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Amostras de vírus e bactérias cancerígenas em glândulas de tireoide são analisadas no Amazonas

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Foto: Érico Xavier/Fapeam

Entender quais vírus e bactérias cancerígenas predominam em pacientes oncológicos de tireoide no Amazonas foram a base de uma pesquisa científica apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida por pesquisadores da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).

A pesquisa intitulada ‘Estudo da prevalência de vírus oncogênicos em neoplasias de glândula tireoide no estado do Amazonas’ recebeu fomento no âmbito do Programa ‘Amazônidas – Mulheres e Meninas na Ciência, edital 001/2021’, da Fapeam, e foi coordenada pela doutora em Ciências da Saúde, Lia Mizobe Ono.

Para identificar quais os agentes virais que podem causar câncer de tireoide foram coletados amostras de tecido tireoidiano neoplásico dos pacientes que foram submetidos a tireoidectomia na FCecon. Após a coleta do DNA, foram realizadas análises laboratoriais em biologia molecular para identificar os vírus reconhecidamente oncogênicos e que estão sendo alvo de pesquisas no mundo com as doenças da tireoide: o vírus Epstein Barr Vírus (EBV) e Parvovírus (B19).

A coordenadora do estudo destacou que a pesquisa possibilitou o conhecimento da existência de outros vírus e bactérias oncogênicas estarem associadas aos tumores de tireoide na região.

“Não conseguimos demonstrar associação positiva das neoplasias tireoidianas com o EBV e o B19 no Amazonas, porém identificamos outros vírus e bactérias oncogênicas que podem ser o ponto de partida para pesquisas futuras sobre fatores de risco dos tumores tireoidianos”, comentou.

Foto: Lia Mizobe Ono/Arquivo pessoal

O estudo desenvolvido no Amazonas e a comunidade científica mundial buscam uma causa que indique o crescimento da prevalência do câncer de tireoide no mundo. A hipótese dos vírus oncogênicos continua em estudo, caso seja confirmada em pesquisas futuras, poderá servir de base para prevenções, assim como aconteceu com o papiloma virus humano e o câncer de colo de útero.

Análise e dados

A análise do perfil socioeconômico e comportamental dos pacientes, revelou que das 163 pessoas que participaram da pesquisa, 148 eram mulheres e 18 homens. A maioria dos pacientes eram saudáveis, se consideravam pardos e moram na capital amazonense. A pesquisa coletou 28 amostras de câncer de tireoide que foram analisadas no laboratório de biologia molecular da FCecon.

Para identificação de vírus, os pesquisadores utilizaram reagentes e materiais para identificação. Já o viroma e bacterioma das amostras negativas de EBV e B19 foram realizados em laboratório privado, em São Paulo.

Ao todo, foram encontrados 14 carcinomas papilíferos, 6 carcinomas foliculares, 3 carcinomas anaplásicos, um carcinoma medular e 4 adenomas foliculares. Das 163 espécies tireoideanos com neoplasia, 24 tiveram DNA confirmado para EBV e 44 confirmados para B19. A quantidade de amostras de cada tipo histológico foi analisada e aprovada por profissional estatístico para que os resultados fossem válidos.

*Com informações da Fapeam

Protagonismo: chamada apoia produção de conhecimento local para a COP30

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Foto: Lilian Campelo/Ascom deputado Bordalo

A crise climática é uma das maiores ameaças globais, impactando de forma desproporcional comunidades tradicionais e locais, que estão na linha de frente da conservação ambiental e da mitigação dos efeitos das mudanças do clima. No Brasil, a necessidade de fortalecer a participação dessas comunidades em espaços de tomada de decisão e garantir a construção de políticas climáticas mais justas e inclusivas é cada vez mais urgente.

O país tem um papel importante na agenda climática global, assumindo compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e preservar seus biomas. No entanto, os desafios para uma transição ecológica equilibrada ainda são grandes, considerando o aumento do desmatamento, a degradação ambiental e a falta de investimentos suficientes para adaptação às mudanças climáticas.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Ao mesmo tempo, iniciativas como planos de transição para uma economia sustentável de baixo carbono, com foco em adaptação climática e transição energética, precisam considerar a perspectiva e a participação ativa das populações mais vulneráveis, garantindo que suas necessidades e conhecimentos sejam integrados a essas ações discutidas nas COPs.

A Conferência das Partes (COP) é o principal fórum global de negociações climáticas, reunindo anualmente os países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para debater e definir compromissos em relação à crise climática. Porém, as discussões sobre os impactos, mitigação e adaptação não se limitam a COP, existem muitos outros espaços onde organizações comunitárias podem e devem participar, como conselhos municipais e estaduais, onde são tomadas decisões que impactam diretamente os territórios.

Nesse contexto, a ‘Chamada Fortalecendo o protagonismo local na agenda climática‘ surge como um esforço para fortalecer a incidência e a participação ativa de organizações da sociedade civil na agenda climática nacional. Além de garantir que lideranças locais estejam presentes nos espaços de decisão, a chamada também busca apoiar a produção de conhecimento e o monitoramento dos impactos das emergências climáticas nos territórios, contribuindo para a implementação de ações que assegurem a resiliência, a sustentabilidade e o protagonismo das comunidades tradicionais e locais de todo o Brasil.

Para chamada de projetos, critérios, linhas de apoio e dúvidas frequentes, acesse aqui.

Sobre o Fundo Casa

O Fundo Casa Socioambiental é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão promover a conservação e a sustentabilidade ambiental, a democracia, o respeito aos direitos socioambientais, a equidade de gênero e raça, a justiça social e climática, por meio do apoio financeiro e do fortalecimento de capacidades de iniciativas da sociedade civil.

*Com informações de Fundo Casa Socioambiental

Protetora do lago de Mariana no Pará: conheça a lenda da borboleta azul

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Imagem gerada por IA pelo Portal Amazônia

Nas margens de um lago sereno no Pará, onde as águas cristalinas refletem o céu e as árvores sussurram histórias antigas, uma figura etérea protege a natureza: a borboleta azul, conhecida como Mariana. Essa lenda, repleta de mistério e paixão, atravessa gerações, encantando quem ouve falar da mulher que se tornou guardiã das águas e da floresta.

Uma das versões mais conhecidas conta que Mariana era uma mulher doce e solitária, que, no passado, contraiu tuberculose. Na época, a doença era temida e sem cura, e os doentes eram frequentemente isolados. Rejeitada pela sociedade, Mariana encontrou refúgio nas proximidades do lago que hoje leva seu nome. Ali, ela viveu seus últimos dias em harmonia com a natureza, admirando as árvores, os animais e as águas tranquilas.

Quando seu tempo na terra chegou ao fim, seu espírito não partiu. Em vez disso, transformou-se em uma borboleta azul, que desde então vaga pelo lago, protegendo sua nascente e todos os seres que dele dependem.

Reza a lenda que, nas redondezas do lago, ainda existem vestígios de uma antiga moradia — pedaços de madeira envelhecida, fragmentos de cerâmica — que poderiam pertencer ao lugar onde Mariana viveu.

Alguns moradores mais antigos afirmam ter presenciado momentos inusitados: uma mulher de vestido branco que, de repente, se dissolve no ar, deixando no lugar apenas o bater de asas de uma borboleta azul.

Imagem gerada por IA pelo Portal Amazônia

Outra versão

Em outra versão da lenda, Mariana não está sozinha. Ela é uma das três princesas turcas que chegaram ao Brasil em uma viagem marítima e se encantaram pela região.

Nessa narrativa, Mariana é associada à arara-cantadeira, enquanto suas irmãs, Jarina e Herondina, são ligadas à jiboia e à onça, respectivamente.

No entanto, algumas variações da história transformam Jarina (também chamada de Jarina de Aruanda) em uma borboleta, criando uma conexão entre as duas lendas.

Leia também: As 3 princesas de Aruanda: conheça lenda afro-amazônica que inspirou toada e samba-enredo

Beleza natural

Seja verdade ou lenda, o Lago de Mariana é um dos atrativos do Parque Estadual Ambiental do Utinga (Peut), em Belém. O parque está localizado na Avenida João Paulo II, s/n – bairro Curió-Utinga.

Lá, a trilha de Mariana oferece aos visitantes a oportunidade de contemplar a natureza e, com sorte, avistar a borboleta azul no percurso.

O Parque Utinga é uma importante área de preservação ambiental, administrada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), que também capacita condutores ambientais para acompanhar os visitantes. Os interessados em trilhas e visitas monitoradas podem entrar em contato pelos telefones (91) 98413-0915 ou 98192-8753.

Trilhas pela área de floresta são feitas no Parque Estadual Ambiental do Utinga. Foto: Reprodução/Agência Pará

Pesquisadora do Amazonas investiga utilização de alternativas ecológicas e sustentáveis para substituição do plástico

Foto: Lais Gonçalves da Costa Brocco/Acervo pessoal

Uma placa resistente feita de fibras vegetais e resina biodegradável, que pode substituir o plástico tradicional em móveis, embalagens ou até mesmo peças estruturais, sendo mais sustentável e menos poluente.

Esse é um dos benefícios do uso de biocompósitos, objeto de de pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que permitiu o aproveitamento de resíduos agroflorestais.

Amparado pela Fapeam no âmbito do ‘Programa de Fixação de Recursos Humanos para o Interior do Estado: Mestres e Doutores por Calha de Rio (Profix-RH)’, o estudo ‘Produção de biocompósitos a partir de resíduos agroflorestais amazônicos e fungos lignocelulolíticos’, foi coordenado pela professora e doutora em Ciências Florestais, Lais Gonçalves da Costa Brocco, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), campus Itacoatiara (distante a 176 km da capital).

A pesquisadora explica que os biocompósitos são materiais feitos a partir da combinação de uma matriz (geralmente um polímero, que pode ser natural ou sintético), com reforços de origem biológica, como fibras vegetais, resíduos agroindustriais ou até mesmo fungos.

Para a composição do substrato ou a chamada “terra preparada”, que consiste em um material que dá suporte e nutrientes às plantas, permitindo o seu crescimento, o estudo utilizou três tipos de resíduos agroflorestais, sendo eles: serragem da madeira de tauari (Cariniana micrantha), fibra da folha (coroa) do abacaxi (Ananas sp.) e cacho do açaí (Euterpe sp.).

Outro ingrediente utilizado na composição foi uma variedade de fungos lignocelulolíticos, que são aqueles especializados na degradação de celulose, hemicelulose e lignina, componentes essenciais das paredes celulares das plantas, como da madeira e das folhas. Os biocompósitos miceliais foram feitos com os seguintes: Pycnoporus sanguineus, Irpex lacteus, Trametes versicolor e Pleurotus ostreatus.

“Durante a produção dos biocompósitos, observamos que o substrato com 100% de resíduos fibrosos do abacaxi e inoculado com o fungo P. ostreatus, desenvolveu-se de forma satisfatória, sendo possível obter um biocompósito com boa agregação e mais homogêneo”, explicou Lais Brocco.

Foto: Lais Gonçalves da Costa Brocco/Acervo pessoal

A engenheira florestal complementa que o mesmo ocorreu com a mistura de substrato de 50% resíduos fibrosos de açaí e 50% resíduos fibrosos do abacaxi. No entanto, o estudo também analisou que alguns fungos não foram capazes de se desenvolverem em determinados substratos, devido a contaminações relacionados ao tipo de substrato e a capacidade dos fungos crescerem.

“A partir do desenvolvimento desta pesquisa foi possível conhecer o potencial de resíduos agroflorestais amazônicos e seu melhor aproveitamento para a produção dos biocompósitos”, salientou a pesquisadora.

O aproveitamento de resíduos agroflorestais, que antes seriam descartados, e o conhecimento do potencial de substituição do uso dos materiais poliméricos sintéticos (plásticos) obtidos a partir de recursos não renováveis (petróleo, carvão mineral e gás natural) por materiais alternativos são outros benefícios da utilização de biocompósitos pela sociedade em geral.

E ainda averiguou a avaliação das propriedades tecnológicas dos biocompósitos, onde os resultados dos ensaios físicos e biológicos indicaram de forma geral, que os biocompósitos produzidos com resíduos de açaí e os fungos P. ostreatus e T. versicolor apresentaram os menores valores de inchamento, absorção de água e maior resistência ao apodrecimento.

*Com informações da Fapeam

Belém é a única cidade da Amazônia a receber cruz usada na primeira missa do Brasil

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Cruz da primeira missa celebrada no Brasil. Foto: Giany Costa/Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

A cruz que foi usada na primeira missa celebrada no Brasil faz uma peregrinação pelo país e Belém é a única cidade da Amazônia a receber o item sagrado. A passagem pela capital paraense é nesta quarta-feira (23).

Relíquia é feita de ferro, possui cerca de 40 centímetros e veio de Portugal para as celebrações dos 525 anos da missa realizada em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Ela pode ser vista durante a missa das 20h desta quarta-feira (23) na Catedral da Sé, na Cidade Velha.

Belém é a décima cidade à receber a cruz, peça histórica que veio do Museu da Sé de Braga, em Portugal, e cuja passagem pelas terras brasileiras iniciou dia 12 e encerra dia 27 de abril, na Bahia. A peregrinação é organizada pelo Movimento Brasil com Fé.

Foto: Giany Costa/Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Franciscus: Pastor da Simplicidade e da Eternidade

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Foto de Vatican News editada por Roberto Almeida

Por Olimpio Guarany

Há textos que nos atravessam como um sopro divino. Palavras que não apenas informam, mas transformam. Foi assim que me senti ao ler o testamento do Papa Francisco — um documento breve, mas impregnado de uma espiritualidade que não se explica, apenas se sente.

Nele, Jorge Mario Bergoglio se despede com a serenidade de quem caminhou com fidelidade, amor e entrega absoluta ao Evangelho. E o faz como viveu: com simplicidade radical, com humildade desarmante, com o coração inteiramente entregue à missão de ser pastor — não de títulos, mas de almas.

Ao pedir que seu túmulo seja no chão, sem ornamentos, com uma única palavra a identificá-lo — Franciscus — o Papa nos dá sua última homilia silenciosa. Uma homilia sobre despojamento, sobre o essencial, sobre o que realmente permanece. Esse gesto não é só um pedido funerário: é uma síntese de sua vida. É o eco do “pobre de Assis” em pleno século XXI.

Francisco quer repousar aos pés da Mãe, naquela mesma basílica onde tantas vezes confiou suas dores, esperanças e orações. Seu testamento é mais que uma disposição prática: é uma declaração de fé, de confiança absoluta em Maria e no Deus da vida. É o gesto final de um homem que fez da ternura e da misericórdia os pilares de seu pontificado.

Ao ler esse texto, fui tomado por uma emoção difícil de traduzir. Porque vejo nele um reflexo do que há de mais sublime na vocação cristã: servir, amar, entregar-se. Francisco é um homem diferenciado. Um farol de compaixão em tempos de tantas sombras. Um pastor de verdade, que soube tocar o mundo com a força da mansidão.

Este testamento não encerra uma vida — inaugura um legado. E, com profunda admiração e reverência, uno-me em prece ao Papa Francisco, agradecendo por cada gesto, por cada palavra, por cada silêncio que nos ensinou tanto.

Franciscus.

Assim, apenas assim ele quer ser lembrado.

E assim será: eterno no coração dos que encontraram nele o rosto mais humano de Deus.

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista, economista e professor universitário. Realizou a expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru) por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes e depois subiu a Quito, Equador (2020-2022), refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

A cidade do Festribal paraense: descubra 4 curiosidades sobre Juruti

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Juruti, cidade do Festribal. Foto: Reprodução/Facebook-Belezas de Juruti

Localizada no oeste do Pará, às margens do rio Amazonas, a cidade de Juruti guarda em sua essência a mistura viva entre o passado indígena, a tradição religiosa e o avanço econômico. Conhecida nacionalmente por abrigar o Tribódromo, palco do aclamado Festival das Tribos Indígenas de Juruti (Festribal), o município é um verdadeiro polo cultural amazônico.

Leia também: Festribal: qual a diferença entre as festividades do Pará e do Amazonas que tem o mesmo nome?

A equipe do Portal Amazônia buscou algumas curiosidades sobre Juruti e sua importância histórica para o Pará. Confira:

1. Origem do Nome

De acordo com dados da Câmara Municipal da cidade, o nome ‘Juruti’ tem origem Tupi e significa “colo firme”, em referência ao comportamento da ave Leptotila – que mantém o pescoço ereto durante seu canto. Essas aves eram comuns na região durante a formação do município.

Frente da cidade de Juruti. Foto: Reprodução/Facebook-Belezas de Juruti

2. Formação da cidade

Ainda segundo informações da Câmara, a história de Juruti remonta aos tempos das etnias indígenas Pocós e Kondurís, que habitavam a região do Baixo Amazonas. Mais tarde, registros do naturalista Domingos Soares Ferreira Pena apontam que a atual área urbana surgiu sobre uma aldeia dos indígenas Mundurukus, localizada às margens do Lago Juruti.

Em 1818, missionários Capuchinhos iniciaram o processo de catequese dos povos nativos e fundaram o núcleo do que viria a se tornar a cidade. Sob a liderança do padre Antonio Manuel Sanches de Brito, considerado o primeiro gestor administrativo da vila, foi erguida uma igreja com o apoio da comunidade indígena local e recursos da fazenda pública paraense.

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3. Fenômeno natural

Nas décadas de 1980 e 1990, Juruti enfrentou o fenômeno das terras caídas, que alterou drasticamente sua geografia e afetou a infraestrutura urbana. O evento marcou uma época de dificuldades, mas também de resiliência.

História de Juruti se mistura com a luta dos povos indígenas. Foto: Reprodução/Facebook/Belezas de Juruti

4. Festribal e Tribódromo

O Festival das Tribos Indígenas de Juruti (Festribal) é a principal manifestação cultural da cidade e uma das mais importantes da Amazônia. Realizado no último fim de semana de julho ou no início de agosto, o evento transforma o Tribódromo em uma arena de cores, sons e histórias.

Duas tribos rivais, Munduruku (vermelho e amarelo) e Muirapinima (vermelho e azul), se enfrentam em uma competição artística que mescla dança, música, alegorias e encenações sobre a vida cabocla e os rituais indígenas.

Leia também: Festribal: conheça festa que marca a disputa entre as tribos Munduruku e Muirapinima no Pará

Tribo Munduruku

Fundada em 1993, a Tribo Munduruku nasceu de uma coreografia de inspiração indígena. Representa a ancestralidade guerreira e preserva elementos dos povos originários da região.

Apresentação da tribo Mundukuru. Foto: Reprodução/Prefeitura de Juruti

Tribo Muirapinima

Surgiu em 1994 como resposta à Munduruku. Seu nome homenageia a árvore muirapiranga, abundante às margens do Lago Juruti-Velho.

Apresentação da tribo Muirapinima. Foto: Reprodução/Prefeitura de Juruti

A rivalidade entre as tribos é inspirada por uma lenda local sobre a divisão de um grupo indígena após o nascimento de um curumim com traços distintos.

Marabaixo é usado para ensinar a história afro-amapaense em escola no Amapá

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Foto: João Ataíde/Arquivo pessoal

A ancestralidade do Marabaixo está sendo usada como forma de ensinar a história afro-amapaense para alunos da escola Professora Maria Esmeralda, no município de Amapá, distante cerca de 303 quilômetros de Macapá. Mais de 50 alunos participam do projeto, que ocorre desde 2023.

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

A dança, que é considerada patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), carrega traços da tradição quilombola no estado e valoriza as raízes da floresta amapaense.

Unindo essas características, o corpo docente da unidade de ensino estadual busca aproximar os alunos e aplicar a lei que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas desde 2003.

O professor de história, João Ataíde, um dos idealizadores do projeto, afirma que a escola tinha muitos problemas inter-raciais, em alguns casos os alunos não se reconheciam como parte destas raízes afros, fato que, segundo ele, mudou após a aplicação da metodologia de ensino.

“A Escola Maria Esmeralda era vista como uma escola problemática de relações inter-raciais. Então esse grupo de Marabaixo há dois anos vem trabalhando essa integração entre os alunos, ou seja, é o Marabaixo pelo viés da educação. É uma forma pedagógica de unir esses garotos. E muitos, às vezes, não têm a vontade de ir para a aula porque não encontram uma escola atrativa, e esse grupo de Marabaixo está sendo atrativo para as crianças. Podia ser um time de futebol, um time de handebol, um time de basquete, mas o grupo de Marabaixo tem sido esse canal entre a educação e a cultura que se integra a partir do olhar da pedagogia”, destacou Ataíde.

Foto: João Ataíde/Arquivo pessoal

A vestimenta é variada. Seja trajando o uniforme escolar ou com as roupas características da dança, os alunos formam rodas e cantam os ladrões de Marabaixo [músicas que entoam a dança]. (veja vídeo no inicio desta matéria).

Os passos são acompanhados pelos ladrões que falam sobre a luta do povo quilombola no Amapá, sobre suas essências e modo de viver. Dessa forma, os alunos aprendem a partir da dança como os povos que vieram antes deles contribuíram para a formação da sociedade atual.

“A proposta pedagógica envolve oficinas de dança, percussão e história do Marabaixo, proporcionando um ensino interdisciplinar que valoriza a cultura popular e amplia a visão dos estudantes sobre sua própria ancestralidade”, ressalta o professor João.
Galerias Relacionadas

Foto: João Ataíde/Arquivo pessoal

A aluna Ana Paula, é uma das cantoras do grupo. Ela junto ao colegas “puxam” os ladrões. A estudante destaca que hoje se identifica com a cultura marabaxeira. “Eu me identifico muito com o Marabaixo. Hoje eu gostaria de agradecer meus professores por me apresentarem o projeto, eu entrei no ano passado [2024] e tive muito apoio deles e da minha família”, disse Ana.

Os alunos se apresentaram no Centro de Cultura Negra, localizado na área central de Macapá, durante a apresentação da programação do Ciclo do Marabaixo 2025, nos dias 11 e 12 de abril.

Leia também: Amapá no Amapá: conheça a história do município homônimo ao Estado

Ciclo do Marabaixo 2025

A celebração existe há mais de 100 anos e iniciou oficialmente dia 19 de abril, no Sábado de Aleluia, e segue até o Domingo do Senhor, em 22 de junho.

Neste ano, a programação homenageia o centenário de Benedita Guilherma Ramos, a Tia Biló, matriarca do marabaixo do Laguinho que faleceu em 2021, aos 96 anos.

Veja mais: 3 características curiosas para conhecer o Marabaixo, dança tradicional do Amapá

Foto: Gabriel Penha/ Fundação Marabaixo

Como parte da programação, pelo terceiro ano consecutivo, vai funcionar a Central do Ciclo do Marabaixo, espaço montado no Centro de Cultura Negra, no Laguinho.

As rodas de marabaixo serão realizadas nos barracões Associação Raimundo Ladislau, Associação Zeca e Bibi Costa, Santíssima Trindade da Casa Grande, União Folclórica de Campina Grande, Berço do Marabaixo, Marabaixo do Pavão e Raízes da Favela Dica Congó.

Ciclo do Marabaixo no Amapá — Foto: Gabriel Penha/ Fundação Marabaixo

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Amazônia e o PRDA 2024-2027

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Foto: Augusto Miranda/Agência Pará

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia – PRDA 2024-2027, aprovado pelo Conselho Deliberativo da Sudam por meio da Resolução/Condel n.106, de 04 de agosto de 2023, é o instrumento de planejamento do desenvolvimento regional de referência que norteia as ações da Sudam, elaborado em consonância à Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), com as Agendas Macrorregionais, com o PPA federal e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS. O foco central do Plano: tornar-se “instrumento de planejamento capaz de promover a redução das desigualdades regionais através da geração de emprego e renda, do crescimento econômico, da qualidade de vida e da internalização da riqueza regional”.

O PRDA 2024-2027 parte de um diagnóstico da região e a incorporação das demandas e anseios da sociedade amazônica calcados nos programas e projetos necessários à transformação regional no curto, médio e longo prazo. Nele, ressalta o documento, a sociobiodiversidade ganha relevância como elemento de propulsão do desenvolvimento endógeno associado à ciência, tecnologia e inovação. O Plano reveste-se de “uma perspectiva multidisciplinar, voltada para resultados, de atenção a características multiescalares e transversais, baseada em evidências, além de outros aspectos relevantes”. O documento contempla aspectos ambientais, econômicos, sociais e tecnológicos, com a construção de uma proposta de intervenção estruturada baseada nos indicadores que mostram maior criticidade na região, em diretrizes de documentos estratégicos para a Amazônia, nas orientações de instituições líderes do processo, bem como na legislação vigente, chegando a uma definição de projetos estruturantes pactuados entre os entes federativos.

O PRDA 2024-2027 considera a diversidade da região amazônica em seus múltiplos aspectos, que tem ganhado maior atenção internacional nos últimos anos, bem como um elemento de discussão da sociedade e da classe política brasileiras, que têm pautado agenda pública sobre os rumos necessários para conduzir o desenvolvimento da região. Leva em conta, adicionalmente, estudos da amazonóloga Bertha Becker da década de 1980, segundo os quais “o olhar internacional para a Amazônia é alterado e há o reconhecimento da questão ambiental como fator relevante que vem ganhando mais intensidade internacionalmente. Além da questão ambiental, observam-se “outras pautas desafiadoras na região da Amazônia Legal como, por exemplo, a infraestrutura logística, que ao longo de muitos anos necessita de maior integração entre os modais de transporte, bem como de maiores investimentos em projetos capazes de trazer maior conexão sócio-econômica e geopolítica”.

Há de se ressaltar desta forma o comprometimento do PRDA 2024-2027 “como elemento norteador e catalisador de políticas públicas a espelhar anseios dos governos e da sociedade regional, ao tempo em que oriente ações estratégicas do governo federal na região”. Baseados nos princípios de sustentabilidade, inclusão social e governança compartilhada, “o PRDA 2024-2027 foi elaborado em consonância com os principais instrumentos de planejamento existentes, como a Estratégia Federal de Desenvolvimento – EFD, a Política Nacional de Desenvolvimento Regional – PNDR, a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Plano Plurianual (PPA) da União para 2024- 2027, além de observar as propostas presentes nos planejamentos estaduais e Consórcio Interestadual da Amazônia Legal”.

De acordo com o superintendente da Sudam, Paulo Roberto Rocha, “espera-se que o Plano amplifique o desempenho das mais diversas políticas públicas que são promovidas na Amazônia, por meio da criação de sinergias e alinhamentos institucionais, visando à maior eficiência e efetividade dos recursos públicos, considerando os diferentes setores sociais, da atividade econômica e da atuação do Estado brasileiro”. O sonho maior do homem amazônico, cansado de falsas e estéreis promessas.

No tocante à economia do estado do Amazonas, as transformações preconizadas no PRDA e em diversos outros estudos passam pela reconfiguração do modelo Zona Franca de Manaus . Nesse sentido a ZFM, para ajustar-se aos padrões tecnológicos internacionais, particularmente à Indústria 4.0, deverá, ao que suponho, sofrer duas importantes transformações em relação à sua atual matriz econômica sustentada pela integração PIM/Bioeconomia, via exploração sustentável dos recursos da biodiversidade. Avanço que permitirá a geração de nova matriz econômica, complementada por uma plataforma de exportações, que, por sua vez, irá gerar divisas para sustentar as importações do Polo Industrial e das demais cadeias produtivas que deverão se desenvolver por meio dessa simbiose. A única forma, saliente-se, de garantir a perenização do modelo e a sustentabilidade econômica do Estado, aliada à preservação ambiental, objeto de desejo de 100% da comunidade amazônica.Quimera, sonho, utopia?

Não, pura realidade. A propósito, vale a pena repetir a sabedoria chinesa: a melhor época de se plantar uma árvore foi há 20 anos; a segunda melhor época é agora!

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Cartilhas sobre negócios comunitários indígenas apoia gestão de suas iniciativas econômicas

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Negócios comunitários indígenas. Foto: Divulgação/FAS

o Instituto Conexões Sustentáveis, em parceria com WWF-Brasil, lançou as Cartilhas de Gestão de Negócios Comunitários Indígenas, com versões em português e traduzidas para os idiomas Kawaiwete, Nheengatu e Munduruku. O material, que contou com o apoio do Projeto Saúde Alegria, tem o objetivo de apontar caminhos para a gestão das iniciativas econômicas lideradas por cinco comunidades tradicionais, localizadas nos estados de Mato Grosso e Pará. O conteúdo, disponível no site, considerou as principais características de cada povo e as peculiaridades dos produtos comercializados, trazendo informações sobre temas como planejamento, operação, monitoramento e avaliação, comunicação, engajamento e participação social.

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As Cartilhas – Caminhos para a Gestão de Negócio Comunitário Indígena serão distribuídas para as comunidades: Associação de Mulheres Munduruku Wakoborun (Pará), Associação Indígena Kawaiwete (Mato Grosso), Aldeia Vista Alegre do Capixauã (Pará), Coletivo Munduruku Poy (Pará) e Associação de Moradores Agroextrativistas e Indígenas do Tapajós (Pará).

Para Marlena Soares, assessora de negócios comunitários da Conexsus, o caderno de gestão de negócio comunitário indígena é uma das iniciativas que podem encorajar os membros no negócio comunitário a serem resilientes. “As Cartilhas foram elaboradas com o olhar voltado para o público-alvo, devendo, portanto, refletir a identidade cultural de cada etnia do projeto. Cada detalhe foi cuidadosamente planejado, como a linguagem simples, os desenhos da cadeia de valor e a tradução na língua, para que ao abrir o caderno, se sintam acolhidos e motivados a colocar em prática as dicas de gestão oferecidas”.

Leia também: Tecnologia social: conheça a plataforma com sete Dicionários para Línguas Indígenas

Negócios comunitários indígenas. Foto: Reprodução/Coletivo Cultural – Cidade e Cultura

Para Andressa Neves, analista de conservação da WWF-Brasil, “É fundamental estabelecer processos que estejam pautados na importância da adaptação de ferramentas e conteúdos para realidades diversas. Essa parceria operou sobre essa premissa, para que esses instrumentos sejam utilizados e alcancem as transformações desejadas”.

Leia também: Cartilha inédita no Amazonas ensina como produzir tintas naturais com plantas da floresta

Sobre a Conexsus

O Instituto Conexões Sustentáveis – Conexsus atua na promoção da conexão dos negócios comunitários com os mercados, sejam locais, regionais, nacionais ou internacionais, disponibilizando acesso a investimentos financeiros customizados para apoiar a estruturação dos arranjos comerciais e viabilizar as operações.

Negócios comunitários indígenas. Foto: Reprodução/Coletivo Cultural – Cidade e Cultura

Leia também: Cartilha educativa aponta importância da preservação das praias no Pará

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 28 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Conheça: wwf.org.br

Leia também: Cartilha oferece orientações sobre primeiros socorros para populações ribeirinhas