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Família de Rondônia viaja pela América Latina de carro: ‘O nosso quintal é o mundo’

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Fábio Rodrigues, Silvane Alves e o filho do casal, Fábio Júnior são de Rondônia. — Foto: Arquivo pessoal.

Há quase dois anos, o casal de jornalistas Fábio Rodrigues e Silvane Alves tomou uma decisão radical: trocar a estabilidade de uma casa fixa para viver sobre rodas com o filho de três anos. Desde novembro de 2023, eles cruzam o diversas estradas com o objetivo de conhecer estados e países.

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“Queríamos sair da rotina e descobrimos nisso a felicidade extrema. Gostamos de sentir o clima, os sotaques, as comidas e os costumes regionais de cada lugar”, relata Fábio.

O casal, que tem residência em Ji-Paraná (RO), decidiu alugar o imóvel e transformar o carro em um novo lar para cair na estrada. Desde então, essa tem sido a rotina.

Até agora, a família já visitou cerca de 45 cidades nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte do Norte, além de municípios da Argentina e do Paraguai. A jornada se tornou um estilo de vida. “O nosso quintal é o mundo!”, enfatiza Fábio.

Leia também: Turismo ecológico: saiba o que fazer no Vale das Cachoeiras, em Rondônia

Adaptação

Apesar da sensação de liberdade que a aventura trouxe, Fábio relata que nem tudo são flores. Por conta do risco de morar dentro de um automóvel, o casal teve que se adaptar para garantir segurança durante as viagens.

Família de Rondônia
Família de passagem por Porto Velho, Rondônia — Foto: Arquivo pessoal.

“Preferimos pernoitar próximo de postos da PM, PRF, PF, e em postos de combustíveis 24 horas, onde geralmente se abrigam caminhoneiros. Usamos os postos de combustível para tomar banho, ir ao banheiro e dormir, por ser mais seguro”, conta.

Segundo ele, o novo estilo de vida também traz algumas vantagens, como não pagar energia, água ou aluguel, o que ajuda a remanejar os valores para o combustível.

A viagem tem se tornado marcante não apenas pelas paisagens, mas também pelas histórias que cada destino proporciona, como conhecer figuras famosas, incluindo atores, jornalistas e até mesmo o presidente da república.

Leia também: Centenas de jacarés atraem curiosos e ajudam projeto de turismo comunitário em reserva de Rondônia

Livro a caminho

O casal pretende conhecer todos os estados e capitais brasileiras e países da América Latina. De passagem por Porto Velho, a família se prepara mais uma etapa da jornada, rumo a Palmas e em seguida desbravar a região Nordeste.

“Nosso sonho agora é comprar um motorhome [veículo que é uma casa sobre rodas] para ter mais conforto com a família durante a viagem. Também pretendemos aumentar a família”, confessa Fábio.

E para quem pensa que apenas desbravar o país e a América Latina de carro vai ficar apenas na memória, aqui vai um spoiler: o casal pretende transformar as histórias em um livro com as fotos e fatos vivenciados durante a viagem.

*Por g1 RO

Instituto Militar de Engenharia apresenta projeto de implantação do Instituto de Pesquisa do Exército na Amazônia

Foto: Luara Baggi/MCTI

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, recebeu no dia 11 de junho, em Brasília, o General de Divisão Juraci Ferreira Galdino, comandante do Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército Brasileiro. O tema da audiência foi o processo de implantação do Instituto de Pesquisa do Exército na Amazônia (IPEAM), com sede prevista para Manaus (AM). Durante a reunião, o general apresentou detalhes do projeto, que integra o planejamento estratégico do IME, no âmbito do programa IME 1000.

“Estamos procurando apoio para implantar esse sonho de trabalhar com ciência e tecnologia a serviço da Amazônia. Já temos imóveis disponíveis, planos para concursos públicos e previsão de 140 pessoas atuando no instituto em duas carreiras principais. Vamos começar com atividades de pós-graduação, pesquisa e extensão e, em uma segunda fase, também oferecer graduação”, explicou o general Juraci Galdino.

Entre as principais linhas de pesquisa estão inteligência artificial, tecnologias quânticas, biotecnologia e transição energética, com projetos estruturantes voltados a aplicações civis e militares. As metas incluem o desenvolvimento de sistemas de monitoramento ambiental com satélites e drones, redes quânticas seguras de comunicação, soluções híbridas de energia renovável e pesquisa farmacológica com base na biodiversidade amazônica.

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Durante o encontro, a ministra destacou a relevância do projeto e o alinhamento com as prioridades estratégicas do MCTI.

“Estamos falando de um projeto de grande fôlego, que dialoga com desafios centrais da nossa atuação: da biotecnologia à transição energética, da inteligência artificial às tecnologias quânticas”, afirmou Luciana Santos.

O projeto do IPEAM prevê, inicialmente, a adaptação de dois pavilhões do 4º Centro de Geoinformação do Exército (CGEO), totalizando 430m², e a construção de uma sede definitiva com cerca de 5 mil m². O orçamento estimado é de R$ 120 milhões.

A rede de pesquisadores já mobiliza instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e a Universidade do Estado da Amazônia (UEA), com produção científica acumulada de 400 publicações e patentes.

*Com informações do MCTI

Amazonas registra crescimento de quase 13% no número de turistas no 1° quadrimestre de 2025

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Amazonas registra crescimento no número de turistas. Foto: Daniel Rozas/Unsplash

Amazonas recebeu 132.559 turistas entre janeiro e abril de 2025, de acordo com a Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur). O número representa um crescimento de 12,92% em relação ao mesmo período de 2024, quando o número de visitantes foi de 117.396.

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Segundo dados do Departamento de Estatística da Amazonastur, do total de visitantes, 96.277 foram turistas nacionais, aumento de 9,93% em comparação aos 87.582 registrados no ano anterior. A movimentação de turistas internacionais também apresentou alta, passando de 26.329 em 2024 para 32.082 neste ano, sendo uma variação de 2,85%.

Leia também: Hotéis do Amazonas entram em ranking nacional avaliado por especialistas em turismo

Amazonas registra crescimento
Mercado Municipal Adolpho Lisboa, Amazonas — Foto: Tácio Melo/Amazonastur

Além disso, 4.200 visitantes não especificaram sua origem, ante 3.485 no mesmo período do ano anterior, um crescimento de 20,52%.

Os principais estados emissores no Brasil foram São Paulo, Pará e Rio de Janeiro. Entre os visitantes estrangeiros, se destacam os provenientes dos Estados Unidos, Colômbia e França.

Entre os destinos mais visitados por brasileiros estão Manaus, Presidente Figueiredo, Iranduba e Novo Airão. Já os turistas estrangeiros tiveram como principais destinos Manaus, Presidente Figueiredo, Novo Airão e Tabatinga.

Leia também: Vitrines do turismo no Norte, Pará e Amazonas registram aumento de visitantes internacionais

Atividades mais procuradas

Amazonas registra crescimento
O famosos Teatro Amazonas. Foto: Janailton Falco/AmazonasTur

A pesquisa também apontou as atividades mais procuradas pelos visitantes. Entre os turistas nacionais, se destacam a gastronomia regional, passeios pelos rios, compras de artesanato e visitas à floresta. Já entre os internacionais, há maior interesse por passeios fluviais, culinária local, trilhas e atividades de aventura na selva.

A intenção de retorno ao estado foi registrada em 92,16% dos turistas brasileiros e 73,68% dos estrangeiros. O índice médio de satisfação com a visita foi de 74,72% no público nacional e 74,83% entre os visitantes internacionais. A gastronomia local obteve alto índice de aprovação registrando 96,49% entre brasileiros e 96,30% entre estrangeiros.

*Por g1 AM

Amapá lidera estoques de biomassa na Amazônia, revela estudo

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Amapá lidera estoques de biomassa na Amazônia. Foto: Marcelino Guedes/Arquivo Pessoal

Um estudo inédito publicado na revista científica Sustainability, que tem sede na Suíça, revelou que as florestas do Amapá armazenam a maior quantidade de biomassa por hectare de toda a Bacia Amazônica. Essa biomassa é constituída de toda matéria vegetal proveniente de áreas florestais como a madeira, galhos e folhas.

Segundo os dados, o Amapá possui uma média de 537 toneladas de biomassa por hectare e se destaca por manter 84% de suas florestas em áreas protegidas.

Leia também: Biomassa do cavaco de acácia vira alternativa energética em Roraima

Como cerca de 48,5% da biomassa é carbono, segundo os pesquisadores, as florestas do Amapá se apresentam com a maior densidade de carbono de toda a Amazônia, com 260 toneladas de carbono por hectare. O número é mais que o dobro (124%) da média para a região amazônica, que é de apenas 116 toneladas de carbono por hectare.

Floresta Nacional do Amapá. Foto: Divulgação/INCT

A pesquisa foi liderada pelo pesquisador José Julio de Toledo, do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Participaram do trabalho outros 11 cientistas de outras universidades e institutos.

Para o pesquisador, isso contribui significativamente para a preservação e a mitigação das mudanças climáticas.

“É fundamental implementar ou fortalecer políticas públicas que respaldem a conservação dessas áreas, como a gestão comunitária e cadeias produtivas sustentáveis como óleos essenciais, frutos, sementes, etc. Ao combinar proteção legal, desenvolvimento econômico local e mecanismos de mercado, o Amapá pode consolidar-se como modelo mundial de uma floresta em pé que renova valor, reforça sua biodiversidade e mantém-se no centro da solução para a crise climática”, explicou o Toledo.

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Os pesquisadores utilizaram dados de levantamentos florísticos e técnicas de modelagem espacial avançada para gerar um mapa da concentração de biomassa nas florestas do Amapá. Os resultados mostraram que as florestas de terras baixas não inundáveis são as mais produtivas, seguidas pelas florestas submontana (em encostas e bases de montanhas) e de várzea.

Quarta expedição encontrou novo exemplar de árvore gigante em Mazagão. Foto: Rafael Aleixo/Arquivo GEA

Marcelino Guedes, engenheiro florestal da Embrapa Amapá, explicou que a existência de árvores gigantes no Platô das Guianas e no Vale do Jari, no Sul do estado, são exemplos de áreas com acúmulos de biomassa.

“A gente já tinha vários indícios mostrando realmente que no Vale do Jari, onde existem as árvores gigantes, a floresta é muito mais pujante. É uma floresta muito mais produtiva em termos de acúmulo de biomassa. Esse grande estoque de carbono sequestrado nessa floresta em pé ajuda a evitar e combater todos os problemas derivados da crise climática”, disse.

Leia também: Faixa de árvores gigantes é encontrada em unidade de conservação do Amapá

Os autores alertam que, para conservar esse importante estoque de carbono, é necessário reforçar a proteção das reservas, especialmente aquelas de uso sustentável, onde há concessões de manejo florestal.

Além disso, recomendam a implementação de políticas públicas que fortaleçam o combate ao desmatamento e incentivem iniciativas como o REDD+ e projetos de manejo florestal comunitário.

Pesquisa sobre biomassa e carbono na Floresta Nacional do Amapá. Foto: Divulgação

A pesquisa destacou o papel estratégico do Amapá no cenário ambiental global e reforça a necessidade de investimentos em conservação e desenvolvimento sustentável na região.

“Essa é uma conquista não só para a academia científica, mas para todo o povo amapaense. Nossas florestas são um tesouro natural de valor global, podendo atrair investimentos em conservação e desenvolvimento sustentável”, descreveu o pesquisador José Douglas, da Universidade do Estado do Amapá (Ueap).

Também participaram do trabalho pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Universidade Estadual de Roraima (UERR) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

A publicação está disponível para leitura em versão em inglês AQUI.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

IA se torna verde: Peru desenvolverá primeiro assistente de biodiversidade

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Foto: Reprodução/Agência Andina

Em um passo na direção à inovação tecnológica aplicada à proteção da natureza, o Peru será um dos países pioneiros no desenvolvimento de um assistente de biodiversidade alimentado por inteligência artificial (IA), uma plataforma de software de ponta que promete transformar o monitoramento da biodiversidade em áreas naturais protegidas (ANPs).

A iniciativa será realizada graças a uma aliança estratégica entre a WildMon e o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp), pelo prêmio concedido ao Centro de Conservação e Sustentabilidade do Zoológico Nacional Smithsonian e ao Instituto de Biologia da Conservação Smithsonian como parte do ‘AI Grand Challenge for Climate and Nature‘ concedido pelo Bezos Earth Fund.

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Como parte dessa conquista global, a equipe da Sernanp participou do desenvolvimento de uma proposta expandida para a Fase II, que culminou em uma reunião de trabalho em Porto Rico, centro de operações da WildMon. Esta iniciativa busca avançar no uso de inteligência artificial para processar e analisar informações para a gestão adequada de áreas protegidas.

Um ‘Assistente de Biodiversidade’ é uma ferramenta digital inteligente que integra informações essenciais de quatro fontes principais: DNA ambiental (eDNA), armadilhas fotográficas, monitoramento acústico e dados de observação por satélite. Essa combinação permitirá a detecção de espécies, o mapeamento de ecossistemas e o monitoramento de mudanças com maior velocidade, precisão e eficiência.

Leia também: Áreas de conservação regionais no Peru: o que são e como protegem a Amazônia?

Foto: Divulgação/ Andina

Um salto tecnológico

O processamento e a análise de dados para monitorar a biodiversidade na Amazônia podem levar de quatro a seis meses. Com este novo sistema baseado em IA, esse tempo será reduzido para 30 dias, permitindo uma resposta mais rápida a ameaças ambientais, como perda de habitat, caça ilegal ou os efeitos das mudanças climáticas.

Além do seu valor tecnológico, esta ferramenta impulsionará a capacitação local, já que cientistas, guardas florestais, técnicos e jovens profissionais peruanos ganharão novas habilidades para liderar a conservação desde a base.

Leia também: NASA busca proteger onças-pintadas no Peru com ajuda de satélites

Uma visão compartilhada

Este projeto representa um marco não apenas para o Peru, mas também para a comunidade global que busca soluções inovadoras para a crise climática. De acordo com o governo peruano, ser selecionado pelo Fundo representa o reconhecimento do potencial da aplicação de ciência, dados e tecnologia para proteger a vida selvagem e os ecossistemas mais valiosos do mundo.

O Sernanp possui mais de 80 protocolos de monitoramento de espécies nos PNAs administrados nacionalmente, que buscam gerar informações para o manejo da vida selvagem com espécies como o urso-de-óculos, o jacaré-branco, o peixe-boi, o galo-das-rochas, o cedro, a castanha, entre outras.

Além disso, mais de 25 áreas naturais protegidas têm seus respectivos protocolos de monitoramento de ecossistemas.

*Com informações da Agência Andina

Vitrines do turismo no Norte, Pará e Amazonas registram aumento de visitantes internacionais

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Mercado Ver-o-Peso é um dos atrativos de Belém. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A região Norte do Brasil vive um momento de destaque no cenário internacional. Com a Amazônia cada vez mais no centro das atenções globais e a proximidade da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), estados como Pará e do Amazonas se consolidam como importantes vitrines do turismo sustentável brasileiro. Reflexo disso é o crescimento expressivo no número de visitantes internacionais registrado entre janeiro e maio deste ano.

De acordo com levantamento do Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Polícia Federal, o Pará recebeu 10.659 turistas estrangeiros nos cinco primeiros meses de 2025, um aumento de 27% em relação ao mesmo período de 2024, quando o estado contabilizou 8.388 visitantes. Já o Amazonas registrou 14.653 turistas internacionais, frente a 12.347 no ano anterior, o que representa um crescimento de 18,7%.

Leia também: Veja reações de gringos com vídeos sobre a cultura amazônida

Para o ministro do Turismo, Celso Sabino, os resultados refletem o fortalecimento da imagem do Brasil no exterior e o empenho do Governo Federal em posicionar o país como um destino de referência.

“No acumulado dos últimos dois meses, já chegamos a 4,8 milhões de visitantes internacionais, um recorde histórico. Nem quando o Brasil sediou a Copa de 2014 recebemos tantos estrangeiros. O Brasil — que tem seus atrativos divulgados pelo presidente Lula em todas as suas viagens internacionais — nunca havia ultrapassado a marca de 7 milhões de turistas em um único ano”, ressaltou Sabino.

Mercado Adolpho Lisboa em Manaus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Os dados confirmam a boa fase do setor no país. No acumulado de janeiro a maio deste ano, o Brasil recebeu 4.887.229 visitantes internacionais, o que representa 70% da meta anual de 6,9 milhões de turistas, estabelecida no Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027.

O fortalecimento do turismo na região também é resultado de avanços regulatórios, como a aprovação da nova Lei Geral do Turismo em 2024, após mais de uma década de debates no Congresso Nacional. A legislação moderniza diretrizes, promove segurança jurídica e estimula novos investimentos, criando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de atividades turísticas em regiões como a Amazônia.

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COP30

A realização da COP30, em Belém, no mês de novembro, tem impulsionado a visibilidade internacional da Amazônia e contribuído diretamente para ampliar a conectividade aérea na região. Por meio de uma articulação entre o Ministério do Turismo, o setor privado e outros órgãos do governo federal, como o Ministério de Portos e Aeroportos, são fortalecidas rotas aéreas estratégicas, com foco em hubs como São Paulo e Brasília, o que facilita o acesso de turistas internacionais ao Norte do Brasil.

A companhia aérea LATAM, por exemplo, anunciou a antecipação, para agosto, da ampliação de suas operações em Belém, com aumento de 25% na oferta de assentos em comparação com o mesmo período de 2024. As principais rotas beneficiadas incluem:

• Belém–Guarulhos (SP): de 28 para 35 voos semanais
• Belém–Brasília (DF): de 10 para 14 voos semanais
• Fortaleza–Belém: de 7 para 12 voos semanais

Para o período da COP30, em novembro, a companhia ainda prevê novos voos internacionais e domésticos com foco na capital paraense, incluindo 3 voos semanais na rota Bogotá (Colômbia)–Belém e 2 voos semanais entre o Aeroporto do Galeão (RJ) e Belém. Com essas adições, a oferta total de assentos da companhia em Belém será 48% superior à registrada no mesmo mês do ano anterior.

*Com informações do Ministério do Turismo

Indígenas Munduruku buscam alternativas ao garimpo: criação de galinhas e farinha de mandioca

A proximidade com a cultura não-Indígena e a falta de alternativas econômicas fazem com que alguns jovens Mundurukus recorram ao garimpo ilegal. Foto: Júlia Mente/Greenpeace

“Vamos continuar enxugando gelo”, disse Toya Manchineri, referindo-se ao esforço do governo federal para expulsar garimpeiros ilegais de dois territórios Munduruku no Pará. Se os órgãos públicos não se mantiverem presentes após a operação, “o governo vai colocar os garimpeiros para fora e eles vão voltar”, disse à Mongabay o coordenador geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em entrevista por telefone.

Mas a falta de vigilância territorial não é o único atrativo para os garimpeiros. Segundo líderes indígenas, a precariedade da assistência de saúde e a falta de apoio econômico também criam solo fértil para atividades ilegais, tornando os indígenas dependentes da exploração de ouro.

Para afastar de vez as comunidades do garimpo, indígenas e ONGs buscam fontes alternativas de renda nas terras Munduruku. Os projetos em andamento focam na produção de farinha de mandioca, no fortalecimento do artesanato e na criação de galinhas caipiras, uma proteína alternativa aos peixes contaminados pelo mercúrio na região. Sem projetos que gerem renda para as famílias, “tudo vai continuar do mesmo jeito”, disse João Kaba, presidente da Associação Indígena Pusuru.

Desde o início do governo Lula, em janeiro de 2023, o governo federal realizou operações para a retirada de invasores em oito territórios indígenas localizados em quatro estados, incluindo as terras indígenas Yanomami em Roraima e Arariboia no Maranhão. O caso mais recente é o da Terra Indígena Kayapó, no Pará, cuja operação teve início na primeira semana de maio. Em vários casos, as operações responderam a uma decisão do Supremo Tribunal Federal que obrigou as autoridades a protegerem essas comunidades.

Leia também: Quem são os Yanomami? Conheça um dos maiores povos indígenas da Amazônia Internacional

No caso do povo Munduruku, as ações se concentraram nas Terras Indígenas Sai-Cinza e Munduruku, que juntas formam uma área quase do tamanho de Alagoas onde vivem mais de 11 mil indígenas. Localizados nos municípios de Jacareacanga e Itaituba, conhecidos como o epicentro do ouro ilegal na Amazônia, esses territórios têm uma presença histórica de garimpeiros.

Quando a operação começou em novembro de 2024, as autoridades mapearam mais de 7 mil hectares de minas ilegais e 21 pistas de pouso clandestinas. Após a ofensiva policial, o número de minas ativas despencou para zero, de acordo com as autoridades. As ações das forças federais desencadearam prejuízos no valor de R$ 112,3 milhões aos garimpeiros, incluindo a aplicação de multas e apreensões e destruição de maquinário. O governo prometeu manter o patrulhamento e o monitoramento da região para evitar o retorno dos garimpeiros.

Líderes indígenas, no entanto, estão céticos quanto à eficácia dessas medidas, especialmente se não houver apoio dos órgãos públicos para oferecer novas fontes de renda às comunidades. “Os garimpeiros aliciam as lideranças em troca de combustível e cestas básicas”, disse Alessandra Korap, líder Munduruku e presidente da Associação Indígena Pariri.

“O governo simplesmente tirou o garimpo, mas não trouxe comida, agricultura familiar, saúde, educação”, disse ela à Mongabay em entrevista durante o Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, em Nova York.

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Paulo Basta, pesquisador do principal centro federal de pesquisa em saúde do Brasil, a Fiocruz, afirma que é comum os garimpeiros presentearem lideranças com geradores de energia ou motores de barco, ou até mesmo fornecerem socorro durante emergências médicas.

“Quando a mulher do cacique está doente, o garimpeiro faz o translado até o hospital da cidade para fazer o atendimento”, disse o médico, que coordena estudos sobre contaminação por mercúrio no território Munduruku há mais de 10 anos. “O garimpo vai beneficiando algumas lideranças em detrimento da comunidade que não quer o garimpo ali, e isso gera conflitos sociais”.

A ação da força-tarefa federal nas terras indígenas Munduruku começou em novembro de 2024 e desencadeou um prejuízo de R$ 112,3 milhões aos garimpeiros. Imagem cortesia da Secretaria de Comunicação Social do governo federal.

Segundo as lideranças, a longa convivência com os não-indígenas e a proximidade com os centros urbanos também criaram novas necessidades de consumo na população Munduruku, especialmente para os mais jovens. “Os indígenas caçam e pescam, mas eles precisam comprar outras coisas porque não vivem mais como antes”, disse Kaba à Mongabay por telefone. “Eles agora caçam com espingarda, não mais com flechas. Às vezes, eles também precisam comprar arroz, óleo de soja, anzóis, malhadeira e combustível para rodar o motor do barco”.

Seis associações indígenas destacaram as mesmas preocupações em uma carta pública divulgada em dezembro de 2024. Elas exigiram um plano pós-operação e investimentos para que as regiões “abandonem o garimpo e atividades predatórias, fortalecendo alternativas socioeconômicas”.

Segundo Nilton Tubino, líder da força-tarefa federal nas terras Munduruku, uma pequena minoria das comunidades está envolvida com a mineração ilegal. Às vezes, um líder indígena cobra uma taxa para permitir que garimpeiros explorem uma área; em outras situações, os indígenas servem como mão de obra, disse ele, acrescentando que são raros os casos em que os indígenas administram uma pequena mina de ouro.

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“A mineração é um atrativo. Eles pegam um jovem [Munduruku] e pagam a ele R$ 4 mil, R$ 5 mil, R$ 6 mil por mês. Não tem outra atividade econômica que pague esse valor”, disse Tubino, destacando também “o acesso às coisas que os garimpeiros dão, como celulares, armas e bebida”.

Em comunicado à Mongabay, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) disse que o eixo central da desintrusão é “a garantia da continuidade do Estado nos territórios”. Segundo o ministério, a Terra Indígena Munduruku é um dos 15 territórios que receberão apoio para implantar projetos de gestão territorial e ambiental, “a fim de promover proteção territorial, soberania alimentar, geração de renda sustentável, fortalecimento institucional e preservação das culturas e tradições indígenas”.

A Terra Indígena Sai-Cinza, onde a operação também ocorreu, não faz parte do programa federal. O MPI não detalhou os projetos a serem desenvolvidos nem quando eles começarão a ser implementados. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) não respondeu aos pedidos de informação da Mongabay.

As alternativas

Enquanto isso, organizações indígenas lutam para encontrar suas próprias soluções com o apoio da sociedade civil. As associações Pusuru e Pariri têm trabalhado para fortalecer a produção de farinha de mandioca vendida nos mercados da cidade.

As associações de indígenas Munduruku tentam encontrar alternativas ao consumo de peixe, que está contaminado por mercúrio usado no garimpo. Imagem cortesia do Coletivo Audiovisual Wakoborũn

“É um projeto no valor de R$ 45 mil para comprar equipamentos como um forno e um motorzinho para ralar a mandioca. Mas são mais de 180 aldeias e conseguimos doar só para 20 aldeias”, disse Kaba. “A gente precisa buscar mais projetos”.

Outra iniciativa é a criação de galinhas caipiras, que podem ser vendidas fora da comunidade e também servem como fonte alternativa de proteína na dieta dos indígenas. Estudos da Fiocruz mostraram que o mercúrio usado pelos garimpeiros contaminou os rios e os peixes consumidos pelo povo Munduruku; os testes mostraram níveis alarmantes da substância. “Estamos fazendo o trabalho do estado, perfurando poços, promovendo a criação de galinhas… porque a gente sabe que os peixes estão contaminados, e querem nos proibir de comer peixes”, disse Alessandra Korap.

A Associação de Mulheres Munduruku Wakoborũn também está buscando alternativas. O grupo produziu o documentário Awaydip Tip Imutaxipi (A Floresta Doente), que mostra os impactos da mineração ilegal no território. As mulheres também estão fortalecendo a Associação Poy, criada em 2022 para apoiar alternativas econômicas sustentáveis. Segundo a Wakoborũn, o grupo trabalha com a coleta e venda de óleo de copaíba, a venda de farinha de mandioca e o artesanato feito com sementes coletadas na floresta; parte dessas chamadas biojoias são vendidas em uma loja na cidade turística de Alter do Chão.

“A associação procura uma solução, como projetos de plantação, criação de galinhas e assim por diante”, disse Hidelmara Kirixi, uma das coordenadoras da Wakoborũn, em entrevista por video chamada. “Mas alguns parentes acabam sendo influenciados pelo garimpo por causa do dinheiro”.

A Associação Indígena Pusuru recebeu recursos das Nações Unidas para promover a criação de galinhas em comunidades Munduruku. Imagem cortesia da Associação Pusuru

O escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Drogas e Crime no Brasil e a Comissão Pastoral da Terra apoiam as associações indígenas com o Projeto Tapajós, criado em 2021 para prevenir que comunidades tradicionais trabalhem nos garimpos em condições análogas à escravidão. Segundo a ONU, o projeto beneficiou 190 famílias Munduruku com a implementação de aviários e casas de beneficiamento de farinha, ofereceu cursos de formação para a criação de associações voltadas para a bioeconomia e agrofloresta, além de ter apoiado a reestruturação de um centro de artesanato indígena na aldeia Praia do Índio, no centro de Itaituba.

O escritório da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil está ajudando a fortalecer associações indígenas para que as comunidades não recorram ao garimpo ilegal. Imagem cortesia de André Picolotto/UNODC

As promessas dos créditos de carbono

O garimpo não é a única atividade que empurra os indígenas para perto de organizações criminosas que destroem suas florestas, afirmam as lideranças. Madeireiros ilegais, pecuaristas e grileiros também estão constantemente ameaçando as lideranças e invadindo territórios tradicionais na Amazônia, que virou foco do crime organizado.

“A grande maioria [dos indígenas] que se junta ao garimpo ou narcotráfico são jovens que precisam de apoio para comprar as coisas que eles querem. É muito fácil entrar nessa jogada quando te oferecem um recurso que parece muito fácil”, disse Manchineri, da Coiab. Segundo ele, a organização tem trabalhado para evitar esse tipo de recrutamento por meio do fortalecimento das associações indígenas locais e das identidades culturais e econômicas das comunidades. “O que a gente trabalha com as comunidades é que não é preciso inventar a roda. Se a comunidade trabalha com artesanato, por exemplo, então vamos fortalecer o que a comunidade já faz”.

Empresas de crédito de carbono também aumentaram o assédio aos indígenas nos últimos anos, oferecendo dinheiro para assinar contratos de longo prazo. Em troca, obtêm o direito de vender os créditos gerados a partir daquela área de floresta. No entanto, o que poderia ser uma fonte de renda sustentável, em muitos casos tem se mostrado um negócio controverso. Contratos injustos e acordos assinados às pressas, sem consultar toda a comunidade, levaram a disputas em territórios como o Kayapó e o Alto Rio Guamá, no Pará, e Parintintin, no Amazonas.

“Os governos dos estados veem o crédito de carbono como se isso fosse resolver a situação dos territórios, mas não resolve”, disse Manchineri. “É um pequeno recurso, então tem que ter várias outras iniciativas para fortalecer as ações nos territórios indígenas”.

O contrato de venda de carbono do governo do Pará foi criticado por associações indígenas e está sendo questionado pelo Ministério Público Federal. Imagem cortesia da Secretaria de Meio Ambiente do Pará.

No Pará, o governador Helder Barbalho assinou um contrato de R$ 1 bilhão para vender créditos de carbono a uma coalizão internacional dos governos dos EUA, Reino Unido e Noruega. Barbalho prometeu compartilhar parte dos lucros com as comunidades tradicionais, mas o Ministério Público Federal no Pará ingressou com uma ação para cancelar o acordo, sob o argumento de que a lei brasileira proíbe a venda antecipada de créditos e que a fixação de um preço para os créditos em contrato “pressiona o processo de aprovação do sistema e gera assédio às comunidades afetadas”.

A questão divide os líderes Munduruku. Alessandra Korap, por exemplo, denunciou consistentemente as abordagens de empresas de crédito de carbono. Em 2024, ela foi uma das signatárias de uma carta repudiando o contrato do governo do Pará: “é inaceitável que o governo do estado do Pará tome decisões sem consultar as comunidades tradicionais, que são as maiores protetoras das florestas”.

Outros líderes, no entanto, veem os créditos de carbono como uma alternativa econômica promissora. “Mais da metade dos caciques das aldeias se interessaram pelo projeto do estado do Pará”, disse Kaba, referindo-se às 180 aldeias da Associação Pusuru. “Vivemos na floresta, e os satélites mostram que a floresta está bem protegida. Mas os satélites não veem as pessoas que estão lá na floresta. E, muitas vezes, não sabem como essas pessoas estão, do que precisam, se estão comendo bem, se têm alguma renda”.

Reportagem adicional de Latoya Abulu.

Fernanda Wenzel é repórter investigativa baseada em Porto Alegre. Ex-bolsista do Pulitzer Center, ela cobre temas como grilagem de terras na Amazônia, cadeia da pecuária na Amazônia, garimpo de ouro e violações aos direitos de indígenas e quilombolas. As matérias de Wenzel foram publicadas por veículos brasileiros e internacionais como CNN, BBC, The Guardian, Folha de São Paulo e Intercept Brasil. Encontre-a no Instagram<𝕏 e Bluesky.

Karla Mendes é repórter investigativa da Mongabay no Brasil e é membro do Rainforest Investigations Network do Pulitzer Center. Ela é a primeira brasileira e latinoamericana eleita para a diretoria da Society of Environmental Journalists (SEJ), dos Estados Unidos, onde ela também foi eleita Vice-Presidenta de Diversidade, Equidade e Inclusão. Leia outras matérias publicadas por ela na Mongabay aqui. Encontre-a no InstagramLinkedInThreads𝕏 e Bluesky.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Fernanda Wenzel e Karla Mendes

Como mulheres indígenas de diferentes territórios lideram negócios com respeito ao meio ambiente

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Nice Tupinambá, curadora da Casa Ikeuara da Amazônia. Foto: Divulgação

Nas margens do Rio Negro, em um cenário onde a natureza dita o ritmo da vida, fica a aldeia Três Unidos, na capital do estado do Amazonas, Manaus. É nesse território que Neurilene Cruz, liderança Kambeba e chef de cozinha, não apenas serve pratos, mas tece uma história de resiliência e empreendedorismo que reverbera a sabedoria de seus antepassados.

“Mostrar o meu trabalho é mostrar a minha avó”, declara Neurilene, enquanto seus preparos, como o pane, a mojica e a pupeca, se transformam em narrativas ancestrais contadas com farinha, peixe e folha de bananeira, conexão do paladar à rica herança cultural de seu povo.

O empreendedorismo em Três Unidos vai além da culinária. Neurilene articula também a produção artesanal da comunidade. Com 26 indígenas, em sua maioria mulheres, elas transformam sementes e madeiras da floresta em biojoias e objetos que impulsionam a bioeconomia local. A comunidade conta ainda com uma pousada e um hostel. O polo construído pela comunidade é uma iniciativa coletiva, autogerida e que garante renda vital para as mulheres da aldeia, e suas famílias. “Quanto mais eu me conecto com essa realidade, com esse mercado atual, pra mim é melhor, pois é a minha cultura sendo mostrada para o mundo”.

Para a líder indígena, essa rede de produção é um testemunho da capacidade de inovar a partir de saberes milenares. Contudo, a vida na aldeia, ligada à natureza, é também uma jornada de superação diante de desafios concretos. “Hoje estou enfrentando uma cheia dentro da minha comunidade, que está chegando ao topo, com muita água. Assim como há dois anos, já perdi clientes por causa da seca severa que enfrentamos”, relata Neurilene, evidenciando como as mudanças climáticas impactam diretamente o sustento da comunidade.

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Neurilene Kambeba. Foto: Divulgação

Um movimento de redescoberta e afirmação

A história de Neurilene não é isolada. Em todo o Brasil, mulheres indígenas estão na linha de frente de um movimento crescente que busca conciliar a geração de renda com a valorização cultural e o respeito ao meio ambiente a partir de seus saberes ancestrais.

Em São Paulo, mulheres guarani da Terra Indígena Jaraguá desenvolvem artesanato, cosméticos naturais e alimentos tradicionais que são vendidos em feiras e espaços culturais da capital. Já na Bahia, mulheres Pataxó articulam cadeias produtivas ligadas à pesca, ao artesanato e ao turismo de base comunitária, conectando suas práticas ao fortalecimento da autonomia territorial e econômica.

É um caminho recente, e promissor, que busca atrelar a luta dos povos tradicionais a uma fonte de renda. Por outro lado, o empreendedorismo entre populações indígenas enfrenta barreiras significativas, como a ausência de capital econômico, desconfiança histórica e os conflitos com a sociedade de consumo.

Nice Tupinambá, por exemplo, é uma dessas pioneiras. Antes de suas biojoias cruzarem o Brasil como símbolos de beleza e resistência, ela ouviu as mulheres mais velhas de sua comunidade. Aprendeu que o tempo da floresta não se apressa e que as mãos que colhem também sabem criar. Hoje, suas produções, feitas com sementes e fibras da floresta, circulam em feiras e eventos em outros estados, com a estética e os valores do território Tupinambá para além da aldeia. “Nosso trabalho não é menos importante, mas precisa ser reconhecido”, cita.

Para lidar com a complexidade do mercado não-indígena, Nice fundou a Casa Ikeuara da Amazônia, em Belém (PA). O espaço físico também funciona como uma ponte de escoamento e curadoria cultural indígena. Hoje, ela atua como curadora do espaço, criado a partir da necessidade de um ponto cultural e de arte indígena na cidade. Embora seja um projeto de gestão pessoal, a iniciativa conecta diversos artistas e artesãos indígenas, oferecendo oportunidade de escoar suas produções.

“No nosso caso, estamos começando agora a lidar com economia, com empreendedorismo, mas a nossa realidade é diferente”, explica. Ela exemplifica as dificuldades enfrentadas no processo: “Tirar, por exemplo, uma peça de madeira de dentro de um território até a Casa Ikeuara da Amazônia para que ela possa ser vendida tem um custo, tem uma burocracia, tem uma dinâmica que não é a mesma de qualquer outra coisa que não seja indígena”.

Casa Ikeuara da Amazônia, em Belém. Foto: Divulgação

Na contramão da lógica de produção em massa, a multiartista e designer de origem indígena Sofia Gama aposta em criações únicas, feitas sob medida ou locadas para artistas e fotógrafos. Suas roupas e objetos não seguem coleções sazonais e têm circulação reduzida. “Acredito que a sustentabilidade é também uma recusa ao desperdício de gente, de história, de tempo”, diz.

Para ela, repensar o consumo passa por romper com os ciclos de obsolescência da moda. “Os materiais que utilizo são pautados por um tempo mais lento que o geral da indústria da moda. Gosto de dizer que é o tempo da terra”, afirma. “Acredito que a sustentabilidade é também uma recusa ao desperdício de gente, de história, de tempo”.

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Para a professora Kavita Miadaira Hamza, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), especialista em sustentabilidade e ética em marketing, esse encontro entre ancestralidade e inovação não é acidental, mas “estrutural”. Ela aponta que “não se trata de encaixar essas iniciativas dentro do mercado como ele é, mas de transformar o próprio mercado a partir desses saberes”, indica. “Os empreendimentos indígenas oferecem lições valiosas. É inovação que nasce do respeito ao tempo da floresta”.

Bioeconomia e desafios

Na comunidade de Neurilene Cruz, em Manaus, a bioeconomia faz parte do dia a dia, mas também representa um desafio constante. A instabilidade climática, com cheias e secas severas, paralisa a produção e afasta o turismo, uma das principais fontes de renda local. “Não posso conservar meu alimento, tem que ser tudo fresquinho. Por uma parte é bom, mas por outras vezes, estrago o alimento”, lamenta Neurilene, ao apontar a falta de energia elétrica como uma barreira concreta para manter seu restaurante funcionando.

A precariedade na infraestrutura também afeta diretamente o trabalho de Nice Tupinambá. Mesmo produzindo biojoias sustentáveis, ela lida com limitações diárias que comprometem o crescimento do negócio. “Sem estrada, sem internet, sem energia, a gente não consegue expandir”, reforça. As dificuldades enfrentadas pelas mulheres também passam pela formalização dos seus negócios.

“É complicado começar quando o artesão, o artista, ainda não tem CNPJ, sabe? E às vezes mal fala o português. Escrever já é uma dificuldade, porque o português é uma língua muito difícil de se escrever”, relata Nice.

Ela destaca a importância de um diálogo mais profundo sobre os desafios enfrentados pelos povos indígenas. Para ela, ainda é necessário discutir com mais clareza o funcionamento do mercado, a participação indígena na economia, além das dimensões espirituais e culturais envolvidas. Ressalta, ainda, que muitos elementos da cultura indígena não podem ser comercializados, devido à ação predatória histórica dos não indígenas, inclusive sobre o próprio nome indígena.

Kavita reforça que “as comunidades aceitam o que a floresta oferece e comercializam o que é possível coletar, armazenar e processar.” Essa lógica, que ela chama de “empurrada pela floresta” em contraste com a lógica tradicional da “demanda de mercado”, propõe uma inversão: não é a demanda que determina a produção, mas sim a oferta consciente e sustentável do território.

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O consumidor brasileiro está mais atento. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em outubro de 2024, 88% dos brasileiros afirmam adotar cinco ou mais práticas sustentáveis no dia a dia. Além disso, 85% acreditam que a indústria deve investir em soluções sustentáveis, e 66% consideram as mudanças climáticas um problema muito grave. “Plataformas precisam ser construídas, onde as organizações comunitárias indígenas possam ter contato direto com empresas compradoras”, completa Kavita.

Nice também desafia o mercado tradicional. “A gente precisa de investimento que respeite nosso tempo e nossas formas. Não adianta trazer grandes investidores se eles não entendem o valor do que a gente faz”, afirma. Em sua visão, o valor do trabalho está em respeitar os ciclos naturais e a autoria coletiva do território.

A estilista de origem indígena Sofia Gama. Foto: Divulgação

Encurtando distâncias

Com aproximadamente 2.465 quilômetros longe da floresta, em plena São Paulo, a nutricionista paraense Carol Vilanova criou a Flor de Jambu com um propósito claro: encurtar distâncias entre as comunidades indígenas produtoras da Amazônia e os mercados urbanos brasileiros. Com a própria articulação indígena, hoje, as produções impactam outros mercados e consumidores urbanos.

A ideia surgiu da própria vivência de Carol, ao se deparar com a dificuldade de encontrar alimentos básicos da sua terra natal. “Tucupi, jambu, farinha boa. Tudo parecia tão distante”, lembra. A partir desse incômodo, nasceu a proposta de um negócio que não apenas facilitasse o acesso a ingredientes da sociobiodiversidade amazônica, mas que também valorizasse quem os produz, especialmente comunidades indígenas e tradicionais.

“Ainda existe um certo desconhecimento sobre muitos ingredientes da Amazônia, ou uma visão muito exótica, que desconsidera o contexto e quem está por trás da produção”, explica Carol. Por isso, além de comercializar alimentos nativos, a empresa atua como plataforma de visibilidade para os povos da floresta, fazendo com que suas histórias acompanhem os produtos até as prateleiras das grandes cidades.

“Queremos que os produtores se vejam como protagonistas, não só como fornecedores, que se sintam valorizados, respeitados e donos da própria história”.

A atuação em rede com associações, cooperativas e empreendedores locais é parte essencial do modelo, e, segundo Carol, ganha ainda mais relevância no contexto da COP30, que será realizada em Belém. “É uma chance de mostrar pro mundo que aqui tem inovação, conhecimento tradicional, produtos incríveis e, principalmente, gente fazendo acontecer”.

COP30: disputa e protagonismo

A realização da COP30 em Belém coloca o Brasil no centro das negociações climáticas globais. Essa realidade de empreendedorismo, desafios e saberes ancestrais levanta perguntas urgentes: Quem lucra com a Amazônia? E quem realmente cuida dela?

Para as mulheres indígenas ouvidas nesta reportagem, o protagonismo só fará sentido se os povos da floresta forem ouvidos e estiverem presentes nas mesas de decisão. “Eles têm que levar pessoas que realmente vivam e que possam representar e que possam ter pessoas dizendo: ‘Eu vivi isso, eu moro dentro da Amazônia, eu moro na aldeia e vivo isso’”, afirma Neurilene. Sua defesa por representatividade não é simbólica, “é prática, urgente e real”.

A necessidade de maior inclusão dos povos indígenas, sobretudo das mulheres, também é evidenciada pelo levantamento “Sumário Executivo do Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas 2023-2024”. O estudo sobre o cenário corporativo apontou que, nos altos níveis hierárquicos das maiores empresas, o “perfil menos presente” é a mulher, negra ou indígena, com deficiência e LGBTQIA+.

Mulheres Kambeba empreenderam na gastronomia. Foto: Divulgação

As lideranças corporativas reconhecem essa baixa representatividade, atribuindo-a à ausência de programas de liderança que impulsionem esses profissionais para cargos mais estratégicos, à ausência de políticas, ações afirmativas e práticas de diversidade e inclusão, e, por vezes, à falta de qualificação profissional. Isso reforça a importância do caminho do empreendedorismo como alternativa e espaço de afirmação e autonomia para essas populações.

Sofia alerta para a distância entre o discurso institucional e a luta nos territórios. “No fundo, o desafio maior é estar em contato com a luta real acontecendo nos territórios indígenas que, muitas vezes é difícil de conciliar no mercado e afasta até mesmo outras questões de mercado que não querem se envolver nas questões mais complexas”, explica. “A bioeconomia indígena tem que ser discutida com quem realmente vive a floresta, com quem cuida dela, com quem depende dela para viver, não só com o mercado e com a indústria”, reforça Nice.

“Mostrar o meu trabalho é mostrar a minha avó”, repete Neurilene, e “com ela ecoam outras vozes, de outras florestas, outros rios, outras aldeias”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Lucas Veloso

Governo Federal anuncia investimento de R$ 32 milhões para combater incêndios na Amazônia e no Pantanal

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Objetivo, segundo o governo, é apoiar políticas públicas estruturantes e intersetoriais voltadas à mitigação dos impactos ambientais. Foto: Arthur Castro/Secom AM

O Governo Federal anunciou no dia 11 de junho o lançamento de um edital público para a prevenção e o combate dos incêndios florestais nos biomas Amazônia e Pantanal. O edital também prevê ações permanentes de educação socioambiental em territórios prioritários. O investimento é de R$ 32 milhões, com recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), este último vinculado à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A iniciativa tem o objetivo de apoiar políticas públicas estruturantes e intersetoriais voltadas à mitigação dos impactos ambientais provocados pelas queimadas. Esses acidentes atingem com frequência comunidades tradicionais, territórios indígenas, áreas de conservação ambiental e regiões com atividades econômicas locais. O governo afirma que a medida se trata “de uma resposta do Estado brasileiro aos desafios colocados pelas mudanças climáticas e pela pressão crescente sobre os ecossistemas amazônico e pantaneiro”.

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O chamamento público, lançado pelo FNMA com apoio técnico e financeiro do FDD, destina R$ 32 milhões exclusivamente ao fortalecimento de 81 municípios situados na chamada linha de fogo da floresta. Essa região é considerada de alta incidência de focos de calor, conforme levantamento de órgãos ambientais e técnicos do Governo Federal.

A ação está centrada na implementação dos Planos Operativos Municipais de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIFs), conforme determina a Resolução nº 2/2020 do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif).

Os recursos poderão ser aplicados em despesas correntes e de capital, desde que não envolvam execução de obras civis. Eles podem ser usados, por exemplo, para a compra de equipamentos de proteção individual (EPIs), insumos, ferramentas e veículos leves ou adaptados ao combate a incêndios. Com esse dinheiro, também podem ser contratados serviços especializados que fortaleçam as estruturas locais de resposta. O objetivo é dar condições para que os municípios atuem de forma mais autônoma, articulada e preventiva.

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Propostas

Cada proposta apresentada deverá prever valor de R$ 800 mil a R$ 1 milhão, com prazo máximo de execução de 24 meses. A seleção é restrita aos municípios previamente listados pela articulação interministerial e que compõem o mapeamento de áreas críticas de risco de incêndios.

As inscrições devem ser feitas até 26 de julho de 2025, exclusivamente pela Plataforma Transferegov, utilizando o código do Programa 4420420250001.

Todos os projetos devem atender às normas da Portaria Conjunta MGI/MF/CGU nº 33/2023, e da Portaria Conjunta nº 28/2024, que disciplinam a transferência voluntária de recursos federais.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Mapa Hidrogeológico é lançado em Rondônia para fortalecer gestão das águas subterrâneas

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Foto: Reprodução/SGB

O lançamento oficial do Mapa Hidrogeológico do Estado de Rondônia, realizado em 30 de maio, marcou um importante avanço para a gestão dos recursos hídricos da região, oferecendo uma base técnica e estratégica para o planejamento, proteção e uso sustentável das águas subterrâneas.

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Durante o evento, o chefe da Divisão de Hidrogeologia e Exploração (DIHEXP) do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Valmor Freddo, apresentou as ações da sua divisão e destacou o empenho institucional no fortalecimento da gestão hídrica. Em seguida, o geólogo Thiago Feijó explicou o programa de cartografia hidrogeológica e detalhou a metodologia utilizada para elaboração do novo mapa.

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A geóloga Katarina Rempel ressaltou a importância do material para a conservação e o monitoramento dos aquíferos, fundamentais para garantir a segurança hídrica de Rondônia. Já o especialista Valdemiro Silva demonstrou o funcionamento do Sistema de Informação Geográfica (SIG) que integra o mapa, utilizando a plataforma QGIS (Quantum Geographic Information System), facilitando o acesso e a interpretação dos dados pelos usuários. O QGIS é um software de código aberto e gratuito para Sistema de Informações Geográficas (SIG). Ele é utilizado para criar, editar, visualizar, analisar e publicar informações geoespaciais.

O Mapa Hidrogeológico de Rondônia traz informações detalhadas sobre os principais aquíferos do estado, servindo como referência técnica para gestores públicos, pesquisadores, empresas e demais usuários interessados na temática da água subterrânea.

O projeto é resultado de uma articulação entre diversos órgãos e instituições, que compartilharam dados e experiências para construir uma base confiável e atualizada.

Segundo os organizadores, o evento também teve como objetivo promover a integração entre os entes federativos e estreitar os laços entre a União e o Estado de Rondônia.

“Trata-se de uma conquista coletiva, que fortalece as políticas públicas voltadas à gestão hídrica e beneficia diretamente a população rondoniense”, destacaram os participantes.

A cerimônia contou com a presença de autoridades, especialistas e representantes de instituições estaduais e federais, como a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT) do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Alice Castilho; a presidente da Associação Profissional dos Geólogos de Rondônia (APROGERO), Suelem Lucena; a representante da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD), Mônica Cerqueira e a coordenadora de Recursos Hídricos do Estado, Daniely da Cunha.

*Com informações do SGB