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Urnas funerárias milenares da Amazônia “retornam à casa” após seis anos

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Escavações das urnas na comunidade Tauary em 2018. Foto: Acervo GP Arqueologia/Instituto Mamirauá

Após uma longa jornada de mais de 1,2 mil quilômetros por rios da Amazônia, sete urnas funerárias da Tradição Polícroma da Amazônia retornaram, no final de abril, ao município de Tefé (AM), seu território de origem.

A viagem de retorno, feita inteiramente por via fluvial, exigiu duas trocas de embarcação e foi cuidadosamente planejada para preservar os sensíveis artefatos arqueológicos.

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As urnas haviam sido levadas em 2019 para a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em Santarém (PA), onde passaram por seis anos de análises aprofundadas do material cerâmico e dos vestígios humanos guardados pelas urnas. O retorno marca um novo ciclo de conservação, pesquisa e valorização desse patrimônio arqueológico amazônico.

As urnas foram escavadas em 2018 por uma equipe arqueólogos do Instituto Mamirauá e organizações parceiras na comunidade Tauary, localizada na Floresta Nacional de Tefé.

O achado é considerado inédito por ter sido o primeiro registro desse tipo de urna encontrado diretamente no solo, sem ter sido previamente removido por moradores — condição rara em um campo onde vestígios costumam chegar às mãos dos pesquisadores já fora de seu contexto original.

Os artefatos estavam enterrados a menos de 40 centímetros da superfície, em uma área de apenas quatro metros quadrados, próxima à escola comunitária. Decoradas com rostos e formas simbólicas, as urnas revelam práticas funerárias complexas e de grande cuidado, que estão sendo interpretadas e estudadas pelos pesquisadores.

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Achado inédito impulsiona estudos sobre rituais funerários na Amazônia

“Esse é um momento muito importante e esperado por todos nós, tanto os pesquisadores quanto os moradores de Tauary”, afirma Eduardo Kazuo Tamanaha, arqueólogo e líder do Grupo de Pesquisa Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia do Instituto Mamirauá.

“A pandemia, cortes de gastos e secas extremas dificultaram o andamento dos trabalhos e o retorno das urnas para Tefé. Por outro lado, a equipe coordenada pela professora Dra. Anne Rapp Py-Daniel teve mais tempo para analisar o material e trazer resultados impressionantes”.

A arqueóloga Anne Rapp Py-Daniel, professora e pesquisadora da UFOPA, destaca o ineditismo da descoberta: “Pela primeira vez, tivemos acesso ao contexto completo dessas urnas, desde o sítio arqueológico até o conteúdo interno. Isso nos permite entender melhor os rituais de cremação, preparação dos corpos e os padrões simbólicos envolvidos”.

A pesquisadora Anne Rapp Py-Daniel e uma das sete urnas Tauary que retornaram à Tefé (AM). Foto: Miguel Monteiro

Em uma das urnas, por exemplo, foram identificados vestígios de dois indivíduos — possivelmente cremados em momentos diferentes e com intensidades distintas.

Segundo a pesquisadora, análises feitas nos últimos anos revelaram que o local pode ter sido usado por séculos como cemitério. Ossos queimados, evidências de exposição prolongada das urnas antes do enterramento e variações nos procedimentos funerários indicam uma tradição elaborada, marcada por rituais complexos de transformação e memória.

Uso de tecnologia de tomografia inova o estudo de urnas funerárias

Entre as inovações adotadas na pesquisa das urnas de Tauary, destaca-se o uso da tomografia computadorizada como ferramenta de análise não invasiva pela pesquisadora Cristiane Colares.

O Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendaju da UFOPA estabeleceu uma parceria com uma clínica de imagens em Santarém para viabilizar exames em cinco urnas funerárias, que ainda não tinham sido escavadas. O objetivo era identificar os vestígios humanos em seu interior e avaliar o estado de conservação dos artefatos.

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A técnica permitiu visualizar estruturas internas invisíveis a olho nu, como rachaduras ou áreas fragilizadas, e foi essencial para estabelecer protocolos mais seguros de escavação e conservação.

“Essas urnas não são apenas objetos frágeis, elas são o equivalente a caixões. Carregam um valor simbólico e ético muito forte. Por isso, toda intervenção precisa ser muito bem pensada e executada com o máximo de cuidado”, explica Anne Rapp Py-Daniel.

O trabalho iniciado com a tomografia está pavimentando caminhos para que novas tecnologias sejam incorporadas à arqueologia amazônica, respeitando tanto o valor científico quanto espiritual dos artefatos. A metodologia contribui para preservar o material e ampliar o conhecimento sobre os rituais funerários da Tradição Polícroma da Amazônia, sem comprometer sua integridade.

Envolvimento da comunidade fortalece a valorização cultural

A iniciativa também se destaca pela participação ativa da comunidade local. Os moradores de Tauary acompanharam todo o processo de escavação e solicitaram apoio técnico assim que perceberam a presença dos vestígios, demonstrando grande interesse e respeito pelo patrimônio ancestral.

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Moradora de Tauary (AM) mostra artefato arqueológico encontrado na comunidade ribeirinha. Foto: Projeto Tauary

No último dia 2 de maio, uma equipe do Instituto Mamirauá e da UFOPA retornou à comunidade para uma devolutiva presencial dos resultados das pesquisas. A atividade, realizada de forma aberta e acessível, incluiu falas da equipe científica, atividades educativas, exposição com fotos e informações da pesquisa e o reconhecimento do sítio arqueológico.

