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Governo do Acre decreta situação de emergência por conta da cheia dos rios

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Rio Acre em Rio Branco ultrapassou cota de transbordo nesta segunda. Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica AC

O governo do Acre decretou na noite desta segunda-feira (10) situação de emergência diante do aumento do nível dos rios Acre, Juruá, Purus e Envira, que ultrapassaram as cotas de transbordo. O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) e tem validade de 180 dias.

O decreto autoriza medidas emergenciais e administrativas urgentes para a instalação de abrigos, fornecimento de insumos e mobilização de recursos para o enfrentamento da crise.

O Rio Acre ultrapassou a cota de transbordo, que é de 14 metros, na manhã desta segunda. Na medição feita às 21h, o rio marcava 14,32 metros em Rio Branco.

Boletim parcial divulgado pela Defesa Civil de Rio Branco aponta que 13 bairros foram atingidos pela cheia do Rio Acre. São 47 pessoas desabrigadas e 11 desalojadas na capital.

Um abrigo foi ativado na Escola Municipal Maria Lucia, no bairro Morada do Sol. No local, estão dez famílias (24 pessoas). Outro abrigo deve ser ativado na escola Municipal Bem Fica.

Ainda no domingo (9), antes do transbordamento, equipes do Corpo de Bombeiros do Acre, da Defesa Civil Municipal e do governo começaram a retirar famílias indígenas do bairro da Base. Elas foram levadas para um abrigo na Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi).

Ao todo, foram retirados 30 indígenas, que formam seis grupos familiares e vivem coletivamente em uma casa de madeira às margens do Rio Acre.

De acordo com o decreto, os municípios mais afetados receberão apoio da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDC) para minimizar os impactos das enchentes.

A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) acompanhará as condições hidrometeorológicas em tempo real, enquanto a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) prestará suporte às famílias atingidas e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC) atuará em resposta aos desastres relacionados à emergência sociais e ambientais.

Alerta chuvas

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu mais um alerta amarelo de perigo potencial de chuvas intensas no estado. O alerta amarelo é válido até às 10h desta terça-feira (11). Pode chover entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, com ventos intensos de 40-60 km/h.

A Energisa, empresa responsável pela distribuição de energia elétrica no Acre, informou que ainda não há notificações para desligamento de energia nos bairros afetados pela cheia. Contudo, as equipes estão nos bairros afetados para monitorar a situação.

Cheia do interior

No interior do Acre, a cheia dos rios preocupa em Cruzeiro do Sul, Plácido de Castro e Sena Madureira.

Em Plácido de Castro, o Rio Abunã está com 12,99 metros, sendo que a cota de transbordo é de 12,50 metros. Já em Cruzeiro do Sul, o Rio Juruá chegou a 13,30 metros, 30 centímetros acima da cota e atinge 11 bairros e três comunidades rurais. Os dados são da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec).

Em Sena Madureira, entretanto, o Rio Iaco segue acima da cota de alerta e está a menos de um metro de transbordar, com 14,04 metros de acordo com a Defesa Civil do Município.

Parque de Exposições

Em Rio Branco, o Parque de Exposições Wildy Viana, no Segundo Distrito, começou a ser preparado para receber os desabrigados.

Inicialmente, são construídos 30 boxes, área para receber também os animais dos moradores, espaço de alimentação, banheiros, dentre outros espaços para garantir uma boa estadia para as famílias afetadas.

Município de Santana, no Amapá, é incluído no Mapa do Turismo Brasileiro

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Foto: Max Renê/GEA

O Amapá continua ganhando destaque no cenário turístico nacional. Desta vez, o município de Santana foi oficialmente incluído no Mapa do Turismo Brasileiro, após reconhecimento do Conselho Municipal de Turismo. A adesão ocorreu no dia 7 de março, no âmbito do Programa de Regionalização do Turismo. 

Além disso, recentemente o estado recebeu a visita técnica do Ministério do Turismo com o programa pioneiro “PRT em Ação – Mapa do Turismo Até Você”, voltado ao desenvolvimento e valorização do turismo regional.

Com a inclusão, o Amapá passa a ter sete municípios reconhecidos no Mapa do Turismo Brasileiro: 

“A entrada de Santana no Mapa do Turismo representa um avanço significativo para o setor. Isso possibilita mais investimentos, incentivos e oportunidades para fortalecer o turismo local, beneficiando tanto a economia quanto a cultura do município”, destacou a secretária de turismo, Syntia Lamarão.

