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Festival Amazonas de Ópera 2025: o que são ‘As bodas de Fígaro’?

Festival Amazonas de Ópera 2025. Foto: Julia Harlley/SEC AM

Com três apresentações de ópera, três concertos e dois recitais, a programação da 26ª edição do Festival Amazonas de Ópera (FAO) integra um projeto de cooperação internacional que envolve instituições culturais do Brasil, Colômbia, Portugal e Áustria, com o objetivo de promover o festival internacionalmente.

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A ópera ‘As bodas de Fígaro’, idealizada por Wolfgang Amadeus Mozart, em 1786, encerra as apresentações do festival este ano, no Teatro Amazonas. Criada com libreto de Lorenzo da Ponte, a obra se baseia na peça de teatro de mesmo nome de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais. Estreou em Viena, na Itália, mas se ambienta em Sevilha, na Espanha.

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Festival Amazonas de Ópera 2025. Foto: Julia Harlley/SEC AM

A história

Realizada em quatro atos e com um intervalo de 20 minutos (com duração de cerca de 4 horas), a obra gira em torno do casamento entre os criados Fígaro e Susanna, que enfrentam diversos obstáculos impostos por seu patrão, o Conde Almaviva.

No primeiro ato, Fígaro descobre que o Conde está tentando seduzir Susanna, reavivando o antigo “direito do senhor” de dormir com a criada antes do casamento. Paralelamente, Marcellina tenta obrigar Fígaro a se casar com ela com base em uma dívida não paga, e Cherubino, o pajem, é enviado ao exército após ser flagrado com a filha do jardineiro.

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Festival Amazonas de Ópera 2025. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

No segundo ato, a Condessa, triste com a infidelidade do marido, se une a Fígaro e Susanna para desmascarar o Conde. O plano envolve enganar o Conde com um encontro fingido com Susanna, usando Cherubino disfarçado. A farsa é interrompida e o Conde confronta a esposa. No meio da confusão, Marcellina reaparece com o contrato que obriga Fígaro a casar-se com ela, colocando em risco sua união com Susanna.

No terceiro ato, a Condessa e Susanna elaboram um novo plano: trocarão de roupas para enganar o Conde em um encontro noturno. Susanna entrega a carta com instruções ao Conde e, durante uma audiência sobre o contrato de Marcellina, é revelado que Fígaro é filho dela com Bartolo. O impasse se desfaz com a reunião familiar e os preparativos para um casamento duplo.

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Festival Amazonas de Ópera 2025. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

O quarto ato se passa no jardim, onde ocorrem os encontros planejados. Fígaro, sem saber do disfarce, acredita que Susanna o trai e prepara uma vingança. A confusão se intensifica com os disfarces e mal-entendidos, até que tudo é esclarecido com a revelação da verdadeira identidade da Condessa. O Conde, ao perceber que foi enganado, pede perdão à esposa, encerrando a ópera com reconciliação e a celebração dos casamentos.

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Produção

Para a realização das Bodas de Fígaro no Festival Amazonas de Ópera, foram necessários cerca de 280 profissionais entre a produção do evento, técnicos, músicos e responsáveis pelos cenários, iluminação, visagismo, figurinos e maquiagem.

O maestro Luiz Fernando Malheiro avalia a qualidade técnica do Festival, pontuando que cerca de 85% da mão de obra é local: “Na sua 26º edição, ele é o maior festival de ópera da américa latina, é reconhecido no mundo todo como um evento super importante culturalmente pela qualidade do que é feito aqui. Nós temos a melhor orquestra de ópera do país, coral profissional e nós trazemos cantores excelentes, maestros, diretores de cena”.

Para o maestro, é essencial a capacitação que tem sido feita desde o início do Festival, em 1997, na qual profissionais de diversas áreas, tanto do contexto musical, quanto da cenotécnica, por exemplo, tornaram-se mais qualificados. 

Festival Amazonas de Ópera 2025. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

Giorgia Massetani, que assina a cenografia do espetáculo, ressalta que o trabalho todo só é possível se realizado em conjunto e harmonia com os outros setores da ópera. Na questão cenotécnica, explica que cada profissional tem sua importância.

“São profissionais que estão desde a confecção até a ópera em si. Temos pintores, escultores, aderecistas, tapeceiros, costureiros, que não são somente costureiros da parte da área de figurino, mas na confecção de cortinas, tapeçaria dos objetos cênicos. Temos também pintores, serralheiros e marceneiros. Todos eles são pessoas que, ao longo desses 26 anos de festival, foram sendo capacitados e geraram um profissionalismo muito potente ao Festival”, relata a cenógrafa ítalo-brasileira Giorgia, que atua desde 2012 no Festival.

Quem também atua há mais de uma década na produção do Festival é a amazonense Melissa Maia. Ela acrescenta que, em todas as camadas do Festival, são necessárias pesquisas do contexto, dos personagens, reuniões entre os campos artísticos e para adaptações da obra no contexto amazônico.

Além disso, também mostra a importância dos profissionais para as trocas de figurino, de forma que tudo se encaixe na apresentação.

Festival Amazonas de Ópera 2025. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

“As pessoas tendem a achar que a equipe de figurino se resume só ao figurinista, e realmente não é. Tem figurinista, tem produtor de figurino, tem camareiras, tem costureiras, tem adereçagem, contrarregras. São muitas pessoas que fazem essa magia do figurino e da cena acontecer. A gente tem uma equipe agora com oito camareiras que fazem toda essa logística de troca. A gente ensaia essas trocas, recebe os sinais do stage manager e organiza uma verdadeira dança nos bastidores para tudo sair perfeito”, explica.

Por fim, o maestro afirma que o Festival movimenta não só a cultura, mas o turismo em torno da região amazônica, fomentando passeios turísticos, imersão na gastronomia e na biodiversidade e assegura que a ‘energia’ amazonense é um diferencial.

“Jamais teríamos feito o que fizemos aqui em qualquer outro teatro brasileiro. Os funcionários do teatro, os técnicos, os maquinistas, os cenógrafos, o pessoal que trabalha na CTP, todos vestem a camisa do festival, não tem hora, todo mundo se entrega, veste a camisa e trabalha com amor. É fácil você andar pelos bastidores e ver o pessoal cantarolando os temas da ópera e isso é muito diferente do que acontece nos outros teatros brasileiros. Essa energia que vem da natureza, eu acredito, essa energia do amazonense é muito importante e continua sendo um diferencial para o Festival ter se tornado o que se tornou”, finaliza Malheiros.

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Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

7 fatos que somente o Festival Amazonas de Ópera poderia proporcionar para a cultura no estado

Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) gerou importante impacto para a cultura e a economia criativa manauara. Foi a partir deste evento que os corpos artísticos do Amazonas começaram a ser montados. A arte, o turismo e outros setores da economia passaram a ganhar novo fôlego, mostrando para quem vive na região ou a visita a busca de algo novo o potencial local.

Conheça um pouco da história e fatos que tornam o Festival Amazonas e Ópera tão único:

Curiosidades do Festival Amazonas de Ópera. Arte: Joel Carter/Portal Amazônia

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Baldes plásticos viram mini estufas e inovam o cultivo de castanheira no Acre

Foto: Emanuelle Araujo Granja

Comunidades agroextrativistas do Acre estão adotando uma técnica inovadora para a produção de mudas de castanheira-da-amazônia (também conhecida como castanheira-do-brasil ou castanheira-do-pará).

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Desenvolvido por pesquisadores da Embrapa em parceria com os próprios extrativistas, o método se baseia em mini estufas — um sistema simples, prático e de baixo custo —, que têm se mostrado eficientes para a germinação e crescimento das plantas. A espécie é fundamental para a economia e o meio ambiente da região amazônica.

Mais de 360 extrativistas do Acre já foram capacitados nessa técnica e há casos dos que começaram a produzir mudas tanto para o plantio em suas propriedades quanto para iniciativas de regeneração florestal ou comercialização.

De acordo com a pesquisadora Lúcia Wadt, da Embrapa Rondônia, o método foi criado pensando na realidade das comunidades, que enfrentam desafios logísticos para transportar mudas produzidas em viveiros convencionais.

“As mini estufas são confeccionadas a partir de baldes plásticos reutilizados, criando um ambiente controlado que favorece o desenvolvimento das mudas”, explica a pesquisadora. “Nossa meta foi tornar a produção mais acessível e viável, principalmente em pequena escala, em que há maior necessidade de soluções práticas e econômicas”.

Foto: Emanuelle Araujo Granja

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Valor econômico e social

Reconhecida pela produção de castanhas de alto valor econômico no mercado nacional e internacional, a castanheira é uma espécie essencial para pequenos produtores e agroextrativistas. Contudo, o cultivo enfrenta desafios como a dormência das sementes, que possuem cascas duras, a falta de uniformidade na germinação e o ataque de roedores, atraídos pelas castanhas presas às mudas.

A principal forma de propagação da castanheira é por meio de sementes. Há diversas recomendações documentadas para a produção de mudas em viveiros florestais, o que exige estrutura e mão de obra especializada. São utilizadas sementeiras suspensas e canteiros com sombra e proteção contra animais, além do uso de insumos agrícolas, como sacolas plásticas ou tubetes para a germinação.

Foto: Emanuelle Araujo Granja

No entanto, essa tecnologia é pouco acessível para pequenos produtores e agroextrativistas que desejam produzir mudas em pequena escala, principalmente para uso próprio. Muitos relatam dificuldades na produção de mudas de castanheira.

A técnica das mini estufas busca resolver esses problemas, simplificando a produção e tornando-a mais acessível para comunidades que dependem do extrativismo.

“No método tradicional, é preciso ter irrigação ou alguém que regue três a quatro vezes diariamente. No método da mini estufa, essa frequência é eliminada; é preciso molhar, claro, mas a muda estará mais estabilizada”, afirma Wadt.

A pesquisadora considera que o desenvolvimento dessa metodologia representa um avanço significativo para a produção de castanhas em áreas agroextrativistas. Ela permite que os produtores aproveitem melhor o potencial de suas áreas de plantio, estabelecendo novas castanheiras ou enriquecendo florestas degradadas “Além de ter potencial de promover práticas agrícolas mais sustentáveis na região amazônica ”, conclui.

Iniciativas locais e exemplos de sucesso

A engenheira florestal Eneide Taumaturgo, da Secretaria de Agricultura do Acre, trabalha na transferência dessa tecnologia para produtores locais. Apesar de alguns desafios iniciais, a engenheira afirma que a metodologia foi adaptada para facilitar o processo e estimular a adoção. “Com o uso de materiais facilmente disponíveis, como baldes plásticos e substratos de fácil obtenção, é possível produzir mudas de alta qualidade com baixo custo e sem a necessidade de infraestrutura complexa”, observa.

FotoJoziane Evangelista

Na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, a engenheira agrônoma e gestora ambiental Joziane Evangelista se destaca na produção de mudas. Após capacitação pela Embrapa, Evangelista implementou a técnica em um pequeno viveiro, contribuindo para a recomposição florestal e gerando renda para a comunidade. Ela destaca que o sucesso depende de cuidados específicos, como a rápida manipulação das sementes para garantir uma boa taxa de germinação.

“Fui aprimorando o método com algumas técnicas. Agora, estou iniciando meu próprio viveiro, já fiz meu cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas, o Sistema Renasem, para poder vender as minhas mudas. Além de ser importante na recomposição florestal, a produção de mudas também vai agregar valor econômico para a comunidade, que poderá comercializar mudas produzidas na Reserva. Como sou filha de extrativista, saí apenas para estudar, acho importante trazer o conhecimento para a comunidade”, afirma Joziane.

Passo a passo da metodologia

A produção de mudas em mini estufas começa com a escolha de sementes de alta qualidade – um dos pontos chaves na aplicação do método -, coletadas de, pelo menos, 20 árvores matrizes com boa produtividade.

Lúcia Wadt observa que a castanheira-da-amazônia é uma espécie que necessita de polinização cruzada entre árvores diferentes para a produção de frutos (alógama). Dessa forma, para aumentar as chances de sucesso na germinação, é recomendado coletar sementes de árvores diferentes e selecionadas, que apresentem boa produtividade e regularidade ao longo dos anos.

Após a coleta, é ideal que as sementes sejam submersas em água para verificar sua viabilidade. As que afundam são as mais adequadas por serem mais novas.

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As sementes devem ser misturadas a um substrato úmido – terra ou serragem (foto à esquerda)- e dispostas em camadas dentro da mini estufa, de modo que fiquem completamente cobertas. Baldes plásticos de 20 litros, higienizados e preparados com furos para ventilação, são utilizados para manter a umidade e temperatura adequadas durante o processo, o que ajuda na quebra da dormência.

Após a estratificação, as sementes germinadas devem ser descascadas e transplantadas para tubetes ou recipientes maiores. Nessa etapa, as mini estufas devem ser adaptadas com uma estrutura de arame coberta por plástico transparente, criando uma cúpula que ajuda a manter a umidade e a temperatura interna. Em cerca de três meses, as mudas estão prontas para o plantio em áreas de enriquecimento florestal ou regeneração de castanhais degradados.

O conteúdo sobre o processo de produção de mudas em mini estufas pode ser acessado no curso on-line e gratuito, disponível na plataforma e-Campo, Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da Embrapa.

Impactos ambientais e econômicos

O plantio de castanheiras em consórcio com outras espécies ajuda a restaurar ecossistemas degradados, reforçando a resiliência das comunidades frente às mudanças climáticas. Além disso, a produção de mudas promove práticas agrícolas sustentáveis, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como a erradicação da fome e a proteção ambiental.

A técnica das mini estufas representa uma solução prática e escalável, com potencial para transformar a produção de castanheiras na região, unindo ciência, sustentabilidade e o fortalecimento das comunidades locais.

Aspectos legais

A legislação brasileira, regulamentada pela Lei nº 10.711/2003, exige que produtores se inscrevam no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). Contudo, pequenos produtores que comercializam até 10 mil mudas por ano são isentos de algumas exigências, facilitando o desenvolvimento de negócios locais na Amazônia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Espetáculo de ópera ‘Bodas de Fígaro’ será transmitido ao vivo; saiba onde assistir

Espetáculo de ópera ‘Bodas de Fígaro’ será transmitido ao vivo. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

O espetáculo ‘As bodas de fígaro’ (Mozart, 1756- 1791), no 26° Festival Amazonas de Ópera (FAO), será transmitido ao vivo em TV aberta para os estados de Amazonas, Rondônia, Roraima e Amapá e também pela internet pelos sites Amazon Sat, g1 Amazonas e Portal Amazônia, diretamente do Teatro Amazonas. A exibição da ópera acontece ao vivo nesta sexta-feira (16), às 19h.

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A transmissão faz parte do projeto ‘Ópera em Rede‘, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), que tem como objetivo democratizar o acesso à música lírica e a valorizar a cultura amazônica.

Leia também: 7 fatos que somente o Festival Amazonas de Ópera poderia proporcionar para a cultura no estado

Espetáculo de ópera 'Bodas de Fígaro'
Espetáculo de ópera ‘Bodas de Fígaro’ será transmitido ao vivo. Foto: Divulgação

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A diretora-presidente da FRAM, Cláudia Daou Paixão, ressalta o papel da entidade na promoção da cultura na região: “A gente quer proporcionar para quem está mais longe, para quem nunca teve a chance de estar aqui, a oportunidade de viver esse momento. É sobre fortalecer pessoas, desenvolver a região por meio da arte, da cultura e da educação. Esse é o nosso maior legado”.

“Nós do Amazon Sat já fizemos diversas transmissões do Teatro Amazonas e estamos muito felizes de mais uma vez fazer parte da programação do Festival Amazonas de Ópera, dessa vez levando esse clássico do século XVIII a todos os cantos da região norte. É muito importante proporcionar acesso a cultura para a nossa região, ainda mais uma ópera, que muitos pensam ser inalcançável”, comentou o supervisor multimídia no Amazon Sat, Victor Costa.

Leia também: Entenda como funciona a criação e troca de figurinos durante o Festival Amazonas de Ópera 2025

Espetáculo de ópera 'Bodas de Fígaro'
Espetáculo de ópera ‘Bodas de Fígaro’ será transmitido ao vivo. Foto: Divulgação

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A ópera ‘Bodas de Fígaro’ é uma comédia que se passa em um único dia: o casamento de Fígaro e Susana, misturando intrigas, trocas de identidade e críticas sociais, com um final divertido e conciliador. O espetáculo, de Mozart, conta com a regência e direção musical de Marcelo de Jesus e participação da Amazonas Filarmônica e Coral do Amazonas.

“São 26 edições do Festival de Ópera, e já tive o prazer de participar de algumas dessas edições. Poder ver que um evento cultural tão importante para a visibilidade do nosso Estado, segue firme e forte, é uma honra. Ver o brilho no olhar da plateia e dos artistas, que fazem isso com tanto amor, é gratificante. Que venham muito mais edições”, destacou a Deborah Oliveira, analista multimídia no Amazon Sat.

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Espetáculo de ópera 'Bodas de Fígaro'
Espetáculo de ópera ‘Bodas de Fígaro’ será transmitido ao vivo. Foto: Divulgação

O projeto ‘Ópera em Rede’ encerra dia 21 de maio com o plantio de 100 mudas de espécies nativas da região amazônica, em uma ação voltada para a conscientização ambiental.

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Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

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Sítio Arqueológico Arraial Bom Jesus do Pontal é reconhecido como patrimônio cultural no Tocantins

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Sítio arqueológico Arraial Bom Jesus do Pontal. Foto: Reprodução/ Acervo Nuta-Unitins

O sítio arqueológico Arraial Bom Jesus do Pontal, localizado na zona Rural de Porto Nacional, no Tocantins, foi ocupado por bandeirantes expedicionários que povoaram a região em meados do século XVIII, e compreende uma área com cerca de 90.000 m2.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Criado em 1738 pelo movimento dos bandeirantes que buscavam minerais preciosos, o sítio está correlacionado com o processo de interiorização do Brasil. Para Hosenildo Gato Alves, mestre em história pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Arraial é uma memória da ocupação do interior do Brasil.

Sítio arqueológico Arraial do Bom Jesus do Pontal. Foto: Reprodução/ Acervo Nuta/Unitins

“É uma memória da expansão da territorialidade portuguesa para além do tratado de Tordesilhas, é uma memória também dos atritos dos bandeirantes com os povos indígenas do interior do Brasil, pois quando criado o espaço era ocupado por diversas etnias indígenas e a partir daí vai haver uma disputa territorial”, explicou ao Portal Amazônia

A versão histórica diz que o que levou à destruição e o abandono do Arraial foi o ataque dos indígenas Xerentes, que forçou a migração de população para o Arraial de Porto Real.

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Sítio arqueológico e patrimônio cultural

No dia 4 de abril de 2025, o Arraial foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural do estado de Tocantins, com uma placa instalada informando onde começa o sítio arqueológico. 

Placa instalada no sítio arqueológico Arraial do Bom Jesus do Pontal. Foto: Dornil Sobrinho/Secom Porto Nacional

O local é um dos 100 sítios arqueológicos registrados em Porto Nacional e é considerado uma lembrança do movimento histórico dos bandeirantes e da luta dos povos indígenas contra a presença dos colonizadores na região.

Para Hosenildo, a importância do Arraial é de levar reflexões sobre a ocupação e a luta dos povos indígenas: “O lugar vai passar a ser preservado, estudado, debatido, visitado, ele vira um lugar da memória e leva reflexões sobre a ocupação e sobre o processo de luta dos povos indígenas”.

Durante a instalação da placa estiveram presentes representantes do Iphan, prefeitura de Porto Nacional, Universidade Federal do Tocantins, Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta) – ligado à Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) – e moradores da região.

Leia também: Conheça três sítios arqueológicos na Amazônia que são considerados patrimônio cultural do Brasil

A prefeitura de Porto Nacional pontua que para os moradores esse é um avanço importante para a história do local. “Nós estamos aqui dentro das ruínas do Antigo Arraial, que está diretamente atrelado à origem da cidade de Porto Nacional e também ao processo de ocupação colonial aqui da região. Temos diversas ruínas de pedra, das antigas edificações que aqui existiam, além de cultura material móvel, como cerâmica, louça e outros elementos relacionados. Esse sítio é um dos 100 sítios arqueológicos cadastrados no município portuense. É um dos únicos relacionados a períodos históricos e, desses, ele é o mais importante, não só do ponto de vista regional, mas também do ponto de vista local”, comentou o arqueólogo do IPHAN Tocantins, Rômulo Macêdo, segundo informações da prefeitura.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Mesa da Cura: remédios naturais encantam visitantes na comunidade São Miguel, em Santarém

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Remédios naturais encantam visitantes na comunidade São Miguel. Foto: Prefeitura de Santarém

Localizada na margem direita do rio, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no interior de Santarém (PA), a comunidade São Miguel oferece uma experiência turística que une saberes tradicionais às belezas naturais da Amazônia. Um dos destaques do roteiro é a Mesa da Cura, onde Dona Alzira da Silva, curandeira de 77 anos, comercializa preparados medicinais feitos com raízes, cipós, cascas e sementes da floresta.

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Entre os remédios estão garrafadas, chás, óleos, banhas e banhos, usados para tratar dores, inflamações, cólicas, sinusite, problemas de pele e também para promover a limpeza espiritual, incluindo o combate à “panemice”, termo popular que significa azar ou falta de sorte.

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remédios naturais encantam visitantes
Remédios naturais encantam visitantes na comunidade São Miguel. Foto: Prefeitura de Santarém

Quem visita o lugar, se encanta com a comunidade pela preservação dos conhecimentos ancestrais, um dos pilares do turismo de base comunitária. Como parte dessa vivência, destaca-se a forma coletiva de organização. A venda dos remédios funciona em sistema de revezamento entre os moradores. Um dos representantes mais atuantes é Manoel da Silva, membro da associação local, responsável por recepcionar os visitantes e apresentar o uso de cada produto.

“O que mais vendemos é o pau-saratudo e a unha-de-gato. O pessoal também encomenda muitas garrafadas e banhos atrativos, principalmente para limpeza espiritual e para tirar a panemice”, conta Manoel.

Conheça algumas das plantas e compostos utilizados e suas finalidades:

remédios naturais encantam visitantes
Remédios naturais encantam visitantes na comunidade São Miguel. Foto: Prefeitura de Santarém

Plantas medicinais

• Pau-Saratudo: anti-inflamatório usado contra tosse e gripe.

• Unha-de-Gato: cipó com ação anti-inflamatória, indicado para infecções urinárias e ginecológicas; também usado em banhos.

• Batimão (ou Barbatimão): recomendado para corrimentos e alterações uterinas.

• Sucuba: casca utilizada em chás contra dor de garganta e inflamações.

• Cumaru: base para xaropes usados em gripes e tosses.

• Pau de Angola: aplicado em banhos para aliviar sintomas gripais, especialmente ao final do dia.

• Canamança: utilizada em banhos de limpeza espiritual e retirada de “panemice” — expressão local para energias negativas.

• Cipó Pajé: usado em banhos para aliviar dores de cabeça.

• Raiz de Marupazinho: combate diarreias e melhora o funcionamento intestinal.

• Uxi Amarelo: anti-inflamatório natural com ação nos pulmões e intestinos.

Óleos e banhas

• Banha de Piquiá: reduz inchaços e alivia dores.

• Banha de Tartaruga: aplicada no rosto para tratar espinhas.

• Banha de Galinha: tradicionalmente colocada no nariz contra sinusite.

• Óleo de Mamona: indicado para dores musculares e de cabeça.

• Óleos de Andiroba e Cumaru: usados em massagens e no alívio de sintomas gripais.

Xaropes e misturas

• Xarope de Cumaru: preparado com mel, limão, hortelã, gengibre, alho roxo, própolis, óleo de pequi, eucalipto e sucupira — eficaz contra gripe, tosse e irritações respiratórias.

remédios naturais encantam visitantes
Remédios naturais encantam visitantes na comunidade São Miguel. Foto: Prefeitura de Santarém

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O roteiro inclui ainda uma visita à casa de Dona Alzira, que além de curandeira, atua como parteira. Ela aprendeu as práticas com a mãe, conhecida como “sacaca de nascência”, termo de origem tupi usado na Amazônia para designar curandeiras com saberes ancestrais ligados ao mundo espiritual.

Dona Alzira também é artesã. Produz peneiras, tipitis, colares de miçanga e peças decorativas, que ficam expostas no quiosque comunitário, ao lado dos remédios. Também confecciona cerâmicas e esculturas inspiradas na fauna local, como peixes, botos e o personagem folclórico “Curumim Tolo”.

Contudo, a experiência em São Miguel vai além da medicina tradicional. Os visitantes podem explorar trilhas ecológicas (inclusive noturnas), tomar banho em igarapés de águas cristalinas e dormir em redários coletivos protegidos por telas contra mosquitos.

remédios naturais encantam visitantes
O roteiro inclui ainda uma visita à casa de Dona Alzira, que além de curandeira, atua como parteira. Foto: Prefeitura de Santarém

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As praias da região, como Ponta da Morena e Ponta Grande (acessível por travessia de barco), completam o passeio com paisagens deslumbrantes. Uma das tradições locais é a piracaia, peixe assado à beira do rio, em clima de confraternização entre moradores e visitantes.

A culinária regional também marca presença, com pratos típicos servidos no restaurante comunitário. À noite, a programação cultural valoriza os saberes locais com apresentações de carimbó autoral, músicas compostas pelos próprios moradores.

Oficinas práticas também integram o roteiro, com atividades como cerâmica, trançado de palha de tucumã, miçangas e tingimento natural de fibras vegetais. O artesanato, vendido no quiosque, retrata o cotidiano amazônico com utensílios tradicionais e figuras do imaginário ribeirinho, criadas pelo grupo Arte e Palha.

remédios naturais encantam visitantes
As praias da região, como Ponta da Morena e Ponta Grande, completam o passeio com paisagens deslumbrantes. Foto: Prefeitura de Santarém

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Com cerca de 800 moradores distribuídos em 102 famílias, São Miguel é uma comunidade estruturada, com Unidade Básica de Saúde, duas escolas e duas aldeias indígenas. Ali, a floresta ensina, cura, alimenta e acolhe, um destino onde tradição e sustentabilidade caminham lado a lado.

O acesso à comunidade é feito por via fluvial, em embarcações como barcos regionais ou lanchas rápidas. A distância média até Santarém é de 65 quilômetros, com trajeto que leva de 4 a 5 horas de barco ou entre 2h e 2h30 de lancha.

A melhor época para visitar São Miguel é durante o verão amazônico, quando surgem as praias de areias claras e paisagens paradisíacas. No entanto, mesmo na estação das cheias, a comunidade oferece ricas experiências culturais, gastronômicas e de contato com a natureza.

remédios naturais encantam visitantes

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Durante a visita institucional, Manoel da Silva agradeceu a presença da Semtur e das equipes das agências locais. “A visita das agências é importante pra valorizar o que a gente tem de mais precioso: nosso conhecimento, nosso jeito de viver e a força da nossa cultura. Sabemos do nosso potencial, mas precisamos de parceria pra melhorar nosso trabalho.”

O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, enfatizou as belezas do turismo de base comunitária de São Miguel. “São Miguel é um exemplo vivo de como tradição e natureza podem andar juntas. Aqui, o turismo fortalece a cultura, gera renda e promove experiências únicas.”

*Com informações da Prefeitura de Santarém

“Superou minhas expectativas”: estudante conta como foi assistir uma ópera pela primeira vez; assista

Estudante Joaquim Ruan. Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

O brilho dos lustres, a imponência da arquitetura e o som vibrante das vozes no palco marcaram o segundo encontro de cerca de 500 pessoas com o universo da ópera. A iniciativa ‘Minha Primeira Ópera‘ proporcionou a “estreia” de muitos manauaras no Teatro Amazonas, com a apresentação de dois atos do clássico ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart.

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O estudante Joaquim Ruan foi um dos participantes que se impressionou com a forma que a ópera consegue conquistar o público.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

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Espetáculo por trás das cortinas: como o visagismo contribui para uma ópera; vídeo

O visagismo é um fator importante na ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Enquanto o público se encanta com as vozes potentes e os cenários grandiosos de uma ópera, longe dos holofotes, um outro espetáculo acontece nos bastidores. É lá, entre pincéis, pós e sprays, que o visagismo entra em cena — a arte de traduzir, por meio de penteados e maquiagem, a essência dos personagens.

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No Festival Amazonas de Ópera (FAO) essa missão está nas mãos do visagista Eugênio Lima, que desde 2018 atua na caracterização dos artistas.

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Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Atlas da Violência: 5 estados da Região Norte lideram número de homicídios em 2023

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Sirene de viatura da PM. Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

Os estados do Amapá, Bahia e Pernambuco lideram o ranking de pessoas que perderam a vida em decorrência de homicídios em 2023, comparado com 2022. Esse dado apresenta níveis superiores a 35 mortes por 100 habitantes e foi divulgado nesta segunda-feira (12), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Apesar do dado, país registrou a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes dos últimos 11 anos em 2023. Esse número representa uma redução de 2,3% na taxa de homicídio em comparação com o ano de 2022. Ao todo, 45.747 pessoas perderam a vida em decorrência de homicídios em 2023.

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Ainda segundo o estudo, as maiores taxas de homicídios se concentram no Norte e Nordeste. A Bahia apresentou a maior taxa de homicídios do Brasil em 2023, com 43,7 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Amapá (39,7), Pernambuco (37,3), Amazonas (36,0) e Ceará (34,8).

O Amapá fechou o ano de 2023 com 516 homicídios. Outro dado divulgado no Atlas é que o estado tem a menor taxa de mortes no trânsito com 87, atingindo o percentual de 9,7 mortes por 100 mil habitantes.

“O tema da violência nos transportes é tratado como um grave problema de saúde pública, com níveis de mortalidade comparáveis aos homicídios intencionais”, aponta o relatório.

Veja o número de assassinatos por 100 mil habitantes em cada estado da Região Norte:

  • Amapá — 57,4
  • Amazonas — 36,8
  • Roraima — 35,9
  • Rondônia — 30
  • Pará — 28,6
  • Tocantins — 25,8
  • Acre — 23,7

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Confira o estudo completo:

*Com informações da Rede Amazônica AP e IPEA

Pesquisa que evidencia práticas antigas de fertilização do solo na Amazônia recebe destaque em evento internacional

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Foto: Daiana Travassos Alves/Acervo pessoal

A presença indígena nos territórios amazônicos, observada no manejo de plantas, é um legado que evidencia antigas práticas de policultura agroflorestal e que contribui para a fertilidade dos solos e a biodiversidade das florestas.

Investigar a relação de territorialidade ancestral nessas regiões busca não só compreender o passado indígena na Amazônia, mas também valorizar esse legado nas comunidades que se originaram do processo de colonização.

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Esse foi o estudo realizado pela arqueóloga de origem ribeirinha e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Daiana Travassos Alves, no seu projeto de pesquisa ‘Manejo de plantas nas terras pretas do Baixo Tapajós‘. A professora foi uma de quatro pesquisadores  premiados na categoria Impacto Social da Brazil Conference at Harvard & MIT, realizada no mês de abril, nos Estados Unidos. 

Desenvolvida em diálogo com os comunitários da Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, localizada na região oeste do Pará, entre o rio Tapajós e a rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá),   a pesquisa premiada focou na arqueobotânica, área da Arqueologia que investiga restos de plantas em sítios arqueológicos para compreender as relações entre pessoas e plantas e que tem crescido nos últimos 20 anos na Amazônia. 

“Os resultados das pesquisas arqueobotânicas vêm mudando a forma como compreendemos o passado indígena na Amazônia, e as evidências de antigas práticas de policultura agroflorestal que identifiquei em meu estudo foram bem recebidas e incorporadas nas discussões arqueológicas”, explica a pesquisadora. 

Foto: Daiana Travassos Alves/Acervo pessoal

Segundo ela, as atividades devolutivas do estudo para a comunidade incluíram, a pedidos das lideranças comunitárias, a produção de banners a serem empregados pelos guias turísticos nas trilhas da Flona e de calendários, entregues aos moradores e em oficinas de capacitação dos professores nas escolas para incorporar os resultados do trabalho em sala de aula.

“Já para os alunos, concentramos na introdução do que é Arqueologia e quais temas são investigados, focando no legado indígena na floresta, que foi o principal resultado da minha pesquisa”, completa Daiana Alves.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Como desdobramento desta pesquisa, seu atual Projeto ‘Florestas Culturais e Territorialidades na Amazônia Oriental Pré-Colonial’ recebeu financiamento do CNPq e é desenvolvido em colaboração com os pesquisadores Helena Pinto Lima (PPGDS/MPEG) e Pedro José Tótora da Glória (PPGA/UFPA).

Premiação

A Brazil Conference at Harvard & MIT é um evento anual, realizado desde 2015, que reúne líderes acadêmicos, cientistas, formuladores de políticas públicas e representantes da sociedade civil para debater desafios e oportunidades estratégicas para o Brasil. Desde sua criação, a conferência consolidou-se como um dos mais relevantes espaços de articulação e intercâmbio de ideias inovadoras, promovendo visibilidade internacional para projetos de impacto. “Espero que esta premiação possa impactar para incentivar o turismo eco arqueológico na Flona Tapajós, o que, com certeza, irá beneficiar as comunidades locais”, deseja Daiana Alves. 

Foto: Divulgação

Para a arqueóloga, que, há quase duas décadas, atua divulgando suas pesquisas em jornais científicos de alto impacto como a revista Nature, a participação no evento dá notabilidade não apenas para a comunidade científica, mas também para um público mais amplo que é alcançado pelos canais de transmissões na internet. “Foi uma oportunidade de divulgar a pesquisa arqueológica em um meio científico mais abrangente e de dialogar com esses pesquisadores interessados em comunicação científica fora da academia”, afirma.

O Brazil Conference at Harvard & MIT é organizado por estudantes brasileiros nas Universidades de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, EUA. O prêmio é uma forma de divulgar, no cenário mundial, os estudos de excelência para a ciência brasileira e destacar o impacto positivo do investimento público em pesquisa. 

Para os organizadores, “a divulgação dessa conquista contribuirá para valorizar a pesquisa nacional, especialmente aquela voltada para as realidades e saberes da Amazônia, e inspirar novas gerações de cientistas comprometidos com abordagens colaborativas e socialmente relevantes”.

Trabalho reconhecido

Graduada em História, mestre em Arqueologia/Antropologia pela UFPA e doutora em Arqueologia pela Universidade de Exeter (Reino Unido), Daiana Travassos Alves também lidera o Tapera – grupo de pesquisa em Arqueologia amazônica e é editora-chefe do periódico Amazônica – Revista de Antropologia. Sua pesquisa se concentra nos usos da terra pré-colombianos, nas práticas alimentares e nas mudanças sociais na Amazônia antiga, integrando abordagens de Arqueologia e Paleoetnobotânica.

Um aspecto particularmente relevante de seu trabalho é o estudo do Sítio Sambaqui Jacarequara, na Ilha de Trambioca (Barcarena/PA), um marcador territorial com 2.700 anos de antiguidade. As escavações neste sítio são realizadas em formato de sítio-escola, com todas as etapas definidas em diálogo com os moradores locais, que participam ativamente das atividades – especialmente as crianças. Esta abordagem colaborativa não apenas revela a história milenar da região por meio dos vestígios de fauna e flora encontrados, mas também fortalece os laços entre a pesquisa científica e as comunidades tradicionais.

“O trabalho da Dra. Daiana exemplifica um fazer arqueológico sensível e respeitoso, que reconhece os sítios arqueológicos como territórios vivos das comunidades atuais, portadores de uma história profunda. Sua premiação, portanto, não apenas honra sua excelência como pesquisadora, mas também é um reconhecimento do valor do conhecimento tradicional e do envolvimento comunitário na produção científica”, reforça o time do Programa de Pesquisadores da Brazil Conference at Harvard & MIT.

*Com informações da UFPA