Bastidores na produção do visagismo no FAO. Fotos: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Enquanto o público se encanta com as vozes potentes e os cenários grandiosos de uma ópera, longe dos holofotes, um outro espetáculo acontece nos bastidores. É lá, entre pincéis, pós e sprays, que o visagismo entra em cena — a arte de traduzir, por meio de penteados e maquiagem, a essência dos personagens.
No Festival Amazonas de Ópera (FAO) essa missão está nas mãos do visagista Eugênio Lima, que desde 2018 atua na caracterização dos artistas. Confira alguns dos momentos nos bastidores da ópera:
Atriz do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Enquanto o público se encanta com as vozes potentes e os cenários grandiosos do Festival Amazonas de Ópera (FAO), longe dos holofotes, um outro espetáculo acontece nos bastidores. É lá, entre pincéis, pós e sprays, que o visagismo entra em cena — a arte de traduzir, por meio de penteados e maquiagem, a essência dos personagens.
No Festival Amazonas de Ópera essa missão está nas mãos do visagista Eugênio Lima, que desde 2018 atua na caracterização dos artistas. “Cada ópera tem suas especificidades. A gente estuda tudo com base no figurino e nas orientações da direção. O visagismo tem que estar muito alinhado com a proposta estética do espetáculo”, explica Eugênio.
Visagista Eugênio Lima nos bestidores do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
A partir daí, surge um trabalho minucioso: entender que imagem cada personagem deve transmitir, respeitando sua individualidade e contexto narrativo.
Um dos maiores desafios desta edição, segundo Eugênio, foi dar vida aos personagens de ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart, uma das primeiras óperas apresentadas no festival. “A história se passa em um lugar ensolarado, no campo. Precisávamos criar a aparência de um bronzeado, mas respeitando a tonalidade de pele de cada artista, sem jamais recorrer a recursos que pudessem ser interpretados como blackface. É um cuidado ético e estético”, assegura.
Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Esse compromisso com a autenticidade e o respeito também se reflete na escolha dos materiais: maquiagens hipoalergênicas, oil free e resistentes ao suor são essenciais para enfrentar o calor de Manaus e as luzes intensas do palco.
Camarim em ritmo acelerado
A preparação dos artistas começa cedo. Segundo o visagista, a equipe recebe, com um dia de antecedência, a ordem do dia (OD) — um cronograma com horários e demandas específicas de cada personagem. “Chegamos por volta das 15h30 para organizar tudo. Às 16h já começamos a preparar quem tem caracterizações mais demoradas”, conta Eugênio sobre a preparação para este ano.
A mágica acontece no camarim do Teatro Amazonas. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Ele menciona alguns casos específicos, como o de uma cantora que precisa fazer babyliss em todo o cabelo, ou o do cantor Murilo, que a cada duas récitas precisa raspar completamente a cabeça para compor seu personagem. “É um trabalho de entrega mesmo. Tudo é feito com muito cuidado para que a caracterização esteja impecável do início ao fim”, explica o visagista.
Durante os atos, a equipe permanece alerta. “Descemos ao camarim no segundo ato para conferir tudo. Às vezes, é preciso secar o suor, retocar a maquiagem ou ajustar perucas”, revela.
Apesar do ritmo intenso, Eugênio diz que até agora não houve emergências graves nesta edição. “Já tivemos situações em que uma lace [tipo de peruca que usa uma tela para simular o couro cabeludo de forma mais natural] soltou, mas conseguimos resolver na hora, sem que o público percebesse”, diz.
Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Ao todo, a equipe de visagismo conta com cerca de 16 profissionais, entre maquiadores e cabeleireiros. Eugênio conduz a execução do trabalho com afinco, mas também com gratidão.
“Ver o resultado no palco, perceber que a construção visual dos personagens funcionou, é a maior recompensa. É saber que a soma de todos os detalhes colaborou para aquele momento mágico”, afirma.
Para Eugênio, o FAO representa não apenas um palco de criação, mas também de transformação pessoal: “Já trabalhei nos bastidores sem assinar nada. Hoje, assino óperas com grandes nomes e isso me levou a outros lugares. Agora, quero investir mais em estudos no exterior para trazer novas técnicas para cá. A ideia é essa: formar mais construtores dessa arte que, muitas vezes, passa despercebida”.
Canteiro de mudas em fazenda especializada na produção de castanha-do-Brasil, na Amazônia. Foto: Andressa Barroso
A COP30 – 30ª edição da Conferência das Partes, reunião anual organizada pelas Nações Unidas (ONU) para definir e implementar ações globais de enfrentamento da crise climática – está sendo aguardada com forte expectativa. Agendada para novembro de 2025, deverá ocorrer em Belém, capital do Pará, em plena Amazônia brasileira. É esse componente altamente simbólico que explica o especial interesse suscitado pelo evento. Muitas iniciativas positivas já estão em curso e a construção de uma agenda para a implementação da bioeconomia faz parte do processo.
Estudo recente investigou a governança da política pública em bioeconomia no Estado do Amazonas, analisando sua estrutura e arranjos de implementação. O objetivo foi compreender como uma política pública na área se relaciona com os esforços locais e identificar formas de aprimorar a sua efetividade. Conduzido por Vanessa Cuzziol Pinsky, pesquisadora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), o trabalho foi supervisionado por Jacques Marcovitch, professor emérito da USP, e teve a participação do pesquisador Adalberto Luis Val, atualmente sediado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os resultados forampublicados na Revista de Administração Contemporânea.
Projeto de Bioeconomia. Foto: Sant Film Studios/IDESAM
“O objetivo principal da pesquisa foi entender se e como o sistema de governança da política pública em bioeconomia no Estado do Amazonas se integra com esforços efetivos de implementação. Nosso modelo foi o da governança experimentalista para formulação e implementação de políticas públicas, abordagem bem-sucedida na União Europeia para lidar com a complexidade e a diversidade de seus Estados-Membros, por meio de uma coordenação de políticas sem impor regras rígidas em áreas como mudanças climáticas, regulação financeira e direitos sociais”, diz Pinsky.
A pesquisadora explica que o conceito de “governança experimentalista” traduz a ideia de um processo mais flexível, envolvendo atores públicos e privados em diferentes níveis, por meio de uma abordagem de aprendizado contínuo baseada na prática, adaptação e participação descentralizada. “A intenção é criar uma dinâmica que facilite a formulação de regras e a definição de arranjos de implementação capazes de garantir que a política nacional se traduza em práticas e resultados concretos nos níveis subnacional e local, beneficiando o desenvolvimento socioeconômico com a conservação ambiental dos territórios”, afirma.
Em um sistema desse tipo, as lições aprendidas ao longo do processo possibilitam melhorar a elaboração de regras e metas, considerando os desafios, as experiências bem-sucedidas e os erros a serem evitados. Isso demanda uma estrutura de governança participativa e multinível, além de articulação com as políticas setoriais já existentes, de forma a contemplar os interesses econômicos muitas vezes divergentes dos diferentes atores. Além disso, é necessário estabelecer um sistema de revisão por pares dos resultados e dos impactos, subsidiando a revisão dos planos e metas. “É fundamental que tudo isso deságue na formulação de uma agenda de Estado e não de governo, pois muitas iniciativas excelentes acabam sendo descontinuadas cada vez que um grupo governante é substituído por outro”, enfatiza o professor Marcovitch.
Produtos para Bioeconomia. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Entre as recomendações do estudo, destacam-se a criação de um sistema de métricas e metas, com indicadores de resultado e impacto, a definição de mecanismos de financiamento sustentável e a institucionalização da bioeconomia como política transversal de longo prazo. Essas medidas visam garantir a perenidade das iniciativas e atrair investimentos para a região. “A bioeconomia se apresenta como uma alternativa viável para aliar desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental na Amazônia, mas seu sucesso depende de um sistema de governança eficaz, participativo e resistente a mudanças políticas”, argumenta Marcovitch.
Pinsky conta que o conceito de “redes de conhecimento produtivo” em lugar de “cadeias produtivas” guiou a pesquisa. Esse conceito foi proposto pela Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas (Sedecti). As redes de conhecimento produtivo consideram que o uso sustentável dos recursos naturais, a coleta e o cultivo por agricultores familiares e povos tradicionais são pilares estruturantes das cadeias produtivas nos territórios. Tal modelo prioriza a conservação ou regeneração dos ecossistemas em harmonia com o modo de vida das comunidades locais, os saberes tradicionais e as práticas de produção familiar em pequena escala, muitas vezes organizadas em associações e cooperativas.
“A valorização do conhecimento tradicional, o envolvimento efetivo e o protagonismo dos povos indígenas e das comunidades locais são indispensáveis para o fomento da política em bioeconomia. Melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade, considerando o uso sustentável da floresta, a geração de emprego e renda e bem-estar das comunidades, são bases estruturantes para a formulação de políticas de desenvolvimento regional na Amazônia”, afirma a pesquisadora.
Produtos para Bioeconomia. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
O estudo agrupa em cinco pilares suas contribuições para o aprimoramento do sistema de governança da política pública em bioeconomia: desenvolvimento de uma bioeconomia inclusiva, que considere a diversidade e os desafios locais na definição da estratégia; governança experimentalista, com um sistema flexível e eficiente baseado em metas e métricas e a revisão por pares dos resultados; institucionalização da bioeconomia como política de Estado e não de governo; inovação e modelo de hélice quíntupla, envolvendo governo, sociedade, indústria, academia e meio ambiente; estratégias de baixo para cima e de cima para baixo na formulação de políticas, reduzindo a burocracia, incentivando a inovação por meio da experimentação e identificando bases sólidas para o desenvolvimento das regras.
“A bioeconomia é uma abordagem socioeconômica promissora que concilia a conservação ambiental com a geração de emprego e renda, reduzindo a pobreza e a desigualdade. A articulação de uma política nacional com coordenação na esfera estadual e implementação no nível local é estratégica para fomentar o desenvolvimento de uma bioeconomia circular, regenerativa, de baixo carbono e inclusiva, centrada no bem-estar humano e na conservação dos ecossistemas”, resume Marcovitch.
O Highly Ranked Scholars compila os autores mais produtivos (em número de publicações), cujos trabalhos têm profundo impacto (em número de citações) e a mais alta qualidade (Índice-H). O ranking analisa mais de 30 milhões de perfis acadêmicos, que abrange mais de 200 milhões de publicações acadêmicas registradas em mais de 350 mil especialidades, 177 disciplinas e 14 áreas. Os dados usados baseiam-se na atividade dos últimos cinco anos, ponderando cada publicação e citação pelo número de autores e excluindo autocitações.
“O interessante deste índice é que ele exclui a autocitação, ou seja, ele só conta citações das publicações que não sou eu que faço, por isso ele é um índice interessante e está sendo bem aceito pela comunidade científica”, declara Bogoni que atua no curso de Ciências Biológicas do câmpus de Cáceres, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) e no Programa de Pós-Graduação da Rede em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte).
Pesquisas com mamíferos. Foto: Reprodução/Agência Andina
O biólogo explica que sua pesquisa trabalha com muitos aspectos da biodiversidade ao longo dos três biomas do Estado de Mato Grosso e também na Mata Atlântica. “O único bioma que eu não trabalhei presencialmente ainda foi a Caatinga”, conta o professor. “Minha pesquisa está mais voltada para esta parte de inventários de fauna, padrões de diversidade, composição de espécies, de conflito humano-fauna, mas que, na maioria das vezes, tento também colocar uma aplicabilidade, algo prático em relação ao manejo de paisagens, de fauna e tudo mais”, diz Bogoni.
O pesquisador possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Contestado (UnC), em Santa Catarina, e mestrado e doutorado em Ecologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além de três pós-doutorados: pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade de East Anglia, no Reino Unido, bem como especialização em Data Science e Analytics pela USP e em Biologia da Conservação da Natureza pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.
Não é a primeira vez que o pesquisador tem seu trabalho reconhecido: ele conquistou o segundo lugar da segunda edição do Prêmio MapBiomas, em 2020, e o segundo lugar no Prêmio Darrel Posey da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia, em 2016.
Professor visitante na Unemat, atua no Laboratório de Mastozoologia com o professor Manoel Santos Filho, já tendo atuado em diversas universidades, como a britânica Universidade de East Anglia, federais como as de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Minas Gerais (UFMG), da Paraíba (UFPB), e de Santa Catarina (UFSC); estaduais como as do Rio de Janeiro (Uerj) e de São Paulo (USP); e particulares como as do Contestado (UnC), de Passo Fundo (UPF) e do Sul de Santa Catarina (UniSul), bem como no Instituto Espaço Silvestre (IES) e na Sociedade Brasileira de Mastozoologia (SBMZ).
A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Unemat, Áurea Ignácio, explica que, para o fortalecimento e consolidação dos programas de pós-graduação, a Universidade contrata professores visitantes como uma estratégia de aumento e fortalecimento. “O professor Juliano Bogoni possui forte expertise em publicações de circulação internacional e orienta alunos de mestrado e doutorado em dois dos nossos programas, o que garantiu este excelente resultado, inserindo a Unemat no cenário mundial de fortes publicações na área de mamíferos”, enfatiza a pró-reitora.
A ScholarGPS contabilizou 52 publicações do pesquisador da Unemat, com 1.125 citações e um Índice-H de 18. Na classificação do ranking, o pesquisador é categorizado na área de Ciências da Vida e na disciplina de Ciências Ambientais. A plataforma também cataloga as principais especialidades de cada pesquisador, atribuindo a Bogoni especialidade em mamíferos, biodiversidade, biologia da conservação, florestas, habitats e Mata Atlântica.
Espécie da família dos cervídeos, popularmente conhecidos como veados. Foto: Divulgação/ICMBio
Em todo o mundo, foram classificados somente 24 pesquisadores de 12 países: oito dos Estados Unidos, quatro da Itália, dois do Reino Unido e dois do Brasil, com Argentina, Austrália, Áustria, China, Colômbia, Japão, Rússia e Suíça tendo classificado um pesquisador cada.
A outra pesquisadora brasileira é Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, da Universidade de São Paulo, que conquistou a 10ª colocação.
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) entrou na Justiça, na segunda-feira (12), para tentar suspender uma lei que “perdoa” multas por crimes ambientais e regulariza a situação de pessoas que vivem ou trabalham irregularmente na Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná.
“A atuação do MP é em defesa da coletividade e da proteção do meio ambiente, principalmente daquela unidade de preservação ambiental, que é patrimônio público. Logo, ela não pode ser utilizada para favorecer determinados grupos, principalmente invasores, que já vêm registrando muitos danos ambientais da RESEX ao longo dos anos”, aponta a promotora Dra. Edna Capeli.
A norma foi criada pelo deputado Dr. Luis do Hospital (MDB), chegou a ser vetada pelo governador Coronel Marcos Rocha, mas a Assembleia Legislativa derrubou o veto e aprovou a medida por conta própria. Ela está em validade desde o fim de abril.
O Ministério Público argumenta que a lei é inconstitucional, fere princípios da Constituição e enfraquece a proteção ambiental no país. Segundo o MP, a norma também vai contra a Lei Federal nº 9.985/2000, que diz que reservas extrativistas devem ser usadas apenas por populações tradicionais, proibindo ocupações irregulares e atividades econômicas com fins comerciais.
Ainda segundo a ADI, a lei aprovada cria um cenário de impunidade ao permitir, na prática, o perdão de multas por crimes ambientais e o cancelamento de processos judiciais relacionados à ocupação irregular da reserva, o que pode gerar insegurança jurídica.
O pedido de medida cautelar foi encaminhado ao Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), que irá decidir, inicialmente, sobre a suspensão imediata da lei. Em seguida, o mérito da ação será julgado, com possibilidade de declaração definitiva de inconstitucionalidade da norma.
Outro ponto destacado pelo MP-RO é que a nova lei, ao autorizar a regularização das ocupações dentro da reserva, não estabelece critérios claros ou mecanismos para a recuperação das áreas já degradadas.
“A norma ignora a necessidade de restaurar o meio ambiente local, não especificando como ou quando serão implementadas ações para recompor a vegetação nativa ou compensar os danos ambientais causados nas últimas décadas”, afirma o Ministério Público.
Outro problema identificado pelo órgão é a ameaça para as comunidades tradicionais que vivem regularmente dentro da Resex, uma vez que o programa foi criado sem ouvir essas pessoas.
O MP ressalta ainda que a ausência de diretrizes para resolver disputas de uso da terra, somada à fragilização dos instrumentos de fiscalização e punição, cria cenário de insegurança jurídica, capaz de estimular novas invasões e de dificultar a convivência pacífica na unidade de conservação.
Com base nos argumentos, o órgão pede que a norma seja declarada inconstitucional.
Criada em 1996, com cerca de 200 mil hectares, localizada entre os municípios de Porto Velho e Nova Mamoré, a Resex Jaci-Paraná é classificada como unidade de uso sustentável, ou seja, permite a presença humana, mas com regras voltadas à conservação.
Foi pensada para proteger comunidades tradicionais e o modo de vida baseado na extração de produtos da floresta, como látex, castanha e açaí.
Dados de monitoramento ambiental citados pelo MP apontam que, entre 2012 e 2022, a extensão de áreas ocupadas por atividades agropecuárias na reserva aumentou 239%, enquanto a área de floresta foi reduzida em mais de dois terços.
*Por Agaminon Sales e Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO
Ação faz parte do projeto Ópera em Rede. Fotos da galeria: Isabelle Lima/Portal Amazônia
O brilho dos lustres, a imponência da arquitetura e o som vibrante das vozes no palco marcaram o segundo encontro de cerca de 500 pessoas com o universo da ópera. Realizada no dia 12 de maio, a iniciativa ‘Minha Primeira Ópera‘ proporcionou a “estreia” de muitos manauaras no Teatro Amazonas, com a apresentação de dois atos do clássico ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart.
A ação integra o projeto ‘Ópera em Rede’, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), e tem como protagonistas adolescentes e idosos atendidos pela Adra Brasil no Amazonas, além de moradores da comunidade do Puraquequara — região periférica de Manaus.
“Ópera é uma grande fofoca embasada”, brincou o estudante Joaquim Ruan, ao tentar explicar, com bom humor, sua percepção do enredo do espetáculo ‘As Bodas de Fígaro’. “Mas é muito legal. Eu gostei porque une duas coisas que amo: teatro e música”, afirmou.
Minha Primeira Ópera. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia
O brilho dos lustres, a imponência da arquitetura e o som vibrante das vozes no palco marcaram o segundo encontro de cerca de 500 pessoas com o universo da ópera. Realizada no dia 12 de maio, a iniciativa ‘Minha Primeira Ópera‘ proporcionou a “estreia” de muitos manauaras no Teatro Amazonas, com a apresentação de dois atos do clássico ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart.
A ação integra o projeto ‘Ópera em Rede’, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), e tem como protagonistas adolescentes e idosos atendidos pela Adra Brasil no Amazonas, além de moradores da comunidade do Puraquequara — região periférica da capital amazonense. Para muitos, foi mais que uma simples ida ao teatro, foi um mergulho em um mundo até então desconhecido.
Minha Primeira Ópera: experiência emociona participantes de projeto cultural com espetáculo no Teatro Amazonas. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia
Cláudia Daou Paixão, diretora-presidente da FRAM, ressaltou o papel da entidade na promoção da cultura na região: “A gente quer proporcionar para quem está mais longe, para quem nunca teve a chance de estar aqui, a oportunidade de viver esse momento. É sobre fortalecer pessoas, desenvolver a região por meio da arte, da cultura e da educação. Esse é o nosso maior legado”.
A executiva Mariane Cavalcante, diretora do projeto, destacou as diversas frentes do ‘Ópera em Rede’, como a ‘Ópera na Escola’, que já levou espetáculos líricos para mais de mil alunos da rede pública. “Nossa missão é levar cultura aonde normalmente ela não chega. E quando a gente vê o retorno dessas comunidades, temos certeza de que estamos no caminho certo”, disse.
Minha Primeira Ópera: experiência emociona participantes de projeto cultural com espetáculo no Teatro Amazonas. Foto: Divulgação
“Ópera é uma grande fofoca embasada”, brincou o estudante Joaquim Huan, ao tentar explicar, com bom humor, sua percepção do enredo do espetáculo ‘As Bodas de Fígaro’. “Mas é muito legal. Eu gostei porque une duas coisas que amo: teatro e música”, afirmou.
O encantamento tomou conta do público. Marco Antônio Vilaça, outro estudante estreante no Teatro Amazonas, contou que não esperava gostar tanto. “Superou minhas expectativas. O carteiro da história é muito engraçado. Nunca imaginei me divertir tanto com uma ópera. Espero ter outras oportunidades de vir ao Teatro Amazonas e conhecer mais da cultura local”, comentou o jovem.
Público acompanhou espetáculo ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia
A diretora Lidiane Lozana levou 250 estudantes ao teatro. “Muitos pais e alunos nunca viveram isso. Houve uma grande mobilização para que tudo acontecesse. É um aprendizado que eles vão levar para a vida toda”, disse.
Moradores da comunidade Vila do Puraquequara também participaram da ação. Aline Penha, coordenadora local, destacou a importância do momento:“Ali tem gente que nunca tinha pisado nesse teatro. Quando eu contei que o transporte, a entrada e até o lanche seriam gratuitos, custaram a acreditar. Mas formamos a lista, subimos no ônibus e chegamos aqui. Foi tudo muito bem organizado. O povo está encantado”.
A coordenadora também fez um apelo para a continuidade dos projetos culturais. “Essa é uma semente plantada. Agora precisamos levar mais iniciativas como essa para dentro da comunidade, principalmente ações ligadas à sustentabilidade. O impacto é real”, incentivou Aline.
O Papa Leão XIV, atual líder da Igreja Católica, revelou seu carinho especial pela culinária peruana. O pontífice, que passou parte da vida no Peru, destacou alguns dos pratos tradicionais do país que compõe a Amazônia Internacional que marcaram sua trajetória.
Em uma entrevista à rádio peruana Exitosa, Prevost, quando questionado sobre o que mais sentiria falta do Peru, respondeu que seria a culinária local, em especial a culinária da província de Lambayeque.
“O que mais gostei na culinária? Bem, muitas coisas como ceviche, cabrito… há tantas coisas de que gosto!”, afirmou Prevost.
Segundo a freira Margarita Flores, que trabalhou com o Papa Leão XIV quando ele era bispo em Chiclayo, o que ele mais gostava da culinária da região eram os Tomales Verdes, o Cabrito con loche e o aji de galinha.
Prato feito de peixe fresco e cru cortado em pequenas tiras. É marinado por várias horas em cítricos, e junta-se coentro, rodelas de cebola roxa e vários tipos de pimenta. O peixe utilizado deve ser de carne branca e de água salgada. Podem ser feitas algumas variações com frutos-do-mar (camarão, polvo, ostras ou mariscos), mas são tão apreciados assim.
Pratos de ceviche variados. Foto: Reprodução/ Facebook- intihuasi restaurante
Consiste em carne de cabrito cozida lentamente em um molho com alho, coentro, cebola, pimentão e chicha de jora (uma bebida à base de milho). Geralmente, o cabrito é acompanhado de arroz, feijão, mandioca e/ou yuca frita.
Prato de Seco de Cabrito. Foto: Reprodução/ Pinterest
Arroz con Pato
Prato com raízes profundas na história da cultura culinária das montanhas peruanas, consiste em peito de pato assado em cerveja e licor de pisco, acompanhado de uma mistura de arroz e vegetais.
Prato de Arroz de Pato. Foto: Reprodução/ Comedera
Os tamales verdes são um tipo de pamonha peruana, feitas com milho e geralmente recheadas com carne, frango ou queijo.
Prato de Tomales Verdes. Foto: Reprodução/ Tudo Gostoso
Ají de Galina
O prato leva um creme feito com leite evaporado e uma pasta de uma pimenta chamada aji amarillo, acompanhado de batatas cozidas, ovos, arroz e azeitonas
Prato de Ají de Galina. Foto: Reprodução/ ComoHacer
Rondônia registrou 4.610 entradas de turistas internacionais em 2024, número que representa um crescimento de 18,7% em relação ao ano anterior. Foto: Gisele Machado/Governo de Rondônia
O Estado de Rondônia vem conquistando cada vez mais espaço no cenário do turismo nacional e internacional é o que aponta dos dados da Polícia Federal, do Ministério do Turismo e Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Segundo dados, o número de turistas estrangeiros aumentou significativamente em 2024.
Por meio da Superintendência Estadual de Turismo de Rondônia (Setur), ações voltadas à melhoria da infraestrutura, ao marketing turístico, incentivo às atividades do setor e ao fortalecimento dos produtos regionais também têm contribuído para ampliar a visibilidade de Rondônia como destino de referência na Região Norte.
Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, no baixo Madeira, em Porto Velho, Rondônia. Foto: Reprodução/Semdestur
Um dos destaques mais recentes foi a participação de Rondônia no Meeting Brasil Europa, realizado em março de 2025. O evento internacional reuniu operadoras de turismo e agentes de viagens europeus, consolidando Rondônia na vitrine mundial do turismo, com foco especial no ecoturismo, turismo de pesca esportiva e de aventura.
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o turismo é essencial para o desenvolvimento socioeconômico do estado. “O turismo fomenta a economia, gera emprego e renda, além de movimentar os setores de comércio e serviços. Com isso, podemos realizar investimentos importantes para o crescimento e desenvolvimento de Rondônia”, enfatizou.
Programa Rondônia Tem Turismo, promove as regiões, mobilizando a população para identificar os principais atrativos. Foto: Divulgação
Entre os principais países de origem dos visitantes que chegaram ao estado por via aérea estão Portugal, Estados Unidos, Espanha, Reino Unido e França, tendo como principais portões de entrada os aeroportos de São Paulo (55,2%), Brasília (34,2%), Belo Horizonte (3,1%), Manaus (1,8%) e Cuiabá (1,4%).
Conforme os dados oficiais, Rondônia registrou 4.610 entradas de turistas internacionais em 2024, número que representa um crescimento de 18,7% em relação ao ano anterior, quando o estado recebeu 3.882 visitantes. O levantamento considera ainda turistas que ingressaram por outros estados e incluíram Rondônia em seus roteiros de viagem.
Encontro das Águas em Rondônia. Fotos: Daiane Mendonça/ Secom RO
O superintendente de Turismo, Gilvan Pereira, ressaltou a importância da atuação integrada e estratégica do governo na promoção do setor.
“Estamos trabalhando para posicionar Rondônia como um destino atrativo e competitivo. Nossas riquezas naturais, nossa cultura e hospitalidade são diferenciais que encantam os visitantes”.
Plano de Gestão Ambiental e Territorial. Foto: Jéssica Santana
Dar protagonismo e autonomia aos povos indígenas e promover a proteção de terras, florestas, rios e costumes. Esses são alguns dos objetivos de um documento que representa importantes conquistas para as famílias que vivem na Terra Indígena (TI) Koatinemo, em Altamira, no Sudoeste do Pará. Durante o III Intercâmbio Cultural Asurini, na aldeia Ita-aka, lideranças indígenas, jovens e anciãos lançaram do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA).
A elaboração desse importante instrumento contou com o suporte e assessoria da Norte Energia, por meio do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) da Usina Hidrelétrica Belo Monte.
O PGTA da Terra Indígena Koatinemo sintetiza o olhar estratégico do povo sobre questões de saúde, educação, cultura, atividades produtivas, economia, proteção territorial e fortalecimento institucional, registrando como eles se enxergam hoje e onde pretendem chegar na gestão de seu território.
Plano de Gestão Ambiental e Territorial. Foto: Jéssica Santana
Construído de forma participativa entre os indígenas, o plano representa uma ferramenta importante do Povo Asurini, de implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). O documento orienta o uso dos recursos naturais, a preservação do patrimônio cultural — material e imaterial — e ações para melhoria da qualidade de vida das 90 famílias que vivem em sete aldeias da região, distante cerca de três horas de barco de Altamira. Ao todo, são 340 pessoas.
Em 2013, foram iniciadas ações de proteção, fiscalização e monitoramentos de terras, como parte do Programa de Gestão Territorial Indígena. Em 2023, fruto da interface com as ações de fortalecimento institucional, teve início a elaboração do plano, que foi distribuída em quatro etapas: sensibilização e mobilização; diagnóstico do território, por meio de oficinas; planejamento com rodas de conversa; e validação do documento pelos indígenas.
O cacique Kwain Asurini, da Aldeia Ita’Aka, afirma que esse é um marco para sua geração e avalia que o plano será uma ferramenta que vai salvaguardar os direitos de seu povo. “Esse documento é uma garantia dos nossos direitos, ele assegura nosso modo de viver, de praticar a nossa cultura. Demorou anos para ficar pronto e, com a parceria da Norte Energia, o Povo Asurini teve essa conquista. Nós estamos muito felizes de ter recebido esse documento tão importante para Terra Indígena Koatinemo”, explicou o cacique.
O Plano de Gestão Territorial Ambiental (PGTA) é uma das principais ferramentas de implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), instituída pelo Decreto nº 7.747/2012.
Plano de Gestão Ambiental e Territorial. Foto: Jéssica Santana
O PGTA da Terra Indígena (TI) Koatinemo é o segundo a receber o apoio da Norte Energia, por meio do PBA-CI da Usina Hidrelétrica Belo Monte. Antes dele, foi lançado o plano dos Povos Juruna, da TI Paquiçamba, e Arara, da TI Arara da Volta Grande do Xingu, em cerimônia realizada em janeiro de 2019, no auditório da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Altamira.
De acordo com a gerente Socioambiental do Componente Indígena da Norte Energia, Sabrina Brito, a construção do PGTA é um exemplo de processo participativo e reflete o compromisso da companhia com a proteção ambiental e territorial e o respeito aos povos indígenas.
“Entregar essa publicação no III Intercâmbio do Povo Asurini simboliza os bons resultados da parceria entre a Norte Energia e os povos indígenas. O PGTA mostra como os indígenas se veem e como eles querem se ver ao longo do tempo. Com essa entrega, estamos contribuindo para a proteção desse território e para a propagação de seus usos e costumes para as gerações futuras”.