Leia também: Pará reforça participação no Mapa do Turismo Brasileiro com 15 municípios

O estado também conta com cinco regiões turísticas oficiais: Cabo Orange, Lagos e Pororocas, Meio do Mundo, Tumucumaque e Cachoeiras e Vale do Jari. Além disso, outra cidade amapaense, Ferreira Gomes, está em processo de inclusão no mapa, reforçando ainda mais o potencial turístico do estado. A visita técnica do Ministério do Turismo contemplou o município, que segue cumprindo os trâmites necessários para sua adesão.

Mapa do Turismo Brasileiro

O mapa é um instrumento do Programa de Regionalização do Turismo que define a área (recorte territorial) a ser trabalhada prioritariamente pelo Ministério do Turismo no âmbito do desenvolvimento das políticas públicas.

Além disso, os municípios são categorizados no intuito de identificar o desempenho da economia do setor nos municípios, a partir de cinco variáveis cruzadas em uma análise de cluster. As localidades são identificadas com três categorias, sendo municípios turísticos; com ofertas turísticas complementar; e apoio ao turismo.

Município de Santana

Segundo maior município do Amapá, Santana fica a 17 quilômetros da capital e foi criada pelo Decreto-lei 7.369 de 17 de dezembro de 1987. A cidade é conhecida como porta de entrada fluvial do Estado. Em seus portos, chegam e partem navios e barcos que fazem linha para Belém (PA) e outras cidades do Pará e da Região Norte.

Como atração turística, a Ilha de Santana se notabiliza, já servindo, inclusive, de cenário para filmes. Na região, também há vários balneários que atraem grande número de visitantes nos fins de semana. No Igarapé da Fortaleza se concentram restaurantes com cardápio variado. As manifestações religiosas ficam por conta de comunidades como Igarapé do Lago, com a tradição da festa de Nossa Senhora da Piedade.

Dr. João Coelho de Miranda Leão e o legado médico ao Amazonas

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Dr. João Coelho de Miranda Leão, médico. Foto: IGHA

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Antes de tratar do Dr. João Coelho de Miranda Leão, quero por em relevo seus ancestrais, para lembrar mais uma vez que o atavismo é uma lei biológica. A família dos Miranda Leão conta mais de um século de atuação no Amazonas, nos vários setores da atividade humana no magistério, no comércio, nas ciências, na política.

Como patriarca, destaco o nome Coronel José Coelho de Miranda Leão, mandado em 1839 para combater os cabanos, levando 880 homens para expulsá-los da Mundurucania, o que conseguiu. Pelos idos de 1870, ainda forte, prestou a Província do Amazonas relevantes serviços a causa pública.

Outro da ancestralidade foi o professor Manoel de Miranda, uma encarnação de sábio que se educara em Paris (França), aprendendo na Sorbonne, voltando para sua terra, entregando-se ao magistério e ao jornalismo. Fortaleceu o seu espírito nos dogmas de igreja. Sua filha, srta. Maria de Miranda Leão – a ‘Mãezinha’ – foi Deputada Estadual do Amazonas, também primando pelo talento e pela cultura, tendo vinculado sua vida ao ensino e a caridade.

Ainda nesta geração, ali estava, em Manaus, o professor Homero de Miranda Leão, poeta, Deputado Estadual, mentalidade de escolas. O Dr. Miranda Leão foi um ramo vigoroso dessa árvore genealógica que tem enriquecido o Estado do Amazonas de ótimos frutos.

Quem vai contar a biografia do pai, melhor do que ninguém, é o seu filho, também médico ilustre, o Dr. João de Miranda Leão. Trata-se de uma peça inédita, escrita e oferecida ao nobre professor Themístocles Pinheiro Gadelha.

Dr. João Coelho de Miranda Leão, médico. Foto: IGHA

Nasceu então o Dr. Miranda Leão em 9/1/1869, em Maués, antiga Luzéa, no Amazonas. Tendo sido seus progenitores o Capitão Rodrigo José Coelho de Miranda Leão e Dona Olímpia Monteiro da Costa Leão. Órfão cedo dos carinhos paternos, esteve quando adolescente no rio Madeira, onde adquiriu prática de trabalhos comerciais, servindo até de guarda-livros da antiga casa do Coronel José Gentil Monteiro da Costa e, depois, vindo para Manaus seguiu logo para Belém.

Iniciou aí o curso secundário, partindo mais tarde para o Ceará, fazendo o curso secundário completo em Fortaleza. Nessa capital começou o magistério, de onde tirava o indispensável para se manter e custear as suas despesas.

Desejando desde cedo abraçar a carreira médica, dirigiu-se para a Bahia, em cuja faculdade se matriculou, mas esteve pouco tempo, transferindo-se para o Distrito Federal, onde terminou o seu tirocínio acadêmico.

Muito aplicado e estudioso, conseguiu, em seu curso, o internato no Hospital da Misericórdia e, em 1899 defendeu tese com a dissertação ‘Seções cirúrgicas dos tendões e suas indicações’, recebendo em seguida o diploma de Doutor em Medicina.