O momento foi bem recebido pela população local, como destacou Paulo Leocadio, presidente da comunidade Tauary. “As pessoas gostam quando (os pesquisadores) chegam e dão uma explicação. Porque, muitas das vezes, não tem essa explicação, que nem teve aqui. Foi muito bom, eu creio que a equipe foi bem acolhida e recebida pela comunidade”, afirma.

Parcerias institucionais fortalecem a ciência na Amazônia

O sucesso das pesquisas envolvendo as urnas de Tauary também é fruto de uma longa e sólida rede de cooperação entre instituições da região Norte.

A arqueóloga Anne Rapp Py-Daniel ressalta o papel essencial das parcerias para a continuidade de trabalhos científicos fora dos grandes centros urbanos:

“Temos parcerias com o Instituto Mamirauá há 14 anos, trabalhando de maneira colaborativa. Isso é superimportante para as instituições da região Norte. Muitas vezes, não temos os recursos, as pessoas, ou a proximidade com grandes centros. Por isso, precisamos dessas redes reais, duradouras, que sustentam as pesquisas e mantêm os acervos vivos ao longo do tempo”, destaca a pesquisadora.

Parte da equipe do Projeto Tauary, responsável pelas pesquisas e transporte das urnas até Tefé (AM). Foto: Júlia Rantigueri

O arqueólogo Eduardo Kazuo Tamanaha, do Instituto Mamirauá, reforça esse pensamento. “Ninguém faz ciência sozinho. É necessária uma equipe compromissada e multidisciplinar. Sem a parceria com as arqueólogas da UFOPA, esse trabalho não teria sido possível. E o apoio de programas como o Mulheres na Ciência também foi crucial para que o projeto existisse. Agora, seguimos com o trabalho, recebendo duas especialistas em Conservação e Restauro para aprofundar o cuidado com as urnas de Tauary”, completa.

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Pesquisa revela redes de contato milenares na Amazônia

Após a chegada a Tefé, os artefatos passam a integrar o acervo do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá, onde passarão por processos finais de análise e conservação.

A descoberta reforça evidências de que a Amazônia pré-colonial era densamente povoada e culturalmente complexa, contrariando a antiga visão de um território intocado ou esparsamente habitado. “Essas urnas falam de uma cosmovisão partilhada e de uma rede de contatos que se estendia por toda a região, ligando diferentes grupos e tradições há mais de mil anos”, conclui Py-Daniel.

O trabalho segue em andamento, com a análise de outras duas urnas ainda não escavadas e novos estudos programados. A expectativa é que o conhecimento gerado ajude a fortalecer políticas de preservação do patrimônio cultural e inspire novas formas de diálogo entre ciência, memória e comunidades amazônicas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

Povos indígenas do Sudoeste da Amazônia se reúnem para criação de aliança para fortalecimento territorial

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Cidade de Ji-Paraná recebe a reunião das associações. Foto: Divulgação

Representantes de mais de dez associações indígenas de Rondônia e Mato Grosso se reúnem nos dias 22 e 23 de maio, em Ji-Paraná (RO), para formalizar a criação da Aliança dos Povos Indígenas do Sudoeste da Amazônia. A iniciativa marca um passo decisivo rumo à autonomia dos povos originários na gestão de seus territórios, com foco em Soluções Baseadas na Natureza (SbN).

O encontro tem como objetivo estruturar juridicamente a Aliança, com deliberações sobre a constituição do CNPJ, aprovação do estatuto e eleição da diretoria.

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A Aliança foi idealizada pelos próprios povos indígenas da região, com apoio técnico da Rioterra, organização que atua há mais de 25 anos em projetos socioambientais na Amazônia. O objetivo é ajudar com instruções técnicas e orientações legais para a estruturação.

“É uma organização que foi criada pelos povos indígenas pra trabalhar a solução baseada na natureza, pra trabalhar, na verdade, a autonomia dos seus territórios. Mas o que está por trás da base, que vai gerar essa autonomia, são projetos de soluções baseadas na natureza, de todos os tipos”, afirma Alexis Bastos, Gerente de Projetos na Rioterra.

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A Aliança dos Povos Indígenas do Sudoeste da Amazônia surge como uma plataforma de articulação para a promoção de iniciativas sustentáveis, valorização da sociobiodiversidade e fortalecimento da governança indígena, respeitando os modos de vida tradicionais e os direitos territoriais.

De acordo com a Rioterra, a reunião em Ji-Paraná representa um momento histórico de união, planejamento e protagonismo indígena, e reforça a importância da articulação regional para a proteção de territórios e culturas.

Produção de açaí cresce 150% no Amazonas

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Produção de açaí cresce 150%. Divulgação/Idam

Um dos frutos mais apreciados pela população amazonense, o açaí apresentou, entre os anos de 2018 a 2024, o aumento de aproximadamente 150% de produção no estado. A informação foi divulgada pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e evidencia o resultado dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) realizados, neste período, que propiciaram o crescimento da cultura no Amazonas.

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Os dados do instituto apontam que, nos últimos sete anos, a produção anual saltou de 550,8 mil para 1,3 milhão de toneladas de frutos. Este crescimento de produção é reflexo do aumento de 173% nas áreas plantadas. Em 2018, eram 4,3 mil hectares de açaízeiros e, hoje, são mais de 11 mil ha em todo estado.

