Foto: Reprodução/Arquivo Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
Um dos programas mais longevos da televisão amazonense, o ‘Carrossel da Saudade‘, do Sistema de Comunicação Encontro das Águas, do Governo do Amazonas, completou 46 anos em 2025. A celebração ocorreu no dia 19 de setembro, reafirmando seu papel como guardião da memória musical amazônica.
Criado no fim da década de 1970, o programa se tornou o mais longevo da televisão no Amazonas e é Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado. A programação sempre atrai um grande público ao Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus (AM).
O programa nasceu com a proposta de valorizar as modinhas, o choro e o cancioneiro regional, reunindo artistas que ajudaram a construir a identidade sonora do país.
Foto: Reprodução/Arquivo Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
Durante suas mais de quatro décadas no ar, o ‘Carrossel da Saudade’ recebeu nomes consagrados da música popular brasileira, como Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Vanusa e Sidney Magal, além de valorizar intérpretes e compositores locais. Nos anos 1990, o programa chegou a atingir cerca de 300 mil telespectadores nas noites de sexta-feira.
Segundo os registros históricos, as primeiras formações musicais do programa contaram com grupos como Príncipes da Melodia, Clube do Chorinho e Primas e Bordões.
A proposta sempre foi oferecer ao público um espaço para reviver as serenatas, serestas e bailes que marcaram gerações.
Para Rui Carvalho, regente da Amazonas Band, o projeto tem um valor cultural inestimável.
“É um convite para os pés de valsa matarem a saudade de um baile ao som de músicas que atravessaram o tempo. Cada apresentação é uma noite nostálgica que celebra a elegância e o romantismo”.
Lula sobre o TFFF: “Mais do que proteger um bioma específico, é um mecanismo para preservar a própria vida na Terra. As florestas tropicais prestam serviços ecossistêmicos essenciais para a regulação do clima”. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, durante a Sessão de Abertura da Reunião sobre o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), nesta terça-feira, 23 de setembro, que o Brasil vai investir US$ 1 bilhão na iniciativa.
O Fundo, que propõe um modelo inovador de financiamento para a conservação das florestas tropicais, será oficialmente lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima, a COP30, agendada para novembro, em Belém (PA).
“O Brasil vai liderar pelo exemplo e se tornar o primeiro país a se comprometer com investimento no fundo com um bilhão de dólares. Por isso, convido todos os parceiros presentes a apresentarem contribuições igualmente ambiciosas para que o TFFF possa entrar em operação na COP30, em novembro, na Amazônia sul-americana”, declarou Lula, durante a reunião realizada na Sede das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos.
A iniciativa brasileira visa fortalecer a manutenção das florestas em pé, demonstrando que sua proteção vale mais que a derrubada. No total, mais de 70 países em desenvolvimento com florestas tropicais podem receber os recursos.
“Mais do que proteger um bioma específico, o TFFF é um mecanismo para preservar a própria vida na Terra. As florestas tropicais prestam serviços ecossistêmicos essenciais para a regulação do clima”, explicou o presidente Lula.
Lula ressaltou que os dividendos gerados pelo TFFF, que será complementar aos mecanismos de pagamento por redução de emissões de gases de efeito estufa, serão repartidos anualmente entre os investidores e os países que mantiverem suas florestas em pé.
“Todos os anos, o monitoramento por satélite tornará possível identificar se os países estão respeitando a meta de manutenção do desmatamento abaixo de 0,5%”, afirmou Lula.
Segundo o presidente, a meta é que cada país possa receber até 4 dólares por hectare conservado. “Parece modesto, mas estamos falando de um bilhão e cem milhões de hectares de florestas tropicais distribuídos em 73 países em desenvolvimento”, frisou.
Para aderir ao TFFF, os países deverão ter sistemas de gestão financeira transparentes e concordar em separar 20% dos recursos especificamente para povos indígenas e comunidades tradicionais.
“Direcionar parte desses recursos aos povos indígenas e comunidades locais pode garantir meios adequados para quem sempre cuidou de nossos bosques e matas”, disse Lula.
“O TFFF vai articular conservação, uso sustentável dos recursos ecossistêmicos e justiça social em prol de um novo modelo de desenvolvimento”, completou.
O Brasil lidera os esforços pela criação do TFFF desde a COP28, realizada em Dubai, em 2023. Até o momento, outros cinco países que possuem florestas tropicais integram a iniciativa:
Colômbia,
Gana,
República Democrática do Congo,
Indonésia
e Malásia.
Além disso, cinco países potencialmente investidores também participam do processo de fundação do mecanismo: Alemanha, Emirados Árabes Unidos, França, Noruega e Reino Unido.
Recursos
A expectativa é que as nações investidoras disponibilizem um aporte inicial que poderá alcançar até 25 bilhões de dólares. Com esta injeção, deve ser possível alavancar mais 100 bilhões de dólares (capital sênior) do setor privado ao longo dos próximos anos. Os governos, ao aceitarem o papel de capital júnior, consentem em incorrer em um risco um pouco maior do que o setor privado, atraindo estes investidores privados.
As projeções dos responsáveis por elaborar o TFFF apontam também que o mecanismo deve viabilizar 4 bilhões de dólares anuais para a conservação ambiental, o que representa um valor próximo do triplo do volume aplicado globalmente para a proteção das florestas tropicais por meio de recursos concessionais.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a sessão de abertura da Reunião sobre o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Sede das Nações Unidas, Nova York (EUA). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Funcionamento
Os países com florestas tropicais que aderirem ao TFFF deverão apresentar ao conselho do fundo relatórios anuais que comprovem a conservação das florestas, com monitoramento via satélite. O Brasil já faz este acompanhamento por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e poderá ser exemplo para as outras nações, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Os países beneficiários terão autonomia para definir o destino final dos recursos. No Brasil, o MMA projeta que a verba poderá fortalecer uma série de medidas de conservação ambiental, como o Programa Bolsa Verde, a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais e ações de incentivos à bioeconomia.
Economia verde
Quanto aos investimentos feitos pelo fundo para remunerar os países, a aplicação em projetos que envolvam combustíveis fósseis é vetada. A prioridade é optar por ações e títulos de governos e companhias de países emergentes e produtos considerados verdes.
Uma parceria histórica entre Brasil, Bolívia e Peru mostra que a proteção às mulheres não conhece fronteiras. Até sexta-feira (26/9), autoridades e especialistas dos três países participam, em Brasiléia (AC), do 1° Seminário Trinacional da Patrulha Maria da Penha – 2025, com o objetivo de fortalecer políticas públicas e alinhar estratégias conjuntas no enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Com o tema ‘Proteção sem Fronteiras: Unindo Forças por uma Amazônia Livre da Violência contra a Mulher’, o encontro representa um passo decisivo na integração regional. O evento é promovido pela Polícia Militar do Acre (PMAC), pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre e pelas prefeituras de Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri, reunindo profissionais de segurança pública, gestores e organizações da sociedade civil.
A coordenadora de Prevenção às Violências contra as Mulheres da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Julia Mitiko Sakamoto, que representou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na abertura do seminário, destacou que a iniciativa demonstra o compromisso dos três países em transformar o combate à violência de gênero em prioridade de Estado.
“A cooperação entre países é essencial. As Patrulhas Maria da Penha já mostram resultados concretos na redução da reincidência da violência doméstica, na prevenção do feminicídio e no fortalecimento da rede de proteção às vítimas”, esclareceu.
Julia Sakamoto é coordenadora de Prevenção à Violência contra Mulheres da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Foto: Matheus Holanda/PMAC
A comandante-geral da PMAC, Marta Renata da Silva Freitas Alves, reforçou que o seminário é um espaço de escuta e construção coletiva.
“Aqui conseguimos reunir todos os atores envolvidos e pensar em ações que realmente façam diferença na vida das mulheres. O objetivo é transformar o debate em medidas práticas para reduzir a violência, seja no ambiente doméstico, familiar ou na sociedade em geral”, afirmou.
Além de apoiar o evento, a Senasp oferecerá um curso de capacitação voltado a policiais militares que atuam diretamente na proteção das mulheres. O treinamento visa aprimorar o atendimento às vítimas e ampliar a integração das equipes com a rede de apoio local.
Patrulhas Maria da Penha
Criadas para atender e acompanhar mulheres e meninas vítimas de violência doméstica e familiar, as Patrulhas Maria da Penha são compostas por policiais capacitados para atuar na prevenção, fiscalização de medidas protetivas e apoio às vítimas. Elas desempenham papel estratégico ao reduzir o risco de reincidência, garantir o cumprimento das decisões judiciais e aumentar a sensação de segurança das mulheres atendidas.
Segurança e dignidade para as mulheres
No âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), o MJSP tem liderado políticas nacionais para combater o feminicídio e fortalecer o atendimento especializado.
Em 2025, foram lançadas versões revisadas dos Cadernos Temáticos de Referência, que padronizam as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), as Patrulhas Maria da Penha e o Protocolo Nacional de Investigação e Perícias em Crimes de Feminicídio. Os documentos incorporam avanços legislativos, diretrizes de atuação integrada e abordagem com perspectiva de gênero.
Entre 2023 e 2024, o MJSP entregou 370 viaturas para reforçar a estrutura das DEAMs e das Patrulhas Maria da Penha. Também repassou recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) aos estados e ao Distrito Federal – com 10% obrigatoriamente destinados a ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Foram mais de R$ 218 milhões transferidos nesses dois anos, além de outros R$ 116 milhões já previstos para 2025.
A capacitação de profissionais é outra prioridade. Desde 2024, sete edições do Curso Nacional de Atendimento às Mulheres e Meninas em Situação de Violência – Nível Multiplicador já formaram 270 agentes. Para 2025 e 2026, serão realizados cerca de 16 edições do Curso para atuação das Patrulhas Maria da Penha, específico para operadores das Patrulhas Maria da Penha, com a meta de qualificar 640 profissionais.
Outro destaque é a expansão das Casas da Mulher Brasileira, unidades que concentram, em um único espaço, serviços especializados para acolhimento e apoio às vítimas. Por meio de acordo de cooperação técnica com o Ministério das Mulheres, está prevista a implantação de até 17 novas unidades em todo o País.
*Com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública e PMAC
Operação Atlas 2025 envolve ações em terra, rios, mar e espaço aéreo. Foto: Érico Alves/Ministério da Defesa
Cerca de 10 mil militares participam da Operação Atlas 2025, maior exercício militar do Brasil, realizado em Roraima. O treinamento, que vai até 9 de outubro, tem como objetivo reforçar a atuação das Forças Armadas na Amazônia, considerada uma região estratégica para o país.
A operação começou em junho, com a fase de deslocamento de tropas para o extremo Norte do país. A segunda etapa começou em agosto, com uma simulação em Manaus (AM), e entra na fase principal em Boa Vista.
Tropas e equipamentos de diferentes regiões do país estão sendo enviados para a capital de Roraima, onde serão realizados o Apronto Operacional, que avalia a prontidão e operacionalidade militar, e a Simulação Viva.
Um dos destaques da operação é o uso do Sistema Astros, artilharia de mísseis e foguetes com alta tecnologia agregada. O treinamento envolve ações em terra, rios, mar e espaço aéreo, com o uso de meios terrestres, aéreos e fluviais.
De acordo com o Ministério da Defesa, que coordena o exercício militar conjunto, o objetivo é melhorar a integração entre Marinha, Exército e Aeronáutica, garantindo que atuem de forma coordenada e eficiente.
No dia 3 de outubro, a Base Aérea de Boa Vista, localizada no bairro Aeroporto, recebe a concentração de tropas e equipamentos para testar a logística e a integração entre as Forças. As ações seguem até o dia 9 de outubro.
Equipamentos de diferentes regiões do país estão sendo enviados para a capital de Roraima. — Foto: Exército Brasileiro/Divulgação
Principais eventos em Roraima
26/09 às 9h – Palestra sobre a Operação ATLAS na Universidade Federal de Roraima (UFRR), no Salão Nobre do campus;
3/10 às 8h – Formatura de Apronto Operacional (Apronal) na Base Aérea de Boa Vista;
9/10 às 8h – Exercício de Tiro Real da Força Tarefa Conjunta em Bonfim.
Foto: Érico Alves/Ministério da Defesa
Cronograma da Operação Atlas
Fase 1 – Planejamento Integrado: 30/06 – 11/07 A etapa ocorre na Escola Superior de Defesa, em Brasília, e é dedicada ao planejamento conjunto das ações das Forças Armadas. Serão definidos os procedimentos de deslocamento estratégico, os sistemas de comando e controle, além da análise de cenários e problemas simulados.
Fase 2 – Deslocamento Estratégico: 27/09 – 1/10 Caracteriza o início da movimentação de pessoal e equipamentos militares em direção à área de atuação na Amazônia e na região marítima da foz do Amazonas.
Fase 3 – Exercício no Terreno: 02/10 – 11/10 Ocorre diretamente no terreno, abrangendo os estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, e envolve a execução das ações previamente planejadas. As Forças Armadas colocam em prática as operações táticas em campo, com atividades integradas em ambientes terrestre, fluvial, marítimo e aéreo.
Etapa Atlas Armas Combinadas: 07/09 – 16/09 Realização de fogos reais e ações táticas, simulando a conquista e defesa de objetivos militares em Formosa (GO).
Etapa Atlas Anfíbia: 26/11 – 06/12 Realização de operações marítimas e desembarque de tropas no litoral do Espírito Santo.
Ministro Celso Sabino e organizadores do Círio de Nazaré com documento autorizando patrocínio. Foto: Divulgação/ Círio de Nazaré
O Círio de Nazaré, maior evento religioso do Brasil e um dos maiores do mundo, ganhou neste ano um apoio inédito do Governo Federal. Pela primeira vez, o Ministério do Turismo destinou uma verba de R$ 2 milhões para a realização da festividade em Belém (PA), reforçando o caráter de valorização do turismo religioso no país.
O anúncio foi feito pelo ministro do Turismo, Celso Sabino, tarde de terça-feira (23), na Casa de Plácido, ao lado de representantes da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN). O investimento tem como base um Termo de Intenção que integra as diretrizes da Política Nacional de Turismo, voltadas ao fomento e apoio a eventos com forte potencial cultural e turístico.
De acordo com o ministro, a medida representa um marco histórico. “É um momento de muito orgulho e satisfação assinar esse termo aqui, contribuindo para o desenvolvimento da festa, mas sobretudo, contribuindo para que o turismo gere mais empregos e oportunidades na capital paraense”, afirmou Sabino.
O diretor coordenador do Círio 2025, Antonio Sousa, destacou a relevância do gesto: “O Círio é patrimônio do Brasil e orgulho da Amazônia. Este gesto é o marco do reconhecimento à grandiosidade da maior manifestação de fé do nosso povo”.
Investimento no turismo religioso
O aporte financeiro para o Círio de Nazaré integra a estratégia do governo de estimular o turismo religioso como vetor de desenvolvimento. Essa modalidade vem crescendo no país e já movimenta milhões de pessoas em cidades como Aparecida (SP) e Trindade (GO), além de Belém.
Segundo Celso Sabino, a verba destinada ao Círio fortalece a infraestrutura local e amplia o alcance da festividade.
“Que o Círio deste ano possa ser ainda maior e melhor do que foi o do ano passado, que mais pessoas venham aqui sentir a energia e a fé que os romeiros de Nossa Senhora de Nazaré proporcionam”, disse o ministro.
O vigário da Basílica de Nazaré, padre Paulo de Tarso, também destacou a importância do investimento: “É um momento de evangelização, de levar a presença de Deus pelas ruas. O povo se reúne aqui com muito sacrifício e é um momento tão importante”.
Círio como patrimônio cultural
Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o Círio de Nazaré ocorre anualmente em Belém, reunindo milhões de fiéis em procissões terrestres e fluviais. Além da dimensão religiosa, o evento tem impacto direto na economia da capital e do estado do Pará.
Durante o período das romarias, hotéis, restaurantes, transportes e comércio local registram alta na demanda. O patrocínio inédito do governo federal deve contribuir para fortalecer a logística da festa, melhorar a recepção dos turistas e consolidar o Círio como vitrine cultural do país.
O investimento também simboliza o reconhecimento da diversidade cultural brasileira. O Termo de Intenção assinado com a Diretoria da Festa de Nazaré prevê o apoio a eventos que promovam identidades locais e valorizem tradições populares, dentro de uma agenda de desenvolvimento sustentável.
Fé, economia e tradição
O Círio de Nazaré movimenta não apenas a fé dos devotos, mas também a economia paraense. Em cada edição, milhares de empregos temporários são gerados, envolvendo setores de transporte, hotelaria, alimentação e comércio. A presença de turistas nacionais e internacionais reforça o papel do evento como atrativo turístico de relevância global.
Para os organizadores, o patrocínio de R$ 2 milhões representa mais do que um auxílio financeiro: é a confirmação da importância da festividade para o país. O apoio federal soma-se a contribuições do setor privado e de devotos, garantindo a manutenção da grandiosidade da celebração.
O Atlas Solar do Amapá foi reconhecido como ‘Boa Prática Nacional’ na premiação realizada segunda-feira (22), em Brasília. Foto: Gabriel Penha/GEA
O Atlas Solar do Amapá foi reconhecido como ‘Boa Prática Nacional’ na segunda-feira (22), durante a abertura do Congresso Brasileiro de Minas e Energia 2025, em Brasília. O prêmio foi concedido pela FGV Energia. Lançado em agosto de 2024, o projeto busca atrair investimentos para a produção de energia renovável no Estado.
O material tem 76 páginas e reúne dados sobre o potencial de geração solar no Amapá e foi desenvolvido após os apagões registrados em 2020.
O Atlas é resultado de uma parceria entre o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e contou com apoio de emenda parlamentar do senador Davi Alcolumbre (União Progressista), que é o idealizador do projeto.
Estado possui potencial na implementação de energia solar. Foto: Gabriel Penha/GEA
Segundo Wandenberg Pitaluga, presidente da Agência Amapá de Desenvolvimento Econômico, o Atlas apresenta soluções para os problemas de abastecimento elétrico e destaca o potencial do estado na geração de energia limpa.
“O Amapá tem capacidade para superar até as maiores usinas fotovoltaicas da China, graças à sua localização”, afirmou Pitaluga.
Durante o lançamento, foram instaladas estações de medição solar em Santana, Laranjal do Jari, Porto Grande, Ilha de Maracá, Jipioca e Tartarugalzinho. Os dados são atualizados em tempo real e podem ser acessados pela plataforma do projeto.
Entre os principais destaques do Atlas estão:
Estimativa de capacidade instalada para geração de energia;
Mapeamento geográfico detalhado;
Informações técnicas dos municípios monitorados;
Avaliação mensal e sazonal da incidência solar.
Projeto promete impulsionar a produção de energia renovável. Foto: Antônio Medeiros/Arquivo pessoal
O secretário de Mineração do Amapá, Mamede Barbosa, reforçou que a localização do estado é estratégica para investimentos em energia solar.
“O Amapá tem mais potencial solar do que a Alemanha. E já avançamos na transição energética: hoje, 100% da energia consumida no estado vem de fontes renováveis”, disse Barbosa.
Com base nos dados do Atlas, a expectativa é que sejam implantados parques eólicos na Margem Equatorial Brasileira.
O auditório do Instituto Filippo Smaldone, em Manaus (AM), recebeu uma mostra com os resultados do projeto Cine Inclusão – Surdos em Cena no dia 23 de setembro. Cerca de 150 pessoas prestigiaram o evento, entre alunos e convidados, que contou com a exibição dos quatro curtas-metragens produzidos pelos 31 alunos da oficina, celebrando o encerramento de um ciclo de aprendizado e criação coletiva.
O projeto, iniciado em agosto e finalizado em setembro, ofereceu aos alunos surdos da instituição uma formação abrangente em audiovisual, com aulas de roteiro, produção, atuação, arte, filmagem com celular e edição, promovendo inclusão, protagonismo e novas possibilidades de expressão.
Foto: Divulgação
A iniciativa foi idealizada pela produtora cultural e psicóloga Keylla Gomes, que destacou a importância de investir em processos criativos que ampliem o acesso à cultura:
“O Cine Inclusão nasceu do desejo de ver a arte como ferramenta de transformação. Durante esses meses, acompanhamos de perto o talento e a dedicação desses jovens surdos, que provaram que a linguagem do cinema é universal. Hoje, ao ver os filmes na tela e a emoção do público, sentimos que o projeto cumpriu seu papel: formar, incluir e inspirar”.
Foto: Divulgação
A equipe contou com a participação dos oficineiros e profissionais do audiovisual Anderson Mendes, Francy Junior e Adailton Santos, além das assistentes Sarah Valentina e Sophia Gomes.
Cine Inclusão fomenta audiovisual
A tradução em LIBRAS foi realizada por Sarah Vitória, jovem surda e ex-aluna do Instituto Filippo Smaldone, que no ano passado participou do projeto ‘Arte do Silêncio – Surdos em Cena’, também idealizado por Keylla Gomes.
“Voltar ao Instituto Filippo Smaldone agora como intérprete foi muito emocionante para mim. Eu já estive no lugar dos alunos e sei a importância que um projeto como esse tem para abrir portas, dar voz e mostrar que podemos ocupar todos os espaços, inclusive o cinema”, declarou Sarah.
O Cine Inclusão – Surdos em Cena é um projeto contemplado através da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Conselho Municipal de Cultura – CONCULTURA, Manauscult, Prefeitura de Manaus, Ministério da Cultura e Governo Federal. A realização contou ainda com o apoio institucional do Instituto Filippo Smaldone, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – Dandara, Ykamiabas Produções, Branca3 Filmes e Feitoza Mídias.
Os quatro filmes produzidos durante a oficina já estão disponíveis no YouTube, em uma playlist que reúne toda a produção dos alunos:
Fumaça de queimadas prejudicaram o ar em Manaus. Foto: William Duarte/Acervo Rede Amazônia AM
A origem da fumaça que encobriu Manaus (AM) por meses em 2023 está diretamente ligada ao aumento do desmatamento ao longo das rodovias BR-319 e AM-254, especificamente nos municípios de Manaquiri, Careiro e Autazes. A constatação é do estudo publicado na revista Discover Sustainability por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
Para verificar a relação entre a exploração de terras nas rodovias e a poluição na capital amazonense, a equipe utilizou dados atmosféricos do Observatório Amazon Tall Tower (ATTO), do INPA, situado cerca de 150 km a nordeste de Manaus, na direção do Pará, e de sensores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para verificar as emissões de material particulado PM2.5, indicador-chave de poluição atmosférica; dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); e dados de satélite do Projeto de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Em 12 de outubro de 2023, quando Manaus amanheceu encoberta por fumaça das queimadas, a concentração de PM2.5 chegou a 314,99 µg/m³, valor 20 vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde, de 15 µg/m³.
Conforme a pesquisa, os incêndios foram agravados por uma seca extrema na Amazônia, resultante da combinação do El Niño e do chamado dipolo do Atlântico – quando as águas da porção norte do oceano ficam mais quentes, o que reduz a umidade que chega à Amazônia. Tais fenômenos criam condições propícias para incêndios florestais criminosos, que liberam grande quantidade de partículas de fumaça na atmosfera. A poluição intensifica a seca ao inibir a formação de chuva.
Sobre a origem da fumaça, Philip Fearnside, pesquisador do INPA e coautor do estudo, explica: “É descartado que a fumaça tenha vindo do Pará porque mensuramos tanto as emissões do estado quanto as do meio do caminho e elas não tinham a mesma proporção do nível de fumaça que chegou a Manaus”.
A estação ATTO mostrou índices diários de qualidade do ar mais baixos em comparação com a média das estações localizadas ao sul de Manaus. Já os sensores da UEA em Santarém (PA) registraram picos após os verificados na capital amazonense — e com níveis inferiores. Além disso, mapas de vento e dados meteorológicos para outubro e novembro de 2023 indicaram uma grande pluma de fumaça originada da região sul de Manaus, claramente separada das emissões no Pará.
Queimadas geraram fumaça que prejudicava até mesmo o trânsito. Foto: William Duarte/Acervo Rede Amazônia AM
Áreas queimadas foram transformadas em pastagens
Segundo Lucas Ferrante, pesquisador da USP e principal autor do trabalho, observações de campo mostraram áreas queimadas nos municípios de Careiro e Autazes e no trajeto da BR-319, sendo rapidamente convertidas em pastagens, com presença de maquinário e gado.
Diante dos resultados, os pesquisadores enfatizam que a proposta de reconstrução da BR-319 é inviável e, aliada à fraca fiscalização ambiental, ameaça não apenas a biodiversidade e a estabilidade climática, mas também a sustentabilidade de centros urbanos que dependem da integridade ecológica da Amazônia. A estrada, que liga Manaus a Porto Velho, pode impactar 63 terras indígenas, cinco comunidades não reconhecidas e uma população de indígenas isolados, totalizando mais de 18 mil indígenas afetados pela rodovia. O governo federal afirmou que deve anunciar um “acordo definitivo” em setembro para a pavimentação da rodovia.
Porém, avalia Ferrante, “a BR-319 é uma fórmula para o desastre e servirá como espinha dorsal para aumento de incêndios e desmatamentos ilegais em área de floresta intacta, além de abrir áreas com reservatórios zoonóticos, com potencial de liberar novos patógenos preocupantes para a saúde global”.
Segundo o estudo, as soluções passam por priorizar alternativas de baixo impacto, como a melhoria das vias navegáveis, e por políticas integradas que vão além da prevenção reativa de incêndios, confrontando a expansão ilegal da pecuária, grilagem de terras e falta de fiscalização, que alimentam continuamente a degradação ambiental na Amazônia.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
O município de Maués, no Amazonas, foi oficialmente reconhecido como a Capital Nacional do Guaraná. A Lei 15.216/25, que confere o título à cidade, foi sancionada e publicada na edição do Diário Oficial da União desta terça-feira (23).
Conhecido como “Terra do Guaraná”, Maués, a 267 quilômetros de Manaus, é responsável por grande parte da produção brasileira da planta. Anualmente o município organiza a Festa do Guaraná, que celebra lendas e a cultura do fruto.
A lei teve origem em um projeto (PL 2913/22) do deputado federal Sidney Leite (PSD-AM).
“Na região, mais de 2.500 produtores fazem parte do processo de produção. Só em 2019, por exemplo, 540 toneladas foram produzidas em Maués”, explicou o parlamentar, ao apresentar a proposta.
Paullinia cupana é uma planta amazônica e suas sementes são ricas em cafeína, o que lhe dá propriedades estimulantes, semelhantes ao café, ao chá-mate e ao cacau. O extrato é usado em cápsulas, chás, energéticos e alimentos.
Devido a fatores geográficos e físicos, como o solo, vegetação, clima e relevo, a região onde está localizado o município de Maués é considerada um ambiente privilegiado para o surgimento de uma espécie única e efetiva adaptação e reprodução do fruto.
A qualidade do ar em Manaus (AM) voltou a ser tema de atenção em 2024, quando a capital amazonense enfrentou um dos episódios mais críticos de fumaça provocada por queimadas em áreas próximas. Naquele período, a cidade registrou elevados índices de poluição atmosférica, com concentração de material particulado acima dos níveis recomendados por órgãos internacionais de saúde.
A situação levou autoridades a emitirem alertas para a população, especialmente para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a exposição a poluentes resultantes da queima de biomassa pode causar desde irritações nos olhos e garganta até complicações respiratórias mais graves, incluindo crises de asma, bronquite e agravamento de doenças cardiovasculares.
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) destacou em relatórios que a fumaça decorrente das queimadas contém partículas finas capazes de penetrar profundamente nos pulmões e atingir a corrente sanguínea, elevando o risco de problemas à saúde em curto e longo prazo.
Durante a crise de 2024, órgãos de saúde recomendaram medidas emergenciais para reduzir a exposição. Entre as principais orientações estava o uso de máscaras com filtro, como as do tipo PFF2 ou N95, que ajudam a bloquear partículas suspensas no ar. Além disso, recomendava-se evitar atividades físicas ao ar livre, manter as janelas fechadas e usar panos úmidos para vedar frestas em portas e janelas, reduzindo a entrada de fumaça em ambientes internos.
Outro ponto ressaltado por especialistas é a importância da hidratação constante. Beber água regularmente auxilia o organismo a se recuperar da irritação provocada pelas partículas inaladas e a manter as vias respiratórias úmidas, o que diminui a sensação de desconforto.
Pessoas que já apresentavam quadros respiratórios foram orientadas a reforçar o uso de medicamentos prescritos e a procurar atendimento médico em caso de sintomas como falta de ar, dor no peito ou tosse persistente.
Em 2023 a fumaça foi tão forte que cobriu até mesmo a Ponte do Rio Negro, em Manaus. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM
As escolas e instituições públicas também precisaram adaptar suas rotinas. Em alguns dias de maior intensidade da fumaça, houve suspensão parcial de aulas presenciais e recomendação para que crianças permanecessem em casa.
Hospitais e unidades de pronto atendimento registraram aumento expressivo no número de casos relacionados a complicações respiratórias, o que evidenciou a necessidade de preparo prévio do sistema de saúde para esse tipo de evento sazonal.
Além dos cuidados individuais, a ventilação adequada em ambientes fechados foi apontada como uma medida importante. O uso de aparelhos de ar-condicionado com filtros limpos ou de purificadores de ar domésticos pode contribuir para a melhora da qualidade do ar interno.
Em regiões onde esses recursos não estavam disponíveis, órgãos públicos recomendaram a criação de espaços coletivos fechados e climatizados, funcionando como refúgios temporários para grupos de risco durante os dias de pior qualidade do ar.
A Secretaria Municipal de Saúde reforçou, ainda em 2024, a importância da vacinação contra a gripe e outras doenças respiratórias. A justificativa foi que infecções respiratórias virais podem se agravar em cenários de poluição atmosférica, aumentando a vulnerabilidade da população exposta. As unidades básicas de saúde passaram a distribuir material informativo com instruções sobre como agir durante períodos de fumaça intensa.
Acompanhamento da qualidade do ar
Os dados mais recentes mostram que, em episódios de degradação da qualidade do ar, o tempo de exposição é determinante para os efeitos na saúde. Enquanto exposições curtas podem causar apenas desconforto momentâneo, a permanência em áreas afetadas por vários dias consecutivos eleva significativamente os riscos.
Por isso, os órgãos de monitoramento ambiental recomendam acompanhar diariamente os índices de poluição atmosférica, da qualidade do ar, divulgados em plataformas oficiais, como os boletins do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da própria prefeitura de Manaus.
Em situações de emergência, como a enfrentada na capital em 2024, a população é orientada a manter kits básicos de prevenção em casa, contendo máscaras, colírios lubrificantes, soro fisiológico e medicamentos de uso contínuo para doenças respiratórias. O objetivo é garantir resposta rápida diante de crises desencadeadas pela má qualidade do ar.
Assim, os cuidados adotados em períodos de fumaça decorrente de queimadas envolvem tanto a prevenção quanto o acompanhamento constante da saúde. A experiência vivida por Manaus em 2024 evidenciou a necessidade de medidas simples, mas eficazes, para minimizar os impactos da poluição atmosférica no bem-estar da população.