Consorciou então com Dona Luzia Valente de Miranda Leão, falecida também, que foi de preciosas virtudes, com quem teve dois filhos: João e Geraldo. Embarcou sem demora para Manaus, fixando residência.

Nomeado Inspetor Sanitário, impôs-se Miranda Leão a admiração de seus colegas pela correção de proceder e cultura científica. Nas dolorosas quadras de febre amarela, o diretor do Serviço Sanitário lhe confiou a chefia dos trabalhos de profilaxia especifica, encargo em que empregou todo seu saber e energia, não conseguindo completo êxito por lhe terem negado os recursos materiais para todas as exigências de tão árduos trabalhos.

Coube-lhe ter sido em 1905, com Alfredo da Matta e Worferstan Thomas, um dos iniciadores dos estudos das verminoses no Amazonas, quanto a sua transmissão, profilaxia e terapêuticas. Nesta empregou por primeiro a Petivéria, mucuracaá chamada, em diversos casos com eficaz resultado.

Quando incumbiu da assistência aos leprosos no Umirizal, aventou a criação de colônias agrícolas e leprosarias modelos. Na diretoria do Serviço Sanitário, cargo que desempenhou com alta competência, deu provas sobejas e incontestes de profissional conhecedor da moderna higiene.

Na horrível fase endêmica da gripe em Manaus, em 1918, Miranda Leão se revelou operosíssimo, um verdadeiro apóstolo. O povo manauense e os poderes públicos, depressa esquecidos de serviços tão importante em quadra assim tétrica, jamais deverão alvidar o seu nome.

Ele se sacrificou nesse posto de honra. Aliado a qualquer campanha a prol do bem de mãos dadivosas para sempre amparar e proteger os pequenos, jamais se recusando no auxílio dos desamparados da sorte, trabalhou a pouco a estima de uma população. Foi um entusiasta de quaisquer assuntos que se ligassem ao Amazonas, terra a qual dedicava uma grande admiração, voltando-se para estudá-la, especialmente aos dialetos de certas tribos aos seus temas sobre história, dos acontecimentos ocorridos, pontos em que se realçavam o seu saber e os finos lavores da sua inteligência.

Fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia, de que foi vice-presidente; do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), cujo conselho pertenceu; médico do Hospital de Misericórdia e da Beneficente Portuguesa, quando neste eram gratuitos os serviços (de que foi afastado quando houve remuneração); membro fundador e ativíssimo propagandista do Clube da Seringueira, de que foi brilhante ornamento; e fundador da Sociedade Amazonense de Agricultura, Miranda Leão jamais desmereceu da admiração e das simpatias a ele dedicadas.

Em todos esse encargos e funções, Miranda Leão trabalhou e serviu a sua terra natal com elevado critério, saber e desprendimento.

Principais Trabalhos do Dr. J. C. Miranda leão:

  • Secções cirúrgicas dos tendões e suas aplicações – Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio, 1899.
  • Profilaxia da ancilostomose e tricocefalose em Manaus – 1914;
  • Seringais plantados no Município de Maués – Seringueira n.° 2 – 1916;
  • Devemos plantar seringueiras no Amazonas? – Seringueira n.°1 – 1916;
  • A farinha de mandioca Seringueira nos 3,4,5,6,7 – 1916;
  • Água filtrada Seringueira nos 9 e 10 – 1917;
  • A Içaubas (atta columbica) Seringueira n.° 8 – Distancia entre seringueiras plantadas Seringueira n. 9 e 10 – 1917;
  • O pão de milho e trigo Seringueira n.11 – 1917;
  • A farinha alimentícia de papilionáceas e de cereais, Seringueira n.°14 – 1917;
  • Avisos sobre higiene – Manaus – 1918;
  • A gripe por influenza – Amazonas – Médico n.°5 – 1919;
  • Noção de profilaxia da varíola – Imprensa Off. – 1919;
  • Profilaxia do tifo exantemático (avulsos) – 1919;
  • Tratamento de gripe Imprensa Off. – 1919;
  • Nota biográfica do Dr. Alfredo da Matta (inédita) – 1919;
  • Amazonas Médico nos 13, 16 – 1922.

Deixou, além de trabalhos sobre a língua tupi, uma excelente obra Apostilas de Latim (inédita). Agora um fato trágico a que o filho, seu biógrafo, não se referiu, mas que a imprensa destacou em longas e comovedoras colunas: seu suicídio, com um tiro de revólver na cabeça, no dia 26 de junho de 1920.