Produção de açaí
Fruto do Açaí. Foto: divulgação

O Amazonas avançou no cultivo com objetivo de aumentar a oferta do fruto nos mercados nacional e internacional.  Para isso, em 2019, o Idam deu início a implementação do Projeto Prioritário (PP) do Açaí, a fim de intensificar os serviços de Ater em 12 municípios com maior potencial para a cultura.

Os municípios contemplados pelo PP inicialmente foram: Codajás, Carauari, Borba, Anori, Manicoré, Coari, Rio Preto da Eva, Manacapuru, Lábrea, Tapauá, Nova Olinda do Norte e Benjamin Constant. Neste ano, Tefé e Anamã também foram inseridos no projeto.

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Projeto Prioritário

Os produtores rurais agricultores familiares inseridos no PP recebem orientações técnicas sobre boas práticas para cultivo e manejo do açaí nativo, participam de cursos, demonstrações de métodos, palestras, visitas técnicas, entre outras metodologias de Ater.

Produção de açaí
Polpa de Açaí: Foto: Vinícius Braga

De acordo com a coordenadora do PP Açaí, Anecilene Buzaglo, o projeto tem o intuito de aumentar a produção e a produtividade de duas espécies de açaí no estado: Euterpe olerácea, oriunda do Pará (conhecida como açaí do Pará), e a Euterpe precatória, típica do Amazonas (conhecido como açaí do Amazonas).

“Temos quatro Unidades Demonstrativas de Cultivo de Açaí em área mecanizada nos municípios de Borba, Novo Olinda, Codajás e Benjamin Constant, onde estamos implantando sistemas de irrigação dentro nas áreas de plantio para verificar a produção e a produtividade de cada espécie”, contou.

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Distribuição de mudas

Os 12 municípios inseridos no projeto possuem viveiros para produção de mudas que são distribuídos gratuitamente aos produtores rurais. “Os viveiros têm capacidade de produzir 5 mil mudas por ano, cerca de 60 mil por ano. Com isso, já distribuímos mais de 200 mil mudas de açaí aos produtores”, frisou.

Produção de açaí
Mudas de Açaí: Foto: Aureny Lunz

Além disso, em 2022 e 2023, a Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror), em parceria com a ADS e o Idam, distribuiu cerca de 5,5 mil quilos de sementes de açaí das variedades BRS Pará e BRS Pai d’égua diretamente aos agricultores.

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Propriedades nutricionais

O açaí tem importantes propriedades nutricionais, além de ser uma excelente fonte de energia para o corpo. Por conta disso, a partir da década de 1990, o açaí consumido pelas comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia começa a ganhar popularidade fora da região Norte do país.

Produção de açaí
Comércio de venda de açaí: Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

De acordo com a coordenadora, as espécies de açaí cultivadas no Amazonas e no Pará são diferentes. Segundo a técnica, além do açaí amazonense ter mais rendimento de polpa, maior produtividade e longevidade, o fruto local também se destaca por ter um menor teor de gordura.

“O açaí do Amazonas é mais magro. Ele tem um teor de gordura menor e, por conta disso, tem menos calorias. Para quem pretende ingerir o fruto pelos benefícios para saúde com presença bioativos como antocianina, fitoesteróides, ômega 6 e 9 e vitamina E, dentre outros, o açaí do amazonense é mais indicado por ter um valor nutricional (destacadamente de antocianina) superior ao do Pará”, informou.

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Reserva Biológica do Guaporé: lugar que resiste às ameaças ambientais crescentes em Rondônia

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Em meio a uma das regiões mais biodiversas da Amazônia, a Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, abriga ecossistemas únicos, ameaçados por pressões ambientais crescentes, como o aumento da população de búfalos, ação de madeireiros e a curiosa presença do pirarucu que, apesar de ser uma espécie amazônica, representa um risco para espécies nativas da região.

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Criada em 1982 e com mais de 615 mil hectares, a unidade integra o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) desde 2017 e, nos últimos anos, tem intensificado ações de educação ambiental para conscientizar moradores locais sobre os impactos destas atividades, devido ao status de proteção integral da reserva. 

De acordo com Lidiane França da Silva Tomazoni, chefe do Núcleo de Gestão Integrada Cautário-Guaporé, “as ações de educação ambiental buscam não apenas informar, mas também envolver as pessoas, criando um vínculo mais próximo entre esses atores, a gestão da unidade de conservação e a natureza”, afirma. 

Reserva Biológica do Guaporé
O pirarucu que, apesar de ser uma espécie amazônica, representa um risco para espécies nativas da região. Foto: Reprodução/Sapopema

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Embora o pirarucu seja uma espécie nativa da Amazônia, ele é considerado exótico invasor dentro da REBIO Guaporé pois o peixe não é originário das bacias localizadas no interior de Rondônia, a jusante da extinta cachoeira de Teotônio, no Rio Madeira. 

Estudos apontam múltiplos fatores para a presença do pirarucu na região, incluindo falhas em pisciculturas que permitiram o escape de alevinos, alterações no curso dos rios causadas por usinas hidrelétricas, eventos de cheias históricas e até introduções acidentais ou intencionais por humanos. 

Apesar de ainda não existir manejo autorizado do pirarucu dentro da REBIO Guaporé, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem realizado encontros com as comunidades sobre o tema. Segundo Lidiane, o diálogo e as ações educativas visam explicar os impactos das espécies invasoras e apresentar alternativas sustentáveis inspiradas em outras unidades de conservação, como o manejo comunitário em pequena escala e o ecoturismo. 

