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Cumaru: a nova economia da biodiversidade dos Zo’é, no Pará

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Foto: Hugo Prudente/Acervo Iepé

Em novembro os Zo’é realizaram a primeira venda de cumaru da sua história: 188 quilos e meio da semente seca do cumaru embarcaram da Terra Indígena Zo’é em direção a Santarém (PA). Chegando na cidade paraense, a carga foi entregue à Coopaflora, que pagou cerca de R$15 mil à Tekohara, organização representativa do povo Zo’é. O valor obtido com a venda da carga será revertido na compra de insumos básicos que serão distribuídos igualmente entre as famílias Zo’é.

Os Zo’é vivem no norte do Pará, entre os Rios Erepecuru e Cuminapanema. Atualmente são cerca de 330 pessoas, organizadas em 19 grupos. Eles são considerados um povo indígena de “recente contato” pelo Estado brasileiro. E fundaram sua associação há dois anos, através da qual vendem seu artesanato. Agora os Zo’é estão muito animados com esta primeira experiência com o cumaru, que veio para fortalecer sua capacidade de produção e gestão de economias da sociobiodiversidade, alcançando mais autonomia na aquisição de itens de primeira necessidade que utilizam em seu dia a dia.

Cumaru: a baunilha da Amazônia

Apelidado de “baunilha brasileira”, o cumaru é a semente do cumaruzeiro, planta nativa da Amazônia que pode chegar a até 30 metros de altura na fase adulta. Cada fruto possui uma semente – para extraí-la é preciso que a casca lenhosa do fruto seja rompida. O cumaru é muito utilizado para culinária, além de perfumes e sabonetes.

Leia também: Saiba para quê serve e quais os benefícios do cumaru, a baunilha da Amazônia

Foto: Kamikia Kisedje/Nia Tero

Treinamento para o trabalho com o cumaru

Como parte do lançamento dessa nova economia da sociobiodiversidade dentro da Terra Indígena Zo’é, em setembro os indígenas haviam participado de um treinamento voltado às boas práticas sustentáveis da cadeia do cumaru. Realizado pelo Instituto Iepé, em parceria com Coopaflora e FPE-CPM/Funai (Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema), a atividade formativa contou com o envolvimento ativo da Tekohara Organização Zo’é. Criada em 2022, a Tekohara é uma associação fundada e gerida pelos próprios zo’é.

Parceira tanto do treinamento como da comercialização das sementes, a Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte (Coopaflora) tem como objetivo fortalecer o extrativismo sustentável na região.

A formação aconteceu durante sete dias e envolveu diferentes aspectos das boas práticas na coleta de sementes de cumaru: reconhecimento das árvores, quebra adequada dos frutos, construção e uso do secador, pesagem das sementes, registro e rastreabilidade, além do armazenamento adequado das sementes.

Toda a produção de cumaru será creditada por família, nos moldes já acordados com os Zo’é na experiência bem sucedida do FAZ, o Fundo de Artesanato Zo’é. O registro dos valores foi feito pela diretoria da Tekohara com o apoio do Programa Zo’é do Instituto Iepé e da Frente de Proteção Cuminapanema, responsável pela gestão da conta bancária da organização.

Das 31 famílias extensas em que se dividem os Zo’é, apenas sete não se envolveram no processo de coleta, mas já afirmaram que pretendem participar da próxima leva. A Coopaflora já sinalizou interesse em adquirir um novo volume em janeiro de 2025 e os Zo’é se encontram mobilizados para isso.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Iepé

Cartilha une Lenda da Boiuna e a Educação Intergeracional na Amazônia

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Foto: Reprodução

A lenda da Boiuna, que representa uma cobra guardiã dos rios e da floresta na Amazônia, ganha vida de uma forma educativa em Palmas (TO), com o projeto intergeracional realizado no Centro Municipal de Educação Infantil João e Maria. Essa iniciativa, que reúne crianças da educação infantil e idosos da Universidade da Maturidade (UMA), utiliza histórias e brincadeiras para promover o fortalecimento de laços entre as gerações e o resgate de tradições culturais essenciais.

