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Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras é o único do Amapá no Registro Nacional de Museus

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Foto: João Felipe Santos Andrade

O Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras alcançou um marco histórico ao obter o Registro de Museus junto ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Com a certificação, a instituição torna-se a única do Amapá oficialmente registrada no sistema museológico federal.

O reconhecimento consolida o espaço como referência na preservação, valorização e difusão das memórias negras no estado. A conquista também fortalece a presença do Amapá no cenário nacional das políticas públicas de cultura.

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Registro nacional consolida reconhecimento institucional

O Registro é um instrumento previsto no Estatuto de Museus (Lei nº 11.904/2009). Ele tem como objetivo estimular a formalização das instituições museológicas no país.

Diferente do Cadastro Nacional, o registro exige análise técnica e verificação de critérios legais. Esse processo garante que a instituição cumpra requisitos como caráter permanente, acesso público, ausência de fins lucrativos e compromisso com a preservação do patrimônio cultural.

Com o registro aprovado, o local passa a integrar formalmente o sistema museológico brasileiro.

Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras no Amapá
Foto: João Felipe Santos Andrade

Leia também: Roteiro histórico: seis locais que ajudam a entender o passado do Amapá

Museu já integrava o Cadastro Nacional

Antes do registro, o Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras já constava no Cadastro Nacional de Museus (CNM). Criado em 2006, o CNM mapeia e reúne informações qualificadas sobre os centros dedicados à memória do Brasil.

O cadastro reúne dados como localização, funcionamento, estrutura, acervo e serviços oferecidos ao público. Atualmente, mais de 3.900 museus integram a base nacional.

Plataforma MuseusBr amplia transparência e participação social

As informações são organizadas por meio da Plataforma MuseusBr, adotada pelo Ibram desde 2015. A plataforma passou por reformulação e ganhou nova versão em 2024. A ferramenta tornou-se mais dinâmica, colaborativa e acessível à sociedade.

O sistema permite a participação direta de gestores, pesquisadores e profissionais da área. Também fortalece a produção de dados e o acesso à informação sobre os acervos brasileiros.

A iniciativa contribui para dar visibilidade à diversidade de experiências museológicas existentes no país.

Sala de Exposição Permanente - Literatura apresenta o acervo que traduz a essência do Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras
Foto: João Felipe Santos Andrade

Valorização da memória negra e da cultura amapaense

O registro reforça o compromisso com a valorização da memória negra, dos saberes ancestrais e das expressões culturais afro-brasileiras. A conquista representa um avanço para a democratização do acesso à cultura e para o fortalecimento da identidade histórica do Amapá.

Com o reconhecimento federal, o acervo amapaense amplia suas possibilidades de atuação, articulação institucional e acesso a políticas públicas voltadas ao setor cultural.

*Com informações da Prefeitura de Macapá

Mais de 54 mil alunos iniciam o Ano Letivo 2026 em Boa Vista

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Alunos da rede municipal iniciam o ano letivo com fardamento novo, materiais didáticos e escolas preparadas para receber a comunidade escolar. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

O início do Ano Letivo 2026 movimentou a Rede Municipal de Ensino de Boa Vista nesta segunda-feira, 2, com o retorno de mais de 54 mil estudantes às salas de aula. As atividades foram retomadas em 145 unidades escolares, entre escolas urbanas, indígenas e do campo, marcando o começo de mais um ciclo educacional para crianças e adolescentes da capital.

Para garantir melhores condições de aprendizagem, os alunos iniciaram o ano com fardamento novo e materiais didáticos, além de estrutura pedagógica preparada para receber a comunidade escolar.

Leia também: Prefeitura inaugura primeira escola de tempo integral na zona rural de Boa Vista

Profissionais preparados para o ano letivo

A professora Débora Sales, da Escola Municipal Aquilino da Mota Duarte, que atua há 13 anos na Rede Municipal de Ensino, ressaltou a preparação dos profissionais para o início do período letivo.

Professora Débora Sales destaca o acolhimento dos alunos e a preparação da rede para o início do ano letivo. Foto: Francisco Sena/PMBV

“Todos os profissionais da rede participaram da Semana Pedagógica, um evento importante e fundamental para iniciarmos o ano letivo alinhados. Nesta primeira semana estamos fazendo o acolhimento dos alunos, fortalecendo o vínculo com a escola, com os professores e com os colegas, para que eles se sintam seguros, motivados e preparados para aprender”, disse.

“É um prazer voltar para a sala de aula, rever minha professora, amigos e conhecer os novos colegas”, disse a aluna Yelena. Foto: Francisco Sena/PMBV

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Alegria marca retorno dos estudantes às escolas

Entre os alunos, o primeiro dia foi marcado por reencontros e expectativa. A estudante Yelena Castro da Costa, de 10 anos, do 5º ano, comemorou o retorno às aulas.

“É um prazer voltar para a sala de aula, rever minha professora, amigos e conhecer os novos colegas. Minhas disciplinas favoritas são história e ciências”, falou.

Já Ágata Gabriela, também de 10 anos e aluna do 5º ano, contou que esperava muito pelo retorno à escola. “Aproveitei muito as férias. Brinquei, me diverti muito com a minha família. Viajei para o interior, tomei banho de igarapé, mas já estava ansiosa para voltar”, relatou.

Ano Letivo 2026 terá 812 horas de aulas distribuídas em 203 dias na rede municipal. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Ano Letivo 2026

Terá carga horária mínima de 812 horas, distribuídas em 203 dias de atividade escolar, excluídos os períodos de recreio, momentos cívicos e avaliações de recuperação final. Para aprovação, será exigida frequência mínima de 60% na Pré-Escola e 75% no Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Rotas do Mel e do Açaí ampliam exportação de produtos amapaenses

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Imagem ilustrativa de abelhas produzindo mel. Foto: Emersom Martins/Sepror AM

O mel brasileiro avança no mercado internacional com a assinatura de um Contrato de Parceria e Cooperação para exportação ao mercado italiano. O acordo foi firmado durante a participação da Cooperativa dos Apicultores do Estado do Amapá (Coopermel) na feira internacional Gulfood, em Dubai, e marca um novo patamar para a Rota do Mel, apoiada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Leia também: Amapá passa a integrar Rota do Mel, divulga MDIR

O contrato estabelece uma colaboração estratégica entre a Coopermel, a Cooperativa de Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi) e a Cooperativa Agropecuária Regional de Palmeira dos Índios (Carpil).

A Coopermel utilizará a parceria da Coopemapi com a Itália para exportar cinco toneladas de mel para a Itália. O objetivo é otimizar os processos de beneficiamento, processamento e envase do mel, elevando padrões de qualidade, ampliando a escala operacional e garantindo competitividade para atender às exigências do mercado internacional.

Contrato firmado em Dubai abre mercado italiano para o mel produzido no Amapá.
Contrato firmado em Dubai abre mercado italiano para o mel produzido no Amapá. Foto: Divulgação/MIDR

Internacionalização do mel amapaense

A formalização do acordo representa um avanço concreto na estratégia de internacionalização da produção apícola brasileira, conectando cooperativas de diferentes regiões do país e fortalecendo cadeias produtivas estruturadas a partir de políticas públicas de desenvolvimento regional. A iniciativa cria novas oportunidades de negócios, amplia a geração de renda nos territórios e estimula a adoção de práticas produtivas mais eficientes e sustentáveis.

A assinatura do contrato contou com o acompanhamento da secretária de Estado do Desenvolvimento Rural do Amapá, Beatriz Barros, e com a presença do secretário Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial do MIDR, Daniel Fortunato, reforçando a atuação integrada entre o Governo Federal e o Governo do Estado do Amapá no apoio à inserção de produtos da agricultura familiar em mercados globais.

“Estar aqui em Dubai é a realização de um sonho para cada família de apicultores da nossa cooperativa. Trazer o nosso mel orgânico, produzido em Porto Grande, para o centro do comércio mundial prova que o mundo valoriza o que é feito com respeito à floresta”, afirmou o presidente da Coopermel, Júlio César Avelar.

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“Assinamos um contrato de intenção de compra com o governo da Itália e com a Coopemapi (Norte de Minas Gerais) para unirmos forças. Ficamos em uma posição estratégica, pois podemos exportar nosso mel pelo Porto de Santana. Quero agradecer ao ministro Waldez Góes pela oportunidade, pois estar numa feira como essa é um sonho, é vital para colocarmos o nosso mel no mundo. Já tivemos a oficina para criar a Rota do Mel no Amapá e o mutirão de microcrédito”, declarou o presidente Júlio.

“Tem pouco tempo que fizemos a oficina e implementamos o polo do Mel no Amapá e já está dando resultado, visibilidade e retorno. Essa é uma das importâncias de estar inserido na Rota de Integração Nacional e certamente colheremos muito mais frutos. Isso mostra como a agricultura familiar e as cooperativas têm um valor que poucos conhecem”, observou o secretário Daniel Fortunato.

A participação na feira, articulada com o MIDR e a ApexBrasil, visa transformar o Amapá em um fornecedor global da bioeconomia. Para a gestão estadual, o objetivo é garantir que o crescimento econômico chegue diretamente às famílias rurais, inserindo o pequeno produtor nas Rotas de Integração Nacional e em novas agendas de negócios.

Além de viabilizar a exportação para a Itália, o acordo contribui para consolidar o Amapá como polo produtor de mel de excelência, fortalece a agricultura familiar e impulsiona a bioeconomia. Os desdobramentos da parceria também ampliam o alcance da Rota do Mel, criando um ambiente favorável à cooperação entre cooperativas, à inovação nos processos produtivos e à valorização dos produtos brasileiros no exterior.

Açaí na Argélia

A iniciativa conta com o apoio do MIDR, por meio da estratégia Rotas de Integração Nacional, que atua no fortalecimento de sistemas produtivos locais e na promoção do desenvolvimento regional sustentável. Inserida na Rota do Açaí, a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Estado do Amazonas (Amazonbai) fechou contrato para vender produtos para a Argélia.

“Estou muito feliz porque a Amazonbai não é mais queridinha só no Norte do Brasil, mas está aparecendo no mundo inteiro também. Fez muito sucesso na feira, quando estivemos lá no Egito, e a Arábia Saudita teve muita curiosidade para conhecer de perto e provar o açaí. E isso é fruto do esforço do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que aposta no poder que tem a Rota de Integração Nacional e a força que isso pode contribuir para desenvolver territórios, a partir da valorização do saber regional de cada cooperado”, pontuou o secretário Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial do MIDR, Daniel Fortunato.

Com atuação no Arquipélago do Bailique, na foz do Rio Amazonas, a cooperativa reúne produtores que conciliam a produção de açaí com a conservação da biodiversidade. Criada em 2017, a Amazonbai surgiu com o objetivo de melhorar as condições de comercialização do produto e assegurar maior autonomia aos produtores. Ao longo dos anos, o modelo de produção sustentável se consolidou como uma alternativa para o desenvolvimento das comunidades locais e a proteção da floresta.

“Estou aqui representando mais de 20 mil agricultores rurais da Foz do Rio Amazonas, por meio de uma parceria que temos com a Rota do Açaí no estado do Amapá. Hoje estamos com maior visibilidade graças ao ministro Waldez e ao secretário Daniel que estão dando visibilidade para o pequeno produtor participar dessas feiras tão importantes no mercado internacional”, comemorou o presidente da Amazonbai, Amiraldo Picanço, que fez questão de agradecer os equipamentos entregues pelo MIDR.

*Com informações do MIDR

Mulheres indígenas desenvolvem plataforma de IA para preservar cultura e gerar renda

IA Arandu integra a plataforma Círculos Indígenas, que une saber ancestral, tecnologia e autonomia econômica. Foto: Divulgação/Recode

A tradição que sustenta a preservação cultural dos povos indígenas agora também impulsiona a inovação tecnológica. Mulheres de diversas etnias se uniram para criar uma Inteligência Artificial (IA) pensada e administrada exclusivamente por elas: a Arandu. A ferramenta, cujo nome significa “sabedoria” em tupi-guarani, integra a plataforma Círculos Indígenas, que reúne múltiplas funcionalidades e atua como uma espécie de guardiã digital dos valores, saberes e tradições dos povos originários do Brasil.

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Na plataforma que abriga a IA Arandu, as participantes produzem, editam, distribuem conteúdos, registram saberes tradicionais em formato digital e comercializam produtos e criações desenvolvidas nas aldeias, fortalecendo a autonomia econômica das comunidades.

A iniciativa, construída de forma coletiva ao longo de 2025, a partir de uma convocação da ONG Recode, nasce da necessidade de fortalecer redes de apoio de mulheres indígenas, preservar conhecimentos ancestrais e ampliar suas vozes, integrando a tecnologia de maneira respeitosa, sem romper com as tradições.

Grupos indígenas

Atualmente, o grupo está distribuído pelo Distrito Federal e por 12 estados brasileiros: Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins. A meta é alcançar 240 participantes até 2026. As inscrições para a terceira turma, com 160 novas vagas, já estão abertas (clique aqui).

“As mulheres indígenas enfrentam, historicamente, barreiras estruturais de acesso à tecnologia, às oportunidades econômicas e aos meios de comunicação. Esse movimento nasce para reverter esse cenário e garantir que essas vozes sejam protagonistas de suas próprias narrativas”, afirma Rodrigo Baggio, fundador e CEO da ONG Recode.

Segundo ele, o grupo reúne representantes dos povos Pataxó, Pataxó Hãhãhãe, Guajajara, Terena, Apurinã, Juruna (Yudjá), Wapichana, Boe Bororo e Kaxinawá, entre outros, fortalecendo uma rede de comunicadoras que atua a partir de diferentes territórios, línguas e tradições.

Leia também: Startup usa IA para identificar peso e comprimento de peixes na Amazônia

Uma voz da comunidade

Uma dessas vozes é a de Júlia Tainá, de 38 anos, participante do projeto. Para ela, que é do Acre, a iniciativa representou um verdadeiro despertar — um caminho de reconexão com a própria história e de construção de um espaço seguro de expressão.

“Dos meus quatro avós, três eram indígenas e um era espanhol, uma típica história brasileira. Meus avós indígenas eram das etnias Manchineri, Pataxó e Tupinambá. Nasci mais próxima da minha história Manchineri, aqui no Acre. Sou uma indígena em contexto urbano, não por opção, mas por conta da trajetória da minha família. Ao participar de projetos como este, ouvindo outras histórias e realidades, fui me sentindo pertencente e segura. Era como estar em um território, ainda que virtual, onde eu podia, de fato, me comunicar”, celebra Júlia.

Essa vivência moldou sua visão sobre o papel da tecnologia como ferramenta de fortalecimento cultural. “A IA ajuda a organizar nossas ideias, na descrição das peças, na forma de contar a história, de compartilhar o que produzimos. Ela nos apoia a estruturar nossas falas e a aprender a nos comunicar do nosso jeito. Porque é dessa forma que conseguimos impactar o futuro, sem abrir mão de quem somos”.

Conhecimentos podem ser adicionados na plataforma digital. Foto: Reprodução

Autonomia e geração de renda

Na plataforma digital, as participantes têm acesso a ferramentas intuitivas para criação, edição e distribuição de conteúdos em texto, vídeo, áudio e formatos visuais. O ambiente também funciona como um acervo digital voltado ao registro e à valorização de saberes tradicionais, sempre com respeito aos contextos culturais e aos direitos coletivos.

Outro destaque é a possibilidade de geração de renda, por meio de espaços que ainda estão sendo aprimorados e que vão funcionar como um e-commerce para a comercialização de produtos e conteúdos criados nas aldeias. Já a Arandu oferece suporte à tradução entre línguas indígenas e o português, além de sugestões de formatos de conteúdo e análises de engajamento, sempre com uso ético e supervisionado.

“A Arandu nasce do encontro entre tecnologia e conhecimento ancestral, mostrando que é possível desenvolver Inteligência Artificial de forma ética, diversa e alinhada às realidades dos povos indígenas”, conclui Rodrigo.

*Com informações da ESG Inside

Projeto analisa produção e herança cultural da farinha de mandioca em Barreirinha

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Foto: Divulgação/Idam

Analisar a importância e as possibilidades da produção e comercialização da farinha foi o objetivo do projeto “A produção da farinha de mandioca: entre tradição, subsistência e valorização do setor primário no Ensino de Geografia na Escola Estadual Professor Octaviano Cardoso”.

A pesquisa foi coordenada por Emanuel Tavares da Cruz, professor de Geografia, da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), e realizada com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE), edital n° 002/2024.

Leia também: Farinha d’água ou Farinha ovinha? Conheça as diferenças das farinhas de mandioca

O estudo foi realizado como parte da disciplina de Geografia na Escola Estadual Professor Otaviano Cardoso, localizada no distrito de Cametá do Ramos, no município de Barreirinha (distante a 331 quilômetros de Manaus), com estudantes do 2° ano do Ensino Médio.

farinha de mandioca - pesquisa em barreirinha no amazonas
Foto: Emanuel Tavares da Cruz/Acervo pessoal

A ideia era compreender a dinâmica da atividade da produção e comercialização da farinha. Para isso, foram realizadas leituras sobre o setor primário da agricultura, bem como a respeito da fabricação, além de visitas em campo em uma colônia da comunidade, com a participação de agricultores locais.

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Na ocasião, foram aplicados questionários aos alunos, com o intuito de analisar suas percepções e entendimentos sobre a produção, além de entrevistas semiestruturadas com os produtores da farinha de mandioca sobre o modo de produção, comercialização e suas experiências.

Produção da farinha

A pesquisa levou em consideração que a produção de farinha de mandioca é uma atividade laboral muito comum nas comunidades tradicionais na região norte do Brasil, sendo parte do setor primário e da agricultura familiar, além de uma herança milenar e importante fonte de renda.

“A pesquisa foi de importância significativa para os alunos ao relacionarem os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula com a prática através da observação no ambiente de trabalho do agricultor, utilizando-se de leituras bibliográficas por meio dos aportes teóricos da Geografia”, explicou Emanuel Tavares.

Leia também: Portal Amazônia: qual a validade da farinha?

De acordo com o professor, a expectativa a longo prazo é que este projeto seja um exemplo de como é possível dinamizar o ensino da Geografia ao incentivar o protagonismo da população local, o que pode contribuir para a manutenção de sua identidade cultural.

“Queremos trazer esperanças para alunos e professores, quanto à prática docente, na busca por um ensino de mais qualidade, dinâmico, reflexivo, democrático, efetivo e realista”, ressaltou o coordenador.

*Com informações da Fapeam

Transporte, base logística da produção agropecuária

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Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Agronegócio é considerado um dos principais contribuintes para o crescimento econômico do Brasil. De acordo com informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) com apoio financeiro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do Agronegócio correspondeu por 23,8% do PIB do País em 2023, com uma queda de 3% comparado ao ano anterior. Diante de uma série de desafios que o Agronegócio tem enfrentado, a logística ganha destaque, desde planejamento da plantação e o armazenamento, até a distribuição final dos produtos.

Não é construtivo, por conseguinte, insistir na cantilena de que rodovias ou ferrovias destroem meio ambientes, conscientes da disponibilidade de soluções efetivas. Na Europa a agropecuária convive com a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF e o Manejo Florestal Sustentável (MFS) desde a Idade Média. A excelência tecnológica desenvolvida na França, Espanha, Portugal, Itália e outros países garante campos altamente produtivos em conexão a rígidos códigos preservacionistas.

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No Brasil, a obrigatoriedade de manter o meio ambiente ecologicamente equilibrado é tão importante quanto a necessidade de produzir alimentos e desenvolver o agronegócio, responsável por cerca de 20% dos empregos formais e por mais de um quarto (27%) do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A legislação ambiental brasileira obedece a um conjunto de leis, decretos e resoluções federais, estaduais e municipais, baseada no artigo 225 da Constituição de 1988. Visa, essencialmente, proteger o meio ambiente, promover a sustentabilidade e regular atividades de cidadãos e empresas, estabelecendo infrações e sanções para o não cumprimento. O que funciona para o Brasil, evidentemente é válido para a Amazônia. E, desta forma, como excluir a rodovia BR-319 e o sistema rodofluvial regional desse contexto?

O crescimento populacional mundial, que deverá superar 9,5 bilhões até 2050, pressiona a produção de alimentos, exigindo aumento de produtividade. Embora a Teoria Malthusiana previsse a fome por crescimento populacional, o progresso técnico (Revolução Verde) sustentou o abastecimento, mas hoje a demanda cresce 1.4% ao ano, desafiando a segurança alimentar devido a conflitos, clima e desigualdade. Estudos técnicos buscam influenciar gestores e lideranças das esferas pública e privada na tomada de decisões com foco na sustentabilidade e no equilíbrio da tríade agricultura, biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Água limpa, regulação do clima, manutenção da fertilidade e da estrutura do solo, polinização de culturas e controle biológico de pragas e doenças são alguns exemplos. Os desafios mundiais interligados demonstraram a importância de sistemas logísticos resilientes. A modernização dos portos, a melhoria da conectividade entre fazendas e mercados e a maior previsibilidade do transporte rodoviário podem contribuir para objetivos globais mais amplos, como a segurança alimentar, a logística rural, crucial para mover insumos, maquinários e produtos agrícolas aos centros de consumo ou portos, garantindo a integridade dos produtos perecíveis. Tudo voltado ao equilíbrio agroecológico.

O documento Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), coordenado pela Embrapa, mostra que o potencial produtivo do Brasil não se restringe às grandes propriedades rurais, estende-se à agricultura familiar e à praticada por povos tradicionais, peça-chave no contexto agrícola nacional. O setor congrega pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais (PCTs), assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores. Possui uma relação mais estreita com os recursos naturais dado o menor uso de insumos, a diversidade de cultivos e maior aproveitamento de resíduos, emprega dois terços da mão de obra rural. O setor depende de transporte, seja fluvial, rodo-ferroviário ou mesmo aéreo, como o ser humano do ar e da água.

Leia também: “Riscos ambientais da pavimentação da BR-319”: o que há por trás?

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Epidermólise bolhosa: representante do Amazonas leva desafios da saúde na floresta para congresso mundial

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Congresso internacional debateu cases de saúde voltados para a epidermólise bolhosa. Foto: Divulgação

O cenário das doenças raras no Brasil ganhou um novo capítulo de articulação e visibilidade. Entre os dias 20 e 22 de janeiro, São Paulo transformou-se no epicentro global de debates sobre a epidermólise bolhosa, uma condição genética hereditária que afeta a coesão da pele. Pela primeira vez, a América do Sul sediou um congresso internacional desta magnitude, deslocando o eixo das discussões científicas, tradicionalmente restritas à Europa e aos Estados Unidos, para a realidade latino-americana.

A participação da Associação das Borboletas do Amazonas (ABA) no evento marcou um posicionamento estratégico para o estado. Representando as famílias do Norte, a entidade levou ao congresso as particularidades de quem convive com uma doença de alta complexidade em uma região marcada por distâncias geográficas e desafios logísticos severos. A presença da associação garantiu que as discussões científicas não ignorassem as barreiras de acesso que existem fora dos grandes centros urbanos do Sudeste.

Leia também: #Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é impinge?

A epidermólise bolhosa é caracterizada pela extrema fragilidade da pele e das mucosas, onde qualquer atrito mínimo pode resultar em feridas graves e bolhas. No mundo, estima-se que 500 mil pessoas vivam com a condição, enfrentando um cotidiano de cuidados intensivos e curativos constantes. No Amazonas, a realidade impõe camadas extras de dificuldade, desde a umidade característica do clima até a escassez de profissionais especializados no interior do estado.

Durante os três dias de programação, pesquisadores e associações de diversos países trocaram protocolos de tratamento e novas perspectivas de cuidado. Para a Associação das Borboletas do Amazonas, o evento foi uma oportunidade de validar o trabalho realizado localmente e buscar soluções que possam ser aplicadas na rede de saúde amazonense. O foco foi transformar o conhecimento técnico em melhoria direta na qualidade de vida dos pacientes.

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Doenças raras precisam de atenção da saúde nacional

Sandra Marvin, presidente da associação, destacou que a participação no congresso foi um gesto de afirmação institucional e territorial. Segundo ela, levar a Amazônia para esse espaço significa romper silêncios históricos sobre como as doenças raras são tratadas na região. A presença da ABA serviu para lembrar que a ciência precisa ser inclusiva, considerando as realidades sociais e econômicas de quem vive nos estados do Norte.

Um dos pontos centrais abordados pela delegação amazonense foi o gargalo no diagnóstico precoce. Muitas famílias no Amazonas ainda enfrentam uma peregrinação por diversas unidades de saúde antes de obterem a confirmação da doença. Esse atraso compromete o início do tratamento adequado, que é fundamental para evitar complicações graves e infecções recorrentes que colocam a vida dos pacientes em risco.

epidermolise bolhosa é um problema de saúde classificado como raro que precisa de atenção nacional
Epidermolise bolhosa nas mãos. Foto: Oftalmologia Pereira Gomes

Além da questão clínica, o congresso abriu portas para parcerias internacionais. A conexão com a Debra Brasil e outras entidades globais fortalece a capacidade da associação de atuar como um elo entre as famílias e os avanços científicos na saúde. Essas redes de apoio são essenciais para garantir que insumos básicos, como curativos especiais que não aderem à pele, cheguem com mais facilidade a quem precisa em solo amazonense.

A troca de experiências com especialistas de outros países também trouxe novos modelos de acolhimento familiar. A doença não afeta apenas o paciente, mas exige uma reestruturação completa da rotina doméstica. Estratégias de apoio psicológico e jurídico foram discutidas como pilares para manter a sustentabilidade do cuidado a longo prazo, algo que a associação pretende reforçar em Manaus e nos municípios adjacentes.

O evento reforçou a necessidade de políticas públicas mais robustas e descentralizadas da saúde. A expectativa da associação é que a visibilidade gerada pelo congresso pressione por um olhar mais atento do poder público estadual e municipal. A meta é que a epidermólise bolhosa deixe de ser uma pauta invisível e passe a integrar o planejamento estratégico da saúde pública no Amazonas de forma permanente.

Para as famílias atendidas pela associação, saber que a sua realidade foi discutida em um fórum internacional traz um sentimento de esperança e pertencimento. A sensação de isolamento, comum em quem convive com doenças raras, dá lugar à percepção de que existe uma comunidade global empenhada em encontrar soluções. O congresso mostrou que a tecnologia médica avançou, mas que o acolhimento humano continua sendo o diferencial.

Ao encerrar sua participação, a Associação das Borboletas do Amazonas retorna com uma agenda repleta de novos contatos e projetos. A ideia é aplicar os aprendizados em workshops e treinamentos para profissionais de saúde locais, multiplicando o conhecimento obtido em São Paulo. O objetivo é criar uma rede de proteção mais sólida, onde o CEP do paciente não determine a qualidade do tratamento que ele recebe.

Artistas trans da Amazônia: vozes que ampliam direitos e repertórios por meio da música

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Artistas trans tem relevado criatividade e representatividade. Fotos: Reprodução

O Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, é um momento dedicado a reconhecer as vidas, trajetórias e trabalhos de pessoas trans e travestis em todo o país. E nesse contexto, a cena musical tem ganhado destaque com artistas que revelam criatividade e diversidade nas sonoridades que produzem.

Essa visibilidade reflete um conjunto de trajetórias artísticas em contextos regionais e nacionais, incluindo nomes ligados à Amazônia.

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Conheça seis dessas vozes amazônidas, que tem lutado por direitos e para mostrar seus repertórios e bagagens de vida:

Flor de Mururé: expressão musical e ancestralidade

Entre os nomes de artistas trans ligados à cena musical na Amazônia, Flor de Mururé, natural de Belém, no Pará, é uma voz potente da região. Seu álbum CROA é um trabalho que dialoga com ritmos populares, tradições e vivências de corpo e espírito. O disco misturou sonoridades como coco, hip hop, carimbó, pop e guitarrada, articulando elementos da cultura popular com suas vivências como homem trans.

Flor de Mururé ganhou projeção com lançamentos autorais que exploram referências espirituais, simbólicas e territoriais. As composições apresentam letras que transitam entre temas do cotidiano, memória cultural e identidade, inseridas em arranjos que mesclam instrumentos tradicionais e recursos contemporâneos de produção musical.

O single e clipe “Dona Mulambo” integra esse projeto, trazendo uma mistura sonora e simbólica que se relaciona com tradições religiosas afro-indígenas e expressa potenciais narrativas de resistência e pertencimento.

Margot Inajosa e a performance trans

Margot Inajosa é outra artista trans que tem se apresentado em espaços culturais na região amazônica. Natural de Macapá, capital do Amapá, sua atuação inclui apresentações autorais e participação em festivais que buscam ampliar a presença artística de pessoas trans.

Wendy Lady e a cultura indígena

Wendy Lady é outro nome que aparece associado à presença trans em circuitos culturais da Amazônia. Com atuação principalmente em Manaus, capital do Amazonas, o trabalho de Wendy Lady transita entre música, performance e estética cênica e integra eventos e festivais ligados à arte e à cultura regional, contribuindo para a ampliação de linguagens no cenário artístico local.

Sua trajetória está vinculada a espaços independentes e coletivos culturais, onde a música se articula com outras formas de expressão artística. A cultura indígena é algo muito forte em seu trabalho, tanto em sons como na estética

A cultura indígena é algo muito forte em seu trabalho, tanto em sons como na estética.

“Eu já morei fora da Amazônia pra estudar. E é muito difícil pra quem é raiz dessa terra. Todas as vezes que vou escrever uma música é justamente a nossa forma de viver, de existir, nossa ancestralidade, floresta, nossos rios, figuras conhecidas, e nossa forma de amar que componho. É uma influência direta sim, quando eu canto eu sinto o publico se identificando, me dando a certeza que toco os corações do meu público”, explicou ao Portal Amazônia.

Leia também: Bar Patrícia, o primeiro reduto LGBTQIAP+ de Manaus nos anos 70

Ella Viana no cenário nacional

Natural de Guajará-mirim, em Rondônia, a cantora Ella Viana construiu uma carreira musical que passou por diferentes fases e gêneros. Sua trajetória inclui participações em produções de alcance nacional e lançamentos autorais que marcaram momentos distintos de sua vida artística.

Ella Viana passou a ganhar destaque também por sua visibilidade como mulher trans no cenário musical brasileiro. Seus trabalhos mais recentes dialogam com novas propostas estéticas e sonoras, acompanhando transformações pessoais e profissionais.

Ella mantém relação forte com o Norte do país, seja por origem ou por referências culturais, integrando o conjunto de artistas trans que ampliam a diversidade da música brasileira.

Enme Paixão: som que cruza fronteiras

Enme Paixão é uma artista trans natural de São Luís, no Maranhão, conhecida por sua atuação como cantora, compositora, rapper e produtora cultural. Sua sonoridade mistura elementos do hip hop, afrobeat, reggae e ritmos tradicionais, refletindo referências culturais da região em suas letras e produções.

Ao Portal Amazônia, Emme explicou que sua sonoridade une a Amazônia e a cultura afrobrasileira, uma arte muito ligada ao estado do Maranhão:

“Eu sou uma artista que bebe do tambor, da ancestralidade, que vive e nasce no Maranhão, terra preta, terra indígena, terra amazônica. Ser fruto do maior quilombo urbano da América Latina é resumir minha sonoridade a todas essas influências. Pra ter noção, o quintal da casa onde eu cresci é o fundo do barracão do boi da floresta”.

Por seus trabalhos autorais e participações em festivais, Enme conquistou reconhecimento em circuitos nacionais e internacionais e já lançou projetos como o EP Movediça e o álbum Atabake, nos quais explora temáticas ligadas à identidade, ancestralidade e narrativa urbana.

Ariana Paes: DJ na cena eletrônica em Manaus

A DJ e criadora de conteúdo Ariana Paes nasceu em Manaus (AM) e atuan na cena eletrônica da cidade há vários anos. Sua trajetória inclui apresentações em festas e eventos locais, onde comanda sets que transitam por diferentes ritmos, refletindo a diversidade musical da capital amazonense.

Além da atuação como DJ, Ariana também é conhecida por sua visibilidade enquanto influenciadora e por integrar espaços culturais que ampliam a presença de artistas trans na música e na vida noturna da região.

Documentário é lançado por lideranças Yanomami com foco em ações de proteção na Terra Indígena; assista

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Lideranças durante o VI Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana em novembro de 2025. Foto: Divulgação/ISA/Cama Leão

Lideranças indígenas lançaram nesta sexta-feira (30) um minidocumentário em que projetam o futuro das ações de proteção na Terra Indígena Yanomami. Disponível no YouTube, o filme de 19 minutos apresenta a ‘Carta de Surucucu’, documento que avalia as ações do governo federal em meio à crise humanitária no território.

O documentário, gravado durante o VI Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana na comunidade Kori Yauopë, na região de Surucucu, em novembro de 2025, reúne depoimentos de lideranças de ao menos quatro organizações indígenas que atuam na defesa dos direitos da população no território.

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Além das entrevistas com lideranças, o documentário reúne imagens inéditas do cotidiano em Surucucu. O anfitrião foi Waihiri Hekurari, presidente da associação Urihi Yanomami e conhecido por denunciar o garimpo ilegal no território.

“Nós, Yanomami e Ye’kwana, fizemos uma carta com a voz do nosso povo, uma flecha forte”, disse Hekurari, um dos porta-vozes dos Yanomami ao longo dos três anos de emergência humanitária.

A produção reúne ainda depoimentos de nomes como Davi Kopenawa e Dário Kopenawa, que representam a Hutukara Associação Yanomami, Júlio Ye’kwana, da Wanasseduume Ye’kwana e Carlinha Lins, da Associação de Mulheres Yanomami Kumirayoma.

O documentário também traz relatos de lideranças Ye’kwana da Venezuela, que participaram do evento para entender a organização dos indígenas do lado brasileiro. O filme é uma produção da Cama Leão e do Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com as associações do Fórum de Lideranças.

terra indígena da etnia yanomami - documentários revelam detalhes da cultura
Terra Indígena Yanomami. Foto: Leonardo Prado/PGR

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Três anos de emergência

O lançamento coincide com o marco de três anos do decreto de emergência em saúde pública na terra indígena. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) montou uma operação para reestruturar a saúde e expulsar garimpeiros. Agora, os indígenas avaliam a continuidade dessas ações.

Lideranças do território se reúnem anualmente em fórum que discute e define metas na proteção à maior terra indígena do Brasil. — Foto: Lucas Wilame/Rede Amazônica

“O presidente decretou situação de emergência para salvar a população Yanomami, para expulsar os garimpeiros”, diz Hekurari no filme, que mostra a destruição de equipamentos do garimpo. Apesar dos avanços da Casa de Governo a partir de 2024, as lideranças alertam que a operação não pode parar.

Assista o documentário:

*Com informações da Rede Amazônica RR

Aplicativo criado em Rondônia ensina sobre consumo de energia

O aplicativo permite simular o consumo de energia elétrica, ajudando o ensino de Física e a compreensão dos gastos na conta de luz. Foto:

Desenvolvido no campus de Ji-Paraná da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o aplicativo Consumo de Energia Elétrica, integrante da plataforma educacional SimuFísica, tem se destacado como uma ferramenta de apoio ao ensino de Física e à compreensão do consumo de energia elétrica em residências. O simulador permite calcular o gasto energético de diferentes aparelhos, considerando elementos reais da fatura, como bandeiras tarifárias, impostos e taxa de iluminação pública.

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Por meio do aplicativo, usuários podem visualizar a contribuição individual de cada equipamento no valor final da conta de energia, comparar cenários de uso e até estimar a quantidade de painéis solares necessária para suprir a demanda de um aparelho de ar-condicionado. Exemplos práticos mostram que uma lâmpada LED de 12 W ligada por 10 horas diárias pode representar um custo mensal em torno de R$ 3,00, enquanto um ar-condicionado de 12.000 BTU/h pode gerar um acréscimo superior a R$ 200,00 na fatura mensal.

O aplicativo foi desenvolvido pelo coordenador do projeto SimuFísica, professor Marco Polo Moreno de Souza, do Curso de Física de Ji-Paraná, e é destinado principalmente a professores e estudantes do Ensino Médio e da Licenciatura em Física, mas também pode ser utilizado por qualquer pessoa interessada em compreender melhor os impactos do uso de aparelhos elétricos no consumo de energia elétrica.

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Atualização 

O simulador de Consumo de Energia Elétrica passou por uma reformulação a partir da versão 1.5.3, desenvolvida em colaboração com a então mestranda Cristiane Mara Oliveira, do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF), Polo 05 (Ji-Paraná).

Na versão 2.0, o aplicativo foi completamente reestruturado, incorporando funcionalidades como a organização dos aparelhos por cômodos, salvamento das simulações no banco de dados do usuário, exemplos prontos de uso e a geração automática de faturas em PDF, incluindo impostos, taxa de iluminação pública e bandeiras tarifárias. A ideia da geração da fatura em PDF surgiu a partir de sugestão do egresso do Bacharelado em Física Rhakny Patryky Peixoto Araújo, colaborador eventual do projeto.

Aplicativo ensina sobre consumo de energia
Foto: Reprodução/UNIR

O que é o SimuFísica

A SimuFísica é uma plataforma educacional gratuita composta por cerca de 40 simuladores interativos de Física, que abrangem praticamente todas as grandes áreas da disciplina, como Mecânica, Óptica, Ondas, Termodinâmica, Eletromagnetismo e Mecânica Quântica.

A plataforma está disponível em 15 idiomas e pode ser acessada pelo endereço https://simufisica.com/, além de estar disponível nas principais lojas de aplicativos para dispositivos móveis. O aplicativo Consumo de Energia Elétrica é um dos simuladores que integram esse conjunto de ferramentas educacionais oferecidas pela plataforma.

Desenvolvimento e participação discente

A participação discente e a colaboração interdisciplinar são elementos centrais do projeto SimuFísica, reforçando seu caráter formativo, extensionista e inovador. O projeto conta com a participação ativa de discentes e egressos, que colaboram tanto no desenvolvimento quanto na divulgação e aplicação dos simuladores.

Entre as contribuições, destacam-se o desenvolvimento do simulador Gravitação 3D, por Juciane Gonçalves Maia (Licenciatura em Física); o simulador Interferência em Filmes Finos, por Bruno Oliveira Rufatto (Bacharelado em Física); e o aprimoramento do simulador Ondas, por Robson Danrlley Luiz Santos Ferreira de Oliveira, egresso de Engenharia Ambiental e Sanitária.

A egressa do MNPEF Lilian Noimam de Andrade, atualmente professora de Física do Ensino Médio em Cacoal, participou da aplicação do aplicativo Pêndulo Filmado, cujos resultados foram publicados no periódico Physics Education.

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Há também colaborações em outras frentes do projeto, como o aprimoramento do painel do administrador em PHP e MySQL, desenvolvido por Sabrina Cardoso Duarte (Engenharia Ambiental e Sanitária), e investigações em nível de Iniciação Científica.

Nesse contexto, destacam-se os trabalhos de Guilherme Henrique Hoffmann Pavão (Licenciatura em Física), que estuda a divisão de linhas espectrais via efeito Zeeman com o aplicativo Gerador de Equações de Bloch, e de Calina Grazielli Dias Barros, egressa de Engenharia Ambiental e Sanitária, que investigou estados quânticos circulares de Rydberg por meio do simulador Orbitais do Hidrogênio.

Houve ainda a participação da bolsista de Iniciação Científica Júnior Geovana Luiz Santos, que atuou na caracterização dos dados gerados pelo simulador Laboratório virtual: pêndulo simples.

*Com informações da UNIR