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Povos do Xingu querem escolas que preservem cultura e alimentação tradicional

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Povos do Xingu durante oficina com merendeiros. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA 

Em maio, na Escola Estadual Indígena Central Kamadu, Aldeia Tuba-Tuba, Território Indígena do Xingu (TIX), as aulas acontecem no roçado. O calendário escolar segue o ritmo da vida comunitária: os alunos acompanham suas famílias nas atividades de plantio, pesca e coleta na floresta.

“A gente respeita o calendário tradicional indígena. Essa é uma aula prática, prevista no nosso currículo”, explica o professor Karin Juruna. Ao final das atividades, os alunos apresentam um relatório. “Tudo isso é aula. Tudo isso é saber, é prática cultural, porque estão aprendendo com a família. Assim entendemos o funcionamento da escola”, completa.

Assista ao vídeo do cineasta Kamikia Khisêtjê:

Na Aldeia Nyarazul, a professora Vilma José Sabino Kamayurá e seu marido, Wary Sabino Kamayurá, desenvolvem um projeto na sala anexa da Escola Estadual Indígena Central Leonardo Villas Bôas. Dentro da disciplina “Saberes e Ciências Indígenas”, a sala de aula se estende até as roças, onde os alunos aprendem na prática a preparar o solo e entender os ciclos do plantio a partir dos conhecimentos tradicionais do povo Aweti.

“O tempo certo de plantar, de colher. Essa ciência indígena a gente não acha no Google”, reflete Vilma. O resultado é fartura: os alimentos vão para os alunos e ainda são doados às aldeias próximas.

Esses e outros exemplos de como a cultura e os sistemas agrícolas indígenas podem estar nas escolas  foram apresentados durante o II Encontro da Educação Escolar Indígena do TIX – Saberes para o Bem Viver, que aconteceu entre 9 e 12 maio no Terra Indígena Wawi, TIX, no município de Querência (MT).

O evento foi organizado pela Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), com o apoio do Instituto Socioambiental (ISA), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – por meio do Projeto Xingu –, do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI Xingu) e da Funai (Coordenação Regional do Xingu). Participaram das conversas a Secretaria de Estado da Educação do Mato Grosso (Diretoria Regional de Educação – DRE Barra do Garças), o Instituto Federal do Mato Grosso, a Eco Universidade, a Imaginable Futures, entre outros parceiros.

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Povos do Xingu
Aldeia Khikatxi, na Terra Indígena Wawi, Xingu. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA 

Recebidos pelo povo Khīsêtjê, na aldeia Khikatxi, representantes dos 16 povos do Xingu se reuniram para discutir os caminhos da educação indígena e construíram, de forma coletiva, a Carta do Encontro, que propõe a valorização dos saberes ancestrais e dos princípios do bem viver no contexto escolar.

O coordenador de Educação da Associação Terra Indígena Xingu (ATIX), Kussugi Bruce Kuikuro, explica que o encontro promoveu a escuta de professores, caciques e lideranças para a construção de Projetos Político Pedagógicos Indígenas (PPPIs) específicos para cada um dos povos do TIX. “O tema central é saberes para o bem viver, ou seja, a escola tem que andar junto com os nossos saberes tradicionais. A escola é para fortalecer a nossa cultura”, resume. 

Na carta, a Coordenação da Educação da ATIX aponta que a política educacional deve unir escola, cultura, agroecologia, saúde e soberania. Entre outros pontos, o documento  reivindica a implementação dos PPPIs e da política do Território Etnoeducacional do Xingu.

Além disso, a carta destaca a importância de incluir o alimento tradicional nas escolas como forma de fortalecer os sistemas agrícolas e os saberes milenares indígenas. Também denuncia os graves desafios enfrentados pela agricultura indígena diante das mudanças climáticas, da perda de sementes nativas e do uso intensivo de agrotóxicos nos monocultivos que cercam os territórios.

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Povos do Xingu
Danças e cantos tradicionais do Xingu. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA 

“É inaceitável que nossos alunos recebam alimentos industrializados enquanto os roçados tradicionais sofrem para produzir. Queremos políticas públicas específicas para apoiar a agroecologia indígena, fortalecer os sistemas alimentares próprios, adaptar os roçados às novas realidades climáticas e garantir que a alimentação escolar reflita e valorize a diversidade e a força dos nossos povos”, reforça o documento.

Os sistemas agrícolas indígenas são milenares e compostos por um conjunto de saberes sofisticados que possibilitam a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, mantêm a floresta em pé. É esse sistema, ao mesmo tempo ancestral e inovador, que os indígenas querem que esteja na sala de aula.

Tradicionalmente, esses conhecimentos são transmitidos oralmente de geração em geração, enquanto as atividades estão em curso — nas trilhas até a roça, durante as coletas na floresta, a caça ou a pesca.

A perda de variedades, longos períodos de seca e ataques de animais são alguns dos impactos criados pelas pressões dos sistemas econômicos predatórios, como o agronegócio que avança nos limites do TIX, e as mudanças climáticas. Com isso, os saberes estão sendo ameaçados. A escola pode, neste contexto, ser espaço de fortalecimento desses conhecimentos e do território, apoiando no repasse de saberes indígenas aos mais jovens.

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Povos do Xingu
Manifestações culturais também fazem parte do cotidiano das escolas no Xingu. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA 

Na carta há demandas que serão encaminhadas para as Secretarias Municipais de Educação, Secretaria de Estado da Educação do Mato Grosso, Ministério da Educação – MEC e parceiros.

Bruce Kuikuro explica que a educação escolar indígena diferenciada está assegurada na Constituição e também na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, mas não é colocada em prática pelo poder público. Exemplos como os citados não se repetem em todas as comunidades.

Sobre a alimentação, ele lembra que, quando era estudante, recebia na escola beiju, peixe, banana e abóbora. “Hoje em dia não está sendo assim.  As crianças de hoje estão mais acostumadas a consumir, infelizmente, alimentos da cidade. Temos que decolonizar isso. Buscar solução. Oferecer a alimentação tradicional também é uma forma de educar as crianças”, diz.

Diretor da Escola Estadual Indígena Central de Educação Básica Khisêtjê, Yaconhongráti Suyá explica que, em boa parte do ano, a merenda escolar é formada por alimentos tradicionais como mandioca, polvilho, farinha, peixe, caça, batata, mel, pequi, murici, macaúba e cana, mas há períodos em que é necessária complementação de alimentos adquiridos nas cidades, como arroz, feijão, cebola, maçã, bolachas, entre outros. “Há épocas de colheita, que a escola recebe mais a alimentação tradicional. Em outras épocas, precisamos de complementação”, informa.

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Povos do Xingu
Representantes dos 16 povos do Xingu. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA 

Adequação das políticas públicas às necessidades dos povos indígenas

A antropóloga no ISA, Luisa Tui explica que os povos do TIX vêm apontando os sistemas alimentares como centrais em seus modos de vida. Em visita às aldeias realizadas em 2022 e 2024, a consultora do ISA Angelise Nadal Pimenta e Luisa Tui promoveram um processo de escuta dos indígenas sobre as roças e a alimentação tradicional das escolas.

Um tema recorrente nas respostas foi o impacto das mudanças climáticas e das pressões do agronegócio sobre os territórios, afetando diretamente a produção de alimentos — com perdas significativas de sementes e variedades tradicionais.

“Esses sistemas são uma ferramenta para proteção do território e para fortalecer os modos de vida, valorizar os saberes tradicionais, e também são um caminho para apoiar na construção das escolas mais adequadas e respeitosas aos povos do TIX”, reflete a antropóloga.

Luisa Tui aponta que políticas públicas de aquisição de alimentos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), são um caminho para o fortalecimento dos sistemas agrícolas tradicionais, possibilitando que os produtos das roças sejam entregues nas cantinas escolares, inclusive gerando renda para as comunidades.

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Povos do Xingu
Sistemas alimentares são uma ferramenta para proteção do território e para fortalecer os modos de vida, diz Luisa Tui. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA 

As conversas para a adequação dessas políticas à realidade dos povos indígenas, como os do TIX, e demais comunidades tradicionais vêm sendo conduzidas pela Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos) do Mato Grosso, com amplo diálogo com o poder público e parceiros, entre eles o ISA e a ATIX.

Marcelo Martins também apontou a ampla participação de educadores, indicando o fortalecimento da pauta da educação indígena. “Há uma preocupação com os jovens que saem de suas aldeias para estudar. Primeiro tivemos a implantação do ensino médio, mas vê-se também a necessidade de implantação de universidade e ensino técnico e outras oportunidades dentro do território”, explica.

Angelise Pimenta traçou um histórico da educação e da alimentação escolar no TIX, apontando que o território é pioneiro em promover a entrega de alimentos das roças. Hoje o TIX tem aproximadamente 160 aldeias, sendo que 89 têm escolas que atendem cerca de 2.700 alunos.

*Com informações do Instituto Socioambiental – ISA. Leia a reportagem completa AQUI.

Filme: Veja o filme Sukande Kasáká | Terra Doente, dirigido por Kamikia Khisêtjê e Fred Rahal e premiado como o melhor curta-metragem brasileiro no festival É Tudo Verdade 2025. O filme mostra a pressão sobre o TIX do agronegócio, com o agrotóxico contaminando o solo, a água e os alimentos, e trazendo sérias ameaças para a saúde das comunidades.

Patentes verdes: estudo do INPI revela que a Amazônia Legal teve apenas 20 pedidos até 2024

Amazônia Legal teve apenas 20 pedidos de patentes verdes. Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

A crescente busca por soluções sustentáveis tem estimulado o aumento de pedidos de patentes verdes no Brasil. Um estudo recente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) revela que o programa de trâmite prioritário na modalidade de patentes verdes analisou 1.097 patentes e pedidos de patente desde 2012 até agosto de 2024. Essa iniciativa tem se mostrado essencial para estimular a inovação tecnológica voltada à sustentabilidade. 

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De acordo com Rodrigo Moraes Costa, advogado do escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello, o estudo revelou que 78% dos depositantes são nacionais e 22% são estrangeiros, com destaque para Estados Unidos, China, Alemanha e Holanda entre os principais depositantes internacionais. 

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Patentes verdes
Amazônia Legal obteve 20 pedidos de patentes verdes até agosto de 2024. Imagem: reprodução

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O levantamento apontou que as principais áreas tecnológicas contempladas foram: 

  • Gerenciamento de resíduos (666 pedidos); 
  • Energias alternativas (433 pedidos); 
  • Agricultura sustentável (204 pedidos); 
  • Conservação de energia (129 pedidos); 
  • Transporte (59 pedidos). 

Entre os maiores depositantes, destacam-se a VALE S.A. (30 pedidos), XYLECO, INC. (27), Emerson Cordeiro de Oliveira (22), Universidade Federal do Paraná – UFPR (17) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (17). 

A distribuição geográfica dos pedidos também evidencia uma concentração significativa na região Sudeste (480 pedidos), seguida pelo Sul (301), Centro-Oeste (47), Nordeste (44) e Norte (15). A Amazônia Legal teve apenas 20 pedidos (1,8% do total), evidenciando uma oportunidade de crescimento na área. 

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Patentes verdes
Amazônia Legal obteve 20 pedidos de patentes verdes até agosto de 2024. Imagem: reprodução

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Outro dado relevante aponta que 46 pedidos envolvem bioinsumos da Amazônia, dos quais apenas dois são de depositantes locais da região. 

“O Brasil tem grande potencial para ampliar sua participação nas inovações tecnológicas sustentáveis, especialmente envolvendo recursos e conhecimentos provenientes da Amazônia”, destaca Rodrigo Moraes Costa. 

O programa de trâmite prioritário do INPI tem sido determinante para reduzir significativamente o tempo de avaliação desses pedidos, que agora ocorre, em média, em nove meses — muito inferior aos 4,5 anos do trâmite convencional. 

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Programa Patentes Verdes

O programa Patentes Verdes tem como objetivo contribuir para o combate às mudanças climáticas globais e visa a acelerar o exame dos pedidos de patentes relacionados a tecnologias voltadas para o meio ambiente.

Patentes verdes
Amazônia Legal obteve 20 pedidos de patentes verdes até agosto de 2024. Imagem: reprodução/site

Com esta iniciativa, o INPI também possibilita a identificação de novas tecnologias que possam ser rapidamente usadas pela sociedade, estimulando o seu licenciamento e incentivando a inovação no país.

O programa piloto Patentes Verdes teve seu início em 17 de abril de 2012 e sua terceira fase encerrou em 16 de abril de 2016. A partir de 06 de dezembro de 2016, o INPI passou a oferecer o exame prioritário de pedidos relacionados a tecnologias verdes como serviço.

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Como submeter

Veja (abaixo) o passo a passo de como submeter pedidos e novos pedidos para uma patente verde. É possível realizar o pedido de forma presencial e online.

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Representantes de povos da Amazônia se reúnem para troca de experiências

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As iniciativas abrangem 40 terras indígenas, 12 unidades de conservação, nove territórios quilombolas, um assentamento agroextrativista e um território urbano. Foto: Alex Costa e Adriano Teixeira

Associações de indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos da Amazônia Legal e suas organizações parceiras estão reunidos nesta semana na “Oficina de Trocas Experiências” do Projeto Floresta+ Amazônia em Manaus (AM). O evento tem como objetivo integrar equipes implementadoras e lideranças comunitárias de 40 iniciativas dos territórios amazônicos.

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O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa de cooperação internacional do governo brasileiro, por meio do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o PNUD, e financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF).  A oficina ocorre no âmbito da modalidade Comunidades do Floresta+. 

As iniciativas são projetos apoiados financeiramente pelo Floresta+ que abrangem 40 terras indígenas (TIs), 12 unidades de conservação, nove territórios quilombolas, um assentamento agroextrativista e um território urbano.

Para a representante da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural do MMA, Isabela Sales, o evento traz repletas trocas significativas e construtivas. “O governo federal, por meio do MMA, está à disposição para apoiar, colaborar e buscar novas soluções. Quando iniciamos algo, é essencial parar, refletir e avaliar: estamos indo na direção certa? Precisamos ajustar o percurso? Observar o que está funcionando com os outros nos inspira e nos ensina. Essa troca de experiências e saberes é o que nos faz crescer juntos”, ressaltou.

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O apoio aos povos tradicionais concentra esforços em temas como conservação ambiental, recuperação de áreas degradadas, produção agroecológica, fortalecimento de cadeias da bioeconomia, vigilância e proteção territorial. As iniciativas apoiadas também envolvem atividades relacionadas ao turismo de base comunitária, produção de alimentos e segurança alimentar, fortalecimento da cultura e modos de vida das populações tradicionais.

De acordo com a coordenadora do Projeto Floresta+ Amazônia, Regina Cavini, a participação do PNUD Brasil na iniciativa reforça o compromisso em apoiar o governo e a sociedade brasileira na promoção de uma Amazônia manejada de forma sustentável, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com respeito à sustentabilidade social, econômica e ambiental, assegurando a segurança alimentar, a segurança climática e os direitos humanos dos povos originários e comunidades tradicionais.

“Atuamos como parceiros técnicos do MMA, promovendo soluções baseadas na natureza e na justiça socioambiental, com foco no fortalecimento das capacidades locais e no fomento a um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e justo. A oficina representa um momento fundamental de escuta, troca de experiências e construção coletiva, uma oportunidade valiosa para reconhecer avanços, enfrentar desafios e inspirar novas possibilidades nos territórios da Amazônia Legal”, destacou Cavini.

Para serem apoiadas pelo projeto, as comunidades participaram de um edital lançado em 2022, no qual foram apresentadas 259 ideias de projeto, das quais 40 foram aprovadas e recebem recursos financeiros e apoio técnico para implementar as ações. As propostas foram elaboradas de modo participativo pelos povos tradicionais, levando em consideração a natureza coletiva e autônoma das atividades na gestão dos territórios. As questões de gênero também foram consideradas na seleção; entre os projetos aprovados, 70% beneficiam diretamente as mulheres, são liderados por elas ou ambos.

“O apoio do Floresta+ Amazônica é indispensável para a nossa trajetória, autonomia e sustentabilidade no território. Esse apoio contribui para a nossa renda e conservação da floresta. A luta pela Amazônia é de todos, não pode parar — ela é de muitos povos. Por isso, é fundamental valorizarmos cada vez mais os nossos projetos que vêm para somar, como passos importantes nessa caminhada coletiva”, falou a ribeirinha Elizângela Cavalcante, idealizadora do Projeto Mulheres Resolvidas da Associação Extrativista das Comunidades da Reserva do Rio Uatumã, no Amazonas.

*Com informações do MMA

Centro para documentação de línguas indígenas é criado em São Paulo

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Evento de lançamento foi realizado no Museu da Língua Portuguesa em 20 de maio. Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

Foi lançado, com investimento de R$ 14,5 milhões da FAPESP, o Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas do Brasil, no dia 20 de maio. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Museu da Língua Portuguesa e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) e busca pesquisar, documentar e difundir a diversidade linguística e cultural dos povos originários do Brasil.

Durante o evento, representantes da FAPESP e do Ministério dos Povos Indígenas assinaram um Protocolo de Intenções para fortalecer a cooperação em pesquisas e a difusão de conhecimento sobre os povos indígenas do Brasil.

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Na ocasião, a ministra Sônia Guajajara ressaltou que o centro representa resistência e reconhecimento da importância dos povos indígenas, destacando que suas línguas são “bibliotecas vivas”, uma cosmovisão, e que seu desaparecimento significa a perda de um universo de conhecimento.

“Hoje é um dia de celebrar e agradecer, pois marca não apenas o lançamento de um centro de documentação, mas o florescer de uma memória viva, de um compromisso com o futuro”, afirmou Guajajara.

“O centro nasce do encontro de instituições que compreendem o valor que os povos indígenas carregam. Língua não é só estrutura gramatical. É território, é identidade, é forma de viver e sentir o mundo. Por isso, este centro nasce como semente que vai germinar conhecimento, políticas públicas, materiais pedagógicos e, acima de tudo, reconhecimento”, completou a ministra.

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Embora seja reconhecido como um país com dimensões continentais e uma única língua, o português, o fato é que o Brasil é um dos lugares mais multilíngues do mundo. Os mais de 300 povos indígenas que habitam o país falam 274 línguas – das quais, estima-se, cerca de 20% nunca foram estudadas e correm o risco de desaparecer.

Dessa forma, o novo centro busca documentar não apenas as palavras, mas também registrar o uso desses termos no contexto das culturas indígenas.

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A ideia, portanto, é catalogar – por meio de textos, áudios e vídeos – as artes verbais indígenas, como os processos de fabricação de objetos, as práticas de ocupação territorial, manejo agroflorestal e de produção de alimentos, por exemplo.

“A ciência e a tecnologia têm um papel estratégico na preservação e difusão de línguas indígenas. A antropologia e a linguística, entre outras áreas do conhecimento, associadas às tecnologias digitais e de comunicação, possibilitarão que a sociedade conheça e valorize as línguas e os conhecimentos tradicionais, blindando as culturas originárias do risco do esquecimento”, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

Nesse sentido, o projeto atuará em três frentes: pesquisa e documentação, construção de um repositório digital de acesso gratuito e comunicação cultural. Com um plano de trabalho de cinco anos, o objetivo é que o repositório digital seja mais do que um arquivo: um espaço de constante compartilhamento entre a comunidade acadêmica e os povos indígenas. Vale destacar que o protagonismo ficará com as comunidades indígenas, visto que caberá aos próprios povos originários escolher sobre os conteúdos e decidir se o material poderá ou não ser acessado publicamente.

Presente no evento, a artista visual Daiara Tukano enfatizou que o projeto representa uma conquista democrática e uma construção coletiva, reforçando que “a cultura indígena não é relíquia, mas pulsação, presente e futuro”.

Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

“Quando eu nasci, nós éramos considerados incapazes sob a tutela do Estado para defender a possibilidade de termos direitos. E hoje estamos aqui com a nossa ministra dos Povos Indígenas lançando um centro sobre a cultura indígena com o protagonismo indígena. Isso é uma caminhada da construção da nossa democracia, da nossa capacidade de construirmos um Brasil juntos, porque somos frutos desta terra – como diz o Davi Kopenawa. Nós fazemos parte de uma árvore de muitos conhecimentos. A língua é nosso espírito, é a continuidade de nossos povos”, disse Tukano.

As coleções digitais serão constituídas a partir da pesquisa e documentação linguística, com foco nos territórios indígenas localizados em Rondônia e na Região das Guianas, importantes áreas multilíngues do país. “Essas são as duas maiores regiões multilíngues do Brasil em termos de números de línguas e de diversidade de famílias linguísticas. São também áreas que estão sofrendo pressões de forças econômicas, como a exploração de petróleo, que, sabemos, devem gerar deslocamentos e mudar as configurações socioambientais”, afirmou Maria Luisa Lucas, responsável pela área de antropologia do novo centro.

Eduardo Góes Neves, diretor do MAE-USP, afirmou não ter conhecimento de outras instituições no mundo que lidem com linguagem e cultura indígenas na mesma magnitude que o novo centro fará. Ele também destacou outras inovações da iniciativa. “Geralmente, somos nós os pesquisadores que procuramos a FAPESP com uma ideia de projeto. Nesse caso, foi a FAPESP que nos procurou. Inicialmente a ideia do professor Zago era criar um centro de documentação de línguas. Mas a gente pensou que seria importante fazer também o registro do conhecimento associado a essas línguas, afinal não existe língua sem cultura”, contou.

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A partir daí, surgiu a parceria do MAE-USP com o Museu da Língua Portuguesa, algo também inédito. “O Museu da Língua Portuguesa tem um trabalho fantástico de comunicação e de exposições impressionantes. Já o MAE tem um acervo muito rico. Acredito que essa combinação vai trazer muitos resultados”, comemorou Neves.

Renata Motta, diretora-executiva do Museu da Língua Portuguesa, ressaltou a capacidade de registro e difusão do conhecimento indígena que o centro terá. “Trata-se de uma iniciativa inovadora, sediada em dois museus, que articula pesquisa, documentação e difusão cultural com o objetivo de fortalecer as línguas e os conhecimentos dos povos indígenas, no espírito da Década Internacional das Línguas Indígenas, instituída pela Unesco. Diante do desafio de memórias historicamente inviabilizadas, que não podemos acessar, respondemos com o compromisso de, como diz poeticamente o artista indígena Gustavo Caboclo: plantar terreiros digitais”, comentou Motta.

“Estamos em plena Década Internacional das Línguas Indígenas e o lançamento do centro ecoa esse chamado global. É o Brasil assumindo o seu compromisso com a diversidade, com a justiça linguística e com a dignidade dos povos indígenas. Seguimos assim resistentes reflorestando as palavras e os corações para descolonizar os saberes e reafirmar que a cultura indígena não é relíquia, é pulsação, é presente e é futuro”, concluiu a ministra.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Maria Fernanda Ziegler

Pará é o segundo estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas: 3.224

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Toca da Onça é uma das cavernas no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre. Foto: Mauro Gomes/ICMBio

Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav) acaba de divulgar o Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro 2023-2024, com informações de 26.046 cavidades naturais subterrâneas, as cavernas.

A publicação traz o cruzamento de informações atualizadas, referentes aos anos de 2023 e 2024, considerando os dados inseridos no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (CANIE). No período, foram registradas no sistema 2.668 cavernas, o que representa um aumento de 11,41% em relação a 2022.

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“Desde a edição de 2022 do Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro, foram registradas 2.668 novas cavernas, evidenciando um ritmo constante de descobertas e mapeamento. Em média, foram aproximadamente 1.335 cavernas cadastradas anualmente ao longo dos últimos 15 anos, o que demonstra o crescente empenho e avanço da pesquisa espeleológica no país”, afirmou o coordenador do ICMBio/Cecav, Jocy Cruz. 

Nas unidades da federação, Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas, com um total de 12.911 cavernas (49,57%); seguido pelo Pará, com 3.224 cavernas (12,38%); Bahia, 2.017 cavernas (7,74%); Rio Grande do Norte, 1.373 cavernas (5,27%); e por Goiás, com 1.136 cavernas (4,36%).

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Juntos, esses cinco estados concentram 80% das cavernas conhecidas no Brasil. Entre os biomas, as informações apontam que 12.008 cavernas conhecidas (46,10%) estão no Cerrado. Por outro lado, Pampa e Pantanal abrigam menos de 1% dessas cavernas, com 38 e 12 registros, respectivamente.

Foto: Reprodução/Turismo no Tapajós

Os dados apresentados no anuário foram correlacionados com os seguintes temas: bacias hidrográficas, biomas, solos, geologia, unidades de conservação, rodovias, ferrovias, assentamentos rurais, mineração, petróleo, Usina Hidrelétrica (UHE), Pequena Central Hidrelétrica (PCH) e Linhas de Transmissão.

Cada tema utilizado provém de distintas bases de dados do Governo Federal, disponibilizadas por meio dos seus respectivos órgãos ou agências reguladoras.

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Cavidades naturais subterrâneas

Responsáveis por uma série de processos naturais, as cavernas desempenham papel fundamental no armazenamento da água, protegem e conservam minerais raros e servem de morada para diversas espécies, muitas delas endêmicas.

Além disso, os ambientes naturais subterrâneos oferecem um laboratório natural de conhecimento, em que é possível entender, por exemplo, como as mudanças do clima estão impactando o meio ambiente, permitindo que sejam definidas estratégias para frear esses impactos. 

Leia também: Pela 1ª vez na história o Acre aparece no Cadastro Nacional por cavernas encontradas na Serra do Divisor

Devido à importância desses ambientes naturais, cada vez mais evidente, o número de pesquisas científicas relacionadas a cavernas aumentou 280% ao longo dos últimos 16 anos, conforme apontou um levantamento do ICMBio/Cecav divulgado em janeiro deste ano.

Desde 2014, o ICMBio/CECAV disponibiliza as informações do CANIE à sociedade, o sistema foi instituído pela Resolução Conama 347/2004 e tem como objetivo fortalecer a gestão e estabelecer procedimentos e parâmetros para o licenciamento ambiental de atividades potencialmente impactantes ao patrimônio espeleológico. A ferramenta vem contribuindo na ampliação do conhecimento técnico-científico acerca das cavernas existentes no Brasil, armazenando e disponibilizando dados essenciais à sua gestão.

*Com informações do ICMBio

Relembre 3 trabalhos do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado na Amazônia

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Sebastião Salgado. Foto: Reprodução/Centro de Memória Sindical

Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em Aimoré, Minas Gerais, no dia 8 de fevereiro de 1994. Conhecido apenas como Sebastião Salgado, é considerado um dos maiores fotógrafos do mundo.

Ele começou a fotografar como hobby em uma viagem para Angola, na África, onde coordenou um projeto sobre a cultura do café. Morreu aos 81 anos no dia 23 de maio, informação confirmada pelo Instituto Terra, organização não-governamental fundada por ele.

Mas durante sua carreira como fotógrafo, Sebastião registrou momentos importantes da história: como a Revolução dos Cravos (em Portugal), o atentado de 31 de março de 1981 ao presidente dos EUA, Ronald Reagan, e ainda realizou registros da realidade amazônica.

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Trabalhos realizados por Salgado na região Norte

Exposição e livro ‘Amazônia’

Com fotos tiradas durante uma viagem à Amazônia, a exposição e o livro contêm 200 fotos em preto e branco retratando a região amazônica, que incluem fotos de paisagens, rios, montanhas e tribos indígenas que habitavam a região na época. 

A obra é resultado de expedições fotográficas na Amazônia brasileira, feitas a partir do final da década de 1990, mas em sua grande maioria realizadas entre os anos de 2013 e 2019, quando o fotógrafo passou longas temporadas com doze comunidades indígenas isoladas, navegou no Rio Amazonas e sobrevoou a floresta.

Xamã Yanomami em ritual durante a subida para o Pico da Neblina. Foto: Sebastião Salgado

Exposição ‘Gold – Mina de Ouro Serra Pelada’

A exposição contava com 56 fotografias feitas por Sebastião na década de 80. Fotografada no Garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará, a exposição retrata as histórias dos garimpeiros que sonhavam em mudar de vida e daqueles que enriqueceram às custas dos trabalhadores.

Sebastião fotografou as dezenas de milhares de homens que transformaram uma serra de morros em uma enorme cratera e as pessoas cobertas de lama e suor arrastando os sacos de minério.

Leia também: Amazônia: a geografia do garimpo

Serra Pelada. Foto: Sebastião Salgado

Calendário com indígenas do Acre 

Durante uma visita ao Acre em 2016, o fotógrafo passou 20 dias com o povo Ashaninka e 20 dias com o povo Yawanawá, o que resultou em um calendário feito com fotos dos indígenas.

Saiba mais: Indígenas do Acre são tema de calendário criado pelo fotógrafo Sebastião Salgado

Indígena do Acre. Foto: Sebastião Salgado

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Startup de Manaus é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo

ForestFi é uma startup situada na cidade de Manaus. Foto: Divulgação

Uma abordagem que colabora para a manutenção da floresta em pé, por meio da tecnologia blockchain, e conecta sistemas produtivos rurais a mercados de investimentos sustentáveis. Este é o grande diferencial da ForestiFi, fintec de tokenização de ativos da bioeconomia amazônica apoiada pela AMAZ Aceleradora de Impacto, que foi eleita como uma das startups de sustentabilidade mais inovadoras do mundo pela Change 100, a campanha global da We Make Change. 

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O anúncio foi realizado durante o “ChangeNOW”, maior evento global de soluções para o planeta, em Parisl. A seleção recebeu centenas de candidaturas de todo o mundo e teve apoio de organizações líderes, como a Microsoft Entrepreneurship for Positive Impact e a Techstars. A lista com todas as selecionadas está disponível no site: www.wemakechange.org/change100. 

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ForestFi, startup de Manaus
Startup ForestFi é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo. Foto: Reprodução/Site

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“Esse reconhecimento vem para validar o trabalho que viemos fazendo com a ForestiFi ao longo de pouco mais de um ano de operação, em que temos desenvolvido esse mecanismo alternativo de investimento nas cadeias produtivas da bioeconomia na Amazônia”, afirma o cofundador Macaulay Abreu. 

Fundada em 2023 no estado do Amazonas, a plataforma tokeniza produtos da biodiversidade amazônica como o guaraná e a castanha e garante transparência, maior eficiência, menor custo e segurança nas transações. 

A Forestifi oferece uma plataforma onde investidores podem comprar tokens de ativos da sociobiodiversidade. Os valores beneficiam diretamente sistemas produtivos rurais e contribuem para a recuperação de áreas degradadas, na mesma medida em que retornam com juros para quem investiu. 

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ForestFi, startup de Manaus
Startup ForestFi é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo. Foto: Reprodução/Site

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Desde o início dos trabalhos, a plataforma já tokenizou cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem, movimentando quase R$ 500 mil. Em abril, em parceria com a Zeno Nativo — outra startup apoiada pela AMAZ —, a ForestiFi transformou 1.850 quilos de castanha da Amazônia em ativos digitais, arrecadando R$ 114,7 mil que beneficiaram mais de 50 famílias extrativistas da região do Rio Acará (PA). 

Como uma das eleitas pela Change 100, a startup será conectada a recursos estratégicos, programas de apoio e uma rede global de mais de 50 mil voluntários remotos, incluindo especialistas de empresas como Standard Chartered Bank, PA Consulting e Grundfos.Além disso, a ForestiFi se prepara para conectar mais investidores a sistemas produtivos da sociobiodiversidade. “Nosso foco está em ampliar o número de ativos disponíveis e facilitar o acesso de novos investidores a esses produtos, fortalecendo as organizações por meio da compra dos tokens. Além disso, até o final deste ano, pretendemos lançar uma nova versão da plataforma, com modelos inéditos de investimento voltados às cadeias produtivas”, completa Abreu. 

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Apoio da AMAZ

Desde o início de 2025, a ForestiFi é uma das startups apoiadas pela AMAZ, a principal aceleradora de negócios de impacto socioambiental que atuam na Amazônia Legal. Atualmente, o negócio se encontra na fase de “Tração”, período em que a empresa se concentra na aceleração de resultados no mercado, como a captação de clientes e o aumento de receita. 

A líder de operações da AMAZ, Gabriela Santos, exalta a eleição como um marco para o ecossistema regional. 

“Estamos gerando impacto na ponta e, ao mesmo tempo, sendo capazes de reforçar a bioeconomia como vetor de inovação na Amazônia. A AMAZ e o Idesam [Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia] trabalham para fortalecer e trazer luz a soluções que estão sendo desenvolvidas localmente e podem ser replicadas como casos de sucesso, o que demanda apoio contínuo e próximo no longo prazo, como investidores e parceiros”, destaca. 

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Sobre a ForestiFi

ForestFi, startup de Manaus
Startup ForestFi é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo. Foto: Reprodução/Site

A ForestiFi é uma plataforma de investimentos de impacto que conecta investidores a cadeias produtivas sustentáveis da Amazônia, utilizando tecnologia de tokenização para garantir rastreabilidade, liquidez e transparência. Já estruturou tokens vinculados a produtos como cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem. 

Florestas tropicais não estão se adaptando rapidamente às mudanças do clima, alerta estudo global

Trecho da Floresta Amazônica no Acre. Foto: Pedro Devani/Secom AC

A Amazônia e outras florestas tropicais nas Américas estão se adaptando muito lentamente às mudanças climáticas, o que aumenta sua vulnerabilidade a secas, ondas de calor e perda de biodiversidade. Este é o alerta de um recente estudo internacional publicado na revista científica Science.

Três biólogos do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Jhon del Águila Pasquel, Gerardo Flores Llampazo e José Reyna Huaymacari – participaram do desenvolvimento deste estudo.

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Segundo o IIAP, a contribuição desses especialistas foi fundamental na análise de dados coletados ao longo de mais de 40 anos, abrangendo mais de 250 mil árvores monitoradas em 415 parcelas permanentes de florestas tropicais, que se estendem do México ao sul do Brasil.

As descobertas indicam que, embora algumas espécies de árvores tropicais estejam desenvolvendo adaptações, como folhas menores ou perda sazonal de folhagem, essas mudanças estão ocorrendo em uma taxa muito abaixo daquela necessária para lidar com os cenários climáticos projetados.

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Apenas 8% das árvores adultas e 21% das árvores jovens apresentam características que poderiam favorecer sua sobrevivência em um clima mais quente e seco, demonstrando uma resposta insuficiente à aceleração das mudanças climáticas.

Essa lentidão na adaptação compromete a capacidade das florestas de manter funções vitais, como sequestro de carbono, regulação da água e conservação de habitat para diversas espécies. Além disso, espera-se a formação de comunidades vegetais muito diferentes das existentes atualmente, gerando desequilíbrios que afetariam não apenas as plantas, mas também a fauna, a fertilidade do solo e a estabilidade geral do ecossistema.

A pesquisa, liderada por Jesús Aguirre-Gutiérrez, da Universidade de Oxford, envolveu mais de 120 cientistas de várias instituições ao redor do mundo.

*Com informações da Agência Andina

Segunda edição do ‘Amazon On’ abordará soluções tecnológicas e sustentáveis para a Amazônia

‘Amazon On’ discute soluções para a Amazônia. Foto: Divulgação

O ‘Amazon On Connectivity & Sustainability 2025‘ é um espaço para apresentar e debater soluções que combinam tecnologia e sustentabilidade para expandir a conectividade, a infraestrutura e a inclusão digital na Amazônia e no mundo, buscando promover transformação social com preservação socioambiental.

Com esse objetivo, a segunda edição do evento em Manaus, capital do Amazonas, reunirá especialistas em tecnologia e sustentabilidade, empresas multinacionais e locais, autoridades públicas e entidades internacionais.

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O coordenador do evento, Moisés Moreira, explica que entre as principais metas do encontro estão:

  • promover soluções digitais sustentáveis para a Região Amazônica;
  • aumentar a conectividade em comunidades isoladas;
  • estimular o debate sobre a importância da inovação para a preservação ambiental;
  • e a criação de uma rede de colaboração entre ONGs, governos, centros de pesquisas, startups e grandes empresas.

“Nosso objetivo é debater tecnologias que promovam o desenvolvimento econômico sustentável na Região Amazônica. Queremos mostrar iniciativas e ideias efetivas que já estão sendo colocadas em prática, e mostrar como essas novas tecnologias podem trazer benefícios para as populações amazônicas, especialmente as ribeirinhas, indígenas e quilombolas”, destacou Moisés Moreira.

Moisés Moreira no ‘Amazon On’. Foto: Divulgação

Reunindo os principais atores de setores estratégicos para discutir o cenário atual e apresentar soluções de sustentabilidade para a Amazônia, o ‘Amazon On 2025’ mostrará o quanto a tecnologia sustentável auxilia na busca de soluções inovadoras, quer em fase de desenvolvimento ou já em prática, que são capazes de minimizar o impacto ambiental sobre a biodiversidade e as comunidades da região.

Entre os temas que serão abordados pelos palestrantes estão as tecnologias voltadas para a sustentabilidade, proteção ambiental e enfrentamento às mudanças climáticas, fontes renováveis de energia, inteligência artificial e o impacto da COP30 sobre o mercado digital na Amazônia.

Segundo ano de Amazon On

O ano de 2025 marca a segunda edição do Amazon On Connectivity & Sustainability. A primeira aconteceu em setembro de 2024 e contou com a presença de gestores de instituições públicas, entidades internacionais e empresas nacionais e internacionais ligadas aos setores tecnológico, de comunicação e energético.

Neste ano, o evento reunirá 400 pessoas por dia em um novo espaço: o Amazon On 2025 acontecerá no Centro de Convenções Vasco Vasques, na Avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, Zona Oeste de Manaus. Além do espaço mais amplo, o Amazon On contará com novas áreas de relacionamento, como espaços para reuniões bilaterais, estandes de relacionamento e locais exclusivos para o networking. O evento acontece nos dias 20 e 21 de agosto.

*Com informações da assessoria

Mestre Sacaca

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Foto: Reprodução/Blog Porta Retrato-AP

O amapaense Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca, foi uma figura importante para o cenário cultural do Amapá. Nascido em 1926, em Macapá, Sacaca era conhecedor da medicina natural, tocador de caixa de marabaixo e artesão de instrumentos, além de ter um papel fundamental na preservação da cultura indígena tucuju. Ele se casou com Madalena Souza, a primeira Miss Amapá, com quem teve 14 filhos.

Ao longo da vida, foi uma liderança comunitária de destaque, pois participou da fundação da União dos Negros do Amapá (UNA) e da primeira associação de idosos do estado. Ele também marcou presença no carnaval amapaense, coroado por mais de 20 anos como Rei Momo, e nos campos de futebol, onde atuou como técnico e massagista, sendo peça-chave no histórico título do Esporte Clube Macapá, campeão do primeiro Copão da Amazônia, em 1975, ao lado de craques como Bira.

Mas foi mesmo na relação com a natureza que construiu seu maior legado. O ‘doutor da floresta’ ou ‘curador da floresta’, como era chamado, era procurado por moradores de todo o Amapá em busca de tratamentos naturais, chás e ervas medicinais. Na década de 1990 apresentava o programa ‘A Hora do Campo’, da Rádio Difusora de Macapá, ensinando sobre as propriedades medicinais das plantas. Além disso, também escrever três livros, nos quais catalogou plantas com uso terapêutico.

*Com informações do Governo do Amapá