Leia também: Diagnóstico socioeconômico é realizado com manejadores de pirarucu na Amazônia

Reserva Biológica do Guaporé
Reserva Biológica do Guaporé. Foto: ICMBIo/divulgação

“É um processo de escuta e sensibilização. Caso haja interesse por parte das comunidades, os projetos precisam ser elaborados e submetidos à análise e aprovação para só então serem implantados”, esclarece a gestora, que complementa: “A parceria com organizações locais, grupos de líderes comunitários e educadores ambientais tem sido fundamental para disseminar conhecimentos sobre os ecossistemas da região, a biodiversidade e os serviços ambientais prestados pela floresta.” 

O ARPA apoia com suporte à infraestrutura e ao funcionamento das UCs, criando as condições necessárias para que essas ações aconteçam com mais frequência e qualidade. Isso inclui apoio a atividades que promovem a sensibilização de comunidades locais para conservação e uso sustentável, capacitações e oficinas para participação comunitária, ações educativas de proteção para manejo e proteção territorial, além de atividades de comunicação para divulgar a importância da UC e aproximar o público de seus desafios e relevância. 

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Expedição quilombola 

Um exemplo recente foi a expedição científica realizada em fevereiro de 2024 nas comunidades quilombolas do Vale do Guaporé. A atividade levou ações socioambientais às populações locais, unindo preservação ambiental, resgate cultural e práticas de educação ambiental. As oficinas envolveram temas como gestão do território, uso sustentável dos recursos naturais e valorização das práticas tradicionais. 

 A comunidade Quilombola de Santo Antônio do Guaporé, enfrenta desafios complexos relacionados à sua sobreposição com a REBIO Guaporé. A comunidade, reconhecida como remanescente quilombola desde 2004, possui um território de 7.221 hectares que se sobrepõe à área da reserva. Um Plano de Utilização foi estabelecido em 2017 para conciliar os interesses da comunidade e da REBIO, definindo regras de uso para a área de sobreposição. 

 A REBIO Guaporé abriga uma diversidade de espécies vegetais e animais, incluindo algumas em risco de extinção. Espécies como a maçaranduba (Manilkara amazonica), o amarelão (Apuleia molaris) e o janité (Brosimum ovatifolium) são parte da rica flora local.  

 A presença de búfalos ferais (selvagens) dentro da unidade também representa uma ameaça concreta à biodiversidade da reserva. Esses animais, introduzidos de forma desordenada na região, causam impactos como o pisoteio de áreas alagadas, destruição de ninhos e alteração do equilíbrio dos ecossistemas naturais. O controle dessa população tem sido debatido por órgãos ambientais e comunidades locais, que buscam alternativas sustentáveis e efetiva.  

 Para Lidiane Tomazoni, a educação ambiental é essencial para transformar a relação das pessoas com o meio ambiente, e superar desafios como a invasão dos búfalos: “A conscientização das novas gerações é um dos pilares para garantir que a preservação ambiental seja entendida não apenas como uma responsabilidade coletiva, mas também como uma ação que pode trazer benefícios para todos, tanto no presente quanto no futuro.” 

 Ao promover o entendimento dos desafios ecológicos e das soluções possíveis, a educação ambiental se mostra um instrumento poderoso para inspirar mudanças de comportamento e atitudes. Para Lidiane, a educação ambiental contribui para construir uma base sólida para o desenvolvimento sustentável da Rebio Guaporé: “Assegurar um legado positivo para as próximas gerações depende da harmonia entre as atividades humanas e os recursos naturais”, conclui. 

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O ARPA

Áreas Protegidas da Amazônia é um projeto do Governo do Brasil, é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e tem o FUNBIO como gestor e executor financeiro. É financiado com recursos de doadores internacionais e nacionais, entre eles o governo da Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW), o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) por meio do Banco Mundial, a Fundação Gordon and Betty Moore, a AngloAmerican e o WWF. 

Fiocruz e University of Glasgow reúnem pesquisadores para formular propostas para mitigar impacto das mudanças climáticas das populações na Amazônia

Região amazônica. Foto: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista

Manaus sediará, entre os dias 2 e 6/06, o workshop Amazônia BR/UK, que reunirá 22 pesquisadores brasileiros e estrangeiros que desenvolveram ou estão em fase de conclusão de estudos que abordem questões relativas ao ambiente, às mudanças climáticas e aos impactos sobre a saúde das populações amazônicas.

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A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (CIDACS/Fiocruz), e a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, com financiamento do Fundo Internacional de Parcerias Científicas (ISPF), do British Council.

Ao todo, 16 jovens doutores ou doutorandos em fase de conclusão de suas teses, foram selecionados por meio de edital lançado em dezembro de 2024, que teve em torno de 30 propostas de adesão ao workshop submetidas, das quais 16 foram aprovadas, sendo 12 jovens doutores e mais quatro candidatos ao título de Doutor, entre brasileiros e estrangeiros.

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Fiocruz e University of Glasgow
Fiocruz e University of Glasgow reúnem pesquisadores para formular propostas para mitigar impacto das mudanças climáticas. Foto: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista

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O British Council é uma organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais nas áreas de língua inglesa. A coordenação geral do evento é do professor Jonathan Olsen, da School of Health & Wellbeing da University of Glasgow” (UK).