O ato de desespero não fora previsto por ninguém, mesmo pelos seus íntimos, pois era um homem perfeitamente equilibrado, jamais mostrara neurastenia, nem estava com a vida embaraçada. Apenas murmurava-se que havia descoberto estar contaminado de lepra, ele que tinha sido diretor e médico do Leprosário do Umirizal, a montante de Manaus.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Para depois do carnaval, antes que a esteira acelere

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Não é verdade que no Brasil o ano só começa após o carnaval. Não é verdade, mas que as coisas aceleram mais a partir daí, não há como negar. Quando o carnaval acontece em março, como neste ano, parece que o divisor de águas é ainda maior, mesmo quando o ano já tenha começado em ritmo acelerado. Ou seja, se o calendário já estava correndo, vem chumbo grosso por aí.

Não sei se é a sua percepção, mas sinto como se estivesse em uma esteira, destas de academias e que, de repente, a velocidade aumenta bastante, sem eu ter a opção de ficar parado. Ou acompanho a velocidade da esteira ou ela me derruba. Ainda assim, como na academia, posso não sair do lugar.

O excesso de afazeres e a velocidade podem nos gerar a chamada armadilha da atividade, que é quando ficamos tão ocupados que não há tempo para pensar para onde estamos indo, o que estamos fazendo e como estamos fazendo. Mais do que isso: para o quê fazemos o que fazemos?

Um dos vícios de linguagem comuns é o “tenho que fazer” ao invés de “quero ou opto por fazer”. Além de um hábito, a expressão reflete um modelo de pensamento que nos afasta da autorresponsabilidade. Não “temos que” nada ou quase nada. Queremos ou optamos por fazer praticamente tudo o que fazemos e deveríamos nos orgulhar disso. Mas se estamos correndo tanto, cada vez mais acelerados, como refletir sobre questões mais essenciais?

A armadilha da atividade, ao contrário das aparências, nos transforma em seres alienados, que é quando simplesmente agimos, sem a consciência do porquê e para o quê. Um autômato não tem consciência da sua missão e nem desenvolveu um propósito. O que faz é frio e sem espírito. Frequentemente, ele não está presente, apenas o seu corpo.

Investir em autoconhecimento e refletir sobre a Missão, o Propósito e, eu acrescento ainda, o Legado, pode parecer um luxo para quem tem tempo sobrando. Ao contrário, se você tem pouco tempo, ele não deveria ser priorizado naquilo que é mais importante? E importante para quem? Para realizar o quê? Para ir em que direção?

Pessoas de todas as idades, em número significativo, lidam atualmente com o estresse, a fadiga mental, a depressão e a ansiedade. Elas costumam estar associadas à ausência de sentido que Viktor Frankl denominou como o mal do século. A ausência de sentido reflete um desalinhamento entre o que somos, o que desejamos e o que fazemos.

Não buscamos saber quem somos. Desejamos coisas que, muitas vezes, não vêm de nós, mas de demandas externas. Fazemos coisas na frequência do “ter que”, como se fôssemos obrigados a alguma coisa.

Assim, antes que a esteira acelere ainda mais, que tal fazer uma breve respirada e investir um tempo em autoconhecimento e refletir sobre coisas tão essenciais? Qual é a sua missão maior? Qual é o seu propósito hoje? O que você gostaria de deixar como legado?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Lenda das três princesas de Aruanda

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Foto: Divulgação/Acadêmicos do Grande Rio

A lenda das três princesas de Aruanda começa quando o então Sultão da Turquia, equivalente ao cargo de imperador no Brasil, tenta proteger suas filhas das guerras que assolavam o local. Então, para salvá-las, ele coloca as três princesas em um navio com destino a uma terra distante.

Nessa viagem, as princesas se perdem e acabam adentrando num portal místico e chegando à Aruanda – uma terra encantada. Quando o portal reabre, as jovens despertam na foz do Rio Amazonas, no Pará.

De acordo com o artigo ‘Mariana, Herondina e Toya Jari: transculturalidade nas figurações do sagrado feminino na Encantaria Amazônica’: “as três princesas foram embarcadas às pressas para um reino amigo, situado à Mauritânia, no noroeste da África. Porém, nunca chegaram ao seu destino; os emissários ficaram na praia a esperar por horas, dias, meses pelas princesas, que estavam em alto mar perdidas, navegando involuntariamente rumo aos seus destinos místicos. Em viagem para a África, atravessaram o Estreito de Gibraltar, conhecido como portal para outras dimensões não corpóreas. Sem perceber, deixaram o mundo físico, perpassando a mortandade carnal para entrar neste vasto mundo dos encantados”.

Anos se passam até que as que elas encontram a Velha Tapuia, a pororoca, na foz do rio Amazonas. “Ao se depararem com esse momento, Mariana, Herodina e Toya Jarina puderam ter a visão de sua nova
existência. Enquanto passavam pela pororoca, na embarcação que as transportava, as princesas navegaram rio acima por diversos dias e noites sem um local certo para desembarque e descanso”.