A mitologia da Boiuna é como uma metáfora para o cuidado com o meio ambiente e a proteção das riquezas naturais, ponto de encontro entre a sabedoria dos mais velhos e a criatividade dos mais novos. Por meio de atividades lúdicas como a contação de histórias, a construção de brinquedos com materiais reciclados e danças em grupo, o projeto preserva a tradição cultural local e promove uma conscientização ambiental de forma prática e acessível.

Esse tipo de ação é um exemplo de como lendas e mitos podem ser aproveitados como ferramentas pedagógicas para tratar de questões ambientais e sociais, ao mesmo tempo em que fortalece valores como união, respeito e cuidado. A Boiuna, como símbolo de proteção da natureza, inspira crianças e adultos a se conectarem de forma mais profunda com o meio ambiente, promovendo uma convivência mais harmoniosa entre diferentes gerações.

O impacto  vai além do aprendizado sobre a biodiversidade amazônica, pois oferece aos idosos um papel ativo e significativo na educação, enquanto as crianças têm a oportunidade de aprender de maneira mais interativa e afetiva. Este tipo de projeto pode facilmente ser replicado em outros contextos, criando espaços de aprendizado e troca que valorizam tanto as tradições culturais quanto a construção de um futuro mais sustentável.

A iniciativa, que pode ser replicada em outros contextos, demonstra como lendas podem ser usadas como ferramentas pedagógicas para abordar questões ambientais e promover valores como união e cuidado mútuo. Além disso, reforça o papel da educação lúdica na formação integral das crianças, enquanto oferece aos idosos um espaço de contribuição ativa e significativa.

Acesse o livro AQUI.

*Com informações da Universidade Federal do Tocantins

Pesquisa realizada em Mato Grosso diminui tempo de eliminação de poluentes na água

Foto: kalhh/Pixabay

Em 2024, a Comissão do Plano de Logística Sustentável (PLS) premiou durante o IV Seminário de Sustentabilidade na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) teses e dissertações através da Competição 3MT® Teses e Dissertações UFMT – Versão Temas ODS 2024. Os trabalhos receberam o reconhecimento dos estudos que estão em desenvolvimento em diferentes áreas. Este ano o evento abordou experiências voltadas para a construção de soluções sustentáveis para as cidades.

Douglas Lisboa Ramalho, do Programa de Pós-Graduação em Química, com a pesquisa ‘Avaliação neurotoxicológica do Paraquat e seus produtos de degradação em Drosophila melanogaster‘ ficou em terceiro lugar na competição.

Foto: Willian Gomes/UFMT

A inovação está justamente na ferramenta utilizada para a mineração para a eliminação dos resíduos. “Então, utilizando um modelo animal que é o Drosophus melanogaster, que é um tipo de mosca, conhecido como mosca das frutas, esses animais tem uma, a gente fala, uma ortologia genética, ou seja, uma semelhança genética dos seres humanos. Essa semelhança faz esses animais muito especiais para os nossos tipos de pesquisa, porque a gente procura, primeiramente, olhar o efeito tóxico dos produtos”, pontua Douglas Lisboa Ramalho.

Ele agradeceu pela oportunidade e explicou que o projeto foi baseado em procurar entender como o agronegócio tem impactos sobre a saúde pública.

“Existe uma linha muito tênue entre esses dois, entre a economia, no caso a parte lucrativa, e a saúde pública. Então, existem vários projetos hoje na literatura que estão descritos que os resíduos gerados pelos agronegócios vêm atrapalhando ou proporcionando doenças crônicas, doenças em seres humanos, devido à contaminação crônica das águas residuais. A problemática do trabalho está em que o tratamento de água potável hoje nos territórios na América não é o suficiente para eliminar esses resíduos”, relata o pesquisador.

*Com informações da UFMT

Startup amazonense desenvolve técnica para ampliar produção de mudas de bananas

Foto: Simone da Silva/Acervo pessoal

No Amazonas, a Startup Biofábrica Ananas, apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolveu mudas de bananas micropropagadas, que são plantas clonadas em laboratório, usando a técnica de cultura de tecidos vegetais. O método permite a reprodução em larga escala, a partir de partes da planta-mãe, e assegura mudas com alta qualidade genética e fitossanitária, eliminando a variabilidade genética que ocorre em métodos tradicionais de propagação.

O projeto coordenado pela doutora em Biotecnologia Vegetal, Simone da Silva, é amparado pelo Programa Inova Amazônia Módulo Tração, Edital Nº 001/2023, uma parceria entre a Fapeam e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A iniciativa trabalha com variedades de espécies desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental, entre as quais Pacovan, BRS Conquista, Maçã, BRS Princesa e Terra-Anã, além de matrizes selecionadas por produtores locais.

Simone destaca que a pesquisa foi motivada pela necessidade de oferecer mudas de alta qualidade para o setor produtivo do Amazonas, que enfrenta desafios como a perda frequente de matrizes devido aos longos períodos de seca e outras adversidades climáticas. “Essa situação força os produtores a adquirir mudas de biofábricas localizadas no Sudeste e Nordeste, o que aumenta os custos e o tempo de reposição”, explicou.

Com a aplicação da técnica de cultura de tecidos vegetais, o projeto fornece mudas selecionadas, geneticamente padronizadas e adaptadas às condições locais. Além de solucionar gargalos como a presença de pragas, doenças e a falta de padronização, essa abordagem promove maior controle fitossanitário.

Segundo a coordenadora, para os produtores rurais, os impactos incluem o acesso facilitado a mudas de alta qualidade, o que contribui para o aumento da produtividade das lavouras, a estabilidade na geração de renda familiar e a garantia de colheitas regulares. Além disso, essa iniciativa potencializa a competitividade dos produtos locais em mercados internos e externos, que demandam padrões rigorosos de qualidade e consistência.

A Biofábrica Ananas, responsável pelo projeto, possui o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para produção de mudas micropropagadas, o que facilita a expansão da cadeia produtiva local e contribui para a bioeconomia da região. Além disso, a técnica de cultura de tecidos vegetais pode ser expandida para outras culturas, fortalecendo a fruticultura e promovendo práticas sustentáveis no estado.

Resultados

Os principais resultados incluem:

  • otimização de protocolos para a micropropagação de variedades comerciais;
  • produção inicial de 30.000 mudas em laboratório, com meta de alcançar 300.000 mudas até 2027;
  • melhor acesso dos produtores a mudas padronizadas e de alta qualidade, adaptadas às condições locais;
  • desenvolvimento de uma infraestrutura local que reduz custos;
  • e, ainda, melhoramento da logística de distribuição no estado do Amazonas.

Apoio

Para Simone, o apoio da Fapeam foi essencial para viabilizar o projeto, especialmente, por meio do financiamento proporcionado pelo Programa Inova Amazônia. O fomento permitiu o desenvolvimento de protocolos inovadores para a produção de mudas de banana micropropagadas, apoiando a criação de uma infraestrutura local que atende às necessidades do setor produtivo no Amazonas.

“O investimento da Fapeam contribuiu diretamente para posicionar o estado na vanguarda da bioeconomia, ao impulsionar a aplicação de tecnologias modernas, como a cultura de tecidos vegetais”, acrescentou.

*Com informações da Fapeam

Papai Noel pela Amazônia: projeto supera desafios da seca para levar brinquedos às crianças ribeirinhas

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Em meio às dificuldades da seca e aos desafios para chegar a locais isolados da Amazônia, o técnico em eletrônica Jorge Alberto Barroso se transforma em Papai Noel para levar alegria a muitas pessoas da região. De barco, a pé, pegando carona pela lama e até remando, ele segue sua missão de entregar brinquedos para inúmeras crianças, mantendo uma tradição que já dura 26 anos.

Durante o mês de dezembro de 2024, mais de 5 mil brinquedos foram doados na ação ‘Amigos do Papai Noel’. Kits com diversas surpresas, como bolas e bonecas de pano, foram distribuídos às crianças.

Como o nome do projeto sugere, Barroso não está sozinho nessa missão. Com o apoio de dezenas de amigos, a ação é possível. Entre eles, está o programador Pedro Carvalho, que é um dos ‘Amigos do Papai Noel’ há 20 anos. “Não existe coisa melhor. Ver o sorriso de uma criança não tem preço”, afirmou Pedro Carvalho.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

A solidariedade se reflete em cada gesto, como o do artesão Laércio Valvassoura, que há 8 anos confecciona as bonecas de pano distribuídas às crianças nas ações do projeto.

“Já começamos a produção para 2025. Em Campinas, os colaboradores não param, estão a todo vapor na fabricação das naninhas e bonequinhas. Somos os duendes, amigos do Papai Noel de Manaus”, disse.

Para os voluntários no projeto, a maior doação de um ‘Amigo do Papai Noel’ é o tempo, que se transforma em disposição, amor e alegria. Com eles, qualquer espaço ganha vida, e as brincadeiras se tornam ainda mais divertidas, especialmente no meio da natureza.

Este Natal, marcado pela união e generosidade, trouxe mais do que presentes. Trouxe esperança para quem viu o bom velhinho pela primeira vez e a felicidade para quem recebeu uma visita especial.

“Eu ganhei uma bola, um livro, uma boneca e uma escova de dente. Gostei de tudo!”, disse a pequena Alexandra Feitoza, de 7 anos, com um sorriso no rosto.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Impactos à água do rio Tocantins após desabamento de ponte são monitorados

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Foto: Divulgação/Governo do Tocantins

O dia 22 de dezembro foi marcado pelo desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, situada sobre o rio Tocantins entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA). Além de afetar a infraestrutura e a mobilidade da região, o incidente resultou na queda de três caminhões no rio, incluindo cargas perigosas como 22 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico, um produto químico altamente corrosivo.

Diante da gravidade da situação, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) expressou solidariedade às famílias das vítimas e iniciou um trabalho conjunto com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (SEMA/MA) para avaliar os impactos ambientais. O principal foco das ações tem sido o monitoramento da qualidade da água no rio Tocantins, com a coleta de amostras em cinco pontos, desde a barragem da usina hidrelétrica de Estreito até o município de Imperatriz, localizado a jusante do ponto do desastre.

Equipes da SEMA/MA deslocaram-se ao local do desabamento para realizar coletas e verificar parâmetros básicos de qualidade da água. A ANA também solicitou o apoio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB/SP), uma referência em análises de qualidade da água no país, para avaliar parâmetros mais complexos relacionados ao derramamento de substâncias tóxicas.

Desde a notícia do desastre, os gestores da ANA têm promovido a comunicação com os usuários de recursos hídricos da região, onde existem mais de 150 outorgas que podem ser impactadas. A Agência também realizou o cálculo do tempo de chegada da água contaminada a diferentes municípios, compartilhando essas informações com órgãos federais e estaduais para orientar ações preventivas.

Prevenção e Orientações

Em medida de precaução, o governo do Maranhão orientou a suspensão da captação de água para abastecimento público nos municípios banhados pelo rio Tocantins a jusante do acidente. Essa orientação permanecerá até que as análises determinem que a pluma de contaminantes não apresenta riscos ao consumo humano.

O desastre afeta diretamente 19 municípios localizados a jusante do ponto do desabamento até a confluência do rio Tocantins com o rio Araguaia.

Destes, 11 estão em Tocantins:

  • Aguiarnópolis,
  • Carrasco Bonito,
  • Cidelândia,
  • Esperantina,
  • Itaguatins,
  • Maurilândia do Tocantins,
  • Praia Norte,
  • Sampaio,
  • São Miguel do Tocantins,
  • São Sebastião do Tocantins
  • e Tocantinópolis.

E oito no Maranhão:

  • Campestre do Maranhão,
  • Estreito,
  • Governador Edison Lobão,
  • Imperatriz,
  • Porto Franco,
  • Ribamar Fiquene,
  • São Pedro da Água Branca
  • e Vila Nova dos Martírios.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Estreito (MA)

Próximos Passos

A ANA segue trabalhando de forma integrada com órgãos estaduais e federais. Uma reunião realizada na segunda-feira, 23, contou com a participação da Defesa Civil e outras instituições para compartilhar informações sobre o monitoramento e as medidas de resposta.

Embora o impacto humano e ambiental ainda esteja sendo avaliado, as autoridades reafirmam seu compromisso com a transparência e a segurança da população. Mais informações serão divulgadas à medida que os dados das análises forem concluídos.

Rio Tocantins

Com aproximadamente 2400km de extensão, o rio Tocantins é o segundo maior curso d’água 100% brasileiro, ficando atrás somente dos cerca de 2800km do rio São Francisco. O Tocantins nasce entre os municípios goianos de Ouro Verde de Goiás e Petrolina de Goiás. Ele também atravessa Tocantins, Maranhão e tem sua foz no Pará perto da capital Belém.

O rio pode ser chamado de Tocantins-Araguaia por se encontrar com o rio Araguaia entre Tocantins e Pará. Os dois cursos d’água também dão nome à Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia, que é a maior do Brasil em área de drenagem 100% em território nacional. Por serem rios interestaduais, a gestão e regulação das águas do Tocantins e do Araguaia é de responsabilidade da ANA.

*Com informações da ANA

MPF recomenda suspensão imediata de metodologia virtual para educação escolar indígena no Pará

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Foto: Rai Pontes/Seduc PA

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc) a suspensão imediata da implantação do Sistema Educacional Integrativo (Sei) em comunidades indígenas. A recomendação aponta para a violação de leis e princípios constitucionais que protegem os direitos dos povos indígenas.

O Sei utiliza a metodologia do Centro de Mídias da Educação Paraense (Cemep), que oferece ensino médio presencial mediado por tecnologia, com aulas ministradas por professores em estúdios e acompanhamento de um mediador local. O MPF argumenta que essa metodologia desconsidera a diversidade cultural e os modos de vida das comunidades indígenas.

A recomendação destaca que a implantação do Sei ocorre sem a devida consulta prévia aos povos indígenas, conforme preconizado pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.

A recomendação do MPF também leva em conta a tramitação de uma ação civil pública, proposta pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e pelo MPF, que busca o retorno do ensino médio presencial em todas as comunidades onde o Sei é utilizado e a interrupção do avanço do sistema em todo o estado.

Demais violações

O MPF ressalta que a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Plano Nacional de Educação (PNE) e outras normativas garantem aos indígenas o direito a uma educação escolar que respeite suas especificidades culturais, línguas, tradições e organização social.

A recomendação enfatiza que a educação escolar indígena deve ser pautada pelos princípios da interculturalidade, bilinguismo e multilinguismo, especificidade, organização comunitária e territorialidade.

Além disso, o MPF considera que a metodologia do Cemep uniformiza o sistema de educação, dissociando-o dos modos de vida de cada comunidade indígena, e que os povos indígenas devem ser vistos como sujeitos de direitos, com protagonismo na construção e concepção de projetos e programas que lhes digam respeito.

Detalhes da recomendação 

O MPF recomendou à Seduc que: 

• suspenda imediatamente a implantação do Sei, por meio da metodologia do Cemep ou outra virtual assemelhada, nas comunidades indígenas;

•  adote medidas para realizar consulta prévia às comunidades indígenas para formulação da metodologia de ensino mais adequada para o ensino médio escolar indígena;

•  enquanto não realizada a consulta prévia, implante método de ensino presencial ou, ao menos, modular (Sistema de Organização Modular de Ensino, ou Some) à educação escolar indígena no Pará.

A Seduc tem o prazo de dez dias corridos, a partir do recebimento da recomendação, para informar ao MPF sobre o acatamento das medidas, apresentando informações detalhadas sobre as providências já adotadas ou justificativas para o não atendimento. O MPF alerta que, a partir da data da entrega da recomendação, a Secretaria de Educação será considerada ciente da situação e poderá ser responsabilizada por eventuais omissões.

Recomendação nº 11/2024

*Com informações do MPF

E-book aborda sustentabilidade e literatura amazônica em forma de poesia

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Alunos da Escola Estadual Dom Pedro II, autores do e-book. Foto: Mariane Smith

A pouco menos de um ano para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em Belém (PA), os olhos do mundo todo já se voltam para a Amazônia, na riqueza da sua fauna e flora, levantando temas como sustentabilidade e preservação ambiental. Neste contexto, o projeto Semeando Textos da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) lançou o e-book ‘Semeando poesia na Amazônia nossa de cada dia’.

O projeto de extensão Semeando Textos faz parcerias com escolas de educação básica de ensino em Belém e região metropolitana. Para o e-book ‘Semeando poesia na Amazônia nossa de cada dia’, a produção dos textos e ilustrações são dos alunos do 2º ano da Escola Estadual Dom Pedro II, no qual abordam temas do cotidiano paraense e amazônico.

Sofia Rodrigues, 17 anos, escreveu o poema intitulado “Açaí Amazônico”, por considerar que o fruto representa o estado.

A aluna explica que a experiência no projeto ajudou a adquirir conhecimentos que serão úteis também na sua formação.

Inspirada por memórias afetivas de sua família, Yasmin Kawasaki, 16 anos, também escreveu sobre o fruto em “O açaí”. “Ele traz lembranças e destravou muitas memórias que eu tinha guardado na minha cabeça e pra mim foi um momento muito mágico, porque pude relembrar tudo isso e colocar um pouquinho do sentimento da nossa ligação com esse alimento”, comentou a estudante.

“Pra mim é uma felicidade imensa ter o meu poema no livro. O poema não é um tema assim que a gente vê sendo escrito com muita facilidade, mas através do projeto a gente teve todo um apoio, todo um aparato para conseguir desenvolver esse texto”, afirmou Yasmin.

Lançamento do e-book no campus Belém. Foto: Mariane Smith

Coordenadora do projeto Semeando Textos, a professora da Ufra, Liliane Afonso, explica que o objetivo do projeto é trabalhar a literatura, levantando temas sobre o contexto da Amazônia e a sustentabilidade.

O projeto realiza oficinas sobre literatura nas escolas de educação básica e cada ação termina com um gênero. Na ação anterior, foi trabalhado contos na Escola Estadual Mário Barbosa. Neste ano, na Escola Estadual Dom Pedro II o gênero foi poesia, que também foi uma demanda da escola.

“A construção é uma parceria com a escola. Nós realizamos oficinas de literatura, de poesia, de poemas e aí esses alunos se sentiram motivados a serem protagonistas e escreverem suas próprias poesias. Eles escreveram e a partir delas,  ilustraram também. Nós fizemos uma reunião desses poemas e organizamos todos em um e-book”, explicou Liliane Afonso.

Os temas dos poemas estão ligados diretamente ao contexto amazônico, levando em conta a cultura e a preservação do meio ambiente.

O lançamento oficial do e-book ocorreu na última quinta-feira, 12, no campus Belém, e contou com a colaboração da coordenação adjunta do Projeto Semeando Textos, professora Thaís Amorim, do professor Jany Eric Queirós, coordenador do curso de Letras da Ufra, campus Belém, bolsistas e voluntárias do projeto, Claudilane, Laila e Giulia. 

O e-book ‘Semeando poesia na Amazônia nossa de cada dia’ reúne 52 autores e está disponível gratuitamente no site da EduCapes.

*Com informações da UFRA

Cogumelo tóxico é encontrado em áreas urbanas de Santarém e pesquisadores fazem alerta

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Foto: Daniel Marinho/Acervo pessoal

O cogumelo tóxico conhecido como Chlorophyllum molybdites foi encontrado pela primeira vez em Santarém por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A pesquisa é resultado do trabalho de conclusão de curso (TCC) de Daniel Marinho, aluno de graduação em Ciências Biológicas do Instituto de Ciências da Educação (Iced). Ele contou com a orientação dos servidores Marcos Santana e Eveleise Canto, ambos do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA).

A espécie de cogumelo é considerada tóxica e ocorre no Brasil, com acúmulo de registros na região Sul do país, onde ocorrem casos de intoxicação por ingestão acidental, provavelmente por ser confundida com espécies comestíveis. Na região amazônica, esse cogumelo tem poucos registros de ocorrência e ainda não há informações nos meios oficiais de casos de intoxicação por ingestão acidental da espécie.

Com o trabalho de pesquisa, os autores contribuíram para o aumento de conhecimento sobre o cogumelo, ampliando sua distribuição geográfica e fornecendo uma descrição morfológica detalhada (característica/estrutura) dos espécimes encontrados, o que pode ajudar no reconhecimento e prevenção de acidentes.

No estudo, os pesquisadores observaram que a espécie parece ter preferência por áreas antropizadas, ou seja, as transformadas pela ação humana, com interferência na vegetação, solo e/ou relevo. Na zona urbana de Santarém, pode crescer nos quintais e gramados e não representa grandes problemas, pelo contrário, ela está lá decompondo a matéria orgânica e contribuindo com o ciclo de nutrientes, atividade importante para o meio ambiente. Além disso, pode ser observada e admirada, pois produz cogumelos muito bonitos.

Foto: Reprodução/Acta Amazonica

Santana ainda destaca a importância do trabalho para o conhecimento da Funga (diversidade de fungos de uma região), principalmente dos fungos da Amazônia brasileira, especialmente da diversidade paraense, além de mostrar o valor da interação entre os institutos.

Para Santana, “o ponto central do estudo é o relato, pela primeira vez, da ocorrência dessa espécie no estado do Pará, o que acrescenta dados de conhecimento sobre essa espécie para a Amazônia. Existem maiores pontos dessa espécie em outras regiões brasileiras, mas na Amazônia é pouquíssimo relatada, quase não se tem conhecimento sobre isso, e o que se tem está muito restrito a amostras com problemas de má conservação, com problemas de identificação, entre outros fatores que podem limitar o avanço das pesquisas”.

Durante o trabalho de pesquisa foram coletados cogumelos em outras regiões do estado do Pará, como Oriximiná, mostrando que essa espécie de cogumelo pode ocorrer em vários lugares e conviver com as pessoas, às vezes sem serem observados. Um dos pontos de coleta desse cogumelo foi a Unidade Tapajós da Ufopa, além de trechos do canteiro central da Avenida Cuiabá e na estação científica da Ufopa em Curuá-Una. Todo material compõe descrição integral com riqueza de detalhes.

Para ele, embora a espécie Chlorophyllum molybdites possa ser perigosa, seu potencial toxicológico pode ser aproveitado. É importante frisar que o objetivo da pesquisa não é desencorajar as pessoas a serem curiosas sobre os fungos, os cogumelos; essa, por exemplo, é uma espécie bonita, grande e vistosa. O alerta é para que as pessoas não manipulem sem a devida orientação, mas é possível conviver com essas espécies.

As amostras coletadas para a pesquisa foram depositadas na Coleção de Fungos do Herbário HSTM da Ufopa, e os dados secundários já estão disponíveis nos bancos de dados de biodiversidade do país para ampla consulta; outras pesquisas para explorar o potencial toxicológico desse cogumelo já começaram.

Os pesquisadores registraram de forma oficial, além da defesa do TCC do aluno, por meio de publicação em revista científica. O trabalho de pesquisa foi publicado na mais recente edição da ACTA Amazônica, em formato de artigo, e recebeu o título “New occurrence data of the toxic mushroom Chlorophyllum molybdites (Basidiomycota, Agaricaceae) in the Brazilian Amazon region”. A revista é especializada na divulgação de conhecimento científico sobre a Amazônia e tem sede no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM).

O artigo chamou a atenção dos editores, sendo nomeado como a capa da edição, algo muito importante para visibilidade e divulgação da ocorrência desse cogumelo para evitar casos de intoxicação alimentar, como os registrados na região Sul do Brasil, e divulgação das pesquisas desenvolvidas com os fungos paraenses.

*Com informações da Ufopa

Pesquisadores da Alemanha coletam amostra de praga inédita em plantações de mandiocas no Amapá

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Pesquisadores da Alemanha durante coleta de amostras. Foto: Dulcivânia Freitas/Embrapa

Pesquisadores do Instituto Leibniz, da Alemanha, coletaram no Amapá, no dia 12 de dezembro, amostras da praga vassoura-de-bruxa Ceratobasidium theobromae – que atinge plantações de mandioca em cinco municípios do Estado. 

A praga foi encontrada pela primeira vez em terras indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Estado, por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em setembro deste ano. O fungo foi detectado também na Guiana Francesa. À época, o governo do Amapá decretou emergência. 

Leia também: Plantação de mandioca no Amapá registra praga inédita no país

Veja os municípios atualmente atingidos: 

  • Pracuúba
  • Amapá
  • Calçoene 
  • Oiapoque
  • Tartarugalzinho

O fungo causa uma redução na produtividade de mandioca, além de comprometer a qualidade dos produtos consumidos pela comunidade ou comercializados.

A Embrapa informou que o objetivo da visita era conversar com as comunidades atingidas e coletar o material para fazer uma comparação com os sintomas que afetam mandioca de fora do Brasil, especialmente em Laos, no Vietnã. 

Fases da visita técnica

A missão científica ocorreu de 11 a 13 de dezembro, participaram da ação o pesquisador Eder Oliveira, especialista em melhoramento genético, lotado na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, na Bahia); e colaboração da especialista Rosana Blawid, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

No primeiro dia da visita, os profissionais realizaram uma reunião de alinhamento na sede da Embrapa Amapá, na Zona Sul de Macapá, com os gestores e equipe técnica do centro de pesquisas, e com órgãos locais que atuam no monitoramento da praga, como a Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária no Amapá; e a Agência Estadual de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro).

Já no dia 12, os pesquisadores se reuniram para realizar as coletas das amostras. Os trabalhos foram realizados na comunidade da Montainha, do município de Tartarugalzinho e no Projeto de Assentamento Cujubim, no município de Pracuúba, ambos atingidos pela doença vassoura-de-bruxa. 

No último dia, os visitantes e técnicos locais reuniram-se na Embrapa Amapá, para alinhar os encaminhamos de ações para controle da nova vassoura-de-bruxa da mandioca.

De acordo com a Embrapa, os profissionais são referências mundiais em doenças de plantas. A coleta foi autorizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Os materiais devem ser analisados num laboratório da instituição, na Alemanha. 

Ainda segundo a Embrapa, a presença do fungo representa alto risco na redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento, este fungo não foi detectado em outros hospedeiros no Brasil.  

Nota técnica Embrapa 

Em setembro, quando o fungo foi detectado, a Embrapa divulgou uma nota técnica sobre o assunto. No documento, a empresa detalhou que o transporte de produtos agrícolas entre as regiões pode ter espalhado o fungo, assim aumentando o risco de infecção em outras áreas.

Entenda mais sobre a praga 

Pesquisadores da Alemanha durante coleta de amostras. Foto: Dulcivânia Freitas/Embrapa

Conforme a Embrapa, a transmissão do fungo pode acontecer através de materiais de manuseio das plantas, como ferramentas de corte e poda, que estejam infectadas, além da movimentação de solo e água.

Outros tipos de fungo semelhantes já apareceram no Amapá em frutos como o cupuaçu e em outras regiões do Brasil, como a crise do cacau do sul da Bahia nos anos 90. Mas a praga que afeta os plantios de mandioca especificamente foi registrada pela primeira vez.

A chefe de pesquisas da Embrapa, Cristiane Ramos, explicou que o fungo registrado na região norte, trata-se de uma praga quarentenária, que consiste em um organismo que a presença pode danificar ou destruir cultivos inteiros e ser um obstáculo na exportação, afetando diretamente a economia local.

Aspectos da planta infectada:

A doença Ceratobasidium theobromae (Rhizoctonia theobromae), leva o apelido por deixar a planta seca como uma vassoura de bruxa, deixando os ramos deformados, com nanismo, além da proliferação de brotos fracos e finos nos caules.

É comum após a evolução do vírus a presença da clorose, que deixa as folhas com uma aparência amarela esverdeada ou o ‘verde-pálido’.

Em seguida, vem a morte da gema apical, quando a temperatura é inferior a -2,2ºC, durante 3 horas ou a morte descendente, quando todos os órgãos da planta são atingidos pela praga.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica Amapá