A ideia, de acordo com o pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, vice-coordenador do projeto, é promover a troca de experiências e a articulação entre grupos de pesquisa que estão trabalhando em torno dos temas Ambiente, Saúde e Mudanças Climáticas na Amazonia para gerar, a partir daí, novas linhas e grupos de pesquisas que possam preencher lacunas e inspirar estratégias de mitigação dos efeitos da crise climática na Amazônia, com projeções futuras, por exemplo.

“Nosso intuito é gerar um relatório com contribuições de acesso público que possam ser encaminhadas aos participantes da COP 30 e que, de alguma maneira, impactem nas discussões da Conferência, com sugestões aos tomadores de decisão e, ao mesmo tempo, com potencial de criar uma jovem e engajada rede internacional de colaboração, formada por acadêmicos e não-acadêmicos, com alternativas para as pessoas que estão sendo impactadas pela emergência climática na Amazônia”, explica Orellana.

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Fiocruz e University of Glasgow
Fiocruz e University of Glasgow reúnem pesquisadores para formular propostas para mitigar impacto das mudanças climáticas. Foto: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista

Os participantes serão acompanhados por uma equipe de seis pesquisadores sêniores, que atuarão como mentores. São eles: Johnathan Olsen (coordenador-geral do evento), Jesem Orellana (Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia da Fiocruz Amazônia), Peter Craig (School of Health & Wellbeing da University of Glasgow), Maria Luiza Garnelo Pereira (ILMD/Fiocruz Amazônia), Helen da Costa Gurgel (Departamento de Geografia da Universidade de Brasília) e Júlia Pescarini (London School of Hygiene & Tropical Medicine).

Orellana destaca, entre os mentores, a contribuição da pesquisadora da Fiocruz Amazônia Luiza Garnelo, que é antropóloga e médica sanitarista com 30 anos de experiência com pesquisas, trabalho político e educacional com diversas sociedades indígenas na Amazônia Brasileira.

“Além de atuar na mentoria, Luiza Garnelo irá traçar um panorama da região amazônica para os participantes, comentando aspectos étnicos, demográficos e da saúde das populações amazônicas, em particular indígenas, para esse público heterogêneo formado por novos pesquisadores, que, apesar de trabalharem com os temas saúde e ambiente e os seus impactos na região, nem sempre conhecem a complexidade de um trabalho de campo na Amazônia e dos perigos contemporâneos existentes, como o da violência em regiões remotas, em particular áreas com mula ou limitada presença do Estado brasileiro”, pontua Jesem.

Orellana explica que, entre os participantes selecionados, haverá recém-doutores ou pessoas que estejam terminando suas teses de doutorado, no Brasil e no Reino Unido.

“Teremos, por exemplo, participantes estrangeiros nascidos em diversos continentes e brasileiros de diversas regiões do país, os quais estão desenvolvendo estudos em 12 instituições diferentes do Reino Unido e Brasil, o que coloca a Fiocruz Amazônia como protagonista na discussão acadêmica e política dessa temática, com possibilidade de quantificarmos o impacto ambiental das mudanças climáticas na Amazônia Legal e seus efeitos na saúde da população do nível local ao nacional, expressando nossa decepção com a condução dada até hoje ao problema”, ressaltou.

*Com informações da Fiocruz Amazônia

Flona de Tefé: agricultura familiar e turismo de base comunitária fortalecem unidade de conservação

Floresta Nacional (Flona) de Tefé. Foto: Mário Oliveira

Na região do Médio Solimões, no Amazonas, entre rios extensos e florestas preservadas, está a Floresta Nacional (Flona) de Tefé, uma unidade de conservação de uso sustentável que representa não só a riqueza da biodiversidade amazônica, mas também a força das comunidades tradicionais que ali vivem.

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Com 856.126,62 hectares, a Flona foi criada em 1989 e ocupa áreas dos municípios de Tefé (47,3%), Alvarães (36,7%), Carauari (4,5%) e Juruá (11,5%), conforme dados oficiais do Instituto Socioambiental (ISA).

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De acordo com o Instituto, cerca de 359 famílias vivem dentro da floresta, distribuídas em 30 comunidades, totalizando uma população estimada de 2.154 pessoas. A principal forma de acesso à unidade é fluvial, feita exclusivamente pelo município de Tefé (AM), o que reforça o isolamento relativo e a necessidade de estratégias sustentáveis de autonomia.

A agricultura familiar é a principal base econômica da Flona, com destaque para as tradicionais roças de mandioca, cujo produto final, a farinha, é comercializado no município. A produção também inclui pesca artesanal e o extrativismo de produtos como castanha-do-pará, açaí, óleo de copaíba e mel de abelha nativo, atividades que integram o modo de vida das comunidades e garantem a preservação da floresta.

Atrativos da Flona

Entre os atrativos, segundo site oficial da Flona de Tefé, destaca-se a trilha interpretativa, conduzida pelos próprios moradores da região, que compartilham não apenas o conhecimento sobre a biodiversidade local, mas também suas histórias de vida, tradições e técnicas de manejo sustentável.

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A culinária local, baseada em ingredientes nativos e receitas passadas de geração em geração, também faz parte da experiência imersiva da floresta. Do mesmo modo, a vivência na Flona Tefé também promove uma troca de experiências entre visitantes, pesquisadores e comunidades, valorizando saberes ancestrais, fortalecendo práticas extrativistas e o turismo de base comunitária.

Trilha interpretativa nas Flona de Tefé. Foto: Reprodução/ Acervo ICMBio

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Laboratório natural para a ciência

A Floresta Nacional de Tefé também possui elevado potencial para pesquisas científicas. Por estar situada no Corredor Central da Amazônia 1, uma das áreas com menores índices de desmatamento da região, ela serve como espaço de estudos sobre conservação, biodiversidade e sustentabilidade.

Segundo dados do ISA, a unidade abriga a quinta maior diversidade de flora do estado do Amazonas, tornando-se uma referência para estudos botânicos e ecológicos.

Criada dentro do Programa de Povos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia, a Flona de Tefé tem como objetivo principal promover a exploração sustentável dos recursos naturais, sempre conciliando proteção ambiental e geração de renda para as populações tradicionais.

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Liminar impede mineração ilegal na Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, no Amazonas

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Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, no Amazonas. Foto: Agência GOV

A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve, na Justiça Federal do Amazonas, decisão liminar que impede a continuidade da degradação e cobra a reparação ambiental causada pela exploração mineral ilegal na Terra Indígena (TI) do Igarapé Preto, no Amazonas. O Juízo entendeu que “a adoção de medidas cautelares é necessária para estancar o agravamento dos danos ambientais, inibir outras práticas prejudiciais ao meio ambiente na mesma área, bem como assegurar a sua futura recuperação”.

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Pressão sobre os indígenas

A Procuradoria Regional Federal da 1ª Região (PRF1), por meio da atuação do Núcleo de Matéria Ambiental, representando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ajuizou Ação Civil Pública (ACP) cobrando a responsabilização civil por danos ambientais decorrentes de mineração ilegal e desmatamento de 1.210 hectares dentro da TI. As atividades ilícitas teriam sido autorizadas por caciques locais, que recebiam percentual da produção, conforme relatos de indígenas presentes no local durante a fiscalização da autarquia ambiental.

Na ação, os procuradores federais esclareceram que a Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, localizada no município de Novo Aripuanã (AM), abriga três povos indígenas: Isolados do Igarapé Preto, Isolados Kaiduwa e Tenharim.

Balsas de garimpo ilegal são encontradas em áreas protegidas em RO. Foto: Divulgação/PF

De acordo com a ACP, os indígenas vêm sofrendo grande pressão do garimpo. Durante fiscalização ambiental, realizada no âmbito da Operação Warã II, foram encontradas áreas mineradas totalmente degradadas e a terra estéril. Os cursos d’águas próximos foram desviados para que o leito original pudesse ser minerado, extinguindo a existência de qualquer possível forma de vida aquática. No local, teriam sido encontradas também escavadeiras hidráulicas, maquinários pesados, motobombas, mangueiras, mangotes, entre outros equipamentos utilizados na garimpagem.

Diante disso, foram lavrados autos de infração, por extração ilegal de minerais e por impedir a regeneração natural de floresta em área especialmente protegida, com aplicação de multa no valor de R$ 6.050.000,00 a cada um dos infratores – os dois caciques e o ocupante do imóvel. Também foi embargada a área desmatada sem autorização ambiental. Segundo constatado em fiscalizações, embora a área permaneça embargada, segue sendo explorada ilegalmente, o que evidencia a atualidade dos danos e o descumprimento das medidas administrativas.

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Medidas

Além da reparação ambiental, a AGU pleiteou, liminarmente, a proibição dos réus explorarem a área desmatada, a suspensão de financiamentos e incentivos fiscais e a decretação da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos réus no montante de R$ 18,5 milhões, referente ao custo da reparação do dano in natura e ao dano moral coletivo.

Atividade de mineração em terra indígena: Foto: Divulgação/Instituto Socioambiental

Os procuradores federais argumentaram que a responsabilidade por danos ambientais é de natureza objetiva, sendo obrigação do infrator atual ou anterior adotar as medidas necessárias à regeneração ambiental, visando proteger toda a coletividade, em observância do princípio do poluidor-pagador.

Na ação, a AGU afirmou ser indubitável a gravidade do dano ambiental, principalmente considerando tratar-se de terra indígena, o que justificaria a manutenção do embargo imposto pelo Ibama, visando estancar um perigo real e imediato de dano ao direito de reparação da área degradada, impedindo-se dos réus que se aproveitem, ainda mais, do ato ilegal praticado.

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Decisão

O Juízo da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas reconheceu o risco e deferiu a tutela de urgência para impedir a degradação. Como a AGU comprovou que os réus estavam descumprindo o embargo administrativo da área desmatada, continuando a explorar a área embargada, o magistrado decretou a proibição dos requeridos de explorar a região, pois “o contumaz desmatamento ilícito e o persistente descumprimento de embargos de área teriam resultado em expressivo dano ambiental, circunstâncias que revelam que os infratores não se deixam acanhar pela fiscalização ambiental”.

Segundo a procuradora federal Rafael Maia Montenegro de Araújo, coordenadora substituta do Núcleo de Meio Ambiente da Equipe de Matéria Finalística da PRF da 1ª Região, a decisão representa um importante marco na proteção da Floresta Amazônica e dos direitos dos povos indígenas. “A atuação da AGU e a resposta da Justiça representam o compromisso do Estado brasileiro com a preservação ambiental e a integridade dos territórios tradicionais. O resultado é fruto de um intenso trabalho coordenado entre órgãos da PGF e do Ibama, que atuaram na identificação, fiscalização e documentação das graves infrações ambientais”, ressaltou. A PRF 1ª Região é unidade da Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU.

Processo de referência: Ação Civil Pública nº 1016500-64.2020.4.01.3200 – Seção Judiciária do Amazonas

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*Com informações da Advocacia Geral da União

Mosca-das-galhas: nova praga causa grandes prejuízos em plantações de mandioca no Tocantins

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

Depois da vassoura-de-bruxa na mandioca provocar estado de emergência fitossanitária no Pará e no Amapá em janeiro de 2025, agora, uma outra praga, que até então não causava maiores problemas nas lavouras, tornou-se a principal preocupação dos mandiocultores no Tocantins.

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A chamada mosca-das-galhas da mandioca (Jatrophobia brasiliensis) está ocorrendo em altas infestações e, em alguns casos, acarretando perdas de até 100% em plantios novos do tubérculo no Tocantins e em outras regiões do país. A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) está dando suporte aos extensionistas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e produtores da região.

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

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O manejo integrado de pragas (MIP) deve ser empregado com estratégia de controle, utilizando os métodos de controle de forma integrada, incluindo, em último caso, a aplicação de defensivos químicos. Pesquisadores e produtores ainda estão realizando experimentos e testes de produtos químicos e biológicos para combater a praga, sobre a qual praticamente não há estudos a respeito.

Cristiano Barros, que planta mandioca no Polo de Fruticultura Irrigada São João, é um dos mandiocultores atingidos. “No final do ano passado, quando fizemos o plantio, ela apareceu, mas achamos que era como todos os anos, algo pontual aqui e ali, sem causar prejuízos. Entraram as festas de fim de ano e não demos muita atenção. Quando fomos ver, ela se instalou de uma maneira que precisamos gradear (passar a máquina, destruindo a plantação) e plantar tudo de novo”, lamenta ele.

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Morte de plantas jovens

Segundo o entomologista Daniel Fragoso, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, os danos às plantas são causados pelas larvas, que se alimentam dos tecidos internos do vegetal. Quando atacadas, as plantas reagem formando galhas ou verrugas – estruturas que comprometem a fotossíntese e o vigor da planta.

Como resultado, acontece a paralização do crescimento, perda da produtividade e, em casos severos, morte de plantas jovens. “Trata-se de pequenas moscas de coloração amarela que depositam ovos nas folhas, onde as larvas eclodem e começam a se alimentar do tecido foliar. A planta reage e forma as galhas ou verrugas”, explica ele.

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

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Algumas hipóteses estão sendo levantadas para justificar o surto. Entre elas, o maior uso de inseticidas para o combate à mosca branca na safra passada, que poderia ter reduzido a população de  parasitoides, que são agentes de controle biológico da mosca-das-galhas  da mosca-das-galhas da mandioca neste ano.

Com a troca de informações entre pesquisadores da Embrapa e produtores, estão sendo realizados estudos e análises sobre formas mais eficazes de combate à praga. “A identificação precoce e o monitoramento são essenciais para o manejo”, destaca Fragoso.

No contexto do manejo integrado de pragas (MIP), recomenda-se o plantio no período seco em áreas que possuem sistemas de irrigação; uso de cultivares resistentes (Maniçobeira, Jari e Santa Bárbara) nas bordaduras, eliminação de restos culturais, catação e destruição das folhas com alta infestação, rotação de culturas e práticas que favoreçam o controle biológico natural por inimigos naturais, como parasitóides.

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Chamada mosca-das-galhas da mandioca. Foto: Daniel Fragoso

“Em casos de alta infestação, o controle químico é necessário, com critério técnico e rotatividade de ingredientes ativos, para evitar o desenvolvimento de resistência aos produtos usados”, ressalta Fragoso. “O manejo integrado de pragas visa o equilíbrio entre técnicas e medidas eficazes de controle, garantindo a produtividade com sustentabilidade nos sistemas produtivos”.

*Com informações da Embrapa Pesca e Aquicultura

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Murumuru: semente utilizada como cosmético pode ser utilizada na construção civil

Murumuru é utilizada na indústria de cosmético. Foto: site beleza verde

Amplamente encontrado em terrenos alagados na região amazônica, o murumuruzeiro tem ganhado importante destaque, principalmente por seu potencial econômico. O óleo extraído das amêndoas de seu fruto transforma-se em uma gordura semissólida, denominada manteiga de murumuru, e muito utilizada na indústria de cosméticos para fabricação de sabonetes, cremes e xampus, por exemplo.

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Engana-se, entretanto, quem imagina que suas aplicações restringem-se a formulações ligadas ao mundo da beleza. É o que aponta uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Pará que testou as cinzas da casca do murumuru como componente de concreto estrutural.

Murumuru
Murumuru. Ilustração: Gabriela Cardoso

Graduado em Engenharia Civil, Milleno Ramos de Souza foi quem conduziu o estudo que contou com orientação do professor Marcelo Rassy Teixeira e coorientação da professora Luciana de Nazaré Pinheiro Cordeiro. A pesquisa buscava uma solução voltada a minimizar o impacto ambiental decorrente da grande utilização do cimento no setor construtivo civil.

“O cimento hoje é o segundo elemento mais utilizado no mundo, fica atrás apenas da água. Popular na construção civil, é utilizado em larga escala, no entanto sua produção acarreta uma grande poluição ambiental, em virtude de a queima para sua fabricação lançar muito CO2 na atmosfera”, destaca o autor da dissertação Estudo da potencialidade da cinza da casca do murumuru, um resíduo agroindustrial amazônico como filler ao concreto estrutural.

Murumuru
Murumuru. Foto: Wikipedia/reprodução

Apresentada no Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura e Desenvolvimento Energético da UFPA (PPGINDE), vinculado ao Núcleo de Desenvolvimento Amazônico em Engenharia (NDAE), a pesquisa teve como objetivo analisar as características e o comportamento que o resíduo do fruto teria quando misturado ao concreto estrutural. A escolha do murumuru como base para o estudo levou em consideração o fato de o processo de extração da polpa nas cooperativas deixar uma quantidade considerável de resíduos advindos da casca do fruto.

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Produto tem melhor elasticidade e pouca penetração de água

Para o estudo, inicialmente foi feita uma coleta dos resíduos pré-triturados em uma cooperativa. O material foi queimado a 200ºC, moído e peneirado até passar por uma malha de 75 µm, atingindo, assim, o tamanho filler – um pó bastante fino, comumente utilizado como material de enchimento em concretos e argamassas.

 Após a obtenção das cinzas, seguiram-se os experimentos físicos e químicos para obtenção do concreto, o que incluiu um processo de substituição do cimento em diferentes percentuais. Nesta etapa, foram feitas análises de resistência à compressão; resistência à tração; módulo de elasticidade; absorção de água; entre outros experimentos.

Murumuru
Murumuru. Foto: Reprodução

Os resultados foram satisfatórios. O uso do murumuru foi capaz de deixar o concreto mais leve e resistente. A percentagem melhor avaliada foi a de 6% do resíduo do murumuru em relação ao cimento. “Obtiveram-se resultados com ganho em incremento, resistência à compressão e à tração no concreto, além de um melhor módulo de elasticidade e pouca penetração de água, graças ao efeito filler gerado pelo resíduo no concreto estrutural”, ressalta Milleno de Souza.

Além disso, a pesquisa apresentou uma solução para duas problemáticas ambientais, a primeira, em relação à produção de cimento, que lança para a atmosfera uma quantidade considerável de CO2; e a segunda, ligada à destinação final, no setor agrícola, dos resíduos do murumuru, os quais, em sua maioria, são queimados a céu aberto ou depositados em aterros sanitários.

“Com este trabalho, mostramos que diversos resíduos podem ser estudados no setor da construção civil, como incremento ao concreto, por exemplo. Pesquisas, nesse sentido, podem apontar inúmeros benefícios para a indústria da construção civil, como aumento da resistência e melhora na durabilidade do concreto, quanto contribuir com soluções ambientais, já que você vai retirar parte desse cimento e substituí-lo por uma cinza de resíduo vegetal. Este é um estudo bastante valoroso para o melhoramento da ciência, afinal a incentiva em estudos que mostram um resíduo regional da Amazônia sendo utilizado”, defende o pesquisador.

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Sobre a pesquisa

A dissertação Estudo da potencialidade da cinza da casca do murumuru, um resíduo agroindustrial amazônico como filler ao concreto estrutural foi defendida por Milleno Ramos de Souza, em 2022, no Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura e Desenvolvimento Energético (PPGINDE/NDAE/Campus Tucuruí), da Universidade Federal do Pará.

CV Lattes: Orientação: Marcelo Rassy Teixeira, coorientação: Luciana de Nazaré Pinheiro Cordeiro.

*Fonte: Beira do Rio edição 174 – Março, Abril e Maio

Boa Vista Junina 2025 – Arquibancadas montadas na praça Fábio Paracat terão capacidade para receber mais de 5 mil pessoas

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A estrutura contará com um espaço maior e uma cenografia temática especial, inspirada em cordéis, no sertão nordestino e na arte da xilogravura. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A estrutura do Maior Arraial da Amazônia já começou a ser montada na Praça Fábio Marques Paracat. E neste ano, as arquibancadas vão receber mais de 5 mil pessoas por noite para assistirem os espetáculos das quadrilhas. A festa acontece de 3 a 8 de junho e virá com o tema “Boa Vista Junina 25 anos – Dançar quadrilha com a família é pura tradição”, reforçando a identidade cultural construída e celebrada ao longo de gerações.

A estrutura contará com um espaço maior e uma cenografia temática especial, inspirada em cordéis, no sertão nordestino e na arte da xilogravura. Além disso, o evento terá a tradicional praça de alimentação com comidas típicas de São João, além de espaços dedicados a empreendedores locais, contando também com a feirinha de turismo e uma área gastronômica diversificada.

O evento terá a tradicional praça de alimentação, além de espaços dedicados a empreendedores locais. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

“Toda a infraestrutura do Boa Vista Junina foi planejada para ampliar a grandiosidade do evento, garantir mais conforto ao público, aumentar a capacidade de atendimento e, ao mesmo tempo, oferecer uma estrutura de qualidade à cidade e aos artistas envolvidos”, destacou Dyego Monnzaho, presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC).

“Toda a infraestrutura do Boa Vista Junina foi planejada para ampliar a grandiosidade do evento”, disse o presidente da Fetec, Dyego Monnzaho. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Este ano, o Boa Vista Junina contará com a participação de 28 grupos de quadrilhas, sendo 12 do Grupo Especial, 12 de Acesso e 4 Emergentes, que prometem encantar o público com espetáculos coreografados que exaltam o espírito nordestino e a força identitária do povo roraimense.