Na lenda, Jarina é a mais jovem das turcas e está associada à jiboia e borboleta azul; Herondina é a irmã do meio, que se transforma em onça; e Mariana é a primogênita, a arara-cantadeira. As três são caboclas associadas a poderes de cura.

Quantas línguas e povos indígenas existem no Peru?

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Foto: Reprodução/Agência Andina

Você sabe quantas línguas e povos indígenas existem atualmente no Peru? São 55 povos indígenas e 48 línguas nativas. Seu reconhecimento e valorização fazem parte das políticas de promoção da diversidade, interculturalidade e inclusão social.

Todas as línguas nativas (quatro são andinas: o quíchua e suas variantes, além do aimará; enquanto 44 pertencem aos povos amazônicos) são a expressão de uma identidade coletiva e de uma forma diferente de conceber e descrever a realidade. Portanto, eles desfrutam das condições necessárias para sua manutenção e desenvolvimento em todas as funções.

Além do espanhol, as línguas indígenas são oficiais nas comunidades, distritos, províncias, departamentos ou regiões onde predominam. Segundo o Censo Nacional de 2017, a língua indígena ou nativa com maior número de falantes em todo o país é o quíchua; enquanto Loreto é a região com o maior número de línguas indígenas ou nativas historicamente faladas por sua população, com um total de 29 línguas.

Os departamentos onde mais de 50% da população (com 3 anos ou mais) aprendeu a falar uma língua indígena ou nativa são:

  • Apurímac  (69,9%), Puno (68,9%),  
  • Huancavelica  (64,5%),  
  • Ayacucho  (62,7%) e  
  • Cusco  (55,2%).

O Estado, por meio do Ministério da Cultura, trabalha para garantir que todas as instituições públicas localizadas em áreas onde uma língua indígena é falada possam atender a população local nessa língua. Para isso, está trabalhando na formação de servidores públicos bilíngues.

Mais de 40 línguas nativas possuem alfabetos e grafias oficiais que permitiram o desenvolvimento de diversos materiais educacionais para estudantes que falam uma língua nativa e pertencem a um povo indígena.

O alfabeto garante o direito de um povo indígena de receber educação em sua língua materna e de desenvolvê-la em espaços diversos. Ele também permite que diferentes entidades públicas implementem serviços usando esses gráficos.

Um alfabeto oficial também possibilita a produção de materiais didáticos para todas as áreas e séries de crianças e adolescentes de comunidades indígenas. Além disso, promove o desenvolvimento educacional de idiomas por meio da educação intercultural bilíngue.

Os textos estão em quíchua e suas variantes (collao, chanka, central, kichwa amazônico, incawasi cañaris), bem como em aimará, awajún, ashaninka, shipibo-konibo, shawi, matsigenka, nomatsigenga, kakinte, achuar, wampis, urarina, cashinahua, harakbut, matsés, jaqaru, yine, ese eja, kakataibo, kandozi, chapra, yanesha e murui-muinani.

Segundo Minedu, a pedagogia demonstrou que a aprendizagem é otimizada quando os alunos aprendem em sua própria língua e, por esse motivo, o Estado mantém esforços para garantir que os alunos e professores da área de educação intercultural bilíngue tenham materiais educacionais relevantes.

*Com informações da Agência Andina

Plantio de mudas encerra projeto Carnaval Amazônico 2025

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Foto: Divulgação/FRAM

Com parte do projeto Carnaval Amazônico, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), um plantio de mudas foi feito na comunidade Mainã, localizada a 40 minutos de barco do bairro Puraquequara, em Manaus, no Amazonas, nesta segunda-feira (10). A ação encerra as atividades do projeto que aconteceu pelo segundo ano consecutivo no Amazonas e pela primeira vez no Amapá.

“Foi uma honra fazer parte do projeto Carnaval Amazônico e ter a oportunidade de mostrar a beleza, alegria e manifestação cultural dos amapaenses através do Amazon Sat, que é um canal que vem oportunizando aos amazônidas mostrar sua cultura ao mundo”, declarou a apresentadora Josi Paixão, que comandou as transmissões da primeira edição do projeto no Amapá.

Foto: Josi Paixão/Acervo pessoal

Compensação ambiental

O grupo de voluntários plantou mudas de açaí, cupuaçu e jenipapo, espécies nativas da Amazônia, para contribuir com o reflorestamento de uma área devastada pela exploração de mandioca na região.

“É uma boa experiência poder participar de um projeto que impacta diretamente o meio ambiente. Isso nos mostra que pequenas ações, somadas, podem gerar um grande impacto para a preservação da floresta”, destacou Suzie Rossy, coordenadora regional de eventos da Coca-Cola Brasil, parceira do projeto.

O plantio das mudas foi registrado em um aplicativo de monitoramento, que gera uma espécie de “certidão de nascimento” para cada planta, informando a localização exata onde foi cultivada.

“A plataforma permite que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, adquira uma muda na floresta amazônica. Além de adquirir, é possível monitorar a muda via GPS, com o georreferenciamento feito no momento do plantio, acompanhando seu crescimento por satélite”, destacou Vicente Tino, CEO da Tree Earth.

Ao todo, cerca de 100 mudas foram plantadas, com o objetivo de compensar as 32 toneladas de carbono emitidas durante as atividades do projeto Carnaval Amazônico.

A ação contou com a participação da comunidade. “Ficamos felizes em receber essas mudas para a nossa comunidade. Ver cada muda crescer é como assistir à vida florescer diante dos nossos olhos. Saber que estamos ajudando a restaurar a biodiversidade local”, destacou um dos moradores da comunidade, Misael Lopes.

“A Fundação sempre busca alinhar cultura e sustentabilidade, para que o impacto positivo dos projetos vá além da diversão e reverbere no futuro. Queremos que cada projeto deixe uma marca positiva, mostrando que é possível celebrar nossas tradições enquanto cuidamos da floresta”, destacou Victoria Moraes, especialista em Projetos da Fundação Rede Amazônica.

Carnaval Amazônico – Amapá

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio do Governo do Amapá, Coca-Cola e Rodrigues Colchões.

O projeto une tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

ZFM 58 anos: galeria dos superintendentes responsáveis pelos primeiros passos do Polo Industrial de Manaus – Parte II

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Foto: Reprodução/Google

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Dando seguimento ao relato sobre os primórdios do parque industrial da ZFM, o texto hoje destaca os trabalhos de Aloisio Campelo, Ruy Lins, Igrejas Lopes e Régis Guimarães.

Aloísio Campelo, nomeado em 10 de dezembro de 1974, permaneceu à frente da Suframa até 1979. Na sua estão houve incremento do setor industrial, com o esboço de uma política para o setor. A Suframa firma convênios com o GEICOM (Grupo Executivo Interministerial de Componentes e Materiais), INMETRO (Instituto Nacional de Normalização e Metrologia e Qualidade Industrial) e o CTA (Centro Técnico Aeroespacial da Aeronáutica) para suporte técnico sobre definição de políticas e acompanhamento dos projetos industriais em implantação. Começam a formar-se os primeiros pólos industriais: relojoeiro, ótico, eletroeletrônico e o de veículos de duas rodas. No período houve também o primeiro contingenciamento das importações para a indústria e o comércio determinado pelo Governo Federal, e a exigência de índices mínimos de nacionalização para os produtos fabricados na ZFM. Na sua administração, a Suframa recebeu do Estado a doação da área do Distrito Agropecuário.

Ruy Alberto Costa Lins ocupou a Suframa de 1979 a 1983. Prosseguiu o trabalho técnico iniciado por Campello, prosseguindo o trabalho de expansão do Distrito Industrial e aumentou a presença da Suframa nos outros Estados da Amazônia Ocidental – dois deles, à época, ainda territórios federais. Na sua gestão a Suframa construiu o Campus da Universidade do Acre, implantou os distritos industriais de Rio Branco/AC e Boa Vista/RR, construiu o mini-campus da Universidade do Amazonas, criou a Fucapi (Fundação Centro de Análise de Produção Industrial), como laboratório de aplicação. Fundou o Consórcio do Distrito Industrial – Condin, destinado à gestão e conservação do DI e o CECOMIZ (Exposição Permanente dos Produtos da Zona Franca de Manaus), um show-room dos bens fabricados em Manaus. Na sua gestão foram criados, em 1982, os Prêmios Suframa de Jornalismo, História, Literatura e Artes Plásticas.

Joaquim Igrejas Lopes foi nomeado em 21 de junho de 1983. Em sua administração deu ênfase ao setor agropecuário, com a criação da Fundação Centro de Apoio ao Distrito Agropecuário – Fucada e uma Fazenda Modelo naquele distrito, onde as experiências bem sucedidas eram repassadas à iniciativa privada. Implantou a Fucapi e transformou o Cecomiz no Centro Comercial da Indústria da Zona Franca de Manaus. As ações do Funcomiz passaram a abranger também o esporte e a cultura regional, com ênfase na edição de livros de autores amazonenses. Nessa época o Conselho aprovou a Resolução Nº 400/84, obrigando as empresas a veicular em toda a publicidade impressa e de vídeo, a legenda “Produzido na Zona Franca de Manaus”, estabelecendo ainda que o lançamento de novos produtos deveria ser feito, em caráter nacional, em Manaus. Deixou o cargo em 04 de abril de 1985.

Régis Ribeiro Guimarães, ex-secretário-geral do Ministério do Interior quando assumiu como interventor, em 1º de abril de 1986, um dos períodos mais conturbados da Suframa. A intervenção, prevista para durar até 12 meses, foi rápida e ele permaneceu na função até 03 de junho de 1986, quando concluída a auditoria interna realizada na Autarquia. Entre as decisões tomadas nos dois meses em que esteve à frente da Suframa destacam-se a suspensão de todos os cadastros antigos e o recadastramento de empresas industriais e comerciais, bem como a elaboração de novos critérios para a distribuição das quotas de importação na Zona Franca de Manaus, aprovados na 123ª reunião ordinária do Conselho de Administração da Suframa. O período de Régis como interventor coincide com a publicação do Decreto nº 92.560 (de 16 de abril de 1986) que prorrogou a vigência da Zona Franca de Manaus por 10 anos, de 1997 a 2007, prazo final da vigência dos incentivos fiscais instituídos pelo DL 288/67.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Comunidade indígena do Amazonas transforma áreas degradadas em sistemas agroflorestais sustentáveis

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Reflorestamento traz perspectiva de um futuro melhor para comunidade indígena no Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O futuro da floresta está sendo reescrito na Amazônia. Em uma comunidade indígena de Manaus, um projeto de reflorestamento transforma áreas degradadas em agroflorestas sustentáveis, unindo saberes tradicionais e ciência.

A comunidade Tatuyo cultiva mudas de árvores nativas, como andiroba e castanheira, garantindo uma fonte de renda sem destruir a floresta.

“Há muito tempo eu sonhava com isso, mas não tinha como buscar conhecimento. Hoje em dia, graças a Deus, esse sonho está sendo realizado. Eu coleto sementes, ando por onde me convidam, falo sobre reflorestamento, porque precisamos recuperar a Amazônia. Isso não é só para nós aqui, é para todo mundo”, diz Edmildo Yhepassoni, indígena da comunidade.

Leia também: Agrofloresta: implantação do sistema de cultivo aumentou a renda de famílias em Juruti, no Pará

Para a esposa de Edmildo, Cármen Yhepassoni, o trabalho de reflorestamento é também uma maneira de garantir o futuro de seus filhos e netos: “Eu quero que meus filhos, meus netos, plantem junto comigo. Que todos trabalhem juntos para que isso cresça e se torne algo grande”.

A nova geração também está comprometida com o futuro da floresta. Santiago, filho de Edmildo, vê no projeto uma oportunidade de garantir um futuro mais sustentável para sua comunidade.

“Daqui a alguns anos, isso aqui vai estar com árvores altas, que dão semente, frutos, sombra. Vai ser melhor, porque daqui pra frente, a gente vai plantar agora, vai ter pequenas árvores, mas logo estarão grandes, pra nossos filhos colherem e plantarem”.

Com o apoio do projeto Reflora, realizado pelo Instituto Ipê, comunidades locais têm se tornado protagonistas na preservação da floresta.

“O projeto surgiu da própria demanda dos comunitários, o que é mais interessante, porque aí a gente está surgindo como uma instituição apoiando essas atividades vindas da própria comunidade. Isso fortalece ainda mais a Reserva de Desenvolvimento Sustentável e, consequentemente, a cadeia da restauração no estado do Amazonas. A escolha das espécies não é aleatória, envolve técnicas específicas para cada tipo de solo e necessidade da comunidade, desde o uso madeireiro até o artesanato”, afirma o coordenador executivo do projeto Reflora, Paulo Roberto Ferro.

Mas, para que as mudas cheguem a essas áreas distantes, é preciso enfrentar desafios logísticos.

“A dimensão amazônica é tudo maior, mais gigantesca, e a logística não deixaria de ser um dos grandes desafios. Para trazer as mudas até a última comunidade da Puranga, foram pelo menos 6, 7, 8 horas de barco. Muitas espécies vieram de longe, até de Rondônia e da divisa com o Pará. No futuro, a gente quer coletar e produzir as mudas aqui mesmo, reduzindo custos e garantindo espécies mais adaptadas”, completa Paulo.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

A implementação do sistema agroflorestal tem se mostrado eficaz para o cultivo de diferentes espécies. proporcionando um ciclo de vida que beneficia tanto o solo quanto as futuras gerações, conforme explica a extensionista Ananda Matos.

“o sistema agroflorestal é uma técnica de restauração produtiva que vincula espécies agrícolas, espécies florestais e espécies frutíferas, trazendo um retorno não só econômico, mas também ambiental para aquela área. a curto prazo seriam as agrícolas, a médio prazo as frutíferas e a longo prazo as madeireiras, que podem trazer não só madeira, mas também produtos não madeireiros, como sementes e casca para chá e remédio.”
Depois de sete horas de barco pelo Rio Negro, sete mil mudas de árvores nativas chegaram à Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, em Manaus.

“Sustentabilidade não é só sobre conservar a floresta, mas também sobre gerar renda para quem mora aqui. O projeto ajuda a fortalecer a economia local, seja pela produção de mudas, pelo manejo sustentável ou pelo uso das sementes. Tudo isso cria oportunidades para as comunidades e contribui para a restauração florestal em uma escala maior”, afirma Paulo Roberto Ferro.

]Além da recuperação ambiental, o projeto incentiva a geração de renda para 18 comunidades, com a coleta de sementes e produção de mudas. As matérias-primas também podem ser usadas na indústria de cosméticos e medicamentos, conectando a biodiversidade amazônica ao mercado sustentável.

“Quando as árvores crescerem, o clima vai melhorar, a água vai se normalizar. O problema não é a natureza que está se acabando, é o ser humano que está destruindo. Precisamos reflorestar, plantar madeira de lei, frutas, trazer alimentos para nossas famílias. Isso é o que queremos para o futuro”, conclui Yhepassoni.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Lúcia Tereza, a primeira mulher eleita prefeita na Amazônia

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Lúcia Tereza. Foto: Reprodução/ALE-RO

Em 1982, Lúcia Tereza Rodrigues (PP) fez história ao se tornar a primeira mulher eleita prefeita na Amazônia. Com uma carreira iniciada no magistério e marcada pelo compromisso com a educação, ela conquistou a confiança da população de Espigão do Oeste (RO) e expandiu sua influência ao ser eleita para a Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), onde permaneceu por duas décadas.

Embora tenha nascido em São Paulo, Lúcia Tereza era apaixonada por Rondônia, estado em que chegou em 1973. Naquele período, tornou-se uma importante aliada do ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira na luta pela transformação do Território Federal do Guaporé em Estado de Rondônia.

Antes de entrar para a política, Lúcia Tereza era professora e ocupou o cargo de diretora da Escola 7 de Setembro, em Espigão do Oeste. Carinhosamente chamada de “Mamãe Lúcia”, se destacou também na defesa de pessoas carentes.

Quando faleceu, em dezembro de 2016, Lúcia ainda ocupava o cargo de deputada estadual e tinha 70 anos. Ela sofreu um aneurisma na aorta, passou por uma cirurgia e foi transferida para a UTI, mas acabou falecendo horas depois.

Ações como parlamentar

Lúcia Tereza iniciou sua trajetória política como prefeita de Espigão do Oeste, cargo que ocupou em dois mandatos (1990-1994 e 2000-2004). Em 1990, também foi eleita deputada estadual, sendo reeleita em 1994. Após um intervalo, assumiu novamente a Assembleia Legislativa em 1999, como suplente. Em 2014, retornou ao cargo de deputada estadual, consolidando sua longa carreira política.

Durante sua gestão como prefeita, sancionou leis que estabeleceram a planta de valores para a cobrança do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e regulamentaram o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza no município, visando aprimorar a arrecadação e a gestão fiscal local.

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Como deputada, esteve envolvida em ações voltadas para a valorização profissional, como a regularização de propriedades rurais e urbanas, garantindo dignidade e acesso à moradia para famílias de baixa renda e agricultores familiares.

Lúcia também foi autora do Programa de Ação Cultural em Rondônia que tinha o objetivo de apoiar as manifestações culturais locais, incentivando atividades que envolviam música, dança, teatro, artes plásticas, entre outras formas de expressão artística.

Durante seus mandatos, foram criados ou reformados espaços culturais para que os profissionais das artes tivessem lugares para se apresentar e desenvolver seu trabalho, ampliando a visibilidade e o reconhecimento.

Homenagens

Uma das principais homenagens póstumas a Lúcia Tereza Rodrigues dos Santos foi a mudança do nome da rodovia BR-364, que passou a se chamar Rodovia Lúcia Tereza Rodrigues dos Santos, em reconhecimento à sua importante contribuição para o estado. A proposta, feita pela Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), celebra seu legado em Rondônia, onde a BR-364 é uma das vias mais essenciais, conectando diversas cidades da região.

Em Espigão do Oeste, o prédio que abriga a Secretaria Municipal de Educação (Semed) também foi batizado de “Centro de Formação Lúcia Tereza Rodrigues dos Santos”. Além disso, escolas e praças receberam seu nome, ampliando as homenagens à sua memória e ao impacto duradouro que deixou na comunidade.

*Por Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO