma estrutura de qualidade à cidade e aos artistas envolvidos”, destacou Dyego Monnzaho, presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC).

“Toda a infraestrutura do Boa Vista Junina foi planejada para ampliar a grandiosidade do evento”, disse o presidente da Fetec, Dyego Monnzaho. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Este ano, o Boa Vista Junina contará com a participação de 28 grupos de quadrilhas, sendo 12 do Grupo Especial, 12 de Acesso e 4 Emergentes, que prometem encantar o público com espetáculos coreografados que exaltam o espírito nordestino e a força identitária do povo roraimense.

Barco autônomo com inteligência artificial vai monitorar qualidade da água no Xingu, na área da Usina Belo Monte

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O barco autônomo movido a energia solar. Foto: Divulgação Norte Energia

Um barco autônomo movido a energia solar vai monitorar, em tempo real, a qualidade da água do rio Xingu na área de influência da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. O projeto quer revolucionar a forma como são realizadas as coletas e análises de dados ambientais em locais de difícil acesso, como é o caso da região amazônica.

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A solução, que já está em fase de testes, é fruto de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PDI) da Norte Energia, concessionária da usina, desenvolvido em parceria com a Fundação CERTI, USSV Tecnologia Autônoma e o Instituto CERTI Amazônia (ICA) e regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Equipada com uma sonda multiparamétrica, o barco navega em modo autônomo por um trajeto pré-definido pelos operadores, monitorando a qualidade da água em diversos pontos estratégicos do rio. Os dados coletados são transmitidos em tempo real via satélite para um software com Inteligência Artificial capaz de fazer uma predição da qualidade da água.  

Leia também: De forma inédita, peixes nativos do rio Xingu são reproduzidos em cativeiro no Pará

Barco autônomo com inteligência artificial vai monitorar qualidade da água no Xingu
O barco autônomo movido a energia solar. Foto: Divulgação Norte Energia

Uma das principais vantagens do barco é evitar o deslocamento de equipes em grandes áreas, como é o caso dos reservatórios das hidrelétricas. “O uso da embarcação autônoma permite que áreas de difícil acesso possam ser monitoradas com frequência, independentemente da condição climática, preservando os técnicos de exposição a riscos e reduzindo custos operacionais”, destaca Lorenzo Cardoso de Souza, CEO da USSV Tecnologia Autônoma, empresa responsável pelo desenvolvimento do barco.

O protótipo foi equipado com três baterias de litium, carregadas por 12 placas solares, de 100W cada, que dispensam o uso de combustíveis fósseis tão comuns nas embarcações amazônicas. A energia armazenada nas baterias garante uma autonomia de 20 horas de navegação, podendo alcançar uma área de monitoramento de 500 km². 

A Norte Energia investiu quase R$ 4 milhões na inovação que poderá, futuramente, ser replicada em monitoramentos de outras hidrelétricas instaladas em grandes rios da Amazônia. “O projeto inova ao aliar princípios da gestão de recursos hídricos, da ciência e da sustentabilidade. Com a utilização de equipamentos de última geração, a visualização dos dados em tempo real possibilitará o melhor acompanhamento da boa saúde dos reservatórios. O processo de transição energética também foi considerado, com a redução do uso de combustíveis fósseis para acessar as áreas monitoradas”, destaca Roberto Silva, gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia.

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Inteligência artificial na análise de dados

O projeto contará ainda com módulos em nuvem para o armazenamento e processamento dos dados coletados. Com o uso de inteligência artificial (IA), indicadores-chave sobre a qualidade da água poderão ser previstos apenas com os dados adquiridos pela embarcação, sem a necessidade de análises laboratoriais adicionais. 

O barco autônomo movido a energia solar. Foto: Divulgação Norte Energia

“Com uma sonda capaz de analisar múltiplos parâmetros, o sistema monitora variáveis importantes como temperatura, turbidez, pH e oxigênio dissolvido, proporcionando informações mais precisas, seguras e em tempo real sobre a qualidade da água”, explica Marcelo Pedroso Curtarelli, coordenador de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, desenvolvedor do sistema de processamento dos dados.

A embarcação está atualmente em fase de testes e entrará em operação assistida no reservatório intermediário de Belo Monte no segundo semestre deste ano. 

Usina Hidrelétrica Belo Monte

Usina Hidrelétrica Belo Monte. Foto: UHE Belo Monte

A principal fonte geradora de energia elétrica, no Brasil, são as hidrelétricas. De todo o território nacional, o estado do Pará é um dos maiores produtores dessa fonte de energia e possui duas das principais hidrelétricas do país: Tucuruí e Belo Monte.

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Rondônia se destaca entre os estados com maior crescimento da produção agrícola do país

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Conab aponta que o estado de Rondônia teve 29,4% de crescimento. Foto: Governo de RO

Rondônia se destaca entre os estados com melhor desempenho no 8º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta um novo recorde nacional na produção agrícola.

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O país deve alcançar 332,9 milhões de toneladas, com destaque para a soja, milho e arroz. O governo de Rondônia comemora os resultados positivos apontados pelo relatório que são um reflexo direto dos investimentos contínuos em tecnologia, infraestrutura e apoio ao produtor rural.

O relatório da Conab aponta que os estados de Rondônia e Mato Grosso do Sul tiveram 29,4% de crescimento na safra de grãos, o maior do país e bem maior que a média nacional que foi de 14%. Rondônia registrou 4.153,4 toneladas em 2023/2024 e 5.373,5 toneladas na safra 2024/2025. Veja no arquivo abaixo:

Leia também: Porto Velho foi o município rondoniense com maior produção de soja em 2023

O governador de Rondônia, Marcos Rocha ressaltou o papel estratégico do estado no crescimento da produção nacional. “Estamos colhendo os frutos de um trabalho sério e comprometido com o desenvolvimento do agronegócio. O governo do estado tem investido na melhoria de estradas, no fortalecimento da assistência técnica e no estímulo à agricultura familiar e empresarial. Esses resultados mostram que estamos no caminho certo, fazendo a diferença na vida de quem produz e de quem consome”, pontuou.

A colheita da soja no Brasil alcançou 97,7% da área cultivada na primeira semana de maio, e a safra 2024/25 continua confirmando-se como a maior já colhida na história do país. Entre os destaques está a produtividade da soja em Rondônia, que atingiu patamares históricos, acompanhando o desempenho nacional que prevê 168,3 milhões de toneladas.

Leia também: Produção de grãos em Rondônia na safra 2023/2024 está estimada em mais de 4 milhões de toneladas

Rondônia se destaca
Conab aponta que o estado de Rondônia teve 29,4% de crescimento. Foto: Governo de RO

O relatório aponta que as condições climáticas favoráveis e o profissionalismo dos produtores rurais, aliados a políticas públicas eficientes, têm elevado a competitividade do setor. No milho, o Estado também contribui para a estimativa nacional de 126,9 milhões de toneladas, resultado impulsionado pelo bom planejamento e gestão das lavouras.

Investimentos

O secretário de Estado da Agricultura, Luiz Paulo, reforça que o governo do estado tem atuado para garantir condições favoráveis ao produtor rural no campo. “Programas de crédito rural, incentivo à mecanização, capacitação de técnicos e agricultores e políticas de escoamento da produção têm sido fundamentais para alcançar esse desempenho. O apoio ao produtor rural é prioridade para esta gestão”, destacou.

Referência

Com esses avanços, Rondônia consolida sua posição como referência no agronegócio brasileiro. Os números da Conab não apenas confirmam o bom momento do setor, mas também reforçam a importância de políticas públicas consistentes, voltadas ao crescimento sustentável da produção agrícola. O governo de Rondônia segue comprometido em apoiar o campo, gerando emprego, renda e alimento de qualidade para o Brasil e o mundo.

Acompanhe a safra brasileira de grãos abaixo:

Uso da tafenoquina reduz tempo de tratamento da malária vivax, e Rondônia é pioneira na implantação

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O medicamento para malária vivax, reduz de 7, para apenas 3 dias o tempo de tratamento. Foto: Governo de RO

Rondônia reafirma seu protagonismo no enfrentamento à malária com a retomada da implantação da tafenoquina. O medicamento é um avanço no tratamento da malária vivax, reduzindo de 7 para apenas 3 dias o tempo de tratamento, com mais eficácia e segurança.

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A iniciativa é conduzida pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa/RO), com apoio do Ministério da Saúde (MS), do Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cepem) e das secretarias municipais de saúde. Após capacitações anteriores realizadas em 2024 nos municípios de Porto Velho, Guajará-Mirim, Candeias do Jamari e Nova Mamoré, o estado retoma agora, em maio de 2025, a segunda fase da implantação com um novo ciclo de formações e oficinas práticas.

tratamento da malária vivax
O medicamento para malária vivax, reduz de 7, para apenas 3 dias o tempo de tratamento. Foto: Governo de RO

Entre os dias 19 e 22 de maio, estão sendo realizadas reuniões técnicas e oficinas nos municípios de Itapuã do Oeste, Machadinho d’Oeste, Ariquemes e Alto Paraíso, envolvendo equipes municipais de saúde. O gerente da Gerência Técnica de Vigilância em Saúde Ambiental (GTVAM), Pedro Magalhães, explicou que a programação contempla orientações clínicas sobre o uso da tafenoquina e a aplicação do teste rápido da enzima G6PD, essencial para garantir a segurança do paciente antes do início do tratamento. O fornecimento do medicamento e dos biossensores utilizados no teste G6PD é feito pelo Ministério da Saúde e distribuído pela Agevisa/RO aos municípios contemplados.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressaltou o comprometimento do estado com a inovação e a saúde pública. “Rondônia tem dado exemplo de inovação e compromisso com a saúde da população. A adoção da tafenoquina é um avanço significativo no tratamento da malária e representa um ganho direto para a qualidade de vida dos rondonienses.”

Leia também: Óleo extraído de árvore típica de Tepequém tem potencial para combater mosquito da malária

Tratamento

tratamento da malária vivax
Arte de tratamento contra a malária. Imagem: Governo de RO

A tafenoquina é utilizada no tratamento de casos novos de malária vivax e deve ser administrada após a realização do teste de G6PD, que detecta a deficiência da enzima Glicose-6-Fosfato Desidrogenase. Essa condição, presente em parte da população, pode provocar reações adversas ao medicamento. O teste, que é simples e rápido, com resultado em cerca de 15 minutos, determina se o paciente pode ou não receber o tratamento com segurança.

O diretor-geral da Agevisa/RO, Gilvander Gregório de Lima, enfatizou a importância da inovação terapêutica aliada à segurança clínica. “A tafenoquina oferece tratamento rápido e eficaz, com uma dose única associada à cloroquina, proporcionando maior adesão e resultado para o paciente. Mas o mais importante é a segurança: por isso o teste de G6PD é indispensável antes da administração.”

Leia também: Trajetória de Marcus Lacerda, especialista em malária na Amazônia, é destaque em publicação médica internacional

Retomada e implantação

O coordenador estadual da Malária da Agevisa/RO, Valdir França, destacou o esforço conjunto para viabilizar a retomada da implantação do medicamento.

“Desde julho de 2024 iniciamos a implantação em Porto Velho. Em dezembro, implantamos nos municípios de Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Candeias e no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) de Guajará Mirim. Esse processo é fruto de um estudo clínico iniciado em 2018, que foi desenvolvido por três anos em Porto Velho e Manaus, e agora colhemos os resultados com a aplicação prática nas regiões endêmicas.”

A retomada da implantação da tafenoquina consolida Rondônia como estado referência no controle da malária, promovendo saúde com eficácia, inovação e segurança para a população.

Durante a oficina em Itapuã do Oeste, a técnica do Cepem, médica Mariana Vasconcelos, iniciou a capacitação com uma contextualização histórica do uso do medicamento pelo exército americano e reforçou a necessidade do teste prévio de G6PD. Ela ressaltou que a G6PD é uma enzima presente no organismo, e que antes de usar a tafenoquina, é fundamental realizar o teste. O teste garante a segurança do paciente e permite uma cura radical da malária vivax.

Grupo determina proporção ideal de nutrientes na dieta do tambaqui, o que pode baixar o custo da ração

Experimento mostrou que a formulação ideal tem 260 g/kg de proteína digestível e 180 g/kg de amido. foto: Gabriela Carli

Estudo conduzido no campus de Dracena da Universidade Estadual Paulista (Unesp) demonstrou que juvenis de tambaqui (Colossoma macropomum) conseguem utilizar carboidratos como fonte de energia, poupando o uso de proteína – o ingrediente mais caro das rações para peixes.

Os resultados, publicados no Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, indicam que a formulação ideal para aliar desempenho zootécnico e metabolismo animal de forma mais sustentável é a dieta com 260 gramas por quilo (g/kg) de proteína digestível e 180 g/kg de amido.

O estudo faz parte de um projeto apoiado pela FAPESP e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). É coordenado por Leonardo Takahashi, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas (FCAT-Unesp), e envolve pesquisadores do Centro de Aquicultura (Caunesp). O grupo avaliou seis dietas formuladas com diferentes proporções de proteína e carboidrato.

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“A nutrição é um dos principais desafios na produção de peixes, pois a alimentação corresponde a mais de 70% dos gastos totais e a proteína é um fator que encarece muito a ração”, explica Gabriela Carli, primeira autora do artigo, que realizou a pesquisa durante seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Aquicultura do Caunesp.

Além da aplicação direta na formulação de rações, o estudo contribui para desfazer a ideia, ainda presente em parte da literatura, de que peixes são intolerantes ao carboidrato. “Muitos dos estudos clássicos foram feitos com peixes de clima temperado, como salmões e trutas. Mas os nossos peixes nativos, como o tambaqui, têm um metabolismo diferente e precisam ser estudados com base em sua ecologia e dieta natural”, explica Takahashi.

O tambaqui é um peixe da região amazônica que se alimenta de frutos e sementes que caem na beira do rio, além de outros organismos vivos menores, por isso é considerado onívoro. “Isso sugere que a espécie possui mecanismos fisiológicos para a utilização de alimentos ricos em carboidratos”, considera Takahashi.

Leia também: Pesquisa aumenta em mais de duas vezes o ganho de peso de tambaqui em tanque-rede

Em trabalho anterior (2022), os cientistas avaliaram a resposta metabólica do tambaqui à glicose e à frutose. Os resultados mostraram que o tambaqui aproveita de forma eficiente a glicose e frutose presentes em sua dieta na natureza.

“Com isso, vimos que o tambaqui é metabolicamente bem adaptado ao consumo de carboidratos, o que nos deu base para pensar numa formulação com maior teor de amido”, comenta Takahashi. “Esse estudo foi essencial para entender o funcionamento bioquímico do tambaqui e definir uma dieta mais eficiente no novo trabalho”, completa o pesquisador.

Efeito poupador de proteína

“Nós trabalhamos com a hipótese de que o tambaqui, sendo um peixe onívoro da bacia amazônica, naturalmente exposto a frutos e sementes, teria um metabolismo capaz de aproveitar bem os carboidratos como fonte de energia”, explica Takahashi. “Ao confirmarmos isso, conseguimos formular uma dieta com menos proteína e mais carboidrato, sem prejuízo ao desempenho zootécnico”, relata.

O conceito de “efeito poupador de proteína” busca justamente substituir parte da proteína utilizada como fonte de energia por fontes mais baratas, como carboidratos ou lipídios. Com isso, a proteína passa a ser usada prioritariamente para o crescimento dos peixes – sua principal função biológica – e não como combustível energético.

As dietas testadas foram formuladas de forma isoenergética, ou seja, com a mesma quantidade de energia digestível, respeitando as exigências nutricionais conhecidas para o tambaqui. Foram combinados três níveis de proteína digestível (230, 260 e 290 gramas por quilograma) e dois níveis de amido (180 e 280 gramas por quilograma), totalizando seis dietas experimentais.

A formulação teve como referência os parâmetros estabelecidos por estudos anteriores. As fontes proteicas incluíram farelo de soja, farinha de peixe e glúten de milho; o amido de milho foi utilizado como principal fonte de carboidrato, e, o óleo de soja, como fonte lipídica.

O grupo avaliou seis dietas formuladas com diferentes proporções de proteína e carboidrato. Foto: Gabriela Carli

“Os ingredientes proteicos são os que têm maior impacto no custo da ração”, afirma Takahashi. “Se o peixe for capaz de usar carboidrato como fonte de energia, conseguimos reduzir a inclusão de proteína, baratear a dieta e, ao mesmo tempo, minimizar a excreção de compostos nitrogenados, como a amônia, que são tóxicos e prejudiciais tanto ao peixe quanto ao ambiente”, comenta o pesquisador.

A excreção de amônia é uma preocupação importante na piscicultura intensiva, pois seu acúmulo pode comprometer a qualidade da água e provocar mortalidade nos viveiros. A menor presença de resíduos nitrogenados, associada ao uso eficiente de nutrientes, contribui para tornar a produção mais sustentável.

O estudo também abre caminho para o uso de ingredientes locais, especialmente na região Norte, onde a produção de tambaqui é concentrada, mas os custos com ração são elevados devido à necessidade de transporte de insumos vindos do Sul e Centro-Oeste. “A continuação desse trabalho é justamente testar ingredientes vegetais disponíveis regionalmente, como resíduos de indústrias de polpa de frutas da Amazônia”, adianta Takahashi.

Carli reforça a importância prática da pesquisa: “A ração representa mais de 70% do custo de produção do peixe. Reduzir esse valor sem comprometer o crescimento do animal tem impacto direto para os produtores, especialmente os de menor escala, que muitas vezes enfrentam dificuldades para adquirir ração adequada”.

A pesquisa foi realizada com juvenis, fase em que o peixe apresenta maior exigência nutricional e o custo da alimentação é mais elevado. “Essa fase permite também maior controle experimental e reflete uma etapa crítica do ciclo produtivo”, acrescenta Takahashi.

O artigo The Protein/Carbohydrate Ratio in the Diet Affects Zootechnical Performance and the Regulation of Intermediary Metabolism in Juveniles Tambaqui (Colossoma macropomum) pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jpn.14060.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, com informações da Assessoria de Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura da Unesp Jaboticabal.

Relatório aponta que garimpo ilegal não diminui e afeta drasticamente ecossistema amazônico

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Foto: Fábio NAscimento/Greenpeace

O Greenpeace Brasil divulgou o novo relatório Ouro Tóxico – Como a exploração ilegal de ouro na Amazônia alimenta a destruição ambiental, as violações dos direitos indígenas e um comércio global obscuro’ no último mês de abril. A publicação mostra de forma detalhada o panorama atual do garimpo criminoso realizado na floresta amazônica, tal como suas influências ambientais e as comunidades tradicionais locais.

Histórico no País, o garimpo na Amazônia existe desde o período colonial. Entretanto, seus impactos têm se intensificado cada vez mais. Júlia Castro, doutoranda em Antropologia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP com o tema mineração industrial, comenta o contexto atual da ação criminosa.

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“A gente tem uma expansão descontrolada da atividade. Ele começa a avançar sobre áreas protegidas, contamina rios com mercúrio, devasta a floresta, que é um dos grandes causadores das mudanças no clima. Acho importante ressaltar isso, o deflorestamento intensivo que ele provoca e os conflitos violentos com os povos indígenas e comunidades tradicionais com quem o garimpo entra em contato”.

Mudanças

Com o passar dos anos, a atividade garimpeira e suas técnicas evoluíram. Segundo Júlia, a prática requer um investimento elevado para a exploração do ouro. A necessidade de maquinário pesado, tecnologia de ponta e logística sofisticada requerem um elevado montante de capital.

Além disso, a relação entre os patrões e seus empregados também foi alterada. Baseada em promessas falaciosas e a busca pela prosperidade, os garimpeiros são subordinados em relação a seus chefes. Na maioria das vezes, os trabalhadores são explorados das mais diversas formas.

Tendo em vista a evolução desse negócio obscuro, dados de monitoramento do Greenpeace Brasil de 2023 a 2024 demonstraram que a atividade garimpeira não diminuiu, apenas mudou de uma terra indígena para outra.

Enquanto houve uma redução nas terras Yanomami (-7%), Munduruku (-57%) e Kayapó (-31%), a terra indígena Sararé teve um aumento de 93% na atividade garimpeira amazônica.

Leia também: Garimpo Legal do Ouro na Amazônia: Recomendações para um Adequado Controle dos Impactos Socioambientais

“O problema se agravou nos últimos anos, principalmente no último governo (de 2018 a 2022), com um discurso que abertamente apoiava a atividade. Isso provocou um enfraquecimento da fiscalização e um aumento recorde do garimpo ilegal”, afirma Júlia.

Fiscalização

Para a redução dos impactos do garimpo ilegal, a fiscalização das normas constitucionais por parte dos órgãos governamentais é fundamental, de acordo com a doutoranda. A Constituição Federal define que as jazidas minerais são da União, portanto, exige autorização ou concessão para exploração.

Entretanto, as agências responsáveis por esse controle encontram-se enfraquecidas, como a Agência Nacional da Mineração (ANM). Além disso, a Constituição prevê que as terras indígenas são inalienáveis e indisponíveis para exploração. A única condição para a exploração mineral nessas terras é mediante autorização do Congresso.

As leis nacionais são claras quanto à restrição da exploração de jazidas de ouro e terras indígenas. Entretanto, a fiscalização frágil realizada pelos órgãos públicos agrava ainda mais a problemática. “Outro elemento muito importante também é o fato de ocorrer uma lavagem do ouro ilegal no mercado formal, com a produção de documentos falsos. Isso alimenta essa cadeia e dificulta o controle”, complementa Júlia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Breno Marino sob supervisão de Paulo Capuzzo

Guardiões da Onça: conheça iniciativas que protegem um dos maiores felinos do mundo no Brasil

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Foto: GP Felinos/Instituto Mamirauá

Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) desempenha um papel crucial na manutenção da biodiversidade da floresta amazônica.

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A região abriga aproximadamente 90% da população mundial desta espécie, que enfrenta uma crescente ameaça devido à perda de seu habitat, na maioria causada pelo desmatamento e pela degradação ambiental.

Leia também: Distribuição geográfica: você sabe onde é possível encontrar onça-pintada no Brasil?

Diante desse cenário alarmante, é essencial que ações eficazes de preservação sejam adotadas para garantir a continuidade da espécie e a saúde do ecossistema amazônico.

O Portal Amazônia encontrou algumas iniciativas dedicadas à proteção da onça-pintada não só na Amazônia, mas em outras regiões do Brasil onde este felino esta presente. Conheça: 

Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia (GP Felinos) do Instituto Mamirauá (AM)

O Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia, do Instituto Mamirauá, no Amazonas, tem como principal objetivo entender a ecologia de onças-pintadas nas florestas de várzea da Amazônia para amparar ações de conservação da espécie. 

Leia também: Pesquisa monitora comportamento das onças durante período de chuva na Amazônia

As linhas de pesquisa do projeto visam calcular o número de onças que vivem nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, Amazonas, além de estimar a densidade populacional da espécie.

Foto: GP Felinos/Instituto Mamirauá

Extra: Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (AM)

Ainda no Amazonas, mas localizado em Manaus, o Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva atua há 65 anos e é também um projeto de conservação de onça-pintada, considerado o mais antigo do Brasil. O zoológico realiza a reabilitação dos animais após triagem feita pelo Ibama, com o intuito de devolvê-los ao seu habitat.

Instituto Onça-Pintada

Fundado em 2002 pelos biólogos Anah Jácomo e Leandro Silveira, o Instituto Onça-Pintada tem a missão de promover a conservação da onça-pintada e seus habitats naturais visando a conservação da espécie. 

Com diversos projetos, o instituto trabalha, por exemplo, em Maracá (AP) com o projeto ‘Ilha das Onças’, cujo foco é identificar como as onças-pintadas sobrevivem em um ambiente com população tão densa, em um lugar tão confinado, com escassez de água e comida. 

Leia também: Conheça a ‘Ilha das Onças-Pintadas’: região que ajuda na conservação da espécie na Amazônia

Vigente também no Rio Araguaia, com o projeto Corredor da Onça, o maior e mais importante corredor ecológico para a onça-pintada e suas presas naturais, com mais de 3.000 km de extensão, o corredor liga os biomas Amazônia e Cerrado.

Além disso, o IOP conduz pesquisas sobre a onça-pintada no Pantanal há anos, utilizando coleiras GPS para coletar dados sobre seu comportamento, áreas que frequentam e como interagem com o gado. O objetivo é mitigar os conflitos históricos da onça e pecuaristas da região que acontecem há mais de 200 anos.

Saiba mais: Onças pintadas são diferentes na Amazônia e no Pantanal

Foto: Reprodução/Instituto Onça-Pintada

Onçafari

Fundado em 2011 pelo ex-piloto de Fórmula 1 Mário Haberfeld, o Projeto Onçafari foi criado, a princípio no Pantanal, com a missão de conservar a biodiversidade brasileira por meio da proteção de áreas naturais.

Um dos principais propósitos do projeto é a reintrodução de espécies ameaçadas, como foi o caso das onças-pintadas Pandora e Vivara, que com poucos meses de vida foram encaminhadas para o espaço de reintrodução do Onçafari na Amazônia, onde ficaram por dois meses em observação comportamental e treinamento para a caça. 

Na Amazônia, o projeto está presente na Reserva Onçafari 1, localizada em Jacareacanga, no Pará, com 400km de hectares. Com intuito de proteger as margens do Rio São Benedito e criar corredores ecológicos essenciais para a fauna e a flora, esta Reserva não desenvolve atividades de ecoturismo e visitação.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Própolis de abelha nativa da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

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Os produtores têm buscado instalar caixas de abelhas sem ferrão em suas áreas para a polinização dirigida e aumento da produtividade. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

Um novo estudo conduzido por cientistas da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) identificou propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias em um creme formulado com própolis produzida por abelhas sem ferrão nativas da Amazônia. A substância foi extraída da espécie Scaptotrigona aff. postica, conhecida como abelha-canudo, e testada em cobaias de laboratório com resultados comparáveis aos de pomada cicatrizante disponível no mercado.

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Além da eficácia na recuperação dos ferimentos, o creme à base de própolis se destacou por apresentar menor resposta inflamatória e uma regeneração dos tecidos com melhor qualidade em comparação a uma pomada comercial. A pesquisa sugere um novo potencial farmacêutico para um bioproduto tradicionalmente usado por populações humanas desde a Antiguidade.

Os resultados foram divulgados no artigo Healing Activity of Propolis of Stingless Bee (Scaptotrigona aff. postica), Reared in Monoculture of Açaí (Euterpe oleracea) publicado na revista científica Molecules. A pesquisa é fruto de um esforço conjunto de instituições científicas da Região Norte para valorizar produtos naturais da biodiversidade amazônica.

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Extração do própolis produzido por abelha-canudo. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

Participação do açaí na cicatrização

A abelha-canudo vem sendo estudada pela sua eficiência na polinização do açaizeiro. O artigo foi um desdobramento de uma pesquisa que avaliava a frequência desse inseto nativo nas flores de açaí.

“Como ela produz bastante própolis, foi levantada a questão da possível influência do ambiente de açaizeiros na qualidade desse produto”, conta o professor da UFPA Nilton Muto, um dos autores da publicação. 

A própolis é resultado da combinação de substâncias derivadas de resinas vegetais e pólens, coletadas pelas abelhas no ambiente, combinada a cera que elas próprias produzem. Embora não tenha sido determinado pelas análises a origem das substâncias da própolis pesquisada, os autores acreditam que o ambiente de cultivo de açaí onde as colmeias foram instaladas contribuiu para dar uniformidade à sua composição química. “A palmeira do açaí (Euterpe oleracea) é altamente valorizada por suas elevadas concentrações de compostos fenólicos e antocianinas, que possuem significativa capacidade antioxidante”, afirmam os autores. 

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As análises químicas realizadas na própolis da abelha-canudo coletada em ambiente de cultivo de açaí apresentaram uma boa concentração de compostos bioativos. Essas substâncias são reconhecidas por ter um papel importante na promoção e manutenção da saúde humana. A presença de compostos fenólicos, por exemplo, excederam em mais de 20 vezes a quantidade mínima estabelecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para determinar a qualidade da própolis. Já a classe dos flavonoides superou em quase quatro vezes o índice mínimo estabelecido pela mesma regulamentação.

“Não basta dizer o milagre. É preciso também dar o nome do santo”, brinca o professor ao referir as relações entre a composição da própolis estudada e os resultados que o creme dessa substância obteve na cicatrização dos ferimentos. Na análise macroscópica, a olho nu, tanto o creme à base de própolis da abelha-canudo quanto a pomada de uso comercial tiveram desempenho semelhante, diminuindo o tamanho do ferimento. Ao analisar com microscópio os tecidos, no entanto, os pesquisadores encontraram diferenças significativas. 

“Observamos uma recuperação mais rápida de fibras colágenas tipo 1 e tipo 3 e na redução da inflamação no tratamento envolvendo a própolis”, afirma Muto.

Amostras apresentaram altas concentrações de compostos bioativos, como flavonoides e fenólicos. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

Ele explica que essas fibras são importantes porque fornecem suporte ao tecido que está regenerando, enquanto um menor processo inflamatório também facilita a cicatrização. Essas vantagens são atribuídas pelos pesquisadores à presença dos compostos bioativos encontrados na própolis da abelha-canudo. 

Até o momento nenhum creme à base de própolis com origem em cultivo de açaí havia sido descrito. Um biofármaco assim também oferece como benefício menor possibilidade de efeitos colaterais, nível reduzido de resíduos químicos e quantidade mínima de conservantes.

Atividades integradas

As propriedades medicinais da própolis são conhecidas pelas populações humanas desde a Antiguidade. Ela é um bioproduto versátil, com aplicações na farmacologia, medicina, cosmetologia e indústria alimentícia. Para as abelhas, a própolis tem função de proteção da colmeia, cobrindo frestas e isolando o ambiente. Por ter propriedades antimicrobianas, a própolis também protege a colmeia contra doenças. Quando há invasão de algum inseto, e não pode ser retirado depois de morto, elas o cobrem com própolis, para evitar a proliferação de microrganismos.

Diferentemente de outras abelhas nativas da Amazônia, como a uruçu-amarela e a uruçu-cinzenta, a abelha-canudo não inclui barro na formulação de sua própolis. “Isso confere um produto livre de contaminantes que podem ser trazidos pelo solo”, explica o pesquisador da Embrapa Daniel Santiago, um dos autores do artigo. 

Pesquisas anteriores verificaram que a abelha-canudo é uma eficiente polinizadora do açaí, devido ao seu pequeno porte e ao fato de visitar tanto as flores masculinas quanto as femininas. Com a expansão dos cultivos de açaí, os produtores têm buscado instalar caixas de abelhas sem ferrão em suas áreas para a polinização dirigida e aumento da produtividade. Dessa forma, segundo Santiago, a cadeia produtiva do açaí tem incentivado a meliponicultura, como é chamada a criação de abelhas sem ferrão.

“Nesse contexto surge a questão de identificar novos produtos relacionados a essa atividade. E a abelha-canudo tem como característica de seu comportamento uma maior produção de própolis, quando comparada às demais abelhas nativas da região”, explica o pesquisador sobre a motivação do estudo. 

No experimento realizado, foram instaladas caixas com abelhas-canudo em meio a um raio de cerca de 450 metros de plantios de açaí. “Observamos que o voo das abelhas para buscar alimentos era de até 300 metros. Por isso, podemos deduzir que houve uma influência desse ambiente na produção da própolis”, afirma Santiago.

À medida que as pesquisas sobre o sistema de manejo para polinização do açaizeiro como serviço avançam, de acordo com Santiago, as potencialidades de novos produtos são identificadas e isso demanda novos estudos. “No caso do própolis da abelha-canudo, para dar escala a esse produto teríamos de identificar os indivíduos mais aptos para essa atividade e as formas de manejo mais adequadas”, exemplifica o pesquisador.

Estudo reforça a integração entre meliponicultura e a cadeia produtiva do açaí na região Norte. Foto: Vinícius Braga/Embrapa

E como a produção de própolis em cada colmeia é pequena, seriam necessários muitos produtores para alcançar as quantidades suficientes para dar viabilidade comercial ao produto. Outro produto da abelha-canudo que vem sendo estudado é o pólen, que elas coletam, processam e transformam num alimento rico em aminoácidos.

O mel, no entanto, ainda não é produzido pela abelha-canudo em quantidade atrativa para a comercialização, mas apresenta diferenciais frente aos méis disponíveis no mercado.

Além de Muto e Santiago, assinam o artigo: Sara R. L. Ferreira, Suzanne A. Teixeira, Gabriella O. Lima, Jhennifer N. R. S. de Castro, Luís E. O. Teixeira, Carlos A. R. Barros, Moisés Hamoy e Veronica R. L. O. Bahia.

Biodiversidade da Amazônia no foco da pesquisa

Os estudos sobre as potencialidades da própolis compõem as linhas de pesquisa com abelhas nativas da Embrapa Amazônia Oriental em parceria com a academia.

No Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, ligado ao Parque de Ciência e Tecnologia Guamá e à Universidade Federal do Pará (UFPA), alunos e professores investigam as possibilidades de novos produtos a partir da biodiversidade da região, enquanto em propriedades de agricultores e na Embrapa é estudado o manejo de abelhas, nativas e africanizadas, sua relação com a polinização de cultivos e fornecimento de bioprodutos.

A investigação sobre a própolis foi um dos temas trabalhados pelo projeto Agrobio, financiado pelo Fundo Amazônia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Depois do Papa Francisco, o até logo de Divaldo Franco

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

O que o Papa Francisco e Divaldo Franco têm em comum e de diferente? De comum, têm muitos aspectos, uns mais óbvios do que outros. Ambos tiveram uma passagem marcante pela Terra, na última vida, para quem acredita que temos mais do que uma. Os dois foram líderes religiosos e referência para milhares ou milhões de pessoas. Ambos eram agentes poderosos do bem, despertaram gratidão e construíram um legado, que os farão ser lembrados por muito tempo.

Francisco e Divaldo deixaram suas marcas e contribuíram para tornar o mundo melhor. De uma maneira ou de outra, tinham absoluta fé na existência da Grande Força Superior que ambos chamavam de Deus. Para os dois, há um mundo invisível, o espiritual, que é mais importante que o mundo material que ocupamos temporariamente. Um era católico e o outro, espírita. Um argentino e outro brasileiro. Mas que importância há nestas diferenças? E o que outras semelhanças relevantes existem entre eles e deles com cada um de nós?

Creio que uma coisa que se destaca é a consciência da Missão e o desenvolvimento de um Propósito. É possível perceber que ambos tinham um senso de Missão muito forte. Suas escolhas conscientes, somadas ao que se deixaram levar pelo que a vida lhes trouxe, indicam que eles foram capazes de perceber a própria Missão e criar um Propósito relacionado a ela.

Ou seja, eles pareciam saber o que vieram fazer aqui e desenvolveram uma paixão, unindo Missão e Propósito. Quando isto ocorre, ambos se potencializam e nos tornam melhores nas dimensões do Ser e do Fazer, como Francisco e Divaldo. Mas será que isto é porque eles eram pessoas especiais? Estaria isto ao alcance de pessoas comuns como nós?

Os fatos demonstram que sim. Da mesma maneira que a vida e as suas escolhas os conduziram para a jornada que traçaram, nossa história também nos sinaliza caminhos, nos oferece oportunidades e dificuldades, nos comunica em uma linguagem que podemos buscar entender, qual é, afinal, a nossa Missão maior. Cada um de nós tem a sua Missão, assim como o Papa Francisco, Divaldo Franco, Nelson Mandela, Fernanda Montenegro, Maria Betânia, Donas Marias e milhares de João da Silva também a possuem.

Um forte sinalizador de nossa Missão são os nossos dons naturais e especialmente os que pudemos transformar em talentos. Quais nos ajudaram a nos diferenciar e a fazer diferença na vida de outras pessoas? No que já fomos reconhecidos? Quando crianças, quais eram os nossos sonhos? E quais são os nossos sonhos hoje? O que nos faz mais feliz? O que nos torna plenos? Sabemos que são respostas que não encontraremos fora de nós mesmos, mas precisamos de tempo, de vontade e de algum silêncio para fazermos este mergulho e trazer de lá a resposta para a pergunta que, costumo brincar, vale um milhão de dólares: qual é a nossa missão?

Destaco que mais vale a pergunta do que a resposta, que sempre será uma aproximação, algo que compreenderemos melhor com o tempo. Com ele, provavelmente vamos descobrir que a primeira intuição que tivemos não estava longe. De alguma maneira, nosso espírito e nosso subconsciente, por meio de nossas escolhas, nos conduziram para ela, em diversas situações. Na frente, como disse Steve Jobs, seremos capazes de ligar os pontos e perceber a sincronicidade dos acontecimentos.

Mas a Missão poderá ser pesada, se não for complementada com o Propósito. É como um casal, quem sem o amor, a atração e a amizade, restaria apenas o dever que cada um tem com o outro. O Propósito é o que dá o sabor e, alinhado à Missão, o motivo para fazer com vontade o que devemos fazer. Missão e Propósito alinhados nos tornam agentes de Felicidade para outras pessoas, nos aproximando de nossa felicidade também.

A vocação, pode-se dizer, é uma combinação de Missão e Propósito. Vale para Francisco, para Divaldo e para cada um de nós. De minha parte, tenho muito a aprender com os dois.

E você? O que você tem em comum com Francisco e com Divaldo?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista