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Veja quais lendas, mitos, figuras e rituais o Garantido levou para o bumbódromo no 58° Festival de Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/SEC-AM

Com o tema o tema ‘Boi do Povo, Boi do Povão’, as três noites do boi-bumbá Garantido no 58° Festival Folclórico de Parintins, exaltam sua origem na Baixa da Xanda, suas conexões com os povos indígenas, quilombolas e a cultura popular brasileira em um conjunto de apresentações que dialogaram com o passado, o presente e as lutas contemporâneas do país.

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Veja quais lendas, mitos, figuras e rituais foram apresentadas ao público nesta edição:

1ª noite – 27 de junho: Somos os povos da floresta

Lenda amazônica – Tapyra’yawara

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

A Tapyra’yawara é uma figura mítica da Amazônia, descrita nas cosmologias de povos indígenas da região. representando não apenas um ser mitológico, mas também uma figura espiritual de grande poder e influência. O nome “Tapyra’yawara” é derivado do Tupi, onde “tapir” se refere à anta e “-iauara” à onça, resultando em uma representação que combina características de ambos os animais. simbolizando forças da terra e da água, da vegetação densa e das águas impetuosas, tornando-se um ser fundamental nas narrativas que tratam da interação entre seres humanos e o meio ambiente na Amazônia.

Desde o início da colonização da Amazônia os brancos têm ouvido dos indígenas suas histórias. Na crença do povo Maraguá, a Tapyra’yawara é um dos grandes e temidos espíritos dos felinos- um dos seis espíritos protetores da natureza, habita junto aos demais espíritos na Ãgaretama – o mundo espiritual, mas quando se manifesta, aparece exclusivamente nos igarapés. Entre troncos de árvores submersos, costumam nadar. E quando anda, de longe se ouve os barulhos dos galhos de paus quebrando enquanto passa. Seu cheiro forte é quase insuportável, porém é sua maior característica. Quem o sente, tem grande dor de cabeça e tonteira.

Tapyra’yawara atua como um protetor das florestas, prevenindo a exploração desenfreada e o uso irresponsável dos recursos naturais. Esse espírito das onças é visto como uma espécie de vigilante que, ao observar as ações humanas, pode intervir de maneira punitiva, especialmente quando detecta práticas prejudiciais ao meio ambiente, como a caça excessiva e o abuso dos recursos da floresta. Sua intervenção é vista como uma forma de restaurar a ordem e corrigir os desequilíbrios provocados por aqueles que infringem as leis naturais.

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Figura títpica regional – Povo Negro da Amazônia

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

Em sua apresentação explica que o povo negro da Amazônia é diverso, presente do Acre à foz do rio Amazonas. Vozes silenciadas por séculos agora reverberam por autoafirmação e lutam por certificações de territorialidades quilombolas, urbanas e rurais. Gente como o Mestre Irineu, criador do Santo Daime no alto rio Juruá; como Dona Xanda, líder quilombola de Parintins, mãe do mestre Lindolfo, criador do Boi Garantido; e como o mestre Damasceno, da Ilha do Marajó, são exemplos de lideranças de uma afroamazoneidade que partilha saberes, territórios e vidas com os povos originários.

 Quando soam os tambores nas festas de São Sebastião e São Benedito, em várias comunidades amazônicas, esse povo negro e plural expressa sua cultura e fé em caboclos, encantados, voduns e orixás, fazendo a gira girar na busca constante por paz, direitos e liberdade. O Garantido, boi do Quilombo da Baixa, que tem o branco da paz de Oxalá e o vermelho da justiça de Xangô, neste ano regido por Iansã, apresenta no item 15, Figura Típica Regional: O Povo Negro da Amazônia

Ritual indígena – Moyngo, a iniciação maragareum

Os Ikpeng vivem na região do Médio Xingu, segundo os anciões, o pajé Maragareum, em um transe profundo, recebeu revelações das deusas ancestrais: rios de almas cantando em tons sombrios, homens-peixe ossificados emergindo das águas, onças aladas rugindo no céu e uma floresta habitada por primatas medonhos e escorpiões de fogo. Para romper o ciclo do mal, os Ikpeng realizam o rito de iniciação Moyngo, no qual um primogênito é escolhido para proteger os segredos da terra.

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

O menino iniciado recebe a fumaça ancestral, que permite aos espíritos sagrados tatuarem seu rosto com os signos das feras da mata e dos rios. Ungido com as ervas ankuingo, que carregam os segredos da floresta, ele é revestido com a otxilat, uma armadura divina que o protegerá em sua jornada pelo mundo dos mortos. Camuflado com a tez da floresta, o iniciado percorre um caminho obscuro até a maloca do céu, onde deve encontrar os segredos da terra e vencer o mal.

Em um estado de nirvana induzido pela fumaça e pelo rapé, o pajé Ikpeng-txipaya enfrenta e vence as feras antagônicas, abrindo o caminho para o iniciado retornar como um guerreiro vidente. Guiado pelas árvores caminhantes, que guardam os segredos da terra, o jovem Ikpeng assegura a continuidade da floresta sagrada e da linhagem de seu povo, evitando que a floresta e sua cultura desapareçam. Essa narrativa épica e ritualística revela a profunda conexão dos Ikpeng com o cosmos, a natureza e a luta pela preservação de sua identidade e sabedoria ancestral.

2ª noite – 28 de junho: Terra brasileira

Lenda Amazônica – A lendária epopeia de Tamapú

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

Na era pré-colombiana, tempo da formação de impérios e grandes cacicados, quando humanos e animais se falavam, quando natureza e cultura se entrelaçavam em amores e lutas, o guerreiro Tamapú se apaixonou pela princesa do Palácio dos Ossos, a mulher ave de rapina com corpo plumado, a filha do rei do império dos urubus. Esse amor será levado à prova.

O Urubu Rei submeterá Tamapú a sacríficos e torturas. O Guerreiro vai enfrentar camirangas, carcarás, aranhas e formigas gigantes, só assim poderá se casar com princesa. O amor superará a dor. Da paixão vem a coragem e força que faz o guerreiro derrotar os gigantes do temido reino dos urubus. A princesa se despe da plumagem, se torna uma bela cunhã, a Cunhaporanga que com Tamapú viverá!

Figura típica regional – Tacacazeira da Baixa

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

A criação do tacacá é atribuída às raízes culinárias indígenas. Indícios apontam que o prato é uma variação da mani poi, uma sopa que era consumida pelos povos originários do Brasil muito antes da chegada dos europeus na região. O primeiro registro escrito de que se tem notícia sobre o tacacá, remonta ao século XVI, de autoria do padre capuchinho Abbeville em sua descrição das práticas alimentares indígenas (Câmara Cascudo, 2004). A palavra tacacá deriva do nheengatu ou língua geral, o tupi veicular da Amazônia.

Seu preparo e consumo continuam sendo preservados de forma autêntica pelos habitantes da região, que mantêm viva a tradição ancestral. A mandioca brava, um ingrediente fundamental na elaboração do tacacá, é um símbolo de grande relevância no Brasil, tanto cultural quanto historicamente.

É vendido em barracas nas ruas, praças, arraiás e feiras de Parintins, o tacacá não é apenas uma iguaria local, mas um símbolo de pertencimento e resistência cultural. As tacacazeiras são as responsáveis por preservar e transmitir essa tradição, muitas vezes herdada de suas mães e avós. Na Baixa do Boi Garantido, durante o período do Festival Folclórico de Parintins, o aroma do tacacá se mistura ao som dos tambores e ao colorido das apresentações, criando uma atmosfera mágica e inesquecível. As tacacazeiras, com seus trajes típicos e sorrisos acolhedores, são parte fundamental dessa festa, oferecendo não somente o alimento, mas também um pedaço da história e da identidade do povo parintinense.

Ritual indígena – Ritual Ajié

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

Na cosmovisão Madija Kulina, existem os mundos da terra e da água, o submundo e o mundo superior. Tocorimes são espíritos, seres não humanos habitantes destes universos. O ritual Ajié é a grande festa anunciada, rica e farta de comida, bebida, música, dança e alegria. Chegam Madija Kulina dos rios Jutaí, Purus, Juruá e os parentes Kanamari, Katukina e Kaxinawá.

Quando maracá, jojori e torori espalham seu som pelo ar, é sinal que o Ajié vai começar. Tinturas de urucum e jenipapo lhes darão a aparência da onça. O rapé e a ayahuasca os levarão a patamares sobrenaturais. Cantos evocam tocorimes dos vários mundos. O urutal é mal presságio. A confraternização se fragmenta, a festividade alegre se torna tensa, os conflitos espirituais afloram, o temor se espalha, a guerra é iminente. Somente a grande força do Tocorime Onça poderá apaziguar e trazer a alegria de viver aos Madija!

3ª Noite – 29 de junho: Bois do Brasil

Lenda Amazônica – Deusa das Águas

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

O Boi Garantido apresenta na 3ª noite o item 17, Lenda Amazônica, a ‘Iara, a Deusa das Águas’. Na Amazônia profunda, existe uma deusa guardiã: a senhora dos rios, lagos, igarapés e paranás. É a fascinante Iara, um ser com cauda de peixe e corpo de mulher.

Presente nos remansos e corredeiras, dominando banzeiros nos furos e peraus, Iara pune aqueles que ameaçam suas águas, mas protege os que sabem viver em harmonia com seus mananciais. No reino das águas de Iara, botos e tantos outros seres encantados celebram sua existência. Em noite de festa, chegam Mariana, Janaína e Iemanjá, mães das águas que vieram homenagear a deusa protetora das águas da Amazônia.

Figura típica regional – Artesã indígena

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

Para o Garantido mulheres artesãs representam a força da luta ancestral em defesa de suas culturas, territórios e modos de vida tradicionais. O artesanato das mulheres indígenas expressa saberes milenares, transmitidos de geração em geração. São grafismos, cerâmicas, cestarias, artes plumárias, colares, pulseiras, brincos, braceletes, cocares e maracás. No passado colonial, toda essa riqueza material foi tomada para compor coleções em museus ao redor do mundo.

Hoje, são verdadeiras joias feitas de sementes e fibras naturais, um tesouro ecológico que reafirma a identidade e garante renda para as mulheres Tikuna, Kokama, Baniwa, Sateré-Mawé, Hixkaryana e tantas outras indígenas da Amazônia. As artesãs indígenas são guardiãs da floresta; suas artes são sublimes formas de preservação. São elas as homenageadas nesta noite, no item 15, Figura Típica Regional.

Ritual indígena – Ritual Bahsesé

Imagem: Reprodução/Revista Garantido 2025

Bahsese é um ritual de cura do povo Tukano, da região do Alto Rio Negro, que trata seus doentes por meio de uma medicina milenar baseada nas forças cósmicas.

Saúde, doença e cura estão entrelaçadas com as forças do universo. Para acessar essas forças, o povo Tukano conta com os kumuã, pajés que exercem atividades especializadas na arte milenar de curar, por meio da inalação do patu, kahpi, tabaco e paricá, que permitem a transcendência ao cosmo.

São três os kumuã especialistas na cura ritual do Bahsese: yai, que transcende e identifica a doença; o kumu, que prepara o corpo do paciente para a cura; e o baya, que evoca a força de Buhpó, o “avô do mundo”, ordenador do cosmo e senhor de todas as forças do universo.

Para o povo Tukano, Buhpó é o princípio e a essência de todo o conhecimento necessário para se alcançar a cura.

Saiba como é e o que mostra uma visita mediada pelo Bumbódromo de Parintins; vídeo

Bumbódromo de Parintins. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Quem chega na cidade Parintins na época do Festival Folclórico não perde a oportunidade de registrar o momento em um dos maiores pontos turísticos da cidade amazonense: o bumbódromo. Mas você sabia que é possível participar de uma visita mediada na arena que recebe a disputa de Caprichoso e Garantido?

visita mediada pelo Bumbódromo de Parintins
Saiba como é uma visita mediada pelo Bumbódromo. Foto: Divulgação

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A visita ao Centro Cultural de Parintins acontece nos dias de festival, no final do mês de junho com agendamento prévio gratuito pelo site da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, sempre no dia anterior. São cerca de 40 minutos cada visita dividas por horário. Veja como é um dos trajetos oferecidos:

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Saiba quais projetos do Arraiá Amazônico unem cultura e inclusão no Amapá

O projeto Arraiá Amazônico, promovido pela Fundação Rede Amazônica (FRAM) em Macapá (AP), tem reforçado o papel das festas juninas como instrumento de cultura, inclusão social e educação ambiental.

Inspirada nas celebrações tradicionais do Amapá, a iniciativa contempla uma série de ações que percorrem escolas públicas, instituições sociais e espaços de grande circulação, promovendo acesso à cultura popular e à cidadania.

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Veja três frentes do projeto que promovem a inclusão:

Arraiá Amazônico

O Arraiá Amazônico é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA-Amapá), Associação Casa da Hospitalidade, Lar Betânia – Casa da acolhida Marcello Candia; e apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Amapá (Secult), Governo do Amapá e Tratalix Serviços Ambientais.

No Curral do Caprichoso – Dona Dora, a guardiã do Curral Zeca Xibelão

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Em meio à correria dos preparativos para o Festival Folclórico de Parintins, quando o Curral Zeca Xibelão, do boi Caprichoso, se transforma no verdadeiro quartel-general da Nação Azul e Branca, uma figura se destaca não apenas pela experiência, mas pela dedicação e respeito que inspira: Auxiliadora Pereira da Silva, conhecida carinhosamente como Dona Dora. Aos 75 anos, ela é mais que diretora do curral do Boi Caprichoso, é sua guardiã.

Natural de Parintins, Dona Dora carrega o Caprichoso no sangue desde antes de nascer. Ela conta que sua história com o touro negro começou ainda na barriga da mãe.

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

“Ela já era Caprichoso, então eu já nasci Caprichosa. Ou seja, desde criança brincava nos antigos ensaios, quando o curral era no Urubuzal, sob o comando do lendário Seu Luís Gonzaga. A gente brincava lá, ensaiava. A minha vida sempre foi o Caprichoso”, afirma Dora.

A história de dona Dora se mistura com a evolução do próprio curral. Ela começou como servente na escolinha, ainda nos tempos em que funcionava no Estádio Sagrado. Com o tempo, foi ganhando espaço, respeito e responsabilidade.

Hoje, é a diretora do espaço que concentra boa parte das operações da associação folclórica: desde logística, figurinos, atendimento aos sócios e até o setor social. “Tudo que precisam, vêm atrás de mim. Chave, sala, figurino, ensaio. Aqui a gente resolve”, brinca.

Mais do que trabalhar, dona Dora vive o boi. Seu olhar firme e sorriso constante refletem a paixão que move sua rotina. Quando questionada sobre as dificuldades do cargo, responde sem hesitar:

“A parte mais difícil? Acho que não tem. Porque eu gosto de tudo que eu faço aqui dentro. Eu amo estar aqui”.

Apesar da longa trajetória, dona Dora ainda se emociona como uma torcedora novata. Para ela, não há momento mais marcante do que ver o troféu de campeão chegar ao curral: “É quando a emoção explode. A gente vê que todo o esforço valeu a pena. É uma felicidade que não dá para explicar”.

Testemunha viva das transformações do Festival de Parintins, ela celebra a visibilidade que o evento ganhou com a era digital.

“Hoje, com a internet, o mundo inteiro tá vendo o boi. E ainda vai crescer muito mais. Eu convido quem não conhece a vir, porque é uma festa maravilhosa, até melhor do que o Carnaval do Rio de Janeiro”, assegura, com brilho nos olhos.

Conselheira, costureira e diretora do Curral. Dora desempenha vários papéis. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

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No vaivém dos ensaios, confecção de alegorias e ajustes finais, dona Dora segue firme, orientando, costurando, resolvendo problemas e, sobretudo, mantendo viva a chama do Caprichoso.

Ela não veste apenas a camisa do boi: costura sua própria história na memória do Festival. E como toda guardiã, garante que cada detalhe do curral siga no compasso exato da paixão azulada.

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

No Curral do Garantido – Élio Siqueira usa dança como instrumento de afirmação cultural

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

No coração da Baixa da Xanda, um dos redutos mais tradicionais do Boi Garantido em Parintins (AM), nasceu uma paixão que atravessa décadas e se traduz em arte no Festival Folclórico mais emblemático do Brasil. Aos 48 anos, Élio Siqueira é coreógrafo e instrutor de dança, e hoje ocupa um dos cargos de maior responsabilidade dentro da associação folclórica: a coordenação geral do núcleo cênico-coreográfico do Garantido.

A relação de Élio com o Boi vem desde a infância. “Aqui em Parintins tudo é respirar boi, é respirar arte. Eu morava perto da Baixa da Xanda, e quando o Boi passava na Alvorada, a gente corria pra ver, mesmo sem poder acompanhar de perto por sermos curumins. Ficávamos só admirando. Foi ali que tudo começou”, relembra com carinho.

Inspirado por cenas que ainda carrega na memória, Élio menciona com emoção a toada ‘Compadre de Fogueira’, de Helen Veras, lançada em 2012. “Ela fala exatamente dessa sensação de quando o boi está na rua, dançando ao redor da fogueira… é muito forte. Traz à tona minha infância, minha conexão com o boi”, destaca.

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Mas transformar sentimento em movimento não é uma tarefa simples. “A gente tem tudo pronto na cabeça: 6, 7, 8… Mas quando vamos repassar para os corpos dos bailarinos é diferente. Não são dançarinos profissionais. São voluntários da comunidade. E isso exige paciência, sensibilidade, tempo”, explica Élio, que hoje ensaia com sua equipe tanto no Curral Lindolfo Monteverde quanto na arena do Bumbódromo.

Apesar dos desafios, os momentos de emoção são muitos. Para ele, alcançar a nota máxima com um trabalho bem executado é o ápice.

“A gente fala que para o artista bastam os aplausos. Mas aqui é competição, e a nota também representa a sensação de dever cumprido. É a consagração do que foi sonhado e construído”, destaca o coreógrafo.

Élio também é um dos fundadores do tradicional grupo ‘Garantido Show’, criado em 1996 e considerado uma escola de talentos do Garantido. “Todos os coreógrafos que atuam hoje passaram por lá. E eu, junto com o Pedro Evangelista, somos os únicos da formação original que permanecem no grupo até hoje. Ano que vem completamos 30 anos de história”, contou.

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Foto: Reprodução/Instagram

Quando questionado sobre o que o Boi Garantido representava em sua vida, Élio foi direto: “Realização.”

“Pode parecer clichê falar de amor. E é amor também. Mas o Boi é onde a gente realiza sonhos, abre portas, transforma a vida. É por meio dele que eu cresci como artista, como pessoa, e me conecto todos os anos com o que há de mais verdadeiro em mim”, diz.

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

No Curral do Garantido – Netto Barbosa, o artista por trás das gigantes alegorias

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Em Parintins, quando o Festival Folclórico se aproxima, o Curral Lindolfo Monteverde se transforma em um verdadeiro quartel-general. É no galpão das alegorias que vibra o coração do espetáculo cênico que toma conta do Bumbódromo. Lá, em meio a ferros, isopor e tintas, atua o artista plástico Netto Barbosa, de 32 anos, um dos principais nomes por trás das impressionantes criações visuais do bumbá vermelho e branco.

A movimentação no galpão durante a retirada da alegoria que representa a lenda indígena Tapiraiauara já mostrava a dimensão do trabalho. Com 23 metros de altura e composta por nove módulos, a estrutura é resultado de um trabalho coletivo que envolveu mais de 20 profissionais, entre soldadores, escultores, pintores e artesãos.

“Esse é, sem dúvida, um dos maiores projetos que estou executando junto com a minha equipe”, afirma Netto, com brilho nos olhos.

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Responsável por liderar a execução das alegorias, Netto detalhou o processo criativo. “Recebemos o conceito da Comissão de Arte. A partir disso, elaboramos uma maquete, planejamos as esculturas e começamos a execução no barracão, escultura de ferro, isopor, revestimento, pintura, decoração. É um processo longo e muito intenso”.

Netto, que cresceu imerso na cultura do boi-bumbá, carrega a paixão pelo Garantido no sangue. “Sou garantido, com certeza. Toda a minha família é. Meus pais são sócios fundadores. Tenho certeza que eles estão felizes vendo o resultado do nosso trabalho”, contou.

Netto acompanhou o translado de sua obra para o Bumbódromo de Parintins. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

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Mesmo exausto pela maratona de dias sem dormir, o artista se sente recompensado:

“É cansativo demais, mas quando a gente vê a reação da galera, o sorriso do torcedor vermelho e branco, tudo vale a pena”, afirmou Netto, se emocionando ao observar a grande figura do Tapiraiauara.

Parintins para o mundo ver

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No Curral do Caprichoso – Robson Costa, o coreógrafo paraense que une carimbó e boi-bumbá

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Imagine amar tanto uma festa cultural, que você atravessa estados, organiza um grupo com mais de 50 integrantes e, todos os anos, encara a jornada até a Ilha Tupinambarana para viver tudo intensamente. É isso que faz o coreógrafo paraense Robson Costa, responsável por levar o grupo de dança ‘Carimbó do Pará’ de Santarém para o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, onde se apresenta ao lado do boi Caprichoso, especialmente no item 15: Figura Típica Regional.

Com sorriso fácil e bom humor, o coreógrafo faz alguns ensaios no Curral Zeca Xibelão, reduto da nação azul e branca, e logo desconstrói a ideia de distância. “A gente sabe que é bem perto, né? Santarém está no Pará, Parintins no Amazonas, mas o coração bate no mesmo ritmo”, brincou.

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A relação entre Robson e o Festival começou há mais de oito anos, com um convite do amigo Jair Almeida para integrar o corpo de dança do Caprichoso. Desde então, seu grupo tornou-se parte essencial da cena coreográfica da agremiação.

“Nós atuamos no item Figura Típica Regional e é uma responsabilidade que a gente assume com muito carinho e seriedade”, explica.

Robson trabalha com itens oficiais do Caprichoso. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Do carimbó ao boi-bumbá

Levar a identidade cultural do carimbó para dentro da arena do Bumbódromo é um dos grandes desafios e, ao mesmo tempo, um dos principais encantos do trabalho de Robson. “É um entrelaçar de movimentos, ritmos e tradições. São culturas diferentes, mas que se completam dentro desse grande espetáculo que é o Festival”, destaca.

Apesar da distância, das dificuldades logísticas e dos desafios de adaptação às demandas do boi, Robson não se abala: “É tudo muito cauteloso, exige atenção e entrega. Mas no final, sempre conseguimos apresentar algo grandioso. O importante é manter o espetáculo vivo e autêntico”.

Emoção que atravessa fronteiras

Treinar o grupo no curral do Caprichoso é, segundo Robson, uma experiência única. “Dançar aqui dentro e depois no Bumbódromo é emoção pura, arrepia. A gente sente a realização tomando forma a cada ensaio, a cada gesto”, diz, com os olhos brilhando de entusiasmo.

Para ele, estar presente no Festival de Parintins é mais do que uma participação artística, é uma jornada emocional que se renova a cada ano.

“Desde pequeno acompanho o festival. Quem ama cultura, vive isso intensamente. E co00m o Caprichoso, a gente cria uma relação de amor mesmo. É isso que define minha trajetória aqui: amor”, declarou.

Parte da equipe “Carimbó do Pará”. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

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Transformações e intercâmbio cultural

Ao longo dos anos, Robson testemunhou várias mudanças no festival. Segundo ele, a principal transformação foi o fortalecimento do intercâmbio cultural. “Os grupos que compõem o espetáculo vêm de diferentes lugares do Brasil. Isso aproxima pessoas, une tradições e enriquece ainda mais o Festival. É lindo ver essa troca acontecendo, ano após ano”, ressalta.

Em meio aos desafios e superações, Robson Costa é hoje uma ponte viva entre o Pará e o Amazonas, entre o carimbó e o boi-bumbá. Sua história representa o espírito colaborativo e apaixonado que faz do Festival de Parintins um dos maiores espetáculos culturais do Brasil.

E para Robson, em uma palavra, o que o Boi representa?

“Amor. Simples assim”.

Parintins para o mundo ver

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No Curral do Garantido – Alessandro Oliveira conta histórias da Amazônia por meio dos figurinos

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Na oficina agitada do Curral Lindolfo Monteverde, entre tecidos, penas e estruturas coloridas, uma figura se destaca pelo olhar atento e pelas mãos que transformam ideias em arte: Alessandro Oliveira, figurinista do Boi da Baixa do São José, em Parintins. Aos 32 anos, ele é responsável por criar as indumentárias de quatro importantes itens da apresentação vermelha: a Cunhã-Poranga (Isabelle Nogueira), a Rainha do Folclore (Lívia Christina), o Pajé (Adriano Paketá) e o Apresentador (Israel Paulain).

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Com um sorriso tímido, mas um orgulho evidente, Alessandro compartilha que sua história no Festival de Parintins começou cedo.

“Trabalho no festival desde os 16 anos. No Garantido mesmo, entrei em 2017, na transição para 2018. Desde então, venho trilhando esse caminho com muito respeito à cultura e à tradição do boi”, contou.

O trabalho de Alessandro vai muito além de costurar figurinos: ele realiza verdadeiras transformações. “A parte mais difícil do meu trabalho são essas mudanças. Cada figurino precisa se transformar na arena, contar uma história viva diante do público”, explicou. Ele especifica que essas transformações exigem criatividade, técnica e, principalmente, muito planejamento e articulação com os demais artistas e setores do bumbá.

Lidar com prazos apertados, alinhar equipes e garantir que tudo funcione no ritmo intenso do festival faz parte da rotina dentro do Lar do Garantido.

“Graças a Deus, consigo administrar bem a minha equipe e ainda manter um diálogo constante com a direção do boi. Tudo flui porque todos aqui compartilham o mesmo objetivo: emocionar o público”, falou Alessandro.

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Entre os muitos momentos marcantes de sua trajetória, um em especial permanece vivo em sua memória: a primeira vez que assinou um figurino principal. “Foi em 2018, na segunda noite do festival. O item era o Pajé, representado à época pelo André Nascimento. O figurino era inspirado em cobras. Ver aquilo ganhando vida na arena foi emocionante demais”, relembrou, com brilho nos olhos.

Ao longo dos anos, Alessandro testemunhou a evolução do Festival de Parintins. Para ele, a principal mudança está na visibilidade que o evento conquistou. “A cada edição, o festival cresce. Este ano, então, a atenção do Brasil inteiro parece estar voltada para Parintins. É uma alegria ver nossa cultura amazônica ganhando reconhecimento nacional”, afirmou.

A equipe de Alessandro enfrenta uma verdadeira maratona antes do Festival de Parintins. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Quando questionado sobre o que sente ao vestir o Boi Garantido com sua arte, Alessandro não hesita:

“Gratidão. Porque o Festival de Parintins é uma vitrine gigante. A gente trabalha duro o ano inteiro, e quando chega o festival, é como ver nossa alma dançando na arena”, diz.

No mundo encantado dos bumbás, onde tudo se transforma em magia e tradição, Alessandro Oliveira é um dos artistas que dão vida ao espetáculo. Seus figurinos não apenas vestem personagens: eles contam histórias, emocionam e reforçam a grandiosidade de um festival que emociona a Amazônia.

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

No Curral do Caprichoso – Amaury Vasconcelos e a alma azul na loja oficial do Bumbá

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

No coração do Curral Zeca Xibelão, onde os tambores não param e os ensaios ganham ritmo acelerado na contagem regressiva para o Festival Folclórico de Parintins, no fim do mês de junho, um outro tipo de agitação toma conta de um dos espaços mais visitados do reduto azul e branco: a loja oficial do Boi Caprichoso. A loja se tornou ponto de encontro para quem busca levar consigo uma lembrança da magia do boi preto.

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À frente desse espaço que une arte, identidade cultural e economia criativa está Amaury Vasconcelos. Compositor apaixonado pelo Caprichoso e gestor dedicado, Amaury assumiu há seis anos a missão de conduzir a operação das lojas oficiais do boi, tanto em Parintins quanto na capital amazonense, Manaus.

“Faço parte da gestão do Boi nessa área comercial. Sou responsável pelas lojas oficiais, que têm como objetivo levar ao cliente final um pedacinho da arte parintinense, seja no artesanato ou na criação de uma camisa feita por nossos designers e pintada pelos artistas da terra”, explica.

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

A loja oficial é mais do que um ponto de venda, é uma vitrine viva da criatividade local. Cada peça, seja uma camiseta estampada, um colar artesanal ou uma toalha bordada, carrega consigo a essência do Caprichoso e o talento dos artistas que dão vida às alegorias, aos figurinos e à musicalidade do festival.

Segundo Amaury, esse é o diferencial que encanta visitantes de todo o Brasil e do mundo. “É gratificante receber essas pessoas. A gente consegue compartilhar um pouco do nosso conhecimento sobre o Bumbá com quem vem encantado conhecer a nossa cultura”, diz.

Mesmo diante dos desafios logísticos impostos pela geografia amazônica, Amaury mantém a qualidade como prioridade. “Muita coisa vem de fora – São Paulo, Rio Grande do Norte, Santa Catarina -, passa por Manaus até chegar aqui. A logística é complicada, mas a gente dá um jeito porque o padrão Caprichoso exige excelência”, afirma.

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Além de ser um elo entre os artistas e o público, Amaury vê na loja uma extensão de sua paixão pelo Boi. “O Caprichoso me inspira todos os dias. Como compositor, ele me inspira musicalmente. E na loja, ele me inspira a buscar sempre o novo, produtos diferentes, tecnologias novas. É essa inspiração que nos move a manter o padrão Caprichoso de qualidade”, resumiu com orgulho.

Quando perguntado sobre como definiria, em uma palavra, o amor que sente pelo Boi Caprichoso, a resposta vem rápida e certeira:

“Inspiração”.

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

O que você vai ser quando crescer?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Há quanto tempo não fazem a você esta pergunta? Provavelmente, fizeram várias vezes, como fizeram a mim, quando era criança. As respostas mais comuns para as crianças da minha época costumavam ser: médico, engenheiro, advogado, jogador de futebol… sempre se referindo a profissão que elas pretendiam seguir. Ou seja, o que elas iriam Fazer e não Ser. A pergunta mais correta então seria: o que você quer fazer quando crescer? Ser e Fazer não são a mesma coisa, não é mesmo?

Sobre o que você ainda quer ser, ou se tornar, o que você responderia hoje?

Como adultos somos capazes de diferenciar verbos como Ter, Fazer e Ser, mas há situações em que eles se confundem. Na base da pirâmide de Maslow, está a satisfação das necessidades básicas, diretamente relacionadas ao Ter. A sociedade de consumo, com todas as suas virtudes e defeitos, nos mantém por muito tempo na esfera do Ter, muito além das necessidades básicas. Incorporamos desejos que não são originariamente nossos e os transformamos em necessidades. Somos estimulados a crer que o nosso mérito está relacionado a termos coisas, que viram símbolos de conquistas, de competência e até de valor. Nesta faixa, valemos o que temos. Há pessoas que se situarão aí até o fim de suas vidas. É um tipo de crença que não permite liberar o nosso maior potencial e está fortemente relacionada ao apego, seja a pessoas, a objetos, ao dinheiro ou ao poder. No nível do Ter, a felicidade pode ser muito frágil.

Já a dimensão do Fazer, nos traz um outro tipo de gratificação. Aqui, o importante é a construção. É a energia própria dos empreendedores e muitos tipos de realizações são geradas a partir destas pessoas. Idealistas costumam ser capazes de grandes esforços em nome de algo em que acreditam. Artistas podem almejar a criação e a manifestação de seus sentimentos acima de qualquer outra coisa. Na esfera do Fazer também podemos encontrar a ilusão do movimento, um outro tipo de crença, a do estar sempre fazendo algo, ocupando o tempo com alguma coisa, mesmo que, ao final, não seja o que nos fará feliz.

É na esfera do Ser que se encontram as nossas maiores possibilidades de construir a felicidade. Aqui vale o antigo conselho de Sócrates: “Conheça-te a ti mesmo”, um importante passo para responder à pergunta: “o que você quer ser?”. Ou seja, qual é o ponto A em que você se encontra hoje e qual é o ponto B desejado? Processos de coaching frequentemente fazem uso desta lógica. A jornada do autoconhecimento, quando aprofundada, nos permite intuir a nossa missão, seja de vida, de um papel que exercemos ou de uma atividade a realizar. Nos possibilita também desenvolver um propósito, algo que nos move interiormente e a deixar um legado, fruto do que construímos ao longo do caminho.

Quando refletimos sobre o que queremos ser, somos estimulados a ser melhores pessoas, mesmo que não sejamos más pessoas. Sempre há o que evoluir. Podemos ainda ser mais gratos, mais altruístas, mais resilientes, mais desapegados e, no conjunto, mais felizes.

Pessoalmente, a esta altura da vida, tenho ainda muito a me tornar. Espero ainda ter tempo para crescer no Ser, muito além do que poderia Fazer ou Ter.

E você? O que deseja ainda se tornar? O que você deseja Ser e ainda não é?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista