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Direto do Azerbaijão, árvore que simboliza passagem das atividades da COP29 para a COP30 será entregue em Belém

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Foto: Divulgação/MTur

Para simbolizar a transição da sede da COP de Baku para Belém (PA), o ministro do Turismo do Brasil, Celso Sabino, recebeu das mãos do ministro do Azerbaijão, Fuad Naghiyev, um pé de romã — árvore tradicional do país anfitrião. A muda será plantada na capital paraense, que sediará a COP30 no ano que vem.

Ainda durante a tarde desta sexta-feira (22/11), ambos participaram de um plantio simbólico na sede do Ministério do Turismo do Azerbaijão, marcando a cooperação entre os dois países. Durante o ato simbólico, Sabino destacou o compromisso firmado para a sede da COP de 2026, que será definida em breve.

Por 12 dias, o turismo brasileiro teve um espaço especial na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2024, a COP29, que acontece em Baku, no Azerbaijão. Em um estande de 200 m², localizado na Green Zone (Zona Verde), o MTur, em parceria com o Sebrae, apresentou atrativos do Brasil, além de promover debates sobre termas relevantes para o setor. Painéis e workshops abordaram assuntos como sustentabilidade, práticas empresariais e políticas para a descarbonização da economia brasileira, e o empoderamento de comunidades locais por meio do turismo sustentável.

Direto do maior e mais importante evento sobre mudanças climáticas do mundo, o ministro, que já chegou ao evento na condição de presidente eleito para a próxima gestão do Conselho Executivo da ONU Turismo, fez um balanço positivo da participação do Brasil no segmento do turismo.

“É uma honra para nós, para o Brasil, poder ocupar pela primeira vez na história de quase 30 edições da COP um espaço de tamanho destaque, sendo o turismo tema de um dia inteiro de debates dentro da programação oficial aqui em Baku. Isso coroa os grandes resultados que o Brasil tem colhido este ano no turismo doméstico e internacional”, avalia o ministro.

No dia temático ao Turismo, ele foi um dos palestrantes da 1ª reunião ministerial sobre a ação climática ampliada na atividade turística. O encontro foi conduzido pelo ministro do Turismo do Azerbaijão, Fuad Naghiyev, e aberto pelo Secretário Geral da ONU Turismo, Zurab Pololikashvili.

*Com informações do Ministério do Turismo

Turismo paraense ganhará Rota Turística da Cerveja em Belém

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Foto: Marciney Costa

Conhecida como Cidade Criativa da Gastronomia, Belém está próxima de ganhar mais um produto turístico: a Rota Turística da Cerveja do Pará, fomentando ainda mais o turismo cervejeiro e gastronômico no Estado, atraindo turistas, a exemplo do que já ocorre em cidades como Blumenau, Curitiba e Campos do Jordão.

A programação da rota incluirá passeio de barco pelas ilhas de Belém, visitas a restaurantes das ilhas, degustações, atrações musicais, além de visita guiada pela fábrica da Cerpa (Cervejaria Paraense SA). A proposta foi apresentada pelos dirigentes e equipe de marketing da cervejaria e contou com participação da Secretaria de Estado de Turismo (Setur) e associados da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV-PA).

Durante a apresentação, no fim de outubro, o projeto foi dividido em análise de realidade dos clientes (com desafios enfrentados pelos estabelecimentos e consumidores); o plano de criar uma rota turística cervejeira única (com alternativas fluviais e terrestres e opções de integração de experiências urbanas e ribeirinhas ao projeto) e o plano de ação (com alguns passos concretos pata implementação da rota). Um dos principais desafios é atrair o turista durante os dias de semana.

Jorge Kowalski, CEO da Cerpa, explica que os objetivos são mostrar a produção, história e qualidade da cerveja produzida no Pará, além de desenvolver o turismo. “A visita à fábrica é uma experiência única e uma oportunidade para também gerar vendas para nossos clientes, mas queremos estender ao nosso ponto de vendas, onde o turista vai poder experimentar a cerveja gelada, a comida, ter o acolhimento e a música, oferecendo um pacote turístico como uma atração, uma experiência completa. Todo turista que chega em Belém busca uma experiência e nós queremos ser uma dessas experiências”, afirma.

Rota Cervejeira 

Os pacotes da rota devem ter duração de 3 a 4 horas. “A partir das 17h-18h, onde o cliente com segurança vai ser levado pela cervejaria para os melhores pontos com vendas de cerveja, com uma experiência completa, na qual um guia vai explicando a história dos locais,  mostrando a história da Cerpa, e que depois vá chegar ao ponto de venda já com sua mesa reservada, consumir, se divertir e assim fazer um pequeno tour cervejeiro”, sinaliza o CEO.  

Para o presidente da ABAV-Pa, Alex Silva, “é muito importante essa iniciativa de também incluir essa questão da cerveja em uma cidade que já mundialmente reconhecida pela gastronomia. Então a gente vê com muita expectativa e com muita alegria essa nova ideia da Cerpa, tem tudo para dar certo. A Cerpa é a cara do paraense, é um produto da casa, um produto muito interessante de se vender e acredito que vá dar muito certo”, comentou. Dez agências de viagens de turismo de receptivo estiveram presentes na apresentação. 

Segundo a diretora de produtos turísticos da Setur, Alessandra Pamplona, a Secretaria pode contribuir na estruturação do novo produto que a Cerpa pretende operar, prestando uma consultoria técnica qualificada. “Afinal essas ações cooperadas são uma oportunidade pra fazer a máquina do turismo girar. Essa tendência de cervejarias como atrações turísticas está crescendo no mundo inteiro. A fábrica abre suas portas para visitas, degustações e experiências interativas, transformando a produção de cerveja em uma verdadeira atração”, informou.

“E o público tem a oportunidade  de conhecer todo o processo daquele produto que já consome. Sem contar com o diferencial nesse caso aí, que é a localização privilegiada dessa fábrica, uma janela para o rio no meio da Amazônia”, sintetiza a diretora.

*Com informações da Setur-PA

Paleontólogo peruano planeja nova expedição à terra do golfinho gigante na Amazônia

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Foto: Jhonel Rodríguez Robles

Uma expedição em busca de fósseis na região amazônica de Loreto, no Peru, em uma área nunca explorada, mas considerada “uma mina” para a paleontologia, é planejada pelo paleontólogo Rodolfo Salas-Gismondi, pesquisador da Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH).Trata-se da localidade de Pebas, onde foi descoberto o fóssil do maior boto fluvial da história, denominado Pebanista yacuruna, que viveu há 16 milhões de anos na proto-Amazônia, hoje região de Loreto.

Leia também: Golfinho gigante de água doce viveu há 16 milhões de anos na Amazônia peruana, aponta pesquisa

“Há muitas coisas que ainda não conhecemos bem. Não sabemos se esses ambientes eram mais terrestres do que aqueles que estudamos. Talvez possamos encontrar crocodilos terrestres ou aves; completar todo o ecossistema. Também podemos encontrar rochas da última fase do sistema Pebas. Isso ajudaria a entender como a Amazônia mudou em direção ao rio Amazonas”, explicou.

Uma mina no rio Amazonas

Para isso, concorrerá com uma equipe multidisciplinar a uma convocatória da ProCiencia para obter o financiamento necessário para cristalizar a expedição à Amazônia, em 2025, o lugar mais diverso do planeta. Este ano, como prelúdio, foi realizada uma viagem de reconhecimento com recursos do Museu Americano de História Natural de Nova York e do Museu Fiel de Chicago.

“Descobrimos que não é possível ir ao rio Napo em agosto porque não está tão baixo como em fevereiro, quando foi descoberta a Pebanista yacuruna, porque os locais com fósseis estão mais expostos. Fomos mais longe, até Oran, passando pela foz do rio Napo, e encontramos fósseis de golfinhos. Fomos à mesma localidade de Pebanista e recuperamos o focinho de outro tipo de golfinho novo para a ciência. Essa área do rio Amazonas é uma mina”, disse.

Salas-Gismondi destacou que a formação geológica Pebas recebeu esse nome porque o primeiro local estudado fica em frente ao município de Pebas, o mais antigo da Amazônia peruana.

Um lugar fantástico

“Imaginem o potencial que deve haver nesses 500 km que ainda não percorremos. Neste ano seco, que tem sido ideal para quem procura fósseis, encontramos dois crânios de crocodilo, uma preguiça, entre outros, que foram recuperados. Não vamos desde 2019 [quando o Pebanista foi encontrado]”, comentou.

Lembrou ainda que em Pebas se encontrou num único local a maior diversidade de crocodilos do planeta, o que prova o quão “fantástico” tem sido este local. “Em 200 metros quadrados encontramos sete espécies de crocodilos que evoluíram em simpatria [quando grupos da mesma população ancestral evoluem para espécies separadas sem separação geográfica]. Atualmente, são seis em toda a Amazônia”, disse.

Por isso há muito interesse em trabalhar “exclusivamente” na Amazônia, já que há vários anos isso é feito no litoral, nos desertos de Ocucaje (Ica) e Sacaco (Arequipa), observou o cientista peruano. Outro objetivo do projeto ao qual se candidatará é “desenvolver coleções paleontológicas na região de Loreto” e seria executado em conjunto com o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP).

Recorde do Guinness para o Peru

O Pebanista yacuruna foi incluído no Guinness World Records como a maior espécie de golfinho de água doce descoberta até agora. A partir de seu crânio fóssil de tamanho gigante, estimou-se que media entre 3 e 3,5 m (9 pés 10 pol e 11 pés 5 pol) de comprimento total e que viveu no Mioceno.

Seu crânio foi descoberto em 2018 às margens do rio Napo, durante uma expedição a um afloramento fóssil de 16,5 milhões de anos na Formação Pebas, liderada pelo paleontólogo peruano Aldo Benites-Palomino. Os resultados foram analisados, pela primeira vez, na revista científica Science Advances em 20 de março de 2024.

Imagem: Divulgação

Outro fato interessante sobre esta espécie pré-histórica do Peru é que ela está mais intimamente relacionada com os botos do sul da Ásia (gênero Platanista ) do que com os da região amazônica da América do Sul (gênero Inia).

*Com informações da Agência Andina

COP29: Cientistas mostram como a Amazônia é parte da solução para a crise climática

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Foto: Hernani Oliveira/IPAM

A Amazônia é parte da solução para o cenário de mudanças climáticas, mas precisa ser olhada como prioridade. Durante o painel ‘A meta de 1,5º C e o papel da Amazônia na regulação climática’, na COP29, organizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), cientistas apontaram caminhos para evitar efeitos permanentes do aquecimento da temperatura média da Terra. 

Carlos Nobre, do Painel Científico da Amazônia, apontou que o limite de 1,5º C na temperatura da Terra já é uma realidade, que se reflete nos eventos extremos, ondas de calor, secas, incêndios florestais, chuvas excessivas etc. 

Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, revelou os dados do Monitor do Fogo e fez um apelo para que os incêndios entrem no cálculo da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), ou o compromisso dos países em reduzir a emissão de gases poluentes firmado no Acordo de Paris. “São 31% a mais de emissões que não são contabilizadas”, calculou Ane Alencar. 

Ludmila Rattis, pesquisadora do IPAM e do Centro de Pesquisa sobre Clima Woodwell, afirmou que o impacto das mudanças climáticas põe em risco a agricultura e disse que o restauro é uma solução, mas fez considerações. 

“Enquanto se olha pra restauração como uma bala de prata, temos tem que ter em mente que a restauração demora muito tempo e não vai restabelecer de fato os serviços ecossistêmicos no tempo que a gente precisa”, ponderou. 

A relevância da ciência para quantificar riscos, identificar impactos e apoiar soluções climáticas foi destacada por Glenn Bush, economista ambiental do Centro de Pesquisa sobre Clima Woodwell. “Um dos grandes desafios é a certeza de que estes mecanismos financeiros vão realmente ter os impactos que precisamos que tenham. A ciência pode ajudar a direcionar o que fazemos, onde fazemos e com quem fazemos.”  

Frances Seymour, Conselheira Sênior para Florestas do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ressaltou a relevância de manter florestas resilientes em nível mundial e falou sobre os atuais esforços do governo dos EUA. “A Casa Branca fez uma declaração defendendo os mercados de carbono como um instrumento necessário para aumentar o financiamento, reconhecendo os riscos envolvidos e as fraquezas do sistema atual, mas expressando confiança de que sabemos como gerir esses riscos, só precisamos avançar”, completou. 

Ao final, Frances citou esforços de governos e da sociedade civil para buscar solução para a crise climática e elogiou o papel estratégico do IPAM para ação climática em nível local e governamental. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM

Xote, carimbó e lundu: ritmos regionais mantém força por meio de instituto no Pará

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Foto: Divulgação

O Dia do Músico homenageia todos os profissionais e admiradores da música. No Brasil, a data é celebrada no dia 22 de novembro, dia em que também é comemorado o dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos. No Instituto Estadual Carlos Gomes (IECG), em Belém (PA), os alunos e professores mantém viva a história da música através do ensino teórico e prático. Um dos destaques é o projeto de extensão de ‘Musicalização Popular Sons da Identidade’, que busca fomentar o acesso à música de forma democrática e inclusiva por meio dos ritmos e estilos musicais populares.

O professor  ‘Joca’ Silva coordena o projeto Popular Sons, e destaca o Dia do Músico. “Comemorar essa data é valorizar a arte que nos une, inspira e transforma. É uma oportunidade para honrar o legado de músicos influentes, estimular novas gerações a seguir carreiras musicais, preservar a memória e a história da música e celebrar a diversidade e riqueza musical brasileira”, enfatiza o professor, que atua no núcleo de percussão do Instituto Estadual Carlos Gomes.

Joca Silva recorda que a iniciativa começou a partir da necessidade de trabalhar com os ritmos populares regionais, “como o xote bragantino, retumbão, lundu, carimbó, siriá e o samba de cacete, que pertencem à nossa identidade cultural. Durante as aulas, os alunos podem tocar, experimentar e conhecer esses ritmos”, afirma.

Ao todo, a iniciativa atende 16 alunos da Região Metropolitana de Belém e do município de Bujaru. Para incentivar mais pessoas a se aproximarem da música, os projetos de extensão recebem alunos vinculados aos cursos regulares do instituto e da comunidade em geral.

Foto: Divulgação

Curso garante cinco ritmos percussivos diferentes

Do projeto Sons da Identidade, a aluna Maria Clara Pinon, 14 anos, diz que gosta de frequentar as aulas. “Eu amei conhecer melhor os ritmos regionais no projeto. Achei fácil fazer a transcrição musical. Nós estudamos cinco ritmos percussivos diferentes, e o que eu mais gostei foi o carimbó, pois sempre amei as músicas desse estilo. Quero seguir estudando música e me aperfeiçoar mais ainda”, diz Maria Clara, que pretende ingressar no curso técnico em música.

Para o diretor de ensino do Instituto Estadual Carlos Gomes, Robenare Marques, “a musicalização popular como instrumento de pertencimento cultural, o qual é realizada pelo instituto, através da Coordenação de Pesquisa e Extensão, busca precisamente isso: resgatar e valorizar os saberes musicais que são a essência da cultura popular. A música é, afinal, uma das mais poderosas linguagens universais, capaz de unir, transformar e eternizar a essência de uma comunidade”, explica o gestor.

Superintendente da Fundação Carlos Gomes, Gabriel Titan ressalta o projeto de extensão como iniciativa para a democratização do ensino musical. “Ao contribuir para a formação de novos músicos, por meio da musicalização popular, reforçamos o compromisso com o investimento em pesquisa, ensino e extensão. Com isso, incentivamos o desenvolvimento de novos talentos musicais no Estado”.

*Com informações da Agência Pará

Documentário ‘Manaus Extrema’ mostra detalhes sobre a seca do Rio Negro em 2023

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Foto: Reprodução/IPAM

O documentário Manaus Extrema‘, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), será exibido pela primeira vez no evento Proteja Talks, que ocorre em 25 de novembro em Manaus (AM), no Bosque da Ciência, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A produção foi gravada em 2023 e retrata os impactos da seca do Rio Negro, bem como da fumaça dos incêndios, na vida de quem mora em Manaus e entorno. Até então, era a maior seca já registrada para o rio, agora superada pela estiagem de 2024.

Assista ao trailer:

Com um registro histórico das cenas da seca e da fumaça em pontos estratégicos da cidade, “Manaus Extrema” apresenta relatos de diferentes tipos de gente, que compõem uma população afetada pelos efeitos das mudanças climáticas na região.

Karina da Silva, feirante, é uma das entrevistadas no documentário. Para ela, a seca do Rio Negro trouxe prejuízos ao comércio de frutas e verduras que mantém em Cacau Pirera. Nildo Affonso, presidente da Associação de Flutuantes do Tarumã-Açu, chegou a calcular em R$ 10 milhões as perdas para os flutuantes em alguns meses de estiagem.

Raniele Alves, professora do curso de Medicina da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), também participa da produção comentando sobre a conexão entre populações amazônidas, saúde coletiva e a emergência no clima.

As soluções para o cenário são ressaltadas pelos coordenadores do Centro de Medicina Indígena de Manaus, Carla Wisu e Ivan Tukano, por pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e do IPAM.

“Das diversas pessoas que ouvimos, o recado converge na necessidade de olhar para a natureza como alguém que também precisa ser cuidado”, comenta Bibiana Garrido, especialista de Comunicação do IPAM e uma das diretoras do documentário.

Para ver “Manaus Extrema”, inscreva-se gratuitamente na modalidade presencial do Proteja Talks. O evento ocorre em 25 de novembro, das 9h30 às 18h, no Bosque da Ciência.

Manaus Extrema

O documentário “Manaus Extrema”, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), retrata os eventos climáticos extremos de seca e fogo na cidade de Manaus, no Amazonas, em 2023. A produção apresenta as experiências e os impactos vividos na região por pessoas indígenas, ribeirinhas, comerciantes e pela população em geral.

Ao registrar a seca do Rio Negro, áreas queimadas e a fumaça que tomou o ar da capital, oferece pontos de vista de um momento histórico na emergência do clima global. Como resposta, cientistas e especialistas são convidados a explicar os fatores que levaram à escalada dos riscos climáticos, as principais características do momento em que vivemos, e propor soluções para um futuro em equilíbrio com a natureza.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM

Piscicultura é impulsionada na comunidade indígena Krahô em Lagoa da Confusão, no Tocantins

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Foto: Reprodução/Ruraltins

​Com o compromisso de promover desenvolvimento e sustentabilidade em comunidades tradicionais, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins) celebra o projeto de piscicultura em sistema superintensivo ‘Bagfish‘ implantado na comunidade indígena Krahô, na aldeia Takaywara, localizada no município de Lagoa da Confusão.

Instalado há cerca de três anos, o projeto tem sido um exemplo de como a parceria entre a tecnologia e a assistência técnica especializada pode transformar a vida dos produtores. Com o acompanhamento constante dos profissionais do Ruraltins, a comunidade, organizada pela Associação Indígena Krahô, tem capturado peixes de alta qualidade e obtido bons resultados, assegurando alimento e geração de renda.

O engenheiro de pesca do Ruraltins, Andrey Costa, destacou a importância do projeto. “A comunidade indígena Krahô produz peixes nativos em sistema superintensivo, que maximiza a produção e utiliza recursos de forma eficiente. Com o apoio e a assistência técnica do Ruraltins, esse projeto tem alcançado um retorno expressivo para os produtores”, afirmou Andrey.

Ele ainda encorajou outros interessados a buscarem suporte: “Os produtores interessados na atividade podem procurar o Ruraltins para receber o suporte técnico e assistência continuada”.

Para o presidente do Ruraltins, Flávio Terence, esses resultados refletem o empenho e a dedicação da equipe em levar soluções inovadoras e sustentáveis aos produtores. “São casos de sucesso como esse que esperamos do trabalho dedicado pelos nossos extensionistas. Ver a melhoria na qualidade de vida dos produtores assistidos pelo Ruraltins é um indicador de que estamos no caminho certo”, destacou o presidente.

Renato Pymcre Krahô, líder comunitário e responsável pelo projeto na aldeia, ressaltou como a piscicultura tem transformado a realidade da comunidade.

O projeto Bagfish representa uma solução eficiente para a produção de peixes em comunidades com recursos limitados, utilizando tecnologias que otimizam o uso da água e dos insumos. Essa abordagem tem provado ser uma alternativa viável e promissora, promovendo inclusão produtiva e sustentabilidade.

*Com informações da Asbraer

Licenciamento para exploração de petróleo no Amapá: MPF orienta adoção de medidas ao Ibama e à Petrobras

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Encontro das águas do rio Amazonas com o oceano Atlântico na costa do Amapá. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

O Ministério Público Federal (MPF) orienta que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicite complementações de estudos e, posteriormente, emita decisão definitiva sobre o pedido de exploração de petróleo na foz do Amazonas (FZA-M-59), no Amapá. À Petrobras, o órgão recomenda que cumpra as exigências da autarquia no processo de licenciamento. A atuação tem fundamento em pareceres da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise da Procuradoria-Geral da República (SPPEA-PGR), nas exigências técnicas do Ibama e na legislação ambiental.

Com a medida, o órgão chama atenção, ainda, para a extensa duração do procedimento administrativo acerca do licenciamento de perfuração de poços para a exploração de petróleo, que já dura mais de 10 anos. As recomendações foram protocoladas nesta quinta-feira (21). Foi fixado prazo de 15 dias úteis para respostas ao MPF.

Leia também: Litoral do Amapá: como é a bacia da foz do Rio Amazonas, alvo de disputa entre Ibama e Petrobras

No documento ao Ibama, o MPF recomenda que seja solicitada à Petrobras uma última complementação de estudos acerca do Plano de Emergência Individual (PEI), mais especificamente sobre o tempo de resposta a acidentes e a modelagem de dispersão de óleo. A atual modelagem é considerada inadequada por não atender, de modo satisfatório, por exemplo, a identificação de fenômenos meteorológicos extremos.

A insuficiência do novo plano da Petrobras já havia sido constatada pelo MPF em recomendação expedida em agosto de 2023. No documento, o órgão também destacou que o Plano de Proteção à Fauna (PPAF) foi apresentado ao Ibama menos de dez dias após a decisão de indeferimento. O prazo é considerado incompatível com a complexidade analítica necessária para a elaboração de um PPAF robusto.

A recomendação à Petrobras é para que atenda integralmente às condições do Termo de Referência constante no processo de licenciamento, de 2014, e às exigências complementares do Ibama. O documento expedido pelo MPF lista as pendências identificadas no processo, com base em três pareceres elaborados por peritos em engenharia química, oceanografia e biologia, da SPPEA-PGR, e nos pareceres do corpo técnico do Ibama.

O MPF enfatiza que as pendências destacadas pelos profissionais dizem respeito à viabilidade do PEI. Em razão disso, a complementação de informações pela Petrobras é requisito indispensável à concessão de licença de operação para pesquisa exploratória no bloco FZA-M-59.

Em trecho da recomendação, o MPF pontua que as exigências e particularidades para o bloco FZA-M-59 foram estabelecidas em 2013 e são de pleno conhecimento da Petrobras, desde que assumiu a titularidade do processo, em 2020. Por esse motivo, não podem ser questionadas neste momento, sob manifesta ameaça de lesão à legalidade, à boa-fé processual e à segurança jurídica. As exigências da autarquia, conforme salienta o MPF, ocorrem em estrita observância técnica e jurídica das regras estabelecidas na Portaria Ibama nº 422/2011.

Após a complementação de informações a ser apresentada pela Petrobras, o MPF recomenda que o Ibama decida definitivamente sobre o pedido de reconsideração do indeferimento da licença para perfuração marinha feito pela empresa. O MPF ressalta que, segundo a Portaria Ibama nº 422/2011, independentemente de a atividade ser distante da costa ou da superfície, caso a área em que se localize seja ambientalmente sensível – caso do bloco FZA-M-59 -, o licenciamento para a emissão de licença de operação para perfuração deve ser mais aprofundado. Por outro lado, é indispensável observar o prazo estabelecido na portaria para o trâmite do procedimento. O prolongamento não razoável pode configurar ameaça de lesão ao meio ambiente, o que autorizaria o MPF a ajuizar ação para anular procedimento ilegal.

O MPF pondera que o Amapá é um dos estados menos desenvolvidos da federação e que a exploração de petróleo, caso viável, poderia contribuir para a mudança dessa realidade. Contudo, para garantir benefícios à população local, é indispensável que a eventual exploração seja feita adequada e corretamente. “Caso contrário, há o risco de repetição do que já se observou em grandes empreendimentos anteriores no Amapá: licenciamentos apressados, com estudos ambientais superficiais, resultantes em diversos danos socioeconômicos até então desconhecidos e ora majoritariamente irreversíveis”, diz o órgão em referência à instalação de usinas hidrelétricas e empreendimentos minerários na região.

“Exatamente por experiências como essas, em que se evidencia que o remédio adequado é dificílimo, deve-se priorizar a lógica da precaução, própria do Direito Ambiental”, reforça o procurador da República João Pedro Becker Santos, responsável pelo caso.

Implicações cíveis

Nas recomendações, o MPF frisa que o descumprimento das exigências legais do Ibama, pela Petrobras, e o prolongamento não razoável do processo administrativo, pela autarquia, configurariam ameaça de lesão ao meio ambiente. Nesse caso, o órgão pode ajuizar ação civil pública para anular procedimento ilegal. O cenário pode ser afastado se acatadas as recomendações, o que demonstraria, da parte da Petrobras, obediência à lei e, do Ibama, comprometimento com a Administração Pública e com seu poder de polícia ambiental.

Confira as íntegras das recomendações ao Ibama e à Petrobras

*Com informações do MPF

Felicidade dos netos, o que nos cabe como avós?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Diz a sabedoria popular que aos avós não cabe educar, excluindo as situações de ausência dos pais. Em condições normais, os avós teriam direito até a deseducar. Os pais, como vimos, deveriam ir além de oferecer bem-estar aos filhos, mas atuar na sua formação para que desenvolvam um modelo de pensar e de agir que os aproximem da felicidade.

Algumas destas qualificações envolvem: a gratidão, o altruísmo, a resiliência, o desapego, a autorresponsabilidade, o cultivar sonhos, o desfrute do belo e da arte. Ufa! Parece muita coisa, mas a cada evolução em um destes itens, por menor que seja, os aproximará da felicidade. É uma trajetória de um jogo infinito e sempre teremos um passo a dar a mais, não é mesmo?

Mas, se aos pais cabe educá-los, qual o papel dos avós neste processo? Não vou me deter na questão das heranças, algumas benéficas, outras não. No caso de heranças materiais, normalmente são valorizadas, mas não costumam ser as mais importantes e nem sempre são duradouras.

Há situações em que os avós vivem próximos e desfrutam do dia a dia das crianças. Há outras que os avós vivem longe, em um bairro distante, em outra cidade, ou mesmo em outro país. Em um mundo globalizado, isto pode ser bem comum. No meu caso, por exemplo, tenho seis netos. Cinco deles moram no exterior e uma netinha em outra cidade. Qual poderia ser o meu papel na contribuição para a felicidades deles?

Refletindo sobre isso, o que vem primeiro à mente é a educação que as minhas filhas, as mães deles, receberam, e que, não sendo determinante, certamente terá alguma influência. Vale para os acertos e para as falhas também. Eles poderão ser reproduzidos ou evitados, cabendo a elas, tais escolhas, conscientes ou não.

As histórias que os pais contarem sobre os avós influenciarão também. Mais do que isso, porém, pesará o convívio, o diálogo, por menos frequente que sejam. Creio que momentos de netos com avós ficam nas lembranças, mesmo que guardados em algum local de suas mentes, para reaparecer quando forem mais adultos. Não são encontros formalmente educativos (lembrando que não nos cabe), mas o exemplo fala mais forte do que instruções. Muitas das qualificações listadas acima poderão ser transmitidas praticamente sem palavras, mas por atitudes e pela nossa maneira de ser.

Mas existe um tipo de influência que normalmente é desconsiderada. Mokiti Okada fala que todos nós possuímos elos invisíveis (ou espirituais) e que influenciamos e somos influenciados por eles. Há influência por meios destes elos na relação com todos com quem temos uma ligação. No caso de um homem público, um professor, um sacerdote ou um líder profissional, isto implica em um tipo de responsabilidade extra. Segundo Okada, os elos são extremamente fortes, por exemplo, entre um casal apaixonado e entre pais e filhos. Para parentes consanguíneos, estes elos são indissolúveis, como se fosse uma espécie de genética. Ele chega a afirmar: “para que os pais melhorem os filhos, é preciso que melhorem a si mesmos”.

De minha parte, estendo este raciocínio para os avós. Para mim, este é o caminho mais eficaz para nós, avós, contribuirmos para a felicidade de nossos netos. É sermos ainda melhores pessoas do que já somos e sermos mais felizes, não por fatores externos que independem de nós, mas desenvolvendo internamente as qualificações de um modelo mental e prático que nos aproximem da felicidade. Transmitiremos isto a eles pelos elos invisíveis.

Para nós avós, de quebra, fortaleceremos o desapego, uma destas qualificações. Fazemos isso, amando à distância e confiando no universo.

E você, o que pensa? Qual a maneira mais eficaz dos avós contribuírem com a felicidade dos netos?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

STF prorroga trabalhos da audiência de conciliação sobre Lei do Marco Temporal

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Manifestantes indígenas reunidos contra o Marco Temporal em trecho da BR-174 no início de novembro. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou nesta quinta-feira (21) a duração dos trabalhos das audiências de conciliação sobre a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) para demarcação de terras indígenas. O novo prazo para conclusão é 28 de fevereiro de 2025.

Em decisão, o ministro considerou que, após 10 audiências realizadas desde agosto, os trabalhos têm evoluído com debates aprofundados sobre o tema. Além disso, o decano pontuou que duas audiências temáticas foram agendadas para dezembro.

No dia 16 de dezembro, os integrantes da comissão ouvirão especialistas sobre os laudos antropológicos utilizados no processo demarcatório. Já o dia 18 foi reservado para representantes de comunidades indígenas falarem livremente sobre temas que interessem a suas etnias.

“A complexidade das questões controvertidas, que ensejou a instauração da Comissão Especial e justifica o aprofundamento fático a que se dedicam seus membros, impõe a prorrogação do prazo inicial de duração dos trabalhos”, afirmou.

Leia a íntegra da decisão.

*Com informações do STF